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Fichamento e resenha casa grande e senzala

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Fichamento e resenha casa grande e senzala

  1. 1. Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Turismo Eixo Profissional: Hospitalidade e Lazer Disciplina: Antropologia Cultural Prof.: David Moreno Fichamento e Resenha de Obra:Casa-grande & senzala – Gilberto Freyre (Cap.: 01) Canindé, março/2012
  2. 2. Fichamento Parcial da Obra Casa-grande & senzala: Equipe 04: Ana Clara Silva Almeida; Antônio Lucas Souto Mendes; Cristiane Silva Almeida; Glecy Anne Castro Pereira; Renata Rodrigues da Silva; Renata Tamares Uchoa da Silva e Vânia Maria Bandeira Lobo.FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regimeda economia patriarcal; apresentação de Fernando Henrique Cardoso. 51 ed. rev. SãoPaulo: Global, ano 2006. Cap. I, pp. 65-117. “Formou-se na América tropical uma sociedade agrária na estrutura,escravocrata na técnica de exploração econômica, híbrida de índio e mais tarde de negrona composição...” (p.65). “A singular predisposição do português para a colonização híbrida eescravocrata dos trópicos, explica-a em grande parte o seu passado étnico, ou antes,cultural, de povo indefinido entre a Europa e a África...” (p.66). “(...) Toda a invasão de celtas, germanos, romanos, normandos- o anglo-escandinavo, o H.. Europaeus L., o feudalismo, o cristianismo, o direito romano, amonogamia. Que tudo isso sofreu restrição ou refração em Portugal influenciado pelaÁfrica, condicionado pelo clima africano, solopolado pela mística sensual doislamismo...” (p.67). “Entre outros, verificou Ferraz de Macedo no português os seguintescaraterísticas desencontrados: a “genesia violenta” e o “gosto pelas anedotas de fundoerótico”, “o brio, a franqueza, a lealdade”, “a pouca iniciativa individual”, “opatriotismo vibrante”, “a imprevidência”, “a inteligência”, “o fatalismo vibrante”, “aprimorosa aptidão para imitar”... ”(p.68). 1
  3. 3. “O que se sente em todo esse desadoro de antagonismo são as duas culturas, aeuropeia e a africana, a católica e a católica e a maometana, a dinâmica e a fatalistaencontrando-se no português, fazendo dele, de sua vida, de sua moral, de sua economia,de sua arte um regime de influencias que se alternam, se equilibram ou sehostilizam...”(p.69). “A mobilidade foi um dos segredos da vitória portuguesa (...) Os indivíduos devalor,guerreiros,administradores,técnicas,eram por sua vez deslocados pela políticacolonial de Lisboa como peças em um tabuleiro de gamão: da Ásia para a África,conforme conveniências de momento ou de religião...”(p.70). “(...) Ódio que resultaria mais tarde em toda a Europa na idealização do tipolouro identificando como personagens angélicas e divinas e detrimento do moreno,identificando com os anjos maus, com os decaídos, os malvados, os traidores...”(p.71). “(...) Com relação ao Brasil, que o diga o ditado: “Branca para casar, mulata paraf..., negra para trabalhar”; ditado em que se sente, ao lado do convencialismo social dasuperioridade da mulher branca e da inferioridade da preta, a preferência sexual pelamulata... “(p.72 ). “Ao contrário da aparente incapacidade dos nórdicos, é que os portugueses têmrevelado tão notável aptidão para se aclimatizarem em regiões tropicais...” (p.73). “... A falta de gente, que o afligia, mais do que a qualquer outro colonizador,focando-o à imediata miscigenação – o que não o indispunham, aliás, escrúpulos deraça, apenas preconceitos religiosos – foi para o português vantagem na sua obra deconquista e colonização dos trópicos. Vantagem para a sua melhor adaptação, senãobiológica, social...”(p.74-75). “Embora o clima já ninguém o considere o senhor – deus – todo – poderoso deantigamente, é impossível negar-se a influência que exerce na formação e nodesenvolvimento das sociedades...” (p.75). 2
