Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Plano de aula o escravo negro no brasil colonia - tráfico e cotidiano

19,167 views

Published on

O Plano de Aula foi elaborado tendo em vista a necessidade de se nortear a aula. Para tanto, elabora-se um estudo referencial, a exemplo dos Parâmetros Curriculares Nacionais e livros didáticos, para poder saber manipular a argumentação, os recursos e lidar com o alunado.

Published in: Education
  • Be the first to comment

Plano de aula o escravo negro no brasil colonia - tráfico e cotidiano

  1. 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA ESCOLA MUNICIPAL EURÍPIDES DE AGUIAR SUBPROJETO: HISTÓRIA SUPERVISOR: Evandro Dantas Lélis BOLSISTAS: Lucas Ramyro Gomes de Brito Márcia Suely Santiago de Lira Araújo Data: 22/06/2015 Turma / Ano: 8º ano “A” Turno: Manhã PLANO DE AULA 1. TEMA  O escravo negro no Brasil Colonial: tráfico e cotidiano 2. OBJETIVOS OBJETIVO GERAL  Problematizar a vinda dos negros africanos para o Brasil e o cotidiano dos mesmos nos espaços urbano e rural OBJETIVOS ESPECÍFICOS  Discutir o tráfico de negros da África para o Brasil levando em consideração a situação dos mesmos nos tumbeiros e à espera de compradores nos portos quando chegavam à Colônia.  Analisar o cotidiano dos escravos negros nos ambientes urbano e rural, no que tange às atividades exercidas, os costumes, os castigos exercidos contra eles e as resistências. 3. CONTEÚDOS  O que é ser escravo;  Trabalho escravo: presente/passado;  A viagem nos tumbeiros e a chegada;  As principais atividades exercidas pelos escravos negros nos ambientes urbano e rural;  Os costumes e os castigos;  Resistências;  Considerações finais. 4. METODOLOGIA
  2. 2. Tudo quanto o homem diz ou escreve, tudo quanto fabrica, tudo em que toca pode e deve informar a seu respeito”. A frase do historiador francês Marc Bloch (1886-1944) mostra como é ampla a noção de documento ou fonte. Diante da dúvida do que pode ser considerado material para o ensino de história, a resposta é simples: tudo. Filmes, músicas, charges, folhetos de cordel, jornais, livros...1 Diante do que foi dito por Jairo Carvalho do Nascimento, professor da UNEB, que apresenta a variedade de fontes que podem ser utilizadas nas aulas de história, pontuaremos as escolhas e a trajetória de produção da aula em questão, que terá como um dos seus elementos principais o uso da linguagem Imagem (pinturas) na discussão do conteúdo O escravo negro no Brasil Colonial. Como sabemos, para lidar com a multiplicidade de linguagens à sua disposição, o professor precisa assumir uma postura interdisciplinar e ser movido pela curiosidade intelectual. Sendo assim, o uso didático de diferentes suportes requer criatividade, conhecimento, além de inovação metodológica. Mas é bom lembrar que os diferentes suportes são utilizados para atingir o aprendizado crítico do aluno em relação ao conteúdo proposto e não somente para complementar o que foi narrado no livro didático. Escolhemos trabalhar com o conteúdo escravidão, em razão do PIBID/UESPI/História solicitar uma ação que tenha como objetivo promover a reflexão e divulgação das questões afro- brasileiras e indígenas conforme as exigências da LDB, PCN’s, a Lei 10.639/20032 e a 11.645/20083 . A título de informação a Lei 10.639 que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro- Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, será inserida na Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Quanto ao recorte do tema escravidão já citado acima, optamos por discutir o conteúdo sobre Nordeste Colonial e a produção açucareira presente no 7º ano do Ensino Fundamental. Ao folhear os livros didáticos que tratam da temática observamos a grande quantidade de pinturas produzidas por Debret e Rugendas sobre o cotidiano dos negros escravizados no Brasil e, em razão disso, resolvemos trabalhar com essa linguagem. Entendemos que tal linguagem deve privilegiar o desenvolvimento do olhar crítico do aluno, na sua capacidade de interpretar e compreendê-las criticamente. De acordo com Circe Bittencourt4 “[...] o problema central que se apresenta para os 1 NASCIMENTO, Jairo Carvalho do. Passado atual, presente eterno: relato do século XVIII, gravura do século XIX, fotografia do século XXI... diferentes fontes e épocas podem ensinar a história da escravidão no Brasil. In: Revista de História da Biblioteca Nacional, ano VIII, nº 96, setembro de 2013, p. 80 a 83. 