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Cavaleiro da dinamarca itinerário

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Cavaleiro da dinamarca itinerário

  1. 1. O Cavaleiro da Dinamarca, de Sophia de Mello Breyner Andresen
  2. 2. Dinamarca A Dinamarca fica no Norte da Europa. Tem Invernos muito gelados, com noites muito longas e dias curtos. Tudo se enche de neve com excepção dos pinheiros por causa das agulhas duras e brilhantes. Há muitos anos, centenas de anos mesmo, existiu uma grande floresta que tinha muitas árvores, mas grande parte dela era coberta por pinheiros e era exactamente nessa zona dos pinheiros que morava o cavaleiro desta história e a sua família.
  3. 3. Dinamarca – porto e igreja de Frederikshavn
  4. 4. Início de viagem O cavaleiro deixou a sua floresta na Primavera seguinte, tendo embarcado no porto mais próximo e, levado por bons ventos que sopravam de norte para sul, chegou muito antes do Natal às costas da Palestina. Dali seguiu com os outros peregrinos para Jerusalém e no dia desejado estava na gruta de Belém onde realizou o seu desejo de peregrino: Rezar a Jesus. Passado o Natal, o Cavaleiro demorou-se ainda um mês na Palestina, visitando todos os lugares santos e, no fim de Fevereiro, despediu-se de Jerusalém e na companhia de outros peregrinos partiu para o porto de Jafa.
  5. 5. Jerusalém
  6. 6. Porto de Jafa
  7. 7. Viagem atribulada Durante a viagem sofreram uma tempestade e atracaram no porto de Ravena, em terras de Itália. Porém o navio ficou tão estragado que não podia seguir viagem. Então, o mercador convidou o cavaleiro para ir com ele para Veneza e ficar por lá enquanto esperava poder seguir viagem. O cavaleiro aceitou.
  8. 8. RAVENA – Igreja de San Vitale
  9. 9. Igreja de San Apollinare - Ravena
  10. 10. Dante Alighieri em Ravena
  11. 11. Veneza Nesse tempo Veneza era uma das cidades mais poderosas do mundo. Nunca o cavaleiro tinha imaginado que pudesse existir no mundo tamanha riqueza e beleza. O mercador alojou-o no seu palácio e durante dias conheceu essas belezas. As noites por sua vez eram passadas em magnificas ceias, com as mais refinadas iguarias e excelentes vinhos. Certa noite, terminada a ceia, o veneziano e o dinamarquês ficaram a conversar na varanda. Do outro lado do canal estava um sumptuoso palácio. O Cavaleiro quis saber a história daquele palácio e o mercador começou então a contar-lhe a história de Vanina e de Guidobaldo.
  12. 12. 1ª Narrativa encaixada  “Então Vanina abria a janela do seu quarto, debruçava-se na varanda e penteava os seus cabelos. Eram loiros e tão compridos que passavam além da balaustrada e flutuavam leves e brilhantes, enquanto as águas os reflectiam.”
  13. 13. VenezaParte central de Veneza, com a torre de Campanile, a Piazza de São Marco ao seu lado, e o Palácio dos Doges. Atrás podem ver-se as casinhas de telhados vermelhos, que fazem desta pequena ilha umdos lugares mais famosos e procurados do mundo e a cidade símbolo do romantismo.
  14. 14. A partida de Veneza E assim em conversas, festas, ceias e passeios se passou um mês. O mercador propôs ao cavaleiro que este fosse seu sócio e ficasse com ele a gerir os seus negócios. O cavaleiro agradeceu-lhe, mas informou-o que queria cumprir a sua promessa para com a família e que partiria dali a três dias. Antes da partida o mercador deu-lhe a morada de um amigo seu de Florença, o banqueiro Averardo, onde o Cavaleiro poderia pernoitar na sua viagem de regresso.
  15. 15. Florença Vista da Via del Pecori com o Campanário ao fundo,desenhado por Giotto durante seus três últimos anos de vida (1331-1334).
  16. 16. Florença No princípio de Maio chegou a Florença e logo se deslocou a casa do Banqueiro Averardo que o recebeu muito bem e o hospedou em sua casa. Era uma casa diferente da do mercador onde se respirava arte e cultura. Existia uma biblioteca cheia de manuscritos muito antigos e as paredes de toda a casa estavam cobertas de quadros com pinturas maravilhosas. A casa do banqueiro estava sempre cheia de amigos que falavam de arte, de cultura e de todas as ciências possíveis e imaginárias. Uma noite durante a ceia falaram de Giotto e o cavaleiro quis saber de quem se tratava. Então Fillipo, um dos amigos do banqueiro, explicou-lhe que Giotto havia sido um discípulo de Cimabué o primeiro pintor de Itália e começou então a contar a sua história.
  17. 17. História do pintor Giotto2ª narrativa encaixada
  18. 18. Giotto, Natividade
  19. 19. Pintura de Giotto, Lamentação
  20. 20. A história de Dante Alighieri (3ª narrativa encaixada) 1265 - 1321 Escreveu A Divina Comédia que descreve uma viagem de Dante através do Inferno e do Purgatório, guiado pelo poeta romano Virgílio, e depois no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz
  21. 21. Ida para Florença Com o tempo, o Cavaleiro começou a ficar maravilhado com tudo o que já tinha aprendido desde a sua chegada. E resolveu demorar-se algum tempo mais naquela cidade. E foi assim que se passou mais um mês. No final desse tempo o banqueiro, vendo o entusiasmo do cavaleiro para as novas artes e ciências, propôs-lhe sociedade nos negócios. Mas, como já era de prever, o cavaleiro recusou a oferta e falou da sua promessa à família e decidiu partir dali a três dias. Então o Banqueiro Averardo deu-lhe uma carta de recomendação para um rico negociante Flamengo da Flandres, seu cliente e amigo pessoal. E o cavaleiro partiu.
