O OCULTO DO OCULTISMO - VÓL III

961 views

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
961
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
11
Actions
Shares
0
Downloads
15
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

O OCULTO DO OCULTISMO - VÓL III

  1. 1. 147 MEDITAÇÕES – O OCULTO DO OCULTISMO - Vol III
  2. 2. 148 Neli Cavalcante Assessoria jurídica Especialista em Leis Cristãs R. Aureliano Coutinho, 228 / 04 Embaré – Santos- Cep: 11.040- 240 Tel. 32314759- 91227361- 91780437 E-mail: nelicavalcante7@yahoo.com.br “e te restituirei os teus juízes, como eram dantes, e os teus conselheiros, como no princípio, então serás chamada cidade de justiça, cidade fiel”.1 1 Isaías 1:26.
  3. 3. 149 Dedicatória: A Deus, pois justiça e juízo são a base do Seu trono.
  4. 4. 150 21.l As conseqüências da incredulidade Observemos que no próximo capítulo as graves conseqüências da atitude que tomaram os tais líderes ao afirmar que não haveria possibilidade humana de derrotar os tais gigantes. Nisto eles estavam certos, MAS, as possibilidades ali não seriam evidentemente humanas, e a saída seria a mesma que teve Davi ao derrotar o urso, o leão e depois o gigante. Seria a mesma que todos viram quando com mão forte, Deus os tirou do Egito das garras de faraó depois de tantos séculos escravos. Nisto eles erraram total e drasticamente. Enquanto falamos tudo isso recriminando esses homens, olhemos para nós com coragem e vamos ficar espantados como a “carapuça” se nos encaixa. Olhemos também com coragem o tamanho da ira de Deus e as graves conseqüências espirituais que nos advém depois de inadvertidamente sair falando sobre coisas humanas quando Deus nos pede para atentar para os Seus desígnios: “8 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor”.2 São muitas as passagens bíblicas nas quais Deus nos mostra a Sua ira pelo mesmo motivo. Pedro acabara de ser galardoado e exaltado por Jesus pelas excelentes revelações que recebera e em seguida quando Jesus fala do que haveria de padecer, Pedro veio falando coisas que não tinham nada de espirituais, mas totalmente fora dos planos de Deus, que seria que Jesus não passasse por nada daquilo. Pedro perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado: “23 Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens”.3 2 Isaías 55. 3 Mateus 16.
  5. 5. 151 Não esqueçamos de olhar para dentro nós mesmos e de quantas vezes agimos da mesma maneira. Como será que Deus nos olha ou nos fala nestes momentos? Diferente do que falou para Pedro? Que Deus possa nos livrar a cada instante, a cada passo que dermos nesta direção e a cada pensamento que tivermos sobre qualquer plano referente a grandes decisões que teremos que tomar a respeito da missão que temos neste mundo, se é que cremos e tememos a este Deus que nos fez e que teremos que prestar contas um dia. Olhemos aqui como este povo foi contaminado e como expurgaram o que já havia dentro deles, que era a incredulidade, a ingratidão a Deus pelo tanto que já haviam recebido. Foi um arraso. No conceito deles Deus os queria matar, foram enganados por Ele e pela Sua liderança. Depois de ficarem 430 anos gemendo nas mãos do Faraó (o diabo), agora decidiam voltar para lá, mesmo tendo assistindo ao grande espetáculo que foi a maneira como Deus os tirou do Egito (o mundo tenebroso, a condição anterior de filhos da ira), não antes de trabalhar na vida de Moisés por 80 anos e fazer dele um guia por excelência, como Ele faz com tantos outros guias, que se não são como Moisés o serão o melhor que podem na sua medida. Não nos esqueçamos de olhar para nós. Fiquemos fazendo comparações o tempo todo para que aprendamos conhecer ou a enxergar as nossas mazelas internas, o que temos dificuldade de ver porque está oculto: “12 Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são ocultos”.4 A atitude de 10 contaminou a nação toda. Todo o trabalho de Deus poderia cair por terra se não fosse pelos 2 que ficaram do Seu lado. Com apenas alguns poucos que tremem e temem na Sua gloriosa presença Deus faz a guerra. 21.l.a Zelo 4 Salmo 19:12.
  6. 6. 152 Inserimos aqui um trecho pequeno do texto Zelo,5 inserido no texto escrito “Guerra”. João Wesley foi homem de Zelo. Disse ele: “Dê-me cem homens que amem a Deus de todo o coração e não temam nada, exceto o pecado, e abalarei o mundo. Amy Carmichael escreveu: Da oração que pede. Ó Senhor, que eu seja guardado dos ventos que em Ti se esbatem, de ter medo quando aspirar devera, de vacilar quando devo ir ao alto, de ser eu de seda, ó Capitão, livra este Teu soldado que quer seguir-te. Do sutil amor das coisas macias, das escolhas fáceis, debilitantes; pois não são assim os espíritos fortes, tampouco Assis foi O Crucificado; de tudo o que sombreia o Seu Calvário, ó Santo Cordeiro de Deus, liberta-me. Dá-me o amor que pela senda conduz, dá-me a fé que nada pode aterrar, a esperança invicta aos desenganos, a paixão que queime como arde o fogo. Não deixes que suma no pó do chão, faze-me Tua lenha, Fogo de Deus”. Prosseguindo... 5 Texto retirado da revista: O Discípulo Verdadeiro. William MacDonald. Infelizmente não temos mais referências sobre esta revista (é muito antiga), mas só a capa.
  7. 7. 153 Aqui vemos o povo murmurando e fazendo planos para voltar à lama: “1 Então toda a congregação levantou a voz e gritou; e o povo chorou naquela noite. 2 E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão; e toda a congregação lhes disse: Antes tivéssemos morrido na terra do Egito, ou tivéssemos morrido neste deserto! 3 Por que nos traz o Senhor a esta terra para cairmos à espada? Nossas mulheres e nossos pequeninos serão por presa. Não nos seria melhor voltarmos para o Egito? 4 E diziam uns aos outros: Constituamos um por chefe o voltemos para o Egito”.6 Ou seja... “20 Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo pelo pleno conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, ficam de novo envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior que o primeiro. 21 Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. 22 Deste modo sobreveio-lhes o que diz este provérbio verdadeiro; Volta o cão ao seu vômito, e a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal”.7 A liderança aqui não segurou o pescoço daquele povo louco rebelde e de fronte obstinada ou pediu a Deus que pesasse a mão sobre eles, mas ao contrário, foram ORAR, e por causa da oração lá veio Josué e Calebe ajudar na grande encrenca. Os 10 falavam que não e esses 2 falavam que sim. Também por causa da oração, a glória de Deus apareceu: (“... e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação”.8 “12 alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”.9 Observemos aqui prosseguindo em números, ira de Deus e o Seu juízo, para aprender a temer. “5 Então Moisés e Arão caíram com os rostos por terra perante toda a assembléia da congregação dos filhos de Israel. 6 E Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que eram dos que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes; 7 e falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra, pela qual passamos para a espiar, é terra muitíssimo 6 Números 14. 7 II de Pedro. 8 Tiago 5. 9 Romanos 12.
  8. 8. 154 boa. 8 Se o Senhor se agradar de nós, então nos introduzirá nesta terra e no-la dará; terra que mana leite e mel. 9 Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor, e não temais o povo desta terra, porquanto são eles nosso pão. Retirou-se deles a sua defesa, e o Senhor está conosco; não os temais. 10 Mas toda a congregação disse que fossem apedrejados. Nisso a glória do Senhor apareceu na tenda da revelação a todos os filhos de Israel. 11 Disse então o Senhor a Moisés: Até quando me desprezará este povo e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que tenho feito no meio dele?10 Vemos aqui, além da sua ira, a humanidade de Deus. Ele deixa à mostra os seus sentimentos, pessoa que é, embora INSONDÁVEL, SOBERANO, ETERNO e JUSTO. Vemos aqui a semelhança d’Ele conosco, se é que assim podemos falar do Nosso Pai. Observemos aqui, mais uma vez a grande intercessão de Moisés que muito fez por todo o povo. Esta intercessão é uma simbologia da intercessão de Jesus por nós. APRENDAMOS A ORAR PELOS PERDIDOS E A AMAR A ESTES, QUE SÃO, VIA DE REGRA, TERRÍVEIS E QUASE IMPOSSÍVEIS DE SUPORTAR. Observemos a resposta da oração e o julgamento de Deus sobre a questão. Ora, temos que entender que Deus é o Juiz do Universo e Ele julga a causa que os seus advogados se lhes apresentam e não faz como os religiosos garantem, ou seja, sai livrando e julgando na emoção sem se importar com a JUSTIÇA. HÁ UM LIMITE. APRENDAMOS A TEMER E A TREMER DIANTE DE D’ELE, e também a saber apresentar diante do JUIZ as nossas firmes razões e a entender o Seu veredito: “21 Apresentai a vossa demanda, diz o Senhor; trazei as vossas firmes razões, diz o Rei de Jacó”.11 “26 Procura lembrar-me; entremos juntos em juízo; apresenta as tuas razões, para que te possas justificar”.12 “6 e Jerusalém, sobre 10 Números 14. 11 Isaías 41. 12 Isaías 43.
  9. 9. 155 os teus muros pus atalaias, que não se calarão nem de dia, nem de noite; ó vós, os que fazeis lembrar ao Senhor, não descanseis, 7 e não lhe deis a ele descanso até que estabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra”.13 O Reino de Deus é de graça, mas não é barato. Continuando... “12 Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei; e farei de ti uma nação maior e mais forte do que ele. 13 Respondeu Moisés ao Senhor: Assim os egípcios o ouvirão, eles, do meio dos quais, com a tua força, fizeste subir este povo, 14 e o dirão aos habitantes desta terra. Eles ouviram que tu, ó Senhor, estás no meio deste povo; pois tu, ó Senhor, és visto face a face, e a tua nuvem permanece sobre eles, e tu vais adiante deles numa coluna de nuvem de dia, e numa coluna de fogo de noite. 15 E se matares este povo como a um só homem, então as nações que têm ouvido da tua fama, dirão: 16 Porquanto o Senhor não podia introduzir este povo na terra que com juramento lhe prometera, por isso os matou no deserto. 17 Agora, pois, rogo-te que o poder do meu Senhor se engrandeça, segundo tens dito: 18 O Senhor é tardio em irar- se, e grande em misericórdia; perdoa a iniqüidade e a transgressão; ao culpado não tem por inocente, mas visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração. 19 Perdoa, rogo-te, a iniqüidade deste povo, segundo a tua grande misericórdia, como o tens perdoado desde o Egito até, aqui. 20 Disse-lhe o Senhor: CONFORME A TUA PALAVRA LHE PERDOEI”.14 Este é o poder da oração... “23 Pelo que os teria destruído, como dissera, se Moisés, seu escolhido, não se tivesse interposto diante dele, para desviar a sua indignação, a fim de que não os destruísse”.15 Continuando em Números: 13 Isaías 62. 14 Números 14. 15 Salmo 106.
