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Historinhas do Vovô Juca: Um mundo de insetos

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Historinhas do Vovô Juca: Um mundo de insetos

  1. 1. Um Mundo de Insetos Uma coleção com seis histórias UmMundodeInsetos As histórias que Vovô Juca conta para Toninho e seus amigos têm o propósito de prender a atenção das crianças enquanto lhes provê um alicerce de bom com- portamento e de interação positiva com os colegas. Na coleção Um Mundo de Insetos você conhecerá um feliz grupo de insetos amigos que dividem as alegrias de viverem juntos à beira de um lago: Uma competição descuidada coloca a vida de Dora em perigo. O pobre Vítor, mancando, fica muito desanimado quando dois besourinhos travessos riem do tombo que ele levou. Juntos os insetos vivem outras aventuras e se ajudam em situações difíceis. www.auroraproduction.com Com estas histórias as crianças apren- dem a importância da perseverança, consideração, gentileza, dividir, resolver problemas, se comunicar e muito mais! HISTÓRIAS DO VOVÔ JUCA HistóriasdoVovôJuca
  2. 2. O Dia de Dora
  3. 3. De longe, na casa toda e no jardim, se ouvia o choro de Toninho. — O que foi, Toninho? — perguntou Vovô Juca ao ver o netinho com um pequeno corte sangrando no joelho. — Pelo jeito você se machucou. — Vovô, dói muito — disse o menino entre lágrimas. — Parece bem doído. Sinto muito. — Hum — disse o avô de repente. Acho que sei por que você se machucou. Olhe só: os seus sapatos estão 22
  4. 4. desamarrados. Você deve ter tropeçado no cadarço. — É, acho que esqueci mesmo, porque apostei uma corrida com o meu amigo para ver quem chegava lá fora primeiro — admitiu Toninho. — É, mas no final das contas não foi tão rápido, porque você 3
  5. 5. acabou se machucando. Isso me faz lembrar de uma história sobre a pequena Dora. — Dora? — perguntou Toninho enxugando as lágrimas. — É. Dora era uma libélula que sofreu um pequeno acidente tal como você, e aprendeu boas lições com isso. — Ah, vovô, me conte essa história! — pediu Toninho, doido para ouvi-la. 4
  6. 6. — Foi num dia lindo, quando Dora encontrou seus amigos, Cacá e Faísca... —♦— — Vocês nem vão acreditar no que aconteceu comigo — disse Dora, ofegante, ao se aproximar dos amigos que estavam tomando sol. 5
  7. 7. — O que foi? — indagou Cacá. — Você está cansada, parece até que voou quilômetros! — acrescentou Faísca. — Não é isso não, é que acabei de sofrer um acidente muito assustador. Deixe-me lhes contar. 6
  8. 8. Faísca pousou numa folha de dente-de-leão, e Cacá se acomodou ali perto. Os dois mal podiam esperar para ouvir a história de Dora. — Como hoje cedo estava quentinho, decidi visitar as outras libélulas no lago. Estávamos brincando e voando, tudo muito legal. Primeiro, íamos o mais alto que podíamos, depois mergulhávamos bem rápido. Queríamos ver quem conseguia chegar à superfície d’água primeiro e pegar um dos mosquitos sem se molhar. — Eu não estava me saindo lá essas coisas — confessou Dora. — Eu conseguia voar bem alto, mas não mergulhar tão rápido como as outras, então era difícil eu pegar os mosquitos. Comecei a ficar frustrada porque estava sempre perdendo. Então fiquei 7
  9. 9. zangada e quis provar que era capaz. Aliás, não queria que ninguém achasse que eu estava com medo de ficar presa na água, ou preocupada em molhar as asas. — Fui muito descuidada. Voei bem alto e decidi mergulhar na maior velocidade possível. Mas não consegui virar e pegar o mosquito, e bati na água com tudo — explicou Dora. — Caí com tanta força que até vi estrelas. Minhas amigas logo chegaram para ver se 8
  10. 10. eu tinha me machucado. Eu disse que estava bem, mas quando tentei sair da água, não consegui. — Que terrível! — exclamou Faísca. — Você deve ter ficado com medo, né? — perguntou Cacá. — Eu ficaria. — Logo no início não, mas quando percebi que não conseguia sair da água, comecei a me preocupar. — As minhas asas estavam molhadas e pesadas, e eu não conseguia erguê-las. Estava presa. — Coitadinha! — suspirou Cacá com um olhar preocupado. — E aí? O que aconteceu? — quis saber Faísca curioso. 9
  11. 11. — Algumas das libélulas tentaram me tirar da água, mas como não agüentaram o meu peso foram em busca de socorro. 10
  12. 12. Achei que ficaria presa na água um tempão e que talvez até morreria afogada. E quando me vi sozinha aí é que realmente me senti indefesa. — E o que você fez? — perguntou Cacá. — Lembrei-me que minha mãe sempre disse que, numa situação difícil, eu deveria fazer uma oração. Então pedi a Deus para que, ou ajudasse minhas amigas a encontrarem uma maneira de me resgatar, ou enviasse alguém para me salvar. Eu Lhe disse que da próxima vez tomaria mais cuidado e seria menos competitiva. 11
