Como se fossem peregrinos - Ari Frello - Leia um Trecho

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Uma vida em busca de respostas, respostas que mudam vidas.

Algumas pessoas me perguntam: Qual foi a minha maior aventura?
O mais difícil desafio superado?
O mais belo e o pior dia de minha vida? Quais os sonhos que realizei e quero realizar?

E é nessa hora o meu maior pesar, pois, para todas essas perguntas, sempre tenho a introdução, e lamento. Porque, na maioria das vezes, elas não me ouvem e partem para esperar o que lhes parece importante de fato, o que não passa de complemento e vaidade.

Theo é um jovem rapaz que se encontra num divisor de águas. Numa avalanche de problemas que o faz ter que decicir entre se entregar a um fim trágico ou procurar unir forças para seguir em busca de uma cura lenta que exigirá perseverança, paciência, coragem e a ajuda de pessoas que ele encontrará em sua peregrinação.

Sobre o Autor

Ari Frello nasceu em 25 de julho de 1979 em Criciúma - SC. É multi-instrumentalista, cantor e compositor. Tem construido uma carreira artista no sul do Brasil, além de atuar em projetos sociais e também fora do país.

Como designer gráfico das editoras: Naós, Publica Livros e Dracaena, desenvolveu trabalhos como: Crimes Satânicos, A história do início da Assembléia de Deus no Brasil 'literatura de cordel', O Amor tudo vence, A verdadeira história do caso Evandro, entre outros. Amante da natureza e a prova viva da superação, Ari Frello vem através de seu primeiro livro explanar assuntos que nos deparamos em nosso dia a dia como: O valor próprio, superação e o perdão após a cura.
-Ari Frello

Lançamento Nacional da Editora Dracaena.
www.dracaena.com.br

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Como se fossem peregrinos - Ari Frello - Leia um Trecho

