Apostila Projeto Urbano para o curso de Arquitetura e Urbanismo

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Apostila Projeto Urbano
Prof. Dr. Adalberto da Silva Retto Jr.

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Apostila Projeto Urbano para o curso de Arquitetura e Urbanismo

  1. 1. P O S projeto_urbano A | I L A Prof. Dr. Adalberto da Silva Retto Jr DAUP | UNESP_Campus Bauru T
  2. 2. CON_TEXTOS ELEMENTARISMO URBANO PER_CURSOS ESCALARES
  3. 3. ÍNDICE CON_TEXTOS FRANÇA RETTO JUNIOR, A.S. Entrevista com o historiador francês prof.Dr Jean Louis Cohen. www.vitruvius.com.br,2005 RETTO JUNIOR, A.S. Entrevista com a profa. Dra. Heliana Angotti Salgueiro. www.vitruvius.com.br,2004 ITÁLIA RETTO JUNIOR, A.S. Introduções a partir do livro L’architettura della Città, de Aldo Rossi. www.vitruvius.com.br. 2008 RETTO JUNIOR, A.S. ,TRAFICANTE,C. Entrevista com o urbanista italiano Bernardo Secchi. www.vitruvius.com.br 2004 RETTO JUNIOR, A.S. Indagações acerca das lições de urbanismo de Bernardo Secchi. Arquitextos 083_2. www.vitruvius.com.br, 2008 INGLATERRA RETTO JUNIOR, A.S. Entrevista com o professor Hellen Meller. www.vitruvius.com.br,2004 HOLANDA ALEMANHA SUIÇA GRECIA RETTO JUNIOR, A.S. Entrevista com a professora Vilma HASTAOGLOU-MARTINIDIS. www.vitruvius.com.br,2004 PORTUGAL ESPANHA
  4. 4. AUSTRIA BÉLGICA ARGENTINA RETTO JUNIOR, A.S. Entrevista com Alicia Novick. www.vitruvius.com.br,2004 URUGUAI RETTO JUNIOR, A.S. Entrevista com a arquiteta Margarita Montañez. www.vitruvius.com.br,2004 CHILE COLÔMBIA VENEZUELA ESTADOS UNIDOS RETTO JUNIOR, A.S. Entrevista com a historiadora Christiane Crasemann Collins. www.vitruvius.com.br, 2005. BRASIL RETTO JUNIOR, A.S. e CONSTANTINO, N.T. Entrevista com o arquiteto e urbanista prof.Dr. José Cláudio Gomes. www.vitruvius.com. br,2005.
  5. 5. ELEMENTARISMO URBANO Manualística de Arquitetura, de composição urbana, de projeto urbano 1. Manuais que contém elencos e composições de materiais, isto é, com caráter estritamente elementarista. 1.1 2. Eléments et théorie de l’architecture, Guadet, 1902 Manuais que propõem, mesmo que em diferentes modos, uma idéia de cidade e de relação entre as partes e o todo: Sitte, Stubben, Unwin, Hegemmann, Gibberd, Lynch 2.1 Camillo Sitte, Der Stãdtebau nach seinem Kustlerischen, 1889, da trad. Italiana, L’arte di costruire le città, Jaca Book, Milano, 1981. 2.2 Josep Stubben, Der Stãdtebau,1890, trad. Italiana de D. Calabi in G. Piccinato La costruzione dell’urbanistica, Officina Edizioni, Roma, 1974. 2.3 Raymond Unwin, Town Planning in pratice, Unwin, 1909. 2.4 Hegemann e Peets, American Vitruvius: An Architect’s Handbook of Civic Art, 1922. 2.5 Frederick Gibberd, Town Design, 1953; Site Planning, Lynch, 1962, 1971,1984. 2.6 Kewin Lynch, Site Planning, 1962, 1971, 1984.
  6. 6. PER_CURSOS ESCALARES Bauru: Eixo Urbano - Territorial Unidade de Pesquisa: Eixo Urbano da AV. Getúlio Vargas Enquadramento territorial Mapa particularizado da área Mapa da inserção urbano territorial da área Primeiro Per_curso: enquadramento territorial LEPETIT, Bernard, Arquitetura, geografia, história: uso da escala. In: Por uma nova história urbana; seleção de textos, revisão crítica e apresentação de Heliana Angotti Salgueiro; tradução Cely Arena - São Paulo: EDUSP, 2001 Segundo Per_curso: Enclaves e recintos em uma revisão serial CULLEN, Gordon, Paisagem urbana; tradução de Isabel Correia e Carlos de Macedo, São Paulo: Martins Fontes Ed, 1983 Terceiro Per_curso: Elementos Urbanos e Territoriais LYNCH, K.A imagem da cidade; tradução de Maria Cristina Tavares Afonso; São Paulo: Martins Fontes, 1980. Agudos: Super-quadras: Densidade e mixitè a partir da estratificação Unidade de Pesquisa: Quadras do centro histórico Enquadramento territorial Mapa particularizado da área Mapa da inserção urbano territorial da área Piratininga: Cidade-território Unidade de Pesquisa: O Rio Batalha Enquadramento territorial Mapa particularizado da área Mapa da inserção urbano territorial da área
  7. 7. CON_TEXTOS | ESTADOS UNIDOS | COLLINS, Christiane Christiane Crasemann Collins Professora de História do Urbanismo e História Contemporânea na Cornell University, Columbia University, e do curso de graduação na School of Design da Universidade de Havard. É consultora do Arquivo Camillo Sitte, e recebeu os prêmios Fulbrigth e RIBA Research Awards. É tradutora, junto com seu marido George Collins, da mais importante versão para o inglês da obra de Camillo Sitte, Der Städtebau nach seinen Künslerische Grundsätzen. Entrevista A entrevista foi realizada por ocasião do / Congresso Internacional de História Urbama `` Camillo Sitte e a circulação das idéias em estética urbana: Europa e América Latina: 1880-1930´´, realizado no Seminário Seráfico de Santo Antônio, na cidade de Agudos, de 7 a 10 de outubro de 2004. Christiane Crasemann Collins.Foto Amy Rader, 2003 Tradução Christian Traficante Revisão Marta Enokibara e Norma Truppel
  8. 8. CON_TEXTOS ESTADOS UNIDOS COLLINS, Christiane Crasemann Entrevista com Christiane Crasemann Collins Por Adalberto da Silva Retto Júnior Entrevista publicada em 2005 FONTE: http//www.vitruvius.com.br/entrevista/collins/collins.asp Introdução Christiane Crasemann Collins e trajetórias transatlânticas Christiane Crasemann Collins desembarca pela primeira vez no Brasil para participar do I Congresso Internacional de História Urbana “Camillo Sitte e a circulação das idéias em estética urbana: Europa e América Latina, 1880-1930”, apresentando “Notable highlights in the transfer of Camillo Sitte’s ideas to Latin America”. Sua curiosidade, acompanhada de seu entusiasmo e generosidade durante a realização do Symposium Camillo Sitte, em Viena (nov. 2003), fundamentaram a empreitada que acabamos de realizar: um verdadeiro debate de história comparada entre especialistas sobre estética urbana discutindo algumas “trajetórias transatlânticas”, circulação de idéias, modelos e suas declinações. Collins é uma referência importante para historiadores da cidade e para urbanistas, arquitetos e paisagistas. Os primeiros a conhecem pela tradução fiel e integral para a língua inglesa, e sofisticada crítica filológica, da obra do austríaco Camillo Sitte (Der Städtebau nach seinen Künslerische Grundsätzen, 1965), elaborada juntamente com seu marido George Collins. Para os segundos, a tradução do Der Städtebau na década de 1960 se transformou no símbolo de “retorno à cidade” e, ao mesmo tempo, a sustentação de uma nova corrente da arquitetura e do urbanismo contemporâneos. Der Städtebau nach seinen Künslerische Grundsätzen Camillo Sitte A perspectiva aberta a partir destes dois eixos pode ser guiada e sustentada, ao mesmo tempo, com aportes iluminadores se confrontarmos com publica- ções da época: Town design, 1953, de Frederick Gibberd; L’urbanistica e l’avvenire delle città, 1959, de Giuseppe Samonà; The image of the city, 1960, de Kevin Lynch (1), Studi per uma operante storia di Venezia, 1960, de Saverio Muratori, The death and life of great american cities, 1961, de Jane Jacobs (2); Towscape, 1961, de Gordon Cullen (3); The city in history, 1961, de Lewis Munford (4); Le origini dell’urbanistica moderna, 1963, de Leonardo Benevolo (5); Notes on the synthesis of form, 1964, de Christopher Alexander; Questioni di architettura e urbanística, 1964, de Giancarlo De Carlo; Origini e sviluppo della città moderna, 1965, de Carlo Aymonino; Urbanistica, 1966, de Giovanni Astengo; L’ architettura della città, 1966, de Aldo Rossi (6); Il território dell’architettura, 1966, de Vittorio Gregotti (7); Immagine di Roma, 1969, de Ludovico Quaroni, La città di Padova: saggio di analisi urbana, 1969, de Carlo Aymonino et all; Design with nature, 1969, de Ian McHarg. Esta visão amplificada nos faz pensar na formação de dois processos, com matizes, que se afirmaram no curso desses últimos anos: a afirmação do âmbito disciplinar do town design, em resposta à crise de identidade da cidade ocidental, e a valorização do fragmento, que em muitos casos reflete-se no culto do Patrimônio Histórico. No campo dos estudos urbanísticos, a tradução deDer Städtebau pelos Collins participa de um momento de reavaliação do movimento moderno dos CIAM, que desmontaria, inclusive, afirmações de Le Corbusier e de Gideon sobre o texto de Sitte, visto como símbolo de um convencionalismo retrógrado e de passadismo, e que exprimia a nostalgia de um homem incapaz de compreender o próprio tempo e de reconhecer a revolução técnica e social que se colocava diante dos seus olhos. Do ponto de vista projetual coloca-se em crise o ideal de totalidade e universalidade do Plano que, em certa medida, alimentaria o debate da consolidação de um “salto de escala” na resolução da cidade.
