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  1. 1. As Transformações da Família no Século XX A Família e o Indivíduo Uma Vida Privada Segundo o Modelo Americano Andressa Basílio, Bruna Quintanilha, Estela Suganuma, Juliana Periscinotto, Letícia Martines, Maíra Roman, Natália do Vale, Pâmela Reis e Pedro Godoy.
  2. 2. Caracterização da sociedade de antes <ul><li>Período estudado: contraste entre a primeira e a segunda metade do século XX. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A família deixou de ter função “pública” para ter função “privada” (fenômeno chamado de privatização da família). </li></ul><ul><li>No século XIX e no início do século XX, na França, a própria arquitetura dos lares fazia com que a vida privada fosse muito mais familiar, e não pessoal. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Enquanto nos lares burgueses eram mais amplos, com um quarto para cada membro da família, os operários e camponeses se aglomeravam em um ou dois cômodos. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>A vida privada era inevitavelmente partilhada entre todos os membros da família. </li></ul><ul><li>Os muros da casa separavam a vida familiar da vida pública, mas dentro deles, o privado era compartilhado pelos membros da casa. </li></ul><ul><li>Na França não existia, por exemplo, o esquema anglo saxão de “bed and breakfast”, então o seio familiar era mais fechado em relação a outras sociedades, impedindo a entrada de estranhos. </li></ul><ul><li>A vida privada ficava confinada nos segredos e em alguns objetos simples de propriedade exclusiva de cada membro da família. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Os grandes confidentes da vida privada individual eram o padre e o notário (a quem eram confiadas estratégias familiares, como casamentos, compra, vendas, etc). </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A noção de intimidade não </li></ul><ul><li>fazia muito sentido. A </li></ul><ul><li>sexualidade não era </li></ul><ul><li>mantida em segredo. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Os banhos eram raros. A maioria das casas não possuía água, por isso as pessoas apenas lavavam com maior freqüência as partes que ficavam expostas: o rosto e as mãos. </li></ul>
  5. 5. Revolução habitacional <ul><li>A partir da década de 1950, a construção de moradias sofre mudanças. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>O governo edita normas para conjuntos habitacionais e imóveis financiados, exigindo que os novos lares seguissem um padrão de conforto. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Com isso, mesmo as casas mais simples, passaram a ter água encanada, aquecimento central e divisão interna, com banheiro, sala, cozinha e quartos separados, um destinado aos pais e outro, ou outros, aos filhos. </li></ul><ul><li>Com a habitação moderna, com vários aposentos, cada membro da família pode se apropriar de um espaço pessoal. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A vida passou a ser dividida em 3 partes distintas: a vida pública (essencialmente profissional), a vida privada familiar e a vida pessoal, ainda mais privada. </li></ul>
  6. 6. A vida privada da vida privada: a individualidade e o controle familiar <ul><li>Só as mudanças no espaço não foram suficientes. Para que a mudança ocorresse, foi necessário haver um “abrandamento” da instituição familiar. </li></ul><ul><li>“ A transformação do espaço teria sido impotente sem a evolução dos costumes.” </li></ul><ul><li>A família exercia controle rigoroso sobre os próprios membros. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>O papel da mulher era exercido dentro do âmbito da família, enquanto o do marido ficava no âmbito externo. </li></ul><ul><li>O marido era o chefe de família; a mulher necessitava de autorização para tudo. Só com as leis de 1965 e 1970, a inferioridade jurídica da mulher desaparece. </li></ul><ul><li>O poder de pai era inquestionável. Durante o tempo livre dos filhos, havia uma vigília em todos os sentidos - relações com outras pessoas, tarefas corriqueiras, escolha da carreira e até correspondências. </li></ul><ul><li>  </li></ul>
