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Apostila de didatica

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Apostila de didatica

  1. 1. A ORIGEM DA DIDÁTICA. excetuar ninguém em parte alguma, possa ser formada nos estudos, educada nos bons costumes, impregnada de piedade, e, COMO SURGIU A DIDÁTICA? desta maneira, possa ser, nos anos da puberdade, instruída em tudo o que diz respeito à vida presente e à futura, com economia de As primeiras idéias a respeito da Didática surgiram tempo e de fadiga, com agrado e com solidez (COMÊNIO apudem países da Europa Central. Dois nomes se destacam como os PIMENTA, 2002, p. 43).mais importantes educadores dessa época: Ratíquio e Comênio.Segundo Comênio, o método de ensino deve seguir alguns passos DIDÁTICA COMENIANAimportantes: Princípio da Didática comeniana: O fundamento • Ensinar tudo o que se deve saber; dá-se na própria natureza. Perfeita, como criação divina, ela fornece mostrar a aplicação prática de tudo o que é ensinado; explicar em seu processo evolutivo as bases para o ensino, no qual é de maneira direta e clara; ensinar a verdadeira natureza das preciso: Partir do simples para o complexo; desenvolver cada etapa coisas, partindo de suas causas; explicar primeiro os a seu tempo; partir da crença de que todo fruto amadurece, mas princípios gerais; ensinar as coisas em seu devido tempo; precisa de condições adequadas. persistir em um assunto até sua perfeita compreensão; dar a devida importância às diferenças que existem entre as coisas. DIDÁTICA GERAL Comênio escreveu uma obra importantíssima e Disciplina de Núcleo Comum sua verdade émarcante para a história da Didática: a Didática Magna que possuía demonstrada com exemplos paralelos das artes mecânicas:um caráter revolucionário e pautava-se por ideais ético-religiosos. criações do homem com base no funcionamento da natureza. O curso dos estudos é distribuído por anos, meses, dias e horas; e, Neste documento, foi desenvolvido um método por fim, é indicado um caminho fácil e seguro para pôr em práticaúnico para ensinar tudo a todos. Comênio preocupava-se essas coisas com bom resultado (COMÊNIO apud PIMENTA 2002,especialmente com o ato de ler e de escrever, começando pela p. 43). Segundo Castro (1991, p. 16), “tem-se notícias delíngua materna, em uma época em que predominava o latim. Esse experiências educacionais realizadas conforme os princípiosensino deveria ser destinado a todos, sem a intervenção da Igreja expostos, embora nem todas tivessem tido sucesso”.Católica, que, a esta altura, já tinha instalado seu projetoeducacional para a educação de jovens e adultos, por intermédio da Um pouco mais tarde, no século XVIII, apareceCompanhia de Jesus, com a obra Ratio atque Institutioni Studiorum Rousseau o autor da segunda revolução da didática. Ele não(Método Pedagógico dos Jesuítas). Mas, qual a idéia de Didática colocou a didática em prática, nem organizou métodos. No entanto,para Comênio? sua obra chamada Emílio tornou-se manifesto do novo pensamento Um processo seguro e excelente de instituir, em pedagógico e assim permanece até nossos dias. Nessa obra,todas as comunidades de qualquer reino cristão, cidades, aldeias, Rousseau pretendeu provar que é bom tudo o que sai das mãos doescolas tais que toda a juventude de um e de outro sexo, sem criador da Natureza e que tudo degenera nas mãos do homem. 1
  2. 2. Pregou que à criança deveria ser dada a possibilidade de um de ensinar baseados na atividade do aprendiz. Formulado com basedesenvolvimento livre e espontâneo. O primeiro livro de leitura nas contribuições de Pestalozzi (1749-1827), do alemãodeveria ser Robinson Crusoé, considerado um tratado de educação Kerschensteiner (1854-1932) e do francês Decroly (1871-1932),natural. A educação deveria ser a própria vida da criança. A obra de autores europeus cujas idéias conviviam com a época em que aRousseau deu origem a um novo conceito de infância – criança passava a ser valorizada no bojo do desenvolvimentoressaltando-a e transformando o método de ensinar em um industrial e da expansão da escolaridade pública, considerada estaprocedimento natural, que deveria ser exercido sem pressa. como direito e, ao mesmo tempo, requisito para a formação de mão A valorização da infância aguardou mais de um de obra do nascente capitalismo. Esse movimento expande-se comséculo para concretizar-se. Podemos dizer que Comênio, ao seguir as idéias da médica italiana Maria Montessori (1870-1952) e doas pegadas da natureza, pensava em domar as paixões das filósofo americano John Dewey (1870-1952), que teve por discípulocrianças, enquanto Rousseau partiu da idéia da bondade do Anísio Teixeira (1900-1972), principal responsável pela formulaçãohomem, corrompido pela sociedade (CASTRO 1991). e expansão desse movimento no Brasil (PIMENTA, 2002, p. 44, No século seguinte, Herbart, desejando ser o grifo nosso).criador da Pedagogia Científica defendeu a educação pela O movimento escolanovista muda o aspecto dainstrução, criando os passos formais da aprendizagem: clareza (na Didática, enfatizando o aluno como agente ativo da aprendizagem eexposição); associação (dos conhecimentos novos com os valorizando os métodos que respeitassem a natureza da criançaanteriores); sistematização; método. que a motivassem e a estimulassem a crescer. No entanto, Saviani (1992) faz uma crítica à Escola Nova, ressaltando que quanto mais Mais tarde, esses passos receberam nova divisão: se falou em democracia no interior da escola, menos ela estevePreparação (da aula e da classe: motivação); apresentação; articulada com a construção de uma ordem democrática. Segundo oassimilação, generalização e aplicação (dos conhecimentos autor, ao formular sistemas de ensino, a burguesia colocou aadquiridos). escolarização como uma das condições para a consolidação da Com essa didática, Herbart enfatizou o papel do ordem democrática.professor no processo de ensino. Como você pôde constatar,Rousseau ressaltava a criança, o aluno, como o sujeito que COMO ERA VISTA A DIDÁTICA?aprende; já Herbart, dava importância ao método, que pode serinterpretado como uma retomada ao desejo de um método único Infelizmente, a Didática era considerada comoelaborado por Comênio em sua Didática Magna. uma forma de exclusão social. Por quê? Se os alunos aprendem ou Com Rousseau, temos lançadas as bases da não – embora sejam considerados os sujeitos do processo - aEscola Nova, que questiona o método único e a valorização dos responsabilidade não é dos professores, de sua didática, de seusaspectos externos ao sujeito-aprendiz decorrentes de Herbart. métodos, do que ensinam das formas de avaliar e de como sePode-se traduzi-la como: Didática Geral. Disciplina de Núcleo relacionam com os alunos, nem das escolas, da forma como estãoComum Movimento que propôs alteração significativa nos métodos organizadas e selecionam seus alunos. Ambos, escolas e 2
  3. 3. professores cumpriam seus papéis. Se os alunos não tinham de ensino.capacidade para aprender, a responsabilidade escapa à escola e Em certos momentos da História, o ensino foiaos professores. entendido como modelagem ou Armazenamento; em outros, como Nesse contexto, no sentido de teoria do ensino, a desenvolvimento ou desabrochamento. Assim, novos modelos deDidática reduziu-se a métodos e a procedimentos compreendidos interpretar o ensino desencadeiam novos nomes para denominá-lo,como aplicação dos conhecimentos científicos e traduzidos em como, por exemplo, direção da aprendizagem; conseqüentemente,técnicas de ensinar. vão surgindo novos adjetivos para a disciplina que dele se ocupa: a Já nos anos 60, com a informática, acentua-se o Didática.surgimento das técnicas e das tecnologias, como o novo paradigma O objeto da Didática é o ensino, visto tanto comodidático. Ou seja, o campo do didático se resumiria ao intenção de produzir aprendizagem e sem delimitação da naturezadesenvolvimento de novas técnicas de ensinar, e o ensino, à do resultado possível, quanto desenvolvimento da capacidade deaplicação delas nas diversas situações. aprender e compreender. Fica fácil entender que, para a Didática Uma nova conceituação de Didática aparece nesse ganhar qualidade, deve estender suas fronteiras rumo à Psicologia,cenário: a ela caberia fornecer aos futuros professores os meios e Sociologia, Política e Filosofia.os instrumentos eficientes para o desenvolvimento e o controle do O itinerário feito do século XVII até nossos diasprocesso de ensinar, tento em vista à maior eficácia nos resultados indicou dois marcos no desenvolvimento histórico da Didática:do ensino. 1° marco: O primeiro objeto de estudo foi o Nesse panorama de processo-produto, não cabe à Método, que correspondia ao modo de agir sobre o educando, masDidática questionar os fins do ensino, uma vez que já estão que recuou quando o aprendiz apareceu como sujeito do processo.previamente definidos pela expectativa que a sociedade 2° marco: No século XIX, o método foi enfatizado,(dominante) tem da escola: preparar para o mercado de trabalho- ressaltando as características o de ordem e seqüência no processocritério para a avaliação do sistema escolar. Essa didática didático antes que a Escola Nova recorresse à Psicologia dainstrumental infiltra fortemente os cursos de licenciatura e passa a criança.ser desejada pelos licenciados, ansiosos por encontrar uma saída No entanto, a Didática está ainda impregnada daúnica – um método, uma técnica – capaz de ensinar a toda e agitação da época e continua sendo objeto de estudo de pesquisasqualquer turma de estudantes, independente de suas condições e exploração. Libanêo (1990) critica o conceito de ensino quandosociais e pessoais (PIMENTA, 2002, p. 47). visto apenas como a transmissão da matéria aos alunos, realização de exercícios repetitivos, memorização de definições e fórmulas. DIDÁTICA: OBJETO DE ESTUDO Segundo o autor, devemos entender o processo de ensino como: O conjunto de atividades organizadas do professor e A partir dos anos 80 e 90, o estudo da Didática dos alunos, visando alcançar determinados resultados (domínio detornou-se mais intenso; e essa discussão nos permitirá conhecimentos e desenvolvimento das capacidades cognitivas),compreender qual é seu objeto no contexto educacional: o processo tendo como ponto de partida o nível atual de conhecimentos, 3