  9. 9. CON_TEXTOS | ESTADOS UNIDOS | COLLINS, Christiane Neste cenário, e com algumas décadas de distância, re-emerge outro personagem também estudado por Collins: Werner Hegemann (1881-1936), através da re-edição (1988) do texto com Albert Peets, The american Vitruvius: an archietect’s handbook of civic art (1ª ed., 1922) e, mais recentemente, através do seu livro intitulado “Werner Hegemann and the search for universal urbanism” (2005). Assim como os manuais de Stübben e Unwin, o texto de Hegemann e Peets definido pelos autores como um thesaurus, tem como principal referência Camilo Sitte. O próprio Hegemann distinguira, os adeptos de Sitte em dois grupos: a maioria que assimilou somente o lado pitoresco de suas obras e os, como Unwin, Abercrombie, Brinkmann e Gurlitt, que assimilaram os aspectos mais importantes. Em tempos recentes, a interpretação medievalista de Sitte obteve um certo crédito como, por exemplo, no livro Storia dell’urbanistica, il novecento (1985) de Paolo de Sica, que estabelece associação entre informal-natural-democrático-medieval, ou ainda, no debate sobre o denominado “New Urbanism”, como acena o estudo de Andrés Duany e Elizabeth Plater-Zyberk’s, “The new civic art: elements of town planning” (8). Camillo Sitte and the birth of modern city planning. George R. Collins e Christiane Crasemann Collins. Columbia University / Random É justamente aqui que a tradução do Der Städtebau e a re-edição do The american Vitruvius assumem uma trajetória comum demonstrando um elo de interação, de reflexão e objetivos com os manuais de perspectiva elementarista, especialmente aqueles redigidos no clima positivista da segunda metade até o final do século XIX, quando a relação entre o todo e as partes da cidade era vista em termos menos problemáticos. Mais do que enfatizar o clima positivista, estes manuais assumem um papel chave na construção do imaginário científico e social. Neste ponto, a explicação de André Chastel sobre tratados e manuais adquire certa importância, pois os manuais operam uma espécie de total contradição da experiência para a sincronia e a identidade pressupondo uma ordem estável das coisas e extrapolam “os materiais sob a forma de exemplos” e descontextualizam no tempo e no espaço seus objetos, criando “um repertório sistemático de ilustrações sobre a arte de construir por elementos e por tipos” (9) Por um lado, a aproximação pode ser notada na idéia de instituir uma série de relações entre os elementos dentro de esquemas funcionais relativamente autônomos e um conjunto dos mesmos, a fim de garantir o funcionamento do organismo urbano e de uma composição urbana unitária. A pesquisa de elementos unitários e também a metáfora orgânica estabelecem uma continuidade, um percurso sem fraturas, que une os manuais dos últimos anos do século XIX aos do pós Segunda Guerra. Os elementos de ruptura com a tradição arquitetônica urbana introduzida pelo Movimento Moderno não chegam a colocar em discussão, de modo radical, os princípios compositivos do town design. Por outro, na presença constante de alguns temas: no final do séc. XIX, o centro temático da Civic art era o projeto das novas expansões, em especial, de estabelecimentos com densidades diferentes daquelas da cidade compactada. Os exemplos contidos nos manuais de Stübben, antes, de Unwin, Hegemann, e depois, de Gibberd e Lynch, mostram quanto foi refletido sobre a possibilidade de inovação da forma da cidade a partir dos seus elementos. Seguindo um movimento contrário, o debate arquitetônico no seio do CIAM, com a formação, sobretudo do Team X e de seus desdobramentos, não se remeterá fundamentalmente em causa desta “deslocação”: as estruturas dos vários tecidos propostos manterão os seus valores universais, mas também vêm à tona adaptabilidades aos terrenos concretos garantindo a riqueza potencial dos dispositivos combinados exibidos na materialidade das paisagens. O que é colocado em evidência, quando remontamos ao elenco de publicações lançadas na época, não é o objeto singular para ser assumido como modelo, ao contrário, cada imagem singular reporta a um elenco de requisitos do espaço urbano que não nascem autonomamente de uma bagagem técnica ideal organizada pelo projetista e contido, por exemplo, na Carta de Atenas, mas das observações empíricas, da colheita de dados mesmo mínimos sobre a experiência do visível. Será no livro de Gordon Cullen que emergirá a centralidade do conceito de townscape, que além de individualizar o léxico e a sintaxe para a descrição e valorização do contexto, enuncia claramente critérios para a ação projetual. Logo, o townscape se baseia nos princípios relacionais das diferenças significativas, um contextualismo urbano que pesquisa o caráter, a identidade do sítio e, no limite, os lugares heterogêneos. Isso pode ajudar a compreender a atenção que na Itália, entre a metade e fim dos de 1950, o desenvolvimento de um momento peculiar do debate disci- plinar voltado para categorias de interpretação do townscape, dando lugar a interpretações particulares. De um lado o universo italiano e francês, de outro, o universo norte-americano que encontra na figura de Janes Jacobs um personagem chave. Mas, será o aporte inglês aquele em que a nova disciplina encontraria sua plenitude. Foi das páginas da Architectural Review que Gordon Cullen, De Wolfe, Nairn, Richard, Browne, Crowe, De Maré e outros, exprimem os desejos de urbanidade, de complexidade urbana, em contraposição à expansão da cidade sem qualidade e contra a baixa densidade das New Towns, realizadas com uma linguagem urbana pobre.
  10. 10. CON_TEXTOS | ESTADOS UNIDOS | COLLINS, Christiane O manual de Frederick Gibberd, dentro deste contexto, ganha significação particular por duas razões. Em primeiro lugar, porque se trata de um manual de town design que, em tempos modernos, se insere com clareza nas tradições dos manuais de Sitte, Unwin, Hegemann e que, com esses, estabelece um posicionamento não banal de continuidade, propondo a conciliação da tradição do civic design com as posições do Movimento Moderno. Em segundo lugar, por que Gibberd definirá de modo amplo os princípios do town design, evitando parar, como muitos textos de civic design, diante dos problemas contemporâneos. Os elementos urbanos são materiais para organizar dentro de uma idéia geral de cidade e “O town design compreende arquitetura, landscape e desenho das estradas, que perdem a sua individualidade para transformar-se em uma coisa nova: a cena urbana”. É evidente a semelhança das posições de Gibberd e Gordon Cullen. Na introdução de Townscape, Cullen estende à cidade inteira e aos seus habitantes, a faculdade que Gibberd atribui a um conjunto de edifícios e de elementos urbanos, ratificando a afirmação de que “a representação do plano da cidade é o primeiro degrau do town design, mas é freqüentemente o último desenho do town planning”. Entender o conceito de townscape como uma arte implica em uma leitura do ambiente urbano evidenciando suas conotações estéticas. Definição que caracterizaria o modelo chamado por Françoise Choay de “culturalista” (10) e que permeia os escritos de Camillo Sitte. Apesar do termo townscape remontar quase uma década antes da publicação do livro homônimo, encontra suas origens culturais no fim do segundo conflito mundial e tem como principal porta voz a revista inglesa “Architectural Review”, que não só chamava atenção para necessidade de retorno aos valores perceptivos da forma urbana, mas também, se torna o berço e canal de divulgação das temáticas que embasariam a formação do corpus disciplinar daquilo que hoje definimos como urban design. Cada um dos manuais citados teve sucesso alternado. Entretanto, a arte de que todos eles enunciam, é uma arte que constrói o problema, não diretamente as soluções. As pesquisas e estudos progridem e desvelam novos conceitos relativos à “arquitetura urbana”, à “composição urbana” e ao “projeto urbano”. A palavra “urbano”, que adjetiva estes substantivos, exprime nada mais que a tensão dos pesquisadores e urbanistas em indicar novos âmbitos que põem em crise àquela que parece ser a não-cidade nascida depois dos modernos. Notas 1 LYNCH, Kevin. Imagem da cidade. São Paulo, Martins Fontes, 1980. 1 JACOBS, Jane. Morte e vida de grande cidades. São Paulo, Martins Fontes, 2000. 3 CULLEN, Gordon. Paisagem urbana. São Paulo, Martins Fontes, 1983. 4 MUNFORD, Lewis. A cidade na história. São Paulo, Martins Fontes, 1991. 5 BENEVOLO, Leonardo. Origens da urbanistica moderna. Lisboa, Presença, 1981. 6 ROSSI, Aldo. Arquitectura da cidade. Lisboa, Cosmos, 1977. São Paulo, Martins Fontes, 1995. 7 GREGOTTI, Vittorio. Território da arquitetura. São Paulo, Perspectiva, 1975. 8 DUANY, Andes; PLATER-ZYBERK, Elizabeth; ALMINANA, Robert. The new civic art - elements of town planning. Nova York, Rizzoli, 2003. 9 CHASTEL, André. Architettura e cultura nella Francia del cinquecento. Torino, Einaudi, 1991. 10 CHOAY, Françoise. Urbanismo: utopias e realidades. São Paulo, Perspectiva, 1979. Der Städtebau Adalberto da Silva Retto Júnior: Por ocasião do I Congresso Internacional de História Urbana foi abordada de forma muito elucidativa a circulação das idéias, dos saberes, dos modelos, de livros, tratados e de profissionais. Pode-se constatar, dentro de uma perspectiva comparada, que o sucesso internacional da obra do de Camillo Sitte Der Städtebau nach seinen Künslerische Grundsätzen, publicado pela primeira vez em Viena em 1889, atingiu um repentino sucesso entre um público de especialistas ou semi-especialistas de planificação urbana assumindo diferentes contextualizações. A tradução elaborada por Camille Martin (1902) publicada quase concomitante à referida obra assume um papel importante nesses primeiros anos de difusão. Mas é a partir do fim dos anos sessenta, com a desmistificação dos CIAM – Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna e com o mundo submerso pelo crescimento de uma urbanização incontrolada, que se pode pensar em uma nova trajetória para o Der Städtebau, graças à tradução fiel e integral e a uma crítica filológica elaborada pela senhora e seu marido George Collins (1965). Quais as diferenças de maior relevância da tradução feita por vocês e àquela de Camille Martin?
  11. 11. Christiane Crasemann Collins: A tradução de Camille Martin do livro de Camillo Sitte Der Städte-Bau nach seinen künstlerischen Grundstitzen (1889) foi publicada em 1902 e novamente em 1918. Ao invés de apresentar uma tradução cuidadosa do texto original de Sitte, Martin produziu um livro totalmente diferente. As alterações de Martin envolveram o significado da mensagem de Sitte assim como a substituição das ilustrações. G.R. e C.C. Collins, Camillo Sitte: the birth of modern city planning (1986) dedicam nove páginas (p. 78-86) a uma detalhada análise das alterações de Martin ao trabalho de Sitte. Eles também discutem o dano que esta tradução (de C. Martin) causou ao legado de Sitte. Quando a primeira edição da tradução dos Collins foi publicada em 1965 (em dois volumes), junto com uma discussão crítica de Der Städte-Bau de Camillo Sitte e da sua difusão, sua recepção foi condicionada pela reação emergente de arquitetos contra o Movimento Moderno e os princípios do CIAM. O descontentamento em celebrar edifícios como objetos artísticos destacados do próprio tempo e espaço, ignorando seu contexto cultural e físico começava a ser visto como anti-humanístico e indiferente às necessidades sociais. Estas realizações alteraram a atenção relativa à cidade e ao projeto urbano exigindo uma efetiva entrada de arquitetos no debate. Camillo Sitte tornou-se o espírito guardião da redescoberta da urbanidade na cidade e da validez dos seus princípios artísticos para o urbanismo contemporâneo. O despertar dos arquitetos, ao ver seus edifícios neste contexto mais amplo, levou a uma transformação da profissão que perdura até nossos dias. Como resultado deste processo, a disciplina urbanismo evoluiu num processo reflexivo dando forma física ao ambiente construído, respondendo às aspirações das pessoas. Declinações locais Adalberto da Silva Retto Júnior: Foi amplamente demonstrado que alguns conceitos chaves, como aquele de cidade-jardim, foram transformado durante o processo de planificação urbama em algunmas cidades. Por questões da cultura nacional ou cultura profissional, o modelo sofre uma adaptação às “questões - urbanas” já regionalmente consolidadas. Como se dão esses processos de transformações, ou declinações? Christiane Crasemann Collins: A extensão e a transformação da cidade-jardim. A adaptabilidade deste conceito inglês de planificação às regiões geográfica, cultural, e climaticamente diversas foi verdadeiramente notável, particularmente porque na maioria de casos conserva características reconhecíveis. A difusão mundial da cidade-jardim provavelmente deriva do fato que responde a um desejo e a uma esperança humana universal de possuir uma moradia cercada por natureza e de viver próximas a outras pessoas com o mesmo modo de pensar. Nos Estados Unidos da América a cidade-jardim assumi a forma de subúrbio-jardim assumiu a forma de subúrbio-jardim, disseminando as implicações sociais do conceito original inglês. O subúrbio-jardim Americano frequentemente incluiu um centro cidadão com comércio, uma escola, e um edificio, administrativo ou uma igreja em torno a um “village verde” ou praça. Foi este modelo que foi difundido em outros países nas Americas e mesmo na Europa. Passei minha infancia em uma cidade-jardim genuína na periferia de Viña del Mar, Chile. Foi fundada por um homem de negócios inglês. As ruas levavam nomes de árvores e as casas, de tamanho modesto, tinham referências das “cottages”. Circulação dos sabores Adalberto da Silva Retto Júnior: Seu ensaio “Urban Interchange in the Southern Cone: Le Cobusier (1929) and Werner Hegemmann (1931) in Argentina”, publicado no Journal of the Society of Architectural Historians, em julho de 1995, fornece uma grande quantidade de informação sobre o trânsito internacional das trajetórias transatlânticas. Qual a real contribuição desses personagens num âmbito internacional? Christiane Crasemann Collins: Difusão transatlântica e intercâmbio urbano. Naturalmente, não foram somente os viajantes os denominados big shots. OS homens de negócios e os estudantes que ao viajarem, frequentemente tornaram-se professores, são peças importantes nesse processo. Entretanto, nem sempre encontramos seus registros. Por outro lado, os escritores e autores frequentemente incluiam passagens informativas sobre cidades em seus romances, poemas e outros escritos. Além disso, os seus diários e cartas enviadas aos parentes e amigos vinham contaminadas dessas idéias. Não é por acaso que uma pesquisa dessas fontes ganha relevância. Outro ponto importante aconteceu com o advento da fotografia, que fez com que as próprias fotos e cartões postais contribuíssem efetivamente para a disseminação do fluxo de imagens urbanas através dos oceanos.