  13. 13. — E aí? — interrompeu Faísca. — Logo depois, duas crianças que tinham encontrado um sapo 12
  14. 14. no jardim de sua casa foram até à lagoa para soltá- lo. Chamei e chamei, mas elas não me viram nem ouviram. Então orei outra vez, e a garotinha me viu. — Luís, Luís! — gritou ela. — Tem uma libélula na água. E parece que está presa. — Quando o menino se virou e me viu, sentiu muita pena, então me tirou gentilmente da água. Eu até já tinha engolido um pouco d’água, porque já estava ali há um tempinho. — Que bom que você viu a libélula, Natália. Não sei se ela sobreviveria ali por muito mais tempo. Vamos colocá-la nesta folha, ao sol, para secar suas asinhas e ela poder voar novamente — concordando, a irmã foi ajudar Luís. 13
  15. 15. — Que bom que aquelas crianças estavam lá quando você precisou de ajuda — disse Faísca. — Que susto! Ainda bem que você foi salva — disse Cacá, aliviado. — Eu que o diga — concordou Dora. — De agora em diante vou ser bem mais cuidadosa. — É mesmo — concordou Cacá. 14
  16. 16. — Ei, vamos brincar? — sugeriu Faísca sorrindo. — Claro! — respondeu Dora retribuindo o sorriso. — Mas vamos tomar bastante cuidado — acrescentou Cacá. — E não ser competitivos — concluiu Faísca. —♦— — Ainda bem que eu não fiquei tão encrencado quanto a Dora — disse Toninho no final da história. — Eu concordo — disse o avô com um sorriso. — Mas é importante lembrar que muitas vezes nos machucamos porque não tomamos cuidado nem pedimos proteção a Deus. E, como no caso de Dora, às vezes somos muito competitivos e só pensamos em ganhar. — Vovô, acho melhor eu amarrar os sapatos antes de sair para brincar outra vez — disse Toninho. — E tem mais uma coisa que você devia lembrar, que aprendemos com a história da Dora. Você se lembra o que é? Toninho pensou um pouco. — Orar? — Isso mesmo! Assim Deus pode protegê-lo e evitar que se machuque. Toninho e o avô abaixaram a cabeça para uma breve oração. Depois o menino saiu correndo para brincar com o amigo. Numa folha ali perto, três pequenos insetos o observavam, sorrindo. 15
  17. 17. Não perca o próximo capítulo de Um Mundo de Insetos: “A Cantiga de Cacá.” Moral da história: Peça a Deus para lhe dar uma mãozinha quando precisar, e Ele com certeza o ajudará.
  18. 18. A Cantiga de Cacá
  19. 19. Vovô, o senhor contaria uma história para mim antes de eu dormir? — pediu Toninho enquanto o avô o aconchegava em sua caminha. — Claro, meu filho. Deixe-me ver... que história será que conto? — Pode ser outra sobre a Dora e os insetos amigos? — perguntou o garotinho. — Adoro essas histórias! — Ah! Lembrei-me de uma que é ótima — respondeu Vovô Juca. — É sobre Cacá, uma joaninha, amigo de Dora. E também aconteceu na hora dele ir para a cama. — Oba! — exclamou Toninho, se ajeitando para ouvir o avô. — Era tarde, uma hora em que todas as crianças da vizinhança já estavam na cama, quando dois insetos observavam as estrelas... 18
  20. 20. — Brilha, brilha, estrelinha. Onde é que você está? — cantava Cacá, deitado sobre uma folha, admirando o céu estrelado. — Lá em cima, lá no céu — Vítor continuou, e cantaram juntos: — Como um diamante a brilhar! 19
  21. 21. Os dois terminaram a canção de ninar e ficaram quietinhos. O ar estava tranqüilo e tudo estava em silêncio. Ouvia-se apenas a água do riacho correndo suavemente e o sussurro da brisa gentil soprando nas folhas da árvore onde estavam. Podia-se também ouvir grilos chiando, corujas chirriando enquanto procuravam um bom jantar, sapos coaxando melodicamente, e os guaxinins correndo de cá pra lá em busca de comida. Enquanto escutavam os ruídos da noite, Cacá e Vítor observavam os vaga-lumes acenderem suas luzinhas e dançarem ao redor do lago. Cacá suspirou ao sentar e olhou para Vítor: — Quem me dera conseguir compor uma canção de ninar. — Por que você não tenta? — perguntou o amigo. — Acho que não consigo. Nunca compus uma canção. Mas adoro cantar canções de ninar. — Você deveria tentar — incentivou Vítor. — Acho que você consegue. — É, talvez, mas... — ia dizendo Cacá, mas sem concluir o pensamento afirmou que pensaria mais no assunto. 20
  22. 22. Será que realmente consigo compor uma canção? Talvez deva tentar. Mas e se eu não conseguir, o que vou fazer? Desejando uma boa noite um ao outro, os dois amigos aninharam-se em suas folhinhas para dormir. Vítor foi o primeiro a cair no sono. Cacá, porém, continuou acordado pensando na canção que queria compor. Ele pensou um pouco mais nisto, até que se juntou ao seu amigo num sono tranqüilo. 21
