Joao Pacheco de Oliveira Filho                                                                                            ...
Sumario                                                                              Apresenta~ao      9                  ...
A importfulcia das na,oes 116                             Capitulo 9: 0 Regime Tutelar    Os paptis de comando 118        ...
Capitulo 1:                                                interpreta~Oes, pelas quais teorias cientificas e tradi~oes cul...
Apoiando-se na considera~oo de urn conjunto de textos e autores 5 e         entrava a discussao te6rica sobre as fronteira...
portanto uma clara normatividade em relayno a forma de conduzir uma             A solW;tio dualistainvestigayno de Campo o...
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pretender encontrar nele uma falta, urn n1o enunciado, que sO viria a fazer       mplares em historia e cujo conhecimento ...
universal. Assim afirrnam Swartz, Turner & Tuden (1966:30): "0 que n6s         I ltimos fatores - vistos como nao sistemat...
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João Pacheco de Oliveira.
"O Nosso Governo" - cap 01

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Jpo o nosso governo - cap 01

  1. 1. Joao Pacheco de Oliveira Filho "0 Nosso Governo" Dados de Calatoga~iio n8 PubllcB~jQ (CIP) lntarnaclonsl Os Ticuna e 0 Regime Tutelar (C~mara Brasll.r," do Llvro, SP, ernUJ 052n Oli~~i~;S~~l:~~e;~~~ ~a~~e~~c~:; C 0 regime tutelar! Joao Pacheco de Oliveira Flthp. -- Sao Paulo; Marco Zero; [Brasilia, DF) : MCT/CNPq. 1988. Bibliografia. ISBN 85-279-0080-1 CDD-9S0.) 88-212) -980.5 Indices para callilogo slslemtihco. l. Indices: Brasil: AciD protecioniata do Estade 980.5 2. tndios ; Brasil: PoLitico governamental 980.5 3. tndios : Brasil; Tutela governament.l 980.5 4. Tucunas : Indios: tl:tirica do Sui 980.3 Editores: Maria Jose Silveira, Felipe Jose Lindoso, Marcio Souza Revisor responsaveL: Adalberto de Oliveira Couto Capa de Jorge CassoL com desenho de Pedro lnacio Pinheiro, NgematUcu, Capitao-GeraL dos Ticuna. Mostra 0 demonio Ucae sendo vencido por Yoi ao atacar 0 Lugar de reclusao de uma mOfa nova, na casa de Ngutapa. A cenaremonta aos tempo dos Maguta, onde todos os homens eram imortais, e ocorre no territorio sagrado do Ewaie, nas cabeceiras do 19arapi Sao Jeronimo. Copyright by © J030 Pacheco de Oliveira F2Direitos para publica~ao adquiridos pela Editora Marco Zero, R. Inacio Pereira Editora Marco Zero da Rocha, 273, CEP. 05432, Sao Paulo, SP, Telefone: (Oil) 815-0093. em co-edi~io com 0 MCT·CNPq Conselho Naclonal de Desenvolvimento ISBN 85-279-0080-7 Cientffico e Tecnol6gico2
  2. 2. Sumario Apresenta~ao 9 Capitulo 1: Os Obstaculos ao Estudo do Contato Introdm;;ao 24 A naturalizacao da sociedade 26 A soluCao dualista 29 o esquema das tres realidades culturais 32 Algumas contribuicOes para a analise do contato 36 Urn novo enquadrainento do social 37 Algumas teorias sobre 0 contato interetnico 43 a) a nocao de "situacao colonial" 43 b) a teoria da friccao interetnica 44 c) a m>cao de "encapsuIamento" e seus desdobramentos 49 Para uma analise de situacao 54 Capitulo 2: A Situa~ao de Seringal Introducao 60 o Autor Hist6rico politico-administrativo e apropriacao fundiaria 62 Os antigos patroes 70 Joao Pacheco de Oliveira Filho e antrop6logo, Professor Adjunto de A especificidade da empresa seringalista na regiao 77Etnologia d.o Programa de, Pos-Graduacao em Antropologia Social do A situacao historica de seringal 83Museu NaclOnai (UFRJ). E autor de vanos artigos sobre etnohistoria e Duas agencias de contato 86poli~ica .indigenist~. Organizou a coletanea Sociedad~s Indigenas eIndzgenzsmo, pubhcada pela Marco Zero em 1987. E presidente do Capitulo 3: Elementos de Organiza~ao SocialMaguta: Centro de Documentaf;oo e Pesquisa do Alto SolimOes, entidade Introducao: 0 mito de origem do povo Maguta 88que reline indios e pesquisadores em atividades de preservacao da cultura e Mito e historia 105dos direitos indigenas atuais. Lendo, no mito, a organizacao social 107 Distribuicao espacial das naf;oes 1124 5
  3. 3. A importfulcia das na,oes 116 Capitulo 9: 0 Regime Tutelar Os paptis de comando 118 Introdu~ao 236 A destrui~l1o das malocas 122 A domina~o colonial em estruturas acefalas 237 o tuxawa 125 Breve hist6rico dos capitiies de Umariacu 239 o poder do seringalista 130 A 16gica de sucessao ao cargo de capitiio 249 o controle e a coopera~o cotidiana dos indios na reserva 256Capitulo 4: 0 Reencantamento do Cotidiano Introducl1o 137 Capitulo 10: A Dimensao Oculta da Tutela Os crimes basicos 141 Introducao: os limites do dualismo 263 As puniCOes coletivas 144 A pluralidade de referenciais 265 o exfiio de Yoi 145 o "nosso govemo" (toru aegacu ) 267 A deteriora~o dos costumes 150 o lado <:>culto da tutela 274 . As visOes de Ngorane 153 Yoi eo "nosso govemo" 276 Quempode mostrar a salvacao? 154 o desencantamento do mundo e a retomada da queda 279Capitulo 5: A Forma~ao do Campo Indigenista Bibliografia Introducl1o 161 1. Sobre os Ticuna e 0 Alto Solimoes 281 Os conflitos cqm regionais 165 2. Documentos consultados·295 o florescimentodo PIT 167 3. Fontes estatisticas 298 A politica de recuoS e compromissos 171 4. Diciomirios 299 o encadeamento 16gico das acOes 172 5. Outros textos mencionados 299 6. Referencias te6ricas 302Capitulo 6: A Representa~ao Sobre Manuelao A epopeia do indigenismo 176 Rela~ao de Quadros Constantes no Trabalho 314 o tradicional eo novo 180 Manueliio eo "govemo dos indios" 183 Rela~ao de Mapas Constantes no Trabalho 314 A mensagem dos imortais 188 A consciencia hist6rica 191 Rela~ao de Graficos Constantes no Trabalho 315Capitulo 7: Os Componentes Basicos do Campo Introducao 193 A" reserva de Umariacu 195 Os grupos vicinais em Umariacu 197 A natureza dos grupos vicinais 204 o papel de capitiio 208Capitulo 8: 0 Exercicio da Tutela: Parametros e Compulsoes Introducao 214 o contexto regional do SPI 215 As linhas de atuacao dos encarregados 218 o paradoxa ideol6gico da tutela 222 Os referenciais da Administracao (doutrinas, imagens e praticas) 225 Criterios de eficacia para atuacao dos encarregados 229 o tutor e 0 patriio 2346 7
  4. 4. Capitulo 1: interpreta~Oes, pelas quais teorias cientificas e tradi~oes culturais Os Obstaculos ao Estudo do Contato pretendiam dar conta dos fenomenos ai incluidos. "a espfrito I}lo e de maneira alguma jovem quando se apresenta a cultura cientffica. E de fato muito velho, pois tern a idade de seus preconceitos. Ter accsso a ciencia e rem~ar espiritualmente, aceitar uma mutaeao brusca que deve contradizer urn lla5sado" (Bachelard, 1970:13-22). E preciso evitar tratar as ideias e os conceitos cientificos do passado unicamente como fatos de uma sequencia de "descobertas" que conduzem necessariamente na dir~lo de urn conhecimento sempre mais perfeito e atual - como 0 faz, por exemplo, uma hist6ria da ciencia de inspir~lo positivista, habitualmente instaIada nos manuais da disciplina. Jamais 0 analista conseguira romper com isso se continuar a enquadrar tais ideias e conceitos sob 0 prisma de "erros" ou de "aproxima~oes inexatas". De fato baseiam-se (tal como qualquer outra teoria, as atuais inclusive) em urn sistema integrado de conceitos, que permite refletir sobre certos aspectos da realidade, ao p~o de dificultar a apreenslo de oulros. Vma viagem as tradi~oes do passado sUpOe a paciencia de ver como 0 avan~o do conhecimento exige 0 ct>tabelecimento (e a posterior superacao) AS dados etnognificos sUpOem igualmente uma outra viagem sobre a de certas suposi~Oes basicas. As formula~oes inovadoras nao surgem qual mais raramente se fala: como foi constituido 0 olhar do pesquisador? diretamente da extra~ao, poda ou do enxerto de conceitos em urn complexo Quais as teorias e conceitos que 0 levaram a selecionar certos fatos como 16gico e te6rico diverso daqueles em que eles se encontram, mas sUpOe relevantes, fazendo silencio sobre outros? Quais os pressupostos uma "catarse intelectual e afetiva" em que obstaculos presentes (imagens, implicitos nas explica~oes que pretende fornecer? Aceitar falar sobre uma evidencias e pressupostos) slo devidamente explicitados e criticados. tal viagem significa posicionar-se claramente quanto aos conceitos e A presente tentativa de estudar os fenomenos do contato enquadra-se teorias existentes, explicitando e fundamentando 0 esquema de analise perfeitamente na dire~ao apontada por tais cogita~oes. Antes de apresentar utilizado, comparando-o com outras altemativas existentes e justificando os principios que iraQ orientar esta pesquisa, cabe procurar apontar, aindaas razoes de sua escol,ha. Vma curta recomenda~o de Bachelard destaea a que de forma esquematica, alguns dos principais obstaculos existentes na necessidade disto: "E preciso formar a razAo da mesma maneira que e tradi~lo antropologica ao estudo do contato interetnico. Dessa formapreciso formar a experiencia" (1968:147). escolhi penetrar na tematica do contato nao pelo lado da atualidade ou da Tal exercicio parece mais arriscado e fecundo quando se inicia sem urna proximidade, selecionando estudos mms recentes ou bcneficiando linhas detomada de posi~oo a priori, ou sem a pretensl10 de inventariar teorias no pesquisa desenvolvidas na propria etnologia brasileira, mas sim pela buscaintuito de reaflrmar a corr~o dos pr6prios conceitos. A busca mo e enlao dos principais obstaculos presentes em textos e autores consideradosde uma resposta, muito menos de uma paIavra-chave, mas de