2 Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm 3 Mais informações, ver: http://pibidnoeuripides.blogspot.com 4 BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Materiais didáticos: concepções e usos. In: BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2004. p. 293 – 399.
  3. 3. professores é o tratamento metodológico que esse acervo iconográfico exige, para que não se limite a ser usado apenas como ilustração para um tema ou como recurso para seduzir um aluno [...]”. O uso da imagem deve ser como forma de aprendizado e conhecimento, constituindo fonte de informação e de pesquisa, para que o aluno possa perceber semelhanças e diferenças entre épocas, culturas e lugares distintos, posicionando-se criticamente frente a questões e problemas que a sociedade traz e entendam que também são atores sociais e tomem consciência de seus atos.5 “É importante que o professor conheça as características das obras com as quais irá trabalhar. Saber sobre o artista, autores, técnicas utilizadas e o momento histórico que foram realizadas.”6 Isso possibilita que na medida que os professores tiverem contato com as obras e procuram compreendê-las em todo o seu contexto, mais fácil será ensinar seus alunos a lê-las e abstrair informações que possam ajudá-los a entender melhor aquele momento histórico. Vale ressaltar, ainda, que nenhum documento histórico é neutro, muito menos retrato fiel da realidade, e o professor deve estar atento a esse detalhe. Quanto aos livros didáticos, depois de analisarmos uma série deles7 o que mais nos chamou atenção foi o livro da autora Joelza Ester Rodrigue intitulado História em Documento: imagem e texto, pela maneira como sintetiza o conteúdo e, como o título sugere, faz usos de documentos e imagens8 . Mais uma vez, Circe Bittencourt9 vem nos alertar, dessa vez mostrando que “o livro didático possui limites, vantagens e desvantagens [...] e é nesse sentido que precisa ser avaliado”. O livro mencionado, ao tempo que coloca à disposição do aluno uma série de imagens e documentos a serem analisados, acaba, de certa forma, por simplificar a explanação do conteúdo, o que cabe ao professor fazer as 5 LITZ, Valesca Giordano. O uso da imagem no ensino de história. Curitiba: 2009. (Caderno Temático do Programa de Desenvolvimento Educacional do Estado do Paraná - PDE) 6 LITZ, Valesca Giordano. O uso da imagem no ensino de história. Curitiba: 2009. (Caderno Temático do Programa de Desenvolvimento Educacional do Estado do Paraná - PDE). p. 33. 7 ALVES, Kátia Corrêa Peixoto; BELISÁRIO, Regina Célia de Moura Gomide. Diálogos com a história, 6ª série: manual do professor. Volume 2. Curitiba: Nova Didática, 2004. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. APOLINÁRIO, Maria Raquel (editora). Projeto araribá: história. Obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna. 3ª edição. Volume 2. São Paulo: Moderna, 2010. Obra em 4 volumes para alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. BOULOS JÚNIOR, Alfredo. História do Brasil: colônia. Edição renovada. Volume 1. São Paulo: FTD, 1997. Ensino Médio. COTRIM, Gilberto. Saber e fazer história, 6ª série. 2ª edição reformulada. 2ª impressão. Volume 2. São Paulo: Saraiva, 2002. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. PILETTI, Nelson; PILETTI, Claudino. História e vida integrada. Nova edição reformulada e atualizada. 3ª edição. 1ª impressão. Volume 2. São Paulo: Ática, 2005. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. RODRIGUE, Joelza Ester. História em documento: imagem e texto. 2ª edição. Volume 2. São Paulo: FTD, 2002. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. SCHMIDT, Mario Furley. Nova história crítica. Volume 2. São Paulo; Nova Geração, 1999. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. VICENTINO, Cláudio. Viver a história: ensino fundamental: 6ª série. 1ª edição. Volume 2. São Paulo: Scipione, 2002. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. 8 RODRIGUE, Joelza Ester. História em documento: imagem e texto. 2ª edição. Volume 2. São Paulo: FTD, 2002. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. 9 BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Materiais didáticos: concepções e usos. In: BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2004. p. 300-301.
