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O Governo de Amanhã Começa Hoje

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O Governo de Amanhã Começa Hoje

  1. 1. O Governo de Amanhã Começa Hoje Roberto Meizi Agune Boa noite. Nestes últimos quinze anos tenho trabalhado em inúmeros projetos de inovação em governo. Olhando para o que fizemos neste período, estou convencido que avançamos muito, olhando para frente, no entanto, sinto que as mudanças mais fundamentais ainda estão por serem construídas. Falarei aqui um pouco dessa trajetória já cumprida e do sonho que espero ver realizado nos próximos 10 anos. Como primeira mensagem, gostaria de afirmar que ao longo de minha carreira aprendi que inovação é fruto de um trabalho em rede, multidisciplinar, multisetorial, colaborativo e criativo. Não há, insisto, não há inovação em ambiente onde predomina a certeza, a visão única. O meu primeiro painel simboliza esta percepção. Minha segunda mensagem, sobre a qual vou falar ao longo desta apresentação, é que o processo de inovar envolve riscos, oportunidades e necessidades. A dosagem de cada um destes componentes tem variado ao longo do tempo. Vamos começar pela fase onde os riscos predominavam. Quando comecei a trabalhar com inovação, essa palavra era quase que proibida no setor público. Inovar incomodava muita gente, mexia com estruturas e culturas existentes. No caso do governo de São Paulo, em 1995, encontrando uma situação caótica, o Governador Mario Covas resolveu assumir riscos e implementar o primeiro programa consistente de governo eletrônico em todo o País. A encomenda do governador era usar muita tecnologia, mas, mais do que isso, tratar o cidadão com respeito através de uma revolução na qualidade do serviço público prestado.
  2. 2. A foto que vocês vêm agora, resume esta visão. Vamos olhá-la com atenção. Esta nova visão de serviço público, moderno e de qualidade, ficou expressa em diversos projetos, dentro e fora de São Paulo. Embora, nesse período de dez anos, entre 1995 e 2005, o setor público, de uma forma geral, tenha se movimentado para melhor, a sociedade andou muito mais rápido, obrigando o setor público a encarar inovação não mais como um risco mas também como oportunidade. Vamos falar um pouco sobre esta fase. Em 2004, Tim O Reilly cunhou a expressão web 2.0. Mais que um mero slogan, aliás muito comuns nos dias de hoje, a web 2.0 transforma o usuário da internet, antes um simples leitor de informações alheias em produtor de conteúdo. O usuário, antes um mero figurante torna-se, em síntese, o protagonista da Web. Esta nova realidade trazem em seu bojo as redes sociais, como Orkut, Facebook, Ning, só para falar de algumas delas. A contínua colaboração e a troca de conhecimento entre as pessoas independente do local físico onde as estejam gera uma nova força, a inteligência coletiva, o “crowdsourcing”, brilhantemente utilizada por Barack Obama nas últimas eleições presidenciais americanas. A força destas mudanças sociais, tão bem captada por Obama, infelizmente ainda não foi adequadamente percebida pelo setor público, de uma forma geral. Mas isto é questão de tempo. Tal como tem revolucionado as relações entre consumidores e produtores, no ambiente privado, a sociedade em rede começa a exercer um novo papel em suas relações com a administração pública. A demanda de um governo aberto que disponibilize bases de
  3. 3. dados e estimule o seu uso para produzir novos aplicativos, novos estudos e serviços de interesse da sociedade avança dia a dia. A avaliação do serviço público vai aos poucos ocorrendo de forma direta, dispensando a intermediação de fiscais, nem sempre dispostos a efetivamente fiscalizar. Em São Paulo, temos procurado avançar no sentido de incorporar essa nova realidade. Isto nos possibilitou criar a há dois anos, a Rede Paulista de Inovação em Governo, não uma rede de computadores mas uma rede de servidores públicos colaborando com servidores públicos, espalhados por todo o Estado, de modo a ampliar a inteligência governamental em tempos de alta complexidade. Tal como a Web 2.0 empurrou a inovação do risco para a oportunidade, uma nova e poderosa força irá em pouquíssimo tempo mostrar a inovação não mais como oportunidade e sim como necessidade para que os governos continuem sendo respeitados pela sociedade, condição indispensável para o avanço da democracia. Essa força é representada pela geração Y, ou seja por pessoas que já nasceram em um mundo totalmente virtualizado. Esta nova geração está chegando ao mercado de trabalho, ao mercado consumidor, tem valores e cultura próprias, está disposta a colaborar com o governo, de forma espontânea, voluntaria e gratuita. É a geração que segundo Tapscott representa uma poderosa e positiva força de mudança. Esta geração que começa agora a chegar ao mercado de trabalho começa a chegar, portanto, aos governos. Que governos vão encontrar, o das redes, ou o da burocracia e da departamentalização?
  4. 4. Esses valores, expostos no slide, que lhe são próprios serão encontrados no setor público? Embora não tenha respostas acabadas eu tenho sonhos para essa etapa da inovação onde predomina a necessidade. Nesse meu sonho de governo, a escola vai fugir da escola e se espalhar pela cidade, Todos os locais, o bairro, a rua, a casa, o local de trabalho serão locais de aprendizagem. A escola ensinará coisas novas. Novas profissões ligadas as artes, a o entretenimento, a sustentabilidade, ao turismo, a gastronomia, ao design que eram marginais passam a agora a ser dominantes. A escola vai ensinar diferente, O professor que sabe e o aluno que engole já não existe mais. A escola agora é um agradável centro de socialização. Aprender tornou-se uma diversão, inclusive para matemática. O governo fiscaliza menos e oferece mais. A população adota a cidade, as ruas, as arvores, os bueiros. A cidade de ninguém vira a cidade de todos. A montagem de uma rede de alta velocidade, disponível para todos, torna-se política pública prioritária, possibilitando aos cidadãos consultar informações, fazer transações, colaborar, criar e se divertir. As casinhas dos departamentos são derrubadas dando lugar a redes de conhecimento e colaboração. Para que meu sonho vire realidade é preciso distinguir o ver do enxergar. Uso meus últimos slides para falar um pouco sobre esta diferença.
  5. 5. Diz a lenda que quando Colombo chegou na América os índios viam as caravelas, mas não as enxergavam, não se davam conta do que elas representavam, porque elas não faziam parte de sua realidade. Nos anos 80 quando a indústria automobilística japonesa começava a se destacar nos Estados Unidos, as empresas americanas foram convidadas a visitar as fabricas no Japão. Ao voltarem disseram que os japoneses nada mostraram, apenas construíram cenários com ambientes amplos e limpos. Eles viram os novos ambientes de produção mas não conseguiram enxergar o toyotismo, conjunto de novos processos de produção, baseados na visão do carro como um todo e não como um amontoado de peças, no just in time, no ciclo de qualidade, etc. Todos sabemos o que aconteceu depois com os índios americanos e a indústria automobilística nos Estados Unidos. O meu sonho de governo enxerga o novo e não apenas o vê. Enxergar o novo, a mudança, a complexidade irá nos permitir responder as perguntas finais que deixo para nossa reflexão coletiva. Muito obrigado e minha gratidão a todos vocês.

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