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A família católica, 33 edição. fevereiro 2016

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Prezados, Salve Maria Santíssima.

Segue em anexo a 33ª edição do nosso jornal "A Família Católica".

Nesta edição temos:
- Uma compilação acerca dos sofrimentos da Paixão de Nosso Senhor, em especial no Horto do Getsêmani, feita por um monge do Mosteiro da Santa Cruz;
- Texto inédito de Dom Tomás de Aquino relacionando as sete virtudes infusas e os sete dons do Espírito Santo;
- Pequeno fragmento sobre Nossa Senhora da Piedade;
- Comentário Eleison, de S.E.R. Mons. Williamson, anunciando a Sagração Episcopal de Dom Tomás de Aquino.

Boa leitura a todos!

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A família católica, 33 edição. fevereiro 2016

  1. 1. existência. Nascera para subi-lo. Porque Jesus é, antes de tudo, vítima expiatória: Ele o sabe, Ele o quis, e o Seu Pai O considera como tal. É o pri- meiro papel do Messias, a Sua primeira razão de ser: satisfazer a justiça de Deus, reparar o ultraje feito a Deus, salvar a honra de Deus; quase se poderia dizer que a salvação dos homens vem depois. Durante mais de 4.000 anos preparar-se-á esta suprema expiação. Várias serão suas figu- ras: a vaca ruça que imolavam pelo povo no Monte das Olivei- ras, em frente ao tem- plo; o bode impuro que enxotavam para o deserto através do vale do Cedron, por- que estava coberto simbolicamente das iniquidades de todos; o cordeiro que degola- vam todas as tardes no templo pelas três horas; Isaac, filho único e querido de Abraão, que foi levado à montanha, carre- gando ele mesmo a lenha do sacrifício, para ser imolado pelo seu próprio pai; Jó, que foi reduzido a total miséria; Jonas, que foi atirado ao mar para que os ho- mens da embarcação se vissem livres da cólera divina. “Meu Deus, perdoai-lhes”. Eis todo o drama da Paixão. Meu Deus, olhai primeiro o semblante do Se- nhor, vosso Ungido...e depois, olhai mais abaixo e dignai-vos compadecer-vos de mim. Assim seja. E nunca esqueçamos Quem é Ele. Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo Livro terceiro—Narração circunstanciada. SANTOS E FESTAS DO MÊS: 01– Santo Inácio; 02– Festa da Purificação de Nossa Senhora; Nossa Senhora da Candelária; 03– São Brás; 05– Santa Águeda; 06– São Tito; 08– São João da Mata; 09– São Cirilo; 11– Nossa Senhora de Lour- des; 13– São João de Brito; 23– São Pedro Damião; N E S T A E D I Ç Ã O : Paixão e Morte de Nosso Senhor 1 a 4 As virtudes infusas e os Dons do Espírito Santo 5 a 7 Nossa Senhora da Piedade 7 Comentário Eleison 8 Notícias da Resistência 9 Fevereiro/ 2016Edição 33 A Família CatólicaC A P E L A N O S S A S E N H O R A D A S A L E G R I A S Disposições para bem meditar a Paixão Cada virtude de Cristo em Sua Paixão é como um templo místico no qual se penetra por uma porta baixa, e, à medida que se avança, o templo se alarga, as naves se prolongam, a obscuridade duplica a atração, a alma embrenha-se. Entremos nesse grande silêncio. Silêncio sobre mim, sobre os meus. A boca que se cala, os o- lhos que se baixam, são as duas portas que se fecham, para estarmos a sós com o Senhor em nosso interior. Aplicação que deve ser feita a nós mesmos Dois sentimentos, principalmente, devem formar-se em nós à medida que se desen- volve aos nossos olhos a dolorosa Paixão: primeiramente, consi- derar que se assim se trata a lenha verde, que se há de fazer da lenha seca? Em segun- do lugar, meditar que eu ocupei sumamente a atenção de Jesus durante os seus pade- cimentos. Estive pre- sente em cada agonia do Seu Coração e em cada tortura do Seu Corpo. Finalmente, cumpre acrescentar este pensamento de consolação: a parte mais pesada da expiação já está feita, cumpre a mim aplicar-me, pela penitência, o preço do Seu Sangue. Acompanhemos a Jesus, passo a passo Sigamos a Jesus, passo a passo, no Seu cami- nho sangrento, até o cimo do Calvário. Pesemos cada uma das torturas do Seu Coração. O Calvário permanecerá para Ele, durante Sua vida mortal, como o ponto culminante de Sua
  2. 2. ção do Pai: “Pai, meu Pai, tudo Vos é possí- vel, se isto é possí- vel...Meu Pai...” Então um raio de luz vem incidir naquele Corpo que sofre e naquela Alma que agoniza. O Pai ouviu. O Filho ergue a cabeça para ver a augusta face do Pai e para ouvir Sua palavra consoladora. Mas só vê um Anjo. Provavelmen- te o mais elevado dos espíritos celestes. O Pai, porém, não fala; cala-Se. Outrora o Pai falara nas margens do Jordão e no Tabor: “Este é o meu Filho dileto, em quem pus todas as minhas complacências”. Mas agora este Filho está dian- te de Seu Pai como o pecador...o pecador por autonomá- sia...Recebe, porém, a visita do Anjo, pois Deus havia prometido o Seu Anjo, mesmo ao pecador...E que faz este mensageiro ce- leste? Vem confortá-Lo, ou seja, fortificá-Lo, dar-Lhe coragem. E Jesus escuta...humilhado desse socorro do alto, que vem de um ser tão inferior a Ele...porém, agradecido, pois estava precisando desse socorro. Jesus, então, orou ainda com mais instância e entrou em agoni- a: esse combate interior que martela a alma, abala-a, sacode-a, ataca-a por todos os lados. É a morte que quer entrar para colher a vida. Seu Corpo banha-se em suor, nesse rude e supremo com- bate. É o último sobressalto do instinto de viver contra o medo de morrer. “-Meu Pai, se é possível, que esse cálice passe sem que Eu o beba...” Meu Pai, se é possível, que Eu não seja amarrado, que Eu não vá à morte arrastado, debaixo de violências e humilha- ções... Mas...não era possível! A justiça do Pai exigia dEle tudo aquilo. Com que olhar de estupefação contemplariam os Anjos essa cena ímpar? O Pai o exige, o Filho o aceita. “-Contudo, faça-se a vossa vontade e não a minha”. Faça-se. Amém. Assim seja. Foi o pavor do suplício que deitou a Jesus por terra. Foi a luta entre a vida que não quer sair e a morte que quer entrar que Lhe cobriu o Corpo de suor; e a luta foi tão viva e cruciante que o suor que escorria estava misturado com sangue. O medo, a repugnân- cia e o pavor O fizeram suar sangue. Além desta primeira causa da Sua agonia, houve outras: 1)O horror da justiça de Deus, que vai abater-se sobre Ele. Deve pagar por todos os pecadores. O medo O prostra e, estendido no chão, essa justiça O pisa, como à uva no lagar. E, fazendo assim, Ela esmaga os pecados de cada um dos homens: eles lá estão todos. 