R   G   T   W   B   K     P     F     S     Ç   P   F   Z   A   QÔ   I   T   G   H   B     S     A     A     E   D   H   B...
MODÉSTIA                                                                       Por Lucas Borges Santos                    ...
“Vota Brasil, o futuro de sua cidade é o seu futuro.”Por Acton Lobo                                importante missão. Util...
Cultura Popular?      Por Fabiane Andrade                                         só foi possível pela labuta e coragem de...
A ROTINA                                                                           Por Manoel das Neves                   ...
O Édipo de Dan Futterman                                                         Por Kelma Costa       Herdamos dos gregos...
AOS DOUTORES DA ACADEMIA                                          submeti a tal, expondo-me ao ridículo,      “persona pós...
REENCONTRO                                                                                                Por Leandro Bulh...
Por Jean Michel                                                                limpador de pára-brisas de carros estaciona...
“Viver a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida.”                  Aí, me pego pensando sobre gênero. Numa...
Coisa de Negr@                                                                                     Por Cristiane Puridade ...
Comendo para não morrer                                             escancarada       cheia     de   dentes    alimentar o...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Revista Outras Farpas [segunda edição]segunda edição

491 views

Published on

Revista Outras Farpas [segunda edição]

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
491
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
6
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Revista Outras Farpas [segunda edição]segunda edição

  1. 1. R G T W B K P F S Ç P F Z A QÔ I T G H B S A A E D H B N MI P O L K A L E M S X T E E AA Z M I Y E E D J H S A A N WÇ Ç J H Q A O U T R A S M A KB A W G H H P Z Q Q E S T I KU E C B L D O A K G Z T I B WB B U W E D A S K F A R P A SN L O I T E W A S D N A A F FA S D F G Ç L K J H A B N E AT Y U I D W B D K J A A S W QJ K H F R U N H G D I A C U IH J K K Y U I B N M K A S W XB G T I A N E A E W A Z C B DG H J E W Q S K G D R J Z V ME T G J K K O U Y T E E G H NH Y N M J U I K L Ç P A E C Sz C y A ç F D H U J I N I I OI K M O L P U H B G R E S A ZR E D C V F Y U I K J M L O PÇ E S Z F R T R F V B H Y U JM K A W R A C T O N Z C R T AV B H Y U N M K I O L P A L RA E D C H C G R A S A A A S UA E I O U O U A M C V D E A SP Ç O T G F R E L E E E A S KB G R Y U U I O E A A D Q W AD A A G W H U I K G G G D F AU R R A K L O I O O P Ç D S WR A A E V F J K L O I O P W YR W D F G T B H J I I S O P SE Z V B A N D R E A D A S A CL H Y U W S A Q E S C C N H YU J K I E W S C F G T U Z A ED V G J K O P Ç D X A L W Z Z ANO I - Edição II
  2. 2. MODÉSTIA Por Lucas Borges Santos Não importa onde eu for Leitor de bom senso, aqui vamos nós. Receba a segunda Sempre terei:edição do Outras Farpas, feita com o mesmo carinho da anterior, ao Um pé no borralhotempo em que agradecemos pela receptividade, elogios e também A coragem suburbanapelas críticas realizadas. A força sertaneja A pecha soteropolitana Acredite que se constituiu num enorme prazer, para todos E o chão...nós, ter prestado nossa pequena contribuição para o sucesso da Pra pisar ou cairnoite de 24 de julho de 2008, quando foram dadas as boas vindas Cravar os pés ou sair... Á francesaaos calouros de 2008.1 do Campus V da UNEB. Estrear à Bahia, E como vovó já dizia: Nesta edição, pegaremos carona na Pré-Jornada de Cinema ...Esqueci.da Bahia na UNEB, que acontecerá dos dias 02 a 04 de setembro no Até volto atrásAuditório Milton Santos, Campus V. Mas não me arrependo Às vezes nem entendo... Agradecemos também a todas as pessoas que, mesmo de A mim,longe, nos incentivaram na realização deste trabalho, aos nossos Quem dera os outros tivessemcolaboradores, sejam os que sempre estiveram conosco, sejam os O privilegio de verque estão chegando agora, como o Lucas Borges Santos, cidadão Como eu vejo o mundosoteropolitano, formado em História pela Universidade Federal da Sem ângulos retos,Bahia e que atualmente batalha o pão de cada dia láááá em Gostosamente obtuso,Correntina. Muito obrigado pelo poema, este que segue transcrito Indigestamente denso,aqui ao lado. Ridiculamente simples, Complicados são os eus que o povoam E é agradecendo que fechamos esta edição, ansiosos, felizes e E os tús que o comentaminspirados por estas maravilhosas musiquinhas que fazem das Em meias verdadescampanhas eleitorais este espetáculo tão............típico. Pra fones de ouvido e tvs Sem tecla sap Continuemos dialogando, todos temos a ganhar com isso. E enquanto ouvidos moucos dormem, Brados ecoam dos sonâmbulos, De Valença para Santo Antonio de Jesus, 30 de agosto de Eu sigo fielmente minha rota...2008. Acordado. Manoel “Durrel” das Neves. Equipe Outras Farpas: Acton Lôbo, Colaboraram com esta edição: Jean Michel, Leandro Bulhões (Leo Pó); Rosana “Zana” Mercês; Manoel “Durrel” das Neves; Rosangela “Rô” dos Reis Mercês Santos; Kelma Costa; Franco Oliveira; Hilda Vasconcelos; E-mail: outrasfarpas@gmail.com Cristiane Puridade; Lucas Santos; Diacui Pataxo; Fabiane Andrade; Andrea Barreto.
