Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Revista cuidarte nº9 maio 2013

4,184 views

Published on

A Revista de Enfermagem do Centro Hospitalar de Setúbal, é uma publicação editada pela área de enfermagem do Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E. Tem por missão dar a conhecer as práticas de cuidados de enfermagem e ser um veiculo para a publicação de artigos inéditos que contribuam para o conhecimento e desenvolvimento da profissão.
Direção
Enfermeira Diretora: Olga Maria Ferreira
Núcleo Redatorial - Grupo Científico:
Enf. Vitor Varela, (Mestre em Comportamento Organizacional); Enf.ª Susana Ribeiro, (Mestre em Psicogerontologia).
Núcleo Redatorial - Grupo de Redação
Enf.ª Cláudia Estevão; Enf. Francisco Vaz, (Licenciado em Investigação Social Aplicada); Enf.ª Isabel Martins, (Mestre em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediatria); Enf. João Gomes.
Secretariado
Ana Pádua
Edição
Cuid’arte
Propriedade
Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E.
Administração e Redação
Serviço de Gestão da Formação do Centro Hospitalar de Setúbal
Rua Camilo Castelo Branco, 2910-446 SETÚBAL
Telefone: 265 549 000 - Fax: 265 532 020
E-Mail: cuidarte.setubal@gmail.com
Edição Gráfica
Pedro Pedroso
(Técnico de Pós-Produção Audiovisual)
Distribuição e periodicidade
Suporte Digital - (Adobe Acrobate Reader - PDF)
Semestral (Maio/Setembro)
Depósito Legal
Nº 258630/07
ISSN - 1646-7175
Anotada na ERC

Published in: Health & Medicine
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

Revista cuidarte nº9 maio 2013

  1. 1. CUID’ARTE2013 - Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E.A Revista de Enfermagem do CentroHospitalar de Setúbal, é uma publicaçãoeditada pela área de enfermagem do CentroHospitalar de Setúbal, E.P.E. Tem por missãodar a conhecer as práticas de cuidados de enfer-magem e ser um veiculo para a publicação deartigos inéditos que contribuam para o conheci-mento e desenvolvimento da profissão.DireçãoEnfermeira Diretora: Olga Maria FerreiraNúcleo Redatorial - Grupo Científico:Enf. Vitor Varela, (Mestre em Comportamento Organi-zacional); Enf.ª Susana Ribeiro, (Mestre em Psicoge-rontologia).Núcleo Redatorial - Grupo de RedaçãoEnf.ª Cláudia Estevão; Enf. Francisco Vaz,(Licenciado em Investigação Social Aplicada);Enf.ª Isabel Martins, (Mestre em Enfermagemde Saúde Infantil e Pediatria); Enf. João Gomes.SecretariadoAna PáduaEdiçãoCuid’artePropriedadeCentro Hospitalar de Setúbal, E.P.E.Administração e RedaçãoServiço de Gestão da Formação do Centro Hos-pitalar de SetúbalRua Camilo Castelo Branco, 2910-446 SETÙBALTelefone: 265 549 000 - Fax: 265 532 020E-Mail: cuidarte.setubal@gmail.comEdição GráficaPedro Pedroso(Técnico de Pós-Produção Audiovisual)Distribuição e periodicidadeSuporte Digital - (Adobe Acrobate Reader - PDF)Semestral (Maio/Setembro)Depósito LegalNº 258630/07ISSN - 1646-7175Anotada na ERCSumárioAno 6 | nº 9 | maio 2013Editorial4 Enfermeira Diretora Olga Maria FerreiraArtigo de Revisão5 Cuidados de Enfermagem em Urgência:Revisão da LiteraturaFernanda Loureiro10 Consentimento em SaúdeAna Sofia CardosoPaula Coelho Banha16 A Mecânica Corporal na Prevenção de LesõesMúsculo-Esqueléticas em EnfermeirosSusana Isabel Dias RibeiroEm Destaque23 1asJornadas de Enfermagem do CentroHospitalar de Setúbal, EPE.25 Concurso de Posters das 1asJornadasde Enfermagem do Centro Hospitalar deSetúbal, EPE.
  2. 2. EditorialSer gestor(a) duma organização de saúde, nomeadamente dos hospitais, não é uma tarefa fácil.Há alguns anos fazendo parte de um conselho de administração, percebi que é mais fácil gerir, quando se tem emconta o potencial humano e se valorizam as pessoas não só enquanto profissionais mas, essencialmente, enquan-to seres humanos em tudo o que o conceito implica.A produção teórica/científica no que diz respeito a gestão, liderança, administração, é uma ferramenta indispensá-vel, que ajuda e orienta o gestor nos aspetos fundamentais do seu dia-a-dia.Também a aprendizagem pela prática, tão ou mais importante que a anterior, significa a segurança e o apoio, sema qual o terreno se pode tornar escorregadio.Cada etapa prolonga-se na seguinte, confundindo-se com ela e oferecendo-nos suportes, onde nos devemosagarrar sem julgar a batalha ganha. As pessoas desafiam-nos constantemente, enquanto profissionais mas acimade tudo testando a nossa capacidade de olharmos o ser humano como algo valioso, profundo, imprescindível…Não acho que o façam sempre de uma forma consciente mas, na resposta que procuram, será avaliado certamen-te o conceito Kantiano de que qualquer Pessoa deve ser tratada como um fim em si mesma e não como um meiopara… Ser|, portanto, este, um dos aspetos (éticos) a n~o descurar para qualquer gestor. Aquele que envolvequalquer profissão, qualquer cidadão, qualquer sociedade.Na mesma instituição os profissionais adotam formas diferentes de se relacionarem entre si e com os utentes.Estes diferentes comportamentos são resultantes de quê?Da estrutura organizacional?Do desenvolvimento de cada um?Dos diferentes métodos de trabalho?Dos estados emocionais individuais?Naturalmente, que estas questões e suas respostas não são absolutas. São históricas, sociais e culturais.E, tal como em muitas áreas, a gestão implica uma postura ética que evidencie os valores humanos, a integridade e fundamentalmente a pedrabasilar do conceito – a liberdade Eu, não sou eu e um gestor; Eu, não sou eu e um chefe; Eu, não sou eu e uma função. Eu sou um ser inteiro, inte-gro e, como tal, devo agir.Será nesse agir que devemos reconhecer que todos os outros são livres para agirem também, e questionarmos se quando tantas vezes, cumprimosordens, isso nos exime da responsabilidade ou se implica a necessidade de pensarmos se efetivamente a liberdade tem lugar, ou não.É sábio aquele que afirma que o fracasso é a estrada do sucesso se o facto ocorrido proporciona a oportunidade de se acertar no caminho.Todos somos gestores de alguma coisa. Importante clarificar que, todos somos gestores das nossas vidas e é com esse olhar que temos de gerir osoutros… Sem atropelar a sua liberdade e as suas opções.Organização do trabalho, regras, normas, orientações fazem parte do nosso círculo profissional mas, tudo deve ser feito com peso e medida.As sensibilidades estão à flor da pele. Não há nada que prejudique mais o progresso de que falar, pensar e acreditar nas crises.Só a própria palavra, contém um veneno paralisante e um efeito hipnótico. Para tudo, até as mentes.Como dizia Anthony Robbins “… Se n~o fizermos mais do que estamos a fazer conseguiremos, apenas, aquilo que j| temos.”A nossa função (entre outras) é não aumentar o desânimo que leva à inércia, à desmotivação, à paragem absoluta. É desenvolver estratégias eformas que envolvam o que está para além do dinheiro e das compensações económicas.Todos sabemos que o positivismo das equipas resulta consideravelmente do trabalho dos líderes/gestores. De terem um papel facilitador. De pre-pararem o palco para os seus atores…Como disse atrás, todos somos gestores das nossas vidas. Temporariamente, também somos líderes em determinados momentos ou circunstân-cias diferentes.Mesmo quando há líderes definidos nas nossas áreas de atuação.Cabe-nos, cada vez mais, o papel e a responsabilidade de ter um clima organizacional saudável e positivo.Os nossos líderes terão que ser portanto pessoas emocionalmente empenhados, apoiantes, competentes, corajosos, íntegros, determinados,entusiastas, pacientes, otimistas… E, claro, praticar a ética e os valores associados.Os códigos de ética existem para se praticarem havendo, inclusive, organizações, que não tendo qualquer documento escrito dessa natureza, temum código claro de comportamento em que os líderes devem ser exemplo. Apregoar valores sem os praticar não é um bom caminho, a não ser queacreditemos num dos s|bios ditados da vida: “Até uma mentira repetida, muitas vezes, se torna realidade.”Olga FerreiraEnfermeira Diretora do Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E.Olga Ferreira
