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Monografia defendida no curso de especialização da UECE.

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Monografia

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ LÍVIA MARIA DE LIMA SANTIAGO WEBCONFERÊNCIA NA LICENCIATURA DE MATEMÁTICA DA UAB/IFCE: O ESTADO DO DEVIR TECNOLÓGICO FORTALEZA – CEARÁ 2010
  2. 2. LÍVIA MARIA DE LIMA SANTIAGOWEBCONFERÊNCIA NA LICENCIATURA DE MATEMÁTICA DA UAB/IFCE: O ESTADO DO DEVIR TECNOLÓGICO Monografia apresentada ao Programa de Pós- Graduação Lato Sensu em Educação da Universidade Estadual do Ceará como requisito parcial para obtenção do titulo de Especialista no Ensino da matemática. Orientadora: Profª Drª Cassandra R. Joye FORTALEZA – CEARÁ 2010
  3. 3. LÍVIA MARIA DE LIMA SANTIAGO WEBCONFERÊNCIA NA LICENCIATURA DE MATEMÁTICA DA UAB/IFCE: O ESTADO DO DEVIR TECNOLÓGICO Monografia apresentada ao Programa de Pós- Graduação Lato Sensu em Educação da Universidade Estadual do Ceará como requisito parcial para obtenção do titulo de Especialista no Ensino da matemática. Orientadora: Profª Drª Cassandra R. JoyeAprovada em: 20/12/2010. BANCA EXAMINADORA ________________________________________________ Profª. Drª. Cassandra Ribeiro Joye (Orientadora) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - IFCE ________________________________________________ Profª Dra. Elizabeth Matos Rocha Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD ________________________________________________ Profª Drª. Maria Gilvanise Pontes Universidade Estadual do Ceará - UECE
  4. 4. AGRADECIMENTOSPrimeiramente a Deus, por todas as janelas fechadas e portas que se abriramposteriormente. Acima de tudo, por todas as inspirações a mim concedidas.Aos meus pais (João e Dulcina), pelos belos ensinamentos e pelo amor incondicional.À minha avó (Francisca), que compartilhou comigo seus poucos letramentos e que, pordiversas vezes, sentada em sua cadeira de balanço, ditava a tabuada para mim comtodo carinho.A todos os meus familiares, pelo apoio direto ou indireto nos momentos difíceis. UmCarinho especial aos meus tios Marcos e Márcia, pelo apoio inicial na minha formaçãoacadêmica.À minha segunda família, Fátima, Osías, Anairan e Araiama, por estarem sempre domeu lado e pelo enorme carinho depositado.A todos os meus amigos e amigas, aos que estão perto e aos que, por diversos motivos,tiveram que se distanciar; a eles todo meu carinho e gratidão pelos momentos deconversas.À Elizabeth Matos Rocha, Beth, que me ensinou e ensina, a cada dia, que umaamizade vale ouro, apesar da distância. Por sua paciência e dedicação depositadas emnossas conversas virtuais. Além das enormes contribuições dadas à minha vidaprofissional e pessoal.À profª Cassandra, que me acolheu de braços abertos e sempre acreditou em meupotencial. Por toda a confiança depositada, obrigada.À Diretoria de Educação a Distância e a todos os seus integrantes que meproporcionam, a cada dia, adquirir novos saberes e que me ensinaram a importância dotrabalho em equipe.Ao Laboratório Multimeios da Faculdade de Educação da Universidade Federal doCeará, que me recebeu de braços abertos no período de 2005 a 2008 e meproporcionou intensos momentos de aprendizagem.
  5. 5. Aos alunos, alunas e tutora presencial do curso de Licenciatura em Matemática dopolo de São Gonçalo, pela participação e apoio na pesquisa.
  6. 6. RESUMOO presente trabalho constitui uma pesquisa sobre a aplicabilidade da ferramenta dewebconferência nas disciplinas de Matemática do curso de Licenciatura em Matemática àdistância, suas limitações e potencialidades nessa modalidade de ensino. A pesquisa é pautadana ideia de interatividade e interação, no papel do tutor no processo de mediação pedagógicavia Tecnologias digitais e nos conceitos de Educação à distância, apresentados,respectivamente, por Silva (2003), Masetto (2000) e Moore e Kearsley (2007). O objetivogeral da pesquisa consiste em mapear a webconferência, identificando seus limites epotencialidades no processo comunicacional, com fins pedagógicos, dos sujeitos tutor-aluno eno estudo do conteúdo de Matemática. A metodologia empregada nesse trabalho utilizou osprincípios da pesquisa-ação, pois esse tipo de metodologia de pesquisa insere o pesquisadorno contexto de aplicação dos conhecimentos envolvidos na pesquisa. A pesquisa foi realizadacom os alunos do 2º semestre do curso de Licenciatura em Matemática do Instituto Federal deEducação, Ciência e Tecnologia do Ceará, polo São Gonçalo, no período de fevereiro a abrilde 2010. A experiência prática foi dividida em três momentos: no primeiro, realizamos testesde caráter técnico; no segundo, sondagem com o público-alvo; e, no terceiro momento, assessões de webconferências, que configuram um total de seis, distribuídas ao longo dadisciplina de Matemática Básica II. Os resultados demostram a necessidade pedagógica demais encontros como esse a fim de romper com a distância espaço-temporal entre professor ealuno, da importância da comunicação síncrona e constante para esclarecimentos de dúvidas,de se viabilizar recursos de hardware e de acesso à internet com intuito de dinamizar osatrasos no áudio e a perda de imagem no caminho e, assim, possibilitar aos sujeitosenvolvidos no processo de ensino e aprendizagem usufruir toda a potencialidade oferecidapela webconferência.Palavras-chave: Ensino a Distância. Webconferência. Ensino de Matemática.
  7. 7. ABSTRACTThis work is a research on the applicability of Web conference in Mathematics OnlineMathematics course, its limitations and potentialities in this teaching modality. The researchis based on the idea of interactivity and interaction, the tutors role in the mediation teachingprocess via digital technologies and the concepts of Online Education, presented respectivelyby Silva (2003), Masetto (2000) and Moore and Kearsley (2007). The main objective of theresearch is to map the web conference, with educational aims, identifying its limitations andpotentiality in the tutor-student’s communication process and the study of Mathematicscontent. The methodology employed in this study used the principles of action-research,because this type of methodology brings the researcher into the context of application ofknowledge involved in the research. The survey was conducted with the students of thesecond semester course in Mathematics at the Federal Institute of Education, Science andTechnology of Ceará, campus São Gonçalo, from February to April 2010. The practicalexperience was divided into three stages: first, we applied technical tests, second a poll withthe audience and third, the web conference sessions that make up a total of six, distributedover the course of Basic Mathematics II. The results demonstrate the need for moreeducational meetings like that in order to break the space-time distance between teacher andstudent, the importance of synchronous and constant communication for clarification ofdoubts, to provide resources for hardware and internet access aiming to boost the delays in theaudio and image loss on the way and thus enable the individuals involved in the teaching andlearning process to enjoy the full potentiality offered by Web conference.Keywords: Online teaching, Web Conference, Math Teaching.
  8. 8. LISTA DE FIGURASFIGURA 1 - Tela inicial da webconferência ............................................................................ 24FIGURA 2 - Menu reunião ...................................................................................................... 25FIGURA 3 - Menu apresentar ................................................................................................. 26FIGURA 4 - Menu layout ....................................................................................................... 26FIGURA 5 - Menu pods ......................................................................................................... 28FIGURA 6 - Menu ajuda ......................................................................................................... 29FIGURA 7 - Ferramentas do quadro branco ........................................................................... 20FIGURA 8 - Comunicação via telefone com polo .................................................................. 48FIGURA 9 - Imagem dos alunos no polo ................................................................................ 49FIGURA 10 - Falha na exibição das fórmulas matemática ..................................................... 49FIGURA 11 - Comunicação com polo .................................................................................... 50FIGURA 12 - Comunicação via bate-papo ............................................................................. 51FIGURA 13 - Momento de intervenção do aluno ................................................................... 51FIGURA 14 - Recursos do quadro branco .............................................................................. 52FIGURA 15 - Recursos do bate papo ...................................................................................... 52FIGURA 16 - Aguardando resposta dos alunos ...................................................................... 53FIGURA 17 - Bate-papo como recurso de escrita de fórmulas matemáticas .......................... 53FIGURA 18 - Fala da tutora presencial ................................................................................... 54FIGURA 19 - Imagem dos alunos no polo .............................................................................. 55FIGURA 20 - Expressão matemática ...................................................................................... 55
  9. 9. LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURASAVA – Ambiente Virtual de AprendizagemDEAD – Diretoria de Educação à DistânciaDI – designer instrucionalIES – Instituições de Ensino SuperiorIFCE – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do CearáMEC – Ministério de Educação e CulturaRNP – Rede Nacional de PesquisaPCN - Parâmetros Curriculares NacionaisPROINFO - Programa Nacional de Informática na EducaçãoTIC – Tecnologias da Informação e ComunicaçãoTIDIA - Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet AvançadaUAB – Universidade Aberta do BrasilWWW – World Wide Web