  4. 4. “De modo que o homem já não é o antigo mané-gostoso de carne abrindo osbraços ou deixando-os cair ao aperto do calor ou do frio...” (p.76). “Tudo era aqui desequilíbrio. Grandes excessos e grandes deficiências, as danova terra...” (p.77). “Os portugueses vinham encontrar na América tropical uma terra deaparentemente fácil; na verdade dificílima (...) as formas perniciosas de vida vegetal eanimal, inimigas de toda cultura agrícola organizada e de todo trabalho regular esistemático...” (p.78). “No Brasil iniciaram os portugueses a colonização em larga escala dos trópicospor uma técnica econômica e por uma política social inteiramente novas (...) Asociedade colonial no Brasil, principalmente em Pernambuco e no Recôncavo da Bahia,desenvolveu-se patriarcal e aristocraticamente à sombra das grandes plantações deaçúcar...”(p.79). “No Brasil a colonização particular, muito mais que a ação oficial, promoveu amistura de raças, a agricultura latifundiária e a escravidão...” (p.80). “A família, não o individuo, nem tampouco o Estado nem nenhuma companhiade comércio, é desde o século XVI o grande fator colonizador no Brasil...” (p.81). “A lei de 7 de janeiro de 1453, de D. Dinis, diz-nos o general morais Sarmento,que “mandava tirar a língua pelo pescoço e queimar vivos os que descriam em Deus oudirigiam doestos a Deus ou aos Santos; e por usar d feitiçarias “per que uma pessoaqueria bem ou mal a outro(...) Pelo crime de matar o próximo, de desonrar-lhe a mulher,de estrupar-lhe a filha, o delinquente não ficava, muitas vezes, sujeito a penas maisseveras que a de “pagar de multa de galinha” ou a de “pagar mil e quinhentos módios”.Contanto que fosse acoitar-se a um dos numerosos “coitos de homiziados”...”(p.82). “É possível que se degredassem de propósito para o Brasil, visando ao interessegenético ou de povoamento, indivíduos que sabemos terem sido expatriados porirregularidades ou excessos na sua vida sexual (...) atraídos pelas possibilidades de uma 3
  5. 5. vida livre, inteiramente solta, no meio de muita mulher nua, aqui se estabeleceram porgosto ou vontade própria muitos europeus...” (p.83). “(...) Dada a liberdade que tinha o europeu de escolher mulher entre dezenas deíndias. De semelhante intercurso sexual só podem ter resultado bons animais, ainda quemaus cristãos ou mesmo más pessoas(...)o português trazia mais a seu favor, e a favorda nova colônia, toda a riqueza e extraordinária variedade de experiências acumuladasdurante o século XV na Ásia e na África, na madeira e em Cabo Verde...”(p.84). “(...) a família colonial reuniu, sobre a base econômica da riqueza agrícola e dotrabalho escravo, uma variedade de funções sociais e econômicas (...) o oligarquismo eo nepotismo, que aqui madrugou, chocando-se ainda em meados do século XV com oclericalismo dos padres das campanhas (...) e não encontrando aí outra forma deatividade, nem possibilidade de fortuna senão a exploração estável, agrícola, opovoamento regular, assim procedeu e mostrou, antes de qualquer outro povo da EuropaMedieval, ser excelente povoador, porque juntava as qualidades de primeiro às deformador de vida agrícola e regular em terras novas...”(p.85). “(...) Para os portugueses o ideal teria sido não uma colônia de plantação, masoutra Índia com que israelitamente comerciassem em especiaria e pedras preciosas; ouum México ou Peru de onde pudessem extrair ouro e prata (...)Nem reis de Cananornem sobas de Sofala encontraram os descobridores do Brasil com que tratar ounegociar. Apenas morubixabas. Bugres. Gente quase nua e á toa, dormindo em rede ouno chão, alimentando-se de farinha de mandioca, de fruta do mato, de caça ou peixecomido cru ou depois de assado em borralho...”(p.86). “(...) Ás necessidades dos homens que criaram o Brasil aquelas formidáveismassas, rios e cachoeiras, só em parte, e nunca completamente, se prestaram às funçõescivilizadoras de comunicação regular e de dinamização útil(...)Sem equilíbrio novolume nem regularidade no curso, variando extremamente em condições denavegabilidade e de utilidade, os rios grandes foram colaboradores incertos – se é quepossamos considerar colaboradores – do homem agrícola na formação econômica esocial do nosso pais...”(p.87). 4