  3. 3. Artigo de RevisãoCUIDADOS DE ENFERMAGEM EM URGÊNCIA PEDIÁTRICARevisão da LiteraturaDesenvolvido no âmbito do Curso de Pós-licenciatura de Especia-lização em Enfermagem de Saúde Infantil e PediatriaUniversidade Católica PortuguesaFernanda LoureiroEnfermeira do Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E.Hospital de São Bernardo – Unidade de Urgência PediátricaRESUMOArtigo de revisão da literatura com o objetivo de compreender o estado do conhecimento sobre os cuidados deenfermagem em urgência pediátrica no contexto nacional. Foram encontrados sete artigos no âmbito dos crité-rios de inclusão. A maioria faz referência a estudos de natureza exploratória descritiva sendo as temáticas trata-das: a supervisão pedagógica, aspetos de natureza organizacional e de gestão e área clínica de atenção (maustratos e educação para a saúde). Destaca-se a necessidade de desenvolver mais estudos nesta área.Palavras-chaves: pediatria, emergências, cuidado da criança, revisãoINTRODUÇÃOOs serviços de urgência pediátrica encontram-seentre os setores de assistência à criança não só maisrecentes mas também mais relevantes. Nestes, asequipas de enfermagem prestam cuidados a criançase suas famílias em contexto de urgência / emergênciaatendendo às particularidades de cada situação. Par-tilham com serviços de urgência geral tanto seme-lhanças como diferenças. Pois, se por um lado sãounidades de primeira linha sempre disponíveis poroutro lado, a especificidade da pediatria implica cui-dados específicos, flexíveis e adaptados.No artigo apresentado pretende-se analisar o estadodo conhecimento acerca dos cuidados de enferma-gem em contexto de urgência pediátrica ao nívelnacional usando como metodologia a revisão da lite-ratura.O contexto das Unidades de Urgência PediátricaAs urgências pediátricas, enquanto setor de um hos-pital existem há, relativamente, pouco tempo, contu-do rapidamente se afirmaram enquanto unidade desaúde. Associado a este facto encontra-se a própriahistória da pediatria.Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 20135
  4. 4. “Pouco a pouco a criança foi adquirindo importân-cia no contexto social e foram crescendo as neces-sidades de adaptar o sistema de saúde à populaçãoinfantil com preocupações crescentes pelo proces-so de hospitalização e instituição de medidas quevisam diminuir o impacto da mesma na infância.”Enquanto ramo da medicina, a pediatria teve o seuinício entre os séculos XVIII e XIX enquanto área diri-gida à saúde das crianças, grupo específico comnecessidades e características particulares. A 14 deJulho de 1877 nasce o primeiro hospital pediátricoPortuguês – Hospital Dona Estefânia em Lisboa(COELHO, 1996). O primeiro esboço de um serviçode urgência surge nesta instituição em 1957 com cria-ç~o da “Consulta Permanente de Crianças do Hospi-tal Dona Estef}nia”. Desde ent~o, verificou-se aabertura de diversas urgências um pouco por todo opaís: Hospital Santa Maria (1961), Hospital PediátricoCoimbra (1977), Hospital São João e Hospital SãoFrancisco Xavier (1987), Hospital Maria Pia (1988),Hospital Garcia de Orta (1992), Hospital Fernando daFonseca (1996), Hospital de São Bernardo (1998),Hospital Nossa Senhora do Rosário entre outros.Pouco a pouco a criança foi adquirindo importânciano contexto social e foram crescendo as necessida-des de adaptar o sistema de saúde à populaçãoinfantil com preocupações crescentes pelo processode hospitalização e instituição de medidas que visamdiminuir o impacto da mesma na infância (FONTES,2006).De acordo com o Instituto Nacional de Estatística ataxa de natalidade tem vindo a diminuir passando de12,2% em 1987 para 10% em 2006 (INSTITUTONACIONAL DE ESTATÍSTICA, 2008), contudo apesarda redução da população pediátrica a utilização doserviço de urgência tem vindo a aumentar. Este factoprende-se com razões multifatoriais. Situações clíni-cas banais, ou mesmo variantes do ‘normal’, geramansiedade quer para pais jovens, quer para outrosfamiliares mais experientes que, não conseguemsuportar a mínima dúvida sobre o potencial de gravi-dade de um episódio de doença.“…é ainda perfeitamente compreensível que afamília recorra ao local onde se encontram osmeios para resolução mais económica (monetária etemporalmente) possível.”Aliado a esta insegurança, é ainda perfeitamentecompreensível que a família recorra ao local onde seencontram os meios para resolução mais económica(monetária e temporalmente) possível (COELHO,1996). Por outro lado, a atitude cada vez mais consu-mista e a transmissão veiculada pelos meios decomunicação social com informação pouco rigorosasão também fatores que levam ao recurso despropo-sitado dos serviços de urgência em pediatria(CALDEIRA [et al], 2006).“… a procura dos serviços de saúde aumentou nosúltimos anos, devido fundamentalmente à melho-ria das condições socioeconómicas das populações,à redução de barreiras geográficas e à valorizaçãoda saúde e prevenção da doença”Segundo MELO (1999, p.59) “a procura dos serviçosde saúde aumentou nos últimos anos, devido funda-mentalmente à melhoria das condições socioeconó-micas das populações, à redução de barreiras geo-gráficas e à valorização da saúde e prevenção dadoença” verificando-se “atualmente uma procuracrescente de cuidados de saúde diferenciados, desig-nadamente pediátricos, com recurso indiscriminadodos serviços de urgência”.Conscientes desta realidade, as autoridades de saúdenacionais promoveram a reestruturação dos serviçosde urgência pediátrica. De acordo com estas direti-vas as unidades deveriam adaptar-se localmentecom os centros de saúde e receber apenas criançasreferenciadas, situações de emergência e criançasaté aos 6 meses. Em simultâneo, teve inicio o funcio-namento da linha telefónica Saúde 24, em Fevereirode 1999 (SOARES [et al], 2006), que pretendia darresposta às necessidades de esclarecimento e enca-minhamento dos pais. Contudo, verificou-se queestas medidas não foram inteiramente bem-Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 20136
  5. 5. sucedidas e continua-se a verificar uma afluência desituações não urgentes (CALDEIRA [et al], 2006).Em continuidade e, destacando o objetivo deste arti-go, torna-se pertinente compreender o estado doconhecimento sobre os cuidados de enfermagemneste contexto. Para tal adotou-se como metodolo-gia a revisão da literatura. Esta consiste, segundoFORTIN (2003, p.74) “em fazer o invent|rio e o exa-me crítico do conjunto de publicações pertinentessobre um domínio da investigaç~o” e pode ser reali-zado por vários revisores ou, como ocorreu nestecontexto apenas por um.“Partindo de uma pergunta inicial: Qual é o estadodo conhecimento sobre os cuidados de enferma-gem em contexto de urgência pediátrica a nívelnacional? Definiram-se como critérios de inclusão:artigos que versem a prática de enfermagem emurgência pediátrica, sem restrição de área de aten-ção ou tipo de metodologia utilizada, ao nívelnacional.”METODOLOGIAPartindo de uma pergunta inicial: Qual é o estado doconhecimento sobre os cuidados de enfermagem emcontexto de urgência pediátrica a nível nacional?Definiram-se como critérios de inclusão: artigos queversem a prática de enfermagem em urgência pediá-trica, sem restrição de área de atenção ou tipo demetodologia utilizada, ao nível nacional. Dado que setrata de um serviço hospitalar relativamente recentenão foi definido critério temporal.Procedeu-se então, durante o mês de Maio de 2010,a pesquisa nas bases de dados eletrónicas utilizandoa língua Portuguesa e Inglesa (quando adequado)com limitação da pesquisa aos termos: urgênciapediátrica; enfermagem; cuidados. A pesquisa foiefetuada em várias bases de dados, pelos termos depesquisa, com os resultados obtidos, entre parênte-sis: Biblioteca do Conhecimento on-line (27), Pub-Med Central (0), Scielo Portugal (0), BibliotecaNacional de Portugal (0), Nurses Info (0). Pesquisou-se ainda, por título, nas bases documentais de Esco-las Superiores de Enfermagem com inclusão de dis-sertações de mestrado e doutoramento: EscolaSuperior de Enfermagem de Lisboa - Base Geral (3),Escolas Superior de Enfermagem de Coimbra (0) eUniversidade e Institutos: Universidade Católica Por-tuguesa - Lisboa (12), Universidade do Minho (8),Faculdade de Motricidade Humana (1). Pesquisou-setambém a partir das referências bibliográficas dosestudos (1).RESULTADOSEfetuada a pesquisa obteve-se uma amostra inicialde 52 trabalhos. Estes foram analisados pelos títu-los e resumos e sempre que esse método não per-mitiu excluir linearmente o estudo, houve recursoao texto integral. O resultado foi a seleção dos setedocumentos que se apresentam na tabela 1.Através da revisão efetuada pode-se verificar umaescassez de literatura na área. Verifica-se que daamostra inicial (52) apenas sete trabalhos se repor-tam aos cuidados de enfermagem neste contextoao nível nacional. Verifica-se também que, a maio-ria dos estudos são de natureza exploratória - des-critiva o que é revelador da pouca existência deconhecimentos nesta área (FORTIN, 2003). É possí-vel ainda, constatar que dos sete estudos encontra-dos dois, centram-se na supervisão de cuidados,três em aspetos que se prendem com a organizaçãoe gestão e dois com áreas de atenção específicasligadas à prática de cuidados (maus tratos e educa-ção para a saúde). À exceção do artigo que se repor-ta a uma ‘auditoria’ dos serviços de urgência pedi|-trica (OLIVEIRA, 2008) todos os documentos sereferem ao Modelo de Parceria de Cuidados propos-to por Casey, em 1988, enquanto referencial teóricona assistência à criança. Este modelo sustenta-se naideia de que ninguém melhor do que os pais podeprestar cuidados à criança, no sentido de proporcio-nar o seu crescimento e desenvolvimento, prote-gendo e estimulando com amor. Descreve a enfer-magem pediátrica como um processo de negocia-ção partilhada respeitando a família nas suas com-Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 20137