  4. 4. experiências e de desenvolvimento mental dos alunos (LIBÂNEO, ativos, críticos, éticos, participativos, reflexivos, colaborativos e1990, p. 79). conectados com o contexto da atualidade: o entendimento de que a A especificidade do trabalho do professor é educação é um processo que faz parte do conteúdo global dacombinar a atividade didática entre ensino e aprendizagem, sociedade; A compreensão de que a escola é parte integrante domediante o processo de ensino. Para assegurar que o aluno todo social; A visão da prática pedagógica como prática social.aprenda, ou melhor, apreenda, o professor precisa: ter claro osobjetivos de ensino; saber explicar a matéria (tornar acessível ao COMPONETES DA DIDÁTICAaluno); buscar conhecer o que os alunos já sabem sobre o assuntoestudado; motivar o aluno para estudar a matéria nova, ou seja, é Componentes do processo didático são saber,necessário que a matéria tenha significado e utilidade para a vida professor e aluno. Onde o professor tem a função de orientar osdiária dos educandos. Como o professor pode garantir o alunos no processo educativo; o saber, que envolve os conteúdosdesenvolvimento global dos alunos? Ao organizar o processo de ministrados de acordo com o método do professor com a idéia deensino, é preciso articular com clareza os seguintes elementos: facilitar a aprendizagem; e o aluno, motivo da existência da escola.objetivos; conteúdos; métodos e avaliação. O grande desafio do momento: “a superação de O professor não é apenas, professor, ele participauma Didática exclusivamente instrumental e a construção de uma de outros contextos de relações sociais. Assim, de acordo comDidática fundamental” (CANDAU, 1984, p. 21). experiências, o professor possui algumas características de acordo com as funções que exercem: por exemplo, técnica – OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA. conhecimentos para exercício de alguma atividade; Didática – orienta o processo de aprendizagem do aluno; orientadora – A Didática durante certo tempo tinha o ensino estimulo do aluno; facilitadora – trabalha para que o aluno seja ocomo seu objeto de estudo, mas os teóricos ao longo do tempo sujeito e conduza a sua aprendizagem;perceberam através da práxis, que não se poderia estudar só oprocesso de ensino sem levar em consideração a aprendizagem, Então, o enfoque curricular há de ampliar o "que",ou seja, podemos afirmar que se não houve aprendizagem, não o "porque", o "para que" e em que condições há que levar-se ahouve ensino. cabo o ensino, mas, sempre colocando no centro de suas considerações o aluno. Para que estes conteúdos curriculares Ensinar seria guiar, conduzir, o educando a cumpram seus objetivos é necessário uma adequada seleção e usoaprendizagem. Assim, os pressupostos para a formulação de uma acertado das melhores estratégias didáticas, que não poderão serdidática que contribua para a elaboração de uma proposta de independentes do conteúdo, dos objetivos e nem do contexto. Éensino voltada para os professores como mediador do importante para alcançar as metas pretendidas uma estreitaconhecimento, possibilitando ao educando a construção da colaboração entre a elaboração do currículo e a escolha deaprendizagem e formação de sua cidadania, como indivíduos estratégias didáticas. 4
  5. 5. A DIDÁTICA QUE SE ENSINA torna possível que este conheça bem os seus alunos e a própria escola; têm recursos e materiais em profusão e todo um apoio Uma questão a meu ver (CANDAU, 2004) poderá técnico-administrativo para fornecer ao professor os recursos eorientar o “balanço” sobre a didática que se ensina: serviços de que precisam. Entre nós, o professor raramente conta -O que aconteceria aos cursos de formação de com um “serviço de computação”.professores se fosse eliminada a cadeira de didática? - “Os professores de didática pretendem, pois, dar Acredita bastante próxima da verdade a afirmação receitas com ingredientes (importados) que não estão disponíveisde que não aconteceria nada. Ou seja, em nada se modificaria o no mercado”...perfil da prática pedagógica da maioria dos professores. A didática - “Não têm vivência de sala de aula e de escolas,destes cursos é inútil. Os professores entrevistados não souberam nos níveis e com os grupos com que os futuros professores irãocitar nenhum livro ou autor de didática, de que tenham se servido atuar”. Propõem o que nunca aplicaram nas situações e contextospara subsidiar a prática docente. Nem mesmo destacar, algo do que serão os que o futuro professor enfrentará’.conteúdo da disciplina, que lhes tenha sido de valia. Nunca -“A didática está sempre cheia de ‘modismos’:recorreram a tais livros a não ser por ocasião de “concursos trabalho em grupo, ‘criatividade’, objetivos comportamentais,público”. Nenhum soube citar um professor de didática, ou de avaliação de atitudes, etc. Como um professor pode avaliar atitudeslicenciatura, que tivesse marcado sua formação. (referências aos conselhos de classe) se a cada semestre tem 10 Será tudo uma grande inutilidade? ou mais turmas de 400 a 500 alunos”? Será que não houve nenhum progresso na área - “O professor que tentar formular suas provas dehoje, parece-me inegável ter havido um “progresso interno na acordo com os objetivos de Bloom morre de estafa, ou de fome”...área”: há uma significativa melhora na organização dos conteúdos Enfim, os depoimentos orientam - se no sentido deda didática, houve uma ampliação desses conteúdos em relação á questionar o professor de didática ‘ com suas regras e técnicasminha fase de estudante: análise sistêmica, formulação de importadas’ que, no entanto ignoram completamente as condiçõesobjetivos, avaliação, técnicas de trabalho em grupo, etc. Além concretas da prática de nossos professores e da vida da maioriadisso, uma certa “sofisticação científica” da área é indiscutível. dos nossos estudantes. Entretanto, as principais críticas dós entrevistadoscentram-se em: A DIDÁTICA QUE SE USA -Falta aos cursos de didática “pé na realidade”.Ou seja, falta a contextualização ou enraizamento na realidade do - “É a que se aprende ensinando enosso ensino, das nossas escolas e de suas clientelas e nas experimentando dentro das condições concretas do professor emcondições da prática profissional do nosso professor. nosso sistema de ensino (com alunos x, em escolas a e y nas -”Cópia de modelos estrangeiros”... “Os países escolas b)”.desenvolvidos, onde são gerados estes modelos, têm condições de - “Quadro-negro, giz e livro didático são osfixar o professor em tempo integral em uma única escola, o que recursos usuais da maioria dos professores”. 5