  10. 10. 156 “21 tão certo, porém, como eu vivo, e como a glória do Senhor encherá toda a terra, 22 nenhum de todos os homens que viram a minha glória e os sinais que fiz no Egito e no deserto, e todavia me tentaram estas dez vezes, não obedecendo à minha voz, 23 nenhum deles verá a terra que com juramento prometi o seus pais; nenhum daqueles que me desprezaram a verá. 24 Mas o meu servo Calebe, porque nele houve outro espírito, e porque perseverou em seguir-me, eu o introduzirei na terra em que entrou, e a sua posteridade a possuirá. 25 Ora, os amalequitas e os cananeus habitam no vale; tornai- vos amanhã, e caminhai para o deserto em direção ao Mar Vermelho. 26 Depois disse o Senhor a Moisés e Arão: 27 Até quando sofrerei esta má congregação, que murmura contra mim? tenho ouvido as murmurações dos filhos de Israel, que eles fazem contra mim. 28 Dize-lhes: Pela minha vida, diz o Senhor, certamente conforme o que vos ouvi falar, assim vos hei de fazer: 29 neste deserto cairão os vossos cadáveres; nenhum de todos vós que fostes contados, segundo toda a vossa conta, de vinte anos para cima, que contra mim murmurastes, 30 certamente nenhum de vós entrará na terra a respeito da qual jurei que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. 31 Mas aos vossos pequeninos, dos quais dissestes que seriam por presa, a estes introduzirei na terra, e eles conhecerão a terra que vós rejeitastes. 32 Quanto a vós, porém, os vossos cadáveres cairão neste deserto; 33 e vossos filhos serão pastores no deserto quarenta anos, e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que os vossos cadáveres se consumam neste deserto. 34 Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, a saber, quarenta dias, levareis sobre vós as vossas iniqüidades por quarenta anos, um ano por um dia, e conhecereis a minha oposição. 35 Eu, o Senhor, tenho falado; certamente assim o farei a toda esta má congregação, aos que se sublevaram contra mim; neste deserto se consumirão, e aqui morrerão. 36 Ora, quanto aos homens que Moisés mandara a espiar a terra e que, voltando, fizeram murmurar toda a congregação contra ele, infamando a terra, 37 aqueles mesmos homens que infamaram a terra morreram de praga perante o Senhor. 38 Mas Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que eram dos homens que foram espiar a terra, ficaram com vida. 39 Então Moisés falou estas palavras a todos os filhos de Israel, pelo que o povo se entristeceu muito. 40 Eles, pois, levantando-se de manhã cedo, subiram ao cume do monte, e disseram: Eis-nos aqui; subiremos ao lugar que o Senhor tem dito; porquanto havemos pecado”. Misericórdia!!! Há coisas que não tem volta... “41 Respondeu Moisés: Ora, por que transgredis o mandado do Senhor, visto que isso não prosperará? 42 Não subais, pois o Senhor não está no meio de vós; para que não sejais feridos diante dos vossos inimigos. 43 Porque os amalequitas e os
  11. 11. 157 cananeus estão ali diante da vossa face, e caireis à espada; pois, porquanto vos desviastes do Senhor, o Senhor não estará convosco”. Mas, religiosamente, teimaram em ir, e sofreram a derrota. “44 Contudo, temerariamente subiram eles ao cume do monte; mas a arca do pacto do Senhor, e Moisés, não se apartaram do arraial. 45 Então desceram os amalequitas e os cananeus, que habitavam na montanha, e os feriram, derrotando-os até Horma”.16 Sabemos que Deus tudo pode e quer sempre nos abençoar... porém, ouro não se encontra jogado pelo chão, mas é raro, caro e a moeda aqui é o amor, o arrependimento, o zelo, a adoração, o reconhecimento de quem somos, de quem Ele é, do quanto recebemos a cada instante d’Ele. Deus sempre quer e este cego sabia disso: “2 E eis que veio um leproso e o adorava, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. 3 Jesus, pois, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. No mesmo instante ficou purificado da sua lepra”.17 “13 Oxalá me escutasse o meu povo! oxalá Israel andasse nos meus caminhos! 14 Em breve eu abateria os seus inimigos, e voltaria a minha mão contra os seus adversários. 15 Os que odeiam ao Senhor o adulariam, e a sorte deles seria eterna. 16 E eu te sustentaria com o trigo mais fino; e com o mel saído da rocha eu te saciaria”.18 21.m A oração de Davi Observemos como Davi orava diante das suas muitas dificuldades, como ele apresentava diante de Juiz, as suas firmes razões quando 16 Números 14. 17 Mateus 8. 18 Salmo 81.
  12. 12. 158 ele tinha que enfrentar gigantes. Todo o Salmo 119 nos ensina muito sobre a questão. Eis aqui só um pequeno trecho: “81 Desfalece a minha alma, aguardando a tua salvação; espero na tua palavra. 82 Os meus olhos desfalecem, esperando por tua promessa, enquanto eu pergunto: Quando me consolarás tu? 83 Pois tornei-me como odre na fumaça, mas não me esqueci dos teus estatutos. 84 Quantos serão os dias do teu servo? Até quando não julgarás aqueles que me perseguem? 85 Abriram covas para mim os soberbos, que não andam segundo a tua lei. 86 Todos os teus mandamentos são fiéis. Sou perseguido injustamente; ajuda-me! 87 Quase que me consumiram sobre a terra, mas eu não deixei os teus preceitos. 88 Vivifica-me segundo a tua benignidade, para que eu guarde os testemunhos da tua boca. 89 Para sempre, ó Senhor, a tua palavra está firmada nos céus. 90 A tua fidelidade estende-se de geração a geração; tu firmaste a terra, e firme permanece. 91 Conforme a tua ordenança, tudo se mantém até hoje, porque todas as coisas te obedecem. 92 Se a tua lei não fora o meu deleite, então eu teria perecido na minha angústia. 93 Nunca me esquecerei dos teus preceitos, pois por eles me tens vivificado. 94 Sou teu, salva-me; pois tenho buscado os teus preceitos. 95 Os ímpios me espreitam para me destruírem, mas eu atento para os teus testemunhos. 96 A toda perfeição vi limite, mas o teu mandamento é ilimitado. 97 Oh! quanto amo a tua lei! ela é a minha meditação o dia todo. 98 O teu mandamento me faz mais sábio do que meus inimigos, pois está sempre comigo. 99 Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação. 100 Sou mais entendido do que os velhos, porque tenho guardado os teus preceitos”.19 É ou não estupendo! Aprendamos então a entregar o nosso caminho a Ele, confiemos n’Ele e Ele tudo fará... “5 Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará”.20 21.n Deus é fiel Ele nos prometeu: 19 Salmo 100. 20 Salmo 37.
  13. 13. 159 “19 Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o bem desta terra”.21 Mas em seguida, no verso seguinte afirma que se não O ouvirmos... “20 mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; pois a boca do Senhor o disse”.22 Ora, se Ele começou, vai terminar... “6 TENDO POR CERTO ISTO MESMO, QUE AQUELE QUE EM VÓS COMEÇOU A BOA OBRA A APERFEIÇOARÁ ATÉ O DIA DE CRISTO JESUS”.23 Foi assim na vida de José do Egito, que teve uma vida cheia de traições e sofrimentos. O Final foi estupendo. Ele terminou a obra. Também na vida de Davi que não foi diferente, mas no final, a mesma coisa aconteceu: Ele terminou a obra. E assim também na vida de Josué, de Paulo, Daniel, que ousou descumprir o decreto do rei, perseverando na vontade de Deus, e também Moisés, Abrahão, Noé, Sadraque, Mesaque e Abdenego que perseveraram e chegaram a entrar na fornalha de fogo, só para não se prostrar diante do rei e trair então o seu Rei; Jeremias, que tanto sofreu, mas perseverou e Deus completou a obra, Jacó, Enoque, Ana, Raabe, Sarah, Elias, João Batista, e tantos e tantos outros... “33 os quais por meio da fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca dos leões, 34 apagaram a força do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra, puseram em fuga exércitos estrangeiros. 35 As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem 21 Isaías 1. 22 Isaías 1. 23 Filipenses 1.
  14. 14. 160 uma melhor ressurreição; 36 e outros experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões. 37 Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados 38 (DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra”.24 Deus não faz acepção, se foi assim com eles, será com qualquer um que crer. Era assim que no começo da minha jornada na faculdade de Direito pensava quando via meus colegas ocupando a sala reservada aos quintoanistas: “Se aconteceu com eles, comigo também acontecerá. Não é impossível”. Quando pensaram que Jesus estava derrotado é ali que estava a suprema e espetacular vitória e estava consumada a derrota do inferno. Jesus era o “patinho feio”, mas todos viram e sabem que Ele é o Maravilhoso Cisne: “7 E assim para vós, os que credes, é a preciosidade; mas para os descrentes, a pedra que os edificadores rejeitaram, esta foi posta como a principal da esquina”.25 TODOS esses que perseveraram, não se abateram com os obstáculos, estavam dispostos a pagar o preço pela sua fé, tornaram pública esta fé, não se renderam, mas pensavam: “não somos fortes porque somos fortes, mas por Deus é forte e Ele nos ordenou a dizer, mesmo fracos: “Eu sou forte”.26 Imaginemos o que suportou Martinho Lutero, como foi o seu Getsêmani antes de denunciar todo o clero, toda a religião do status quo, todas as cobras venenosas, os hipócritas, como Jesus os chama. Ora, como terá sido os momentos que antecederam a sua missão, a sua cruz. O ambiente era sujo, fétido, abominável, execrável e jamais 24 Hebreus 11. 25 I Pedro 2. 26 Joel 3:10.
  15. 15. 161 haverá palavras para descrever os crimes hediondos que se cometeram naquela época em nome de Deus (se fosse só naquela época, que maravilha seria!!!) Martinho ficou impressionado com a riqueza da Santa Sé. O Papa pediu um tributo extraordinário para auxiliar na igreja de São Pedro e propôs a troca das penitências dos pecados cometidos por pagamentos chamados indulgências, ficando claro assim o caráter comercial. Os bancos podiam cobrar a esmola correspondente ao perdão pelos pecados. Ora, ora, meu senhores, qualquer semelhança com a situação atual das igrejas não é mera coincidência, mas é que o homem é corrompido e esta liderança, assim como esses templos nunca foi plano de Deus, mas do homem.27 Expôs a tese, baseado nas Escrituras Sagradas, de que a fé sem a intervenção da igreja é a única fonte de salvação, e a sua teoria chocava-se frontalmente com a tradicional doutrina cristã (qual a diferença entre antes e agora?). O Papa pede que ele se retrate e este queima o comunicado do Papa em praça pública e proclama que a única autoridade são as Sagradas Escrituras (uahuhh!!). Foi condenado pela igreja, é claro. Falava que a Bíblia poderia ou deveria ser livremente lida, em oposição aos religiosos que afirmavam que só por eles o povo deveria saber da Bíblia. Embora talvez para alguns hoje seja mais velado, e haja muita camuflagem, qual a diferença de antes e de agora? Segundo Lutero, a igreja deveria renunciar a todos os bens materiais e dividir os existentes entre os fiéis (como era na igreja primitiva). Ficamos imaginando o ódio desses que dirigiam (ou dirigem?) a “indústria de ídolos” por este homem que lhes veio “roubar” a sua fonte de tanto lucro, e ao mesmo tempo pensando o que eles fariam hoje se fossem denunciados e proibidos de continuar a trajetória abjeta.28 E se aparecesse hoje este libertador ou “dedo-duro moderno” a exemplo de Lutero, o que fariam com este? Será que o “queimariam” ou ficaria vivo? Como seria hoje a contra-reforma, a inquisição e a fogueira? Menos cruel ou menos absurda do que antes? Ou seria ainda pior? Temos um texto escrito com o título “Os Protestos de Hoje”, onde fundamentamos toda a relação desta época negra da história com 27 I de Samuel 8 e SS; II de Samuel 7, etc; II de Crônicas 7. 28 Atos 19.