  8. 8. Casamento por contrato <ul><li>Os valores familiares eram centrais e os indivíduos eram julgados pelo êxito de sua família e pelo papel que desempenhavam nesse êxito. Isso supunha uma estrutura jurídica forte, mesmo sem a intervenção do tabelião. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>O casamento constituía um contrato duradouro; só poderia ser rompido por sérias razões. Uma lei criada em 1884 admitia rompimento apenas por falta grave de um dos cônjuges. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Os divórcios eram muito raros e normalmente eram as mulheres quem o pediam. Geralmente eram esposas de maridos alcoólatras, adúlteros e que não conseguiam atender às necessidades do lar. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>As desilusões materiais pesavam mais do que as sentimentais. O amor não era condição para o casamento e nem critério para o seu sucesso. A valorização dos aspectos institucionais do casamento mascarava realidades afetivas. </li></ul><ul><li>“ Casar é formar uma dupla”. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Nas classes mais baixas, o casamento por afinidade era mais comum, pois as pessoas não tinham o patrimônio para colocar em risco. </li></ul>
  10. 10. Casamento por amor <ul><li>O “motivo” do casamento começa a mudar a partir da década de 1930. </li></ul><ul><li>Em 1948, 12% dos estudantes são casados. Casar-se antes de possuir uma situação financeira estável é uma grande novidade. Casamentos desse tipo só ocorrem por amor. </li></ul><ul><li>Revistas femininas dão a palavra a médicos e psicólogos que “legitimam” os sentimentos. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Em 1953 palestras são ministradas e mostram o casamento como etapa de um processo de amadurecimento afetivo, que se consuma com a realização do desejo de ter filhos. </li></ul><ul><li>Passa-se a utilizar as expressões “vida de casal”, “problemas de casal”. O amor passa a ser o fundamento do casamento. Não basta a instituição matrimonial para legitimar a sexualidade, também é preciso amor. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>O ato sexual é aceito em uma situação pré-nupcial desde que o casal tenha intenções de levar uma vida a dois. Mães solteiras ainda são reprovadas. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Devido aos acontecimentos de 1968, o feminismo ganha nova repercussão, assim como o movimento pela contracepção. Desenvolve-se o controle de natalidade e são divulgadas as conseqüências trágicas de uma gravidez indesejada. </li></ul><ul><li>O aborto é legalizado (1975) e as mulheres passam a ter direito de dispor de seus corpos. </li></ul><ul><li>A contracepção feminina torna-se mais popular e a sexualidade não está mais ligada diretamente à procriação. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>O casamento passa a ser uma formalidade e não mais uma instituição. </li></ul>
  13. 13. Coabitação juvenil <ul><li>Aumenta o número de casais de jovens que não são casados, mas moram juntos. 50% desses casais são sustentados pelos pais. </li></ul><ul><li>No plano jurídico, uma coabitação comprovada tem o mesmo valor do casamento. </li></ul><ul><li>Os coabitantes temem que o casamento estrague a relação. </li></ul>
  14. 14. Divórcio <ul><li>Em 1975 a lei induz o divórcio por acordo mútuo. Com isso, a freqüência de divórcio nos primeiros anos aumenta consideravelmente. </li></ul><ul><li>Tornam-se frequentes lares de pessoas convictamente solteiras e de famílias com apenas um genitor, além de casos em que as mães são voluntariamente solteiras. </li></ul><ul><li>Os casamentos tornam-se mais raros e mais frágeis. </li></ul>
  15. 15. Educação dos filhos <ul><li>A escola passa a ter funções de educar, substituindo a família. A educação é uma atividade pública. A família faz parte do privado, não é sua função educar. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Atividades que eram responsabilidade das mulheres, até então, são transferidas para instituições públicas, como creches e jardins-de-infância. </li></ul><ul><li>Filhos ganham maior </li></ul><ul><li>autonomia e passam a ter </li></ul><ul><li>amizades extra-familiares. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>Surgem novas formas de pedagogia, pelas quais a natureza da criança deve ser respeitada e não retificada. </li></ul><ul><li>A transferência da educação dos filhos para tais instituições se dá, sobretudo, por causa da ausência dos pais nos lares franceses. </li></ul><ul><li>Até a década de 1950 os pais, lavradores, em geral, trabalhavam em casa. Por causa disto os filhos aprendiam o ofício ensinado pelo pai que delegava tarefas aos filhos. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A influência do pai era determinante para o futuro profissional dos filhos. </li></ul><ul><li>Com o afrouxamento desta estrutura, abre-se espaço para que os laços familiares ficassem menos estreitos, diminuindo a influência paterna sobre as decisões dos filhos. </li></ul><ul><li>  </li></ul>