  6. 6. -“Quando gosta do que faz soma a isso uma boa A didática que se usa é forjada na prática. Essedose de entusiasmo e motivação que se reflete em sua prática e fato, somado ao desprestígio crescente da profissão faz com queem seus alunos, que se envolvem e por isso aprendem”. seja “campo residual” de mercado de trabalho. Enormes -“Têm preocupações em adequar o que querem contingentes de “profissionais provisórios” (“se não conseguir... voualcançar com aqueles alunos”. Com adequação dos exemplos ser professor”...) entram assim para o magistério, incapacitados de(concretizações), com a escolha dos exercícios, com o ritmo da “elaborar sua didática na prática”, porque a rejeitam, nela não seaula, com a diversificação de forma e recursos que dependem envolvem e dela não gostam.basicamente dos ‘recursos dramáticos’ do professor, do Talvez aí esteja a explicação da pouca efetividadeconhecimento da realidade de cada grupo de alunos, e, algumas da “didática que se usa” em nossas escolas. Ela depende dos quevezes, dos recursos das próprias escolas. “gostam do que fazem”, dos que “colocam emoção e entusiasmo Foi unânime a afirmação de que o professor em suas aulas” e esses, dadas as condições concretas daaprende a ensinar ensinando, ou seja, na prática; é aí que profissão, são uns poucos “vocacionados” que independem dadesenvolve a “sua didática”, obedecendo ao seu estilo. Gostando “didática que se ensina” nos cursos de formação de professores.do que fazem, colocando no que fazem emoção e entusiasmo, OS DESAFIOS DO SISTEMA DE ENSINOacabam contrabalançando as precárias condições de sua prática(muitas horas/aula semanais, ensinar em várias escolas e dos As pesquisas nacionais e internacionais apontamalunos, etc.). Unânime ainda a queixa de aviltamento das convergentemente para a relação entre nível sócio-econômico econdições de trabalho do professor, o que aponta, a meu ver, para desempenho escolar. Aluno de níveis sócio-econômicos elevadosa necessidade de ser melhor trabalhada a “dimensão política da tendem significativamente a ter desempenhos mais elevados, nãoação pedagógica”, para que vá além do reconhecimento do aspecto importa em que tipo de escola.político da educação escolar, até alcançar as condições O aluno de “bom nível” praticamente independenecessárias para uma prática pedagógica eficiente. de escola; a “boa didática”, a meu ver, deve ser avaliada pelos Gostar do que faz, segundo os mesmos bons resultados que obtém com os alunos “fracos”. O efeitodepoimentos, implica em dominar a área e os conteúdos que combinado das “variáveis escolares” explicam mais a diferença deensina (outro ingrediente, unanimemente apontado como rendimento dos que dependem exclusivamente da escola paraindispensável para ser um bom professor). Quando fazem cursos alcançar os conteúdos e habilidades escolares do que o seude aperfeiçoamento, procuram os relacionados á disciplina que background social. Para os “alunos pobres” faz muita diferença aensinam; jamais os de técnicas de ensino ou “pedagógicos”. Não qualidade da escola. Caberia, face a isso, perguntarmos por queestaria aí mais um indicador da distância desses cursos da entre nós, apesar de toda a “evolução” da didática e tecnologia dorealidade da prática dos professores? ensino, ainda não conseguimos um impacto positivo sobre o Mostraram, de uma maneira geral, uma profunda rendimento escolar?rejeição pelos “pedagogos”: “Falam do que não dominam”... “Muito As pesquisas estudadas foram unânimes emdiscurso, pouca visão de realidade”... afirmar que a escola desenvolve uma prática inteiramente distante 6
  7. 7. do universo cultural da maioria da clientela escolar. Está faltando, prática eficaz, é no mínimo quere manter por cima do “gritantecomo já colocamos anteriormente, conhecimento da realidade quadro de mediocridade” o esvaziado discurso da grande tarefa docultural, e das condições concretas de vida das crianças de educador.camadas populares, que possa fundamentar a capacitação técnica A expectativa do professor em relação aodos professores. desempenho do aluno tem um papel decisivo em seu rendimento Nenhuma didática será adequada se não se (Profecia auto-realizável). A defasagem entre o aluno real e ofundamentar neste conhecimento, quer pela sua articulação com as “padrão de aluno”, implícito na maioria das “disciplinasdisciplinas afins, que possam fornecer esses subsídios, quer pela pedagógicas” (inclusive a didática), não é problematizada pelobusca desses conhecimentos, quando não disponíveis nas professor, que diagnostica precocemente, influenciado por essepedagógicas, com os conteúdos de sua área. Estes confrontos, padrão, a “incapacidade” de seus alunos. A única forma de superarcertamente, implicarão numa revisão dos atuais objetivos, tal problema será através de uma fundamentação teórica adequadaconteúdos e prática do ensino da didática e, provavelmente, ao conhecimento do aluno real, presente em nossas escolas, queconstituir-se-á em elemento valioso para a adequação da didática em sua maioria afasta- se do “padrão classe-média”.às condições concretas da prática do magistério, possibilitando a A burocratização das rotinas e a divisão doadaptação do ensino ás necessidades da clientela majoritária de trabalho didático dentro das escolas levaram a uma diminuição danossas escolas públicas. responsabilidade e autonomia dos professores e a um Pesquisas que trabalharam com grandes descompromisso com a eficácia de sua prática docente. O queamostras não encontraram correlação significativa entre nível de caracteriza a burocratização é exatamente a indiferenciação ehabilitação do professor e rendimento dos alunos. A variável rotinização, que leva á imposição de certas normas e padrões. Paraexperiência do professor também não tem efeito linear sobre o os alunos das camadas populares, os efeitos desta prática sãorendimento do aluno. Foi encontrado maior rendimento por parte de extremamente negativos, pois, mais do que outras camadas (asalunos de professores que ensinam em séries de sua preferência. favorecidas), são eles que precisam de diferenciação estratégias eO gosto pelo que faz, a motivação e o entusiasmo foram alternativas variadas, que só o professor em contato direto ecaracterísticas citadas unanimemente pelos professores quotidiano com eles será capaz de elaborar, se para isso estiverentrevistados como básicas para ser um bom professor. O sensibilizado e qualificado.professor “contagia” os alunos com sua motivação. Será que os É entre os “professores de escolas carentes” quecursos e professores de didática estão instrumentalizando seus se encontra maior insatisfação com a assistência técnica dosalunos para uma prática profissional bem sucedida? Será que se o órgãos especializados da instituição escolar, SOE, SOP, etc. Estefizessem não estariam contribuindo para reverter a atual resultado parece apontar para a inadequação das “propostasconformação: gosto pelo que faz/capacitação, para técnicas” dos setores especializados da educação. Aqui parececapacitação/gosto pelo que faz? evidente a distância entre a “racionalização técnica”, as tecnologias Depender, nas atuais condições, do pequeno educacionais, “laboratórios de currículos”, etc., a as necessidadesnúmero de “vocacionados” para o magistério, para alcançar uma concretas de “competência técnica” para os professores dessas 7
  8. 8. escolas. Parece inadiável a revisão dos princípios que vêm Atualmente podemos citar dois fatores (além dos jánorteando a formação dos especialistas em educação e dos citados) que são grandes desafios não somente para a didática,próprios cursos de didática. mas para todo o sistema de ensino que são, a legislação A prática de planejamento dos professores é educacional brasileira e a política neoliberal. Sabemos que estesformalizada, ritualística, normalmente cópia de um produto ideal fatores são regidos por influências políticas, que as conduzemacabado. O planejamento é”pro forma”, para o simples mediante seus interesses. “Há um reducionismo técnico da didáticacumprimento de normas burocráticas. Se os professores tivessem orientada pelos documentos legais que norteiam a formação deaprendido uma forma útil e adequada de planejamento para professores” (VEIGA, 2006a, p.46-47).desenvolvimento de seu trabalho, que lhes garantisse eficácia e A legislação educacional é influenciadarendimento a um “custo” equivalente, certamente o utilizaria. Aí sim diretamente pela visão neoliberal, que busca formar o professorteríamos a “instrumentalização técnica” do professor. através de uma pedagogia por competências e ligada a avaliação Os alunos de camadas populares são absorvidos de resultados, ou seja, um professor pragmático. Não há umapelas escolas de condições mais precárias. Este é um “efeito preocupação com a formação crítica e contextualizada, sendoperverso” de nosso sistema de ensino encarado como “natural” assim, a didática e toda a formação do futuro professor ficapela maioria dos professores. Não caberia á didática desenvolver desvinculada do contexto social, gerando a formação de caráterrecursos e meios menos sofisticados e mais ligados ao contexto técnico, onde o professor é um mero executor de leis impostas pelodas escolas das camadas populares, revertendo assim a tendência sistema e que não é nem capaz de enxergar a ideologia que ode oferecer piores condições de ensino, exatamente para os que cerca, muito menos criticá-la buscando transformações. Tem-sedependem exclusivamente da escola para ter acesso ao saber que assim, o professor pragmatista, que concebe a didática como umtem valor social? conjunto de informações técnicas apenas, distorcendo-a. Outro ponto muito importante que a didática OS DESAFIOS ATUAIS DA DIDÁTICA possui como desafio atualmente é à busca da qualidade e democratização do ensino, como é possível que um professor que São muitas as questões que influenciam a vive preso a uma ideologia de concepção de ensino, regida pordidática e que se colocam como desafios ao seu desenvolvimento. interesses políticos e que exerce uma didática passiva e acritica,Podemos citar os aspectos políticos, econômicos, sociais, de lute pela qualidade e acesso de um ensino para todos. O professorformação, amor, dedicação, pragmatismo, unidimensionalidade, deve ter primeiro, certeza de seu objetivo como educador paraenfim, a didática vem sendo conduzida por alguma finalidade que a posteriormente compreender que suas escolhas e postura é quetransforma ou distorce de seu verdadeiro sentido. Segundo Castro afirmarão se está percorrendo o caminho certo. Se o professor opta(2006, p.22) os adjetivos que são acrescentados à didática por ser um profissional crítico, suas atitudes deveram ser críticas,parecem periodicamente cumprir esse papel de alterá-la ao sabor justas e reflexivas, não somente em palavras, mas em açõesdo seu conteúdo. concretas. Caso escolha ser um profissional neutro seguirá a ideologias impostas, cobrará apenas resultados á partir de técnicas 8
