Revestimentos

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Revestimentos

  1. 1. Universidade Católica de Pernambuco Departamento de Engenharia Civil APOSTILA RESUMOProf. Angelo Just da Costa e Silva (MSc.) Recife, 2004
  2. 2. REVESTIMENTOSO presente trabalho apresenta uma descrição das camadas que compõem os revestimentos,envolvendo características influentes da base, chapisco, argamassa de emboço, contrapiso,adesiva e seus elementos decorativos (placa cerâmica, gesso, pintura). Em seguida é apresentadauma breve discussão acerca dos procedimentos de execução adotados nos revestimentosaderidos. Por fim, é descrito um estudo acerca da normalização brasileira pertinente ao assunto,além de bibliografia de referência para consulta. No final do texto estão apresentadas questõeselaboradas em diversos concursos relativos a estes assuntos realizados recentemente no Brasil, osquais devem ser resolvidos com base na descrição apresentada nos itens discutidos.1. DESCRIÇÃO E PROPRIEDADES DOS REVESTIMENTOS 1.1. O revestimento e a edificaçãoA edificação, tal qual o corpo humano, pode ser considerada como constituída por diversossistemas. Cada um desses sistemas (fundação, estruturas, vedação, revestimentos, instalações,etc.) pode ser analisado em separado, considerando a sua importância e peculiaridades maissignificativas, para que em seguida possa ser estudado o comportamento global. Essa distinção émuito empregada, por exemplo, para a elaboração de orçamentos, o que facilita bastante ainterpretação dos custos envolvidos conforme a atividade considerada.A partir desse conceito, pode-se interpretar a edificação como o sistema (macro), sendo as váriasetapas integrantes da produção os seus subsistemas. Assim, os revestimentos são parte integrantedo subsistema vedação vertical, o qual apresenta funções específicas para um bom desempenhodo conjunto. Além disso, assim como qualquer outro elemento do sistema, os mesmos nãodevem ser analisado em dissociação do conjunto no qual ele está inserido, no caso, a edificação. 1.2. Camadas e componentes constituintesConforme as necessidades estéticas e de desempenho que venham a requerer, os projetistasdispõem de muitas opções e tipos de revestimentos que podem ser empregados nas suascomposições. Os sistemas de revestimento podem partir de uma concepção relativamentesimples (como uma fina película de pintura), até sistemas significativamente complexos. Osrevestimentos cerâmicos de fachada, por exemplo, compõem-se de uma série de camadas,conforme se observa na figura 1.1.Cada uma das camadas deve apresentar características particulares no sentido de proporcionar aorevestimento, e por conseqüência também à edificação, as melhores condições para que o seudesempenho seja satisfatório.Inicialmente, pode-se dizer que a primeira camada que compõe o revestimento é o emboço.Porém, como ele é assentado sobre uma camada de suporte, a base, é necessário que sejamentendidas algumas de suas características, uma vez que elas podem interferir no comportamentodo revestimento. 1.2.1. BaseNas obras correntes, a base é normalmente composta por alvenaria de blocos cerâmicos, ou deconcreto, e também pelos elementos da estrutura de concreto (vigas, pilares, etc.), caso aedificação apresente estrutura convencional.Angelo Just da Costa e Silva 2
  3. 3. REVESTIMENTOSAs características intrínsecas aos materiais da base mais importantes, e que podem influenciar nodesempenho do revestimento, são a capacidade de sucção de água e a textura superficial(rugosidade). Preparação da base - Chapisco Limitador de profundidade BASE: Concreto e alvenaria Mastique elástico - Selante Argamassa de rejunte Argamassa adesiva Argamassa de emboço Figura 1.1. Base, camadas e componentes constituintes dos revestimentosA capacidade de sucção de água é importante pois, como a argamassa de emboço apresenta águaem sua composição, durante a sua execução uma parte dela é perdida para o próprio ambiente,outra para a hidratação do cimento e, por fim, uma parcela é perdida para a base.Essa interação é responsável pelo surgimento de uma ancoragem física (ou mecânica) entre oscomponentes, de modo que a água presente na argamassa penetra nos poros da base, levandoconsigo o cimento e, após a sua hidratação, são criados embricamentos (espécies de “estacas” ou“agulhas”) que promovem a fixação entre os componentes. Fenômeno semelhante ocorre nainteração entre uma argamassa adesiva e uma placa de revestimento (cerâmica, rocha, pastilha).As contaminações da base ou do tardoz da cerâmica por sujeira, óleo, pó, graxa, engobe (casoespecífico da cerâmica) etc. impedem o contato da argamassa com a superfície, formando umaespécie de filme que, por conseqüência, reduz a área de contato.Outro tipo de ancoragem que pode haver entre as camadas sucessivas é o processo químico, oqual contempla a formação de uma ligação química ou eletrostática entre a argamassa e omaterial a ser aderido. Esse é o mecanismo responsável pela aderência que se observa entresuperfícies lisas, sem porosidade, ou polidas. Um bom exemplo é a colagem entre superfícies devidro, que não possuem nenhuma porosidade.Angelo Just da Costa e Silva 3