2)Uma outra causa da agonia do Mestre é a de Se ver carregado Jesus vai tornar-Se o ente repugnante que fará desvias os olhos e provocar náuseas...o verme que se contorce no sangue e na la- ma...o homem de dores...mas, por trás desse homem, desse verme, daquela face que mete dó...há, no entanto...o Deus. Não devemos esquecer o que Ele é, de onde vem, com Quem permanece sempre! Apesar de que Sua divindade se vai eclipsar dolorosamente!... Ele é sempre o nosso Rei! Chegada ao Getsêmani O caminho que sobe ao Hor- to das Oliveiras é talhado na pedra, alongando-se entre duas muralhas de rochas. Naquela noite, este caminho estava iluminado pela clarida- de da lua cheia. Viam-se as sombras dos muros, dos ci- prestes e das oliveiras a alon- garem-se, negras, no solo esbranquiçado. Jesus sabe que vai entrar na hora das trevas. Desde que transpôs a torrente do Cedron, ficou de certo modo aparente- mente extinta a Sua divindade, radiosa e potente. Ele toma a dianteira. Atrás, o grupo amedrontado dos Apóstolos O seguia, espreitando os Seus movimentos. Nada interrompia o pesado silêncio daquela subida. Agonia Toma consigo os três privilegiados: Pedro, Tiago e João. A um ponto do caminho, Jesus para; parece oprimido e sem poder avançar mais; volta-Se para os três. Estes se consternam à vista da Sua palidez assustadora...todo o Seu corpo treme, a voz sai- Lhe por entre os lábios cerrados: “Estou triste até o fundo da alma...triste até a morte. Estou morrendo...de tristeza. Ficai a- qui...e orai...e permanecei acordados coMigo”. Sua Alma estava a flutuar como um destroço à mercê de ondas encapeladas e invi- síveis. Os Apóstolos não compreendem nada. Nunca O haviam visto assim tão medroso, tão vacilante, tão homem...Não podiam acre- ditar. Ele, desanimado e triste de tristeza mortal?! Ele, com medo e com repugnância amarga até a náusea?! E os três, parados numa rocha que aflorava do solo, olham o Mestre que se vai. Alguns passos mais longe, entra numa gruta sombria e profunda. Eles aguçam o ouvido e escutam. Uma voz, no meio de um solu- ço, sai daquele antro escuro: “-Meu pai, se é possível, passe lon- ge de Mim este cálice...” Os Apóstolos se entreolham. Será que eles escutaram bem? Que quis Ele dizer? Que cálice é esse? Por que rejeitá-lo? A voz, terrificada e suplicante, continua: “-Passe longe de Mim!...” Jesus já não é o mesmo, está mudado. Ei-Lo que cai de joelhos. Não se aguenta mais. “-Meu Pai, tudo Vos é possível. Passe longe de Mim este cálice.” Repete isso incessan- temente. Diz sempre a mesma coisa. Parece só desejar isso. E os três que O haviam visto glorioso e fulgurante, como a neve cintilante, no Tabor, vêem-No agora não já de joelhos, não já de braços erguidos, não mais de face ereta a olhar para o alto, po- rém aniquilado, estendido no chão...sem movimento, a suplicar misericórdia...E os Apóstolos sucumbem também, mas pelo so- no... Eis que há já quase uma hora que Jesus bate à porta do cora- CAPÍTULO I– No Horto do Getsêmani
  3. 3. de todas as iniquidades do gênero humano e, nesse estado, estar diante do tribunal de Deus. Que silêncio...e que pavor! Todos os pecados vêm sobre Ele: de todos as partes, dos recantos mais remotos do universo. Deve responder por todos: desde os mais secretos até os mais esquecidos. Todos se conjuram para acusá- Lo. O Pai Se cala. Jesus está sucumbindo e como que atônito: ouve esse clamor violento elevar-se contra Ele: escuta, cala-Se. É a vida de todos e de cada um dos homens que se desenrola aos Seus olhos ante a face imutável de Seu Pai. Se no juízo particular que cada homem tem que prestar diante de Deus, o acúmulo de testemunhos que manam de sua própria consciência é algo de esmagador, que dizer, então, de Nosso Senhor, que se acha como o ponto de confluência de todo o gênero humano, tendo que res- ponder por tudo e por todos?...Ele está como que debaixo de uma queda de várias torrentes: elas O empurram, derrubam-No e O tragam em suas águas. Um oceano de crimes, de todos os confins do mundo, vem despenhar-se sobre aquele pobre Homem, já por terra e quase semi-morto. Ei-Lo prostrado, abatido, a gemer sob aquele jugo, sem ousar, sequer, olhar para o céu, de tal modo está Sua cabeça carregada pelo peso da multidão dos nossos pecados, que verdadeiramente se tornaram Seus. Cumprindo-se, então, nEle aquelas palavras dos Salmos: “O vosso furor foi des- carregado sobre Mim: e fizestes vir sobre Mim todas as vossas ondas. Senhor, por que apartais de Mim a vossa face? A vossa ira caiu sobre Mim: e os vossos terrores Me conturbaram. Cercaram- Me como a água: cercaram-Me ao mesmo tempo.” “Porquanto cercaram-Me males que não têm número. Minhas faltas me pesa- ram a ponto de não aguentar vê-las; mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça, e o meu Coração Me desamparou. Senhor, comprazei-Vos em Me livrar. Senhor, olhai para Mim e auxiliai-Me” “Estendei do alto a vossa mão, tirai-Me das águas caudalosas” “Salvai-Me, ó Deus, porque as águas Me vão submer- gir. Estou imerso num abismo de lodo, no qual não há onde firmar o pé. Vim a dar em águas profundas, encobrem-Me as ondas. Tirai -Me do lodo, para que não Me afunde. Salvai-Me das águas pro- fundas. Não Me deixeis submergir