  16. 16. 162 esta em que vivemos. Neste texto denunciamos as indulgências de hoje e a sua respectiva inquisição (muitos fiéis sofrem e são expulsos das igrejas, “queimados”, difamados e deletados). Neste texto também afirmamos que desta igreja do status quo não vai sobrar pedra sobre pedra que não seja derrubada29 e que haverá um só Pastor e um só rebanho,30 como está escrito; que haverá nesses últimos dias, juízes como eram dantes,31 pois o templo que tanto pedimos a Deus foi transformada em covil de ladrões,32 e assim como foram destruídos os outros templos no passado esses que vemos o serão da mesma maneira; que já chegou o tempo, segundo a Palavra, em que não haverá lugar estabelecido para se adorar a Deus,33 mas Ele estará em qualquer lugar onde houver dois ou três reunidos em Seu nome,34 onde houver um perdido, sofrido ou oprimido, onde houver alguém que crer. Deus procura adoradores que O adorem em ESPÍRITO, pois Ele é espírito, e assim também o serão os que foram feitos à Sua semelhança, e recriaram o seu espírito pela fé em Jesus, tornando-se assim filhos de Deus e tendo então os seus nomes escritos no Livro da Vida.35 Fundamentamos também no citado texto que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens,36 mas o Seu Reino está dentro do que crê e não vem com aparência visível;37 que esses reis, esta liderança corrupta que assola os nossos dias como assolava na época de Martinho, fomos nós que pedimos que os tais reinassem sobre nós, rejeitando assim o Rei dos Reis que nos criou e recria o que crê. Pedimos um rei, Ele nos alertou o que estes nos seriam e agora que vemos diante dos nossos olhos que o nos foi profetizado, a revolta e o arrependimento nos toma e entendemos a Música de Fernandinho que nos fala da geração dos juízes que é a geração de Samuel que foi o último juiz. Nunca falei com o autor da música e nem sei o que ele pensa sobre ela, mas entendi por revelação o que ela significa. 21.n.1 Geração de Samuel Eu faço parte de um novo tempo/ Que está nascendo em minha nação/ Eu sou o fruto, de uma semente/ Que foi plantada, há muito tempo atrás/ Por meus irmãos 29 Marcos 13:1,2. 30 João 10:16. 31 Isaías 1:26. 32 Marcos 11:17. 33 João 4:20/24. 34 Mateus 18:20. 35 Apoc 21:27. 36 Atos 7:48,49; II de Crônicas 2:6; I Reis 8:27; Isaías 66:1,2. 37 Lucas 17:20,21.
  17. 17. 163 A geração de Samuel está se levantando em todo lugar/ A geração que depõe Saul/ A geração que unge Davi/ Para um tempo de louvor Uma geração segundo o coração de Deus/ Que cumpre os propósitos de Deus nesta terra/ Deus está invadindo a terra de profetas... profetas... profetas... 21.n.2 Geração de Profetas38 Observemos esta parceria “da hora”... A Geração de profetas que Deus está levantando está sendo moldada na dor, na solidão, na renuncia de coisas que só quem as deixa sabe dizer o quando dói! Profetas inconformados com o pecado, inconformados com a injustiça social e com a falta de unidade no Corpo de Cristo! Aiiiiiiiiiii, aiiiiiiiiiii, aiiiiiiiiiiii, é o gemido do Vaso na Olaria pra ser como Ele quer que seja!!! Que dor é ser amassado nas mãos do Oleiro e receber o molde que nos fará ser profetas neste tempo do fim! Ou seja, é tempo de depor Saul (que representa os reis) e ungir Davi (Jesus, a raiz de Davi), é tempo de assistir esses templos, essa falsa religião cair por terra e não sobrar pedra sobre pedra que não seja derrubada. 21.n.3 Trechos do texto “Os Protestos de Hoje” Observemos também alguns pequenos trechos do texto: (...) A opulência, a luxúria, o materialismo, dominavam esta liderança que pouco ou nada sabiam ou se importavam, acerca 38 mundodouelinton.blogspot.com/2009/01/gerao-de...
  18. 18. 164 das leis de Deus. Na época arrecadavam dinheiro para a construção do seu império religioso, com a vergonhosa venda de indulgências (venda do perdão). Também temos a partir disso, como já vimos, a contra-reforma, o contra-ataque desses terríveis religiosos (a mesma classe de pessoas que crucificaram Jesus), criando a vergonhosa Inquisição, uma mancha negra na história feita pela “igreja cristã”.39 O Concilio de Trento decidiu que seriam queimados todos os livros que, de alguma maneira os denunciava. Esses malditos mercenários que agiam em nome de Deus, mandavam queimar também as pessoas que ousavam denunciá-los, acusando-os de hereges, bruxos. Na França, o rei mandou assassinar milhares de calvinistas na chamada Noite de São Bartolomeu. (...) Pessoas inteligentes fizeram uma pesquisa onde se somou o espaço físico de todas as igrejas que existem no mundo e então concluíram que se enchessem todas não caberia nem 2% da população mundial, ou seja, 98% das pessoas não estão nas igrejas, mas fora da porta como andava Jesus: “Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta. Saiamos pois a ele fora do arraial, levando o seu opróbrio. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a vindoura”.40 Ou seja, todos sabemos onde Jesus andava quando esteve aqui em carne e onde está agora e em qualquer tempo: no meio dos perdidos, fora de quatro paredes, com os pés na lama, junto com os enlameados, ou seja, fora da porta. Este não é um assunto nada fácil, pois derrubar muralhas de Jericó, ou fortalezas formadas desde a infância,41 como o são as tradições, os dogmas religiosos, isto é uma verdadeira guerra. A igreja de Cristo então (o Cristo Bíblico e não o da religião), os que “protestaram”, e por isso ficaram conhecidos como protestantes, foram para a periferia como sempre acontece, pois o homem terá que enxergar Jesus sem o “tapete vermelho”, montado em um jumentinho apenas, sem nenhuma formosura ou opulência aparente; terá que “enxergar” o seu Deus apesar d’Ele vir sem a aparência exterior, pois o Reino de Deus vem com aparência interior, sem alardes, publicidades, promessas políticas ou qualquer tipo de barganha, mas só pelo fato simples, maravilhoso e justo fato de se amar a 39 Colocamos no final fotos da tortura aos cristãos. 40 Hebreus 13:12/14. 41 II aos Cor 10.
  19. 19. 165 Deus sobre todas as coisas. Como é diferente a essência do Cristo bíblico! Ele alertou que viriam muitos em Seu nome. E por aí vai... Este tema que não se esgota, apesar de já termos escrito dois volumes sobre o assunto. Vemos de maneira impressionante, a divisão cada vez mais acentuada e acirrada no meio religioso. Uma igreja fala da outra e a outra fala da uma, cada vez mais e de maneira cada vez mais pungente. Uma afirma categoricamente que a outra é falsa, mostrando versículos e fartamente documentando a sua versão. Doutra sorte vemos esses líderes que se acusavam de maneira peremptória, decisiva e conclusiva, abraçando-se e declarando ao contrário, ou seja, fazendo acordos comerciais com aparência de um conserto, uniram suas forças e quem quiser que agüente, inclusive o Todo Poderoso. Todos já assistimos a politicagens e os politiqueiros. É a mesma cena de sempre. A hipocrisia reina, chavões (e palavrões também) abundam, títulos cada vez mais expressivos e todos querem alcançar o maior posto, é claro. Se auto-intitulam, intitulam-se uns aos outros e a distância da simplicidade de Deus vai aumentando também, cada vez mais, infelizmente. Se observarmos o grau de divisão na religião não poderemos deixar de ter a certeza de que este reino não é o de Deus, pois este não poderá subsistir: “25 Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse- lhes: Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá”.42 21.n.4 Fala Mônica Sampaio:43 De nada me farei escrava. Nem do dinheiro e muito menos do poder eclesiástico. 42 Mateus 12:25. 43 Escritora, radialista e fundadora do Blog dos “Sem Igreja” (este movimento cresce cada vez mais, também com outros nomes).
  20. 20. 166 “22 Pois aquele que foi chamado no Senhor, mesmo sendo escravo, é um liberto do Senhor; e assim também o que foi chamado sendo livre, escravo é de Cristo. 23 Por preço fostes comprados; mas vos façais escravos de homens. 24 Irmãos, cada um fique diante de Deus no estado em que foi chamado”.44 21.n.5 Fala “Guerreiro de Deus”:45 Hoje nas igrejas que se dizem cristãs evangélicas o nome de Cristo é pouco pronunciado. Basta observarmos os nomes das campanhas que giram em torno de Davi, Gideão, Salomão; dos 318; da Arca; da Rosa. Enfim, homens e objetos que podem inspirar ou encorajar aqueles que, enganados pela doutrina da prosperidade, esperam apenas os triunfos deste mundo. Os que praticam isso e se dizem evangélicos têm vergonha do Nome de Cristo. Não se vê a estratégia usada por João Batista, a quem Cristo testemunhou ser o maior Profeta nascido de mulher. E o que esse Profeta pregava? Qual era sua estratégia? Pregava arrependimento, mudança de vida... Certamente ele ficaria fora de muitas ou quiçá de todas as igrejas evangélicas com uma pregação dessas. Mas o que esses homens vêem como estratégias de crescimento está causando o crescimento de uma fé sem consistência e perigosamente frágil. 21.n.6 Fala Irineu de Lyon:46 O erro nunca se apresenta em toda sua nua crueza, a fim de não ser descoberto. Antes, veste-se elegantemente para que os incautos creiam que é mais verdadeiro do que a própria verdade. 44 I aos Cor 7. 45 Cristãos sem igreja/ Internet. 46 Irineu de Lyon – Via Bom Caminho –Internet.
  21. 21. 167 Dá para parar, diante de tudo isso? Falo sempre que não é bom que o homem esteja só e é por este motivo que estou sempre procurando de alguma maneira parcerias que venham “somar” ao que pregamos, para nos acrescentar e esclarecer mais e mais a questão. Colocamos aqui mais alguns pequenos trechos de alguns textos interessantes relacionados com o que conversamos: 21.n.7 Fala Maurício Scheinman Mais um para denunciar a fraude... 21.n.7.a Liberdade religiosa e escusa de consciência.47 (...) Qualquer que seja nossa compreensão do que seja a natureza humana, parece-nos indiscutível a aceitação de que existem direitos humanos inalienáveis, inderrogáveis e insubstituíveis e que não podem ser objeto de restrições ou limitações por parte de nenhum país, pessoa ou poder deste mundo. 47 Maurício Scheinman/ advogado em São Paulo, professor da Faculdade de Direito da PUC/SP, conselheiro departamental da PUC/SP, presidente da Comissão de Fiscalização e Defesa da Advocacia da OAB/SP.
