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Musculação no futebol.

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Musculação no futebol.

  1. 1. Resumo A musculação como instrumento para uma melhor performance dentro de vários tipos de esportes coletivos ou individuais, tem levado professores que a utilizam a resultados excelentes dentro de uma periodização de treinamento bem elaborada. Usar o treinamento com pesos, para um melhor rendimento dentro de um esporte coletivo, deve ser elaborado com a utilização de cargas e séries exatas de acordo com o objetivo a ser alcançado (BOMPA, 1999). O futebol é um esporte no qual o atleta deve obedecer a diversos estímulos durante a sua execução, na qual fatores como força muscular, velocidade e resistência muscular devem ser bem treinados para que se tenha uma boa qualidade física e técnica dos atletas; no caso da musculação, ela é útil como auxílio importante para um melhor desempenho destas qualidades físicas, principalmente a força muscular e a velocidade (MELLO 1997). O que temos descoberto hoje em dia é que a musculação não é mais vista apenas como um treinamento de força pura, mas usada até mesmo em objetivos profilático-terapêuticos e também em rendimento esportivo. No futebol ainda existe o mito de que a musculação pode deixar o atleta lento, mas isso ocorre porque os profissionais de educação física não conseguem trabalhar de forma correta, devido às condições de trabalho que lhe são impostas. Ainda existem clubes sem um lugar adequado para treinamento de força com pesos, até mesmo por falta de bibliografias sobre o assunto, mas as “tradições” sem fundamentos teóricos e práticos já estão sendo superadas e, com isso, a musculação está ganhando seu espaço dentro desse mundo conservador, que é o futebol. Palavras chave: aptidão física; força muscular; musculação. Revista virtual EFArtigos - Natal/RN - volume 02 - número 15 - dezembro - 2004Fernando Bagnatori RoquejaniUilians Alexandre Delfino PintoIntrodução Esse artigo abordará o tema musculação para jogadores de futebol profissional do sexo masculino, inserida na preparação física e recuperação de lesões. Procuramos desenvolver este trabalho para um melhor conhecimento na área, devido à dificuldade bibliográfica, para auxilio de atletas e profissionais da Educação Física que trabalham na área da preparação física, utilizando a musculação para obter melhores resultados dentro de sua profissão. O objetivo deste trabalho é conscientizar os profissionais de Educação Física na utilização da musculação como um instrumento que ajude a melhorar o desempenho, prevenir e recuperar lesões dos atletas. A musculação como um dos elementos inseridos na preparação Física, trabalhada de forma adequada melhora a força e resistência muscular. Sabemos que a recuperação na parte física de um atleta quando este passa por um tempo inativo devido as lesões graves, é o fator mais importante e cuidadoso para evitar que estas lesões possam ocorrer novamente. A musculação serve como auxilio à essa fase e nos garante uma recuperação mais rápida e segura. A proposta é um estudo prospectivo de cunho descritivo com analise qualitativa, com a seguinte problemática: “Como utilizar a musculação como um dos elementos básicos na preparação física e recuperação de lesões no futebol profissional?” Referencial teórico Atualmente são raros os aspectos onde não seja utilizada a musculação como método de aprimoramento da performance física. Até mesmo esportes onde o fator anaeróbio não possui grande participação dentro da performance, tem-se utilizado de programas de musculação, visando nestes casos a prevenção de lesões decorrente da melhoria do fortalecimento muscular obtido através da musculação. (HERNANDES Jr, 2002). Segundo Bompa (2004) o programa de musculação deve obedecer aos princípios básicos do treinamento quanto ao número de repetições, série, técnica de execução e tipo de contração muscular priorizada que deve corresponder as demandas do esporte em questão. Usualmente os programas de musculação são realizados sem a observância de variações de volume e intensidade que qualquer conteúdo de treinamento deve sofrer dentro de uma periodização. Umas das principais