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O Centro Ecológico é uma ONG que atua desde1985 estimulando a produção e o consumo deprodutosecológicos.Acreditamos que de...
O presente texto foi organizado a partir de duascartilhas já existentes: Trofobiose - NovosCaminhos para uma Agricultura S...
1. SOL,ÁGUA E NUTRIENTESExiste na China um provérbio muito antigo quediz:"A Agriculturaéaartedecultivarosol".Esta é uma ma...
Estes três fatores diretos, sol, água e nutrientesformam o que se chama de trio ambientalbásico.A partir destes três, há o...
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Fungicidas como Zineb, Maneb e Dithanecausam viroses (doenças) e provocam ataquede ácaros em várias plantas, depois dotrat...
- Como se pode ajudar o bomfuncionamento das plantas para protege-las de ataques?- Por que a matéria orgânica melhora ares...
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- É possível produzir sem adubos químicos(NPK)?Quando se fala em produzir sem adubosquímicos, diversas questões aparecem c...
Se necessário, o fósforo pode ser usado comocorrretivo nos primeiros anos da conversãopara agricultura ecológica, até que ...
A tabela seguinte apresenta o conteúdo médiode elementos químicos (nutrientes) quecompõem as plantas, segundo um russocham...
CÁLCIOBOROCOBREMAGNÉSIOMANGANÊSMOLIBDÊNIOFÓSFORO+MOLIBDÊNIOZINCOparreiratomatetomateiromorangofeijoeirocochonilhaspodridão...
- E o que a análise do solo nos diz, emagricultura ecológica?Emagricultura ecológica, oresultado daanálisequímica de um so...
- É preciso corrigir o solo?A sociedade atual tem exigências que nemsempresãocompatíveiscomoecossistemaemque vivem as comu...
- O quesão propriedades químicas?As propriedades químicas do solo mostram aacidez (pH), a quantidade e diversidade denutri...
6.1. ADUBOS VERDES / ERVASA forma mais eficiente de adição de matériaorgânica ao solo, do ponto de vista energético ede us...
- Têm alguns exemplos práticos de adubosverdes?6.2.ESTERCOSNo Rio Grande do Sul, por exemplo, podemosno inverno cultivar a...
O esterco de porco é relativamente rico emzinco. O esterco de aves - muito rico emnitrogênio prontamente assimilável - pod...
Se, por outro lado, estamos sob baixastemperaturas e com uma terra sem vida, entãoé interessante que o esterco seja previa...
Não há limites de tamanho do tanque onde sefazobiofertilizante.O biofertilizante pode ser enriquecido comalguns minerais, ...
c. Para que a decomposiçãoaconteça conforme o desejado é necessárioqueocorranapresençadear.É feito em camadas, como uma to...
O Dr. Vanderlei Caetano, da Embrapa dePelotas, desenvolveu um tipo decompostagem que além de rápida, exigepoucamão-de-obra...
As dimensões devem ser de no máximo doismetros de largura por 40 cm de altura. Ocomprimento pode variar em função dadispon...
Aqui, como em vários outros momentos, adecisão sobre qual é a melhor alternativacaberáaoagricultor,analisando asuarealidad...
Apesardeestarbaseadoemsólidosepioneirosconhecimentos científicos, grande parte do queestáescritoaquiéfrutodeumaexperimenta...
Um material que a maior parte dos agricultorestememabundânciaéoesterco.Odebovino,oude outro ruminante, é particularmentein...
Quer dizer que este tal de biofertilizantealimenta a planta ?- Então este biofertilizante é como umagrotóxico ?Sim, mas nã...
pronto. Em regiões onde a temperatura médiadodiaéde 18 Cpodelevaraté90dias.Quando a fermentação estiver pronta o produtoap...
As cinzas de diferentes plantas têmcomposições diferentes. Por exemplo, omaricá, queéuma leguminosa, tem capacidadede reti...
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Agricultura ecológica   príncipios básicos 2010
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Agricultura ecológica príncipios básicos 2010

  1. 1. Centro EcológicoApresentação1. Sol, Água e Nutrientes2. Indicadores Biológicos3. Controle Biológico - Predadores e Parasitas4. Controle Fisiológico - Trofobiose5. Solo6. Adubos Orgânicos6.1 Adubos Verdes/ Ervas6.2 Estercos6.3 Composto6.4 Vermicomposto6.5 Biofertilizantes Enriquecidos6.5.1 Biofertilizantes Enriquecidos Líquidos6.5.2 Biofertilizantes Sólidos, Adubos fermentados tipo Bokashi7. Caldas Nutricionais e Fitoprotetoras7.1 Calda Bordalesa7.2 Calda Cúprica EEC7.3 Calda Sufocálcica8. Manejo de Videira, Pessegueiro e Tomateiro:Experiência na Região da Serra Gaúcha8.1 Cultura de Videira8.1.1 Ecologia8.1.2 Localização do Parreiral8.1.3 Variedades8.2 Cultura do Pessegueiro8.2.1 Localização e Escolha do Terreno8.2.2 Manejo de Solo e Adubação8.2.3Tratos Culturais8.2.4 Manejo de Insetos e Doenças8.3 Cultura do Tomateiro8.3.1 Variedades8.3.2 Manejo de Solo e Adubação8.3.3 Tratos Culturais: Condução e espaçamento8.3.4 Manejo de Insetos e Doenças9. Conclusão10. Bibliografia010203040409172325262931333841454545475151515151606060626266666668697171
  2. 2. O Centro Ecológico é uma ONG que atua desde1985 estimulando a produção e o consumo deprodutosecológicos.Acreditamos que desta forma estamoscontribuindo para uma outra sociedade, maisjusta, fraterna e respeitosa com o meio-ambiente.O manejo ecológico dos sistemas produtivos éo principal eixo de trabalho do CentroEcológico, onde incluímos um fortecomponente de resgate e manejo dabiodiversidadeagrícolaealimentar.Para além do aspecto técnico-produtivo,também trabalhamos com o estímulo àorganizaçãodeprodutoreseconsumidores,àCENTRO ECOLÓGICOformação de novas redes de produção econsumo, à capacitação de técnicos emagricultura ecológica, à formulação de políticaspúblicas para uma agricultura sustentável e àlutacontraautilizaçãodetransgênicos.O Centro Ecológico concentra hoje sua atuaçãoemduasregiõesagroecológicasdistintas:ASerra Gaúcha e o Litoral Norte do RS e Sul deSC. Cada uma destas regiões possuicaracterísticas sócio-ambientais diferenciadas,o que tem contribuído para alimentar umesforço permanente de reflexão sobre osprincípios da agricultura ecológica e sua formade operacionalização em contextosespecíficos.LITORALNORTE6640220RuaPadreJorges/n°95.568-970 DomPedrodeAlcântaraRSFone/fax:0xx(51)e.mail:centro.litoral@terra.com.brIPÊ-SERRA5045573CaixaPostal2195.240-000IpêRSFone/fax:0xx(54)e.mail:c.ecologico@terra.com.brTemos dois escritórios à disposição para quaisquer informações:1
  3. 3. O presente texto foi organizado a partir de duascartilhas já existentes: Trofobiose - NovosCaminhos para uma Agricultura Sadia,publicado em conjunto pelo Centro Ecológico epela Fundação Gaia, e BiofertilizantesEnriquecidos, redigida pela equipe do CentroEcológico. A estes textos se somaram outrosmateriais, elaborados para uso nos cursos deformaçãoqueoCentroEcológicorealiza.O que aqui nos propomos é instrumentalizaragricultoras, agricultores e demaisinteressados na prática da AgriculturaEcológica.Nele iremos abordar alguns elementos básicospara que o nosso entendimento sobre aagricultura e seus processos possa serorientadocombasesmaissustentáveis.Um conhecido romancista francês disse certafeita que "a verdadeira viagem dodescobrimento não consiste em vislumbrarnovas paisagens, mas sim em ter novos olhos".Disto se tratam estes apontamentos. Apaisagem é a mesma: solo, sol, chuva,nutrientes, plantas, insetos, fungos. O que aquipropomos é um novo olhar, um novo enfoque.Não é apenas sol e água, mas energia queincide em nosso agroecossistema. Não maispragas, mas indicadores de manejo. Não maisinços, ou ervas daninhas, mas plantas que nosfalam da sucessão vegetal e possuem acapacidade de repor matéria orgânica emnossossolos.Ao escrevermos um texto de cunho técnico nãoqueremos reduzir a Agricultura Ecológicaapenas aos seus aspectos produtivos.Queremos, sim, enfatizar a importância de nos(in)formarmos para efetuarmos as escolhasque nos levarão a construir a sociedade maisjustaeharmônicaquedesejamos.Sabemos todos que muitas de nossasescolhas, mesmo as mais simples, possuemum cunho político, colaboram no desenho deuma determinada forma de organização social.Assim, escolher entre a uréia e o biofertilizantepara fornecer o nitrogênio que meu cultivonecessita é uma decisão que vai além dotécnico-agronômico e abarca tambémdimensões ambientais e políticas. E nestelivretoabordamososprincípiosbásicosquenospermitem optar por tecnologias limpas, baratase independentes do complexo industrial quehojecomprimeaagricultura.Muito se tem dito que estamos hoje em umaencruzilhada civilizatória. O caminho queiremos tomar nesta encruzilhada depende denossas opções cotidianas. Devemos assumirnossas responsabilidades na construção de ummundo mais justo, tanto social quantoambientalmente.Aqui, modestamente, desde oponto de vista técnico-agronômico, esperamosestarcontribuindoparaisto.APRESENTAÇÃO2
  4. 4. 1. SOL,ÁGUA E NUTRIENTESExiste na China um provérbio muito antigo quediz:"A Agriculturaéaartedecultivarosol".Esta é uma maneira diferente de se referir a umdos processos básicos responsáveis pelamanutençãodavidanoplaneta:afotossíntese.É um processo tão presente no dia a dia daagricultura que quase não paramos para refletirnasuaimportância.Todas as plantas têm a capacidade detransformar a energia da luz do sol em energiapara a sua sobrevivência, bem como para asobrevivência de todos os seres que vivem naTerra. A fotossíntese é o processo pelo qual asplantas produzem matéria orgânica a partir desubstâncias que estão no ar. Para fazer isto, aparte verde da planta aproveita a energia queestá na luz do sol. E como a luz do sol é umrecurso natural, renovável e abundante, deveserutilizadodamaneiramaisintensapossível.Para aumentar a capacidade das plantas deaproveitar a luz do sol, elas têm que tercondições ótimas de funcionamento. O que sãoestas condições ótimas vamos ver maisadiante. Também temos que investir napossibilidade de outras espécies trabalharemcaptando a energia de sol. Esta energia,captada na forma de matéria orgânica e deminerais, será colocada à disposição de nossocultivocomercial.A adubação verde, por exemplo, é isto. Todasasvantagensdaadubaçãoverdetêmorigemnacapacidade que as plantas têm de capturarenergiadaluzdosol.- E o queé a fotossíntese?- Como se pode utilizar ao máximo a luzdo sol?- Na prática, o queé isto?Outro exemplo é quando deixamos que avegetação que vem por si no nosso pomar sedesenvolva. Não é preciso ter medo dacompetiçãodaservasdaninhasouinços.A partir da germinação de uma sementequalquer começa a funcionar uma verdadeirafábrica de adubo, onde o combustível é barato eabundante, e o resultado só traz riqueza. Épossível aproveitar o carbono e oxigênio queestãonoareohidrogênioqueestánaágua.A planta também faz parcerias com a vida quetem no solo, melhorando a absorção denitrogênio e de outros minerais, bem como épossível aumentar o teor de matéria orgânicadosolo,etc...Para que este processo aconteça, outra formadeenergiaquedeveestarpresenteéaágua.Nos ecossistemas onde a água e o sol chegamem grande quantidade, como é o caso no sul doBrasil, é muito importante manter o solo cobertopor plantas. Elas serão as responsáveis porfazer com que esta energia gere vida e nãodestruição. Todos sabemos os malefícios que osol e a chuva podem causar a um solodescoberto.Toda a forma de energia gera trabalho ou geradestruição. A energia do sol e da água podetanto fazer nosso cultivo crescer (trabalho)quanto provocar erosão e compactação no solo(destruição). Por excelência, a planta captura aenergiadosoleadaágua.Claro que não. Ela também precisa denutrientes para o seu desenvolvimento.Nutrientes que são encontrados no ar, na águae no solo. O que vem do ar e da água chega aser 95-98% da planta (oxigênio, carbono,hidrogênio,nitrogênioeenxofre).Só2-5%vêmdosolo.- Precisa de alguma outra forma deenergia?- E isso basta para umaplanta crescer?3RECURSOS NATURAIS