  6. 6. petências, desejos e necessidades (CASEY, 1993;CRUZ [et al], 2007). Destaca a importância da famí-lia no cuidar da criança salientando, no entanto, quea implementação do modelo não requer igual distri-buição de tarefas. Em alguns casos, é totalmenteinapropriado pedir aos pais que efetivem cuidadostécnicos que habitualmente não fariam em casa(CASEY, 1993). FERREIRA e COSTA (2004) referemque este modelo implica uma relação de parceriaentre pais e equipa não existindo fronteiras defini-das nem compartimentadas de funções. Devementão, ser desenvolvidas ações complementaresque têm como fim o máximo bem-estar da criança.As mesmas autoras destacam, ainda, que trabalharcom a família, leva a que os enfermeiros desenvol-vam competências de comunicação, de ensino e detrabalho de grupo assumindo os pais não como visi-tantes ou técnicos, mas como parceiros/companheiros.Tabela 1 – Tabela resumo dos trabalhos selecionados acerca de Cuidados de Enfermagem em Urgência pediátrica no contexto nacionalCuid’arte - Revista de Enfermagem maio 20138Da análise dos documentos veri-fica-se ainda que as temáticasabordadas são díspares assimcomo as metodologias seguidas.Todos os documentos destacama complexidade dos cuidados deenfermagem no contexto deurgência pediátrica, mas existeainda pouca evidência e caracte-rização da sua natureza e parti-cularidades.CONCLUSÃOA urgência pediátrica é um localde assistência à criança que temadquirido progressiva importân-cia no sistema nacional de saúde.Para os pais surge, muitas vezes,como um local de primeiro aces-so ainda que necessitem apenasde informação e ensinos revelan-do uma noção desajustada deurgência e deficiente informação(COELHO, 1996).“O serviço de urgência tem uma conotação negati-va sendo associado, frequentemente, a longostempos de espera, processos de doença e insatisfa-ção.”Cuidar do utente neste contexto torna-se um proces-so complexo sobre o qual é necessário investigarmais. Da análise da literatura efetuada pode-se per-ceber que existe uma área fértil passível de ser explo-rada e estudada. O serviço de urgência tem umaconotação negativa sendo associado, frequentemen-te, a longos tempos de espera, processos de doençae insatisfação (PEREIRA, 2007) contudo, a realidade éque enquanto área pouco abordada há ainda um lon-go caminho a percorrer para verdadeiramente carac-terizar o trabalho dos profissionais de enfermagemneste âmbito.
  7. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASCALDEIRA, T. [et al.] (2006) - O dia a dia de uma urgênciapediátrica. Acta Pediátrica Portuguesa. Vol.37, n.º1, p.1-4.CASEY, A. (1993) – Development and Use of the PartnershipModel in Nursing Care. In GLASPER, E.; TUCKER, A. –Advances in Child Health Nursing. Oxford: Scutari Press.p.183-193.COELHO, M. [et al.] (1996) – Urgências Pediátricas e Casuís-tica do Hospital D. Estefânia. Lisboa: Laboratórios Bial.CURADO, M. (2004) – Reorganização das urgências Pediátri-cas na sub regi~o de Lisboa: tem a palavra…os pais: tem apalavra … os profissionais de saúde. Enfermagem. Nº35/36,p.64-80.CRUZ, A. [et al.] (2007) – Para além do ninho: continuidadede cuidados. Ser Saúde. Póvoa do Lanhoso: Instituto Supe-rior de Saúde do Alto Ave. ISSN 1646-5229. N.º 8, p.56-70DUARTE, M.; OLIVEIRA, C. (2009) – Maltrato Infantil: vivên-cias e sentimentos dos enfermeiros das urgências pediátricasface á criança maltratada. Revista Portuguesa de Enferma-gem. N.º17, p.33-41.FERREIRA, M.; COSTA, M. (2004) – Cuidar em parceria: sub-sídio para a vinculação pais/bebé pré-termo. Millenium Revis-ta do IPV. [Em linha]. N.º 30, p. 51-58 [Consult. 20 jan. 2010].Disponível em WWW: http://www.ipv.pt/millenium/millenium30/5.pdf.FONTES, R. (2006) - As possibilidades da actividade pedagó-gica como tratamento sócio-afectivo da criança hospitaliza-da. Revista Portuguesa de Educação, Vol.19, n.º1, p.95-128.FORTIN, M. (2003) - O Processo de Investigação. Loures:Lusociência.INSTITUTO NACIONAL DE ESTATISTICA (2008) – Estatísti-cas Demográficas 2007. [Em linha]. [Consult. a 20 maio de2010]. Disponível em WWW: URL:http://www.ine.pt.MELO, E. (1999) – Acessibilidade / Utilização do Serviço deUrgência do Hospital Pediátrico de Coimbra. Referência.N.º3, p. 59-62.OLIVEIRA, A. (2008) – Gestão estratégica do serviço deurgência Pediátrica. Revista de Investigação em Enferma-gem. N.18, p.41-52.PEREIRA, M. (2007) – Aprender Orientando: aprendizagensdos enfermeiros orientadores em ensino clínico. Lisboa [s.n.].Tese de Mestrado na área de especialização em Formação deAdultos, apresentada á Faculdade de Psicologia e Ciências daEducação da Universidade de Lisboa.SOARES [et al.] (2006) - Efectividade do sistema de triagemtelefónica Saúde 24 pediatria num serviço de urgência pediá-trica. Revista Portuguesa de Clínica Geral. Vol. 22, p. 433-442.Artigo Rececionado em 10/03/2011Aceite para Publicação em 11/02/2012Contacto do Autor:fernandenf@gmail.comFernanda Manuela Loureiro:Licenciatura em Enfermagem, Mestrado emCiências da Educação – Especialidade Edu-cação para a Saúde, Especialização emEnfermagem de Saúde Infantil e Pediatria,Doutoranda em EnfermagemCuid’arte - Revista de Enfermagem maio 20139Instituição Particular de Solidariedade Social, com a missão de realizar desejosde crianças e jovens, entre os 3 e os 18 anos, com doenças que colocam as suasvidas em risco, para lhes levar um momento de alegria e esperança.http://www.makeawish.pt/
  8. 8. Artigo de RevisãoCONSENTIMENTO EM SAÚDEDesenvolvido no âmbito do Curso de Pós-licenciatura de Especia-lização em Enfermagem de Saúde Mental de Psiquiatria – EscolaSuperior de Saúde – Instituto Politécnico de SetúbalAna Sofia Luís, Paula Coelho BanhaEnfermeiras do Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E.Hospital de São Bernardo – Serviço de Pediátrica e Hospital de Dia de OncologiaRESUMOArtigo que objetiva abordar a temática do consenti-mento em saúde, visando esclarecer acerca da suadefinição e validade; regime jurídico; formas de con-sentimento informado e exceções.Palavras-chave: consentimento em saúde, regimejurídico, exceçõesINTRODUÇÃONeste artigo será explanada, de modo sintético, atemática do consentimento em saúde, sendo os sub-temas abordados: A definição e a validade do con-sentimento informado; o regime jurídico do consen-timento; as formas de consentimento e as exceçõesao consentimento.Definição e validade do consentimentoinformadoPor consentimento informado em enfermagementende‑se “a autorizaç~o que a pessoa d| para quelhe sejam prestados os cuidados propostos, após lheter sido explicado e a pessoa ter compreendido o quese pretende fazer, como, porquê e qual o resultadoesperado da intervenç~o de Enfermagem” (SOUSA,2007, p.11). Já quando este se aplica a menores deidade é definido como “aprovaç~o do representantelegal do menor e/ou a aprovação do menor compe-tente para intervenções médicas depois de correta-mente informados” (Levy, Larcher e Kurz citado porDUARTE, 2008, p.24). Sendo que “quando um menorconcorda com a realização de determinados procedi-mentos médicos em circunstâncias em que ele ou elanão estão legalmente autorizados ou não possuem acapacidade suficiente para darem um completo con-sentimento” é dado o nome de assentimento infor-mado (Levy, Larcher e Kurz citado por DUARTE,2008, p.24).Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201310
