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Jornalmicrofonia#21

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Entrevista - Ariel: O Invasor de Cérebro. Resenhas: Psicomancia, Corroídos pelo Ódio, Nucleador, Latryna, South America Voice e Sugar Cane. O Espelho dos Deuses do Câmbio Negro HC na coluna E O Vento Levou por Adelvan kenobi.

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Jornalmicrofonia#21

  1. 1. MÚSICA .FILME .HQ .SHOWAno 4 nº 21 João Pessoa, maio 2014 Distribuiçãogratuita Ariel - O Invasor de Cérebro Quanto menos se tem, mais se faz. O menos, raramente, é uma escolha, na maioria das vezes, uma condição. Nessa condição de menos, a criatividade tende a aumentar. Foi numa condição de querer menos, que o punk rock surgiu, pois o mais estava demais! Buscar os três acordes básicos do velho e instigante rock ‘n’ roll, moldou um estilo que, ainda e muito, incomoda o estabilishment. O punk resiste e persiste em dizer não, ao que é ditado como regra. De dizernão, ao que se tenta enfiarguela abaixo todos os dias, de formas diversas. Esse estilo que causa desconforto é co- locado debaixo do tapete, “não se pode dar asas ao punk”, mas ele está aí, para quem quiser ouvir! O nosso entre- vistado desta edição é uma das testemunhas mais impor- tantes de como o punk surgiu no Brasil. Confira a seguir. Fotos:OlgaCosta numa turma... todo mundo andava, com outro tipo de roupa, com calças de tergal, não tinha calça jeans. De- poisdeumtempocalçasjeans,aquinocentro,dacidade comprávamos como se fosse droga. Ficava neguinho na esquina gritando, e quando você queria o produto levavam você num prédio, que você podia pensar que seria roubado. E tinha uma sala onde tava tudo lá, tinha uma costureira que apertava a boca da calça na hora pra ser diferente, isso antes do punk, a gente já era sem saber! No mundo inteiro surgiu ao mesmo tempo! Estou pesquisando muito sobre as bandas de power- pop, mod, bandas de 74/75 que nem sabiam o que era, mas quando surgiu a palavra denominando, todo mundo se identificou. Foi a mesma coisa com a gente. Aconteceu algo semelhante com Sopa d’Osso (RN), nosso entrevistado na edição #12. Ele disse que passou um tempo em Fortaleza e por lá, o movimento surgiu dessa mesma forma... O rock já não dizia mais nada pra gente! Bandas como Led Zeppelin, Deep Purple eram monstros, nunca iamos tocar como esses caras! Ou vou ter que entrar num conservatório e ficar a minha juventude inteira aprendendo a tocar. Esse rock não dava pra dançar, não rolava mais uma energia. Essa nova juventude foi buscar no rock and roll dos anos 50, onde tinha algo de empolgante, de pegar três acordes e tocar de qual- quer forma! Foda-se, vou me expressar! E aqui em São Paulo, algo particular da Vila Carolina era que o pessoal escrevia muito, escrevia demais, tinha muito texto e a gente transformou tudo isso em música. Você lembra qual foi a sua primeira composição no Resto de Nada? Rebeldia Incontida. Eu entrei na banda por causa disso, porque eu ficava nos bares declamando os meus poemas. A gente trocava muito isso. Dou- glas já era musical desde que nasceu, o pai dele tocava sanfona. Ele era apaixonado por música e tanto que depois se formou em música. Quando ele começou a compor, só foi lapidar os textos e fazer as músicas! As letras, muitas vezes, surgiram antes. Douglas faleceu em fevereiro de 2013... Douglas estava meio afastado. Dava aula no final de semana. A gente ficava puxando ele. E dissemos: ô Douglas, vamos pegar esse ano e fazer uns shows para comemorar. E a gente já tinha vários lugares para to- car. Na terca feira fizemos uma