  10. 10. SUMÁRIOINTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 111. POTENCIAIS E LIMITAÇÕES PEDAGÓGICAS DA WEBCONFERÊNCIA ......... 161.1 A EVOLUÇÃO DA EAD E AS MÍDIAS DE COMUNICAÇÃO .................................... 161.1.1 A mídia scripto ............................................................................................................... 171.1.2 A mídia áudio ................................................................................................................. 171.1.3 A mídia áudio-scripto .................................................................................................... 181.1.4 A mídia áudio-scripto-visual ........................................................................................ 181.2 AMBIENTE VIRTUAL DE ENSINO E APRENDIZAGEM ........................................... 191.2.1 Fórum ............................................................................................................................. 201.2.2 Mensagem ....................................................................................................................... 211.2.3 Chat ................................................................................................................................. 211.3 VIDEOCONFERÊNCIA: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO ................................... 211.4 WEBCONFERÊNCIA COMO DEVIR DA VIDEOCONFERÊNCIA ............................. 231.4.1 Ferramentas de gerenciamento da webconferência ................................................... 252. CARACTERIZAÇÃO DA INTERAÇÃO TUTOR X ALUNO, USANDOWEBCONFERÊNCIA ........................................................................................................... 322.1 INTERAÇÃO E INTERATIVIDADE NAS MÍDIAS CONTEMPORÂNEAS ................ 322.1.1 O processo de interação e interatividade na webconferência .................................... 342.2 MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA EM PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ADISTÂNCIA ............................................................................................................................. 352.3 O PAPEL DO TUTOR NA INTERAÇÃO USANDO AS FERRAMENTAS DECOMUNICAÇÃO .................................................................................................................... 372.3.1 O tutor e a mediação na webconferência..................................................................... 382.4 MODELO DE TUTORIA IFCE ......................................................................................... 393. MAPEAMENTO DE SESSÃO DE WEBCONFERÊNCIA NO ENSINO DEMATEMÁTICA EM EAD..................................................................................................... 423.1 ASPECTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS .................................................................. 423.2 CENÁRIO DA PESQUISA ................................................................................................ 433.3 SUJEITOS PESQUISADOS .............................................................................................. 443.4 CAMINHOS DA PESQUISA ............................................................................................ 443.4.1 Ensaios prévios............................................................................................................... 45
  11. 11. 3.5 A EXPERIÊNCIA .............................................................................................................. 463.5.1 Sessões de webconferência ............................................................................................ 47CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 57REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 61
  12. 12. 11INTRODUÇÃO Por meio de novas linguagens é possível, portanto, estarmos presentes, mesmo a distância. Romero Tori (2010: p.101) Na primeira década do século XXI, a elaboração e fortalecimento de políticaseducacionais, principalmente na área de Educação a Distância, vêm se tornando cada vez maispresentes no cenário brasileiro. Esse período tem sido marcado pela criação da UniversidadeAberta do Brasil (UAB), cuja finalidade se pauta na formação de professores para a redepública de ensino. A UAB, instituída pelo Decreto nº 5.080/2006, configura-se como um sistemaintegrado por universidades públicas com metas de formação superior direcionadas aosprofessores da Educação Básica, relativo às Licenciaturas, bem como às camadas dapopulação que apresentam mais dificuldades de acesso a um curso universitário público egratuito, seja porque residem em cidades afastadas dos grandes centros, seja porque não têmrecursos para investimento na própria formação. Segundo Alves (2009, p.12), os significadospara o termo aberta se referem a dois aspectos “no sentido social, pois se dirige a todas asclasses [...] no sentido pedagógico, à medida que a matrícula na universidade está aberta atodo individuo, maior de 21 anos”. O sistema UAB fomenta as ações tecnológicas da informação, comunicação epedagógicas da modalidade de educação à distância nas instituições públicas de ensinosuperior. A realização das atividades acontece em regime de colaboração entre o Ministérioda Educação (MEC), as Instituições de Ensino Superior (IES) federais, estaduais, InstitutosTecnológicos, as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais e prefeituras. Além do regime de colaboração entre as IES, o MEC e as Secretarias de Educaçãocomo estratégia de fortalecimento da vertente pedagógica, o potencial tecnológico tem semostrado fundamental para expansão da Educação a Distância, pois é amplamente utilizadono sistema UAB, pelas IES, configurando-se, também, como referência estratégica doprograma, na medida em que viabiliza a realização de estudos feitos em Ambientes Virtuais,pela internet. Há contrapartidas oriundas dessa colaboração parceira. Das universidades, espera-se a oferta de cursos superiores de qualidade e de capacitações contínuas a públicos atuantesna categoria de conteudistas, formadores, designers instrucionais e tutores. As Secretarias de
  13. 13. 12Educação estaduais e municipais, por sua vez, responsabilizam-se pela criação de centros deformação identificados como Polos de apoio presencial. Nos Polos, situados em localidadesestratégicas, além da realização das aulas presenciais de suporte tecnológico aos alunos pormeio dos laboratórios de informática, representam espaços que possibilitam realização deformações das mais diversas naturezas. O alcance dos estudos feitos à distância por comunidades distantes das cidadesgrandes tem contado com os recursos da internet, o que, para Soares (2001, p. 8), trata-se detecnologia que “tem se apresentado como ponto de convergência para diversas tecnologias eaplicações na área de redes de computadores e sistemas distribuídos”. Na prática, issofortalece a utilização dos materiais didáticos com base na integração de diversas mídias, comoo texto, áudio e imagem. Esses recursos são veiculados em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA),em momentos assíncronos ou síncronos. Várias são as plataformas em que acontecem asinterações educacionais, a saber, Moodle, E-Proinfo1, TelEduc2, Tidia, Solar3, dentre outros.Aliado a esses espaços virtuais e na frente tecnológica da UAB, como forma de potencializara comunicação síncrona, usam-se, com frequência, ainda, os recursos de videoconferências. No âmbito deste trabalho, a webconferência, como tecnologia de conferência queocorre pela internet, foi tomada como objeto de pesquisa, tendo em vista o mapeamento dopotencial pedagógico dessa ferramenta nos cursos que acontecem à distância. O espaço dapesquisa se reporta à Diretoria de Educação a Distância4 (DEAD) do Instituto Federal deEducação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Como dito anteriormente, com a criação da UAB, o ensino superior pôdeexpandir-se além das fronteiras do espaço físico da universidade, e isso permitiu que váriasinstituições de ensino superior incorporassem essa modalidade de ensino. Assim, no cenárioatual brasileiro são 257 instituições credenciadas pelo governo federal que ministram cursosde graduação e pós-graduação à distância. Dentre essas instituições que realizam parceria com a UAB está o InstitutoFederal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), que oferta dois cursos de nível1 Ambiente Colaborativo de Aprendizagem desenvolvido pelo MEC.2 É um ambiente em desenvolvimento no Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) da UniversidadeEstadual de Campinas.3 É um ambiente virtual de aprendizagem desenvolvido pelo Instituto UFC Virtual, da Universidade Federal doCeará.4 Endereço eletrônico: www.dead.ifce.edu.br/~portal.
  14. 14. 13superior – Licenciatura em Matemática e Tecnologia em Hotelaria – por meio da Diretoria deEducação a Distância (DEaD). A DEaD utiliza como espaço virtual de interação entre o aluno, professor-tutor econteúdo o Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle, onde estão disponíveis ferramentassíncronas, como os chats; e as ferramentas assíncronas, como fóruns, tarefas, wikis,glossários, mensagens e outras que se configuram ferramentas de comunicação, avaliação einstrução. Além do Moodle, outro espaço virtual utilizado pelo DEaD como ferramenta digitalpara a comunicação entre alunos e professores é a Webconferência. A webconferência consiste em uma ferramenta que permite realizar interaçõessíncronas online com múltiplos recursos interativos como chat, áudio, voz, vídeo,compartilhamento de tela, arquivos, apresentações/slides, dentre outras várias opções degerenciamento de conferência por meio de configuração de permissões e tipos de usuário,permitindo diferentes formas de apresentação de acordo com a finalidade, comercial oueducacional. No caso do IFCE, a webconferência é decorrente do consórcio realizado peloMinistério da Educação e Cultura (MEC) e a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) quedisponibiliza uma sala de aula virtual especifica. A proposta dessa ferramenta é utilizá-lacomo ferramenta síncrona de comunicação no processo de ensino e aprendizagem à distânciaentre alunos e professores de ambos os cursos oferecidos pelo IFCE. A necessidade de se apropriar dessa ferramenta, sobretudo nas disciplinasespecíficas do curso de matemática, torna-se necessário à medida que, segundo os ParâmetrosCurriculares Nacionais (BRASIL, 1998) – PCN matemática, o pensamento matemáticodesenvolve-se inicialmente pela visualização. Outro ponto que deve ser levado emconsideração é o número de encontros presenciais5 considerados insuficientes para suprir acarência de conteúdo matemático dos alunos. O curso de Licenciatura em Matemática a distância, assim como no cursopresencial, apresenta dificuldades, tanto pela complexidade dos conteúdos matemáticos,quanto pela deficiência em termos de conhecimentos por parte dos alunos, recém-inseridosnessa nova modalidade de ensino. É preciso levar em consideração que “o ensino presencial5 Encontro Presencial – Momento de encontro presencial do professor com os alunos na cidade onde se localizao polo de apoio.
  15. 15. 14está enraizado em nossa vida” (BORBA; MALHEIROS; ZULATTO, 2008, p. 23), e aadequação a essa nova modalidade requer tempo. Dentro da minha experiência como Designer Instrucional6 (DI) do curso deLicenciatura em Matemática, tenho observado, a partir dos relatos dos professores-tutores edos próprios alunos, alguns entraves nas disciplinas específicas da Matemática. Outroproblema identificado através da minha experiência, também como tutora, por meio decomentários de alunos, é o fato de que três encontros presenciais em uma disciplina de 80h,que corresponde a dois meses, mostra-se insuficiente para contemplar as dificuldades dosalunos no trato com o conteúdo. Com base nesse cenário, proponho, portanto, investigar a ferramentaWebconferência como ambiente virtual comunicacional síncrono no sentido de mapearaspectos que limitam ou potencializam o processo de ensino e aprendizagem da Matemática.De que maneira essa ferramenta pode contribuir na compreensão desses conhecimentosmatemáticos? Quais problemas tecnológicos ficam evidenciados no uso da ferramenta comoforma de entrave aos aspectos pedagógicos? Que elementos ficam evidentes no usopedagógico dessa ferramenta em uma aula? A partir dessa problematização, a pesquisa buscou atingir alguns objetivos. Oobjetivo geral, portanto, consiste em mapear a webconferência, identificando seus limites epotencialidades no processo comunicacional, com fins pedagógicos, dos sujeitos tutor-aluno eno estudo do conteúdo de Matemática. Os objetivos específicos constituem-se em:  Enunciar e discutir a ferramenta Webconferência no que concerne ao suportepedagógico no processo de comunicação síncrona para o estudo de Matemática;  Caracterizar o processo de interação entre o aluno e o tutor da Licenciatura emMatemática, em ato pedagógico, na perspectiva da aula;  Analisar e discutir a experimentação, evidenciando os contextos, asnecessidades e as percepções dos atores no processo de realização de uma Webconferência. Para proceder a essa pesquisa, utilizou-se a metodologia da pesquisa-ação,justamente porque ela envolve, segundo Thiollent (1997), dois aspectos que são consideradosfundamentais ao modo cooperativo e participativo dos sujeitos pesquisados em ato, ou seja,instrumentos de pesquisa que visem orientar registros e extrair disso diagnósticos,6 Profissional responsável pela análise, design, desenvolvimento, implementação e avaliação do conteúdo parauma linguagem que se adeque aos cursos à distância (FILATRO, 2004).