  9. 9. “…para que o consentimento possa ser considera-do válido, devem (…) transmitir informação aospacientes mediante explicações entendíveis porele…”De acordo com DUARTE (2008, p.24), para que oconsentimento possa ser considerado válido, devemser tidos em conta, nomeadamente: “1 – transmitirinformação aos pacientes mediante explicaçõesentendíveis por ele, incidindo sobre: a natureza dasua condição; as propostas de intervenção e a proba-bilidade do seu sucesso; a existência e natureza dosriscos envolvidos; a existência de possíveis benefíciose os riscos das intervenções alternativas (incluindo apossibilidade de recusa de tratamento); 2 – avaliar acapacidade de compreensão do paciente face à infor-mação transmitida; avaliar a capacidade do pacientee dos representantes legais para a tomada de deci-são; 4 – assegurar tanto quanto possível que opaciente decide as propostas em liberdade e semcoaç~o ou manipulaç~o”.“…informação deve ser prestada em linguagemcorrente, acessível e não técnica, fornecendotodos os dados com interesse para o paciente con-creto.”O regime jurídico do consentimentoNo que respeita ao regime jurídico que regulamentao consentimento, destacam-se algumas normas.Neste âmbito, evidencia-se:A Lei de Bases da Saúde, que salienta o dever deinformar, destacando-se a Base XIV - ponto 1 - alíneae), para as intervenções médico-cirúrgicas em geralque refere que “os utentes têm o direito a: (…) Serinformados sobre a sua situação, as alternativas pos-síveis de tratamento e a evolução provável do seuestado” (LEI nº 48/90, p. 3454). Essa informaç~o deveser prestada em linguagem corrente, acessível e nãotécnica, fornecendo todos os dados com interessepara o paciente concreto. O médico deve procurarrespeitar o seu sistema de valores, estabelecendo umdiálogo que se adeque às suas capacidades intelec-tuais e culturais (ENTIDADE REGULADORA DA SAÚ-DE, 2009).“…independentemente de ser oral ou escrito oconsentimento não é definitivo e em qualquer cir-cunstância, quem autorizou pode recusar o que lhefoi proposto.”Da Convenção sobre os Direitos do Homem e a Bio-medicina, destacam-se os artigos: 5º “Regra geral”,6º “Proteção das pessoas que careçam de capacida-de para prestar o seu consentimento”, 7º “Proteç~odas pessoas que sofram de perturbaç~o mental” e 8º“Situações de urgência” e 9º - “Vontade anterior-mente manifestada” (RESOLUÇÃO da Assembleiada República nº 1/2001, p.23-32 e 34-36). A regrageral, enunciada no artigo 5º refere que “qualquerintervenção no domínio da saúde só pode ser efetua-da após ter sido prestado pela pessoa em causa o seuconsentimento livre e esclarecido. A pessoa devereceber previamente a informação adequada quantoao objetivo e à natureza da intervenção, bem comosuas consequências e riscos. Esta pode, em qualquermomento, revogar livremente o seu consentimen-to” (p.27), ou seja, independentemente de ser oral ouescrito o consentimento não é definitivo e em qual-quer circunstância, quem autorizou pode recusar oque lhe foi proposto (SOUSA, 2007). Relativamenteaos artigos seguintes, estes prendem-se com exce-ções à regra geral, nomeadamente as enunciadas noartigo 6º quanto à proteção de menores e de maiorescom “deficiência mental”, “doença” ou “motivo simi-lar” (RESOLUÇÃO da Assembleia da República nº1/2001, p.27); no artigo 7º de pessoas que sofram de“perturbaç~o mental grave” (p.28); no artigo 8º desituações de urgência e no artigo 9º situações devontade anterior manifestada, onde o utente não seencontre em condições para expressar a sua vonta-de, aquando da intervenção/procedimento.Do Código Penal, de onde se destacam os artigos:38º “Consentimento”, 39º “Consentimento presumi-do”, 150º “Intervenções e tratamentos médico-cirúrgicos”, 156º “Intervenções e tratamentos médi-co-cirúrgicos arbitr|rios” e 157º “Dever de esclareci-Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201311
  10. 10. mento” (JURÍDICO, 2009). No artigo 38º, ponto 2,afirma-se que o “consentimento pode ser expressopor qualquer meio que traduza uma vontade séria,livre e esclarecida do titular do interesse juridicamen-te protegido, e pode ser livremente revogado até àexecuç~o do facto” (p.23). Previsto no ponto 3 domesmo artigo, este “só é eficaz se for prestado porquem tiver mais de 16 anos e possuir o discernimentonecess|rio…” (p.23) devendo, segundo o artigo 157º,estar “devidamente esclarecido sobre o diagnóstico(…) e possíveis consequências da intervenção ou dotratamento” (p.60). Em síntese, o consentimentopode ser explícito ou implícito, presumido (previstono artigo 39º), o que significa que não se encontramreunidas condições para a obtenção de consentimen-to e não existem dados concretos e fidedignos deque a pessoa se oporia ou quando a sua obtençãocausar adiamento que represente perigo para a vidaou perigo grave, artigo 156º - ponto 2 - alínea a), oralou escrito (SOUSA, 2007, p.13). Os artigos 150º e156º, referem-se à salvaguarda do profissional desaúde de crimes contra a integridade física, assimcomo às punições a que este está sujeito, caso efetueos tratamentos/intervenções sem o devido consenti-mento do paciente, referindo-se também às situa-ções em que a não obtenção do consentimento não épunível (situações de perigo de vida ou perigo gravepara o corpo ou saúde e situações em que, obtidoconsentimento para determinada intervenção/tratamento, tenha sido realizado outro diferente,imposto pelo estado dos conhecimentos, com vista aevitar perigo para a vida, corpo ou saúde).“Os riscos, benefícios e opções devem ser explica-dos aos clientes e suas famílias.”Do Código Deontológico do Enfermeiro, quanto àresponsabilidade deontológica do enfermeiro, o arti-go que mais importa analisar neste contexto é o arti-go 84º - “dever de informar”. Nele pode ler‑se que“no respeito pelo direito { autodeterminaç~o, oenfermeiro assume o dever de: a) informar o indiví-duo e a família no que respeita aos cuidados deenfermagem; b) respeitar, defender e promover odireito da pessoa ao consentimento informado; c)atender com responsabilidade e cuidado todo o pedi-do de informação ou explicação feito pelo indivíduoem matéria de cuidados de enfermagem” (LEI nº111/09, p.6548). De acordo com SOUSA (2007, p.17),os enfermeiros “têm o dever de informar e de obterconsentimento para a realização de intervenções deenfermagem, de acordo com o artigo 84º (…), sendoque as pessoas têm direito a aceder à informação,num formato apropriado e ao nível da sua própriaescolha, que lhes permite participar ativamente demodo informado, em decisões sobre a sua saúde”.Segundo CERDEIRA (2008, p.14), o artigo 84º salien-ta dois deveres essenciais: “o dever de informar” e “odever de respeitar, defender e promover o direito dapessoa ao consentimento informado”. Para SOUSA(2007), a informação deve ser adequada às suasnecessidades (religiosas, étnicas e culturais) e cir-cunstâncias (habilidades linguísticas e níveis de alfa-betização de saúde). Os riscos, benefícios e opçõesdevem ser explicados aos clientes e suas famílias. Amesma autora, defende também que “agir contra avontade expressa de um cliente consciente, esclare-cido e competente para decidir é violador das legisartis e das regras da deontologia profissional” (p.17).“…é salvaguardado o direito dos utentes dos servi-ços de saúde mental ao consentimento informadoe à representação legal no caso de menores de 14anos e doentes sem discernimento necessário paradar consentimento…”Na Lei de Saúde Mental, importa destacar o artigo 5º- “Direitos e deveres do utente”, nomeadamente oponto 1, nas alíneas a), b), c), d) e e), 2 e 3, nos quais ésalvaguardado o direito dos utentes dos serviços desaúde mental ao consentimento informado e à repre-sentação legal no caso de menores de 14 anos edoentes sem discernimento necessário para dar con-sentimento (LEI nº 36/98, p.3544).Formas de consentimentoDEODATO (2008, p.48) refere que não deverá serfeita distinção entre a forma escrita e a forma oral,“considerando (…) a especificidade da proximidadeCuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201312
  11. 11. do cuidado de Enfermagem e a contínua realizaçãode atos”. N~o sendo dispens|vel “a liberdade deescolha da pessoa e a sua autode-terminação, não é(…) admissível uma burocratização do consentimen-to (…) n~o far| sentido que uma formalizaç~o do atode consentir se sobreponha à expressão da vontadelivre de quem recebe cuidados, independentementeda forma em que a vontade é exteriorizada” (p.48).Apesar do consentimento/dissentimento informadopoder ser manifestado verbalmente ou através daescrita, existem algumas situações previstas na lei,em que é requisito para a sua eficácia a formalizaçãoescrita. São elas: ensaios clínicos, no artigo 2º - alí-nea o) da Lei nº 46/2004; interrupção voluntária dagravidez, no artigo 142º - ponto 3 - alínea a) do Códi-go Penal; Procriação medicamente assistida, no arti-go 14º - ponto 1 da Lei nº 32/2006; Diagnóstico pré-natal, artigo 3º - alínea c) do Despacho n.º 5411/ 97;Testes de biologia molecular em crianças e adoles-centes, artigo 7º - ponto 1 do Despacho nº 9109/97;Colheita de órgãos e tecidos em dadores vivos parafins de transplante, no artigo 19º - ponto 2 da Con-venção sobre os direitos do homem e a biomedicina(Resolução da Assembleia da República nº 1/2001);electroconvulsivoterapia, no artigo 5º - ponto 1 - alí-nea d) da Lei de Saúde Mental (Lei nº 36/98); inter-venção psicocirúrgica, no artigo 5.