nas muitas águas, nem Me devore o abismo, nem se feche sobre Mim a boca do poço.” Certamente esta foi a causa por que, havendo rompido as pon- tas de Suas veias capilares em toda a extensão de Seu Corpo, Seu divino Sangue, misturado ao seu suor, saiu à flor da pele. 3)Um outro peso que se Lhe acrescentou foi a visão clara, nítida e precisa de que aquela agonia, aqueles padecimentos e aquela morte não serviriam a todos. Só haveria um pequeno número que deles se aproveitaria!... Este foi um sofrimento penetrante; “Qual a utilidade de em [derramar] o Meu Sangue?” houvera dito Ele pela boca do salmis- ta. Se graças à Sua morte o mundo inteiro se salvasse. Mas não... Tão poucos serão do número dos eleitos!...Que tre- mendo mistério! Uma hora depois, de súbito, uma voz desperta os três Apósto- los; uma mão os toca: “-Como?! Estais dormindo?! Tu, Pedro, que prometeste seguir-Me, não podes te manter acordado coMigo?! Nem uma hora sequer?!” Os três abrem os olhos. O rosto do Mestre está coberto de um suor estranho, as mãos que os tocaram estão úmidas de san- gue!...Continuam a não compreender nada. Gaguejam, não sa- bem o que responder, tornam a cair pesados no sono. Jesus foi mendigar socorro... Ele, o Forte, o Grande, o Mestre, foi procurar um apoio nos Seus Apóstolos. Vê-Se obrigado a vir junto deles e dizer-lhes por Sua atitude, por Seu rosto macilento e por Sua palavra trêmula: “Estou com medo!” Este quadro foi terrí- vel para a fé dos Apóstolos: ela vacilou. Já era o começo da fuga e do abandono daqueles com os quais Jesus tinha o direito de con- tar, mas que O deixam, porque a Sua presença já não os honra e a Sua amizade lhes é perigosa. Este traço doloroso fora assinalado de antemão pelos profetas: ”Procurei em torno de Mim alguém para Me ajudar... e não a- chei”9 “Estou esquecido como um morto, exceto pelos meus inimi- gos, os quais estão bem acordados e avançam para Me prender. E eu sou para os meus próximos... como uma coisa molesta, hu- milhante... e que se repele.” “Sozinho esmaguei aos pés as uvas no lagar e não houve um só homem que o fizesse coMigo.” E Jesus se vai embora, sozinho, desalentado, sem apoio huma- no. Ei-Lo de novo por terra, a gemer, pronunciando as mesmas palavras: estribilho ditado pela tristeza, pela repugnância e pelo pavor. Cercado pela noite, pela ingratidão sonolenta dos Apóstolos e pelo pavor que Lhe causa a previsão dos Seus tormentos, estan- do naquela gruta sombria, sofreu, chorou e clamou a Seu Pai. Três vezes levantou-Se do solo, umedecido com o Seu Sangue, e foi aos seus... Tentou falar-Lhes, mas encontrou-os gaguejantes e entorpecidos pelo sono. Após cada uma das duas primeiras idas aos Apóstolos, Ele volta à Sua oração e à Sua agonia. Dentro em pouco Ele já não poderá mexer-Se voluntariamente: terá as mãos, os pés, o pescoço envol- tos em cordas e correntes. As horas avançam, daí a pouco será meia-noite... Ele vê, do outro lado da torrente do Cedron, luzes que descem: são luzes agitadas, a correr nas trevas, e, enquanto isso, reina uma calma de morte no horto de Getsêmani e em seus arredores. Fora dada à tropa uma ordem severa: agir no mais absoluto silêncio, a fim de pegar de surpresa o Mestre e seus discípulos. Os discípulos estão dormindo, e o Mestre... está dominado pelo medo... Nem o cenário que O cerca contribui para diminuir-Lhe o terror: a noite está fria, o clarão da lua cheia lança sombras sobre tudo o que O cerca. Ele está imerso nesse ambiente lúgubre. Está sozinho, sem força, como que paralisado. Seu espírito está esma- gado pela visão de Sua morte próxima. Jesus é preso e conduzido a Anás Levanta-Se... e Se aproxima dos Apóstolos. Estes, ainda mal despertos do pesado sono, ouvem o Mestre dizer-lhes tristemen- te: “Agora podeis dormir.” Certo tempo depois, ruídos de passos fazem-se ouvir... tilintar de armas e murmúrios abafados. Clarões avermelhados de archo- tes vêm perturbar a sombra e o silêncio daqueles lugares. Jesus, com uma decisão e uma energia que contrastam com a fraqueza e as angústias de momentos atrás, exclama: “Vamos, levantai-vos, é o momento. Eis que vêm prender o Filho do Ho- mem. Eis que se aproxima aquele que Me trai.” O horto e a estrada que o atravessava são subitamente invadi- dos. Um homem destacou-se um pouco para a frente do grupo de soldados e criados: era Judas. Qual era o seu estado de espírito? Cinismo? Hipocrisia? Temor? Havia ele recomendado aos guardas que cercassem de perto o Prisioneiro. Levado pela paixão, depois
  4. 4. de haver vendido o Mestre, sente que, para si, toda fuga era im- possível e que toda demora era inútil. O mais provável é que tenha resolvido apresentar-se diante dos outros Apóstolos como sendo o que era: um traidor. É, pois, desassombradamente que ele se adi- anta e diz: “Mestre, eu Vos saúdo”. E beijou Jesus. De sua parte, Nosso Senhor tem para Judas duas palavras. A primeira é uma delicadeza do Seu amor. Diz com simplicidade: “Amigo, que vens fazer aqui? Que queres? Por que vieste?” Logo em seguida, com o tom pungente de um amigo profundamente magoado Ele acrescenta: “Mas como, Judas?! Tu... tu Me entregas por um beijo?!...” Coisa assombrosa é a ingratidão e a traição; transtorna a alma daquele que é alvo das mesmas. – Tu...que Eu distingui, que Eu chamei! Tu que compartilhavas da minha vida e da minha intimi- dade; tu a quem Eu reservei a mais alta dignidade do mundo: a de Apóstolo, fundamento da Igreja! Ah! Se fosses um dos meus inimi- gos ou, ao menos, um indiferente... Porém, tu, Judas, meu amigo!... “Se o ultraje viesse de um inimigo, Eu o teria suportado; se a a- gressão partisse de quem Me odeia, dele me esconderia. Mas eras tu, meu íntimo amigo, com quem Me entretinha em agradáveis colóquios, com quem, por entre a multidão, íamos à casa de Deus.” Ao clarão das tochas, no