  16. 16. 15identificação de problemas e resultados que apontem para eventuais soluções. Esse tipo demetodologia de pesquisa insere o pesquisador no contexto de aplicação dos conhecimentosenvolvidos na pesquisa. Para isso, foram desenvolvidos sessões de webconferência,devidamente gravadas no próprio ambiente da Connect Pró. A investigação aconteceu no curso de Licenciatura plena em Matemática adistância, oferecido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Cearáatravés do programa da Universidade Aberta do Brasil, no qual foram observadas ascaracterísticas do ambiente de ensino apresentado, bem como seus aspectos pedagógicosrelevantes ao processo de ensino-aprendizagem da Matemática. A disciplina em estudo foiMatemática Básica II, ofertada em 2010.1, e contou com 25 alunos do 2º semestre do referidocurso. Com base no exposto, a pesquisa foi estruturada em três capítulos, além destaintrodução e das considerações finais. O capítulo 1 trata de enunciar e discutir aWebconferência no seio dos avanços tecnológicos com o intuito de extrair indícios queevidenciem algum tipo de relação com os potenciais pedagógicos. O capítulo 2 caracteriza osaspectos de interação entre aluno e o tutor à distância, professor da disciplina, no momento daaula através da Webconferência. No capítulo 3, há a análise e discussão do processoexperimental da pesquisa de forma a proceder a um mapeamento dos contextos de interaçãopedagógica dos atores durante a realização das conferências. Ao final, têm-se asconsiderações, que mostram os resultados obtidos e apontam o estado do devir pedagógicodessa tecnologia no processo educacional.
  17. 17. 161. POTENCIAIS E LIMITAÇÕES PEDAGÓGICAS DAWEBCONFERÊNCIA Em vez de um texto localizado, fixado em um suporte de celulose, no lugar de um pequeno território com um autor proprietário, um início, um fim, margens formando fronteiras, confrontei-me com um documento dinâmico, aberto, ubiquitário, que me reenviava a um corpus praticamente infinito. Pierre Lévy (1999, p.159) Este capítulo enuncia e discute a ferramenta de webconferência como suportepedagógico no processo comunicacional síncrono. Para isso, apresenta o processo dedesenvolvimento histórico dos recursos midiáticos: mídias, ambiente virtual de aprendizagemMoodle, videoconferência, webconferência e sua utilização educacional no ensino a distância.1.1 A EVOLUÇÃO DA EAD E AS MÍDIAS DE COMUNICAÇÃO O ensino a distância surge, efetivamente, em meados do século XIX em função dodesenvolvimento dos meios de transportes (trens) e comunicação a partir do sistema postal,que viabilizou os cursos por correspondência (MAIA; MATTAR, 2007). Posteriormente, otexto teve a incorporação de outros recursos, como o áudio e imagem. No decorrer do séculoXIX, houve um acentuado desenvolvimento da modalidade à distância decorrente daincorporação de recursos comunicacionais, tais como o telefone, o rádio e a TV. Com o crescente desenvolvimento e aperfeiçoamento dessas mídias, surgiramoutras experiências com o Ensino a distância a partir daí, como a criação da UniversidadeAberta Britânica7, que se tornou pioneira na execução de cursos à distância. Embora a EaD sempre dependesse de uma tecnologia para veicular seu materialdidático e a comunicação entre professor e alunos, foi na década de 1990 que a EaD teve seumarco de entrada nas instituições de ensino superior do Brasil em decorrência dodesenvolvimento e implementação das tecnologias de informação, comunicação e dapopularização da internet (KIPNIS, 2009).7 http://www.open.ac.uk/
  18. 18. 17 Nos subtópicos seguintes, descreveremos um pouco da história e a importânciadas mídias impressas, do áudio e vídeo para o desenvolvimento e ampliação da educação àdistância no Brasil.1.1.1 A mídia scripto A escrita, como transcrição da língua falada, sempre teve papel de destaque nodesenvolvimento das sociedades ao longo dos tempos. Foi a partir da estruturação dosescritos, mediante a criação de objetos que permitissem o armazenamento dos dados falados,que foi possível criar e desenvolver métodos para a distribuição das informações e dosconhecimentos gerados pelos grandes pensadores. Com a criação da mídia impressa, várias possibilidades educacionais surgiram,entre elas a possibilidade de se utilizar esse recurso para a expansão do ensino à distância. Foiem meados de 1880 que a mídia impressa teve seu marco inicial no ensino à distância, quandoiniciaram os cursos por correspondência, em especial os cursos de formação técnica.Inúmeras pessoas puderam se beneficiar desse processo de ensino, entre elas, militaresamericanos que utilizaram a educação por correspondência para adquirirem formaçãoespecífica durante o período de guerra. Segundo Moore e Kearsley (2007, p. 27), “o motivo principal para os primeiroseducadores por correspondência era a visão de usar tecnologia para chegar até aqueles que deoutro modo não poderiam se beneficiar dela.” Dessa forma, a mídia impressa vemcontribuindo de forma significativa para o processo de ensino a distância.1.1.2 A mídia áudio Com o surgimento do rádio no inicio do século XX, outras possibilidades decomunicação à distância surgem também. Alves (2009) destaca algumas rádios que fizeramhistória no Brasil quanto ao desenvolvimento de programas educacionais. São elas: escolaRádio Postal, A voz da profecia, SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial),entre outras.
  19. 19. 18 A propagação das transmissões radiofônicas possibilitou que diversos programaseducacionais surgissem, entre eles o Programa Mobral (Movimento Brasileiro deAlfabetização), que utilizou de forma intensiva o rádio para divulgação de seus cursos. Com caráter meramente instrucional, o rádio possui vantagens e desvantagensdecorrentes de sua natureza tecnológica. Uma das principais características tecnológicas,segundo Bianco (2009), é a “unissesorialidade”, pois os sons transmitem sensações, conceitosou representações do tamanho da imaginação do ouvinte.1.1.3 A mídia áudio-scripto Com a ampliação do ensino por correspondência e a criação e desenvolvimento dorádio, tanto áudio quanto texto puderam se conjugar, objetivando diminuir as dificuldadesdidático-pedagógicas, e também espaciais, dos cursos à distância. Nesse período, surge a TV,resultando da junção entre áudio, texto e imagem. Assim como o rádio, a TV também seriautilizada de forma intensiva para difundir os cursos à distância. Diversas instituições, tanto públicas quanto privadas, usufruíram desse recursopara a divulgação de seus cursos, sem deixar de lado outras mídias, como o impresso, porexemplo. Além de ser uma mídia de massa, possibilita ao usuário visualizar e ouvir o queestava sendo exposto, contudo seu caráter estático a torna “deficiente”. Apesar das dificuldades técnicas e pedagógicas enfrentadas por esse sistema, esserecurso vem sendo utilizado desde meados de 1960 até o presente momento. Uma iniciativaconsiderada positiva por Alves (2009) foi a criação, na década de 1990, do programaTelecurso 2000 pela Fundação Roberto Marinho e que perdura até os dias atuais.1.1.4 A mídia áudio-scripto-visual A internet, sem dúvida, contribui de forma ímpar para a disseminação dasinformações geradas nas mais variadas áreas do conhecimento. No campo da educação, adistância possibilitou que o conhecimento gerado nos grandes centros acadêmicos sedifundisse para as mais variadas regiões do país.