apreender a c1assicos da tradicao antropologica.racionalidade de construcao de algumas tentativas de resposta e como at se Os autores evolucionistas e funcionalistas, ao definirem 0 marco dacristaIizam certas resisrencias ao progresso posterior da pesquisa. disciplina, inauguram e prescrevem uma forma propria de olhar e pensar As teorias frequentemente partilham de certos pressupostos, remetem a sobre as sociedadeshumanas. Os conceitos elaborados por eles e seuspontos nodais que nlo se esgotam na men~loa urn autor especifico. Tais discipulos imediatos decorrem dessa pcrce~ao elemcntar, raramente sendoelementos se constituem em suportes basicos de evidencias, garantia do explicitados os seus pressupostos. as obstaculos ao estudo do contatoavan~o do conhecimento. Cristalizam-se concomitantemente como urn derivam de percep~oes desse tipo, localizadas na base dos principaisnovelo de resistencias as novas formas de elabora~lo conceitual, quadros te6ricos de referencia existentes na antropologia, de onde precisamtransformando-se no que a filosofia da ciencia francesa chamou de ser desentranhadas e submetidas a uma postura critica."obstaculo epistemol6gico" (Bachelard, 1970: 13-22). Em suas reflexoes sobre 0 processo de constitui~lo do espiritocientifico, Gaston Bachelard mostra que 0 ponto de partida para pensarsobre uma nova area de conhecimento nlo e fazer tabula rasa dos saberesanteriores, mas justamente fazer passar por um crivo critico tais24 25
  5. 5. Apoiando-se na considera~oo de urn conjunto de textos e autores 5 e entrava a discussao te6rica sobre as fronteiras etnicas de cada sistemapossivel apreender a existencia na tradi~~o antropol6gica de alguns (Barth, 1969:04), paralisando tambem a investiga~~o das interconexoesobstaculos basicos, situados em diferentes niveis de generalidade; ao que cada cultura mantem com as culturas circunvizinhas.estudo do contato interetnico. A segunda propriedade diz respeito a modalidade de abstra~ que sera praticada na analise social. 0 estudo de uma pessoa ou institui~ao coletiva requer nao a totalidade de tra~os ou padroes ali presentes, mas simA naturalizQ(;iio da sociedade distinguir aspectos que nao ~o exclusivamente de tal ou tal individuo, mas que se repetem em tOOos os integrantes de urn mesmo genero. A recorrencia de alguns desses elementos permitinl ao analista classificar Tylor utiliza as ciencias biol6gicas como urn paradigma para 0 esses trac;os ou padroes em tipicos ou contingentes, os primeiros passandoconhecimento dos fenomenos da cultura, propondo como tarefa basica do a ser organizados em termos de estruturas e submetidos a uma analiseantrop6logo proceder a uma compara~o sistematica entre tais fenomenos, cientifica, enquanto os segundos soo vistos como a dimens~o empirica,distinguindo-os uns dos outros e agrupando-os em classes, generos e singular e inexplicavel de qualquer ser ou aconteeimento.espeeies. Uma terceira propriedade reporta-se as condi~oes que propiciam a Trata-se de acompanhar 0 paradigma que concebe 0 conhecimento abstra~ao. A defini~ao cientifica de uma entidade social deve ser feitacomo urn ato primordialmente classificat6rio. onde urn elemento da eXclusivamente em fun~ao das caracteristicas morfol6gicas ou funcionaisnatureza (planta, animal, ra~as humanas) deve ser inserido em uma classe, que essa apresenta, enquadrando toda tentativa de, contextualizac;ao comoque 0 agrupa junto com outros elementos, e que se contrapoe a outras uma marcha inutil no sentido dereforc;ar as singularidades de cadafato.classes consideradas distintas. A pr6pria n~~o de tribo - indicando uma Nao importa muito saber se as culturas est1io ou nlio concretamente emsubdivi~o (desaparecida) de sociedades do passado mas encontrada tambem estado de relativo isolamento, e preciso compreender que as regras decontemporaneamente em povos mais atrasados e sociedades n~o-ocidentais constru~ao analitica tornam efetivamente impossivel pensar 0- e compatibilizada com esse esquema de perce~ao e entendimento6• relacionamento entre culturas como umfato teOrico. Em decorrencia desse paradigma e que foram constituidas as unidades Essas propriedades atribuidas as unidades da analise social sebasicas da analise antropol6gica. com 0 conjunto de pressupostos ai cristalizam e operam na pnitica cotidiana do antrop6logo atraves de urnimplicitos. Conhecer uma sociedade significa proceder a urn ato de conjunto de metaforas que contem fortes valora~oes. Uma das imagensenquadramento daquele exemplar empirico em urn tipo 16gico delineado preferidas por antrop6logos funcionalistas e estruturalistas para explicar 0pelo investigador. A partir disso 0 caminho do conhecimento do social foco central de seu trabalho e afirmar que se ocupam de urn estudoaponta necessariamente para a constru~ao de tipologias, dir~ao tao "intemo" de uma sociedade, contrastando essa enfase com outros autorescriticada por alguns antrop6logos atuais (Leach. 1961; Schneider, 1966. que se fixariam mais nos aspectos "externos" (como, por exemplo, asetc.) rela~oes de domina~ao/subordina~~oa outras sociedades ou os processos de A primeira propriedade - a descontinuidade - resulta de uma analogia, ajustamento daquela sociedade ao meio ambiente em que se situa).estabelecida com fmalidades hetiristicas, entre as sociedades humanas de Considerando a hist6ria das ciencias fisicas, Bachelard ja haviaurn lado e as espeeies na~urais de outro. Cada sociedade diverge de outra tal mostrado como a "paixao pela interioridade" se constituia em uma dascomo cada espeeie se diferencia da outra, isto e, por representarem "pontos formas privilegiadas pelas quais as fantasias (elaboradas com base node parada na escala da evolu~oo" (Gusdorf. 1974). Urn critico atual dessa senso comurn) penetravam no discurso cientifico, aprisionando-o etradi~ indica que 0 habito de estudar as culturas como entidades discretas obstaculizando sua racionalidade 7. Varias imagens podem ser utilizadas dentro dessa linha, como 0 par interno/externo, a classifica~ao de observa~oes como "interiores"!exteriores", "intrinsecas" ou "extrinsecas"5 (Redfield, 1941 e 1966; Malinowski, 1938 e 1949· Herskovits 1941·Linton, 1940; Monica Wilson, 1936, 1938, 1945; Evan;-Prilchard &. Fortes: etc. E importante notar que em todos esses casos 0 uso de uma imagem -1940; F?rtes, 1938; Radcli~fe-Bro~n, 1955; Schapera, 1938 e 1955; Mair, em aparencia sO descritiva - ja traz consigo conota~oes que justificam e1938; Richards, 1938; Redfield, Linton &. Herskovits, 1936; Siegel et alii, valorizam deuma forma diferencial tal ou tal tipo de pesquisa, exercendo1954; D?hrenwend &. Smith, 1962; Wagley &. Galvio, 1961; Galvio, 1955 e1978; Ribeiro, 1970; Narroll, 1964).6 Por exemplo, 0 Grand Dictionnaire Unillersel dw XIX·"· Siecle menciona .aolado de outr.. raizes e significados, a acep~io de triho como "divisio de ~mafam~a de a~n1ais ou plantas" (t. 17, 2° suplemento, pg. 484). Neste quadro a :"0 ~ilO do i~leril?r ~,u,m dos pr?cessos fundamentai~ d~ pensam~nto m~onsclenle que e mals dlficil de exorClZar. A nosso ver, a mlenonza~ao e don~ao de tn~ pas~a a fa.zer parte de ~m conjunto 16gico - lipos, classes, relDO dos sonh,os (.,.), contadores de hist6rias, crian~as e alquimistas vao aoordens, famili.., tnhos, generos e especles - onde figura como urn quinto centro das COisas; tomam posse das coisas, creem nas luzes da intui~ao quepatamar clusificlit6rio. nos instala no cora~ao do real..." (Bachelard, 1970: 101-2).26 27
  6. 6. portanto uma clara normatividade em relayno a forma de conduzir uma A solW;tio dualistainvestigayno de Campo ou de como ler e avaliar seus resultados. PressuposiyOes que possuem uma funyoo ideol6gica similar podem serencontradas em outras imagens. Por meio de urn conjunto de imagens Equase wna constante que as ob~ayoes ~ue preCed~m uma d~riyaocontrastantes, 0 antrop6logo funcionalista e estruturalista freqiientemente ou analise de uma situayao de contato mteretnlco caractenzem 0 fenomeno.desqualifica qualquer 6tica de apreensOO de fen6menos sociais que escape a como muito complexo. Enfrentar essa dificuldade remete sempre 0sua pr6pria ortodoxia. Constitui uma rotina a disposiyno de temas e estudioso a tentar adequar tal fato ao seu modelo analiti~o, reduzin~o.ecapitulos nas monografias tradicionais, sendo de praxe distinguir uma decompondo essa complexidade excessiva em u~ldades S?CI~ISparte puramente "empirica" - onde sao fomecidas informayOes sobre a convencionais. Duas altemativas se apresentam para ISSO, a pnmeIrahist6ria do grupo estudado, suas relayOes com outros grupos ou com 0 apelando para uma concepyao evolucionista da hi~t6ria, a ~e~undameio ambiente, algumas vezes abrangendo taml>em dados demogrMicos e procedendo a uma decomposiyno do fen6rneno com fmalidade heuriStIcas.estatisticos - da parte propriamente "te6rica" - onde e apresentada a Quando a concepyao do contato com urn fenomen? comp6sito eorganizayao social, os rituais e a cosmologia. Em textos com intenyoes dirigida por uma perspectiva evolucionista sur~e habItualmente urnanaliticas encontra-se tambern usualmente uma oposiyao entre as dualismo que caracteriza grande parte ~as peSqUlSas sobrecon~to. AsconsiderayOes de ordem estrutural, que sao ordenadas e que possuem um sociedades que estao concretamente em mterayao (europeus e~ afncanos,valor explicativo, e as de ordem hist6rica, onde os acontecimentos sao brancos e indios) nao sao vistas meramente como contemporaneas, masfatos singulares, nao passiveis de uma explicayao