  1. 1. COMO SE FOSSEMPEREGRINOS
  2. 2. COMO SE FOSSEMPEREGRINOSUMA VIDA EM BUSCA DE RESPOSTAS, RESPOSTAS QUE MUDARAM VIDAS Ari Frello Janeiro / 2011
  3. 3. Copyright © 2011 por Oxigênio Books.Publicado com autorização. Nenhuma porção desta obrapode ser reproduzida sem a devida autorização do autor.Diagramação: Francieli KadesRevisão: Iolanda NicioliCapa: Ari Frello1ª Edição: janeiro / 2011Esta é uma edição de
  4. 4. SUMÁRIOAGRADECIMENTOS ....................................................... 7Capítulo 1 - ETNATÃ, O AMIGO DO MAR .........................13Capítulo 2 - ATORDOADO ................................................21Capítulo 3 - SETAS COMO PALAVRAS ...........................29Capítulo 4 - MUMIFICADOS PELA ROTINA ........................37Capítulo 5 - O OBSERVAR AS ESTRELAS ...................... 47Capítulo 6 - VISITADOS PELA CHUVA .............................57Capítulo 7 - TENTADO PELO VELHO EU ........................ 65Capítulo 8 - UMA MENTIRA EM CIMA DE OUTRA ............71Capítulo 9 - O INÍCIO ........................................................81Capítulo 10 - É NOSSO, MAS NÃO SOMOS DONOS ...... 89Capítulo 11 - CAMINHOS DAS PEDRAS ......................... 95Capítulo 12 - CAMINHO DAS ÁGUAS ...........................101Capítulo 13 - O ENCONTRO .........................................109Capítulo 14 - A GRANDE VERDADE ..............................115Capítulo 15 - COMO SE FOSSEM PEREGRINOS ...........121
  5. 5. AGRADECIMENTOS Neste momento estou recordando o dia em que eu e LéoKades estávamos tomando um vinho argentino do qual soumuito fã chamado Saurus - Malbec, safra 2009, um vinhocomum à primeira vista, mas com detalhes de pimenta echocolate. Espetacular! Tudo começou naquele dia, sentados ao muro de umacasa em que Léo tem suas particularidades. Lá, contando umpouco de cada um, começamos e falar sobre sonhos e abrimeu coração sobre este projeto. Agradeço primeiramente a Deus, é claro, pois ele criou aatmosfera e fez meu caminho cruzar com pessoas que mederam harmonia, ritmo e melodia para eu sair do casulo e fazerde meu caminho um aprendizado, tanto para mim como paraquem tem caminhado ao meu lado. Mas você, Kades, foi responsável para que este sonho setornasse a real. Fico feliz por um dia ter conhecido você, meuamigo. Aprendi e aprendo, e viverei para aprender com vocêaté quando Deus assim permitir. Quem conhece esse homemsabe quanto ele é teimoso e persistente, e graças a Deus elefoi teimoso e persistente comigo, fazendo-me sempre pensarpor um outro ângulo quando se tratava dos meus problemase das minhas inquietações. Os que me têm acompanhadonessa peregrinação sabem que nas condições em que eu meencontrava ao conhecer esse homem, com olhos humanos, eu
  6. 6. não conseguiria jamais levar uma vida adiante. Evoluir para teralgo que valesse a pena compartilhar com as pessoas, compar-tilhar com o próximo, seria algo muito distante naquele tempo.Mas finalmente as coisas velhas passaram e tudo se fez novo. Agradeço à Fran, esposa de Kades, que sempre me adotaquando vou me exilar em sua casa. Uma pessoa que, em seuestandarte, tem alçada a bandeira da compreensão do amore da servidão a Deus e ao próximo. Também agradeço ao Marcos Fernandes, meu amigo quaseirmão, que sempre me fez não deixar de sonhar e acreditar noque é puro e correto. Agradeço ao meu irmão Reginaldo, que é alguém que tema real noção de quanto é importante para nosso legado comofamília tudo o que vivo hoje. Acreditar no amor ao próximo épossível. Aos Pastores Valter e Sara, que foram pessoas muitoimportantes em minha história e na minha formação comohomem de Deus. Ensinaram-me sobre misericórdia, paciência,coerência, ética e amor. Não poderia me esquecer de todas as casas em que façominhas apresentações no Sul de Santa Catarina. Agradeço aDeus por vocês existirem, compartilharem seus sonhos comigoe acreditarem nos meus. Quero que se sintam sinceramentehomenageados. Vocês, além de serem grandes empresários,são pessoas humanas e amigas, que me trataram sempre comreverência, oferecendo sua amizade.
  7. 7. Desde o primeiro dia em que resolvi escrever Comose fossem peregrinos, passei por dificuldades quejamais pensei. Tive que me elevar a sentimentos queàs vezes pareciam mais fortes do que eu. Contudo,nunca me dei o direito de me calar, e continuei.Em meio a momentos de ira, nunca deixei de acreditarno poder, no amor e na misericórdia.E jamais deixei de exercitar o perdão, crendo que aspessoas poderiam mudar.Que essas palavras sirvam de consolo a você, queestá sofrendo agora.Este livro é dedicado a você.