  22. 22. 168 (...) Ao enfrentarmos estas questões, talvez possamos reconhecer o que Kant, em sua obra "Fundamentos para uma Metafísica dos Costumes", tenha apresentado uma boa resposta. Para Kant, o homem é o único ser capaz de orientar suas ações a partir de objetivos racionalmente concebidos e livremente desejados. A dignidade do ser humano consistiria em sua autonomia, que é a aptidão para formular as próprias regras de vida, ou seja, sua liberdade individual ou livre arbítrio. A noção de autonomia do indivíduo em relação aos demais membros de um determinado grupo social surgiu na História associada ao nascimento da Reforma Protestante. Pela primeira vez recuperou-se, em reformadores como Lutero, Calvino, Knox e outros, a consciência individual como sendo a suprema norteadora das ações humanas. Cada ser humano deve agir com base na sua própria consciência sendo responsável, neste mundo, por suas decisões individuais. O desenvolvimento dessa consciência ética individual colocou o livre arbítrio do ser humano, e a sua respectiva responsabilização terrena ou religiosa de seus atos, no epicentro de um movimento verdadeiramente revolucionário. Em lugar da tradição e da autoridade suprema do clero e da nobreza, colocou-se a soberania de cada indivíduo, em todos os aspectos relativos a sua vida íntima e social. Lançou-se, naquele momento, as bases daquilo que se chamaria soberania popular, em substituição à concepção de soberania da Igreja e do Monarca. É dentro dos marcos estabelecidos pela Reforma Protestante que surgiu o movimento em prol da declaração e do reconhecimento dos Direitos Humanos em sua primeira fase ("primeira geração"). Destacou-se a obra dos puritanos anglo-saxões que intentariam, posteriormente, fundar no Novo Continente, nos Estados Unidos, uma sociedade radicalmente contrária ao Estado monárquico-eclesiástico existente no Velho Mundo (Inglaterra), opressor dos indivíduos pela negação da sua liberdade de consciência e de religião. (...) Conforme bem esclarece Aldir Soriano, em ótima síntese acerca do tema, externada em palestra anteriormente proferida, "a questão da Liberdade Religiosa é extremamente complexa e delicada”. É complexa porque a compreensão desse tema depende de uma abordagem interdisciplinar e, por conseguinte, de incursões que vão além da ciência jurídica (direito), envolvendo, também, a história, a teologia, a antropologia, a ciência da religião e a filosofia. O tema é delicado porque revela o desafio de se conviver num mundo plural, em que a intolerância religiosa ainda está presente. (...) "Foi no século III d.C que a expressão liberdade religiosa – libertas religionis – foi, provavelmente, utilizada pela primeira vez, por Tertuliano, advogado convertido ao cristianismo e que passou a defender a liberdade religiosa em face dos abusos do Império Romano. A liberdade religiosa é, como se sabe, um direito humano fundamental, assegurado pelas Constituições dos diversos Estados democráticos e, também, por importantes
  23. 23. 169 declarações e tratados internacionais de direitos humanos. Contudo, estamos tratando, até aqui, de apenas uma acepção da liberdade religiosa. Há pelo menos mais duas acepções que devem ser abordadas. A liberdade religiosa comporta pelo menos três acepções: jurídica, teológica ou eclesiástica e bíblica. No que se refere à liberdade religiosa na acepção jurídica, a mesma compreende, essencialmente, a liberdade religiosa como um direito fundamental da pessoa humana. Nesse sentido, Segundo Jorge Miranda, a liberdade religiosa ocupa o cerne da problemática dos direitos humanos. Ora, no curso da história da humanidade, o direito à liberdade religiosa representa uma conquista extremamente recente. Pode ser identificada nas três fases da era dos direitos, mencionadas por Norberto Bobbio. Segundo o autor italiano, os direitos humanos "nascem como direitos naturais universais, desenvolvem-se como direitos positivos particulares, para finalmente encontrarem sua plena realização como direitos positivos universais". Como direito natural, a liberdade religiosa surgiu no século XVIII, com as primeiras declarações de direitos de 1776 (americana) e 1789 (francesa). Como direito efetivamente tutelado, a liberdade religiosa surgiu com a Constituição Americana. Como direito internacional, a liberdade religiosa surgiu no Segundo Pós-Guerra, com o desenvolvimento do sistema global de proteção aos direitos humanos ligado à Organização das Nações Unidas – ONU. O discurso teológico da liberdade religiosa compreende uma doutrina teológica na qual só se reconhecem os direitos nos limites da Igreja Católica. Essa doutrina foi fundamentada no pensamento de Santo Agostinho (Guerra Justa) e de Santo Tomás de Aquino. A liberdade religiosa no sentido bíblico é um "Dom de Deus", como observa John Graz. O Criador concedeu o livre arbítrio para os homens. "Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade".48 “Porém, todos prestarão conta a Deus". Portanto, nas três acepções da liberdade religiosa, quando uma instituição, como uma Universidade, impõe a um discente a condição de renunciar, mesmo que temporariamente, sua crença para que possa conservar o direito de graduar-se, está, inquestionavelmente, limitando, restringindo, a liberdade desse aluno. Desta maneira, na busca por uma sociedade mais justa, nada mais natural que sejam observados os princípios fundamentais que norteiam a liberdade religiosa. Nas palavras de Rui Barbosa: "Onde há liberdade religiosa como na Constituição brasileira e na americana, não há, nem pode haver, questão religiosa. A liberdade e a Religião são sociais, não inimigas. Não há religião sem liberdade. Nasci na crença de que o mundo não é só matéria e movimento, os fatos morais não são um mero produto humano. O estudo e o tempo me convenceram que as leis do Cosmos sejam incompatíveis com uma causa suprema, de que todas as coisas dependem". 48 II aos Cor 3:17.
  24. 24. 170 Finalmente, de importância crucial é o art. 5º da Constituição Federal que traz em seus incisos VI, VII e VIII, dispositivos sobre liberdade religiosa, como segue: "Artigo 5º. VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença; VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei". Impõe-se notar, também, que os direitos e garantias fundamentais têm eficácia plena e aplicabilidade imediata, independendo, portanto, de qualquer outra norma infra-constitucional ou manifestação do Poder Público para produzir efeitos. Neste sentido, é claro o texto constitucional, em seu artigo 5°, § 1°, verbis: "As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata". Ou seja, liberdade religiosa é um direito natural, é dom de Deus e positivada, é universal e individual. 21.n.8 Liberdade religiosa face a práticas criminosas49 49 Claude Pasteur de Andrade Faria/ Engenheiro eletricista. Advogado. Ouvidor e Assessor de Convênios e Relações Institucionais do CREA/SC.
  25. 25. 171 Muito se tem debatido acerca de uma questão essencialmente ligada à vivência democrática e que envolve a liberdade religiosa frente à laicidade do Estado. Teria o Poder Público o direito de interferir em questões normativas ou prescritivas da fé, coibindo práticas consideradas abusivas e até mesmo criminosas, mesmo que a Constituição garanta a liberdade de crença e a separação Estado - Igreja? Não há resposta fácil para essa pergunta, o que não significa que não deva ser buscada. Em artigo recentemente publicado em uma revista jurídica, a autora referindo-se à posição adotada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, com relação ao uso da burca pelas mulheres muçulmanas, defendeu uma restrição praticamente absoluta à interferência do Estado em questões de doutrinas e práticas religiosas, invocando, com base no direito constitucional, a não ingerência estatal nas normas internas das igrejas e em suas doutrinas teológicas, por mais absurdas que possam parecer. Segundo a articulista, "aceitar tese em sentido contrário equivale a dizer que as doutrinas da fé, para serem legítimas, precisam adequar-se à Constituição, o que transfere ao Estado a inaceitável condição de censor das crenças". Aparentemente, essa posição é irretocável, pelo menos no que se refere ao Brasil, pois tem base constitucional. De fato, não cabe ao Estado normalizar procedimentos ou práticas religiosas, nem adotar uma religião ou uma identificação simbólica que a ela se vincule. Sob esse prisma, a perpetuação dos crucifixos e demais símbolos religiosos em prédios públicos é totalmente inaceitável. Há, contudo, um aspecto sobre o qual os políticos, os estudiosos do Direito e das demais ciências humanas e sociais deveriam se debruçar com mais profundidade. Até que ponto podem ser aceitas e toleradas tradições religiosas que conflitam com o ordenamento jurídico de um país? Refiro-me, em especial, à comemoração muçulmana xiita que ocorre anualmente no dia da Ashura (o décimo dia), em memória do martírio e morte de Husayn ibn Ali, neto do profeta Maomé, fundador do islamismo. Esse fato ocorreu em 10 de outubro de 680 da nossa era, ou seja, há cerca de 1.330 anos, mas, mesmo assim, os xiitas o lamentam como se tivesse ocorrido ontem. Nesse dia, dezenas de milhares de muçulmanos xiitas em diversos países, não só nas regiões arábica, mediterrânea e asiática, mas também na Europa e nas Américas, se auto flagelam em homenagem ao martírio de seu vetusto líder. Mas não é só isto: crianças também são flageladas (somente meninos), por meio de cortes em suas cabeças, até que
  26. 26. 172 copiosos filetes de sangue lhes escorram pelas faces aterrorizadas. Imagens dessa insanidade coletiva são mostradas anualmente em todas as televisões do mundo e correm soltas pela internet, para o nosso horror. Até que ponto os governos dos países civilizados devem compactuar com esta e com outras práticas semelhantes, que, mesmo tendo natureza religiosa, são criminosas? Em nosso país não seria difícil capitulá-las em vários artigos do Código Penal e do Estatuto do Adolescente e da Criança. Além disso, essas "tradições religiosas" ferem tratados internacionais de proteção aos direitos das crianças, dos quais a maioria dos países civilizados é signatária, entre eles o Brasil. A cláusula de separação entre o Estado e as confissões religiosas não pode servir de escudo para proteger práticas criminosas, quaisquer que sejam suas motivações. Agredir, ferir, maltratar e humilhar crianças indefesas é crime e, como tal, deve ser punido. Não se trata de hostilizar a fé, mas sim de garantir a proteção constitucional dos direitos das crianças (e, por que também não dizer, das mulheres, menosprezadas e muitas vezes maltratadas pelas grandes religiões monoteístas). Quando há um conflito entre normas de igual valor constitucional, umas não derrogam as outras; ao contrário, todas continuam válidas no ordenamento jurídico, cabendo aos intérpretes da lei, em especial o Poder Judiciário, aplicar os princípios igualmente constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade para aferir, no caso concreto, qual das normas há de prevalecer sobre as demais. Assim, havendo confronto entre o princípio da liberdade de crença e o da proteção aos direitos humanos, em especial os das crianças, há de sempre prevalecer o segundo, em homenagem ao princípio maior da dignidade humana, que no direito positivo brasileiro está petrificado no primeiro artigo da nossa Carta Magna, em seu inciso III, como que a nos mostrar um caminho, um guia seguro, logo na abertura do texto maior, que deve nortear a aplicação de todos os demais princípios, valores e comandos constitucionais. Em que pese a respeitabilidade dos juristas e dos outros estudiosos que defendem a separação absoluta e a não intervenção do Estado em assuntos religiosos, não vejo como possa prosperar, no mundo civilizado ao qual pertencemos, ou pretendemos pertencer, a idéia de que se possam tolerar práticas criminosas medievais em nome da fé. Nada justifica o martírio e o sofrimento de inocentes, e o Estado deve coibi-los com todo o rigor. 21.n.9 Reforma E Contra Reforma50 Continuamos insistindo no tema... 21.n.9.a Fatores que impulsionaram o movimento da reforma 50 sobre História Por Algosobreconteudo@algosobre.com.br
  27. 27. 173 No início do século XVI, a mudança na mentalidade das sociedades européias repercutiu também no campo religioso. A Igreja, tão onipotente na Europa medieval, foi duramente criticada. A instituição católica estava em descompasso com as transformações de seu tempo. Por exemplo, condenava o luxo excessivo e a usura. Além disso, uma série de questões propriamente religiosas colocavam a Igreja como alvo da crítica da sociedade: a corrupção do alto clero, a ignorância religiosa dos padres comuns e os novos estudos teológicos. As graves críticas a Igreja já não permitiam apenas consertar internamente a casa. As insatisfações acumularam- se de tal maneira que desencadearam um movimento de ruptura na unidade cristã: a REFORMA PROTESTANTE. Assim, a Reforma foi motivada por um complexo de causa que ultrapassaram os limites da mera contestação religiosa. Vejamos detalhadamente algumas dessas causas. 21.n.9.b Novas interpretações da Bíblia Com a difusão da imprensa, aumentou o número de exemplares da Bíblia disponíveis aos estudiosos, e um clima de reflexão crítica e de inquietação espiritual espalhou-se entre os cristãos europeus. Surgia, assim, uma nova vontade individual de entender as verdades divinas, sem a intermediação dos padres. Desse novo espírito de interiorização da religião, que levou ao livre exame das Escrituras, nasceram diferentes interpretações da doutrina cristã. Nesse sentido, podemos citar, por exemplo, uma corrente religiosa que, apoiada na obra de Santo Agostinho, afirmava que a salvação do homem seria alcançada somente pela fé. Essas idéias opunham-se à posição oficial da Igreja, baseada em Santo Tomás de Aquino, pela qual a salvação do homem era alcançada pela fé e pelas boas obras. 21.n.9.c Corrupção do Clero Analisando o comportamento do clero, diversos cristãos passaram a condenar energicamente os abusos e as corrupções. O alto clero de Roma estimulava negócios envolvendo religião, como, por exemplo, a simonia (venda de objetos sagrados) tais como espinhos falsos, que coroaram a fronte de Cristo, panos que teriam embebido o sangue de seu rosto, objetos pessoais dos santos, etc.