  12. 12. CON_TEXTOS | ESTADOS UNIDOS | COLLINS, Christiane ASRJ: Quais são os meios específicos de circulação dos saberes da cidade, as suas tendências, seus efeitos? CCC: Alguns dos meios que contribuiram à circulação de idéias foram mencionados acima. Além disso, jornais ilustrados, mais do que livros, tornaram-se populares entre arquitetos, urbanistas e o público em geral. As mostras e conferências tiveram um papel importante no intercâmbio internacional e frequentemente geraram publicações documentando estes eventos. Werner Hegemann Adalberto da Silva Retto Júnior: Sabe-se que para quem quiser conhecer a trajetória de Heggeman, convém esclarecer, que a revisão de sua obra na historiografia do urbanismo começa em meados dos anos setenta, com a republicação na Itália de dois de seus textos principais: os catálogos das exposições de 1910 e 1911 (Werner Hegemann, Catalogo delle esposizioni internazinali di urbanística. Berlino 1910 e Düsseldorf 1911-12, Milano, Il Saggiatore, 1975). A esses, pode-se agregar o seu aporte que foi fundamental para complementar o perfil de uma figura tão complexa como se nota no seu ensaio “Hegemann and Peets: cartographers of an imaginary atlas”, sobre seu trabalho nos Estados Unidos e sua colaboração com Albert Peets publicado na introdução da reedição do The american Vitruvius: an architects’ handbook of civic art, 1988. Qual a contribuição de Hegemann para a cultura urbanística latino americana? Christiane Crasemann Collins: Indubitavelmente, a publicação italiana (1975) de trabalho de Werner Hegemann sobre as exposições de 1910 em Berlim e Düsseldorf contribuiu a sua descoberta em muitos países, e também, até certo ponto na Alemanha. Surpreendentemente, o nome de Hegemann ainda hoje está na Alemanha, está ligado principalmente a Das steinerne Berlin. Nos EUA ele é conhecido por seu The American Vitruvius: Civic Art (1922), especialmente desde que foi re-publicado em 1988, que contribuiu para a re-descoberta de Hegemann pelo New Urbanism Movement. O meu próprio conhecimento da importância de Hegemann na América Latina é limitado à Argentina e é discutido em meu artigo (1995), “Urban Interchange in the Southern Cone: Le Corbusier (1929) and Werner Hegemann (1931) in Argentina”. O artigo foi traduzido em espanhol e publicado em ARQ 31,1995 (Santiago, Chile), e serviu como um alerta aos arquitetos Chilenos da importância de Hegemann. The New Urbanism Adalberto da Silva Retto Júnior: Grande parte dos manuais de arquitetura, de composição urbana e de projeto urbano assumiu uma perspectiva elementarista, especialmente aqueles redigidos no clima positivista da segunda metade até o final do séc. XIX, quando a relação entre o todo e as partes da cidade era vista em termos menos problemáticos. Mais do que enfatizar o clima positivista, estes manuais, já na segunda metade de 1800, assumem um papel chave na construção do imaginário cientifico e social. Qual o papel que assume atualmente a reedição do The American Vitruvius: an architects’ handbook para o movimento que se denomina The New Urbanism? Christiane Crasemann Collins: Eu não posso responder a parte concernente às publicações francesas e italianas, porque eu não tenho tanta familiaridade com elas. Os New Urbanists inicialmente focalizaram a atenção sobre os planos de Hegemann desenvolvidos para bairros residenciais como o de Washington Highlands e Wyomissing Park, que refletem os conceitos da cidade-jardim adaptada ao ambiente Americano. Vários planos e detalhes são mostrados em The american Vitruvius. Mais recentemente, New Urbanism ampliou a sua preocupação levantando a bandeira da “utilização da forma irregular” para projetar de lay-outs residenciais à civic art ( arte cívica) no centro das cidades. A inspiração vem dos exemplos ilustrados em The american Vitruvius: civic art, e do ensaio de Hegemann sobre “Civic Art” de Camillo Sitte, incluído como o primeiro capítulo no seu volume.
  13. 13. CON_TEXTOS FRANÇA COHEN, Jean-Louis Entrevista com Jean-Louis Cohen Por Adalberto da Silva Retto Júnior - Introdução Adalberto da Silva Retto Júnior: Jean–Pierre Gaudin durante o Congresso “Camillo Sitte e i suoi interpreti (1990)” afirma que “não foram tanto as teorias sobre arte de Camillo Sitte a terem um eco no debate metodológico francês, mas muito mais as considerações que derivam relativas à impostação do plano”. Por outro lado, o senhor publicou há pouco mais de vinte anos um livro dedicado aos ensinamentos da L’italophilie (1984) que relata os resultados de uma longa pesquisa sobre as relações entre a arquitetura italiana e a francesa no período anterior e posterior à guerra. Com isso, o senhor ilumina os elementos “fortes” da arquitetura italiana dos anos sessenta e setenta: os estudos sobre arquitetura urbana ligados à história e ao projeto; a capacidade de reconstruir a “fratura” entre o arquiteto e os intelectuais, através de Capa da Revista In Extenso – Italophilie, 1984 uma discussão comum sobre linguagem, forma e sobre o significado da cidade contemporânea. Qual é a verdadeira contribuição de Sitte para o debate urbano francês? Jean-Louis Cohen: Creio ser difícil passar desapercebido sobre o impacto do Städtebau de Sitte nas várias gerações de arquitetos e urbanistas franceses. Sem dúvida a versão original alemã de 1889 foi pouco lida. Não se pode dizer o mesmo da tradução francesa de Camille Martin de quem se sabe, graças aos estudos de Carlos Roberto Monteiro de Andrade publicados na Genèses em 1996, quanto ela difere do texto publicado em Viena, visto que um capítulo lhe é adicionado e, que o conjunto da ilustração, tão importante nos conceitos de Sitte, foi modificado. O livro de Martin cujo alcance é bem mais geral, visto que estende a reflexão à cidade “dans son vêtement quotidien”, e ao espaço da rua, tem sido lido por várias gerações de arquitetos e historiadores do começo de século ao segundo pós-guerra. Na opinião dos práticos, ele é uma das fontes implícitas dos projetos de reconstrução das regiões “devastadas” durante a guerra de 1914-18, de certas planos de cidades coloniais e de muitos planos de “aménagement”, de extensão e de embelezamento advindos da lei de 1919. Quanto ao aspecto metodológico, embora a referência direta seja às vezes, um pouco dissimulada pelo antigermanismo comum após 1918, o discurso de Sitte transparece nas reflexões sobre a articulação dos espaços públicos ora diretamente ora indiretamente, por exemplo, através da versão francesa (de tradução livre) de Raymond Unwin Town-Planing in Practice, cujo prefácio é escrito por Leon Jaussely. O curso ministrado por ele no Institut d’Urbanisme de l’Université de Paris e o de seu sucessor Jacques Gréber tomam idéias de Sitte de uma forma muito pouco dissimulada. O mesmo acontece para a Histoire de l’urbanisme de Pierre Lavedan. No Qu’est ce que l’urbanisme?, Lavedan evoca em 1926 Sitte, “arquiteto apaixonado pela arte da Idade Média”, como uma das referências para os urbanistas que “reagindo contra o americanismo” proporiam “traçados sinuosos para todas as vias que não são artérias de grande tráfego”. Adiante, no mesmo livro, e de alcance explicitamente metodológico que fundamenta sua História como forma de explicitar seus pressupostos, vê em Sitte um “escritor preocupado acima de tudo com estética” o que não o impedirá de ter um comportamento comparativo semelhante ao seu. Historiador da Arte, Lavedan define antes de tudo a cidade como uma obra de arte, à maneira de Sitte, como revelam as pesquisas de Isabelle Grudet. Deixo de lado evidentemente os escritos de Le Corbusier de quem o manuscrito “La construction des villes”, elaborado a partir de 1910 apóia-se essencialmente nas posições de Sitte, a ponto de copiar figuras do Städtebau e no capítulo conclusivo intitulado “moyens utiles”, é um eco da “réforme à introduire” que fecha o livro do vienense. Mas ele renegará o “chemin des ânes” nos seus artigos do l’Esprit Nouveau publicados em 1925 no Urbanisme.
  14. 14. O grande crítico de Le Corbusier que é Gaston Bardet toma, ele também posições diferentes a respeito de Sitte, mas com uma figura inversa. No seu primeiro artigo “Naissance de l’urbanisme” publicado em 1934, Bardet nota que o estudo das cidades da Idade-Média “não podia conduzir, como pensou Camilo Sitte e sua escola, à realizações vivas”. Ele julga o Städtebau como um livro “muito penetrante em si, mas muito perigoso nas tentativas de aplicação”. Tornando a publicar em 1946 este texto precoce no Pierre sur pierre, ele observa seu “erro” e escreve daí em diante que “Camilo Sitte via corretamente e que foi sua escola que caiu no pastiche”. Vê-se, pois o quanto Sitte mobilizou a atenção dos historiadores e dos arquitetos aderindo às mais opostas posições durante a primeira metade do século vinte. Pierluigi Cervellati, Projeto de restauração do bairro “La redécouverte de l’urbanité” San Leonardo, Bolonha, 1973 Adalberto da Silva Retto Júnior: Como pensar “a redescoberta da urbanidade” na França? Jean-Louis Cohen: A redescoberta do urbanismo entre os arquitetos e urbanistas franceses dos anos 1970 é um fenômeno bastante complexo. Este tem como pano de fundo a crise do urbanismo do pós-guerra que eu caracterizaria esquematicamente como o reencontro da composição acadêmica e de uma leitura simplista da “Carta de Atenas” da qual, entretanto, não deveríamos exagerar a importância. O primeiro lugar de elaboração crítica é o atelier e o seminário Tony Garnier, criado conjuntamente para a École des Beaux-Arts e o Institut d’Urbanisme de Paris, onde há uma aproximação entre ciências sociais, história e composição urbana. A hipótese que eu elaborei em 1984 era que na ocasião principal desta redescoberta, que passa também aos arquitetos pela leitura dos sociólogos e dos críticos franceses, corresponde à importação no oeste dos Alpes dos conceitos elaborados por Aldo Rossi e Carlo Aymonino, e à observação atenta das políticas dirigidas pelas coletividades territoriais como a cidade de Bolonha. Não deixa de ser interessante, aliás, realçar tudo o que as propostas de Rossi em Architettura della città, deveu aos autores franceses, de Maurice Halbwachs a Pierre Georges e Georges Chabot, autores que eram desconhecidos dos arquitetos em seus países de origem. O interesse renovado pela dimensão urbana da arquitetura terá efeitos na prática e conduzirá precisamente à reedição do livro de Raymond Unwin e à do livro de Sitte, traduzido esta vez fielmente do original. Estas duas obras são publicadas pela éditions de l’Équerre cujos conselheiros eram Bernard Huet, Antoine Grumbach e eu mesmo... Projeto Urbano: História e Contexto Adalberto da Silva Retto Júnior: A questão da história e do contexto assumiu grande interesse na França, sobretudo, porque a grande parte das intervenções foi implantada em espaços já urbanizados, em áreas abandonadas, em proximidade aos centros urbanos ou, finalmente, nas periferias desestruturadas. Nestas situações de confronto obrigatório entre antigo e verdadeiramente antigo e o novo pela força do novo> o projeto urbano encontra a especificidade do seu papel como instrumento capaz de prefigurar uma cidade nova (ou um pedaço novo de cidade) que se confronte com a realidade urbana e social. Quais foram, se verdadeiramente existiram, as novidades do projeto urbano na França? Jean-Louis Cohen: A temática do “projeto urbano”, que aparece na França em torno de 1980, se não me engano, tem por objeto vários aspectos da teoria e da prática do “aménagement” do urbano e da arquitetura. Ela se aplica efetivamente a novos territórios. Enquanto que o essencial da reflexão dos organizadores tinha como objeto as extensões virgens das periferias e, que o trabalho nos centros antigos que se tornou possível pela lei Malraux de 1962 instituindo os “secteurs sauvegardés”, apenas começava, os mantenedores do “projeto urbano” dirigiram sua atenção desde os anos 80 às zonas externas das grandes cidades ou às periferias nas quais os desafios eram particularmente complexos por causa da existência de terrenos industriais em crise e de infra-estruturas. Ela implica uma nova configuração dos atores e especialmente do domínio da produção e do domínio da criação da obra. Não há “projeto urbano” se não há interação entre as coletividades territoriais e os especialistas, ao mesmo tempo através de formas específicas de trabalho permitindo a emergência de um comando local e o controle deste no terreno através de uma outra configuração do trabalho de projeto. Ela se fundamenta em uma maior atenção às particularidades dos territórios e dos grupos sociais concernidos. Não se trata mais de “aplicar” a um território uma abordagem standart, mas de partir do estudo aprofundado das particularidades geográficas e simbólicas e da escuta das expectativas locais para formar um projeto único que revele as especificidades tornando-se assim construtor de identidades coletivas no interior das grandes cidades.