  23. 23. No dia seguinte, Cacá voou para um local quieto, decidido a experimentar ser compositor. Encontrou uma folhinha de grama perfeita, sentou-se e logo estava totalmente absorto na sua tarefa. — Sobre o que devo cantar? Sobre uma estrela? — pensou em voz alta, mas depois sacudiu a cabeça. — Sobre os animais da noite? — Balançou a cabeça reprovando a idéia. — Humm, sobre a escuridão? Os sons da noite? — suspirou desanimado. — Se nem consigo pensar num tema, como vou conseguir compor? 22
  24. 24. Aflito por se sentir incapaz de realizar o que tanto desejava, exclamou: — Nunca serei bom em coisa alguma! Que terrível! Eu nem devia ter tentado. 23
  25. 25. Foi então que ouviu Vítor exclamar: — Finalmente o encontrei! Mas a essa altura Cacá estava bem chateado e frustrado. Ao notar o semblante desconsolado do amigo, Vítor quis saber o que estava acontecendo. — Não está acontecendo nada — resmungou Cacá, sem saber como explicar o problema. — Quase que me enganou. Parece que você está meio pra baixo — disse Vítor, sentando-se ao seu lado e lhe dando um cutucãozinho. Vendo que não ia conseguir esconder o óbvio, Cacá deu de ombros e soltou um suspiro, admitindo: 24
  26. 26. — Está bem, tem algo de errado, sim. Você se lembra ontem à noite, quando eu disse que gostaria de compor uma canção de ninar? — Lembro. — É que, depois de pensar mais sobre o assunto, decidi que hoje tentaria. — E tenho certeza que vai ser linda! — Acho que não — explicou Cacá fazendo uma careta, — porque eu nem consegui pensar no tema. Por mais que tentasse não tive uma idéia sequer! 25
  27. 27. — Sinto muito — consolou-o o amigo. — Mas você não pode desistir. Precisa ficar firme, porque às vezes a gente só acerta depois de várias tentativas. — Mas eu não consigo! — afirmou Cacá, exasperado. — Nunca vou conseguir compor uma canção de ninar! Vítor pensou um pouco e depois perguntou, ao seu amigo tão abalado: — Você pediu pela ajuda de Deus? Cacá abaixou os olhos e sacudiu a cabeça em sinal negativo. 26
  28. 28. — Pois deveria! Tenho certeza que Ele vai ajudá-la. E depois, se quiser, eu também posso ajudá-la. Nunca compus uma cantiga de ninar. Vai ser a primeira vez para nós dois, mas podemos fazer juntos, com a ajuda de Deus. Cacá se abriu num sorriso e aceitou a idéia. — Vítor, você é um amigão. — Puxa, que bom ouvir isso. Vamos lá, vamos começar. Os dois amiguinhos, então, abaixaram a cabeça para orar. — Querido Deus, por favor, anime o Cacá — orou Vítor. — Ajude-nos a compor uma canção de ninar, nos mostre qual deve ser o tema, e até nos dê a letra. E também nos ajude a continuar tentando mesmo quando acharmos que não está dando certo. Amém. — Tive uma idéia — exclamou Cacá. — E se falássemos sobre os sons na noite? 27
  29. 29. — Ótimo! E o que você acha de cantarmos a canção para Dora, Lulu e Faísca quando terminarmos? — Acho que vão gostar — respondeu Cacá. Logo a letra e a melodia começaram a se encaixar. Sempre que Vítor e Cacá ficavam empacados, abaixavam a cabeça e pediam ajuda a Deus, e Ele os ajudava. Não demorou muito e a obra ficou pronta. Naquela noite, Cacá e Vítor cantaram sua canção de ninar para os amigos. 28
  30. 30. — Que linda! — exclamou Lulu. — Quero aprender a cantá-la. Faísca também gostou da idéia e assentiu com a cabeça. Cacá não cabia em si de contente. 29
  31. 31. — Adorei a história, vovô. O senhor me ajudaria a compor uma canção de ninar também? — perguntou Toninho quando o avô terminou a história. — Com todo o prazer — respondeu o Vovô Juca. — E podemos seguir o exemplo de Cacá e Vítor de não desistir e de pedir ajuda a Deus. — É! Legal! Acho que será uma boa cantiga de ninar — disse Toninho sorrindo e bocejando. — Vovô, o senhor pode cantar a canção da Cacá para mim? — Mas é claro. Feche os olhinhos e preste atenção. 30
  32. 32. Uma Cantiga Noturna Quando tudo fica escuro, A luz das estrelas eu procuro, E fico quietinho pra escutar Os sons que a noite nos traz. Ouço a canção do grilo, Os sapos fazendo coro. A brisa sopra, cai o orvalho E molha as folhas nos galhos Fiquem quietinhos e prestem atenção Na história da noite e sua escuridão, Ela a propaga aos quatro ventos, Você a ouve e sente um alento. 31
  33. 33. Moral da história: É importante perseverar, por mais difícil que algo lhe pareça, ou mesmo que pareça impossível. Se pedir, Deus o ajudará. Não perca o próximo capítulo de Um Mundo de Insetos: “Vítor Vacilante.”