  6. 6. “(...) Tanto mais rica em qualidade e condições de permanência foi a nossa vidarural do século XVI e XIX onde mais regular foi o suprimento de água, onde maisequilibrados foram os rios ou mananciais (...) Com o bandeirante o Brasil autocoloniza-se...”(p.88-89). “Se é certo que o furor expansionista dos bandeirantes conquistou-nosverdadeiros luxos de terras, é também exato que nesse desadoro de expansãocomprometeu-se a nossa saúde econômica e quase que se comprometia a nossa unidadepolítica...” (p.89). “Os jesuítas foram outros que pela influência do seu sistema uniforme deeducação e de moral sobre um organismo ainda tão mole, plástico, quase sem ossos,como o da nossa sociedade colonial nos séculos XVI e XVII, contribuíram para articularcomo educadores, o que eles próprios dispersavam como catequistas e missionários (...).Os portugueses trazem para o Brasil nem separatismos políticos, como os espanhóispara o seu domínio americano, ne divergências religiosas, como os ingleses e francesespara as suas colônias...” (p.90). “O europeu se contagiara de sífilis e de outras doenças, transmissíveis erepugnantes. Daí resultará o medo ao banho e o horror à nudez (...). Dos indígenasparece ter ficado no brasileiro rural ou semi-rural o hábito de defecar longe de casa; emgeral no meio de touça de bananeiras perto do rio.” (p. 91) “Os indígenas do Brasil estavam, pela época da descoberta, ainda na situação derelativo parasitismo do homem e sobrecarga da mulher (...).” (p. 93) “Das comidas preparadas pela mulher as principais eram as que se faziam com amassa ou a farinha de mandioca (...) eles dão um gosto à alimentação brasileira que nemos pratos de origem lusitana nem os manjares africanos jamais substituiriam (...)” (pp95-96) “Outros conhecimentos úteis à atividade ou à economia doméstica transmitiram-se da cultura vegetal do indígena à civilização do colonizador europeu, que osconservou ou desenvolveu, adaptando-os às suas necessidades (...).” (p.96) 5
  7. 7. “Do beiju cita Araújo Lima uma variedade de modernas especializaçõesamazonenses. Além do beiju simples, conhecido de todo brasileiro por esse nome oupelo de tapioca (...). Não só em relação ao beiju, mas a tudo quanto é comida indígena, aAmazônia é a área de cultura brasileira mais impregnada de influência cabocla.” (p.96) “A maçoca, de que se fazem vários bolos, além do caribé, não se restringe aoAmazonas (...). Sabe-se o abuso que faziam os indígenas da pimenta: abuso que seprolonga na culinária brasileira de hoje. (...)” (p.97) “Seria longa a lista de plantas e ervas medicinais de conhecimento e uso dosíndios: delas mais teria aproveitado a cultura brasileira, se melhores tivessem sido asrelações entre os primeiros missionários e os pajés e curandeiros indígenas (...)” (p.98) “Foi completa a vitória do complexo indígena da mandioca sobre o trigo:tornou-se a base do regime alimentar do colonizador (é pena que sem se avantajar aotrigo em valor nutritivo e em digestibilidade, como supôs a ingenuidade de GabrielSoares). Ainda hoje a mandioca é o alimento fundamental do brasileiro e a técnica doseu fabrico permanece, entre grande parte da população, quase que a mesma dosindígenas. (...) A nenhuma cozinha que se preze de verdadeiramente brasileira, falta aurupema ou o pilão, o alguidar ou o pote de água (...)” (p.98) “Pelo antagonismo que cedo se definiu no Brasil entre a grande lavoura, oumelhor, a monocultura absorvente do litoral, e a pecuária, por sua vez exclusivista, dossertões, (…) viu-se a população agrícola, mesmo a rica, (…) senhora de léguas de terra,privada do suprimento regular e constante de alimentos frescos.” (pp. 98-99). “Da Bahia, tão típica da agricultura latifundiária por um lado, e da pecuáriaabsorvente por outro, que uma imensa parte de suas terras chegou a pertencer quasetoda a duas únicas famílias, a do Senhor da Torre e a do mestre-de-campo AntônioGuedes de Brito. (...) sabe-se que os grandes proprietários de terra, a fim de nãopadecerem danos nas duas lavouras - a de açúcar ou a de tabaco- evitavam nos vastosdomínios agrícolas os animais domésticos, (…) a Bahia, com todo o seu fasto, chegouno século XVIII a sofrer de "extraordinária falta de farinhas", pelo que de 1788 em 6