  28. 28. 174 Além do comércio de relíquias sagradas, a Igreja passou a vender indulgências (o perdão dos pecados). Mediante certo pagamento destinado a financiar obras da Igreja, os fiéis poderiam "comprar" a sua salvação. No plano moral, inúmeros membros da Igreja também eram objeto de críticas. Multiplicavam-se os casos de padres envolvidos em escândalos amorosos, de monges bêbados e de bispos que vendiam os sacramentos, acumulando riquezas pessoais. Esse mau comportamento do clero representava sério problema ético-religioso, pois a Igreja dizia que os sacerdotes eram os intermediários entre os homens e Deus. 21.n.9.d Nova ética religiosa A Igreja católica, durante o período medieval, condenava o lucro excessivo (a usura) e defendia o preço justo. Essa moral econômica entrava em choque com a ganância da burguesia. Grande número de comerciantes não se sentia à vontade para tirar o lucro máximo nos negócios, pois temiam ir para o inferno. Os defensores dos grandes lucros econômicos necessitavam de uma nova ética religiosa, adequada ao espírito capitalista comercial. Essa necessidade da burguesia foi atendida, em grande parte, pela ética protestante, que surgiu com a Reforma. 21.n.9.e Sentimento nacionalista Com o fortalecimento das monarquias nacionais, os reis passaram a encarar a Igreja, que tinha sede em Roma e utilizava o latim, como entidade estrangeira que interferia em seus países. A Igreja, por seu lado, insistia em se apresentar como instituição universal que unia o mundo cristão. Essa noção de universalidade, entretanto, perdia força à medida que crescia o sentimento nacionalista. Cada Estado, com sua língua, seu povo e suas tradições, estava mais interessado em afirmar as diferenças do que as semelhanças em relação a outros Estados. A Reforma Protestante correspondeu a esses interesses nacionalistas. A doutrina cristã dos reformadores, por exemplo, foi divulgada na língua nacional de cada país e não tem latim, o idioma oficial da Igreja católica. 21.n.9.f Contra-reforma 21.n.9.f.1 A Reação católica contra o avanço protestante Diante dos movimentos protestantes, a reação inicial e imediata da Igreja católica foi punir os rebeldes, na esperança de que as idéias reformistas não se propagassem e o mundo cristão recuperasse a unidade perdida. Essa tática, entretanto, não obteve bons resultados.
  29. 29. 175 O movimento protestante avançou pela Europa, conquistando crescente número de seguidores. Diante disso, ganhou força um amplo movimento de moralização do clero e de reorganização das estruturas administrativas da Igreja católica, que ficou conhecido como Reforma Católica ou Contra-Reforma. Seus principais líderes foram os papas Paulo III (1534-1549), Paulo IV (1555-1559), Pio V (1566-1572) e Xisto V (1585-1590). Um conjunto de medidas foram adotadas pelos líderes da Contra-Reforma, tendo em vista deter o avanço do protestantismo. Entre essas medidas, destacam-se a aprovação da ordem dos jesuítas, a convocação do Concílio de Trento e o restabelecimento da Inquisição. 21.n.9.f.2 Ordem dos Jesuítas No ano de 1540, o papa Paulo III aprovou a criação da ordem dos jesuítas ou Companhia de Jesus, fundada pelo militar espanhol Inácio de Loyola, em 1534. Inspirando-se na estrutura militar, os jesuítas consideravam-se os "soldados da Igreja", cuja missão era combater a expansão do protestantismo. O combate deveria ser travado com as armas do espírito, e para isso Inácio de Loyola escreveu um livro básico, Os Exércitos Espirituais, propondo a conversão das pessoas ao catolicismo, mediante técnicas de contemplação. A criação de escolas religiosas também foi um dos instrumentos da estratégia dos jesuítas. Outra arma utilizada foi a catequese dos não-cristãos, com os jesuítas empenhando-se em converter ao catolicismo os povos dos continentes recém-descobertos. O Objetivo era expandir o domínio católico para os demais continentes. 21.n.9.f.3 Concílio de Trento
  30. 30. 176 No ano de 1545, o papa Paulo III convocou um concílio (reunião de bispos), cujas primeiras reuniões foram realizadas na cidade de Trento, na Itália. Ao final de longos anos de trabalho, terminados em 1563, o concílio apresentou um conjunto de decisões destinadas a garantir a unidade da fé católica e a disciplina eclesiástica. Reagindo às idéias protestantes, o Concílio de Trento reafirmou diversos pontos da doutrina católica, como por exemplo: I. a salvação humana: depende da fé e das boas obras humanas. Rejeita-se, portanto a doutrina da predestinação; II. a fonte da fé: o dogma religioso tem como fonte a Bíblia (cabendo à Igreja dar-lhe a interpretação correta) e a tradição religiosa (conservada e transmitida pela igreja). O papa reafirmava sua posição de sucessor de Pedro, a quem Jesus Cristo confiou a construção de sua Igreja; III. a missa e a presença de Cristo: a Igreja reafirmou que o ato da eucaristia ocorria a presença de Jesus no Pão e no Vinho. Essa presença real de Cristo era rejeitada pelos protestantes. O Concílio de Trento determinou, ainda, a elaboração de um catecismo com os pontos fundamentais da doutrina católica, a criação de seminários para a formação dos sacerdotes e manutenção dos celibatos sacerdotal. No ano de 1231, a Igreja católica havia criado os tribunais da Inquisição, que, com o tempo, reduziram suas atividades em diversos países. Entretanto, com o avanço do protestantismo, a Igreja reativou, em meados do século XVI, a Inquisição. Esta passou a se encarregar, por exemplo, de organizar uma lista de livros proibidos aos católicos, o Index librorum prohibitorum. Uma das primeiras relações de livros proibidos foi publicada em 1564.
  31. 31. 177 21.n.10 Fatores Religiosos Preponderantes que Ocasionaram a Reforma:51 Um pouquinho mais de parceria... se você suportar, LEIA, e se suportar mais ainda, leia o livro todo. Os problemas religiosos e principalmente internos da Igreja vinham de longa data. Em 1420 São Bernardino relata o estado deplorável da igreja narrando que a vida pecaminosa de monges, freiras, frades e clero secular, faziam com que as pessoas ficassem abaladas, de forma que a fé era enfraquecida e a crença não alcançava lugar mais alto que o telhado de suas casas; não consideravam verdadeiras as coisas escritas acerca da fé, têm-nas escritas por homens enganadores. São Bernardino prossegue afirmando que: “Temem o inferno ou desejam o céu, mas agarram-se de todo o coração às coisas transitórias, e decidem que este mundo será seu paraíso”. Um século antes, o dominicano John Bromyard fez o seguinte comentário de seus irmãos frades: “Aqueles que deviam ser os pais dos pobres... cobiçam as comidas requintadas e apreciam o sono matinal... Muito poucos condescendem em estar presentes às matinas ou à missa... Estão gastos de glutonaria e embriaguez... para não dizer de sujeira, e por isso agora as reuniões de clérigos dão a impressão de bordéis de gente lasciva e congregações de atores de teatro”. A forma adulterada como a palavra era ensinada contribuiu muito para o desprezo da Igreja dirigida pelos papas, vários séculos de deturpação da vontade divina encontraram eco em vários pensamentos de homens e mulheres de Deus, mas foi no período da reforma que esses erros puderam ser ouvidos e reparados: Essa igreja permitiu que o Evangelho fosse substituído por uma religião de ritos sacramentais que outorgavam uma salvação mágica; relíquias milagrosas; vestimentas aparatosas; maldições e absolvição dos sacerdotes. O protesto contra tudo isso apareceu nesse período. O papado se encontrava em declínio, a Igreja Romana havia perdido muito o seu conceito junto aos leigos, segundo CAIRNS, e isso se deu porque: A organização hierárquica, com suas exigências de celibato e obediência absoluta ao papa, e a feudalização da Igreja Romana provocaram um declínio na moral e na moralidade dos clérigos. O celibato contrariava os instintos naturais do homem e as afirmações bíblicas em favor do casamento. Apesar desses desencantos verificados dentro da igreja medieval, que eram muitos, é inegável, também, que mesmo em meio aos 51 Estudos/Mensagens/ Internet/ www.assembléiadedeuslondrina.com.br/ estudos/ monografia: Reforma Protestante. Htm./ Valdecir Martins de Sousa (e- mail:valtins@aol.com)/ Membro da IEAD – Londrina/ Academia do Curso de Bacharel em Teologia (Faculdade Teológica Sul Americana)/ Graduado em Administração de Empresas – UEL/ Especialista em logística Comportamental das Organizações – CESULON (atual UNIFIL)/ Especialista em Direito Tributário – UEL. .