  3. 3. “Vota Brasil, o futuro de sua cidade é o seu futuro.”Por Acton Lobo importante missão. Utilizando-se de oportunistas e sanguessugas ávidos toda a sua engenhosa e espetacular pelo poder? É essa a grande questão Olá ilustres leitores! Aproveitando máquina midiática; elas, como num que me faz queimar os neurônios.o momento de efervescência que vive o passe de mágica, transformamnosso país por conta das eleições qualquer “Zé Ninguém” em um grande Mas não se desespere queridomunicipais, nada mais justo do que se político. Ou seja, em um grande Zé leitor-eleitor com esta minha reflexão,fazer um comentário sobre o nosso exerça o seu direito: Vote! vote em Ninguém. Utilizando-se de fantásticos“democrático” e “evoluído” processo efeitos especiais oriundos quem quiser! No momento do voto, deeleitoral. Este que a cada quatro anos, programas como Photoshop ou do cara a cara com a urna, talvez você senos obriga a exercer o direito de votar. Corel Draw, elas editam as imagens;lembre das cômicas propagandas do TSE(Parece incoerente, não é? Mas, essa é a escondendo as rugas, as olheiras, aque diz: “O futuro de sua cidade está“democracia” brasileira e agradeça aos em suas mãos”. Se a escolha que fizer arrogância, a corrupção, a sede peloCéus por ela). será boa ou ruim, somente depois de poder, o sorriso sem graça e tudo mais que possa comprometer a possível quatro anos você saberá. Uma única A lista de candidatos é quase vitória de seu candidato-cliente. coisa é certeza: não importa o seu sexo,interminável e têm opções para a sua cor, a sua religião, se-todos os gostos e preferências: de xualidade, a quantidade de filhosladrão à pastor evangélico, de “Na contínua busca pelo voto, que você possui, no final, todos nósdançarina de grupo de pagode à pagaremos essa onerosa egarota de programa. Se você as agências de publicidade dispendiosa conta.procurar cuidadosamente pode ter exercem uma importantecerteza que irá encontrar um que te missão.[...]transformam Por fim, independentemente deagrade. todas as incoerências existentes em qualquer “Zé Ninguém” em um nosso regime, jamais devemos Hoje já não interessa mais se o grande político. Ou seja, em deixar de agradecer e homenagearcandidato tem uma proposta ou no àqueles que lutaram e morrerammínimo uma idéia coerente. um grande Zé Ninguém.” pela nossa tão almejada e às durasSabiamente, alguém encontrou o penas conquistada, Democracia“mapa da mina” e espalhou para Brasileira. A grande decepção,todos que esse é o melhor caminho para Maquiam-se sem pudor os porém, foi no que ela se resumiu aofaturar uma grana em cima do nosso defeitos, as burrices e as falcatruas, longo do tempo e a forma nas quaismiserável povo brasileiro. transformando o mais vil e torpe podemos exercê-la: Pelo voto candidato na criatura mais singela, obrigatório e atualmente através do Para que os planos desses pseudo- pueril e bondosa que possa existir na Código de Defesa do Consumidor.representantes se concretizem, eles não face da Terra. Ao povo, sobra-lhe apoupam esforços nem recursos, fazendo difícil e arriscada incumbência: Votarqualquer coisa para conquistar a naquele candidato bonitinho,simpatia e o sorriso “banguela” do sorridente e que dá tudo em troca de ____________________pobre eleitor brasileiro. O bombardeio um voto. Se você pedir com “jeitinho”, *Acton Lobo é licenciado em geografiavem de todos os lados. Desde os eles te darão até o orifício anal pelo seu pela Universidade do Estado da Bahiainsuportáveis carros de som com voto. UNEB Campus V. Atualmente reside emaquelas musiquinhas plagiadas, Salvador.extremamente toscas, irritantes e Generalizações e sarcasmos à E-mail: actonlobo@hotmail.cominsuportáveis que entram pelos nossos parte caro leitor, creio veemen-ouvidos, corroendo lentamente nossos temente que ainda existam candidatoscérebros, até os insuportáveis e sérios, comprometidas e com umdesnecessários programas eleitorais. projeto político consistente. A perguntaAfinal, quem hoje em dia tem paciência que faço para você é a seguinte: Ondepara assisti-los? devemos procurá-los em meio ao mercado a céu aberto em que se Na contínua busca pelo voto, as tornou a política partidária no Brasil?agências de publicidade exercem uma Como identificá-los entre vermes
  4. 4. Cultura Popular? Por Fabiane Andrade só foi possível pela labuta e coragem de pessoas como D. Bernarda e Eliseu, que dedicavam tempo, seus recursos e, por Há alguns anos, quando da minha graduação em que não dizer, suas vidas, a fim de colocar o Terno na rua.história, discutíamos muito, sobre uma chamada cultura Perdoem-me, mas não posso deixar passar em brancopopular que se desenvolve, muitas vezes, sem que os poderes esta oportunidade, embora muito se fale em cultura, na nossapúblicos estabelecidos tenham interesse em sua manutenção cidade, há muito tempo, esta anda esquecida. Meusou mesmo em sua existência. Desabrocha nos becos e nas narradores sempre me chamavam atenção para o fato de queentranhas de vivências coletivas, através do partilhar de um durante quase toda a sua existência, o Terno de Reis eracotidiano que conduz a experiências que só têm sentido “recursos próprios”, sabe o que isso significa? Que em Santodentro da localidade. Nessa teia de significados e relações Antonio de Jesus a cultura popular precisa se manteremergem manifestações, modos de vida, visões de mundo economicamente sozinha, pois não há estimulo, auxílio,que constituem essa tal cultura popular. interesse. As manifestações culturais, que ora são Ao mesmo tempo em que me encantava com as desenvolvidas por populares que precisam gastar parte dediscussões de grandes pesquisadores que analisavam a seus míseros salários para comprar adereços e comporcultura popular européia, emergiam questões: e a nossa fantasias, não são lembradas pela política local. Entristece-noscultura, quem a estuda? Quem a conhece? Quem a vive? saber que muitas festas, celebrações, rituais estão “sumindo” Estas inquietações me atormentaram por algum tempo, por falta de apoio público, ou mesmo de espectadoresaté que a angústia cedeu espaço para o prazer da prática da interessados.pesquisa. Sair às ruas, olhar a cidade, buscar a cultura Os desfiles do Humildes em Alegrias terminaram empopular... e foi no contato com o Humildes em Alegrias, um 1992 quando D. Bernarda veio a falecer. Os moradores daTerno de Reis do bairro Andaiá em Santo Antonio de Jesus, localidade lamentam a falta de um divertimento saudável eque muitas das minhas inquietações teóricas ganharam educativo, propiciador da construção de uma juventude quecontornos práticos. desenvolva maiores vínculos com identidades locais. E fico eu Nas idas ao bairro tive contato não com a festa de Reis, a pensar o que nos cabe fazer? Enquanto historiadora tenhoque não mais existe, mas com as lembranças acerca desta. E me dedicado a tentar manter “viva” as memórias da festa.nas conversas com os sujeitos humildes, mas tão sabedores, Aos poderes públicos, seria interessante se tivessem interesseque ora fizeram parte deste grupo, tenho construído minhas em dar incentivos para a cultura do povo. A você caro leitor,impressões sobre a cultura popular, agora sob outros olhares. espero que, na medida de suas possibilidades, algo também A festa, a qual me refiro, se desenvolveu a partir de um seja feito para que a cultura popular de Santo Antonio desonho, acreditem, de uma senhora chamada D. Bernarda Jesus não se reduza a uma memória saudosista.