  9. 9. de ensino, sem considerar a realidade em que os alunos vivem e discentes o senso crítico que os auxiliará, não somente noaprendem. processo de mudança social, mas também durante toda sua vida. Podemos perceber que a busca atualmente é poruma formação do professor que possua uma didática condizente Para que o professor possa alcançar seuscom o momento e a realidade de nossos dias e que irá atuar objetivos em sala de aula, é necessário que ele tenha umafuturamente, essa formação deverá compreender subsídios que metodologia capaz de despertar em seus alunos, a vontade deconscientizem o futuro professor de que a maioria das crianças que construir seu próprio saber, através da formulação e reformulaçãoeducará advém da classe média baixa (clientela da escola pública), de idéias. Algumas pessoas podem ter o dom da docência, mas apois elas caracterizam a situação econômica e realidade social do arte de ensinar e as metodologias que nela são encontradas sópaís, e que possuem o direito de acesso e qualidade de ensino podem ser alcançadas com o estudo da didática.que, inclusive está prevista em lei. DIDÁTICA E ENSINO Os profissionais da educação que sedisponibilizarem a levar a sério esta profissão deverão fazer valer Já que existe uma ligação entre o ensino como oos direitos de cada criança, enquanto cidadão, só assim o professor objeto de estudo da Didática, e as matérias que são propostas pelademonstrará competência, criticidade e respeito em sua profissão, a ementa escolar. No processo de ensino do conhecimento, não sepodendo exigir o mesmo de todos, pois “... a incompetência pode desconsiderar as evoluções que ocorreram nas áreasprofissional desqualifica a autoridade do professor” não somente a científicas e pedagógicas. Dessa forma, apreenderemos a funçãoautoridade sobre a classe, mas sobre toda a sociedade (FREIRE, da Didática constituída por crítica e transformação do processo2004, p. 93). ensino aprendizagem no ambiente escolar. DIDÁTICA E EDUCAÇÃO A Didática auxilia o educador no ato de ensinar e apresenta ao educando meios de como se pode aprender, ou seja, A palavra didática pode ser entendida como o objetivo da mesma é que o ensino seja constituído por pesquisa,ciência e a arte do ensino. Através do estudo desta ciência, coletas e formulações de soluções aos questionamentos feitos pelapodemos conhecer estratégias a serem usadas pelo docente com o pratica dos alunos. Assim, a Didática abrange todas as situaçõesintuito de facilitar o processo de ensino-aprendizagem. É fazendo que envolvem o ensinar e o aprender, também as condiçõesuso das metodologias e ensinamentos passados por ela que o pedagógicas, e as praticas educativas e seus elos, de ligações comprofessor poderá criar ambientes que estimulem e favoreçam a as suas propostas.aprendizagem do aluno. Através da educação, o professor podeauxiliar seus alunos para que estes venham transformar sua O processo de ensino formado pelo trabalhorealidade, pois fazendo uso da didática de modo crítico, o educador escolar seqüencial do educador e do educando, com a finalidadetem em mãos a possibilidade de ajudar a desenvolver em seus da absorção do conhecimento e do desenvolvimento de habilidades 9
  10. 10. dos alunos. Que por sua vez estão inseridos no processo de A aprendizagem ocorre, segundo Piletti (1990),educação formal. O objetivo do ensino é a aprendizagem, mas nem em fases, sendo a primeira da observação de uma situaçãosempre ela ocorre. Por isso a Didática tem a função de orientar o concreta, cuja primeira percepção é geral e difusa. A segunda é aeducador, de modo que possa levar o educando a construção de da análise, que considera a diversidade dos elementos queseu saber. Para isso é necessário que o professor tenha integram o conjunto de circunstâncias em que o aprendiz estácompetência Didática, por exemplo, capacidade de utilizações de inserido. A terceira, a fase da síntese, é onde ocorrem asrecursos aptos a tornarem fecundos os formadores de ensino. conclusões.Logo, cabe ao professor nas transmissões do conteúdo levar osalunos a assimilação do novo saber, verificando e avaliando os Libâneo (1994) destaca que é necessárioconhecimentos adquiridos. O professor deve planejar o curso ou a distinguir a aprendizagem casual, espontânea, que se efetuadisciplina a ser ministrado segundo o projeto pedagógico da escola, através da interação entre as pessoas e o contexto, da organizada,orientando atividades que permitam aos alunos alcançarem os que assimila determinados conhecimentos e normas deobjetivos propostos, através da supervisão da aprendizagem. convivência social, sendo planejada e sistemática. Durante o processo de ensino, somente quando este provoca uma DIDÁTICA E APRENDIZAGEM modificação na estrutura das funções psíquicas do aluno é que se produz o desenvolvimento que conduzirá a novas formas de A escola, como instituição histórica, coloca-se interação do sujeito com a sua realidade social. Assim, aentre a relação daquele que vai à escola procurando e querendo aprendizagem e o ensino são processos sociais de enriquecimentoaprender, e todos que compõem o corpo da escola, que se propõe individual e grupal, na interação como a realidade social e de comoa ensinar. Nesse processo, Pilletti (1990) destaca três tipos de o sujeito reproduz a informação. Neste sentido, o professor deveaprendizagem, que são: ser o mediador do processo de ensino-aprendizagem, construindo uma relação de colaboração com autenticidade, segurança e a) motora ou motriz (simples habilidades motoras, respeito ao desenvolver atividades.como andar de bicicleta, até habilidades verbais e gráficas, como afala e a escrita); Desse modo, a sala de aula é um espaço interativo de transformação e a qualidade da aprendizagem está b) cognitiva (informações e conhecimentos em como o sujeito desenvolve a atividade, pelo trabalho coletivo,simples ou complexos); níveis de cooperação, o diálogo, rumo à construção do trabalho coletivo. O professor deve considerar a capacidade de c) afetiva (sentidos e emoções). aprendizagem do sujeito, a sua subjetividade, motivação e, com isso, facilitar o ensino. A capacidade de aprendizagem está permeada por duas dimensões que acontecem vinculados a um conhecimento das experiências e vivências do sujeito. São elas a 10
  11. 11. operacional (recursos cognitivos, afetivo-emocionais e particulares ou públicas, proporcionando a noção e a prática dapsicomotores) e a processual (se efetiva através da qualidade com sociabilidade necessária à infância e à adolescência, atuando,que o processo transcorre e não somente com os resultados da nesse caso, em duplo sentido: ajustar o indivíduo imaturo aosaprendizagem). Essa mesma capacidade está ligada aos objetivos padrões de comportamento da geração adulta e exprimir asdos alunos (metas e aspirações pessoais) que se dará pelas necessidades e tendências das novas gerações como instrumentomediações da aprendizagem, que, com elas, o sujeito elege, de socialização das gerações mais jovens, reduzindo as tensõescoordena e aplica suas habilidades (PROFORMAR, 2006). sociais ao nível de relações de acomodação e cooperação entre adultos e jovens. Tais propostas procuram desenvolver as As diferentes concepções sociais e políticas, bemestratégias cognitivas do aluno, tentam ajudar o aluno a como as condições dos alunos, determinam o aparecimento dedesenvolver a sua capacidade de aprender, de refletir e exercê-las instituições escolares de tipos muito diversos, de acordo com assozinho. Após ter preparado o aluno, o professor esforçar-se em finalidades a que se propõem. Assim, segundo a condição física elevá-lo a refletir por si mesmo, a construir sua autonomia. mental dos alunos, a escola pode ser dirigida a crianças normais e a crianças excepcionais e de acordo com a idade dos alunos, pode A função do professor já não é apenas transmitir ser educação infantil, ensino fundamental, médio e pós-médio (paraconhecimentos, mas agir de modo que os alunos aprendam, ele aperfeiçoamento de adultos).torna-se um intermediário entre o saber e o aluno, levando em