“O Rompimento”Capítulo IDepois que Esther soube por Danielle que não poderia também gerar um filho com seusóvulos, Paulo f...
- Sim, está tudo ótimo com a Fio Carioca...- Hum, então são outros problemas.- É, ou eu sou muito transparente ou você me ...
- É assim mesmo, querido. Todo casamento precisa de um desentendimento de vez emquando. Senão ficaria muito chato.- Não......
- Desculpa tocar nesse assunto, Paulo. Mas também percebi que você anda um poucopreocupado...Aconteceu alguma coisa?- Ah, ...
- Eu acho que você precisa conhecê-la melhor, só isso.- Não Esther, eu já tive muita boa vontade, eu queria estar do teu l...
- Muito...muito difícil. – Paulo diz, quase sussurrando, chegando cada vez mais perto deEsther. – Eu sinto tanta falta de ...
- Não, não...Paulo, é melhor você ir de uma vez. Ou tudo vai voltar a ser como antese ...- Tá, tá certo. – Paulo diz, eufó...
Chegando no escritório, Paulo demonstra claramente que não havia dormido bem. Eleestava com olheiras e aparentemente cansa...
- Você...você está bem?- Sim...E você?- Também. Um pouco...cansado. Não dormi...- Nem eu. – Esther diz, engolindo a seco.N...
- Ai, desculpa ficar no seu pé assim. É que tenho uma surpresa. – Marcela mostra à ele oresultado final da entrevista que ...
Quando Paulo entra no carro, Esther não diz nada, apenas fixa seu olhar para frente,com os olhos marejados. Ele respira fu...
- Pois é..Não sei como seria um evento desses sem a Esther ou com ela do meu lado,nessa situação.- Imagino. Mas a Tereza j...
- Hum. Tudo bem, então...Vamos? Eu te acompanho até o estacionamento.- Certo. – Esther sorri e Paulo toca os ombros dela, ...
No final da festa, acontece também a queima de fogos. Todos vão para o jardim eEsther hesita, pois se lembra da última vez...
- Como assim? Achei que você estava apoiando a Esther.- Ai, não sei. Pensei melhor sobre isso tudo de fertilização, é tão ...
- Não sei...não sei. – Paulo diz, olhando para ela. – Eu só sei que eu não vou conseguirme controlar toda vez que eu te ve...
- Tudo bem, Esther. Eu não quero discutir com você, eu fico péssimo, cansado. O queeu quero é lembrar dessa noite, pra sem...
René se levanta e dá um abraço no cunhado, nisso, o telefone de Paulo toca:- Licença... – Paulo pede à René e atende:- Oi,...
- Então... podemos começar?Danielle sorri ainda mais, com um brilho nos olhos jamais visto por Esther:- Com certeza! Você ...
- Sério? Muito obrigado, Marcela. Mas eu acho que não estou com cabeça...e naverdade eu também tenho alguns convites... - ...
A noite chega e Esther se encontra com Paulo nos corredores:- Já vai? – Paulo pergunta à ela.- Sim.- Eu acho que amanhã vo...
De repente, uma voz de mulher chama por Marcela. Paulo logo a reconhece:- Tia Íris?Capítulo XI- Paulo, Marcela! Que surpre...
Chegando lá...- Nossa, que mulher contemporânea você, hein! Paga a conta, me trás de carro, paga otáxi.- Viu só? Da próxim...
- Sério? Você o viu aonde?- Saindo do desfile da Fashion Week...Ah, ele está tão bonito, alegre, risonho...Comosempre!- É!...
- Eu vou indo...- Paulo fica sem graça e não sabe como se despedir. Ele não diz maisnada e sai correndo.Marcela dá um leve...
- Eu te amo...Me perdoa, me perdoa...Capítulo XIIIEsther entra no apartamento e pára por um instante, se encostando na por...
- Mas pra eu ter certeza que isso é verdade, pra ter certeza que o Paulo vai partir praoutra, pra um relacionamento que el...
- O Paulo...Agora eu tenho certeza que não tem mais volta.- Por que?- Ele passou a noite com outra mulher...Ele mesmo me c...
Após o banho, Esther caminha até o closet e coloca uma camisola. Ela vai até a cozinha,prepara uma xícara de chá e segue p...
- Acho que a gente tem que dar um ponto final nisso tudo. O melhor a fazer é realmentedar esse tempo...- Ela diz e se volt...
- Sim...Tudo bem.- Bom, eu vou indo então, terminar de conversar com o pessoal, qualquer coisa...só mechamar.- Certo. – Es...
Esther se levanta e Paulo logo se levanta também, mas tia Íris o segura:- Ai Paulinho, quero conversar com você um instant...
- Esther, me escuta.- Não...Eu vou embora, me deixa passar?- Por favor. A gente precisa conversar.Capítulo XVI- Eu não ten...
- Tereza, o que foi?- Ai, queridos. Me desculpa...Não queria atrapalhar, viu? Eu vim até aqui porquepreciso urgente que vo...
Paulo se vira, dando a entender que abriria a porta, mas não resiste e segura o rosto deEsther, a beijando mais uma vez. E...
Fic  fe - o rompimento
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Fic fe - o rompimento

  1. 1. “O Rompimento”Capítulo IDepois que Esther soube por Danielle que não poderia também gerar um filho com seusóvulos, Paulo fica ainda mais intrigado pela esposa continuar se encontrando com amédica:- Você estava com aquela doutora de novo? – Paulo pergunta quando vê Estherchegando no escritório da Fio Carioca.- Sim, fui tomar um café com ela, conversar... – Esther coloca sua bolsa na cadeira.- Hum. – Paulo a olha com frieza e se vira, olhando alguns papéis sobre a mesa.- O que foi, Paulo? Não é de hoje que você me trata desse jeito toda vez que toco nonome da Danielle.- Danielle? Nem doutora é mais? Vocês já estão melhores amigas...estão confabulandoo que agora? Tentando encontrar um homem e uma mulher pra fazer essa inseminação?- Paulo! Não fala assim.- Mas é... Eu cansei disso, Esther...Cansei. Não sei onde você quer chegar com tudoisso...- Você concordou em pesquisar sobre esse assunto comigo. Lembra? Por isso que euainda continuo tendo esperanças. – Esther diz e se senta, chateada.- Eu sei, eu sei que eu dei carta verde pra tudo isso...Mas Esther, você também não podeter filhos. Isso tudo é uma loucura.- Mas Paulo...Eu estava justamente conversando com a Danielle sobre isso...Seria comouma adoção se a gente... – Paulo a interrompe, nervoso:- Chega! Chega Esther. Cansei desse assunto...Eu não posso te dar um filho, entendeu?Não consigo entender, aceitar em fazer um procedimento desses....E essa doutora fica teincentivando a isso? Eu te proíbo de ver essa mulher de novo.- Como assim? Me proíbe? – Esther se levanta, desacreditada nas palavras do marido. –Eu não estou te reconhecendo, Paulo.- É, talvez seja isso. Depois de tantos anos de casados, nós fomos nos conhecer mesmosó agora... Eu vou sair um pouco...Pra respirar.Esther olha Paulo sair pela porta e se senta novamente, quase chorando.Paulo sai do escritório e é abordado por Marcela – jornalista que conheceu há algunsdias atrás quando foi sozinho na divulgação da nova coleção da Fio Carioca em SãoPaulo:- Paulo! Como vai?- O...Oi, Marcela! Que surpresa boa! – Paulo diz, ainda atordoado com a conversa quetivera com a esposa.- E aí? Por que não tomamos um café juntos, está ocupado?- Não, não! Estava mesmo precisando de um café, conversar...Aqueles dias em SPforam tão bacanas, né?- Pois é! Também adorei sua companhia!- Então...Vamos?Paulo e Marcela caminham conversando até um café próximo ao escritório.- Mas me fala...Que rugas de preocupação são essas na sua testa? Pelo que sei a FioCarioca vai muito bem.
  2. 2. - Sim, está tudo ótimo com a Fio Carioca...- Hum, então são outros problemas.- É, ou eu sou muito transparente ou você me conhece muito bem há tão pouco tempo.- Transparente você não é...Pelo contrário...Estou achando até curioso conseguir quevocê se abra comigo, que tenha aceitado meu convite pro café.- Eu sei que você não é como as outras...Sempre me abordou de um jeito muitoprofissional, respeitador.- Fazer o que! Eu sou assim! – Marcela começa a rir junto com Paulo.- E o melhor de tudo é que você me faz rir... Ah, Marcela! Não queria te chatear com osmeus problemas conjugais.- Ih, não se preocupa. Eu sou “exper” em assuntos desse tipo. Tenho meu próprio divã eé de graça!Paulo começa a rir e diz:- Sério? Se é de graça, então vou me consultar.- Fique à vontade!- Na verdade eu não sei o que anda acontecendo, parece que está tudodesmoronando...Eu sempre tive um relacionamento maravilhoso com a minha mulher.Sabe aquelas histórias de filme, que só faltava a Torre Eiffel atrás e uma trilha sonorahollywoodyana pra ficar perfeita?- Sei! – Marcela sorri.- Então... Agora parece que foi tudo uma mentira. – Paulo diz, triste.- Por que? Você não sente mais nada por ela?- Não, pelo contrário. A cada dia eu amo mais aquela mulher. Mas não dá mais, a gentesó se desentende ultimamente, e eu sinto que se não dermos um tempo agora, aí sim,vamos perder todo esse amor que construímos por tantos anos.- Eu já ouvi falar muito da estória de vocês, e admito que admiro muito vocês dois...Éuma surpresa escutar isso.- É, tá sendo pra mim também. Uma surpresa desagradável.- Se eu puder ajudar...- Será que eu posso confiar em você? – Paulo brinca com Marcela.- Não sei, o que você acha? – Marcela joga um olhar sedutor para Paulo e nessemomento, Esther aparece no café.- Olá!- Esther! – Paulo diz, surpreso.- Oi! – Marcela diz, sem graça.- Essa é a Marcela, jornalista de São Paulo, fez uma entrevista comigo, lembra quecomentei com você? – Paulo a apresenta para Marcela.- Lembro sim. Prazer, Marcela.- Prazer!- É... – Esther fica nervosa e pensativa ao falar. - Paulo, eu estava passando por aqui e tevi...Seu celular está desligado. Só queria dizer que essa noite eu tenho um jantar comalguns fornecedores...Nós tínhamos combinado de dividir as tarefas, lembra?- Claro, claro.- Eu já estou indo. Chego mais tarde em casa...- Esther diz, friamente.- Tudo bem, até mais. – Paulo sorri, de leve.- Até logo. – Esther se despede de Marcela.- Até mais. – Marcela responde.Paulo suspira e coloca as mãos sobre a cabeça, depois diz:- Viu só? Há alguns tempos atrás nós nunca nos despediríamos dessa forma. Tão fria.
  3. 3. - É assim mesmo, querido. Todo casamento precisa de um desentendimento de vez emquando. Senão ficaria muito chato.- Não...Não com a gente. Você não tem ideia.- É, acho que não. Mas tenho certeza que tudo vai se resolver.- Tomara...Paulo e Marcela conversam por mais algum tempo e ele se despede dela:- Obrigado pela ótima companhia, Marcela! Eu estava precisando.- Imagina! Vou ficar agora no RJ por alguns meses. Nos vemos depois em outrosencontros triviais.- Com certeza!- E ânimo! Se quiser desabafar, é só me ligar! – Marcela entrega seu cartão para ele. – Ese tiver uma pauta sobre moda, estou às ordens também!- Combinado! – Paulo beija o rosto de Marcela e vai embora. Ela fica o olhando partir.Capítulo IIDepois de um tempo, Paulo chega na casa de sua irmã Tereza Cristina:- Paulo! Cadê a sua querida esposa?- Ah, a Esther está em um jantar com fornecedores.- E você não está junto com ela? Meu Deus! Vai chover canivete. Você ouviu issoRené?- Ouvi...Deixa seu irmão, Tereza.- Nós decidimos dividir algumas tarefas, só isso...- Hum, sei. E essa sua cara de acabado? É por que?- Tereza! – René a repreende.- Deixa, René! Eu tô acostumado com a minha irmã! Essa minha cara é de cansaço, sóisso.- Sei...Não é de hoje que eu venho notando uma distância entre você e a Esther. Tenhocerteza que aí tem coisa.- Tereza...Por que a gente não toma alguma coisa, né? Você quer beber o que, Paulo?- Eu aceito um vinho, por favor.- Vou te acompanhar. – René vai buscar as bebidas e Tereza continua fixando seu olharno irmão.- Não vai me contar mesmo?- Não tem nada pra contar, Tereza. Quando tiver, você vai ser a primeira a saber, tudobem?- Ai, grosso!Paulo começa a rir e pega a taça de vinho que Renê traz para eles.Renê e Paulo começam a conversar sobre negócios e Tereza fica entediada:- Ai, que assunto chato hein. Nessas horas que eu sinto uma falta imensa daEsther...Trata de se reconciliar com ela logo, meu querido. E nem venha com a notíciaque vocês dois se separaram e me traga uma outra mulherzinha aqui pra casa, que euacabo com você!- Paulo, a Tereza hoje está impossível...Desculpa.- Não se preocupa, Renê. E Tereza, isso não vai acontecer...- Eu espero mesmo. Com licença, vou subir... Crô!!!!!!!!!!!Cadê você? – Tereza Cristinasobe as escadas chamando o empregado.Paulo e René começam a rir e continuam a conversa, até que depois de um tempo Renêdiz:
  4. 4. - Desculpa tocar nesse assunto, Paulo. Mas também percebi que você anda um poucopreocupado...Aconteceu alguma coisa?- Ah, nada, é só que...Infelizmente eu comecei a entender o que é passar por problemasconjugais. Mas não comenta nada com a Tereza, por favor. Ela sempre aumenta ascoisas.- Claro...Tudo bem.Nesse instante, Tereza Cristina escuta a conversa atrás das cortinas sem que eles notem,e diz em voz baixa:- Eu sabia...Esther chega cansada em casa depois do jantar e Paulo ainda não havia chegado. Elatoma um banho e se deita para ler um livro. Depois de alguns minutos, Paulo finalmentechega e vai até a cozinha, sem coragem de enfrentar uma conversa com Esther. Elepensa sozinho:- Meu Deus, o que está acontecendo? Eu, me sentindo mal em encontrar minha esposa.Com medo...Ele bebe um copo de água e em seguida segue para o quarto, respirando fundo. Aoentrar, ele olha para Esther já na cama, concentrada em seu livro:- Oi, boa noite.- Oi. Tudo bem?- Sim. Estava na casa da Tereza.- Hum.- E o jantar?- Foi tudo bem. Consegui fechar com os fornecedores, naquele valor que tínhamoscombinado.- Que bom, que bom! – Paulo sorri e vai até o lado da cama onde estava Esther e a beijano rosto. Ela o olha séria e depois sorri rapidamente, voltando à sua leitura.- Eu vou tomar um banho...- Tudo bem. – Esther diz e quando ele fecha a porta, ela coloca o livro ao lado e suspira,dizendo consigo mesma:- Isso não pode estar acontecendo...Um tempo se passa e Paulo volta do banho. Ele se deita e os dois ficam um tempocalados. Esther coloca seu livro novamente na mesa ao lado e fica pensativa, encostadana cabeceira da cama. Paulo se vira para ela, se encosta também e diz:- Acho que a gente precisa conversar, né...- É...- Nós nunca passamos por um tempo tão longo assim de desentendimento, tudo está tãoestranho... – Paulo diz, nervoso. – Eu não queria ficar assim com você... – Ele toca orosto de Esther carinhosamente e ela concorda:- Eu também, meu amor. Está sendo tão difícil esses dias...Eu estou confusa, minhacabeça está um turbilhão.- Eu sei, eu sei...Eu cheguei a ser estúpido com você, autoritário, mas, eu não consigoentender essa sua proximidade com aquela mulher. Não encontro motivos.- Como não, Paulo? A gente conversou tanto sobre isso esses dias. Olha só, eu acho queentendo esse seu medo, essa insegurança...Mas se por acaso der certo essa inseminação,eu vou ter essa criança dentro de mim, como se fosse minha, como se fosse sua...- Não é bem assim, Esther. Você confia mesmo nessa doutora?- Sim, ela é tão competente, uma profissional renomada, conhecida.- Sei...
