A Kiss in Time - Alex Flinn

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A Kiss in Time - Alex Flinn

  1. 1. Alex FlinnA Kiss in Time Créditos: Comunidade Traduções de Livros [http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=25399156] Tradução: Bruna [http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=3851553126331061200] Tradução: Sabrina [http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=10408905219891603142] Para Joyce Sweeney. Obrigado por tudo!
  2. 2. Talia foi colocada sobre um feitiço...Jack quebrou a maldição. Falaram-me para ter cuidado com o fuso amaldiçoado, mas era tãoencantador, tão hipnótico... Eu estava procurando por uma pequena aventura no dia que eu abandoneimeu grupo de turistas. Mas encontrar uma cidade em coma, com uma garota quentedormindo nela, não era o que eu tinha em mente. Eu acordei no mesmo lugar, mas em outro tempo - com um suave beijo de umestranho. Eu não pude evitar beijá-la. Algumas vezes você apenas tem que beijaralguém. Eu não sabia que isso iria acontecer. Agora eu estou em sérios apuros porque meu pai, o rei, diz que eu trouxe aruina sobre nosso país. Eu não tenho escolha a não ser fugir com esse plebeu! Agora eu estou preso com uma princesinha malcriada e uma mala cheia dejoias... As boas noticias: Meus pais vão surtar! Acha que tem problemas de namoro? Tente trancar seus lábios com umaatraente dorminhoca que acaba por ter 316 anos. Pode um beijo transcender tudo —mesmo o tempo?
  3. 3. Parte 1 Talia
  4. 4. Capítulo 1 Se eu escutar uma sílaba mais sobre fusos de roca, eu vou com certezamorrer. Da minha memória mais antiga, o assunto tem sido usado até a morte nocastelo, ou melhor, em todo o reino. Foi dito que fuso, em vez de Mama ou Papa, foiminha primeira palavra na infância, e eu não tenho dúvida nenhuma que isso sejaverdade, pela palavra que ilumina com mais frequência que qualquer outra sobre osmeus ouvidos mais teimosos. “Talia, querida, você nunca deve tocar um fuso,” Mamãe diria enquanto elame colocava na cama a noite. “Eu não vou, mãe.” “Vous devez ne jamais toucher un axe,” meu tutor dizia durante minha aula defrancês. “Eu não vou,” eu disse para ele em inglês. “Se vós espiar um fuso, deveis deixá-lo sozinho,” a empregada do andar debaixo disse enquanto eu saia do castelo, sempre com minha governanta, a qual nuncame permitia um momento sozinha. Todo principezinho, princesa, ou pelo menos nobre que vinha para jogarTothe no castelo era falado sobre a restrição sobre fusos — para aqueles que não têmum secretado sobre eles em algum lugar, ou para aqueles que acreditavamerroneamente que eu era normal. Cada servente era revistado na porta, e linhas eramcompradas fora do reino. Mesmo camponeses eram proibidos de ter fusos. Foibastante inconveniente para todos os interessados. Eu tenho que dizer que eu não tenho certeza que eu reconheceria um fuso seeu visse um. Mas parece improvável que alguma vez veja. “Por que eu tenho que evitar fusos?” eu perguntei para minha mãe, na minhamemória mais antiga. “Você simplesmente tem,” ela replicou, para não me assustar, eu suponho. “Mas por quê?” eu persisti.
  5. 5. Ela suspirou. “Crianças devem ser vistas, não ouvidas.” Eu perguntei varias vezes antes que ela se desculpou, alegando dor de cabeça.Tão cedo quanto ela partiu, eu comecei com minha governanta, Senhora Brooke. “Por que eu nunca posso tocar um fuso?” Senhora Brooke parecia ofendida. Não era aprovado, ela sabia, censurar umacriança real. Meu pai era um líder humano que nunca recorreu à decapitação. Ainda,ela ainda tinha o trabalho dela para considerar, se não seu pescoço. “É proibido,” ela disse. Bem, eu bati meu pé e chorei e gritei, e quando aquilofalhou produzir o resultado desejado, eu disse, “Se você não responder, eu vou contarpro meu pai que você me bateu.” “Sua malvada, menina malvada! Deus lá em cima vai te punir por essamentira!" “Ninguém pune princesas." Minha voz estava calma. Eu já tinha acabado comos gritos, agora que eu tinha descoberto uma nova moeda de troca. “Nem mesmoDeus.” “Deus se importava não por classe ou privilegio. Se você contar uma mentiratão horrível assim, você com certeza vai ser amaldiçoada." “Então você tem que me proteger de cometer tal pecado me contando o queeu desejo saber." Mesmo com quatro ou cinco, eu era precoce e determinada. Finalmente, suspirando, ela me contou.Eu tinha sido um bebê desejado-por-muito-tempo (isso eu sabia, por que isso tinhasido contado quase tão frequente quanto o discurso do fuso), e quando eu nasci, meuspais convidaram a maior parte do reino para o meu batismo, incluindo várias mulheresque segundo rumores tinham poderes mágicos. “Você quer dizer fadas?" Eu interrompi, sabendo que ela não iria falar apalavra. Senhora Brooke era altamente religiosa, o que parecia significar que elaacreditava em bruxas, que usavam as mágicas delas para o mal, mas não em fadas, queusavam seus poderes para o bem. Ainda, mesmo com quatro anos, eu sabia sobre asfadas. Todo mundo sabia. “Não há coisas como fadas," Senhora Brooke disse. “Mas sim, pessoas falavamque elas eram fadas. Seu pai deu boas vindas para elas, pois ele esperava que elas
  6. 6. trouxessem presentes mágicos para você. Mas houve uma pessoa que seu pai nãoconvidou: a bruxa Malvolia.” Senhora Brooke começou a descrever, longamente e em detalhes exaustivos,a beleza do dia, a altura do sol no céu, e a importância do serviço de batizado. Fecheios olhos. Mas quando ela tentou me levar para meu quarto, eu acordei e perguntei, "Eo fuso?" “Oh! Eu pensei que você estava dormindo.” Eu continuei a demandar de saber sobre o fuso, o que levou a uma longarecitação dos presentes que eu havia recebido de vários convidados. Eu lutava para memanter atenta, mas eu me animei quando ela começou a descrever os presentes dasfadas “Violet te deu o presente da beleza, e Xanthe deu o presente da graça,embora certamente tais qualidades não podem ser dadas.”Eu não vi por que não. As pessoas frequentemente comentavam sobre minha beleza egraça. “Leila deu o presente de talento musical...” Eu pensei, comigo mesma, que eujá era bastante habilidosa em cravo*. *Cravo é a designação dada a qualquer dosmembros de uma família europeiade instrumentos musicais de tecla. “... enquanto Celia deu o presente da inteligência...". Isso continuou sem dizer. . . . Senhora Brooke continuou. “Flavia estava quase chegando mais perto paradar o presente da obediência — o que seria muito bem vindo, se eu mesma dissesse."Ela piscou para mim, mas a piscadela teve uma sugestão de aborrecimento que não foi— eu devo dizer — apreciado. “O fuso?” Eu a lembrei, bocejando.“Apenas quando Flavia estava pronta para dar um passo para frente e oferecer omuito-desejado presente da obediência, a porta da sala de grandes banquetes se abriu.A bruxa Malvolia! Os guardas tentaram a parar, mas ela forçou caminho por eles. “‘Eu exijo ver a criança! ela disse.
  7. 7. “Sua babá tentou bloquear o caminho dela. Mas mais rápido que uma batidade um cílio, a babá estava no chão e Malvolia estava em cima do seu berço. “‘Ah.’ Ela te levantou e te segurou alto para todos verem. O bebêamaldiçoado.’” “Sua mãe e seu pai tentaram acalmar Malvolia com contos de convitesperdidos, mas ela repetiu a palavra amaldiçoada, várias vezes, e em seguida, ela fez amaldição em si. “‘Antes do aniversario de dezesseis anos, a princesa deve furar seu dedo comum fuso e morrer! ela rugiu. E então, tão rápido quanto ela tinha chegado, ela tinhaido. Mas o dia bonito estava arruinado, e uma chuva caiu livremente do céu.” “E então o que?” eu perguntei, longe de estar interessada no tempo agoraque eu entendia que eu poderia morrer tocando um fuso. Por que ninguém mecontou? “Flavia tentou salvar a situação com o presente dela. Ela disse que desde queos poderes de Malvolia eram imensos, ela não podia reverter o feitiço, mas ela tentoumodificá-lo um pouco." “‘A princesa não deve morrer,’ ela disse. Mas enquanto todos estavamsuspirando em alivio, ela acrescentou, ‘Embora, a princesa deva dormir. Todos oscidadãos de Euphrasia devem dormir também, protegidos do mal por esse feitiço, e oreino deve ser escurecido pela visão de um bosque gigante, despercebido pelo resto domundo, e removido dos mapas e memórias ate...’ As pessoas estavam ficando maisnervosas com cada pronunciamento. ‘... um dia, o reino deve ser redescoberto. Aprincesa deve ser acordada pelo beijo do amor verdadeiro, e o reino deve ser acordadoe se tornar visível para o mundo de novo.’” “Mas isso é estúpido!” Eu explodi. “Se todo o reino estiver dormindo eesquecido, quem vai sobrar para me beijar?” Senhora Brooke parou de falar, e então ela na verdade coçou a cabeça, comoas pessoas nas histórias fazem quando estão tentando resolver algum grande enigma.No final disso, ela disse, “Eu não sei. Alguém vai. Isso é o que Flavia disse.” Mas mesmo na minha tenra idade, eu sabia que isso era improvável.Euphrasia era pequena, limitada em três lados pelo oceano e no quarto pelo deserto.Os Belgas, os nossos vizinhos mais próximos, mal sabiam que nós existíamos, e seEuphrasia desaparecesse de vista e dos mapas, os Belgas iriam se esquecer totalmentede nós. Outras questões saltaram à mente. Como iríamos comer se estávamos todos
  8. 8. dormindo? E nós não eventualmente morreríamos, como pessoas de idade morriam?Na verdade, a cura parecia pior do que o castigo original. Mas a cada pergunta sucessiva, Senhora Brooke apenas disse, "Isso é o porquêvocê nunca deve tocar um fuso." E é a noite antes do meu aniversário de dezesseis, e eu nunca toquei em umainda.