  34. 34. Vitor Vacilante
  35. 35. Ri, ri, ri — ria Toninho, subindo a escada para a varanda da frente de sua casa, onde o Vovô Juca estava sentado na cadeira de balanço da qual tanto gostava admirando o pôr-do- sol, como sempre fazia cada dia. 34
  36. 36. — Pelo jeito você está se divertindo, Toninho — disse o avô. Toninho olhou para cima com uma risadinha: — É que acabei de ver a coisa mais engraçada! — É, dá para perceber. O que foi tão engraçado? — Estava brincando com meu amigo lá no quintal quando vimos o nosso vizinho, o Pedro, saindo. O senhor não vai acreditar no que aconteceu. 35
  37. 37. — Ah, é? — perguntou o avô curioso, levantando a sobrancelha. — O que aconteceu? — Ele tropeçou e caiu na escada. Mas o engraçado foi que, quando se levantou, ficou com o pé preso num baldinho. Ele tentou e tentou tirar o pé, e quando finalmente conseguiu, o sapato ficou preso no balde. Toninho se acabava de rir, ao contrário do avô, que tinha um olhar triste. 36
  38. 38. — Ele podia ter se machucado muito! Como acha que o Pedro se sentiu quando ouviu você e seu amigo rindo dele? — perguntou Vovô Juca. Toninho olhou para ele sem saber o que responder. O Vovô Juca continuou: — Como você se sentiria, se estivesse no lugar dele, e alguém começasse a rir da sua infelicidade? — Acho que não ia gostar muito — disse Toninho num sussurro, com o olhar fixo no chão. — Nós nunca gostamos quando as pessoas riem de nós, principalmente depois de um acidente. Faz-me lembrar de uma história sobre Vítor. Os olhinhos de Toninho começaram a brilhar. — Por favor, me conte essa história! 37
  39. 39. Curvado, Vítor se arrastava penosamente pela grama apoiado em uma vareta que lhe servia de bengala. Tinha uma atadura na perna e uma expressão de dor no rosto. Tropeçara em uma raiz de dente-de-leão e machucara a perna no dia anterior quando procurava alimento para o jantar. Dora o ajudou, fez uma atadura e também lhe serviu o jantar, para que ele não tivesse que andar com a perna machucada. Hoje Vítor se sentia um 38
  40. 40. pouco melhor. Conseguia caminhar com a ajuda de uma muleta, mas ainda se sentia muito mal. Por que fui me machucar? pensava ele com os seus botões. Agora estou com este curativo enorme na perna. E dói! Estou me sentindo péssimo! Se não tivesse tropeçado naquela raiz, nada disso teria acontecido. E lá ia o insetozinho mancando, quando de repente a vareta se partiu em dois e ele mais uma vez foi parar no chão. — Aiii! E eu que achava que as coisas não podiam piorar — disse com raiva. — Mas veja só. Caí de novo. Coitado do Vítor! 39
  41. 41. Foi então que ouviu uns risinhos ali perto. Virou-se e viu dois besourinhos sentados em uma folha rindo. Eles o observavam mancando pela grama, e quando sua vareta quebrou, acharam tão engraçado que caíram na gargalhada. — Esse Vítor é desajeitado mesmo — disse Mindinho entre risos. A outra besourinha, chamada Engraçadinha, começou o corinho: — Vítor Vacilante! Vítor Vacilante! 40
  42. 42. Mindinho se juntou a ela, e os dois não paravam de repetir a tal frase. Vítor ficou cabisbaixo. Sua perna machucada agora doía ainda mais. O pior de tudo era que se sentia ferido por dentro e tinha vontade de chorar. Seus olhos se encheram de lágrimas ao ouvir os dois besouros repetindo o refrão sem parar. Acho que sou mesmo desajeitado, pensou Vítor com tristeza. Estou sempre me machucando, derramando algo ou deixando alguma coisa cair. Não consigo fazer nada direito! — Vão embora — disse ele tristemente para Engraçadinha e Mindinho. Mas os besouros levados riram ainda mais. 41
  43. 43. — Puxa vida, o que aconteceu? — perguntou Dora, preocupada, pairando logo acima de Vítor. — Então foi esse o grito que ouvi. Sinto muito que tenha caído de novo, Vítor. Vítor nem quis olhar para ela, e continuou com os olhos cheios de lágrimas fitos no chão. — Tudo bem com você, Vítor? — perguntou Dora, se acomodando numa folha perto dele, sem saber por que o amigo, normalmente tão alegre, estava tão cabisbaixo. — Está doendo muito? Vítor concordou timidamente com a cabeça. Nesse momento Dora ouviu 42
  44. 44. Engraçadinha e Mindinho, ainda repetindo o seu refrão ali perto: — Vítor vacilante!... Vítor vacilante! — diziam, caindo na gargalhada logo em seguida. Os besouros não tinham percebido a chegada de Dora e ficaram muito surpresos ao olharem para cima e darem de cara com a libélula que os encarava com um olhar de desagrado. — Vocês estão se divertindo? — perguntou. Os dois pararam de rir e se endireitaram. — É, ã... — gaguejou Mindinho. — É que acabamos de ver algo muito engraçado — disse Engraçadinha soltando uma risadinha ao olhar para Mindinho. — O Vítor estava andando apoiado numa varetinha, e de repente ela quebrou — contou Engraçadinha. — Foi engraçado demais! — E os dois besouros riam sem parar. Mas Dora não riu. — Sabem de uma coisa? — disse ela. — Talvez vocês tenham achado tudo muito engraçado, mas o coitado do Vítor poderia ter se machucado feio. E vocês, em vez de irem socorrê-lo, ficaram aí rindo. Rir da infelicidade alheia deixa os outros muito tristes. 43