  32. 32. 178 desmandos da Igreja Romana existiram pessoas que conservaram o cristianismo genuíno, o que possibilitou no tempo certo o florescimento da reforma, de acordo com Amaral. De certa maneira, durante algumas centenas de anos, tanto se firmava na igreja uma situação que fazia distanciar-se de suas fontes vivas e de sua vocação espiritual como também paralelamente crescia em vigor uma corrente – complexa, heterogênea, obediente a impulsos profundos – que ansiava por transformações mais radicais. No Séc. XVI, a igreja alcança, para sua renovação, a “plenitude dos tempos”. A questão da imoralidade sexual reinante no seio da Igreja Católica Romana nos séculos antecedentes à reforma, saltava aos olhos de qualquer pessoa centrada na fé cristã. Os erros eram gritantes e não se coadunavam com aquilo que se pregava e se exigia dos fiéis. Tal situação foi assim retratada por Gonzalez: “Os filhos bastardos dos bispos se moviam no meio da nobreza, reclamando abertamente o sangue de que eram herdeiros”. Isso ocorria em todos os setores da Igreja, independente da hierarquia. Gonzalez prossegue descrevendo que: Se isso ocorria no alto clero, a situação não era melhor entre os padres paroquianos, muitos dos quais viviam publicamente com suas concubinas e filhos. E visto que tal situação não tinha a permanência do casamento, eram muitos os sacerdotes que tinham filhos de várias mulheres. Toda essa situação causava revolta até mesmo em algumas autoridades reais até poucos anos antes da reforma. Surgem então, personagens que vêm combater essa permissividade, entre as quais citamos Isabel e Fernando na Espanha, os quais contribuíram para o crescimento do conhecimento e assim, tentaram combater as discrepâncias existentes na Igreja de sua época. Outra questão religiosa relevante era a nomeação de autoridades eclesiásticas. O Estado se confundia com a Igreja e muitos dirigentes ocupavam tanto a direção eclesiástica como a civil: “... vinham de famílias nobres acostumadas a moral fácil e luxo; cobravam impostos e gastavam como príncipes... Os cardeais raramente eram escolhidos por sua piedade, geralmente por sua riqueza ou relações políticas...” (DURANT). Outro problema grave nas nomeações de clérigos era a venda de cargos eclesiásticos que fazia com que as autoridades religiosas não fossem respeitadas pelo povo. No entanto, muitos homens de Deus se levantaram contra os erros da Igreja, dentre eles destacaremos John Wycliffe e John Huss. Ainda no século XIV, John Wycliffe, que era padre e professor na Universidade de Oxford, protestou contra a Igreja e na tentativa de trazer maior conhecimento ao povo; seus seguidores traduziram a Bíblia do latim para o inglês em 1382, tendo sido distribuídas cópias pelo país. Mas não foi só isso, segundo CAIRNS, Wycliffe: Cristo era o dirigente da igreja. Afirmou que a Bíblia e não a Igreja era a autoridade única para o crente e que a Igreja Romana deveria se modelar segundo o padrão da Igreja do Novo Testamento. 21.n.11 O Grande Conflito
  33. 33. 179 Colocamos também, querendo de alguma maneira nos aproximar o mais possível do todos os parceiros que, de alguma maneira compartilham sobre coisas sublimes, alguns pequenos trechos do livro “O Grande Conflito”52 , e com isso firmando a nossa observação em relação à semelhança da época de M Lutero e a de que estamos vivendo. Estes são fatos reais. São provas impressas na história para que os homens entendam o tanto de desgraça que a religião trouxe e trás ao mundo, em nome de Deus. Quando citamos M Lutero estamos resumindo e focalizando a questão que é mais notória e identificada através do seu nome, porém, antes e depois dele houve muitos mártires lutando pela mesma causa, homens dos quais, segundo a Bíblia, o mundo não era digno. Evidentemente não estamos discutindo religiões, mas falando de JUSTIÇA, e se o leitor se sentir ferido por estar de alguma maneira entendendo que está sendo aviltada a sua religião, saiba com certeza que está no engano, pois a JUSTIÇA extrapola bairrismos e partidarismos. Observemos a semelhança e meditemos sobre o assunto que é muitíssimo da nossa conta: (p.20) Os discípulos haviam sido possuídos de admiração ante a profecia de Cristo acerca da destruição do templo e desejarem compreender o significado de Suas palavras. Herodes, o Grande, empregara no templo tanto riquezas romanas quanto tesouros judaicos. Blocos maciços de mármore branco, provenientes de Roma, formavam parte de sua estrutura. Os discípulos chamaram a atenção do Mestre, dizendo:”Que pedras, que construções!”53 (p.29) Os cristãos primitivos eram na verdade um povo peculiar. Poucos em número, destituídos de riqueza, posição ou títulos honoríficos, eram odiados pelos ímpios, como Abel o foi por Caim.54 Desde os dias de Cristo até hoje, os fiéis discípulos têm suscitado ódio e oposição dos que amam o pecado. (p.30) Muitos que são fracos na fé estão prontos a lançar de si a confiança em Deus pelo fato de Ele permitir que os ímpios prosperem, ao passo que os melhores e mais puros são atormentados pelo cruel poder daqueles. Como pode alguém que é justo e misericordioso, e infinito em poder, tolerar tal injustiça? Deus nos deu suficiente evidência de Seu amor. Não devemos duvidar de Sua bondade por não podermos compreender Sua providência. Disse o Salvador: “20 Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa.”55 Os que são chamados 52 Ellen G. White; Tradução: Hélio L. grellmann; Casa Publicadora Brasileira; Tatuí/SP; 7ª Ed. 53 Marcos 13:1 54 Gênesis 4:1 a 10 55 João 15:20
  34. 34. 180 a suportar a tortura e o martírio estão apenas seguindo as pegadas do dileto Filho de Deus. (p.30) Paulo declara que: “12 E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições.”56 Por que, pois, parece a perseguição grandemente adormecida? A única razão é que a igreja se conformou com a norma do mundo, de modo que não suscita oposição. A religião de nossos dias não é do caráter puro e santo que assinalou a fé cristã nos dias de Cristo e Seus apóstolos. Por serem as verdades da Palavra de Deus tão indiferentemente consideradas, por haver tão pouca piedade vital na igreja, é que o cristianismo é aparentemente tão popular no mundo. Haja um reavivamento da fé da igreja primitiva, e os fogos da perseguição serão novamente acesos. (p.32) Cessada a perseguição, o cristianismo pôs de parte a humildade simplicidade de Cristo, em troca da pompa e orgulho dos sacerdotes e governadores pagãos. A conversão nominal de Constantino causou grande regozijo. Progrediu rapidamente a obra de corrupção. O paganismo, conquanto parecesse suplantado, tornou-se o vencedor. Suas doutrinas e superstições se incorporam à fé dos professos seguidores de Cristo. (p.42) Por trás dos elevados baluartes das montanhas, os valdenses encontraram esconderijo. Aqueles fiéis exilados apontavam a seus filhos as alturas sobranceiras, em sua imutável majestade, e falavam- lhes d’Aquele cuja palavra é tão perdurável como os montes eternos. Deus estabelecera firmemente as montanhas; braço algum, senão o do Poder Infinito, poderia movê-las do lugar. De igual maneira estabelecera Ele a Sua lei. O braço humano seria tão impotente para desarraigar as montanhas e lançá-las no mar, quanto para modificar um só preceito da lei de Deus. Esses peregrinos não condescendiam com murmurações por causa das agruras da sorte; nunca se sentiam abandonados na solidão das montanhas. Regozijavam-se na liberdade de prestar culto. De muitos rochedos elevados entoavam eles louvores a Deus, e os exércitos de Roma não eram capazes de fazer silenciar seus cânticos de ações de graças. (p.43) As igrejas valdenses se assemelhavam à igreja dos tempos apostólicos. Rejeitando a supremacia do papa e prelados, mantinham a Bíblia como a única autoridade infalível. Seus pastores, diferentes dos altivos sacerdotes de Roma, alimentavam o rebanho de Deus, guiando-o às verdes pastagens e fontes vivas de Sua santa Palavra. O povo congregava-se, não em igrejas suntuosas ou grandes catedrais, mas nos vales alpinos ou, em tempos de perigo, em alguma fortaleza rochosa, a fim de escutar as palavras da verdade proferidas pelos servos de Cristo. Os pastores não apenas pregavam o evangelho; visitavam os enfermos e labutavam para promover harmonia e amor fraternal. Como Paulo, o fabricante de tendas, cada Qual aprendia um ofício ou 56 II Timóteo 3:12
  35. 35. 181 profissão, mediante a qual, sendo necessário, proveria o sustento próprio. (p.45) Os ensinos dos papas e sacerdotes haviam levado os homens a considerar a Deus e até mesmo a Cristo como severos e repelentes, e assim destituídos de simpatia para com o homem, de modo que devia ser invocada a mediação de sacerdotes e santos. Aqueles cuja mente havia sido iluminada, almejavam remover os obstáculos que Satanás havia acumulado, para que os homens pudessem ir diretamente a Deus, confessando os pecados e obtendo perdão a paz. (p. 47) Determinando-se Roma a exterminar a odiada seita, uma bula [edito] foi promulgada pelo papa, condenando-os como hereges e entregando-os ao morticínio. Não eram acusados como ociosos, ou desonestos, ou desordeiros; mas declarava-se que tinham uma aparência de piedade e santidade que seduzia “as ovelhas do verdadeiro aprisco”. Essa bula convocava todos os membros da igreja para se unirem contra os hereges. Como incentivo, o texto “desobrigava a todos os que se unissem à cruzada, de qualquer juramente que pudessem ter feito; legitimava seu direito a qualquer propriedade que pudessem ter adquirido ilegalmente, e prometia remissão de todos os pecados aos que matassem algum herege. Anulava todos os contratos feitos em favor dos valdenses, proibia toda pessoa a dar-lhes qualquer auxílio que fosse e a todos permitia tomar posse da propriedade deles”. Esse documento revela claramente o bramido do dragão, e não a voz de Cristo. O mesmo espírito que crucificou a Cristo e matou os apóstolos, que impulsionou o sanguinário Nero contra os fiéis de seu tempo, estava em operação a fim de exterminar da Terra os que eram amados de Deus. Apesar das cruzadas contra eles e da desumana carnificina a que foram sujeitos, esse povo temente a Deus prosseguiu enviando seus missionários a espalhar a preciosa verdade. Eram perseguidos até a morte, contudo seu sangue regava a semente lançada, e esta produziu fruto. Assim os valdenses testemunharam de Deus séculos antes de Lutero. Plantaram a semente da Reforma que se iniciou no tempo de Wycliffe, que cresceu larga e profundamente nos dias de Lutero, e deve ser levada avante até o final do tempo. (p.50) Wycliffe, com intuição clara, feriu a raiz do mal, declarando que o próprio sistema era falso e deveria ser abolido. Despertavam- se discussões e indagações. Muitos se perguntavam se não deveriam buscar o perdão de Deus, em vez de procurá-lo junto ao pontífice de Roma. “Os monges e sacerdotes de Roma”, diziam eles, “estão nos comendo como um câncer. Deus deve livrar-nos, ou o povo perecerá”. Os monges mendicantes alegavam estar seguindo o exemplo do Salvador, declarando que Jesus e os discípulos haviam sido sustentados pela caridade do povo. Esta alegação levou muitos à Bíblia, a fim de saberem por si mesmos a verdade. (p.61) Numa carta dirigida aos amigos, disse ele: “Meus irmãos, ...parto com um salvo-conduto do rei, ao encontro de meus
  36. 36. 182 numerosos e mortais inimigos. ...Jesus Cristo sofreu por Seus bem- amados; deveríamos, pois, estranhar que Ele nos tenha deixado Seu exemplo? ...Portanto, amados, se minha morte deve contribuir para a Sua glória, orai para que ela venha rapidamente, e para que Ele possa habilitar-me a suportar com lealdade todas as minhas calamidades. ... Oremos a Deus...para que eu não suprima um til da verdade do evangelho, a fim de deixar a meus irmãos um excelente exemplo a seguir”. Noutra carta, Hussa falou com humildade de seus próprios erros, acusando-se de “ter sentido prazer em usar ricas decorações e haver despendido horas em ocupações frívolas”. Acrescentou, então: “Que a glória de Deus e a salvação das almas ocupem tua mente, e não a posse de benefícios e bens. Acautela-te de adornar tua casa mais do que tua alma; e, acima de tudo, dá teu cuidado ao edifício espiritual. Sê piedoso e humilde para com os pobres, e não consumas teus haveres em festas”. (p.63) Chamado à decisão final, Huss declarou recusar-se a abjurar. Fixando o olhar penetrante no imperador cuja palavra empenhada fora tão vergonhosamente violada, declarou: “Decidi-me, de espontânea vontade, comparecer perante este concílio, sob a pública proteção e fé do imperador aqui presente.” Intenso rubor avermelhou o rosto de Sigismundo quando o olhar de todos convergiu para ele. Pronunciada a sentença, iniciou-se a cerimônia de degradação. Sendo de novo exortado a retratar-se, Huss replicou, volvendo-se para o povo: “Com que cara, pois, contemplaria eu os Céus? Como olharia para as multidões de homens a quem preguei o evangelho puro? Não! Aprecio a sua salvação mais do que este pobre corpo, ora destinado à morte”. As vestes sacerdotais foram removidas uma a uma, e cada bispo pronunciava uma maldição ao realizar sua parte na cerimônia. Finalmente, “puseram-lhe sobre a cabeça uma carapuça ou mitra de papel em forma piramidal, em que estavam desenhadas horrendas figuras de demônios, com a palavra ‘Arqui-herege’ bem visível na frente. ‘Com muito prazer’, disse Huss, ‘levarei sobre a cabeça esta coroa de ignomínia por Teu amor, ó Jesus, que por mim levaste uma coroa de espinhos.” Foi então levado para o lugar da execução. Imenso séquito acompanhou-o. Quando tudo estava pronto para ser aceso o fogo, uma vez mais foi ele exortado a renunciar a seus erros. “A que erros”, disse Huss, “renunciarei eu? Não me julgo culpado de nenhum. Invoco a Deus para testemunhar que tudo que escrevi e preguei foi feito com o fim de livrar almas do pecado e perdição; e, portanto, muito alegremente confirmarei com meu sangue a verdade que escrevi e preguei”. Quando as chamas começaram a envolvê-lo, pôs-se a cantar: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim”, e assim prosseguiu (pág. 64) até que sua voz silenciou para sempre. Um zeloso adepto de Roma, que testemunhou a morte de Huss e a de Jerônimo, que ocorreu pouco depois, disse: “Preparam-se para o fogo como se fosse para uma festa de casamento. Não soltaram nenhum grito de dor. Ao levantarem-se as chamas, começaram a cantar hinos, e mal podia a veemência do fogo fazer silenciar o seu canto.”