  5. 5. Estes três fatores diretos, sol, água e nutrientesformam o que se chama de trio ambientalbásico.A partir destes três, há outros fatores indiretosque influenciam o desenvolvimento dasplantas.Entreelesestãoalatitude(seémaisaosul ou mais ao norte do Brasil, por exemplo), aaltitude (se é na baixada ou na serra), anebulosidade, os ventos, a umidade do ar, aquantidadedearnosolo,etc...O jeito mais eficiente é tendo bastante vida nosolo. Quanto mais vida, mais fertilidade. Quantomais fertilidade, maior garantia de saúde paraas plantas. E quanto mais saúde, maiorprodutividade.Assim, um princípio básico em agriculturaecológica é de que o solo é um organismo vivo.Todo o manejo que se fizer neste organismosolotemqueserparaaumentarestavida.Deixandoosolocobertoomaiortempopossívelo agricultor estará aproveitando a energia, fartaedegraça,quecheganasuapropriedade.Comisso pode evitar ter que recorrer à energia dopetróleo, comprada na forma de adubo químico(NPK).- Como se pode aproveitar da melhorforma possível estes recursos naturais - osol, a água e os nutrientes?2.INDICADORES BIOLÓGICOSA combinação dos fatores ambientais com aação do homem determina quais as plantas (aflora) e quais os animais (a fauna) que vãoexistir numa área. Assim, estas espéciesvegetais ou animais são indicadoras dascondiçõesdaqueleambiente.Comoaprópriapalavrajádiz,umindicadorestámostrando alguma coisa. Podemos aprender aler na natureza o que ela está querendo nosmostrar. E ela dá várias pistas pra gente. É sóquererenxergar.Algumas das pistas são as doenças e aspragas.Oqueelasestãoindicando?Istovamosver mais adiante, mas, com certeza, nãoaparecemsóporquedeuvontadenelas.Outrapistasãoaservasinvasoras.As plantas podem e devem ser vistas como umrecurso natural barato e amplamente disponívelpara os agricultores. Tanto aquelas que sãosemeadas pelos agricultores quanto as quenascem espontaneamente. É necessárioentendermos o papel que a vegetação"espontânea" desempenha em nosso solo,paraquedeixemosdeenxergaruminçoouervadaninha e passemos a considerar como umrecurso, que está à nossa disposição. E que,com um manejo adequado, se torna bastanteútil.Em um ecossistema natural todo ser vivo, sejaele vegetal ou animal, tem um papel adesempenhar (um serviço a prestar) para acomunidade da qual faz parte. Além de,obviamente,contribuirparaamanutençãode- Para queserveumindicador?- Porque as ervas invasoras são, ao mesmotempo,plantas indicadoras?4Componentes (volume)NitrogênioOxigênioGás CarbônicoHidrogênioTotalPorcentagem (%)78,11020,9530,0330,0000599,09605COMPOSIÇÃO DA ATMOSFERA
  6. 6. modificando. As espécies de plantas irão sesucedendo umas às outras com um objetivobem definido: permitir que a vida se instale cadavez mais neste ambiente. Cada planta, ouconjunto de plantas, além de nos informar oestágiodematuridadeemqueesteambienteseencontra (por isto plantas indicadoras), preparaas condições para que este processo tenhacontinuidade, permitindo o surgimento deoutras espécies que trarão suas contribuições aesta"caminhada".Um solo dominado por gramíneas estoloníferascomo a milhã ( ), porexemplo,encontra-senumafasequeapresentaestrutura física deficiente, ou seja, não é umsolo solto. À medida que as plantas e,especialmente, suas raízes se decompõem, háuma incorporação significativa de matériaorgânicanosolo,melhoradoradaestrutura.Um outro exemplo, já clássico, é o da nabiça( ), que é uma ervaindicadora de falta de disponibilidade de boro emanganês no solo. Ela tem uma maiorcapacidade de extrair estes minerais do solo,quando comparada à maioria das outrasplantas. Sendo assim, seu papel na sucessãovegetal é o de tornar estes elementosdisponíveis quando encerra seu ciclo, para quea sucessão possa seguir seu curso até chegar àvegetaçãoclímax.A guanxuma ( ), indicadora desolo compactado e que possui uma raizpivotanteagressiva,capazdefazerexatamenteotrabalhodedescompactação.Assim, as ervas ao mesmo tempo em queindicam um problema, são a própria soluçãonaturalparasuperardeterminadasituação.- Na prática, comoé quesevêisto?Digitaria sanguinalisRaphanus raphanistrumSida rombifoliasua própria espécie. É a análise de qual papelque determinada espécie vegetal desempenha,no nicho ecológico no qual momentaneamenteestá se sobressaindo, que nos leva ao conceitode plantas indicadoras. Se as encararmoscomo daninhas e buscarmos sua erradicação,estaremos perdendo uma preciosa fonte deinformações, que nos auxiliariam nas tomadasde decisão em relação ao nosso manejo. Se, aocontrário, as vemos como indicadoras,poderemos utilizar não só as informações queela nos trazem, como também manejarmos suapresença. Desta forma permitiremos que elascumpram sua função para a comunidadevegetaldaqualfazemparte.Na verdade, o chamado inço é apenas umaplanta que desponta no local e no momento quenão nos interessa. Mesmo uma planta de milhoou feijão pode se comportar como inço emalgumas ocasiões. O que importa, então, não éeliminá-los, mas sim manejá-los para queapareçam em momentos que nos tragam maisbenefíciosdoqueprejuízos.Para entender bem a função que os inços têm acumprir, é importante compreender o conceitodesucessãovegetal.Desde quando uma rocha começa a sedesmanchar para se tornar solo, surge umacolonização de plantas que irá acompanhartodo o processo de "envelhecimento" destesolo, até que ele atinja seu máximo grau dedesenvolvimento, quando então estarácolonizado pela vegetação clímax,característica do ambiente, formando umafloresta. Durante todo este processo de"envelhecimento" do conjunto solo-planta, acolonizaçãovegetalestarácontinuamentese- Dá para explicar melhor a função daservas?5
  7. 7. Afinal, a forma que a natureza tem de seproteger de nossas agressões ao solo é colocarplantas cada vez mais difíceis de seremerradicadas.Se capinarmos insistentemente um solo ondeaparecem predominantemente beldroegas,irãoaparecerguanxumas.Se seguirmos com um manejo de eliminar asplantas,possivelmenteaparecerámilhã.Sempre vem uma planta com maior capacidadede proteger o solo, e conseqüentemente, maisdifícildesererradicada.Além destas vantagens específicas e quedizem respeito ao papel que a planta tem adesempenhar na sucessão vegetal, todas asplantas têm capacidade de aproveitar parte daenergia do sol e da chuva que caem em nossaterra,ouemnossoagroecossistema.Assim, se um "inço", em determinado momentoe local não está competindo com a cultura, eainda auxilia no aproveitamento da energia queincide gratuitamente em nossas terras,estamos tendo mais benefícios do queprejuízos com sua presença e não há porquepensarnasuaerradicação.Portantoocontroledaservaséfeitonãoporsuaeliminação sistemática por meios mecânicos,massimatravésdasmudançasnaqualidadedoambiente - no caso o solo - que propiciam oaparecimento de espécies menos agressivas emenoscompetidorascomaculturacomercial.Já tem gente estudando o que as plantas sãocapazes de nos dizer a respeito do solo aondeaparecem,comoasqueestãonalistaaseguir.Dentre as muitas evidências práticas quefundamentam este conceito, uma éparticularmente interessante. Quando umagricultor abandona um solo para pousio, ocomum é que este esteja degradado, em maiorou menor grau. Nestas circunstâncias podemosencontrar uma vegetação dominante de, porexemplo, milhã e guanxuma. Passados três ouquatro anos deste abandono, não será maispossível ver estas duas espécies sobre o solo.Pode nos dar a impressão de que se acabaramas sementes. Porém, quando o agricultor,depois de 10, 15 ou 30 anos, voltar a cultivareste solo, usando práticas como fogo e aração,em 2 ou 3 anos, a guanxuma e a milhã voltam apredominar.Em outras palavras, uma determinada espécienão depende da quantidade de sementes quetêm no solo para aparecer com maior ou menorintensidade. São os fatores do solo e do clima(fatores edafoclimáticos) que determinam qualespécie irá predominar naquele momento. Osolo possui um banco de sementes e são ascondições de umidade, vento, luminosidade,disponibilidade de nutrientes, etc, que irãopropiciar o surgimento desta ou daquelaespécie.Éimpossívelqueoagricultorconsigaatingirseuobjetivo de deixar sua lavoura limpa ou"desinçada". Solo que não vem vegetação é umdeserto e isto nós não queremos para nossasterras. À medida em que tentamos limpar aterra estamos, na verdade, impedindo que osolo avance em seu processo de sucessãovegetal e, com isto, dando as condiçõesnecessárias para que plantas cada vez maisdifíceisdeseremmanejadasapareçam.- Então, comoé quefica a capina?6
  8. 8. 7PLANTAS INDICADORASAzedinhaAmendoim braboBeldroegaCapim arrozCabelo de porcoCapim amoroso oucarrapichoCaraguatáCarquejaCaruruCravo braboDente de leãoFazendeiro oupicão brancoGuanxuma ou malvaLíngua de vacaMaria mole ou berneiraMamonaNabisco ou nabo braboPapuãPicão pretoTiriricaSamambaiaUrtigaOxalis oxypteraEuphorbia heterophyllaPortulaca oleraceaEchinochloa crusgalliiCarex sspCenchrus ciliatusEryngium ciliatumBaccharis sppAmaranthus sspTagetes minutaTaraxum officinalisGalinsoga parvifloraSida sspRumex sspSenecio brasiliensisRicinus communisRaphanus raphanistrumBrachiaria plantagineaBidens pilosaCyperus rotundusPteridium aquilinumUrtiga urensNOME NOME CIENTÍFICO O QUE INDICAMSolo argiloso, pH baixo, falta de cálcioe/ou molibdênio.Desequilíbrio de nitrogênio c/ cobre,ausência de molibdênio.Solo bem estruturado, com umidadee matéria orgânica.Solo anaeróbico, com nutrientes“reduzidos” a substâncias tóxicas.Solo muito exausto, com nível decálcio extremamente baixo.Solo depauperado e muito duro,pobre em cálcio.Planta de pastagens degradadase com húmus ácido.Solos que retêm água estagnada naestação chuvosa, pobres em molibdênio.Presença de nitrogênio livre(matéria orgânica).Solo infestado de nematóides.Presença de boro.Solos cultivados com nitrogênio suficiente,faltando cobre ou outros micronutrientes.Solos muito compactados.Excesso de nitrogênio livre, terra fresca.Camada estagnante em 40 a 50 cm deprofundidade, falta potássio.Solo arejado, deficiente em potássio.Solos carentes em boro e manganês.Solo com laje superficial e falta de zinco.Solos de média fertilidade.Solos ácidos, adensados, mal drenados,possível deficiência de magnésio.Excesso de alumínio tóxico.Excesso de nitrogênio livre, carênciaem cobre.* Adaptado de Ana Primavesi, in Agricultura Sustentável, Nobel; São Paulo -1992.