propostas de periodização dos programas de treinamento em musculação foi efetuada por Tudos Bompa e seus princípios amplamente utilizados pelos paises do antigo bloco comunista (HERNANDES Jr, 2002). Ao redor do treinamento com musculação foram criadas diversas dificuldades, contudo chegou a hora da verdade cientifica. Evidencias fisiológicas sugerem que os exercícios com pesos são benefícios às pessoas. Em qualquer faixa de idade e para qualquer atividade física, seja ela qual for, o indivíduo será beneficiado pelo complemento com pesos. De acordo com LEME (1992 p, 71) “os aumentos relevantes da prática dos exercícios com pesos tem sido considerados significativos nos últimos anos. Entretanto, a musculação é uma atividade física muito importante para a obtenção de força e sua manutenção. Os estudos científicos têm demonstrado a sua eficácia, eliminando os preconceitos, uma vez que, através dos exercícios com pesos, vem contribuindo para o melhor desempenho atlético e de qualidades físicas básicas”. Preparação física Segundo BARBANTI (1996 p, 11) o futebol possui 88% da energia adquirida do sistema aeróbio e 12% do sistema anaeróbio, sendo que, das distâncias totais que um atleta percorre durante um jogo 98% ocorrem sem posse de bola. Porem devemos ressaltar que apesar da pequena proporção de participação do metabolismo anaeróbio dentro do fornecimento energético, as principais jogadas dentro de uma partida ocorrem dentro de situações onde a solicitação é anaeróbia. O metabolismo anaeróbio tem vital importância dentro do desempenho de um atleta, pois a maioria das principais jogadas que podem acarretar o sucesso na partida depende deste tipo de metabolismo. Já o metabolismo aeróbio é responsável pelos deslocamentos efetuados pelo jogador durante uma partida, sendo que estes geralmente ocorrem sem a bola. De acordo com MELO (1997) o futebol é uma modalidade esportiva intermitente, com constante mudança de intensidade e atividades. A imprevisibilidade dos acontecimentos e ações durante uma partida exige que o atleta esteja preparado para reagir aos mais diferentes estímulos, da maneira mais eficiente possível. Segundo BARBANTI (1996 p, 116) o futebol exige resistência, velocidade, agilidade e força. A resistência tem a sua importância para desempenhar uma boa performance durante todo o jogo, já a velocidade é necessária para percorrer a distância curta o mais rápido possível (potencia). Para MELO (1997 p, 133), o futebol requer força, potencia, velocidade, agilidade e resistência, destacando que apesar da importância dessas capacidades, a velocidade é talvez a mais importante. O simples fato de essa capacidade estar em evidencia pode mudar uma partida. Musculação Segundo SANTAREM (2003), os chamados exercícios resistidos ou exercícios contra-resistencia, geralmente são realizados com pesos, embora existam outras formas de oferecer resistência á contração muscular. Musculação é o termo mais utilizado para designar o treinamento com pesos, fazendo referencia ao seu efeito, mais evidente, que é aumento de massa muscular. Assim sendo, musculação não e uma modalidade esportiva, mas uma forma de treinamento físico. A musculação pode ser feita para o mais diferentes objetivos, desde o profilático - terapêutico até visando a preparação física para algumas modalidades esportivas. Contudo o que é mais procurado nas academias é o com fins estéticos tanto para masculino como para feminino. É através da periodização que se poderá fazer um trabalho especifico e individualizado eliminando as possibilidades de erro no treinamento. O nível de estresse físico é aplicado e planejado em conjunto com a alimentação adequada e aos dias de descanso e reparação para a recuperação não só muscular mas também orgânica. A musculação nos dias de hoje tem deixado de ser vista apenas como sinônimo de treinamento de força. Os mitos que a envolvem tem caído por terra, graças, em parte a mídia, que vem esclarecendo e despertando a população em geral para seus benefícios. Para que um trabalho seja feito adequadamente na musculação, é necessário que haja um comprometimento por parte do atleta que ele assuma consigo mesmo e seu professor, com relação a sua atividade. A partir desse momento