  8. 8. COMO SE FOSSEM PEREGRINOS Uma vida em busca de respostas, respostas que mudamvidas. Algumas pessoas me perguntam: Qual foi a minha maioraventura? O mais difícil desafio superado? O mais belo opior dia de minha vida? Quais os sonhos que realizei e querorealizar? E é nessa hora o meu maior pesar, pois, para todas essasperguntas, sempre tenho a introdução, e lamento. Porque, namaioria das vezes, elas não me ouvem e partem para esperaro que lhes parece importante de fato, o que não passa decomplemento e vaidade.
  9. 9. Capítulo 1 ETNATÃO AMIGO DO MAR
  10. 10. Etnatã - O amigO dO mar 15 Então, diga-me, amigo, quais as chances de isso acontecercom alguém? Depois de tantas vezes adiado, justo no benditodia, tudo isso acontecer! Desculpe-me, mas não consigo trataresse fato como mais uma questão corriqueira do dia a dia. Eusempre passava pela praia todos os dias. Bem, você sabe,na ida e na volta é caminho do hospital. Eu olhava para a orlapor alguns segundos e, quando isso acontecia, era porque eujá tinha deixado para uma outra oportunidade. Queria pararobservar e se sentir um pouco sóbrio. Sem essa loucura do diaa dia. Mas ontem, não havia o porquê de não parar e sentir tudoaquilo que eu deixei, por anos, de experimentar. Finalmente,ontem à noite, parei e fiquei ali alguns minutos, contemplandotoda aquela beleza, coisa que se tem todos os dias, se a gentequiser. Senti o vento frio e constante da brisa do mar e foi entãoque descobri que nenhum lugar era tão meu quanto ali. Mas,além do som do vento, do mar, dos carros e da cidade viva aolonge, comecei a ouvir outro tipo de som que vinha de umadireção, costeando a orla do mar. Olhei para trás para ver sepoderia ser ao longe o som de alguém na estrada, mas o somvinha da minha direita, na direção de uma pequena luz, no meioda mata, nessa parte da praia depois das pedras. Fiquei intri-gado e fui ver o que estava acontecendo. Fui caminhando umpouco mais apressado, pois logo percebi que era uma mulherque estava gemendo com dores. E apertando cada vez maismeus passos, até me dar conta de que estava correndo, fuiàs pressas saber o que estava havendo com a moça. Então,cheguei nos primeiros arbustos, e o som me vinha com maisforça, e dali em diante comecei a segui-lo. Fui adentrandoaté achar uma trilha logo no início das árvores maiores, e alijá faltavam poucos metros. Quando me deparei com alguém
  11. 11. 16 COmO sE fOssEm pErEgrinOsque jamais imaginei. Vi uma pequena barraca improvisadacom uma lona do tipo de caminhão, galhos de árvore e umafogueira ainda em chamas iluminava a clareira. Vi que era umcasal. Primeiro foi o homem que me viu. Ele tinha cabeloslongos e escuros, com biotipo indígena. Ele estava ao ladodela e quando me viu me chamou calmamente. Com umamão ele cuidava dela e com a outra me chamava olhando naminha direção. Era um bebê que estava vindo ao mundo. Elaestava em trabalho de parto e já havia perdido um pouco desangue. Vi que o homem estava disposto a ajudar, mas nãosabia exatamente o que fazer. Então, quando ele olha paramim, foi aí que eu vi em seus olhos que ele pedia ajuda. Nãopensei muito, e resolvi agir. Ali começamos a realizar o parto.Não havia tempo para preparações, e era evidente que a vidada mulher estava em risco. Depois de algumas horas, conseguimos a terminar o parto.Ela deu a luz a um menino. Foi emocionante esse momento. Osolhos da mãe brilhavam e aquele homem tornou a ser criançapor alguns minutos. Logo após toda essa injeção de adrenalina,eu poderia ter saído e ido embora tranquilamente, ter medespedido e virado as costas pra seguir o meu caminho. Maseram tantas perguntas em minha mente. Como eles poderiamter parado ali naquele lugar para dar a luz a uma criança? Oque me veio primeiro foi a seguinte pergunta... Bem, vou sersincero, na verdade perguntei todas de uma vez só. Demonstreimeu nervosismo como um doido. Já de pé com o homem, elepõe a mão no meu ombro e diz, após fitar em meus olhos: - Amigo do mar, sabíamos que você viria. Ele tira sua mão e me transmite grande tranquilidade apósum sorriso. Ele volta para a mulher, pega o bebê nos braços e diz: - O nome dele será o seu: Etnatã; o amigo do mar. E antes que eu desse as costas ele torna a falar para mim:
  12. 12. Etnatã - O amigO dO mar 17 - Volte amanhã amigo, será bom. Intrigado com tal tranquilidade, fui a caminho do meucarro, às vezes olhando pra trás, às vezes parando e querendovoltar, mas segui e fui embora. - Agora me diga, Joel, convidei você para vir aqui nestaesquina tomar uma debaixo do teto desse bar, esperando ouvirde você que tudo isso é loucura da minha cabeça, então váem frente. Theo em tom de ironia. - Theo, você está certo sobre tudo isso, não passa deloucura da sua cabe... Theo mal espera Joel terminar e diz: - Eu sei a diferença do que é real e loucura. Fique sabendo,meu camarada, que se fosse pra eu enlouquecer, teriaenlouquecido dentro daquele consultório. Joel olha compadecido pelo amigo e