  15. 15. CON_TEXTOS | FRANÇA | COHEN, Jean-Louis ASRJ: Seguindo esta linha de pensamento o senhor pode construir a contribuição francesa à definição de projeto urbano. JLC: Eu não sei se a originalidade da contribuição “francesa” se põe em termos de definição. Eu tenho a impressão que se trata de uma abordagem interessante em matéria prática. Creio que uma das particularidades francesas foi a qualidade de interação entre candidatos eleitos e projetistas, e que uma outra particularidade reside no compromisso muito eficaz dos profissionais da paisagem em todas as reflexões sobre “aménagement”. O meio criado ao redor de Jacques Simon, depois, Michel Corajoud e Alexandre Chemetoff e que continua equipes mais jovens foi muito ativo e provocaram um grande impacto em todo o resto da Europa. Casablanca, mythes et figures d’une aventure urbaine, Jean-Louis Cohen e Monique Eleb, 1998 Urbanismo x Desenho Urbano Adalberto da Silva Retto Júnior: O urbanismo “de projeto” existiu entre as duas guerras até à reconstrução. A nova questão não era mais expandir as cidades, mas de dirigir seu crescimento, de requalificar as áreas abandonadas, os grandes ensembles, espaços peri-urbanos e também os centros antigos. A demanda do “projeto urbano” resulta em uma falência do Urbanismo? Jean-Louis Cohen: Não há dúvida que a França conseguiu depois de 1945 realizar muitas operações de reconstrução e de extensão urbana. Essas operações eram relativamente simples e foram conduzidas pelo desenvolvimento de grandes investimentos públicos sob o controle dos engenheiros da Ponts & Chaussées. O problema não é, somente o do fracasso do urbanismo como disciplina mas de todo o dispositivo público de “aménagement” que havia sido constituído para responder aos problemas de maneira quase puramente quantitativa como se tratasse do prolongamento direto do desenvolvimento dos tempos de guerra visando construir as obras de fortificações do Atlântico. A demanda de projeto urbano resulta, portanto, da constatação da inadequação dos processos jurídicos, dos métodos de composição, das técnicas de direção de projetos, das formas de consulta das populações e, sobretudo, da evidência que uma espécie de revolução cultural era necessária para compreender esta cidade que não era mais a das grandes periferias abertas, mas a das interações complexas entre usos e percepções. Uma cidade também, na qual um urbanismo privilegiando a intervenção pública devia encontrar novas formas de negociação entre a coletividade e os investidores. Uma cidade enfim, e também um pensamento urbanístico, capazes de permanecer mais tempo do que o das campanhas rápidas de “aménagement” do pós-guerra. “Forme urbaine et discontinuité” Adalberto da Silva Retto Júnior: Em um texto de 1987 “Forme urbaine et discontinuité” o senhor elenca pontos salientes que nos faz pensar que o projeto da cidade contemporânea requer colocar à baila regras parcialmente diferentes daquelas do passado. As técnicas da composição, escreve o senhor, devem ser “remises au jour” e não podem não tomar conta dos avanços, das mudanças de uma cultura mais ampla do que aquela arquitetônica. “La culture présente s’est recomposée à la fois autour de nouveaux thèmes issus dela physique, de la biologie, de la théorie des systèmes, autour de nouvelles théories d’ensemble et autour de nouvelles pratiques comme le cinéma ou la psychanalyse. Dans tous ses champs, cette culture est autant celle du discontinu que celle de la mise à jour d’ordres et de logiques complexes et surprenents“. Do ponto de vista das fontes de pesquisa, o que significa esta afirmação? Jean-Louis Cohen: Esta afirmação deve ser recolocada em seu contexto polêmico, o da época, que é o dos anos do triunfo do discurso nostálgico do “pós-modernismo”, totalmente baseado numa expressão histórica muito sectária. Essa, mais relacionada à abordagem dos arquitetos e urbanistas protagonistas da “redescoberta da urbanidade”, evocada acima é a que virava as costas a uma série de disciplinas contemporâneas. Se pudesse melhorar meu discurso de há mais de vinte anos, eu o faria simultaneamente, na perspectiva da história e na do projeto com risco de formular banalidades. Para o que é da história, creio que é impossível elaborar interpretações sólidas centrando-se em desafios internos à arquitetura ou permanecendo nas determinações produzidas pela economia ou pela política. Como as pesquisas mais estimulantes dirigidas há vinte anos mostram que a arquitetura deve ser pensada na História das idéias.
  16. 16. As formas de projeto do século XX, por exemplo, devem muito às ciências e à filosofia de sua época. Além disso, no campo da história do urbanismo está claro que o estudo da morfologia e da tipologia – é exatamente o que tinha em mente – não é suficiente para compreender a formação e a transformação das cidades. A dimensão narrativa, mítica, o jogo de representações que os habitantes têm deles mesmos e de sua cidade face às outras cidades, representam um papel que não podemos omitir no aparecimento ou desaparecimento das formas urbanas ou das formas arquitetônicas. No que concerne ao projeto, tratava-se de um apelo para sair do mundo fechado de uma arquitetura auto-referencial, o qual era de duas maneiras totalmente opostas. Por um lado, os historiadores pós-modernos apegavam-se ao reemprego da sintaxe e do léxico do classicismo, nas versões científicas ou vernaculares. Por outro lado, os neo-modernos tendiam a limitar o campo das referências arquiteturais legítimas às do “Movimento moderno”, quer se tratasse de Le Corbusier, de Mies ou de Terragni. Penso, nesse aspecto, que a arquitetura contemporânea pode se encontrar quando ela se libertar do narcisismo e reformular suas estratégias enriquecendo-as pelo diálogo com as ciências e as disciplinas artísticas. Para o historiador, torna-se útil dominar, ele também, esses conhecimentos exteriores. Scènes de la vie future; les architectes européens et la tentation de l’Amérique 1893-1960 (1995, prix du Livre d’architecture de l’Académie d’architecture, 1996, Architecture Mandredo Tafuri Book Award de l’American Institute of Architects, 1997) Adalberto da Silva Retto Júnior: O senhor seguiu atentamente o percurso de Manfredo Tafuri ("Dall'affermazione ideologica alla storia professionale del 1999”, “Ceci n’est pas une histoire”), elencando algumas figuras que lhe serviram como referências: Giulio Carlo Argan, principalmente na sua fase romana; em negativo, o perfil de Bruno Zevi; ou ainda, a figura do intelectual crítico marginal de Walter Benjamin, pronto para revelar o sentido político dos processos artísticos, sem por isso profetizar uma estética do conteúdo. Enquanto, o senhor coloca na pessoa de Roland Barthes e na sua batalha contra a direita e a esquerda do pensamento acadêmico francês o papel decisivo no seu novo comportamento em direção à relação entre discurso histórico e critico de um lado, e arquitetura do outro. Foucault foi a referência mais evidente quando a história das “conquistas” dos Modernos estava para ser substituída pelas operações de pesquisa genealógica, que tentavam individualizar as linhas de conexões entre arquitetura dos séculos XVIII e XIX e as problemáticas contemporâneas. No centro do seu discurso tem de qualquer forma "um ponto focal" da teoria arquitetônica italiana, assim como vem encarnada da escola de Veneza e do departamento dirigido por Manfredo Tafuri. O trabalho dos estudiosos venezianos é visto como um agente essencial para o desenvolvimento do fato arquitetônico contemporâneo, capaz de dar nova luz aos ensinamentos da história e de investigar a fundo o significado do presente que, usando as suas palavras, supera a questão da operatividade da história, e consegue passar do estudo da conjuntura àquele da Massimo Cacciari, Franco Rella, Manfredo Tafuri, estrutura, posta como fundamento da historiografia dos ‘Annales’”: Georges Teissot, Il dispositivo Foucault, 1977 “Tafuri in effetti compie nel campo dell’ architettura il passaggio dallo studio delle congiunture a quello delle strutture, poste come fondamento della storiografia delle ‘Annales’”. O senhor pode discorrer sobre esta afirmação? Jean-Louis Cohen: Eu não mudei de opinião quanto à produtividade da obra de Tafuri, mas eu não a considero também como um texto sagrado onde todas as passagens seriam igualmente incontornáveis e fico, às vezes, admirado pelas glosas que esta ainda hoje provoca. É uma obra rica por suas contradições e transformações conhecidas no decorrer de aproximadamente três décadas as quais descreve. Onde seu trabalho, às vezes, encontra seus limites é justamente na investigação sobre o sentido da situação presente. Tafuri não encontrava, senão em algumas raras expressões, na arquitetura do século XX este “plaisir du texte” que ele sentia analisando os edifícios da Renascença. O sentido desta frase é simplesmente para avançar na idéia de que Tafuri substitui uma história “événementielle”, centrada nos momentos ou ações heróicas e eventualmente re-situadas cuidadosamente no que se convencionou chamar seu “contexto”, por uma investigação sobre as determinações estruturais que é possível ver na obra em objetos isolados ou em grupos de objetos. A construção erudita de “caso” de análise a qual ele se atém, não há outra finalidade que a de permitir ao leitor ver em um elemento de construção, um desenho ou um fragmento de texto, o efeito de forças inscritas em uma estrutura diacrônica. Nesse sentido, ele se salva da tentação monográfica e de uma certa tentação narrativa, propondo uma descoberta orquestrada por uma história que vai bem além do fato arquitetural.