  17. 17. A mulher na vida privada francesa e americana <ul><li>Concepção americana de tempo aumenta o número de divórcios. Pessoas crêem na possibilidade de recomeçar, existência de “muito tempo pela frente”. “Casamento é um empreendimento sério demais para permitir uma resignação à mediocridade”. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Segregação sexual no padrão americano. Apartheid: iguais, mas separados. </li></ul><ul><li>Franceses tem o culto à mulher. Glorificá-las a fim de colocá-las em seu devido papel, isto é, secundário. </li></ul><ul><li>Americanos vêem a mulher como um parceiro (protagonista? antagonista?) que tem seu papel em constante adaptação. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Tradição francesa tolera traições do marido (que há duas décadas teve que se resignar, segundo o texto, com as ações da esposa). </li></ul><ul><li>Tradição americana condena a traição. </li></ul><ul><li>Para os franceses, adultério &quot;apimentaria&quot; o casamento, para torná-lo suportável. Os americanos, em contrapartida, condenam o adultério, mas casam-se diversas vezes. </li></ul><ul><li>Crescimento das mulheres na população ativa tanto na França quanto nos Estados Unidos. </li></ul><ul><li>  Década de 1980: mulheres americanas menos satisfeitas com a vida familiar que os maridos. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Aumento do número de mulheres como genitores: 3 em cada 10 famílias (2 em cada 10 nos lares de famílias negras). </li></ul><ul><li>Tradição patriarcal gera desconfiança contra a mulher que trabalha. </li></ul><ul><li>Nos meios favorecidos a mulher começa a trabalhar por realização pessoal, sem passar por necessidade financeira. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>“ Aceitação” masculina do trabalho feminino - em 1938: 22%, em 1976: 68%. </li></ul>
  20. 20. <ul><li>Parte da mídia coloca culpa dos problemas da sociedade atual na ausência da mãe no lar. </li></ul><ul><li>Para uma mulher que julga que sua realização pessoal passa pelo seu êxito profissional, o problema da maternidade se coloca em novos termos. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Problema da licença-maternidade e comprometimento da vida profissional tendo dois filhos dentro do período dos 20 aos 30 anos. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Anos 80: a mulher americana quer ganhar em todos os planos: carreira, filhos, lar. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>Possibilidade de ter filhos mais tardiamente. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Mais prudente, a mulher francesa raramente expressa ódio pelo homem e vontade de tomar o seu lugar. Quer preservar as diferenças. </li></ul><ul><li>“ Não queremos que as mulheres tomem esse gosto pelo poder e todos os defeitos </li></ul><ul><li>do homem.” </li></ul><ul><li> Simone de Beauvoir </li></ul>
  22. 22. A sociedade de hoje: individualidade x individualismo <ul><li>O surgimento do capitalismo assinala a consolidação de uma sociedade de indivíduos. </li></ul><ul><li>Como afirma Hobsbawm, com a instauração definitiva de um &quot;modo de ser&quot; burguês, a revolução industrial (inglesa) engoliu a revolução política (francesa). </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Outro aspecto que explica a conversão destes valores sociais em parâmetros individuais e egocêntricos, é o surgimento da propriedade social  e da sociedade salarial. </li></ul>
  23. 23. <ul><li>Postura individual em detrimento do bem estar coletivo. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A individualidade vem da vontade de expressar ou esconder o que se pensa, da necessidade de manter uma identidade particular em meio ao coletivo. </li></ul><ul><li>Segundo Henrique Caetano Nardi, individualidade e individualismo começam a se fundir quando valores como competição e consumismo passam a determinar a importância do sujeito perante a sociedade. </li></ul>