cientifica, figurando no sao dispostas pelo analista ao tonga de uma escala evol~tiva, onde estaorelato somente na medida em que interferem no funcionamento das representados os diferentes graus de progresso da humamdade. Em funyaoestruturas. dessa ope~oo te6rica que atribui graus distintos de progresso a ca~ uma Apoiando-se nessas imagens e em suas conotayOes, se desenvolve uma das sociedades em interayno, a cultura do contato passa a ser descn.ta emdesvaloriza~iio teorica do estudo do contato interetnico, que passa enta~ a termos de contraste entre instituiyOes e costumes mais "modemos" (IStO e,ser justificado por fatores de ordem pragmatica. Partindo do pressuposto de que derivam da sociedade mais avany.ada) e i~sti.tuiyoes e costumesque sua razao de ser e servir a utilidades praticas, as investigayOes sobre 0 "tradicionais" (isto e, que derivam das SOCledadeS tnbais). . .contato freqiientemente se autolimitam, buscando urn conhecimento A descriyao do fenomeno do contato passa. a se~ felta ~r ":lelO doutiliwio que Bachelard ja havia apontado como urn dos principais legado que 0 evolucionismo deixou para a soclologla funclOnah~~, ouobstaculos ao conhecimento cientifico (Bachelard, 1970:66). Muitos seja, urn conjunto de variaveis pelas quais, esta conduz ~ a~ahse etrabalhos que incidem sobre 0 contato interetnico incorporam claramente estabelece as tipologias dos sistemas sociais. E ? caso de .VarIaV~IS comotais preconceitos, conscientemente reduzindo-se a condiyao de meros homogeneidade x heterogeneidade, indiferencla~ao. x dlfere~cla.yaO defomecedores de dados empiricos nao organizados ou de textos cuja linha de funyOes, ausencia x presenya de instituiyoes especlahzadas, atnbUl~ao deordenayao basica e avaliar Uustificando ou criticando) uma determinada status por prescriyao x atribuiyoo de status por escolha, co~tato drreto epolitica de colonizayao. 8 cotidiano entre todos os membros da comuilidade xcompartlmentalyoo da vida social, rela~Oes pessoais x impessoalidade d(~.s relacionmt,lentos, importAncia dos vinculos de sangue e pare.ntesco x. e~f~ nos v~nculos economicos form as extensas de falJlihas x famlhas atomlzadas, predominandia do sagrado x seculariza~no progressiva da vi~ ~.ial etc. Urn exemplo concreto da utilizayao de algumas dessas vanavelS para analise do contato e da mudanya social aparece na classica monografia de Redfield (1941) sobre os Maya da peninsula do Yucatan. Os conceitos que resultam desse tipo de analise sublinham fortemente os aspectos culturais definindo cada sociedade como urn conglomerado de8 A oposi~iio entre essa fun~iio (que Malinowski ja classi~icava coJ!lo"practical anthropology") e a realiza~ao .de uma "vcrdadelTa pesq~l~a trayos de cultura e 0 processo de mudan~ como a transmissOO e acei~ooantropol6gica" aparece, de forma bastante dueta. por exemplo, no prefaclO de padrlks isolados. Conceitos como os de acultura~ao (H~rskQvlts,que,~ Fortes e E.E. Evans-Pritchard (940) redigem ao _class~,co. fl:fri,~an Linton e outros) e de assimilayao (Znaniecki, R. Park e D. Pierson) sePoll/lcal Systems, observando que por suas preocupa~ocs teoTlcas e"academicas" os autores que contribuem para 0 livro cingem sua aten~ao ao constituem em instrumentos basicos de reflexao, instituindo como viafuncionamento dos sistemas politicos nativos. deixando de lado C? fato da privilegiada de abordagem aquelas sociedades a tematica te6~ca da mudan~presen~a colonial, mais significativa para trabalhos e pesqulsas ,comfinalidades "administrativas". cultural. Os elementos da cultura dos grupos em IDtera~ao sno28 29
  7. 7. dicotomizados e rapidamente absorvidos a oposi~llo de tradicional x tradicionais devido a circunstancias especificas, para os te6ricos dessamodemo. perspectiva a mudanf;a cultural possui urna diref;iio gerai e unica.A Alguns autores importantes procuram destacar que M uma d~ao coexistencia e 0 relacionamento entre grupos e culturas e vistodupla no feoomeno das trocas culturais, sendo incorreto do ponto de vista virtualmente como uma anomalia que tende a ser superada a tonga prazo,cientifico pretender estabelecer previamente 0 sentido que tomam os impondo-se os fatores modemizantes e operando-se a dissemina(ao dasprocessos de transferencia e emprestimo cultural. Assim, a aculturaliao foi caracteristicas da sociedade industrial ocidental por todas as partes dodefinida como estudo dos fenomenos que resultam quando grupos de ·mundo.individuos, dotados de culturas diferentes, entram em contato diretoe Em urn estudo sobre muitos aspectos exemplar, Wachtel observa quepermanente, dai decorrendo uma mudan~a nos padrres culturais desses os estudos de acultura(ao padecem de urn "pecado original": focalizandogrupos (Redfield, Linton & Herskovits, 1936:149). sociedades que disprem de forlia essencialmente desigual, 0 termo de A esfera cientifica da investiga(llo seria, portanto, focalizar as trocas acultura~ se baseia em uma "hipoteca hist6rica de supremacia" e am~aculturais resultantes do contato entre dois povos, sem restringir 0 estudo trazer consigo a velha marca do eurocentrismo (1971:25). Isso favorece ado processo de aculturaliao a apenas urn dos lados e sem estabelecer que a descrif;iio do contato siga uma historiografia exclusivamenteinferencias sobre 0 sentido geral da mudan~a. Varias pesquisas realizadas ociden/ai, sem incorporar a visiio dos indios (1971:22). Outros problemasno Brasil sob a 6tica da acultura~o abordam nao somente as modificaliOes te6ricos igualmente serios tambem ocorrem. Para escapar a fragmentalillosofridas pelas culturas indigenas em contato com 0 branco, mas tambem das culturas (procedida pelo difusionismo), os autores vinculados a analiseas aquisi~res tecno16gicas, de costumes ou de crenlias, que a populaliao de aculturalil10 chamam a atenliao para as fases (graus, etapas) daregional realizou de elementos da cultura indigena. Assim e que urn aculturalil10 ou para 0 resultado final do processo (sincretismo,chissico estudo de Eduardo Galvao (Santos e Visagens, 1955) mostra assimilalil1o, rejeilil1o). Assim, conclui este autor, tal abordagem"justamente a aculturaliao sofrida pelo caboclo amazonico em contato com inviabiliza a analise do proprio contato em sua singularidade e unidade. Eas culturas indigenas. Abordando 0 caso dos Tenetehara, grupo indigena indaga: "(... ) 0 que vern a ser do proprio processo? Onde ficam asque esUl em contato com 0 branco por mais de tres 8&:ulos, Wagley e cscolhas, os conflitos, as crialiQeS?" (Wachtel, 1971:26).Galvao observam que a lenta absor~ de padraes indigenas pelos regionais Os autores que se serviram dessa perspectiva para estudar os gruposfoi conduzindo a uma condiliao de saturaliao, quando se esgotou a sua indfgenas brasileiros sempre esbarraram em dificuldades para definir os"capacidade de assimilaliao" dos tra(os culturais indigenas (Galvao, [1953] llmites da condiliao de indio. A preocupaliao dominante era mostrar a 1978:128). progressiva descaracterizaliao cultural daquelas sociedadese a absor~o de Quando aplicada a uma situa~o colonial, a n<~llo de trocas culturais, rcnlias e costumes procedentes do branco (vide Schaden, 1969). 0com as aquisiliQeS e empreslimos sendo vistos como fatos bilaterais, pode squema te6rico utilizado fez com que alguns descrevessem 0 processo deocultar 0 fenomeno da dominaf;iio, pulverizando-o em cadeias de mudanlia cultural como inexonivel, prevendo como bern pr6xima atransmissao que operam nos dois sentidos9. Dessa forma os estudos de ompleta assimilaliao de urn grupo etnico pelo contexto e pela culturaaculturaliao tiveram uma aplicaf;iio ideol6gica bem clara, com 0 seU modo gional. "0 processo de transforma(ao dos Tenetehara em caboclos estanide abordagem diluindo a quesLao de quem era 0 grupo beneficiario de urna m vias de se completar no espalio de uma gera~ao ou pouco mais"troca cultural. Omitiam tambem a capacidade diferencial de cada grupo para Wagley & Galvllo, 1961:185). Mirmalires mais nuanliadas podem serdefinir as suas pr6prias necessidades elechar as barreiras Ii importa(;iio de ncontradas no mesmo texto (vide pag. 30 e principalmente Galvoo pag.costumes, simbolos e tecnologias. Deixavam ainda de estabelecer escalas 12), que coerentemente resulta de urn programa de estudos de aculturalioode importancia para essas trocas, tendo em vista as conseqiiencias que dirigido por Ralph Linton. 10 teriam sobre a organizaliao social e a cultura do povo receptor. A medida que os autores chegam a ultrapassar as minuciosas amilisesconcretas, a aparente neutralidade da postura cientifica submerge, vindo a lOA discussio sobre assimila~io acaba retomando sobre suas "conclusoes anteriores, reformulando as previsOes apresentadas na monoBrafia: "Somente tona urn instrumental te6rico e generalizaliQes marcadamente unilaterais e eXJ;>Criencia que adquirimos no Servi~o de Prote~io aos Indios, onde nosarbitrarias. Por mais que especificidades locais prevale(am por periodos amiliarizamos com uma variedade de situa~oes de contato e assimila~io de llropos indigenas, nos permitiu uma perspectiva mais correta. ~ bern possivel limitados ou surjam combinalires singulares entre fatores modernos e que 08 Tenetehara em certo ponto de sua transi~io tomem por outra Itemativa que a de aderir a cultura cabocla ..... (Galvio, 1978:131). Cabe observar porem que a pressuposi~io de assimila~o, implicita nas analises de9Uma tentativa de refletir sOOre tais fenBmenos aparece em Redfield, Linton & a IIltura~io. sofre uma critica fundamentada exclusivamente no primado daHerskovits, 1936,. por meio da variavel .descritiv.a suj~i~io x do!!:,inancia; I r4/ica e em experiencias extra-academicas, disso resultando a ascensio daporcm em exposI~oes de metodo postenores (vide Siegel et aln, 1954; n yio de integra~io ao plano central das invelliga~oes, subsistindo noDohrcnwend & Smith, 1962) essa e abandonada. ntanto todo 0 quadro Teferencial.30 31