A didática insere nesse processo um importanteconsideração os processos de aprendizagem, facilitando a papel como elemento estruturante do seu método, ora estudando,elaboração do sentido das aprendizagens e envolvendo o aluno retomando, discutindo e se adaptando a teoria e a prática danum processo de construção do sentido. técnica de ensino. “Todo processo de formação de educadores especialistas e professores – inclui necessariamente componentes O PAPEL DA DIDÁTICA NA FORMAÇÃO DO curriculares orientados para o tratamento sistemático do “que fazer”PROFESSOR educativo, da prática pedagógica. Entre estes, a didática ocupa um lugar de destaque.” (CANDAU 2001, p. 13). O papel da didática na formação do educador do Dentro do processo de formação, a didática limita-ponto de vista pedagógico, o método a que o professor recorre, se os seguintes componentes básicos: o educador, o método a quecom vistas à organização racional de todos os recursos didáticos se recorre, o educando, a matéria que se ensina e os objetivos aque levam a um objetivo educacional, deve apresentar-se como um atingir para que se educa. Luckesi (2001, pp.27 e 28) afirma que aplano ordenado a ser seguido no ensino. Sob o ponto de vista didática destina-se a atingir um fim – “a formação do educador”,psicológico, o método deve construir-se numa ordem natural e que não se restringe apenas à escola, como também em todos osnecessária das funções mentais, no processo de elaboração ou de processos de aprendizagem estruturados num projeto histórico queaquisição de conhecimentos, principalmente a partir do século XX, manifesta as aspirações e o processo de crescimento dequando a escola elementar torna-se universal , tanto propriedade desenvolvimento do povo, onde a ação pedagógica não poderá ser, 11
  12. 12. então, um “que fazer neutral”, mas um “que fazer” ideologicamente a escola continua sendo lugar de mediação cultural, e a pedagogia,definido. ao viabilizar a educação, constitui-se como prática cultural Todo educador deverá exercer as suas atividades intencional de produção e internalização de significados para, deconsoante as suas opções teóricas, ou seja, uma opção filosófico- certa forma, promover o desenvolvimento cognitivo, afetivo e moralpolítica pela opressão ou pela libertação; uma opção por uma teoria dos indivíduos. O modus faciendi dessa mediação cultural, pelodo conhecimento norteadora da prática educacional, pela repetição trabalho dos professores, é o provimento aos alunos dos meios deou pela criação de modos de compreender o mundo. aquisição de conceitos científicos e de desenvolvimento das Dessa forma, a prática educacional é vista como capacidades cognitivas e operativas, dois elementos dauma ação comprometida ideológica e efetiva, capaz de formar o aprendizagem escolar interligados e indissociáveis.educador, criando condições para que ele se prepare Com efeito, as crianças e jovens vão à escolafilosoficamente, cientificamente e tecnicamente para que sirva de para aprender cultura e internalizar os meios cognitivos debase efetiva o tipo de ação que vai exercer, fazendo-o reconhecer compreender o mundo e transformá-lo. Para isso, é necessárioque um educador nunca estará definitivamente pronto, ao contrário, pensar – estimular a capacidade de raciocínio e julgamento,o fazer do dia-a-dia o tornará apto a meditar a teoria sobre a sua melhorar a capacidade reflexiva, desenvolver as competências doprática, fazendo-o compreender, globalmente, o seu objeto de pensar. A didática tem o compromisso com a busca da qualidadeação, pois aprendemos bem aquilo que praticamos e teorizamos. cognitiva das aprendizagens, esta, por sua vez, associada à E sobre a questão de que o educador deva aprendizagem do pensar. Cabe-lhe investigar como ajudar osreconhecer nunca estar devidamente pronto, disse Freire (1977, p. alunos a se constituírem como sujeitos pensantes e críticos,55): “Aqui chegamos ao ponto de que talvez devêssemos ter capazes de pensar e lidar com conceitos, argumentar, resolverpartido. O do inacabamento do ser humano. Na verdade, o problemas, em face de dilemas e problemas da vida prática. Ainacabamento do ser ou sua inconclusão é própria da experiência razão pedagógica está também, associada, inerentemente, a umvital. Onde há vida, há inacabamento.” valor intrínseco, que é a formação humana, visando a ajudar os outros a se educarem, a serem pessoas dignas, justas, cultas, aptas a participar ativa e criticamente na vida social, política, profissional, cultural. Este texto apóia-se em duas crenças, uma, que a escola continua sendo uma instância necessária de OS DESAFIOS DA ESCOLA E DA DIDÁTICA HOJE E A democratização intelectual e política; outra, que uma política CONTRIBUIÇÃO DA TEORIA HISTÓRICO-SOCIAL DA educacional inclusiva deve estar fundamentada na idéia de que o ATIVIDADE elemento nuclear da escola é a atividade de aprendizagem, lastreada no pensamento teórico, associada aos motivos dos Em face das necessidades educativas presentes, alunos, sem o que as escolas não seriam verdadeiramente 12
  13. 13. inclusivas. das práticas sociais da juventude (por ex., Porto, 2003; Belloni, 2002; Engestrõm, 2002), das tecnologias e dos meios Estudos recentes sobre os processos do pensar e informacionais, dos crescentes processos de diversificação cultural,do aprender, para além da acentuação do papel ativo dos sujeitos afetando os processos de ensino e aprendizagem.na aprendizagem, insistem na necessidade dos sujeitosdesenvolverem competências e habilidades cognitivas. Para É em razão dessas demandas que a didáticaCastells, a tarefa das escolas e dos processos educativos é o de precisa incorporar as investigações mais recentes sobre modos dedesenvolver em quem está aprendendo a capacidade de aprender, aprender e ensinar e sobre o papel mediador do professor naem razão de exigências postas pelo volume crescente de dados preparação dos alunos para o pensar. Mais precisamente, seráacessíveis na sociedade e nas redes informacionais, da fundamental entender que o conhecimento supõe onecessidade de lidar com um mundo diferente e, também, de desenvolvimento do pensamento e que desenvolver o pensamentoeducar a juventude em valores e ajudá-la a construir supõe metodologia e procedimentos sistemáticos do pensar. Nessepersonalidades flexíveis e eticamente ancoradas (in Hargreaves, caso, a característica mais destacada do trabalho de professor é a2001, p. 16). Também Morin expressa com muita convicção a mediação docente pela qual ele se põe entre o aluno e oexigência de se desenvolver uma inteligência geral que saiba conhecimento para possibilitar as condições e os meios dediscernir o contexto, o global, o multidimensional, a interação aprendizagem, ou seja, as mediações cognitivas.complexa dos elementos. Ele escreve: O suporte teórico de partida é o princípio [...] O desenvolvimento de aptidões gerais vigotskiano de que a aprendizagem é uma articulação de processos da mente permite melhor desenvolvimento externos e internos, visando a internalização de signos culturais das competências particulares ou pelo indivíduo, o que gera uma qualidade auto-reguladora às ações especializadas. Quanto mais poderosa é a e ao comportamento dos indivíduos. Esta formulação realça a inteligência geral, maior é sua faculdade de atividade sócio-histórica e coletiva dos indivíduos na formação das tratar problemas especiais. A compreensão funções mentais superiores, portanto o caráter de mediação cultural dos dados particulares também necessita da do processo do conhecimento e, ao mesmo tempo, a atividade ativação da inteligência geral, que opera e individual de aprendizagem pela qual o indivíduo se apropria da organiza a mobilização dos conhecimentos experiência sócio-cultural como ser ativo. de conjunto em cada caso particular. (...) Todavia, considerando-se que os saberes e Dessa maneira, há correlação entre a instrumentos cognitivos se constituem nas relações intersubjetivas, mobilização dos conhecimentos de conjunto sua apropriação implica a interação com os outros já portadores e a ativação da inteligência geral. (Morin, desses saberes e instrumentos. Em razão disso é que a educação 2000, p. 39) e o ensino se constituem formas universais e necessárias do Outros estudos vêm mostrando o impacto dos desenvolvimento mental, em cujo processo se ligam os fatoresmeios de comunicação na configuração dos modos de pensar e socioculturais e as condições internas dos indivíduos. 13