reunião para falar dis- so. Na sexta ele liga, dizendo que estava sentindo uma dor no braço, fizeram uns exames, não deu nada. No sábado ele voltou com a mesma dor, passaram uns re- médios e no domingo ele morreu, um ataque do cora- ção fulminante. A gente tinha conversado na terça fei- ra! Estávamos super empolgados, sabe... o batera do Invasores de Cérebro, ia ficar uns quatro ou cinco me- ses em Londres fazendo um curso, estava tudo certo... E o que aconteceu com o Resto de Nada? Então... sai o Clemente, sai o Charles (que faleceu recentemente). Daí a gente pegou outras pessoas, mas depois o Charles acabou voltando, mas mesmo assim, a gente estava muito disperso, e resolvemos formar o Desequilíbrio. Continuamos a tocar as músicas do Restos de Nada e compor outras. Fi- O que você ouvia antes do punk? Comecei cedo porque com 10 anos eu adorava ouvir rádio. A única informação que tinha de música era do rádio. Não tinha muito disco, não tinha muita coisa, era muito difícil. No começo eu ouvia Steve Won- der, era pop, mas tinha conteúdo, mas logo depois em 1973 comecei a escutar rock’n’roll com Alice Cooper, Black Sabbath, mas depois já não curtia mui- to bandas como Led Zeppelin, Deep Purple. Escutava porque tocava em todo lugar, em toda festinha de rock tocava essas bandas, mas eu ia mais pro lado B mes- mo como Dust( a primeira banda do Marky Ramone), Hawkwind, Captain Beefheart, Captain Beyond. Em 1974/75 veio Stooges, MC5, esse som mais pesado mesmo... Pra curtir rock aqui na quebrada... aqui onde eu moro é Vila Palmeira, do outro lado da avenida ali, é a Vila Carolina, aqui é onde começou uma cena de um monte de gente. Então, curtir rock aqui era muito foda, a gente vivia em boteco, era a única opção. A única forma de laser, fora isso, era um campinho de terra pra jogar bola. A gente começou a usar droga ali, a brigar, a fazer truques... era essa juventude que era o punk, porque o punk era a forma mais baixa de música e de jovem mesmo, era o cara que não tinha opção. Qual foi o teu gatilho pro punk? Isso tudo! Isso foi na fase pré-punk e quando foi que você percebeu que era punk mesmo? A gente já curtia esse tipo de som, já andávamos junto
  2. 2. MICROFONIA2 EXPEDIENTE Editores: Adriano Stevenson (DRT - 3401) Olga Costa (DRT - 60/85) Colaboradores: Josival Fonseca/Beto L./Erivan Silva/Adelvan Kenobi/Elmon Palmeira Fotos/Editoração:Olga Costa Ilustração:Josival Fonseca Revisão: Juliene Paiva Osias E-mail:jornalmicrofonia@gmail.com Facebook.com/jornalmicrofonia Twitter:@jmicrofonia Tiragem:5.000 exemplares Todos os textos dos nossos colaboradores são as- sinados e não necessariamente refletem a opinião da redação. camos um ano, em 1981 eu entrei no Inocentes Vocês chegaram a gravar algum material com o Desequilíbrio? Não. Tinha umas fitas de ensaio, que o Fabião (Olho Seco) queria lançar, mas acabou não dando em nada... mas tem uns ensaios interessantes... Deu para aproveitar alguma música do De- sequilíbrio para o Invasores de Cérebro? Não.Agente tocava alguma coisa do Restos de Nada, mas nem estamos tocando mais. A morte do Douglas abalou demais, foi foda. O Douglas foi muito impor- tante! Foi ele que começou tudo. Ele ensinou muito gente a tocar... sempre fomos muito próximos... E daí começou Inocentes... você foi convidado? Fui. Mauricinho tinha saído e teve um som em Campinas e quando chegamos lá, parecia um circo chegando. Os caras da janela aplaudindo (risos). Cantei umas quatro músicas com eles. Depois os caras queriam ser rock paulista, comecei a tretar e me mandaram embora. Eles queriam tocar nas ca- sas da moda, fazer sucesso, mudar