Ambiente familiar X problemas de comportamento

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Ambiente familiar X problemas de comportamento

  1. 1. “Ambiente familiar e os problemas do comportamento apresentados por crianças com baixo desempenho escolar” Apresentação de artigo por Jemima Giron 22.02.16
  2. 2. Dificuldade Escolar & Problemas de comportamento São importantes temas de pesquisa em psicologia, pois: • Interferem no cumprimento adequado do desenvolvimento na infância; • Tem alta prevalência e prognóstico pobre; • São riscos para inadaptação psicossocial na adolescência; • São os principais motivos de procura de atendimento psicológico para crianças.
  3. 3. Problemas de comportamento: • Comportamentos externalizantes: hiperatividade, impulsividade, oposição, agressão, desfio e manifestações antissociais. • Comportamentos internalizantes: retraimento, medo e ansiedade. Os componentes de agressividade, impulsividade e tendências antissociais são as formas mais comuns e persistentes de desajustamento na meninice.
  4. 4. Crianças com problemas de comportamento: • Estão em risco de rejeição pelos companheiros; • Estão em risco de conflitos com a família e com os professores; • Estão em risco para o fracasso escolar e dificuldades ocupacionais; • Além do risco mais sério para comportamentos socialmente desviantes.
  5. 5. • Comportamento externalizantes frequentemente estão associados à adversidade ambiental. • Crianças com desempenho escolar pobre frequentemente apresentam problemas de comportamento externalizantes.
  6. 6. Qual é a origem dos problemas de comportamento? Concepção multifatorial e transacional • Esses comportamentos refletem processos de trocas contínuas entre características da criança nas interações sociais e características do cuidadores e seu contexto social/ecológico.
  7. 7. Qual é a origem dos problemas de comportamento? O ambiente familiar apresenta práticas de socialização violentas, exposição a modelos adultos agressivos, falta de afeto materno e conflitos entre os pais; práticas educativas coercitivas e punitivas, que contribuem para o desenvolvimento de agressão e fracasso escolar; estes, por sua vez, levam à seleção de companheiros antissociais.
  8. 8. Objetivo: • Investigar, em crianças com queixa de baixo desempenho escolar, a associação entre problemas de comportamento e características do ambiente familiar. Na seleção de variáveis ambientais, procurou-se incluir tanto aquelas adversas, que contribuem para os problemas quando presentes em alto grau, como aquelas positivas, cujo efeito é atenuador. Entre as circunstâncias adversas se encontram as práticas parentais punitivas e agressivas, bem como os conflitos familiares; entre os recursos positivos, o envolvimento e a supervisão dos pais.
  9. 9. Justificativa: O conhecimento das condições ambientais associadas aos problemas de comportamento nessa população clínica pode contribuir para a definição de estratégias preventivas, assim como para a capacitação do psicólogo.
  10. 10. Método: Participantes: • 141 crianças de ambos os sexos atendidas em uma clínica de Psicologia vinculada a um hospital universitário. • Todas foram encaminhadas pelo SUS por apresentarem rendimento escolar pobre. • Foram formados dois grupos a partir da amostra geral: Grupo 1(G1) - crianças sem problema de comportamento (n=30); Grupo 2 (G2) - crianças com problema de comportamento (n=37).
  11. 11. Caracterização da amostra Foi conduzida a caracterização dos grupos quanto a sexo, idade, escolaridade da criança, escolaridade dos pais e jornada de trabalho da mãe. Estes dados foram submetidos a análise estatística, através do teste Qui-quadrado para a variável sexo e do teste t de Student para as demais variáveis, encontrando-se diferença significativa entre os grupos apenas na variável escolaridade do pai.
  12. 12. Instrumentos, variáveis e medidas 1 - Escala Comportamental Infantil A2 de Rutter (GRAMINHA, 1994) • É utilizada para a avaliação de problemas comportamentais e emocionais das crianças. • Contém 36 itens distribuídos em três tópicos: problemas de saúde, hábitos e comportamento. • O cuidador deve assinalar a intensidade do problema apresentado. 0 = ausente; 1 = moderado; 2 = severo • A escala identifica casos que necessitam de ajuda psicológica.