  4. 4. considerações e os questionamentos cabíveis para que não se continue na mesmice de reprodução e generalização de ideias. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), o terceiro ciclo (5ª e 6ª séries / 6º e 7º anos) do ensino fundamental deve contemplar o eixo temático História das relações sociais, da cultura e do trabalho. A sugestão é que o professor trabalhe na perspectiva da História do Cotidiano e que relativize os padrões de comportamento do seu próprio tempo. Esse eixo temático se desdobra em dois subtemas, As relações sociais e a natureza e As relações de trabalho. Esse último chama para se trabalhar, dentre outros, conteúdos que abordem, na história brasileira, “o tráfico de escravos; a escravidão africana na agricultura de exportação [...] e nos espaços urbanos; lutas e resistências de escravos africanos [...]”. Quanto ao uso de documentos em sala, a orientação dos PCN’s é que se note que o documento não fala por si mesmo e para isso é preciso fazer a escolha de um método para interrogá-lo, possibilitando extrair informações de suas formas, de seus conteúdos e que permitam compreendê-los no contexto de sua produção.10 A partir das escolhas citadas anteriormente a aula será apresentada da seguinte forma:  Num primeiro momento, para introduzir a aula, faremos uma discussão sobre o conceito do que é ser escravo a partir do entendimento que os alunos da sala têm em relação a esse termo. Após a síntese sobre o conceito, apresentaremos uma relação presente/passado quanto à temática fazendo referência a formas contemporâneas de escravidão, a exemplo dos cortadores de cana conhecidos como boias-frias.  Após essa problematização inicial, trataremos do conteúdo propriamente dito, O escravo negro no Brasil Colonial: tráfico e cotidiano através da projeção do mesmo em slides.  Pontuaremos o tráfico dos escravos negros da África para o Brasil enfatizando as condições vividas pelos mesmos nos tumbeiros. Acrescentaremos ainda a chegada desses escravizados nos portos brasileiros e a maneira como os negros eram denominados. Mostraremos através de slides, imagens de artistas europeus11 produzidas sobre esses acontecimentos.  Após essa fase, solicitaremos aos alunos que interpretem as imagens de Rugendas e Debret que foram distribuídas no início da aula sobre o cotidiano escravo no Brasil Colonial. Será dado um tempo para que os alunos possam fazer as suas considerações escritas. As considerações orais serão feitas no decorrer da aula. 10 BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: história. Brasília: MEC / SEF, 1998. 11 Jean-Baptiste Debret (1768-1848) foi um pintor, desenhista e professor francês. Integrou a Missão Artística Francesa (1817), que fundou, no Rio de Janeiro, uma academia de Artes e Ofícios, mais tarde Academia Imperial de Belas Artes. De volta à França (1831) publicou Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839), documentando aspectos da natureza, do homem e da sociedade brasileira no início do século XIX. Johann Moritz Rugendas (1802-1858), foi um pintor alemão que viajou por todo o Brasil durante o período de 1822 a 1825, pintando os povos e costumes que encontrou. Cursou a Academia de Belas-Artes de Munique, especializando-se na arte do desenho. De família de artistas, integrou a missão do barão de Georg Heinrich von Langsdorff e permaneceu no Brasil três anos.