meio do horto, cercado pela criadagem e pelos soldados Jesus recebeu o ósculo dos lábios de Judas. Acei- tou-o porque sentiu neste beijo todas as traições daqueles a quem Ele mais havia de amar, na sequência dos séculos. O Salvador vê-Se, assim, repudiado: Ele que lhes manifestara toda a Sua bondade. E todos os Seus padecimentos físicos e de- mais humilhações desenhar-se-ão, em traços de sangue, sobre a trama do abandono, da desafeição e da traição, que O envolverão pouco a pouco. Vão brutalmente agarrar Suas mãos, passá-Las para trás e atar; as cordas tornarão essas duas mãos inertes, sem força e sem bênçãos... Quando eles se lançaram sobre Jesus, para não O perderem, foi, a princípio, como que uma rede de cordas e de laços a O envolve- rem. Para que tudo isso, algozes? Jesus não se debaterá. Não basta que haja mostrado o Seu poder jogando-vos por terra? Ele não se mexerá mais. Por que apertá-Lo tanto? Ademais, Ele já vos disse: “Agora é a vossa hora. Agora é a hora do poder das trevas.” Não é mais a Sua hora. Sua luz divina apagar-se-á aos olhos dos homens. Beijado traiçoeiramente por Judas, abandonado pelos amigos, com as mãos amarradas, o pescoço apertado e o peito enlaçado desce Ele para a cidade. É assim que será apresentado diante de Anás e de Caifás. É com as mãos atadas que ficará durante toda a noite e toda a manhã seguinte, até que ponham a cruz sobre os Seus ombros: quando Ele for esbofeteado não poderá aparar o golpe, quando Lhe escarrarem no rosto não poderá enxugar os escarros a escorrerem e estacionarem na barba, quando Lhe atira- rem à face águas sujas e restos de vinho não poderá desviá-los, e quando estiver coberto de poeira e de suor, não poderá limpar-Se. Ao sair do horto, a tropa que arrasta a Jesus atado vai-se desor- denada, tumultuosa, apressada. Eles ainda não estão inteiramente tranquilos acerca d’Aquele que acabam de capturar; vão o mais apressadamente possível, pelo mais curto caminho: tomam uma vereda talhada no rochedo, que corta a torrente do Cedron, abaixo da estrada e da ponte. Essa pressa mostra que esses homens perderam o domínio de si mesmos... são escravos da paixão, que os domina e os arrasta.” Os pés dos que vão derramar sangue são sempre apressados.” Jesus é, pois, levado em meio a encontrões, sacudido, puxado para direita e para a esquerda pelas cordas que envolvem Seu pescoço e Seu peito. E, descendo o caminho talhado em escada, cambaleia e cai no rochedo. Desordem, gritos, confusão! Os que estão na frente, impulsionados pela correria, tem que recuar. Os que estão atrás quase caem sobre Jesus, estendido no chão. Ele bateu com os joelhos e com a cabeça o rochedo, feriu-Se. Levan- tam-No, porque não o pode fazer por Si mesmo. O Abandono dos Apóstolos Tão logo Jesus foi agarrado e atado, todos os Apóstolos O aban- donaram e fugiram. Foi uma debandada, não ficou ninguém. Nos- so Senhor previra essa desafeição e prevenira os Seus discípulos contra ela: era a grande tentação que os ameaçava. Ele os avisara que orassem e vigiassem para que não sucumbissem. Com efeito, sua fé agora estava em jogo. A provação dessa fé consistia, justa- mente, em ver Jesus odiosamente aprisionado no meio da noite e em ver que Ele consentia em perder aparentemente todo o Seu poder. Era duro de crer que aquele Homem amarrado, batido e traído fosse Deus, o único deus, o grande Deus! Jesus os havia preparado para esse momento começando em lhes mostrar a Sua fraqueza, o Seu temor, as Suas angústias, o Seu sangue a escorrer sob os golpes do medo; e, ainda assim, só quis mostrar este horrí- vel espetáculo aos três prediletos. Mas, mesmo para eles, a tenta- ção já era forte demais. “Vigiai, pois, e orai”, repetia o Mestre, a fim de não sucumbirdes aos espetáculo escandalizador da minha miséria e da minha aparente impotência. Os Apóstolos, porém, longe de vigiar e orar, dormiam. Assim eles preparavam sua futura fuga; assim, depois de esboçarem um vago movimento de resis- tência, tudo abandonaram. E ei-los, agora, a correr desatinados através dos túmulos do vale de Josafá. Estão acossados pelo me- do e dilacerados pela dúvida: sim, desta dúvida fazem eles uma escusa para a sua fuga. Afinal, quem sabe? Alguém que se deixou prender daquele modo e levar como um ladrão... Será que eles, os Apóstolos, ter-se-iam enganado?15 E não achavam cavernas bas- tante profundas onde se esconderem... Eis aí o resultado de três anos de dedicação, de ensinamentos, de vida íntima e familiar: três anos de coração a coração e de amigáveis colóquios. Abando- nando-O, todos fugiram. Os dois grupos si distanciam cada vez mais um do outro: os sol- dados com Jesus amarrado tornam a subir as encostas do Ofel, e os Apóstolos embrenham-se pelo vale, do lado de Siloé e das gar- gantas da Geena. Que solidão cruel para o Salvador, no séquito compacto e grosseiro que O circunda!... Que silêncio no Coração, em meio ao tumulto dos guardas!... Já não tem um amigo sequer. É a solidão angustiosa do coração. Pedro, entretanto, que fugiu como os outros, enche-se de remor- sos. Torna atrás. Não esqueceu os seus solenes protestos de fide- lidade e os seus múltiplos juramentos: “Ainda que todos vos aban- donassem, eu, eu não Vos abandonarei.” Premido por este agui- lhão, ele retrocede. O cortejo já vai longe, Pedro o segue com pas- sos prudentes, dissimulando-se, ora avançando e ora recuando. Quer ver como acabará tudo aquilo. É um misto de curiosidade e de respeito humano. Sem dúvida, há amor em seu coração, mas já não está em primeiro lugar. Ora, quando não é o amor que domi- na, cedo é ele dominado. Em Pedro, o amor é uma chama que já se diminui: o sopro da boca de uma criada acabará de extingui-la. A queda está no termo do declive, como fatal, inevitável: conse- quência de sua presunção em se colocar na ocasião perigosa.