  8. 8. 1 A penta (tida como irreversivel) de tra~os culturais pr6prios pode levar vida tribal. Essa estratcgia de pesquisa, preocupada em promover uma urn grupo indigena a condi~ao de "indio-generico", onde as peculiaridades recons~ hist6rica do processo de m~ foi decididarnente recusadade sua cultura ja desaparec~ram no processo de integra~ao, mas subsiste por Malinowski, que a considera propria de uma "antropologia de urn sentimento de ser diferente, decorrente tanto da persistencia do antiquanos" (1938: xxx-xxxii). Para ele a tarefa que cabe ao estudioso e, preconceito dos brancoscontra os indios, mesti~os ou os seus ao inverso, investigar "0 que ainda sobrevive do antigo passado tradicional.remanescentes, quanto de a altemativa de incorporacao a sociedade nacional de uma tribo africana (...) pois apenas 0 que sobrevive e relevante para 0 s6 ser possivel em seus estratos inferiores. Essas as razoes pelas quais 0 contato nos dias presentes, e ainda capaz de desenvolvimento ou processo de assimila~ao nao se completaria, ainda que fosse muito alto 0 resistencia" (1938: xviii). grau de integra~ao do indio na sociedade nacional e que a acultura~o 0 Ao construir a sua teoria, Malinowski marca suas discordancias em privasse inteiramente de seu quadro referencial trndicional (Ribeiro, 1957 e face <las anaIises culturalistas do contato, distaneiando-se inclusive da linha1970). de estudos de acultura~ao (ainda que esses nao sejarn mencionados Em urn texto de carater critico, Da Matta volta-se contra essa diretamente). A sua critica se dirige 80S trabalhos de Monica Hunter (1936"antrop%gia de integra~iio, onde 0 lado do indio deixava sempre de ser . e 1938), onde as instituiyoes se apresentam como urna "mistura deconsiderado e 0 ponto de partida era sistematicarnente evolucionista" elementos parcialmente fundidos" (Hunter, 1938: lQ).:que 56 poderiam ser (1979:25). Enquanto tal postura consideraria a sociedade brasileira adequadamente estudados quando decompostos em complexos culturais (sobretudo em sua estrutura economica) como fator absolutamente distintos e homogeneos, ou seja, remetidos as "culturas-genitoras" determinante da situa~ao, os indios seriam vistos· em uma perspectiva ("parent cultures"). Malinowski argumenta que a mudaoya cultural e a paternalista como "objetos frageis e vulneraveis, prontos a desaparecer" rorma~o de novas realidades cufturais 0110 podem ser tratadas como 0 (1979:26). Limitando a aten~ao a focalizar 0 grupo tribal e suas rea~oes, produto mecanico de uma mistura, de uma justaposiyao de elementos ignorando-se as suas potencialidades, suas elabora~oes e sua capacidade de parcialmente fundidos (1938: xxi). Trata-se de "novas realidades culturais interferir e reinterpretar uma situa~ao de contato, tal tipo de antropologia de uma Africa ocidentallzada, que rem de ser estudadas por si mesmas" se enclausura em urn rigido esquema analitico. Apesar das diferen~as (l938:xxiv), focalizando 0 modo como elas funcionarn em seu novo te6ricas, as suas conclusoes convergem na mesma dire~ao das criticas de meio, atravcs de mecanismos proprios, "sob pressOes e incentivos Wachtel as teorias da acultura~ao. ngendrados dentro de suas novas instituiyOes" (1938:xix). Mas como realizar isso apoiando-se no metodo funcionalista? Malinowski discorda de Fortes e Schapera, que tentam evitar 0 dualismoo esquema das tres realidades culturais bordando 0 contato como urn fenomeno integrado, que configura a xisrencia de uma cultura propria A seu ver, tal metodo se presta somente para 0 estudo de urna cultura que tenha atingido urn estado de re/aJivo Vma outra forma de enfrentar a complexidade do contato interetnico e qui/ibrio, suposi~o que nao e satisfeita pela cultura do contato. AJX?Ilta acaracteriza-Io como urn fenomeno composto, que deve ser abordado de nocessidade de novas metodos e principios de pesquisa que permitam fazermodo analitico-redutivo, focalizando as unidades menores que 0 progredir esse novo ramo da disciplina, "a antropologia do nativo emconstituem. Vma tentativa nessa dir~ao foi realizada por Malinowski mudan~" (1938:xii).(1938 e 1949) e deve ser considerada nao s6 pela posi~ao do autor na Para Malinowski isso nao significa abandonar 0 funcionalisrno, masdisciplina c pela postura programatica que assumiu, mas ainda por seu mplexifica-Io, tratando nao com duas culturas geradoras, nern com umacarater sintomatico, explicitando pressuposi~oes, seguidas por muitos ultura tinica (0 que ele considera ser uma postura reducionista), mas comautores posteriores, em constru~oes conceituais algumas vezes dirigidas urn esquema de tres fases onde aparecem a cultura "antiga da Africa, amanifestamcntc contra Malinowski. mportada da Europa e a Nova Cultura Comp6sita" (1938:viii). Ele afmna Solidamentc ancorado no relativismo cultural e em uma sociologia nfaticamente que "De fato, em cada situayao de contato cultural nosfuncionalista, avesso a analises teleol6gicas na linha do evolucionismo, l mos nao uma, nem mesmo duas, mas tres fases culturais coexistentes"Malinowski procura refletir teoricamente sobre 0 contato, dissociando para (l938:xv). Na conduyao dessa analise, cada fase apresenta problemasefeitos de investiga~ao as diferentes ordens de racionalidade ai existentes e diversos e deve ser estudada por metodos diferentes, sendo necessariorepresentadas pelas culturas que estilo em urn processo concreto de distingui-Ias e focaliza-Ias separadamente, posteriormente relacionando-asintera~ao. ContrapOe-se decididamente a formula~oes como a de Audrey umas com as outras (1938:xvi).Richards (1938), que fala de urn "ponto zero de mudan~ social", uma A intenylio de Malinowski nlio era de elaborar conceitos gerais esitua~ao anterior a chegada dos europeus e suposta como de equilibrio na dcmasiado abstratos, mas sim que permitissem descer ao plano da32 33
  9. 9. operacionalizayao da pesquisa. Nesse sentido ele procura definir A construyao teorica de Malinowski deixa explicito 0 artificialismocuidadosamente essas fases, de urn lade distinguindo entre as formas que car~teriza algu~as p~postas (e nao apenas a sua ou as de outros quetradicionais, que persistern (e sao apreendidas no trabalho de campo), e as o segUlssem, mas mclusive <Ie outros que 0 criticam e dele afirmamreconslrUyOCs do passado tribal; de outro lade distingue igualmente entre divergir) de como estudar 0 contato. Retomando as considerayoesos costumes e instituiyocs pr6prias aos europeus na metr6pole e aqueles anteriores sobre os obstaculos cristalizados em tome (e em defesa) de urnque sao efetivamente atualizados na vida da colonia. Quanto a cultura do determinado ponto de vista ou pressuposto te6rico, e necessario frisar quecontato, ele explicita que por isso entende 0 fenomeno de uma mudanya as reflexoes e busca de soluyoes partem de urn modelo naturalizado dasautonoma e resultante da reayao(acarretando pelo menos urn soci~dades, que so permite pensa-Ias como organismos integrados edesajustamento temporario) entre as duas Outras culturas. relauvamente harmonicos, cuja analise exige sempre uma abstrayao do Propoe a conslrUyao de uma Carta ou Tabela onde as Tres Realidades ontexto e uma enfase especial nos aspectos anatomicos e fisiologicos. 0Culturais fossem Jepresentadas por colunas diversas, a cada esfera da tudo do contato nilo e essa "terra de ninguem da antropologia" (no dizercultura equivalendo uma linha com os contetidos que assume em cacta uma de Malinowski) por acaso ou omissao de autores anteriores, mas simdessas fases. 0 esquema toma simples evidenciar 0 que Malinowski julga porque os fundamentos sobre os quais estava assentada a construr;ao doser a base da mudanya cultural - que as pressoes e adaptayoes se exercem modelo cient(fico de sociedade retiravam justamente da cogitar;iio doprimordialmente para responder a determinada$necessidades, as quais eram pesquisador osfatos do contato, sobrevivendo apenas como constatar;oesanteriormente satisfeitas por instituiyoes hom610gas, Le., situadas na cmp{ricas sem maior relewincia teorica. E por isso que as justificativasmesma esfera de cultura, Assim a explicayao da substituiyao, modificayao upresentadas por varios autores para a considerayao do contato estiloou fusao de instituiyoes passa necessariamerite pela busca do que ele freqiientemente marcadas por razoes utilitarias, de ordem pratica ou aindachamou de Fator da Medida Comum ("Common Measure Factor") e pela humanitarias.descoberta de homologias entre instituiyoes e esferas das culturas em l!ma aborda~em teorica ao contato, como quer Malinowski, precisacontato. fabncar, por melO de expedientes indiretos, urn objeto te6rico compOsito, Procurando agora avaliar essa teoria cabe inicialmente indicar 0 quanto que retina e aglutine as caracteristicas de diferentes unidades sociais. Aessas formulayoes dependem de sua teoria geral sobre a sociedade como urn " omplexidade" que 0 analista enxerga no contato - e que de modo algumconjunto de instituiyoes que cumprem funyoes sociais satisfazendo a dccorre do proprio fenomeno e sim do modele de sociedade utilizado para lntcrpr~ta-Io - deve ser entilo