  5. 5.  Os alunos, que ficaram responsáveis pelas análises das imagens referentes às atividades exercidas pelos negros, serão solicitados a fazerem a suas considerações. Após as mesmas, os ministrantes discutirão sobre as principais atividades exercidas pelos escravos negros nos ambientes urbano e rural;  Os alunos, que ficaram responsáveis pelas análises das imagens referentes aos costumes e os castigos, serão solicitados a fazerem as suas considerações. Após as mesmas, os ministrantes discutirão sobre os costumes e os castigos que faziam parte do cotidiano dos escravos na Colônia;  Para concluir a aula, os ministrantes discutirão, através de slides, o tópico Resistências, elencando as principais estratégias utilizadas pelos negros para fugirem da sua condição de escravo. Feita a discussão, os ministrantes farão as considerações finais e apresentarão uma atividade para casa. 5. RECURSOS  Projetor multimídia, notebook, livro didático, imagens. REFERÊNCIAS ALVES, Kátia Corrêa Peixoto; BELISÁRIO, Regina Célia de Moura Gomide. Diálogos com a história, 6ª série: manual do professor. Volume 2. Curitiba: Nova Didática, 2004. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. APOLINÁRIO, Maria Raquel (editora). Projeto araribá: história. Obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna. 3ª edição. Volume 2. São Paulo: Moderna, 2010. Obra em 4 volumes para alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Materiais didáticos: concepções e usos. In: BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2004. p. 293 – 399. BOULOS JÚNIOR, Alfredo. História do Brasil: colônia. Edição renovada. Volume 1. São Paulo: FTD, 1997. Ensino Médio. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: história. Brasília: MEC/SEF, 1998. COTRIM, Gilberto. Saber e fazer história, 6ª série. 2ª edição reformulada. 2ª impressão. Volume 2. São Paulo: Saraiva, 2002. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. FONSECA, Selva Guimarães. A nova LDB, os PCNs e o Ensino de História. In: FONSECA, Selva Guimarães. Didática e prática de ensino de história: experiências, reflexões e aprendizados. Campinas, SP: Papirus, 2013.
  6. 6. LEMOS, Cláudia Santana; FERREIRA, Neliane Maria. A escravidão negra no Brasil: análise dos aspectos cultura e trabalho por meio das obras de Johann Moritz Rugendas e Jean Baptiste Debret. Cadernos da fucamp. V. 1, n. 1. (2002) Disponível em: <http://www.fucamp.edu.br/editora/index.php/cadernos/article/view/36/39>. Acesso em 16 de maio de 2015. LITZ, Valesca Giordano. O uso da imagem no ensino de história. Curitiba: 2009. (Caderno Temático do Programa de Desenvolvimento Educacional do Estado do Paraná - PDE) NASCIMENTO, Jairo Carvalho do. Passado atual, presente eterno: relato do século XVIII, gravura do século XIX, fotografia do século XXI... diferentes fontes e épocas podem ensinar a história da escravidão no Brasil. In: Revista de História da Biblioteca Nacional, ano VIII, nº 96, setembro de 2013, p. 80 a 83. PILETTI, Nelson; PILETTI, Claudino. História e vida integrada. Nova edição reformulada e atualizada. 3ª edição. 1ª impressão. Volume 2. São Paulo: Ática, 2005. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. RODRIGUE, Joelza Ester. História em documento: imagem e texto. 2ª edição. Volume 2. São Paulo: FTD, 2002. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. SCHMIDT, Mario Furley. Nova história crítica. Volume 2. São Paulo; Nova Geração, 1999. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental. SOUZA JUNIOR, José Pereira. Historiografia em debate: a escravidão colonial nas obras de Jacob Gorender, Kátia Mattoso, João José Reis e Luiz Felipe de Alencastro. Site NetHistória. Brasília, jan. 2004. Sessão Artigos. Disponível em: <http://www.nethistoria.com.br/secao/artigos/419/historiografia_em_debate_a_escravidao_colonial_na s_obras_de_jacob_gorender_katia_mattoso_joao_jose_reis_e_luiz_felipe_de_alencastro/ >. Acesso em 18 de maio 2015. VICENTINO, Cláudio. Viver a história: ensino fundamental: 6ª série. 1ª edição. Volume 2. São Paulo: Scipione, 2002. Obra em 4 volumes para alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental.

×