  5. 5. - Eu acho que você precisa conhecê-la melhor, só isso.- Não Esther, eu já tive muita boa vontade, eu queria estar do teu lado nessa decisão,mas desde o momento que eu soube que você também não podia ter mais filhos...Issonão fez mais sentido. Você quer adotar, então? Podemos adotar...- Paulo, é diferente. Eu vou poder ter essa realização de realmente ser mãe, de sentiressa criança dentro de mim...Você entende?- Mas ela não vai ser sua! – Paulo aumenta o tom de voz e Esther fica paralisadaolhando para ele, por alguns instantes.- Acho melhor a gente parar essa conversa por aqui. – Esther consegue dizer, chateada.Paulo tenta contornar a situação, buscando as palavras certas, mas não consegue. A suavontade era de beijá-la, abraçá-la e pedir desculpas, mas o orgulho e a frustração pornão poder dar à ela o que ela queria, eram maiores.Esther vira para o lado e se deita. Paulo faz o mesmo e os dois, depois de muitopensarem, adormecem.Já é de manhã e Esther levanta mais cedo. Ela toma um banho e depois toma café juntocom Paulo. Eles não trocam nenhuma palavra, porém o desejo de ambos é de passar porcima de todos os problemas e se renderem um ao outro. Mas nenhum deles fazem nada.Eles seguem de carro para o escritório e quando estão na entrada, Marcela aparece:- Oi! Como vocês estão?- Marcela! Tudo bem!- Oi, tudo bem. – Esther responde, com um olhar desconfiado, se colocando mais aolado de Paulo, quase tocando a mão dele.Capítulo III- Eu vim trazer seu celular, Paulo. Você esqueceu ontem comigo no café.- Ah, sim...Que cabeça a minha. Muito obrigado, Marcela.- Por nada. A gente se fala...Um abraço. Tchau...- Até mais. – Paulo se despede e os dois sobem de elevador.Esther quebra o silêncio enquanto subiam de elevador e diz:- Você e essa...Marcela...Se conheciam antes de SP?- Como? – Paulo sorri, estranhando a pergunta. – Claro que não. Disse à você que nosconhecemos naquela entrevista.- Tudo bem...Foi só curiosidade.- Por favor, Esther, não tente encontrar motivos pra...- Paulo! Foi só uma pergunta...Não quero motivos para nada.- Só acho que do mesmo jeito que você tem o direito de ter suas amigas, eu tambémtenho.- Pelo amor de deus, Paulo. Não vou discutir com você...- Esther diz, chateada, e sai doelevador antes dele.- Bom dia! – Ela diz para os funcionários, friamente, e todos percebem o clima entre ocasal.- Bom dia...- Paulo diz logo em seguida e entra no escritório fechando a porta.- Escuta, Esther. Não dá mais pra gente continuar assim. Tenho certeza que vocêconcorda comigo...- Sim...Eu não sei o que está acontecendo, mas...tá tão difícil.
  6. 6. - Muito...muito difícil. – Paulo diz, quase sussurrando, chegando cada vez mais perto deEsther. – Eu sinto tanta falta de você, meu amor. Tanta falta, de te beijar, de sentir tuapele...De rir com você, de passar por cima de todos os problemas...Mas não está dando.- Não...- Ela diz, olhando para ele com tristeza. Paulo se aproxima cada vez mais e elesquase se rendem a um beijo quando o celular de Paulo toca. Ele retira sua mão, queestava quase no rosto de Esther, se afasta e atende o celular:- Alô. Oi, César. Tudo bem...Não, já estou indo até aí. Até mais... – Ele desliga e diz:- Era o César, vamos fechar aquele contrato com uma nova loja na Zona Leste.- Que bom...- Esther diz, mordendo os lábios.- Eu...- Paulo continua a conversa e se aproxima um pouco dela...- Eu achei que omelhor seria a gente dar...um tempo...pra nós dois. Pra não acabar com todo esse amorque nós temos, que eu sei que ainda temos...Esther apenas concorda com a cabeça e deixa escapar uma lágrima, que é rapidamenteretirada de seu rosto pelas suas mãos.- Tudo bem. É o melhor...- Por enquanto...- Paulo acrescenta. – E eu vou pra um flat, hoje ainda.- Hoje? – Esther questiona, sem pensar.- É, é o melhor...Mas nada disso pode e vai afetar nossa sociedade na Fio Carioca.- Claro. Tantos anos nos dedicando a esse negócio...- Eu não quis dizer que a Fio Carioca está em primeiro plano, mas...- Não, eu entendi. – Esther o interrompe. – Acho melhor eu...ir...Preciso resolveralgumas coisas lá fora... – Ela diz, tropeçando nas palavras, e sai da sala.Paulo espera Esther sair e esmurra o encosto da cadeira na sua frente, dizendo:- Droga...Eu te amo tanto, Esther, tanto...A tarde cai e Esther já está em casa. Ela havia chegado antes de Paulo, que estava numareunião com César, visitando pontos das lojas inaugurais na Zona Leste.Esther resolve tomar um banho, temendo encontrar Paulo. Ela preferia não encontrá-lofazendo as malas e partindo. Seria ainda mais doloroso.Enquanto isso, Paulo tenta se livrar rapidamente da reunião, para justamente nãoencontrar a esposa em casa e não correr o risco de desistir da decisão que havia tomado.Ele sai correndo de carro e chega em alguns minutos. Esther ainda estava no banho...Paulo vai até o armário e coloca algumas roupas dentro da mala, sentindo um grandeaperto no peito. Depois que havia terminado de arrumar seus pertences, ele se aproximada porta do banheiro e a empurra de leve, movido por uma vontade imensa de verEsther... Ela estava no banho e era possível ver refletido na porta do box a sua silhueta.Paulo se aproxima cada vez mais e não resiste, abrindo a porta:- Paulo?! O que você...- Não diz nada...- Ele diz, já tirando suas roupas e entrando rapidamente no box juntodela. – Não fala nada, meu amor. Eu só preciso de você agora...do teu beijo. – Paulo nãofala mais nada e a puxa para perto dele, segurando com firmeza a nuca dela contra seurosto, alcançando os lábios de Esther e a beijando cheio de urgência.Ela retribui o beijo e os dois sentem que aquele momento era uma despedida e o iníciode uma nova fase em suas vidas.Ainda no banho, Paulo se desprende dela depois do beijo e a encosta na parede,beijando-a no pescoço. Esther fecha os olhos mas de repente o afasta:
  7. 7. - Não, não...Paulo, é melhor você ir de uma vez. Ou tudo vai voltar a ser como antese ...- Tá, tá certo. – Paulo diz, eufórico, tentando se desprender dos braços da esposa. –Você tem razão. Eu preciso ir embora, não é?- Precisa.Esther se afasta dele com dificuldade e alcança uma toalha, a envolvendo em seu corpo.Paulo faz o mesmo, colocando a toalha amarrada em sua cintura. Ela tenta se desviar dePaulo, que estava em sua frente, mas ele não deixa, a prendendo em seus braços:- Esther, calma...Eu não vou conseguir, por favor, desiste dessa história toda deinseminação, pode ser tudo uma enganação dessa médica...por favor.- Paulo, o problema é que você não permite ouvir outras opiniões. Só o que você pensaestá certo. Essa é a nossa última oportunidade, você não vê? Eu não quero ter esse filhosozinha, eu quero ter com você! Esse filho é nosso!- Esse filho não existe, Esther! Entende isso...Desse jeito que você quer, não dá. Euestraguei tudo, eu sou estéril e obriguei você a esperar esse tempo todo, e agora é tarde.Esther consegue se desfazer dos braços dele e vai até o quarto:- Eu não vou desistir, Paulo. Eu não vou perder essa oportunidade, não agora...Comtudo na mão.- Isso quer dizer o que?- Isso quer dizer que eu gostaria imensamente que você me apoiasse, mas...mas se isso éimpossível, eu sigo sozinha.Capítulo IV- Então o filho é só seu, agora?- Paulo, eu não vou discutir mais...Por favor. Acho melhor você ir...- Esther diz,olhando para baixo e abrindo a porta do quarto.Paulo suspira como se tivesse perdido uma batalha e veste suas roupas, com os olhoscheios de lágrimas.Ele pega a mala, pára perto da porta onde estava Esther, ainda com os cabelos molhadose envolvida pela toalha, e diz:- Eu nunca vou deixar de te amar.Esther apenas continua olhando para baixo e não contém as lágrimas. Paulo também seemociona, pega a mala do chão, hesita mais um instante dando a impressão que voltariapara trás, mas segue em frente sem olhar para Esther.Esther solta a maçaneta da porta e vai deslizando lentamente até se sentar no chão. Elacoloca a cabeça por entre as pernas, segurando os cabelos para trás e chora, com umsentimento de perda, culpa e impotência.O dia amanhece e Esther acorda com dor de cabeça. Ela se recorda da noite anterior e selevanta com má vontade. Era o primeiro dia sem Paulo, sem acordar ao lado dele, semtomar o café da manhã observando ele ler o jornal e adoçar o café com 4 gotas deadoçante. Ela percebe que nada mais havia sentido, a não ser sua vontade imensa, quecrescia a cada dia, de ter um filho:- Mas esse filho sem o Paulo, não vai ter sentido... – Ela diz, colocando seus pensamosem voz alta.Esther se levanta e vai se arrumar, com medo do primeiro dia de trabalho ao lado de umsócio que não era mais seu companheiro.