o professor tem a possibilidade de organizar um planejamento do tempo disponível para o treinamento, dividindo-o em ciclo de alta especificidade com diferentes metas de treinamento, sobrecargas, repetições e series. Benefícios da musculação Leme (1992 p, 74), aborda que os estudos científicos a respeito do desenvolvimento da força muscular tem sido publicados principalmente sobre os benefícios dos exercícios com pesos, estudos que foram realizados e comprovaram que os programas de treinamento com pesos melhoram a velocidade do atleta, melhoram o equilíbrio. Em seus estudos o autor concluiu que a incidência de lesões devida prática de exercícios com pesos no período de 1949 á 1950, foi de 1,5% em atleta de esportes seguros, verificando-se uma evidencia menor de heínia e hemonoidas que a população dos Estados Unidos e nenhum caso de anormalidade de coração lesado. Atualmente, na maioria dos programas de treinamento desportivo de alto nível, os exercícios com pesos são indispensáveis na fase de preparação física. Cientificamente, contrariando a crença popular, podemos afirmar que um programa bem orientado e planejado aumenta a flexibilidade e a velocidade em proporções estatisticamente significativas. O conceito de que o treinamento com pesos produz músculos rígidos, perda da flexibilidade, pode ser abandonado. A maioria dos estudos científicos comprova que a velocidade de movimento pode ser aprimorada e não retarda como conseqüência do aumento da força muscular. Usando um treinamento com pesos a velocidade do movimento é melhorada por um programa de força bem orientado. A potencia muscular é aumentada em decorrência do treinamento de força, e maior potencia de pernas significa saídas mais rápidas nas situações que exigem agilidade e velocidade. Para MCARDLE e colaboradores (1985) o programa de treinamento com pesos não diminui o grau de amplitude das articulações e muito menos a velocidade de rendimento nos esportes. Os levantadores de pesos de elite, por exemplo, demonstram excepcional flexibilidade articular. Os exercícios realizados com cargas entre 60% a 80% da capacidade de força do individuo são considerados uma sobrecarga suficiente para produzir aumento significativo de força. Formas de trabalhos mais utilizadas na musculação Segundo WEINECK (2000, p, 188), o jogador de futebol precisa acelerar seu peso corporal (saltos, acelerações) e mover-se, ou seja, solicitar a capacidade aeróbia por um longo período. Um aumento geral de massa muscular e, com isso, de peso corporal, não é desejável. O que se recomenda é o planejamento de um treinamento de hipertrofia onde os objetivos precisam estar centrados na musculatura responsável pelos movimentos de aceleração específicos do futebol nos membros inferiores. No caso de elevação de força dinâmica por meio do desenvolvimento da massa muscular, o método de hipertrofia é o primeiro a ser utilizado. Trata-se de um treinamento de força dinâmica concêntrica positivo, que no período de 4 a 6 semanas é realizado com sobrecargas médias (algo em torno de 40% a 60 % da força máxima) com o número ideal de repetições. Para o jogador de futebol não e interessante grande hipertrofia dos membros inferiores já que a partir de determinado momento ela induz a nenhuma elevação da performance das qualidades de força rápida, podendo até mesmo piora-las. BOMPA (2004 p.3) define: a potencia é produzida por uma contração do tipo alongamento-encurtamento na qual o músculo extensor adquire uma ótima firmeza, aumentando a tensão no tendão. Esses resultados acontecem em uma fase excêntrica mais econômica e eficaz alem disso, durante o alongamento do músculo as atividades de reflexo proporcionam a maior ativação possível durante uma contração voluntária, novamente aumentando a tensão do tendão e, junto com um impulso nervoso, durante a fase concêntrica, produzem uma impulsão potente. Os planejamentos do treinamento de potencia não organizados, comumente no mesmo nível, com carga e numero de repetições similares o ano todo, desconsiderando a necessidade do aumento constante da intensidade dos estímulos (carga) e as necessidades especificas de planejar diferentes tipos de treinamento de força e potencia durante as fases de treinamento