reduzida aos fatos "simples", isto e,determinadas necessidades, estando tais insliluiyoes inter-relacionadas emurn lodo coerente e relativamente equilibrado (vide Malinowski, 1975)11. passivels de serem analisados segundo 0 modele de unidade social adotado.A sua teoria da mudanya se apoia justamente em uma visao (nao lese modo para poder analisar tal fenomeno 0 investigador precisadurkheimiana) do social e do conceito de funyao, ambas nao partilhadas r orrer a ideia de sobreposiyilo de tres sociedades - a colonizadora apor outros antropOlogos ingleses (Radcliffe-Brown, Fortes, Schapera, olonizada e a cultura do contato. Evans-Pritchard). A t~nta~va de inovayao te6rica termina em urn impasse, pois se as Silo as decorrencias disso - como a teoria das necessidades e a peculiar Iluas pnmerras correspondem a construyoes convencionais em tome dacompartimentayao das esferas da cultura - que propiciam a Malinowski a . ncepyao ja criticada de sociedade, a terceira, mantendo 0 mesmo modelobase para 0 entendimento dos processos efetivos de mudanya social, lnalitico, pretende dar conta e abranger aspectos que sao justamentesempre segundo linhas homologas de transmissao e influencia. A eficacia purgados por tal visao (a hist6ria, a adaptayao ao meio ambiente, adessa forma de iilterpretayao da mudanya exige, portanto, que 0 contato qu stilo das fronteiras do sistema social). A terceira sociedade parece serseja visto nilo como urn fato coerente e integra<lo (como pretendiam outros portanto uma tentativa nominalista de ocupar com uma categoriafrouxa,funcionalistas), mas sim como urn fenomeno em si contraditorio e lUI: niio satisfaz aos requisitos teoricos de uma sociedade e de uma cultura.heterogeneo, uma vez que composto por diferentes conjuntos de r) spar;o exterior a um quadro teorico de referencia. camuj1ando assim ainstituiyoes que, embora apresentem coerencia interna em cada cultura, rise de um modelo,conflitam uns com os outros. Dai a sua proposta de enfocar 0 contatoatraves de uma "tabela de tres entradas", 0 que virtualmente significaproceder a uma analise reducionista do fenomeno. que t rana a 0PlD180 d e a I guns b6 gra f os e h " I l O con " " "- 1 lStonadores daantropologia, que consideram os seus estudos sobre mudan~a cultural comouma parte isolada e menor de sua obra.34 35
  10. 10. Algumas contribui~oes para a analise do contato lmo de grande valia, buscando apreender em separado a distinta dinamica I aLua~lio da administra~o local e das missoes (1938:63-72)15 lnversamente a Schapera, Fortes aponta os condicionantes de diversas As fonnul~oes de Malinowski foram aqui destacadas por se tratar de il dens que limitam a lil>erdade de escolha dos ocupantes de tais cargos,. uma tentativa ambiciosa e radical de contornar a.crise de urn modelo de nstatando que em geral sao papeis e caracteres sociais estereotipados, construy!<> de sociedades com a elaboray!<> de urn novo quadro conceitual, t Into do ponto de vista do nativo quanto dos 6rgoos coloniais (1938:90). especffico para 0 estudo do contato. Existem outras formula~oes, no ~ r~ando a importancia de dispor de boas descri~oes etnograficas das entanto, que possuem urn carater mais setorizado e ptocuram enfrentar I~ ncias de contato, Fortes observa que isso e tao relevante quanto estudar algumas dificuldades particulares. Ainda que seus autores n:io cheguem a ultura tribal (1938:91). recusar inteiramente 0 modelo naturalizado de sociedade, suas reflexoes Mas a constata~lio da existencia de heterogeneidade nao diz respeito ajudaram bastante a operacionalizar a pesquisa sobre 0 contato interetnico, lmente aos brancos, estendendo-se igualmente aos nativos. A absor~o,. contribuindo com criticas fecundas e retifica~oes importantes quanto ao Jl 1 s nativos de costumes e cren~as europtias nlio e de modo algum esquema tradicional de aruilise. . lit l~ erne em uma tribo, variando de acordo com posi~oes de parentesco, Alguns autores indicaram 0 perigo de que as descri~oes do impacto das om papeis rituais ou religiosos, com fun~oes economicas etc. Schapera institui~oes europeias sobre as culturas africanas vi~m a sec conduzidas Ih rva que sob fortes influencias externas, a escala de varia~oo existente por meio de conceitos genericos, como 0 de moderniza~oo, secuIariza~o, 111 ada cultura pode admitir distAncia entre padroes contrastantes muito institui~oes colorriais, heran~a euro~ia etc. Apesar de suas limi~oes 111 Ilores do que em rela~o a outras cuIturas, ou da mesma em urn outro te6ricas e da sua conten~ao politica 2 Malinowski e 0 primeiro autor a III lmento do tempo (1938:28). s~blinhar fortemente a assimetria existente no processo de mudan~a am refletir sobre esse processo de aproxima~oo entre 0 universo <10 social. 13 E, ao falar sobre ltcnicas de investiga~lio do contato, reitera a 1l1onlzador e do colonizado na figura de alguns individuos nativos, importfulcia da pesquisa de campo para conseguir apreender junto ao grupo II ~iram posterionnente diferentes conceitos, como os de "middleman", tribal a significa~ao e as repercussoes do contato, pois "... e 0 nativo "III iator", "broker" e "patron" (Bailey, 1960 e 1969; Friedrich, 1968; quem e primariamente afetado pela mudan~a cultural, quem ainda I II • 1971; Atwood, 1974). Uteis para descrever a fun~o de media~o pennanece como protagonista do drama" (1938:x) . III estruturas politicas e economicas assimetricas, tais papeis vern em A transmissao de elementos da cultura ealtamente seletiva, a a~ de r 1associados a uma teoria onde a mudan~ cultural possa ser explicada alguns sendO imposta, a de outros sendo facultativa, a deterceiros podendo I I scolhas, calculos e interesses de atores individuais somente (vide mesmo estar desautorizada. Malinowski ja observara a profunda difeien~ r I as a Bailey fonnuladas mais adiante, oeste capitulo). entre as institui~oes ditas europeias segundo estivessem essas na metr6pole ou em territ6rio colonial. A necessidade de captar conteudos concretamente atualizados pelas institui~oes coloniais nas situa~oes de 11m novo enquadramento do social contato efortemente sublinhada tambtm por Schapera;14 Para evitar que a etnografia do contato sublinhe exclusivamente os fatores individuais e particulariiantes da rela~ branco x nativo, a n~oo lnquanto continuam a admitir como fundamento urn modelo de agencia de contato, particularmente desenvolvida por Fortes, revela-se II tlurulizado de sociedade, as tentativas de elabora~ao conceitual sobre 0 lIul LO interetnico ficam necessariamente limitadas a exercicios de I ( bramento l6gico ou a meras refonnula~oes setoriais ou operacionais. I/tr nle urna ruptura teorica mais profunda. redefinindo a natureza das12" , na minha opmlao 0 sistema colonial ingles nio tern rival em .ua Ufldades sociais. pode perrnitir que 0 estudo do contato deixe de ser urncapacldade de ~prender com ,. experiencia. sua adaptabilidade e tolerincia, esobretudo seu mteresse genumo no bem-estar dos nalivos" (1949:161). IIntinente iso/ado na pesquisa antropologica. para 0 qual sao delineados ~13"Quan d 0 0 tema pnnclpa I ., 0 aspecto d - , Inamlco d 0 Impacto das dUal II itos e metodos singulares nao aplic8veis a outros dominios dacultu~as, ~ inleiramente inapropriado esquecer ~ue as influencias euro~iasconsllluem em lodo 0 lugar a for~a principal. Elas sao os faloresdeterminanles no que conceme a iniciativa e ao planejamento" (I9g8: xiv),14"A ideia nativa de Crislianismo nao vern realmenle da Biblia ou do credo pr~rio Malinowski, em trabalho posterior, tenlou definir melhor essaoficial da igreja. Vern .obretudo do missionario que prega para ele e que II Agencias de conlato sao corpas organizados de seres humanos :~rabalha em .ua irea. Ele (0 nalivo) julga a vida de urn cristio pelas " , Ihando para uma finalidade definida. manipulando urn aparatoImpressOes que forma sobre as condulas e atitudes do missionario..... (1938: II priado de cultura malerial e .ujeitos a uma carta de leis, regras e33-4). I" n Ipios" (1945:65).36 37
  11. 11. disciplina e relativamente imune aos avan~os e discussoe~:e6ricas ai existentes. A visl10 de Gluckman se distancia muito das outras formula~oes Se tais ~fi~uldades embargam fortemente 0 estudo doc()ntato, por L nles, pois ele nll<> ve 0 contato como urn fator desintegrador, sempre outro lado IOsUtuem esse como urn fenomeno cntico, exercendo uma IInfr ntado com a existencia plena e separada das culturas componentes. fun~o de ponta na renova~l1o dos fundamentos te6ricos da disciplina. Para I r clc 0 contato interetnico e urn fator organizador basico para a que a pesquisa sobre esse fenomeno possa se desenvolver e dar contadas 1 ncia de determinadas comunidades, urn elemento ordenador realidades observadas, e imprescindivel constituir algumas altemativas Illilponente da organiza~l1o social. Assim, rejeita firmemente 0 esquema conc~tas de investiga~l1o. Por surgirem como modalidades de condu~ da II Ir realidades culturais desenvolvido por Malinowski (1968:9-10 e 51- . pesqu~sa - e. n~o .como uma. reflexl10 cntica sobre alguns pressupostos I I 63:217-227), afirmando ao contrano que 0 ponto de partida de sua 1111 Ii e "a existencia de uma unica comunidade Africana-Branca em ce~~.s da dlsclphna - a novldade e 0 caniter radical dessa ruptura foram mmlmlzados por seus contemporaneos e tenderam a ficar ocultados por . I,,(uland" (Gluckman, 1968:10). quase duas decadas, sendo redescobertos pelos manifestos processualistas A fiO:l1o de comunidade com que trabalha Gluckman nl10 supOe limites da antropologia politica da decada de 60. III lais bern delimitados, nem unidades em termos de c6digo de II Ilta~l1o cultural, mas somente que sejam partilhados determinados A meu ver essa ruptura ocorre em alguns trabalhos de Max Gluckman que, e~bora datados da decada de 40 (1939 e 1947), tomam-se mais JlIIlI s de inte~o no comportamento cotidiano dos individuos uns Para Ilit outros. 