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A família católica, 30 edição, novembro 2015

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Prezados, Salve Maria Santíssima!

Segue em anexo a 30ª edição do nosso jornal "A Família Católica".

Nesta edição temos:

· Mais um texto inédito no Brasil escrito por nosso diretor, Dom Tomas de Aquino OSB, dessa vez sobre a queda de Campos. O texto é um resumo da conferência "Subversão em Campos: de Dom Antonio a Dom Rifan" dada por Dom Prior nas Jornadas Jean Vaquié 2015, no convento dominicano de Avrillé.

· Um texto excelente, antiliberal do padre salesiano Ciriaco Santinelli sobre a importância do catecismo.

· Uma singela homenagem ao V centenário de nascimento de Santa Teresa de Ávilla.

· Um texto de autoria do professor Carlos Nougué, que gentilmente o dispôs, de grande necessidade para nossos atuais dias.

Na próxima sexta enviaremos a 31ª edição, referente a dezembro, finalizando assim mais um ano de nosso jornal. Aproveitamos para pedir desculpas pelo atraso das últimas edições.


Qualquer erro ou sugestões favor nos contactar por e-mail.
Por gentileza, encaminhem o jornal para todos aqueles que desejarem.

Boa leitura a todos!

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A família católica, 30 edição, novembro 2015

