Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

El - 2005 - reestruturação do setor petroquímico brasileiro

14 views

Published on

A petroquímica é fundamental na indústria de transformação. Na petroquímica mundial existem fatores que devem ser permanentemente otimizados: escala; tecnologia; matérias primas; logística e distribuição de produtos. No Brasil, a petroquímica enfrenta diversos desafios que devem ser considerados pelo governo

Published in: Economy & Finance
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

El - 2005 - reestruturação do setor petroquímico brasileiro

  1. 1. Economic Letter 2005 número 1 Reestruturação do Setor Petroquímico Brasileiro Luiz Nelson Porto Araujo A petroquímica é fundamental na indústria de transformação. Na petroquímica mundial existem fatores que devem ser permanentemente otimizados: escala; tecnologia; matérias- primas; logística e distribuição de produtos. No Brasil, a petroquímica enfrenta diversos desafios que devem ser considerados pelo governo. A petroquímica é responsável pelo fornecimento dos insumos fundamentais para a indústria de transformação, estando em contínuo processo de evolução com alto domínio tecnológico e estrutura de custo competitiva. Na petroquímica mundial existem fatores que devem ser permanentemente otimizados: escala; tecnologia; matérias-primas; logística e distribuição de produtos. A petroquímica origina-se na cadeia do petróleo, mas enquanto a cadeia do petróleo visa atender a demanda por energia dos agentes econômicos, essa busca suprir a demanda por insumos da indústria de transformação. No Brasil, a formação da indústria petroquímica é recente e deu-se a partir da década de 1960 sendo, porém, somente a partir de meados dos anos oitenta que se pôde pensar em sua reestruturação setorial, principalmente com o fim do controle de preços e a abertura do mercado e desestatização, que acabou provocando a participação ativa da iniciativa privada e o recente retorno dos investimentos no setor. A globalização produtiva é resultado do processo de concentração de capital e tecnologia. Estimula, por sua vez, o avanço desse processo. Com isso, muda o ambiente para os demais atores, que se viram obrigados a adaptar suas estratégias. Na virada do século assistimos ao crescente aumento de competitividade das empresas em escala global, preparadas para atender um mercado anual de US$ 2,0 trilhões, forçando o Brasil a posicionar-se em face dessa realidade. Uma das mais importantes consequências foi que as empresas nacionais implantaram medidas visando melhores sinergias e estratégias, com foco na gestão dos resultados e aumento nos investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). Essa realidade condicionou a viabilidade da indústria à sua reorganização societária, com o principal objetivo de criação de empresas de classe mundial. Essa movimentação na petroquímica pretende fazer frente ao crescimento do consumo de produtos deste setor no Brasil, em velocidade superior à do PIB, em função não só do crescimento esperado da economia com o consequente crescimento da renda, mas ainda, como substituição a produtos concorrentes (ex: papel e vidro). Em razão disso, a petroquímica nacional está se reorganizando, desde a estruturação em polos (como forma de reduzir custos e riscos), como também
  2. 2. E C O N O M I C L E T T E R __________________________________________________________________________________ com sua integração vertical. Como as plantas petroquímicas operam em fluxos contínuos, a integração vertical é vista, inclusive, como forma de garantir o fornecimento de matéria-prima. Grandes empresas petrolíferas mundiais possuem participação relevante na petroquímica, de modo que a integração refino-petroquímica se torna uma forma de otimizar a produção de insumos com capacidade de produção, achatamento das ondas de preços e reduções de custos, implicando em menor vulnerabilidade do negócio. Em termos mundiais, considera-se que o período de consolidação ainda não acabou, devendo potencializar maiores investimentos conjuntos em complexos petroquímicos, além da depuração de mais fusões e aquisições. Há notadamente um deslocamento da demanda em direção ao Oriente, com o crescimento dos mercados da china e asiáticos, sendo certo, também, que novas expansões de capacidade de polietileno enfatizarão o gás natural como matéria-prima competitiva, dada a sua disponibilidade e custo (ex.: Oriente Médio). Lições internacionais demonstram que as fontes primárias de competitividade precisavam ser atacadas, tornando