  37. 37. 183 (p.64) A violação do salvo-conduto de Huss suscitara uma tempestade de indignação. O concílio decidiu, em vez de queimar Jerônimo, obrigá-lo a retratar-se. Ofereceu-lhe a alternativa de abjurar ou morrer na fogueira. Enfraquecido pela moléstia, pelos rigores do cárcere e pela tortura de ansiedade e apreensão, separado dos amigos (pág. 65) e desanimado pela morte de Huss, a fortaleza de Jerônimo cedeu. (p.65) Comprometeu-se a aderir à fé católica e aceitou o voto do concílio ao este condenar as doutrinas de Wycliffe e de Huss, exceção feita, contudo, às “sagradas verdades” que eles haviam ensinado. Mas na solidão do calabouço ele viu mais claramente o que havia feito. Pensou na coragem e fidelidade de Huss e, em contraste, refletiu em sua própria negação da verdade. Pensou no divino Mestre que por amor a ele suportara a morte na cruz. Antes de sua retratação encontrara conforto, em todos os sofrimentos, na certeza do favor de Deus. Agora, porém, o remorso e a dúvida lhe torturavam a alma. Sabia que outras retratações ainda teriam de ser feitas antes que pudesse estar em paz com Roma. O caminho em que estava entrando apenas poderia terminar em completa apostasia. Logo foi ele novamente levado perante o concílio. Sua submissão não satisfizera os juízes. Apenas renunciando sem reservas à verdade poderia Jerônimo preservar a vida. Decidira-se, porém, a confessar sua fé e seguir às chamas seu mártir. Renunciou à abjuração anterior e, como moribundo, exigiu solenemente a oportunidade de apresentar sua defesa. Os prelados insistiram em que ele meramente afirmasse ou negasse as acusações lançadas contra sua pessoa. Jerônimo protestou contra tal crueldade e injustiça: “Conservastes- me encerrado durante trezentos e quarenta dias numa horrível prisão”, disse ele, “trazeis-me depois diante de vós e, dando ouvidos a meus inimigos mortais, recusai-vos a ouvir-me... Tende cuidado em não pecar contra a justiça, falo menos por mim do que por vós”. Seu pedido foi finalmente atendido. Na presença dos juízes, Jerônimo ajoelhou-se e pediu que o divino Espírito lhe dirigisse os pensamentos, de modo que nada falasse contrário à verdade ou indigno de seu Mestre. Para ele neste dia cumpriu-se a promessa: “19 Mas, quando vos entregarem, não cuideis de como, ou o que haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis de dizer. 20 Porque não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós”.57 Jerônimo havia estado durante um ano inteiro numa masmorra, impossibilitado de ler ou mesmo ver. No entanto, seus argumentos (pág. 66) foram apresentados com tanta clareza e força como se houvesse tido oportunidade tranqüila para o estudo. Indicou aos ouvintes a longa série de homens santos que haviam sido condenados por juízes injustos. Em quase todas as gerações houve aqueles que procuraram elevar o povo de seu tempo, e,que foram rejeitados. O próprio Cristo era condenado como malfeitor, por um tribunal injusto. 57 Mateus 10:19 e 20
  38. 38. 184 (p.66) Jerônimo declarou agora o seu arrependimento e deu testemunho da inocência e santidade do mártir Huss. “Conheci-o desde a meninice”, disse ele. “Foi um homem excelente, justo e santo; foi condenado, a despeito de sua inocência. ...Estou pronto para morrer. Não recuarei diante dos tormentos que me estão preparados por meus inimigos e falsas testemunhas, que um dia terão de prestar contas de suas imposturas perante o grande Deus, a quem nada pode enganar”. Jerônimo prosseguiu: “De todos os pecados que tenho cometido desde minha juventude, nenhum pesa tão gravemente em meu espírito e me causa tão pungente remorso, como aquele que cometi neste lugar fatídico, quando aprovei a iníqua sentença dada contra Wycliffe e contra o santo mártir, João Huss, meu mestre e amigo. Sim! Confesso-o de todo o coração e declaro com horror, que desgraçadamente fraquejei quando, por medo da morte, condenei suas doutrinas. Portanto, suplico... a Deus todo-poderoso, Se digne perdoar meus pecados, e em particular este, o mais hediondo de todos”. Apontando para os juízes, disse com firmeza: “Condenastes Wycliffe e João Huss... As coisas que eles afirmaram, e que são irrefutáveis, eu também as entendo e declaro como eles”. Suas palavras foram interrompidas. Os prelados, trêmulos de cólera, exclamaram: “Que necessidade há de mais provas? Contemplamos com nossos próprios olhos o mais obstinado dos hereges!” Sem se abalar com a tempestade, Jerônimo exclamou: “Ora! Supondes que receio morrer? Conservastes-me durante um ano inteiro em horrível masmorra, mais horrenda que a própria morte. ...Não posso senão exprimir meu espanto com tão grande barbaridade para com um cristão.” De novo interrompeu a tempestade de cólera, e Jerônimo foi levado precipitadamente à prisão. Havia, contudo, alguns nos quais suas palavras produziam profunda impressão, e que desejavam salvar-lhe a (pág. 67) vida. (p.67) Foi visitado por dignitários e instado a submeter-se ao concílio. Brilhantes perspectivas lhe foram apresentadas como recompensa. “Provai-me pelas Sagradas Escrituras que estou em erro, e abjurarei”, disse ele. “As Sagradas Escrituras!” exclamou um de seus tentadores. “Então tudo deve ser julgado por elas? Quem as pode entender antes que a igreja as haja interpretado?” “São as tradições dos homens mais dignas de fé do que o evangelho de nosso Salvador?” replicou Jerônimo. “Herege! Arrependo-me de ter-me empenhado tanto tempo contigo. Vejo que és impulsionado pelo diabo.” Sem demora foi levado ao mesmo local em que Huss rendera a vida. Ele fez o trajeto cantando, tendo o semblante iluminado de alegria e paz. Para Le, a morte havia perdido o terror. Quando o carrasco, estando para acender a fogueira, passou por detrás dele, o mártir exclamou: “Ponha fogo à minha vista! Se eu tivesse medo não estaria aqui”. Suas últimas palavras foram uma oração: “Senhor, Pai todo-poderoso, tem piedade de mim, e perdoa os meus pecados; pois sabes que sempre amei Tua verdade”. As cinzas do mártir foram reunidas e, tal como ocorrera com as de Huss, lançadas ao Reno. Assim pereceram os fiéis porta-luzes de Deus. A execução de Huss acendera uma chama de indignação e
  39. 39. 185 horror na Boêmia. A nação inteira declarou ter sido ele um fiel ensinador da verdade. O concílio foi acusado de assassinato. Suas doutrinas atraíam agora maior atenção do que antes, e muitos foram levados a aceitar a fé reformada. O papa e o imperador uniram-se para aniquilar o movimento, e os exércitos de Sigismundo foram lançados contra a Boêmia. (pág. 71) Entre os que foram chamados para dirigir a igreja das trevas do papado à luz de uma fé mais pura, achava-se Martinho Lutero. Não conhecendo outro temor senão o de Deus, e não reconhecendo outro fundamento para a fé além das Escrituras Sagradas, Lutero foi o homem para o seu tempo. Os primeiros anos de Lutero foram passados no humilde lar de um camponês alemão. Seu pai pretendia que ele fosse advogado, mas Deus tencionava fazer dele um construtor no grande templo que tão vergonhosamente se vinha erigindo através dos séculos. Agruras, privações e severa Infinita preparou Lutero para a missão de sua vida. (pág. 72) O pai de Lutero era homem de espírito ativo. Seu genuíno bom-senso levava-o a considerar com desconfiança a organização monástica. Desgostou-se com Lutero quando este, sem seu consentimento, entrou para o convento. Dois anos decorreram antes que se reconciliasse com o filho, e mesmo então suas opiniões permaneceram as mesmas. (...) Lutero não deixava de iniciar cada dia com oração, em que o íntimo estivesse continuamente a respirar uma súplica orientação: “Orar bem”, dizia ele muitas vezes, “é a melhor metade do estudo”. Um dia, enquanto examinava os livros da biblioteca da universidade, Lutero descobriu uma Bíblia latina, livro que nunca vira antes. Tinha ouvido porções dos evangelhos e epístolas, e supunha que isso fosse a Bíblia toda. Agora, pela primeira vez, olhava para o todo da Palavra de Deus. Com reverência e admiração folheava as páginas sagradas e lia por si mesmo as palavras de vida, detendo-se a fim de exclamar: “Oh! Se Deus me concedesse possuir tal livro!” Anjos estavam a seu lado. Raios da luz divina revelavam tesouros da verdade à sua compreensão. Profunda convicção de seu estado pecaminoso apoderou-se dele como nunca antes. (pág. 73) Levava a vida austera, esforçando-se por meio de jejuns, vigílias e penitências para subjugar os males de sua natureza. Disse ele mais tarde: ”Se fora possível a um monge obter o Céu por suas obras monásticas, eu teria certamente direito a ele. ...Se eu tivesse continuado por mais tempo, teria levado minhas mortificações até a própria morte”. Com todos os seus esforços, a alma sobrecarregada não encontrou alívio. Finalmente foi arrojado às bordas do desespero”. (pág. 74) Horrorizou-se com sua espantosa profanidade, mesmo durante a missa. Deparou-se com desregramento e libertinagem. “Ninguém pode imaginar”, escreveu ele, “que pecados e ações
  40. 40. 186 infames se cometem em Roma. ...Por isso costumam dizer: ‘Se há inferno, Roma está construída sobre ele’”. (pág. 75) Pelo preço do crime dever-se-ia construir um templo para o culto a Deus. (...) Ao entrar Tetzel numa cidade, um mensageiro ia adiante dele, anunciando: “A graça de Deus e do santo padre está às vossas portas!” o povo recebia o pretensioso blasfemo como se fosse o próprio Deus. Tetzel, subindo ao púlpito da igreja, exaltava as indulgências como o mais precioso dom de Deis. Declarava que em virtude de seus certificados de perdão, todos os pecados que o comprador mais tarde quisesse cometer, ser-lhe-iam perdoados, e que “mesmo o arrependimento não é necessário”. Assegurava aos ouvintes que as indulgências tinham também poder para salvar os mortos; no mesmo instante em que o dinheiro tinia de encontro ao fundo de sua caixa, a alma em cujo favor era pago escaparia do purgatório, ingressando no Céu. Ouro e prata eram canalizados para o tesouro de Tetzel. Uma salvação que se comprava com dinheiro era mais fácil do que aquela que exige arrependimento, fé e diligente esforço para resistir ao pecado e vencê-lo. Lutero encheu-se de horror. Muitos de sua própria congregação haviam comprado certidões de perdão. Logo começaram a dirigir-se (pág. 76) a seu pastor, confessando seus pecados e esperando absolvição, não porque estivessem arrependidos e desejassem corrigir-se, mas sob o fundamento da indulgência. Lutero recusou-se a isto, advertindo-os de que, a menos que se arrependessem e reformassem a vida, haveriam de perecer em seus pecados. Voltaram-se a Tetzel queixando-se de que seu confessor lhes recusara o certificado, e alguns exigiram ousadamente que lhes fosse restituído o dinheiro. Cheio de ira, o frade proferiu terríveis maldições, fez com que se acendessem fogos nas praças públicas e declarou “haver recebido ordem do papa para queimar todos os hereges que pretendessem opor-se às suas santíssimas indulgências”. (pág. 77) Ardilosos eclesiásticos, vendo perigar seus lucros, encolerizaram-se. O reformador teve atrozes acusadores a enfrentar. “Quem é que não sabe”, respondia ele, “que raramente um homem apresenta uma idéia nova sem... que seja acusado de suscitar rixas? ...Por que foram mortos Cristo e todos os mártires? Porque... apresentavam idéias novas sem ter primeiro humildemente tomado conselho com os oráculos das antigas opiniões.” (...) Lutero tremia quando olhava para si mesmo – um só homem opondo-se às mais poderosas forças da Terra. “Quem era eu”, escreveu ele, “para opor-me à majestade do papa, perante quem os reis da Terra e o mundo inteiro tremiam? ...Ninguém poderá saber o que meu coração sofreu durante estes primeiros dois anos, e em que desânimo, poderia dizer em que desespero, me submergi”. Quando, porém, faltou o apoio humano, olhou para Deus somente. Poderia confiar-se em perfeita segurança àquele braço todo-poderoso. A um amigo Lutero escreveu: “Teu primeiro dever é começar pela oração. ...Nada esperes de teus próprios trabalhos, de tua própria