  1. 1. Subversão em Campos Dom Tomás de Aquino SANTOS E FESTAS DO MÊS: 01– Festa de Todos os San- tos; 02– Finados; 04– São Carlos Borromeu; 09– Dedicação da Basílica de Latrão; 11– São Martinho de Tours; 16– Santa Gertrudes; 19– Santa Isabel, rainha da Hungria; 21– Apresentação da Vir- gem Maria; 24– São João da Cruz; 25– Santa Catarina de Ale- xandria; 27– Festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa; 30– Santo André, apóstolo. N E S T A E D I Ç Ã O : Subversão em Campos 1,2 Excelência do Catecismo 3 À Santa Teresa D’Ávila 4 Os riscos das redes soci- ais 5 Novembro/2015Edição 30 A Família Católica C A P E L A N O S S A S E N H O R A D A S A L E G R I A S Dom Antônio de Castro Mayer, herói da fé em nossa pátria, preservou a diocese de Campos dos erros modernos, o que fez dela a última diocese integralmente católica do mundo. Filho de pai alemão, João Mayer, e de mãe brasileira, Francis- ca de Castro, Dom Antônio entrou cedo no Semi- nário Menor e pouco depois de ingressar no Mai- or foi enviado à Roma para aí terminar os seus estudos, voltando ao Brasil já ordenado e com o diploma de Doutor em Teologia com apenas 24 anos de idade. Toda a sua vida Dom Antônio a consagrou na defesa da fé católica e da formação intelectual e moral das almas, tanto em São Paulo, como pa- dre secular, como em Campos, como Bispo dioce- sano. Por ocasião do Concílio Vaticano II Dom Antônio lutou ao lado de Dom Lefebvre e de grande nú- mero de Bispos que defendiam a doutrina da Igreja contra os modernistas que dominaram o Concílio graças ao apoio dos Papas João XXIII e Paulo VI. De volta à sua diocese Dom Antônio continuou esta luta pela preservação da fé fundando o Se- minário Maior de Campos e opondo-se às refor- mas inspiradas pelo Concílio. Assim como Dom Lefebvre, Dom Antônio se dava conta que mais do que alguns erros doutrinais era uma nova igreja, uma nova religião que se formava e toma- va o lugar da religião Católica. A responsabilidade deste desastre recaía e recai até hoje sobre as mais altas autoridades da Igreja e, acima de to- das, sobre o Soberano Pontífice. Por esta razão Dom Antônio fez questão de estar presente na cerimônia da Sagração dos quatro Bispos da Fraternidade São Pio X no dia 30 de junho de 1988, em Ecône. Com a morte de Dom Antônio de Castro Mayer em 1991 os padres de Campos pediram aos Bispos da Fraternidade que sagrassem um Bispo para os padres e fiéis de Campos. Dom Licínio Rangel foi escolhido e sagrado em São Fidélis, Rio de Janeiro, por Dom Tissier de Mallerais sen- do Dom Richard Williamson e Dom Galarreta os bispos co-consagrantes. Tudo corria muito bem em Campos. A Tradição crescia, os fiéis se instruíam, a devoção ao Ima- culado Coração de Maria era propagada, voca- ções sacerdotais e religiosas surgiam em grande número. No entanto na Europa algo ocorria que teria em breve consequências nefastas para Campos. Dom Bernard Fellay entendia-se com as autorida- des romanas e obtinha, pouco a pouco, alguns “trunfos” que pareciam ser conquistas da Tradi- ção. Mas, na verdade, eram pedras de tropeço nas quais Campos iria sucumbir muito em breve. No ano 2000 uma brilhante peregrinação da Tradição à Roma encheu os olhos de todos. A força da Tradição se manifestava com entusias- Nota: Esta matéria que aqui disponibilizamos nada mais é que um resumo da Conferência “Subversão em Campos: de Dom Antônio a Dom Rifan”, dada por Dom Tomás de Aquino nas Jorna- das Jean Vaquié de 2015, em Avrillé, França.