  5. 5. Sete dons do Espírito Santo. Sete virtudes infusas. Uns e outros se correspondem. As virtudes infusas nos permitem agir sobrena- turalmente. Os dons nos permitem de sermos agidos, ou seja, movidos pelo Espírito Santo. As virtudes são como os remos, os dons como as velas. Com os remos nós avançamos com nosso esforço. Com as velas nós somos impulsionados pela ação do Espírito Santo. As virtudes infusas são sete: três teologais e quatro cardeais. Cada virtude cardeal agrupa em torno de si várias outras virtudes que têm algo de comum com a virtude principal. As teologais são a Fé, a Esperança e a Caridade. A Fé é o fundamento, a Esperan- ça é o movimento, a Caridade é o coroamento, coroamento de todas as virtudes. Ela é a rainha. Ela é o dom excelente que so- brepassa todas as virtudes e à qual os próprios dons se subme- tem e servem. Tudo está ao serviço da Caridade pois Deus é Caridade e é pela Caridade que a alma se une a Deus. As virtudes cardeais são a Prudência, a Justiça, a Força e a Temperança. Cada virtude aperfeiçoa uma faculdade da alma. Cada virtude tem sua sede e uma faculdade da alma. A sede da Prudência é a inteligência; a da Justiça é a vontade; a da Força é o irascível e a da Temperança é o concupiscível. Irascível e con- cupiscível são faculdades ligadas ao corpo. O irascível supera os obstáculos, enfrenta as dificuldades, se exerce no que é difícil. Se a Força a controla, esta faculdade se torna mais forte e exer- ce sua força segundo a razão e não segundo o capricho do mo- mento. O concupiscível se afeiçoa ao que é bom e agradável. O Pecado Original o desnorteou como desnorteou todo o nosso ser. Desnorteado o concupiscível se entrega sem freios, sem medida, sem controle da razão aos desmandos desta faculdade que pro- cura o seu prazer em toda espécie de sensibilidade e mesmo em toda sorte de prazer seja ele sensível ou não. O intemperante pode sê-lo até na penitência, até no estudo, até no silêncio. A virtude consiste em pôr a regra da razão e da razão esclarecida pela Fé como diretora de nossas ações. Quanto à Fé, Esperança e Caridade elas tem suas sedes, ou seja, elas estão situadas, localizadas, enraizadas por assim dizer nas faculdades mais altas de nossa alma. A Fé tem sua sede na inteligência, a Esperança e a Caridade, na vontade. A Esperança, como ela tem que superar os obstáculos que se apresentam, tem alfo a haver tam- bém com o irascível no seu aspecto mais espi- ritual. A Esperança visa um bem árduo: a ob- tenção da vida eterna o qual poucos conse- guem pois muitos são chamados e poucos os escolhidos. A santidade é árdua e a Esperança é a virtude dos fortes pois o reino dos céus sofre violência e so- mente os violentos o conquistam com a graça divina. A Caridade tem sua sede na vontade. Ela recebe da Fé o seu objeto pois só se ama o que se conhece. Sem a Fé, sem a Fé teologal, a Fé verdadeira, a Fé Católica, não pode haver Carida- de. Tudo o que se faz fora da Fé pode ser o que quiserem mas não é Caridade. A Caridade é divina. A filantropia é humana. A bondade natural é humana. A bondade puramente natural não é divina e não permanece eternamente nem condiz à vida eterna. A bondade natural tem que ser elevada pela Caridade, sem o que ela é inapta a nos obter o reino dos céus. E os dons? Qual é o papel dos dons em relação às virtudes? Elas exercem suas funções independentemente das virtudes? Não. Os dons nos são dados para completar a ação das virtudes. Eles nos são dados para aumentar o rendimento das virtudes. Eles são sete: Temor, Piedade, Ciência, Força, Conselho, Inteli- gência e Sabedoria. O Pe. Gardeil OP seguindo Santo Tomás e Santo Agostinho ex- pôs a relação entre os dons e as virtude num pequeno livro cujo texto ele havia redigido para um retiro dado às religiosas domini- canas. Eis a correspondência que ele expõe: Virtudes Dons 1- Temperança Temor 2- Força Força 3- Justiça Piedade 4- Prudência Conselho 5-Esperança Ciência 6- Fé Entendimento 7- Caridade Sabedoria O Pe. Gardeil sacrifica um pouco a ordem habitual de apresen- tar os dons mas o seu objetivo é o de bem marcar a distinção entre os dons mais contemplativos – Ciência, Entendimento e Sabedoria, dos dons mais atuantes na vida ativa: Temor, Força, Piedade e Conselho, assim como de guardar a ordem das virtu- des comumente aceita. No entanto a ordem habitual de apresen- tar os dons no entanto é a seguinte: Temor, Piedade, Fortaleza, Ciência, Conselho, Entendimento e Sabedoria. Em outra ocasião poderemos voltar a este assunto. Aproveitamos das luzes deste grande teólogo e nos deixemos conduzir por sua bela exposição da doutrina dos dons. 1- Para começar temos o dom do Temor que a- perfeiçoa a virtude de Temperança. A Temperan- ça nos diz “pouco, pou- co”: poucos prazeres, poucos bens, poucas riquezas deste mundo AS VIRTUDES INFUSAS E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO Dom Tomás de Aquino