  9. 9. Capítulo 2 Amanhã é meu aniversário de dezesseis anos. Eu não acho que seja necessárioexplicar a agitação que essa ocasião causou no reino. Essa é uma grande ocasião. Cadaano no meu aniversário, convidados chegam de todo o mundo para celebrar — e elestrazem presentes! Diamantes da África, cristal da Irlanda, e queijo da Suíça. Claro, omeu décimo sexto aniversário é de especial importância. Há rumores de que um navionavegou em todo o mundo, coletando itens e pessoas para o meu prazer. Eles dizemque ele ainda visitou a colônia britânica no outro lado do mundo. Eu acredito que échamada de Virgínia. Mas mais do que convidados, mais até do que os presentes, é a esperança realde que todo esse negócio do fuso vai terminar hoje. Antes do seu aniversário dedezesseis anos. Isso é o que a bruxa Malvolia tinha dito. Então, amanhã, minha mãe emeu pai se alegrarão por ter concluído a tarefa hercúlea de manter sua filha estúpidalonge um objeto doméstico comum por dezesseis anos, e então eu posso viver a vidanormal de uma princesa comum. Eu estou pronta para isso. Não é apenas evitar o fuso que tinha dificultado minha vida até agora. Em vezdisso, por isso, eu tinha sido efetivamente desligada do mundo. Outras jovens donzelasda minha estação tinham viajado para França, Índia, e mesmo as florestas da Virginia.Mas eu não fui permitida nem de fazer a menor viagem para o reino mais perto, paraum que o povo desejasse me atacar com um fuso. No castelo, as tapeçarias parecemzombar de mim com suas fotos de lugares que eu nunca vi. Eu quase não sou permitidade ir para fora, e quando eu vou, é apenas sobre a chata companhia da chata SenhoraBrooke ou alguma igualmente monótona dama-de-companhia. Eu tenho quinze anos, eeu nunca tive um único amigo. Quem quer ser amigo de uma estranha que nunca viunada ou fez nada e é guardada dia e noite? Do mesmo modo, uma jovem princesa da minha idade teria normalmentedezenas de pretendentes pedindo pela mão dela. A beleza dela seria o assunto demúsicas e histórias. Duelos seriam brigados por ela. Ela podia ate causar uma guerra,se ela fosse bonita o suficiente, e eu sou. Mas apesar de falarem da minha beleza, falam muito, não houve nem umpedido para minha mão. Meu pai diz que é porque eu ainda sou nova, mas eu sei que éuma mentira. O motivo é a maldição. Qualquer príncipe sensato preferiria uma noiva
  10. 10. com sarda ou um nariz curvo que alguém como eu, a que vai entrar em coma emqualquer instante. Há uma batida na porta. Senhora Brooke! “Sua Alteza, os vestidos estãoprontos para visualização,” ela chama do lado de fora. Os vestidos! Eles foram preparados especialmente para amanhã. Vai ser amaior festa de todas. Os convidados vão chegar no palácio em carruagens ou no portoem navios. Vai haver um grande jantar a noite, e amanhã um baile com uma orquestrapara dançar e uma segunda orquestra para quando a primeira se cansar. Vai haverfogos de artifícios e garrafas de um vinho borbulhante especial feito por mongesbeneditinos na França, então uma semana de festas menores a seguir. Vai ser umfestival, um Festival da Talia. Eu vou estar no centro disso, claro, sendo cortejada portodos os príncipes e rajás, e antes que termine, eu vou ter me apaixonado — e vou terdezesseis, curada da maldição. “Sua alteza?” Senhora Brooke continuou a bater. Os vestidos — eu preciso de um para hoje à noite e vários para o baile deamanhã e uma dúzia ou mais para a semana que vem — têm que ser perfeitos. Eentão, meu pai vai falar com o alfaiate que desenhou o mais bonito e mandá-lo criarcinquenta ou mais para minha viagem de casamento pelo globo. Verdade seja dita, é a viagem, ao invés do casamento, que me atrai. Eu nãome importo de casar pelo capricho de outra pessoa. Mas é minha sorte na vida, e umacruz que eu tenho que suportar para ganhar a viagem de casamento. Eu estou maisque pronta para deixar Euphrasia, tendo sido presa aqui por dezesseis anos. E, claro,meu marido deve ser bonito, e um príncipe. Eu arremessei a porta aberta. “Bem? Onde eles estão?” Senhora Brooke fez um mapa do castelo. Eu o pego dela. Alguém tem que admirar a sua organização. Eu vejo agora queSenhora Brooke tinha marcado os quartos que vão ser usados para abrigar os nossosnumerosos convidados reais. Outros quartos estavam marcados com uma estrela. "Oque é isso?" “Na ocasião do seu ultimo aniversario, você disse para o seu pai, que naocasião desse aniversário, você iria querer o vestido mais perfeito de todo o mundo.Seu pai pegou esse pedido um pouco literalmente e mandou chamar alfaiates ecostureiras em todo o mundo. Lenços de seda da China foram colocados para essatarefa. Crianças foram tiradas de seus chalés e cabanas para girar, costurar e seremescravos, tudo pelo prazer da Princesa Talia de Euphrasia.”
  11. 11. “Muito bom, Senhora Brooke.” Eu sei que ela pensa que eu sou boba emimada. Eu não fui presenteada com inteligência? Eu também sei que esse não é ocaso. Como eu posso ser mimada quando eu nunca consegui fazer uma coisa que euqueria? Eu não pedi para aquelas crianças serem puxadas de seus berços paratrabalhar para mim, mas desde que elas tinham sido, não é apenas cortesia olhar paraos seus esforços e, esperançosamente, achar um ou dois vestidos que sejamaceitáveis? Posso já imaginar o vestido na qual eu devo fazer minha entrada no baile.Vai ser verde. "O mapa?" “Sim, o mapa. Foi pedido para cada alfaiate trazer suas vinte melhorescriações, todos nas suas exatas medidas. Seu pai acredita que você pode ficarconfundida, olhando para tantos vestidos de uma vez. Portanto, ele decretou que elescolocassem em vinte e cinco salas do castelo. Desse jeito, você pode vaguear,escolhendo enquanto você vai olhando." Vinte vestidos vezes vinte e cinco alfaiates! Quinhentos vestidos! Eu fiqueitonta. “É melhor a gente começar,” eu digo para Senhora Brooke. Começamos a caminhar pelo corredor de pedra. Os primeiros quartos estãono andar em cima de nós, e enquanto a gente subia a escada, Senhora Brooke diz,“Posso te perguntar o que você vai fazer com os vestidos que não encontrarem suaaprovação?" Essa era uma pergunta com um truque, eu sabia, como todas as perguntas daSenhora Brooke, destinadas a provar que eu sou uma pirralha horrível. Por que eu meimporto com o que Senhora Brooke pensa? Mas eu me importo, pelo tanto que eu adetesto, ela é minha única companhia, e a coisa mais perto que eu tenho de umaamiga. Então eu cansei meu cérebro para uma resposta aceitável. Dar para ela? Claroque não. Os vestidos foram feito exatamente para as minhas medidas, e SenhoraBrooke, que não foi abençoada com o presente da beleza, é uma desajeitada, meiacabeça maior que eu, e robusta. “Dar eles para os pobres?” eu digo. Quando ela franze a testa, eu penso denovo. “Ou, melhor ainda, fazer um leilão e dar o dinheiro ganhado para os pobres. Paracomida." Isso! Aquilo devia satisfazer a morcega velha! E talvez não. Pelo menos, ela esta quieta enquanto nós entramos no primeiroquarto. Uma pequena desaprovação é o melhor que eu posso esperar da SenhoraBrooke.
  12. 12. Vestidos cobriam as paredes, cobriam mesmo as janelas. Vinte deles, emdiferentes tecidos, diferentes formas, mas cada um deles azul! “Não foi comunicado para os alfaiates que meus olhos são verdes?” eupergunto para Senhora Brooke em um sussurro alto o suficiente para o alfaiate ouvir.Eu quero que ele ouça. De toda a estupidez! Ele escuta. “Você quer um vestido verde?” Ele tem um sotaque de algum tipo,e quando ele chega mais perto, vejo gotas de suor formando sobre sua testa. Eca. Eurealmente espero que ele tenha aparado o suor sobre seu trabalho, o que faria otecido cheirar. “Não todos verdes,” eu digo. “Mas eu não teria esperado todos azuis." “Azul, é a moda do ano,” o alfaiate suado diz. “Eu sou uma princesa. Eu não sigo modas—eu as faço.” “Eu tenho certeza que um dos vestidos azuis é aceitável.” Senhora Brooketenta acalmar as coisas com este camponês enquanto olha para mim “Talia, essehomem veio todo o caminho da Itália. Seus desenhos são os melhores do mundo.” “O que?” eu digo, querendo dizer, o que isso tem a ver comigo? “Eu disse... ah, esquece. Você não vai olhar para os vestidos agora? Porfavor?" Eu olho. Os vestidos são todos feios. Ou talvez não feios e sim chatos, combabados chatos. Chato, como tudo mais na minha vida. Ainda, eu consegui sorrir entãonão receberia outro discurso da Senhora Brooke. “Adoráveis, obrigado.” “Você gosta?” ele entra no meu caminho. Eu não teria dito se eu gostasse? Mas eu disso para ele, "Eu vou pensar sobreisso. Essa é o primeiro quarto que eu visitei." Isso parece satisfazê-lo. Pelo menos, ele tira seu suor fora do meu caminho, eeu sou posso passar para o próximo quarto. Esse quarto e os próximos dois são um pouco melhor. Eu achei um vestido,um rosa, que deve ser aceitável para um evento menor como piquenique na sexta,algum evento que eu não me importaria de parecer com a sobremesa, mas nada paravestir na Noite Mais Importante da Minha Vida.
  13. 13. “Talia?” Senhora Brooke diz depois do terceiro quarto. “Talvez se você dermais que uma olhada superficial—” “Talvez se eles não fossem todos tão horríveis!” Eu estou devastada e ferida, eSenhora Brooke não entende. Como ela poderia? Quando ela era mais nova, ela podiair fazer compras e escolher a própria roupa, mesma fazer elas se ela gostasse. Eu nuncavou ser normal, mas tirando isso, eu gostaria de ser anormal em um lindo vestidoverde sem frescuras demais. “Aqui esta um verde,” Senhora Brooke diz no próximo quarto. Eu olho ameaçadoramente para ele. Os babados atingiriam meu nariz. "Issoserviria... para minha avó." “Os babados podem ser removidos?” Senhora Brooke pergunta para oalfaiate. “Você pode criar um vestido que não é inteiramente horrível?" eu acrescentei. “Talia...” “Não é nada mais que a verdade." “Pardonez moi,” o alfaiate diz. “O vestido, eu posso consertá-lo.” “Non, merci,” eu digo, e saio da sala. Na próxima, eu espio um veludo lavanda com um decote em formato decoração. Eu levanto a mão para tocar o tecido suave. “Bonito, não é?” Senhora Brooke pergunta. Eu puxo minha mãe de volta. Estou completamente farta da Senhora Brooke evestidos e minha vida. Eu tenho certeza que ela me despreza também e, de repente, acompanhia de mesmo Malvolia parece preferível à da detestável Senhora Brooke. “Você tem algo melhor?” “Talia, você esta sendo terrível.” “Eu estou sendo sincera, e eu agradeceria se você lembrasse que você está aserviço do meu pai." “Eu sei. Isso não seria o caso, por eu estar envergonhada de estar em suapresença quando você esta se comportando como uma horrível pirralha."
  14. 14. Ela diz isso com um sorriso. O alfaiate, também, sorri estupidamente. Eu oencaro. “Há alguns vestidos que são menos propensos de me fazer vomitar do queesse?" O homem continua a sorrir e acena. “Ele não fala inglês,” eu digo. “Então por que você se importa do que eu falopara ele?" “Eu me importo porque eu sou forçada a ouvir você. Você ficou mais e maisinsolente nas semanas recentes. Eu estou com vergonha de você." Ela acena e sorri. Eu sinto algo como lágrimas brotando dos meus olhos. Senhora Brooke meodeia, embora ela seja obrigada a gostar de mim. Provavelmente todos os outros meodeiam, também, e meramente fingem por causa de papai. Mas eu seguro as lágrimasde volta. Princesas não choram. “Então por que não me deixa sozinha?” Eu pergunto, sorrindo como eu fuitreinada. "Por que ninguém nunca me deixa por um pequeno, solitário momento?" “Minhas ordens—” “Onde estão suas ordens para gritar para mim e me chamar de pirralha?" Eucomecei a andar para trás e para frente como um animal enjaulado. Eu sou um animalenjaulado. “Amanhã eu vou ter dezesseis. Meninas camponesas da minha idade estãocasadas com dois ou três bebês, e eu ainda não sou permitida andar por um corredordo meu próprio castelo sem supervisão." “A maldição—” “Você nem mesmo acredita na maldição! E ainda isso se tornou verdadeiro,não a parte do fuso, mas a morte... eu estou vivendo minha morte, pouco a pouco,cada dia. E quando eu tiver dezesseis e a maldição acabar, eu devo ser dada para ummarido que outra pessoa escolheu, que vai me dizer o que fazer e dizer e comer evestir para o resto da minha vida. Eu posso apenas rezar para ele ser pequeno, rezarpara a independência abençoada da sepultura. Eu vou sempre estar embaixo dasordens de alguém." Eu comecei a chorar de qualquer jeito, soluçar. Quão diferença issofaz? “Eu não posso simplesmente andar por um corredor sozinha?" Por tudo isso, o alfaiate sorri e acena. A expressão da Senhora Brooke amolece. “Eu suponho que vai estar tudocerto. Depois de tudo, os alfaiates foram exaustivamente revistados e as regelações dofuso explicadas para eles."