  4. 4. REVESTIMENTOSO emprego de resinas ou colas favorece a aderência em todas as situações, sobretudo no caso depeças cerâmicas pouco porosas, nas quais deve ser estimulada a adesão de origem química.Nas edificações tradicionais, um grande problema encontrado é a diferença entre a absorção deágua dos materiais da base. As estruturas de concreto, em função da sua menor porosidade epermeabilidade, apresentam uma avidez por água, ou capacidade de sucção, bastante inferior àdos blocos cerâmicos.No que se refere às características físicas superficiais da base, é de se esperar que quanto maisrugosa a superfície, tanto maior será a resistência de aderência, sobretudo devido ao incrementogerado na resistência ao cisalhamento.Novamente observa-se uma diferença significativa entre as bases em alvenaria de bloco e aestrutura de concreto, presentes nas estruturas convencionais. Enquanto os pilares e vigas deconcreto apresentam uma textura lisa, sobretudo quando executadas com fôrmas plastificadas, osblocos de vedação, em geral, apresentam uma textura mais rugosa, favorecendo o aumento daresistência ao cisalhamento. 1.2.2. ChapiscoA fim de homogeneizar a capacidade de sucção de água e a rugosidade superficial da base,utiliza-se o chapisco, que é classificado, na realidade, não como uma camada do revestimento, esim como uma “preparação da base” que tem o objetivo de uniformizar tais características. Poresse motivo, é comum se adotar a aplicação de um chapisco “encorpado” sobre as superfícies deconcreto, conferindo a elas maior rugosidade superficial, e um chapisco “ralo” nos blocoscerâmicos, regulando a sua avidez por água.O chapisco normalmente empregado é de traço em massa 1:3, de cimento e areia, podendo seradicionada emulsão de polímeros PVA, acrílicos ou estirênicos para melhorar a aderência noscasos onde a base apresentar uma superfície muito lisa. Importante ressaltar a importância de seproceder à limpeza da base antes da aplicação do chapisco, por meio de escova de aço e jato deágua, a fim de remover todo tipo de sujeira presente (película desmoldante, resto de fôrma etc.) 1.2.3. Argamassa de emboçoConhecidas as características da base, e estando a mesma preparada com o chapisco, parte-separa a aplicação da primeira camada de fato considerada do revestimento que é a argamassa deregularização.A terminologia clássica apresenta uma distinção entre os elementos desta camada.Imediatamente após o chapisco utiliza-se uma camada grossa para regularização oriunda da base(desaprumo, desalinhamento etc.), chamada de emboço (emboço paulista), composta poraglomerante (cimento, cal) e areia grossa, com acabamento rústico. Sobre esta camada é entãoaplicada uma outra argamassa, denominada de reboco (reboco paulista), composta poraglomerante (cimento, cal) e areia fina, com acabamento liso e espessura de 3mm a 5mm. Estaprática vem sendo pouco adotada em obras correntes, nas quais costuma-se empregar apenasuma camada de argamassa (chamada massa única, ou simplesmente emboço), composta deaglomerante e areia mista (mistura de areia fina e grossa) e com acabamento superficial deacordo como o tipo de revestimento que sobre a mesma se assentará. Por conta destes aspectosobserva-se uma confusão constante de terminologia relacionado a este componente.De uma maneira geral, a argamassa de emboço deve apresentar uma resistência de aderênciacompatível com os esforços a que permanecerá sujeita, suportando a camada de acabamentoAngelo Just da Costa e Silva 4
  5. 5. REVESTIMENTOSaderida sobre ela sem apresentar descolamento. Com isso, é importante considerar na preparaçãodo emboço a sua resistência de aderência à base e a sua resistência superficial.Várias são as propriedades que a argamassa de emboço deve apresentar para atender assolicitações às quais permanecerá submetida durante o seu uso, podendo-se citar:trabalhabilidade, capacidade de aderência, resistência mecânica, capacidade de absorverdeformações, durabilidade, as quais serão sucintamente comentadas a seguir.Dentre elas, a trabalhabilidade, embora seja de grande importância, é a mais subjetiva, uma vezque a sua verificação é feita de acordo com a experiência do aplicador na obra. Ele determina aquantidade ideal de água presente na mistura para que a argamassa apresente uma consistênciaadequada de modo que possa ser aplicada na parede. As características físicas dos agregadostambém influenciam nessa propriedade, sobretudo a granulometria.Um dos principais efeitos de uma boa trabalhabilidade, além da maior produtividade econseqüente satisfação do aplicador, é o incremento da extensão de aderência, em decorrência dafacilidade de penetração da argamassa nas reentrâncias da base, aumentando a sua área efetiva decontato.A técnica de produção também influencia na extensão de aderência, por conta da eficiência nopreenchimento da superfície a ser aderida. No caso da interface entre a base e o emboço, éinteressante que haja uma pressão uniforme em todo o pano da fachada para garantir aancoragem.A resistência mecânica e a capacidade de absorver deformações devem ser analisadas de formaassociada, pois, embora sejam ambas desejáveis, são inversamente proporcionais. A equação 1,apresentada a seguir, modela a cumplicidade existente entre essas propriedades, uma vez que amedida de deformabilidade do material (ε), para um mesmo carregamento (σ), é tanto menorquanto maior for a sua capacidade resistente, determinada pelo módulo de deformação (E). ε = σ / E, onde: (1) ε - Deformação unitária (mm/m) σ - Tensão (MPa) E – Módulo de deformação (GPa)A capacidade de absorver deformações é uma caraterística importante para todas as camadas quecompõem o revestimento, sobretudo externo, pois a edificação está sujeita às