  22. 22. Florença – catedral Duomo
  23. 23. Convento Já a pouca distância do seu destino o cavaleiro adoeceu. Tremendo de febre foi bater à porta de um convento onde foi recolhido. Os frades trataram-no com chás de raízes secretas e pós misteriosos e esforçaram-se imenso para o salvar. Parecia que o cavaleiro tinha o sangue envenenado. Só ao fim de 2 meses e meio de tratamento, paz e descanso o cavaleiro ficou capaz para prosseguir viagem.
  24. 24. Um convento em Génova
  25. 25. S. Francisco e o lobo de Gubbio;Santo António pregando aos peixes
  26. 26. Procura do negociante flamengo Quando chegou ao grande porto de mar era já o fim de Setembro e todos os navios que seguiam para a Flandres haviam já partido. Percorreu o cais de ponta a ponta, mas toda a gente lhe respondeu o mesmo: Só dali a vários meses poderia arranjar navio para a Flandres. Primeiro o cavaleiro ficou desesperado, depois decidiu seguir a sua viagem a cavalo. E assim fez. Após muito tempo e muito esforço chegou. Nessa altura já a neve cobria os telhados e os campos. Dirigiu-se então para Antuérpia onde procurou o tal negociante flamengo. Este recebeu-o muito bem e de pronto convidou-o logo para cear.
  27. 27. “Só dali a vários meses poderia arranjar navio para a Flandres”
  28. 28. Flandres
  29. 29. Antuérpia teve o seu auge depois do declínio de Bruges, quando se tornou um dos mais importantes portos de comércio, durante osséculos XV e XVI.  As suas mansões em estilo barroco são um registo do tempo dos comerciantes de tapeçarias, pinturas e esculturas que hoje enriquecem as suas igrejas e museus.
  30. 30. Em casa do negociante O cavaleiro espantou-se imenso com o paladar da comida que estava temperada com especiarias que ele não conhecia. O cavaleiro começou a narrar a sua longa e atribulada viagem. Quando terminou, o negociante disse-lhe que ele tinha contado uma bela história mas que dali a pouco chegaria alguém que contava histórias muito mais espantosas. E assim foi. Passado pouco tempo apareceu na casa do negociante um dos capitães dos seus muitos navios que partira à descoberta de novas terras. Terras essas onde existiam pérolas, ouro e pimenta. O capitão começou a contar as suas viagens de descoberta dessas terras distantes onde nenhum homem ousara ir até aquela data.
  31. 31. A história de Pêro Dias - 4ª narrativa encaixada
  32. 32. A ida do cavaleiro No dia seguinte o cavaleiro disse ao negociante que desejava seguir viagem por mar para a Dinamarca.O negociante afiançou-lhe que navio nenhum arriscaria fazer essa viagem.Esta notícia deixou o cavaleiro consternado e foi então que o negociante lhe propôs associar-se-lhe e mais uma vez o Cavaleiro contou da sua promessa à família. Então o negociante ofereceu- lhe um cavalo para que este pudesse seguir viagem por terra. Foi realmente uma viagem difícil e quase impossível de se realizar. Só podia viajar de dia e mesmo assim o frio gelava-o até aos ossos.Quando se sentia quase a desistir lembrava-se da sua família e do que lhes tinha prometido.Então rezava a Deus e pedia-lhe que lhe desse forças para continuar.
  33. 33. Caminho para casaFinalmente na antevéspera de Natal, aofim da tarde, chegou a uma pequenapovoação que ficava a poucosquilómetros da sua floresta. Aí foirecebido com grande alegria pelos seusamigos que após tão longa ausência já ojulgavam morto. Um deles hospedou-oem sua casa e emprestou-lhe um cavalo,pois o do Cavaleiro vinha exausto ecoxo. O cavaleiro pediu notícias da suafamília e o amigo disse-lhe que estapassava o tempo à sua espera e a rezarpelo seu regresso. Na madrugadaseguinte o cavaleiro partiu. Era o dia24 de Dezembro. Cavalgou com grandepressa pois queria aproveitar as poucashoras de luz. E penetrou na grandefloresta. A alegria de estar tão pertodos que amava fazia-o esquecer ocansaço e o frio. Após dois anos deausência, aquela floresta parecia-lheagora estranha.
  34. 34. “Então a treva encheu-se de pequenos pontos avermelhados e vivos. Eram os olhos dos lobos.” “Mais adiante ouviu-se o ronco de um urso.”
  35. 35. “O céu aqui era escuro, velado , pesado de silêncio. Nele não se ouvia nenhuma voz nem se via nenhum sinal. Mas foi em frente desse céu fechado e mudo que o Cavaleiro rezou.”
  36. 36. Chegada a casa E foi pensando neles que decidiu rezar a oração dos anjos. “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” Então e como que por milagre na massa escura dos arvoredos começou ao longe a crescer uma pequena claridade.– Deve ser uma fogueira – a minha reza foi ouvida. A luz crescia à medida que se aproximava. Agora toda a floresta se iluminava. - Que maravilhosa fogueira, pensou o cavaleiro, nunca vi uma fogueira tão bela. Mas, quando chegou em frente da claridade, viu que esta não era uma fogueira, pois tinha chegado a casa e a claridade provinha do grande pinheiro que ficava frente a esta, a maior árvore da floresta e que estava coberta de luzes porque os anjos do Natal a tinham enfeitado com dezenas de pequenas estrelas para guiar o cavaleiro.
  37. 37. “E é por isso que na noite de Natal se enfeitam os pinheiros.”
  38. 38. Itinerário

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