  20. 20. 19 Dentro do contexto da EaD, várias mídias de comunicação são agregadas nointuito de suprir a carência deixada pela ausência física dos professores, colegas e da própriasala de aula (prédio). Como suporte ao processo de ensino e aprendizagem à distância, asmensagens escritas, de áudio e de vídeo se combinam “de modo singular para produzir efeitosimediatos e a longo prazo nos destinatários” (MEUNIER; PERAYA, 2008, p. 225). As linguagens transmitidas pelos recursos áudio-scripto-visual tornam acomunicação um processo flexível e completo. Cada uma das linguagens pode ser utilizada em complementaridade da outra. Pode- se, assim, recorrer à linearidade emocional do áudio e àquela outra, completamente racional, do scripto; pode-se-lhe juntar a estruturalidade polissêmica da imagem, a sensorialidade integral do audiovisual, e mesmo a relatividade do mosaico scriptovisual (CLOUTIER, 1975).1.2 AMBIENTE VIRTUAL DE ENSINO E APRENDIZAGEM Em meados de 1970, com a criação pelo Departamento de Defesa dos EstadosUnidos, por meio de Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA), de uma rede paravincular os computadores das Forças armadas, universidades e empresas contratadas, é dado opasso inicial para o que se tornaria hoje a maior rede de comunicação do mundo(CASTELLS, 1999). Segundo Moore e Kearsley (2007, p. 45): [...] o primeiro modo de conectar computadores para instrução de grupos em vez de indivíduos foi denominado audiográfico. As imagens gráficas eram transmitidas a um computador por uma linha telefônica para melhorar a apresentação de áudio em outra linha. No final da década de 1980, foram criados e incorporados aos computadoresoutros periféricos, que possibilitaram desenvolver as primeiras conferências por computador àdistância. Mais adiante, com o surgimento world wide web (WWW), a educação a distânciateve seu grande impulso. Por meio desse aplicativo, foi possível organizar “o teor dos sítiosda internet por informação, e não por localização, oferecendo aos usuários um sistema fácil de
  21. 21. 20pesquisa para procurar as informações desejadas” (CASTELLS, 1999). Com isso, muitasinstituições de ensino superior adotaram a internet como recurso comunicacional nadivulgação de seus cursos à distância. O sistema de redes de computadores, a WWW, viabilizou o ensino a distânciauma vez que é possível, através da internet, agregar diversas mídias, tais como o áudio,imagem, texto etc. Dessa possibilidade, surgem os Ambientes Virtuais de Aprendizagem(AVAs), onde alunos e professores podem atuar de forma individual ou colaborativamente.Para Silva (2003, p. 62) “o Ambiente Virtual de Aprendizagem é a sala de aula online. Écomposto de interfaces ou ferramentas decisivas para a construção da interatividade e daaprendizagem”. Dentre os AVAs existentes e disponíveis na internet, seja de forma gratuita oucom licença restrita, é possível encontrar neles os mais variados recursos comunicacionais,tais como fóruns, chats, tarefas, portfólios, caixas administrativas, correio de mensagens,entre outros. Em nossa pesquisa, utilizamos como sala de aula virtual o AVA Moodle8 por serde uso livre e já fazer parte do programa Universidade Aberta do Brasil. A seguir,descreveremos algumas das ferramentas de comunicação agregadas ao Moodle.1.2.1 Fórum Fórum permite a comunicação entre os usuários de forma assíncrona, ou seja, emtempos diferentes, não necessitando estarem online ao mesmo tempo. Nesse recurso, épossível a troca de informações, discussão de temas do curso, além da troca de documentos naforma de anexos. Nessa ferramenta, as discussões ficam visíveis a todos os participantes, o quepossibilita que todos possam argumentar e contra-argumentar sobre a opinião dos colegas e doprofessor: “O cursista pode atuar sobre qualquer uma, sem obedecer necessariamente a umasequência de mensagens postadas de acordo com as unidades temáticas do curso” (SILVA,2003, p. 70).8 O Moodle é um software para gestão da aprendizagem e de trabalho colaborativo, permitindo a criação decursos online, páginas de disciplinas, grupos de trabalho e comunidades de aprendizagem. Está emdesenvolvimento constante, tendo como filosofia uma abordagem social construtivista da educação.Fonte: http://baggio.com.br/conteudo.asp?Fuseaction=Y29udGV1ZG8&S=MA&Ss=NDY&C=MTk, acesso:15/08/2010
  22. 22. 211.2.2 Mensagem Esse recurso funciona como um correio eletrônico, nele é possível se comunicarcom um, dois, ou todos os participantes de determinada disciplina. Dessa forma, o usuáriopode enviar mensagens para quem ele quiser, o que possibilita livre trânsito pelo coletivo.Além disso, pode abordar o tema, seja este pertinente ou paralelo ao curso, fazer críticas,parceiras, isto é, “provoca bidirecionalidade e co-criação” (SILVA, 2003, p. 66).1.2.3 Chat O chat ou bate-papo é uma ferramenta de comunicação síncrona, ou seja, permiteque os usuários se comuniquem em tempo real, com envio de mensagens textuais ou imagensde forma simultâneas. Para Silva (2003, p. 65): [...] o chat potencializa a socialização online quando promove sentimento de pertencimento, vínculos afetivos e interatividade. Mediado ou não, permite discussões temáticas e elaborações colaborativas que estreitam laços e impulsionam a aprendizagem.1.3 VIDEOCONFERÊNCIA: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO Inicialmente criada com o propósito de viabilizar a comunicação empresarial,possibilitando a realização de reuniões de negócios, a videoconferência, nas últimas décadasdo século XX, vem sendo utilizada para fins educativos por se tratar de uma mídia que maisse aproxima da sala de aula presencial, permitindo que pessoas localizadas distantesgeograficamente possam se comunicar de forma síncrona9. A segunda metade da década de 1990 é marcada no Brasil por diversasexperiências em EaD; entre elas, Kipnis (2009) destaca a utilização da videoconferência noprograma de pós-graduação do departamento de engenharia de produção da Universidade9 Permite que os usuários se comuniquem em tempo real (online).
  23. 23. 22Federal de Santa Catarina, que possibilitou mostrar o potencial dessa ferramenta como recursotecnológico e pedagógico. Para Sousa (2009, p. 53) “a áudio-comunicação por vídeo é a forma decomunicação mais importante, pois é a coisa mais próxima de presença física em si”. Essatransmissão proporciona aos participantes uma maior aproximação do que seria uma sala deaula presencial e, dessa forma, rompe “com a limitação espaço-temporal da aula, o quepossibilita a abertura da sala de aula e dos espaços pedagógicos para o mundo” (SILVA,2003, p. 208). Por sua vez, essa ferramenta de interação traz em si uma maior necessidade derequisitos, tais como hardware, software e infraestrutura de comunicação para que suautilização seja eficaz. A transmissão de vídeo divide-se em três modelos de classificação: Unicast,Broadcast e Multicast. Eles funcionam de acordo com os equipamentos e a internetdisponível na organização de ensino ou empresa. Dentre eles, o Unicast é o mais simples:nele, os dados são transmitidos de uma máquina para outra, por exemplo, Google Talk. OBroadcast é utilizado na internet para transmissões de controle, nas quais todas as máquinasde uma rede têm que receber a mesma mensagem. Por último, temos o Multicast: nessemodelo, uma mensagem é enviada simultaneamente para um grupo de máquinas sabendo seudestino (SOUSA, 2009). O modelo de transmissão de vídeo na internet, Multicast, é considerado maiseficiente que os demais, possibilitando que as transmissões de dados ocorram com maiorinteração. Esse modelo se divide em dois tipos: um-para-vários e vários-para-vários. Porpossibilitar maiores interações, esse modelo é considerado mais útil nas aplicações de vídeo,como as videoconferências (GOMES, 2009). Segundo Kipnis (2009), outras experiências surgiram, entre elas, o Curso NormalSuperior lançado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, no ano 2000, em parceria coma Universidade Eletrônica do Brasil10, que fazia uso de mídias interativas para atender a 23municípios no Paraná. Tal programa tinha como principal mídia interativa a videoconferência. Apesar de se mostrar uma ferramenta atrativa por disponibilizar áudio e vídeo emtempo real, a videoconferência apresenta limitações de ordem pedagógica, tecnológica e decustos constatadas nas pesquisas de Cruz e Barcia (1999) e Demers (1996).10 http://www.uep.org.br.
  24. 24. 23 O cunho pedagógico aponta que tanto conteúdo como formato precisam serpensados na relação de mediação por meio de máquinas (SILVA, 1998). A dificuldade técnicaacontece em grande parte devido à limitação de recursos para implementação de salasequipadas para videoconferência, uma vez que essa forma de comunicação só acontece se ointerlocutor tiver um equipamento compatível. Por último, o alto custo financeiro deinvestimentos em equipamentos, em multipontos de transmissão, não tem se mostradocompensador quando apresenta práticas de subutilização desse meio de comunicação em todoo seu potencial.1.4 WEBCONFERÊNCIA COMO DEVIR DA VIDEOCONFERÊNCIA Nas últimas décadas, as tecnologias digitais sofreram enormes transformações,principalmente no que diz respeito aos meios de comunicação, fornecendo novos recursospara o uso e expansão da tecnologia Web. A partir disso, foi possível agregar novas formas,recursos e funções à videoconferência. Como tecnologia que evolui a partir de outra, surge a videoconferência, baseadaem computadores, via Web, que no estado do devir, passa a ser webconferência. Essaferramenta se mostra mais versátil e interativa que a videoconferência na medida em quedisponibiliza, de forma híbrida e confluente, mais recursos comunicacionais entre seususuários. Segundo Sousa (2009, p. 54), “as plataformas de conferência web são softwares quepermitem que os usuários se reúnam em uma linha, fórum para comunicação, através dainternet”. Das diversas plataformas de webconferências disponibilizadas no mercado,algumas com versões gratuitas e outras pagas, podemos encontrar: Dimdim, OpenMeetings,Adobe Acrobat Connect, Cisco WebEx, IBM Lotus etc, sendo as duas primeiras parcialmentelivres e as demais plataformas pagas. Para estudo desse trabalho, destacaremos a ferramenta de Webconferênciadisponibilizada pela empresa Adobe Connect, denominada Adobe Connect Pró. Essaferramenta é gerenciada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que está vinculadaao Ministério da Educação (MEC) e ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Em umconsórcio realizado entre esses dois ministérios, foi possível a criação de salas virtuais
  25. 25. 24distribuídas para as Instituições de Ensino Superior (IES) integradas aos programas daUniversidade Aberta do Brasil. As IES possuem salas próprias que podem ser utilizadas e configuradas de acordocom suas necessidades. Na figura 1, é possível ter uma visão geral da sala de aula virtualdisponibilizada para o UAB/IFCE: FIGURA 1- Tela inicial da webconferência – RNP Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifce A ferramenta possibilita que os usuários localizados em diferentes lugares possamenviar e receber, durante a sessão web, dados considerados mais complexos, como vídeos,áudio, apresentação em slides, textos, entre outros. Além disso, permite que os participantespossam compartilhar certos tipos de aplicações, por exemplo, o quadro branco11 (whiteboard),o compartilhamento de aplicativos da área de trabalho e a possibilidade de se gravar aconferência web para que os usuários possam assistir ao evento em um momento posterior. A seguir, explicaremos com mais detalhes os tópicos que compõem a barra deferramentas responsável pelo gerenciamento do ambiente.11 Quadro branco que permite aos participantes e moderador da conferência desenhar/escrever livremente noquadro (SOUSA, 2009, p. 56).