  45. 45. Os besouros olharam pensativos para Vítor. De repente, o trevo onde estavam sentados desabou com o peso dos dois, que foram rolando até se estatelarem no chão. Ver os besouros rolando na grama foi bem engraçado, mas em vez de rir, Dora se aproximou de Engraçadinha e Mindinho para ver se estavam bem. — Puxa! Foi um tombo e tanto. Vocês se machucaram? — Eu estou bem — disse Mindinho. — Eu também, foi só o susto — acrescentou Engraçadinha. 44
  46. 46. — Ainda bem — disse Dora, ajudando os dois a se levantarem. — Estou me sentindo muito mal por ter zombado do Vítor — disse Mindinho, enquanto sacudia a poeira. — Eu também — disse Engraçadinha, envergonhada. — Acho que devemos lhe pedir desculpas. — E talvez até possamos ajudá-lo de alguma forma — completou Mindinho. — Assim ele não precisa ficar andando com a perna machucada. — É muita consideração da sua parte — disse Dora com um sorriso. — Tenho certeza que Vítor vai ficar agradecido pela sua gentileza e ajuda. 45
  47. 47. Dora e os dois besouros ajudaram Vítor a voltar para casa e arrumaram a sua atadura. Depois, Engraçadinha e Mindinho lhe fizeram companhia até escurecer. — Foi muita gentileza sua ficarem aqui e me ajudarem — disse Vítor, despedindo-se dos dois besouros. — Foi divertido — disse Mindinho. — Se Deus quiser amanhã viremos visitá-lo de novo. — Puxa, seria legal — agradeceu Vítor. — Acho que preciso descansar mais até a minha perna melhorar, e seria um prazer ter a sua companhia! — Então viremos — disse Engraçadinha com um sorriso. — Espero que sua perna sare logo. Até amanhã. 46
  48. 48. — O fim! — disse Vovô Juca, fechando o livro de histórias. — Eu me sinto mal por ter rido do Pedro — disse Toninho depois de um momento de silêncio. — Vou tentar ser mais gentil com ele e não rir quando as coisas derem errado. — Muito bem! — disse o avô. — Tenho certeza que ele vai gostar de tê-lo como amigo. Vitor 47
  49. 49. Moral da história: Trate as pessoas como gostaria de ser tratado. Se agir assim verá que tudo o que fizer lhe será retribuído. Não perca o próximo capítulo de Um Mundo de Insetos: “Vaga-lumes em Flor.”
  50. 50. Vaga-lumes em Flor
  51. 51. Você parece meio desanimado hoje, Toninho. Tem algo errado? — perguntou o Vovô Juca ao ver o neto todo tristonho sentado na cadeira. — É que o meu melhor amigo, o Davi, está doente — respondeu Toninho. — A mãe dele disse que ele está com caxumba, e que se eu ficar perto posso pegar. 50
  52. 52. — Sinto muito — respondeu o vovô. — Mas ela tem razão. Você não quer ficar de cama, quer? — Não, mas eu queria brincar com o Davi, porque acho que ele ia gostar. — Tenho certeza que ele também quer brincar com você. Mas sabe, é preciso escolher o que é certo, mesmo que não seja o que você prefere — explicou o avô. — Se for brincar com o Davi enquanto ele está doente, ele não vai conseguir descansar como precisa para sarar logo. E você até corre o risco de também pegar caxumba e ter que ficar na cama por um bom tempo. Isso seria bem triste — explicou o avô fazendo uma pausa para deixar Toninho refletir. 51
  53. 53. — Vovô, o que posso fazer para alegrar o Davi? — Ótima pergunta e muito boa idéia. Tenho uma história que vai ajudar a responder a essa pergunta. É sobre quando Lulu e Cacá ficaram doentes. 52
  54. 54. — Estou me sentindo muito mal — disse Lulu, toda encolhidinha em sua cama. — Eu também — respondeu Cacá. 53
  55. 55. No dia anterior os dois insetozinhos tinham ido passear longe de suas casas, e foram pegos por uma chuva repentina. Tentaram se abrigar, mas era tanta água que não conseguiram se proteger sob as folhas e chegaram em casa ensopados. No dia seguinte caíram doentes com um forte resfriado e tosse. E ali estavam deitados sobre duas folhas, ambos sentindo- se muito mal. 54
  56. 56. Coitadinhos! pensou Faísca, que pairava não muito longe dali e os viu enroladinhos em suas caminhas de folha. Estão caidinhos mesmo. Queria ir visitá-los, mas corro o risco de acabar doente também. Será que posso fazer algo para ajudar? Deus, por favor, me mostre como posso alegrar o Cacá e a Lulu. — O que me animaria se eu estivesse doente? — Faísca se perguntou em voz alta. — Mas é claro! Graças a Deus por esta idéia! E sorrindo de orelha a orelha, voou em busca de seus outros amigos. 55
