Geomorfologia

3,396 views

Published on

Relevo, mecanismos de formação e destruição de relevo, classificação morfoclimática de Jurandyr Ross

0 Comments
3 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
3,396
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
3
Actions
Shares
0
Downloads
124
Comments
0
Likes
3
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Geomorfologia

  1. 1. RELEVOS PREDOMINANTEMENTE CONSTRUTIVOSO relevo é de um modo geral, fruto da ação contínua de duas forças: endógenas (de natureza geológica) eexógenas (de natureza climática). Em formas de relevo mais jovens as forças endógenas predominamlargamente, como as que se procurará mostrar abaixo. A origem destas forças endógenas são os movimentos domanto _correntes de convecção_ conforme se pode ver abaixo: Esses movimentos acabam cindindo a crosta terrestre, que é dividida em placas tectônicas, as quais porsua vez servem de assoalho para os oceanos e dão forma aos continentes. Como estas são movimentadas pelotectonismo, as formas de continentes e oceanos estão em uma muito lenta, mas constante transformação. Nasáreas de encontro destas placas tectônicas têm-se uma série de fenômenos geológicos construtores de relevo:dobramentos, falhamentos, rifts, horsts, grabens, arcos insulares e vulcões.
  2. 2. Entre estes movimentos formadores um dos mais significativos é a subducção, que ocorre quando uma placatectônica oceânica, mais pesada e composta de basaltos, entra sob uma placa continental, feita de material maisleve [granitos]. Tal movimento fornece energia para os mais fortes terremotos que já existiram, são responsáveispelo maior arco vulcânico do mundo (o Círculo de Fogo do Pacífico), pelas mais profundas fossas oceânicas epela formação da maior das cordilheiras, a dos Andes.A subducção porém, é só um dos resultados de movimentos tectônicos convergentes, sendo o outro a colisãocontinental, na qual duas placas continentais convergem, eliminando o oceano entre elas e, num segundomomento, formando arcos montanhosos muito altos, como o Himalaia, que resulta da colisão entre as placaseuro-asiática e indo-australiana, além de terremotos.Dos movimentos divergentes, o mais comum é a obducção, que produz falhamentos e termina por separarcontinente, criando, além de falhas, vulcões, rifts, lagos, mares e finalmente, oceanos:
  3. 3. Durante o processo de cisão continental e formação de oceanos, formam-se os rifts, dos quais o mais digno dedestaque é o grande Vale do Rift africando, resultado de um falhamento que acabará por cindir a áfrica,partindo-a em dois e que criou, além de grandes vulcões como os montes Kenya e Kilimandjaro, enormes emuito profundos lagos tectônicos, como o Niassa e o Tanganica:Ato contínuo, quando a África finalmente se cindir surgirá uma dorsal oceânica, ciomo a mostrada logio abaixo
  4. 4. (“corteza” é crosta, em castelhano): O mapa abaixo, do relevo submarino, mostra dorsais no meio de quase todos os oceanos. Estas dorsaissão verdadeiras cordilheiras submersas que não raro são tão altas que acabam por emergir, formando ilhas comoa Islândia e arquipélagos, como o de Açores.
  5. 5. Aliás, em função sobretudo das descobertas do Pré-sal, o relevo submarino vem crescendo emimportância nos vestibulares. Portanto, evite a rebeldia e olhe com bastante cuidado a nomenclatura do relevo oceânico, pode ser quecaia e pode ser que você precise sabê-la!
  6. 6. Outro tipo de movimento tectônico é o tangencial, pelo qual duas placas deslizam uma ao lado da outra, namesma direção mas em sentido contrário.Este tipo de processo conduz a falhamentos como o encontrado na Falha de San Andreas, na Califórnia,provocado pelo deslizamento para o noroeste da placa Juan de Fuca, que segue deslizando ao lado da placaNorteamericana, que segue para o oeste.