  2. 2. mo e piedade na própria basílica de São Pedro. O cardeal Castrillon Hoyos entra em con- tato com os bispos da Fraternidade. À per- gunta ou reflexão do cardeal sobre o que nos separa, Dom Williamson responde: “Duas religiões.” Mas Dom Fellay não pare- ce tirar as conclusões que se impõem des- ta constatação. Dom Fellay vai iniciar uma série de contatos e conversações com Roma. Campos será chamado a participar. Há uma esperança infundada de um triun- fo da verdade em Roma, um início de con- versão de Roma. Na realidade Roma não muda e a Fraternidade é obrigada a recuar para não cair numa armadilha1. Campos porém não recua e já em 2001 a Santa Sé retira, sem publicidade, a excomunhão que pesava sobre Dom Licínio. Mas que exco- munhão é esta? Dom Licínio estava exco- mungado? Dom Antônio de Castro Mayer e Dom Lefebvre estariam também excomun- gados? A Santa Igreja Católica excomunga- ra seus melhores defensores? Claro que não. Mas Campos entrara na engrenagem modernista. Campos aceitara a idéia de que Dom Licínio estava excomungado e que era necessário se re-integrar na igreja conciliar, na igreja oficial, ou seja, se entre- gar nas mãos dos inimigos de Nosso Se- nhor que ocupam os pontos chaves da Santa Igreja. Campos abandonava então a luta e no início de 2002, na Catedral de Campos, foi tornado público os acordos entre os mo- dernistas e a última diocese católica do mundo. É isto que nós chamamos de sub- versão em Campos. Campos traia assim Dom Antônio de Castro Mayer. Campos traia a causa de Nosso Senhor Jesus Cris- to. Como assim? Campos seria por acaso contra Nosso Senhor Jesus Cristo? Sim. Vejamos isto de mais perto. Vejamos quais são os interesses de NSJC, quais os seus privilégios, quais os seus direitos, sobera- nos e inamissíveis e vejamos o que fez Campos. Não julgamos o interior das almas e sa- bemos muito bem que muitos padres e a quase totalidade dos fiéis de Campos pen- saram numa vitória da Tradição a qual teria sido reconhecida e aprovada por Ro- ma. Infelizmente não é isso o que aconte- cera. O que sucedeu então foi uma revolução em Campos. O que era a glória de Cam- pos, tornou-se a vergonha de Campos e o que era abominável aos olhos de Campos tornou-se o modelo, a regra, a nova lei dos padres de Campos. P á g i n a 2 A F a m í l i a C a t ó l i c a Dom Antônio dizia: “Não se deve assistir à Missa nova. Ela é neo-modernista.” Dom Rifan diz que quem se nega a rezar esta missa tem espírito cismático. Dom Antônio diz não e Dom Rifan diz sim, sim à nova Missa que ele já concelebra como todos os “ralliés” acabam fazendo ou aprovando os que o fazem. Dom Antônio objeta que a Liberdade Reli- giosa é uma doutrina já condenada pela Igreja. Dom Rifan defende o documento do Concílio que a promulgou, documento que é um atentado ao direito de Nosso Senhor de reinar sobre as nações. Dom Antônio escreveu a João Paulo II que se ele continuasse pelo caminho das reuni- ões ecumênicas de Assis, ele não seria mais o Bom Pastor. Dom Rifan venera João Paulo II assim como João XXIII como santos e ensi- na aos fiéis a fazerem o mesmo. Para resumir. A obra de Dom Antônio está destruída e o modernismo já penetrou na Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. Falando de algumas afirmações as mais importantes e verdadeiras de Dom Lefebvre Dom Rifan as qualifica de erros graves e mesmo de heresias. Para Dom Rifan não há duas igrejas que se chocam neste momento: a Igreja Católica e a Nova Igreja Neo-Modernista e Neo- Protestante que se manifestou no Concílio Vaticano II e nas reformas inspiradas por ele. Afirmar que há duas igrejas seria um erro. Para Dom Rifan dizer que os sinais da verdadeira Igreja estão na Tradição e não na Igreja oficial é uma heresia, uma heresia de Dom Lefebvre. Erros e heresias, eis o que Dom Rifan vê no ensinamento de Dom Lefe- bvre. Que se passou com Campos? Que se pas- sou com o ensinamento de Dom Antônio de Castro Mayer e de Dom Marcel Lefebvre? Campos não lê mais a “Conjuração Anti- Cristã” de Mons. Delassus? Eles se esque- ceram da Pascendi de São Pio X? Eles igno- ram a “Humani Generis” de Pio XII? O que se passou em Campos foi uma sub- versão, uma revolução, uma inversão. Os que eram tido por modelos tornaram-se condenáveis e os que eram condenáveis se tornaram modelos. Hoje se fala em São João XXIII, São João Paulo II, esperando poder falar e invocar São Paulo VI. É a eficácia do erro da qual fala São Paulo que toma conta de Campos. Mas como Campos pôde mudar da água para o vinho, ou melhor, do vinho para a água? Talvez o fato de Dom Antônio de Castro Mayer ter hesitado entre uma posição sedevacantista e, ao mesmo tempo, de