(conhecida pelos íntimos de minha pesquisa como “Dona B.”). _____________________Ela sonhou com uma determinada representação religiosa e, Fabiane da Silva Andrade Graduada em História,crendo nesta, passou a sentir-se na obrigação de realizar uma especialização em História Regional e Local pela Universidadefesta de Reis na localidade. O que era pra ser um desfile de do Estado da Bahia UNEB, e Mestranda em Cultura, Memóriasenhoras tornou-se uma das vivências centrais da Rua da e Desenlvovimento Regional pela UNEB.Alegria, integrando os moradores através do partilhar de E-mail: fabhist@hotmail.comlazer, diversão e fé. A manutenção do Terno, durante 24 anos,Palavras soltas. Eu nunca sento num banco pra altivos, tornam-se então cansados e se Por Hilda Vasconcelos tem como inocente utopia cobrir toda adescansar. Sento pra ver a vida que fecham a fim de se protegerem da cruel humanidade que sente frio, mesmo sobanda, a que pára e a que só vive. Sento superficialidade que corre solta ao um sol sertanejo...pra ficar cansado e só por isso ter redor dos bancos onde sento pra ficarcoragem de levantar. Há coisas mara- cansado. Toda esta dinâmica vital deve- Tudo isso num banco, onde vidasvilhosas aos meus sentidos que só se ao meu elo com os bancos, lugares estão registradas, seja por terem tocadopercebo quando estou num banco, onde me sinto mais homem e menos sua madeira, sejam por simplesmentesentado com minha estúpida e inútil gente, onde escuto palavras soltas e passar por elas. O banco é, enfim, umsolidão, mas que por pura teimosia e construo um poema universal, lugares mundo de almas presas, ao qual mevaidade insisto em carregar. Mas onde vejo arco-íris no sol sertanejo. É junto todas as manhãs ao sentar-me, sótambém há certos dias, em certos um exercício de rasgar, cortar, pra ficar cansado...bancos, que parece que só há espaço remendar e costurar as percepçõespro vazio. Meus olhos, sempre muito como numa colcha de retalhos, que
  5. 5. A ROTINA Por Manoel das Neves o único espectador além dela, olhava descaradamente Ocorreu hoje de manhã, num dia que começou para os dois, fixando um pouco de minha atenção nascomum, dentro da mais angustiante normalidade. reações da moça. Me perdi um pouco naqueles cabelos,Acordei, me espreguicei, reprogramei o despertador e passando a vista nos seios e quadris. Quando volteivoltei a dormir um pouco mais. Acordei novamente, novamente à visão de seu rosto, a repentina expressãome espreguicei, praguejei contra o mundo e a de pavor que ali se fez também me apavorou.necessidade de trabalhar e então me levantei. Banho, Olhei imediatamente para a janela do ônibus, eroupas, perfumes, etc. Saí de casa pontualmente as naquele quadrado mágico, onde há pouco tinha visto6:45, como de costume, caminhando apressado, com uma demonstração profundamente meiga doexpressão séria, em direção ao terminal rodoviário, a fim de pegar sentimento amor, agora, como se alguém de posse do controlemeu ônibus para Nazaré, onde trabalho. remoto tivesse mudado o canal, vi um homem com gestos Enquanto o ônibus não chegava, sentei na mesma cadeira de desesperados, insanos, de pé sobre a poltrona, abaixar as calças etodos os dias, aquela que não fica exatamente de frente para a TV, exibir um membro rijo e abjeto, sacudindo-o de forma alucinada,permitindo uma visão mais ampla do terminal. Como também é de esfregando-o no vidro, fazendo insinuações. Dentro do veículo deu-costume, o meu ônibus é o mais atrasado dentre todos do horário e se início a uma comoção generalizada. Pessoas descendoas pessoas que haviam sentado próximo a mim já estavam se desesperadas, tropeçando umas nas outras e sendo brutalmentedirigindo às suas respectivas plataformas a fim de procederem seus pisoteadas pelas que vinham atrás, outras pulando a janela e seembarques. O ônibus da linha Bom Despacho- Camamú foi o estatelando, outros, mais valentes, buscando conter a fúria doprimeiro a partir. Em seguida o da linha Camamú- Feira de Santana amante insano. A platéia aumentava, as mulheres gritavam, asligou seus motores em sinal de partida, momento em que os crianças choravam, dois policiais chegaram e depois de muitopassageiros engrossaram a fila para entrar no veículo e foi quando rebuliço, de mais gente caindo desesperada, finalmente o malucomeu ônibus finalmente se apresentou. foi retirado do ônibus aos gritos. Levantei e fui caminhando devagar em direção à plataforma, Paralisado de êxtase, fui trazido de volta à realidade pelonão esquecendo de desejar bom dia para o moço que recolhe os buzinar do meu ônibus que já se preparava pra sair. O motoristacomprovantes da tarifas de embarque. A rotina fez crescer em nós estava mal humorado e não achou muita graça no espetáculo. Olheium sentimento de amizade, nos cumprimentamos com sorrisos ao meu redor e não vi mais a moça.bastante espontâneos. Entrei no carro e lancei um olhar na poltrona 22, corredor, a Desci a plataforma e enquanto procurava meu lugar na fila que mais gosto de me sentar. Ao me aproximar, para minhapara entrar no carro, uma cena bastante romântica atraiu minha surpresa, encontrei a pobre donzela sentada na 21, com a cabeçaatenção: Um jovem, dentro do ônibus para Feira de Santana baixa. Supus que os gritos do maluco estavam ecoando em suasinalizava (a janela estava fechada) em direção a uma mulher que mente e me deixei sensibilizar com a trágica forma pela qual haviaestava parada do lado de fora com ares de perdida. Não resisti ao terminado a breve história de amor vivida por aquela jovem logo demeu instinto de ajudar o mundo e toquei nos ombros dela, manhã cedo.apontando em seguida para a janela onde o rapaz gesticulava por Sentei ao seu lado e tive medo até de respirar. O ônibus jáum pouco de atenção. estava em movimento quando ela finalmente se ergueu, e ao me A jovem sorriu desconcertada quando o rapaz assoprou o reconhecer, acho que não se sentiu muito à vontade. Olhou paravidro da janela, criando um círculo embaçado, e dentro desse mim com a expressão fria, de quem não ia esperar mais nada decírculo, com os dois dedos