º - ponto 2 da Leide Saúde Mental (Lei nº 36/98); esterilização, no arti-go 10º da LEI nº 3/84. (ENTIDADE REGULADORA DASAÚDE, 2009, p.31-32; CERDEIRA, 2008, p.14)De acordo com a Entidade Reguladora da Saúde os“formul|rios” n~o s~o a melhor forma de obter oconsentimento informado. O preenchimento de umformulário pode proporcionar um momento decomunicação com o doente, no entanto, pode permi-tir uma ponderação maior dos riscos e consequênciasda intervenção, podendo ainda facilitar a prova doconsentimento. Todavia, são conhecidas algumasdecisões de tribunais internacionais que negaramqualquer valor a estes documentos, por considera-rem a assinatura uma simples formalidade. O proces-so clínico do utente deve ser mais valorizado do queum simples “formul|rio”. O registo sum|rio das con-versas estabelecidas com o doente, tradutoras dadiligência do médico em prestar as informações e derespeitar a sua vontade, deverá possuir maior valor(ENTIDADE REGULADORA DA SAÚDE, 2009, p.37).Exceções ao consentimentoA lei tipifica três situações em que uma pessoa, temdiminuída a sua capacidade de exercício de direitos.São elas o caso dos interditos, dos inabilitados e dosmenores. Relativamente aos três casos referidos,vigora o princípio consagrado nos pontos 2 e 3 doartigo 6º da Convenção sobre os direitos do homeme a biomedicina. Os normativos citados impõem queestas pessoas devem, na medida das suas possibili-dades, participar no processo de autorização. Nocaso dos menores, a sua opinião deverá ser pondera-da, tendo em linha de conta a sua idade e grau dematuridade. (RESOLUÇÃO da Assembleia da Repú-blica nº 1/2001, p. 27)No que concerne aos interditos, nos termos do ponto1, do artigo 138º do Código Civil, a interdição deveráser imposta judicialmente a todos aqueles quesofram de anomalia psíquica grave, surdez‑mudez ecegueira e que se mostrem incapazes de governar assuas pessoas e respetivos bens (JURÍDICO, 2008,p.27). As causas sub-jacentes à declaração da interdi-ção devem ser incapacitantes, presentes e perma-nentes. A incapacidade dos interditos é suprida pelaTutela, sendo o tutor designado o seu representantelegal. No que respeita à prestação de cuidados desaúde que lhe sejam propostos, o representante legaldeverá ser sempre chamado a intervir na decisão,devendo receber previamente a informação adequa-da, nomeadamente, o objetivo, a natureza, as conse-Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201313
  12. 12. quências e riscos da intervenção, previsto no artigo6º - ponto 4, da Convenção sobre os direitos dohomem e a biomedicina (RESOLUÇÃO da Assem-bleia da República nº 1/2001, p.27). A autorizaçãocedida pelo representante legal do interdito pode, atodo o momento, ser retirada no interesse da pessoa,previsto no artigo 6º - ponto 5 da Convenção sobreos direitos do homem e a biomedicina e artigo 81º -ponto 2 do Código Civil. (RESOLUÇÃO da Assem-bleia da República nº 1/2001, p.27; VERBO JURÍDICO,2008, p.18)Quanto aos inabilitados, previsto no artigo 152º doCódigo Civil, são assim decretados os indivíduos cujaanomalia psíquica, surdez, mudez ou cegueira que,apesar de permanente, não seja de tal modo graveque justifique a interdição, bem como, os indivíduosque pela sua habitual prodigalidade (abuso de álcoolou estupefacientes) se mostrem incapazes de reger oseu património (JURÍDICO, 2008, p.29). Estes neces-sitam de capacidade para o exercício de direitospatrimoniais, mas gozam de capacidade geral para aprática de atos pessoais. Assim, a capacidade paraconsentir na prestação de cuidados de saúde sópoderá ser posta em causa quando na sentença quedecretou a inabilitação esteja explicita essa incapaci-dade, sendo esta suprida pelo curador. Este não sesubstitui ao inabilitado, apenas dá autorização para aprática do ato, previsto no artigo 153º do CódigoCivil, tendo o inabilitado capacidade para consentirrelativamente aos cuidados de saúde propostos,devendo sempre ser considerada a sua competência/capacidade para consentir (p.29).No que respeita aos menores, é assim considerado,segundo o artigo 122º do Código Civil, quem nãotiver completado 18 anos de idade (JURÍDICO, 2008,p.25). Nos termos do artigo 123.º do Código Civil, osmenores carecem de capacidade para o exercício dedireitos, incapacidade essa suprida pelo Poder Pater-nal ou pela Tutela, sendo os pais, ou o tutor, osrepresentantes legais do menor (p.25). De acordocom o disposto no nº 2 do artigo 6º da Convençãosobre os Direitos do Homem e a Biomedicina, os paisdo menor deverão ser sempre chamados a inter-virna decisão sobre cuidados de saúde que lhe são pro-postos, sendo “a opini~o do menor (…) tomada emconsideração como um fator cada vez mais determi-nante, em função da sua idade e do seu grau dematuridade” (p.27). Nos termos do ponto 3 do artigo38º do Código Penal, o consentimento do menor só éeficaz se: 1) “tiver mais de 16 anos” e 2) “possuir dis-cernimento necessário para avaliar o seu sentido ealcance no momento em que o presta” (JURÍDICO,2009, p.22-23).“Quando um enfermeiro intervém junto de ummenor, deverá velar para que participe nas toma-das de decisão relacionadas com os cuidados deenfermagem, de acordo com as suas competênciascognitivas, psicossociais e nível maturacional.”Quando um enfermeiro intervém junto de ummenor, deverá velar para que participe nas tomadasde decisão relacionadas com os cuidados de enfer-magem, de acordo com as suas competências cogni-tivas, psicossociais e nível maturacional (DUARTE,2008). Porém se este ainda não possui tais compe-tências, encontrando-se assim incapaz para satisfizerplenamente as premissas para um consentimentoinformado válido, o enfermeiro deve obter deste umassentimento informado. “Na impossibilidade deobter consentimento do próprio, e na ausência derepresentantes legais, é dever de qualquer profissio-nal agir no melhor interesse do doente (…)” (p.24),ou seja, zelar pela “restauraç~o ou preservaç~o dasfunções vitais, alívio do sofrimento e manutenção daqualidade de vida” (NUNES, AMARAL e GONÇAL-VES, 2005, p.215).Por último, ainda como exceções ao consentimentoCuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201314
  13. 13. estão: as situações de urgência e as de privilégioterapêutico. Na primeira, “Sempre que, em virtudede uma situação de urgência, o consentimento apro-priado não puder ser obtido, poder‑se‑á procederimediatamente à intervenção medicamente indis-pens|vel em benefício da pessoa em causa”, previstono artigo 8º da Convenção sobre os direitos dohomem e a biomedicina, sendo que o profissionaldeve agir no melhor interesse da pessoa(RESOLUÇÃO da Assembleia da República nº 1/2001,p.28). Relativamente à segunda situação, MATOS(2008, p.35) cita o artigo 157.º do Código Penal, queprevê uma salvaguarda do dever de esclarecimento,ao referir “salvo se isso implicar a comunicaç~o decircunstâncias que, a serem conhecidas pelo pacien-te, poriam em perigo a sua vida ou seriam suscetíveisde lhe causar grave dano { saúde física ou psíquica”.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASCERDEIRA, A.(2008) – Informação e consentimento. Revistada Ordem dos Enfermeiros. ISSN: 1646-2629. Nº 29, p.12-17.ENTIDADE REGULADORA DA SAÚDE (2009) – Consenti-mento Informado - Relatório Final. Porto, 122p.DEODATO, S. (2008) – Critérios do agir profissional. Revistada Ordem dos Enfermeiros. ISSN: 1646-2629. Nº 29, p.45-50.DESPACHO nº 5411/97. D.R. II Série. 180 (1997-08-06) 9509-9510. (Princípios e orientações estruturantes do setor dediagnóstico pré-natal)DUARTE, A. (2008) – O enfermeiro e o consentimento /assentimento informado em menores de idade. Revista daOrdem dos Enfermeiros. ISSN: 1646-2629. Nº 29.JURÍDICO, V., redação, edição (2008) – Código Civil 2009.[Em linha]. Verbo Jurídico. Disponível em WWW:URL:http://www.verbojuridico.com/download/codigocivil2009-v1.pdf.JURÍDICO, V., redação, edição (2009) – Código Penal 2009.[Em linha]. Verbo Jurídico. Disponível em WWW:URL:http://w w w . f a p . p t / f o t o s / g c a / c o d i g o p e n a l 2 0 0 9 -v1_8934351494e91862733eac.pdf.LEI nº 3/84. D.R. I Série. 71 (1984-03-24) 981-983. (Educaçãosexual e planeamento familiar)LEI nº 48/90. D.R. I Série.195 (1990-08-24) 3452-3459. (Lei debases da saúde)LEI nº 36/98. D.R. I Série-A. 169 (1998-07-24) 3544-3550. (Leide saúde mental)LEI nº 46/2004. D.R. I Série-A. 195 (2004-08-19) 5368-5378.(Regime jurídico aplicável à realização de Ensaios Clínicoscom medicamentos de uso humano)LEI nº 32/2006. D.R. I Série. 143 (2006-07-26) 5245-5250.(Procriação medicamente assistida)LEI nº 111/2009. D.R. I Série. 180 (2009-09-16) 6546-6549.(Estatuto da Ordem dos Enfermeiros, aprovado pelo Decreto-Lei nº 104/98 de 21 de abril, alterado e republicado pela Leinº 111/09 de 16 de setembro)MATOS, S. (2008) – Recusa do cliente. Revista da Ordem dosEnfermeiros. ISSN: 1646-2629. Nº 29, p.33-37.NUNES, L.; AMARAL, M.; GONÇALVES, R (2005) – CódigoDeontológico do Enfermeiro: dos Comentários à Análise deCasos. Lisboa: Ordem dos Enfermeiros. ISBN 972-99646-0-2.456p.RESOLUÇÃO da Assembleia da República nº 1/2001. D.R. ISérie-A. 2 (2001-01-03) 14-36. (Convenção para a proteçãodos direitos do homem e da dignidade do Ser humano faceàs aplicações da biologia e da medicina: Convenção sobre osdireitos do homem e a biomedicina)SOUSA, M. (2007) – Enunciado de Posição da Ordem dosEnfermei-ros – Consentimento informado para intervençõesde Enfermagem. Revista da Ordem dos Enfermeiros. ISSN:1646-2629. Nº 25, p.11-17.Artigo Rececionado em 28/02/2012Aceite para Publicação em 08/03/2012Contacto dos Autores:anasofia.frade@gmail.compaulacristinacb@gmail.comAna Sofia Luís: Licenciatura em Enfermagem,Especialização em Enfermagem de Saúde Mental ePsiquiatria.Paula Coelho Banha: Licenciatura em Enfer-magem, Especialização em Enfermagem de SaúdeMental e PsiquiatriaCuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201315