estreito juridismo tenha debilitado o clero de Campos. Antes de falecer, ou melhor, a partir de 1988 até seu falecimento em 1991, Dom Antônio aproximou-se de Dom Lefebvre, abandonando cada vez mais o sedevacantismo e este juridismo que o havia parcialmente paralisado durante algum tempo. Foi assim que Dom Antônio, depois das sagrações de 1988, ordenou em Varre-Sai o Pe. Manoel. Este exemplo de sabedoria e de humilda- de que fez Dom Antônio aproximar-se do modo de pensar e de agir de Dom Lefebvre não foi seguido pelos padres de Campos, ou melhor, foi seguido durante dez anos (de 1991 a 2001), mas depois eles aban- donaram este belo equilíbrio e raciocina- ram com os sedevacantistas: “Se o Papa é Papa temos que obedecê- lo. Se não obedecemos então ele não é Papa.” Como para Campos o Papa é Papa, então Campos obedece. O ponto de equilí- brio não está em nenhuma destas duas opções. Se o Papa age mal, se ele ordena coisas más, não se deve obedecê-lo nem imitá-lo. Nada mais. A questão é simples. Saber se o Papa perdeu ou não perdeu o pontificado é outra questão. Questão gra- ve, sem dúvida. Mas é uma outra questão. Questão secundária, se a compararmos com o nosso dever. Nosso dever é o de guardar a fé e a moral, de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos e assim salvarmos nossas almas e ajudar o próximo a salvar a sua. As outras questões vêm depois. Assim fez Dom Lefebvre. Assim também fez Dom Antônio de Castro Mayer. Assim não fez Dom Rifan que acabou obedecen- do quando não tinha que obedecer e aca- bou aceitando o modernismo que ele tinha obrigação de não aceitar. Dom Fellay vai pelo mesmo caminho, ele que, de certa forma, o abriu para Campos. Que ele se arrependa e faça penitência pois a Fraternidade corre para o mesmo abismo no qual se precipitou Dom Rifan. Que o Imaculado Coração de Maria pro- teja a Tradição, fortifique a Resistência e não deixe se perder o exemplo de nossos pais na fé, nesta fé sem a qual é impossí- vel agradar a Deus e salvar nossas almas. *** 1- O que talvez não tenha sido senão um recuo tático de Dom Fellay
  3. 3. Nota: Fazemos eco às palavras do Pe. Santinelli e outro objetivo não temos que auxiliar aos nossos leitores na tomada de consciência da urgente necessidade de se estudar o catecismo tanto em nossas capelas, como no interior de nossas famí- lias. São Pio X dizia que “nossos povos perdem a fé porque uma praga corrói os fundamentos em que ela se apoia: a igno- rância religiosa. É necessário ensinar o catecismo”. Que os pais de família não negligenciem em ponto tão importante, nem julguem que tão “sublime ministério” é de exclusiva obrigação dos catequistas. Não! É no seio da família que as crianças deverão primeiramente aprender o cate- cismo e, principalmente, ver resplandecer os ensinamentos de tão incomparável obra. *** Um grande problema se apresenta hoje à humanidade. Imensa praga de males intelectuais e morais se estende pelo mundo e faz pressagiar espantoso porvir. Se tantas desgraças devemos deplorar no presente, por parte de pessoas que rece- beram uma educação cristã, o que não devemos esperar da juventude que se vai formando, cujo coração está viciado e o juízo pervertido pelas falsas, nefandas e subversivas doutrinas das seitas ímpias, inimigas declaradas de Deus e de sua religião? Questão de suma importância e, por assim dizer, de vida ou morte, é a que se deve resolver em nossa época: a sa- ber, de difundir ideias profundamente cristãs na geração presente. Para restaurar a sociedade enlouqueci- da, para remediar os males sem número que a rodeiam, não cabe outro recurso que educar catolicamente a juventude. É mister proporcionar a ela uma educação moral e religiosa, a única que pode lhe dar a verdadeira sabedoria e uma sólida virtude. A boa educação é tão necessária às crianças assim como o cultivo é à terra. O fim a que deve se propor todo educa- dor é cultivar o espírito da juventude, in- formando-o com os divinos ensinamentos, únicos que podem conter a corrente impe- tuosa dos males que tanto deploramos. Também é manifesto