  17. 17. CON_TEXTOS | FRANÇA | COHEN, Jean-Louis Créditos Jean-Louis Arquiteto e historiador. Professor do Institute of Fine Art de New York University, diretor do Institut français d’architecture e coordenador do projeto da Cité de l’architecture et du patrimoine à Chaillot dentre outros cargos. Autor de diversos livros: Le Corbusier et la mystique de l’URSS, théories et projets pour Moscou 1928-1936 (1987), Paris, la ville et ses projets (1988), Des fortifs au périf, Paris, les seuils de la ville (en coll., 1992), Mies van der Rohe (1994), Scènes de la vie future; les architectes européens et la tentation de l’Amérique 1893-1960 (1995, prix du Livre d’architecture de l’Académie d’architecture, 1996, Architecture Book Award de Le Corbusier et la mystique de l’URSS, théories et projets pour Moscou 1928-1936 l’American Institute of Architects, 1997), Casablanca, mythes et figures d’une aventure urbaine (en coll., 1998), Perret, une encyclopédie (en coll., 2002), Alger,paysage urbain et architecture (en coll., 2003). Curador de diversas exposições: Responsável pela seção de arquitetura Paris-Moscou (Centre Georges Pompidou, 1979) e les Années 20, l’âge des métropoles (Musée des beaux-arts, Montréal), expositions Paris, la ville et ses projets (Pavillon de l’Arsenal, em coll., 1988), les Seuils de la ville, Paris, des fortifs au Périf (Pavillon de l’Arsenal, em coll., 1992), Scènes de la vie future, les architectes européens et la tentation de l’Amérique 1893-1960 (Montréal, 1995), les Années 30, l’architecture et les arts de l’espace entre industrie et nostalgie (Musée national des monuments français, 1997). Adalberto da Silva Retto Júnior Doutor pela FAU USP/ Dipartimento di Storia dell’architettura do Istituto Universitário di Architettura di Veneza, professor de História Urbana e de Projeto Urbano do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo, da Unesp – Bauru; Coordenou o I Congresso Internacional de História Urbana: Camillo Sitte e a circulação das idéias em estética urbana: Europa e América Latina: 1880-1930. Tradução Zeila Oppermann Sampaio – Alliance Française – Centre Correspondant Bauru Revisão Adalberto da Silva Retto Júnior Imagens As imagens dos módulos 2, 3 e 7 foram retiradas da pesquisa «Italophilie» publicada na Revista IN Extenso, 1984
  18. 18. CON_TEXTOS ITÁLIA ROSSI, Aldo Indagações a partir do livro L’architettura della Città, de Aldo Rossi L’Architettura della Città é publicado em 1966, mesmo ano de Complexity and Contradiction in Architecture de Robert Venturi, nos Estados Unidos e de Il Territorio dell’Architettura, de Vittorio Gregotti, na Itália. Sem querer se debruçar na relação, e nem mesmo, sobre as diferenças e complementariedades destes três textos, ilumina-se a partir de uma cronologia horizontal (1) a amplitude do debate de uma  geração inteira  de arquitetos sobre a necessidade de redefinir coordenadas teóricas, que poderiam guiar e orientar a dimensão do fazer e do agir arquitetônico. A leitura dos três livros demonstra uma verdadeira revisão crítica da disciplina, a partir do empobrecimento do Movimento Moderno que, na forma globalizada do International Style, do segundo pós-guerra, manifesta a sua insuficiência em delinear com clareza qual deveria ser o futuro da arquitetura. L’architettura della Città abre um debate fundamental da história da cidade e da arquitetura já explicitado no próprio título:  a cidade, na sua totalidade, aparece como um organismo vivo que se compõe de arquitetura em um binômio inseparável. Com isso, Aldo Rossi põe as bases para uma refundação objetiva e científica da disciplina, cuja racionalidade não é mais autoreferencial, mas interna, de coordenadas históricas. A arquitetura, assim, é vista como um fato permanente, universal e necessário que deve conhecer e reconquistar o território indiscutível da própria especulação teórica e da própria prática operativa: a cidade. O objetivo primário de Rossi é justamente o de definir a estrutura intrínseca na cidade, pois somente partindo de seu conhecimento e da análise da dimensão urbana, a arquitetura poderia restabelecer sua contribuição operativa. A cidade, que vem analisada e investigada pelo autor através de métodos interpretativos específicos da geografia urbana e princípios do estruturalismo, compõe-se “per parti” autônomas e reconhecíveis a partir das quais derivam as declinações específicas: o tecido repetitivo das residências e a individualidade dos monumentos. Vale, entretanto, salientar que a produção bibliográfica rossiana não acaba com este livro, e que, para uma compreensão maior de sua reflexão, é necessário estabelecer não somente uma leitura acurada dos projetos (como documentos primários), mas também com outros textos do mesmo autor. De fato, o livro aqui apresentado é um texto que recolhe e sistematiza uma série de estudos, de análises e de considerações maturadas e aprofundadas no período de sua formação, no âmbito de sua escola em Milão, assim como artigos publicados na revista Casabella Continuità, dirigida naquele momento por Ernesto Nathan Rogers, onde Rossi é redator há mais de dez anos. Apesar deste aspecto, é importante ressaltar que neste livro Aldo Rossi, empenhado na construção lógica de uma teoria a priori, não propunha um modelo paradigmático de cidade. A cidade análoga, que é apresentado somente alguns anos depois, faz parte de uma reflexão que persegue o autor por toda sua vida acadêmica e profissional. Um outro confronto, que torna-se obrigatório quando faz-se um diálogo vertical (2) com a obra do autor, é o seu Autobiografia Scientifica (3). Os dois textos, que estão separados do ponto de vista cronológico por vinte anos, foi publicado pela primeira vez nos Estados Unidos por uma solicitação de Philip Johnson. Somente chega no cenário italiano em 1991, ano em que Aldo Rossi é o primeiro italiano a receber o Pritzker Prize. Aos estudos teóricos sobre a cidade conduzidos nos anos de 1960 e 1970, baseados sobre as lógicas abstratas do plano, Aldo Rossi contrapõe uma investigação pessoal baseada no estudo da cidade como um organismo composto de tantas partes acabadas, determinadas no curso do tempo, através de processos de transformações e de permanências, que adquirem valores específicos na memória individual e coletiva, e que constituem a essência, a alma da cidade. A observação dos elementos que compõem a cidade transforma-se, na atividade projetual de Aldo Rossi, em memória dos próprios elementos. Estes elementos, modificados através de sucessivas depurações lingüísticas, em formas primárias, em arquétipos (como o cone, o cubo, a pirâmide), recompõem-se em cada arquitetura, “evocando um sentimento de vida” (4) ou exprimindo “uma nostalgia” (5). A lição de “A arquitetura da cidade”, traduzido para língua portuguesa em 1977 (Portugal) e em 1995 (Brasil), é também e, sobretudo, fazer perceber as relações entre história da cultura e das instituições (“A cidade grega” de Marcel Poëte; Fustel de Coulanges, etc.) e a arquitetura. Mas, a tomada de consciência de que a cidade que se lê é aquela em que se opera, de certa forma,  explica o êxito nacional e internacional da obra (6) considerado por teóricos como um livro-tratado (7). Ao retornar à natureza do próprio conhecimento diante das transformações da arquitetura da cidade, em uma condição análoga àquela do angelus novus, de Walter Benjamin, o autor explicita a consciência do arquiteto na dupla angulação: da continuidade da própria disciplina na proposição analítica e projetual, e a fratura ocorrida socialmente, nos modos e nas expectativas de vida, sem se esbarrar em uma proposição meramente utópica. Esta relação dolorosa constituiu-se em uma questão teórica, cuja importância reaparece atualmente (por uma implícita aspiração a uma “unidade aquitetura-urbanismo”) diante de um cenário, no qual a possibilidade de uma teoria do projeto parece completamente absorvida da extrema complexidade das formas da paisagem contemporânea.
  19. 19. CON_TEXTOS | ITÁLIA | ROSSI, Aldo Os elementos primários e área-residência: a cidade “per parti” No livro de Rossi, o assentamento físico da cidade é decomposto em dois sistemas distintos, definidos como os “elementos primários” e “área-residência” (8). Na individualização de tais elementos primários entram múltiplos aspectos, o caráter público e coletivo (“o aspecto coletivo parece constituir a origem e o fim da cidade” escreve Rossi), o caráter histórico-monumental (“um edifício histórico pode ser entendido como um fato urbano primário; isso resulta desligado da sua função originária, ou apresenta no tempo mais funções, no sentido do uso a que foi destinado, enquanto não modifica a sua qualidade de fato urbano gerador de uma forma da cidade. Os monumentos são sempre elementos primários”). Os elementos primários, assim, têm uma natureza múltipla, que em síntese pode ser definida, nas palavras do autor como “aqueles elementos capazes de acelerar o processo de urbanização de uma cidade e, referindo-se a um território mais amplo, dos elementos caracterizantes os processos de transformação espacial do território. Eles agem quase sempre como catalizadores” (9). Tais elementos, no final, não são uma necessidade dos fatos físicos constítuidos: podem ser simplesmente “lugares” dotados de um  valor simbólico próprio: “o fato urbano, de fato, apresenta uma qualidade específica sua, que é dada principalmente pela sua persistência em um lugar, da capacidade de desenvolver uma ação precisa, da sua individualidade”. Mas não só: eles podem ser reencontrados também no “plano” da cidade (10): “afirmo agora – acrescenta Rossi – que considero o plano um elemento primário, da mesma forma que um templo ou um forte”. Em conclusão, ao caracterizar o conceito de elemento primário entram em jogo o caráter de constância ou de permanência do seu papel e de sua existência física no envolvimento com a cidade, o caráter  deindividualdade ou de singularidade que eles possuem, logo o caráter de elemento gerador e formativo da estrutura urbana de um determinado período histórico. Ezio Bonfanti no texto “Elementi e Costruzione. Note sull’Architettura di Aldo Rossi”, de 1970, em uma análise atenta entre os elementos e seu procedimento projetual compositivo, afirma que aquilo que caracteriza o processo de construção da obra rossiana (dos seus projetos e de seus desenhos) é uma composição por elementos acabados e autônomos, que são colocados lado a lado e reunidos, sem nenhuma possibilidade de subordinação hierárquica (11). Bonfanti classifica estes elementos em duas categorias: pedaços e as partes. Os pedaços, são “elementos primários irredutíveis  ulteriormente”, como por exemplo as paredes muitos finas do edifício na Gallaratese ou a trave com secção triangular da ponte para a Triennale di Milano. As partes, ao contrário,  “são elementos mais complexos que […] podem coincidir com obras arquitetônicas inteiras”, como o  monumento-fonte de Segrate ou o volume cúbico do  Monumento à Resistenza di Cuneo. Ao tomar em análise a Prefeitura e Scandicci ou a escola elementar de Fagnano Olona, Bonfanti evidencia a emergência de traços do pavillionsystem citado por Emil Kaufmann no seu livro de 1933 “De Ledoux à Le Corbusier” (12). De fato, a arquitetura do Iluminismo, que assumiu um papel decisivo na formação de Aldo Rossi, colocou as bases para os princípios daquilo que Kaufmann define como arquitetura autônoma, nascida da destruição da Unidade Clássico-Barroca. Sem entrar no mérito das considerações de kaufmann, o aspecto interessante e significativo levantado por Bonfanti é o caráter duplo que o conceito de parataxe (13) assume como chave de interpretação para a obra e o pensamento do autor. A Città analoga Através dos estudos sobre “fatos urbanos”, Aldo Rossi desenvolve uma hipótese de “progettazione della città” fundada em um processo analógico passível de ser instituído  entre a estrutura urbana histórica e a construção da cidade nova: “acredito - escreve – que o modo mais sério para operar na cidade, ou para entendê-la, que não é muito diferente, seja aquele de colocar uma mediação entre a cidade real e a cidade análoga. Que esta última, em síntese, seja a autêntica projetação da cidade (...). A alternativa real é aquela de proceder à construção da cidade por analogia: em outros termos, de servir-se de uma série de elementos diferentes, entre eles ligados ao contexto urbano e territorial, como pilares da nova cidade”(14). E interroga “Como existe uma relação autêntica, circunstanciada, com a cidade em que construímos? Isso existe – reforça Rossi, na medida em que a arquitetura remonta, nos motivos da sua própria projetação, as características gerais da cidade”.