  57. 57. — Estava pensando como seria legal se fizéssemos algo para alegrar a Lulu e o Cacá e tive uma idéia — disse aos amigos reunidos. — Acho que seria divertido para eles e para nós, mas preciso de vocês. Quem gostaria de me ajudar a animar nossos amiguinhos doentes? — Eu! — responderam todos em coro. — Legal! Prestem atenção no plano... E poucos minutos depois, o pequeno grupo se dispersava, todo empolgado, para fazer os preparativos. 56
  58. 58. Entre um espirro e uma tossida, Lulu e Cacá ouviram uns barulhinhos ali perto. — Escutou algo? — perguntou Lulu, depois de espirrar de novo. — Vem deste lado. Vou ver o que é — respondeu Cacá saindo de sua folha. — Quem está aí? — chamou. Mas só encontrou Era uma noite estrelada e a lua brilhava mais do que o normal. 57
  59. 59. — Também acho — concordou Lulu com tristeza. uma folhinha com umas palavras. Ele leu: “Apresentando: Vaga-lumes em Flor!” — O que será isso? — perguntou Lulu, feliz por ter algo em que pensar além da sua dor de garganta. — Não sei. Parece o nome de um show. Provavelmente é algo que vamos perder por causa desta doença. 58
  60. 60. Naquele momento Faísca se aproximou e cumprimentou os dois. — Volte logo para a cama, Cacá — disse ela. — Acomodem- se porque temos uma surpresa para vocês. — Uma surpresa? — perguntou Lulu curiosa. — Que tipo de surpresa? — Logo vão saber — disse Faísca, voando e saindo de vista. — Oba! Que legal! — exclamou Cacá, voltando rapidinho para a cama. 59
  61. 61. Um minuto se passou e nada aconteceu. Então, de repente escutaram o velho sapão do lago começar a coaxar a sua canção. Um vaga-lume, todo reluzente, começou a dançar ali perto acompanhando a canção do sapo. Outro vaga-lume também entrou na dança e logo mais alguns. E outros sapos começaram a cantar o refrão do sapão. 60
  62. 62. Os vaga-lumes dançaram e rodopiaram ao som do lindo coro de sapos, enquanto Cacá e Lulu assistiam à apresentação batendo palmas ao ritmo da música, não cabendo em si de contentes. Alguns minutos antes ambos sentiam-se péssimos, mas agora sentiam-se tão bem! Os vaga-lumes rodopiavam fazendo a forma de flores no ar, piscando nos momentos certos. No final da apresentação, Cacá e Lulu aplaudiram felizes e agradeceram de coração. — Agora nos sentimos bem melhor — disse Cacá. — Com certeza! — concordou Lulu. 61
  63. 63. Caindo de sono, os dois insetozinhos se aconchegaram na cama. — Eu acho que quando melhorarmos deveríamos retribuir a gentileza — sugeriu Lulu. — Com certeza — respondeu Cacá bocejando. — Talvez amanhã possamos planejar alguma coisa, já que ainda temos que ficar de cama. — Boa idéia. Durma bem — disse Lulu, virando-se para o lado e fechando os olhos. — Boa noite — disse Cacá. 62
  64. 64. — Vovô, o que o senhor acha de eu fazer um cartão para o Davi? Assim ele vai saber que eu gostaria de estar com ele — perguntou Toninho quando a história terminou. — Tenho certeza que ele vai se sentir amado e ver que não se esqueceu dele — concordou o avô. — Quando você terminar o cartão, eu lhe acompanharei até a casa dele para entregá-lo. O que você acha? — Ótima idéia, vovô. Vou fazer o cartão agorinha mesmo. Muito obrigado. E lá foi Toninho, todo animado pegar papel e lápis de cor no quarto. 63
  65. 65. Moral da história: Sempre existe maneiras de alegrar os outros e fazê-los felizes. Pergunte a Deus o que você pode fazer para ajudar alguém a sorrir e a se sentir melhor. Não perca o próximo capítulo de Um Mundo de Insetos: “Doce Como o Mel, Amargo Feito Fel.”
  66. 66. Doce Como o Mel, Amargo Feito Fel
  67. 67. Isso é meu! Pode devolver! — gritou Toninho zangado, agarrando um trenzinho de brinquedo do seu primo, Tuca. — É o meu trenzinho especial e eu quero brincar com ele! — Mas eu peguei primeiro — respondeu Tuca, já com os olhos cheios de lágrimas. — É feio tirar as coisas dos outros. — Mas é o brinquedo que eu mais gosto, e não quero que você brinque com ele! 66
  68. 68. — Você não está sendo educado, Toninho — interrompeu o Vovô Juca, que chegava e escutou a discussão dos meninos. — É que o Tuca fica pegando os brinquedos que eu mais gosto. — Mas ele nem está brincando com eles — retrucou Tuca chorando. — Ele só não quer me deixar brincar. — É verdade, Toninho? Por que é que o Tuca não pode brincar com os seus brinquedos? — Porque... — respondeu Toninho, parando por um minuto — se eu quiser brincar com eles depois, não vou poder. 67
  69. 69. — Isso me faz lembrar de uma história — disse o vovô, coçando o queixo pensativamente. — História? Sobre o quê? — perguntou Tuca todo interessado. — Se bem me lembro, a Lulu também estava tendo dificuldades em dividir as suas coisas com outros — disse o Vovô Juca. Vou pegar o livro de histórias. Talvez possamos aprender algo que vai nos ajudar a resolver este problema. 68