  8. 8. diante mandaram os governadores da capitania incluir nas datas de terra a cláusula deque ficava o proprietário obrigado a plantar "mil covas de mandioca por cada escravoque possuísse empregado na cultura da terra(...) É certo que o padre Fernão Cardim, nosseus Tratados, está sempre a falar da fartura de carne, de aves e até verduras e de frutascom que foi recebido por toda parte no Brasil do século XVI, (…) Mas (…) Era umpersonagem a quem todo agrado que fizessem os colonos era pouco: a boa impressãoque lhe causassem a mesa farta e os leitos macios dos grandes senhores de escravostalvez atenuasse a péssima, da vida dissoluta que todos eles levavam nos engenhos deaçúcar.” (pp. 99-100) “Pelos grandes jantares e banquetes, (...) não se há de fazer ideia exata daalimentação entre os grandes proprietários; muito menos da comum, entre o grosso dosmoradores. (…) as festas gastronômicas entre eles talvez se compensassem com osjejuns. O que parece poder aplicar-se, com literal exatidão, aos banquetes coloniais noBrasil intermeados decerto por muita parcimônia alimentar, quando não pelos jejuns epelas abstinências mandadas observar pela Santa Igreja. Desta a sombra matriarcal seprojetava então muito mais dominadora e poderosa sobre a vida íntima e doméstica dosfiéis do que hoje (...) País de Cocagne coisa nenhuma: terra de alimentação incerta evida difícil é que foi o Brasil dos três séculos coloniais. A sombra da monoculturaesterilizando tudo. Os grandes senhores rurais sempre endividados. As saúvas, asenchentes, as secas dificultando ao grosso da população o suprimento de víveres.” (pp.100-101) “O luxo asiático, que muitos imaginam generalizado ao norte açucareiro,circunscreveu-se a famílias privilegiadas de Pernambuco e da Bahia. E este mesmo umluxo mórbido, doentio, incompleto. Excesso em umas coisas, e esse excesso à custa dedívidas (...). De todo o Brasil é o padre Anchieta quem informa andarem os colonos doséculo XVI, mesmo "os mais ricos e honrosos" e os missionários, de pé descalço, àmaneira dos índios (…). Nem esqueçamos este formidável contraste nos senhores deengenho: a cavalo grandes fidalgos de estribo de prata, mas em casa uns franciscanos,descalços, de chambre de chita e às vezes só de ceroulas. Quanto às grandes damascoloniais, ricas sedas e um luxo de teteias e joias na igreja, mas na intimidade, decabeção, saia de baixo, chinelo sem meias. Efeito em parte do clima, esse vestuário tãoà fresca; mas também expressão do franciscanismo colonial, (…).” (pp. 101-102) 7
  9. 9. “A própria Salvador da Bahia, quando cidade dos vice-reis, habitada por muitoricaço português e da terra, cheia de fidalgos e de frades, notabilizou-se pela péssima edeficiente alimentação (…) Má nos engenhos e péssima nas cidades: tal a alimentaçãoda sociedade brasileira nos séculos XVI, XVII e XVIII. Nas cidades, péssima eescassa.” (p. 102). “(...) Era a sombra da monocultura projetando-se por léguas e léguas em voltadas fábricas de açúcar e a tudo esterilizando ou sufocando, menos os canaviais e oshomens e bois a seu serviço. Não só na Bahia, em Pernambuco e no Maranhão como emSergipe del-Rei e no Rio de Janeiro verificou-se com maior ou menor intensidade,através do período colonial, o fenômeno (…) da escassez de víveres frescos, queranimais quer vegetais. Mas talvez em nenhum ponto tão agudamente como emPernambuco.” (p. 103) “De modo que a nutrição da família colonial brasileira, a dos engenhos enotadamente a das cidades, surpreende-nos pela sua má qualidade: pela pobrezaevidente de proteínas de origem animal; (…) pela falta de vitaminas; de cálcio e deoutros sais minerais; e, por outro lado, pela riqueza certa de toxinas (...). Se aquantidade e a composição dos alimentos não determinam sozinhas (…) as diferençasde morfologia e de psicologia, o grau de capacidade econômica e de resistência àsdoenças entre as sociedades humanas, sua importância é entretanto considerável, (…).Já se tenta hoje retificar a antropogeografia dos que, esquecendo os regimes alimentares,tudo atribuem aos fatores raça e