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A intertextualidade

  1. 1. A intertextualidade ± Construindo uma definição Tentaremos aqui traçar um breve histórico da definição de intertextualidade a partir dos seus primeiros expoentes. 1. Mikail Bakthin: foi o primeiro teórico a apresentar um conceito de ³texto´ como sendo ³toda produção cultural com base na linguagem´. Para esse teórico, o processo de leitura não pode ser concebido desvinculado da noção de intertexto, já que o princípio dialógico permeia a linguagem e confere sentido ao discurso, elaborado sempre a partir de uma multiplicidade de outros textos. 2. Julia Kristeva: foi a cunhadora do termo ³intertextualidade´. Dizia que ³todo texto se constrói como ³mosaico de citações´. A partir de Kristeva, ³texto´ passa a ser entendido como o evento situado na história e na sociedade. Dizia que ³pelo seu modo de escrever, lendo o corpus literário anterior ou sincrônico, o autor vive na história, e a sociedade se escreve no texto.´ Ela dizia também que ³um texto estranho entra na rede da escritura: esta o absorve segundo leis específicas que estão por descobrir. Assim, no programa de um texto, funcionam todos os textos do espaço lido pelo escritor.´ (KRISTEVA, Julia. Introdução à semanálise. Trad. Lúcia Helena França Ferraz. São Paulo: Perspectiva, 1974) 3. Gerard Genette: na obra Palimpsestes (Paris: Seuil, 1982) conceitura intertextualidade como ³uma relação de copresença entre dois ou mais textos, isto é, a presença efetiva de um texto em outro.´ Genette também amplia as relações intertextuais através do termo transtextualidade (ou transcendência textual do texto) dizendo que ³tudo aquilo que coloca o texto, explícita ou implicitamente, em relação com outros textos´. Define cinco categorias de transtextualidade: (1) a intertextualidade; (2) a paratextualidade; (3) a metatextualidade; (4) a hipertextualidade, e (5) a arquitextualidade. A primeira categoria, a paratextualidade, ³geralmente menos explícita e mais distanciada´, ao incluir elementos como título, subtítulo, prefácio, posfácio, advertências, premissas, notas de rodapé, notas finais, epígrafes, entre outros acessórios que possam remeter, explicitamente ou não, ao conjunto formado pela obra literária. A segunda, a metatextualidade é apresentada como sendo textos que falam sobre outros textos, geralmente em forma de comentário, ainda que não haja citação, evidenciando a relação da crítica como paradigma. A terceira é a hipertextualidade, a qual supõe a existência de um texto (hipotexto) em função do qual se estrutura outro (hipertexto), também referido como ³texto de segundo grau´, já se que deriva de outro pré-existente. E a quarta é a arquitextualidade, uma noção que seu autor reconhece como sendo muito abstrata, já que é mais implícita que as anteriores, ao implicar a suposição de ³las analogías formales o de contenido entre distintos textos o discursos: hay elementos comunes en ellos que los adscriben, por ejemplo, a un género o movimiento artístico.´ 4. Alba Olmi: disse que ³uma obra está impregnada das influências do contexto histórico, econômico, social, e também literário´ e que a ³absorção de um ³texto estranho´ na tessitura de uma nova obra literária, relaciona-se com a noção de uma literatura sem fronteiras, espaço de apropriação cultural´. E mais ³essa apropriação, entretanto, foi e deverá ser um lugar, um espaço de proliferação, de disseminação capaz de produzir e re- produzir idéias, formas, conceitos e conteúdos e de ser aceita como fenômeno absolutamente natural,
  2. 2. despreocupado de citação de fontes, influências e referências´ (OLMI, Alba. Literatura grega: intertextualidade e interdisciplinaridade. Revista Signo. Santa Cruz do Sul, v. 23, no. 34, jan./jun. 1998, p.7-43.) 5. Hanelore Herberts: defendeu que a intertextualidade reflete a concepção do texto literário ³como carregado de outros textos, inclusive do ³texto´ da realidade.´ Ele dizia que a abertura e incompletude do texto literário leva à ³pluralidade de sentidos da obra artística, fazendo supor que cada leitor fará uma leitura particular da mesma, ajudando a construí-la a partir de suas determinações sociais, psíquicas e ideológicas´. (HERBERTS, Hanelore. A intertextualidade em As cidades invisíveis de Ítalo Calvino. Santa Cruz do Sul, 1999. Monografia para o Programa de Pós-Graduação em Literatura - Especialização - Universidade de Santa Cruz do Sul) 6. Campos e Cury: dizem que a intertextualidade produz ³saberes em movimento´: ³As atividades do leitor e do escritor se intercambiam e o objeto texto, que resulta do tecido de significados tramado por ambos, se apresenta como um espaço em movimento, um móbile sempre aberto a diferentes configurações. Todo texto é, assim, um espaço de confluência de múltiplas vozes.´ (CAMPOS, E.N.; CURY, M. Z. F. Fontes primárias: saberes em movimento. Revista da Faculdade de Educação da USP [on-line] Jan./Dez. 1997, vol. 23. no. 1-2. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 25551997000100016&lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 17 ago. 2004) 7. Antonio Pineda Cachero: define a intertextualidade como ³textos sobre textos, textos dentro de textos, textos que condicionan y configuran la lectura de otros textos, y que, en última instancia, determinan el mundo de la protagonista.´ (PINEDA CACHERO, Antonio. Comunicación e intertextualidad en El cuarto de atrás, de Carmen Martín Gaite (1ª. parte): literatura versus propaganda. Revista Especulo, Madri, no. 16, nov. 2000 / fev. 2001, Disponível em: http://www.ucm.es/info/especulo/numero16/pineda1.html Acesso em 16 ago. 2004)

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