  9. 9. 3.CONTROLE BIOLÓGICO-PREDADORES E PARASITASNa agricultura, se chama de equilíbrio biológicoo controle que predadores e parasitas fazem nocrescimento da população dos insetos, ácaros,nematóides,fungos,bactériasevírus.Podemos citar, como exemplos, os casos de:- ("praga"), que é comido pela(predador).- ("praga"),queéinfectadapelo(parasita).Esse equilíbrio é importante para manter, numnível que não cause dano econômico, aspopulações de insetos e doenças que podemserprejudiciais.Há muitas espécies que são predadoras ouparasitas das pragas e doenças que atacam oscultivosagrícolas.São insetos, ácaros, nematóides, fungos,bactériasevírus.Animais maiores também são muitíssimoimportantes, entre eles: aves, morcegos, tatus,cobras,rãs,saposearanhas.Até os dias de hoje, os controles biológicosvendidos pelas empresas multinacionais, comoo (nome comercialDIPEL) e o , são organismosencontrados na natureza, que foramselecionadosereproduzidosemlaboratórios.Agora, com as possibilidades geradas pelaengenharia genética, se abre uma outraperspectiva.pulgão joaninhalagarta-da-sojaBaculovirusBacillus thuringiensisBaculovirusO controle biológico do futuro corre o risco deser seres vivos criados ou manipuladosgeneticamente pelo homem, capazes de sereproduzirem, totalmente alheios ao ambientenatural e, portanto, fora do sistema de auto-regulação desenvolvido com a evolução dasespécies,durantemilharesdeanos.Dá bem para imaginar as conseqüências desteriscodeperdadecontrole!Não, existem outros fatores que podemdeterminar um aumento descontrolado dessaspopulaçõesdepragasedoenças.Várias das correntes que trabalham comagricultura sem o uso de químicos atribuemsuas experiências de não terem problemas de"pragas ou doenças" ao equilíbrio daspopulaçõesdepredadoreseparasitas.E, quando os problemas eventualmenteocorrem, são controlados com "venenosnaturais", como fumo, piretro, etc... Só há umasubstituiçãodoagentequecontrolaodistúrbio.Ao invés de um químico sintético se usa umproduto natural. É como se mudássemos o queestádentrodopacote,semmudaropacote.Mas, no controle de pragas e doenças, tambémé muito importante o que acontece por dentroda planta. A isto damos o nome de controle.- É apenas a morte dos inimigos naturaisque causa o aumento de "pragas" e"doenças" nas lavouras?fisiológico8
  10. 10. Essasplantasmaltratadastêm,nasuaseiva,osprodutos livres que os insetos e doençasprecisamparasealimentareviver.Podemos trocar o nome de pragas e doençaspara .Insetos, ácaros, nematóides, fungos, bactériase vírus são a conseqüência e não a causa doproblema. Lembram que já falamos disto napartedeindicadoresbiológicos?Uma regra geral é que plantas tratadas commatéria orgânica são bem menos atacadas porinsetosedoenças.Mas há outras coisas. Todos os fatores queinterferem no nível do metabolismo da planta,ou seja, no seu funcionamento interno, podemdiminuir ou aumentar sua resistência. Paratratar bem, temos que ter um manejo queaumentearesistência.Vamos listar estes fatores e depois olhar cadaumcommaisdetalhe.indicadores biológicos de mau manejo- E como é que se pode tratar bem asplantas?a. Espécie ou variedade de plantab. Idade da plantac. Solod. Climae. Adubos orgânicosf. Adubos minerais de baixa solubilidadeg. Tratamentos nutricionaish. Tratos culturais - capina, podasi. Enxertiaj. Adubos químicosk. Agrotóxicos(genética)(ou idade da parte da planta)(luz, temperatura, umidade, vento)(NPK)4.CONTROLEFISIOLÓGICO-TROFOBIOSEO assunto é bastante complexo, mas o seuprincípioésimplesedefácilcompreensão.A palavra foi usada pelopesquisador francês Francis Chaboussou paradar nome a sua idéia de que não é qualquerplantaqueéatacadaporpragasedoenças.Ou seja, a planta precisa é servir de alimentoadequadoàpragaoudoençaparaseratacada.Trofobiosepareceumpalavrão.Masnãoé!-querdizeralimento-querdizerexistênciadevidaPortanto, quer dizer: todo equalquer ser vivo só sobrevive se houveralimentoadequadodisponívelparaele.Em outras palavras:Aplanta ou parte da plantacultivada só será atacada por um inseto, ácaro,nematóide ou microorganismo (fungos oubactérias), quando tiver na sua seiva,exatamente o alimento que eles precisam. Estealimento é constituído, principalmente, por, que são substâncias simples ese desmancham facilmente (solúveis). Paraque a planta tenha uma quantidade maior deaminoácidos,bastatratá-lademaneiraerrada.Quer dizer, um vegetal saudável, bemalimentado, dificilmente será atacado por"pragas" e "doenças". As ditas "pragas" e"doenças" numaplantasadia.As pragas e doenças só atacam as plantas queforammaltratadasdealgumaforma.TrofobioseTrofoBiosetrofobioseaminoácidosmorremdefome- Comofunciona o controle fisiológico?9FATORES QUE INTERFEREM NOMETABOLISMO DA PLANTA
  11. 11. Depois de ser praticamente desmanchado, oalimento,jánaformadeaminoácidos,vaiparaointestino, é absorvido no sangue e vai ser usadopara construir outras proteínas, como pele,cabelos,unhas,etc...Ohomemtemumadiversidademuitograndedeenzimas que o fazem capaz de digerirdiferentesalimentos.Mas, por exemplo, não tem enzimas queconseguem digerir feno ou serragem. Istosignifica que se comer tanto feno quantoserragem, vai encher o estômago, mas morrerdefome.Agora são i , ,, , e que estãosealimentando.Estes seres, ao contrário do homem,, o que reduz sua possibilidade deaproveitar completamente moléculas grandes(complexas) comoasproteínas.Eles só são capazes de cortar algumas argolasdas correntes ou retirar alguns tijolos dasparedes.Portanto, para terem uma nutrição satisfatória,como, por exemplo,aminoácidos. Senão, acontece o mesmo queno homem quando ingere feno ou serragem -.Uma proteína é composta por uma seqüênciade aminoácidos. As plantas vivas juntamaminoácidosparaformarasproteínas.Segunda: nsetos nematóidesácaros fungos bactérias vírustêm umavariedade muito pequena de enzimasdigestivaseles devem encontrar o alimento já na suaforma simplesmorremdefome- Por que estes fatores interferem naresistência?- Mas o que as proteínas e os aminoácidostêm a ver com a resistência das plantas aoataque de insetos, ácaros, nematóides oudoenças?Todos esses fatores estão ligados à formação(síntese) de proteínas - à ou àdecomposiçãodelas-a .Para se entender melhor, podemos imaginarque cada é como uma corrente e osaminoácidos são as argolas que formam estacorrente. Ou, que cada é como aparede de uma construção e ossãoosseustijolos.Para melhor entendimento, vamos compararduassituações:Um homem alimenta-se com umpedaço de carne, que é composto basicamentedeproteínasegorduras.O primeiro passo é mastigar, para triturar emisturar com a saliva e, assim, iniciar oprocessodedigestão.A seguir, o líquido do estômago ficaencarregado de continuar o trabalho dedecomporestasproteínas.Tanto na saliva quanto no estômago, quem seencarrega de fazer a digestão são as .Elas são como ferramentas de muitosdiferentes tipos, capazes de separar as argolasdas correntes de proteínas ou destruir a massaque une os tijolos das paredes da construção.proteossínteseproteóliseproteínaproteínaaminoácidosPrimeira:enzimas10
  12. 12. aminoácido1234 5 611Para que os aminoácidos se juntem e formem proteínassão necessárias as enzimas.As enzimas precisam de uma nutrição balanceada e completa para atuarem.A seiva transporta proteínas e aminoácidos, açúcares e nitratospara os pontos de crescimento da planta.Porém, o uso de agrotóxicos, a adubação desequilibrada e a falta de boascondições para planta atrapalham este mecanismo.aminoácidoaminoácido12Proteínas Nitrato e AçúcaresSEIVAQuando isto acontece, a seiva fica carregada de aminoácidos livres, açúcares e nitratos.Este são os alimentos preferenciais de fungos, bactérias, ácaros e nematóides.SEIVASEIVATROFOBIOSE
  13. 13. Como resultado, teremos uma determinadaplanta que só parece ser, mas que na realidadenão é e que, portanto, não funciona como deve.Como já vimos, a proteossíntese depende demuitos fatores que influenciam o metabolismodasplantas,ouseja,asuaresistência.Por outro lado, a proteólise ou decomposiçãodas proteínas provoca um excesso desubstâncias solúveis na seiva, fazendo comque a planta torne-se um alimento adequadopara insetos, ácaros, nematóides, fungos,bactériasevírus.A a da planta ao local decultivo (que determina a maior capacidade deabsorver nutrientes pelas raízes e maiorcapacidade de fotossíntese das folhas, porexemplo) aumenta o seu poder deproteossíntese. Se a variedade não for bemadaptada, o funcionamento da planta ficaprejudicado. É o que acontece quando secultivam espécies mais de frio já perto do verão.Ouespéciesdabaixadacultivadasnaserra.Plantas na fase de têm,naturalmente, maior atividade de proteólise.Durante seu ciclo, a planta armazena reservaspara os períodos de necessidade, como é ocaso da época de reprodução. Nesta fase asproteínas da reserva são decompostas, paraque possam se deslocar e formar as brotaçõese flores novas. É um período em que,naturalmente, a planta vai estar mais sensível efrágil.- Vamos ver mais em detalhe os fatoresque influenciam a proteossíntese ou aproteólise das plantas?a. Espécieouvariedadedaplantaadaptação genéticb.Idadedaplantaoudepartedaplantabrotação e floração- Mas, o que determina que uma plantatenha maior ou menor quantidade desubstâncias simples, como os aminoácidos,circulando na seiva?Isto está relacionado com a formação deproteínas - quanto mais intensa for aproteossíntese, menor será a sobra deaminoácidos livres, açúcares e mineraissolúveis. Além disto, a formação eficiente deproteínas aumenta o nível de respiração e defotossíntese da planta, melhorando todo ofuncionamentodaplanta.Vamos fazer outra comparação, para entendermelhor o que é a formação das proteínas - aproteossíntese.Podemos imaginar, por exemplo, que a planta éumaunidademontadoradecarros.Para montar um carro é necessário estaremdisponíveis nas esteiras de montagem, entreoutras coisas: 5 rodas, 5 pneus, 3 bancos, 1motor, 1 suspensão, 1 direção, 1 pára-brisadianteiro e um traseiro, e assim por diante. Sefaltarem algumas das peças ou se, porexemplo, a esteira que leva rodas tivervelocidade muito mais rápida do que a que levao motor, o carro terá alguns tipos de peçassobrando e outras faltando. O produto final ficaparecendo um carro, mas na verdade seufuncionamento e composição estãoprejudicados.Nãosãocomodeveriamser!Assim, podemos comparar as peças paramontar o carro aos minerais que a plantanecessita para seu funcionamento. Se faltaremalguns minerais ou se a absorção fordesequilibrada (rápida demais, no caso deadubos químicos solúveis/NPK), ofuncionamento da montadora fica prejudicado -aproteossínteseficaprejudicada.12
  14. 14. Umidadee.Adubosorgânicosf.Adubosmineraisdebaixasolubilidadeg.TratamentosnutricionaisFalta ou excesso de umidade causamdesequilíbrios nas plantas, ou seja, pioram ofuncionamento da montadora, diminuindo aproteossíntese ou provocando a proteólise. Aágua é um dos fatores que movimentam aentradadenutrientesnasplantas.A matéria orgânica aplicada ao solo aumenta aproteossíntese nas plantas, pelos seuscompostos orgânicos e pela sua diversidadeem macro e micronutrientes. Esse fator vai serdetalhado adiante, pela sua importânciafundamental.Esses produtos, como fosfatos naturais,calcário erestos demineração, em quantidadesmoderadas, aumentam a proteossíntese nasplantas.Isto ocorre porque se tornam gradativamentedisponíveis para a absorção pelas raízes eestimulam o seu crescimento, aumentando asua capacidade de buscar água e nutrientes dosolo. Eles não prejudicam a macro e microvidado solo, ao contrário dos adubos químicossolúveisconcentrados.Esses produtos, como cinzas, biofertilizantes esoro de leite exercem uma ação benéfica sobreo metabolismo das plantas, aumentando aproteossíntese. Isto ocorre devido àssubstâncias orgânicas e à diversidade demicronutrientesqueelestêm.Vamos falar bem mais deste assunto, na partedebiofertilizantesenriquecidos.Nas também há decomposiçãonormal das proteínas, para que os produtos eminerais possam se deslocar e seremreaproveitados para as folhas mais novas.Conseqüentemente, folhas velhas são maisatacadasqueasmaduras.As também são maissensíveis do que as maduras. A carga denutrientes que elas recebem é muito grande e o"motor" para aproveitar o que chega ainda éinsuficiente, acumulando substâncias solúveisqueservemdealimentoapragasedoenças.Um bom exemplo disso é um pé de laranjeira.As folhas bem de baixo, mais velhas, em geralapresentam mais doenças. As do meio, sãoverde-escuras, saudáveis enquanto as bemjovens,emgeral,sãoatacadasporpulgões.A de um solo, que é dada porcondições físicas adequadas (solo solto), boadiversidade de nutrientes e muita atividade dosmicrorganismos, aumenta o poder de absorçãoe de escolha de alimentos pelas plantas,favorecendoaproteossíntese.Ao contrário, solos fracos, muito trabalhados,gastos, compactados, diminuem a capacidadedas plantas de escolher e de absorvernutrientes, prejudicando a proteossíntese efacilitandooacúmulodesubstânciassolúveis.Este aspecto é tão importante que vamos falardenovosobreele,maisadianteA falta de sol diminui a atividade defotossíntese, prejudicando a síntese deproteínas. Portanto, quando há vários diasnublados, podemos esperar problemas nasplantas.folhas velhasfolhas bem jovensc.Soloboa fertilidaded.ClimaLuminosidade13