indicadores, desenhou um coração. Seu ninguém durante um bom tempo. Aquele olhar me fuzilou e tímidosorriso, cada vez menos discreto, quase enrubescido, despertou no que sou, passei o resto da viagem tentando montar a frase idealrapaz (e transmitiu a mim) uma sensação de correspondência com a qual quebraria aquele gelo e iniciaria uma maldita conversa.sentimental. Constatei que eram namorados e aquela despedida, Pena que Nazaré chegou para mim antes que eu pudesse exercer atão romântica, conseguia estabelecer um parêntese na rotina da minha capacidade de sedução, e ao alcançar meu destinominha vida, despertando em mim calores invejosos. tristemente constatei que o maluco era muito melhor conquistador Minha fila finalmente começou a andar (o motorista queria do que eu. Mas isso não era novidade, eu já me conhecia, e atirar o atraso) e a jovem se moveu em direção ao mesmo ônibus ciência desse meu jeito foi o primeiro indício de que aquela quebraque eu, e foi aí que algumas coisas começaram a encontrar novos de protocolo já havia se dissipado e a (agora) boa e velha rotina sesentidos e aquele momento se tornou uma situação ao menos fazia presente.curiosa. O rapaz, em estado um tanto quanto excitado, ao perceber Levantei e não tive sequer coragem de olhar para ela. Descique a moça ameaçava se retirar, arriscou o seu amor em gestos do ônibus e cumprimentei o vendedor ambulante, que tambéminstáveis, e talvez sem pensar, não sei ao certo, colocou a língua havia se tornado meu amigo. Durante o resto do dia, tudopara fora e começou a lamber o vidro de forma lasciva. A moça aconteceu na mais perfeita normalidade, como há de ocorrerparou e durante aquele tempo manteve seus olhos fixos na janela. amanhã e sempre.Já não sorria e sua expressão era assustada. ____________________ O espetáculo continuou e era como se ele estivesse sugando * Manoel das Neves - Durrel.a própria vagina da mulher, a ponto de, se minha razão não tivesse Graduando do Curso de Direito da Universidade do Estado da Bahiame reiterado a certeza de que se tratava apenas de um vidro sujo, - UNEB Campus XV Valença-BA.poder se deduzir que ele conseguia mesmo sentir o gosto daquele E-mail: manoelsaj@hotmail.comoutro ser. A esta altura eu não tinha mais discrição e, talvez sendo
  6. 6. O Édipo de Dan Futterman Por Kelma Costa Herdamos dos gregos o gosto por tragédias. Foi para satisfazer este tipode necessidade do público que, em 1959, Truman Capote deixou amovimentada Nova York e partiu para Holcomb, pequena cidade no interior doKansas. Lá, toda uma família havia sido brutalmente assassinada. A idéiaprimeira era fazer uma matéria sobre o acontecido, contudo, a aproximação deCapote com os fatos o fez perceber que era oportuno escrever um livro. É assimque surge “A sangue frio”, sua obra de maior sucesso. O filme Capote revela como Truman produziu o que ele própriodenominou de primeiro romance de não-ficção, o que é contestável, pois obrasanteriores já faziam uso de um novo gênero jornalístico denominado deJornalismo Literário. Este tinha como uma das principais características aabolição de alguns pressupostos positivistas, sobretudo o que defendia aobjetividade. Truman, na verdade, foi mais um difusor desta tradição. No Kansas e já interessado na composição da obra, Truman,acompanhado da amiga e escritora Nelle Harper Lee (Catherine Keener), realizauma rigorosa apuração dos fatos referentes ao crime da família Clutter. Tevecontatos com relatos orais e também com documentos oficiais, inserindo-se nocotidiano das investigações. Quando os assassinos são aprisionados, Trumantambém tem acesso a eles. O livro demorou cinco anos para ser lançado. Ele éconcluído apenas quando os assassinos Perry Smith (Clifton Collins Jr) e Dick Título Original:CapoteHickock (Marx Pellegrino) sofrem a pena capital na forca. Gênero:Drama O longa de 98 minutos, com direção de Bennett Miller e roteiro de Dan Tempo de Duração: 98 minutosFutterman deu a Philip Seymour Hoffman (Perfume de mulher) o Oscar de Ano de Lançamento (EUA): 2005melhor ator. Hoffman representa Truman atendendo a toda a excentricidade Direção:Bennett Millerpeculiar a um dos maiores jornalistas dos Estados Unidos: o ator adota trejeitos Roteiro: Dan Futtermanafetados e voz macia que causam estranheza a quem já viu outrasinterpretações suas. Elenco Com uma dinâmica antagônica ao estereótipo hollywoodiano, já que nele Philip Seymour Hoffman (Truman Capote) Catherine Keener (Harper Lee)não aparece nenhum carro em chamas, tampouco um avião dominado por Clifton Collins Jr. (Perry Smith)terroristas, Capote está mais para o cinema europeu. O clima bucólico é Chris Cooper (Alvin Dewey)resultado da predominância da fotografia interiorana, na tentativa de revelar a Bruce Greenwood (Jack Dunphy)estadia de Truman em Holcomb. A atmosfera de tensão, pertinente para a suacomposição, é garantida pela ausência de trilha sonora. O filme explora cenas Mais informações:paradas e assegura a oposição entre grandes centros e pequenas localidades. www.adorocinema.com/filmes/capote/capoteTruman Capote, no entanto, não é representado como um sacerdote que,abandonando a vida novaiorquina degreda-se no marasmo do Kansas para darconta dos acontecimentos que desnortearam a vida social e questionaram acondição humana. Ao contrário, na composição de sua obra, ele, por vezes, fezusos de métodos questionáveis. O filme mostra como aproximação dos fatos e dos assassinos, emespecial, Perry Smith, foi o fator diferencial do livro A sangue frio. Trumam, quechegou a assistir, ainda que relutante, a execução dos condenados, buscou ____________________humanizar os assassinos, mostrar que Perry, o Minoutauro, o mostro, também Kelma Costa é formada em História pelatinha uma parte humana. A Sangue Frio foi a última obra desse notável autor, e, Universidade do Estado da Bahia eespecula-se que, este perdera-se no labirinto da obra que ele mesmo criara. graduanda do Curso de Comunicação daTruman Capote findou como Édipo. Não conseguiu conviver com o seu passado. Universidade Federal do Rocôncavo Baiano - UFRB - Cachoeira. A dúvida inexiste: Capote daria platéia entre os Helenos. E-mail: kelmacs@hotmail.com
