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Afinal os dinossáurios também iam à praia

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Uma jazida do Jurássico Médio de Portugal com abundantes invertebrados e também com pegadas de dinossaurios.

Published in: Science
  • Uma espetacular jazida do Jurássico médio foi descoberta em 2003, mas só em finais de 2013 foi conhecida. Situada dentro do PNSAC, a pedreira da Ladeira, desativada, foi um local escolhido para uma saída de campo em plenas férias da Páscoa. Os alunos do 9º ano descobriram que nessa antiga «praia Jurássica» (como ficou conhecida nos órgãos de comunicação) também ocorrem pegadas de dinossáurios, provavelmente deixadas por ornitopodes bípedes que quase flutuavam.
    Este trabalho foi apresentado no IX Congresso Nacional Cientistas em Ação e recebeu um 1º prémio (Centro de Ciência Viva de Estremoz).
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Afinal os dinossáurios também iam à praia

  1. 1. Afinal os dinossáurios também iam à praia… Tomás Alvim Sofia Cruz Carlos Marques 9º ano
  2. 2. • Em Dezembro de 2013, vários órgãos de informação noticiaram a descoberta de uma nova jazida com abundantes fósseis de animais marinhos, localizada numa pedreira desativada na freguesia de S.Bento, concelho de Porto de Mós.
  3. 3. Em Abril, em plenas férias da Páscoa, deslocámo-nos à pedreira da Ladeira, de acesso difícil e complicado, com vários objetivos: . Observar os somatofósseis dos animais marinhos ali preservados . Observar a longo sulco que surgiu referido como tendo origem num réptil marinho . Refletir sobre a excepcional preservação dos somatofósseis . Tentar encontrar explicações para a grande diversidade e preservação superior
  4. 4. Verificámos que numa extensão cobrindo cerca de 2000 metros quadrados se observam os habitantes de uma verdadeira praia Jurássica – os bivalves e os equinodermes são numerosos e apresentam pormenores de preservação excelentes.
  5. 5. Entre os equinodermes estão preservados estrelas do mar, ofiurídeos e ouriços.
  6. 6. Equinodermes do grupo dos crinóides, crustáceos e peixes não foram observados. Mas soubemos que parte dos exemplares foi retirada ….
  7. 7. Também não encontrámos vestígios desse longo sulco que alguns órgãos de informação referiram poder ter origem na atividade de um réptil marinho. “Entre os achados está um sulco com 13 metros, que corresponde ao rasto de um animal marinho ainda não identificado, marcado na rocha, como uma fotografia tirada há 166 milhões anos” - arqueólogo e geólogo António José Teixeira ao jornal Publico (10/12/2013).
  8. 8. Em 29/11/2013 a Assembleia Municipal de Porto de Mós aprovou a classificação da pedreira da Ladeira como Geo- monumento. Depois foi a Assembleia da República.
  9. 9. • Lagerstatten (singular Laggerstatte) são jazidas fossilíferas que são excepcionalmente notáveis, quer pela diversidade, quer pela qualidade da preservação. Geralmente, ambas as qualidades são encontradas. Muitos destes depósitos sedimentares exibem fósseis extraordinários com preservação excepcional, incluindo por vezes a preservação dos tecidos moles dos organismos. Fauna de Ediacara, do Vendiano, anterior aos inícios da era Paleozóica.
  10. 10. Os calcários de Solnhofen, do Jurássico final da Alemanha, constituem o mais famoso Lagerstatte, já que lá estão preservados um conjunto notável de organismos raros, incluindo pormenores minuciosos das partes moles de organismos (como anémonas), ou as penas das aves mais antigas conhecidas – Archaeopteryx.
  11. 11. A jazida da Ladeira pode não ser rigorosamente uma Lagerstatte, mas será o mais aproximado que temos em Portugal até ao momento.
  12. 12. Num dos níveis observam-se ripple- marks – marcas de ondulação bem nítidas, indicadoras de ondulação ligeira em águas pouco profundas. Analisadas em pormenor, fornecem dados importantes sobre a origem do vento, sentido de deslocação das águas, tipo de agitação marinha, há cerca de 165 milhões de anos – Jurássico médio. E a idade da jazida é outro assunto muito importante. De fato, o Jurássico médio é um intervalo de tempo muito «obscuro», já que as jazidas a nível mundial são muito escassas.
  13. 13. No decorrer desta saída fomos notando que num dos estratos ocorrem marcas de pés de animais de porte médio, vertebrados. Como estas impressões surgem com morfologias e dimensões muito semelhantes, começámos a compreender que representam pegadas de pés tridáctilos. Algumas destas pegadas apresentam a marca de todo o pé digitígrado, incluindo a impressão posterior correspondente à parte distal dos metatarsos (erradamente conhecida por «calcanhar»).
  14. 14. Noutras a impressão posterior é bastante ténue. Mas são facilmente reconhecíveis as impressões das extremidades dos dígitos, terminando em cascos alargados. Estas impressões de unguais (últimas falanges) ovais e o facto do comprimento e largura das pegadas serem idênticos, permitem identificar os autores como dinossáurios ornitopodes.
  15. 15. Alguns exemplares mostram apenas impressa as extremidades dos dígitos, como se o animal estivesse quase a boiar, tocando no fundo marinho apenas com as pontas dos dedos.
  16. 16. Tendo em conta as dimensões das pegadas, a altura da anca dos autores rondaria 1,5m. Estes dinossáurios bípedes herbívoros ter-se-iam deslocado quase boiando num tempo em que a coluna de água teria aproximadamente esta altura.
  17. 17. Duas outras pegadas distintas são bem visíveis porque apresentam um rebordo elevado nas suas margens. Têm uma forma de feijão, com dimensões idênticas – comprimento de 20 cm e largura de 40 cm. Nota-se na sua extremidade inferior interna uma saliência, que corresponderá à impressão do digito I. Estas caraterísticas sugerem que se trata de impressões de mãos de sauropodes, os grandes quadrúpedes herbívoros dos tempos Jurássicos.
  18. 18. Dentro de água, nadando, boiando, a favor ou contra a corrente, a deslocação dos animais nunca produzirá pistas com pegada atrás de pegada, a distâncias constantes, com ângulos de passo sempre muito «certinhos». O mesmo deve acontecer mesmo quando os animais progridem assentando a parte digitígrada dos autopodes nos fundos marinhos, já que as correntes, as alterações dos fundos, a própria natureza destes (lodos, por exemplo) devem influenciar aleatoriamente a deslocação. Por estas razões não deve surpreender que não tenhamos conseguido identificar segmentos de pistas.
  19. 19. De acordo com o esquema, as amostras de pegadas dos ornitopodes presentes na praia da Ladeira encaixam-se nas categorias b e c.
  20. 20. Assim, a jazida da Ladeira fornece um quadro mais amplo da vida numa planície litoral durante o Jurássico – para além dos abundantes animais marinhos, a “praia” era também visitada por dinossáurios que, embora não fossem animais bem adaptados à vida aquática, tentariam atravessar essas águas, quem sabe se numa tentativa de fuga de predadores ferozes….
  21. 21. A descoberta de pegadas de dinossáurios nesta antiga praia confirma o carácter excepcional da jazida da Ladeira. Fica para os investigadores a tarefa que compreenderam as razões que justificam a conservação em qualidade e abundância, tanto de somatofósseis como de icnofósseis. Para nós fica mais um desafio – tentarmos descobrir pegadas e rastos de outros vertebrados, incluindo peixes, crocodilianos, pterossaurios e tartarugas, que muito provavelmente também visitavam essas praias Jurássicas.

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