de um plano anual, prejudicam o desempenho (HERNANDES Jr. 1998 p, 174). A força de potencia não é uma manifestação de velocidade pura e sim de manutenção de uma elevada velocidade média em um Maximo decurso de tempo possível. Ao analisarmos a definição de potencia em nível físico (Pot = t / t) onde t = trabalho e t = tempo e, ainda (t = f x d), ou seja, trabalho é = a força x deslocamento, substituindo a formula de trabalho na equação teremos: Pot = F.d / t e substituindo d/t = V (distancia / tempo = velocidade) teremos enfim : Pot = F x V (força x velocidade) assim sendo, toda manifestação de força motora fisicamente, são manifestações de potencia exceto a contração isométrica onde a velocidade é nula. O desenvolvimento da força - resistência depende dos índices de força necessária para a realização da atividade competitiva, da intensidade e duração do trabalho realizado em competições e das respectivas particularidades de cada modalidade esportiva. Segundo a especificidade de cada modalidade esportivas podemos estar falando de uma interação da força e resistência em trabalho de caráter anaeróbico alático, anaeróbico lático ou aeróbico, assim como dos índices de forças resistência relacionadas as condições isotônicas ou isométricas da atividade muscular. Força resistência desempenha importantíssimo papel no intento alcançar bons resultados nas corridas de 200 e 400 metros rasos, nas provas de 100 e 200 metros. O nível apresentado de força resistência é determinado pela potencia, pela capacidade de mobilização e economia dos sistemas de fornecimento energéticos e pelo nível de força máxima. (Platonov, 2003). Força máxima, de acordo com WEINECK (2000 p, 192), é um fato importante, especialmente nas extremidades inferiores, no entanto, na maioria das vezes essa força é subestimada em relação aos métodos e aos critérios para sua formação e seu uso por meio de exercícios. O motivo para o desprezo do treinamento de força máxima não é reconhecido. Jogadores e técnicos têm a visão falsa de que o treinamento de força máxima torna os jogadores pesados e lentos. Os técnicos não conhecem a estreita relação entre o nível de força máxima e o grau de força rápida existindo ainda insegurança quanto a eleição de métodos e de formas de realização, ao volume temporal e aos equipamentos necessários. A maioria dos clubes não possui espaço adequado (sala de musculação) nem aparelhos necessários que possibilitam um treinamento de força máxima. A visita alternativa a academias parece não ser econômica do ponto de vista financeiro e temporal, tanto para os técnicos como para os jogadores. Os jogadores de futebol necessitam de qualidade física e em vários aspectos, força rápida (velocidade) como força de salto, força de chute, força de lançamento de laterais e a capacitação de aceleração. De acordo com Carraveta (2001 p, 126), a força máxima representa a maior força possível que o futebolista pode exercer voluntariamente seja de força dinâmica ou estática contra uma resistência desconsiderando-se o tempo de produção da tensão e é definida por fatores neuromusculares, mecânicos e biológicos. O grau de manifestação de força do futebolista é fator indispensável para a definição das cargas. O treinamento deve ser conduzido quase exclusivamente pelo uso de cargas próximas da máxima com poucas repetições e execução explosivas de movimentos. Segundo Platanov (2003) a quantidade de repetições é determinada pela magnitude da carga empregada. Quando a sobrecarga aplicada é constituída por 90-100% da capacidade máxima de forças, a quantidade de repetições em cada intento varia de 1 a 3. Uma redução na carga de peso permite o aumento da quantidade de repetições executadas, por exemplo, se a sobrecarga aplicada corresponder a 50-60% a quantidade de repetições realizadas chega a 10 a 12. A magnitude da carga para desenvolver a força máxima, sem aumentar a massa muscular em exagero, varia amplamente de 50-60% até 90-100% do nível máximo de força. Se o trabalho for excêntrico de 70 a 80% até 120-130%, deve ser observado que as cargas máximas e quase máximas são indicados para o aperfeiçoamento da coordenação intra-muscular. A resistência de força está relacionada com a capacidade