1 .. Con~ecl<;k>S por publica~Oes posteriores (respectivamente. 1958 e 1968 para o pnmerro, 1%3 para 0 segundo). Nesses textos a suposi~ao central do I In sua argumenta~l1o Gluckman incorpora algumas reflexoes de modele naturalizado de sociedade - a descontinuidade entre as unidades I CHI S coerentes com sua pr6pria perspectiva. Assim, para eSludar 0 sociais -:- e urn. d~ ~us mais importantes corohirios - a identifica~l1o 1I1llil 0 antrop6logo precisaria trabalhar mais com as comunidades do automatlca do IOdlVlduo com os valores sociais - silo questionados na I om os costumes, sua unidade de observ~ deve ser "uma unidadede condu~ll<> da pesquisa em Zululand e encaminhadas solu~Oes altemativas. II nll<> de costume - uma aldeia, cidade, acampamenlo, economico e na Ret~mar essas el~bora~oes.pode significar uma contribui~l1o importante ial" (Fortes, 1938:62). aos Impasses te6ncos de hOJe, quando 0 pesquisador se defronta com uma N sa 6tica os agentes de contato nl10 podem ser descurados ou tratados CH I ) fatores externos a vida tribal, mas sim abordados como "parte sit~l1o c.oncreta de contato interetnico e se da conta da inadequacl10 das teonas eXlStentes. . . III r ote da comunidade" (idem). E Gluckman encampa ainda como I lite uti! para 0 processo de pesquisa a recomen~l1o de Schapera de o ponto de partida parece haver sido a constata~ll<> elementar, feita por III •• missioOlirio, administrador, comerciante e recrutador de Gluckman (1968:1-28), de que as unidades bcisicasdeanalise nao podem II h Ilhadores devem ser vistos como fatores na vida tribal da mesma forma ser pensadas como en~i~ades f~h~das ou homogeneas. 0 simples acompanhamento das atlvldades dimas de urn informante e urn evento III I) hefe ou 0 xaml1" (1938:27)17 ritual (como a inaug~l1o de uma ponte) envolve 0 pesquisador em uma essas coloca~Oes de Gluckman que fundamentam a constitui~l1o de 1111 vi lio processualista em antropologia, estando na origem de vanas complexa rede de intera~Oes sociais, cuja explicacao requer a referencia as rela~Oes interetnicas e a pessoas e institui~Oes cujos interesses e valores I ulln ens novas (como a analise de drama, elaborada por Turner, 1957 e sllo ~terminados ~e ~ora <J:l comunidade local (0 aparato da administracll<> Ie JleI 1972); ou a analise situacional, es~ada pelo pr6prio Gluckman colomal, a a~ll<> ml~lonaria, as empresas ecooomicas e as determina~Oes ( 1 ) e desenvolvida por Van Velsen, 1964; ou ainda 0 estudo em termos do mercado mternaclOnal). Rotular de "extralocais" tais feoomenos - como I •• lffipO poli~co" proposto por Swartz, Turner e Tuden (1966) e por se tornou de habito na antropologia, ate mesmo quando se lhes atribuia rll, (1968). E importante, porem, distinguir a visl10 de Gluckman de grande .peso explicativo (Adams, 1970) - corresponderia a impor a uma II d sdobramentos e reapropria~Oes por autores posteriores, sem nova vlsllo da analise social uma classifica~o coerente com uma visllo. tradicional, coisa que Gluckman nl10 faz. Se os aconteeimentos e atores I" u Z ulus e Europeus possam cooperar em uma celebra~io na ponle sociais presentes em uma comunidade nl10 constituem urn universo auto- til tilque eles fonnam juntos uma comunidade com modos especificos de "1111111. urn face ao oUlro" (Gluckman, 1968:9). Em urn texto poslerior ele explicavel, se as significa~s ali geradas necessariamente extravasam 0 11 I I. rn:lh~r a sua con~ep.~i,o de comuni~ade como "urn amplo campo de nivellocal e requerem 0 apelo a outros agentes e costumes, nlio M sentido III III pendencla no qual IndlVlduos dos dolS grupos de cores lem nonnas algum em chamar tais fatos - cruciais - de "extralocais" como se "otllz.adas de comportamento uns com os outros" (1963:214). configurassem apenas uma linha subsidiaria e comple~entar de f 1 I mizando com Malinowski, em defesa I FOrles e Schapera e III " nhando paralelamenle sua pr6pria vislo de que 0 fundamenlal seria entendimento. 11111 • padrOes de inlera~io e. nio a cultura do contato, Gluckman chega a III (nnula~io - de senlido didalico, mas sem adequado aprimoramenlo I I I - de que se trala de "urna sociedade unica composla de grupol Illlllllirnenle helerogeneos" (1968:51).38 39
  12. 12. pretender encontrar nele uma falta, urn n1o enunciado, que sO viria a fazer mplares em historia e cujo conhecimento muito poderia auxiliar 0 sentido na voz de seus interpretadores. Illf p610go. Uma leitura atenta de seus textos permitiria afrrmar que a n~1o de A ideia de campo surge nesse contexto, quando Gluckman indica 0 "campo social" ai esti clararnente delineada, inclusive com uma historia e 11 j rente papel que a seu ver a historia teria nas ciencias exatas e nas urn significado bern diversos daqueles que assumiram hoje em dia. Ao II iplinas hurnanfsticas. Nas primeiras, a hist6ria se limitaria adescri~1o criticar os paradoxos culturalistas de falar de uma Africa modema, onde III condi~oes do experimento, isto e, do seu "set-up" (1968:209), entr~am as cidades europeizadas e as minas Rand no interior, oposta a IIquanto na antropologia 0 pr6prio objetoda investiga~1o seria hist6rico, !Jma Africa tradicional, onde viveriam astribos de acordo com suas Hna vez que focalizado em certo periodo de tempo, no correr de uma tradi~s, Gluckman deixa explicito que considera que ambas fazem parte I Ilquisa. 20 de "urn tinico campo social" (1963:215 e 216), de urn mesmo "campo de A seguir Gluckman mostra a utilidade do conhecimento hist6rico, de interdependencias" (214). Mais adiante indica que brancos e negros na area v I. que os objetQs da sociologia s1o historicos e os processos at estudada fazem parte de urn "tinico organismo social" (pags. 215 e 216), II ntrados dificilmente se Iimitam asitua~1o presente do campo. Pondera que 0 administrador e 0 chefe tribal encontram-se em urn campo tinico 1111 0 conhecimento de processos ocorridos no passado ampliam 0 alcance (223), que ambos compaem "urn tinico organismo politico" (215). Ap6s a 11 110ssas generaIiza~oes comparativas (1963:212) eafirma que n1o Mapresenta~1o e critica da tabela de tres entradas de Malinowski, ele retoma 11 I cn~a essencial entre processos de mudan~a hoje e os ocorridos noas referencias a ideia de campo, observando que as rela~6es dos grupos 111I sado, desde que sobre esses existam dados suficientes (1963:211). N1o sociais e indivfduos entre si seriam muito melhor tratadas se fossem II IV ria sentido algum portanto em supor que uma tal conce~1o de campoabordadas n1o como eventos a serem localizados em diferentes colunas (e I v sse uma conex1o teorica ou ~pistemologica com a sua utiliza~1o,assim distanciados), mas sim atraves do "conceito de campo social" (232), II adamente anti-historica, na psicologia.que os reuniria e permitiria captar suas interconexoes. Note-se que a A retomada do conceito de campo por autores posteriores ja ocorre no .men~1o ao conceito de campo social e feita explicitamente no texto, onde III rior de uma discuss1o teorica, a sua utilidade sendo de permitiralias aparecem 14 referencias diretas a campo, isoladamente ou Ilrcizar os pressupostos estruturalistas de uma analise politica. Comoacompanhado de outro fator (respectivamente as pags. 210 e 217; 232; 1 flnir os Iimites para uma analise? As respostas usuais ate ent1o223 e 233; 215,216 e 232; 214; 215 e 216; 215; e 232). pontavam para criterios espaciais (relativo isolamento), sociais (0 recorte Acompanhar 0 surgimento do conceito de campo nos trabalhos .de I urn grupo) ou estruturais (a existencia de uma estrutura ideal deGluckman permite compreender uma aparente contradi~1o que existiria Ilyoes, em situa~1o de equiHbrio).entre a conceitua~1o de campo em psicologia (Lewin, 1952) e a sua A ideia de campo ajuda a de-substancializar a analise social, libertando-aplica~1o na antropologia social. Assim Swartz, Turner e Tuden nelusive das imagens e metiforas que inconscientemente impunham ecaracterizam a sua unidade de analise como urn "continuum espa~o­ ralizavam a normatividade derivada daqueles pressupostos. 0 campotemporal" (1966:8) e chamam de diacronico 0 seu metodo de analise. Mas I a a ser descrito como "composto de atores diretamente envolvidos nosobservam 0 paradoxa de estarem invertendo a heran~a lewiniana, que pH essos estudados" (Swartz, 1968:6), entendendo-se com isso que osestritamente mais se aproximaria da proposta de analise sincronica II rticipantes trazem consigo para esse processo "valores, sentidos,defendida por Radcliffe-Brown. 18 ursos e relacionamentos" (idem:8). A sua extensao social e territorial, e A contradi~o pode ser entendida quando se percebe que n1o houve l1reas de conduta que envolve mudam a medida que atores adicionaisinfluencia alThuma da psicologia no surgimento da nO(:1o de campo em otram nos processos, ou que os antigos participantes se retiram,antropologia . A elabora~lo do conceito ocorre em uma discussiio com a rretando novos tipos de atividade em suaintera~lo ou abandonando oshistoria e no texto citado Gluckman niio se refere a qualquer autor ou v Ihos tipos" (Swartz, 1968:6).teoria da psicologia, embora enumere varlas pesquisas que considera As suposi~oes sobre a integra~1o necessaria e homogenea das partes, 0 II liter de sistema e a sua condi~o de equilibrio sao abandonadas como urn 11111110 de partida desnecessario, uma vez que n1o apresentam validadeIS"Propriamente falando n6s nio estariamos estudando urn campo (nainterpreta~io de Lewin). porque a teoria de campo de Lewin trata somente dasitua~io conlemporanea como causadora da conduta" (Swartz, Turner e Tuden,1966:31). . U"N6s observamos que os individuos e seus bens materiais, seus19 Em alguns trabalhos de Turner, analisando • atualiza~io dos simbolos rupamentos e relacionamentos lersistem atraves das mudan~as.· ~ 0 estudorituais na pratica social, surge a ideia de campo de poder e campo simb61ico- ,I .uas interdependencias que 0 nosso campo. Para analisa-las devemosritual. No entanto trata-se de texto muito posterior a formula~io de Gluckman Iud-las por urn periodo de tempo, e a analise da mudan~a entio envolvee com inten~oes bastante diferentes das do metodo diacronico exposto por tudo hist6rico dentro de urn periodo abrangido pelo problema: (1966:209-Swartz, Turner e Tuden, 1966. 10). ..40 41