  24. 24. As diferenças entre a sociedade norte-americana e a francesa <ul><li>O americano vale-se da iniciativa própria, a França conta com o poder público </li></ul><ul><li>Para o americano e para os ocidentais em geral, individualismo tem a ver com dinheiro, investimento, lucro. </li></ul><ul><li>Para o francês ser individualista é, sobretudo a luta do indivíduo contra a sociedade e contra o Estado. </li></ul>
  25. 25. Competição <ul><li>O bem estar coletivo e a sociedade igualitária vão se esvaindo em detrimento de novas concepções de vida: a lógica é &quot;que vença o melhor”. </li></ul><ul><li>O sujeito passa a ser valorizado por seus bens e não por seu caráter ou conhecimento. </li></ul><ul><li>Para os norte-americanos tempo é dinheiro. O americano vive no presente e se projeta constantemente para o futuro. Imaginário mais prospectivo do que retrospectivo. </li></ul><ul><li>Os franceses não possuem qualquer mecanismo de planejamento de tempo. Tentam parecer ocupados para que não tenham muito que fazer. </li></ul>
  26. 26. O culto ao corpo <ul><li>No começo do século XX, o corpo se resumia à força física, vigor e resistência para os operários e roupas vistosas e perfumadas para a burguesia. </li></ul><ul><li>Uma nova relação com o corpo surge no entreguerras. A burguesia não quer roupas que aprisionam o corpo, surgem modelos macios que deixavam o corpo livre e mais à mostra. </li></ul><ul><li>Homens deixaram de usar colarinhos duros e chapéus rígidos e as mulheres trocaram os corpetes e cintas por calcinhas e sutiãns. </li></ul>
  27. 27. <ul><li>Os novos tecidos revelam o desenho do corpo. Surge a preocupação com o corpo e a vontade das mulheres de se manterem sedutoras: </li></ul><ul><li>- Revistas femininas com seções de ginásticas diárias. </li></ul><ul><li>- Alimentações mais saudáveis </li></ul><ul><li>- Maquiagem deixa de ser “coisa de prostituta”. </li></ul><ul><li>A nova preocupação com a estética feminina impulsionou a publicidade e lançou as bases da sociedade consumista. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>As práticas esportivas passaram a ser constantes entre homens e mulheres. Sportwear torna-se um traje comum e fashion. </li></ul><ul><li>  </li></ul>
  28. 28. <ul><li>O corpo torna-se a identidade pessoal e se confunde com a personalidade. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>“ Continuar a ser o que é” adquire o significado de “continuar a ser jovem”. Cirurgias estéticas são cada vez mais comuns. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>A morte deixou de parecer natural se não chega na idade certa. Cuidar do corpo e protegê-lo das doenças se tornam uma preocupação central na vida privada. </li></ul><ul><li>Em 1930, a França cria um Ministério da Saúde Pública. As vacinas tornam-se obrigatórias, bem como exames pré-nupciais para noivos </li></ul><ul><li>O cuidado com o corpo escapa à esfera privada e passa para a mãos das instituições públicas. “O Estado fiscaliza, proíbe e torna a medicina acessível para toda a população.” </li></ul>
  29. 29. O esteticismo moral dos novos tempos: o papel da mídia <ul><li>Com o consumismo e o individualismo em alta, as relações sociais passam a ser pautadas pelos estereótipos. </li></ul><ul><li>A mídia passa a lançar modas e tendências, baseada no modelo norte-americano e valores como educação, casamento e família ganham caráter periférico. </li></ul><ul><li>O padrão de felicidade deixa a esfera moral e entra no mundo das aparências. </li></ul><ul><li>O belo das artes plásticas se converte no ideal de beleza estético que passa a moldar valores éticos na sociedade moderna. </li></ul>
  30. 30. <ul><li>Ao mesmo tempo em que executar muitos papéis é sinal de prosperidade e competência, o individuo se sente obrigado a ser bom em tudo para ser aceito. </li></ul><ul><li>Onde fica a liberdade nesse novo contexto? Até que ponto nossas escolhas são realmente fruto da nossa vontade? </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Na nova lógica social da aparência, não é a nossa vontade que vale, são as conveniências que elas representam. </li></ul><ul><li>Esse vazio e a falta de sentido na vida faz com que as pessoas busquem novas maneiras de preencher os vazios, consolidando consumismo. </li></ul><ul><li>Os livros de auto-ajuda profissionais se tornam um fenômeno no setor editorial brasileiro. </li></ul>

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