  14. 14. O que está em questão é como o ensino pode especialmente a teoria do ensino desenvolvimental de V. Davídov,impulsionar o desenvolvimento das competências cognitivas para as tarefas da didática em relação à aprendizagem do pensar emediante a formação de conceitos e desenvolvimento do do aprender.pensamento teórico e por quais meios os alunos podem melhorar epotencializar sua aprendizagem. Em outras palavras, trata-se de PRESSUPOSTOS TEÓRICOS DA DIDÁTICAsaber o que e como fazer para estimular as capacidadesinvestigadoras dos alunos ajudando-os a desenvolver A Didática é um conjunto de conhecimentos ecompetências e habilidades mentais. Em razão disso, uma didática técnicas de dirigir e orientar a aprendizagem tornando o ensinoa serviço de uma pedagogia voltada para a formação de sujeitos eficaz.pensantes e críticos deverá salientar em suas investigações as Portanto, a Didática não pode trabalhar isolada,estratégias pelas quais os alunos aprendem a internalizar ela tem que se aliar a outras ciências como: Psicologia, Biologia,conceitos, competências e habilidades do pensar, modos de ação, Sociologia e outras. Ela tem que levar em consideração a ordemque se constituam em “instrumentalidades” para lidar praticamente dos valores e dos fins. Pois, o êxito do procedimento didático sócom a realidade: resolver problemas, enfrentar dilemas, tomar será eficaz se a ação pedagógica intervir na realidade dosdecisões, formular estratégias de ação. Davídov explicita seu educandos, ou seja, a escola, os professores, tem que buscarentendimento dessas questões: parcerias com a família, com a comunidade. O saber contemporâneo pressupõe que o O professor tem que ter: - proximidade com seus homem domine o processo de origem e alunos para poder diagnosticar suas dificuldades; facilitar a desenvolvimento das coisas mediante o aprendizagem, empregando técnicas variadas de ensino; buscar o pensamento teórico, que estuda e descreve aluno que tem problemas; chamar a família para trabalhar em a lógica dialética. O pensamento teórico tem parceria; mostrar e relacionar o porquê do aluno aprender seus tipos específicos de generalização e determinado conteúdo; relacionar a teoria com a prática. abstração, seus procedimentos de formação O professor para ser educador tem que ter dos conceitos e operações com eles. compromisso com a educação. Pois o papel da Didática e facilitar o Justamente, a formação de tais conceitos ensino-aprendizagem. abre aos escolares o caminho para dominar Portanto, os procedimentos didáticos não podem os fundamentos da cultura teórica atual. (...) ser considerados como atividade neutra, isenta de pressupostos. A A escola, a nosso juízo, deve ensinar às Didática tem compromisso com a ordem, ética e valores. crianças a pensar teoricamente. (Davídov, in Golder, 2002, p. 49) A DIDÁTICA EM SUAS DIMENSÕES O objetivo deste estudo é, assim, explorar as As instituições de ensino, ao longo dos anos, vêmcontribuições teóricas da teoria histórico-cultural da atividade, transformando a educação em mercadoria, fruto do capitalismo, o 14
  15. 15. qual acaba por deturpar o conceito e a importância da didática no prática serve de base para um conjunto de mudanças significativasensino. Como assevera Martins: “A didática expressa uma prática que requerem profissionais não só inventivos, mas que tenhampedagógica que decorre da relação básica do sistema capitalista olhos abertos para a realidade da qual fazem parte. “Penso que anum momento histórico determinado. Portanto, as formas como as didática, para assumir um papel significativo na formação doclasses sociais se relacionam vão se materializar em técnicas, educador, deverá mudar os seus rumos”.processos, tecnologias, inclusive processos pedagógicos que se Não poderá reduzir-se e dedicar-se tão-somenterealizam através de uma certa relação pedagógica.” ( Martins 1988, ao ensino de meios e mecanismos pelos quais se possap.23). desenvolver um processo ensino-aprendizagem, mas deverá ser Reconhecendo a didática como ciência que é, um elo fundamental entre as opções filosófico-políticas dasendo pesquisa e também uso de técnicas de ensino, deve-se educação, os conteúdos profissionalizantes e o exercício diuturnoconceber a idéia de sua importância na contribuição para a da educação. Não poderá continuar sendo um apêndice deformação do cidadão desde a educação básica, até o ensino orientações mecânicas e tecnológicas. Deverá ser, sim, um modosuperior. É nesses passos que o professor deve buscar na didática crítico de desenvolver uma prática educativa, forjadora de umas verdadeiras técnicas de ensino, as quais só serão alcançadas projeto histórico, que não se fará tão-somente pelo educador, masatravés do trabalho pedagógico bem estruturado. O trabalho do pelo educador, conjuntamente, com o educando e outros membrosprofessor em sala de aula muitas vezes se resume em repassar os dos diversos setores da sociedade”. (Luckesi 1994, p. 30)conteúdos aos alunos, sem estimular nestes a interpretação, a A didática deve servir ao professor comocrítica e a criatividade, pois, “... ensinar não é transferir instrumento de inspiração e criatividade, fazendo-o compreender oconhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria processo de ensino em suas múltiplas determinações, para articulá-produção ou a sua construção”. (Freire 1996, p. 47). lo à lógica, aos interesses e necessidades da maioria da clientela Para realizar um trabalho didático-pedagógico, o presente nas escolas hoje, propondo, também, reflexões sobre aprofessor deve ser crítico, perspicaz para estimular seus alunos, prática e formas de organização voltados aos interesses na atual(sem que estes percebam que estão sendo provocados organização da escola, suas políticas implícitas na seleção decriticamente), ético, uma vez que o professor é formador de conteúdos, objetivos, métodos, técnicas, recursos e avaliação paraopinião, ter vocabulário ilibado, ser reflexivo da prática constante de o ensino, conforme reza a questão política do trabalho pedagógico,seu trabalho, reconhecer a cultura de seus alunos, enfim, ele deve condizente a cada escola. Outrossim, a didática como “arte deantes de tudo conhecer seu campo de atuação. Seja qual for a ensinar”, consiste em motivar os alunos sobre o conteúdo exposto.técnica de ensino explorada por este, ela deve ser permeada pelo Ela deve ser a “atitude” do mestre para com seus aprendizes.pensamento reflexivo, o raciocínio e a interpretação. Atitude esta compreendida na criticidade e com a finalidade O professor que age didaticamente, orienta e precípua de ensinar.acompanha seus alunos. Assim, para ensinar, é necessário que oprofessor pesquise o assunto a ser retratado, se atualizando diante A didática, no bojo da pedagogia crítica,dos conteúdos propostos em sala de aula. A didática colocada em auxilia no processo de politização do futuro 15
  16. 16. professor contribuindo para ampliar a sua ferramenta de grande relevância, muito embora alguns lingüistas visão quanto às perspectivas didático- discordem dessa hipótese. pedagógicas mais coerentes com nossa A dosagem da expressão teatral também deve ser realidade educacional. Sob esse enfoque, o considerada como objeto didático com o objetivo de favorecer e ensino é concebido como um processo desinibir os tímidos e abrandar os hiper-ativos. Para que haja sistemático e intencional de difusão e eficácia na didática aplicada, é preciso que a dramatização abranja elaboração de conhecimentos culturais e a grade curricular de modo integral de acordo com o nível escolar e científicos de forma que os alunos deles se faixa etária de cada aluno. O cenário pode ser natural e de acordo apropriem. (ILMA PASSOS 1991, p. 78). com o tema da aula a ser ministrada pelo professor. A prática da oralidade na educação é um dos objetivos específicos que deve ser Portanto, a didática deve ser a mola propulsora do trabalhado com mais ênfase, os alunos devem ser provocadosentusiasmo de ensinar, pois só assim o educador fará a diferença, sutilmente para o trabalho da oralidade em sala de aula.despertando no educando a vontade de aprender. A grosso modo, O gosto pela leitura também é um diferencial parapodemos dizer que a Didática é uma ciência cujo objetivo que o desempenho escolar dos alunos seja eficaz e pode acalmarfundamental é ocupar-se das estratégias de ensino, das questões os ânimos, a impulsividade, de modo geral. . Deve-se desenvolverpráticas relativas à metodologia e das estratégias de um trabalho didático consistente e prazeroso ao alunoaprendizagem. Sua busca de cientificidade se apóia em posturas proporcionando diferentes formas de aquisição de conhecimentosfilosóficas como o funcionalismo, o positivismo, assim como no através da “leitura”. Sabe-se que a dramatização, para os jovens, éformalismo e o idealismo, funcionando como elemento um estímulo para a leitura e a escrita, já que a maioria sentetransformador da teoria da prática. Na atualidade a sua perspectiva dificuldade em se expressar através do texto descritivo, narrativo oufundamental é assumir a multifuncionalidade do processo de dissertativo.ensino-aprendizagem e articular suas três dimensões: técnica, O mecanismo da leitura pode estar associado aohumana e política no centro configurador de sua temática. teatro, pois, este auxilia na conjugação verbal, na dicção, clareza das idéias lingüísticas, e na formação de palavras. Isso faz com NOVAS ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS: PARA ALÉM DO que a postura do aluno como ser social seja melhorada, no que se CONFRONTO (TEORIA E PRÁTICA) refere ao relacionamento com seus semelhantes aprendendo a exercitar e a socializar seu pensamento. Vários são os fatores comportamentais queimpedem o aluno a assimilar o que é ensinado em sala de aula. Didaticamente falando, é provado que uma aulaInibição e dispersão são problemas que se sobressaem e dinâmica, aparentemente informal e descompromissada com livrosnotadamente prejudicam o relacionamento professor – aluno. didáticos e roteiros, com certeza renda muito mais e gereAcredita-se que a inserção de novas estratégias didáticas e do resultados positivos do que uma aula formal. Nesse prisma,teatro possam ser recursos facilitadores da aprendizagem, uma entende-se que os resultados didáticos devem se afastar do 16