as letras, ado- cicar mais. Aí eu falei não! Somos reconhecidos por causa disso, pela nossa radicalidade (25:42) Diz a lenda, que a música Ele Disse Não é para você, é verdade? Eu não sei. Sempre pensei que era pra mim, mas nunca perguntei pro Clemente. Teve um hiato do Inocentes para Invasores, não teve? Foi. Acho que foi do movimento todo. Os Inocentes chegou a acabar. Foi no Natal, chegaram e pintaram o Clemente com um extintor de incêndio, o negão ficou branco, chamaram de traidor, mas depois eles voltaram e lançaram Pânico em SP. Eu não estava nesse dia, estava preso. Foi no natal, estava na boca do lixo, a gente foi fumar um e chegou uns caras da policia dizendo que estávamos roubando os carros. Mó visual de punk não vai tá roubando carro, velho! Ia ser identificado por qualquer um! Putz. Minha saída foi traumática, passei um tempo sem falar com o Cle- mente... ele queria o rock paulista. Quem começou a produzir eles foi o Branco Mello. Aí rola um negócio interessante - Os Titãs foram buscar a essência de nós, aqui na periferia. E só a gente tinha, aprendemos na raça. A gente aprendeu do nosso jeito, da nossa forma e com nossa poesia e era algo da rua, que os caras não tinham. E depois os Titã lançaram Cabeça de Dinossauro que é um cópia, chupada das músi- cas dos Inocentes da época e fizeram um puta disco! A relação dos meios de comunicação e o movi- mento Punk sempre foi conturbada, como anda essa relação hoje? Depois do festival Começo do Fim do Mundo, final de 1982. Em 1983 já estavam vindo de pau pra cima da gente. A imprensa, a polícia, não se podia sair na rua de visual porque era ridicularizado, apanhava e era preso toda hora! Se usasse rebite então!(que hoje é moda e todo mundo usa). No programa da Regina Casé tava falando de punk dia desses, dizendo que “o punk surgiu numa butique da Vivianne Westwood e Malcolm McLaren, portanto, punk é isso mesmo, é moda, sem isso o punk não teria existido”. Aí começou um monte de gente com moicano falso, umas roupas idiotas e ela com uma jaqueta cheia de rebites e eu pensei: é o fim do mundo! (risos). Depois de 1983 o Fantástico veio e fez uma matéria que aca- bou com o punk. Muita gente foi presa, muitos foram mandados embora de casa, do trabalho, tratavam a gente como lixo. Foi uma caça às bruxas! Nesse período de 83 a 88 não aconteceu nada em São Paulo. As bandas que tinham sobrado eram Cólera, Inocen- tes e Ratos de Porão. Ratos tinha virado metal, Cólera não tocava mais na cidade, tocava só no interior e outros estados e Inocentes também. Garotos Podres era careca, skin, era outra coisa. Só tinha as casas no- turnas, Madame Satã, Rose Bombom, Vitória Pub... Nessa época teve muita treta com os carecas... Essa época foi a que mais teve treta! Aqui em São Paulo tinha dezenas de gangues e os carecas era uma gangue a mais, porque cansaram de apanhar dos punks e formaram uma gangue para se de- fender dos punks e depois de um tempo começou a ideologia, a doutrinação e viraram nazistas. Fui obrigado a mudar de casa umas duas vezes, eles viam atrás da gente. Era terrorismo, cara! Você falou que escrevia poesias, ia pro bar... a Thina Curtis mandou pra gente alguns Cadernos da Sarjeta, o movimento tinha a ver com zine? Era aleatório. A gente pegava poesias de pessoas que estavam perdidas numa gaveta, sem nenhum crité- rio. Não era só os punks, era uma coletânea, tinha o pessoal do gótico que tava também. Isso foi nos anos 90. Mas penso em retomar, ponho muita coisa no facebook e isso incentivas as pessoas, tem muita gente que escreve e não tem onde mostrar. A internet era tudo que a gente