  8. 8. Chegando no escritório, Paulo demonstra claramente que não havia dormido bem. Eleestava com olheiras e aparentemente cansado:- Bom dia. – Ele diz, quase sem voz, para os funcionários da recepção.Ao entrar na sua sala, ele se depara com Tereza Cristina sentada em sua cadeira:- Bom dia, meu querido!- Tereza? O que você faz aqui?- Nada...Vim só dar um jeito nessa sua vida bagunçada. – Ela diz, se levantando.- Do que você está falando?- Meu bem, não tente esconde nada de mim. Eu sei o que está acontecendo entre você ea Esther.- Hum,o René te contou?- Não, eu ouvi a conversa de vocês dois...Mesmo se não tivesse escutado, eu teriadescoberto sozinha.- É, não duvido disso.- Pois então, querido. Eu havia encontrado a Esther muitas vezes em companhia daquelamédica...Meio bizarra ela, não é? – Tereza diz, fazendo uma cara de espanto.- E... – Paulo tenta desenrolar o assunto.- E eu descobri que ela é especialista em fertilização in vitro.Paulo fica apreensivo e começa a andar de um lado para o outro, sem dizer nada.- Meu irmão..Vocês não podem ter filhos, né? Eu desconfiava disso...E essa briga devocês, é por isso.- É, Tereza. Você descobriu, parabéns. – Paulo diz sorrindo, de forma irônica.- Hum. Não precisa falar assim...Eu só quero ajudar.- Não tem como ajudar. O melhor que se tem a fazer é não mexer nisso...Eu não queroque você fale com a Esther, entendeu?- Calma! Eu não vou falar...Mas eu acho interessante essa ideia...E vai ser um filho dela,da mulher que você ama, não é?- Não. Ela não pode ter filhos...- Não? Então o filho seria de desconhecidos?- Exatamente..- Hum...Complexo isso, hein. Agora eu já não sei...- Tereza diz, pensativa.Nesse instante, Esther entra na sala e os dois a olham, apreensivos. Esther percebe umclima estranho e já imagina que Paulo tenha contado da briga dos dois para a irmã:- Oi Tereza, como vai?- Querida! Estou ótima...Vim só fazer uma pequena visitinha...Já que você não aparecemais lá em casa.- Ah, pois é, eu ando muito...- Esther olha para Paulo..- ocupada.- Eu sei disso, meu amor. Vou deixar vocês dois sozinhos, acho que vocês precisamconversar...Um beijo. – Tereza se despede de Esther e Paulo com um beijo, e sai dasala.Esther olha Tereza sair da sala e olha para Paulo com um ar de insatisfação, colocandosua bolsa na mesa:- Aposto que ela veio comentar sobre nós dois, não foi? Vocês já conversaram sobreisso?- Eu não contei...Ela já tinha percebido.Esther fica em silêncio e se senta, arrumando alguns papéis. Paulo fica a observando poralgum tempo e finalmente diz:
  9. 9. - Você...você está bem?- Sim...E você?- Também. Um pouco...cansado. Não dormi...- Nem eu. – Esther diz, engolindo a seco.Nesse momento, alguns colegas de trabalho aparecem na sala para uma reunião e osdois terminam a conversa, passando a maior parte do tempo trocando olhares, cheios desaudade.Enquanto isso, Tereza Cristina vai até o restaurante de René:- Descobri, meu amor! O motivo da briga do Paulo com a Esther.- Descobriu como?- Não foi por você, porque você não me conta nada... Descobri por ele.- Hum, e ele está bem?- Arrasado...E a Esther também, com uma cara péssima. Os dois cheio de olheiras...- Complicado isso...Essa questão de não poder ter filhos, nem imagino como deve ser.- Como assim? Então você sabia o motivo do desentendimento deles? E não me contou?Pensei que você só sabia da briga, seu traidor.- Meu amor, calma. Era um assunto particular do seu irmão, não sabia se podia contar...- Ai essa cumplicidade entre homens...Mas então, ele te contou que era estéril?- Sim. Há uns dias atrás.- Quem sabe eles não adotam...Uma criança de meses de vida, eles criam como sefossem deles.- Não sei não. Acho que o Paulo, apesar de tudo, não quer ter filhos...- Não? Ai, que estranho isso. Não me imagino sem meus filhotes.- Pois é, mas cada um com suas escolhas.- E a Esther? A Esther anda até vendo esses médicos de fertilização....Será que é porisso a briga? Ele não quer, e ela quer?- Certamente. Mas não devemos nos meter nisso, Tereza.- Mas René...A gente tem que ajudar. Eu vou abrir a cabeça desse meu irmão...Apesarque ter um filho que não é do nosso sangue, não é uma boa ideia. Vai que essa criançavira um pivete?- Tereza! Que maneira de dizer...Claro que não.- Sei lá, né? Preciso pensar mais sobre isso. Vou indo, meu amor. Beijinho. – Tereza sedespede de René com um beijo e vai para casa.Capítulo VQuando a reunião termina, Esther sai para conversar com uma das suas secretárias ePaulo caminha junto dela, até que a recepcionista diz, ao atender um telefonema:- Pra você, Seu Paulo. É a Dona Marcela.Esther lança rapidamente o olhar para ele, que percebe. Paulo atende o telefone, semgraça:- Oi, Marcela? Não, não. Tudo bem...Já estou descendo. – Ele desliga e se volta para assecretárias e Esther. – Eu vou tomar um café, já volto.Esther não diz nada e continua seu trabalho.Chegando no café, Paulo se encontra com Marcela:
  10. 10. - Ai, desculpa ficar no seu pé assim. É que tenho uma surpresa. – Marcela mostra à ele oresultado final da entrevista que ele fizera em São Paulo para um jornal muitoimportante.- Que maravilha! Vamos sentar, quero ler com calma.Depois de ler a matéria feita por Marcela, Paulo diz:- Está perfeita! Maravilhosa essa matéria.- Ai, não fala assim que eu fico sem graça. E claro, o entrevistado ajudou muito pra isso.- Ah, que nada! A Fio Carioca é o único motivo, e o seu talento!- Obrigada! – Marcela diz e fica um tempo olhando para ele e Paulo tenta mudar oclima:- E então? Como anda tudo?- Tudo ótimo...Só você que não parece tão bem assim...- Ah, aposto que são minhas olheiras! – Ele brinca.- É, também...O que foi que tirou seu sono, hein?- Adivinha..- Hum, esposa?- Touché! Eu já não sei mais o que fazer...Resolvemos dar um tempo..- Hum. Sinto muito...De verdade.- Acho que vai ser melhor assim, por enquanto. Mas está sendo muito difícil ficar longedela.- Mas qual é o real motivo pra esse desentendimento, se você a ama tanto?Paulo fica em silêncio e Marcela se desculpa:- Ai, desculpa. Estou sendo muito intrometida né? Não precisa responder.- Não, tudo bem. Já não é mais segredo algum, mesmo. É que eu sou estéril, e a Estherquer muito ter um filho, só que ao mesmo tempo descobrimos que agora é tarde demaispra ela também ter filhos...Daí em meio a isso tudo surgiu uma tal médica especialistaem fertilização que fica colocando idéias na cabeça da Esther. Enfim...- Entendi... É complicado, eu confesso que pensei que fosse mais simples.- Pois é...- Mas por que vocês não arriscam essa fertilização? Você não quer?- Eu acho essa ideia muito maluca, não consigo entender que esse filho seria realmentenosso, sabe? E além de tudo, eu não quero ter filhos...Seria um transtorno, umincômodo, nesse momento.Nisso, Tereza e Esther chegam e escutam o que Paulo havia falado. Paulo se assusta aover irmã e esposa ao seu lado:- Esther? O que vocês fazem aqui? – Ele diz assustado, temendo que Esther tenhaescutado.- Eu a trouxe pra cá, pensei em sentarmos nós três ( Tereza enfatiza o “três”, com umolhar fuzilador para Marcela) pra tomarmos um café, mas parece que não chegamos emboa hora.Quando Tereza termina de dizer, Esther vai embora apressadamente, em silêncio. Paulodeixa Marcela e Tereza e corre atrás da mulher:- Esther, Esther! Espera! – Paulo grita, tentando alcançar a esposa.- Me deixa, Paulo.- Calma, calma...A gente precisa conversar. – Paulo puxa Esther pelo braço.- Me larga, Paulo. Eu não quero mais tocar nesse assunto.- Entra aqui, por favor – Paulo abre a porta do seu carro, que estava estacionado logo àfrente, e pede para Esther entrar. Ela o obedece, sem vontade.
  11. 11. Quando Paulo entra no carro, Esther não diz nada, apenas fixa seu olhar para frente,com os olhos marejados. Ele respira fundo e fala:- Meu amor, eu...Eu sei que esse desejo seu de ter filhos é completamentecompreensível. Você é mulher, você é uma mulher maravilhosa, tem o direito de terquantos filhos quiser...E eu estraguei tudo...- Não fala mais nada, Paulo, por favor... Você acabou de dizer para aquela mulher queter um filho comigo seria um incômodo.- Não foi bem assim...- Foi! Pelo amor de deus, eu escutei....você dizer aquilo, com todas as palavras.- Eu sei, eu sei...Mas isso é coisa minha, eu admito, admito que eu não tenho esse desejoagora, que pra mim o nosso casamento tava perfeito, tava maravilhoso...Mas eu te adorotanto, eu te amo tanto...Que eu cheguei sim a concordar com essa ideia de fertilização,pra te ver feliz.- Não, você não entende...Eu queria um filho nosso, e não só meu. Se você tivesse medito desde o começo, Paulo...Se você tivesse se aberto comigo. Mas você mentiu pramim, você ficou alimentando essa minha vontade, sugeriu que adotássemos, sendo quevocê nunca, nunca quis ter um filho.- Não, não é bem assim. Eu já pensei em ter filhos, há alguns anos. Mas já faz tantotempo que eu já tinha me acostumado com esse meu problema...que eu não tinhacogitado mais em ter filhos, que eu pensei que estaria tudo bem, que continuaríamos nosamando como sempre...Como sempre foi..Perfeito....Mas de uns tempos pra cá, desdequando você começou a ter contato com essa Danielle, você mudou, fica distante, sóconversava com ela sobre seus problemas, esquecia de nós dois...- Não fala isso. Eu nunca esqueci de nós dois. Eu nunca pensei um segundo sequer emter esse filho sozinha, você sabe disso...- Eu sei... É que às vezes acho que estou te prendendo nesse casamento.- Que isso? Eu nunca te culpei, Paulo. Nunca... Mas você só sabe fazer isso , todo otempo...Se culpar.- Tudo bem...eu errei em não me abrir com você, não é?- Sim...Você preferiu se abrir com ela...com aquela mulher....- Esther fica em silênciopor alguns minutos e depois diz: - Eu preciso sair daqui, respirar.- Calma, não vai. Por favor..Me perdoa, meu amor. Eu te amo tanto, Esther. Eu fariatudo por você, pra te ver feliz...Mas tenta entender, seria tão complicado pra mim.- Eu não consigo entender. Me desculpa, mas...não dá.- Não, Esther, espera. Não sai assim... – Paulo segura o braço dela e se aproxima ,tentando tocá-la no rosto, porém Esther se desfaz dos braços de Paulo:- Por favor, me deixa... – Ela se solta e sai do carro.Paulo abaixa a cabeça no volante do carro e depois empurra sua mão contra ele,nervoso.Capítulo VINo dia seguinte, é o aniversário de René, e os preparativos da festa estão a todo vapor.Tereza Cristina e Crô estavam cuidando de todos os detalhes, e fizeram questão queRené descansasse, sem nem mesmo opinar no cardápio do jantar.Ele e Paulo saem para conversar no restaurante:- Quero você lá em casa hoje à noite, hein.- Sim... - Paulo diz, desanimado e pensativo.- Essa preocupação toda é por conta da Esther, não é?
  12. 12. - Pois é..Não sei como seria um evento desses sem a Esther ou com ela do meu lado,nessa situação.- Imagino. Mas a Tereza já a convidou.- Não, eu sei disso. É claro que vocês têm que convidá-la.- Você acha que vai ser desconfortável? Se for, não tem problema vocês não irem.- Que isso... Eu vou, com certeza. Afinal, não é sempre que a gente chega na terceiraidade! – Paulo ri para descontrair.- Epa! Tá longe disso acontecer, hein! – René ri junto com Paulo.- É!- Mas, se anima aí. Vai dar tudo certo.René bate nas costas de Paulo e eles se despedem.Esther estava no escritório conversando com um dos funcionários e Paulo ainda nãohavia chegado. Meia hora depois, ele aparece:- Olá, olá!Quando ele chega até Esther, ela continua concentrada em seu trabalho até elecumprimentá-la:- Oi...Tudo bem?- Oi. Sim...- Ela diz, transparecendo em seu olhar o amor, o desejo e a saudade quesentia por ele, apesar de tudo. Paulo olha para os lados, pensando no que dizer efinalmente fala:- É...Eu estava no restaurante com o René. Hoje vai ser a festa de aniversário...- Pois é. A Tereza me ligou mesmo.- Você...vai?- Eu preferia não ir...Mas a sua irmã insistiu e...se você não quiser que eu... vá...- Imagina! Eu nunca pediria isso. Acho que nós temos que ir...- É, tudo bem...- Eu posso passar pra te pegar? Pra irmos juntos?- Acho melhor não, Paulo...- Tá...Tudo bem. – Paulo diz, triste. – Eu vou ali, ver como andam os banners prasnovas lojas.- Certo.Paulo a olha por mais alguns minutos e sai, ainda triste, e Esther tenta esconder osofrimento, voltando ao trabalho.O casal passa a maior parte do tempo afastado no escritório da Fio Carioca, e nosmomentos que estão próximos sempre há mais alguém por perto, o que os deixa aindamais tensos e inconformados com a separação. Há pouco tempo, os dois estariam seabraçando e se beijando diante de todos do escritório, em meio a risadas e declaraçõesapaixonadas. Mas tudo estava estranho.Já é noite e Paulo encontra Esther arrumando suas coisas na mesa e pegando sua bolsapara ir embora:- Oi...Posso entrar? – Ele bate de leve na porta.- Claro...Essa sala também é sua. – Ela diz, sorrindo, ainda olhando para suas coisas,evitando o olhar de Paulo.- Você já está indo?- Sim, preciso me arrumar pra festa...- É, eu também. Você quer que eu te leve, pra não se atrasar?- Não...não precisa. Eu estou de carro hoje.