  15. 15. “Claro que eles foram.” Eu suspiro. Senhora Brooke vira para o homem e fala com ele em francês. “Obrigado!” eu soluço. Eu aponto para o vestido lavanda e digo, em francês,"É bonito! Eu devo pegar aquele, e aquele também." Eu aponto para um cetimescarlate encantador com um decote largo nos ombros em um estilo Rainha Mary daInglaterra, um vestido que eu tinha propositalmente ignorado antes, que agora pareciabem atraente. “Muito bem.” Senhora Brooke me dá o mapa. "Apenas aponte para o quevocê quer, então eles vão separar." Eu acenei e peguei o papel dela. Eu estou livre — pelo menos por uma hora!
  16. 16. Capítulo 3 Livre do estorvo que é a Senhora Brooke, eu pulei bastante pelos corredoresde pedra. Gostaria de rodar dos candelabros, eu poderia alcançá-los, mas eu mecontentei com pular em volta a eles. Minha vida não é menos horrível do que antes,mas pelo menos não há nenhuma Senhora Brooke rígida para observar o quanto éhorrível. Em pouco tempo, escolhi cinco vestidos, nenhum azul, mas nenhumsuficientemente especial para a minha entrada triunfal no meu baile de aniversário.Embora um seja verde, ele não corresponde exatamente o tom dos meus olhos. "Ele vai parecer encantador em você," diz o alfaiate, que é de Inglaterra. Claro que ele pensa assim. Eu sei o que ele esta pensando. Tendo seu vestidousado por uma princesa em uma ocasião de tanta importância, vai aumentar a suafama. Para o resto de sua vida, ele poderia chamar-se "Alfaiate de Talia, Princesa deEuphrasia". Mas seu aprendiz diz, "De fato. Pode não ser o mesmo tom de seus olhosnotáveis, mas ele vai destacá-los." O alfaiate o calou rapidamente, para que a desgraça do menino não caia sobreambos por falar assim com uma princesa. Mas eu virei para ele e sorri. Ele é da minhaidade, não mais, talvez o filho do alfaiate. E — Eu acho difícil não notar — ele é bonito.Para um plebeu. Seus olhos são da cor de centúrias. "Você acha?" Ele olha para baixo, corando. "Eu não pretendia desrespeitar, Alteza. Mas sim.Ele irá parecer encantador em você, como seria qualquer vestido." Eu imaginei como seria ser uma garota comum, que poderia flertar com umaprendiz de alfaiate tão bonito com impunidade. Ou, melhor ainda, ser o aprendiz, serum garoto, tão jovem, ainda viajando para longe de casa. E aprender alguma coisacomo fazer um vestido. Em toda minha vida, eu nunca criei nada, nunca fiz nada quenão sejam figuras bobas de flores para o meu mestre de arte, Signor Maratti. Meu paipendurou-as no seu quarto, onde elas não seriam vistas por ninguém. É o suficiente seruma princesa, quando ser uma princesa não significa nada?
  17. 17. Eu acenei e virei relutantemente para o alfaiate velho. “Eu vou usar ele para ojantar dessa noite. Muitas mulheres nobres vão estar presentes, e se elascumprimentarem meu vestido, eu vou falar para elas seu nome." Eu comecei a ir para a porta. O alfaiate se curvou, mas o garoto não se moveu.Ele estava me encarando, encantado com a minha beleza. Eu tenho a sensação decalafrios pelo meu braço. Claro que ele pensa que eu sou bonita, mas eu gosto que eleme veja. Eu imagino se vai ser assim quando eu encontrar meu príncipe. Talvez nãoseja tão ruim. Cinco quartos mais, então dez, e ainda o vestido que eu desejava não foiencontrado. Parecia uma tarefa pequena, com certeza um dos melhores alfaiates domundo deveria ser capaz de realizar. E ainda eles não tinham feito. Eu suspiro. Talvezeu vista o vestido do alfaiate Inglês para o baile depois de tudo. Eu alcanço o final do corredor. Eu nunca estive nessa parte do castelo antes.Incrível. Esses quartos quase não foram usados, mas certamente uma criança - umacriança normal - teria explorado todos os quartos alguma vez. Mas eu não fui umacriança normal. Eu espio uma escada nas sombras. Essa não é a escada que eu estouacostumada a usar para chegar no quarto andar, e quando eu checo o mapa daSenhora Brooke, eu vejo que ela não foi incluída. Que estranho. Eu sou preenchidacom uma súbita necessidade de correr seus degraus, até deslizar pelo corrimão. Masisso é bobo, e se eu fizer isso, eu vou estar atrasada. E então Senhora Brooke vai vimprocurar por mim. Eu viro de volta para o corredor. De repente, eu escuto uma voz. Era uma moça e seu amante, Com um ei, e um ho, E um Hey Nonny não... Um amante. Na primavera, o único tempo realmente bonito... A voz de uma mulher, cantando. Extasiada, quase, eu começo a subir a escada. Quando os pássaros cantam, Hey ding um ding, ding! Amantes doces amam a primavera!No topo das escadas, há uma porta aberta. Eu paro. Não há nenhum alfaiate. Eu sabiaque não haveria. Mas ao invés, há uma mulher velha sentando sobre um banco. Eu não
  18. 18. vejo o que ela esta fazendo, pois ela esta rodeada de vestidos, tantos vestidos, muitomais que vinte. Mas essa não é a coisa notável. Cada um e todos os vestidos são exatamente o mesmo tom de verde dosmeus olhos. “Lindos!” O grito vem de mim espontaneamente. Eu corro para o quarto. “Boa tarde, Sua Alteza." A velha mulher começa a tentar levantar da cadeiracom muito esforço. Ela começa a reverência. “Oh, por favor, não!” eu digo. Ela é, depois de tudo, muito velha. “Ah, mas eu devo. Você é uma princesa, e respeito deve ser concedido emcertas posições. Aqueles que não prestam atenção vão pagar o preço." Ela esta quase no chão, e eu imagino quanto tempo vai demorar para ela seendireitar. Ainda, eu digo, “Muito bem.” Eu desejo por um segundo — mas apenas umsegundo — que Senhora Brooke estivesse aqui então ela poderia ver como eu segui asinstruções dela sobre não argumentar com os mais velhos. Eu dou um passo para trás para estudar os vestidos. Parece que lá há todos osestilos e todos os tecidos: cetim, veludo, brocado de todos os desenhos, e um tecidoluminoso que eu nunca tinha visto antes, que vai flutuar atrás de mim como umanuvem de borboletas. Finalmente, a mulher se levanta. “Você gostou de alguma coisa?” Eu tinha quase esquecido que ela estava lá, de tão encantada que eu estavacom os vestidos. Eu suspiro. “Sim, eu gostei de tudo! São todos perfeitos.” Ela riu. “Eu estou honrada que você acredita que sim. Porque você vê, eu soude Euphrasia. Eu vi você por toda sua vida, Sua Alteza, e eu me imaginei que eu saberiamelhor que qualquer estrangeiro o desenho que serviria para minha própria princesa." “Certamente.” Tento lembrar se eu já a vi antes, talvez no meio da multidãoem um desfile. Mas por que eu teria percebido uma velha mulher que parece tantocomo qualquer outra? Apenas os olhos dela são incomuns. Eles não estavam vidradoscom uma película da cor branca, como tantas outras pessoas muito velhas estão. Aoinvés, eles são vivos, pretos e brilhantes como um corvo. “Você tem um favorito em especial?” ela pergunta.
  19. 19. “Esse.” Eu começo a chegar mais perto do vestido leve. "Eu devo rivalizar asfadas com esse!" “É meu favorito também. Você se importa, Sua Alteza, se eu me sentar? Eu seique não é o jeito correto, mas eu estou um pouco velha, e meus joelhos não são o queeles foram quando eu era uma jovem mulher como você, dançando em festivais." “Claro.” Eu estou inundada de gratidão com essa estranha que sabe o que euquero, que me entende como meu pai e minha mãe e a miserável Senhora Brooky não.Eu aproximo o vestido. A velha mulher tinha resolvido voltar para seu banquinho ecomeçou uma espécie de bordado. Há uma engenhoca em sua mão, alguma coisa queparece com o topo que a crianças brincam. Está quase coberto de lã que foi pintadoem um profundo rosa. “O que é isso?” eu pergunto para ela. “Oh, é a minha costura. Eu faço o meu próprio segmento. Quer tentar?” Costura? Eu chego mais perto. A engenhoca é um pedaço de madeiraponderada no final com uma espiral de madeira escura. Um gancho segura o fio nolugar, e quando o segmento esta terminado, isso gira em volta do pedaço de madeiraem baixo da espiral, para ser usado para costura. Há uma quantidade de lã inacabadado topo. “Oh, eu não deveria." “Claro que não. Eu errei. Seria inadmissível para uma jovem moça como vocêfazer vestidos. Você nasceu apenas para vesti-los. Almas humildes como eu foramfeitas para criar." Eu acenei, me aproximando dos vestidos de novo. “Só...” “O que é isso?” eu estou tocando o tecido, mas eu olho de volta para ela. “Eles dizem que isso é sorte. Foi dado para mim pela minha mãe e a mão delaantes dela, e todos que entram em contado com ele tem direito a um desejo." “Um desejo?” Eu sei que a Senhora Brooke diria no assunto. Seuspensamentos com desejos são muito parecidos com seus pensamentos em mágica.Superstição é o oposto de Deus. Ainda, eu digo, “Você alguma vez já desejou algo?” “Sim.” Ela acena. “Eu tenho desejado na verdade, quando eu era mais jovem.Eu desejava uma vida longa."
  20. 20. Eu a encarei. Seu rosto é como seda amassada, e o cabelo dela da cor de umpapel. “Há quanto tempo foi isso?” “Quando eu tinha sua idade, quinze. Perto de duzentos anos." Eu me sobressalto, mas a velha mulher segura meu olhar. “O que você deseja, Sua Alteza? Eu sei que você deve ter desejos, presa comovocê esta no castelo, desejando casar-se apenas para sair, não ousando ter esperançasde liberdade." Sua voz é quase hipnótica. “Não tenha medo. O que você deseja?” Minha liberdade. Ou amor. Ou...viajar. Eu desejo viajar pelo mundo, não seruma princesa presa em uma existência protegida, mas uma garota humana.Pensamento bobo. Eu não posso fazer isso. “Eu acho...” eu digo, “eu vou tentar.” Ela acena e se move para o lado para dar espaço para mim no banco. Omovimento dela é menos trabalhoso do que antes. Ela bate no espaço ao lado dela.“Sente, Princesa.” Ela me entrega o objeto, primeiro o pedaço de madeira. “Esse nasua mão esquerda. Então tome o segmento na sua esquerda, e gire no sentido horário.Quando a linha começar a girar, você faz seu desejo." Eu pego a madeira. Eu estou distraída, pensando no meu desejo, minhaliberdade, em ver o mundo. Quando eu alcanço a linha, eu sinto uma pontada de dorno meu dedo. O gancho no final tinha perfurado o meu dedo anular esquerdo. Quandoeu olho para baixo, eu vejo uma gota de carmesim na minha saia. Sangue. É só então que eu percebo qual objeto é. Um fuso. A princesa deve picar o dedo em um fuso. Eu escuto a risada da velha mulher enquanto eu começo a afundar. Malvolia! Meu último pensamento quando eu bato no chão foi, Eu deveria ter escutadoa Senhora Brooke.