  20. 20. CON_TEXTOS | ITÁLIA | ROSSI, Aldo Dez anos depois do L’Architettura della Città, um livro que não propõe um modelo urbano, Aldo Rossi começa a dar forma a sua idéia de cidade, seguindo princípios presentes no livro, de que a manufatura urbana é constituída por partes autônomas e acabadas, e imaginando uma cidade em que, como nos quadros de Canaletto, somam-se e se sobrepõem às partes compondo, no final, um projeto unitário. A teorização da Città Analoga foi elaborada a partir de 1964, na introdução do catálogo da exposição Illuminismo e architettura del ‘700 Veneto (15). Todavia, é por ocasião da Biennale di Venezia de 1976, que o autor apresenta uma prancha que constitui a metáfora gráfica dos estudos e investigações sobre esta idéia. Na prancha, apresentada como uma “obra coletiva”, apresenta a casa em Borgo Ticino, a perspectiva do Gallaratese, o traçado de Monza, a Cabine dell’Elba e outras imagens do seu repertório sobrepostas ao tecido da cidade histórica e aos seus monumentos, reproduzindo uma paisagem urbana que encontra na técnica aditiva da montagem sua construção lógica.  Neste ponto, a Città Analoga se insere imediatamente em dois filões analíticos possíveis muito difundidos pelos estudiosos de Rossi: aquele dos modelos urbanos, que sempre caracterizaram o pensar da arquitetura e da cidade e, do ponto de vista da técnica, o da montagem/ collage procedimentos aditivos que filiam-se, em certa medida, à politics of “bricolage”, base da reflexão do livro Collage City de Colin Rowe e Fred Koetter (16). Apesar de modalidades operacionais diferentes e processos não necessariamente convergentes, os resultados quando confrontados apresentam certas imagens relevantes: 1. O ponto de partida de Rossi tem base claramente estruturalista, na qual interpreta a cidade como uma estrutura física a partir da área-residência e os elementos primários. A cidade, assim, é concebida como uma manufatura, como uma obra de arte em que a cidade antiga e a cidade moderna confundem-se e se sobrepõem fazendo parte de um estudo analógico, científico e arqueológico que a partir do simbólico estabelece a ligação necessária entre o real e o imaginário. 2. Rowe e Koetter em Collage City, ao contrário, sobrepõem à realidade urbana uma análise gestáltica que, através da definição das relações entre figura-fundo, permite individualizar e se confrontar utilizando dois modelos urbanos como referência: a cidade antiga que produz espaços, e a cidade moderna  que produz objetos. Diante dos dois modelos, que a história restitui como herança física e operativa, não existe a necessidade de uma escolha, mas simplesmente aceita-se as complexidades e as contradições do real. A cidade, dessa forma, apresenta-se como um repertório, um depósito múltiplo e complexo de formas, objetos, espaços e texturas, e a partir daí somente a prática projetual - da collage e do assemblaggio-, permite a definição da estratégia, que Colin Rowe já visualiza na Roma Imperial e Barroca ou nas construções das cidades-museus napoleônicas. Com isto, notamos uma grande diferença entre a collage de Rowe e Koetter e a operação rossiana: para os primeiros, A Collage City não é uma reflexão sobre forma urbana, é muito mais uma estratégia. Logo, não é uma operação compositiva que culmina no projeto, o processo já é ao mesmo tempo projeto. Não é por mero efeito de retórica que no Collage City Colin Rowe retoma e comenta criticamente definições de Claude Lévi-Strauss do “O pensamento Selvagem” (17): “..o cientista”, cita Rowe “cria eventos ….a partir das estruturas e o bricoleur constrói as estruturas a partir dos eventos” (18). Colin Rowe utiliza livremente as formas e os eventos, que serão montadas e arranjadas em uma construção nova. Enquanto para Rossi, o importante é a escolha dos elementos que entram para fazer parte da composição que irá recompor e reconstruir os fragmentos da realidade. O procedimento projetual analógico A relação análise urbana/projeto em Aldo Rossi, vem explicitamente formulada através de uma ‘hipótese de uma teoria de projetação urbana – arquitetônica, onde os elementos são prefixados, formalmente definidos, mas onde o significado durante a operação tem o sentido autêntico, imprevisto, original, da investigação”, já que “cada um pode reencontrar elementos fixos e racionais na própria história, e acentuar o caráter peculiar de um lugar, de uma paisagem, de um monumento” (19). A intervenção de Rossi sobre a cidade põe-se, assim, primariamente com um problema de conhecimento do significado de uma civilização urbana e da sua imagem, para posteriormente transferí-lo “analogicamente” ao projeto. Isto significa que não existe uma instrumentalização específica da projetação urbana contraposta àquela da projetação arquitetônica, mas que em um movimento de ir e vir os elementos do projeto arquitetônico se orientam – na experiência da projetação urbana –, com a finalidade de relacionar o objeto-cidade, a manufatura-cidade, a arquitetura da cidade.
  21. 21. CON_TEXTOS | ITÁLIA | ROSSI, Aldo A projetação urbana vem a agir sobre dois planos distintos, mas correlacionados: de um lado, em direção da projetação/ reprojetação dos nós constitutivos da estrutura urbana (histórica); do outro lado, em direção a reprojetação dos mecanismos constituintes da forma de parte isolada da cidade. O procedimento projetual, de que Aldo Rossi é um intérprete de grande sensibilidade, também corresponde à figura retórica da metáfora na translação de significado de um objeto a outro por “íntimas, mas variadíssimas semelhanças”. O novo (a invenção) torna-se, em tal caso, metáfora do antigo, retomado – por analogia – por formas estruturais, “formas tipológicas”, mais ou menos ancestrais, conectadas com a cidade preexistente. Em seus projetos não são propostas formas acabadas, mas “íntimas semelhanças” derivadas das “formas estruturais”: geometrias do lugar, “geometrias da memória”. Todavia – por considerações não somente dimensionais, mas também concretamente de gestão – foi eclipsada qualquer ilusão utópica da “cidade toda como arquitetura”, ou melhor, de um “controle da forma urbana operado globalmente com os instrumentos da arquitetura”. A “città analoga” de Aldo Rossi introduz “um procedimento compositivo, que é permeado de alguns fatos fundamentais da realidade urbana, entorno a qual constitui outros fatos fazendo parte de um sistema analógico” (20). Para ilustrar este conceito, Rossi refere-se ao famoso capriccio palladiano de Canaletto: “os três monumentos paladianos constituem uma Veneza análoga cuja formação é completada com elementos corretos, ligados à história da arquitetura como da cidade (...). Tal operação  lógico-formal  pode traduzir-se em um modo de projetação” (21). O novo, no procedimento rossiano, é, sem dúvida novo, mas faz alusão ao já conhecido através de sutis retomadas, que instaura uma continuidade com o preexistente, filtrada pela memória, com uma interpretação estritamente subjetiva, mas profunda, de cores, traços somáticos, de matrizes tipológicas, de um ambiente urbano. Não tem necessariamente, neste tipo de intervenções, a busca de uma continuidade morfológica com aquilo que preexiste: a relação com as preexistências – como já dizia Rogers – é uma relação de tipo figurativo, de uma sintonia camuflada com os significados formais de um lugar e suas imagens: é uma relação de certo modo literária, poética, assimilável à interpretação (também literária e poética), que qualquer escritor elabora sobre as peculiaridades das cidades, de maneira sintética. Um exemplo acabado que ilustra esta relação é a síntese feita pelos pintores mais amados e estudados por Rossi, como De Chirico, interpretando as cidades da região padana, ou Sironi, as periferias lombardas. Entretanto, apesar do estudo da cidade ser a base do projeto, durante a fase projetual essa história é esquecida, uma vez que os dados simbólicos, lingüísticos, figurativos da tradição arquitetônica de uma determinada civilização histórico-geográfica, torna material operado na impostação do projeto. O procedimento de Rossi está presente e encontra respaldo na definição, de 1978, do recém-fundado Dipartimento di Teoria e Tecnica della Progettazione Urbana do Istituto Universitario di Architettura di Venezia (I.U.A.V.), que assumia como campo de estudo “a projetação urbana - arquitetônica em relação a um contexto dado, interpretado nos seus componentes de história, de morfologia, de funções”. De fato, Rossi somente assume uma cadeira como professor efetivo na Universidade de Veneza, em 1975, depois de ter sido professor asistente de Ludovico Quaroni, em 1963, na escola de Urbanismo de Arezzo, e de Carlo Aymonino, no Istituto Universitario di Architettura di Venezia.  A partir de 1965 ensina na Università de Milão, Zurique e em diversas Universidades dos Estados Unidos. Nas palavras de Gianugo Polesello, então diretor do departamento: “Afirmei que a Arquitetura e o Plano já se contituem em domínios científicos separados, tecnicamente definidos. Não pretendo aqui postular uma reconquista da unidade entre Arquitetura e Plano (...). Afirmo, porém, que o problema do town-design como disciplina ou como ciência autônoma e separada, é restrito de significado, seja a respeito aos resultados arquitetônicos, seja daqueles urbanísticos, do plano. O problema não é aquele da coincidência entre Arquitetura e Plano, que são mantidos autonômos e independentes do ponto de vista técnico e teórico-científico, mas sim o da Projetação da Cidade” (22). A “projetação urbana” “vem assim se qualificar, não tanto como ‘disciplina’ em si mesma e ‘técnica’ específica, quanto como tema, que tem por objeto a cidade e a sua definição física e formal. A cidade é, assim, o objeto e o fim último da projetação urbana. Ela pode usar, instrumentos do Plano (como estratégia de reordenação e localização, funcional, econômico...) e da Arquitetura (como técnica de intervenção direta na construção da cidade)”. Revisitar as biografias científicas de personagens, trajetórias profissionais como Rossi, assim como de outros arquitetos do cenário italiano como Vittorio Gregotti, Gianugo Polesello, Giorgio Grassi, Carlo Aymonino, Giancarlo de Carlo, Bernardo Secchi e Gino Valle, permite explicitar de forma cabal uma relação entre teoria do projeto e visão racionalizada da cidade e do território – que significa, antes de tudo, considerar a possibilidade de uma dimensão discursiva e operativa no fazer, sem criar simples (ou simplistas) procedimentos de causa e efeito.