  13. 13. Saúde Dor de cabeça Dor de estômago Mau humor Matar aula Asma, crises respiratórias Recusar-se a ir à escola Enurese Encoprese Hábitos Medo Dificuldade de alimentação Dificuldade de sono Movimentos repetitivos Dificuldades de fala Gagueira Roubo Comportamento Medo de situações novas Muito preocupada Desobediente Insegura Impaciente Agarrada à mãe Agitada Irritável Briga com crianças Dificuldade de concentração Criança difícil Destrói coisas Fala palavrões Chupa dedo Mentirosa Tímida Fechada Tristonha, infeliz Maltrata crianças Não querida por pares Rói unhas ECI
  14. 14. Exemplo das perguntas do ECI: • Fica mau humorado e nervoso (isto é, fica irritado, grita e perde completamente o humor); • Ele costuma roubar ou então pegar coisas dos outros às escondidas; • Briga frequentemente ou é extremamente briguento com outras crianças; • Não é uma criança muito querida pelas outras crianças; • Muitas vezes fala mentira; • Maltrata as outras crianças; • Fala palavrões, nomes feios.
  15. 15. Critérios combinados para inclusão nos grupos : • G1: Crianças sem problemas de comportamento: escore total na ECI igual ou inferior a 16 e escore de problema de conduta situado no limite ou abaixo do percentil 25 da amostra total. • G2: Crianças com problemas de comportamento: escore total na ECI superior a 16 e escore de problema de conduta situado no limite ou acima do percentil 75 da amostra total.
  16. 16. Para investigação de características do ambiente familiar foram empregados os seguintes instrumentos: • Entrevista para Esclarecimento da Queixa (EEQ) • Escala de Eventos Adversos (EEA) • Inventário de Recursos do Ambiente Familiar (RAF) (SANTOS, 1999)
  17. 17. Entrevista para Esclarecimento da Queixa - (EEQ): • Cobre tópicos como o motivo da consulta, história escolar, desenvolvimento, relacionamentos familiares e sociais. • É composta por um roteiro de questões abertas e um guia para classificação de recursos e adversidades.
  18. 18. A EEQ forneceu quatro indicadores de adversidade: • Condições adversas pessoais da mãe: sobrecarga de afazeres/tensões diárias, falha no suporte do cônjuge, interferência de familiares na criação dos filhos, autodepreciação, culpa; • Práticas educativas inadequadas: ameaça, punição, superproteção, permissividade, restritividade, insegurança, discordância entre os pais;
  19. 19. A EEQ forneceu quatro indicadores de adversidade: • Problemas no relacionamento pais-criança: agressão física, agressão verbal, tratamento rude, conflitos, relacionamento distante, depreciação, indiferença/ rejeição; • Adversidade extrafamiliar: vizinhança de risco, depreciação extrafamiliar, agressão extrafamiliar, abuso ou tentativa de abuso sexual.
  20. 20. Escala de Eventos Adversos (EEA): • É formada por 36 itens descritivos de eventos adversos que podem ter ocorrido nos últimos 12 meses ou anteriormente na vida da criança. • Atribui-se um ponto para a ocorrência recente e um ponto para a ocorrência passada.
  21. 21. Da EEA foram derivados indicadores de: • Instabilidade financeira; • Adversidade relacionada ao funcionamento parental; • Adversidade familiar não envolvendo diretamente o funcionamento parental; • Adversidade incidindo diretamente sobre a criança.
  22. 22. Inventário de Recursos do Ambiente Familiar (RAF): • É composto de 14 tópicos. • O escore em cada tópico é a média da pontuação das questões. • O escore total corresponde à soma dos escores obtidos nos 14 tópicos.
  23. 23. RAF foram derivados os conjuntos: • Supervisão dos pais: atividades da criança quando não está na escola, arranjo espaço-temporal para a lição de casa, supervisão para a escola, atividades diárias com horário definido; • Envolvimento e suporte dos pais: passeios, oferta de brinquedos e outros materiais promotores do desenvolvimento, atividades compartilhadas com os pais no lar, pessoas a quem a criança recorre para pedir ajuda ou conselho; • Indicador sócio-econômico: baseado no conforto disponíveis na moradia, como aparelhos eletrodomésticos e eletroeletrônicos, computador e veículos, entre outros.
  24. 24. RESULTADOS: Houve diferença (teste t de Student) entre os sexos para apenas os indicadores: • Atividades diárias com horário definido (meninas com média mais alta); • Problemas nas relações interpessoais (meninos com média mais alta); Considerando que são diferenças pontuais, as análises foram conduzidas sobre a amostra total.
  25. 25. O Teste de Intervalo de Confiança para Diferenças entre Proporções apontou diferenças entre os dois grupos: Mais crianças do G1 brincam dentro de casa quando não estão na escola, têm horário para brincar e para fazer a lição de casa, recebem supervisão dos pais para o estudo das provas, fazem viagens e passeios a shoppings, lanchonetes e parques de diversão, brincam com os pais e contam casos para eles. Essas crianças, quando precisam de ajuda ou conselho, recorrem não somente à mãe, como as crianças de G2, mas também ao pai e a um irmão ou irmã. Ao longo do desenvolvimento, elas têm tido acesso a maior diversidade de brinquedos e outros materiais promotores do desenvolvimento.