  7. 7. Em relação aos movimentos convergentes o resultado deles vai depender em grande medida do tipo derocha que converge: rochas cristalinas que, por definição, têm pouca ou nenhuma plasticidade, não se dobram,dando origem a dois tipos de estruturas: horsts e grabens:
  8. 8. Já se as rochas forem plásticas, teremos a formação de dobramentos, responsáveis pela formação degrandes arcos montanhosos, como se pode ver abaixo: Reparem que, como se trata de rochas mais plásticas, as rochas não “quebram” como nas falhas,produzindo horsts e grabens, mas ao contrário se dobram, produzindo sinclinais e anticlinais, que podem serbem observadas nas imagens abaixo: Os vulcões, que dissipam energia tectônica na forma de calor, libera não apenas magma, mas tambémgases, sobretudo CO2, SO2 e H2O. Tais gases _sobretudo os dois primeiros_ interferem não apenas noambiente, como até mesmo no clima global. O primeiro é reconhecidamente um gaz indutor de efeito estufa, aopasso que o segundo provoca desde chuva ácida em um nível regional _ caso seja lançado na troposfera_ até,em conjunto com outros aerossóis, promover redução das temperaturas globais (e consequentemente, secas).Além disso, alguns vulcões estão muito próximos a grandes cidades, como é o caso da Cidade do México(Popocatepetl), Nápoles (Vesúvio) e Tóquio (Fuji). Recentemente a explosão de vulcões na Islândia e no Chiletiveram grande efeito sobre a aviação, chegando a impedir que ela fosse possível em voos sobre a EuropaOcidental e o sul da América do Sul, respectivamente.
  9. 9. HOT SPOT Hot Spot: pontos de anomalia termal no interior da terra, ligados a sistemas de convecção do manto eresponsáveis pelo vulcanismo que ocorre no interior de placas tectônicas. Podem formar desde super vulcões,como o de Yellowstone, nos EUA até arcos de ilhas, como o Havaí e as Galápagos.
  10. 10. KARST Carste ou Carso ou ainda Karst, também conhecido como relevo cárstico ou sistema cárstico, é um tipode relevo geológico caracterizado pela dissolução química (corrosão) das rochas, que leva ao aparecimento deuma série de características físicas, tais como cavernas, dolinas, vales secos, vales cegos, cones cársticos, riossubterrâneos, canhões fluviocársicos, paredões rochosos expostos e lapiás. O relevo cárstico ocorrepredominantemente em terrenos constituídos de rocha calcária, mas também pode ocorrer em outros tipos derochas carbonáticas, como o mármore e rochas dolomíticas.
  11. 11. RELEVO BRASILEIRO Uma das primeiras classificações feitas no Brasil sobre o relevo do país começou a ser produzida nos anos 1940 pelogeógrafo e geomorfólogo brasileiro Aroldo de Azevedo. Professor da USP, Aroldo publicou seu trabalho em 1949. Aclassificação baseava-se no critério da altimetria que dividia o Brasil em planícies, áreas de até 200 metros de altitude, eplanaltos, áreas superiores a 200 metros de altitude. Aroldo baseou seu trabalho nas informações produzidas sobre o território até então e em trabalhos de campo ondepartiu para a observação direta do relevo. Ele dividiu o Brasil em quatro planaltos e quatro planícies. Os planaltos são:Planalto das Guianas, Planalto Atlântico, Planalto Central e Planalto Meridional As planícies são: Planície Amazônica, Planície do Pantanal, Planície Costeira, Planície do Pampa ou GaúchaVeja o mapa com a classificação de relevo de Aroldo de Azevedo: No final dos anos 1950 surgiu uma nova classificação de relevo para o Brasil, elaborada pelo geógrafo egeomorfólogo