  13. 13. - Hum. Tudo bem, então...Vamos? Eu te acompanho até o estacionamento.- Certo. – Esther sorri e Paulo toca os ombros dela, a acompanhando até o lado de fora.Os dois caminham até o estacionamento e Paulo pára diante do carro dela, seaproximando, e fazendo com que ela encostasse no carro. Ele apóia o braço no carro eabaixa a cabeça, olhando para os pés e dizendo:- Esther...Me desculpa por ontem. Eu falei coisas que não queria.- Não..não vamos mais falar sobre isso. Você sabe que não dá certo.- Eu sei, só queria me desculpar.- Tá tudo bem. Melhor a gente ir, senão vamos nos atrasar...Do jeito que você demorano banho. – Esther começa a rir e Paulo ri junto com ela.- Pois é! Você é tão mais prática do que eu e faz tudo com tanta perfeição. – Ele a olhafundo nos olhos enquanto diz e os dois ficam um tempo se olhando em silêncio. Pauloendireita seu corpo e se aproxima mais ainda de Esther. Os dois trocam olhares,desejando imensamente que acontecesse um beijo, mas pessoas começam a chegar nolocal e eles se dispersam.- Bom, eu...já vou...- Esther se desfaz do clima com dificuldade e entra no carro. Paulodiz tchau e se afasta, a observando ir embora.São 21 horas e todos já estão reunidos na casa de Tereza, inclusive Paulo, que haviachegado antes de Esther. Todos estranham a ausência da esposa ao seu lado, porémninguém comenta a separação dos dois.Em meio a conversas, Paulo tenta esconder seu desânimo, quando de repente a porta seabre e Esther aparece com um vestido preto com detalhes discretos na cor vinho. Omodelo era padronizado, seguindo o seu gosto por decotes avantajados nas costas. Pauloa olha maravilhado, aumentando ainda mais a saudade que estava sentindo.Esther cumprimenta todos e Paulo logo se levanta:- Oi! – Ele diz sorrindo.- Oi! – Esther se aproxima dele e o beija rapidamente no rosto.Todos percebem o clima e tentam descontrair, puxando conversa e oferecendo bebidas.Esther entrega o presente à René e o abraça, desejando felicidades.Capítulo VIIO jantar começa e Tereza havia separado uma cadeira para Paulo ao lado de Esther,propositalmente. Os dois se sentam, um pouco sem jeito, e ficam o jantar todo sem sefalar e evitando olhares, porém era impossível que alguns olhares furtivosacontecessem. Tereza então, em meio à outras conversas, engata uma provocação:- Esther, meu bem, você não comeu quase nada. Não me diga que está de regime comosuas modelos?- Não, meus tempos de regime já se foram. A comida está ótima, eu é que estou umpouco sem fome.- Aposto que isso é culpa do meu irmão.- Tereza! – René a repreende.- Mas é...Eu canso de aconselhar o Paulo, mas ele não me ouve.Esther e Paulo se entreolham e ficam em silêncio. René logo muda de assunto e todosdescentralizam a atenção do casal, menos eles próprios.
  14. 14. No final da festa, acontece também a queima de fogos. Todos vão para o jardim eEsther hesita, pois se lembra da última vez que estivera na mesma situação, porém,junto de Paulo.Eles seguem para o jardim e ficam de braços cruzados, um do lado do outro. Paulo nãoresiste e se aproxima, dizendo:- A noite está linda, não está?Esther sorri levemente e concorda:- Pois é. Linda...- Não mais do que você...Você tá maravilhosa.- Obrigada. – Esther agradece, sem jeito.Paulo não tira os olhos dela, que tenta desviar seu olhar e prestar atenção nos fogos. Osdois continuam um do lado do outro, em silêncio, sentindo apenas um frio na barriga,como se fossem dois estranhos descobrindo o amor.Terminado a queima de fogos, Paulo ainda continua observando Esther, quando eles sãointerrompidos por Tereza:- Queridos! Vamos entrar?Paulo sorri e Esther vai logo na frente. Já na sala, todos se sentam e conversam mais umpouco. Paulo se senta ao lado de Esther, porém, mantendo uma certa distância. Elaparticipa da conversa dele com René:- E a Fio Carioca? Está a todo vapor?- Sim. Cada dia melhor. – Paulo diz.- E quando vamos ter outro desfile daqueles? – Tereza pergunta. – Quero ficar emêxtase de novo com novos modelitos.- Pra esse ano fica difícil. Vamos ver o que acontece no primeiro semestre do ano quevem. – Esther responde.- Ah, vai demorar muito. E vê se não engravida ano que vem, pra adiar mais ainda...-Tereza começa a rir.- Tereza! – René a repreende, a puxando de lado.- Ai, René. Eu só... – René a interrompe novamente:- E então? Vocês querem mais alguma bebida?- Não, eu na verdade já vou indo. Amanhã preciso acordar cedo. – Esther diz, séria.Paulo a olha, desconcertado com a brincadeira da irmã e levanta junto com ela.- Eu também vou indo, gente. Também trabalho.- Ah, mas que pena. Estava tão bom. – Tereza diz.- A festa estava ótima! Mais uma vez, parabéns René, tudo de bom! – Esther ocumprimenta e em seguida se despede de Tereza Cristina, seguindo até a porta. Paulo sedespede rapidamente dos dois, a fim de alcançar Esther.Quando a estilista já está dentro do carro, quase dando partida, Paulo entra rapidamente,a assustando:- Paulo?!- Me deixa ir com você...Por favor. – Paulo pede.Esther tenta dizer algo mas não consegue, apenas fica o olhando, sentindo tudo aomesmo tempo: a descoberta do imenso amor que sentia por aquele homem, a vontade deabraçá-lo, a falta que ele fazia e a decepção que sentira há tão pouco tempo atrás.Ela continua sem dizer nada e apenas liga o carro, indo para casa junto com Paulo.Tereza os observa pela janela e diz para René, longe dos convidados:- Esses dois nunca vão conseguir ficar separados. Não adianta... Mas se a Esthercontinuar com essa ideia maluca, não sei não...
  15. 15. - Como assim? Achei que você estava apoiando a Esther.- Ai, não sei. Pensei melhor sobre isso tudo de fertilização, é tão estranho. Essa criançater pais desconhecidos e a Esther ser hospedeira. Estranho demais.- Ai, Tereza! Você é muito inconstante!- Mas...Melhor ter um sobrinho bastardo do que o Paulo trazer outra mulher pra cá.- Você não tem jeito, Tereza Cristina. Vamos pra lá, vai.Os dois vão até a sala e continuam a conversa com os convidados.Esther estaciona o carro na garagem do condomínio e eles sobem juntos, calados. Pauloa observa todo o tempo.Chegando em casa, Esther entra, deixando a chave do carro em cima da mesa e Paulofecha a porta.Ela fica de frente para ele e os dois trocam olhares por alguns minutos, até que Paulo seaproxima cada vez mais. Os dois fixam o olhar nos lábios um do outro, e tomados porum silêncio ensurdecedor, eles entendem que naquele momento nenhuma palavra eranecessária. O desejo de estarem juntos era tão grande, que eles esquecem de tudo,deixando que o amor que eles conservaram há tantos anos tomasse conta delesnovamente. Sem pensar em nada, Esther se aproxima mais ainda de Paulo e consegueemitir a única frase que fazia sentido naquela hora:- Te amo...Capítulo VIIIPaulo não espera nem um segundo e puxa o corpo de Esther para junto do seu. Elepercorre as costas dela com as mãos, sentindo a sua pele, a fazendo arrepiar. Estherfecha os olhos e se deixa tomar pelo momento, como se fosse se entregar pela primeiravez nos braços de Paulo.O desejo é tanto que depois de sentirem a pele um do outro, apenas se tocando com orosto e com as mãos, eles se rendem a um beijo ardente, cheio de saudade. Enquanto sebeijavam, eles iam caminhando até o quarto, se esbarrando nos móveis da sala. Esthersorri e olha para Paulo, que retribui. Ela puxa o colarinho do terno de Paulo o trazendopara perto, em mais um beijo. Eles continuam se abraçando até chegarem no quarto.Paulo abaixa as alças do vestido de Esther , beijando o pescoço dela,descendo até seusombros. Ele caminha, a deixando de costas para ele, e beija sua nuca. Esther sorri efecha os olhos, levando suas mãos para trás, tocando os cabelos de Paulo. Ele acaricia ascostas de Esther, a beijando por todas as partes, e aproveita para descer o restante dovestido dela, que cai no chão. Ela se volta para ele e o ajuda a retirar suas roupas. Ocasal caminha até a cama e finalmente se ama.Depois de se amarem, eles ficam abraçados na cama envoltos pelo lençol, sem dizernada. Esther acaricia o peito de Paulo e ele beija os cabelos dela. Depois de um tempoela diz:- O que aconteceu aqui?- Hum...- Paulo diz, pensando. – Nós simplesmente nos amamos... de novo. E foimaravilhoso.- É...- Esther concorda e continua. – Me diz...Por que eu não consigo ficar longe devocê? – Ela pergunta e se desprende dos braços deles, o olhando.- Porque você me ama, assim como eu te amo.Esther sorri e toca o rosto de Paulo:- O que a gente faz?
  16. 16. - Não sei...não sei. – Paulo diz, olhando para ela. – Eu só sei que eu não vou conseguirme controlar toda vez que eu te ver, não dá mais pra ficar perto de você, ver esse teusorriso lindo – Paulo sorri junto com ela - ... sem te beijar, sem te tocar... Eu te amo,Esther... muito! - Paulo diz e beija o pescoço de Esther por todas as partes, a abraçando.Os dois riem e caem na cama, aos beijos.O dia amanhece e Esther está dormindo. Ela rola seu corpo para o lado, tentandoalcançar o corpo de Paulo, mas ele não estava lá. Esther abre os olhos e pensa ter sidotudo um sonho, mas não era...Foi real e o cheiro de Paulo ainda estava nos lençóis. Elalevanta, ainda com sono e esfregando os olhos, colocando os sapatos e caminhando atéa sala. Paulo estava lá, sentado, olhando para o vazio. Quando ele percebe a presença deEsther, diante da porta, ele se levanta e a olha. Os dois ficam um bom tempo trocandoolhares, lamentando que o dia tenha amanhecido e a noite que parecia eterna e perfeita,tinha terminado.Paulo diz, sorrindo levemente:- Bom dia. Não quis te acordar...Você estava dormindo tão bem...Esther apenas sorri e se aproxima dele, receosa em tocá-lo. Paulo percebe o climaestranho e diz:- Eu estava pensando... Como vai ser daqui pra frente.- Eu também...- Esther diz, olhando para baixo e Paulo alcança o rosto dela, a tocandocom carinho, fazendo com que ela o olhasse:- A gente se ama tanto Esther...Por que isso tudo foi acontecer?- Ai Paulo..- Esther desabafa, quase chorando...- Eu sofri tanto quando soube que nãopoderia ter um filho realmente meu... e seu...Que todas as minhas esperanças tinham idopor água abaixo. Depois eu pensei que seria a mesma experiência, a mesma realização,se eu tivesse esse filho... Que mesmo sendo geneticamente de outra pessoa, essa criançaia ser nossa, não é?- Esther...Eu... - Paulo tenta encontrar as palavras certas - ... você sabe...- Esther ointerrompe:- Eu sei, eu sei que você pensa diferente. Mas eu sinto que se eu não fizer isso, eu voume arrepender pro resto da vida. Eu iria criar essa criança, e a partir do momento queela estivesse dentro de mim, ela já seria minha...nossa...se você quisesse. Agora tudodesmoronou, você mentiu pra mim, Paulo...Por que você me apoiou se não era umacoisa que você queria?- Porque eu te amo. Porque eu queria ver você feliz...Mas eu vi que eu não conseguia,que eu não consigo pensar como você, desejar o mesmo...Esther apenas assente com a cabeça e caminha pela sala, entrelaçando os dedos entre oscabelos, se sentindo sem chão:- Desculpa Paulo, eu preciso tentar...com ou sem o seu apoio. Você entende?- Então você prefere abandonar tudo o que a gente construiu? Essa noite não significounada?- Paulo, por favor...- Eu preciso pensar, Esther. Eu não sei como seria minha vida agora com uma criança, eainda mais nessa situação...Você sabe que eu também não confio nessa doutoraDanielle.- Eu sei, mas eu confio.- Você a conheceu há tão pouco tempo.- Ela nunca demonstrou nenhum motivo que eu pudesse desconfiar...Ela é tão íntegra,profissional...
  17. 17. - Tudo bem, Esther. Eu não quero discutir com você, eu fico péssimo, cansado. O queeu quero é lembrar dessa noite, pra sempre. Foi tão especial, como se fosse nossaprimeira vez juntos.- Eu também me senti assim. Só que eu não vou suportar passar por isso novamente. Omelhor é ficarmos separados, realmente darmos um tempo...- Certo... E você vai continuar encontrando aquela médica, vai fazer o procedimento?- Não sei, não sei...- Esther diz, triste.- Eu vou indo..então.- Tá..Paulo olha para Esther por mais algum tempo, que estava com a cabeça baixa e apoiadano encosto do sofá, e finalmente diz:- Mesmo indo embora, mesmo não tendo o mesmo desejo que o seu, eu não canso dedizer...que eu vou continuar te amando incondicionalmente... pro resto da minha vida.(Música – “Problemas”)Capítulo IXEsther olha para ele, chorando. Paulo também se emociona e não se contém, indo até elae segurando seu rosto com as duas mãos. Ele não diz nada, apenas a olha por mais umtempo e a beija intensamente. Ele a beija várias vezes, indo até o pescoço e a abraçando.Os dois ficam um bom tempo envolvidos no abraço, de olhos fechados, até que Paulo seafasta, demorando para soltar das mãos dela.Por fim, ele lança um último olhar, retribuído por Esther, e vai embora, fechando aporta.Esther desaba, sentindo que agora tinha realmente perdido o apoio de seu marido. Ela iacomeçar uma vida sozinha, ou melhor, uma vida nova, quem sabe em companhia do seufilho e do seu amor por Paulo – que nunca ia acabar.Paulo resolve ir até o restaurante de René, para conversarem:- E aí, cara? O que foi que aconteceu?- Por que? Está tão óbvio assim que estou acabado?- Ih, já vi tudo. Esther?Paulo não responde, apenas suspira e pede:- Vamos sentar? Ou você está muito ocupado? Posso voltar outra hora...- Nada disso! O movimento ainda está tranqüilo...Vem, vamos sentar aqui...René aponta a mesa logo à frente e eles se sentam:- E então? O que aconteceu depois da festa de ontem? Vi vocês indo embora juntos...- Pois é. O que aconteceu foi que, tivemos uma recaída, mesmo ainda estando casados.– Paulo começa a rir. – Acho que nunca ouvi falar de uma história assim...Um casal quese ama, fazendo o possível pra resistir um ao outro.- É...Eu também não. – René ri e concorda. – Mas vocês passaram a noite juntos e...- E...Não adiantou de nada...Resolvemos manter o “trato” de continuarmos separados,mas eu sinto que vai ser mais difícil daqui pra frente. Parece que hoje foi umadespedida.- Ei, não diz isso. Vocês dois se amam tanto. Será que não tem uma solução pra tudoisso?- Não conseguimos encontrar nenhuma, por enquanto...- Que pena. Eu torço muito pra que tudo volte a ser como antes.- E eu...Eu penso nisso todos os dias.