muscular de manter durante um longo período de tempo índices de força elevados, significando a capacidade de tolerância do organismo frente á presença da fadiga causada por cargas prolongadas e exerce significativa influencia por processos de adaptação a velocidade, assim como á resistência de velocidade. Essa resistência de força presente nos diferentes tipos de esforços musculares: gerais, específicos e especializados, também atua como base adicional nas ações dos futebolistas e exerce importância especial no campo das medidas de reabilitações e nos desequilíbrios entre força de diferentes grupos musculares (Carravetta, 2001). Weinech (2001 p, 287) diz que para o desenvolvimento da resistência de força, não se utiliza os mesmos métodos empregados na formação da força máxima é rápida, isso deve-se a constituição especial das musculaturas abdominal e dorsal (músculos responsáveis pelo posicionamento corporal e que são formados por fibras de contração lenta, as também chamadas de fibras do tipo I). Assim, em função dessas características os métodos para o desenvolvimento da resistência de força distinguem-se pela lenta realização do movimento e pelo alto número de repetições. Wm relação a força rápida, uma análise das formas de movimentos no jogo de futebol leva rapidamente ao fator de força mais importante e mais apontado, ou seja, a força rápida ou potencia. Na realização dos movimentos específicos do futebol as forças dominantes que se manifestam são a aceleração força positiva = força concêntrica = força dinâmica negativa = excêntrica, as quais devem ser consideradas em um treinamento.(Weinech, 2000). A utilização de exercícios de cadeia cinemática aberta e cadeia cinemática fechada no futebol Quando a extremidade distal, livre do corpo humano, se movimenta, este movimento é denominado cadeia cinemática aberta. Muitos movimentos envolvendo a elevação de objeto e movimentos realizados na vida diária são movimentos de cadeia cinemática aberta, por exemplo: o antebraço flexiona em direção ao braço através de uma flexão do cotovelo em cadeia cinemática aberta, e o braço flexiona em relação ao tronco pela flexão do ombro, também em cadeia cinemática aberta. No movimento de flexão de braço, por exemplo, as mãos ficam fixas e o tronco se movimenta em relação ao membro superior, caracterizando um movimento de cadeia fechada. A característica que distingue o movimento de cadeia fechada e de cadeia aberta é a função da extremidade distal da cadeia. Em cadeias abertas os músculos se contraem com extremidades distais que se movimentam livres no espaço. Os mesmos músculos se contraem, através das mesmas articulações para produzirem movimentos de cadeia fechada, quando as extremidades distais estão estáticas. (Campos, 2002). Técnicas dos exercícios Segundo Aaberg (2001) cada exercício do treinamento contra resistência é único, mas existem algumas características comuns a todos eles. Estas características são baseadas na anatomia biomecânica do corpo humano. A forma pela qual elas são analisadas determina a estrutura e a técnica utilizada em cada exercício o alinhamento contra resistência, o posicionamento do corpo, a movimentação durante os exercícios, as técnicas utilizadas e a progressão dos exercícios. O tipo de resistência utilizada fará pouca diferença e não será eficaz se não estiver alinhada adequadamente em relação aos músculos. Os músculos tendem a se contrair ao longo do eixo de suas fibras, portanto alinhar é acertar a direção da resistência em direta oposição a tração das fibras do músculo. Segundo Campos (2002), o uso do corpo livre ou resistências constantes, tais como halteres, para o treinamento de força e resistência, é o mais usado na maior parte das academias. Uma grande diferença do treinamento com o treinamento com pesos livres para o treinamento com maquinas, é que com pesos livres há uma maior exigência de estabilização das articulações envolvidas, o que aumenta a atividade muscular. Este tipo de treinamento tem algumas limitações, pois o peso depende diretamente da ação da gravidade e que só atua no sentido vertical, sendo assim a melhor maneira de se trabalhar com o peso livre é posicionar o corpo de diferentes maneiras, para que a