clima; (…). É uma sociedade, a brasileira, que aindagação histórica revela ter sido em larga fase do seu desenvolvimento, mesmo entreas classes abastadas, um dos povos modernos mais desprestigiados na sua eugenia emais comprometidos na sua capacidade econômica pela deficiência dealimento(...)Aliás, a indagação levada mais longe (...) revela-nos no peninsular dosséculos XV e XVI, como adiante veremos, um povo profundamente perturbado no seuvigor físico e na sua higiene por um pernicioso conjunto de influências econômicas esociais. Uma delas, de natureza religiosa: o abuso dos jejuns.” (p.104) “Pode-se generalizar sobre as fontes e o regime de nutrição do brasileiro: asfontes - vegetação e águas - ressentem-se da pobreza química do solo, exíguo, em larga 8
  10. 10. extensão, de cálcio; (…) A pobreza de cálcio do solo brasileiro escapa quase de todo aocontrole social ou à retificação pelo homem; as outras duas causas, porém, encontramexplicação na história social e econômica (...) - na monocultura, no regime de trabalhoescravo, no latifúndio, responsáveis pelo reduzido consumo de leite, ovos e vegetaisentre grande parte da população brasileira (...). Se excetuamos da nossa generalizaçãosobre a deficiência alimentar na formação brasileira as populações paulistas, é por terematuado sobre elas condições um tanto diversas das predominantes no Rio de Janeiro e aoNorte: geológicas e meteorológicas, (…).” (p.105) “Essa causa, a diferença nos dois sistemas de nutrição. Um, o deficiente, depopulações sufocadas no seu desenvolvimento eugênico e econômico pela monocultura;o outro, equilibrado, em virtude da maior divisão de terras e melhor coordenação deatividades - a agrícola e a pastoril - entre os paulistas.” (p. 106) “... passarem a explorar o escravo no objetivo do maior rendimento mas semprejuízo da sua normalidade de eficiência. A eficiência estava no interesse do senhorconservar no negro - seu capital, sua máquina de trabalho, alguma coisa de si mesmo:de onde a alimentação farta e reparadora que Peckolt observou dispensarem os senhoresaos escravos no Brasil.(..)E sua abundância de milho, toucinho e feijão recomenda-acomo regime apropriado ao duro esforço exigido do escravo agrícola(...)ascendênciaafricana muitas das melhores expressões de vigor ou de beleza física em nosso país: as 152mulatas, as baianas, as crioulas, as quadraronas, as oitavanas, os cabras deengenho,153 os fuzileiros navais,154 os capoeiras, os capangas, os atletas, os estivadoresno Recife e em Salvador, muitos dos jagunços dos sertões baianos e dos cangaceiros doNordeste. A exaltação lírica que se faz entre nós do caboclo, isto é, do indígena tantoquanto do índio civilizado ou do mestiço de índio com branco, no qual alguns queremenxergar o expoente mais puro da capacidade física, da beleza e até da resistência moralda sub-raça brasileira...” (p. 107) “Salienta mais o antropólogo brasileiro que é grave erro acreditar que no grandesertão central e na baixada amazônica o sertanejo seja só caboclo (...). A supostaimunidade absoluta do sertanejo do sangue ou da influência africana não resiste a examedemorado. Se são numerosos os brancos puros em certas zonas sertanejas, em outras sefazem notar resíduos africanos.” (p. 108) “Escasseavam entre os escravos fugidos as mulheres de sua cor, recorrendo eles,para suprir a falta, "ao rapto das índias" ou caboclas de povoados e aldeamentos 9
  11. 11. próximos: teriam assim espalhado o seu sangue por muita zona considerada depoisvirgem de influência negra (...). Os escravos negros gozaram sobre os caboclos ebrancarões livres da vantagem de condições de vida antes conservadoras quedesprestigiadoras da sua eugenia: puderam resistir melhor às influências patogênicas,sociais e do meio físico e perpetuar-se assim em descendências, mais sadias e vigorosas(...). Da ação da sífilis já não se poderá dizer o mesmo; que esta foi a doença porexcelência das casas-grandes e das senzalas. A que o filho do senhor de engenhocontraía quase brincando entre negras e mulatas ao desvirginar-se precocemente aosdoze ou aos treze anos.”