  15. 15. etc) ou por outros organismos que estão livresno solo. E atrapalham a liberação de fósforo emuitos outros minerais, que é feita pelasmicorrizas. As micorrizas são fungos benéficosqueestãonasraízesdasplantas.Tanto as bactérias quanto as micorrizas queestão nas raízes das plantas fazem uma troca.Elas recebem comida da planta (carboidratos) edão em troca o nitrogênio, o fósforo, o boro, ozinco,omanganês,emuitosoutrosminerais.A aplicação de agrotóxicos diminui aproteossíntese de duas formas. A primeira, deforma direta, pelo seu efeito sobre a planta. Asegunda, de forma indireta, pelo seu efeitosobreosolo.Todos os agrotóxicos são capazes de entrar naplanta pelas folhas, raízes, frutos, sementes,galhosoutroncos.Eles podem diminuir a respiração, atranspiração e a fotossíntese da planta,afetando a proteossíntese, prejudicando aresistênciadasplantas.Como os adubos químicos, os agrotóxicostambém destroem a vida útil do solo,prejudicando a disponibilidade de nutrientespara as plantas. Esses produtos matamminhocas, besouros e outros pequenosorganismos altamente benéficos para aagricultura.Os agrotóxicos aumentam o poder de ação ereprodução de insetos que sobrevivem a umapulverização, além de aumentar a resistênciagenética desses insetos contra o veneno.Destroem, também, os chamados inimigosnaturais(oscontrolesbiológicos).k.Agrotóxicosh.TratosCulturaiscomcortederaízes podas mal feitasi.Enxertiaj.Adubosquímicos(NPK)bactérias (Capinas,lavraçõesegradeaçõese , prejudicam ometabolismo normal das plantas, que têm quecurar o estrago, aumentando a proteólise.Como no caso da brotação e floração, a plantatem que decompor suas reservas, levar até oferimento e refazer as estruturas que foramdanificadaspelocortedacapinaoudapoda.Onde o porta-enxerto e o enxerto se encostam,naturalmente se forma um filtro para osnutrientes que estão na seiva da planta. Istoquer dizer que nem tudo o que a raiz absorvechega até à copa. Têm coisas que ficam retidaspelocaminho.Em plantas enxertadas, nem sempre basta osolo estar ótimo. Às vezes é precisocompensar este filtro com pulverizaçõesfoliaresperiódicas.Esses produtos, como uréia, NPK, cloreto depotássio e superfosfatos, diminuem aproteossíntese, porque alteram ofuncionamento das plantas. Eles têm produtostóxicos na sua fórmula e têm concentraçõesexageradas de nutrientes, que causamproblemasnocrescimentodasplantas.Os adubos químicos solúveis, que são ácidos esalinos, destroem a vida útil do solo,prejudicando todos os processos de retirada denutrientes tais como o fósforo, cálcio, potássio,nitrogênio e outros. Também acabam com afixação do nitrogênio do ar, que é feita pelasdas raízes dasleguminosas(feijão,soja,trevo,vagem,ervilha,Rhizobium)14
  16. 16. Fungicidas como Zineb, Maneb e Dithanecausam viroses (doenças) e provocam ataquede ácaros em várias plantas, depois dotratamento.Além disto, qualquer fungicida mata asmicorrizas.Todos os grandes problemas com insetos emicroorganismos nas lavouras começaramapós a invenção e utilização dos agrotóxicos eadubosconcentrados.Antes disso, as plantações, em todo o mundo,eram muito mais sadias.Aagricultura moderna,ao invés de ajudar o funcionamento da planta,sóatrapalha.PLANTA SADIA(EQUILIBRADA)PROTEÍNASCOMPLEXASAMINOÁCIDOSSOLÚVEISPLANTA DOENTE(DESEQUILIBRADA)UréiaagrotóxicoNPK15
  17. 17. - Como se pode ajudar o bomfuncionamento das plantas para protege-las de ataques?- Por que a matéria orgânica melhora aresistênciadas plantas?Vimos antes que plantas tratadas com matériaorgânica são bem menos atacadas por insetosedoenças.A adubação do solo com matéria orgânica é amelhor maneira de se estimular aproteossíntese nas plantas e, com isso,aumentar a sua resistência ao ataquede insetos, ácaros, nematóides emicroorganismos.a.Amatéria orgânica melhora a resistência dasplantas porque aumenta bastante a capacidadedo solo em armazenar água, diminuindo osefeitosdassecas.(desenhoacima)RestosVegetaisEm solo grumoso asraízes desenvolvem-se melhor e a águafica bem distribuida,c o n s e r v a n d o atemperatura do soloamena (24º C),mesmosobsolforte.Em solo compactadoexistem menosraízes e a água nãose inflitra deixando aplanta exposta atemperatura de até56ºC.b.Amatéria orgânica melhora a resistência dasplantas porque aumenta a população deminhocas, besouros, fungos benéficos,bactérias benéficas e vários outros organismosúteis,queestãolivresnosolo.Fonte: Guia Rural Abril (1996)16homogênea
  18. 18. proteossíntese aumenta. Os micronutrientessão fundamentais para a proteossíntese, tantopor fazerem parte das enzimas quanto porserem ativadores delas. E as enzimas são asferramentas que regulam o metabolismo daplanta.f. A matéria orgânica melhora a resistência dasplantas porque é fundamental na estruturaçãodo solo, devido à formação de grumos. Istoaumenta a penetração das raízes e aquantidadedearnosolo.g.Amatéria orgânica melhora a resistência dasplantas porque existem nela substâncias decrescimento, que aumentam a respiração e afotossíntesenasplantas(osfitohormônios).O solo é o recurso natural mais à mão para sermanejado pelo homem, tanto no sentido demelhorar quanto de degradar. Já vimos que emagricultura ecológica o solo é encarado comoumorganismovivo.Como qualquer outro organismo vivo, o solonecessita de alimentação em quantidade,qualidade e regularidade adequadas. E deestabilidade para poder desempenhar suasatividades da forma mais eficiente possível. Avida do solo é traduzida por milhares de seresvivos de inúmeras espécies, que significamcentenas de quilos por hectare. É em partedesconhecida e pouco valorizada, porque avisãoatualdesolosépraticamentebaseadaemseusaspectosquímicos.A intensidade da atividade biológica do solo éfator determinante na sua fertilidade. Temosque dar alimento ao solo para que ele possaalimentar as plantas. Portanto, podemosinclusive falar em fertilização dosmicroorganismos. Este grupo de seres vivos dosoloédeumadiversidadeextraordinária.5.SOLOc.Amatéria orgânica melhora a resistência dasplantas porque aumenta a população dosorganismos úteis que vivem associados àsraízesdasplantas.Entre estes organismos estão as bactériasfixadoras de nitrogênio ( ) que vivemajudando e sendo ajudadas (em simbiose)pelas plantas chamadas leguminosas (queproduzem vagens, como a soja e feijão). Elasrecebem comida (carboidratos) das plantas e,emtrocadãoonitrogênio.Outro tipo de organismos são as micorrizas( quer dizer fungo, e quer dizer raiz).São, portanto, fungos que vivem grudados nasraízes e são capazes de liberar vários mineraisdo solo, fazendo com que as plantas possamusá-los.Apresença de micorrizas, por exemplo,pode aumentar o crescimento das raízes dasplantas e a absorção de nutrientes, bem como aresistência ao estresse hídrico. Já forammedidos no café ( ) aumentos deaté 300% na absorçåo de zinco, de cobre e demanganês. E, na soja ( ),incrementos de 700% na absorção de zinco,300% na de cobre e 200% na de manganês.Elas recebem comida (carboidratos) dasplantas e, em troca liberam no solo muitosoutrosnutrientes.d.Amatéria orgânica melhora a resistência dasplantas porque aumenta significativamente acapacidade das raízes de absorver minerais dosolo, quando se compara aos solos que nãoforamtratadoscomela.e.Amatéria orgânica melhora a resistência dasplantas porque possui, na sua constituição, osmacro e micronutrientes em quantidades bemequilibradas, que as plantas absorvemconforme sua necessidade, escolhendo aqualidadeeaquantidade.Comisso,oníveldeRhizobiumCoffea arabicaGlycine maxmico riza17
  19. 19. - É possível produzir sem adubos químicos(NPK)?Quando se fala em produzir sem adubosquímicos, diversas questões aparecem comfreqüência:- há fornecimento suficiente de nitrogênio,fósforo, potássio e de outros nutrientesnecessários?- qual quantidade deve ser usada? Com quefreqüência? - é possível ter resultados emgrandesáreas?- comprar a matéria orgânica de fora dapropriedade não é também uma forma dedependênciaededesequilíbrioenergético?Na realidade, quando secamos uma planta atéque vire cinza, vemos que a maior parte delavem do sol, do ar, e da água.Apenas de 2 a 5%vêm de material retirado do solo, mas é daí queelas obtêmagrandediversidade doselementosimportantes para sua resistência a ataque depragas e doenças. Também não se podeesquecer que quase metade das plantas são asraízes, que em sua grande maioriapermanecem no solo, incorporando matériaorgânica numa profundidade que nenhumequipamentoagrícolaconseguefazer.Um exemplo bem prático do que falamos antesé o caso da produção de 100.000 quilos debatatas. O que realmente sai do solo é mínimo,secomparadoaototalproduzido.A vida do solo - sua atividade biológica, juntocom a vegetação, formam um conjunto queprocessa sem parar os recursos naturaisbásicos disponíveis: sol, água e nutrientes. Éum reciclar permanente de carbono, dehidrogênio, de oxigênio e de nitrogênio,somados aos minerais encontrados nadecomposiçãodarocha-matrizdosolo.A decomposição do material orgânico ocorreem diferentes níveis, feita por diferentes gruposde seres vivos, que num primeiro momentotrituram o material, para posteriormentefazeremadecomposição.A quantidade e o número de espécies quehabitam o solo, variam muito de região pararegião,deacordocomoclimaeomanejofeito.Um pesquisador chamado Janick mediu osseres vivos (a flora e pedofauna) de um soloagrícola, em clima frio (temperado), nosprimeiros 30 cm de profundidade. Ele obteve asseguintes quantidades médias de quilos emcadahectare:- Que tipos de microorganismos vivem nosolo?Bactérias 500 a 1000 Kg1500 a 2000 Kg800 a 1500 Kg200 a 400 Kg250 a 300 Kg25 a 50 Kg(+ ou -) 800 Kg4075 a 6050 KgFungosActinomicetosProtozoáriosÁgua 95 500 Kg4 450 Kg50 Kg100 000 KgFotossínteseMinerais do soloTOTALAlgasNematóidesMinhocas, outrosvermes e insetosTOTALPESO MÉDIO DOS ORGANISMOS VIVOS NO SOLOINSUMOS NECESSÁRIOS PARA PRODUZIR100 TONELADAS DE BATATAS18