  13. 13. universal. Assim afirrnam Swartz, Turner & Tuden (1966:30): "0 que n6s I ltimos fatores - vistos como nao sistematizaveis e passfveis apenas dechamamos de campo polftico nlIo e necessariamente urn sistema fechado, lusfazer a interesses pragmaticos - e os fenomenos de ordem estrutural -mas urn continuo espa~o-temporal com algumas caracteristicas " S vistos como os unicos passiveis de uma explora~o propriamentesistematicas. As partes de uma tal unidade, em condi~oes especificadas, It rica.podem exibir varios graus e tipos de interdependencia, tantoinstitueionalizada quanto contingente. Sob condi~oes diferentes, contudo,as mesmas partes podem operar como se estivessem fora do bolo, l umas teorias sobre 0 contato interitnicoindependentemente de outras partes do continuum". . . Se a unidade de analise nlIo tern limites genericamente definidos, aquestao de como circunscrever 0 campo de investiga~lIo passa a primeiro ssa nova fonna de recorte do social, se inviabiliza uma conce}J:aoplano e se torna dependente da preocupa~o te6rica que dirige a pesquisa. . II ILuralizada de sociedade e dessa forma remove os obstaculos jaSwartz e bern explfcito sobre isso, nos dois momentos em que define IlIlCriorrnente apontados, nao significa a cria~ de imediato de conceitos ecampo sublinhando que a sel~lio de participantes af envolvidos deriva dos I )rias interpretativas. Em fun~ao disso procurei a seguir focalizar"processos estudados" (1968:6 e 8). II umas das principais tentativas de reflexao te6rica sobre 0 contato Em outro texto, Gluckman & Devons (1964) chegaram a indicar IlLrc1nico, destacando alguns conceitos e esquemas analiticos que avalioalguns criterios para a delimita~ao de u~ c~mpo de invest.ig~~ao, I umo mais interessantes para considera~ao e analise. Ap6s 0 que,mostrando que 0 tra~ado das interdependenclas tern como lImite a I IS ando-me na analise critica d~stes autores e em uma releitura bernmanuten~o de urn alto grau de consistencia 16gica e de relev1lncia em face p lIticular de Gluckman, e com 0 apoio de outros autores, proc?r~ expor edo objeto te6rico da pesquisa. Uma pequena densidade no relacionamento II, Lificar a minha propria visao sobre 0 estudo do contato mteretmco.,existente entre pessoas e eventos~ co~. a necessidade crescent~ .deconsidera~ao de atos frouxamente relaclOnados com a problematIca a) a llO900 de "situLlftio colonial"estudada, indicariam a oportunidade dese estabelecer limites mais estreitospara 0 campo. A no~ao de "situa~ao colonial", elaborada por Georges Balandier, De qualquer modo e importante entender que a conce}J:ao de campo e lin ura superar de urn lado "a busca do emologicamente p~ro, ,~om fatosantes metodol6gica e instrumental do que de. uma constru~ao 16gico- IlIllI.crados, miraculosamente preservados em urn estado ongmal ,de outroabstrata e te6rica~l. Isso deve ficar claro para eVltar que a nOao de campo apar ao empirismo e ao pragmatismo de uma antropologia praticase transforrne em uma POao milagrosa, que resolveria tOOos os problemas (n llandier, 1951, 1971:35). Critica as pesquisas antropol6gicas pore poderia ser aplicada a todos os dominios da antropologia sem maiores 1 lIlizarem as mudan~as sociais apenas atraves de processos vistos semprecuidados. Ha uma tendencia em muitos textos da ultima decada a paradamente uns dos outros (como a entrada da economia monetaria, ouprivilegiar a ideia de campo como se fosse urn simples sucedfmco para a II n ina moderno, ou a acao missionana), ao inves de perceber que elesantiga conceitua~o de sociedade. Esse risco e ainda mais grave quando se "tl)nsLituem urn todo" e enquanto uma conjuntura particular "imp6e umaleva em conta que nas pr6prias antologias da antropologia polftica rta orientacao aos agentes e processos de transforrnacao" (Balandier,(Swartz, Turner & Tuden, 1966 e Swartz, 1968), se manifesta uma claradominancia de uma sociologia e uma ciencia polftica funcionalista, 1>71/3). . Ao tentar delinear a especificidade de seu enfoque, dOiS pontosancorada em conceitos de Parsons, de Easton e de Lasswell, onde muitas clhr saem: primeiro, uma decidida tomada de partido pela totalidade (pag.vezes a palavra campo parece ser comutavel com sistema. . I , ntendida como uma categoria analitica central e vanas vezes repetida e De qualquer modo primordial ter em mente que ao passar a defimr 0 1111 orrer do texto (1971:3,4, 10 e 35); segundo, uma recomendacao deobjeto de investiga~aocomo urn campo, a antropologia parece haver dado 1111 os estudos de mudan~ social sejam sempre realizados "em situa~ao"urn passo primordial no sentido de superar urn antigo modelo de perce~ao 1971:8,23/4,36). Apesar de referir-se por vanas vezes a Gluckman e ase afastar-se da n~ao de esp&;ie como urn paradigma para a constru~ao do illS analises de situacao (1971:23 e 35/6), a ace}J:ao que Balandier da aosocial. A elabora~ao te6rica nao mais imp6e a abstra~ao de cogita~oes de II I III0 parece afastar-se bastante daquela da antropologia inglesa, o~il~donatureza hist6rica ou procedentes do pr6prio meio ambiente, nem mais litre uma ideia de contextualizacao ou de urn pano de fundo hlst6ncopretende manter uma diviSllo rigida e uma hierarquiz~ao entre esses dois p . 23) e, de outro lado, como uma noc~o capaz de as~egurar a ilL gracao entre diferentes pontos de VIsta, desenvolvldo~ por2l"A conceitualiza~lio aqui avan~ada nio e uma teoria, mas .somente uma hi l riadores, soci610gos, psic610gos e antrop6logos (pag. 23/4). E essamaneira de chamar aten~lio para problemas e fatol que podenam de outromodo ser omitidos." (Swartz, 1968:7/8). IllOma a posiCao que predomina, Balandier (1971:36) explicitando que as42 43
  14. 14. origens dessa abordagem - um "estudo concreto e completo" (1971:27)- II Ita de enfases, nao de exclusividade, em vacios momentos essasr~montariam a n<~ao de "fenomeno social total" formulada por M. Mauss. 1111 Ocs se associando e sobrepondo.E nesse espirito que ele conduz a sua critica a Malinowski, apontando () prlmeiro momento eo da elabor~ao,do conceito, correspondendo aprincipalmente as limitacoes decorrentes de sua conce~o de institui~ao I 10 programaticos (vide "Estudo de Areas de Fric~ao Interetnica",como resposta a necessidades, bern como refutando a cren~a de que 0 IIll to de pesquisa publicado em 1962), polemicos ("Acultura~ao econtato e a mudan~ cultural oeorreriam entre institui~oes hom610gas. I,. ~ () Interetnica", publicado em 1963) e que resultam de uma prlmeira Em uma avalia~ao global parece-me que a n~o de situa~o colonial I utlliva de aplica~ao pratica dessas ideias ("0 Indio e 0 Mundo dosem pouco poderia ajudar a viabilizar as pesquisas atuais sobre contato III III s", 1964). Vma referencia oosica e 0 texto ja citado de Balandier e ainteretnico. A conce~ao da situa~ao colonial como urn todo complexo II I II ao de situa~ao colonial, da qual Cardoso de Oliveira destaca a(pag. 3 e 10) nao se operacionaliza de nenhum modo e a pr6pria defini~ao Ill I upacao com a totalidade, 0 que implicaria em considerar que 0apresentada revela-se como muito generica ("... a domina~ao imposta por II II lit lnteretnico se da entre "grupos relacionados entre si em termos deuma minoria estrangeira, racialmente e culturalmente diferenciada, em 1IIIIIICI110 e submissao" (1964:21). 