(p. 109) “À vantagem da miscigenação correspondeu no Brasil a desvantagem tremendada sifilização. Começaram juntas, uma a formar o brasileiro - talvez o tipo ideal dohomem moderno para os trópicos, europeu com sangue negro ou índio a avivar-lhe aenergia; outra, a deformá-lo (...) vem, segundo parece, das primeiras uniões deeuropeus, desgarrados à-toa pelas nossas praias, com as índias que iam elas própriasoferecer-se ao amplexo sexual dos brancos. "A tara étnica inicial" de que fala AzevedoAmaral foi antes tara sifilítica inicial.”(p.110). “A sifilização do Brasil resultou, ao que parece, dos primeiros encontros, algunsfortuitos, de praia, de europeus com índias. Não só de portugueses como de franceses eespanhóis. Mas principalmente de portugueses e franceses. Degredados, cristãos-novos,traficantes normandos de madeira de tinta que aqui ficavam, deixados pelos seus parairem se acamaradando com os indígenas; e que acabavam muitas vezes tomando gostopela vida desregrada no meio de mulher fácil e à sombra de cajueiros e araçazeiros.” (p.111). “Menos infectados não deviam estar os portugueses, gente ainda mais móvel esensual que os franceses. "O mal que assolou o Velho Mundo em fins do século XV",observa em outro dos seus trabalhos Oscar da Silva Araújo, propagou-se no Oriente,tendo sido para aí levado pelos portugueses (...). Ainda que vários tropicalistas, algunsdeles com estudos especializados sobre o Brasil, como Sigaud, deem a sífilis comoautóctone,170 as evidências reunidas por Oscar da Silva Araújo fazem-nos chegar aconclusão diversa. "Os viajantes médicos", lembra ainda o autor brasileiro, "que nosúltimos tempos estudaram as doenças dos nossos índios ainda não mesclados comcivilizados e entre eles os Drs. Roquette-Pinto, Murilo de Campos e Olímpio daFonseca Filho, nunca observaram a sífilis entre esses indígenas, não obstante teremassinalado a existência de várias dermatoses." Acresce que: "os primeiros viajantes e 10
  12. 12. escritores que se referem ao clima e às doenças do Brasil nunca assinalaram a existênciadesse mal entre os silvícolas que até então viviam isolados e não tinham tido contatocom os europeus.” (p. 112) “(...) uma espécie de sadismo do branco e de masoquismo da índia ou da negraterá predominado nas relações sexuais como nas sociais do europeu com as mulheresdas raças submetidas do seu domínio (...) Primeira direção tomada de sadismo nacriança – sadismo, masoquismo, bestialidade ou fetichismo – depende em grande partede oportunidade ou chance, isto é, de influências externas sociais...”(p.113). “(...) Ação persistente desse sadismo, de conquistador sobre conquistado, desenhor sobre escravo, parece-nos o fato ligado naturalmente à circunstancia econômicada nossa formação patriarcal, da mulher ser tantas vezes no Brasil vítima inerme dodomínio ou do abuso do homem. Criatura reprimida sexual e socialmente dentro dasombra do pai ou do marido(...) a nossa tradição revolucionária, liberal, demagógica, éantes aparente e limitada a focos de fácil profilaxia politica: no intimo, o que o grossodo que se pode chamar “povo brasileiro” ainda goza é a pressão sobre ele de umgoverno másculo e corajosamente autocrático (...) Entre essas duas místicas – a daOrdem e a da Liberdade, a da Autoridade e a da Democracia – é que vem equilibrandoentre nós a vida política, precocemente saída do regime de senhores e escravos(...)oequilíbrio continua a ser entre as realidades tradicionais e profundas: sadistas emasoquistas, senhores e escravos, doutores e analfabetos, indivíduos de culturapredominante europeia e outros de cultura principalmente africana eameríndia...”(p.114-115). “(...) Talvez em parte alguma se esteja verificando com igual liberalidade oencontro, a intercomunicação e até a fusão harmoniosa de tradições diversas, ou antes,antagônicas, de cultura, como no Brasil (...) a cultura europeia se pôs em contato com aindígena, amaciada pelo óleo da mediação africana (...). Na cristianização dos caboclospela música, pelo canto, pela liturgia, pelas profissões, festas, danças religiosas,mistérios, comédias; pela distribuição de verônicas com ágnus-dei, que os caboclospenduravam no pescoço, de cordões, de fitas e rosários; pela adoração de relíquias doSanto Lenho e de cabeças das Onze mil Virgens...”(p.115). 11