  20. 20. Se necessário, o fósforo pode ser usado comocorrretivo nos primeiros anos da conversãopara agricultura ecológica, até que a atividadebiológica do organismo vivo solo estejaadequada. As principais fontes de fósforoutilizadas podem ser o fosfato natural de Araxáou a farinha de ossos. O importante é que tenhaamenorsolubilidadepossível.Os micronutrientes dependem basicamente daação dos microrganismos do solo para setornaremassimiláveispelasplantas.Por isso, as carências de micronutrientes sãotão freqüentes na agricultura moderna. Ossolos assim cultivados já quase não recebemmatéria orgânica, que é o alimento dosmicroorganismos. E recebem muitosagrotóxicos,queosmatam.Caso haja necessidade de complementação deminerais, as cinzas, o pó de basalto, o fosfatonatural, o calcário e a farinha de ossos podemserusadoscomofonte.É importante entender que o solo é capaz defornecer muitos destes micronutrientes. Masisto tem relação direta com a intensidade daatividade biológica que depende, por sua vez,dadisponibilidadedematériaorgânica.Pouca gente tem idéia de quantos nutrientesdiferentes a planta precisa para poder funcionarbem. Lembram daquele exemplo da planta servista como uma montadora de carro? Se faltamou sobram peças (nutrientes) o funcionamentonãovaiseromelhorqueaplantapodeter.- O que acontece no caso dosmicronutrientes?- Falando em diversidade, de quantosminerais diferentes é formada umaplanta?- Como se faz para ter nitrôgêniosuficientepara a cultura?- E como se lida com o problema daaparente falta de fósforo?A natureza tem vários mecanismos de repor onitrogênio para as formas de vida quedependem dele e para o solo. A questão,novamente,épararasatividadesquediminuemou eliminam a eficiência destes mecanismos deauto-regulação. E estimular o aproveitamentodo nitrogênio que está disponível no ar(atmosfera).Há estudos que falam na quantidade de 7t/ha/ano de microrganismos mortos no solo, oque resulta numa quantia de 100 kg denitrogênio orgânico/ha/ano, 40% dos quaisseriamassimiláveispelasplantas.Em regiões com chuvas, o efeito dos raioscontribui com até 50 kg de nitrogênio/ha/ano. Aestes valores se soma a fixação do nitrogênioatmosférico pelos fixadores de vida livre no soloouassociadosàsraízes,quepodechegara400kg de nitrogênio/ha/ano. Por estas razões nãose observam deficiências de nitrogênio emsistemas naturais ou na agricultura que segueàderrubadadematas.Em geral, o fósforo contido no solo está poucodisponível para as plantas, por estarimobilizado. Mesmo quando se adiciona fosfatosolubilizado (superfosfatos) ao solo, uma boaparte dele fica numa forma que a planta nãopode assimilar. Mas, o mais importante não éesta quantidade disponível em si, e sim o fluxodereposiçãoqueosoloécapazdeter.Aí,éfundamentalotrabalhodasmicorrizasedeoutros arganismos do solo. Outra vez, oprocesso depende da matéria orgânica,especialmente de adubos verdes. E de não seusarprodutostóxicos.19
  21. 21. A tabela seguinte apresenta o conteúdo médiode elementos químicos (nutrientes) quecompõem as plantas, segundo um russochamadoVinográdov.1. Oxigênio2. Carbono3. Hidrogênio4. Cálcio5. Potássio6. Nitrogênio7. Silício8. Magnésio9. Fósforo10. Enxofre11.Alumínio7018100,30,30,30,150,070,070,050,0214. Cloro15. Manganês16. Cromo17. Rubídio18. Zinco0,011 x 10-35 x 10-45 x 10-43 x 10-412. Sódio13. Ferro0,020,0227. Níquel28.Arsênico29. Cobalto30. Flúor31. Lítio32. Iodo33. Chumbo34. Cádmio35. Césio36. Selênio37. Mercúrio38. Rádio5 x 10-53 x 10-52 x 10-51 x 10-51 x 10-51 x 10-5n x 10-51 x 10-6n x 10-61 x 10-7n x 10-7n x 10-419. Molibdênio20. Cobre21. Titânio22. Vanádio23. Boro24. Bário25. Estrôncio26. Zircônio3 x 10-42 x 10-41 x 10-41 x 10-41 x 10-4n x 10-4n x 10-4n x 10-4CONTEÚDO MÉDIO DE ELEMENTOS QUÍMICOS DAS PLANTAS EM % DE MATÉRIA VERDE20
  22. 22. CÁLCIOBOROCOBREMAGNÉSIOMANGANÊSMOLIBDÊNIOFÓSFORO+MOLIBDÊNIOZINCOparreiratomatetomateiromorangofeijoeirocochonilhaspodridão apicalvirose "vira-cabeça"podridãomosca-branca ( )vírus douradoBemisa tabacicevadatrigogirassolcouve-flormilhobatatamelanciabatata-doce..míldio ( )ferrugem ( e )míldio ( )míldio ( )lagarta do cartucho ( )podridão-seca-da-espiga ( )sarna ( )sarna ( )Erysiphe graminisPuccinia graminis tritici Puccinia glumarumErysiphe cichoracearumBotrytis sp.Spodoptera sp.Diploida zeaStreptomyces scabieioidiumStreptomyces scabieiarroztrigocafeeirobrusone ( )ferrugem ( )ferrugem ( )Piricularia oryzaePuccinia graminis triticiHemileia vastatrixtomateiroacáciainfecções bacterianasbesouro serrador ( )Oncideres impluviataaveiatrigoinfecções bacterianasferrugem ( )Puccinia graminis triticialgodoeiro lagarta rosada ( )Platyedra gossypiellaalfafa baixa resistênciaseringueiramilhoOidium hevea Phytophthora sp.Elasmopalpus lignosellusebroca do colmo ( )DEFICIÊNCIA DE CULTURA DOENÇA OU INSETO QUE APARECEComopodemosver,quandoseadubacomNPK(nitrogênio, fósforo e potássio), mais um poucode correção com calcário (que tem cálcio emagnésio) e um ou outro micronutriente, aindafalta muita coisa para se poder dizer que aplantaestábemalimentada.Edaí,surgemmuitosdosproblemasdepragasedoençasdosquaisjáfalamos.Do mesmo modo que as ervas são indicadorasdo tipo de solo, as doenças e insetos mostramdificuldadesqueasplantasestãotendo.Na tabela a seguir vemos problemasassociadosàcarênciadenutrientes.(Ana Maria Primavesi - Curso de solos / 1989 e manejo Ecológico de Pragas e Doenças)21
  23. 23. - E o que a análise do solo nos diz, emagricultura ecológica?Emagricultura ecológica, oresultado daanálisequímica de um solo não nos diz, corretamente,adisponibilidadedenutrientesnestesolo.Équeosoloéumorganismovivo,comciclos deatividade biológicos e químicos bastanteintensos e acelerados. Ou seja, ele varia noespaço e no tempo. Quando retiramos umaamostra e analisamos, estamos trabalhandocom solo isolado de todos os componentesquímicos e biológicos que o estavaminfluenciando. É como se tirássemos umafotografia de um carro em movimento. Temosapenas um retrato, bastante fora de foco, deumarealidadeextremamentedinâmica.As análises dão um retrato, por baixo, daquantidade real de minerais presentes em umdeterminado solo, tanto no que se refere àdiversidadequantoàsquantidades.Normalmente, se mede as quantidades denutrientes não levando em consideração o queé liberado pela própria matéria orgânica ouatravésdaatividadebiológicadosolo.Ostestesrevelam apenas o que está imediatamentedisponívelparaaplanta.Eoscomponentesnãodisponíveis ou insolúveis são em muitíssimamaior quantidade. É esta riqueza de nutrientesque é imobilizada pelos fertilizantes químicos,mas é tornada disponível pelos fertilizantesorgânicos, devido à atividade biológica quedesencadeiam.Como um exemplo prático, um trabalhorealizado no Chile, procurou determinarextratores de fósforo para análises de solos emlaboratórios. Foram testados dois extratores. Oprimeiro, através de um método químicochamado Bray Kurtz. E o segundo, por ummétodo biológico, empregando apenas umadas espécies comuns de fungo de solo, oAs análises, feitas em solos de origemvulcânica,deramaosseguintesresultados:Aspergillusniger.SoloArrayán A 3,3 708507266063,13,84,3AAACallipuliTemucoPadre las CasasHorizonteppm de PBray Kurtzppm de PAspergillus nigerNoresultadodestaanálise,seumtécnicovêumteor de fósforo de 3,3 ou 4,3 ppm, elerecomenda imediatamente a adição de adubofosfatado. Agora, se o resultado, no mesmosolo, for 708 ou 606 ppm, então a situação éoutra, ainda mais quando se pensa num solobiologicamente ativo onde, além do, agem inúmeras espécies capazes detornarosmineraisdisponíveisparaasplantas.Ela se chama rizosfera - o local em torno dasraízes. Numa camada muitas vezes nãosuperior a 30cm se encontra 80% da atividadebiológica de um solo, em climas como o nosso.À medida que nos aprofundamos no solo,diminui o oxigênio e, conseqüentemente, asformas de vida que decompõem (oxidam) amatéria orgânica e que mantêm o fluxo cíclico econstante dos nutrientes. As raízes grandes,que extraem a água, aprofundam-se no solo e,ao final do ciclo de vida da planta, enterramgrandes quantidades de carbono, deixandonovos canais abertos para que as plantas quecrescerem a seguir tenham mais facilidade emexpandirsuasraízes.Aspergillusniger- Como é esta parte do solo onde as raízesseconcentram?22
  24. 24. - É preciso corrigir o solo?A sociedade atual tem exigências que nemsempresãocompatíveiscomoecossistemaemque vivem as comunidades de seres humanos.Aprodução agrícola é, claramente, um exemplodisto: o homem moderno quer consumirprodutos cuja época ou local de cultivo não sãocompatíveis com a sua demanda. Surge entãoa necessidade de se introduzir artifícios nomanejodoagrossistema.Um destes artifícios é o uso dos chamados"corretivos de solo", que permitem cultivarterras consideradas inadequadas à maioria dasvariedades atuais de plantas cultivadas. Narealidade o que chamamos de correção é tornaro solo adaptado à cultura que queremos. E nãoadaptar o cultivo ao solo, como seria maisracional do ponto de vista ecológico. Esteprocedimento, se pensarmos em termosglobais, compromete a sustentabilidade dosistema, já que implica em trazer material nãorenovável de algum outro local, que se traduznumgastomaiordeenergia.Nas nossas condições, no Sul do Brasil, desolos naturalmente bastante ácidos, quando sefala em "correção" basicamente se pensa emcalcário, para neutralizar o alumínio.Precisamos fornecer o cálcio, que tem nocalcário, para os cultivos, mas não se trata dedetonar o solo, adicionando toneladas porhectare, que eleva o pH mas traz uma brutalmortalidade aos microrganismos do solo. Naagricultura ecológica, a elevação do pH, a fimde reduzir a toxicidade do alumínio e tornar osoutros minerais mais disponíveis para asplantas, é conseguida através da incorporaçãode matéria orgânica fresca ao sistema agrícola,especialmente na forma de adubos verdes. Amatéria orgânica é tão especial que se o solo foralcalino (pH maior que 7), ela baixa o pH até aneutralidade.Quer dizer, torna o solo adequado para asplantasdesenvolverembem,nopH6a7.O calcário, portanto, é utilizado em pequenasdoses, de cerca de 300 a 800 kg por ha/ano,quando necessário, como fonte de cálcio para aplanta.Os efeitos da adição de matéria orgânica aossolos são positivos em praticamente todos osaspectos. Para ficar melhor de entender, se dizque um solo tem três tipos de características(propriedades) diferentes, as físicas, asquímicaseasbiológicas.As propriedades físicas são aquelas quedeterminam, por exemplo, se o solo é solto,aerado, ou se é compactado. Se a água penetrabemouseescorre,quandochove.;6.ADUBOS ORGÂNICOS- E o quesão as propriedades físicas?Efeitos da matéria orgânica sobre aspropriedades físicas do solo01. Diminui a densidade;02. Melhora a estrutura - é um agentecimentante;03. Torna o solo mais friável;04. Aumenta a capacidade de retençãode água;05. Aumenta a infiltração da água;06. Facilita a drenagem;07. Aumenta a circulação de ar no solo;08. Reduz a variação da temperaturado solo;09. Amortiza o impacto direto das gotasde chuva;10. Aumenta a absorção de nutrientes;11. Aumenta a superfície específica.23
  25. 25. - O quesão propriedades químicas?As propriedades químicas do solo mostram aacidez (pH), a quantidade e diversidade denutrientes,seaplantapodeabsorverbemestesminerais,etc.Efeitos da matéria orgânica sobre aspropriedades químicas do solo01. Aumenta a capacidade de trocacatiônica;02. Aumenta disponibilidade de nutrientes;03. Aumenta a adsorção de cátions;04. Eleva ou diminui o pH;05. Complexa o alumínio tóxico;06. Controla a presença de elementostóxicos como ferro, manganês emetais pesados, pela capacidadede fixar, quelar ou complexarestes elementos;07. Recupera solos salinos;08. Aumenta o poder tampão do solo;09. Fixa o nitrogênio do ar;10. Fornece substâncias estimulantesde crescimento.Efeitos da matéria orgânica sobre aspropriedades biológicas do solo01. Aumenta a atividade demicroorganismos;02. Aumenta a atividade de micorrizas;03. Aumenta a atividade das bactérias04. Aumenta a atividade de minhocas.Rhizobium;24- E o quesão as propriedades biológicas?As propriedades biológicas do solo têm a vercomavidaqueexistenele.A adição de matéria orgânica ao solo é a chavepara ativar todo o sistema. Um dos princípiosbásicos da agricultura ecológica é queadubamos o solo, para o solo poder adubarnossoscultivos.A fim de poder manter a diversidade daspopulaçõesdemicrorganismos,aregrageralé1) garantir a melhor cobertura possível,e v i t a n d o s o l o p e l a d o e 2 ) u m arotação/sucessãovariadadecultivos/ervas.
  26. 26. 6.1. ADUBOS VERDES / ERVASA forma mais eficiente de adição de matériaorgânica ao solo, do ponto de vista energético ede uso dos recursos naturais, é a adubaçãoverde: com uma pequena semente, sol, água,ar e solo há produção de uma quantidadeenorme de massa verde. Ela está tanto nasuperfície quanto incorporada de formaprofunda no perfil do solo, a partir dadecomposiçãodasraízes.Uma série de plantas, semeadas ou queaparecem por si podem adicionar materialorgânicoaosolo,trazendograndesvantagens.Na foto ao lado uma plantação de ervilhaca eaveia preta. A seguir tabela com as principaisplantas usadas como adubação verde e decobertura.25Espécie Kg sementes / ha Produção de Kg dematéria seca / haNitrogênio naBiomassa (Kg / ha)Aveia pretaAveia preta + ervilhacaCenteioErvilhacaNabo forrageiroCrotalaria junceaFeijão de porcoFeijão guanduMucuna pretaMilheto7550 / 30708015 - 2040150 - 1805060 - 80604.6005.0008.480350035009.9337.10013.7887.2879.93970-6810610660180250210-Plantas usadas como adubação verde e de coberturaFonte: Adaptado de ASPTA,1992.