  26. 26. 251.4.1 Ferramentas de gerenciamento da webconferência De acordo com as necessidades específicas de cada usuário, é possível adequar areunião, aula e encontro à sua necessidade. Para isso, basta configurar a barra de ferramentaslocalizada na parte superior da janela da webconferência. Nessa barra, é possível encontraropções mais detalhadas da sala virtual.Menu reunião O menu reunião, como apresentado na figura 2, é composto por submenus degerenciamento da ferramenta. Estes oferecem suportes ao áudio, voz, vídeo, gravação domomento virtual etc. FIGURA 2 - Menu reunião Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifceMenu Apresentar Este menu permite ao usuário atribuir funções aos participantes, tais comoadministrador (possui todos os poderes de edição, inserção, exclusão, entre outros),
  27. 27. 26apresentador (tem permissões mais restritas do que o administrador) e participante (tempermissões apenas de ouvinte). FIGURA 3 - Menu apresentar Fonte: Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifceMenu Layouts Esse menu permite criar um novo layout, escolher os já existentes(compartilhando, discussão e colaboração) e organizar os layouts na ordem que o usuáriodesejar, visando atender suas necessidades. FIGURA 4 - Menu Layout Fonte: Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifce
  28. 28. 27Menu Pods Dentro deste menu, o usuário pode encontrar opções para otimizar a tela dawebconferência. Ele pode escolher que janelas irão compor a estrutura da sala de aula virtual.Na figura da página a seguir, é possível observar as seguintes opções: Compartilhamento: visualizar arquivos utilizados em sessões anteriores,compartilhar disponíveis na biblioteca da ferramenta, escolher arquivos que estejamarmazenados dentro do computador, compartilhar a tela do computador e inserir quadrobranco; Lista de participantes: ao clicar, pode exibir ou ocultar a janela lista de participantes; Câmera e voz: ao clicar, pode exibir ou ocultar a janela câmera e voz; Bate-papo: visualiza bate-papos anteriores ou insere nova janela de bate-papo; Nota: visualiza janela de notas anteriores ou insere nova janela de notas; Pesquisa: permite criar uma enquete, inserindo o titulo e o tipo de pesquisa, que podeser múltipla escolha ou múltiplas respostas. Permite também inserir nova janela de pesquisa; Compartilhamento de arquivos: é através dessa ferramenta que se realiza o uploadde um arquivo existente no computador para dentro da webconferência. Além disso, o usuário– na função de administrador – pode compartilhar esse arquivo com os demais participantes; Links na web: pode compartilhar com os demais participantes dos sites; para isso,basta digitar o link desejado na caixinha Links da web; Mover e redimensionar pods12: permite movimentar ou tornar estáticos os podsdisponíveis naquele momento na sala de aula virtual; Organizar pods: permite excluir, renomear e selecionar sem uso os pods que foramcriados pelo usuário. Com esses instrumentos, o usuário pode tornar o ambiente virtual um espaçodinâmico por ser mais interativo, com comunicação em tempo real entre os demaisparticipantes.12 São caixas disponíveis na sala virtual responsável pela comunicação entre os participantes. Ex: câmera e voz,bate papo, lista de participantes etc.
  29. 29. 28 FIGURA 5 - Menu Pods Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifceMenu Ajuda Neste espaço, encontram-se opções que orientam o usuário no uso da ferramenta,entre as quais temos:  Ajuda do Connect Pró: ao clicar nessa opção, abrirá uma nova janela com todos os tópicos anteriores. Para saber mais detalhes sobre eles, basta clicar sobre o título;  Introdução: nesse item você encontra uma animação em flash, explicando o modo como você deve inserir documentos, configurar vídeo e áudio, gravar reuniões, enfim, apresenta ferramentas úteis para a administração da plataforma;  Centro de recursos: ao clicar nessa opção, abrirá uma nova janela referente ao site da Adobe Conect Resource Center13– Centro de Pesquisas da Adobe Conect;  Solução de problemas: nesse item você encontrará dicas de conexão, conteúdo, gerenciamento da webconferência etc;  Atalhos de Teclado: é possível criar, associar recursos e comandos da plataforma com o teclado do computador;  Verificar se há atualizações: o usuário conseguirá fazer algumas atualizações de softwares utilizadas para execução da webconferência;13 http://www.adobe.com/support/connect/gettingstarted/index.html.
  30. 30. 29  Sobre o Connect Pró: ao clicar nesse item, o usuário obterá mais informações a respeito da ferramenta. FIGURA 6 - Menu Ajuda Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifce No layout compartilhado, é possível exibir documentos, vídeos e slides de formadireta para todos os participantes. Além disso, podemos utilizar as ferramentas do quadrobranco para destacar trechos importantes na apresentação, conforme mostra a figura 7. FIGURA 7 – Ferramentas quadro branco Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifce
  31. 31. 30 Nos botões da barra lateral direita da figura acima é possível encontrar asseguintes funções: seleção – ao clicar nele é possível selecionar o texto; Ferramenta lápis: ao clicá-la, você poderá escrever sobre o texto apresentado; Ferramenta marcador: serve para destacar uma palavra ou frase. Mas antes de selecioná-lo, é possível escolher a cor e tamanho da marcação; Ferramenta linha: sublinha uma palavra ou frase; Ferramenta retângulo: seleciona uma palavra ou trechos do documento apresentado.Você pode, também, escolher a cor e textura do retângulo; Ferramenta elipse: mesma função da ferramenta retângulo: só altera o formato da figura; Ferramenta texto: cria uma caixa de texto em qualquer parte do documento, para isso,basta escolher o local; Ferramenta carimbo: ao escolher essa opção e clicar ao lado de um trecho qualquer dodocumento em exibição, aparecerá uma seta. Desfazer: para desfazer algo incorreto realizado com alguma ferramenta do quadro; Refazer: para refazer algo que foi apagado indevidamente; Limpar: nessa opção você pode apagar algo que não interessa no documento, mas sófunciona para objetos feitos com a ferramenta do quadro branco; Imprimir: nesse item você pode imprimir, direto da webconferência, o documento queestá sendo exibido; Ferramentas quadro branco: nessa opção, você pode exibir e ocultar as ferramentas dowhiteboard.
  32. 32. 31 As ferramentas dentro da webconferência Adobe conect podem ser organizadas eagrupadas de acordo com a necessidade e especificidade de cada encontro. Cada pod funcionade forma dinâmica e independente, ou seja, é possível modificar a sua localização dentro dajanela inicial. É preciso deixar claro que a utilização da ferramenta deve ser previamenteplanejada, bem como devem ser realizados testes iniciais para evitar qualquer contratempodurante sua utilização. Apesar de se mostrar uma ferramenta bastante interessante no processode ensino e aprendizagem a distância, ela apresenta alguns aspectos que a tornamsubutilizada, principalmente no que diz respeito à largura de banda larga, que varia muito deacordo com a localização geográfica da cidade. Uma vez enunciados o histórico, desenvolvimento e ferramentas dawebconferência, enunciaremos, no próximo capítulo, a caracterização do processo deinteração entre aluno e professor no âmbito comunicacional dos cursos realizados a distância.
  33. 33. 322. CARACTERIZAÇÃO DA INTERAÇÃO TUTOR X ALUNO, USANDOWEBCONFERÊNCIA A primeira manifestação e materialização do ecossistema comunicativo é a relação com as novas tecnologias – desde o cartão que substitui ou dá acesso ao dinheiro, até as grandes avenidas da internet. Martins-Barbero (2007, p. 54) Este capítulo caracteriza o processo de interação entre tutor a distância e alunoatravés do uso das ferramentas de comunicação, em especial, o ambiente de webconferência,no que se refere ao seu uso como suporte pedagógico no processo comunicacional síncrono.Para isso, apresenta a relação de interação e interatividade, o processo de mediaçãopedagógica e o papel do tutor nesse contexto de ensino e aprendizagem.2.1 INTERAÇÃO E INTERATIVIDADE NAS MÍDIAS CONTEMPORÂNEAS Existem diferenças epistemológicas entre os termos interação e interatividade.Segundo o dicionário Houssais (HOUSSAIS; VILLAR, 2009, p. 429), interação é definidacomo a: [...] influência ou ação mútua entre coisas e/ou seres, é a comunicação entre pessoas que convivem; já interatividade é definida como a capacidade de um sistema de comunicação ou equipamento de possibilitar interação. Já para alguns autores, como Silva (2003), existe uma aproximação entre essesconceitos. Para ele, interatividade possibilita ao sujeito transpor sua condição de expectadorpassivo para a condição de sujeito operativo. Além disso, conforme expressa Almeida (2003b,p. 203), ocorre “interatividade com o diálogo entre emissão e recepção, a criação conjunta dacomunicação e a intervenção do usuário”. A transposição de informação através das ferramentas de comunicação, como, porexemplo, o rádio e a televisão, configuram-se como mídias comunicacionais que permitemque a interatividade seja emitida apenas de forma unidirecional, ou seja, de um emissor paravários receptores, sendo que estes últimos adquirem a informação de maneira passiva, e nesse
  34. 34. 33caso, a interação será assinalada apenas por ações de ver, ler e ouvir as informaçõestransmitidas. Já quando nos referimos à comunicação por meio das tecnologias digitais, oreceptor passa a exercer outro papel, o de emissor. Assim, além de poder intervir, podetambém repassar a informação que lhe é transmitida. Nesse caso, o receptor pode exigir doemissor a informação, a mensagem e o conhecimento que deseja e que atenda a seusinteresses (SILVA, 2010). Os recursos comunicacionais, como o correio eletrônico, as listas de discussõesonline, as salas de bate-papos, os Ambientes Virtuais de Aprendizagem14, as salas devideoconferência e de webconferência foram criadas para potencializar “a comunicaçãomultidirecional [...], a rápida emissão e distribuição de conteúdos, interação com informaçõese recursos oriundos de distintas fontes e mídias” (ALMEIDA, 2003a, p. 204). Os recursos comunicacionais inerentes a cada uma dessas ferramentas viabilizamo processo de troca, de armazenamento e recebimento de informação através dos usuários. Naferramenta de webconferência, por exemplo, o recurso de áudio, vídeo, bate papo e decarregamento de arquivos permitem aos usuários a comunicação de forma bidirecional oumultidirecional com outros participantes, tornando o processo de troca de informações, deensino e aprendizagem, em especial, o ensino a distância, mais dinâmico. No ensino a distância por meios das tecnologias digitais a interação é dividida porMoore e Kearsley (2007, p. 152) em três tipos distintos: Interação aluno-conteúdo: representa uma característica definidora da educação, que é um processo de aprendizado planejado de determinado conteúdo, auxiliado por um professor ou por professores. Interação aluno-instrutor: após o conteúdo ter sido apresentado – seja informação, demonstração de aptidão ou o aparecimento de certas atitudes e valores - os instrutores auxiliam os alunos a interagir com o conteúdo. Interação aluno-aluno: dois tipos de interação estão incluídos neste caso: internamente nos grupos e entre os grupos [...] O outro é a interação de aluno para aluno em ambientes online [...]. Nos Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), nos quais é possível agregar asmídias de áudio, vídeo, ferramentas síncronas e assíncronas, as interações acima citadasocorrem de forma mais intensa e frequente devido à flexibilidade de tempo e espaço14 São sistemas computacionais disponíveis na internet, destinados ao suporte de atividades mediadas pelastecnologias de informação e comunicação (ALMEIDA, 2003a, p. 331).