  7. 7. AOS DOUTORES DA ACADEMIA submeti a tal, expondo-me ao ridículo, “persona pós-moderna”, o novo, o Por Diacui Pataxó colocando-me a mercê de pobres futuro, mas vossa mente sustenta-se no diabos ignorantes como vós, todos que atraso, na tradição, no preconceito e na Estou farta desses se julgam “sábios” e “doutores”, discriminação... bobos da corte,intelectualóides titulados e tutelados porque outros, tanto quanto (parvos), marionetes, fantoches macabros,que permitem a privatização estatal de assinou-vos um pedaço de papel, assim dançais dentro de sedas e ternos carossua vidas e querem exigir o mesmo de testemunhando, após haver escrito o ritmo lúgubre da morte dos excluídos.mim. Cansada de suas hipocrisias, páginas e páginas sobre o que os outros Sois cúmplices dos encapuzados, dosmediocridades e suas bobagens disseram, fizeram e pensaram! endinheirados, dos capa preta, doslivrescas e enciclopédicas. Enojada de Pensais ser grandes! Desiludi-vos mandantes, dos coronéis, dossuas exigências minuciosas que não de vossa grandeza, despi-vos de vossa assassinos de colarinho branco, doslevam ninguém (a não ser eles mesmos) megalomania pseudo-sábios. Sois pó, carrascos sangrentos do analfabetismo,a lugar nenhum, mas podem tirar muita lama, como todos nós, outros mortais! da fome e da doença... até em vossosgente do caminho. Enjoada de suas Acaso ides ao banheiro? Excretais ou livros os bajulais e isto é fácil de provar!caras bobas, de onde me não? Necessitais Quereis representar afitam olhos de desprezo, banhar-se ou não modernidade, mas viveis fechados emdesprezíveis. Realmente, “Desiludi-vos de fedeis nunca? E vossos próprios feudos (algunsassumo, eu não sei filosofar, drogas? Usai-as conformando-se com pequenas baiaseu não decorei vossos livros, vossa grandeza, às escondidas brancas, cheias de computadores evossas coleções, vossos despi-vos de dentro de vossos bugigangas dentro)! O inusitado, massábios de gabinete. Sócrates feudos para que a não passais de repetição. Quereisnão leu ninguém nem vossa Academia não representar a vanguarda intelectual,escreveu nada! Eu não sei saiba que sois mas sois racistas, tolos, rasos evossa filosofia, eu não sei megalomania drogados, atrasados! Fazeis o discurso dafilosofar! pseudo-sábios. hipócritas? democracia e da igualdade, mas sois Muitos de vós, a Fazeis troça tiranos nojentos, ditadores pusilânimes,maioria mesmo, sabeis Sois pó, lama, de quem não capazes sabe-se lá de quê paraapenas repetir o que como todos nós, conheceis, conquistar vossos objetivos.houvestes lido e, juntando Sentindo-vos Representais o passado! Subliminar àpedaços e recortes de um e outros mortais! ” donos da situação vossa bandeira branca da paz pode-seoutro forjais o que chamais ousais humilhar ver as fileiras disciplinadas, carregandovosso próprio pensamento, vossa os pequenos, mas só a vós mesmos a suástica de Hitler, as traições deprópria filosofia. tendes diminuído quando tentais Stálin, os assassinatos cometidos por “Eu tenho a minha loucura, desmerecer a outrem.. Ouvi e entendei Pinochet, Mussolini, Vargas e tantoslevanto-a como um facho a arder na , sepulcros caiados, a farsa que outros ditadores de carteirinha pelonoite escura... não me peça representais já está desnuda na própria mundo afora que se locupletaram dodefinições... não me diga: vem por filosofia. Não calareis nunca o meu, o poder público para enriquecer suasaqui..só vou por onde me guiam meus nosso grito que, como as lições de próprias contas bancárias e perseguirpróprios passos...” “Olhai os lírios do Sócrates, continuará ecoando em aqueles que pensam diferente dos seuscampo...” e poderia deter-me aqui em outras bocas, como as bombas de instintos genocidas, etnocidas,muitas poesias - lêde poesia ou só Bakunin continuará explodindo em homofóbicos, fratricidas, elitistas,filosofia? a explicar-vos vossa soberba outras praças; como os tiros das armas desumanos!e ignomínia, vossa fraqueza e de todos os revolucionários mortos em “Viva o país do bandido, salvemediocridade; vossa vida e insanidade, combate e continuará alvejando outros pátria do jaguar!”assim, recitando versos... mercenários como vós, séculos após ____________________ Deixaste-vos carimbar, rotular, séculos, milênios... a denunciar vossa Diacui Pataxóregistrar, vendeste-vos! Paciência! No pusilanimidade e os interesses escusos Professora de Filosofia, Arte, Religião emundo das aparências em que viveis, que motivam suas ações. História, especialista em Políticapensando estar no das idéias, não sou Usais brincos na orelha, andais Educacional e vive em Ilhéus.nada e até para ser mais uma sombra com ginga, tendes tatuagem nos pés e diacui_pataxo@hotmail.comnecessito de vossa aprovação, de vossaavaliação. Mais medíocre eu, que me nas mãos para com tudo isso compor a
  8. 8. REENCONTRO Por Leandro Bulhões havia decidido voltar sozinha. derramados no banheiro. Afinal, quanto Girava a penca de chaves como tempo é necessário para que a matéria num comportamento obsessivo, minúscula deixe de existir no mundo, no havia caído duas vezes ao chão. As mundo de seu quarto? casas que ficavam bem ao lado do Com a mão no queixo, sentiu um passeio ouviam seus passos forte cheiro de suor de pé. Não resistiu, rápidos, ajeitava os cabelos num aproximou as narinas e encheu os pulmões. entrelaçar que se desfazia ao Criou uma expectativa para tirar o pé tombo de seu caminhar. E se esquerdo. O sapato não era dos melhores estivesse ocorrendo um estupro, pra ocasião, aquele era um modesto sapato uma violência criminal bem ao sandália, havia umas ventilações que fazem lado de sua casa e nesse exato perder a essência do guardado odor instante? De onde vinha esse produzido paulatinamente pelo seu próprio desejo, essa vontade, prazer e corpo. Meu próprio corpo, pensava. necessidade pelo trivial Passou a mão direita na axila espetáculo? Por que essa sede esquerda por debaixo da blusa amarela e copiosa de novidade? sabia que ali, naquele santuário seu que Pensava que o curso exalava ela, estaria uma produção que natural das coisas era o pior lugar, merecia respeito. Assim, se criou em ouro e mas era ali que ela concentrava prazeres, ora cheirando uma mão, ora parte de seus esforços diários, no outra. Parecia bom e deitou-se. Assoprava empenho de manter toda aquela seu cheiro agora e sabia que aquilo que é ordem, aquele previsto cotidiano. indestrutível e não tem pra onde ir que são Ao chegar finalmente em os cheiros, flutua no mundo por anos. Que casa, alguns metros antes já coisa louca ficar assim, cheiro. E cheirando- balbuciava algum som entendido se, foi envolvida por um sono profundo. por seu cachorro, ele ia latir, mas Ainda havia porção de consciência não latiu por que era ela e era quando se imaginou inserindo-se nas assim que ela queria. Como se divertia com profundezas de si mesma. E envolta nessas Mais uma vez. Tinha acabado de isso! Empurrou a porta sabendo que logo obscenidades existencialistas, foi convidadadecidir voltar pra casa e não sabia o que lhe depois de uma marca diagonal do assoalho ao universo fugidio do dormir. Suas células,aguardava. Costumava acreditar que as a porta rangia, ela rangeu. Com que alegria enquanto isso, esperavam o inusitado.coisas mais diferentes e absurdas do ela sorria à casa. Foi direto ao seu quarto, o Quando chegou um indivíduo à sua porta,mundo poderiam lhe ocorrer a