que somente dos ensinamentos do divino Redentor ema- nam os puros costumes, e que somente neles se apascenta abundantemente a alma e se estabelece a paz nas famílias e a felicidade de todas as classes sociais. Mas que meios deverão ser utilizados para conseguir tão grandes bens? A razão e a experiência afirmam que o mais segu- ro é o ensinamento do Catecismo: código sublime e de incomparável verdade. Mag- nífica síntese que explica todos os enigmas, dissipa todas as dúvidas, rebate todas as dificuldades; laço misterioso que une o homem a Deus, o céu com a terra, o tempo com a eternidade; e todo esforço de palavras, sem rodeios, com suma clareza de tal modo que basta ter ouvidos para escutar e coração dócil para crer e amar. Nem Sócrates, nem Platão, nem sábio algum da antiguidade vislumbraram uma obra semelhante. É indispensável portanto dar a este estudo a importância que mere- ce, pois não há outro mais útil nem mais necessário, uma vez que é o fundamento, a âncora de salvação, a tocha de luz para alumiar nosso caminho, dissipar as trevas ameaçadoras e permitir-nos entrever tem- pos melhores. Honroso é imitar ao que é a honra da raça humana e o exemplo de toda verdadeira grandeza, Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, que fez Cristo senão, primeiro com exemplo e depois com palavras, ensinar- nos sua doutrina salvadora, a doutrina cristã? Que fizeram os Apóstolos? São Paulo o disse com singular delicadeza: “Nos fizemos pequenos no meio de vós, como uma mãe que está acalentando cheia de ternura a seus filhos; de tal ma- neira apaixonados por vós que desejamos com ânsia comunicar-vos, não só o Evan- gelho de Deus, mas também dar-vos nossa vida (1Tes 2,7-8).” Desde que o Divino Redentor manifestou sua predileção pelas crianças, os maiores santos e gênios mais ilustres consagraram -lhes fortemente seu zelo, abnegação e solicitude. Orígenes era catequista em Alexandria; São Cirilo, em Jerusalém; Santo Agostinho, sem falar nos demais Santos Padres da Igreja, o foi brilhantemente, tanto por palavras como por escrito. Com que gama de argumentos e belíssimas comparações prova o ilustre Bispo de Hi- pona, não só a dignidade da tarefa de catequizar aos brutos, senão também a suavidade e doçura com que falam em tão santos exercícios os que de fato tem amor às almas dos pobres e pequeninos! Para São Carlos Borromeu, São Francisco de Sales e outros mil, ensinar o Catecismo era sua obra predileta. Tal tem sido o pensamento invariável desde Santo Agostinho até Bossuet, e des- de Orígenes até Fenelón e Dupanloup. Este célebre Bispo de Orleáns, ao publicar seu Método de Catecismo, dizia: “ Confessa- mos com ingenuidade: esta obra tem to- das as predileções de nossa alma; a ela temos dedicado a melhor parte de nossa vida; é a mais importante de quantas nos haveremos de ocupar; é a obra fundamen- tal”. E o apóstolo da infância em nosso sécu- lo, o insigne Dom Bosco, acaso não encer- rou toda sua honra na imitação de Cristo e de seus Apóstolos, deixando, não só que as crianças se aproximassem dele, mas também indo atrás delas para ensiná-las e transformá-las a seu tempo em catequis- tas e missionários? Mas, para que aludir a outros exemplos, quando a Igreja por meio de seus Pontífi- ces, há exortado sempre aos fiéis que es- tudem o Catecismo? Com este fim veio à luz para um grande número o grande Cate- cismo do Concílio de Trento, fruto de gran- des e profundos estudos, e publicado por ordem de São Pio V. Extenso seria enume- rar os decretos e exortações dos Sumos Pontífices sobre a importância do Catecis- mo, e como em todas as partes do mundo cristão os pastores eclesiásticos promulga- ram leis, sancionadas com penas, estimu- lando a sacerdotes e leigos, grandes e pequenos para que se empenhem no ensi- no e estudo da Doutrina Católica. Ainda mais: a Igreja, sumamente compadecida, há aprovado congregações, associações, confrarias, etc., que tem por fim instruir à juventude na Doutrina Cristã. Por isso, Santo Inácio não só exercia este santo Ministério, mas quis obrigar com voto a seus