queria. Antigamente se gravava um disco e distribuir? Você conseguia gravar e ficava com uma pilha de discos em casa. Não é uma opção ser punk, não é uma opção ser desse jeito, tocar com 3 acordes, sabe? É uma condição! Quando se conseguia uma guitarrinha tonante, que desafinava a toda hora, era algo de outro mundo! E uma Gianinni então?! O seu processo de compor com Restos de Nada e Invasores de Cérebros mudou? O processo é o mesmo. Às vezes eu venho com um texto, às vezes alguém chega com uma base e vamos encaixando, meio a martelo, mas va- mos encaixando. Eu continuo escrevendo muito. Punk no novo milênio, como é que está? Confuso, muito confuso! Não estou entendendo muita coisa, sabe? É o que falei, a gente quando começou, não tinha um formato, a gente formou, criou e não tínhamos referência de punk. No Res- tos de Nada as músicas não tinham referência de punk, a referência era daquele rock maldito, mas já eram punk, assim como as músicas de muitas bandas lá de fora. Em 1979 falaram que o punk acabou quando morreu o Sid Vicious, daí veio o grito do Exploited com Punks Not Dead e hoje em dia tem diversos estilos, dentro do punk, pra mim ta muito confuso, se perde um pouco da essência. E para mim, não é só mais uma cena, são várias! E o punk no Brasil? Começou em Brasília? (risos) Em 1968, o Índio (Condutores de Cadáveres/ Hino Mortal), e mais velho que a gente, nessa época ele já curtia som. Eu tinha uns 8 anos e ele uns 14. Ele tinha um primo que morava em Detroit que mandava fita cassete dos Stooges e ele passava pra gente. O cunhado do Douglas na época conse- guia alguns discos, então quando eles vieram fa- lar em Ramones, a gente já tava cansado de ouvir música muito mais fudida. Vocês conhecem o livro Dias de Luta? Uma porcaria! Tem umas informa- ções truncadas, o cara viaja, fala umas merdas... Você estava lá... Até falei pro meu filho: leva de volta essa merda que eu não quero ler mais não! Só aqui nesse bairro tinha uns 50 punks que anda- vam num puta visual, com jaqueta de couro, coturno, saiam todos juntos, pegavam um busão (não paga- vam) pro centro, pra ouvir esse tipo de rock e essa coisa nova que vinha! Isso é palhaçada! Dinho Ouro Preto, punk? Renato Russo, punk? Com florzinha EDITORIAL A falta de condições define como você se porta: lamenta e chora ou serra os punhos e parte para o ataque. Recente- mente assisti uma banda aqui em Jampa e notei a quantidade de pedal do guitar- rista. Logo percebi que se 70% do que ele tinha fosse dispensado, o som seria a mesma coisa e vou mais longe, seria melhor! É a máxima: “muito pedal pra pouco efeito”. A vida é assim também - um feng shui , para reorganizar espaço e energia, onde excessos cobrem o apre- ço, se faz necessário vez ou outra. Ariel, participante e testemunha ocular, de um movimento que cortou o orçamento que imperava no rock, tem muita história para contar. Turner Clay dirigiu um dos mel- hores filmes de zumbis de 2012, também em condições reduzidas, assim como a pioneira Câmbio Negro HC (PE), dis- secada por Adelvan Kenobi. Boa leitura! e cantando música italiana? Música rebelde é dife- rente! Ser rebelde é diferente! Por que o toddynho não estava quente como ele queria, ele era revoltado por isso? Por que os pais viajavam muito pelo mun- do todo? Aqui a realidade era outra, é a que estou te falando! O punk para gente foi isso, essa mulecada esperta, malandra que conquistou seu espaço há quase 40 anos. Não adianta falar que acabou, porque a gente vê os moleques nos shows na empolgação e dizendo que nós influenciamos eles. É isso que vale a pena continuar, é a minha forma de expressão.