  35. 35. 34proporcionada pelas mídias digitais. Já o processo de interatividade ocorre através damediação pedagógica professor-aluno. Mais adiante, veremos que o papel do professor no processo de ensino eaprendizagem, através das tecnologias de informação e comunicação, é fundamental,principalmente quando se trata de cursos online em que o uso dessas ferramentas éindispensável para a troca de informações entre os sujeitos.2.1.1 O processo de Interação e interatividade na Webconferência Com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, éimpossível limitar o processo de ensino e aprendizagem somente a momentos presenciais desala de aula (ambiente físico), visto que o uso de tecnologias digitais é cada vez maisnecessário e presente, em especial no ensino a distância, como afirma Kensky (2007). Os recursos tecnológicos digitais, como a videoconferência e a webconferência,possibilitam que professores e alunos tenham uma aproximação mais realista do que seriauma aula presencial, na qual todos ocupam o mesmo espaço físico. O uso desses ambientespara o desenvolvimento de atividades, principalmente em cursos a distância, dinamiza oprocesso comunicacional, permite uma economia de tempo por diminuir o deslocamentofísico para um local especial, além disso, as reuniões podem ser gravadas e disponibilizadasposteriormente (BARROS, 2010). A webconferência, por necessitar apenas de computador conectado à internet eequipamentos de áudio e vídeo, permite que os usuários interajam entre si, tendo o conteúdo eas ferramentas de comunicação disponíveis no ambiente, independente da localizaçãogeográfica dos participantes. Em cursos a distância, essa ferramenta promove a alunos e professores acomunicação de forma síncrona. Além disso, os recursos comunicacionais de chat, vídeo,áudio, compartilhamento de arquivos, disponíveis no ambiente virtual da webconferênciapermitem [...] ao usuário ser ator e autor, fazendo da comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas co-criação da própria mensagem e da comunicação [...] O usuário pode ouvir, ver, ler, gravar, voltar, ir adiante, selecionar, tratar e enviar qualquer tipo de mensagem para
  36. 36. 35 qualquer lugar. Em suma, a interatividade permite ultrapassar a condição de espectador passivo para a condição de sujeito operativo. (SILVA, 2003, p. 2). O processo de interação do aluno com a ferramenta de webconferência mediadopelo professor resultará no que Vygotsky apud Barros e Crescitelli (2008, p. 75) consideracomo “motor da aprendizagem e do desenvolvimento humano”. Mas é necessário, antes detudo, que o professor tenha domínio de uso da ferramenta para usufruí-la com todo o seupotencial.2.2 MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA EM PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM ADISTÂNCIA As mudanças na sociedade atual, decorrentes do advento das tecnologias dainformação e comunicação (TICs), têm provocado mudanças, também, na forma de ensinar eaprender. Essas transformações estabelecem novos papéis ao professor e criam novas formaspara promoção do ensino, em especial, o ensinar online. Nesse contexto de transformações, o professor, sujeito ímpar no processo deensino e aprendizagem, ganha ainda mais papel de destaque na educação a distância, poisnessa modalidade de ensino mediada por ferramentas disponíveis na web, em que atividades econteúdos estão disponíveis em um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), o professorserá orientador e, acima de tudo, mediador entre aluno e as novas estruturas educacionais.Dessa forma, esse agente intervém no processo de aprendizagem, no sentido de promover amediação pedagógica entre aprendizes e TICs. Portanto, precisamos compreender o que é o processo de mediatização para,enfim, entender a relação professor-aluno via tecnologia. Mediação pedagógica é vista porMasetto (2000, p. 144) como “a atitude, o comportamento do professor que se coloca comoum facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem, que se apresenta com adisposição de ser uma ponte entre o aprendiz e sua aprendizagem [...]”. É através dessesprocessos de trocas de informações e das relações estabelecidas pelo aprendiz, do conteúdoapresentado pelo professor com sua realidade, que o aluno cria, ou seja, desenvolvesignificados para a compreensão do que está sendo exposto.
  37. 37. 36 Nesse sentido, as tecnologias digitais devem ser utilizadas, conforme Masetto(2000, p. 154), para “desenvolver a interaprendizagem: a aprendizagem como produto dasinter-relações entre as pessoas”. Não se pode pensar no uso dessas tecnologias como algoisolado, mas é preciso estabelecer formas que integrem as várias atividades, buscando sempreo objetivo central que é a aprendizagem. Nesse processo “é tarefa do professor tomar cuidadopara que as várias influências que rodeiam o estudante sejam selecionadas e organizadas parapromover a aprendizagem” (GAGNÉ, 1980, p. 2). Corroborando com Gagné está Silva (2003, p. 211), que afirma: Na educação com suporte em ambientes virtuais, o papel do professor é o de gerir as situações facilitadoras da aprendizagem, articular diferentes pontos de vista, instigar o diálogo entre os alunos e a produção conjunta, a busca de informações e a expressão do pensamento do aluno, orientando-o em suas produções e na recuperação e na análise dos registros e suas respectivas reformulações. Sendo assim, é possível observar o papel do professor como ator coadjuvante nacondução da aprendizagem, mas esse processo só ocorrerá se o aluno estiver apto e quiseraprender em determinado nível (MORAN, 2000). A aprendizagem centrada no aluno surge apartir de algumas abordagens educacionais, entre elas a Andragogia 15, que teve seusfundamentos recuperados na década de 1970 por Malcolm Knowles, que se dedicou aosestudos dessa teoria. No ensino a distância, em que todo o processo de ensino e aprendizagem émediado por tecnologias digitais e encontramos um corpo discente bem diversificado quanto aaspectos sociais, culturais e de experiências, podemos observar bem presentes as ideiasdefendidas por Knowles acerca da educação para adultos. Ele afirma que o aprendiz adulto écapaz de tomar “a decisão de aprender algo que seja importante para sua vida e trabalho,passando a ter papel ativo em seu processo de aprendizagem [...]” (ALMEIDA, 2009, p. 105). Dessa forma, torna-se necessário estabelecer elos significativos entre o que estásendo ensinado e a realidade do aprendiz, para que este se sinta motivado e impulsionado abuscar novos caminhos e fontes de aprendizagem. E cabe ao professor desempenhar essepapel, descentralizando o conhecimento de si e atuando na criação de métodos que permitamaos alunos desenvolverem suas criatividades, autonomias e liberdades com a finalidade de15 Esse termo foi utilizado pela primeira na década de 1830, pelo professor alemão Alexander Kapp (Almeida,2009).
  38. 38. 37selecionar os contextos em que desejam interagir, compartilhar experiências e cogestar aformação (ALMEIDA, 2009).2.3. O PAPEL DO TUTOR NA INTERAÇÃO, USANDO AS FERRAMENTAS DECOMUNICAÇÃO O desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação permitiu acriação e ampliação de inúmeros programas educacionais que passaram a utilizar esses meioscomo recursos didáticos no processo de ensino e aprendizagem. Entre esses programas,podemos citar a Universidade Aberta do Brasil16 (UAB), criada em 2005 com o objetivo dedesenvolver programas de formação inicial e continuada de professores, fazendo uso damodalidade de ensino a distância. Dentro da estrutura desse programa de formação, diversos atores surgem nesseprocesso. Nessa etapa de estudo, procuraremos analisar o papel do tutor dentro do processo deensino e aprendizagem a distância. Dentro do contexto da EaD, cabe ao tutor responder a: [...] todas as dúvidas apresentadas pelos estudantes, no que diz respeito ao conteúdo da disciplina oferecido. A ele cabe também mediar a participação dos estudantes nos chats, estimulá-los a participar e a cumprir suas tarefas, e avaliar a participação de cada um (GONZALEZ, 2005, p. 40). Apesar de passarem por um curso de Formação específico voltado para atender àsnecessidades do modelo de ensino do UAB/IFCE, muitas das habilidades adquiridas pelotutor são desenvolvidas ou nascem de seu momento de prática, quando este desempenha suaatividade de tutoria. Professores que se destaquem nessas atividades, segundo Moore eKearsley (2007, p. 148), procuram desenvolver “empatia e capacidade para entender aspersonalidades de seus alunos, mesmo quando filtradas pelas comunicações transmitidastecnologicamente”. De fato, é necessário que o tutor respeite a autonomia da aprendizagem de cadaaluno (PRETI, 1996). Assim, ele tornar-se-á um dos grandes responsáveis pela efetivação do16 Mais informações no site: http://www.uab.capes.gov.br/index.php.