  21. 21. Parte 2 Jack
  22. 22. Capítulo 1 O que não te dizem sobre a Europa é como ela é completamente idiota. Eu deveria ter imaginado, no entanto. Foi ideia dos meus pais. Eles não sãoexatamente famosos por suas ideias legais. Eles me mandaram para esse tour naEuropa, supostamente para minha educação, mas na verdade era só para me tirar dopé deles por um mês, enquanto simultaneamente eles podem dizer para os amigosdeles que "Jack está em um tour pela Europa, pegando algo interessante para escrevernas redações de faculdade." Uma dolorosa confissão aqui: eu não me importava totalmente porque minhanamorada, Amber, me deixou como lixo de gato do ano passado quando algum cara defaculdade a chamou pra sair. Pelo menos estando aqui me impede de vê-la com essecara de novo, e também me forçava a parecer como se eu tivesse algum orgulho e nãoligava para ela. E quem sabe? Talvez eu conheça alguém. Eu estava imaginando clubes com nobreza Eurotrash, montando em Vespas,descansando em cafés franceses e tavernas gregas, e, claro, um topless ocasional napraia (embora seja um fato bem conhecido que as mulheres europeias não são grandesfãs de raspar um, uma, área peculiar — eu planejava olhar para outro lugar). Eu penseique, pelo menos, haveria alguns jardins legais, algo do lado de fora. Eu nunca imagineia merda que estava para experimentar - um grande ônibus de turismo que ia paratodos os museus que ofereciam uma taxa de grupo. Em Miami, de onde eu sou, nóstemos, talvez, cinco museus, se você contar o zoológico. Aqui na Europa, cada cidadepequena tem uns dez ou vinte. O ônibus para em frente ao um museu e deixa a gentesair. Nossa guia turística, Mindy, tem esta pequena bandeira azul-e-branca com umaimagem de um pássaro, o que faz andar atrás dela ser o máximo da humilhação. Elaanda atrás de qualquer grande obra de arte pela qual o museu seja famoso. Osgrosseirões reunidos olhavam abobados por dois minutos inteiros. Então isso paravapara ir à loja para gastar os nossos Euros em coisas que eu não pagaria nem doiscentavos se fosse em Walgreens de volta para casa. Não esta fazendo algo para tirar minha mente de Amber. Pelo menos meu amigo Travis está aqui. Acho que os pais dele queriam selivrar dele, também. Eu nem mesmo sei em que país nós estamos agora. Um daquelesidiotas sobre os quais você não aprende muito em geografia, como a Bélgica, ou talvezum daqueles com "L". Eu não presto muita atenção em Mindy, mas ontem eu a ouvi
  23. 23. dizer a palavra mágica: costa. Nós estamos perto da praia. Foi quando eu comecei aformular meu plano. Eu balancei Travis para ele acordar. “O quê... que horas são?” “Cinco e trinta, homem.” “Da manhã?” “Não, da noite. É quase a hora do jantar.” Aquilo o levanta. Mas quando ele vê como está escuro, ele se enterra de voltana cama. “Ainda está escuro.” Não posso contar para nada com Travis, pelo menos não quando comida oudormir estão envolvidos. “Tudo bem, eu menti. Mas eu preciso sair desse Tour dos Malditos e medivertir um pouco. Que não vai acontecer a não ser que a gente consiga fugir doencontro das sete horas." “Sabe o que poderia ser divertido?” “O que, Trav?” Eu estou esperando que talvez ele tenha algumas ideias, desdeque eu sei que seus pais o amarraram nesse Tour, igual os meus. “Dormir.” “Não é como se eles fossem deixar você dormir, de qualquer jeito. Logo elesvão bater na porta, dizendo para ficarmos prontos. Desse jeito, você pode dormirquando chegarmos na praia." “Praia?” Em casa em Miami, Travis é um verdadeiro deus do sol. Agora ele está da corde marshmallows. “Claro, a praia. Pense nisso, Travis. Garotas francesas fazendo topless.” “Nós não estamos na França.” “Tudo bem, garotas Alemãs fazendo topless. Isso faz diferença?”
  24. 24. “Vai ter comida lá?” “Claro. Tem um café do outro lado da rua. Nós vamos pegar o café da manhã ealguns sanduíches, mas primeiro a gente tem que sair daqui.” Finalmente, eu consegui tirá-lo da cama. Eu na verdade meio que queria olharesse Jardim Botânico Nacional da Bélgica (Bélgica! É onde a gente esta!) que a gentepassou no caminho para o Museu Número Três. Eu pude ver essa gigante sequoia daestrada. Claro, a gente não teve tempo de olhar para isso. Mas eu sabia que era maisprovável Travis ir à praia comigo. Pelo menos não é outro museu de arte poeirento, etalvez a gente possa parar no jardim no caminho de volta. Eu arrastei Travis para a portaria para pedir orientações. “Você não poderia ter feito isso enquanto eu estava me preparando?" Travisperguntou. “Você teria voltado a dormir.” “Você sabe, algumas vezes é como se você trabalhasse em ser umpreguiçoso.” “Eu prefiro não gastar meu verão trabalhando em nada.” Nós tivemos que ficar lá por um tempo, enquanto o cara da portaria passa otempo com o recepcionista. Se ele não vier logo aqui, Mindy pode pegar a gente. “Ei, uma ajudinha aqui...” Eu olhei para a plaqueta dele. “Jacks?” Ele ignora a gente. “Ei! Você não quer tomar tempo da nossa agenda ocupada.” Quando ele finalmente percebe que nós não estamos indo embora, ele vem. “Qual é o caminho para a praia, Jacks?” eu pergunto. “É Jacques.” Ele me dá aquele olhar especial que os porteiros dos hotéissempre dão quando eles percebem que você é Americano ou que você não fala alíngua deles, como se ele tivesse comido uma salada niçoise ruim. Como se eu tivesseque falar todas as línguas da Europa. Eu tive espanhol na aula. Claro, nós nãoestivemos na Espanha ainda. Pelo menos, eu acho que não estivemos. “A praia?” Eu repito. “La playa?” “Le plage,” Travis tenta.
  25. 25. “Ah, oui. La plage.” Nós apertamos um botão mágico, e de repente o porteiroé nosso melhor amigo e agora fala inglês perfeitamente. “O ônibus sai às nove etrinta.” “Nós não podemos esperar até as nove e trinta, Jacks.” Jacques encolhe os ombros. “É quando ele sai.” Se tivermos que esperar até as nove e trinta, nós vamos ser pegos, e eu vouser colocado em outro museu. Minha namorada me chutou, minha viagem de verãoestá arruinada, e esse cara não pode nem mesmo me ajudar a ter um dia decente? Nãoé, tipo, o trabalho dele ser útil? “Há outro ônibus, talvez? Esse é, tipo, o país maisidiota da Europa?" Travis me da uma cotovelada. "Jack, você vai deixar ele com raiva." “Quem se importa? Ele não me entende, de qualquer jeito. Todo mundo nessepaís é—” “Ah, você esta certo, monsieur,” Jacques interrompe, “e eu estou errado. Euacabei de lembrar que há outro ônibus, uma rota diferente. Uma praia diferente." Eu dei a Travis um olhar tipo, viu? “Você poderia escrever isso para nós?" Travis pergunta. “Por favor?” “Mas é claro.” O porteiro nos dá os horários de ônibus e circula as horas e as rotas. “Vocêdeverá sair daqui e então andar para o leste." Ele esboça um mapa. Parece um poucocomplicado, mas pelo menos o ônibus sai em vinte minutos. “Obrigado,” Travis diz. “Escuta, tem algum lugar para conseguir sanduíches?” Meu celular toca. Eu olho o número: Mindy, procurando por nós. Eu agarro obraço de Travis. "A gente tem que ir." “Mas eu estou com fome.” “Mais tarde.” Eu o puxo para longe. “Obrigado,” ele grita para Jacques. “Vejo você mais tarde.” Jacques acena, e ele está na verdade sorrindo. Ele diz alguma coisa que soacomo "Eu duvido disso," mas é provavelmente apenas alguma frase francesa esquisita.Eu puxo Travis para a porta bem na hora que eu vejo Mindy saindo do elevador.
  26. 26. Com sorte, ela já esta andando para trás e não vê a gente.
  27. 27. Capítulo 2 “Que bom que a gente pegou a comida primeiro,” Travis diz no ônibus. “Sim, você mencionou isso.” Na verdade, Travis tinha mencionado aquilo sete vezes, uma vez a cada dezminutos que nós passamos neste ônibus. “Mas isso é uma boa coisa. De outra maneira, nós estaríamos morrendo defome. Na verdade, eu estou pensando em pegar um dos sanduíches agora." Travis trouxe sanduíches e cerveja suficiente (a idade legal para beber aqui édezesseis!) para uma família de quatro por uma semana. Ele também comeu umaomelete de quatro ovos, uma pilha de panquecas, e dez tiras de bacon (a garçonetechamou isso de "Café da manhã americano"). Extra, desde que ele pegou isso paraviagem, ele na verdade terminou de comer mais ou menos vinte minutos atrás. “Esqueça a comida por um minuto. A viagem desse ônibus não parece umpouco longa para você? Eu quero dizer, esse é um país pequeno. Eu trouxe meupassaporte, mas eu não estava planejando usá-lo." “É longa,” Travis concorda, olhando para a sacola com os sanduíches. Eu a pego e mantenho fechada, então ele tem que me ouvir. “E não está indo — eu não sei - meio que na direção oposta do caminho quevocê tinha pensando que a praia estaria?" “O cara disse que era uma praia diferente, mas talvez ele tenha mentido.” “Eu acho que aquele bagunçou com a gente de propósito.” “Você disse que o país dele era idiota." “É idiota. Então você acha que nós estamos indo para o caminho erradotambém?” “Talvez.” Trav está olhando para a sacola com os sanduíches. “É difícil pensardireito quando você esta com fome.” Eu estou quase dando o sanduíche para ele, apenas assim eu posso pensar,quando o motorista do ônibus anuncia que nós chegamos à parada do Jacques.
  28. 28. “Finalmente. Hora de sair.” “Isso significa que eu não posso ter meu sanduíche?” “Pense em quão bom vai ser o gosto quando você estiver sentando na praia."Vinte minutos mais tarde, não apenas não encontramos a praia, como também nemmesmo encontramos a primeira rua que Jacques escreveu no mapa dele. “Isso diz para andar três quarteirões, então virar em St. Germain,” Travis diz.“Mas isso foi mais de três quarteirões. Foi tipo, seis. Talvez nós devêssemos voltar.” Eu estou quase concordando quando eu vejo uma rua chamada St. Germain.“Tem que ser essa.” Mas a outra rua não está onde deveria estar, também, mesmo quando nós játínhamos andado três vezes tão longe quanto o mapa dizia. "Talvez você esteja certo,”eu digo. Quando nos viramos, nada parece do jeito que era no começo. No começo,havia casa e lojas e bicicletas. Agora não há nada a não ser árvores e, bem... naturezaem todos os lugares que eu olho. “O que aconteceu?” eu digo. “Com o que?” Travis está mastigando um sanduíche. “Com tudo — a cidade, as pessoas?” Travis limpa a boca dele na manga. “Eu não percebi.” Eu vejo uma pequena estrada suja que eu não tinha visto antes. Eu me viropara ela, gesticulando para Travis me seguir. “Vamos.” Mas isso não é onde nós estávamos antes, também. É como se tudo tivessedesaparecido para dentro de uma névoa. Travis não tinha percebido, até por que eleestava em sua própria névoa, criada pelo sanduíche. Mas então nós entramos em algoque ele não podia ignorar. Uma parede sólida de silvas. “Agora o quê?” eu digo. “Voltar.”