  14. 14. Artigo de RevisãoA MECÂNICA CORPORAL NA PREVENÇÃO DE LESÕESMÚSCULO-ESQUELÉTICAS EM ENFERMEIROSSusana Isabel Dias RibeiroEnfermeira do Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E.Hospital de São Bernardo – Serviço de Medicina InternaRESUMOAs lesões músculo-esqueléticas são afecções de dife-rentes partes do corpo, que incluem um conjunto dedoenças inflamatórias e degenerativas do sistemalocomotor. Podem estar associadas ao local de tra-balho, resultante da ação de fatores de risco profis-sionais tais como a repetitividade, a sobrecarga e/oua postura adotada durante o exercício laboral.Estando os enfermeiros sujeitos a trações físicas quepodem derivar para traumatismos músculo-esqueléticos, a mecânica corporal (utilização coorde-nada e eficiente do corpo durante a atividade) consti-tui uma ferramenta de trabalho fundamental na pre-venção de lesões músculo-esqueléticas, promovendoo movimento eficiente e diminuindo a sobrecargafísica.Palavras-chave: Lesões músculo-esqueléticas,mecânica corporal, enfermeirosINTRODUÇÃOA profissão de enfermagem é considerada um pilaressencial no funcionamento das instituições de saú-de. Esta tem como objetivo a prestação de cuidadosde enfermagem a pessoas sãs ou doentes ao longodo ciclo de vida. Deste modo, tem desenvolvido aolongo do tempo um conjunto de saberes que consti-tuem uma mais-valia no âmbito da profissão e moti-vo de orgulho para o profissional enfermeiro, umavez que o trabalho constitui um dos principais facto-res de equilíbrio e realização profissional.“… apesar do trabalho [enfermagem] estar rela-cionado com o bem-estar físico e psíquico da pes-soa, poderá estar na origem de sofrimento e pro-blemas de saúde para os profissionais.”Contudo, apesar do trabalho estar relacionado com obem-estar físico e psíquico da pessoa, poderá estarna origem de sofrimento e problemas de saúde paraos profissionais (MAIA, 2002).Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201316
  15. 15. No Guia de Caracterização Profissional (DGERT,2004), vem referido relativamente às condições detrabalho dos enfermeiros, o facto destes passaremmuito tempo de pé, fazendo esforços físicos conside-ráveis, como sucede quando têm de transferir doen-tes da maca para a cama ou de cadeira de rodas paraa cama, “entre as suas doenças profissionais maiscomuns, encontram-se, por isso, as hérnias discais eas lombalgias” (DGERT, 2004, p.8).Sendo as lesões músculo-esqueléticas consideradasum dos riscos mais frequentes para a saúde e segu-rança dos enfermeiros (MAIA, 2002), as condiçõeslaborais destes constituem um ambiente propício àocorrência destas lesões, pois requerem não rarasvezes a aplicação de força no trabalho, tarefas repeti-tivas, excesso de carga em algumas articulações eposturas desadequadas. Os serviços de saúde pode-rão mesmo constituir ambientes pouco saudáveis àprática, uma vez que poderão afetar a saúde física epsicológica dos enfermeiros (ICN, 2007).“… é fundamental os enfermeiros apropriarem-sede alguns princípios básicos no âmbito da mecâni-ca corporal, dominá-los e utilizá-los no âmbito daspráticas do dia-a-dia.”Deste modo, é fundamental os enfermeiros apropria-rem-se de alguns princípios básicos no âmbito damecânica corporal, dominá-los e utilizá-los no âmbi-to das práticas do dia-a-dia. Nalguns países há servi-ços que exigem, como condição de ingresso, que oenfermeiro possua formação e treino em mecânicacorporal (BOLANDER, 1998) porque, o domínio domovimento eficiente vai assegurar uma execuçãomais fácil e segu-ra de certas tare-fas, bem comocontribuir parauma melhoria dasaúde em geral.LESÕES MÚSCULO-ESQUELÉTICAS EPROFISSÃO DE ENFERMAGEMOs principais fatores que podem ocasionar lesõesmúsculo-esqueléticas em enfermeiros são essencial-mente de natureza física, organizacionais e psicosso-ciais, e individuais.Factores físicos – aplicação de força (levantar, transportar,puxar, empurrar); movimentos repetitivos; posturas força-das ou estáticas; compressão localizada; vibrações; frio oucalor excessivos; iluminação deficiente; ruído elevado.Factores organizacionais e psicossociais – trabalho exigen-te; baixos níveis de satisfação com o trabalho; trabalhomonótono, repetitivo executado a um ritmo rápido; faltade apoio por parte de colegas e, chefias.Factores individuais – antecedentes clínicos; capacidadefísica; idade; obesidade; tabagismo.Tabela 1 – Principais fatores promotores de lesões músculo-esqueléticasem enfermeiros (AEPSST, 2007)A sintomatologia das lesões músculo-esqueléticas écaracterizada essencialmente por: dor (a maior partedas vezes localizada, podendo irradiar para outrasáreas corporais); sensação de dormência ou formi-gueiro (na zona afetada ou em regiões contíguas);sensação de peso; fadiga ou desconforto localizado eperda de força ou sensação de perda de força. Ossintomas surgem gradualmente, agravam durante odia de trabalho ou em momentos de maior intensida-de laboral e aliviam com períodos de pausa, repousoe férias (DGS, 2008). Uma exposição continuada aosfatores de risco, agrava a sintomatologia, tornando-apersistente, podendo-se prolongar durante a noite,ou mesmo nos períodos de repouso interferindo quercom a capacidade de trabalho, quer com outras ativi-dades. Desta forma, o desequilíbrio entre as capaci-dades do indivíduo e as solicitações laborais, irãofavorecer a ocorrências de lesões músculo-esqueléticas.“… através da reeducação dos gestos profissionaisserá possível evitar e prevenir os riscos de lesõesmúsculo-esqueléticas.”Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201317
  16. 16. Assim, através da reeducação dos gestos profissio-nais será possível evitar e prevenir os riscos de lesõesmúsculo-esqueléticas. Cabendo à organização a res-ponsabilidade de implementar e avaliar programasde formação e treino no âmbito do movimento efi-ciente e prevenção de lesões. Caberá ao enfermeirono exercício da profissão a adoção de posturas corre-tas bem como a forma como coloca o corpo duranteas diferentes tarefas que vão surgindo no dia-a-dia.MECÂNICACORPORAL: OMOVIMENTO EFICIENTEA mecânica corporal é a utilização eficiente do corpo,aplicando os princípios da física, para uso óptimo deenergia e movimento, tendo por finalidade a realiza-ção de uma tarefa com a máxima eficácia e o mínimoesforço.A integração dos princípios de mecânica corporal,nas práticas profissionais diárias deverá constituir aregra e nunca a excepção, pois poderá fazer a dife-rença entre um percurso profissional com menos ris-cos, menos penosidade e mais eficiência.A seguir, considera-se alguns dos princípios básicosde mecânica corporal (AEPSST, 2007), a utilizar pelosenfermeiros:Avaliar o grau de colaboração do doente, otimi-zando recursos e vontadeExplorar a máxima participação ativa do doente,dando somente a quantidade de auxílio necessário, oque aumenta a autonomia, evita a dependência ereduz acidentes. Deve-se preparar os doentes paraessa participação, explicando aquilo que se esperadeles e qual o seu papel na ação a desenvolver.Avaliar adequadamente os nossos limites, força ecapacidadesTodos devemos ter em linha de conta a força muscu-lar a desenvolver, as limitações e capacidades pes-soais. Um estado de má forma física ou grande dese-Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201318
  17. 17. quilíbrio muscular, poderá influenciar o resultadopretendido, sendo necessário recorrer a ajuda(pessoas ou ajudas técnicas) para efetuar o movi-mento em segurança e de forma correta.Coordenar os elementos de forma precisa, distri-buindo equitativamente os esforçosCom a liderança assumida por um dos elementos osmovimentos serão melhor coordenados e seguros,melhorando a organização do trabalho, obedecendocada elemento a ordens claras e precisas, havendouma conjugação de movimento de grupo com efi-ciência e menor esforço individual.Adotar uma base de sustentação ampla melhora omovimento e a estabilidadeOs pés afastados aumentam a estabilidade, bemcomo a utilização de outros segmentos ou partes docorpo como pontos de apoio. A base de sustentaçãoampla permite também efetuar mais facilmente atransferência de peso de um pé para outro.Aproximar a carga do centro da gravidade, reduz oesforço e aumenta o equilíbrioTer a carga mais próxima do centro de gravidadeproporciona estabilidade e diminui o trabalho a efe-tuar pelos músculos, pois um peso seguro pelas mãosquanto mais afastado for mantido do corpo, maiordesequilíbrio provoca.Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201319Um centro de gravidade baixo torna o corpo maisestávelDobrar os joelhos, faz diminuir o centro de gravida-de, proporcionando maior estabilidade e equilíbrio.