  3. 3. MICROFONIA 3 Enquanto isso, fora da redação... LATRYNA– FLORES, BOMBAS E TERROR EPCD-R (2012) Quando se falava em Salvador, Bahia, pensava-se logo – axé music, mas a coisa mudou arduamente, não apenas lá, assim como em várias capitais do país, a exemplo da Latrina – uma banda que despeja um punk rock/hardcore falando de todas as náuseas e flagelações que acontece em nossas terras brasilis. O CD é bem gravado, com baixo, guitarra e bateria numa tamboza- da só! Nota-se boas influências musicais no trabalho. O vocal de Jessica é muito forte, se você não conseguir escutar, estará com sérios problemas! O bom é que, mesmo não tendo as letras, o que uma uma lástima, você entende tudo o que ela canta/esbraveja. A capa é em formato envelope, bem legal. A formação desse EP conta com Jessica Melo (voz), Cleber de Almeida (bateria/voz), Michael Aquino e Danilo Costa (guitarra) e Henrique Mota (baixo). Músicas de destaque: Tambor de Guerra, Flores, Bombas e Terror e Ditocracia. B.L. Contato: soundcloud.com/latryna-punkrock NUCLEADOR – UNITED BY THE TOXIC EP CD-R (2014) Se você for contar quantas bandas de trash existem no nordeste, você fica louco e não consegue! O importante não é a quantidade e sim a qualidade. E é o que ouvimos nesse EP do Nucleador. Com apenas cinco músi- cas, você tem idéia da qualidade e competência dessa banda. A produção está muito bem feita, tanto a gravação, com muito peso e velocidade, como a capa, com formato envelope e desenho HQ. Só acho que o material deveria ter sido prensado em fábrica. A formação conta com Levi Marques (voz), Tie Resende (baixo), Bruno Petoh (bateria) e Murilo Viana (guitarra). Todas as músicas são destaque! Não é à toa, que Aracaju sempre foi um celeiro de boas bandas, a exemplo de Karne Krua, World Guerrilha e Casca Grossa. B.L. Contato: murillo616@gmail.com El Mariachi CORROÍDOS PELO ÓDIO – S/T EP CD-R (2014) Depois que o hardcore se uniu ao heavy metal, essa bagaça nunca mais foi a mesma! Não poderia ser diferente com os Corroídos pelo Ódio, que conta com Jean (vocal), Gabriel (bateria), Deimission (baixo) e Alcides (gui- tarra), que também faz parte de outra boa banda de Recife, Nação Corrompida. O CD não precisa nem dizer que está bem gravado, gui- tarras rápidas a la trash, baixo na mesma levada e bateria muito bem executada. Por sinal, já vi o Gabriel num show e posso dizer que a pancada é a mesma ao vivo! O vocal é limpo e agressivo dando equilíbrio ao som da banda. A capa do CD é formato envelope duplo, com um desenho que representa toda a imagem de nosso políticos: ladrões, miseráveis, calhordas e escrotos! Músicas de destques: Um In- ferno Chamado Terra, Sangue Vermelho, O Propósito, A Propósito e o bônus track Mundo Paralelo. B.L. Contato: cpohcpe@outlook.com SOUTH AMERICANVOICE – BEM VINDO AO NOSSO VELHO MUNDO NOVO CD SP (2014) Certas coisas ficam de- fasadas com o tempo, outras, melhoram igual a vinho e tem ainda aquelas que são essenciais, essa ultima sentença deixo para o ótimo CD lançado pela Bombardeio Distro e a Equivokke. O CD foi inicialmente lançado de forma virtual em 2003, projeto do então guitarrista Zé Flavio. A ideia do South American Voice era lançar CDs com vocalistas diferentes, inclusive de outros países, no entanto, o projeto não foi adiante. Neste trabalho reuniu gente do quilate de João Gordo (RDP), Gepeto (Ação Direta), Prandini (Paura), Fernando (Sociedade Armada) e o próprio Zé Flavio (Sociedade Armada, Volcano, Psichic Possesssor, Safari Hamburguers) tocando baixo e guitarra. Onze anos depois, o vocalista do Ação Direta, Paulo Gepeto, ainda tinha a master do CD em sua gaveta, lançou o clássico e correu pro abraço. Bem Vindo ao Nosso Velho Mundo novo é um daqueles CDs que deve estar junto com o SUB, Ataque Sonoro e Crucificados