  26. 26. O Teste de Intervalo de Confiança para Diferenças entre Proporções apontou incidência maior no G2 dos tópicos: • Divórcio dos pais e pai ou mãe abandonou a família; • Hospitalização/enfermidade grave de um irmão/irmã da criança; • Hospitalização ou enfermidade grave da criança; • Repetência; • Piora no relacionamento com os colegas e suspensão.
  27. 27. G2 maior incidência do que G1 em: • Práticas educativas inadequadas; • Problemas no relacionamento pais-criança; • Agressão física à criança; • Ameaça; • Relacionamento distante entre os pais e a criança; • Conflitos entre os pais e a criança O único item em que o G1 foi maior que o G2 foi no item superproteção.
  28. 28. DISCUSSÃO Em relação aos efeitos cumulativos de variáveis ambientais sobre o desenvolvimento, foram encontrados indicadores consistentes de desvantagem no grupo com problemas de comportamento: os escores totais dos três instrumentos utilizados diferenciaram os grupos significativamente sugerindo que o grupo com problemas de comportamento tem seu ambiente de desenvolvimento mais prejudicado, seja pelo menor acesso a recursos, seja pela presença de mais circunstâncias adversas.
  29. 29. Foi detectado um acúmulo de condições adversas, com probabilidade de estabelecer mecanismos de vulnerabilidade pessoal, como é o caso das hospitalizações recorrentes, que sugere que este evento seria consequência de condições de vida adversas incidindo sobre toda a prole. O G2 apresenta maior índice de problemas nas relações parentais, com mais indicadores de instabilidade familiar, uma condição que vem sendo apontada como particularmente prejudicial ao desenvolvimento da criança.
  30. 30. Em contrapartida, o G1 parece favorecido por um ambiente mais apoiador e supridor. Os recursos que diferenciam este grupo: oportunidades de convivência entre a criança e seus pais, suporte para enfrentamento dos problemas cotidianos e no envolvimento dos pais em atividades facilitadoras do desenvolvimento, maior monitoração do uso do tempo livre e supervisão do pais organizam e planejam mais o cotidiano das crianças, estão mais disponíveis para ajudar e se ocupam mais com providências relativas ao estudo e ao lazer.
  31. 31. Os grupos se diferem também no indicador socioeconômico, G1 melhores condições socioeconômicas do que G2 A desvantagem socioeconômica tem sido apontada como fator de risco ao desenvolvimento, associado a variáveis como vizinhança de risco, instabilidade familiar e depressão parental, estas últimas influenciando as práticas educativas
  32. 32. Perspectiva desenvolvimentista: esses indivíduos já incluem, na meninice intermediária, mecanismos de vulnerabilidade envolvendo fracasso escolar, problemas nas relações interpessoais, falhas parentais na supervisão, no monitoramento e no suporte, investimento pobre dos pais no desenvolvimento da criança, práticas punitivas e modelos adultos agressivos.
  33. 33. Perspectiva ecológica: todos os contextos interpessoais significativos para seu desenvolvimento parecem afetados: o lar, a escola e o grupo de companheiros. Crianças com problemas de comportamento, em ambientes caracterizados por adversidade, apresentam alto risco para distúrbio psicossocial na adolescência.
  34. 34. Assim, o atendimento a essas crianças não pode ficar circunscrito às questões escolares. Conforme tem sido recomendado na literatura sobre prevenção em saúde mental, há necessidade de implementar intervenção preventiva que incluam o sistema familiar e focalizem as tarefas de desenvolvimento e os mecanismos de proteção e vulnerabilidade da fase escolar, no contexto das condições de vida e desenvolvimento dessa população. (Conduct Problems Prevention Research Group, 2000),
  35. 35. - O relato dos pais pode ser questionável? - Falta de comparação com QI, ou funções executivas - Toda a culpa é dos pais? - E quais seriam “as características da criança” envolvida neste processo? - Como agir protetivamente diante de situações socioeconômicas adversas? - Que tipos de trabalhos preventivos podem ser feitos antes que a criança chega à clinica? - E como podemos trabalhar a família se o problema é que a “criança está indo mal na escola”? LIMITAÇÕES/IMPLICAÇÕES DO ESTUDO:
  36. 36. “Ambiente familiar e os problemas do comportamento apresentados por crianças com baixo desempenho escolar” Apresentação de artigo por Jemima Giron 22.02.16

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