diz: - É verdade. Olha, me desculpe, viu? Amanhã irei com vocêaté lá. Ele não disse para você voltar? Então eu vou com você.Se existe esse tal índio, nós descobriremos juntos. Theo, umpouco contrariado, não se opõe, mas também não mostranenhum interesse na possível companhia do amigo. Levanta-sedo balcão e vai em direção ao banheiro. É quando o barman,que ali prestava muita atenção, fala a Joel: - E então, você vai mesmo até lá com seu amigo? - Vou sim. Ele ficou sozinho do dia pra noite. A mulher deixoudele e há alguns dias e ele descobriu que tem câncer em umaregião sem solução cirúrgica. Recebeu licença quase queforçada do hospital onde atendia há anos. Ele está passandopor um abalo emocional muito forte. A noite se vai e o novo dia chega, passando rapidamente,dando lugar a mais uma noite. Momento esperado para Theo,que queria muito encontrar aquele homem. Ele se prepara e,quando termina de fechar a porta da sua casa, percebe queseu amigo está lá no caminho do portão que dá para a portada sala. E então fala a Theo:
  13. 13. 18 COmO sE fOssEm pErEgrinOs - Aonde você vai sem mim, amigo (risos sarcásticos)?Vamos com meu carro, Theo, quero aprender o caminho. Então,Theo responde dizendo: - Acho que é melhor eu ir sozinho. Podemos combinar deir um outro dia, porque não sei como seria a reação deles sevocê for. - Não, quero ir com você. Serei o primeiro e lhe dizer queisso só foi por causa da adrenalina a que você foi exposto. Sem opção ele vai com Joel. Chegando ao estacionamento do cais, eles descem do carroe Joel já começa seu longo discurso até a clareira, falandoquanto Theo estava errado em ter feito tal loucura. Ele, emsilêncio, segue olhando para a sua esquerda, onde estava omar, e a sua frente, onde estava lá a pequena luz que vinhado meio das árvores. Então, ao chegar, Joel não quer acreditarno que vê. Ele olha para Theo bastante impressionado e ficasem palavras. Logo o grande índio avista os dois e diz: - Resolveu trazer um amigo para também provar a caça depoucas horas? Se acheguem, sentem perto da fogueira paraficar aquecidos. Theo, sem timidez alguma de Joel, pergunta como está obebê. - Etnatã está bem, já cessou o pranto, está se acostumandocom este mundo. Mas, diga-me, amigo, o que lhe traz aqui?- pergunta a Joel. E então, Theo responde pelo amigo rapi-damente: - Contei tudo a Joel e ele ficou impressionado, e pediu paravir também para conhecer a vocês. - Theo continua - Bem,meu amigo trabalha em um hospital e queria saber se vocêsnão necessitam de alguma ajuda. Ele pode conseguir um leitopara vocês não dormirem no relento. O grande índio serenamente como um ancião fala a Theo:
  14. 14. Etnatã - O amigO dO mar 19 - Amigo, não será você ou ele que irá nos ajudar. Quemveio ajudar aqui fomos nós. Ajudar você, Theo! Ajudar você areencontrar o caminho. Theo intrigado diz: - Caminho, que caminho? Caminho para onde? O homem fita nos olhos de Theo e diz: - Hei, amigo, prove a caça, pois já está passando do ponto. Theo não entende, mas fica alguns minutos ali, até seuamigo pedir para ir embora. Então, ele se despede e perguntaao índio se poderia vir amanhã com cobertores e comida. Ohomem responde que era para eles virem se assim fosse odesejo dos seus corações. Eles saem da clareira e assim queJoel percebe que está distante o bastante começa a falar comTheo seu discurso. - Meu amigo, você está pirando, dando ouvidos a esse tipode gente que vive de misticismo e lendas sem fundamentos.Vou levá-lo pra casa e você trate de não voltar mais para essematagal infestado de mosquitos. Theo ouve e fica em silêncio. Continua assim até sua casa.Mas, assim que sai do carro do amigo, vai até o vidro domotorista e diz: - Mas, diga-me, como ele sabe do meu problema? Comoele sabe que eu preciso de ajuda? Isso pode ser uma ajudadivina, uma solução além do que a gente estudou a vida inteira,Joel! - exclama por atenção de Joel e continua dizendo: - Hei,você que se diz meu amigo, isso pode ser um escape! Ele meconhecia antes mesmo de ter me visto. Ele me olhou nos olhosontem e hoje como se conhecesse os meus pensamentos. E termina dizendo: - Joel, entendo que você não precisa acreditar, mas pelomenos me deixe nesse mundo, e se isso é fantasia, eu querodescobrir sozinho.
  15. 15. 20 COmO sE fOssEm pErEgrinOs Joel para de olhar para frente e diz ao amigo: - Theo, você é livre para fazer o que quiser. Se amanhã vocêquiser ir, vá. Mas se precisar de alguma ajuda, se aconteceralgo que você sentir que está fora do normal, me ligue. Vocêtem meu número. Eu tomarei uma providência, ok? Sem resposta, Joel liga o carro e vai embora. Theo esperao amigo virar a esquina e vai para dentro da sua casa com suamente emaranhada em dúvidas e pensamentos.

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