força motora muscular mova o peso na direção vertical para cima (ou parcialmente para cima). Aparelhos de musculação mais usados no futebol Kraemer (1999), indica que, inicialmente, a carga usada para cada exercício deve ser tal que o número mínimo recomendado de repetições possa ser realizado. Ao realizar o numero máximo de repetições, a carga será aumentada de tal modo que o numero mínimo de repetições possa ser realizado outra vez. A forma e as técnicas de supervisão para todos os exercícios devem ser salientadas continuamente. Os exercícios devem ser realizados de maneira controlada para ajudar e prevenir lesões causadas por perder o controle de pesos e prevenir danos aos fixadores de pesos de um equipamento ou aos pesos livres. Dentro do treinamento com pesos, temos inúmeros exercícios para o trabalho de diferentes musculaturas e grupos musculares, sendo que os exercícios aqui descritos representam os mais usuais e a forma adequada de utilização destes, para o máximo de eficiência no treinamento. Uma das grandes discussões dentro dos exercícios com pesos reside na utilização de maquinas ou de pesos livres (barras, alteres e anilhas) para a execução dos diferentes exercícios. Atualmente existem diversas máquinas que reproduzem exercícios que tradicionalmente são executados com pesos livres (HERNANDES Jr. 2002). Segundo CAMPOS (2002 p, 45), a amplitude dos movimentos realizados nestes aparelhos é limitada e muito aparelhos não se adaptam a estrutura corporal do aluno. O treinamento com este tipo de aparelho remove os requerimentos de equilíbrio e estabilização na execução do esforço. É importante lembrar que nas atividades na vida diária o equilíbrio e estabilização são sempre necessários para total efetividade do movimento. Assim como com os pesos livres, a aceleração dos pesos influenciara na sobrecarga muscular (inércia). Geralmente diz-se que exercício de agachamento é considerado um dos melhores exercícios de musculação; por ser movimento de cadeia cinemática fechada ele pode envolver muitas articulações, o que o torna mais complexo que os exercícios para articulações isoladas. O agachamento com barra é um exercício ótimo para as pernas, quando feito adequadamente, como ocorre com todos os exercícios composto para as pernas. A criação de um ângulo de 90 graus entre a coxa e a perna não é necessária para que o exercício ofereça benefícios, pois nem todo mundo apresenta a mesma amplitude otimizada de movimentos (AABERG, 2001). Segundo HERNANDES Jr. (2002), a musculatura envolvida nos exercícios de agachamento é composta pelo Vasto lateral, Vasto intermédio, Vasto medial, Reto femural, glúteo máximo, Bíceps femoral, semitendinoso e semimembranoso. (HERNANDES Jr. 2002) aprova que o exercício de mesa flexora pode ajudar muito o atleta que utiliza muito a corrida, na fase de recolhimento da perna em direção ao glúteo, o que é vital á eficiência e velocidade das passadas utilizam a flexão de joelho de sua amplitude máxima. A flexão dos joelhos deitados de bruços no aparelho é um exercício de deslocamento monoarticular, projetada para o trabalhar o posterior de coxa. Esta versão de flexão de joelhos deitados de bruços é uma ótima alternativa para as pessoas que apresentam flexibilidade limitada dos posteriores de coxa. O fato de estar deitado e provocar uma flexão profunda a partir dos quadris tira a carga dos posteriores de coxa e permite uma amplitude maior de movimentos para as pessoas com rigídes neste músculo. (AABERG, 2001). AABERG (2001) indica que o exercício de cadeira extensora é um exercício de deslocamento manoarticular projetada para trabalhar os quadríceps já que a extensão do joelho é necessária para a pratica de exercícios compostos da perna, como os agachamentos leg press e avanços e considerando a vasta quantidade de esforços que este exercício pode provocar nas articulações dos joelhos, ele pode não ser necessário ou apropriado para algumas pessoas. CAMPOS (2002 p, 62) afirma que este é um dos principais exercícios que isola o grupo muscular quadríceps femural, que compreende os Vastos medial, lateral e intermédio e o reto femural. O movimento de extensão dos joelhos está presente na maioria das performances onde ocorram movimentos