0 contato entre grupos tribais enome de uma superioridade racial (ou etnica) e cultural afrrmada de modo III mos da sociedade brasileira, quando caracterizado por seus aspectosdogmatico sobre uma maioria aut6ctone materialmente inferiorizada" (pag. 111111 Iltivos e conflituosos, diz 0 autor, assumiria uma propo~ao total,34-5). Vma tal enumera~ao de caracteristicas economicas, politicas e II Illd a envolver toda a conduta tribal e nao-tribal (1962:128). Aideo16gicas nao consegue dar solidez it no~ao ou concretizar melhor 0 II I II 0 da situa~ao de fric~ao interetnica e de uma " ... situa~ao deencaminhamento da analise. I III 10 entre duas popula~oes dialeticamente unificadas atraves de II I diametralmente opostos, ronda que interdependentes" (1962:127- b) a teoria da fricr;iio interetnica I AI ntar para 0 proeesso de metaforiza~ao - nao apenas implicito na Das pesquisas sobre contato realizadas no Brasil no final da decada de Ilhl II 1.1I~nO, mas constitutivo do pr6prio ato criador23 - poderia ajudar a50 e no correr da decada de 60 resultou a elabor~ao de urn metodo de , I r 0 posicionamento do autor diante de outras linhas e vertentesabordagem as sociedades indigenas freqiientemente denominado de teoria da I ". A pr6pria escolha do termo fric~ao ja indicaria a preocupa~ao dofric~ao interetnica (vide Cardoso d~ Oliveira, 1962, 1963, 1964, 1966, 111111 In salientar como componentes estruturais do contato 0 conflito e a1967, 1971, 1972, 1972b; posteriormente, 1975, 1980 e 1983). Em urn I I fill: 0 continuada. Ao banir de seu discurso imagens como a deoutro texto (Oliveira Filho, 1985) pr()curei apontar as conexoes que essa I II nissao", "ado~ao", "assimila~ao" ou "incorpora~o", Cardoso deteoria mantem com outros enfoques sobre 0 contato igualmente praticados Iv chama a aten~ao nao para os aspectos culturais, mas para asno Brasil, indicando paralelamente os seus desdobramentos na pesquisa III . sociais que sao ai constituidas. Trata-se de modificar 0 foeo daantropo16gica, servindo por mais de duas decactas como 0 referencial basico , I aCao, afastando-se de uma diretiva em termos de "mudan~a" ou depara as investiga9<ks sobre contato realizadas no pais. Aqui, no entanto, 1I/11ll cultural" (expressao preferida por alguns autores ingleses,me concentrarei primordialmente em pensar as suas formula~oes mais III 11 un nte M. Fortes, L. Mair e Audrey Richards).gerais, mostrando suas vincula~oes com diferentes tradi~oes te6ricas e, N sentido a n~ao de fric~ao interetnica tern a mcsma diretivaposteriormente, discutindo sua aplicabilidade ao objeto de investig~no I que as formula~tles posteriores de Barth (1969: 11-15), cumprindo aselecionado. 11I u de deslocar a enfase dos grupos etnicos enquanto "unidades Para considerar uma teoria cuja elabora~ao se estende por urn periodo ., "torus de cultura" ("culture-bearing units") para a sua existencia elongo de tempo, a primeira necessidade, acredito, e de realizar uma data~o I ,ocial como "tipos organizacionais" ("organizational types"). Talque permita captar os seus desdobramentos no tempo, com redefini~oes e III III dade de perspectivas explica, inclusive, por que em reelabora~oeselabora~oes, isto e, como uma trajet6ria em certa medida autoeonduzida. I III )t s (1971, 1975, 1983) Cardoso de Oliveira faz men~ao e utilizaAssim, anotei a existencia de tres momentos basicos, que eu caracterizaria II IIluJacOes desse autor.como a apresenta~o e defini~o da n~ao, enquadramento socio16gico eproblematica da identidade etnica22. Obviamente caberia a ressalva de que II I mbrar algumas consideracrOcs de Derrida: "As nocroes abstratas22Em funcriio do interesse J?l:culiar desta parte do trabalho (focalizar algumas 111111rn aempre uma figura sensivel ( ... ) 0 sentido primitivo, a figurateorias sobre contato mteretnico). concentrei minhas observacroes , II I, lempre sensivel e material ( ... ) nio 6 exatamente uma metafora. ~primordialmente nas duas primeiras fases. mais adiante referindo-me a certas IlII I Ie de figura transparente, equivalente a urn sentido proprio. que secontribuicrOes e desdobramento desta terceira fase (a qual se enquadra no " II I II III I em uma metafora quando 0 discurso filos6fico a coloca emestudo geral de identidades sociais). h,"1 0" (Derrida. 1971:2-3).44 45
  15. 15. Ao sugerir uma intera~o continuada entre duas sociedades, a o~o de I ,taqu~ e dado aoO;ao de "potencial de integra~o" [1967] (1972:87-9),fric~ao fecha 0 caminho a imagens e conceitos que tendem a descrever 0 III dcslgna 0 grau de dependencia que urn grupo tern de recursoscontato como algo acidental e instantiineo, possuindo urn "carater olllrola~os por.outro, 0 que indicaria a sua capacidade de integralrllo nodisruptivo" e conduzindo a urn estado de anomia ou mesmo de t rna mteretnlco.desorganiza~ao social. Ate mesmo por suas associa~oes inconscientes, A procurar esmiulrar analiticamente as relalrCies entre gruposportanto, a teoria da fricr;iio interetnica niio pressupunha a condir;ao de IIv)lvldos em urn sistema interetnico, 0 autor aponta umaindio como passageira, levando os pesquisadores a nao projetar nos fatos I 1111 spondencia 16gica entre tais fenomenos e as classes sociais dentro daobservados ideias quanta a "extin~o" (brusca) ou ao "desaparecimento" II -dade brasileira [1967] (1972:87), afIrmando que a friclrao interetnica(gradual) desses povos. I "equivalente 16gico (mas oao ontol6gico) do que os soci610gos Cabe observar que os conceitos ai utilizados possuem urn campo de I h IIllum de luta de classes ".aplica~ao bastante extenso. Os grupos sociais que estao envolvidos na a Mas considerando a enfase dada inte~ no texto citado, 0 usa dadositua~ao de fric~ao interetnica sao caracterizados da forma mais ampla 110 no de classe parece diferir muito dos esquemas marxistaspossivel, ora como "grupos tribais" (1962:128, 129), "sociedades tribais" "1"0 irnando-se mais de uma sociologia do conflito industrial, onde ~(1962:128, 129) ou mesmo "sociedades" (1962:129; 1964:30), ora de hlllill entre~. classes CO?~Uz a urn aprimoramento do sistema (nomodo ainda menos carregado de pressuposi~oes, como ao falar, por seis I 10 tecnologlco e de pohttcas de bem-estar social- vide Dahrendorfvezes, em "popula~oes" (1962:127, 128 e 129). Tambem a tarefa de IIJ I) , ou ainda da concePrllo vigente na economia politica classica, ond~precisar 0 conteudo das relalroes entre esses grupos fica a cargo da pesquisa I s ~ grupos co~ funlroes ecooomicas diferenciadas e especializadas.empirica: " ... a sociedade tribal mantem com a sociedade envolvente A dlscussao sobre mtegralrao val ter como conseqilencia a retomada de(nacional ou colonial) rela~oes de oposicao, hist6rica e estruturalmente 11 11 ma, dualistas, par~lhados pelos ~studiosos da aculturalrao e pelademonstraveis" (1963; 1964:30 e 1965;79). III 101 gla da modermzalra02 . ASSlm, ao tecer comentarios sobre Em urn segundo momento, Cardoso de Oliveira (1965 e I I r I no e assimilacao (esta marcada como fato que s6 tenderia a ocorrerprincipalmente 1967, no artigo intitulado "Problemas e hip6teses 111I ndividuos de terceira geralrllo, com indios urbanizados ou aindarelativos afri~o interetnica") procura dermir suas id6ias de urn modo que 1 ~() ), Cardoso de Oliveira observa que ..... 0 destino das sociedadesconsidera majs preciso, atraves da utiliza~ao de alguns conceitos I III IIUS, enquanto sociedades, e0 da sua descaracte~ao progressiva, nasociol6gicos. 0 que foi antes denominado de friclrao interetnica agora e I I tllll em que vao sendo integradas as economias regionais" [1962]caracterizado como urn sistema interetnico, composto por dois II IJ I : 129). No mesmo texto, indica que as pesquisas devem se orientarsubsistemas, o tribal e 0 nacional, em oposilrlio e contradilrlio urn com 0 I 1110 pllra urn estudo de situar;iio quanto para urn estudo de processo, poroutro. A escolha desses cpnceitos parece proceder de uma sociologia da I I J1lcndendo ..... a elucidalrllo dos mecanismos que norteiam amoderniza~ao - e mencionado Gino Germani, 1962 - cujo esquema II I 10 da ordem tribal a ordem nacional, em que se transfiguram oute6rico tern uma divida clara com as elabora~oes funcionalistas de Talcou , III I lJl a se transfigurar as populalrCies aborigenes" [1962] (1972:127).Parsons. I I l~d~, ao enquadrar sociologicamente a nO;llo de fric~ao interetnica, Surgem, em conseqiiencia, alguns elementos de rigidez em sua analise, I ph Ita que O seu foco de investigalrllo e 0 P!QCesso de "integr~ao doque anteriormente nllo se colocavam de forma manifesta. A imagem de 111111 110 sociedade nacional" [1967] (1972:89)25. E ao tentar associar afric~o tern, sem duvida, 0 poder de afastar uma visao negativa do conflito, II I I, pcctiva sociol6gica com um dualismo sOcio-cultural, acaba comocomo algo necessariamente disruptivo e disfuncional. Passa a sugerir, noentanto, a ideia de urn desajuste temporario, urn conflito que pudesse vir aser superado e corrigido, admitindo uma concePrao de sistema onde a I III (jYlrO conjunto de textos (Cardoso de Oliveira, 1960 e 1966) e III I II mente daqueles aqui abordados, 0 autor mantem urn conSlanteexistencia de entidades diferenciadas ou mesmo contradit6rias viesse a II I.. II om os esquemas dualistas.concorrer para a sobrevivencia e 0 dinamismo (atraves de uma I I r lS,istr8:r que um~ tal pre~upa~io te6rica contrasta fortemente com atransform~ gradual) do sistema. 1111 Ild~ge~lsta. as~uml~~ pelo auto~, que em urn artigo inlitulado "Utopia o conceito Msico passa a ser 0 de "integra~o social", que designa "0 I 1".11t a mdlgemsta cnlIcava 0 anlIgo SPI por sua docilidade ideol6gica Ill. IIllio! do Estado brasileiro: ..... a pergunta para onde m!4davam nuncaprocesso responsavel pela constituilrlio desse sistema interetnico". Os I I II d uma constata~io te6rica de que viriam, no fim de contas a custa deelementos integrantes desse sistema sao aqui descritos nao mais como I I II • le~nol6gica e medico-sanitaria eficaz, a alcan~ar os ~neficios da I II . Nl~tO es~ava impH~ito que elas viriam, mais cedo ou mais tarde, agrupos, mas sim como "mecanismos de integra~o social", sendo possivel IH IIlrorar a na~ao b~asilelra, desde que se pennitisse a realiza~io nonnaldistinguir tres "niveis de operalrao do sistema" (0 economico, 0 social e 0 I II rocesso evolulIvo. Mas nunC8 ocorreu 80S indigenistas brasileirospolitico) onde tais mecanismos podem ser apreendidos em funcionamento. I I" Ilca dessa politica levava em seu bojo a supressio quase que total da 111 .. ,1 I IlIllna~iio dessas sociedades" [19611 (1972:62).46 47

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