  22. 22. CON_TEXTOS | ITÁLIA | ROSSI, Aldo Referencias bibliográficas ROSSI, Aldo, Scritti scelti sull’architettura e la città, a cura di Rosaldo Bonicalzi, Milano,Clup, 1975 15 SAVI, Vittorio, L’architettura di Aldo Rossi, Milano, Franco Angeli Editore, 1976. 16 ROWE, Colin, Koetter Fred, Collage City, Milano, Il Saggiatore, 1981. 17 LÉVI-STRAUSS, Claude. O Pensamento Selvagem. RJ: Zahar Ed., 1983. 18 ROWE, Colin, Koetter Fred, Collage City, Milano, Il Saggiatore, 1981, pp. 168. 19 ROSSI, Aldo, Scritti scelti sull’architettura e la città. Op. Cit. 20 ROSSI, Aldo, Scritti scelti sull’architettura e la città. Op. Cit. 21 ROSSI, Aldo, Scritti scelti sull’architettura e la città. Op. Cit. 22 GRANDINETTI E PITTALUGA, Aspetti dell’architettura di Gianugo Polesello / Armando Dal Fabbro. In: Edilizia popolare: rivista bimestrale dell’Associazione nazionale fra gli Istituti autonomi per le case popolari, N. 220 (1992), p. 42. referências bibliográficas AA. VV., Teoria della progettazione architettonica, Bari, Edizioni Dedalo, 1985. BONFANTI, Ezio, Elementi e Costruzione. Note sull’architettura di Aldo Rossi, in Ezio Bonfanti, Scritti di Architettura, a cura di Luca Scacchetti, Milano, Clup, 1981, pp. 281- 296. DAL CO, Francesco, Ora questo è perduto. Il Teatro del Mondo di Rossi alla Biennale di Venezia, in Lotus International, n° 25, 1980, pp. 66-70. FERLENGA, Alberto, a cura di, Aldo Rossi. Architetture 1959-1987, Milano, Electa, 1990. LAMPUGNANI, Vittorio, Utopia assente. Frammenti per una storia critica, in Casabella, n° 487-488, 1983. MONEO, Rafael, L’idea di architettura in Rossi e il Cimitero di Modena, in Moneo Rafael, La solitudine degli edifici e altri scritti. Sugli architetti e il loro lavoro, a cura di Andrea Casiraghi e Daniele Vitale, Torino, Umberto Allemandi & C., 2004, pp. 11-59. MONEO, Rafael, L’apparenza come realtà. Considerazioni sull’opera di Aldo Rossi, in Moneo Rafael, La solitudine degli edifici e altri scritti. Sugli architetti e il loro lavoro, a cura di Andrea Casiraghi e Daniele Vitale, Torino, Umberto Allemandi & C., 2004, pp. 61-71. A “Leitura horizontal”, do ponto de vista metodológico, é capaz de colher as convergências, contatos entre profissionais, participação em trabalhos comuns, seja no âmbito acadêmico, seja naquele institucional. (Relatório Fapesp – pós doutorado no Dottorato di Ecellenza ISAV– Adalberto da Silva Retto Jr - 2007). A “Leitura vertical” permite colher  a contribuição efetiva do autor interna a disciplina, tendo como base o escopo disciplinar da História da Arquitetura e do Urbanismo, observados pela sua densidade ou redução, na capacidade de expandir-se ou de se repropor, a partir da aparição e de sua maturação, consistência, declínio ou metamorfose. No caso específico dos textos, ganha particular importância a averigüação dos canais de difusão ou tipologias dos destinatários, pois de maneira rápida e essencial possibilita visualizar a inserção destes na comunidade científica e na sociedade. (A leitura horizontal e vertical faz parte das discussões metodológicas para a construção de trajetórias profissionais no campo da arquitetura e urbanismo e foram desenvolvidas, em um primeiro momento no âmbito de duas disciplinas optativas intituladas “Escalas de modernidade: um percurso na obra do arquiteto Fernando Pinho” (2001 e 2002) e “Urbanismo em Questão” (1999). Recentemente enriquecidas na construção da trajetória profissional do engenheiro Victor da Silva Freire, durante pós-doutorado no Doutorado de Excelência de Veneza e apresentadas no relatório Fapesp – pós doutorado – Adalberto da Silva Retto Jr (2007).
  23. 23. CON_TEXTOS | ITÁLIA | ROSSI, Aldo Para alguns autores, no livro Autobiografia Científica existe uma superação de uma interpretação evolucionista, que leva a pensar uma divisão de sua produção em dois momentos: um Rossi de L’architettura della città e outro de Autobiografia Scientifica. Apesar disso, a teoria como construção lógica e objetiva, e a autobiografia como necessidade de confronto com a dimensão subjetiva, são elementos que permanecem ao longo da carreira do autor. 4 ROSSI, Aldo. A cura di G. Braghieri. Bologna: Zanichelli Editore, 1989, p.11 5 TAFURI, M. - DAL CO, F. Architettura contemporanea. Milão: Electa, 1988, p.382 6 Principais edições italianas e estrangeiras de L’architettura della città: Edições italianas – Título: L’architettura della città. I, II, II edições Padova, Marsilio Editori; collana <Biblioteca di Architettura e Urbanistica> com direção de Paolo Ceccarelli, n.8. I edição, maio de 1966; PP.217, 3n.n.; Il. no texto, 12; fora do texto, ,37; II edição, com um <Prefazione Allá seconda edizione> do autor, abril 1970; PP.8 n.n.; il. como na I edição; III edição, abril 1973; igual a precedente.  A IV e V edições: Milano, Clup (Cooperativa Libraria Universitaria Del Politecnico). I edição, maio de 1978, curado por Daniele Vitale, com uma revisão das notas e todas as introduções e apresentações do autor para as edições precedentes; pp. 314; il. no texto, 103; fora do texto, 44; II edição, junho de 1987, curada e com premissa de Daniele Vitale, com atualização das introduções e apresentações do autor para as edições precedentes e revisão das ilustrações; pp.348; il. no texto, 162.  Edições espanholas – Título: La arquitectura de la ciudad. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, S.A.; com <Prólogo a La edición castellana> de Salvador Tarragó Cid (escrito em 1968); tradução de Josep Maria Ferrer-Ferrer e Salvador Tarragó Cid; revisão bibliográfica de Joaquim Romaguera e Ramió. I edição, na <Colección Arquitectura y Crítica>, dirigida por Ignacio de Solá-Morales Rubió, 1971; pp.239, 3 n.n., 4n.n.; il. no texto, 12; fora do texto, 37; II edição, na <Colección Punto y Linea>, sem data (mas de 1976); pp.239, 5 n.n.; il. no texto, 10; VII edição, 1986; pp.312; il. no texto, 47, fora do texto, 37. Edição alemã – Título: Die Architektur der Stadt. Skizze zu einer grundlegenden Theorie dês Urbanen. Düsserdolf, Bertelsmann Fachverlag (Copyright de 1973, Verlagsgruppe Bertelsmann GmbH/Bertelsman Fachverlag, Düssedolf); coleção <Bauwelt Fundamente>, dirigida por Ulrich Conrads, n.41; com um <Nachwort zur deutschen Ausgabe> do autor; tradução ao alemão de Arianna Giachi; pp.174, 2n.n.; il. no texto, 12, e fora do texto, 37. Edição portuguesa – Título: A arquitectura da cidade. Lisboa, Edições Cosmos, novembro 1977; direção e tradução de José Charters Monteiro e José da Nóbrega Sousa Mantins; com <Introdução à edição portuguesa> do autor; pp.260, 2n.n.; il.no texto, 12 e fora do texto, 8, 49. Edição americana – Título: The Architecture of the City. Cambridge, Mass, and London, Engl., M.I.T. Press, 1982 copyright for The Graham Foudation for Advanced Studies in the Fine Arts, Chicago, Ill., and The Institute for Architecture and Urban Studies, New York, N.Y.; coleção “Opposition Books”, dirigida por Peter Eisenman e Keneth Frampton; tradução de Diane Ghirardo e Joan Ockman, revisada pelo autor e por Peter Eisenman; com um “Editor’s Preface” e “Editor’s Introduction: The House of Memory. The Test of Analogie” de Peter Eisenman; e uma “Introduction to the First American Edition” feita pelo autor; pp.202, 105 il. Edições francesas – Título: L’architecture de la ville. Paris, L’Equerre, 1981; coleção “Formes Urbaines”, dirigida por Antoine grumbach e Bernard Huet; tradução de Françoise Brun; edição inteiramente igual a I edição Clup, Milano, 1978; pp.296; il.146. Edição grega – Título: H APXITEKTONIKH TH∑  ∏OΛΗ∑. Salonicco, 1986; copyright para língua grega de Lois Papadopoulos, Giorgos Papalistas, Sofie Tsitiridou; tradução de Vassiliki Petridou; com uma “Nota a edição grega” do autor; pp.354; il.103, fora do texto, 44 Edição húngara – Título: A város épitészete. Budapeste, Budapesti Muszaki Egyetem, 1986; tradução a partir da edição americana de masznyik Csaba, com a colaboração de Moravánszky Ákos; pp.146; il. n.n. In.: II edição, junho de 1987, curada e com premissa de Daniele Vitale. Edição brasileira – Título: Arquitetura da cidade. Editora: Martins Fontes, São Paulo, 1995; pp. 309; coleção a com prefácio de Daniele Vitale, constando no final do livro da “Introdução à edição portuguesa”, Nov.1977, e nota biográfica (sem autoria); Il. no texto, 145, e 11 na “Introdução à edição portuguesa”.  7 Ver DE MICHELIS, Marco, “Ceci tuera cela” Parametro, n. 267, mar. 207, p. 19-23. Cit. RETTO JR, A.S. In.: Plano e arquitetura / plano com arquitetura. Indagações acerca das Lições de urbanismo de Bernardo Secchi, Arquitextos, 083-02. Portal Vitruvius, abril 2007. 8 Nas palavras de Rossi: “vede la città distinta in parti diverse e dal punto di vista formale e storico costituenti dei fatti urbani  complessi. Poiché in un quartiere è preminente la parte residenziaIe e questo con i suoi aspetti ambientali cambia notevolmente nel tempo caratterizzando l’area su cui insiste, piuttosto che le costruzioni, ho proposto di usare il termine di area-residenza. (...) Ma le aree e l’area-residenza (...) non sono sufficienti a caratterizzare la conformazione e l’evoluzione della città; al concetto di area deve accompagnarsi quello di un insieme di elementi determinanti che hanno funzionato come nuclei di aggregazione. Questi elementi urbani di natura preminente li abbiamo indicati come elementi primarii  in quanto essi partecipano dell’evoluzione della città nel tempo in modo permanente, identificandosi spesso con i fatti costituenti la città. L’unione di questi elementi (primarii) con le aree in termini di localizzazione e di costruzione, di permanenze di piano e di permanenze di edifici, di fatti naturali o di fatti costruiti, costituisce un insieme che è la struttura fisica della città” (Rossi, 1966). 9 ROSSI, Aldo. L’architettura della città, Milano, Marsilio Editori, I edição, 1966.
  24. 24. CON_TEXTOS Indagações acerca das Lições de urbanismo de Bernardo Secchi (1) Por Adalberto da Silva Retto Junior Plano e arquitetura / plano com arquitetura Este livro, aparentemente despretensioso, do urbanista italiano Bernardo Secchi atualiza possíveis significações relativas às questões do ensino, do saber e do poder e, principalmente, do projeto da cidade contemporânea. A palavra Lezione, contida no título original da coleção, remonta a uma tradição acadêmica como a da prestigiosa instituição da capital francesa, Collège de France, onde Michel Foucault pronunciara, em 1970, a aula magna intitulada “A ordem do discurso”. Mas é a conferência, de posse e de abertura, do novo curso de semiologia literária nesta instituição do professor Roland Barthes denominadaLeçon, em 7 de janeiro de 1977, que o autor faz referência para explicitar seu percurso narrativo (2). Passados sete anos da edição italiana do referido livro (Laterza, 2000), Prima lezione di urbanistica é traduzido ao português mantendo a tradução literal da palavra “lição” e não “aula”, como optara, por exemplo, Leyla Perrone-Moisés na tradução de Roland Barthes (3). A estrutura do livro Alguns urbanistas consideram importante fornecer uma definição de urbanismo através das suas intervenções projetuais. No contexto brasileiro poderíamos mencionar por exemplo, Victor da Silva Freire (1869-1951) (4), Donat-Alfred Agache (1875-1959) (5), Francisco Prestes Maia (1875-1965) (6), Lúcio Costa (1902-1998) (7), João Batista Vilanova Artigas (1915-1985) (8), Jorge Willhem (1928–) (9) ou ainda Luiz Ignácio Romeiro de Anhaia Mello (1891-1974) (10). Alguns historiadores de urbanismo, apresentam no índice um claro esquema espaço-temporal a partir de um elenco de obras amplamente ilustrado. Bernardo Secchi, ao contrário, apresenta um índice erradicado de qualquer temporalidade e de um elenco de obras evitando uma imediata explicitação do arco temporal trabalhado. O percurso transversal proposto elenca algumas figuras, que remontam temporalidades diversas e superpostas como artifício para percorrer, na longa duração braudeliana, toda a tradição disciplinar inclusive aquela pré-moderna. Através da primeira figura evocada o autor cria um deslizamento oudéplacement (signo nuclear da teoria, crítica e escritura barthesiana) do foco da disciplina urbanismo enfatizando que não é “na cidade que devemos procurar as figuras do urbanismo” mas no jardim, entendido como ornamento do solo, que ao ser “construído ex novo” mantém “relações profundas com as características do lugar através da constituição física e da forma dos terrenos, das águas e da vegetação, da subdivisão das áreas de cultivo e das propriedades do solo agrário” [...] “torna-se, ao longo da história da cidade, exercício de controle das relações espaciais e de projetos conceituais” (11). Se a entrada para se falar sobre Urbanismo é o jardim, esta aciona a escala da cidade e do território, permitindo uma reconciliação com os outros saberes como o dos geógrafos e geólogos, antropólogos, botânicos, topógrafos e engenheiros, agrônomos, sociólogos, médicos e economistas, advogados, historiadores e arquitetos. Em um movimento contrário, emerge uma outra figura instrumentalizada pelo autor, o fragmento, remetendo à “concepção topológica do espaço, à importância da diferença e da especificidade dos lugares”. A compreensão da atomização dos contextos urbanos, que aparece na figura do fragmento, assume uma dupla condição: a realidade material em si e a do sujeito que a vivencia. A primeira representa o conjunto complexo de transformações que somente a partir de tempos relativamente recentes foram centro de análises sistemáticas e aprofundadas, como aquelas da cidade difusa (12); a segunda ao contrário, assumiu ao longo do tempo um lugar dentro da história da filosofia e da cultura ocidental, sendo reconhecida como uma das características da modernidade.