de salto, corrida e chutes. Como exemplos temos os saltos no atletismo, ginástica olímpica, basquetebol, voleibol e handebol, alem dos movimentos de chute no futebol e artes marciais (HERNANDES Jr. 2002). Em relação a Abdução do quadril, os músculos glúteo médio e mínimo trabalham juntos para abduzir o quadril numa cadeia cinemática aberta e com maior importância mantém a pelve fixa durante o apoio unilateral do membro inferior. O quadril realiza aproximadamente 45% de abdução. Outros abdutores incluem o tensor da fáscia lata e o glúteo máximo (CAMPOS, 2002). HERNANDES (2002), afirma que em todo os movimentos de mudança de direção e deslocamento lateral nos diferentes esportes, a musculatura adutora contribui juntamente com a musculatura abdutora da perna oposta, para a realização do deslocamento. Dentre estes esportes temos como exemplos o futebol o basquetebol e o handebol, o voleibol e o tênis. O fortalecimento da musculatura adutora contribui para a execução de diversos movimentos esportivos, mas a hipertrofia excessiva desta musculatura pode alterar a dinâmica do movimento dos membros inferiores. AABERG (2001 p, 121) fala que o leg press no aparelho é um exercício de deslocamento multiarticular, projetado para trabalhar os músculos do quadril e da coxa. Os exercícios compostos para a perna trabalham mais como músculos em geral do que os outros exercícios de treinamento contra resistência. A pressão da perna no aparelho oferece grande parte dos benefícios de outros tipos de agachamento, mas não requer que a pessoa use uma carga sobre os ombros ou diretamente sobre a coluna, as mesmas indicações do exercício de agachamento. Segundo AABERG (2001 p, 131), a extensão da panturrilha em pé no aparelho é um exercício de deslocamento monoarticular projetado para trabalhar o tríceps da panturrilha, e a flexão plantar sentado no aparelho é um exercício de deslocamento monoarticular projetado para trabalhar o tríceps da panturrilha, o músculo gastrocnêmico suporta a maior parte da carga e o músculo sóleo é forçado a suportar uma parte maior da carga quanto nós estamos em pé. Os movimentos de salto, corrida e caminhar utilizam e sua impulsão final a flexão plantar, dentre estes esportes temos como exemplos o futebol o basquetebol o handebol o voleibol e o tênis, bem como varias modalidades do atletismo e ginástica olímpica e sendo assim sempre presente em quase todos os programas de musculação aplicados aos esportes (HERNANDES Jr. 2002). Segundo WEINECH, (2000), o treinamento no agachamento com barra freqüentemente é utilizado no treinamento para o futebol, devendo ser observado o correto posicionamento do tronco com a utilização de um cinto para o trabalho com pesos. KRAEMER, (1999 p. 190), diz que o treinamento de força ajuda a prevenir lesões em adultos. Existe também evidencia de que ele ajuda a prevenir lesões em atletas adolescentes, por isso, que um programa de treinamento de força não deve se concentrar fundamentalmente no levantamento de quantidade de cargas máximas ou próximas da máxima. Além disso, a técnica correta deve ser sempre salientada, porque muitas lesões em exercícios de força estão relacionados á técnicas não adequada de exercícios. O jogador de futebol ao contrario do halterofilista, possui, na maioria das vezes poucas informações sobre as técnicas corretas de levantamento de peso isso atinge especialmente os exercícios que sobrecarregam a coluna vertebral. Outra fonte de perigo para lesões freqüentemente subestimada, pode ser representada por treino realizado de forma muito intensiva e com métodos ou exercícios estranhos aos jogadores, levando a dores musculares características (WEINECH, 2000). WEINECH (2000 p, 288) afirma que o desequilíbrio muscular por causa de um treinamento unilateral que favorece principalmente os músculos responsáveis pela performance, com o esquecimento do desenvolvimento da força dos antagonistas, não significa apenas alta probabilidade de lesões, mas também prejuízo á capacidade de performance coordenativa dos respectivos sistemas, isso pode ter efeito negativo no processo de aprendizagem motora. Conclusão A grande preocupação dos técnicos com relação a musculação para os jogadores de futebol situa-se