filhos para que se dedicassem a cate- quizar. Edificantes, sem dúvida, são os fatos que sobre isso se leem na vida de São Francisco de Borja e na de tantos outros. São Francisco Xavier balbuciou com as crianças os primeiros rudimentos da fé cristã, “andava por todas as ruas da cidade de Goa e pedia por Deus, e em voz alta, aos pais de família, que enviassem seus filhos e criados ao Catecismo”. Desde o tempo de São Pio V se fundou em Roma a congregação dos catequistas, com o título de Padres da Doutrina Cristã e, pouco depois, o Oratório de São Felipe Neri. Na França, V. César de Bus, que foi chamado o apóstolo da infância, fundou também uma congregação. Na mesma França São João Batista de la Salle insti- tuiu uma congregação chamada Irmãos das Escolas Cristãs. Do exposto até aqui, deve-se deduzir necessariamente a importância do Catecis- mo e a necessidade de aplicarmo-nos com zelo em tão sublime ministério. EXCELÊNCIA DO CATECISMO E l c a t e q ui s t a in s t r u íd o – m é t o d o p a r a e n s e ñ a r b i e n e l c a t e c is m o P e . C i r i a c o S a n t in e l li T r a d uç ã o : C a p e la N os s a S e n h or a da s A l e g r i a s
  4. 4. O CÉU É O PRÊMIO O Céu é o prêmio. A matraca sonora Que chega antes da hora Faz-me saltar do leito. O Céu é o prêmio. E logo ao despertar, Se vêem outras maravilhas Que não são as de Paris. O Céu é o prêmio. Em minha pobre cela Não há cortinas de tule, Nem espelhos nem tapetes. O Céu é o prêmio. Não há mesa nem cadeira. A felicidade aqui É não estar à vontade. O Céu é o prêmio. Descubro, sem alarme, Minhas luzentes armas E amo o ruído que fazem. O Céu é o prêmio. Venha a mim o sacrifício, Cadeias, cruz e cilício: São estas as minhas armas. O Céu é o prêmio. Logo depois da oração, Deve-se beijar o chão, Porque a regra assim ordena. O Céu é o prêmio. Escondo minha armadura Debaixo do meu burel E de meu véu abençoado. O Céu é o prêmio. Se a “senhora” natureza Manifesta alguma queixa, Eu lhe respondo sorrindo: O Céu é o prêmio. Jejuar é muito fácil, Pois deixa a gente mais ágil; Mas, se vem fome... azar nosso! O Céu é o prêmio. Nós aqui não respeitamos Os nabos, as batatinhas, Cenouras, couves, rabanetes. O Céu é o prêmio. Ninguém jamais se espanta Se, à noite, só se nos dão Um pouco de pão e frutas. O Céu é o prêmio. Às vezes, sem exagero, O pão passa e também deixo As frutas dentro do prato. O Céu é o prêmio. Meu prato é feito de barro, Minha mão serve de garfo E a colher é de madeira. O Céu é o prêmio. Enfim, quando nos reunimos, Podemos conversar juntas Sobre as alegrias do Céu. O Céu é o prêmio. Trabalhando conversamos, Uma coze e a outra corta Os paramentos do altar. O Céu é o prêmio. Vê-se uma alegria santa Homenagem a Santa teresa de Jesus (D’Ávila) Por ocasião do V centenário de seu nascimento Que deixa sua bela marca Nas frontes claras e abertas. O Céu é o prêmio. Uma hora passa logo, E eu volto a ser ermitã Sem franzir as sobrancelhas. O Céu é o prêmio. O silêncio se interrompe Com ruídos de penitência Que nos deixam meio surdas. O Céu é o prêmio. Vão desfilando meus golpes: Sessenta e seis mil por ano é uma conta bem exata. O Céu é o prêmio. É em favor dos missionários Que fazemos estas guerras Sem tréguas nem compaixão. Santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face
  5. 5. A F a m í l i a C a t ó l i c a - e d i ç ã o 3 0P á g i n a 5 Como disse em outro lugar, não quero nem me cabe determinar a cada um como agir concretamente com respeito às redes sociais (Facebook, etc.). Mas, ainda que muito brevemente, quero e devo alertar a todos sobre os riscos que me parece elas implicam. Como nunca fiz parte de nenhuma, só as tratarei a partir de dois de seus efeitos visíveis: o tempo que se perde em tais redes; o fato notório de que, muito ao contrário do que se anuncia, elas são lugar de inimizades, rixas, contendas, detrações, injúrias. 