  18. 18. René se levanta e dá um abraço no cunhado, nisso, o telefone de Paulo toca:- Licença... – Paulo pede à René e atende:- Oi, Marcela! Como vai? Que bom...É...Tudo bem, pode ser. Nos vemos lá, então. Umbeijo. - Paulo desliga.- Hum. Marcela? – René pergunta, desconfiado.- É...Uma jornalista que conheci em São Paulo. Estamos bem próximos...- Paulo, Paulo...Isso não é perigoso, não?- Imagina, por que seria? É só uma amiga...- Tudo bem, então. Afinal de contas, você só tem olhos pra sua mulher, não é?- Claro. Eu não me imagino com outra mulher...Nem estando separado dela, eu não vejominha vida sem a Esther.- Eu sei disso. Mas...Toma cuidado que às vezes nem a nossa certeza escapa decertos...imprevistos.- Imagina! - Paulo diz, sorrindo e convicto.René olha para ele ainda preocupado com o telefonema da tal amiga misteriosa e os doisse despedem.Paulo já estava na Fio Carioca e olhava todo o tempo para o relógio. Esther nunca haviase atrasado tanto, sem deixar recado. Ele fica preocupado, mas tenta se distrair, dandoordens aos funcionários e fazendo alguns telefonemas. Enquanto isso, Esther procuraDanielle no novo consultório que ela havia montado no Rio de Janeiro:- Por favor, a doutora Danielle está? Não marquei hora... – Esther diz à secretária.- Quem gostaria?- Diz que é a Esther.Depois de alguns poucos minutos, a secretária retorna da sala de Danielle:- Pode me acompanhar, ela vai atendê-la agora mesmo.- Obrigada! Com licença...Chegando no consultório, Danielle logo se levanta cumprimenta Esther com dois beijosno rosto, pegando em sua mão:- Querida! Como você está? Suas mãos estão geladas, aconteceu alguma coisa?Esther a olha sem dizer nada, transparecendo nervosismo e preocupação, e diz:- Posso me sentar?- Claro que sim...Por favor.- Desculpa vir sem avisar, sei que você é muito ocupada.- Imagina...Você sabe que pode vir a qualquer hora.Esther sorri levemente mas logo fica séria, dizendo:- Eu e o Paulo...Nós nos desentendemos de novo...E parece que agora é definitivo.- Eu...sinto muito, Esther. Mas você então...Vai desistir?- Não sei...Eu estou confusa, porque sem o Paulo essa fertilização não vai fazer sentido,mas ao mesmo tempo eu penso que se eu não fizer, vou me arrepender pro resto da vida.- Posso dar minha opinião, independente de ser médica, de ser “a” médica responsávelpor esse procedimento?- Claro, por favor...Qualquer opinião agora vai ser mais lúcida do que a minha própria.- Eu acho, querida, que você deve tentar. Afinal, o que você perderia tendo um filhocom o qual você sempre sonhou? E eu acredito que o Paulo irá voltar atrás quando tever grávida, quando a criança nascer. – Danielle sorri.- É, eu pensei nisso. Acho que talvez ele esteja com medo, mas depois que ele perceberque está tudo bem, que essa gravidez pode ser maravilhosa para nós dois...Talvez eleentenda.- Claro! Eu acredito que sim! – Danielle concorda.
  19. 19. - Então... podemos começar?Danielle sorri ainda mais, com um brilho nos olhos jamais visto por Esther:- Com certeza! Você fez uma sábia escolha, e eu vou fazer de tudo para dar certo...Epode ter certeza que vai!- Que bom! – Esther diz, ainda insegura.- Eu já tenho doadores, com os genes perfeitos para você.As duas conversam um longo tempo sobre a fertlização e Esther não percebe o tempopassar. Depois de algumas horas, a secretária pede licença e as interrompe:- Doutora, a paciente das 15 horas já chegou.- Nossa! Já são 3 horas? Nem vi o tempo passar...Preciso ir! - Esther diz.- A conversa estava tão boa, que também não reparei. – Danielle sorri.- Bom, obrigada Danielle...por tudo. – Esther aperta a mão de Danielle, que se levanta evai até ela, segurando em suas mãos e dizendo:- Vai dar tudo certo, viu?Esther sorri, ainda confusa com sua decisão e retribui o sorriso:- Tomara!Danielle a olha e lhe dá um abraço. Esther retribui, um pouco acanhada e se despede:- Vou indo...Obrigada de novo, até mais. Te ligo depois...- Combinado, fico esperando ansiosa.Esther vai embora e Danielle se senta, sorrindo e pensativa.Capítulo XO trânsito faz com que Esther se atrase ainda mais para chegar na Fio Carioca, e Paulofica cada vez mais aflito, esquecendo do seu encontro com Marcela. Ele a deixaesperando no café, até que ela liga para ele:- Ah! Deve ser a Esther...- Paulo diz, antes de ver o número no celular. Quando ele vêque é Marcela, se lembra do encontro:- Ih, nossa. Que droga... – E atende:- Alô, oi Marcela...Me desculpa. Eu acabei tendo uns problemas aqui noescritório...Estou descendo, tudo bem? Ok, desculpa de novo...Um beijo.Paulo olha para o relógio novamente, sem tirar Esther da cabeça, e segue para seuencontro com Marcela.Esther está passando de carro e vê Paulo entrar no café em frente ao escritório. Elaestaciona por perto e o vê junto com Marcela. Nesse momento, Esther sente que estavadeixando o caminho livre para Paulo, e se sente sem chão, pensando se a decisão quetomou era a correta. Ela liga o carro e entra no estacionamento, tentando ignorar o queestava lhe machucando.Enquanto isso, Paulo conversa com Marcela:- E aí? Fiquei preocupada com você...E com sua esposa. Vocês já estão bem?- Eu cheguei a pensar uma hora que estava tudo bem, que tudo tinha voltado aonormal...Mas não...Acho que dessa vez estamos mesmo separados.- Poxa, que pena, Paulo. Você não merece sofrer.- A Esther não merece... - Ele a corrige.Marcela fica em silêncio e depois diz:- Bom, eu não quero que você me leve a mal, mas separei uns convites pro SP FashionWeek pra você. Ganhei ontem e pensei em te dar...Achei que ia gostar.
  20. 20. - Sério? Muito obrigado, Marcela. Mas eu acho que não estou com cabeça...e naverdade eu também tenho alguns convites... - Paulo diz, desconcertado.- Ai, que cabeça a minha, é claro que você tem convites! O dono da Fio Carioca!- É, mas eu não vou..Não posso deixar o trabalho agora, com a nova coleção a todovapor.- Eu imagino...Mas, fica aqui o meu convite ainda...- Claro! – Paulo sorri. – Obrigado, mesmo assim.- Tudo bem! Vamos fazer o seguinte? Amanhã eu posso te ligar pra confrmar que vocêrealmente não vai nesse desfile?- Hum...- Pode ser sincero. Se você pedir que eu não ligue nunca mais, que eu estou sendo chatae inconveniente eu juro que vou levar numa boa!Paulo começa a rir:- Ai, Marcela! Só por conta dessa descontração eu deixo você me ligar, ok?- Ótimo!Paulo sorri e de repente fica quieto. Marcela pergunta:- O que foi?- Nada...É que pensei...que faz tanto tempo que não converso assim com a Esther, quenão rimos juntos...- Sei...- Marcela diz, sem saber como continuar.- Desculpa, eu não consigo mudar de assunto...Eu não tiro ela da minha cabeça.- Imagina, eu entendo. De verdade... O que você precisar, é só me chamar! – Marceladiz e se levanta, já indo embora.- Obrigado!- Até amanhã! – Marcela sorri e dá um beijo rápido no rosto de Paulo. Ele ri levementee volta a pensar em Esther, apreensivo.Enquanto isso, Esther está na Fio Carioca, sem conseguir tirar de sua cabeça, a imagemde Paulo e Marcela juntos. Ela senta e começa a esboçar alguns desenhos, quando Pauloaparece, batendo na porta:- Oi...Posso? – Ele pergunta antes de entrar.- Claro... – Ela diz, sentindo seu coração disparar.- Está tudo bem? Você demorou...- Tá...tá tudo bem. Eu acabei pegando um trânsito quando estava vindo da clínica...- Hum. Então você foi...Já pra fazer...- Esther o interrompe:- Não...Ainda não fiz nada.Paulo fica em silêncio, tentando dizer algo para ela. Os dois ficam se olhando até queEsther se levanta e entrega para Paulo:- Você esqueceu seu radio em casa. – Esther devolve o aparelho para ele, e os dois setocam, sentindo um desejo enorme de quebrarem o trato.Esther logo se solta dele, voltando para sua mesa e ele diz:- Obrigado. Eu nem tinha percebido.Esther sorri levemente e o telefone de sua mesa toca. Ela liga o viva-voz:- Oi, já estou indo Celeste. – Ela diz para uma das funcionárias que a chamava paraverificar os biquínis no corpo das modelos.Ela desliga o telefone e diz:- Bom, vou até lá, ver a prova das peças...- Tudo bem. – Paulo responde e a olha sair da sala, passando as mãos nos lábios,suspirando:- Ai, Esther, Esther...
  21. 21. A noite chega e Esther se encontra com Paulo nos corredores:- Já vai? – Paulo pergunta à ela.- Sim.- Eu acho que amanhã vou até São Paulo, ver o desfile da Fashion Week. Você vai?- Hum...Não. Tenho algumas coisas pra fazer por aqui.- Você vai precisar de mim aqui? Posso cancelar...- Não, não precisa...Apesar da correria, amanhã acho que vai estar tudo tranqüilo.- Tudo bem, então...E...Boa noite. – Paulo se despede, ainda achando estranho adistância entre eles.- Boa noite. – Esther diz, olhando fixamente para os lábios dele.Paulo espera Esther ir na frente e vai logo atrás. Ele fica de longe a olhando sair com ocarro do estacionamento.Quando os dois chegam em casa, eles vão para o banho e depois se sentam no sofá –ela,da sua casa e Paulo, do flat - os dois estavam sem fome, sem vontade alguma para outracoisa a não ser pensarem na besteira que estavam fazendo, continuando separados.Paulo pega uma foto de Esther e diz, sozinho:- Meu amor...Quanta falta você me faz...Que saudade do teu beijo, do teu sorriso. – Eletoca a foto, desejando a mulher em seus braços novamente.Já é dia, e Paulo arruma suas coisas para pegar o vôo até São Paulo, onde Marcela já seencontrava, e Esther segue para o trabalho.Paulo manda uma mensagem de celular para a esposa, que vê assim que chega noescritório:“Estou no aeroporto rumo à São Paulo, para o desfile. Se quiser, ainda dá tempo depegar o vôo comigo. Vamos?”Esther fica tentada em aceitar, mas prefere não ir, pois sabia que teriam outra recaída econsequentemente um novo desentendimento. Afinal, Esther não havia desistido de seusonho.Ela responde a mensagem:“Obrigada pelo convite. Mas terei que ficar por aqui, muito trabalho pela frente.Aproveite por mim. Beijos.”Em seguida, sem demora, Paulo finaliza:“Uma pena. Qualquer problema por aí, me avise. Beijos e saudades.”Esther lê a mensagem e diz sozinha:- Paulo...Por que isso? – Ela senta e abaixa sua cabeça na mesa, já cansada com asituação.Paulo chega em São Paulo e vai direto para o desfile da Fashion Week, onde encontraMarcela à sua espera. Os dois sentam juntos e decidem sair após o evento.Depois de muita conversa e risadas, Marcela o convida para um drink em umrestaurante conhecido:- Acho melhor não, Marcela. Eu preciso voltar ainda hoje pro Rio.- Vai fazer mesmo essa desfeita?Paulo fica pensativo e diz:- Tá bom, vai...Mas só um pouquinho.