  13. 13. “(...) do sistema jesuítico nos parece importantíssima na explicação da formaçãocultural da sociedade brasileira: mesmo onde essa formação dá a ideia de ter sido maisrigidamente europeia – a catequese jesuíta – teria recebido influência amolecedora daÁfrica...” (p.116). “(...) a miscigenação, a dispersão da herança, a fácil e frequente mudança deprofissão e de residência, o fácil e frequente acesso a cargos e a elevadas posiçõespoliticas e sociais de mestiços e de filhos naturais, o cristianismo lírico à portuguesa, atolerância moral, a hospitalidade a estrangeiros, a intercomunicação entre as diferenteszonas do país...” (p.117). 12
  14. 14. Resenha Casa-Grande & Senzala é uma obra importantíssima para entendermos o querealmente aconteceu no Brasil, no seu descobrimento e como se deu o seu processo decolonização, além da ação do colonizador frente ao índio e como também aconteceu aescravidão em nosso país. Ao começar o primeiro capítulo o autor coloca-nos diante doatraso do desenvolvimento do país: “Quando em 1532 se organizou economicamentesocialmente a sociedade brasileira, já foi depois de um século inteiro de contato dosportugueses com os trópicos...” (FREYRE, 2006, p.65). A base da economia brasileiraera a agricultura, inserida pelos colonizadores portugueses, além destes teremescravizado tanto o indígena como também o negro. Os portugueses tiveram uma melhor adaptação ao clima quente, apesar de teremde mudar a alimentação, foram também os primeiros a deixar de lado aquelacolonização de exploração de recursos minerais, vegetal e animal, e implantou umaforma de colonização a “colônia de plantação”. O autor fala sobre os povoadores que eram definidos por alguns como “tarados”,criminosos e semiloucos. Muitas das pessoas que chegaram ao Brasil eram enviadas dePortugal por viver de forma errada, como por exemplo, se vivessem em irregularidadesou excessos na sua vida sexual. Enviaram essas pessoas com interesse genético ou depovoar as terras brasileiras, e eram atraídas pela possibilidade de viver livre e em meio amulheres nuas. O português trouxe também para o Brasil, visando o seu próprio bem e da novacolônia riquezas e experiências acumuladas, na Ásia, África, Madeira e em Cabo Verde.A base econômica da época era composta pela riqueza agrícola e o trabalho escravo. Avida Rural do século XVI e XIX foi rica em qualidade e condições de permanência. Os bandeirantes conquistaram inúmeras terras, mas comprometeram a economiae quase a unidade política da época. Os jesuítas nos séculos XVI e XIX, com umsistema uniforme de educação e de moral também a sua contribuição. É possível perceber que algumas atividades realizadas pelos indígenas seperpetuam até hoje, de maneira aperfeiçoada. Dentre elas, a culinária. Nota-se no texto que a responsabilidade da cozinha edos afazeres domésticos sempre fora imputada à mulher. A delicadeza com as mãos, osdotes eram estreitamente particulares a elas. O homem indígena por sua vez, se 13
  15. 15. encarregava de cuidar do sustento da família. Cabia a ele a caça e os demais trabalhosque exigiam força e destreza. Hoje muitos alimentos ainda são consumidos, econsiderados referência na culinária brasileira e símbolos da cultura popular. Se nos voltarmos para o momento em que vivemos, podemos perceber que deuma forma mais aperfeiçoada, acontece quase da mesma forma. É claro, que hoje amulher está cada vez mais ocupando seu espaço, mas nunca o homem deixa seu papelde chefe familiar. Outro ponto abordado é as diversas utilidades das ervas e plantas. Muitastécnicas foram melhoradas no passar do tempo, partindo das que eram realizadas pelosindígenas. Mas devido aos grandes confrontos, guerras e diferenças traçadas peloscolonos, muitas se perderam e outras nem chegaram a ser descobertas. Isso nos faz pensar que talvez hoje, poderíamos ter grandes possibilidades decuras para grandes doenças, entre ela a AIDS, e