mais diferentessolicitações, tanto de origem térmica como hidráulica, as quais podem gerar movimentaçõesdiferenciais entre os componentes.Sendo a argamassa de emboço um material cimentício, não se pode esperar que ela tenha umcomportamento absolutamente flexível, como vem sendo veiculado pelos fabricantes (o mesmose aplica às argamassas adesivas e aos rejuntes). Na realidade, há componentes que podemdiminuir a sua rigidez, de forma que as microfissuras geradas em decorrência das solicitaçõessejam em grande quantidade, porém de pequena amplitude, as quais não comprometem odesempenho do revestimento. Nas argamassas rígidas, ditas fortes, os esforços necessários para“quebrar” as ligações internas são maiores, gerando, com isso, fissuras de maior extensão eindesejadas ao revestimento.Assim, ao contrário do que se pode imaginar numa primeira análise, o acréscimo no consumo decimento, e conseqüente incremento de resistência mecânica, pode não proporcionar umdesempenho mais satisfatório à argamassa.Angelo Just da Costa e Silva 5
  6. 6. REVESTIMENTOSOutras propriedades do emboço também têm importância significativa. A retenção de água, porexemplo, deve ser monitorada em função das características do meio externo e da capacidade desucção de água da base, sob pena do emboço perder a água necessária para a hidratação docimento e manutenção da trabalhabilidade.Outro efeito influente é a retração por secagem, a qual provoca redução do volume econseqüentes solicitações de tração e compressão nas camadas do revestimento. Além desses,não se pode deixar de salientar a durabilidade do emboço, que depende de todas as propriedadescitadas. 1.2.4. Argamassas adesivasO assentamento de um acabamento decorativo (placa de rocha, cerâmica, pastilha etc.) sobre oemboço ou contrapisco é feito através da utilização de uma argamassa cuja função é manter essascamadas unidas, daí porque é conhecida como argamassa adesiva. Ela pode ser industrializada,denominada argamassa colante, ou fabricada na obra.As argamassas industrializadas representam um avanço em relação às tradicionais, abrindopossibilidade de se utilizar um processo de execução mais produtivo, com o uso dedesempenadeira dentada, em decorrência da sua elevada resistência de aderência e maior poderde retenção de água.A resistência de aderência representa a capacidade da argamassa de suportar esforços de traçãodireta normais ao plano de referência, e tangenciais de cisalhamento.Com relação à capacidade de retenção de água, a propriedade da argamassa colante associada aela é o tempo em aberto, definido como o período decorrido desde a extensão da argamassa naparede até o momento em que ela não mais apresenta capacidade de ancorar satisfatoriamente acerâmica, proporcionando uma resistência de aderência inferior a 0,5 MPa.O tempo em aberto é função também do ambiente que cerca a produção, sendo tanto menorquanto maior for a insolação e a ventilação. A medição dessa propriedade é feita em laboratórioatravés da metodologia descrita na NBR 14.083 (1998).A fim de proporcionar à argamassa as características descritas anteriormente, a sua formulação écomposta, além de cimento e areia, de aditivos orgânicos, formados, em geral, por uma resinavinílica e outra celulósica.Os aditivos de base celulose, em geral o hidroxi etil celulose (HEC), são os responsáveis pelacapacidade de retenção de água da argamassa, e conseqüente maior tempo em aberto, e às resinasde acetato de polivinila (PVAc) ou acrílicas cabe o aumento da resistência de aderência.Da mesma forma que o emboço, as argamassas de assentamento também devem apresentar umacerta deformabilidade para aliviar as tensões de movimentações presentes no revestimento.Porém, da mesma forma, o termo argamassa “flexível” utilizado por alguns fabricantes é poucoapropriado, uma vez que pode servir como uma orientação equivocada acerca da real capacidadede deformação do material. 1.2.5. Placas cerâmicasDesde há muito tempo (4.000 a.C., no Egito) as placas cerâmicas vêm sendo empregadas comorevestimento de edificações, tanto para interiores como para exteriores.Inicialmente aderidas à base por meio de pastas ricas em cimento, aplicadas no sistema “pão emanteiga”, com o passar do tempo o procedimento para assentamento das placas evoluiu para oAngelo Just da Costa e Silva 6
  7. 7. REVESTIMENTOSemprego de argamassas colantes industrializadas, providas com adições que lhes conferem maiorcapacidade de aderência, e desempenadeira dentada, para uma maior produtividade dosoperários.Pesquisa recente realizada em prédios residenciais na cidade do Recife indicou o uso derevestimentos cerâmicos de fachada em cerca de 80% dos casos. Atrelado a este uso, tem-seobservado o crescente número de patologias relacionadas, como manchamentos, eflorescência e,principalmente, descolamentos.Dentre algumas das vantagens para o emprego deste tipo de revestimento, pode-se citar:valorização do imóvel (efeito estético), conforto térmico e acústico (comparado com pintura, porexemplo), leveza (comparado com placas de rocha, por exemplo) e, sobretudo, durabilidade.A questão da durabilidade, entretanto, está associada a aspectos relacionados com osprocedimentos de produção, com a deformabilidade da estrutura, componentes e os devidoscuidados relacionados (adoção de juntas de movimentação horizontais e verticais, telas metálicasno interior do emboço em pontos considerados críticos etc.), e com a correta especificação dosmateriais