qualquer cachorro a seguiu, mas entendeu a hora de (havia um problema perto dali) ela nãomomento e, por isso, religiosamente, todos parar porque ela não suportava a idéia de conseguiu acordar, sono pesado dizia suaos dias, assistia a todos os telejornais e não ter pêlos voando hora ali outra aqui nos mãe. Naquela cena holística, pernasperdia oportunidades de apreciar capas de cômodos simples de seu aposento que entreabertas, pés no chão, tronco caído namatérias de jornais que espetacularizavam continuava à meia luz. cama, havia mundo e novidade, mas umaconstantemente os acontecimentos. Sofria O poste lá fora deixava entrar uma pena não saber ela. Ela havia reencontradopor não sofrer; perdia sempre tudo aquilo fresta de luz pelos vidros da janela que e os sons na porta àquela altura da noite,que podia ganhar nas marés de sortes de formava uma penumbra, uma massa que é noite perigosa, não a abalavam, atécomuns que relatavam experiências; seu amorfa e um clima denso naquele canto porque ela jamais iria abrir sua porta a umútero secava por não poder parir exclusivo do quarto. É lá que ela tira seus possível estranho. Ao mesmo tempo, aquadrigêmeos ou bebês em datas sapatos. Ao abaixar, embebeda-se com o ritmia dos sons na porta constituía ocomemorativas. Assim, o espaço cheiro de suas axilas. Como aquilo a baluarte melódico de seu sonho.jornalístico que existia em sua vida era satisfaz! Ela ri, sabe que naquele lugar ____________________repleto de êxtase, pavor, expectativa. ninguém poderá julgá-la em nada. Nada de Leandro Santos Bulhões de Jesus é Lembrava que tinha olhado o gás ao comentários, estranhamentos, nada. Ela, o graduado em História e mestrando emsair de casa, desligou-o; a janela quarto, a fresta e o mais absoluto nada. Cultura, memória e desenvolvimentodevidamente fechada; retirava todas as Lembrou que não sabia realmente onde regional - UNEB Campus Vtomadas dos eletrodomésticos, afinal, se a estava com a cabeça quando aceitou morar ____________________tal coisa acontecesse, teria de vir por com Armando. Havia quase quatro meses Imagem:intermédio maior de um ente maior, que ele deixou de morar na rua Olivença René Magritte- “Les Liaisons Dangereuses”.exterior. E quando isso acontecesse algo Taquary, mas ela ainda sentia uma 1936estaria dialogando com ela. Esse dia não presença morna como se seus pedaços dechegava, mas ela estava chegando junto à vida deixados ali, suas células epiteliais,porta. Chaves nas mãos desde quando cheiro nos lençóis, excrementos
  9. 9. Por Jean Michel limpador de pára-brisas de carros estacionados, slogans HIPERBÓREOS LEITORES! escritos com letras gigantes nas paredes de playgrounds, Apresento-os hoje um dos mais fantásticos cartas anônimas enviadas a destinatários previamenteespécimes de uma das ilhas mais fabulosas que topei eleitos ou escolhidos ao acaso (fraude postal),nessas minhas internéticas navegações. Como transmissões de rádio pirata, cimento fresco…intempestivo pirata fujo às lânguidas e preguiçosas A reação do público ou o choque-estético produzidotentações das rotas tradicionais, tão mais seguras quanto pelo TP tem que ser uma emoção pelo menos tão fortemenos enriquecedoras, das já deveras conhecidas - terras quanto o terror - profunda repugnância, tesão sexual,“orkuticas” e “m-s-ênicas”. Transito em águas revoltosas, temor supersticioso, súbitas revelações intuitivas, angústiaainda não mapeadas, nas quais o espírito humano é dadaísta - não importa se o TP é dirigido a apenas umamoldado no medo do incerto e da tormenta, porém, a pessoa ou várias pessoas, se é “assinado” ou anônimo: serecompensa para os mais bravos e determinados é a não mudar a vida de alguém (além da do artista), ele falhou.contemplação de maravilhas nunca dantes imaginadas O TP é um ato num Teatro da Crueldade sem palco,como essa especiaria que vos ofereço. sem fileiras de poltronas, sem ingressos ou paredes. Para Não vos importuno mais com imprecisas descrições que funcione, o TP deve afastar-se de forma categórica deque em nada podem acrescentar a seus próprios sentidos, todas as estruturas tradicionais para o consumo de arteque estes sejam os maiores motivadores a vossas próprias (galerias, publicações, mídia). Mesmo as táticas deempreitadas em busca do novo, do desconhecido, pois guerrilha Situacionista do teatro de rua talvez tenhamentão, vejam, bebam, apalpem, cheirem e escutem! agora se tornado muito conhecidas & previsíveis. Uma requintada sedução levada adiante não apenas TERRORISMO POÉTICO pela satisfação mútua, mas também como um ato Hakim Bey consciente por uma vida deliberadamente mais bela - deve Tradução de Jersson de Oliveira ser o TP definitivo. O Terrorista Poético comporta-se como um trapaceiro barato cuja meta não é dinheiro, mas DANÇAR BIZARRAMENTE A NOITE INTEIRA em caixas MUDANÇA.eletrônicos de bancos. Apresentações pirotécnicas não Não faça TP para outros artistas, faça-o para pessoasautorizadas. Land-art*, peças de argila que sugerem que não perceberão (pelo menos por alguns momentos)estranhos artefatos alienígenas espalhados em parques que o que você fez é arte. Evite categorias artísticasestaduais. Arrombe apartamentos, mas, em vez de roubar, reconhecíveis, evite a política, não fique por perto paradeixe objetos Poético-terroristas. Seqüestre alguém & o faça discutir, não seja sentimental; seja impiedoso, corra riscos,feliz. Escolha alguém ao acaso & o convença de que é vandalize apenas o que precisa ser desfigurado, faça algoherdeiro de uma enorme, inútil e impressionante fortuna - que as crianças lembrarão pelo resto da vida mas só sejadigamos, cinco mil quilômetros quadrados na Antártica, um espontâneo quando a Musa do TP o tenha possuído.velho elefante de circo, um orfanato em Bombaim ou uma Fantasie-se. Deixe um nome falso. Seja lendário. Ocoleção de manuscritos de alquimia. Mais tarde, essa pessoa melhor TP é contra a lei, mas não seja pego. Arte comoperceberá que por alguns momentos acreditou em algo crime; crime como arte.extraordinário & talvez se sinta motivada a procurar um -------------------------------modo mais interessante de existência. * Tipo de arte que usa a paisagem, normalmente natural, Coloque placas de bronze comemorativas nos lugares como objeto artístico, sendo a própria natureza (e seus(públicos ou privados) onde você teve uma revelação ou fenômenos, chuva, vento, etc.) elementos constitutivos daviveu uma experiência sexual particularmente inesquecível obra.etc. Disponível em: Fique nu para simbolizar algo. www.rizoma.net/interna.php?id=62&secao=hierografia Organize uma greve na escola ou trabalho em protesto ___________________por eles não satisfazerem a sua necessidade de indolência & Jean Michel F. Santos é licenciado em história pelabeleza espiritual. Universidade do Estado da Bahia UNEB Campus V, A arte do grafite emprestou alguma graça aos horríveis Mestrando em Cultura, Memória e Desenvolvimentovagões de metrô & sóbrios monumentos públicos - a arte - TP Regional também pela UNEB Campus V e Graduando dotambém pode ser criada para lugares públicos: poemas curso de direito da UNEB Campus XV. Atualmente residerabiscados nos lavabos dos tribunais, pequenos fetiches entre Valença e Santo Antonio de Jesus.abandonados em parques & restaurantes, arte-xerox sob o