na possibilidade de causar lesões ou gerar problemas principalmente com a coluna vertebral e articulações como joelho. A presente preocupação e inevitável é a justificativa pelos desconhecimentos dos técnicos e jogadores de futebol, que possivelmente nunca tiveram contato com a atividade de musculação ou acumularam situação negativa, criada por prática mal orientada, a qual pode causar rompimento nos ligamentos cruzados do joelho e o aumento da compressão da coluna vertebral sem haver uma adaptação da musculatura. BOMPA (2004) afirma que os programas de musculação devem possuir os princípios básicos do treinamento quanto à sua adaptação muscular havendo o número de repetições e série e técnica de execução. AABERG (2001) afirma que a técnica utilizada em cada exercício, o posicionamento do corpo, a movimentação durante os exercícios devem ser eficazes obedecendo à individualidade do atleta e à sua patologia como: desvios de postura ou lesões de articulações, acumulados anteriormente em qualquer atividade física ou esportes em lazer. Os exercícios devem ser realizados de maneira controlada para ajudar na prevenção de lesões. Dentro do treinamento com pesos, temos inúmeros exercícios para diferentes grupos musculares para o melhor desempenho físico, como: força, resistência e potência (KRAEMER, 1999). Os resultados da prática dos exercícios com pesos, desde que bem orientados e planejados, serão favoráveis. Infelizmente, na sua grande maioria a falta de professores de Educação Física especializados em musculação é notória em futebol. Os programas de treinamento com (musculação) pesos devem ser bem planejados de acordo com os objetivos específicos para os esportes, prevenindo qualquer tipo de lesões obedecendo o volume e intensidade de cada exercício, sendo que só com profissionais capacitados poderemos melhorar a performance dos atletas de futebol. Considerações finais Este artigo só vem afirmar que a musculação utilizada como um elemento básico dentro de um trabalho de preparação física para o atleta profissional de futebol pode trazer benefícios à sua aptidão física, ou seja, força muscular, resistência aeróbia, anaeróbia, potência, velocidade e recuperação de lesões. Cabe ao profissional de educação física atuante na área de preparação física no futebol buscar conhecimentos teóricos e práticos para inserir a musculação dentro do seu plano de trabalho dentro de uma periodização aos seus atletas. Referencias bibliográficas 1) AABERB, Everet; Musculação Biomecânica e treinamento; São Paulo, Editora Manole Ltda 2001, pág 121, 131, 135 e 135. 2) BARBANTI, V. J. Treinamento físico: bases cientificas 3ª ed. São Paulo: CLR Balieiro, 1996 pág, 116. 3) BOMPA, Tudor O. 1932 Treinamento de potência para o esporte: Pliometria para o desenvolvimento máximo de potência - São Paulo, Editora Phorte 2004, pág , 3, 21 e 22. 4) CAMPOS, Maurício de Arruda: Biomecânica da musculação; Rio de Janeiro 2ª ed, Editora Sprint, 2002, pág, 44, 45, 58, 62, 81 e 82. 5) CARRAVETA, Elio; O jogador de futebol - técnica, treinamento e rendimento-Porto Alegre: Mercado Aberto, 2001, pág, 48,126 e 128. 6) FLECH, Steven J. Kraemer; Treinamento de força muscular 2ª ed. - Porto alegre: Editora Artes Médicas Lul. Ltda 1999, pág. 189,190 e 193. 7) HERNANDES Junior, Benito Daniel Olmos; Treinamento Desportivo 2ª ed.- Rio de Janeiro: Editora Sprint 2002, pag. 142, 174, 175, 176, 177 e 181 8) LEME, Marcos A. de Almeida; Revista de Ciência e Tecnologia; Fatores determinantes para o aumento da força muscular e os benefícios da musculação-São Paulo; 1992, pág, 71, 73 e 74. 9) MCARDLE, W. D; Fisiologia do exercício e energia, nutrição e desempenho humano; São Paulo: interpanamericano 1985, pág. 253 e 256. 10) PLATONOV, Wladimir Nicolaievitch: A Preparação Física-Rio de Janeiro; Editora Sprint-2003, pag, 59, 67 e 70. 11) WEINECH, Erlang J. ; Futebol Total O treinamento físico no futebol; Guarulhos-SP Ed. Porto Alegre 2000 pag. 188, 189, 191, 192, 287, 288 e 292. 12) MELO, R. S.; Qualidades físicas e psicológicas e exercícios técnicos do atleta de futebol; Rio de Janeiro; Editora Sprint, 1997 p. 133. www.musculação.cti.com.br 28/03/2004. <br />

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