  29. 29. Voltar para onde? Nós estamos perdidos. Isso não é onde estávamos antes.Além do mais, olhe.” Eu gesticulei em volta de mim. “Toda essa coisa natural. EmMiami, se você tivesse toda essa natureza em volta, você estaria definitivamente pertoda praia." Na verdade, a cerca parecia muito com os espinheiros de Miami. Tinha floresfúcsias um pouco como as buganvílias que crescem lá. A coisa estranha é que essadeve ter cerca de três ou quatro andares de altura. “Então onde está a praia?” Travis pergunta. Eu encolho os ombros. “Não lá atrás.” “Mas essa estrada é um beco sem saída." “Eu sei. Mas escuta.” Eu coloco minha mão no meu ouvido. "O que vocêouve?” “Mastigação,” Travis diz. “Bem, pare de mastigar.” Travis termina a última mordida. “Tudo bem.” “Agora, o que você ouve?” Travis ouve realmente cuidadoso. “Eu não escuto nada.” “Exatamente. O que significa que não deve ter nada do outro lado dessa cerca— nenhuma cidade, nenhum carro, só nada. A praia." “Então você esta dizendo que quer ir através da cerca?" “O que nós temos a perder?” “Que tal sangue? Aqueles arbustos parecem espinhosos.” É verdade. Mas eu digo, "Não seja um covarde.” “Posso ter outro sanduíche pelo menos?” Eu pego a sacola dele. "Depois da cerca.”Quinze minutos depois, não há nada em qualquer lado a não ser silvas.
  30. 30. “Eu aposto que eu pareço uma vitima em um filme de terror,” Travis diz. “Qualé a palavra francesa para serra elétrica?" “Não é tão ruim assim. As flores meio que cheiram bem.” Eu inalei. “Certo. Você fica e cheira as flores. Eu estou voltando.” Eu agarro o pulso dele. “Por favor, Trav. Eu quero ir pra praia. Eu não possoaguentar outro dia do tour.” Ele puxa para longe. “E qual é a grande coisa? Meus pais vão me perguntar oque eu fiz hoje.” “Essa é a coisa. Meus pais não. Eles não vão me perguntar o que eu fiz nasemana passada. Eles não se importam com o que eu estou fazendo. E eu odeio ir paratodos esses museus estúpidos. Olhar para toda aquela arte chata faz minha mentevagar, e quando minha mente vaga, tudo que eu posso pensar é em Amber beijandoaquele cara da fraternidade.” Traviz parou de puxar. “Uau. Isso realmente te acertou forte, ein?” “Sim.” Eu achei que eu estava apenas fazendo drama para Trav fazer o que euqueria, mas eu tenho esse tipo de sentimento doentio no meu estômago. Eu estoudizendo a verdade. Meus pais não tinham ligado em duas semanas, exceto uma vezpara me perguntar se eu tinha me inscrito para o AP Government* no próximo ano daescola, e essa viagem não está ajudando em nada para me fazer esquecer de Amber.Eu vejo o rosto dela em todas as pinturas em todos os museus — especialmente aquelecara Degas, que pintava garotas sem rosto e tudo. Eu não posso ficar longe dela. “Sim.Eu apenas quero ir para a praia por um dia. Eu preciso estar ao ar livre.” *É um curso,que tem os melhores professores no mundo, que se você quiser ser alguém tem quefazer... “Tudo bem, amigo. Apenas se você for à frente.” Então eu fui à frente, pegando todos os espinhos das silvas por outros vinteminutos — vinte minutos em que eu não penso nos meus pais ou em Amber, masapenas no fato que se eu perder muito sangue, não vai haver ninguém aqui paraajudar. Quando nós finalmente chegamos do outro lado, eu paro. “Uau,” eu digo. “O que é?” Travis ainda está atrás de mim. “Definitivamente não é a praia.”
  31. 31. Capítulo 3 Quando eu era criança, na época em que a minha família ainda fingia gostarum do outro, nós fizemos uma viagem para Colonial Williamsburg. É esse lugar ondetudo é como os tempos coloniais — cavalos e charretes em ruas não pavimentadas. Hácoisas como lojas de ferreiro, também. Minha irmã, Meryl, e eu nos divertíamos comos empregados porque se você perguntar coisas para eles tipo qual é o caminho para aStarbucks, eles agem como se não soubessem do que você está falando. Mas isso ficouestranho depois de um tempo. Você imagina se eles seriamente não sabem que isso éo século vinte e um. Eu estava pronto para ir para casa no final do dia. O lugar do outro lado da cerca era desse tipo. Quero dizer, não apenas velho.Quase tudo na Europa é velho e está caindo aos pedaços e é presunçoso, mas esselugar leva preservação da historia para um nível totalmente novo. “Você acha que isso é, tipo, um parque temático?” eu digo para Travis. “Não há ninguém aqui.” “Talvez apenas não esta aberto ainda. Ou fechado. Hoje é sábado?” As ruas não são pavimentadas, e mesmo se elas fossem, elas são apenaslargas o suficiente para acomodar um daqueles pequenos carros europeus. Mas otransporte aqui são cavalos, julgando por quantos estão amarrados em postes,dormindo. Não há um Mcdonalds ou uma Gap em lugar nenhum, apenas um prédiocom CERVEJARIA escrito numa letra fora de moda, descascando. E as plantas pareciamruins. Algumas estão grandes demais, mas muita coisa está nua, como se a gramativesse morrido anos atrás. “Definitivamente não é a praia.” Travis começa se passar pelas silvas. As silvas se instalaram na forma em que estavam antes de nós passamos porelas. Eu não quero passar por esses arbustos novamente. Travis deve pensar a mesma coisa porque ele da um passo para trás. “Talvez agente devesse almoçar primeiro.” Algo sobre esse lugar está realmente me deixando esquisito. “Vamos esperarum pouco. Quem sabe quando tempo vai demorar para voltarmos para a civilização... esanduíches.”
  32. 32. Travis pensa sobre isso e fica com esse olhar preocupado em seu rosto. “Tudobem. Então nós deveríamos sair daqui." Ela começa a se empurrar pelas silvas de novo. “Espera! Talvez nós devêssemos começar procurando por um caminhodiferente ou pelo menos ver se alguém por aqui tem uma serra." “Você vê alguém aqui?” “Há cavalos. E eles estão amarrados. Isso significa que há pessoas em algumlugar.” A coisa estranha é que, eu meio que quero olhar em volta um pouco. Esse lugaré mais legal que qualquer outra coisa que eu vi nessa viagem. Pelo menos está do ladode fora, e Mindy não está nos dizendo o que pensar. “Nós deveríamos procurar poreles.” Travis olha em volta. “Se há pessoas aqui, eles não gostam de aparar ecapinar. Mas se você diz...” “Eu digo.” Ele encolhe os ombros mas me segue. Nós andamos pela rua, o que naverdade é mais um caminho com ervas daninhas e outras coisas que crescem emambos os lados. Eu aponto para a cervejaria. "Vamos tentar lá." Ele acena. “Não parece o tipo de lugar onde tem cartão." A cervejaria tem degraus na frente. Quando eu coloco meu pé em um, eleguincha e se move em baixo de mim. Eu piso em um melhor, menos podre, masmesmo assim, ele agita e treme. “Isso é realmente estranho, Jack. Você acha que talvez toda a cidade morreuou alguma coisa, e não há nada a não ser um bando de corpos mortos?" Eu lembro quando a nós fomos para o Colonial Williamsburg, eles noscontaram todas as doenças que as pessoas pegavam nesses dias, tipo febre amarela,peste negra, escarlatina. Meryl e eu brincávamos que todas as doenças antigas soavamrealmente coloridas. Mas agora é meio que estranho pensando sobre algumas doençaspegando toda a cidade. Talvez Travis esteja certo, não necessariamente que todomundo morreu, mas talvez muitos tivessem morrido e o resto decidiu sair do lugar. Mas eu digo, “Isso é estúpido. Não há nenhuma cidade abandonada naEuropa. Se houvesse, alguém teria tornado ela em um museu. Eles teriam ampliado asruas e trariam pessoas aqui em ônibus cheios e torturariam crianças em tours." “Eu acho que você está certo.”
  33. 33. “Claro que eu estou.” E para provar quão certo eu estou, eu ando para a porta. Mas eu ainda nãoconsegui entrar, então eu olho pela janela. É fácil porque não há nenhum vidro nela, eeu lembro que um monte de lugares não tinham vidros nas janelas antigamente,apenas persianas para puxar para baixo à noite se ficasse frio. Eu não posso ver muito.Não há nenhuma luz dentro e nada se movendo. Nós ficamos lá por tanto tempo queeu estava quase esperando alguém - possivelmente um fantasma - vim atrás de nós eperguntar o que estávamos fazendo aqui. Então, quando Travis diz, “Vamos!” Eu puleiquase um metro. Ele ri. “Não está com medo de corpos mortos, ein?” “Não.” Eu empurro a porta aberta. A sala é escura. Há lanternas, mas nenhuma está ligada. Mesmo assim, eu vejoque há pessoas lá, sentando em bancos no bar, mas eles estão realmente quietos.Nenhuma música, nenhuma risada, nenhuma conversa, e quando minhas pupilasfinalmente dilatam, eu percebo que as pessoas não estão se movendo, como se elesestivessem mortos. Mas eles não podem estar mortos. Se eles morreram a muito tempo atráscom alguma praga ou massacre, os cavalos deles não estariam ainda amarrados lá fora,e eles teriam sido reduzidos a esqueletos. A menos que eles tenham sido mumificados. Eu vi esse filme uma vez que essecara matava alguém. Ele mumificou o corpo dela e a sentou em uma janela no alto.Você não podia falar a diferença a menos que você visse o rosto dela. Eu dei uma respiração profunda e soltei bem devagar, me preparando paraandar em volta e olhar para o rosto deles. Então é quando isso acontece. Um deles ronca. “O que foi isso?” Travis diz. Ele está abraçando a porta. “Isso perece como um ronco.” “Um ronco? Como se eles estivessem dormindo? Todos eles?” “Eu acho que sim.” Eu ando para o lado de um cara. Ele ronca, e eu vejo oestômago dele se movendo para dentro e para fora. Ele está vivo. Ele estádefinitivamente vivo. Eu estou salvo! Eu não toquei um corpo mumificado! Eu bato no ombro dele. “Ei, amigo.”
  34. 34. Ele não responde. Eu balanço ele mais forte e grito mais alto. “Ei! Cara! Ei,você!” Agora que é obvio que eles não são zumbis ou alguma assim, Travis anda paradentro e começa a balança um cara diferente. “Nós sentimos muito de te incomodar,mas nós estamos procurando por informações." Nada. Há quatro caras em bancos e o balconista dorme no chão. Trav e eu gastamoscinco minutos balançando, gritando, empurrando, e praticamente dançando com eles.Eles estão definitivamente vivos, mas eles estão dormindo totalmente. “Eu acho que nós temos que tentar outro lugar,” eu falo para o Trav. Há apenas uma pessoa na próxima loja, uma velha dama dormindo com ummonte de chapéus caindo aos pedaços nas estantes. Nós a balançamos, mas ela nãoacorda. Nós tentamos mais três lugares, e eles são todos iguais. "Esquisito,” Travis diz quando saímos do verdureiro. Não havia nada nascaixas, nem uma uva ou cenoura. O vendedor estava dormindo no chão. “Nóspodemos ir agora? Uma loja de comidas sem comidas é apenas... errado.” Eu suspiro. “Eu acho que sim.” Mas quando eu viro a esquina, eu paro. “Uau!”