1) O mundo atual, tanto o capitalista como o comunista ou a mescla de ambos, com sua transformação das pessoas em engrenagens de uma imensa máquina de fazer dinheiro, tirou ao homem grandíssi- ma parte do tempo de ócio, exatamente aquele em que podia viver segundo o que é superior em sua alma: aplicando-se à contemplação, sobretudo de Deus. Impe- diu, assim, o que para Aristóteles era a vida feliz: a bíos theoretikós (exatamente, a vida contemplativa). Que dizer então do que aconteceu à religião e suas práticas, esta mesma religião que, por virtude so- brenatural, constitui o ápice da vida con- templativa – e de que depende nada me- nos que a salvação eterna das almas? Mas há mais. Já desde a revolução in- dustrial e da Lei Le Chapelier, a vida fami- liar pelo menos se fragilizou imensamen- te. O divórcio, que veio a tornar-se uma permanente espada de Dâmocles sobre sua cabeça, agravou muito a situação, e é fato que a família está hoje em franca dissolução. Mas some-se a tudo isso a Os riscos das Redes Sociais Carlos Nougué televisão, por exemplo, e tem-se um qua- dro dramático: os cônjuges ou estão tra- balhando, ou estão vendo televisão – ou, ainda, fazendo desta a baby-sitter eletrô- nica de seus filhos. Como pôr em ação, assim, o tear que dia a dia tece e retece a solidez da família e da criação dos filhos? Pois somem-se agora a todo o anterior as redes sociais! O imenso tempo que se perde nelas é como a pá de cal sobre a vida contemplativa e sobre a familiar. Em nome de quê? De um simulacro, aliás feio, da vida social autêntica e sã. Já não se trata das boas risadas que se podem dar junto com o amigo; já não se trata da conversa maravilhada no intervalo de um concerto (de música boa, é claro); já não se trata pois da vivência direta de algo a que tendemos naturalmente. Trata-se de algo como um fantasma. Com efeito, para a vida social autêntica e sã, é essencial o contato direto, o rosto amigo diante dos olhos, o enlevo sentido em comum diante do belo. Mas para o sucedâneo de vida social que são as redes sociais basta o virtual, o espectral – uma imagem de rosto, por exemplo. E por aí se vê que tais redes são tudo, menos verdadeiramente sociais. 2) E é daí que decorre o segundo efeito acima enunciado. Neste sucedâneo de “relação social” constituído pelas redes, entre tais imagens fantasmáticas que pretendem substituir-se à presença efeti- va do outro, e por trás do biombo da tela do computador, é muito fácil à natureza caída do homem sentir-se todo-poderosa e, em vez de iludir-se com um espectro de relação social, passar a fazer dele um poderoso instrumento de inimizade. Atrás desse diabólico biombo, quantos não se sentem no direito de afrontar e injuriar o outro? Não raro por “motivos nobres”: defender a religião, uma doutri- na, etc. Tal nobreza, porém, muito amiúde se perde totalmente, porque aquela mes- ma sensação de todo-poder, como parte de algo fantasmático, acaba por logo substituir qualquer motivo nobre – e o que era nobre torna-se ignóbil. Com efei- to, o exercício autêntico de qualquer po- der requer, necessariamente, a posse do conhecimento que permite esse mesmo exercício. Qualquer poder é tirânico se não fundado em conhecimento o mais perfeito possível. Que se vê nada rara- mente, todavia, nas redes sociais? Exata- mente inimizades, injúrias, detrações, etc., essas pequenas tiranias em nome da defesa de uma doutrina. Mas a defesa de uma doutrina requer conhecimento dela, o qual só se adquire por estudo. Como, contudo, encontrar tempo para tal estudo se ele é consumido por aquelas mesmas redes? Some-se tudo o que se disse acima e ter -se-á, parece, a razão principal do triste espetáculo de inimizades, contendas, injúrias que vemos transbordar de um espaço virtual e fantasmático para o que nos resta de vida social real. Sim, porque é este um dos efeitos mais malignos das redes sociais: não só roubar à vida social autêntica grande parte do pouco tempo que lhe resta, mas empeçonhar e enfer- mar cada dia mais este mesmo restante. Edição: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória, ES. http:/www.nossasenhoradasalegrias.com.br Entre em contato conosco pelo e-mail: jornalafamiliacatolica@gmail.com

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