  17. 17. convencional e da enfadonha sala fechada e buscar ambientes sua concretização. E exige conhecimentos relativos à evoluçãodescontraídos. histórica das instituições e à legislação que as rege. Mas, existe rejeição de alguns profissionais deeducação que consideram desnecessário, educar ou ensinar o DIDÁTICA E PRATICA INTERDISCIPLINARaluno por meio de formas diferenciadas do chamado “métodotradicional”. Dizem, até que é perda de tempo, uma análise Defini-se Didática como sendo a Arte de Ensinar;prematura e sem consistência. o procedimento pelo qual o mundo da experiência e da cultura é A inserção da informática, uma ferramenta transmitido pelo educador ao educando, nas escolas ou em obrasdisponível na atualidade, como recurso criativo no ensino é um especializadas. / Conjunto de teorias e técnicas relativas àmeio de aprendizagem viável e moderna do ponto de vista transmissão do conhecimento. O vocábulo didática deriva dapedagógico, todo o professor tem e deve trabalhar com seus alunos expressão grega Τεχνή διδακτική (techné didaktiké), que se traduza importância da multimídia na aquisição de conhecimentos. por arte ou técnica de ensinar. O ensino é uma forma sistemáticaInfelizmente, ainda encontra resistência. Mas é um recurso de de transmissão de conhecimentos utilizada pela pedagogia paragrande importância e de aceitação ímpar. instruir e educar seus semelhantes, geralmente em locais conhecidos como escolas. Alarcão (1977) enfatiza a designação “TrípticoDidático” para designar a tripla dimensão ou a Pedagogia é a ciência ou disciplina cujo objetivo émultidimensionalidade da Didática: Investigativa, Curricular e a reflexão, ordenação, a sistematização e a crítica do processoProfissional. A primeira diz respeito ao trabalho do investigador educativo.nesta disciplina; a segunda refere-se à formação curricular, iniciale/ou contínua, em didática dos formadores e futuros formadores; A Didática é a parte da pedagogia que se ocupafinalmente, a terceira, refere-se às práticas do professores no dos métodos e técnicas de ensinos destinados a colocar em práticaterreno escolar. as diretrizes da teoria pedagógica. A didática estuda os processos O Professor precisa dispor de conhecimentos e de ensino e aprendizagem.habilidades pedagógicas, que podem ser obtidas e aperfeiçoadasmediante leituras e cursos específicos. Estes conhecimentos e Os elementos da ação didática são:habilidades podem ser definidos como requisitos técnicos eenvolvem: a) Estrutura e funcionamento do Ensino Superior O professor,– o professor deve ser capaz de estabelecer relações entre o que O aluno,ocorre em sala de aula com processos e estruturas mais ampla. A disciplina (matéria ou conteúdo)Isto implica a análise dos objetivos a que se propõe o ensinouniversitário brasileiro, bem como dos problemas que interferem em O contexto da aprendizagem, 17
  18. 18. As estratégias metodológicas. da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino a qual ele pertença. PLANEJAMENTO ESCOLAR O PLANEJAMENTO DE ENSINO COMO CONSTRUÇÃO DE O planejamento escolar é uma tarefa docente que AÇÕES PREVISTAS A PARTIR DO COTIDIANO ESCOLAR inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua O PLANEJAMENTO E A LDB organização e coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de Em 20 de Dezembro de 1996, o presidente ensino. O planejamento é um meio para se programar as açõesFernando Henrique Cardoso sancionou a Lei de Diretrizes e Bases docentes, mas é também um momento de pesquisa e reflexãoda Educação, proposta pelo senador Darci Ribeiro, depois de oito intimamente ligado à avaliação.anos de tramitação pelo Congresso Nacional. Ela estabelecenormas e procedimentos que afetam todos os níveis do sistemaeducacional. PLANEJAMENTO EDUCACIONAL, DE CURRÍCULO E DE No que diz respeito à organização da educação ENSINOnacional cabe salientar que de acordo com a LDB, o planejamento Se qualquer atividade exige planejamento, afica delegado aos cuidados da instituição de ensino, juntamente educação não foge dessa exigência. Na área da educação temoscom o corpo docente, que tem um importante papel a desempenhar os seguintes tipos de planejamento:nesse sentido que é o da aplicação desse planejamento, levandoem consideração que o docente necessita, acima de tudo, zelarpela aprendizagem dos alunos, bem como estabelecer estratégias PLANEJAMENTO EDUCACIONALde recuperação para os alunos de menor rendimento escolar, ouseja, cabe também ao docente reorganizar o seu planejamento Consiste na tomada de decisões sobre aconforme as necessidades educacionais do aluno, visando o seu educação no conjunto do desenvolvimento geral do país. Aobjetivo, que é o da preparação dos alunos, não só para encarar o elaboração desse tipo de planejamento requer a proposição defuturo com confiança, mas, sobretudo fornecer a eles condições de objetivos em longo prazo que definam uma política da educação. Éaprendizagem necessárias ao indivíduo para que ele possa o realizado pelo Governo Federal, através do Plano Nacional desobressair de situações que exijam raciocínio lógico. Educação e da legislação vigente. Segundo a LDB o professor tem comoincumbência não só ministrar os dias letivos e horas aulasestabelecidas, mas também participar de forma integral dos PLANEJAMENTO DE CURRÍCULOperíodos dedicados ao planejamento, além de participar, também, O problema central do planejamento curricular é formular objetivos educacionais a partir daqueles expressos nos 18
  19. 19. guias curriculares oficiais. Nesse sentido, a escola não devesimplesmente executar o que é prescrito pelos órgãos oficiais. O trabalho docente é uma atividade consciente eEmbora o currículo seja mais ou menos determinado em linhas sistemática, em cujo centro está a aprendizagem ou o estudo dosgerais, cabe à escola interpretar e operacionalizar estes currículos. alunos sob a direção do professor.A escola deve procurar adaptá-los às situações concretas,selecionando aquelas experiências que mais poderão contribuir O planejamento é um processo de racionalização,para alcançar os objetivos dos alunos, das suas famílias e da organização e coordenação da ação docente, articulando acomunidade. atividade escolar e a problemática do contexto social. A escola, os professores e os alunos são integrantes da dinâmica das relações PLANEJAMENTO DE ENSINO sociais; tudo o que acontece no meio escolar está atravessado por Podemos dizer que o planejamento de ensino é a influências econômicas, políticas e culturais que caracterizam aespecificação do planejamento de currículo. Consiste em traduzir sociedade de classes. Isso significa que os elementos doem termos mais concretos e operacionais o que o professor fará na planejamento escolar – objetivos, conteúdos, métodos – estãosala de aula, para conduzir os alunos a alcançar os objetivos recheados de implicações sociais, têm um significadoeducacionais propostos. Um planejamento de ensino deverá genuinamente político. Por essa razão, o planejamento é umaprever: atividade de reflexão acerca das nossas opções e ações; se não pensarmos detidamente sobre o rumo que devemos dar durante o • Objetivos específicos estabelecidos a ano, ficaremos entregues aos rumos estabelecidos pelos interesses partir dos objetivos educacionais. dominantes na sociedade. • Conhecimentos a serem aprendidos A metodologia do planejamento escolar enquadra-se no pelos alunos no sentido determinado pelos objetivos. cenário da educação como uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua organização e coordenação em • Procedimentos e recursos de ensino face dos objetivos propostos; quanto a sua previsão e adequação no que estimulam, orientam e promovem as atividades de decorrer do processo de ensino. aprendizagem. Segundo Libâneo (1994, p. 222) o planejamento • Procedimentos de avaliação que tem grande importância por tratar-se de: “Um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, possibilitem a verificação, a qualificação e a apreciação articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social”. qualitativa dos objetivos propostos, cumprindo pelo menos a Sob essa linha de raciocínio que Libâneo adota ao definir a função pedagógico-didática, de diagnóstico e de controle no importância do planejamento, fica evidente uma preocupação em processo educacional. integrar a coordenação da ação docente à problemática do contexto social em que o seu público alvo está inserido, visando, IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO ESCOLAR sobretudo com essa integração, um maior rendimento escolar, pois 19