  18. 18. Utilizar movimentos suaves, contínuos e rítmicosmelhora a performanceConsome-se mais energia efetuando movimentoscurtos do que efetuando um único movimento contí-nuo. A utilização de gestos suaves, contínuos e rítmi-cos possibilitam uma maior eficiência na utilizaçãodos músculos proporcionando maior tempo de con-tração muscular.Ao levantar ou mover uma carga, faça flexão dosjoelhos e evite a flexão do troncoOs grupos musculares das pernas e coxas aguentammaior esforço que os dos braços e das costas, deven-do ser mais utilizados pois tem um desgaste menor,ajudando a proteger os discos intervertebrais.Durante longos períodos na posição de pé, alterneo peso de uma perna para a outra ou use um apoioe alterne as posturas de pé e sentadoAlternar os músculos que estão a ser utilizados,como deslocar o peso da perna direita para a esquer-da, versatilizando a forma de execução das tarefas,ou fazendo ligeiras interrupções, permite a utilizaçãode um período mínimo de descanso protetor do des-gaste muscular.Se previamente contraídos, os músculos ficammelhor preparados para a ação, prevenindo lesõesFazer a báscula da bacia, significa contrair os múscu-los abdominais e os glúteos num movimento firme,aumentando a estabilidade do tronco, melhorando aação dos membros inferiores e protegendo os mús-culos das costas.Puxar exige menos esforço que empurrar, levantaré o que exige mais esforço e tem maior risco delesõesEste tipo de movimentos requerem menos esforçoque levantar, pois não têm os efeitos da gravidade,mas apenas do atrito.Na movimentação de um objeto a modificação dograu de inclinação permite utilizar a gravidade afavor da deslocação.Empurrar uma pessoa para cima, transferir de umacama mais baixa para uma maca mais alta, é maisdifícil e aumenta o esforço, pelo que sempre que pos-sível deve-se promover o deslizamento para baixonum plano inclinado. Num doente com a cabeceirada cama elevada que escorregue ficando posicionadoincorretamente, a sua mobilização deve ser efetuadacom a cabeceira da cama baixa quando não existamcontra-indicações.A redução do atrito diminui a sobrecargaEsta situação pode ocorrer através da utilização deum resguardo debaixo do doente para puxar ou desli-zar na superfície da cama.Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201320
  19. 19. A fadiga influencia a capacidade de executar movi-mentosPelo que se devem respeitar as pausas e os períodosde descanso para proporcionar a devida compensa-ção do esforço efetuado.O treino facilita a execução das técnicas e aumen-ta a destrezaA repetição de uma tarefa, quando não efetuada emsobrecarga, permite a espontaneidade da mesma,reduzindo o esforço. O levante repetido de doentescom técnica adequada vai melhorar a eficiência doprofissional promovendo posturas adequadas e ges-tos eficientes.Usar vestuário e calçado adequado possibilitamuma melhor dinâmica de movimentoNo exercício diário são variados os gestos para selevantar, baixar ou movimentar. A utilização de ves-tuário deverá permitir a liberdade de movimentos,não sendo incomodativas quando se assumem certasposições (ocasionando posições defensivas e poucoergonómicas), possibilitando manter uma boa basede sustentação. A utilização de calçado adequadoprevine o risco de escorregar ou de cair, devendo serutilizado calçado de boa aderência, não se recomen-dando sapatos de salto alto, socas ou chinelos.Vigiar a saúde, fazer exercício físico regularmente,evitar fumar, manter uma boa higiene do sonoUma vigilância adequada por parte da saúde ocupa-cional, bem como a promoção de hábitos de vidasaudáveis por parte do profissional, melhoram a qua-lidade de vida no trabalho e diminuem o aparecimen-to precoce de complicações.CONCLUSÃOA atitude profissional face ao desenvolvimento dotrabalho é essencial na prevenção das lesões múscu-lo-esqueléticas.O combate às lesões músculo-esqueléticas, passampor uma abordagem organizacional (AEPSST, 2007)onde se devem: avaliar os riscos que não podem serevitados; combater os riscos na origem; adaptar otrabalho ao trabalhador; adaptar o profissional à evo-lução tecnológica; substituir o que é perigoso peloque é seguro; conceber uma política global de pre-venção; privilegiar medidas de proteção coletivas efomentar instruções adequadas aos trabalhadores.Mas, também é fundamental a abordagem de cadaenfermeiro face ao trabalho e à utilização do movi-mento eficiente, proporcionando qualidade de vida,diminuindo o absentismo e promovendo profissio-nais proativos ao invés de reativos e defensivos faceà adversidade do desgaste laboral.Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201321
  20. 20. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAEPSST. AGÊNCIA EUROPEIA PARA A SEGURANÇA E SAÚ-DE NO TRABALHO (2007) – Introdução às lesões músculo-esqueléticas. Facts. Disponível em WWW: http://ew2007.osha.europa.eu.AEPSST. AGÊNCIA EUROPEIA PARA A SEGURANÇA E SAÚ-DE NO TRABALHO (2007) – Técnicas de mobilização dedoentes para prevenir lesões músculo-esqueléticas na pres-tação de cuidados de saúde. Facts. Disponível em WWW:http://ew2007.osha.europa.euAEPSST. AGÊNCIA EUROPEIA PARA A SEGURANÇA E SAÚ-DE NO TRABALHO (2007) – Em linha: boas práticas emmatéria de segurança e saúde para o Sector da Saúde. Facts.Disponível em WWW: http://agency.osha.eu.int.BOLANDER, V. (1998) – Enfermagem Fundamental. Loures:Lusociência, 1963p.DGERT. DIREÇÃO GERAL DO EMPREGO E DAS RELAÇÕESDE TRABALHO (2004) – Profissões, Guia de caracterizaçãoprofissional, enfermeiro. Direcção Geral do Emprego e dasRelações de Trabalho. Disponível em WWW:www.dgert.gov.pt.DGS. DIREÇÃO GERAL DA SAÚDE (2008) – Lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho: Guia de orientaçãopara a prevenção. Lisboa.ICN. INTERNACIONAL COUNCIL OF NURSES (2007) –Ambientes favoráveis à prática: Condições no trabalho =Cuidados de qualidade. Genebra.MAIA, C. (2002) – Dor Lombar: Estudo de prevalência nosenfermeiros da área da prestação de cuidados do HospitalAmato Lusitano, Castelo Branco. Castelo Branco. 138p. Dis-sertação apresentada para concurso de provas públicas paraProfessor- Coordenador da área científica de Enfermagem deReabilitação para a Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias.Artigo Rececionado em 02/03/2012Aceite para Publicação em 13/07/2012Contacto do Autor:susanadias.ribeiro@iol.ptSusana Ribeiro: Licenciatura em Enfer-magem, Mestrado em Psicogerontologia,Especialização em Enfermagem de Reabili-tação, Pós-Graduação em Pedagogia daSaúde.Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201322Revista Cuid’ArteEspaço aberto { participaç~o de todos os que sentem que cuidar é uma arte…Contamos com os V/ artigos, as V/ sugestões e impressões…http://cuidartesetubal.blogspot.com
  21. 21. Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201323Em DestaqueAs Primeiras Jornadas de Enfermagem do CentroHospitalar de Setúbal - EPE, iniciativa da Direção deEnfermagem, decorreram nos dias 15 e 16 de novem-bro de 2012, no Auditório Charlot em Setúbal.Sob o tema Evidência de uma Prática Especializada,a iniciativa contou com a presença de 190 participan-tes e pautou-se pela apresentação e discussão detrabalhos científicos e projetos de intervenção, numcontexto de cuidados de enfermagem especializa-dos.O tema destas jornadas enquadrou-se na determina-ção em evidenciar os ganhos decorrentes de umaprática de cuidados especializados em enfermagem,sendo esta a perspetiva em que assentou o motivo ea escolha de aprofundar e sistematizar o que se prati-ca neste âmbito, no Centro Hospitalar de Setúbal -EPE.Foram dois dias de intenso trabalho, que trouxeram adebate e reflexão boas práticas no âmbito dos cuida-dos de enfermagem especializados, numa ótica depromoção de uma prestação de cuidados com eleva-do nível de efetividade, eficiência e baseada namelhor evidência disponível.O programa científico, que abrangeu diversos temasde enfermagem em áreas como: saúde materna eobstétrica, saúde infantil e pediátrica, médico-cirúrgica, reabilitação, saúde mental e psiquiátrica esaúde comunitária, foi organizado em mesas temáti-cas e conduzido por um conjunto de moderadores,comunicadores e participantes que, com o seu sabere interesse, deram brilho a este evento. A par dascomunicações orais convidadas, teve lugar a proje-ção de posters científicos igualmente de elevadaqualidade.No final dos trabalhos, os participantes, através decorreio electrónico, foram convidados a responder aum inquérito para avaliação da qualidade das jorna-das, que se manteve on-line entre 20 de novembro e17 de dezembro de 2012. A taxa de resposta obtidafoi de 44,21% (n=84) entre os 190 participantes. Emlinhas gerais, o evento foi classificado nos váriosdomínios em bom e excelente. Nas questões abertasforam obtidas sugestões de melhoria que o grupopretende considerar em evento futuro.Terminada esta experiência, a Comissão Científica eComissão Organizadora congratula-se por ter estadoao nível das expectativas dos participantes e deseja,através de uma abordagem integral a uma práticaespecializada, ter contribuído para a valorização doscuidados de enfermagem.EVIDÊNCIA DE UMA PRÁTICA CLÍNICA ESPECIALIZADA