  10. 10. “Viver a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida.” Aí, me pego pensando sobre gênero. Numa primeiro parágrafo. Seja por conceitos morais enraizados emsociedade machista, (sem querer ser clichê + sendo), onde um nós, pela necessidade do amor tranqüilo, por sexohomem maduro, solteiro, letrado e com alguma monogâmico, ou pelo simples fato da obviedade daindependência financeira é o sonho de consumo de várias maturidade feminina (que é natural do gênero, enquanto osmulheres na atual conjuntura (digamos assim)... É a homens se tornam adolescentes garanhões depois dosverdadeira coca light do deserto, o último biscoito do pacote. quarenta). Não é isso?Enfim, é o cara. Outro aspecto, (diálogo de três mulheres: Zana, eu e Nós mulheres, como sempre, nas mesmas condições, Mila), as mulheres estão optando por outras mulheres, pois onão temos tanta sorte. Eu me tomo como exemplo nessa mundo gay masculino cresce vertiginosamente, nascem maisreflexão filosófica de quinta categoria. Vejam vocês leitores e mulheres que homens, muitos homens são fracos eleitoras, as farpas as quais já me meti, inúmeras vezes, diga- insuportavelmente traumatizados com tudo, péssimos dese de passagem. cama, sem falar nos broxas. Visto o manequim do segundo parágrafo (... nas Segundo Camila: as mulheres se entendem, faltamesmas condições...). Então. Vivendo nessa cidade homem no mercado, e destacando a verdadeira vaidadeinteriorana, coberta de preconceitos e discriminações, saio feminina, elas se vestem para as outras, além disso, fazemsempre com minhas irmãs e companheiras de luta para sexo muito bem. Zana deu sua contribuição dizendo que nós,encontrar os amigos, pessoas as quais não conseguiria viver mulheres, já não precisamos dos homens como antigamente,sem, pois deles me valho sempre que possível em matéria de chefes e donos de nossa casa e de nossas vidas, além disso,prazeres dos mais variados, desde tomar uma em Sr. Julio poucos sabem fazer sexo oral bem, e são facilmentee/ou Sr Chico... Para aqueles que não estão entendendo, substituídos por um vibrador.esclareço, são botecos do mais alto nível, próximos a UNEB, Resumo da obra, não somos feministas como algunsos quais possibilitam a alguns mestres ilustres a comodidade devem estar pensando, estamos sim buscando um mundode orientar seus alunos inspirados por aquela cervejinha mais equânime, mais livre e também achamos que as(canela de pedreiro, cú de foca...), até saborear um bom mudanças são necessárias para as transformações inerentesprato, um bom filme, uma boa transa. (prefiro transar com ao ser humano.amigos a com inimigos). Dito popular ridículo, mas não resisti, Concluo essa loucura de idéias difusas, pensando naperdoem-me. paixão, que não escolhe sexo, cor, questões de gênero, ou Fiz alguns rodeios típicos daqueles que são covardes qualquer outra coisa e continuo investindo no amor.para externar suas verdadeiras idéias. Contudo, aí me vou... Como cantou Cartola: Deixe-me ir, preciso andar, vouTemos muito que discutir ainda em relação ao gênero por ai a procurar, rir pra não chorar...feminino, sua história, seus lugares, os chamados “universos -------------------------------femininos”... Rosangela dos Reis Mercês Santos Vejamos. Tudo isso pra dizer que por mais que sejamos Psicopedagoga, graduanda em História da UNEBindependentes, estaremos sempre à procura do cara do E-mail: roreismerces@hotmail.com Ode aos sentidos... MÚSICA LIVRO FILME ÁLBUM: TRANSA LIVRO: TRILOGIA DE TITULO: O FABULOSO ARTISTA: CAETANO NOVA YORK DESTINO DE AMÉLIE VELOSO AUTOR: PAUL AUSTER POULAIN ANO: 1972 ANO: 1987 ANO: 2001 DIREAÇÃO: JEAN- Estimula, excita, ousa.... Transcendei PIERRE JEUNET para ouví-lo. Ouve para transcender.Multi-sensitivo. Convidativo à uma boa Intrigante, denso, perturbador! Suave, romântico, papai-mamãe, verde, trepada. São sete faixas que não se fabuloso e de uma sonoridadeencerram, transformando os ouvintes maravilhosa.. em suas extensões. Para ser visto a dois(ou mais), na cama, depois de uma noite de “amor”.
  11. 11. Coisa de Negr@ Por Cristiane Puridade indústrias de brinquedos, naquele criarmos uma seremos preconceituosas momento o padrão de beleza estético racistas! Sim !!! Racistas... então venha imposto pela mídia, era o padrão sorrir conosco, Bonecas pretas, lindas, europeu, “Barbies”, “Xuxas”, NZingas, Dandaras, Azeviche, Ébanos “Angélicas”, alavancavam as vendas com nome e história que valoriza o com seus corpos esqueléticos, peles nosso povo negro e nossos ancestrais.” claras, olhos azuis e cabelos loiros, Mais que um convite a “brincar de traços que diferem completamente da boneca” ou um retorno a nossa “velha maioria das meninas brasileiras. infância”, queridos leitores, o projeto Hoje, após muitas lutas para o “Coisa de Negro”, nos leva a refletir reconhecimento positivo do “ser sobre as diferenças étnicas, não se negro” e as políticas públicas restringe a criar teorias sobre este Na minha infância sempre gostei direcionadas para a melhoria da auto- assunto, ainda tão delicado de discutirmais das denominadas “brincadeiras de estima da população afro-descendente, em nossa sociedade, a discriminaçãomenino”, jogar gude, pião, empinar evidenciando que a estética negra tem étnica, “arregaçando as mangas”, sempipa, carrinho de rolimã, subir em uma beleza específica e que deve ser discursos vitimizadores e trazendo paraárvore, entre outras. Não tinha muita valorizada, foram criados vários ordem do dia uma discussão tãohabilidade com as “brincadeiras de mecanismos para inserir no mercado “farposa”. O Ka Naombo é um recursomenina”, principalmente quando se produtos que demonstrassem as que podemos empregar para educartratava de “brincar de boneca”, achava características dessa parcela da nossas crianças. Utilizando-o de formauma brincadeira monótona e população brasileira, que sempre foi a lúdica, para demonstrar uma realidadeenfadonha, sempre gostei de aventuras, maioria, mas nunca foi tratada como tal. que não é “brincadeira”.de experimentar o novo, o diferente, e Entre várias ações a criação de Sem apologias, a este ou aqueleas “brincadeiras de menino” me brinquedos que fossem utilizados para movimento, sem querer sobrepor umaproporcionavam isso. melhorar a autoconfiança das crianças