  25. 25. CON_TEXTOS | Indagações acerca das Lições de urbanismo de Bernardo Secchi Ao tratar da Cidade moderna e cidade contemporânea o autor faz emergir a variável tempo através da correlação entre tempo histórico e espaço histórico rejeitando a concessão de uma historicidade linear segundo a qual a cidade moderna e a cidade contemporânea fazem parte de dois extremos opostos. Afinal, o método de subdivisão do mundo em entidades elementares e abstratas, explicitadas nos conceitos de materiais ou fragmento, corresponde à decomposição das figuras da arte e da arquitetura em seus elementos irredutíveis, seguindo rastros dos princípios do século XX, da teorização arquitetônica de raiz racionalista que absorve as indicações precedentes das vanguardas figurativas, tal como encontramos no elementarismo abstrato de Vasili Kandinsky (1866-1944), Piet Mondrian (1872-1944) ou outros autores do grupo De Stijl, ou tal como se realiza nos experimentos construtivistas da vanguarda russa, como no espaço Proun de El Lissitzky (1890-1941) ou na dodecafonia de Arnold Schönberg, como cita o próprio autor. Na terceira sessão proposta pelo autor, esboça-se uma tensão entre “Projeto(s)” e o “O projeto da cidade contemporânea”, entre um livro de história do urbanismo e um itinerário de pesquisa partindo da análise à proposição. A afirmação da segunda formulação é assumida como que parafraseando André Corboz, para o qual “o mundo não é somente para ser lido mas sempre para ser escrito. E é justamente por isso que o último destino do olhar é sempre e de qualquer forma o projeto” (13). Partindo do princípio de que cada definição é sempre um “constructoestratégico” (14), e que cada um dos urbanistas supracitados deve ser lido à luz de sua conjuntura, o que Secchi exprime, e que sem dúvida é o escopo do seu livro Primeira lição de urbanismo, é falar de um urbanismo como testemunho de um vasto conjunto de práticas, que são aquelas da contínua e consciente modificação do estado do território e da cidade. Mas também para o autor falar de urbanismo hoje significa ocupar-se de algumas coisas: como elaborar projetos pontuais a serem inseridos dentro de uma visão de longo período que são passíveis de serem controlados continuamente com cenários (15). Logo, o jardim, mas também o fragmento e as outras figuras em um contínuo deslize, aparecem como aquilo que tem consistência material e visível e que constitui um depósito físico dos processos econômicos e sociais, a herança de um momento histórico que dura no tempo (16). A forma comporta-se como uma espécie de arquivo das políticas e das práticas que podem ser reinterpretadas, com a prerrogativa de poder ser observada de maneira direta compondo uma ampla e eclética seleção de “materiais” (17) a serem manipulados. A condição de “fragmento” que cada elemento assume na cidade contemporânea tem a possibilidade de ser reconhecido na sua identidade individual, de um possível isolamento do contexto do qual porém, torna-se difícil, se não impossível, reconstruir a unidade, e do qual somente a parte é capaz de conter as regras gerais. O tema subliminar colocado é aquele da relação entre projeto arquitetônico ou urbanístico e a cidade pré-existente ou, em outras palavras, da relação entre arquitetura e contexto que pode ser lido com angulações diversas reportando-se a diversos modos de assumir o contexto histórico-geográfico como material de projeto. Neste sentido, a afirmação da morfologia aparece no seio da disciplina urbanismo como componente fundamental na transformação do território, aqui revistos com o intuito de revelar a postura crítica e criativa do urbanista num exercício de renovação contínua na estrutura descontínua da paisagem como um palimpsesto (18). Inserção crítica do livro Primeira lição de urbanismo no Brasil, re-percorre um filão de efetiva contribuição e diálogo entre profissionais dos dois países, também nos anos pós Brasília, por exemplo revelada através de importantes traduções de textos italianos nas áreas de urbanismo, história e arquitetura, como Território da arquitetura (19), História da arquitetura moderna (20), História da arte como história da cidade(21), A cidade e o arquiteto (22), Arte moderna (23), Saber ver arquitetura (24), Arquitetura da cidade (25), Projeto e destino (26), dentre outros, sem incluir aqueles publicados em Portugal que certamente tiveram grande repercussão no Brasil. Em um contexto mais amplo, pode-se alargar o escopo analítico pensando sobre a importância que os livros e revistas, principalmente Casabellae Urbanistica, tiveram no debate de um retorno à cidade que se propaga nos anos de 1970. Franco Mancuso traduz esse momento como aquele em que “a cultura urbanística recuperou o interesse pelos aspectos formais da cidade e do território, e reivindicou sua autonomia e seu papel específico nos processos de reorganização territorial” (27), muitas vezes aparece refletido na projetação urbana, na idolatria pelo existente ou na afirmação do morfologismo, como únicas possibilidades do projeto na cidade contemporânea. Alguns estudos apontam nesta direção, principalmente na França, Espanha, e na América do Norte (28).
  26. 26. CON_TEXTOS | Indagações acerca das Lições de urbanismo de Bernardo Secchi Marco De Michelis em “Ceci tuera cela” discorre sobre essa problemática, apontando alguns livros fundamentais na consolidação deste processo: “Quando, nos anos Sessenta, a arquitetura ocidental tenta conceber seu próprio estatuto autônomo capaz de interpretar através da especificidade e historicidade da própria cultura os grandes processos de transformações do mundo, foram dois livros escritos por arquitetos que determinaram as bases conceituais desta operação. Ambos publicados em 1966,Complexity and contradiction in Architecture de Robert Venturi e L’architettura della cittá de Aldo Rossi, que testemunham este esforço extraordinário de reconduzir as práticas à sua identidade disciplinar e o direito de tomar posse da sua especificidade histórica. Mas também um pequeno livro escrito por um historiador assume um papel crucial neste caso,Progetto e utopia de Manfredo Tafuri, que retomava e ampliava a análise desenvolvida em um ensaio de 1969 no qual a idéia de uma “arquitetura autônoma” era interpretada como o reflexo do seu estatuto ideológico, da angústia que acompanhava a arquitetura desde o advento da sociedade capitalista, que a tinha separado dos grandes processos de inovações técnica e científica, dos mecanismos reais de domínio e de poder, condenando-a ao papel subalterno de intérprete crítico, isto é, de re-formadora daquilo que os outros saberes já tinham determinados” (29). Rssaltar as diferenças da recepção destes livros nos diversos contextos, talvez sirva para iluminar relevantes reflexões do ponto de vista historiográfico, que explicariam as diferenças de temas, como aquela do debate cultural sobre projeto urbano entre a Itália e a cultura britânica (30), apesar de se colocarem cronologicamente no mesmo período. Ou ainda, na relevância que os mesmos produziram possibilitando importante mediação entre a cultura do Moderno e leitura operativa dos contextos históricos em relação à “nova dimensão” do fato urbano. Ao compor o cenário de cinqüenta anos do urbanismo italiano a partir de biografias, Gabelline discorre sobre as transformações da disciplina através das figuras de Luigi Piccinato (1899-1983), Plínio Marconi (1893-1974), Giuseppe Samonà (1898-1983), Ludovico Quaroni (1911-1987), Giovanni Astengo (1915-1990), Giuseppe Campos Venuti (1926–), Giancarlo De Carlo (1919-2005) e Bernardo Secchi (1934–). A contribuição do nosso autor, que é analisada em uma operação lógica de recomposição interna à disciplina, restabelece um “percurso interrompido” de um debate crucial sobre a oposição entre plano e projeto, entre urbanismo e arquitetura, de uma geração formada por Giuseppe Samonà (31), Ludovico Quaroni (32), e Giancarlo De Carlo (33). “Secchi adota o conceito de regra, contido na definição decontexto utilizada por Samonà para ler a relação entre formas físicas e sociais, entre partes morfologicamente complexas da cidade e do território; apóia-se ao projeto de arquitetura para a construção do plano, co-dividindo a convicção de De Carlo, que o projeto era um modo para representar a demanda do espaço habitável enquanto fornecia referência e colocava vínculos à argumentação e ao imaginário, que neste sentido agiria como um ‘guia’ fundamental; trabalha sobre a distinção introduzida por Quaroni entre ‘plano-idéia’ e ‘plano-norma’ e sobre ‘modelos diretores’ prospectando o ‘projeto-norma’ como um irrenunciável ‘depósito inerte’ de soluções atentamente pré-figuradas, não imediatamente passíveis de atuação e, por isso, confiadas a sucessivas – mas apropriadas- interpretações” Nos artigos dos anos de 1980, agrupados no livro Un progetto per l’urbanistica (35), Secchi delimita um campo de investigação para o urbanismo a partir de questões, sem negligenciar a forma física da cidade, entendida como síntese de processos sócio-econômicos capazes de levar a repensar o papel do urbanismo na sociedade contemporânea. Suas reflexões situam-se na linha da reconstrução da identidade e da autonomia do urbanismo como disciplina, que mantém vínculos estreitos com a arquitetura, mas que em alguns pontos se distingue da mesma. No texto em que Secchi polemiza o propósito da relação entre plano e projeto, Benevolo sustenta que “o ‘urbanismo’, na sua especificidade, é o conjunto de técnicas capaz de colocar cada projeto de arquitetura no tempo e no lugar preciso; deve criar condições preliminares para a arquitetura e não antecipar arbitrariamente seus resultados. Os instrumentos urbanísticos, por sua vez, são formalizações parciais pertencentes a uma seqüência que, no seu conjunto, apresenta-se como um fato arquitetônico na sua totalidade e se justifica por tornar eficaz a fase de realização final” (36). Para Benevolo, a inclusão de determinados projetos no plano não passava de um modo para satisfazer a especulação imobiliária. Partindo do fato de que as condições eram outras, a resposta de Secchi rejeitava a idéia do plano como o ponto de partida de uma série de instrumentos hierarquicamente subordinados, mas o entendia como “um projeto concreto capaz de se constituir em programa para uma nova investigação […] sobre as relações de diversas ordens de espaços e construções”, na qual à administração caberia “definir os tempos e os modos de uma ativação legítima dos interesses, questão muito mais complexa que o respeito somente às regras do jogo” (37). Ao ensinamento destes mestres, recordando Saverio Muratori (38) e as discussões interdisciplinares que cada um deles coloca, sobretudo Samonà, florescem nos anos de 1960, sobretudo, na escola veneziana, o interesse por uma nova abordagem do aporte da arquitetura ao tema do controle/projeto da forma urbana.

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