  22. 22. De repente, uma voz de mulher chama por Marcela. Paulo logo a reconhece:- Tia Íris?Capítulo XI- Paulo, Marcela! Que surpresa boa, meus queridos! – Tia Íris chega, cumprimentandoos dois com um beijo no rosto.- Você conhece a Marcela? – Paulo se surpreende.- Claro! Marcelinha é minha amiga. Nos conhecemos em New York, não é, querida?- Pois é! Que saudades, Íris! Eu que não sabia que vocês se conheciam. Você a chamoude “tia” Íris? – Marcela se volta para Paulo.- Sim! Essa é minha tia querida! – Paulo a abraça.- Nossa! Que coincidência! – Marcela diz, sorrindo para Íris.- Nós estamos indo beberalguma coisa, vamos? – Marcela a convida.- Não, não posso. Vim somente para o desfile, porque o Paulo bem sabe que eu adoroisso tudo....E estou indo direto para o Rio.- Eu também vou, tia. Que horas é seu vôo?- Agorinha mesmo! Não se prendam por mim, eu vou ter que voar para o aeroporto. ATereza Cristina deve estar me esperando.- Ah, então deu tudo certo pra você se hospedar na casa da minha irmã?- Bom, para mim está tudo certo! A Tereza implica comigo, mas no fundo nós nosentendemos bem!- Eu espero que sim! – Paulo diz, desconfiado.- Bom, foi um prazer te rever, minha linda! Tchau! Vejo você no Rio hein, querido? –Ela diz para Paulo e no meio do caminho ela se volta para eles novamente: - Ah,aliás,vocês dois ficam ótimos juntos! Com todo respeito à Esther! Um beijo. – Íris sedespede.- Ai, essa Íris, não tem jeito! – Marcela sorri, sem graça.- Pois é...Eu que o diga!- Fiquei surpresa em saber que minha grande amiga Íris é nada mais, nada menos, quesua tia!- Viu só? Além da simpatia, temos uma conhecida em comum! – Paulo brinca.- É! Vamos, então? – Marcela diz, se dirigindo até um táxi.- Vamos!Os dois entram juntos e seguem para o restaurante.Marcela e Paulo conversam bastante sobre suas vidas. Ele conta o dia que conheceuEsther:- Ela estava deslumbrante...Eu me lembro como se fosse ontem. Ela continua a mesma,maravilhosa, perfeita...- Que sorte a dela, ter um homem assim, como você...- Sorte a minha, com certeza é toda minha...- Paulo fica pensativo e depois inquieto:- Eu, eu acho que já vou indo, Marcela. Bebi um pouco demais, preciso pegar o vôo.- Calma, falta muito ainda pro seu vôo. Queria tanto que você conhecesse meuapartamento. Tenho matérias ótimas sobre moda pra te mostrar.- Será? Não estou muito bem, Marcela.- Por que? Está se sentindo mal?- Não, é o mesmo de sempre. Eu preciso ficar sozinho, entende?- Mas se você ficar sozinho, é pior, querido. Vem, vamos nos distrair. – Marcela paga aconta para os dois e vai com Paulo até seu apartamento.
  23. 23. Chegando lá...- Nossa, que mulher contemporânea você, hein! Paga a conta, me trás de carro, paga otáxi.- Viu só? Da próxima vez é você, espertinho! – Marcela e Paulo começam a rir, e ele seapóia no encosto do sofá, tendo uma tontura por conta do excesso de bebida.- Ei, senta aí. Você vai acabar caindo. –Marcela diz e Paulo começa a rir, sem saber omotivo.- O que foi? – Marcela pergunta e ri junto com ele.- Nada...Você me embebedou, hein.- Que nada, isso é só o começo. – Marcela dá um copo de whisky para ele, que sempensar, aceita.- Sabe, Marcela. Eu queria tanto, tanto, que a Esther voltasse pra mim...Mas sem filhonenhum, sabe? Porque eu amo demais aquela mulher, eu faria tudo por ela, mas umfilho agora...- Eu sei...- Marcela diz, se aproximando cada vez mais de Paulo.- Eu...eu..- Paulo tenta dizer, sentindo a proximidade de Marcela, e ficando nervoso.- ...eu queria a Esther pra sempre, mas eu sinto que estou a perdendo, cada vez mais.- Não fica assim. Você merece ser feliz...- Marcela toca o rosto de Paulo e ele seesquiva:- Não, eu preciso ir embora...- Paulo se levanta, mas logo cai no sofá, não suportando opeso do seu corpo por causa da bebida.- Ei, mocinho. Senta aí...- Marcela ri e o ajuda.- Tá...Eu acho que bebi demais. – Paulo abaixa a cabeça e quando levanta, Marcela estána frente dele, pronta para lhe roubar um beijo. Paulo não consegue enxergar mais nadae acaba se rendendo às carícias de Marcela, pensando ser Esther. Os dois se beijam eMarcela cai sobre o corpo de Paulo, tirando a sua roupa. Ele é dominado pelo momentoe ao segurar o rosto de Marcela, ele vê Esther e sorri:- Meu amor, eu te amo tanto, Esther...Marcela finge não escutar o nome de outra, e continua a beijá-lo. Os dois passam a noitejuntos e Paulo perde o vôo para o Rio de Janeiro.Já é de manhã e Esther estranha que Paulo não tenha mandado nenhuma mensagem ouligado. Ao menos para dizer a que horas estaria na Fio Carioca. Ela pensa que poderiater acontecido alguma coisa e liga para o celular dele. O celular toca insistentemente nasala do apartamento de Marcela, onde ela e Paulo ainda dormiam.Chegando na Fio Carioca, Esther se depara com Íris em sua sala:- Tia Íris? – Esther se surpreende.- Oi, meu amor! – Íris se aproxima e lhe dá um abraço.- Nossa! Que surpresa..Não esperava sua visita.- Eu sei, eu gosto de chegar nos lugares sem avisar...Me desculpa a indiscrição.- Imagina! Mas como você está? Tá tudo bem? – Esther pergunta, colocando sua bolsana mesa e pedindo para que Íris se sentasse. Ela se senta e diz:- Estou ótima. Acabo de sair da casa da sua cunhada...Ela me recebeu tão bem!- Jura? Que ótimo! – Esther sorri, achando estranho a suposta receptividade de TerezaCristina com a tia.- Bom, mas e o meu sobrinho predileto? Onde está?- O Paulo? Deve estar se arrumando e vindo pra cá...- Hum, eu o vi ontem à noite em São Paulo, será que ele perdeu o vôo?
  24. 24. - Sério? Você o viu aonde?- Saindo do desfile da Fashion Week...Ah, ele está tão bonito, alegre, risonho...Comosempre!- É! – Esther se incomoda.- Ele estava com uma grande amiga minha, que conheci nos bons tempos em NovaYork...A Marcela! Que coincidência, não é?Capítulo XIIQuando Esther escuta o nome de Marcela, ela sente um nó na garganta e uma dor decabeça repentina. Tia Íris continua a dizer:- Eles estavam indo para um restaurante, mas não pude aceitar o convite para ir comeles, ou ia perder o vôo...Achei estranho não te encontrar por lá, afinal de contas, vocêsnão se desgrudam! Com todo respeito, claro.- Eu...eu e o Paulo estamos dando um tempo...- Esther tenta dizer.- Meu Deus, não sabia! Me desculpa, querida. Sinto muito...- Tudo bem...Sem problemas.- Ai, mas a Marcela é uma profissional ótima...Eles estavam com certeza trocandofigurinhas sobre moda...Ela adora moda! É uma jornalista maravilhosa.- É, eu estou sabendo sim, Íris. Bom, eu tenho que me desculpar, mas não vou poder dartanta atenção...Estou numa correria com a nova coleção...- Esther diz, se levantando.- Claro! Que cabeça a minha, fico aqui te atrapalhando...Vim só te dar um beijo e umabraço. Estava com saudades!- Eu também! – Esther sorri levemente e abraça tia Íris, que se despede e sai da sala,sorrindo.Esther fica pálida e estática, pensando no que poderia ter acontecido com Paulo eMarcela em São Paulo.Paulo acorda com uma dor de cabeça infinita, ele olha para os lados, não identificando olugar onde estava:- Que lugar é esse?- Bom dia! – Marcela aparece com uma bandeja nas mãos de café da manhã, vestindoum hobby preto.- Marcela? O que...o que eu tô fazendo aqui, com você?Marcela coloca a bandeja na mesa do quarto e diz:- Desculpa, eu não devia me comportar como se nada tivesse acontecido, mas penseique talvez você fosse se lembrar...- Lembrar, de que? Nós dois...? - Paulo faz um gesto tentando explicar o que não queriadizer, e Marcela concorda:- Sim, nós dormimos juntos.- Eu não lembro...de nada.- É, acho que exageramos na bebida. Foi culpa minha, né?- Não...Não sei o que te dizer, Marcela. Eu preciso ir embora. – Paulo diz, se levantandorapidamente e colocando suas roupas. – Eu não queria ser grosso com você, mas issonão devia ter acontecido de jeito algum. Por favor, esquece tudo isso.- Hum...claro...não se preocupa. – Marcela diz, ironicamente, mas Paulo não percebe.Ele só sabia pensar em Esther e no que havia feito.
  25. 25. - Eu vou indo...- Paulo fica sem graça e não sabe como se despedir. Ele não diz maisnada e sai correndo.Marcela dá um leve sorriso.Já é tarde e Esther continua preocupada com o sumiço de Paulo. Ele não dava notícias enem atendia o celular. Quando ela tenta ligar novamente para Paulo, ele aparece em suasala:- Olá.- Paulo! Meu Deus, você demorou tanto, onde você estava?- Eu acabei perdendo o vôo...- Que susto, pensei que tinha acontecido alguma coisa. Você poderia ao menos ter dadoalguma notícia...- Eu sei, me desculpa...Quando vi suas chamadas, eu já estava aqui dentro.Esther não responde nada e se senta. Paulo se aproxima da mesa e ainda de pé ele diz,apreensivo:- Eu...preciso te falar uma coisa.- O que? – Esther já estava preparada para ouvir o que não queria, mas ao mesmo tempolutava contra isso, tentando esquecer as palavras de tia Íris.- Esther eu...eu perdi o vôo porque acabei bebendo demais e... não sei como te falar... –Esther o interrompe:- Foi ela, não foi? A jornalista...?Paulo abaixa a cabeça se apoiando no encosto da cadeira, e fala, ainda de cabeça baixa,evitando o olhar da esposa:- Eu não queria, eu não queria! – Ele diz nervoso. -...eu acordei e não me lembrava denada. – Ele levanta a cabeça e vê Esther estática, olhando para ele, com os olhosmarejados.- Não precisa dizer mais nada. – Esther se levanta e fica de costas para ele.- Esther, eu juro que eu não me lembro, quando eu acordei eu estava lá, com ela...Maseu precisava te contar, entende? Você tinha que saber por mim.Esther se volta para ele:- Muito obrigada por me contar. – Ela diz, ironicamente. - Mas não diz mais nada,nada...Eu não quero ouvir mais, Paulo.- Me perdoa, meu amor. Por favor...- Paulo se desespera e vai até ela. Esther se esquiva,tentando se desviar de Paulo, mas ele a segura:- Diz que me perdoa?- Paulo, me larga. Eu não estou conseguindo pensar em nada agora, eu preciso e queroficar sozinha. Me deixa! – Esther altera o tom de voz e se desprende dele, pegando suabolsa e saindo da sala apressadamente. Paulo a segue e chama pelo seu nome,assustando os funcionários:- Esther, volta aqui.Na saída para o estacionamento, Paulo alcança a mulher e a pega pelo braço:- Eu sei que você precisa de um tempo, mas me escuta...Eu amo você, nada disso fezsentido algum. Acredita em mim.Esther balança a cabeça negativamente e chora:- Me larga! – Ela se solta de Paulo e entra no carro. Paulo vai atrás e fixa suas mãos novidro. Esther dá a partida e ele é obrigado a se afastar do carro, a olhando partir, aosprantos:- Esther! Eu te amo! – Ele grita e vai abaixando o volume de sua voz, repetindo para simesmo:
  26. 26. - Eu te amo...Me perdoa, me perdoa...Capítulo XIIIEsther entra no apartamento e pára por um instante, se encostando na porta. Ela deixa asua bolsa cair no chão e chora, abaixando a cabeça e colocando suas mãos no rosto.Depois de um tempo ela se recompõe, enxugando as lágrimas, e faz uma ligação:- Oi...Desculpa te ligar sem avisar, eu preciso muito conversar. Sei, sei...Estou indo praí.Obrigada, um beijo.Ela pega suas coisas e sai novamente de casa.Paulo entra no flat se sentindo completamente sozinho e acabado. A dor era tanta queele não tinha fome e nem cansaço. Sua vontade era sair pela porta e correr atrás deEsther, aceitando o filho que ele não queria ter.Enquanto isso, tia Íris chega de um passeio e chama por Tereza:- Tereza! Onde está você?- A rainha do Nilo está dormindo. – Crô diz.- Então vá chamá-la, agora! O assunto é seríssimo.- Não precisa. Estou aqui...O que você quer, querida tia Íris? – Tereza diz, ironicamente.- Ótimo! Precisamos conversar, meu bem!- Vamos até o escritório, para certos serviçais não ficarem nos atrapalhando. – Terezaimplica com Crô e as duas seguem até o escritório.- O que você quer? Dinheiro? – Tereza é direta.- Calma! Que imagem você faz de mim, hein?Tereza Cristina começa a rir:- Pois é, você é uma vítima não é, tia Íris?- Sou, vítima do seu desprezo...você é tão ingrata...- Desembucha, o que você quer?- É simples...Sabe aquele nosso segredinho?- Não repita isso aqui, entendeu?! – Tereza se desespera e grita com a tia.- Não, não preciso falar em voz alta, porque você sabe muito bem do que se trata...Esabe, eu sou tão compreensiva, gosto tanto dos meus sobrinhos, eu só quero o bem devocês. Por isso, quero que você dê uma ajudinha pro seu irmão.- Que ajuda? Como assim?- Então, é o seguinte...Tenho uma amiga adorável, que conheci em Nova York. O nomedela é Marcela...- E eu com isso? – Tereza não entende.- Bom, soube que o Paulo e a Esther estão separados, não é?- Hum. É...- Então... Vou ser sincera com você, minha querida. Nunca fui com a cara da Esther...Ela e o Paulo nesse casamento perfeito.. Ah! Quanta bobagem! Prova disso é que estãoseparados...De que serve fazer bonito na frente dos outros, se na realidade o buraco ébem mais embaixo.Tereza continua sem entender:- Aonde você quer chegar com isso?- Terminando... Eu soube por fontes seguras que o Paulinho e a Marcela estão seentendendo, se conhecendo melhor.- Ah! Duvido! – Tereza diz, sorrindo.