  70. 70. Lulu estava tendo um dia “daqueles”, e estava fazendo as suas tarefas na colméia com a maior cara feia. Era óbvio que algo a incomodava, pois passara a manhã toda triste e zangada. Voando para buscar mais néctar, ouviu alguém chamá-la: — Lulu! Espere! Era o Pipão, um amiguinho de uma colméia ali perto. 69
  71. 71. Lulu diminuiu a velocidade por um momento. Estava de mau humor e não queria muito a companhia do Pipão naquele momento. Ofegante, ele disse sorrindo ao alcançá-la: — Puxa, você está a toda hoje, Lulu. Se eu, mais velho assim, tiver que ficar correndo atrás de você deste jeito, vou ficar em forma mesmo — disse Pipão com uma risadinha. Lulu ameaçou um sorriso: — Estou com muita pressa. Preciso recolher mais néctar. 70
  72. 72. Ela queria logo voltar ao trabalho e não queria papo com ninguém. — Posso ir com você? — perguntou Pipão. Lulu concordou seguindo caminho. Voaram ao próximo canteiro de flores repleto de néctar que Lulu ia colher e levar de volta à colméia para as outras abelhas produzirem mel. 71
  73. 73. Pipão não parava de tagarelar, mas Lulu não contribuía muito para a conversa. — Que dia mais lindo! — exclamou Pipão, pousando e deitando-se sobre uma grama. Lulu deu de ombros. — Ah, eu adoro o verão! — continuou Pipão, e Lulu sem dar um pio. Finalmente Pipão sentou-se e olhou para a amiga, que recolhia o néctar freneticamente. — Está tudo bem, Lulu? — Não é nada não — respondeu ela. 72
  74. 74. — Puxa, você mal disse algumas palavras hoje. Não deu pra ignorar que parece zangada. Você não está com raiva de mim, está? Lulu finalmente parou de correr de um lado para o outro. — De jeito nenhum! — disse ela, de repente sentindo-se muito mal por ignorar o amigo. — Sinto muito, Pipão. Não tem nada a ver com você. É que estou meio de mau humor hoje. — Entendo. Não é legal se sentir assim — afirmou Pipão, sendo solidário. — Aconteceu alguma coisa? 73
  75. 75. — Acho que sim — disse Lulu, sentando- se numa folha de grama perto dele. — Há uns dias, depois que acabamos de produzir um novo estoque do nosso delicioso mel, o fazendeiro foi e levou metade. Passamos dias e mais dias saindo, coletando néctar, e depois ele veio e levou o mel, assim, na maior. E não foi a primeira vez. Ele sempre leva embora o nosso mel. Eu nunca me importei muito, porque sempre sobra o 74
  76. 76. suficiente para nós, mas fico zangada porque damos um duro danado para produzir o mel. — Sei como se sente. Você fica frustrada. — disse Pipão baixinho. — Já me senti assim lá na minha colméia. — É mesmo? — perguntou Lulu surpresa. — E agora, não se importa mais? — Não, porque descobri algo muito interessante. Sabe por que os fazendeiros levam o mel, Lulu? — Não — respondeu ela, sacudindo a cabecinha. 75
  77. 77. — O fazendeiro também usa o mel, assim como nós. Ele gosta tanto de mel que leva um pouco para sua casa para comer com torrada, no pão, ou para adoçar as coisas. — É mesmo? — perguntou Lulu. — É. Ele acha uma delícia. E a filhinha dele também — disse Pipão com um sorriso. Lulu ficou pensativa. — Então acho que não é tão mal ele pegar o nosso mel. Nunca imaginei que era porque ele gostava tanto! 76
  78. 78. — Deus fica feliz quando damos coisas para os outros, mesmo que seja algo que gostamos muito ou que tenhamos trabalhado duro para conseguir — explicou Pipão. — Por mais que dermos, sempre recebemos ainda mais em troca. Deus gosta quando dividimos o que temos com outros, da mesma forma como Ele nos deixa usar o maravilhoso mundo que criou. — Muito obrigada pela explicação e desculpe o mau humor — disse Lulu, dando um abraço em Pipão. — Agora me sinto melhor e vejo que não devo ficar ressentida porque o fazendeiro leva o nosso mel. — Não foi nada — disse Pipão, retribuindo o abraço. — Ainda bem que consegui alegrá-la! 77
  79. 79. Mais tarde, enquanto recolhia mais néctar, Lulu viu a filhinha do fazendeiro brincando no jardim. A garotinha escutou o zunido da abelha e, sorrindo, disse: — Graças a Deus por abelhas! Eu adoro mel! Obrigado, Deus, por ensinar as abelhas a produzirem mel e a repartirem-no conosco. Lulu abriu um sorriso de orelha a orelha, muito contente em ver a menininha tão feliz com o mel. — O prazer é todo meu — sussurrou Lulu, voando de volta até a colméia. 78
  80. 80. — Pode pegar os meus brinquedos, Tuca — disse Toninho. — Quero fazer igual à Lulu, que ficou feliz em repartir com o fazendeiro e sua família o mel que ela deu duro para produzir. — Obrigado! Prometo cuidar bem deles — Tuca respondeu. Vovô Juca saiu da sala sorrindo, deixando os dois garotos brincando juntos e felizes. 79
  81. 81. Moral da história: Dar aos outros também o faz feliz, porque agindo assim, Deus pode lhe dar mais. Não perca o próximo capítulo de Um Mundo de Insetos: “Alegria no Natal.”