  20. 20. facilitará e muito aos alunos, verem conteúdos que falem sobre a Sendo assim, podemos dizer que cabe à Escola a elaboração derealidade que eles vivenciam em seu dia -a - dia. seus planos curriculares, partindo da orientação dada pela Lei ou Adentrando no conceito de planejamento e da pelos sistemas, com a finalidade de atender às características locais eimportância dessa metodologia Libâneo (1994, p. 222) ainda às necessidades da comunidade e, sobretudo às necessidades do aluno.salienta que: A ação de planejar é uma atividade consciente de previsão das ações docentes, fundamentadas em opções político- A ação de planejar, portanto, não se reduz pedagógicas, e tendo como referência permanente situações ao simples preenchimento de formulários didáticas concretas (isto é, a problemática social, econômica, para controle administrativo, é, antes, a política e cultural que envolve a escola, os professores, os alunos, atividade consciente da previsão das ações os pais, a comunidade, que interagem no processo de ensino). político – pedagógicas, e tendo como O planejamento escolar tem, assim, as seguintes referência permanente às situações funções: didáticas concretas (isto é, a problemática social, econômica, política e cultural) que • Explicitar princípios, diretrizes e envolve a escola, os professores, os alunos, procedimentos de trabalho docente que assegurem a os pais, a comunidade, que integram o articulação entre as tarefas da escola e as exigências do processo de ensino. contexto social e do processo de participação democrática. A Toda a comunidade escolar necessita integrar-se • Expressar os vínculos entre ovisando resultados positivos no ensino aprendizagem do aluno, sendo que posicionamento filosófico, político-pedagógico e profissional,um aliado importante nessa integração é o planejamento, pois é através as ações efetivas que o professor irá realizar em sala dedele que prevemos ações docentes voltadas para a problemática social, aula, através de objetivos, conteúdos, métodos e formaseconômica, política e cultural que envolve toda a escola e, por organizativas de ensino.conseqüência dessa integração, conseguimos alcançar resultados positivos • Assegurar a racionalização,quanto à educação do corpo discente. organização e coordenação do trabalho docente, de modo O método do planejamento é útil e, sobretudo, muito que a previsão das ações docentes possibilite ao professorimportante, mas o mais importante é o maior ou menor conhecimento que a realização de um ensino de qualidade e evite ase tenha do aspecto da realidade em que se está agindo, de sua inserção no improvisação e rotina.conjunto. Tendo em mente a importância de uma metodologia • Prever objetivos, conteúdos e métodosque direciona o processo educativo, precisamos ainda mais saber que a partir da consideração das exigências propostas pelaplanejar é tomar decisões, mas essas decisões não são infalíveis, o realidade social, do nível de preparo e das condições sócio-planejamento sempre está em processo, portanto em evolução. culturais e individuais dos alunos. 20
  21. 21. • Assegurar a unidade e a coerência do estaremos fazendo uma Sondagem, isto é, buscando dados. trabalho docente, uma vez que torna possível inter- Uma vez realizada a sondagem, deve-se estudar relacionar, num plano, os elementos que compõem o cuidadosamente os dados coletados. A conclusão a que chegamos, processo de ensino: os objetivos (para que ensinar), os após o estudo dos dados coletados, constitui o Diagnóstico. conteúdos (o que ensinar), os alunos e suas possibilidades (a quem ensinar), os métodos e técnicas (como ensinar) e a Sem a sondagem e o diagnóstico corre-se o risco avaliação, que está intimamente relacionada aos demais. de propor o que é impossível alcançar ou o que não interessa ou, ainda, o que já foi alcançado. • Atualizar o conteúdo do plano sempre que é revisto, aperfeiçoando-o em relação aos progressos feitos no campo de conhecimentos, adequando-os às REQUISITOS PARA O PLANEJAMENTO condições de aprendizagem dos alunos, aos métodos, técnicas e recursos de ensino que vão sendo incorporados • Objetivos e tarefas da escola democrática: estão ligados às na experiência cotidiana. necessidades de desenvolvimento cultural do povo, de modo a preparar as crianças e jovens para a vida e para o • Facilitar a preparação das aulas: trabalho. selecionar o material didático em tempo hábil, saber que tarefas professor e alunos devem executar, replanejar o • Exigências dos planos e programas oficiais: são as trabalho frente a novas situações que aparecem no decorrer diretrizes gerais, são documentos de referência, a partir dos das aulas. Para que os planos sejam efetivamente quais são elaborados os planos didáticos específicos. instrumentos para a ação, devem ser como um guia de • Condições prévias para a aprendizagem: está condicionado orientação de devem apresentar ordem seqüencial, pelo nível de preparo em que os alunos se encontram em objetividade, coerência, flexibilidade. relação ás tarefas de aprendizagem ELABORAÇÃO DO PLANO ETAPAS DO PLANEJAMENTO DE ENSINO A partir dos dados fornecidos pela sondagem e CONHECIMENTO DA REALIDADE interpretados pelo diagnóstico, temos condições de estabelecer o que é possível alcançarem o que julgamos possíveis e como avaliar Para poder planejar adequadamente a tarefa de os resultados. Por isso, passamos a elaborar o plano através dosensino e atender às necessidades do aluno é preciso, antes de seguintes passos:qualquer coisa, saber para quem se vai planejar. Por isso, conhecero aluno e seu ambiente é a primeira etapa do processo de • Determinação dos objetivos.planejamento. É preciso saber quais as aspirações, frustrações, • Seleção e organização dos conteúdos.necessidades e possibilidades dos alunos. Fazendo isso, 21
  22. 22. • Análise da metodologia de ensino e dos procedimentos previstas. Na execução, sempre haverá o elemento não adequados. plenamente previsto. Às vezes, a reação dos alunos ou as circunstâncias do ambiente dispensa o planejamento, pois, uma • Seleção de recursos tecnológicos. das características de um bom planejamento deve ser a • Organização das formas de avaliação. flexibilidade. • Estruturação do plano de ensino. AVALIAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DO PLANO Segundo Ricardo Nervi (1967, p. 56) estas são as Ao término da execução do que foi planejado,características essenciais do bom plano de ensino. passamos a avaliar o próprio plano com vistas ao replanejamento. • COERÊNCIA: as atividades planejadas devem manter perfeita coesão entre si de modo que não se dispersem em distintas Nessa etapa, a avaliação adquire um sentido direções, de sua unidade e correlação dependerá o alcance dos diferente da avaliação do ensino-aprendizagem e um significado objetivos propostos. mais amplo. Isso porque, além de avaliar os resultados do ensino- • SEQÜÊNCIA: deve existir uma linha ininterrupta que integre aprendizagem, procuramos avaliar a qualidade do nosso plano, a gradualmente as distintas atividades desde a primeira até a ultima nossa eficiência como professor e a eficiência do sistema escolar. de modo que nada fique jogado ao acaso. O PLANO DA ESCOLA • FLEXIBILIDADE: é outro pré-requisito importante que permite a O plano da escola é o plano pedagógico e inserção sobre a marcha de temas ocasionais, subtemas não administrativo da unidade, onde se explicita a concepção previstos e questões que enriqueçam os conteúdos por pedagógica do corpo docente, as bases teórico-metodológicas da desenvolver, bem como permitir alteração, de acordo com as organização didática, a contextualização social, econômica, política necessidades ou interesses dos alunos. e cultural da escola, a caracterização da clientela escolar, os • PRECISÃO E OBJETIVIDADE: os enunciados devem ser claros, objetivos educacionais gerais, a estrutura curricular, diretrizes precisos, objetivos e sintaticamente impecáveis. As indicações não metodológicas gerais, o sistema de avaliação do plano, a estrutura podem ser objetos de dupla interpretação, as sugestões devem ser organizacional e administrativa. inequívocas. O plano da escola é um guia de orientação para o planejamento do processo de ensino. Os professores precisam ter EXECUÇÃO DO PLANO em mãos esse plano abrangente, não só para uma orientação do seu trabalho, mas para garantir a unidade teórico-metodológica das Ao elaborarmos o plano de ensino, antecipamos, atividades escolares.de forma organizada, todas as etapas do trabalho escolar. Aexecução do plano consiste no desenvolvimento das atividades 22

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