adotados, o que envolve adequação às condições de projeto, à produção, além dadefinição das atividades de controle.A placa cerâmica utilizada para revestimento é um produto fabricado a partir de dois tipos dematéria prima naturais, as argilosas e não argilosas, para a composição da massa, e por matériasprimas não naturais, para os vidrados e corantes. Após a preparação da massa, ela é conformada,através de prensagem ou extrusão, seguida pelas etapas de queima do biscoito e aplicação dovidrado, cuja ordem seqüencial depende do processo industrial empregado (biqueima oumonoqueima).O revestimento cerâmico, assim como todas as camadas do sistema, também permanecesubmetido aos mais diversos esforços. Ele apresenta, como uma característica intrínseca, doistipos de movimentações distintos, conforme a solicitação: as irreversíveis, decorrentes doaumento de volume gerado pela absorção de água, também conhecida como expansão porumidade (EPU); e as reversíveis, provocadas pela variação de temperatura.A fim de reduzir esses fenômenos, a NBR 13.818 (1997) especifica o valor máximo de 0,6mm/m para a EPU da placa cerâmica. A ANFACER (Associação Nacional dos Fabricantes deCerâmica) recomenda o uso de peças com absorção de água entre 3% e 6% para o uso emrevestimentos externos.Ambas as propriedades estão bastante relacionadas e dependem fundamentalmente datemperatura de queima da cerâmica, durante a sua fabricação.A medição da expansão por umidade, mesmo em laboratório, é complicada e pouco precisa, umavez que é necessário, inicialmente, remover toda a expansão existente na peça já ensaiada,normalmente através de secagem em autoclave, seguida da simulação de toda a sua futuraexpansão, por intermédio de imersão em água em ebulição durante 24 horas.É importante salientar ainda a correlação existente entre a expansão por umidade e o gretamentoSegundo Fioritto (1992), o gretamento é decorrente de um inchamento do corpo cerâmico,provocado por uma expansão higroscópica, responsável pela introdução de tensões de tração novidrado. Para ele, o defeito de gretamento ocorre já a partir de uma expansão por umidade de 0,3mm/m, metade do valor máximo aceitável pela NBR 13.818 (1997).Angelo Just da Costa e Silva 7
  8. 8. REVESTIMENTOS 1.2.6. Rejuntes e juntasAs juntas de assentamento (rejuntes) e as de movimentação têm a função de proporcionar aorevestimento um alívio das tensões geradas, subdividindo a superfície em várias regiões.O material empregado como rejunte é uma argamassa de cimento provida de resinas cujoobjetivo é torná-la menos rígida (conceito similar ao de flexibilidade do emboço) e reduzir a suapermeabilidade, daí porque ela é normalmente industrializada. Pastas de cimento, ou mesmoargamassa simples de cimento e areia, não são recomendadas devido à sua grande rigidez e baixaelasticidade (alto módulo de deformação). Os rejuntes também podem servir para corrigirpequenas imperfeições dimensionais da cerâmica, e facilitar eventuais substituições de peçasdanificadas.Já as juntas de movimentação atuam no sentido de aliviar as tensões decorrentes não só dasmovimentações da cerâmica como também de todas as camadas que envolvem o revestimento.Desta maneira, as juntas devem, de preferência, apresentar uma profundidade tal que atinja abase. A relação entre a largura e a profundidade do selante, também conhecida como “fator deforma”, deve ser de 2:1, ou atender ao especificado pelo fabricante.Outro aspecto importante relativo ao selante é que não deve haver nenhuma interação entre ele eo material de enchimento interno, sob pena dele romper na ligação com alguma das cerâmicas.Por esse motivo são utilizadas espumas de polietileno expandido como material de enchimento,uma vez que elas são inertes e têm a função de limitar a profundidade do selante, evitar a suaadesão ao fundo da junta e uniformizar a base, facilitando a aplicação.Outra propriedade determinante do selante é a durabilidade, pois ela estabelece as previsões paraas atividades de manutenção da fachada, uma vez que a sua vida útil é bastante inferior a dosrevestimentos cerâmicos.Ao contrário das argamassas à base de cimento, os selantes são materiais ditos impermeáveis eflexíveis, sendo normalmente empregados produtos à base de silicone, poliuretano, acrílico, entreoutros.Para o emprego em revestimentos porosos (placas de rocha e cerâmica) recomendam-se ossilicones de base neutra que, ao contrário dos de base acética, não apresentam manchasprovenientes de reações com os materiais porosos. Os selantes de silicone são oferecidos emvárias cores, contudo não podem ser pintados com tintas acrílicas ou PVA. Já os selantes depoliuretano apresentam uma menor disponibilidade de cores, porém podem receber pintura e nãoapresentam manchas. 1.3. Normalização nacionalNo Brasil, a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT), órgãoresponsável pela elaboração das normas técnicas nacionais, apresenta textos normativos quetratam dos insumos envolvidos na produção dos revestimentos, e descrevem algunsprocedimentos recomendados para a execução. 1.3.1. Argamassas para revestimento de paredesAs NBR 13.276 a 13.281 (1996) estabelecem os critérios mínimos exigidos e os respectivosmétodos de ensaio para caracterização das propriedades consideradas importantes dasargamassas utilizadas como revestimento vertical. Todos os ensaios descritos nessas normas sãoAngelo Just da Costa e Silva 8