pelo Sistema na sua estante, garanta o seu. A.S. SUKAR KANE IGNORÂNCIA PLURALÍSTICA CD 2014 (PR) Com 16 anos de estrada o Sugar Kane lança seu sétimo álbum de estúdio. Logo de cara se percebe a intenção do disco composto por 11 músicas. A arte da capa faz referência direta ao Black Flag e Bad Religion. Sendo assim, não podia esperar outra coisa, se não, um som mais rápido. Os dois discos dos curitibanos: “Por nossa paz” (2001) e “A continuidade da máquina” (2003), segue a tendência da época, um hardcocre melódico, bem elaborado com letras construí- das por metáforas. O CD abre com uma porrada, “Vital” é um som cru e direto, com guitarras hardcore anos 90. Destaques para “Fui eu” é o carro chefe do disco, a simplicidade e riffs bem elaborados parecem ditar a regra, e “Surtei” - baterias contidas (hi-hat fecha- do) com guitarras em 3 acordes. Mesmo com simplicidade, a maturidade da banda é clara. Os curitibanos sabem o que estão fazendo. O material tem identidade e maturidade, as letras são contundentes e as músicas são marcantes. Um ótimo disco de punk rock. E.P. PSICOMANCIA - 10 ANOS DE BATALHA. O SONHO NÃO ACABOU CD-R 2012 (RN) As influências americanas são mui- to latentes na cidade de Natal, devido a Segunda Guerra Mundial, a cidade serviu de base para os americanos, tanto que, no bair- ro do Alecrim, existem ruas e avenidas numeradas, como por exemplo a avenida 5 ou a 7 e também a 9, entre muitas outras, do mesmo jeito que existe a 5ª Avenida em Nova York e é bem ai que quero chegar. Psicomancia leva toda a influência e carga das bandas nova-iorquinas, só que com o sotaque nordestino, elevam o conceito de lealdade e perseverança, algo que se percebe no som e na ati- tude da banda, criando uma confraria do NEHC na cidade potiguar. O som, cadenciado com partes rápidas, guitarras sincopadas, vocal audível com backvocals uníssono faria o CBGB estremecer, se ainda existisse. Gembroso (vocal), Mexicano (guitarra), Guilherme (baixo), Alécio (guitarra) e Julio(bateria) são os irmão mais velhos mostrando que a guerra esta só começando. Pode pegar sem medo! A.S.
  4. 4. MICROFONIA4 E O Vento Levou...Zumbilândia Relax He’s My Step DVD (2009) Alonna Red, Gracie Glam, Allie Haze, Andrea Kelly Quando você pensava que já viu de tudo em filmes de zumbi e que, de agora em diante, seria apenas uma variação em cima do que já foi abordado... eis que um filme de baixo custo, filmado num armazém, que curiosamente, tem o mesmo nome do dire- tor, com quatro protagonistas principais e alguns zumbis que correm pra cacete, causa um impacto logo nos primeiros vinte minutos de filme! Por utili- zar um armazém como esconderijo, não dá margem a muita opções de fuga, consequentemente, poucas possibilidades para criar situações dentro de um es- paço limitado. Esse é o grande mérito do filme! É na limitação que se cria e se enxerga saídas que cer- tamente não seriam usadas se estivessem em outro cenário. Turner Clay, que dirigiu poucas películas, acrescenta e até modifica algumas características já inerentes ao universo zumbis. O terror dos zumbis de Clay não se restringe a maquiagem, por exem- plo. O elemento assustador, das poucas criaturas que compõem o elenco dos seres mortos sonâmbu- los, está na postura terrivelmente agressiva e veloz nas abordagens das vítimas, que se destaca ainda mais, dentro de uma paisagem pacata do campo no estado de Kentuky. Além disso, os zumbis não são seres catatônicos, sendo capazes de articular e até convencer os não infectados com seu discurso. O que os denuncia são os olhos vermelhos. Com um bom argumento, o filme, mesmo com atores desconhecidos, segura a atenção até o final.O.C. Câmbio Negro HC, pioneira banda punk/hardcore re- cifense, já tinha 7 anos de formada quando conseguiu gravar e lançar, em 