o câncer que aparece de diversasformas. Sem dúvida a socialização é fundamental, é o início de tudo. Pois uma boaconvivência pode nos fazer colher grandes oportunidades, se ao contrário, perde-sechances de mudanças, em muitos casos irreversíveis. Em certa altura do texto, Gilberto Freyre apresenta as características daalimentação brasileira (nas vilas, nas cidades e até entre as famílias abastadas), não sóno início da povoação nacional como durante os séculos XVI, XVII e XVIII. Édesmitificada a ideia de terra farta onde nada falta, porém, o fato é devidamentejustificado devido ao estilo de exploração da terra, da própria deficiência de cálcio nosolo local e das características da mão de obra em voga à época. O autor mostra como amonocultura da cana de açúcar e a pecuária exclusiva dos sertões acaba por privar ascidades e vilas do suprimento mínimo de carnes frescas e de uma variedade maior decereais e leguminosas. Outro ponto abordado é como a existência de grandes extensões de terra(latifúndios) nas mãos de poucas famílias e da exploração da mão de obra escrava acabapor minar as opções de cultivo de hortaliças, carnes suaves e cereais ricos em vitaminase proteínas necessárias a dieta desses recém-instalado novo mundo e como a sociedadebrasileira, mesmo entre a população em melhor situação financeira foi uma das maiscomprometidas na sua capacidade física, econômica e social pela deficiência dealimento. Em São Paulo, diferentemente do restante do interior do país no início dacolonização, a dieta era mais farta e diversificada (proteínas e frutas). O negro-escravo 14
  16. 16. ao contrário do que se pensa, afirma Gilberto Freyre era bem alimentado pelos seussenhores para esse garantisse a produção agrícola e açucareira. A influência genética do povo africano contribuiu para criar sub-raças brasileirasque se destacaram em beleza e vigor físico, como exemplo: mulatas, baianas, crioulas,quadraronas, as oitavanas, cabras de engenho, fuzileiros navais, capoeiras, capangas,atletas, estivadores, jagunços, cangaceiros... O Sertão Central, ao contrário do que se pensava, não sofreu na sua totalidade aformação do seu povo pelo contributo maciçamente negro, que teria como resultante omestiço chamado caboclo, O branco deu maior contribuição genética, no entanto emcertos rincões, como nos quilombos nordestinos há maior influência negra. As doenças na “Nova Terra” foram mais bem suportadas pelos negros,possivelmente melhor adaptados às condições climáticas adversas. No entanto os negrostambém foram assolados pela sífilis. Essas doenças venéreas, segundo os estudiososcitados no livro, são certamente de origem europeia, que junto com a proposta“civilização” trouxeram a “sifilização” que contribuiu para dizimar índios e atrasou apovoação do Brasil. Segundo a leitura, o homem português é mais sensual que ofrancês, ambos foram colonizadores deste país. Diante desta afirmação atribuísse emgrande parte a culpa pela deformidade das feições do povo brasileiro, à época,principalmente pela disseminação da sífilis pelos portugueses. Gilberto Freyre também enfatiza sobre a infectação da sífilis, em fins do séculoXV. Segundo o autor a doença se propagou por outros países através dos portugueses,tanto que ficou conhecida como “Mal Português”. Ainda que outros autores afirmemque a sífilis é uma doença nativa (autóctone). Drs. Roquette-Pinto, Murilo de Campos eOlímpio da Fonseca Júnior, afirmam que os índios não mesclados com civilizados, nãose observavam a contaminação entre eles. Havia uma espécie de prazer com o sofrimento alheio (sadismo) do branco paracom as índias, ou negras, quando as mesmas se submetiam ao masoquismo. Os senhoresabusavam de suas escravas para satisfazer-se, assim com os europeus e portuguesestinham suas preferências por índias ou negras. Quando as mesmas eram obrigadas atodo tipo de submissão àqueles que tenham autoridade e poder. Nos dias atuais aindapredomina esse tipo de comportamento em relação a “MULHER” independente de qualseja a sua origem, cor, raça e religião. 15

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