  9. 9. REVESTIMENTOSde âmbito laboratorial, uma vez que envolvem uma série de equipamentos, acessórios econdições especiais.As NBR 13.276 a 13.280 (1996) tratam da determinação das seguintes propriedades dasargamassas industrializadas utilizadas para revestimento de paredes: teor de água para obtençãodo índice de consistência padrão, retenção de água, massa por unidade de volume, resistência àcompressão e massa aparente no estado endurecido.A NBR 13.281 (1996) fixa as condições exigíveis para as argamassas industrializadas, as quaissão classificadas como um “produto proveniente da dosagem controlada, em instalação própria,de aglomerante de origem mineral, agregado(s) miúdo(s), eventualmente, aditivo(s) eadição(ões) em estado seco e homogêneo, ao qual o usuário somente necessita adicionar aquantidade de água requerida”. A classificação descrita nessa norma, de acordo com asexigências físicas e mecânicas, encontra-se na tabela 2.1.Tabela 2.1. Classificação das argamassas apresentada na NBR 13.281 (1996) CARACTERÍSTICA IDENTIFICAÇÃO LIMITES I <4 Rcompressão 28 dias (MPa) II 4a8 III >8 Normal 80 a 90 Retenção de água (%) Alta A <8 Teor de ar incorporado (%) B 8 a 18 C > 18Esta tabela, apesar de importante no sentido de classificar as argamassas conforme as suaspropriedades, é dependente ainda de uma outra determinação das características exigíveis paracaso uso, a fim de proporcionar ao projetista meios de especificar o material de acordo com a suanecessidade. Este tipo de definição não está contemplado na normalização brasileira. 1.3.2. Argamassas adesivasAs normas sobre argamassas colantes para assentamento de revestimentos cerâmicos, as NBR14.081 a 14.086 (1998), são publicações ainda relativamente recentes da ABNT. Assim como asnormas sobre argamassas para revestimento de paredes, elas também determinam os critériosmínimos exigidos e os respectivos métodos de ensaio para caracterização das propriedadesconsideradas mais importantes. Os ensaios também foram concebidos para serem realizados emlaboratório, incluindo, nesse caso, condições especiais de temperatura, umidade relativa evelocidade do vento. Os seus respectivos critérios estão apresentados na tabela 2.2.Essas normas vêm sofrendo críticas devido às dificuldades para a execução dos ensaios, seuscustos elevados e o alto grau de dispersão dos resultados.Angelo Just da Costa e Silva 9
  10. 10. REVESTIMENTOSTabela 2.2. Critérios descritos na NBR 14.081 (1998) para as argamassas colantesindustrializadas LIMITES POR TIPO ENSAIO ACI ACII ACIII ACIII-E Resistência Cura normal > 0,50 > 0,50 > 1,0 > 1,0 de aderência Cura submersa > 0,50 > 0,50 > 1,0 > 1,0 (MPa) > 0,50 > 1,0 > 1,0 Cura em estufa Tempo em aberto (min) > 15 > 20 > 20 > 30 Deslizamento (mm) < 0,50 < 0,50 < 0,50 < 0,50Deve-se atentar acerca da adequação dos resultados com os materiais empregados na obra,tomando, como exemplo, o porcelanato. Esse, por ter um grau de absorção de água inferior aodas peças utilizadas nos ensaios, da ordem de 0,3% contra 4% e 15% (valores estabelecidos paraos testes de resistência de aderência e tempo em aberto, respectivamente), pode provocar umcomportamento bastante diferenciado da argamassa colante, quando comparado com osresultados obtidos em laboratório.Cabe salientar que as exigências para a resistência de aderência e tempo em aberto dasargamassas colantes em laboratório são superiores àquelas feitas quando se analisa o sistemarevestimento. Naquele caso, há outras variáveis significativas que também interferemdiretamente no resultado, como as características da base, da argamassa de revestimento(emboço), da mão-de-obra e, principalmente, das condições de exposição durante a produção e acura, as quais são menos favoráveis na obra.Os ensaios descritos nessa série de normas possuem as variáveis intervenientes no resultado(materiais, condições laboratoriais) padronizadas e controladas, a fim de que as diferençasobtidas sejam decorrentes exclusivamente das características da argamassa colante.Com isso, os resultados obtidos podem servir como comparativo, independente de quallaboratório tenha executado o ensaio. Este tipo de análise comparativa não tem sentido nosensaios executados na obra, uma vez que não há como uniformizar os condicionantes que oscercam. 1.3.3. Argamassas para rejunteA norma brasileira que trata de rejunte para placas cerâmicas, a NBR14.992 (2003), é bastanterecente, e define argamassa de rejuntamento (A.R.) como mistura de cimento Portland e outroscomponentes para aplicação nas juntas de assentamento de placas cerâmicas. Neste contexto,apresenta uma classificação de dois tipos de rejuntamento, ambos para uso em ambientesinternos e externos, atendendo às seguintes condições:• Rejuntamento tipo I: • Aplicação restrita aos locais de trânsito de pedestres/transeuntes não intenso; • Aplicação restrita a placas cerâmicas com absorção de água acima de 3%; • Aplicação em ambientes externos, piso ou parede, desde que não excedam 20m2 e 18m2, respectivamente, limite a partir do qual são exigidas juntas de movimentação.• Rejuntamento tipo II:Angelo Just da Costa e Silva 10