  35. 35. Capítulo 4 É um castelo. Não um com aparência moderna tipo o Palácio Buckingham,com eletricidade e toaletes (quando nós o visitamos, o encanador estava lá — ocaminhão dele dizia O DIPLOMATA DE DRENAR E LIMPAR ESGOTO — e Trav e eu nosdivertimos brincando sobre o que a rainha tinha feito para parar os canos), mas umcastelo real, do tipo que vem com um monte de cavaleiros de plásticos e cavalos.Poderia ate mesmo ter um calabouço. “Olha isso.” Eu comecei a andar para ele. “Ei, caminho errado. Eu quero voltar.” “Faça o que você quiser.” Eu andei mais rápido. “Mas eu tenho ossanduíches.” “Ei!” Travis começou a correr atrás de mim, mas ele está de chinelo. Eu estoude tênis, e eu estava no time de corrida na escola, então eu posso ir mais rápido doque ele. O castelo é mais longe que eu achei porque é maior do que eu pensei. Égrande o suficiente para por uma cidade inteira dentro. Eu finalmente o alcanço maisou menos dez minutos depois. Há um fosso em volta cheio de água marrom lamacenta. “Oops. Não pode entrar,” Trav grita de atrás. Eu ando em volta do perímetro até que vejo onde a ponte levadiça está. Estáaberta, e há uma porta do castelo no final dela. Eu comecei a atravessar. “Você tem certeza que deveria fazer isso? Alguém pode decapitar você.” “Vamos, Travis. O que nós vamos fazer, ir rastejando de volta para Mindy?Esse é a primeira coisa interessante que nós vimos nessas três semanas passadas. Euapenas quero olhar em volta.” Na porta, eu vejo dois guardas. Surpresa — eles estão dormindo. Eu pego aalça e a puxo. A porta abre com um alto guincho. Eu vou para dentro. Nós estamos nessa enorme sala com um teto de três andares.
  36. 36. “Uau, parece a sala do baile em Shrek 2,” Travis diz. Eu aceno e dou para eleum sanduíche. Isso ilumina a sacola, e nós ainda temos mais seis ou sete. Para estar asalvo, eu seguro a cerveja. “Ei, olha.” eu aponto para uma armadura em pé no canto. “Vamosexperimentar.” “Pode ter alguém dentro.” Eu pulo de volta. Eu não tinha pensado naquilo. Eu não achei que as pessoasdormindo em volta daqui pareciam dos tempos medievais, mas melhor prevenir queremediar. Eu lentamente, delicadamente levanto a mascara no rosto do cavaleiro. Está vazio. Eu respiro. “Talvez esse lugar não seja tão esquisito quanto o resto.” Isso é tão legal. Todos os castelos e torres que nós fomos, você ou não épermitido olhar do lado de dentro, ou se você é, você apenas tem que ficar atrás decordas de veludo e ver as coisas em caixas com temperaturas controlados. Esse lugar éreal, mesmo se é um pouco empoeirado. Eu começo a descer um corredor que sai parao lado. Eu olho na primeira sala. “Ei.” “O que é? A cozinha?” “Melhor.” É uma sala de trono real como nos filmes, e há pessoas nela, camponesestalvez, esperando para ver o rei ou algo assim. O rei não está lá, no entanto. “Eles estão dormindo como todos os outros nessa cidade,” Travis diz. “Mas olha.” Dois guardas dormem em um lado. Cada tem um travesseiro em seu colo. Emcada travesseiro está uma coroa incrustada com diamantes, esmeraldas, e rubis. Écomo aquelas coisas que nós vimos na Torre de Londres, só que está fora onde nóspodemos tocar. “Eu vou experimentar uma,” eu digo. “Você tem certeza que deveria? E se eles acordarem?” “Nós praticamente pisamos nessas pessoas, e eles não acordaram.”
  37. 37. Ainda assim, quando eu pego a coroa do seu travesseiro de veludo, eu quaseespero que um alarme toque ou algo assim. Nada acontece, e eu coloco a coroa naminha cabeça. “Como eu pareço?” Travis ri. “Meio estúpido.” “Você está apenas com inveja. Tenta a outra.” “É uma coroa de garota.” Ainda, ele a coloca. Nós brincamos, sentando nostronos e passando a mão nas cabeças dos camponeses. Depois de um tempo, Travisdiz, “Nós deveríamos levá-las." Eu balanço minha cabeça. Eu não gosto da ideia de roubar alguma coisa."Vamos olhar em volta primeiro e ver o que mais têm." Nós colocamos as coroas de volta e entramos em mais cômodos. No terceiroandar, há um monte de quartos com nada neles a não ser vestidos. “Você não acharia que essas coisas serviriam de comida para ratos e insetos?”Travis diz. “Você vê alguns ratos e insetos? Talvez eles estejam dormindo também.” Quando nós alcançamos talvez o décimo quarto com vestidos, Travis diz, “Issoé chato. Vamos experimentar a armadura.” Eu estou quase dizendo ok quando eu percebo essa pequena esquisita escadaindo para o lado. Eu vi uma torre quando nós estávamos do lado de fora. Eu imagino sea escada vai até ela. “Vamos lá primeiro,” eu digo. Antes que Travis pudesse protestar, eu começo a subir. Eu não achei que aescada fosse muito alta, mas ela se curva e vai mais alto. Então se curva de novo e denovo. Quando nós finalmente alcançamos o topo, a porta está fechada. Eu a abro eacho um quarto com nada a não ser uma garota, dormindo no chão. Ela é a garota mais bonita que eu já vi.
  38. 38. Capítulo 5 Eu a encaro. Eu nunca havia visto um ser humano que se parece com ela, e eusou de Miami, onde pessoas com boa aparência se reproduzem. Mas essa garota não éapenas bonita. Ela é perfeita em um jeito que é surreal, tipo uma das bonecas Barbiede Meryl. O que eu estou dizendo, essa garota é... “Uau, ela é gostosa,” Travis diz quando ele finalmente alcança a porta. Sim. Isso. Ela está deitada no chão com esses cachos dourados em volta dela,como se alguém os tivesse arrumado daquele jeito. O corpo dela, eu posso dizer comseu vestido longo, é totalmente perfeito. Ela é mais alta que quase todo mundo aqui, emagra em todos os lugares certos com essas ótimas... "Você olharia para ela?” Travis interrompe meus pensamentos de novo. Eu olharia. Eu encaro o topo do vestido dela, que ela está realmentepreenchendo, deixe-me te dizer. Eu sinto essa incrível urgência de tocá-la, mas eu seique é errado porque ela está dormindo. Mas a coisa esquisita é que, não é o corpo dela que eu mais percebo. É o rostodela. A pele dela é da cor de leite com apenas uma minúscula parte de Nesquik demorango misturado. Os olhos dela estão fechados, mas eu posso dizer que eles sãoenormes, com longos cílios que se curvam para cima. E a boca dela. É cheia e vermelha, e os lábios dela definitivamente nãoparecem como lábios que não foram umedecidos por centenas de anos. Por alguma razão, olhar para ela me faz pensar em Amber. Não que ela separeça com Amber, porque ela não parece. Amber é bonita de uma forma humananormal. Mas comparada com essa garota, Amber é totalmente uma pessoa sem graça. E de algum jeito, apenas olhando para ela, e sei que ela não é como Amber.Ela não iria se desfazer de alguém por um cara com um carro mais legal. “O que você está fazendo, se apaixonando por ela?” Travis diz. “Você estáencarando-a igual um idiota.”
  39. 39. A coisa esquisita é que, eu acho que estou. Estúpido. “Ela está dormindo. Você poderia...” Travis olha para a porta. “...fazerqualquer coisa.” “Isso é doente.” “Você sabe que você estava pensando nisso.” “Não, eu não estava. Isso seria errado.” “Certo e errado está começando ficar meio impreciso para mim. Foi erradoescapar do tour? Foi errado mentir para Mindy? Foi errado entrar aqui?” “Eu acho.” Eu continuei olhando para a garota. Eu não posso parar de olharpara ela. “Vamos. Eu te desafio a tocar nela." “Tudo bem.” Eu quero isso de qualquer jeito. Eu me inclino para ela,desejando que ela acordasse. Eu abaixo minha mão e toco um dos seus cachos. Suave. Tão suave. Eu escovo meus dedos através deles para fazer isso durar.Ela se agita em seu sono, e eu imagino que ela está gostando do meu toque, mas claro,isso é impossível. “Não o cabelo dela, tapado. Ela não pode nem mesmo sentir o cabelo dela.” “Ela não pode sentir nada. Ela está dormindo como o resto deles." “Então por que não tocar uma parte importante?” Não é por que Travis diz. É porque eu quero. Eu movo minha mão do seucabelo para seu rosto. Parece como — Deus, isso é piegas — pétalas de flores. Rosas,talvez. Eu movo meu dedo pela bochecha dela, para a boca dela, seus lábios. Eles estãopartidos ligeiramente, e de repente, eu não posso deixar de admitir isso: eu querobeijá-la. Doido, porque dez minutos atrás eu ainda estava pensando completamenteem Amber, mas eu realmente quero beijar essa garota em coma. Eu me inclino maisperto. “Não a bochecha dela, idiota!” Travis se inclina para baixo. “Deus, saia docaminho.”
  40. 40. “Não!” Eu bloqueio ele. É impossível dizer que eu totalmente, tipo, respeitoessa garota mesmo que eu não a conheça. Eu posso apenas dizer que ela é alguémespecial. Deus, eu imagino se ela é uma princesa! Eu me levanto. “Olha, eu quero beijá-la, mas não na sua frente. Por que vocênão desce e rouba aquelas coroas? A princesa e eu precisamos de algum temposozinhos." “De verdade?” “Claro.” Eu posso fazê-lo devolvê-las mais tarde. “Mas me de dez minutos.” "Tudo bem, mas eu vou voltar logo.” Ele começa a ir para a porta e então virade volta. “Ei, você não acha que é roubo de verdade quando eles, tipo, nunca vãoacordar?” Eu meio que acho, mas eu não sou o que está fazendo o roubo, e eu queroque Travis saia. “Claro que não.” “Tudo bem. Vejo você depois.” E ele saiu. Eu estou sozinho no quarto exceto pela garota. Eu a toco de novo, nabochecha dela, agora eu posso fazer isso sem Travis zombando de mim. Ela suspirasuavemente em seu sono. Ela é tão bonita, eu desejo que ela acorde então eu poderiafalar com ela. Mas é provavelmente melhor desse jeito. Se ela estivesse acordada, elanão estaria na minha. Então é quando eu penso na Branca de Neve. Branca de Neve era o conto de fadas favorito de Meryl. Claro, sendo umgaroto, eu achei que era idiota. Ainda, ela assistiu o DVD talvez umas mil vezes, entãoeu não podia não saber a história, que é sobre uma princesa que come uma maçãenvenenada. Todo mundo pensa que ela está morta. Mas então o príncipe a beija. Elaacorda, e ela e o príncipe vivem felizes para sempre. Talvez eu pudesse acordá-la. Exceto, claro, eu não sou um príncipe. E há todas aquelas outras pessoas dormindo. Isso não acontecia em Branca deNeve.