fundamental a adoção de medidas corretivas que visassem ao suprimento de matéria-prima e à fragmentação da cadeia produtiva. Nesse sentido, a integração entre a primeira e a segunda gerações é necessária para a competitividade, sendo esse o modelo mais comum no mundo. A petroquímica brasileira, apesar de possuir boa infraestrutura logística para o recebimento de insumos, encontra-se mal distribuída em relação ao mercado consumidor (os dois principais polos do país ficam longe do Sudeste, que responde por cerca de 65% do consumo de petroquímicos). Ao mesmo tempo o elevado custo Brasil ainda permite que produtos importados de outros países e regiões, especialmente da Argentina – que goza da isenção de tarifa – cheguem mais facilmente. Em se tratando deste custo medidas governamentais urgentes precisam ser adotadas para se equacionar divergências entre o Brasil e os demais países industriais, afetando negativamente a indústria petroquímica, elevando suas despesas financeiras e os seus custos de estoques. O custo elevado de capital, se não leva ao fechamento de plantas, certamente impede a abertura de novas. A qualidade e preços insatisfatórios da infraestrutura, bem como o déficit competitivo em acesso às infraestruturas (portos e terminais, tanques e dutos), forçam algumas empresas petroquímicas a importar diretamente as matérias-primas, sobretudo a nafta. No aspecto tributário, a incidência de tributos é maior no setor petroquímico que no resto da atividade produtora, e a reincidência de impostos (sobre operações sem natureza econômica), os elevados custos trabalhistas, a falta de compensação tributária em relação aos anos bons e anos maus funcionam como elementos perniciosos e impeditivos de maior competitividade global. Outro ponto a ser equacionado refere-se à dependência pela petroquímica nacional do acesso à nafta, sendo que a sua importação certamente não será uma solução de longo prazo. A petroquímica brasileira enfrenta, então, insegurança com relação à disponibilidade de nafta no futuro, pois o parque de refino brasileiro está operando próximo à sua capacidade instalada, e segundo a ANP, o mercado de combustíveis deve crescer 3,3% ao ano até 2010 – a produção da nafta concorre com a produção de gasolina. É importante definir uma política de preços para a nafta que leve em consideração uma visão integrada refino-petroquímica. Ter preços equivalentes ao mercado internacional significa gerar recursos suficientes para instalar uma nova central petroquímica a cada quatro anos. Exemplo dessa nova reestruturação do setor no Brasil refere-se à criação da Braskem, e seus ganhos de eficiências decorrentes da consolidação, de modo a permitir que essa consolidação dos seus ativos irá gerar sinergias de R$ 330 milhões ano – recursos suficientes para instalar uma nova planta de polietileno de 500 mil toneladas/ano a cada três anos. A Braskem surge como um modelo para a petroquímica brasileira, verticalizada, com escala e elevado investimento em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento).
  3. 3. E C O N O M I C L E T T E R __________________________________________________________________________________ Com essa visão do setor, cabe ao país, sob a liderança dos governos Federal e Estaduais, entender que o setor petroquímico ainda está em formação e que requer uma agenda nacional que possibilite a autossuficiência e competitividade na produção de petroquímicos. Um dos objetivos dever viabilizar uma participação dominante na região – Mercosul e mesmo na América Latina –, propiciando o desenvolvimento de uma indústria de transformação (plástico) forte, geradora de empregos e com capacidade exportadora. Isso se dará com a consolidação de grupos nacionais financeiramente sólidos para suportar os requerimentos desse setor – comportamento cíclico dos preços, investimentos (ativos e P&D), competição global, etc. –, e através da produção de tecnologia e conhecimento, com a redução do custo Brasil e com a criação de mecanismos para incentivar o desenvolvimento de uma indústria de transformação com capacidade exportadora e a formação de parcerias com o setor privado e universidades para agregar valor ao produto exportado. Luiz Nelson Porto Araujo, economista, é sócio-diretor da Delta Economics & Finance. Foi Professor do Departamento de Planejamento e Análise Econômica da EAESP-FGV e da FCECA da Universidade Mackenzie. As opiniões expressas nesse estudo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es) e não expressam, necessariamente, a visão da Delta Economics & Finance.

×