  27. 27. - Mas pra eu ter certeza que isso é verdade, pra ter certeza que o Paulo vai partir praoutra, pra um relacionamento que ele realmente merece...Eu preciso de umreforço...Familiar...Se é que você me entende.- Você quer que...- Exatamente! Você pesca as coisas tão fácil! Eu quero que você dê uma ajudinha proseu irmão sair desse casamento já acabado e dar uma chance pras novas oportunidades!Não sou boazinha com vocês?- De jeito algum! A Esther pode não ser minha melhor amiga, aliás, ela nunca fezquestão de se fazer presente aqui nessa casa, mas eu nunca aceitaria colocar qualqueruma dentro da minha família.- Quem disse que a Marcela é qualquer uma?- Ora! Pra ser sua amiga... - Tereza diz com desdém.- Bom...Se você não quer ajuda, o que eu posso fazer, né? Vou ter que pensar em comocontar tudo aquilo pro René...Ai que canseira.- Escuta aqui!! – Tereza segura o braço de Íris, que reclama de dor. – Você não vai abriressa boca, entendeu?- Me larga! – Íris se solta de Tereza. – Eu não vou abrir minha boca não, minhasobrinha querida. Mas só se você colaborar com a titia.- Ahhhh! – Tereza grita e dá uma volta em torno de si mesma. – Não sei aonde vocêquer chegar com isso. Pra que tanto interesse em se ver livre da Esther?- O caso não é a Esther, já expliquei...- O que é então?- Ah meu bem, eu não sou ingênua como você. Não deixo escapar meus segredinhos!- Víbora!!! – Tereza grita.- Não quero elogios, Tereza! Quero saber se você vai colaborar...E então? Conto comvocê?Tereza fica séria e pensativa, e depois de andar pelo escritório, ela diz, gritando:- Tá bom, tá bom! Mas eu nem conheço essa tal de Marcela, como vou incentivar isso?- Deixa que eu cuido de tudo...Você precisa fazer só a parte mais fácil. Depois que euapresentar você à Marcela, chama o seu irmão pra uma conversa, ressalta os defeitos daEsther, porque ela deve ter, né? E pronto!- Tá...Anda logo então com tudo isso, porque eu não vou ficar esperando suas vontades.- Ah, vai sim! Eu sei que você é obediente! Agora vou subir, estou cansadíssima dopasseio. Tchauzinho! – Íris dá um beijo no rosto de Tereza, que o limpadesesperadamente com as mãos.Algumas horas se passam e Esther já havia subido a serra de carro. Ela chega na clínicade Danielle, que já estava fechada.- Oi, por favor, pode entrar. – A secretária de Danielle a recepciona.- Desculpe chegar tão tarde. A doutora Danielle está...- Danielle aparece e a interrompe:- Oi, querida. Estava aqui te esperando.- Oi! Desculpa vir tão tarde.- Imagina. Vem, vamos entrar.- Doutora, eu já posso ir? – a secretária de Danielle pergunta.- Claro, pode ir. Muito obrigada.Esther entra na sala e Danielle oferece a cadeira. Elas se sentam e Danielle diz:- Fiquei preocupada...Você parecia tão nervosa pelo telefone.- Sim, na verdade eu ainda estou. Eu não sei mais o que fazer, Danielle.- O que foi que aconteceu? – Danielle se preocupa.
  28. 28. - O Paulo...Agora eu tenho certeza que não tem mais volta.- Por que?- Ele passou a noite com outra mulher...Ele mesmo me contou hoje, quando chegou deSão Paulo...- Sinto muito, Esther...- Eu vim até aqui decidida a fazer essa inseminação. Mais do que nunca eu precisodesse filho...Mas agora, sem um pai...Eu não sei se seria correto, se eu posso...Capítulo XIV- Você diz “correto” com relação a que? Por ser mãe solteira, se isso teria problemasjudicialmente?- Isso mesmo.- Bom, apesar disso envolver questões éticas e algumas burocracias como acomprovação de que ambas as partes - dos doadores e do receptor – estão de comumacordo perante as decisões também da justiça, de que essa criança que vai ser geradapoderá ser criada somente por você, podemos começar já com os exames médicos.- Ótimo. Eu quero começar os exames o mais breve possível.- Você não está fazendo isso de cabeça quente? Não quer pensar mais um pouco?- Não, eu já esperei uma vida toda...Eu não vou adiar mais isso por conta do Paulo.- Você ainda o ama, não é?Esther fica pensativa e tenta segurar as lágrimas – em vão:- Amo...Mais do que nunca...Mas não dá mais pra aceitar isso calada, não dá...- Calma. – Danielle alcança as mãos de Esther sobre a mesa. – Não fica assim...Tenhocerteza que esse filho vai te fazer muito feliz.- Tomara...Esther se despede de Danielle e resolve passar a noite em Itaipava.Chegando na casa de Itaipava, Esther se senta no sofá, tirando os sapatos e em seguidase deitando. Ao apoiar a cabeça sobre os braços cruzados, ela pensa nas palavras dePaulo, buscando alguma resposta do que fazer nos próximos dias.Nisso, Paulo pega sua chave do carro e sai do flat. Ele segue para a sua casa, atrás deEsther.Quando ele abre a porta, encontra todos os cômodos com a luz apagada e já imagina queEsther esteja dormindo. Ele entra devagar no quarto e não vê ninguém:- Esther? – Ele a chama e fica pensativo ao perceber que não havia ninguém em casa.Pouco tempo depois, ele sai apressado do apartamento e sobe a serra de carro.Enquanto isso, Esther entra no banheiro e só pensa nas palavras do marido, durante obanho:“Esther, eu juro que eu não me lembro, quando eu acordei eu estava lá, com ela...Maseu precisava te contar, entende? Você tinha que saber por mim.”Ela não consegue conter as lágrimas, que se confundem com a água que cai em seurosto.
  29. 29. Após o banho, Esther caminha até o closet e coloca uma camisola. Ela vai até a cozinha,prepara uma xícara de chá e segue para a sala.Chegando lá, ela senta de pernas cruzadas no sofá e bebe o chá aos poucos, pensandoainda em Paulo. (música: Problemas).Algum tempo se passa e Paulo chega na casa de Itaipava. Ele abre a porta devagar e sedepara com Esther dormindo no sofá.Ela estava tão cansada que pegou num sono pesado rapidamente. Paulo aproveita e seaproxima, se ajoelhando ao lado dela. Ele a observa dormir e tenta tocá-la, tentando nãoacordá-la.Quando Paulo acaricia os cabelos e o rosto de Esther, ela desperta do sono e olha paraele, ainda sem raciocinar:- Paulo? – Ela diz, com a voz sonolenta e tenta se levantar.- Desculpa, não queria te acordar. – Paulo diz e Esther se senta no sofá sem dizer nada.Ele se aproxima e se ajoelha diante dela, segurando em seus joelhos:- Eu fui até o apartamento e você não estava...Imaginei que estaria aqui.- É...eu precisava ficar sozinha.- Sei que você deve estar chateada ainda, que não é a melhor hora pra gente conversar,mas eu não consigo, Esther...Não consigo ficar parado sem fazer nada...deixando a vidate levar de mim.Esther olha para ele, sem saber o que dizer. O seu amor por Paulo era tão grande quequando eles ficavam juntos, ela perdia toda sua razão, tudo que havia decidido:- Por que isso está acontecendo, Paulo? Eu pensava que a gente ia passar o resto dasnossas vidas juntos, sem pensar em ter outra pessoa...- Não fala assim...Eu nunca, nunca pensei em ter outra pessoa. Tudo que aconteceu foium mal entendido, eu sei que é difícil de entender, mas eu nunca desejei outramulher...Eu amo você, Esther. – Paulo se levanta e sobe suas mãos até as pernas deEsther e a pressiona contra o sofá. Ela não consegue dizer mais nada, se deixandorender às carícias do marido:- Eu te desejo tanto, cada dia mais. Eu não imagino minha vida sem você, sem o nossodia a dia... – Ele diz e segura mais firme o rosto de Esther e a beija várias vezes noslábios e no pescoço, enquanto falava. – Meu corpo não suporta ficar longe do teu. Deixaeu te amar....Fica comigo, meu amor.Paulo termina de dizer e Esther apenas o puxa contra seu corpo, o beijandointensamente. Os dois caem sobre o sofá e vão tirando suas roupas, num desesperocheio de paixão e desejo.Depois de se amarem no sofá, eles se vestem e vão até o quarto, e se abraçam. Paulosegura a nuca de Esther e a olha por algum tempo, depois diz:- Você é tão linda...- Ele sorri levemente e ela retribui.- Ai, Paulo. Eu não sei mais o que fazer...com nós dois. Eu não consigo levar adianteminhas decisões. Só que não adianta, toda vez a gente voltar no mesmo ponto.- Eu sei...Mas agora eu só quero saber se você me perdoa...- Eu ainda estou muito chateada, não é fácil...Eu não vou esquecer tão rápido o queaconteceu, porque eu te amo...Porque eu não gosto de imaginar a nossa vida sendorefeita, você com outra mulher, entende?- Claro..E eu não estou com ninguém, acredita em mim. Foi um momento de totalfraqueza...Mesmo sabendo que não justifica, que eu poderia ter evitado, eu fiz tudo sempensar, sem querer.Esther se desvia de Paulo e caminha pelo quarto, ficando de costas para ele:
  30. 30. - Acho que a gente tem que dar um ponto final nisso tudo. O melhor a fazer é realmentedar esse tempo...- Ela diz e se volta para ele: - ...Pra entender o que está acontecendoconosco... Mas de uma coisa eu tenho certeza, Paulo...Eu vou ter esse filho.Paulo a olha com tristeza, e abaixa a cabeça, dizendo:- Você está mesmo decidida a isso, não é?- Sim.- Certo...Então mais uma vez...Vamos dar esse tempo.Os dois ficam um bom tempo se olhando, com vontade de passar por cima de tudo oque foi dito e se entregarem a mais um beijo, porém a racionalidade naquele momentoera maior.- Eu acho melhor ir embora, então. – Paulo diz.- É...é o melhor.Paulo se vira, caminhando para fora do quarto e Esther continua estática, o observando,até que ele volta para Esther rapidamente, sem dizer nada, e a olha eufórico por algunsminutos. Sem resistir, ele segura o rosto dela e a beija com fervor. Esther não conseguenem segurá-lo, permanecendo com as mãos suspensas, rendida à um longo beijo.Após o beijo, o casal se abraça, tentando eternizar aquele momento, sentindo segurançae ao mesmo tempo medo do que estava por vir. Paulo se desprende dela e acaricia o seurosto novamente:- Te amo...eu te amo.Esther apenas abre sua boca, tentando emitir alguma palavra, mas nada sai. Paulo jáhavia se soltado de seus braços e ido embora.Capítulo XVO final de semana chega ao fim, e Esther volta para o Rio de Janeiro pela manhã. Elatroca de roupa no apartamento e vai direto para a "Fio Carioca".No caminho, o seu celular toca:- Oi, Tereza Cristina!- Querida, estava tentando falar com você desde ontem, e nada!- Pois é, eu estava em Itaipava e lá é difícil pegar o celular.- Hum. Bom, eu estou ligando para te convidar pra um almoço hoje, no Le Velmont,que tal?- Algum assunto em especial?- Nada! É só um almoço, informal! Não se preocupa.- Tudo bem. Eu preciso colocar algumas coisas em dia no escritório, acho que desocupolá pelas 14 horas, pode ser?- Perfeito, querida! Te espero lá, hein! Beijinho.- Beijo. Tchau...Esther desliga, achando estranho o convite de Tereza para o almoço. Depois ela sobecorrendo para sua sala.Chegando lá, ela se depara com Paulo conversando com alguns funcionários, que logopára a conversa para observá-la:- Bom dia! – Ele diz à ela.- Bom dia, bom dia....- Esther cumprimenta todos e vai até sua sala. – Com licença.Paulo a segue:- Oi...Eu já comecei a instruir os novos funcionários, está dando tudo certo lá na área deprodução.- Hum, que bom...- Esther sorri levemente, arrumando suas coisas na mesa.- E você? Está tudo bem?
  31. 31. - Sim...Tudo bem.- Bom, eu vou indo então, terminar de conversar com o pessoal, qualquer coisa...só mechamar.- Certo. – Esther sorri e volta a arrumar suas coisas.Quando Paulo sai da sala, ela senta esuspira.Algum tempo se passa e Esther e Paulo trocam olhares durante toda a manhã,conversando apenas junto de outras pessoas, evitando palavras direcionadas.Em um momento, os dois se separam e Esther não o encontra:- Luiza, onde está o Paulo? Precisava acertar com eles os horários dos novosfuncionários.- Ele acabou de sair pra almoçar, Dona Esther.- Ai, meu deus. Que horas são? Tava esquecendo do almoço! – Esther olha no relógio ejá era quase a hora do seu almoço com Tereza Cristina. Ela corre para pegar sua bolsa esai apressada da “Fio Carioca”.Alguns minutos se passam e Esther chega no Le Velmont. Tereza já estava a esperando:- Oi, Tereza. Desculpa, me atrasei...- Esther diz, ainda eufórica e cumprimenta Terezacom dois beijos no rosto.- Vamos sentar ali, querida. Já estão todos te esperando.Esther olha confusa para Tereza e depois a segue. Chegando perto da mesa, Esther vêPaulo, tia Íris e...Marcela.- Olá! Esther, que bom te ver! – Íris se levanta e a cumprimenta. Esther fica sem jeito:- Eu...eu não sabia que estariam todos aqui, a Tereza não disse...- Surpresinha, querida! - Tereza ri.- Essa aqui é a Marcela...Acho que já comentei dela com você, não é? – Íris diz,cinicamente.- Ah, sim..Já nos conhecemos... – Esther tenta ao máximo não perder a paciência e logose volta para Paulo, tentando entender a situação em que estava. Ele a olha, sério, ebalança a cabeça negativamente, dando a entender que também não sabia do almoço.- Tudo bem, Esther? – Marcela a cumprimenta ainda sentada, com naturalidade.- Tudo. – Esther diz friamente e se senta, sem olhar para ela.- Vou chamar o René! René, querido, vem até aqui, vamos almoçar! – Tereza grita.- Oi, Tereza. Oi, Esther, como vai? Desculpe, mas não vou poder almoçar comvocês...Preciso dar as ordens na cozinha senão vocês não almoçam hoje!- Tudo bem, querido, não se preocupe. – Íris diz.Esther estava sentada de frente para Paulo, ao lado dele estava Íris e Marcela. A estilistatentava entender porque Tereza havia convidado ela para o almoço, quando Íris começaa conversa:- Eu queria agradecer a Tereza Cristina, minha sobrinha querida, por ter aceitado meuconvite e por ter chamado todos vocês. Não foi uma grande ideia? Um almoço entreamigos no começo da semana?- É...- Paulo diz, ainda sem jeito.- Vamos fazer um brinde? – Íris levanta a taça de vinho e todos brindam.Algum tempo se passa, e Esther não consegue falar uma palavra durante todo o almoço.As principais conversas eram sobre as aventuras de Íris e Marcela em Nova York.Tereza participava da conversa e Paulo fixava seu olhar todo o tempo em Esther,temendo que o clima entre eles piorasse.- Esther, meu bem! Você não disse nada e nem tocou na comida. Está tudo bem? - Írispergunta.- Sim...sim. É que eu preciso voltar logo pro escritório. Já está na minha hora.