etnia a outra, essas e outras iniciativas Nos raros momentos que afro-descendentes, entre esses devem ser valorizadas, pois, buscam abrincava com bonecas, não me brinquedos destacamos as Abayomis equidade das relações humanas,agradava brincar com aquelas bonecas africanas artesanalmente contribuindo, para amenizarmos e,industrializadas, tradicionais (a maioria confeccionadas em tecido que, nos quem sabe um dia, sanarmos esta formadelas de material plástico), preferia as remetem àquelas bonecas feitas pela de discriminação que contribui para oque eu e minha irmã confeccionávamos “vovó”, só que com um diferencial, as crescimento do abismo social que existede papel de bala (aquelas embalagens meninas brasileiras reconhecem nessas no nosso país. Assim como há algunscoloridas que revestem os “queimados” bonecas suas fisionomias naturais. séculos passamos por um processoem festa de aniversário) ou de qualquer Dentro dessas iniciativas Patrícia histórico de embranquecimento daoutro material reciclável. Agradava-me Silva, Licenciada em História pela UNEB nossa nação, concluo com o convite quecriar o corpo e as caras das minhas Campus V e artesã criou o projeto Ka Patrícia nos faz no seu texto; “TOPASbonecas, deixá-las do jeito que eu Naombo, termo Yorubá que em ENTÃO DENEGRIR A NOSSA IMAGEM??”desejava, trazê-las para o mais próximo português significa, “Coisa de Negro”. , isso mesmo, vamos enegrecer umpossível da minha realidade, já que as No perfil que foi criado no orkut, pouco mais nossa sociedade? Quembonecas que ganhava eram exclusivamente para a divulgação desta sabe utilizando bem o pincel e as tintascompletamente diferentes da iniciativa tão imprescindível, Patrícia dessa aquarela étnica não consigamosrepresentação do feminino que aponta inquietações que povoaram criar um lindo arco-íris? Até a próxima...conhecia. nossa infância com a ausência desse __________________ Um desejo que tinha, caros referencial, da ridicularização realizada Cristiane Puridadeleitores, e que só revelarei agora, era de às bonecas étnicas quando escreve: “E Licenciada em História pelacriar uma boneca com as características as bonecas brancas tem nome!!! Universidade do Estado da Bahia -físicas da minha mãe, que sempre achei Cinderela, Branca de Neve, Mônica, são UNEB. É professora do Centro Educa-uma mulher muito bonita, a típica tantos que podemos perder dias cional de Correntina, cidade em quemulher brasileira; quadris largos, seios escrevendo. E as nossas, como é mesmo reside.pequenos, cabelos e olhos pretos, pele que são chamadas??? Humm, deixa eu __________________negra etc. Mas, uma boneca com essas ver!!! É isso mesmo! “Nega Maluca”!!!!! Para mais informações pesquise nocaracterísticas em plena década de 80, Estranho né? Porque será que não orkut:não traria retorno financeiro para as existe boneca “branca maluca”? Se “Kanaombo - Coisa de Negr@“
  12. 12. Comendo para não morrer escancarada cheia de dentes alimentar o corpo e engordar as idéias: Por Rosana “Zana” Mercês esperando a morte chegar de novo”... Macarrão Pesto.Santos Zana continua. __ Caymmi, Gonzaguinha, Nara 1 molho de manjericão fresco Leão... Rosângela completa. 1 xícara de azeite extra-virgem Mais uma seção de devaneios. __É. Oferecemos vários. Conclui 1 dente alhoCamila, Sheila, Rosangela e eu sentadas Camila. 1 pacote de massana tão disputada mesa da cozinha. Os Lançamos as Farpas e cuidamosamigos sempre optam por ela, como o para que elas fiquem bem encravadas Modo de fazer: Cozinha a massalugar mais aprazível para papiar e na carne destes que transformam a em água fervente e acrescente o sal. Atomar a tão desejada cervejinha. música neste ridículo conjunto massa deve ficar ao dente. Para oEscutando Elza Soares. desastroso que nos fere os ouvidos e molho: bata no liquidificador as folhas Profetiza Zana.__ Antes era nos arranha a alma. de manjericão, o azeite, o alho e umpreciso ir até a polícia e explicar que ia Não esqueçamos alguns bons: caldo de galinha. Refoga o molho nohaver um samba, um baile, uma festa, Lenine, Elza Soares, Nação Zumbi, O fogo rapidamente, cerca de 1 minuto eenfim. Os sambistas para fugir da Teatro Mágico, Cordel do Fogo incorporar a massa. Sirva-o quente epolicia subiam o morro para, ocultos, Encantado, Betânia de Nonato, salpicado de queijo parmesão ralado nafazerem sua música em paz. O samba Caetano e sua Paloma, Gil, Maria Rita, hora. Bom apetite.não nasceu no morro, mas no asfalto. Ney Matogrosso, Marisa Monte,Pura nostalgia, mas uma nostalgia Arnaldo Antunes, Luiz Melodia e... Os -------------------------------sadia. De repente a conversa fluiu. E melhores versos e as melhores poesias. Rosana “Zana” Mercês Santos - Pós-Rosângela fala. Poesias que invadem a alma e graduada em Psicopedagogia e Gestão __Eu troco todos os cantores de enfeitiçam os ouvidos. Uns para mais e Escolar e Graduanda em História napagode vivos por Pixinguinha, João da uns para menos. Não estamos aqui UNEB - CAMPUS V - Santo Antonio deBahia, Donga, Noel Rosa, Cartola... para eleger os melhores e sim resgatar Jesus.Sheila interpela. os ícones. Porque não? __E eu troco Sandy por Elis Os que vivem, salve!Regina. Ivete Sangalo, Daniela Mercury Os que já foram resgatemo-los!e Ana Carolina por Cássia Eller Na Ah, e trataremos de educarverdade eu troco todos e Babado Novo nossos talentos para que o rolovai de quebra. compressor do mercado fonográfico __E Bob Marley, Janis Joplin... não nos afogue em prostituição...Zana sempre complementa. Não somos complacentes. Somos __ Vamos entregar a alma de a farpa que machuca. A farpa que E para terminar, um pouco de Nelsontodos os cantores de pagode paulistas: entranha na sua terra e faz sangrar. Rodrigues:Exalta Samba, Belo e companhia. E de Causa dor. Causa medo e te faz divagar.brinde Dudu Nobre, Roupa Nova, Caros leitores, não deixem que te “Acho a velocidade um prazer deSerginho e a Lacraia, a mulher roubem o poder da reflexão. Não deixe cretinos. Ainda conservo o deleite dosmelancia, Guiguigueto, Calypso, todas que te roubem o senso, eu vos digo. bondes que não chegam nunca.”essas de forró (alma sebosa é maisbarato). Camila defende. No centro da mesa: garrafas de __Vamos resgatar do inferno o cervejas fluídas, cigarros esparsos, Paciência, leitor. A gente volta.Rei do Rock . Se é que é isso que ele pratos coloridos, taças tilintando,deseja. talheres gastos e rodados, amigos Enquanto isso nos escreve: __ Quem? Zana pergunta. vadios. Podem sentir inveja desta __Raul. Responde Camila. mesa, ela é de causar arrepios densos outrasfarpas@gmail.com __Ah, ele vai querer mesmo é na alma. Ela é fruto de cobiça e vocêficar lá por baixo. Prefere o inferno a tem a honra de compartilhá-lavoltar e “ficar sentado com a boca conosco. Agora uma comidinha para

×