  41. 41. 187 compreensão: confia somente em Deus, e na influência de Seu Espírito”. (pág. 78) Assim se fez, e foi designado o núncio papal para ouvir o caso. Nas instruções a esse legado, afirmou-se que Lutero já fora declarado herege. O núncio foi, portanto, encarregado de o “processar e constranger sem demora”. O legado recebeu poderes “para proscrevê-lo em todas as partes da Alemanha; banir, amaldiçoar e excomungar todos os que estivessem ligados a ele”, e a excomungar a todos de qualquer dignidade na Igreja ou Estado – exceto ao imperador – caso negligenciassem prender Lutero e seus adeptos, entregando-os à vingança de Roma. (pág. 79) Augsburgo fora designada como o lugar para o processo, e o reformador para lá se dirigiu a pé. Foram feitas ameaças de que seria assassinado no caminho, e seus amigos rogaram-lhe que não se aventurasse. Mas sua linguagem era: “Sou como Jeremias, homem de contendas e lutas; mas, quanto mais aumentam suas ameaças, mais cresce a minha alegria. ...Já destruíram minha honra e reputação. ...Quanto a minha alma, não a podem tomar. Aquele que deseja proclamar a verdade de Cristo ao mundo deve esperar a morte a cada momento.” (pág. 81) Lutero ainda não estava de todo convertido dos erros do ramanismo. Mas ele escreveu: “Estou lendo os decretos do pontífice e...não sei se o papa é o próprio anticristo, ou seu apóstolo, tão grande é a maneira em que Cristo é neles representado falsamente crucificado”. (pág. 82) Mas Lutero continuava destemido. Com terrível poder ele rebateu contra a própria Roma a sentença de condenação. Na presença de uma multidão de cidadãos, Lutero queimou a bula papal. Disse ele: “Uma luta séria acaba de começar. Até aqui tenho estado apenas a brincar com o papa. Iniciei esta obra no nome de Deus; ela se concluirá sem mim, e pelo Seu poder. ... Quem sabe se Deus não me escolheu e chamou, e se eles não deverão temer que, ao desprezar-me, desprezem ao próprio Deus?...” (pág. 83) “Deus nunca escolheu como profeta nem o sumo sacerdote, nem qualquer outro grande personagem; mas comumente escolhia homens humildes e desprezados, e uma vez mesmo o pastor Amós. Em todas as épocas, os santos tiveram que reprovar os grandes, reis, príncipes, sacerdotes e sábios, com perigo de vida. ... Não estou dizendo que sou profeta; mas digo que eles devem temer precisamente porque estou só e eles são muitos. Disto estou certo: que a Palavra de Deus está comigo, e não com eles.” (pág. 87) O duque Jorge da Saxônia se levantou naquela assembléia principesca e especificou com terrível precisão os enganos e abominações do papado: “Abusos... clamam contra Roma. Toda vergonha foi posta à parte e seu único objetivo é...dinheiro,
  42. 42. 188 dinheiro, dinheiro... de maneira que os pregadores que deveriam ensinar a verdade, nada proferem senão falsidades, e são não somente tolerados, como ainda recompensados, pois quanto maiores suas mentiras, tanto maior o seu ganho. É desta fonte impura que fluem tais águas contaminadas. A devassidão estende a mão à avareza. ...Ai! É o escândalo causado pelo claro que arremessa tantas pobres almas à condenação eterna. Deve ser efetuada uma reforma geral.” O fato de ser o orador um decidido inimigo do reformador, emprestou maior influência às suas palavras.Anjos de Deus derramaram raios de luz por entre as trevas do erro e abriram os corações à verdade. O poder do Deus da verdade dirigia até os adversários da Reforma e preparou o caminho para a grande obra prestes a realizar-se. A voz de Alguém maior que Lutero fora ouvida naquela assembléia. (pág. 89) Enquanto o reformador prosseguia, uma ávida multidão se acotovelava em redor dele, e vozes amigas advertiam-no dos propósitos dos romanistas. “Eles vos queimarão”, diziam alguns, “e reduzirão vosso corpo a cinzas, como fizeram com João Huss.” Lutero respondia: “Ainda que ascendessem por todo o caminho de Worms a Wittenberg uma fogueira... em nome do Senhor eu caminhava pelo meio dela; compareceria perante eles... e confessaria o Senhor Jesus Cristo.” (pág. 90) O reformador de humilde nascimento parecia intimidado e embaraçado. Vários príncipes aproximaram-se dele, e um lhe segredou: “28 E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.”58 Outro disse: “18 e por minha causa sereis levados à presença dos governadores e dos reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios. 19 Mas, quando vos entregarem, não cuideis de como, ou o que haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis de dizer. 20 Porque não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós.”59 (pág. 91) “Ó Deus todo-poderoso e eterno”, implorou ele, “se é unicamente na força deste mundo que devo pôr minha confiança, tudo está acabado. ...É vinda a minha última hora, minha condenação foi pronunciada. ...Ó Deus, ajuda-me contra toda a sabedoria do mundo. ...A casa é Tua... e é uma causa justa e eterna. Ó Senhor, auxilia-me! Deus fiel e imutável, em homem algum ponho a minha confiança. ...Escolheste-me para esta obra. ...Fica a meu lado, por amor de Teu bem-amado Jesus Cristo, que é minha defesa, meu escuda e torre forte”. Não era, contudo, o temor do sofrimento pessoal, da tortura ou da morte, o que o oprimia com seus horrores. Sentia sua insuficiência. Por sua fraqueza, a causa da verdade poderia 58 Mateus 10:28 59 Mateus 10:18 a 20
  43. 43. 189 sofrer dano. Não pela sua própria segurança, mas para a vitória do evangelho, lutava ele com Deus. Em seu completo desamparo, sua fé se firmou em Cristo, o poderoso Libertador. Não compareceria sozinho perante o Concílio. A paz voltou-lhe à alma, e ele se regozijou de que lhe fosse permitido exaltar a Palavra de Deus perante os governadores das nações. (pág. 93) O reformador respondeu: “Visto que nossa sereníssima majestade e vossas nobres altezas exigem de mim resposta clara, simples e precisa, vou dá-la, e é esta: Não posso submeter minha fé, quer ao papa, quer aos concílios, porque é claro como o dia que eles têm freqüentemente errado e se contradito um ao outro. A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras, ...não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; queira Deus ajudar-me. Amém.” (pág. 96) A outro apelo ele respondeu: “Consisto em renunciar ao salvo-conduto. Coloco minha pessoal e minha vida nas mãos do imperador, mas a Palavra de Deus – nunca!” Declarou estar disposto a submeter-se à decisão de um concílio geral, mas sob a condição de que se exigisse que tal concílio tomasse decisões de acordo com as Escrituras. “No tocante à Palavra de Deus e à fé, todo cristo é juiz tão bom como pode ser o próprio papa, embora apoiado por um milhão de concílios”. Tanto amigos como adversários finalmente se convenceram de que seriam em vão quaisquer outros reforços de reconciliação. QUE DEUS NOS CAPACITE E TENHA MISERICÓRDIA DE NÓS!!! “6 Não sejam envergonhados por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor Deus dos exércitos; não sejam confundidos por minha causa aqueles que te buscam, ó Deus de Israel”.60 “116 Ampara-me conforme a tua palavra, para que eu viva; e não permitas que eu seja envergonhado na minha esperança”.61 “18 Porque deveras terás uma recompensa; não será malograda a tua esperança”.62 60 Salmo 69:6. 61 Salmo 119. 62 Prov 23.
  44. 44. 190 "O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons".63 21.o A anarquia 63 Martin Luther King
  45. 45. 191 Se alguém de alguma maneira não se horroriza, ou mesmo que o faça, continue concordando em ficar defendendo a sua placa, o seu time religioso, continuará afastado da VERDADE que é CRISTO, o único caminho que leva alguém a Deus, o único mediador entre Deus e os homens. Este Homem-Deus que divide a humanidade entre antes e depois d’Ele, cuja biografia não encontramos, como deveria, em nenhuma faculdade ou bibliotecas, mas só nos Evangelhos, é portanto, o mais importante que já houve. Grande é a contradição entre os homens: “21 Quanto a Israel, porém, diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente”.64 Pois se Este homem divide a humanidade entre antes e depois, como se explica não se saber nada sobre Ele, não se estudar os Seus métodos, Seu caráter? Se não se quer reconhecer a Sua deidade, a Sua humanidade deveria ser bem conhecida, esmiuçada e imitada, pois as Suas Leis estão inseridas em todos os seguimentos da sociedade, embora muitas vezes com outros nomes como fonte. Esta é outra estratégia maligna, pois se sabemos que não se deve roubar apenas porque é imoral que se faça, alguém poderá escolher acoplar à sua moral um roubo aqui e ali e “vamo-que-vamo”, como são os justiceiros, os Lampiões da vida. Isto porque não está sendo colocada a fonte, a autoria dessas Leis. Se alguém sabe que a ordem para que não se roube vem do Alto, a coisa tem outro peso, pois não se vai poder então escolher a sua moral particular neste caso. Quando falamos da Reforma, indulgências, Inquisição e todos os crimes hediondos denunciados por Lutero e tantos outros, estamos falando das Igrejas cristãs em geral, porém, ao fazer a comparação com a época de hoje estamos falando principalmente das igrejas 64 Romanos 10.
  46. 46. 192 cristãs evangélicas, as que protestaram naquela época e denunciaram tudo aquilo e que hoje estão na mesma medida. O fato é que estas também são dirigidas por homens, pelos reis que pedimos no passado destronando o REI, que estão inseridos nos templos feitos por mãos de homens que foram transformados em covil de ladrões. Ponto final quanto a isso, ou seja, “JÁ ERA”, JÁ FORAM TRANSFORMADAS, segundo o MESTRE, O INQUESTIONÁVEL. Por quê? Por que como já vimos se corromperam sobremaneira e agora chegou o momento de acabar com tudo isso e começar uma nova era onde JESUS será entronizado outra vez, e, como Ele disse, “haverá um só Pastor e um só rebanho”. O Reino, a adoração acontece então dentro do que crê. Este é um lugar inviolável e que ninguém tem acesso a não ser DEUS e é por esta razão que o diabo não conseguiu destruí-la apesar dos absurdos cometidos contra ela. A igreja é espiritual e pode estar reunida individualmente com Deus ou com outras igrejas que formam sempre o “um só”, ou seja, muitos membros, uma cabeça (Cristo) forma a estatura do Varão Perfeito. Isto não tem nada a ver com prédios ou templos e muito menos com suntuosidade, que no caso é uma imoralidade. Se fizermos uma reforma agora, como já aprendemos, e fundarmos outra igreja na periferia, onde sempre está o povo de Deus, à semelhança do Seu Mestre que nasceu em estábulos e não tinha onde reclinar a cabeça, se fizéssemos outra vez uma igreja composta desses mártires de agora, daqui há um tempo, por causa da corrupção do homem que não tem capacidade para gerir o Reino de Deus, não tem capacidade para suportar o Seu poder sem se corromper, vai apostatar da mesma maneira. Este projeto já nasceu eivado, pois como já citamos neste texto, e fundamentamos no texto “Os Protestos de Hoje”, não nasceu no coração de Deus, mas do homem. A única solução para o homem é Cristo reinando, os juízes de Deus orientando, e os homens escrevendo a sua própria história, dando conta de si mesma, seguindo os princípios de Deus, como era no passado e como Ele falou que seria nos últimos dias. Ouvimos muitas vezes uma religião condenando a outra, sem atentar para o espelho da Palavra que reflete as suas manchas, as mesmas que aponta e condena na outra. Fala-nos Deus através de Paulo: “1 Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo. 2 E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que tais coisas praticam. 3 E tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? 4 Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento? 5 Mas,

×