  39. 39. 38curso em todos os níveis e estará constantemente orientando, dirigindo e supervisionando oprocesso de ensino-aprendizagem de seus alunos. O perfil necessário ao tutor para os cursos de EAD é ter uma atitude de compreensão do outro e que seja capaz de interagir com o grupo, de coordenar para que tudo e todos cheguem ao final. Para isso é necessário em todo o trabalho, organização, dinamismo, co-responsabilidade, habilidade de trabalhar em equipe, capacidade de procurar soluções e lidar com as novas situações do curso e dos cursistas (VASCONCELOS; MERCADO, 2007, p. 3). Particularmente, quando nos referimos ao tutor que atua nas disciplinas deMatemática do curso de Licenciatura em Matemática a distância, ele precisa conhecer, alémdo ambiente virtual, outras ferramentas extras, como cálculo, desenvolvimento de expressões,equações e fórmulas matemáticas que o auxilie na transposição, comunicação e troca deinformações sobre o conteúdo com os alunos. Diante do novo contexto educacional no qualestamos inseridos, os tutores em matemática devem buscar um ensino significativo e “livredos ditames encontrados nos livros didáticos, incentivando a busca dos alunos por outrasfontes de informações e de discussões” (VASCONCELOS; MERCADO, 2007, p. 3). Portanto, o tutor assume papel de destaque no processo de aprendizagem, poisrecai sobre ele o “ônus de criar um ambiente no qual os alunos aprendem a controlar e agerenciar, e a aplicar e desenvolver com esses materiais na tentativa de relacioná-los às suaspróprias vidas” (MOORE; KEARSLEY, 2007, p. 148).2.3.1. O tutor e a mediação na webconferência O professor, tanto no ensino presencial quanto a distância, assume papelimportante no processo de ensino e aprendizagem. Na EaD, por se tratar de uma modalidadede ensino mediada por tecnologias, é indispensável a figura do professor na mediação doconteúdo, via tecnologia, para o aluno. Corroborando com essa ideia está Barbero (2007), aoafirmar que a comunicação não está nos meios, mas nas mediações. No que concerne ao uso de Ambientes Virtuais de Aprendizagem para apromoção da educação a distância, a webconferência vem aos poucos se inserindo nessecontexto como ferramenta síncrona de comunicação e compartilhamento de informações. Noentanto, seu uso ainda é restrito e esporádico, pois, na maioria dos casos, quem detêmdomínio de uso é a equipe técnica e não a equipe pedagógica.
  40. 40. 39 Por isso, torna-se necessário capacitar os professores para a utilização daferramenta em seus processos de ensino. No ensino de Matemática, em especial, essaformação ganha outras especificidades, por exemplo, a manipulação da ferramenta deconferência para a exibição de fórmulas matemáticas, a adequação, de forma coerente, daferramenta e do conteúdo em questão, bem como a utilização dos recursos áudios-visuaisnecessários para o desenvolvimento das atividades de Matemática de forma síncrona. Durante uma sessão de conferência via web, o tutor precisa “saber promovernovas formas de interação” (BARROS; CRESCITELLI, 2008, p. 76). Além disso, “aprenderque comunicar não é simplesmente transmitir, mas disponibilizar múltiplas disposições àintervenção do interlocutor. A comunicação só se realiza mediante a sua participação”(SILVA, 2010, p. 83-84). Além da familiaridade com o conteúdo disciplinar o qual esteja ministrando, é desuma importância que o tutor conheça as ferramentas básicas de comunicação e interaçãodisponível dentro do ambiente da webconferência, bem como as estratégias de mediaçãopedagógica em Ambiente Virtual de Aprendizagem. Para Vasconcelos e Mercado (2007, p.4), “a ação do tutor deve buscar a superação dos obstáculos da aprendizagem à distância. Emum sistema utilizando TIC, o trabalho do tutor está baseado em manter um contato próximo epersonalizado com o aluno, apoiando-o durante todo o curso”. Dessa forma, é de fundamental importância que o tutor esteja preparado para lidarcom imprevistos, visto que a webconferência depende exclusivamente da internet, além deestar preparado para trabalhar com o máximo de ferramentas disponíveis, a fim de promover acomunicação.2.4 MODELO DE TUTORIA IFCE As instituições de Ensino Superior que ofertam cursos na modalidade a distânciageralmente oferecem cursos de formação para professores com o intuito de capacitá-los paraatuarem nas funções de tutores a distância, professores conteudistas, professores formadores,tutores presenciais ou coordenadores de polos em seus cursos, de nível técnico e/ou superior.
  41. 41. 40 Dentro do contexto educacional da UAB/IFCE17, o tutor a distância desempenhaseu papel de tutoria com o apoio, além da equipe pedagógica, do professor formador 18. Otutor passa por um curso de formação, em que as aulas ocorrem de forma semipresencial. Aduração do curso é de seis semanas aproximadamente. Nesse período, o tutor se depara comatividades teóricas e práticas. Os momentos práticos são criados e desenvolvidos pela equipe de Formação,dentro do próprio Moodle, a partir de situações-problema reais vivenciadas no cotidiano daprópria UAB/IFCE. As discussões das atividades são realizadas via fóruns, chats, tarefas emensagens durante todo o curso, o que permite aos participantes a troca de experiências e oamadurecimento das ideias acerca das situações-problema oriundas do ensino a distância. O momento prático é considerado importante durante a formação dos sujeitos queiram atuar no ensino a distância. Aliado às suas competências individuais, permitirá a essesatores uma base tecnopedagógica para intervir na realidade dos alunos de forma concreta eeficaz. Para Vasconcelos e Mercado (2007), a formação de tutores é processo contínuo ecoletivo de troca de experiências e práticas. Nesse contexto, para que este sujeito desempenhe de forma satisfatória seu papel,é necessário que, além de desenvolver o conhecimento tecnológico, também desenvolvaquatro funções principais, descritas por Moore e Kearsley (2007, p. 148) da seguinte forma: Funções de ensino; isso significa que o instrutor ressalta certas partes do conteúdo do curso em uma determinada unidade de instrução, intervém para orientar a discussão, [...] e também interage com indivíduos e grupos [...] O segundo conjunto de atividades diz respeito ao progresso do aluno, em que o instrutor analisa a tarefa normal de um aluno [...], avalia e então comunica a cada aluno o quanto atendeu aos critérios de desempenho naquele estágio do curso. O terceiro grupo de atividades é formado pelas funções de apoio ao aluno. O instrutor precisa ser capaz de reconhecer os tipos de problemas com que lidam os serviços de apoio ao aluno, de modo que os enfrente antes que o aluno os reconheça ou esteja pronto para articulá- los. Portanto, o instrutor é a fonte de informação mais confiável, quando os administradores interpretam os dados procedentes dos processos de acompanhamento dos alunos. Ao desempenhar o papel de tutor, o sujeito ultrapassa a visão puramente técnica.É necessário adquirir competências que o permita usufruir da tecnologia, colocando-a aserviço do processo de ensino e aprendizado. Na visão de Leal (2005, p. 3), “o tutor é um17 Universidade Aberta do Brasil/Instituto Federal do Ceará.18 Profissional responsável pelo acompanhamento, orientação, e apoio pedagógico e tecnológico aos tutores adistância.
  42. 42. 41educador à distância”. Além disso, é responsabilidade dele discutir as estratégias deaprendizagem cabíveis, criar percursos acadêmicos que orientem os alunos, problematizar oconhecimento, estabelecer diálogo com o aluno e medir problemas de aprendizagem. Assim, o tutor a distância, no processo de mediação de saberes dentro doambiente virtual, necessita conhecer o conteúdo específico, possuir competências de gestão,conhecimentos técnicos e saber escolher os recursos que mais se adequem a cada atividade deensino (SARMET; ABRAHÃO, 2007), de forma que o aluno se sinta curioso, instigado edesafiado a buscar novas formas de saberes. Por tudo isso, é de grande importância umaadequada formação, a fim de esclarecer para o futuro tutor a distância as expectativas,fundamentos e aspectos inerentes à execução de suas atividades a distância.
  43. 43. 423. MAPEAMENTO DE SESSÃO DE WEBCONFERÊNCIA NO ENSINODE MATEMÁTICA EM EAD [...] integração individual e social. Para que ocorra essa integração, é preciso que ... se utilize a educação para ensinar sobre as tecnologias que estão na base da identidade e da ação do grupo e que se faça uso delas para ensinar as bases dessa educação”. Vani Kensky (2007, p. 43). Este capitulo analisa e discute a experimentação, evidenciando os contextos, asnecessidades e as percepções dos sujeitos tutor e alunos no processo de realização de umawebconferência. Para isso, apresenta as atividades realizadas, seus principias obstáculos eelementos fundamentais para o desenvolvimento das sessões via web.3.1 ASPECTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS A investigação da pesquisa toma como base o estudo de caso, denominação essaque trata do estudo “de um caso, talvez de uma pessoa, mas também o de um grupo, de umacomunidade, de um meio, ou então fará referência a um acontecimento especial, umamudança política, um conflito” (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 155). Para o desenvolvimento da pesquisa, utilizamos a pesquisa-ação comometodologia. Para isso, usamos os preceitos definidos por Miranda e Resende (2006, p. 511),considerando o aspecto “de uma pesquisa que articula a relação entre teoria e prática noprocesso mútuo de construção do conhecimento, ou seja, a dimensão da prática no eixoeducacional, como fonte e lugar privilegiado da pesquisa”. Com isso, pretendemos, como objetivo da pesquisa, mapear as sessões dewebconferência, identificando seus limites e potencialidades no processo comunicacional,com fins pedagógicos, dos sujeitos tutor-aluno e no estudo do conteúdo de Matemática.