  6. 6. para aliviar nossa carga já que o balão de nossa alma deve subir e subir bem alto, alto até o Céu para cantar com os anjos os lou- vores do Deus verdadeiro, Uno e Trino, o Deus católico no qual muitos não crêem. O dom do Temor conduz muitas almas à vida religiosa. Ele é o inimigo número um do Liberalismo Moderno. Ele é o dom dos penitentes, o dom dos videntes de Fátima que davam sua meren- da aos carneirinhos para fazer penitência para a conversão dos pecadores. Este dom é o dom da humildade que foge da glória e das hon- ras e diz sempre “Pouco, pouco”. Pouco das coisas do mundo para termos muito das coisas de Deus. 2- O dom da Força aperfeiçoa a virtude de mesmo nome. A Força dá a firmeza que nos faz tanta falta. Vemos que os pastor- zinhos de Fátima têm razão. É preciso fazer penitência. Mas a força nos falta. Admiramos os mártires, mas a força nos falta para imitá-los. Uma dor de dente nos prostra. Um nada nos abate. O Espírito Santo vem em nosso socor- ro. Ele nos faz empreender o que é difícil. Ele nos faz empreender grandes obras sob a ação do Espírito Santo que age fortemente e suavemente. 3- O dom de Piedade vem aperfeiço- ar a virtude da Justiça. A Justiça con- siste em dar a cada um o que lhe per- tence. A Justiça nos faz dar a Deus o que lhe pertence e aí temos a virtude da Religião. Mas a virtude de Religião necessita do dom de Piedade porque Deus não é o que pensavam os pagãos. Deus não é um tirano. Deus é um Pai e o dom de Piedade nos ensina a dizer: “Pai Nosso que estais nos Céus”. Certa vez uma irmã se deparou com Santa Terezinha que tinha lágrimas nos olhos enquanto fazia o seu traba- lho em silêncio. A irmã perguntou-lhe a razão daquelas lágrimas. “Comecei o Pai Nosso. Não pude ir adiante. É tão doce chamar Deus de pai”. Mas se temos um pai nos Céus, se Deus é nosso Pai então nós somos irmãos e o dom de Piedade nos faz nos amarmos como irmãos. O dom de Piedade põe nas relações entre os homens algo que o paganismo desconhecia. Ele põe uma mansidão, um modo de tratar que nos faz experi- mentar como é suave os irmãos viverem unidos entre si por cau- sa de Deus que é nosso pai. 4- O dom do Conselho aperfeiçoa a virtude da Prudência. A prudência humana, e mesmo a Prudência infusa tem seus limi- tes. Em 1988 Dom Lefebvre teve que tomar uma decisão que jamais um Bispo tivera que tomar na história da Igreja. Sagrar Bispos sem a permissão de Roma. Sagrar Bispos contra a vonta- de do Papa. Não seria isto um cisma? Seria prudente fazê-lo? Durante anos Dom Lefebvre rezou, suplicou, pediu conselho e, creio eu, inspirado pelo dom do Conselho, se decidiu diante da situação com a qual nos deparamos até hoje. Uma operação sobrevivência se impunha. Era necessário sagrar. Foi o que ele fez. Para nós o mesmo se dá no dia a dia. Temos que pedir ao Espí- rito Santo sua ajuda nas grandes e mesmo nas pequenas deci- sões. Uma dificuldade com alguém? Qual é a conduta a se ter? Agir ou esperar? Que solução é mais conforme à vontade de Deus? É o Espírito Santo que virá em socorro de nossa incapaci- dade de tomar a decisão certa. 5- O dom de Ciência aperfeiçoa a virtude da Esperança pois este dom nos faz ver o vazio da criatura. As criaturas são boas e belas. Elas são uma criação de Deus que faz tudo com ordem, peso e medida. No entanto elas não são a nossa beatitude. Elas devem nos conduzir a Deus, mas elas não são Deus. Ora, quando nós pecamos, nós fazemos das criaturas o nosso Deus. Nós da- mos as costas para Deus e nos voltamos para elas. Que loucura! Nosso Senhor chorou sobre Jerusalém porque Jerusalém não teve a ciência das coisas divinas. Jerusa- lém se apegou ao mundo. Jerusalém queria um libertador segundo suas ambi- ções terrestres e recusou o Salvador. Jerusalém trocou o Criador pela criatura. Até hoje os judeus permanecem assim, privados do Redentor. Quantos homens fazem o mesmo? Quantas vezes nós fizemos o mesmo? Bem-aventurados os que choram, diz Nosso Senhor, porque eles serão conso- lados. Choram os que são movidos pelo dom de Ciência. Choram os que, como Santo Agostinho, como Santa Maria Ma- dalena, consideram sua loucura em te- rem posto a criatura acima do Criador. Santas lágrimas dos penitentes. Santas lágrimas também dos que choram a sorte dos pecadores. Jacinta de Fátima ficava inconsolável ao considerar as penas eternas dos pecadores. Que Deus nos dê estas lágrimas. 6- O dom de Entendimento ou Inteli- gência nos faz penetrar no íntimo do dogma revelado. Ele nos faz penetrar as palavras pelas quais Deus se revela a nós. A Tradição e a Sagrada Escritura. Os santos as penetram, movidos e esclare- cidos pelo Espírito Santo. Santa Terezinha penetrou melhor do que ninguém o mistério da paternidade divina. Santo Agostinho, o mistério da graça. Cada um a seu modo, mas é o mesmo Espíri- to Santo que ilumina o grande teólogo e a humilde carmelita. Todos os santos e especialmente os Doutores da Igreja foram esclarecidos pelo dom de Inteligência. Santo Tomás de Aquino mereceu escutar de Nosso Senhor: “Bem escreveste de Mim, Tomás, que quereis em recompensa?” Santo Tomás escreveu bem sobre Nosso Senhor, sobre a Transubstanciação porque o Espírito Santo o fez penetrar a fundo este e também outros mis- térios. Dom Lefebvre penetrou a fundo o mistério da Realeza Social de Nosso Senhor e o mistério da iniquidade, o mistério da apostasia que alcançou as mais altas esferas da Igreja. É o Espírito Santo que devemos invocar para entender a Pas- cendi e as demais encíclicas dos Papas que condenam os erros modernos.