  22. 22. Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201324A concluir, resta agradecer a todos os que contribuírampara o sucesso alcançado, em concreto, participantes,moderadores, preletores, autores, Conselho de Admi-nistração, Gabinete de Comunicação e Centro Multi-média, Serviço de Gestão da Formação, ServiçosFinanceiros e patrocinadores.A todos um bem-haja,As Comissão Organizadora & Comissão Científica
  23. 23. Posters PremiadosTítulo: Campanha nacional de higienização das mãos:Um projeto com mãos para lavarAutores: Sandra Alberto;Márcia Costa;Ana Sofia Romão.Título: Úlceras de pressão:Incidência e prevalência no Serviço de Medicina InternaAutores: Liliana Roldão;Andreia Gomes.Titulo: Benefícios da Água no Trabalho de PartoAutores: Gisela Santos;Carmen Segurado;Liliana Ferreira;Antónia Boleta;Elisabete Santos.
  24. 24. Normas de PublicaçãoA Revista Cuid’Arte tem como objetivo a publicaç~o de trabalhos científicos de reconhecido interesse na |rea de enfermagem, sob aforma de artigos de investigação, de revisão ou relato de experiência, que contribuam para o desenvolvimento e visibilidade doscuidados de enfermagem. Os artigos devem ser originais e destinados exclusivamente { publicaç~o na Revista Cuid’Arte.Direitos de AutorA Revista Cuid’Arte considera os autores respons|veis pelo conteúdo dos artigos, que deve ser original, nomeadamente asimagens ilustrativas que o acompanham. Qualquer outra informação e/ou imagem sujeita a direitos de autor deve identifi-car a sua fonte, através do apelido do autor, data e página.Os artigos devem ser acompanhados de declaração que ateste a originalidade dos conteúdos, o cumprimento dos procedi-mentos éticos e conceda { Revista Cuid’Arte o direito exclusivo de publicaç~o. A declaraç~o deve ser assinada por todos osautores e acompanhada de fotocópia de documento de identificação – Bilhete de Identidade ou Cartão do Cidadão.Tipos de ArtigosArtigo de Investigação – Resulta de uma investigação baseada em dados empíricos. O texto deverá ser estruturado naforma tradicional – Resumo em português e inglês (abstract), Introdução, Metodologia, Resultados, Discussão, Conclusão,Agradecimentos e Referências. São admitidas pequenas adaptações a esta estrutura (como inclusão de sub-parágrafos), deacordo com o trabalho apresentado. Trabalhos que envolvam Seres Humanos devem conter confirmação na secção Meto-dologia em como estão de acordo com as normas da Comissão de Ética. Deve ser clara a permissão de publicação por enti-dade/instituição que financiou a investigação. Máximo 10 páginas.Artigo de Revisão – Artigo no qual o autor interpela sobre um fenómeno, fundamentando as suas afirmações com lite-ratura temática consultada para o efeito. Máximo 6 páginas.Relato de Experiência – Artigo em que o autor narra experiências vivenciadas no seu quotidiano que considere enrique-cedoras para si e para outros. Máximo 4 páginas.Estrutura do ArtigoTodos os artigos, à exceção dos relatos de experiência, devem conter resumo, com o máximo de 80 palavras e palavras-chave, até ao máximo de 6. Nos artigos de investigação estes itens devem constar em português e inglês.Os artigos devem ser acompanhados de imagens ilustrativas – fotografias, tabelas e/ou figuras, preferencialmente originais.A caracterização de cada tabela e figura deve conter título e legenda de modo a serem compreendidas e interpretadas semrecurso ao texto. Todas as imagens deverão ser enviadas em suporte digital.As abreviaturas devem ser evitadas à exceção das unidades do Sistema Internacional. Outras abreviaturas podem ser utiliza-das caso sejam referidas três ou mais vezes, devendo, na primeira utilização, ser escritas por extenso e imediatamenteseguidas pela sua abreviação entre parênteses.As referências bibliográficas e as citações bibliográficas devem ser apresentadas segundo o modelo estabelecido pelaNorma Portuguesa Nº 405 – 1 a 4, do Instituto Português da Qualidade.Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201329
  25. 25. ApresentaçãoOs artigos devem ser redigidos em folhas A4, impressas num só lado, sem cabeçalho nem rodapé, devidamente numeradas,com margens inferior e laterais de 2cm e superior de 3cm, em fonte Times New Roman, tamanho 12 a 1,5 espaços. Devemser enviados dois exemplares impressos, acompanhados de suporte digital (em formato Word).A identificação do artigo enviado faz-se pelo título, que deve constar no cimo da página, não devendo ao longo do textohaver quaisquer referências que permitam identificar o(s) autor(s). Os artigos não deverão ser assinados por mais de4 autores.Ao artigo, deve ser anexada carta com os seguintes elementos:1) título do artigo; 2) nome(s) e apelido(s) do(s) autor(es); 3) grau académico dos autores; 4) filiação institucional dos autoresno momento em que o trabalho foi realizado; 5) nome e contactos do autor que receberá a correspondência, incluindo ende-reço, telefone, fax ou e-mail; 6) referências a fontes de financiamento ou bolsas de estudo (se aplicável); 7) o nome da insti-tuição e do curso nos artigos que derivam de trabalhos realizados em contexto académico; 8) e-mail ou telefone de um dosautores a indicar no final do artigo (aplicável ao artigo de investigação).As submissões { Revista Cuid’Arte devem ser enviadas para:Revista Cuid’ArteServiço de Gestão da Formação do Centro Hospitalar de Setúbal, EPE.Rua Camilo Castelo Branco, 2910-446 SetúbalCada artigo submetido para publicação é verificado pelo Núcleo Redatorial, quanto ao cumprimento das Normas de Publica-ç~o da Revista Cuid’Arte. O processo de revis~o editorial ser| iniciado se o texto obedecer {s Normas de Publicaç~o mencio-nadas. Posteriormente é submetido a uma análise apoiada, sempre que se justifique, por peritos e segundo os critérios: inte-resse para os destinatários da Revista; originalidade (contribuição significativa ou inovadora); exatidão técnica das referên-cias e citações; correção e precisão dos conceitos utilizados; adequação metodológica e profundidade na abordagem aoassunto; atualidade e rigor da bibliografia utilizada; qualidade geral do texto (estrutura lógica e equilibrada, exposição clarae coerente, estilo objetivo e factual, correção gramatical).Os peritos são contactados pelo Núcleo Redatorial, pela reconhecida competência na área a que o artigo se refere. Nesteprocesso de avaliação é preservada a identidade dos autores e consultores. O Núcleo Redatorial poderá sugerir aos autoresmodificações nos artigos, para que se adaptem às normas editoriais da Revista. A decisão final sobre a publicação de umartigo cabe ao Núcleo Redatorial, auxiliado pelo parecer dos peritos. Os artigos não aceites não serão devolvidos, podendoser levantados na morada da Revista. Os artigos não refletem, necessariamente, a opinião do Núcleo Redatorial. Será dadaprimazia aos artigos submetidos por assinantes da Revista.Cuid’arte - Revista de Enfermagem maio 201330
  26. 26. Encarte
  27. 27. REVISTA DE ENFERMAGEM

×