  27. 27. - Têm alguns exemplos práticos de adubosverdes?6.2.ESTERCOSNo Rio Grande do Sul, por exemplo, podemosno inverno cultivar aveia preta ( )e ervilhacas ( ), que são roçadas eincorporadas muito superficialmente,preparando para a cultura de verão. Se forusado o sistema de cultivo mínimo ou, no casodepomares,omaterialédeixadoemcobertura.No verão, são usadas as espécies adventícias,como picão ( ), guanxuma () e carurú ( ), por exemplo.Ou se faz consórcios, caso do milho commucuna-preta ( ) oufeijão miúdo ( ), ou decucurbitáceas (morangas e abóboras) comguandú( ).No caso de adubação verde para olerícolas, osagricultores optam por aplicar em torno 60 % daadubação, principalmente os estercos, sobre aadubaçãoverdecomoobjetivodepromoverummaior desenvolvimento da adubação verde ecom isso realizando uma espécie de"compostagem" a campo do próprio esterco.Deste modo, após o manejo da adubação verdeela disponibiliza de forma gradual os nutrientespara a cultura, esta prática tem sido maisutilizada na cultura do tomate. Mas ela tambémpode ser empregada no manejo da fertilidadeem plantas perenes, como é o caso dasfrutíferas.O esterco é a fonte de matéria orgânica maislembrada quando se fala em adubos orgânicos.É um dos recursos naturais que o agricultor tema sua disposição e sua utilização deve ser amaisotimizadapossível.Avena strigosaVicia spp.Bidens pillosa Sidaspp. Amaranthus spp.Sthizolobium atterinumVigna unguiculataCajanuscajanHá diferentes maneiras de se utilizar o esterco.São as condições e a realidade de cadapropriedade, solo e cultura que irão determinarqual a mais adequada a cada caso. O queobservamos é que geralmente os agricultoresnão têm dado a devida importância ao seuaproveitamento, desperdiçando uma preciosafonte de energia, que depois terá que serrepostanaformadeaduboindustrializado.Os estercos são utilizados na forma líquida ousólida. Fresco ou pré-digerido, como compostoou vermicomposto. A melhor opção vaidepender do tipo do esterco, das instalações eequipamentos do agricultor e do cultivo em quevaiserempregado.Existem diferenças entre os estercos,dependendo de sua origem e da alimentaçãofornecida aos animais. Um animal adulto retémcerca de 25% do que come. Este dado mostra aimportância da alimentação paradeterminarmos a maior ou menor riqueza doesterco.Cada esterco possui algumas característicaspróprias, e estas informações nos auxiliam aotimizarseuaproveitamento.O de gado, mais rico em fibras, é interessantepara hortaliças que possam sofrer "doenças desolo" porque ajuda a desenvolver uma floramicrobiana no solo, antagonista a estes fungos.Estudos indicam que quando a matériaorgânica fornecida ao solo é rica em celulose(como é o caso do esterco de gado) há ummaior desenvolvimento de fungos comoe , quesão antagonistas a , e.- Que diferença há entreos estercos?Trichoderma viride Streptomyces sppFusarium RizoctoniaPhytophtora26
  28. 28. O esterco de porco é relativamente rico emzinco. O esterco de aves - muito rico emnitrogênio prontamente assimilável - podetrazer problemas para as culturas maissensíveiseésemprerecomendadofazeralgumtipodepré-decomposição.Por esta tabela algumas contas interessantespodemserfeitas.Por exemplo, chega-se à conclusão que umavaca pode fornecer vinte sacos da formulaçãoNPK 8-2-9 por ano. Se considerarmos que estaformulação tem baixo teor de fósforo, podemosacrescentar 4 sacos de fosfato natural e, então,teremosumadubofórmula8-7-9.Ainda nesta linha de raciocínio, um cavalo nosdariavintesacosdeumaduboNPK 6-2-4e umporco, dois sacos de uma formulação 7-5-6,porano.Só por estas contas já seria muito vantajosoutilizar ao máximo o esterco que dispomos napropriedade.Mas não podemos repetir o equívoco de muitose valorizar o esterco apenas pelo seu teor deNPK. Micronutrientes, ácidos orgânicos,aminoácidos, e todas as vantagens já citadaspara a matéria orgânica são tão ou maisimportantesqueseuteordeNPK.A utilização do esterco tem uma relação diretacom a temperatura do ambiente e com o níveldeatividadedavidadeumsolo.Isto vale tanto para as quantidades quanto paraa forma como este esterco pode ser utilizado.Se temos um ambiente com altas temperaturase um solo com boa atividade biológica, não hánecessidade de que este esterco passe por umprocessodedecomposiçãoantesdeiraosolo.Estas condições são suficientes para permitiruma digestão deste material no próprio solo,antes que ele tenha contato com as raízes dasplantas.- Comousaro esterco?27Materiais fertilizantes contidos no esterco e na urina de algumas espécies(em kg / cabeça / ano)Componente Eqüinos Bovinos Suínos OvinosÁgua 5 785 13 145 1 324 541Matéria Seca 1 715 2 039 176 199Total 7 500 15 184 1 500 740Nitrogênio 58 78,9 7,5 6,7Fósforo (P2O5) 23 20,6 5,3 4,3Potássio (K20) 40 93,6 5,7 6,2Cálcio e Magnésio(CaO + MgO)30 35,9 3,0 8,8
  29. 29. Se, por outro lado, estamos sob baixastemperaturas e com uma terra sem vida, entãoé interessante que o esterco seja previamentedecomposto, antes de ir ao campo. Assim,adicionaremos à terra não só um produto maisestabilizado como também inocularemosmicrorganismosúteisparasuarecuperação.Entre os extremos, temos vários níveis degraduação. Solos vivos em baixa temperatura.Solos em recuperação. Temperaturasintermediárias. São diferentes realidades quenão permitem ter uma receita única. Oimportanteérefletirmossobreestesprincípiosetermos condições de encontrar a melhorsoluçãoparaanossarealidade.A seguir vamos ver algumas maneiras de semanejar o esterco, para obter dele o melhorresultadopossível.Como foi dito acima, o uso do esterco frescodepende basicamente do nível de vida que estápresente em um solo. Depende de qual vai ser acapacidade deste solo de digerir e colocar àdisposição de nosso cultivo um adubo dequalidade.De qualquer maneira, não se espalha estercofresco sobre o solo nu, mas sim sobre avegetação que tem nele antes do preparo.Depois, é roçar a vegetação, esperar murchar einiciaropreparodosolo.Ocorrecomoestercooquechamamosdecompostagemdesuperfície.O esterco líquido pode ter tido um processo defermentação aeróbica (na presença deoxigênio) ou anaeróbica (na ausência deoxigênio).- Dá para usaro estercoao natural?- Como se prepara e se usa o estercolíquido?Há duas maneiras de fazer uma fermentaçãoaeróbica. Uma é forçando a incorporação de arno líquido, remexendo ou por ventilação. Outraé construindo um tanque com uma grandesuperfície em relação ao volume, paraaumentarocontatodamisturacomoar.Aqui, iremos nos referir ao biofertilizante comosendo oriundo de uma fermentaçãoanaeróbica. Ainda que, a nível prático sempreteremos os dois tipos de bactérias atuando aomesmo tempo, com uma eventualpredominância de uma sobre a outra, emfunção da maior ou menor presença de ar. Nãopodemos esquecer que estas reaçõesacontecem em escalas microscópicas emicrosítios que podem se apresentar com maisoumenosardoqueorestodoambiente.Os biofertilizantes podem ser feitos comqualquer tipo de matéria orgânica fresca. Namaioria das vezes se utiliza esterco, mastambémpode-seusarsomenterestosvegetais.O esterco bovino é o que apresenta mais fácilfermentação, por já vir inoculado com umabactéria decompositora muito eficiente. Embiofertilizantes feitos com este material seutiliza uma parte de esterco para 1,5 a 2 partesde água, em uma mistura homogênea.Dependendo do tipo de manejo que o agricultorfor dar a este fermentado, é conveniente se terum tanque de mistura antes do material sercolocadonotanquedefermentação.No caso de utilizarmos outro tipo de esterco oumaterial vegetal é interessante adicionarmosum pouco de esterco de gado para inocularmosnossamisturacomestasbactériaseficientes.Em todos os casos, é convenienteacrescentarmos soro de leite ou caldo de canapara darmos condições da bactéria sedesenvolver commaiorvelocidade.28
  30. 30. Não há limites de tamanho do tanque onde sefazobiofertilizante.O biofertilizante pode ser enriquecido comalguns minerais, oriundos de cinzas ou rochasfinamente moídas. Estes minerais irão, além demelhorar o produto final, favorecer a umafermentaçãomaiseficiente.Podem ser utilizados tanto no solo, trazendotodas as vantagens que já foram enumeradaspara a matéria orgânica, como empulverizações foliares, diluídos de 2 a 10%.Neste último caso são muito eficientes para ocontrole de diversas enfermidades, porpropiciar a planta um funcionamento maisharmônicoeequilibrado.Utilizadas no solo, as quantidades variammuito, mas como referência indicamos de 10 a20metroscúbicosporhectare.A família Bernardi, em Ipê, RS, utiliza umaadubação de cobertura em tomate com aseguinte formulação, feita num tonel de 200litros:-100litrosdeágua-70litrosdeesterco-5kgdeestercofrescodegalinhapoedeira-1kgdeaçúcarDepois de misturado tudo de uma só vez, seespera uma semana. É usado a 50%, colocadono solo com regador sem crivo, junto aos pés detomate. O açúcar serve como energia inicial,para melhor desenvolvimento da florabacteriana, e o esterco de galinha entra paraaumentaroteordenitrogênio.- Como se pode preparar esterco líquidopara fazer adubação de cobertura?......6.3 COMPOSTO- O que precisa para montar uma pilha decomposto?Composto orgânico é o nome que geralmentese dá ao adubo obtido a partir de palhadas,restos de culturas, estercos, lixo doméstico ouqualquer outra fonte de matéria orgânica,tratadadamaneiraespecial.Grande e sofisticado ou pequeno e simples, oprincípio básico docomposto éatransformaçãodos restos orgânicos por microrganismos(bactérias, actinomicetos, fungos eprotozoários), dando como produto final umamatéria orgânica mais digerida ou estabilizada.Esta estabilização traz vantagens edesvantagens,comoveremosadiante.Precisa,basicamente,detrêsingredientes:a.Materiais muito pobres emnitrogênio e ricos em carbono, como a casca dearroz, por exemplo, levam muito tempo para sedecompor. Materiais com muito nitrogênio epouco carbono, como folhas verdes, sedecompõem mais rapidamente, mas há umaperda considerável deste nutriente. Naprodução do composto, procura-se misturar oresíduo pobre com o rico em nitrogênio, paraquetenhamosumadecomposiçãorápidaecompoucaperdadenitrogênio.b. Por se tratar de uma atividade feitapor microrganismos, é necessário que omaterial seja umedecido. A água deve ser namedida certa. Seu excesso pode provocar umalavagemdomaterial,empobrecendo-o,alémdediminuir a oxigenação e aumentar o tempo dedecomposição.Matéria orgânica adequada (relaçãomédia de 30 partes de carbono para 1 partede nitrogênio).Água.29
  31. 31. c. Para que a decomposiçãoaconteça conforme o desejado é necessárioqueocorranapresençadear.É feito em camadas, como uma torta. Temos acamada de bolo, mais grossa, que é o materialpobre em nitrogênio. O recheio, numa camadafina, que é o material rico em nitrogênio (estercoou folhas verdes). Outra camada de bolo, maisuma de recheio, outro bolo. E, finalmente, acobertura, feita também com material pobre emnitrogênio.Aprimeira camada deve ter cerca de 1,5 metrosde largura, e o comprimento será determinadopela quantidade de material disponível.Aalturafinal será de, no máximo, 2 metros. Após estaprimeira camada, de cerca de 30 cm, coloca-seoutra de material rico em nitrogênio, de mais oumenos 5 cm. Após cada camada deve-semolhar o material, evitando que a água escorra.Assim, sucessivamente, até atingirmos a alturadesejada.Seomaterialjáviermisturado,comonocasodecama de curral ou de cama de frango de corte, amontagem é feita com o objetivo de molharuniformemente o material. No caso de materiaisque "assentam" muito, ou seja, não permitemuma boa circulação de ar, sugerimos que sejammesclados com outro material que evite estacompactação,comosamambaiaouvassouras.O composto pode também ser enriquecido comadubos minerais, como cinzas, calcários ouqualquer outra rocha moída.Acada camada depalha, se polvilha algum destes adubos, com oobjetivo de melhorarmos tanto a decomposiçãoquantooprodutofinal.Oxigênio.- Comoseconstrói a pilha do composto?- O que mais se pode adicionar aocomposto?Para que o adubo não iniba a decomposição domaterial deve ser usado moderadamente. Nomáximo, 10 kg por m3 de pilha inicial docomposto.Aúltima camada deve ser de material pobre emnitrogênio para que este não se perca de voltapara o ar. Se adicionamos, ainda, uma finacamada de fosfato natural, as perdas denitrogêniosereduzemaquasenada.Muitos recomendam que se revire o compostoduasoutrêsvezes,paraqueoprodutofinalsejamais estável e para que as temperaturasexcessivas durante a decomposição nãoprovoquem perdas do nitrogênio. No nossoentender, esta prática torna o composto muitocaro, pela quantidade de mão-de-obra,inviabilizando-o para a maioria dos agricultores.Porestemotivoacreditamosqueumapilhabemmontada é o suficiente para termos uma boarelação entre custo e benefício, na produçãodesteadubo.- Precisa revirar a pilha de composto?30