  44. 44. 433.2 CENÁRIO DA PESQUISA Esta pesquisa teve como locus o Centro de Ensino Tecnológico (Centec) de SãoGonçalo do Amarante, onde se localiza o polo de apoio presencial do Instituto Federal deEducação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). No segundo semestre de 2007, o IFCE, no âmbito da sua Diretoria de Educação aDistância, em convênio com a Universidade Aberta do Brasil, lançou seus primeiros cursos namodalidade a distância. Inicialmente, dois cursos de graduação foram ofertados: Licenciaturaem Matemática e Tecnologia em Hotelaria. O Curso Superior de Licenciatura em Matemática, na modalidade a distância, temcomo objetivo central a formação e qualificação de professores que residem no interior doestado do Ceará. No projeto inicial, o edital ofertou vagas para quatro municípios do interior doestado do Ceará - Limoeiro do Norte, Meruoca, Quixeramobim e Ubajara. Atualmente, ocurso de Licenciatura em Matemática se expandiu para os seguintes municípios: Acaraú,Camocim, Campos Sales, Itapipoca, Jaguaribe, São Gonçalo do Amarante, Orós e Tauá. Na pesquisa em questão, o foco será a disciplina Matemática Básica II do cursosuperior de Licenciatura de Matemática, no que diz respeito ao uso da ferramenta dewebconferência, analisando suas limitações e possibilidades pedagógicas. A webconferência vem sendo utilizada no Instituto Federal de Educação, Ciênciae Tecnologia do Ceará (IFCE), na modalidade a distância do sistema Universidade Aberta doBrasil (UAB), desde 2008.2, resultante de uma parceria da CAPES 19/UAB com a RedeNacional de Pesquisa e Ensino (RNP), em algumas disciplinas do curso de Licenciatura emMatemática e Tecnologia da Hotelaria, como ferramenta síncrona, visando maior interaçãoem tempo real entre alunos e professores. A primeira experiência com uso da ferramenta foi na disciplina de fundamentosda economia, ofertada em 2008.2, do curso de Tecnologia em Hotelaria. Posteriormente, teveoutros momentos virtuais, mas de forma pontual, na disciplina de Estatística Aplicada doreferido curso, no semestre 2009.1.19 Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
  45. 45. 44 Em 2009.2, foram realizadas webconferências no primeiro encontro de tutores adistância e alunos das disciplinas de Matemática Básica I e de Lógica e Conjuntos, doprimeiro semestre do curso de Licenciatura em Matemática. Durante a realização dos encontros via webconferência das disciplinas citadasacima, alguns problemas técnicos ocorreram, como o tempo de retorno de áudio e vídeo -delay - e pouca infraestrutura do polo, o que prejudicou a comunicação síncrona de alunos eprofessores.3.3 SUJEITOS PESQUISADOS A pesquisa trabalhou com a turma do 2º semestre do curso de Licenciatura emMatemática a distância do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará(IFCE), polo São Gonçalo do Amarante, que fica a 59 km (cinquenta e nove quilômetros) dacidade de Fortaleza. A turma era composta de 25 alunos. A escolha da turma se deu por dois motivos:primeiro, o polo se localiza a uma distância próxima da capital Fortaleza, o que permitiu,sempre que necessário, o meu deslocamento até lá para as devidos testes e orientaçõestécnicas junto à tutora presencial; o segundo refere-se à familiaridade da tutora a distânciacom a referida turma, o que viabilizou a realização das sessões de webconferências. Na etapa prévia de testes e durante os momentos virtuais, a participação da tutorapresencial foi imprescindível para o desenvolvimento das sessões de webconferências e apoioaos alunos que estavam no polo. Outro fator importante para a realização dessa pesquisaforam as orientações dadas aos alunos durante o encontro presencial e no Ambiente Virtual deAprendizagem (Moodle), contribuindo para que os mesmos pudessem acessar a sala virtual dawebconferência de outros pontos distantes do polo, como lan house, por exemplo.3.4 CAMINHOS DA PESQUISA Nessa etapa, descreveremos alguns procedimentos importantes que foramnecessários para a execução das webconferências. A pesquisa foi dividida em três momentos,que descreveremos a seguir.
  46. 46. 453.4.1 Ensaios prévios No primeiro momento, foi necessário ganhar a confiança dos alunos para arealização do experimento. Minha experiência como tutora a distância dessa turma, nosemestre anterior (2009.2), ajudou nesse processo. Ao propor o uso da ferramenta nadisciplina de Matemática Básica II, semestre 2010.1, alguns alunos refutaram a ideia,enquanto outros estavam dispostos a participar da experiência, com a condição de que aprópria tutora a distância ministrasse as sessões via web. No segundo momento, para que ocorressem as webconferências, foram feitosalguns testes preliminares, que são descritos a seguir. Esses testes consistiram na verificação dos equipamentos de áudio e vídeodisponíveis no polo e necessários para execução das sessões via web, bem como dotreinamento da tutora presencial para manuseio dos mesmos.Teste 01 No dia 18/02/2010, havia combinado com a tutora presencial de realizarmos testespara que ocorresse a webconferência do dia 23/02/2010 com os alunos. Mas tive que adiar porconta de problemas pessoais da tutora presencial.Teste 02 No dia 20/02/2010, fui ao polo levando caixa de som e microfone. Instalamos osdrives de áudio e vídeo em uma máquina do Laboratório de Informática do próprio polo, mas,no momento do teste com a webconferência, junto a um técnico que dava suporte naUAB/IFCE, o microfone não funcionou. Fizemos outras tentativas, mas continuou sem áudio. Acredito que o equipamento do polo é inadequado, além do que a velocidade dainternet é muita baixa. Por conta disso, adiei a webconferência do dia 23/02/2010 com osalunos para os dias 02/03 e 03/03. São dois dias, por conta da disponibilidade de tempo dosestudantes.
  47. 47. 46Observação: O polo não possui microfone, caixa de som e webcam.Teste 03 Dia 24/02 retornei ao polo e, junto com a tutora presencial, realizamos novostestes. Nesse dia, levei um headfone e uma webcam. Primeiramente, usamos um computador do laboratório do polo, que tinha sistemaoperacional Linux e, por sua vez, não reconheceu a webcam. Então, a tutora presencial buscouseu notebook para tentarmos instalar a câmera nele, mas também não foi possível porque ocomputador não reconheceu a webcam e, por não termos conhecimentos técnicos suficientes,não soubemos instalar os drives necessários para o seu devido funcionamento. Nesse mesmo dia, realizamos os testes de áudio e microfone. Ambos funcionarambem, Conseguimos nos comunicar com o técnico na UAB/IFCE, sem delay na voz e no áudio.Algumas observações relevantes para execução dos testes: 1. Nesse dia não havia aula e nem alunos utilizando o laboratório. Acredito que isso tenha contribuído para o bom funcionamento da internet; 2. A tutora presencial comprou uma webcam e cedeu para as webconferências dessa disciplina, visto que o polo não dispõe de recursos financeiros para aquisição de equipamentos de hardware; 3. Conversando com a coordenadora do polo sobre os procedimentos para aquisição de materiais tecnológicos, ela me disse que os computadores, Datashow, bem como outros aparelhos que estavam no polo, haviam sido dados pelo Ministério da Educação e Cultura, e não pela prefeitura do município, que não contribui com nenhum desses materiais, apenas com materiais escolares, como papel, caneta, borracha, entre outros.3.5 A EXPERIÊNCIA As sessões de webconferências ocorreram em três etapas. A primeira etapaocorreu nos dias 02 e 03/03; a segunda etapa, nos dias 23 e 24/03; e a terceira, no dia 11/05.
  48. 48. 47Essa flexibilidade de dois dias proporcionou aos alunos a opção de escolher qual o dia quemelhor se adequava a seus horários, com exceção do último dia, que foi aceito por todos e,por isso, realizada em um único momento. No encontro presencial, a tutora a distância realizou todas as orientações eesclarecimentos necessários para o desenvolvimento dessa atividade. O objetivo dessesencontros era fazer uma revisão dos conteúdos estudados na disciplina em questão eesclarecer dúvidas sobre as tarefas em geral. Dentre os layouts disponibilizados na ferramenta de webconferência pararealização das conferências, utilizamos, em todos os encontros, o layout compartilhado, poisnesse layout era possível disponibilizar arquivos, imagens, recursos do quadro branco evisualizar documentos da tela do computador do administrador.3.5.1 Sessões de webconferência A primeira sessão ocorreu dia 02/03/2010 e teve duração de 1h43min. Comocombinado previamente com a tutora presencial, o encontro virtual iniciou às 18h, com intuitode instalar todos os equipamentos e evitarmos possíveis contratempos. Acessei no horáriocombinado e liguei para tutora presencial, que disse estar ligando os equipamentos. Aguardeimais um pouco e retornei a ligação, então ela me comunicou que a sala em que eles estavamnão tinha acesso à internet e que iriam procurar outra sala. Até esse momento, estavampresentes no polo quatro alunos. Com isso, a tutora presencial solicitou que eu aguardasse mais um tempoenquanto a mesma verificava outra sala disponível. Enquanto isso, na UAB/IFCE estavampresentes a tutora a distância e o coordenador da equipe web, que auxiliou no suporte técnicode forma virtual. Com a demora do polo em entrar na sala virtual, retornei novamente aligação para a tutora presencial, a qual comunicou que estava montando o equipamento nasala da coordenação. A figura a seguir mostra o exato momento em que me comunico viatelefone com a tutora presencial.
  49. 49. 48 FIGURA 8 - Comunicação via telefone com pólo. Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifce Durante os momentos prévios de cada aula virtual, realizarmos testes de áudio evídeo, através da função Gerenciar minhas configurações presente no menu reunião. Veja afigura 2 desse trabalho. Às 18h50min, a tutora presencial conseguiu comunicação por áudio e vídeocomigo e com o profissional do suporte técnico, para isso utilizamos o pod câmera e voz. Acomunicação da tutora à distância e da tutora presencial ocorreu de forma síncrona, emboracom algumas falhas no sentido UAB – polo. Para evitá-las, o suporte técnico da UAB/IFCEorientou que a tutora presencial desligasse a câmera e o microfone e só abrisse quando fossefalar. Depois desses procedimentos, iniciei a aula normalmente, sempre procurando estimularos alunos a falarem. Os slides poderiam ser disponibilizados de duas formas através do podcompartilhamento. Ou através da opção documentos/selecionar do meu computador oudocumentos/selecionar da biblioteca de conteúdo. Em nossas sessões, sempre utilizamos aprimeira opção, pois não desejamos arquivar os slides na pasta biblioteca. Procurei falar pausadamente para evitar possíveis falhas na transmissão. A cadatérmino do assunto, dava uma pausa e retornava aos alunos, perguntando se tinham algumadúvida.
  50. 50. 49 FIGURA 9 - Imagem dos alunos no pólo. Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifce Não houve queda de internet, falha ou algo parecido. Tudo transcorreu bem,apesar de não haver transmissão da imagem dos alunos devido à conexão de internet ser baixano polo. Além disso, não foi possível exibir as fórmulas matemáticas presentes nos slidesatravés da webconferência. Como as fórmulas foram digitadas em um editor específico damatemática, ao tentarmos exibí-las na webconferência, a ferramenta não fornecia suporte paraisso, apenas para visualização de textos e imagens. FIGURA 10 - Falha na exibição das fórmulas matemática Fonte: http://webconf.rnp.br/uab_ifce

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