  32. 32. Esther se levanta e Paulo logo se levanta também, mas tia Íris o segura:- Ai Paulinho, quero conversar com você um instante.- Eu preciso ir também, tia.- Ah, mas a Esther já está indo pro escritório, ela segura as pontas por lá, não é,querida?- Claro. Pode ficar tranqüilo, Paulo. Aproveita o almoço. – Esther sorri ironicamente ese despede sem cumprimentar ninguém com beijos.Paulo fica atônito, sem saber o que fazer, ainda de pé.- Senta, Paulo. – Íris pede.Ele senta e suspira insatisfeito, dizendo:- O que você quer conversar, tia?- Calma, querido. Na verdade é a Marcela quem quer. Vamos, Tereza?- O que? – Tereza pergunta, sem entender.- Vamos sair...- Íris puxa Tereza pelo braço para deixar os dois sozinhos.Paulo fica nervoso e diz:- Foi você quem armou tudo isso, então?- Não...Claro que não. Eu nem sabia desse almoço com todos vocês...Pra mim era umalmoço só com a Íris.- Eu não sei o que está acontecendo aqui. Sinceramente, quando junta a Tereza e aminha tia, aí tem coisa...- O que você acha que é? – Marcela pergunta, fingindo não saber de nada.- Sei lá. A Esther ficou chateada...- A Esther sabe...?- Sim. Eu tive que contar...Eu queria mesmo conversar com você também, Marcela...Oque aconteceu...- Marcela o interrompe:- Eu sei. Eu pedi pra Íris te segurar por aqui, porque queria me desculpar. Foi um erro,nada disso deveria ter acontecido. Você ama a sua mulher, e eu, por mais que tenha umcarinho por você, não sou desse tipo de mulher que vai pra cama com um homem quenem conhece direito. Nós dois estávamos frágeis, sozinhos...E bebemos. Vamosesquecer.- Sim...É isso...Vamos esquecer...Mas, você contou pra minha tia?- Não, claro que não. Inventei agora que queria fazer uma outra entrevista com você.- Hum. Tudo bem...Mas é isso, então. Vamos esquecer. - Paulo diz, nervoso.- Ótimo. Mas eu não queria que você ficasse bravo comigo. Que perdêssemos a nossaamizade.- Não, imagina. A culpa não foi sua. Claro que continuamos amigos.- Que bom! Você é muito especial. - Marcela se insinua para ele.Paulo apenas sorri e fica quieto, depois diz:- Bom, eu preciso ir. – Ele se levanta e Marcela faz o mesmo.- Tudo bem. Desculpa alguma coisa...- Tá tudo certo! – Paulo a beija no rosto rapidamente e vai até René, Tereza e Íris, sedespedindo de todos.Marcela olha discretamente para Íris e sorri. Tereza Cristina percebe e fica desconfiada.No escritório da "Fio Carioca", o casal passa a tarde toda sem se falar, ocupados comassuntos distintos. Quando já é noite, todos vão embora e Esther está na sua sala,arrumando suas coisas para sair. Paulo a observa pelo vidro e resolve entrar.Esther se assusta e pára diante dele, tentando ir embora:- Paulo...- Ela diz, tentando se esquivar.
  33. 33. - Esther, me escuta.- Não...Eu vou embora, me deixa passar?- Por favor. A gente precisa conversar.Capítulo XVI- Eu não tenho nada pra falar com você, Paulo. Depois daquela situação lamentável norestaurante. Eu não acredito até agora....Você ter participado disso, ter ficado quietoenquanto eu passava por tudo aquilo.- Mas eu não sabia também. Eu juro...Eu fiquei tão surpreso quanto você! Imagina aminha situação naquele momento, com você e ela, juntas. Eu sei lá, isso deve ter sidoalguma coincidência desagradável...A tia Íris chamar todo mundo, depois de tudo o queaconteceu...Porque ninguém mais sabe que...enfim. – Paulo não continua.- Coincidência? – Esther questiona e suspira impaciente, e tenta se soltar quando Paulotoca no braço dela:- Me deixa ir, por favor...- Esther, acredita em mim.- Eu acredito em você, Paulo. Só não estou acreditando nas boas intenções da sua tia edaquela amiga de vocês.- A Marcela também não sabia.- Ah, tá. Olha só, Paulo, eu não estou querendo brigar, discutir...Eu quero ir embora pracasa, estou cansada.- Eu não quero discutir também. Eu fiquei tão aflito, nervoso, de pensar que a nossasituação poderia ficar ainda pior depois desse almoço.- Então vamos deixar isso pra lá...Não quero mais falar sobre isso.Esther tenta sair mas Paulo encosta na porta e a tranca.- O que você está fazendo?- Trancando a porta...- Paulo diz e fixa seu olhar nos lábios de Esther. Ele tira a bolsadas mãos da esposa, a colocando no sofá, ainda sem tirar os olhos dela:- Eu não quero brigar com você, eu não estou suportando mais isso tudo. – Ele diz,sussurrando e se aproximando cada vez mais dela.Esther olha para ele, quase chorando:- Eu não aguento mais...Tá sendo tão difícil...Eu não vou suportar passar por isso denovo.- Você não vai...Não vai. – Paulo afirma e segura o rosto dela. – Eu nunca vou cansar dedizer que eu te amo, mais do que tudo nessa vida.- Pára, por favor....- Esther pede, perdendo a respiração com a proximidade de Paulo, etermina: - A gente não pode ficar desse jeito... Nossos desejos, nossas vontades já nãosão mais as mesmas.- O mais importante é igual pra nós dois, Esther. Eu te amo e você também me ama.- Mas parece que isso não está bastando. Não está evitando que a gente se machuque. –Ela diz, triste.Paulo não diz nada e a beija, desesperadamente. Eles vão caminhando e se chocamcontra a parede. Paulo fixa os braços dela para trás e beija o pescoço de Esther,descendo até seu colo e subindo novamente, alcançado os lábios. Os dois se abraçam,ainda aos beijos, e Paulo a conduz até a mesa, empurrando os papéis e os objetos. Ele acoloca em cima da mesa e sobe também, se debruçando sobre o corpo dela. De repente,Tereza Cristina bate no vidro e eles se assustam, saindo da mesa rapidamente.- Meu deus. – Esther se recompõe e fica de pé. Paulo reclama e vai até a porta:
  34. 34. - Tereza, o que foi?- Ai, queridos. Me desculpa...Não queria atrapalhar, viu? Eu vim até aqui porquepreciso urgente que você me empreste o seu carro.- Por que?- O imbecil do Baltazar estragou o nosso, ainda bem que quebrou aqui perto. Eu estavasaindo do restaurante, indo pra casa, e não quero esperar o resgaste...Posso pegar? Vocêvai embora com a Esther.- Tudo bem, aqui a chave.Tereza sorri e agradece com um beijo no rosto:- Ai, que maravilha! Obrigada, meu bem! Tchau, Estherzinha!Esther sorri sem vontade e diz tchau, e depois de alguns segundos, Tereza retorna e diz:- Ah, esqueci de dizer uma coisa pra você, meu irmão...Vem aqui...- Tereza puxa Pauloe diz no ouvido dele:- Você e a Esther depois que se separaram ficaram ainda pior nesse agarramento, hein.Cuidado pros funcionários não flagrarem isso. – Tereza começa a rir e sai.Esther faz uma cara de interrogação para Paulo e ele apenas balança a cabeçanegativamente:- A Tereza é maluca.Os dois ficam algum tempo se olhando, até que Esther termina de limpar seus lábioscom as mãos e pega a sua bolsa:- Vamos? Eu te deixo...no flat.- Tá...- Paulo diz a observando sair e indo embora atrás dela.Capítulo XVIIOs dois entram no carro calados e ficam assim até chegarem no flat. Esther estaciona ocarro e Paulo tira o cinto de segurança, se aproximando:- Por que a gente não conversa lá em cima? Você não quer...- Esther não o esperaterminar:- Não. Paulo, desse jeito não tem como a gente continuar...Aquele beijo, não devia teracontecido.- Claro que devia...Você queria tanto quanto eu...Nós ainda nos desejamos, e muito.- Mas isso não basta. E se eu subir no seu flat agora, amanhã as coisas mudam? Amanhãeu vou fazer os exames médicos, já começo o tratamento. Você vai comigo?- Ah, Esther...- Paulo reclama.- Mas é sobre isso que estamos falando, não é? Em vivermos bem, em termos essasrecaídas mas ainda casados, Paulo. Eu não quero viver uma mentira, viver com alguémque não quer compartilhar o mesmo desejo que eu.- Eu sei, eu sei...O problema é que eu quero te apoiar, Esther, mas é uma coisa que medeixa incomodado, eu sei que posso estar sendo egoísta, só que eu não me vejo comuma criança agora... eu não consigo.Esther olha para baixo, lamentando escutar as palavras de Paulo:- Eu sinto muito por isso, Paulo. De verdade. Nossas vidas tomaram rumoscompletamente diferentes, nos machucamos demais, e eu ainda estou tentando esquecertudo que aconteceu entre você e aquela mulher...Paulo a olha e sente um medo enorme de perdê-la:- Eu faria qualquer coisa pra voltar no tempo, pra apagar esse incidente...- Mas já está feito, não é? – Esther lamenta.- Acho melhor eu subir.- Certo...
  35. 35. Paulo se vira, dando a entender que abriria a porta, mas não resiste e segura o rosto deEsther, a beijando mais uma vez. Esther retribui o beijo, entrelaçando os dedos entre oscabelos de Paulo, aproximando ainda mais seu corpo do dele. O beijo vai ficando cadavez mais intenso e cheio de paixão. Esther se afasta dele, e ele diz ainda olhando para oslábios dela:- Eu te amo, te desejo...- Ele a beija novamente. – Eu preciso tanto do teu corpo perto domeu, do teu sorriso...dos nossos dias um ao lado do outro.Esther toca as mãos dele, que estavam no seu rosto, e diz, eufórica:- Eu também...Mas você escolheu assim, Paulo. Podia ser diferente... - Ela pára uminstante e termina: - É melhor você ir...Paulo tira suas mãos do rosto de Esther e não diz nada, apenas sai do carro, a olhandopartir.No dia seguinte, Esther e Paulo continuam no mesmo clima, trocando apenas aspalavras necessárias no ambiente de trabalho, entre olhares furtivos, desejando romper aqualquer hora aquela barreira entre eles.Esther sai no meio da tarde e vai até a clínica de Danielle fazer os exames, já que amédica estava no Rio de Janeiro somente por este motivo.Os exames ficam prontos no mesmo dia, e Esther recebe a notícia de que já pode fazer afertilização:- Isso mesmo, querida! Podemos começar agora mesmo. Já posso dar início na escolhado material...é só o tempo de trazê-los aqui pro Rio. - Danielle diz.- Ai, meu deus. Nem acredito! Parecia tudo tão distante desde ontem, e agora parece querecebi a notícia de que já estou grávida! – Esther começa a rir.- Pois é! É praticamente isso! Podemos já começar a escolher o material?- Claro! Podemos...Esther e Danielle discutem sobre as características da criança, analisando um catálogomédico de doadores. O tempo passa rapidamente e Esther não volta ao trabalho,deixando uma mensagem para Paulo no celular:“Paulo, ainda estou clínica, qualquer emergência, é só me avisar. Beijos, E.”Paulo fica longos minutos olhando para a mensagem, sem saber o que pensar. Osentimento era de perda...Ele estava perdendo Esther, cada dia mais.Nisso, o celular toca e ele se assusta, atendendo:- Alô? Oi, oi Tereza...Não, não estou ocupado, pode falar... sei, mas agora? Tá, estouindo. Beijo...Na saída da Fio Carioca, Paulo encontra Tereza na porta, diante do seu carro:- Vim trazer seu carrinho, querido! O Baltazar vem me buscar depois. Vamos tomar umcafé?- Vamos...Tereza e Paulo seguem até o café, em frente ao escritório.- Querido, eu vim também pra conversar muito sério com você.- O que aconteceu?- Eu que pergunto...Você e a Esther estão ou não estão separados?- Ai não, Tereza Cristina. Eu não vou falar mais sobre isso com você.- Credo! Pra que essa grosseria?- Porque eu cansei de ficar explicando tudo isso...Chega!

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