  7. 7. A Inteligência dos mistérios de Deus, da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Santíssima Trindade, da Redenção, da Maternidade divina de Nossa Senhora, de todos os mistérios que são a substância mesma da nossa vida sobrenatural. “Bem-aventurados os puros de coração porque eles verão a Deus.” Ver a Deus já nesta terra pela pureza de nossa Fé que atraves- sa o véu do mistério e contempla a Deus, mas sempre na luz obscura da Fé, único meio proporcional de nos unirmos a Deus quanto à inteligência neste vale de lágrimas. 7- O dom de Sabedoria aperfeiçoa a maior de todas as virtudes. A Caridade recebe deste dom uma perfeição indescritível. A Sa- bedoria consiste em saber com sabor. Sabor aqui não é nada que se pareça com os sentidos, nem com o que se vê nos Pente- costais e Carismáticos. Sabor aqui consiste na união da alma com deus. A Fé conhece de longe. A Caridade suprime a distân- cia. A Sabedoria é o próprio do conhecimento daquele que ama. Ela consiste em contemplar a Deus enquanto Ele é amado. A essência da Sabedoria está na inteligência, mas sua causa está na vontade, vontade abrasada pela Caridade. Deus se dá a nós e o dom de Sabedoria é esse conhecimento impregnado de amor por Deus que se dá a nós. Deus não só nos dá os seus dons, mas Ele mesmo é o dom por excelência. Deus é doador e o seu dom supremos é dar os dons mas dar o próprio doador que é Ele mesmo. Assim chegamos ao mais alto dos dons que aperfeiçoa a mais alta das virtudes. Conhecer a Deus enquanto amado. Conhecer a Deus que a alma ama acima de todas as coisas, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças, de todo o seu espírito. “Bem-aventurados os pacíficos porque eles serão chamados filhos de Deus”. A alma tendo sido elevada até Deus se torna capaz de ordenar tudo a partir de Deus. Ora a paz é a tranquilidade da ordem. A alma encontra a paz divina que ultrapassa todo sentimento. Estando em paz ela pacifica os outros. Ela se torna um anjo de paz, de paz verdadeira, contrária à falsa paz da qual nos falam os que não amam Nosso Senhor nem o seu reino universal sobre todas as nações e todos os homens. “Deus é tranquilo e tranquiliza todas as coisas” diz São Bernar- do. Aquele que tem a sabedoria participa da serenidade de Deus e tranquiliza o próximo pois põe em ordem a vida do próximo com seus exemplos e seus conselhos. Assim fizeram os santos. Assim fez Dom Lefebvre. Assim fez São Pio X. A divisa dos beneditinos é “Pax”. Queria Deus que todos nós encontremos esta paz que só Ele pode nos dar, Ele que pacificou todas as coisas no Seu Sangue. Que nós também encontremos no Seu Sangue, no Santo Sacrifício da Missa esta paz que é pró- pria dos que conhecem e amam Jesus Crucificado e que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos século. Que Nossa Senhora, Rainha da Paz, nos guarde em seu Imacu- lado Coração e nos faça aí encontrar esta Sabedoria da qual ela é a própria Mãe. Como a invoca a Santa Igreja a chamando de Sede da Sabedoria e de Mãe da Sabedoria Encarnada, Nosso Senhor Jesus Cristo. Maria Santíssima sustenta nos braços o seu Filho morto. Por entre lágrimas contempla o corpo desfigurado do seu Jesus. Quando ele era pequeno, também descansava nos seus braços e com seus braci- nhos enlaçava o colo materno, trocando ósculos de alegria e de a- mor. E agora! Que contraste terrível! O rosto de Jesus desfigurado, pálido; os olhos fechados; a boca en- treaberta, muda; a fronte dilacerada; uma coroa de espinhos a defor- mar-lhe a cabeça. A Mãe aflita remove a coroa e com cuidado e delicadezas maternais tira ainda da fronte alguns espinhos que nela se cravaram. Lágrimas ardentes caem sobre as chagas do Filho, misturando-se com seu sangue divino! Que terá Maria Santíssima sentido no seu íntimo ao segurar o corpo gelado e ensanguentado do Filho do seu coração? Poderá alguém compreender a grandeza de sua dor? Jamais mãe alguma sentiu o que ela estava sentindo. Chorava a morte cruel e dolorosíssima do seu Filho e Filho de Deus! Ah! Quem pode olhar para a Mãe aflitíssima sem sentir grande compaixão por ela? Quem não deseja consolá-la em sua dor? Quem não sente vontade de lhe dizer uma palavra para manifestar-lhe sua simpatia? Ajoelhemo-nos muitas vezes diante da imagem de Nossa Senhora da Piedade, adoremos seu Filho morto e saudemos a Mãe das Dores, que tanto chorou e tanto sofreu por nós. “Virgem dolorosa, que aflita chorais, cheia de angústia, bendita sejais!”. (Leituras Eucharisticas, 1936, pág. 200)
  8. 8. “as últimas propostas teológicas e canônicas de Roma para um acordo Roma-FSSPX continuam inaceitáveis, mas o Papa certamente quer um acordo, e ele é perfeitamente capaz de passar por cima de seus oficiais e impor um reconhecimento “unilateral” da FSSPX. Tal reconhecimento poderia definitivamente prejudicar a FSSPX internamente, mas se a FSSPX não tiver feito nada para obtê-lo, então não há nada que ela possa fazer para impedi-lo. Entretanto, a Providência olharia uma vez mais para o trabalho do Arcebispo”. Mas, Vossa Excelência, Menzingen já há muitos anos tem feito tudo o que pode por meio de negociações políticas para chegar ao reconhecimento oficial por Roma, e o eventual estabelecimento “unilateral” desse acordo seria um mero pretexto para enganar os tradicionalistas, de modo a vender a FSSPX sob a máscara da queixa de ter sido tudo culpa de