  32. 32. O Dr. Vanderlei Caetano, da Embrapa dePelotas, desenvolveu um tipo decompostagem que além de rápida, exigepoucamão-de-obra.Esta compostagem consiste em fazer comque se desenvolvam microorganismosnativos incorporados ao composto.Inicialmente, coletamos uma parte devolume de material em decomposição(apodrecendo) na mata da propriedade.Após, misturamos com nove (9) partes deestercos. Estes estercos podem ser dequalquer animal, já compostados ou não.Em seguida umedecemos a palha comágua com açúcar a 3%, até ficar úmida osuficiente para não escorrer água porentreosdedosetambémmanteramisturaunida. Cobrimos a pilha, à sombra, comuma lona preta. Devemos monitorar aunidade todos os dias e, se necessário,acrescentar mais água. Depois de umasemana abrimos a pilha e verificamos deformou mofo, como de um formigueiro.Formou-se, o composto está pronto.Aindapodemos usar dez (10) partes formadaspara acrescentar em mais 90 partes deesterco, refazendo todo o processo. Eassimpordiante.É mais comum a utilização da minhocacaliforniana ( ), assim chamadaporque foram os agricultores deste estadonorte-americano que começaram a criá-lacomercialmente. Ela é vermelha e também éconhecida como minhoca de esterco. A suavantagem é que tem capacidade de sealimentar do esterco ou outro material orgânicofresco. Com isto, sua presença aceleraconsideravelmente a formação do "húmus" deminhoca.Cada minhoca é um verme macho e fêmea(hermafrodita) que não fecunda a si mesmo.Depois de cruzarem colocam ovos na forma decasulo, que eclodem entre 20 e 30 dias,liberandoaté20vermesporcasulo.Emummêsjá podem reproduzir, possuindo um tempo devidadeumadoisanos. Elassoltamumlíquidopela sua pele que garante a estabilidade dasparedes dos canais que abrem no solo,enquantosealimentam tantoderestos vegetaisquanto animais. As partículas são engolidas emoídas no tubo digestivo. Havendo terra juntocom a matéria orgânica os grãozinhos de areiairãoajudaratrituraroalimento.O esterco da minhoca, também chamado decoprólitos,éconstituídodeagregadosdeterraematéria orgânica. É mais rico em nutrientes queo solo onde se encontra e, por estar em estadomais avançado de decomposição, é maisfacilmenteassimiladopelasraízes.Para se montar um minhocário, com o objetivode produzir vermicomposto para ser utilizadopelopróprioagricultor,devesepartirdomaterialmais simples possível. No máximo algumastábuas velhas que servem para escorar omaterial,evitandoqueesteseespalhemuito.Eisenia foetida- Comosefaz umminhocário?6.4.VERMICOMPOSTOVermicompostagem é o processo no qual seutilizam as minhocas para digerir a matériaorgânica, originando um adubo mais estável.Existem dois grupos de minhocas que podemser utilizadas com esta finalidade, e que podemser reconhecidas pela cor: as vermelhas ou asacinzentadas.31
  33. 33. As dimensões devem ser de no máximo doismetros de largura por 40 cm de altura. Ocomprimento pode variar em função dadisponibilidadedomaterial.Para começar é oportuno preparar um bomambiente para que a minhoca se reproduzacom facilidade - a maternidade. Em um canteirode dez metros de comprimento por exemplo,coloca-se no primeiro metro, em camadas,esterco, restos vegetais verdes e secos, umpouco de lixo orgânico, molhando cada umadestas camadas. Por último coloca-se palhaseca, espera alguns dias para aquecer ecomeçar a esfriar e, então, se espalham asminhocas.A cobertura de palha é importante porque aminhoca não gosta de luz, e precisa serprotegida da incidência direta do sol.Após vintedias, se começa a colocar mais matériaorgânica, sempre no sentido do comprimentodo canteiro, de maneira que as minhocassempre terão alimento à sua disposição. Elassealimentarão,deixarãoparatrásseuestercoemigrarão adiante em busca de mais comida.Comistopodemosutilizarovermicompostoqueficouparatrás.O "húmus" é facilmente reconhecido pelo seubom aspecto e odor: É como "terra de mato".Para o uso cotidiano do agricultor não énecessário secar ou peneirar. O material podeser levado ao campo ainda que não estejacompletamente digerido pelas minhocas. Oagricultor não deve se preocupar se algumasminhocas forem levadas juntamente com omaterial. Como seu objetivo não é o decomercializar minhocas, só terá benefícios comesta"fuga".- Comoseusao vermicomposto?OagricultorGílsonFreitas,deMorrinhosdoSul,RS, que produzia mudas em bandejas,substituiu o substrato comercial por húmus purode minhoca. Gílson adverte que o húmus temque ter excelente qualidade. Assim sendo, éoportuno secar o material à sombra e peneirá-lo, para que tenha uma granulação fina e sejafácil de ser manejado. Se a muda apresentardeficiência de nitrogênio, podemos utilizar umbiofertillizanteemcobertura.Os agricultores de São Lourenço do Sul, RS,têm utilizado duas a três toneladas de húmuspor hectare, no sulco de plantio da batata,associadoàadubaçãoorgano-mineral.Tanto o composto quanto o vermicompostopossuem suas desvantagens.Além da mão-de-obra de preparar e espalhar, outradesvantagem é o fato de que o material sedecompõe fora do local de uso, fazendo comque a vida (a micro e mesofauna) que neles sedesenvolveu tenha pouca possibilidade desobrevivênciaquandosãoadicionadosaosolo.Ultimamente tem se falado muito da"compostagem no local" ou "compostagem desuperfície". Ou seja, se coloca o esterco sobrerestos de cultura ou sobre adubação verde, eestes materiais irão se decompor no solo,favorecendo uma evolução conjunta dosmicrorganismos decompositores com o própriosolo. Para que isto aconteça é importante queeste seja um solo vivo, que já venha sendomanejado com base na agricultura ecológica. Avida, ou em outras palavras a micro e mesofauna dos solos é que propiciará que estematerial seja digerido, com todas as vantagensqueistoacarreta.- Quais são as desvantagens do compostoe do vermicomposto?32
  34. 34. Aqui, como em vários outros momentos, adecisão sobre qual é a melhor alternativacaberáaoagricultor,analisando asuarealidadee qual a técnica que se encaixa melhor para assuasnecessidades.Como entendemos que os biofertilizantesenriquecidos são a melhor alternativa paraalcançarmos um suplemento alimentar quemantenha a planta equilibrada, a partir de agorafalaremosespecificamentedeseupreparo.O esterco fermentado tem uma atividade aindanão totalmente conhecida. Além dos mineraispropriamente ditos, ele é capaz de fornecer àplanta substâncias fitorreguladoras, tais comoácido indol-acético, giberelinas, citoquininas,além de vários outros aminoácidos quemelhoramataxaeaeficiênciadafotossíntese.Muito se questiona sobre a necessidade detrabalhar com pulverizações foliares emagricultura ecológica. Para esclarecer estaquestão é interessante pensar no que é afilosfera. Filosfera é a área da superfície de umafolha. Está demonstrado que ao redor de umafolha, na filosfera, acontecem uma série dereações bioquímicas, bem como convivemdezenas de microrganismos. Estas reaçõesacabam por liberar nutrientes importantes,tanto minerais quanto orgânicos, diretamenteparaasplantas.A análise dos ecossistemas de florestas temmostrado que a água da chuva que escorredesde as camadas superiores da vegetação émuito rica em nutrientes, tanto de elementosquímicos quanto em formas mais complexas,como aminoácidos, enzimas, açúcares, ácidoshúmicos,hormôniosvegetais,etc6.5 BIOFERTILIZANTES ENRIQUECIDOS- Comoocorre a ação destestratamentos?Ao alcançar o solo, o que não tiver sidoabsorvido pela vida nas diferentes camadasdas plantas, o será pela imensa atividade narizosfera.As pulverizações foliares, na agriculturaecológica, tentam imitar este recurso que anatureza desenvolveu para partilhar o alimentoentreasdiversasplantas.Nos últimos anos, o uso de biofertilizantes temse ampliado, particularmente aquelesenriquecidos com diferentes tipos de minerais.A nomenclatura utilizada tem sido bem criativa.No Sul do Brasil chamam de Super-Magro,Gororoba e de Biolocal; em Sergipe e Alagoas,é conhecido como Biogeo; em Pernambuco éSuper-Tará; tem também o Biol e muitos outrosnomes.A intenção na formulação do biofertilizanteenriquecido é que o agricultor possa entender oprocesso e fabricar na sua propriedade. Poristo, se procura utilizar materiais facilmenteacessíveis e de baixo custo, fazendo umatransferência de poder dos cientistas para osagricultores. Normalmente, o que acontececom as descobertas científicas é que elas ficamnos próprios centros de pesquisas ou setransformam em mercadorias de grande valorpara as multinacionais e empresas deagroquímicos. Formulações caseiras debiofertilizantes enriquecidos têm exatamente omérito de serem facilmente apropriadas ereproduzidas pelosagricultores.Pensamos e observamos que estesbiofertilizantes são uma tecnologia bemavançada, que realmente mostrará seus efeitosquanto mais os agricultores inovarem eadaptarem seu uso e fabricação às suasnecessidades.33
  35. 35. Apesardeestarbaseadoemsólidosepioneirosconhecimentos científicos, grande parte do queestáescritoaquiéfrutodeumaexperimentaçãoparticipativa e segue a intenção de servir comoestimulador de novas experiências por partedosagricultores.Então vamos por partes. Esta palavra tem, noinício,bioe,depois,fertilizante.Fertilizantetodoagricultor sabe o que é, chama normalmente deadubo. Tem adubos de origem orgânica(esterco, cama de aviário, etc.) outros deorigem industrial, chamado de adubo químicoou NPK . E o início bio, é uma palavra grega quesignificavida.Nos livros encontramos que biofertilizante é oproduto resultante da fermentação da matériaorgânica na ausência total de oxigênio. Aquiestamos trabalhando com uma definição maisampliada, que envolve também a fermentaçãonapresençadear.De forma simplificada podemos dizer quebiofertilizante é um fertilizante vivo. A vida queele tem vem de pequenos organismos, quetecnicamente chamam-se microrganismos(organismos microscópicos). Todo agricultorconhece e usa microrganismos, pois são osresponsáveispelafermentação.- Afinal, o queé estetal de biofertilizante ?Quando se faz picles, iogurte, chucrute, vinho,cerveja, missô, shoyu e um tanto de outrascoisas, são os microrganismos os responsáveispor estes processos. Como já mencionamos, afermentação pode ocorrer com ou sem apresençadeoxigênio.Naverdade os biofertilizantes são antigos comoa própria humanidade, porém os fundamentoscientíficosdeseuusosãobastanterecentes.Sim, existem inúmeros biofertilizantes. Pode-sepensar nos biofertilizantes feitos apenas comesterco e água, ou ainda com qualquer tipo dematerial verde fermentado na água. Existemtambém os biofertilizantes que além da matériaorgânica e água são enriquecidos com algunsminerais como calcários, cinzas, ou qualqueroutra fonte complementar de minerais. Estesúltimos são os que iremos tratar aqui echamaremos de biofertilizantes enriquecidos.Diante da diversidade cultural do Brasil e osdiferentes tipos de solos e cultivos é bempositivo que cada região adapte as formulaçõesedenomine estesdeumaformacriativa.Os biofertilizantes são líquidos e podem serusados no solo ou em pulverizações foliares,aplicadocompulverizador.Então, como dissemos, para fazermos umbiofertilizante precisamos de microrganismos(leveduras, bactérias e fungos), um alimentoparaestesmicrorganismossedesenvolveremeágua. Nesta fermentação, o microrganismotransforma uma parcela do produto numa parteconstituintedelemesmo.- Existem diferentes tipos debiofertilizantes ?- Mas o que é preciso para fazer esteBiofertilizante Enriquecido ?34