  11. 11. REVESTIMENTOS • Todas as condições da tipo I • Aplicação em locais de trânsito intenso de pedestres/transeuntes; • Aplicação em placas cerâmicas com absorção de água inferior a 3%; • Aplicação em ambientes externos, piso ou parede, de qualquer dimensão, ou sempre que se exijam as juntas de movimentação; • Ambientes internos ou externos com presença de água estancada (piscinas, espelhos d´água).Para uma melhor caracterização das propriedades exigidas para cada tipo de rejuntamento, anorma apresenta ainda a tabela 2.3, descrita a seguir, na qual são apontados os métodos de ensaioe os seus respectivos critérios mínimos de aceitação, cuja amostragem considerada é de 3toneladas por lote, desde que oriunda de um mesmo fornecedor, entregue na mesma data emantida nas mesmas condições de armazenamento. Método / propriedade Unidade Idade de ensaio Tipo I Tipo II Retenção de água mm 10 min < 75 < 65 Variação dimensional mm/m 7dias < 2,00 < 2,00 Resistência à compressão MPa 14 dias > 8,0 > 10,0 Resistência à tração na flexão MPa 7 dias > 2,0 > 3,0 2 Absorção de água por capilaridade g/cm 28 dias < 0,60 < 0,30 Permeabilidade cm3 28 dias < 2,0 < 1,0Tabela 2.3 - Tipos de argamassa de rejuntamento e critérios mínimos (NBR 14.992/03) 1.3.4. Juntas de movimentaçãoAs juntas de movimentação apresentam dois componentes distintos: o material de enchimento eo selante, aplicado no interior e na superfície, respectivamente. Ambos devem possuir umagrande flexibilidade, a fim de não se oporem às solicitações a que estarão sujeitos, e podem serexecutados com vários tipos de materiais diferentes.O enchimento pode ser preenchido com materiais deformáveis, como espumas de polietilenoexpandido, cortiça, aglomerado de madeira, borracha alveolar, etc. O importante é que essematerial não se oponha à movimentação do selante superficial, uma vez que, caso estejarestringido, poderá haver ruptura em alguma das duas direções.A ABNT apresenta normas que tratam das espumas de enchimento (espuma flexível depoliuretana), determinando a deformação permanente à compressão (NBR 8797), a resiliência(NBR 8619), o envelhecimento em autoclave (NBR 9174), entre outras propriedades do material.No Brasil ainda não há normas sobre os selantes superficiais, o que dificulta a corretaespecificação, inspeção e controle acerca das suas propriedades, e obriga os construtores autilizarem produtos importados (algumas vezes misturados e embalados no Brasil), supostamenteadequados para utilização em locais cujos fatores de exposição podem ser muito diferentes doencontrado no território nacional.Angelo Just da Costa e Silva 11
  12. 12. REVESTIMENTOS 1.3.5. Placas cerâmicasAs normas acerca das placas cerâmicas para revestimento, NBR 13816, NBR 13817 e NBR13818 (1997) foram elaboradas como o objetivo de, respectivamente, definir os termos relativosao material, classificá-lo, e fixar os seus requisitos julgados mais importantes, bem como osmétodos de ensaio. Apenas em alguns destes requisitos são definidos critérios de aceitação,sendo utilizadas para estas determinações, muitas vezes, recomendações sugeridas em textospublicados por organismos técnicos do setor, tais como ANFACER (Associação Nacional dosFabricantes de Cerâmica) e CCB (Centro Cerâmico do Brasil).Para o adequado andamento do trabalho serão abordados neste item os principais requisitosdeterminados na NBR 13.818 (1997), os seus respectivos critérios ou, quando da suainexistência, os grupos de classificação ou valores recomendados.Antes da descrição dos ensaios serão aqui apresentadas algumas definições presentes na NBR13.816 (1997).• Revestimento cerâmico: Conjunto formado pelas placas cerâmicas, pela argamassa deassentamento e pelo rejunte;• Calibres: Lados das placas cerâmicas que são medidos e classificados em faixas de dimensão(size ranges);• Formato: Dimensão nominal da placa cerâmica em centímetros;• Ortogonalidade: Desvio no esquadro das placas, afetando a retangularidade dos ângulos, ouseja, o esquadro da placa;• Empeno: Desvio de um vértice com relação ao plano definido pelos outros três vértices. Podeser visualizado como o balanço da placa sobre uma diagonal;• Muratura: Relevo no lado do avesso da placa, destinado a melhorar a aderência. Pode serconstituído por saliências (caso normal para pisos e paredes interiores) ou por reentrâncias, comforma de “rabo de andorinha”, específico para usos especiais, tais como fachadas.As placas cerâmicas podem ser classificadas de acordo com a esmaltação do biscoito(esmaltados – GL ou não esmaltados – UGL) e o tipo de fabricação (extrudadas – A, prensadas –B e outros – C). 1.3.5.1. Expansão por umidade (EPU)Corresponde ao aumento de volume da cerâmica por efeito da umidade, tendo como principalcaracterística a sua irreversibilidade (ANFACER). A NBR 13818 (1997) recomenda que asplacas cerâmicas não devem exceder de 0,6mm/m, qualquer que seja a aplicação, apresentando,porém, a seguinte consideração: “A maioria das placas esmaltadas e não esmaltadas temexpansão por umidade desprezível e que não contribui para problemas no revestimento quandoas placas estão corretamente fixadas. Com práticas de fixação não satisfatórias ou em certascondições climáticas, expansão por umidade em excesso (> 0,6mm/m) pode contribuir paraproblemas”. A EPU está bastante relacionada com a resistência ao gretamento, absorção de águae temperatura de queima.No tocante à relação com a resistência ao gretamento, segundo FIORITTO (1992), a partir deuma EPU de 0,3mm/m já é possível observar gretamento na peça. Quanto à absorção de água,conforme a ANFACER, ocorre uma redução na EPU quando se produzem cerâmicas commateriais compactos e sinterizados, obtidos com uma moagem e queima adequados.Angelo Just da Costa e Silva 12