1990, seu primeiro LP, “O Espelho dos deuses”, e também, o primeiro disco de hardcore lançado por uma banda nordestina. Eram outros tem- pos, claro, estávamos no século passado. Tudo era feito na raça. O disco, lançado de forma independente pela banda, sem nenhum suporte de gravadora, foi produzido no Recife e é uma verdadeira pedrada! A potência de sua sonoridade permanece, mesmo quan- do ouvido hoje. É um clássico. Não fosse um produto de “fora do eixo” - de um tempo em que o termo ainda não havia sido apropriado por entidades de procedên- cia e finalidade duvidosa - constaria, sempre, em todas as listas, ao lado de outros clássicos do punk nacional, como discos do Cólera e Crucificados pelo Sistema do Ratos de Porão. RDP é, aliás, a influência mais óbvia, até mesmo pela presença do vocalista Pesado, que não tinha esse apelido por acaso. Seu som era, no entanto, bem mais elaborado, graças, principalmente, à excelência de seus músicos, o guitarrista Pedrito, o baixista Ricardo “Paredes”, e Nino, na bateria. Pesado tinha um vocal bastante característico, potente sem ser gutural ou excessivamente gritado. Nas letras, o de sempre: críticas às principais instituições, como a igreja, o exército, a polícia e a política, mas feitas de forma pensada, inteligente, sem o panfletarismo pueril presente em muitos de seus pares. O disco tem pelo menos dois clássicos absolutos do hardcore nordesti- no, as músicas “Meu Filho” e “A Ordem”. Dois verda- deiros “hits” subterrâneos - quem teve a oportunidade de vê-los ao vivo sabe a catarse que a frase “Evacuem essa área”, berrada a plenos pulmões por Pesado, pro- vocava na audiência. Mas todas as faixas são muito boas. Da “pancada” que abre o disco, Programados pra Morrer, até o final, com Consciência Inválida, passando por momentos antológicos e de forte apelo imagético, como na letra de “Vaticano”, que senten- cia: o vaticano late e o povo levanta as mãos pro céu. Ou em “O Ecologista Morto”, um belíssimo libelo em memória de Chico Mendes - chega a ser arrepiante a intensidade com que seu nome é pronunciado na música, em tom de lamento e, ao mesmo tempo, exal- tação. CN, no entanto, deixou uma herança poderosa que segue viva na memória de todos, personificada nas 14 músicas que integram seu primeiro álbum. A.K. Código Vermelho (State of Emergency) Direção:Turner Clay 2011 A história é basicamente sobre colegiais que não foram bem nas provas e precisam de aulas de re- forço. Claro que, o professores adoram dar aulas para essas garotas. Quem inicia é a Alonna Red, que branca como uma vela, e de pandeiro enorme, faz a caneta do professor estourar! Imagine! De- pois vem a recordista de filmes – Gracie Glam, que vale a pena ver, ela é linda! Típica mulher brasileira: seios pequenos e pandeiro devastador. O filme termina com Andrea Kelly, que apesar de ter cara de menina, ela é uma tigreza, fazendo a régua do professor sumir! Até a próxima! B.L. Atrás da Porta Verde PATROCÍNIO Pode se dizer que este filme é uma fábrica de sexo e fantasia, pois são seis episódios onde se vê tudo o que você imaginar, como uma mulher chegando em casa e se deparando com um assaltante, onde ele é o seu próprio marido; ou então, duas garotas, que ao fugir do presídio, invadem uma casa e encontram um casal tentando transar e num ato de muita fúria, uma pega o rapaz e a outra fica com a moça. O filme conta com as participações de Christy Canyon e Ja- mie Gillis no auge de suas belezas, e também, com a brasileira Elle Rio, que naquela época já represen- tava nosso país lá fora, que maravilha! As outras cenas cabem a vocês descobrirem, pois um filme erótico é tudo o que as novelas não mostram! B.L. Wild Things (1984) Direção de Alex De Renzy com Elle Rio

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