Aziz Nacib AbSáber. Também professor da USP, AbSáber elaborou uma classificação mais complexa do que ade seu antecessor. Introduziu a abordagem morfoclimática, que considera os efeitos do clima sobre o relevo. Identificam-se sete planaltos e três planíciesna classificação de Aziz. Os planaltos são: Planalto das Guianas, Planalto Central, PlanaltoMeridional, Planalto Nordestino, Planalto do Maranhão-Piauí, Planalto Uruguaio Sul-Riograndense e Serras e Planaltos doLeste e Sudeste; As planícies são: Planície Amazônica, Planície do Pantanal e Planície Costeira.
  12. 12. Veja o mapa com a classificação de relevo de Aziz AbSáber: Em 1989 foi divulgada a nova classificação de relevos do Brasil elaborada pelo professor Jurandyr Ross, doLaboratório de Geomorfologia do Departamento de Geografia da USP. Ele usou no seu trabalho os dados produzidospeloProjeto Radam Brasil. Esse projeto, que restringia-se ao mapeamento por radar da Amazônia, foi ampliado para todo o Brasil em 1975.No levantamento dos dados foi utilizado o avião Caravelle que sobrevoou o país a uma altitude média de 12 km e a umavelocidade média de 690 Km/h. O professor Jurandyr Ross fez parte da equipe do Radam Brasil.A nova classificação, com 28 unidades de relevo, considerou, além das características morfoestruturais (estruturasgeológicas) e morfoclimáticas, as características morfoesculturais do relevo, ou seja, a ação dos agentes externos. Eintroduz o conceito de depressão, inexistente nas classificações anteriores. As depressões são formas de relevo que apresentam altitudes mais baixas do que as existentes ao redor, já queelas circundam planaltos. Nas áreas de contato entre os planaltos e as depressões, costumam surgir escarpas quaseverticais, demonstrando o efeito da erosão diferencial. Os sedimentos erodidos constituem a estrutura aplanada dasdepressões enquanto as rochas resistentes à erosão constituem os planaltos. No Brasil, existem 11 depressões e elas sãodivididas, para fins MORFOCLIMÁTICOS (maneira como costumam aparecer nos vestibulares) nos dois gruposa seguir:Depressão Periférica ou Sedimentar: em regiões onde há erosão e sedimentação, mas mais a última que a primeira,normalmente margeando planícies.Depressão Marginal ou Cristalina: em regiões onde há erosão e sedimentação, mas mais a primeira que a última,normalmente margeando planaltos.Os planaltos, segundo a classificação de Jurandyr Ross, correspondem às estruturas que cobrem a maior parte do territórioe são consideradas formas residuais, ou seja, constituídas por rochas que resistiram ao trabalho de erosão, mas que a elaestão submetidas. Do ponto de vista do vestibular, o que interessa é a classificação para fins morfoclimáticos, a saber:Planaltos Escarpados: formados por rochas cristalinas submetidas a erosão fluvial.Planaltos Tabuliformes: formados por rochas muito antigas e desgastadas submetidas a erosão pluvial.Planaltos Mamelonares: estruturas cristalinas antigas, muito intemperizadas, sujeitas a erosão química. Possuem a mesmaforma, ligeiramente arredondada.Planaltos Cuestiformes: Submetidas a duas fases erosivas: uma pluvial (úmida) e outra eólica (seca), que se alternamanualmente.Nas planícies, onde predomina o trabalho de acumulação de sedimentos, as constituições das rochas se diferenciam dosplanaltos e das depressões por serem formadas por sedimentação recente, com origem no Quaternário.
  13. 13. PLANALTOS ESCARPADOS
  14. 14. PLANALTO TABULIFORMEPLANALTO MAMELONAR
  15. 15. PLANALTO CUESTIFORME
  16. 16. PLANÍCIE FLUVIALPLANÍCIE LITORÂNEA
  17. 17. PLANÍCIE LACUSTREDEPRESSÕES
  18. 18. DEPRESSÃO PERIFÉRICADEPRESSÃO MARGINAL

×