  36. 36. Um material que a maior parte dos agricultorestememabundânciaéoesterco.Odebovino,oude outro ruminante, é particularmenteinteressante porque já vem inoculado com osmicroorganismos necessários para afermentação.Além disto, quando o pasto passapela digestão do bovino, o animal não retiratodos os compostos, restando ainda muitacoisa útil para o uso da planta. Isto a maior partedos agricultores sabe, pois uma planta comesterco tende a ser mais viçosa do que outrasemnada.Porém, se um solo tem uma carência de ummineral, como por exemplo ferro, o estercodeste animal tende a ser pobre em ferro. Então,se pegarmos o esterco e utilizarmos comoadubo a nossa planta poderá ficar com carênciade ferro.Aidéia de enriquecer o biofertilizante é,entre outras coisas, exatamente pararompermos com este ciclo de carências. Nestecaso devemos, além de água e matériaorgânica, colocar ferro, e deixar fermentar pelosmicrorganismos. Assim teremos, ao final desteprocesso, um biofertilizante capaz de matar afomedaplanta.Isso mesmo e tem mais. Sabemos que a plantatem capacidade de absorver substâncias tantopelas folhas, quanto pelas raízes. E muitasvezes um solo pode até ter determinado adubo,mas a planta não consegue absorvê-lo pelasraízes. Nestes casos a solução mais barata eeficientepodeestaremaplicarmosporviafoliar.Este tipo de aplicação é o que denominamos debiofertilizante foliar. Apesar do esterco ser defácil acesso, na maior parte das propriedadesagrícolas do Sul do Brasil, podem ser utilizadostambém outros materiais como: resíduo desissal, soro de leite, torta de cacau, aguapés,plantas aquáticas, restos de pescado, bagaçode cana etc. O importante é que se utilizematerial existente em abundância e baixo custonaregião.- Não é mais fácil usar o esterco sem fazerestafermentação ?Mais fácil até pode ser, mas não é maiseficiente. Primeiro, como dissemos, através dafermentação podemos enriquecer estebiofertilizantecommineraisquefaltamnosoloequesãoexigidospelacultura.Além disso, a fermentação faz com que ocorrauma série de transformações químicas ebiológicas. Ih,agoraficoucomplicado.Isto tudo faz parte do ciclo de vida da natureza,cada parte é importante para que a outra sedesenvolva - isto pode ser chamado de escaladaevolução.Vamos pensar juntos. Quando o esterco davaca cai no chão, ele não é absorvidodiretamente pelas plantas. O que acontece éque este esterco é decomposto por diversosmicrorganismos e, junto com os minerais erochas do solo, faz com que sejam liberadosnutrientes para a planta. Esta planta, com a luzdo sol, a água, o ar e os nutrientes do solocresce e produz comida para os animais (vaca,ovelha, cabra, etc) e estes, por sua vez, podemalimentar outros animais. É um ciclo, comotantos outros na natureza. Na fermentaçãotransformamos produtos que não poderiam sercomidos pelas plantas como produtosfacilmenteassimilados.Por exemplo, nós não temos capacidade de"pastar" pois nosso organismo não assimila acelulose (que é um dos principais componentesdo pasto). Porém, a vaca consegue digerir opasto devido aos microrganismos que tem emseu rúmen. Por isso, que aqueles que comemcarne de certa forma comem pasto, tendo avacacomointermediária.35
  37. 37. Quer dizer que este tal de biofertilizantealimenta a planta ?- Então este biofertilizante é como umagrotóxico ?Sim, mas não é só isso. Uma das importantespropriedades descobertas a respeito dobiofertilizante é que ele protege a planta, agecomo um defensivo. Esta defesa pode serocasionada por diversos fatores. Um deles éque a planta melhor nutrida tem maiorresistência, como nos explica a Trofobiose. Seuma planta tem a sua disposição tudo o quenecessita, na quantidade e momento corretos,tem todas as condições de se defender, por sisó, de algum ataque de insetos, ácaros, fungos,etc. Por outro lado, como o biofertilizante é umproduto vivo, os microrganismos dobiofertilizante podem entrar em luta com os queestão atacando a planta e destruí-los ouparalisá-los.Não. Ele até pode produzir um efeito parecidocom o agrotóxico, acabando com o ataque deinsetos ou a doença que a planta tem, porém asuaaçãoeseusefeitossãomuitosuperiores.Primeiro, o biofertilizante atua fortalecendo aplanta, enquanto o agrotóxico enfraquece aplanta, podendo contaminar o solo, osalimentoseopróprioagricultor.O agrotóxico age exterminando os seres vivos,enquanto o biofertilizante estimula a vida,atuando mais na resistência da planta, nãopermitindo que o equilíbrio biológico sejaafetado.Outra diferença importante é o custo: obiofertilizante diminui, e muito, o custo deprodução.Além destes fatores, o biofertilizante tem emsua composição uma série de componentesquímicos (como, por exemplo, boro, magnésio,zinco, manganês, enxofre e nitrogênio),aminoácidos, vitaminas e hormônios, todoscomponentes importantes para o crescimentovegetal, enquanto a maioria dos agrotóxicostêmaçãoapenastóxica.Não tem grandes mistérios, basta compreenderos princípios anteriores e tomar algunscuidados. Se for fazer um biofertilizante comesterco este deve ser fresco, pois é mais ricoem microrganismos e nitrogênio. A água a serutilizadadeveseramaispurapossível.Águadosistema de abastecimento público comtratamentodecloroeflúornãoéaconselhável.O recipiente onde é feita a fermentação nãodeve receber luz direta do sol, pois este podedestruir parte dos componentes destebiofertilizante, nem água da chuva que podediluí-lomaisdoqueodesejável.Aadição dos compostos no biofertilizante, deveser de forma lenta. Se fosse possível, seriaaconselhável colocar com um conta gotas,porémistoéinviáveldevidootempoeocusto.Alentidão na adição dos compostos é paraperturbaromínimopossívelafermentação.Depende.Umdosfatoresimportantesparaestafermentação é a temperatura. Para obiofertilizante com esterco a melhortemperatura é 38 C, que é a temperatura dapança (rúmen) dos herbívoros seja coelho,camelo, vaca ou veado. No Nordeste, temregiõesqueem14diaspodemosteroproduto- Quais os cuidados necessários para fazero biofertilizante ?- Quanto tempoleva para ficar pronto ?o36
  38. 38. pronto. Em regiões onde a temperatura médiadodiaéde 18 Cpodelevaraté90dias.Quando a fermentação estiver pronta o produtoapresenta um odor agradável e uma separaçãodapartesólidaedalíquida.Não tem prazo de validade. O importante éguardarmos preferencialmente em umrecipiente de inox, madeira ou vidro. Nãoconvém fechar hermeticamente, já que oproduto pode seguir fermentando e o gásresultantepodecriarpressãoeexplodir.Sim, mas então temos que fazê-lo fermentar. Aforma de preparo e a qualidade dos produtosutilizados são importantes para ter uma boafermentação. Por exemplo, vacas recémtratadas com antibióticos podem afetar afermentação. Como dissemos, fermentação éum processo realizado por seres vivos, sendoassim qualquer contaminação ou alteraçãobrusca na composição do produto podeparalisarafermentação.Se isto acontecer, você pode procurar adicionarum pouco mais de esterco fresco, melaço, leite,cinza ou algum outro elemento orgânico de fácilfermentação.Outra alternativa é fazer outro biofertilizante e iradicionando lentamente neste segundo, oprimeironãofermentado.Na aplicação de biofertilizante não é necessárioutilização de equipamentos de segurançaindividualcomomáscara,luvasoumacacão.o- Depois de pronto, quanto tempo dápara guardar ?- Pode acontecer do produto nãofermentar?- Tem que ter algum cuidado naaplicação ?O ideal para aplicação e melhor efeito dobiofertilizante é conjugar o maior número deaplicações com a menor concentração. Porexemplo, se fosse possível aplicar 0,01% acada três horas seria melhor do que usar 0,5%por dia. Porém, cada atividade tem um custoeconômico, que o agricultor com bom senso elápisnamãopodecalcular.É importante que o agricultor entenda que oefeito não é diretamente ligado com aconcentração, pois o biofertilizante age de umaforma em que é mais importante a energia doqueamatériaenvolvida.Para aplicação do biofertilizante compulverizador, este deve ser previamentefiltrado, impedindo que entupa o pulverizador.Podeserusadocomofiltroumatelamosquiteirade nylon, que é facilmente encontrada emferragens.De maneira geral podemos dizer que quantomaior a diversidade, melhor, pois oscomponentes da fermentação são aalimentação dos microrganismos. Desta forma,uma alimentação rica e diversificada gera umac o m u n i d a d e d e m i c r o o r g a n i s m o sdiversificadosemaiseficazes.Acinza é um componente importante.Acinza éa nossa ligação com a terra, pois se um corpo équeimado o que resta é a cinza, sendocomposta de fósforo, cálcio, potássio,manganês, etc. Com a lenha ocorrerá o mesmoprocesso, se queimada, restam cinzas quecontêm uma série de elementos mineraisdaquele solo, importantes para fermentação. Acinzaéumaformadeenergia.- Tem algum produto importante de serutilizado nestebiofertilizante ?37
  39. 39. As cinzas de diferentes plantas têmcomposições diferentes. Por exemplo, omaricá, queéuma leguminosa, tem capacidadede retirar compostos químicos que outrasplantas não retiram tão facilmente, comomolibdênioecobalto.As rochas moídas provenientes de rejeitos daextração de minérios, também são umaimportante fonte de minerais para osmicrorganismosquefazemafermentação.A prática da agricultura ecológica tem nosmostrado que, quando identificamos anecessidade de utilizar um determinadonutriente em uma planta, é muito mais eficientepassar esse nutriente por um processo defermentação.A primeira coisa a fazer é identificar quaiselementos queremos pulverizar em nossalavoura.Suponhamos que é uma lavoura de couve-flor equeremosadicionarboroemolibdênio.Por alguma fonte chegamos à quantidade de500 g de bórax e 50 g de molibdato de sódio porhectare.Começamos, então, o preparo misturandoesterco (se esta for a minha fonte de matériaorgânica) e água. Podemos ainda acrescentarcaldodecanaeleite,porexemplo.Dependedotamanhodaplantação.6.5.1 BIOFERTILIZANTES ENRIQUECIDOSLÍQUIDOS- Como fazer o biofertilizanteenriquecido?- As quantidades?Podemser:30 litros de esterco70 litros de água5 litros de garapa de cana5 litros de leite2 kg de bórax200 g de molibdato de sódioDeixamos iniciar a fermentação eacrescentamos, aos poucos, o bórax e omolibdato de sódio, e teremos produtosuficiente para 4 hectares de couve-flor.Depende do nosso equipamento depulverização para sabermos qual o percentualde produto que devemos utilizar em água. Segastamos 1000 litros por hectare, nesteexemplo teríamos que colocar 25 litros defermentado,oquesignifica2,5%.É o mesmo raciocínio se queremos usar sulfatode magnésio (sal amargo), em um pomar decitrusousulfatodezinco,emumcafezal.Não devemos também esquecer que aagricultura ecológica consiste em um conjuntode práticas que visam um trabalho harmônico ede acordo com as leis da Natureza. Só o uso deuma técnica isolada, como o biofertilizanteenriquecido, pode não trazer os resultados quebuscamos.Osuper-magroéumafórmulaquefoiidealizadaparaaculturadamaçã,nomunicípiodeIpê-RS.Tem sido usada com sucesso também emvários outros cultivos, como beterraba,moranguinho, tomate, milho e uva. A suafórmula contém vários elementos úteis masdevemos sempre fazer as adaptaçõesnecessárias à nossa realidade. O importante,comojáfoidito,éoprincípiodafermentação.- Comoé feito o tal de super-magro ?38
  40. 40. - Para quee comoele temsido usado ?- Existemoutrassugestõesde formulação?Tem sido usado para diversas culturas. Comoexemplo,temos:Este biofertilizante enriquecido também podeser utilizado junto com as Caldas Bordalesa eSulfocálcica, principalmente quando queremosocontrolededoençascausadasporfungos.Existem muitas outras possibilidades deformulações.Esta outra sugestão de biofertilizanteenriquecido é útil, principalmente, para regiõesonde o acesso à compra de nutrientes não é tãofácil, ou que a realidade de cultura e solo nãodemonstra uma necessidade específica dedeterminadonutriente.Há diferentes jeitos de fazer o super-magro.Vamos falar de um que demora menos tempoatéestarpronto.- 30 Kg de esterco fresco de gado-Primeiro, misturar todos os minerais. Então,temos 12,45 Kg desta mistura.No , num recipiente de 250 litros, colocar30 litros de esterco, 60 litros de água, 3 litros deleite e 2 litros de melado de cana. Misturar beme deixar fermentar, sem contato com sol ouchuva.Nos, acrescentar 1 Kg desta mistura juntocom 3 litros de leite e 2 litros do melado, a cadavez. Assim, sucessivamente, até o dia 25,quando se coloca o resto da mistura (1,95 Kg),mais o leite e o melado. Esperar de 10 a 15 diase o produto estará pronto para ser peneirado eutilizado.Devemos, durante o processo, observar se afermentação está acontecendo. Se bem feito, oproduto tem um cheiro agradável de melado e éfácildeserpeneirado.Ingredientes:2,0 Kg de Sulfato de Zinco- 2,0 Kg de Sulfato de Magnésio- 0,3 Kg de Sulfato de Manganês- 0,3 Kg de Sulfato de Cobre- 0,3 Kg de Sulfato de Ferro- 0,05 Kg de Sulfato de Cobalto- 0,1 Kg de Molibdato de Sódio- 1,5 Kg de Bórax- 2,0 Kg de Cloreto de Cálcio- 2,6 Kg de Fosfato Natural- 1,3 Kg de cinza- 27 litros de leite (pode ser soro de leite)- 18 litros de melado de cana (ou 36 de caldode cana)dia 1dia 4, dia 7, dia 10, dia 13, dia 16, dia 19, edia 2239Beterraba De 2 a 4 tratamentos, a4%, durante o cicloa 5%, durante o cicloDe 8 a 10 tratamentos,De 8 a 10 tratamentos,a 3%, durante o cicloDe 4 a 8 tratamentos, a 3-4%,variando conforme a época,a variedade e o anoPulverizar as sementes comuma solução a10%. Deixarsecar na sombra e efetuar oplantio normalmenteDe 10 a 15 tratamentos, a35%, variando conforme aÉpoca, a variedade e o anoTomateMoranguinhoUvaMilhoMaçã

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