  41. 41. Ainda, não ia machucar beijá-la. Eu me sentiria menos como um psicopata seeu pensasse que estava tentando acordá-la.. Eu a levanto para mim. O corpo dela está quente, e é quase como nadalevantá-la. O vestido dela é feito desse veludo suave, e quando eu a puxo mais perto,eu posso sentir as batidas do seu coração. Eu desejava poder ver os olhos dela, mas o rosto dela... os lábios dela... É meio estranho beijar uma garota se você não conhece o nome dela. Mastalvez eu possa passar por isso. Talia. O nome apenas vem para mim. Eu não sei de onde eu o peguei. Eu nuncaconheci uma Talia. Ainda, eu tenho certeza que é o nome perfeito. “Talia,” eu sussurro. Ela suspira em seu sono. “Oh, Talia.” Eu a puxo mais perto de mim, uma mão em seu cabelo,sustentando sua cabeça. Eu levo meu rosto perto do dela, e é como se eu pudesse vera vida dela inteira, estando aqui nesse castelo, isolada, desejando por algo mais. Eunão sei como eu sei isso, talvez do mesmo jeito que eu sei o nome dela. Talia. Meus lábios estão nos dela. É um beijo longo. Eu seguro ela mais perto,sentindo seu cabelo, seu corpo, sua boca, e então as mãos dela no meu cabelo. O quê—? Eu não quero parar de beijá-la, especialmente desde quando ela me beijou devolta, mesmo se for em seu sono. Ainda assim, finalmente, eu tenho que me puxar longe dela para respirar.Então eu me puxo. “Você é tão bonita, Talia.” Eu olho direto para seus olhos grama verde. Eu nunca tinha visto olhosdaquela cor antes. “Obrigada, meu príncipe,” ela suspira. Então os olhos verdes se ampliam.
  42. 42. “Quem é você?”E então é quando ela grita.
  43. 43. Capítulo 6 Ela está acordada! É realmente igual Branca de Neve! Puta merda! Mas eu nãosou um príncipe. Eu sou apenas esse cara normal da América — um país totalmentelivre de príncipes — e ela ainda está acordada. Ela abre a boca dela para gritar de novo. “Não grite.” Eu coloco meus dedos em cima dos lábios dela, não como umsequestrador ou algo assim. “Eu não vou te machucar. Por favor, não grite.” Não que iria importar se ela gritasse. Eu quero dizer, não tem ninguémacordado para ouvi-la. Ela empurra minha mão longe. “Explique-se! Quem é você? Por que você estava... me beijando?” “Sou Jack. Eu não estava beijando você, exatamente. Você estava desmaiada.Eu estava fazendo respiração boca-a-boca.” Eu menti porque eu não queria que elapensasse que eu estava atacando ela ou alguma coisa assim. “Respiração... o quê? O que você está dizendo? O que é isso?” Nossa, ela é estúpida. Bonita, mas estúpida. Não é sempre assim? A não ser que eles não tenham boca-a-boca de onde — ou quando—ela é. “Jack? Você é um dos alfaiates? O que é isso que você está vestindo?” Eu olho para baixo. Eu estou com uma roupa meio velha, uma camiseta deQuatro de Julho* da Old Navy** do último verão, e jeans. A camiseta está toda rasgadade andar pelos arbustos. Pelo menos eu puxei meus jeans para cima da minha sungano último minuto. “É uma camiseta de bandeira." *Dia da independência dos Estados Unidos. **Uma loja de roupa. Ela parece confusa com a palavra camiseta e pisca para ela. “Bandeira? Dequal país?” “Os Estados Unidos. América. Yo soy Americano.” “Onde é isso?” “Do outro lado do oceano? Para o leste?” Talvez ela tenha batido a cabeça.
  44. 44. Os olhos dela se iluminam com reconhecimento. “Oh! Você quer dizerVirginia?” O que é estranho. Colonial Williamsburg é em Virginia. Talvez todas essaspessoas que fingem ser figuras históricas se conheçam, como uma espécie de clube.“Sim, mais ou menos. Não Virginia, exatamente. Flórida. Mas as duas estão naAmérica.” “E essa é sua bandeira? É uma fantasia, então, vestir ela no seu peito?” Isso parece um pouco estranho quando você coloca desse jeito. “Nemsempre.” “Eu vejo. Então você veio da...?” “Flórida.” “Então você deve estar aqui para me mostrar vestidos, você certamente nãoestá visitando a realeza.” Eu não estou certo se eu gosto do jeito que ela diz “certamente,” mas eudeixo isso para lá. Essa garota tinha definitivamente tido um dia ruim. "Que vestidos?”Ela fica meio com um olhar longe em seu rosto, então se arruma. "Agora eu lembro. Antes que eu... desmaiasse, eu suponho, eu estava olhandovestidos, vestidos tão bonitos, cada um no tom exato dos meus olhos.” Ela olha para mim, e eu percebo de novo aqueles olhos maravilhosos que elatem. Eu imagino como seria ter aqueles olhos focados em mim. “Eles sumiram,” ela diz. “Eu não vi nenhum vestido. Eu juro.” “Mas você não estava aqui, também. Era apenas eu e outra pessoa. Umgaroto." Ela sorri. “Não. Isso foi antes. Mas então tinha uma senhora, uma velhamulher. Foi ela que trouxe os vestidos verdes. Ela estava girando um fio. Ela me disseque eu poderia fazer um desejo.” Ela para de falar e vira para longe de mim, para a janela. “Mas por que eu nãoposso lembrar? Isso acabou de acontecer.” “Talvez eu possa ajudar,” eu digo, ajoelhando ao lado dela. “Feche seusolhos.”
  45. 45. Ela me da um olhar, como se talvez eu estivesse enganando-a, mas ela osfecha. Com os olhos dela fechados, é como se as luzes tivessem sido apagadas, e agoraé noite. “Tudo bem,” eu digo. “Agora, tente imaginar isso. Você está olhando para osvestidos bonitos, e há uma velha mulher lá. Como ela se parece?” “Eu posso dizer que ela já foi bonita uma vez. Ela tinha olhos pretos quebrilhavam como ônix.” “Ela disse que você poderia ter um desejo, então o quê?” Ela coloca a mão dela sobre os olhos. “Oh, eu estou com dor de cabeça.” “Qual é a próxima coisa que você lembra?” Ela respira profundamente, então suspira. Finalmente, ela diz, “Um sonho.Isso tem que ser, porque eu estava beijando um príncipe, meu príncipe. Ele estava medizendo o quanto eu era bonita." “Seu namorado?” “Não! Eu não tenho amigo, com certeza nenhum que seja garoto*. Eu nuncaestive em lugar nenhum, não encontrei ninguém." Ela balança a cabeça. “Era umsonho. Então eu abri meus olhos, e você estava me beijando." Ela olha para baixo porum momento, examinando algo em sua saia. Parece uma gota de sangue. *Namoradoem inglês é boyfriend: amigo garoto, por isso ela fala isso. E de repente, os olhos dela se abrem totalmente, maior e mais verde queantes. “Oh, meu Deus!” “O quê?” Eu me afasto. “O que é?” “Um beijo! Você disse que eu estava dormindo, e você passou em cima demim?” “Sim.” “Sim. E você achou que eu era bem bonita?” Eu faço careta, e ela diz, “Oh,esquece. Claro que você achou. Todo mundo concorda que eu sou absolutamentedeslumbrante.” “Modesta, também.”
  46. 46. Ela me ignora. “Então você me viu, e eu era tão bonita que vocêimediatamente se apaixonou por mim." Essa garota é bem cheia de si mesma, mas não está longe da verdade. “Bem,não—” “Você se apaixonou por mim, e você se inclinou e me beijou. Primeiro beijo deamor. E quando você me beijou, eu acordei imediatamente. Isso é verdade?” “Sim.” E de repente, ela começa a chorar. "Ah, não. Ah, não. Eu sou uma tola. A velhaSenhora Brooke com cara pudim estava certa. Eu sou uma garota estúpida e nuncadeveria ter sido confiada com nem mesmo um minuto sozinha." “Do que você está falando?” Eu quero por meu braço em volta dela ou algumacoisa, mas eu tenho o pressentimento de que isso não seria boa ideia. “A maldição, estúpido!” “Agora eu sou estúpido? O que acontece com você sendo estúpida, e quemaldição?" "A maldição. A maldição. Todo mundo sabe sobre a maldição de Malvolia. Oh,meu pai vai me matar. Eles vão provavelmente me trancar em um convento!" Elacomeça a soluçar de novo, e então vendo que eu ainda não estou com o programa, eladiz, “Antes do aniversário de dezesseis anos dela, a princesa deve picar o dedo dela emum fuso e morrer." “Mas você não está morta.” “Não. A fada Flavia mudou a maldição então eu iria meramente dormir. Todoo reino iria dormir, para acordar só quando eu fosse acordada pelo primeiro beijo deamor verdadeiro.” “Uh-huh.” Ela é louca. “A velha senhora era Malvolia, você não vê? Ela veio com os vestidos, ganhouminha confiança. Ela esteve provavelmente me assistindo por toda a minha vida. Elatrouxe com ela um fuso. Ela sabia que eu faria um desejo, e quando eu fiz..." “Você está dizendo que ela furou você com esse negócio de fuso?" "Exatamente. É a maldição. Eu fiz a maldição se tornar realidade." E ela começa a chorar mais forte.
  47. 47. “Ei, calma,” eu digo. “Vai ficar tudo bem." Agora ela levanta e começa a andar. “Eles me avisaram tantas vezes. Épraticamente o único assunto que eu conversava com meus pais. Era o maior medodeles, e isso se tornou realidade." Eu tento pensar em qual é o maior medo dos meus pais — eu não entrando nafaculdade talvez. Ou ter que ir a um dos colégios comunitários que ficam próximos deuma escola boa, assim eles poderiam simplesmente dizer a todos "Jack foi paraBoston" ou tanto faz. Eles morreriam. Mas eu digo, “Exatamente. Acabou. Você foi dormir, e você está acordadaagora por causa de mim e meu beijo mágico. Seus pais provavelmente vão estar tãofelizes que você está bem que eles nem vão ficar com raiva." “Você realmente acha isso?” “Claro. É como da vez que eu bati meu carro. Minha mãe estava dirigindoperto, e ela viu os destroços. Ela estava tão feliz que eu estava vivo que ela nemmesmo..." Eu parei. A princesa está olhando para mim como se eu estivesse falandooutra língua. “De qualquer jeito, eu tenho certeza que eles vão estar bem com isso.Você é a princesinha deles, certo?" Ela tinha parado de chorar, e agora ela acena. "Talvez você esteja certo." “Eu sei que eu estou.” “Qual é a data? Eu preciso saber quanto tempo em dormi.” Eu olho a data no meu relógio de pulso. “É vinte e três de junho." “Oh, não é tão ruim assim então. Um mês. Eu perdi minha festa deaniversário, o que é uma vergonha, e eles vão ter que explicar para os convidados, masainda..." Os olhos dela caem para o meu relógio. “O que é isso?” “Um relógio.” Ela pega meu pulso, examina-o, então leva ele para o ouvido dela. “Umrelógio? No seu pulso? Que estranho.” Ela vai para trás e examina minhas roupas,minha camiseta de bandeira. “O que é isso?” Ela aponta para os números na camiseta.
  48. 48. “O ano. Old Navy coloca o ano em todas as camisetas de bandeiras deles. Étipo uma extorsão, eu acho - você tem que comprar uma nova todo ano.” “Esse... é... o... ano?” Ela parece meio doente. O rosto dela está de repentequase da mesma cor verde dos olhos dela. “Bem, eu comprei essa ano passado. Nós sempre as compramos para quandonós vamos assistir os fogos de artifício. Mas eu provavelmente não vou comprar umaesse ano, eu pensei nisso, porque—” “Esse é o ano? O ano!” “Bem, ano passado.” Ela começa a tremer. “Oh, meu... oh, não.” Ela cai de volta para o chão, comoela estava quando eu a vi pela primeira vez. “Isso não pode ser verdade. Não pode." Eu ajoelho ao lado dela. “Qual é o problema agora? Eu achei que você estavabem.” Ela olha para mim, então começa a gritar. “Bem? Bem? Eu dormi por quasetrezentos anos!" Do lado de fora, nas escadas, eu ouço uma comoção, pessoas correndo, entãogritando. “Pare! Ladrão!” Travis aparece na porta. “Jack, a gente tem que ir. Eles estão todos acordados,e eles estão atrás de mim por roubar a coroa!"