Roma – sem dúvida com a permissão de Roma por trás dos bastidores. Mas persistirá o fato de que a Fraternidade de Dom Lefebvre será finalmente traída, e vossa Excelência com seu próprio “Não, não, mil vezes não... mas, possivelmente, sim” terá de responder por não ter feito tudo o que poderia e deveria para bloquear a traição dela. Em resumo, aquele sistema de iluminação de emergência da Igreja Universal na treva conciliar, que é a FSSPX, está ele mesmo oscilando e correndo o risco de nunca mais dar luz. Assim, a equipe de reparo para sustentar a iluminação de emergência, que é a “Resistência”, ainda é necessária, e esse time necessita de um número suficiente de bons superintendentes. Um terceiro bispo para a “Resistência” está previsto, como no ano passado, para o dia 19 de março, no Mosteiro em Nova Friburgo, no Brasil. Ele é seu prior, Dom Tomás de Aquino, fiel guerreiro e veterano da guerra pós-conciliar pela fé. Que Deus esteja com ele, e com todos os humildes e fiéis servos de Deus. Kyrie eleison. Desde o Capítulo Geral de julho de 2012, quando sob a direção de Dom Fellay a Fraternidade Sacerdotal São Pio X deu uma guinada decisiva em direção a um acordo de compromisso com a Roma Conciliar, os católicos da Tradição se perguntam onde estavam os dois outros bispos da FSSPX, Dom Tissier de Mallerais (BpT) e Dom de Galarreta (BpG), porque ambos têm sido bastante discretos desde então. Entretanto, as firmes palavras que foram ditas por cada um no mês passado suscitaram esperanças para o futuro da FSSPX. As esperanças estão justificadas? Os católicos precisam permanecer em guarda... O sermão de Crisma feito por BpT em 31 de janeiro, em Saarbrücken, na Alemanha, não poderia ter sido mais sincero nem claro. Por exemplo: No embate da FSSPX com Roma, nunca poderá haver compromisso ou jogo duplo. Nunca poderemos negociar com Roma enquanto os representantes da Neoigreja (sic) estiverem agarrados aos erros do Vaticano II. Qualquer conversa prolongada com Roma deve ser sem ambiguidades, e ter como objetivo a conversão dos representantes da Neoigreja para nossa una e única verdade da Tradição Católica. Nada de compromisso nem jogo duplo até que eles tenham superado seus erros conciliares e se convertido de volta à Verdade. Palavras admiráveis! Sinceridade não é o problema de BpT. Ele não é nada político. Deus o abençoe. Seu problema é que, quando tem de passar das palavras à ação, seu “Cinquentismo” o faz obedecer a seu Superior e se alinhar aos políticos do Quartel-General da FSSPX em Menzingen. Nada indica que isto não acontecerá de novo, mas devemos sempre rezar para que ele finalmente comece a reagir devidamente. BpT está escondendo-se de si mesmo, ou de fato não está conseguindo ver a completa malícia da ação de Menzingen. Não estão em jogo somente a unidade e o bem-estar da FSSPX, mas a Fé Católica. BpG, pelo contrário, é um político. Infelizmente, não temos o texto completo da conferência que ele deu em Bailly, na França, em 17 de janeiro, porque suas exatas palavras são importantes, de modo que só podemos citá- lo a partir de um resumo de seus pensamentos principais: Comentários Eleison - por Dom Williamson CDXLIX (449) - (20 de fevereiro de 2016) BISPOS De modo nenhum o perigo na FSSPX deixou de haver. Os bispos resistentes devem cumprir com seu dever!
  9. 9. Edição: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória, ES. http:/www.nossasenhoradasalegrias.com.br Entre em contato conosco pelo e-mail: jornalafamiliacatolica@gmail.com A terra de Santa Cruz exulta de alegria com a notícia da Sagração Episcopal de Dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa, prior do Mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo. Para nós em especial, fiéis da Capela Nossa Senhora das Alegrias, tal anúncio, feito por sua Excelência Rev. Dom Richard Williamson, em 20 de fevereiro, é motivo de grandíssimo júbilo, pois se trata de nosso diretor espiritual que tem nos conduzido pela mão, tal qual o Bom Pastor, pelos caminhos da Tradição nos últimos sete anos. A Divina Providência não poderia ter disposto um candidato melhor, verdadeiro filho da Santíssima Virgem, “fiel guerreiro e vetera- no da guerra pós-conciliar pela fé”, como bem disse Mons. Williamson. Que Santa Teresinha interceda por vós, ó nosso bom pai, e Nossa Senhora da Conceição Aparecida guarde o seu bispado em seu coração dolorosíssimo. Neste mês de fevereiro (dia 5), no convento dominicano de Avrillé, houve a tomada de batina dos seis seminarista do Seminá- rio São Luís Maria Grignion de Montfort, da União Sacerdotal Marcel Lefebvre, durante a missa pontifical celebrada por S.E.. Rev. Mons. Michael Faure. Entre os seminaristas está nosso muito estimado Ir. Miguel Maria. Que São João Maria Vianney , o doce cura de Ars, interceda e rogue por nossos futuros sacerdotes. Faleceu no último dia 18 o Reverendo Pe. Edgard Suelo, vítima de um ataque do Coração. Em 2012, Padre Suelo detectou o risco que a FSSPX corria ao se aproximar da Roma Conciliar e se juntou à Resistência. Trabalhou ao lado do Pe. Chazal nas Fili- pinas ajudando a “sustentar missões que sem sua ajuda certamente teriam sido perdidas”, segundo as palavras do próprio pa- dre Chazal. Dai-lhe Senhor o descanso eterno. E a luz perpétua o ilumine. Requiescat in pace, Pe. Suelo.

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