  82. 82. Alegria no Natal
  83. 83. Vovô, o senhor tem uma história de Natal sobre os nossos insetozinhos amigos para contar? — perguntou Toninho. — Acho que sim. Mas preciso dar uma olhada no meu livro de histórias. Pode pegá-lo para mim, por favor? — É pra já! — exclamou o garotinho, subindo as escadas. Voltou com o livro na mão e sentou-se ao lado do avô, prontinho para uma história. — Achei: “Alegria no Natal!” — disse o Vovô Juca com um sorriso. E então começou a ler... 82
  84. 84. Num dia de inverno, o chão estava todo branquinho, coberto com uma camada macia de neve que caíra na noite anterior. Ali se via as pequenas pegadas dos muitos insetos que corriam de um lado para o outro se preparando para uma reunião. Logo estavam todos reunidos no local combinado: uma toca aconchegante e segura. Eles sentaram-se juntinhos para manterem-se aquecidos. 83
  85. 85. Vítor começou a conversa: — Eu estava pensando… seria tão legal se a gente preparasse algo para os nossos vizinhos neste Natal! — Boa idéia! — exclamou Dora. — O que você tinha em mente? — perguntou Cacá. — Não sei bem. Ainda não consegui bolar nada. Foi por isso que convoquei esta reunião, para discutirmos o assunto. Alguém tem uma idéia? — falou Vítor. — Hum, o Natal é uma época de solidariedade — disse Lulu pensativa. 84
  86. 86. — E de cantar — disseram Mindinho e Engraçadinha ao mesmo tempo. — Sabia que teríamos boas idéias — disse Vítor com um sorriso. — Então, o que vamos fazer? — perguntou Mindinho. Houve um momento de silêncio, que Cacá quebrou dizendo: — Eu estava pensando... O Natal não é o aniversário de Jesus? Como será que Ele gostaria que o festejássemos? — Por que não Lhe perguntamos? — sugeriu Vítor. 85
  87. 87. Concordando, os seis insetozinhos baixaram a cabeça para uma prece. Assim que terminaram, voltaram a planejar o seu evento de Natal para os vizinhos. 86
  88. 88. “Noite feliz, noite de paz” — cantou Cacá desafinando, e aí deu um suspiro. — Não consigo. Não tenho voz para esta canção. — Não desista, você só tem que ensaiar mais — afirmou Mindinho. — Engraçadinha, quer vir cantar conosco? 87
  89. 89. Os três então começaram a cantar juntos, e após algumas tentativas, suas vozes se harmonizaram lindamente: “Noite feliz, noite de paz! Oh Senhor, Deus de amor. Pobrezinho, nasceu em Belém. Eis, na lapa, Jesus, nosso bem. Dorme em paz, oh Jesus! Dorme em paz, oh Jesus! — Que lindo! — exclamou Dora, aplaudindo toda entusiasmada, junto com os outros insetos. 88
  90. 90. — Nossa! — exclamou Engraçadinha. — Estas cestas de Natal estão lindas! — É verdade — concordou Cacá. Numa fileira no chão se encontravam várias cestas cheias de presentes e guloseimas, todas decoradas num lindo arranjo. — Todos trabalharam duro para montá-las, e sem dúvida ficaram maravilhosas — disse Vítor, tirando os olhos da folha em que estava escrevendo. — O que você está fazendo, Vítor? — perguntou Lulu. — Uma relação de todas as famílias de insetos no nosso bairro para quem daremos as cestas — explicou. Feliz Natal 89
  91. 91. — Quantas são? — perguntou Dora. — Umas doze. — Então já estamos quase no final — disse Mindinho, depois de contar as cestas. — Só faltam duas. — Que bom que terminamos a tempo! — exclamou Lulu. — Hoje é véspera de Natal, e podemos distribuí-las à noite. — Estou super animado! Mal posso esperar! — declarou Cacá. Vítor tinha um plano. — Que tal terminarmos as duas últimas cestas e depois nos prepararmos para as visitas? — Ótima idéia — concordaram todos, pondo mãos à obra. 90
  92. 92. Os flocos de neve caíam suavemente enquanto os insetos caminhavam sobre a neve suave que cedia aos seus pezinhos. Os seis amiguinhos cantavam suavemente: — Bate o sino pequenino... — Chegaram à casa da família Besouro. — Boa noite, Seu Besouro! Boa noite, Dona Besouro! — cumprimentaram. — Boa noite, Vítor, e Feliz Natal para todos vocês — desejou o casal. — Que bons ventos os trazem? — perguntou Dona Besouro. 91
  93. 93. — Queríamos lhes dar algo especial de Natal — explicou Dora. — Trouxemos uma cesta de Natal e queremos cantar uma canção para vocês. — Que maravilha! — exclamou Dona Besouro. — É muita gentileza da sua parte. — Será um prazer ouvir sua canção — disse Seu Besouro. Os dois filhotinhos concordaram acenando com a cabeça. Cacá se pôs a cantar: — Noite feliz, noite de paz... Os outros se juntaram a ele, e até mesmo o casal de besouros cantou. 92
  94. 94. Ao terminarem a canção, Dona Besouro abraçou cada um dos amiguinhos, agradecendo a visita. — Vocês nos proporcionaram um lindo Natal — disse ela. — Feliz Natal! — desejaram os insetos, seguindo em direção à próxima parada. E lá se foram eles, noite adentro, levando alegria e felicidade por onde passavam, e um sorriso a cada um que encontravam. No fim da noite, se despediram e voltaram para suas casas. — Este foi o melhor Natal que já tive — disse Lulu. — Com certeza — concordaram os outros. 93
  95. 95. — Ah, eu queria fazer algo assim para o Natal — disse Toninho quando a história terminou. — Mas o que eu poderia fazer? — Boa pergunta. Talvez possa fazer algo para o Pedro que mora ao lado, ou um cartão de Natal para os seus pais. Há tantas coisas que se pode fazer pelos outros! Que acha de perguntar a Deus? Tenho certeza que Ele tem ótimas idéias. — Vou fazer isso — disse Toninho, abaixando a cabeça para fazer uma prece. 94
  96. 96. Para Toninho, este também seria o melhor Natal de sua vida, porque ele estava fazendo o que Jesus mais gosta que façamos no Seu aniversário: pensar nos outros e procurar uma maneira de alegrá-los! De: Pedro Para: Toninho 95
  97. 97. Moral da história: O melhor presente que se pode dar no Natal é amor e gentileza. Quando fazemos os outros felizes, Deus também fica feliz.

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