  13. 13. REVESTIMENTOSConsiderando a pequena magnitude do valor correspondente a esta expansão (em se tratando deuma placa com 20cm de lado, por exemplo, para uma EPU de 0,6mm/m ocorreria uma variaçãodimensional de 0,12mm, o que equivale a apenas 2% da espessura total de um rejunte com 6mm,normalmente empregado nas diversas situações), pode-se avaliar esta propriedade, isoladamente,como de importância relativa para o caso de um descolamento. Entretanto, o seu efeitocombinado com outras propriedades, sobretudo o gretamento, aliado à possibilidade do uso deargamassa de rejunte “rígido”, com baixa capacidade de absorver deformações, torna importantea avaliação deste requisito para a especificação do material. 1.3.5.2. Absorção de águaCorresponde à quantidade de água que a cerâmica permite absorver pelo seu tardoz, função datemperatura de queima e processo de fabricação (prensada ou extrudada), entre outros aspectos.Tem influência significativa na ancoragem física entre a argamassa colante e a placa, sendo, porisso, fundamental o seu conhecimento prévio antes da definição quanto às especificações dosmateriais e procedimentos de aplicação adotados.A NBR 13.817 apresenta a seguinte classificação para as placas cerâmicas (tabela 2.4): GRUPOS ABSORÇÃO (%) Ia 0 < abs < 0,5 Ib 0,5 < abs < 3,0 IIa 3,0 < abs < 6,0 IIb 6,0 < abs < 10,0 III Acima de 10,0Tabela 2.4 - Classificação de placas cerâmicas segundo absorção de águaSegundo Medeiros (1999), a única norma internacional que define um limite máximo aceitável éa britânica (BSI), no caso, 3%. O Instituto de Tecnologia Cerâmica – ITC, da Espanha, nãorecomenda o uso de cerâmicas com absorção superior a 6%. 1.3.5.3. Resistência ao manchamentoEstá relacionada à facilidade de limpeza do vidrado da cerâmica mediante ataque de diferentesagentes manchantes.Durante o ensaio são aplicados agentes de ação penetrante (CrO verde ou FeO vermelho), açãooxidante (iodo), formação de película (óleo de oliva), ou outros, atendendo solicitação prévia.Em seguida, para cada caso, são realizados procedimentos de limpeza conforme a seguinteseqüência: água quente, agente de limpeza fraco (não abrasivo, industrializado, pH entre 6,5 e7,5), agente de limpeza forte (abrasivo, industrializado, pH entre 9 e 10) e, por fim, reagentes deataque e solventes (ácido clorídrico em solução, hidróxido de potássio e tricloroetileno).Conforme avaliação da diferença no aspecto visual das placas cerâmicas, elas são classificadaspor níveis, de acordo com o produto aplicado para cada agente manchante (tabela 2.5).Angelo Just da Costa e Silva 13
  14. 14. REVESTIMENTOS Classe 5 – máxima facilidade de remoção de manchas Classe 4 – mancha removível com produto de limpeza fraco Classe 3 – mancha removível com produto de limpeza forte Classe 2 – mancha removível com ácido clorídrico, hidróxido de potássio e tricloroetileno Classe 1 – impossibilidade de remoção da manchaTabela 2.5 - Classificação de placas cerâmicas segundo a resistência ao manchamento 1.3.5.4. Resistência ao ataque químicoÉ a capacidade do vidrado se manter estável, sob o aspecto visual, mediante o ataque dereagentes agressivos, simulando situações comuns de uso. São aplicados os seguintes reagentes:cloreto de amônia (produtos químicos domésticos), hipoclorito de sódio (tratamento de água dapiscina), ácido clorídrico cítrico e láctico (ácidos em alta e baixa concentração), e hidróxido depotássio a 30g/l e 100g/l (álcalis de baixa e alta concentração).As placas cerâmicas são classificadas (classes A, B e C) em resistência química mais elevada,média e mais baixa, de acordo com as mudanças observadas no aspecto visual (tabela 2.6). Níveis de resistência químicaAgentes químicos Alta (A) Média (B) Baixa (C)Ácidos e Alta concentração (H) HA HB HCálcalis Baixa concentração (L) LA LB LCProdutos domésticos e de piscinas A B CTabela 2.6 - Classificação de placas cerâmicas segundo resistência ao ataque químico 1.3.5.5. Resistência à abrasão superficialÉ um ensaio, realizado apenas nas placas cerâmicas esmaltadas, que trata do desgaste visualmediante vários ciclos de passagem de um agente abrasivo sobre o vidrado, submetido a umacarga determinada.É importante para a especificação da placa cerâmica para piso, conforme o nível de solicitaçãoprevisto para cada situação.A norma separa as placas cerâmicas por classe, de acordo com a quantidade de ciclos que elasuporta sem apresentar desgaste visual (tabela 2.7). Interessante notar que a norma determinaainda que, para o nível mais alto de graduação (classe PEI V), a placa deve apresentar resistênciaao manchamento após o ensaio de abrasão superficial. Nº de ciclos Classe PEI 100 0 150 1 600 2 750, 1.500 3 2.100, 6.000, 12.000 4 > 12.000 5Angelo Just da Costa e Silva 14
