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Trabalho infantil? - Parte 1

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Ministério Público do Trabalho exige que aspirante a jogador de futebol tenha os direitos respeitados

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Trabalho infantil? - Parte 1

  1. 1. 18 FOTOS: DIEGO VIÑAS DOMINGO, 24 DE MARÇO DE 2013 - e sporte Ministério Público do Trabalho exige que aspirante a jogador de futebol tenha direitos respeitados ATRÁS DA BOLA: Sonho de se tornar profissional enfrenta muitos obstáculos Justiça intervém na formação de atletas Fernando Poffo fernando.poffo@folhauniversal.com.br D eterminado a seguir a carreira de jogador, Pedro Cezar, de 14 anos, postou nas redes sociais na semana passada o registro na Federação Paulista de Futebol, pela qual está inscrito pelo Nacional Atlético Clube. O jovem meia treina 2 horas por dia e até optou por estudar em uma escola pública para se dedicar mais ao esporte, apesar de ainda não receber nada do clube, nem almoço. Pedro Cezar está feliz com a estrutura oferecida pelo clube, os exames clínicos aos quais se submete regularmente e o fato de saber que seu boletim escolar é acompanhado. Outros garotos nessa faixa etária e que também sonham em jogar futebol, no entanto, nem sempre têm a mesma sorte. Prestes a sediar pela segunda vez uma Copa do Mundo, o chamado País do Futebol ainda falha na hora de formar profissionais na modalidade. Após receber denúncias sobre trabalho infantil envolvendo o esporte, o Ministério Público do Trabalho resolveu ir a campo. “Notificamos todos os clubes de formação profissional do Brasil e, após o prazo de 90 dias da notificação, iremos averiguar se estão cumprindo as recomendações”, declarou o procurador do Trabalho Rafael Dias Marques, coordenador nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância). Entre os pedidos feitos aos clubes estão a necessidade de acompanhamento de corpo médico nas atividades, orientação nutricional, alojamentos dignos, visitas dos pais para jogadores de outra cidade ou Estado e adequação às normas da Lei Pelé e do Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbe qualquer trabalho antes dos 14 anos. A cobrança é voltada aos clubes de formação profissional e não a projetos pedagógicos ou educacionais. “É para esporte de rendimento, para clubes que querem formar um Neymar, um Ronaldinho, mas que não podem pensar só no lado finan- DENÚNCIAS SOBRE EXPLORAÇÃO DE ADOLESCENTES LEVARAM MINISTÉRIO DO TRABALHO A AGIR ceiro e focar só em garimpar jogador, atropelando os outros direitos que esses adolescentes têm”, reforçou o procurador. De acordo com Marques, o Ministério Público do Trabalho recebeu várias denúncias antes de decidir agir. “Teve o caso de sul-coreano sem qualquer supervisão e vivendo em aloja- MAIS SEGURANÇA: Após notificação, clubes terão 90 dias para cumprir as recomendações mento sem estrutura. No Vasco faltou médico, por exemplo. É preciso evitar o que ocorreu ano passado, quando um garoto de 14 anos morreu durante um treinamento no Vasco.” O caso citado pelo procurador é de Wendel Junior Venâncio da Silva, que morreu durante um teste da equipe Sub-15 do clube carioca, no dia 9 de fevereiro de 2012, depois de apresentar um problema cardíaco. O jovem chegou morto ao hospital. Apesar da falta de médicos e de ambulância no Centro de Treinamentos de Itaguaí, o Vasco alegou que recebeu atestado médico para o menino jogar, o que é nega-

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