  49. 49. Capítulo 7 As coisas ficam um pouco loucas então. Lá estava Travis na porta e então doisguardas com espadas de verdade. Quando eles entram, Travis começa a gritar, “Eu nãoas tenho! Reviste-me se você não acredita em mim — só não me decapite!” Uma dasespadas girou em volta, e ele pula. "Ponha essas coisas longe de mim!” Então um monte de gente aparece. A maioria deles está vestindo chiquesvelhos vestidos. Perto está uma mulher, quem eu estou adivinhando que é a que a princesachamou “Senhora Brooke com cara de pudim,” porque o rosto dela parece tão bege esuave quanto pudim de baunilha. Talia corre para ela, gritando com angustia. “SenhoraBrooke! Eu fiz isso! Eu fiz isso!” “Fez o que, querida?” Senhora Brooke diz. “Estraguei tudo. Eu sinto tanto.” Travis conseguiu ir para longe dos guardas na confusão quando os alfaiatesapareceram. Agora, ele puxa meu braço. "Vamos, cara.” Eu começo a ir, olhando de volta para a princesa, que ainda está lamentando. “Espera!” a princesa grita, alto o suficiente para fazer todo mundo na salaparar o que estavam fazendo e olhar para ela. Tudo está em silêncio, e eu percebo queninguém a não ser Talia e eu sabe que eles dormiram por centenas de anos.Finalmente, Senhora Brooke com cara de pudim diz, “O quê agora, querida?” A princesa aponta para mim. “Ele não pode sair.” “Por que não?” “Por que ele me beijou!" Todos os olhos na sala viram para mim. Os guardas percebem Travis de novo,mas agora eles nos agarram. “Você desonrou a princesa?” um dos guardas demanda, chegando mais pertocom a espada. “Não... Eu quero dizer, eu acho que não.”
  50. 50. “Não!” Talia diz. “Eu não fui desonrada no mínimo. Mas ele deve ficar.” “Quem é você?” Senhora Brooke diz. “Eu sou Jack O’Neill... Da Flórida... Eu acho que eu quebrei algum feitiço. Nãoprecisa me agradecer. Se você apenas tirar seu guarda antes que ele remova algo, euvou embora.” A princesa se apressa para mim. "Você não pode ir. Você quebrou o feitiço.Você sabe o que isso significa?” Quando eu não respondo, ela diz, “Isso significa quevocê é meu amor verdadeiro." “Doida! Doida!” Travis sussurra. Eu o ignoro. “Amor verdadeiro? Mas eu nem mesmo sei o seu nome.” “Meu nome?” Ela parece surpresa. “Ah, bem, isso é bastante fácil. Todomundo sabe.” “Exceto eu.” Quando você me disser, eu posso sair? “Muito bem. É provavelmente melhor ter uma apresentação adequada.” Elaolha para Cara de Pudim e diz, “Senhora Brooke.” Senhora Brooke acena, embora ela não parecesse feliz sobre isso, e faz umgesto para mim. “Jack O’Neill, da Flórida, você é apresentado para Sua Alteza Real,Princesa Talia.” Talia. “É um costume fazer uma reverência nesse tempo,” Talia diz. “Seu nome é Talia? Eu não sabia...” “E ainda, foi assim que você me chamou quando você...” “Eu sei.” Eu balanço minha cabeça. “Eu quero dizer, eu não sabia seu nome,mas de algum modo eu adivinhei ou algo assim. Foi esquisito, como se alguém tivessecontado para mim." Ela acena. “Amor verdadeiro. Foi feito para ser.” “Olha,” eu digo, “Eu posso querer sair com você alguma hora, mas tão longequanto amor verdadeiro—”
  51. 51. “Mas você me acordou! E eu só posso ser acordada por beijo do amorverdadeiro. E além do mais, eu sou uma princesa bonita. Como você não pode meamar?” Fácil. Travis olha para Talia, então para as mãos dos guardas que estão segurandoele, e então de volta para Talia. "Então, hum, Sua Alteza, você acho que talvez vocêpoderia deixar a gente ir?" “Sim, está — eh — ficando tarde.” É na verdade só meio dia e trinta, masquem sabe se essas pessoas mesmo sabem falar as horas. “Nosso grupo do Tour estáesperando por nós.” “Alteza, esse aqui é um ladrão!” o guarda atrás do Travis diz. “E se essa pessoaestá com ele, ele pode ser um cúmplice.” “Eu não sou um ladrão,” eu digo, “e nem Travis.” “A coroa estava nas mãos dele!” o guarda diz. “Ele não pegou nada, e eu sou o que quebrou a maldição e salvou vocês. Issonão conta alguma coisa?” “Que maldição?” Senhora Brooke diz. “Do que ele está falando?” Talia a ignora. “Sim. Guardas, vocês devem soltar esse cavalheiro de uma vez.Ele é um convidado de honra e um amigo do meu futuro marido. Vocês dois fiquempara a ceia.” Futuro marido? Ela queria dizer eu? “Desculpa, mas eu não sou—” “Talia...” Senhora Brooke diz. “Você não está querendo convidar esse... esse...plebeu para ceiar. É a véspera do seu baile de aniversário.” Talia começa a chorar de novo. “Não, Senhora Brooke. Você não entende? Eutoquei um fuso! Um fuso! Nós todos dormimos por um bom tempo, e esse..." Ela fazum gesto para mim. “Esse plebeu me acordou.” “Você tocou um fuso, você diz?” A mandíbula de pudim da Senhora Brookeestá pendurada. Talia acena. “Um fuso, você diz?”
  52. 52. “Sim!” Senhora Brooke embala a testa dela em suas mãos. “Eu deixei você sozinhapor dez minutos, e você toucou um fuso e dormiu por... por...” “Trezentos anos.” “Ah!” Senhora Brooke parece como se ela tivesse sido esfaqueada. “Ah, denovo não, de novo não...” Ela se recupera. “E você foi acordada por um... um...” “Um cara realmente ótimo?” eu voluntario. Talia acena. “Ele vai ficar para a ceia.” Ela olha para mim. “Você vai ficar para aceia?” Eu aceno. Eu posso aguentar isso se isso é o que é preciso para me deixarem ir- mesmo que provavelmente eles vão servir esquilo ou algo assim. “Isso está bom.Apenas me deixe ligar para o hotel e dizer para eles onde nós estamos.” Eu tiro meucelular. “O que é isso?” Princesa Talia diz. “Um telefone.” Ela continua a encarar ele. Na verdade, todos param o queestão fazendo, se reúne em volta, e encara. “Você pode, um, falar com pessoas nele.” Exceto que eu não tenho sinal. Duh. Não há nenhuma torre aqui. De repente,desce em mim o que Talia disse: Eu dormi por quase trezentos anos! Se isso é verdade,esse lugar é tipo uma aberração do tempo. Princesa Talia realmente ferrou as coisas. E tudo no que eu estou pensando é, Como eles duraram tanto tempo semcomer ou fazer xixi? Todos estão ainda encarando o telefone, que clareia e faz sons de bip. Euimagino como eles ficariam excitados se realmente funcionasse. “Nós temos que ir lá," eu digo. "Eles vão estar esperando por nós." “Mas com certeza seus amigos devem saber da sua jornada," Talia diz. "A gente meio que fugiu.” “Então nós temos que mandar uma mensagem,” Talia diz. “Simplesmente mediga o nome da estalagem que vocês estão ficando, e isso deve ser feito."
  53. 53. Problema número um: eu não tenho nem ideia onde o hotel fica. Problemanúmero dois: Há uma enorme cerca em volta de todo o país. Problema número três: Eunão vou — e eu quero dizer não — casar com essa princesa. “Isso ajuda?” Travis puxa um cartão postal do bolso dele. Tem uma foto dafrente do nosso hotel. Isso causa outro espasmo de atividade enquanto todo mundo sereúne em volta da foto. Finalmente, Travis diz, “O endereço está na parte de trás, euacho.” Talia o entrega para a Cara de Pudim, que parece perigosamente perto dedesmaiar. Ele o examina por um momento, então diz, “Isso é uma jornada de doisdias.” Parecia bem longa, mas não dois dias. “Nah,” Travis diz. “Foi quase duas horas no ônibus." Cara de Pudim olha intrigado. "Ônibus?” "Eh. É como uma espécie de carro só... vocês têm Roda aqui? Já tinha sidoinventado?" Talia endireita os ombros, e até mesmo Senhora Brooke parece terrecuperado o suficiente para a gracinha de Travis. "Eu acho que eles têm," afirma Travis. "Bem, um ônibus é uma espécie decoisa que roda com um motor, e rápido." Ele olha para elas. "Ok, eu posso ver vocêsnão entenderam a coisa do ônibus. Talvez eu possa, tipo, levar os seus guardas emostrar a eles se, hum, eles me deixassem ir e tirassem suas espadas da minha bunda." Talia acenou. "Faça o que ele diz." Os guardas parecem decepcionados, mas eles soltam Travis, e gesticula paraque o seguissem. "Ei, vocês têm uma serra elétrica?" Travis está dizendo enquanto elessaem. Quando ele se foi, Talia se vira para mim. "Bem, então, temos de encontraralguma roupa adequada para você. Se queremos casar, você deve conhecer o meupai." Então, no caso de eu não entender, ela acrescenta, "O Rei. Assim, podemosorganizar o casamento." Senhora Brooke finalmente desaba no chão. Estou muito perto de me juntar aela. Eu deveria ter ficado com o tour!
  54. 54. Parte 3 Jack E Talia
  55. 55. Capítulo 1: Talia Minha vida está arruinada. Eu despachei a Senhora Brooke para achar um quarto e algumas roupas paraJack. Então eu volto para a tarefa que eu comecei, eu pensei, essa manhã, masaparentemente quase trezentos anos atrás - escolher vestidos para o baile. Não hánenhuma razão para não ter um baile. Sim, eu tenho trezentos e dezesseis anos (dê outire um ano) ao invés de dezesseis anos, mas já que eu não morri de fome, nem morride sede enquanto dormia, parece como se meu corpo foi de algum jeito suspenso notempo em todos esses anos. Além do mais, Jack não teria me beijado se eu fosse umavelha. Portanto, amanhã ainda vai ser meu décimo sexto aniversário, e eu ainda tenhodireito a minha festa, então eu ainda preciso de vestidos. A notícia ruim é que os vestidos mais bonitos foram feitos por alguém queagora eu sei era uma bruxa má que queria me destruir porque ela estava chateada pornão ter sido convidada para uma festa anterior (Eu vou dizer, Papai e Mamãe foramum pouco míopes em simplesmente não tê-la convidado — o que teria custado, umfaisão extra e talvez alguns nabos?), então eu vou precisar continuar minha procura. Eu me aventuro no primeiro, então no segundo cômodo. Eu sei que eu deveriaprocurar por minha mãe e meu pai, mas eu simplesmente não posso encará-los ainda.Eu não quero contar a eles o que eu fiz. Eles nunca vão me perdoar. É no terceiro cômodo que eu vejo meu pai. Ele parece distraído. “Talia, eu estou tão feliz de ter te encontrado.” Embora, sinceramente, que ele não pareça feliz no fim. “Eu tenho noticias terríveis,” ele continua. “O baile deve ser cancelado.” “Mas por quê?” Embora eu tenha alguma ideia do por que. Ele descobriuminha tolice com o fuso, e ele quer me punir. Eu me preparo para berrar,possivelmente chorar. Eu sou ótima chorando. Mas meu pai diz algo ainda mais surpreendente. “Eu não sei, minha querida. Parece que não há convidados.”

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