  15. 15. REVESTIMENTOSTabela 2.7 - Classificação de placas cerâmicas segundo a resistência à abrasão superficial 1.3.5.6. Resistência ao gretamentoÉ um ensaio que evidencia a ocorrência de fissura capilar limitada à camada esmaltada da placacerâmica, decorrente de variações volumétricas, de origem térmica ou higrométricas, no biscoitoda cerâmica, não acompanhadas pelo seu vidrado.É importante salientar ainda a correlação existente entre a expansão por umidade e o gretamentoSegundo Fioritto (1992), o gretamento é decorrente de um inchamento do corpo cerâmico,provocado por uma expansão higroscópica, responsável pela introdução de tensões de tração novidrado. Para ele, o defeito de gretamento ocorre já a partir de uma expansão por umidade de0,3mm/m, metade do valor máximo aceitável pela NBR 13.818 (1997). 1.3.5.7. Dureza segundo a escala MohsRepresenta a resistência apresentada pelo vidrado ao riscamento provocado por elementos dedureza crescente, mediante uma força padronizada.As placas são classificadas conforme o desgaste visual apresentado em decorrência doriscamento, conforme apresentado na tabela 2.8. Relação de elementos utilizados 1 – talco 6 – feldspato 2 – gesso 7 – quartzo 3 – calcita 8 – topázio 4 – fluorita 9 – coríndon 5 – apatita 10 - diamanteTabela 2.8 - Classificação de placas cerâmicas segundo dureza na escala Mohs 1.3.5.8. Mancha d’águaTrata-se de um ensaio que não é concebido pela NBR 13.818 (1996), apesar de ser realizado emlaboratórios especializados do país. Corresponde à diferença visual de tonalidade observada pelovidrado quando a placa cerâmica é colocada em contato com a água que penetra pelas suas faceslaterais e inferior.É mais crítica para as cerâmicas de grandes dimensões (a partir de 20cm x 20cm) e para as de corclara, sendo normalmente motivadas por deficiências na espessura do vidrado, por excessivaabsorção da água pelo biscoito, ou pela deficiências no engobe1 da cerâmica (pouco opaco, muitofino ou poroso). 1.3.5.9. Aspectos dimensionaisTrata-se de uma avaliação das características dimensionais das peças, tais como tamanho,retitude e ortogonalidade dos lados, curvatura central e lateral e empeno. Aspectos importantes1 Entende-se aqui engobe por camada de argila líquida colorida para disfarçar ou decorar a cor natural do barro, comconsistência pastosa, com a qual se banha o biscoito antes da aplicação do esmalte.Angelo Just da Costa e Silva 15
  16. 16. REVESTIMENTOScomo espessura total da cerâmica e espessura dos sulcos presentes no seu tardoz também podemser medidos nesta etapa, os quais são de grande importância para a definição de especificações eprocedimentos de aplicação.Vale ressaltar que a NBR 13.755 (1996), por exemplo, é aplicável apenas para cerâmicas comárea inferior a 400cm2, lados não maiores que 20cm, e espessura total de até 15mm.Segundo Perry; West (1994), com relação às características dimensionais, a norma alemã, doDeutsches Institut Für Normung – DIN, restringe o uso desse material a peças com área menorque 1.200 cm2, espessura inferior a 15 mm e lados não superiores a 400 mm. A norma britânicaBS5385 – Part 2 limita o uso de cerâmicas com espessura mínima de 8mm, e assentamentoconsiderando ancoragem com grapas para cerâmicas com lado maior que 200mm. Já a normafrancesa (CSTB) limita o uso da argamassa adesiva mono-componente apenas para peças com,no máximo, 300 cm2. Para as placas com até 900 cm2, aceita-se utilização com argamassaadesiva bi-componente, e processo de assentamento com aplicação da argamassa na parede e notardoz da cerâmica. 1.3.5.10. Outros ensaiosAlém dos ensaios já relatados, existem diversos outros previstos pela normalização brasileira,tais como resistência à abrasão profunda, ao choque térmico, ao congelamento, determinação docoeficiente de atrito, carga de ruptura à flexão, entre outros. Todos eles têm sua importância parasituações específicas, conforme a aplicação desejada.Angelo Just da Costa e Silva 16
  17. 17. REVESTIMENTOS2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE CERÂMICA PARA REVESTIMENTO. Manual para orientação técnica. São Paulo, 1994.CANDIA, M.C. Contribuição ao estudo das técnicas de preparo da base no desempenho dos revestimentos de argamassa. São Paulo, 1998. Tese (Doutorado). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.CARASEK, H. Aderência de argamassas à base de Cimento Portland a substratos porosos – Avaliação dos fatores intervenientes e contribuição ao estudo do mecanismo da ligação. São Paulo, 1996. Tese (Doutorado). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.COSTA E SILVA. A.J. Descolamentos nos revestimentos cerâmicos de fachada na cidade de Recife. São Paulo, 2001. Dissertação (Mestrado). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.CINCOTTO, M.A., AGOPYAN, V. e FLORINDO, M.C.O gesso como material de construção.Tecnologia de Edificações - Parte I. IPT-PINI, p.53-56. São Paulo, 1988.FIORITTO, A.J.S.I. Manual de Argamassas e Revestimentos: Estudos e procedimentos de execução. São Paulo, Pini, 1994.GALEMBECK, F. Adesão de superfícies. Ciência Hoje, v.4, n.19, jul./ago., p.27-31, 1985.GOLDBERG, R.P. Revestimientos exteriores con adherencia directa de azulejos cerámicos, piedra y ladrillos caravista – Manual de diseño técnico. LATICRETE INTERNATIONAL, 1998.INSTITUTO DE TECNOLOGIA CERAMICA. Colocacion de pavimentos e revestimientos ceramicos. Barcelona, Ministério de Industria y Energia. Direccion General de Minas y de la Construcción., 1994.MEDEIROS, J.S. Tecnologia e projeto de revestimentos cerâmicos de fachadas de edifícios. São Paulo, 1999. Tese (Doutorado). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.PÓVOAS, Y.V. Tempo em aberto da argamassa colante: método de medida e influência dos aditivos HEC e resina PVAc. São Paulo, 1999. Dissertação (Mestrado). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.SELMO, S.M.S. Dosagem de argamassas de Cimento Portland e cal para revestimento externo de fachada dos edifícios. São Paulo, 1989. Dissertação (Mestrado). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.UEMOTO, K.L. Projeto, execução e inspeção de pinturas. São Paulo, CTE. 2002.Angelo Just da Costa e Silva 17

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