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ARQUITETURA DA CAPILARIDADE   • REFERÊNCIA 1Dicionário socioambiental: idéias, definições e conceitos. Organização EdaTass...
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Neste sentido, “Cardápio de Aprendizagem” não se constitui num mistério esua idéia básica pode ser apreendida facilmente p...
(Arnaldo Antunes, em “Comida”)       Com tudo isso, podemos começar a discorrer sobre a idéia de “Cardápio deAprendizagem”...
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O “prato feito”, ou seja, os programas de formação estruturados em “grades”e “disciplinas”, têm a característica de engess...
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Um “Cardápio de Aprendizagem” também deve ser regional, ou seja, deveoferecer as melhores atividades que o Coletivo Formad...
Ainda, sobre os “Itens de Cardápio”: algumas culinárias regionais, emespecial a italiana, a francesa, e também a de nossa ...
Você pertence a uma Instituição educacional ou uma instituição educadorade alguma maneira? O que você acha que os futuros ...
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região, seus poderes públicos e sociedade civil. Para a operacionalização das açõespode-se dividir o Coletivo Educador em ...
• Seleção de educandos e desenvolvimento das propostas de formação: oColetivo Educador deverá articular todo o processo se...
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O’CONNOR, J. Es posible el capitalismo sostenible? In: ALIMONDA, H. (Comp.).Ecología política: naturaleza, sociedad y utop...
ambiental, permanentes e articulados, voltados para atender à totalidade doshabitantes do território que se inscreve. Ele ...
BRASIL (2007). Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de ArticulaçãoInstitucional e Cidadania Ambiental. Departamento de ...
Muitas vezes somos levados a pensar que ensinar e aprender é uma viagemde ida e volta que se passa em salas de aula, na es...
aprendemos a lidar com outras dimensões de nossa língua: o ler e escrever.       Não somos quem somos, como seres humanos,...
Temos o costume de imaginar que apenas pessoas treinadas para tanto sãocapazes de ensinar, de educar. Assim é de fato, em ...
grupos e os movimentos de educação ambiental, ou as diferentes associações depais e mestres.       Outras atuam na área da...
Nós nos acostumamos em ordenar e classificar conhecimentos e culturasmais ou menos assim: “selvagens” e “civilizados”; “po...
do meio ambiente, o que cada pessoa e cada grupo de pessoas aporta tem o seuvalor.         Há um conhecimento que é propri...
em uma comunidade aprendente, todos têm algo a ouvir e algo a dizer. Algo aaprender e algo a ensinar. Lugares de trocas e ...
modo inovador e integrativo dos três outros eixos de as pessoas se sentiremsolidariamente co-reponsáveis pela criação cont...
Nessa perspectiva, trabalhar com a idéia de comunidades interpretativas exige odesenvolvimento do potencial de comunicação...
http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/og/pog/arqs/encontros.pdf.            Acesso em:15 de agosto de 2011.Palavras-chave: int...
por detrás do que foi expresso e, assim, projetar possíveis sentidos visando àcompreensão. No processo de interpretação es...
Caderno conceitual Coletivo Educador Piracicauá
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Caderno conceitual Coletivo Educador Piracicauá

  1. 1. qwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmq Caderno Conceitualwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyui 2012opasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmrtyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopasdfghjklzxcvbnmqwertyuiopas
  2. 2. APRESENTAÇÃO O coletivo educador constitui-se de um grupo de educadores (as)de diferentes instituições, que atuam em processos formativos nocampo da Educação Ambiental, educação popular e da mobilizaçãosocial, compartilhando suas observações, visões e interpretações, damesma forma que planejam, implementam e avaliam processos deformação de educadores ambientais (PROFEA, 2006). O Coletivo Educador Piracicauá iniciou suas atividades emsetembro de 2006, formado por pessoas e instituições atuantes nabacia do ribeirão Piracicamirim, abrangendo um território com 93.000habitantes e tendo um grupo articulado há mais de cinco anos atravésde iniciativas do Projeto Pisca/ESALQ - USP. Em 2007 na retomada desuas atividades, sentiu a necessidade de ampliar seu território deatuação, devido às sugestões do DEA/MMA e da abrangência das açõesde seus parceiros em outras áreas do município. Com a ampliação doterritório, a área passou a abranger as 35 sub e micro bacias domunicípio de Piracicaba e cerca de 400.000 habitantes. O objetivo principal do Coletivo Piracicauá é ampliar e efetivarações educadoras conjuntas, que possibilitem sinergia de recursos ecompetências pessoais e institucionais, voltadas para asustentabilidade socioambiental das bacias do município de Piracicaba. Este caderno conceitual consiste em uma coletânea de textos quevisa dar fundamento a diversos conceitos e temas utilizados pelocoletivo em seus trabalhos e atividades, presentes em seu ProjetoPolítico Pedagógico (PPP). 2
  3. 3. O material está dividido por conceitos em ordem alfabética,sendo que cada conceito possui diversas referências bibliográficas demateriais ligados à Educação Ambiental e/ou aos ColetivosEducadores, tais como as publicações do MMA “Encontros e Caminhos”(Vol. I e II) e a “Coletivos Educadores para Territórios Sustentáveis”.Além desses materiais, o caderno conceitual traz um artigo publicadona revista ambientalMENTE sustentable (xaneiro-decembro 2010, ano V,vol. I), das pesquisadoras(es) e educadoras(es) integrantes doLaboratório de Educação e Política Ambiental (Oca – ESALQ/USP) queparticipa do Coletivo Educador Piracicauá. Boa leitura!!! 3
  4. 4. INDICEARQUITETURA DA CAPILARIDADE 5CARDÁPIO DE APRENDIZAGEM 6COLETIVOS EDUCADORES 16COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM ou APRENDENTES 33COMUNIDADES INTERPRETATIVAS 42COMPLEXIDADE 52EMANCIPAÇÃO 61EMPODERAMENTO 72PARTICIPAÇÃO 73PERTENCIMENTO 80PESQUISA - PARTICIPANTE 90PESQUISA-AÇÃO 98PESQUISA-AÇÃO-PARTICIPANTE (PAP) 107POTÊNCIA DE AÇÃO 125PROJETO POLÍTICO – PEDAGÓGICO (PPP) 132Anexo: Texto elaborado pelo grupo de pesquisadores da OCA Laboratório deEducação e Política Ambiental/ESALQ-USP - “Em busca da sustentabilidadeeducadora ambientalista” 167 4
  5. 5. ARQUITETURA DA CAPILARIDADE • REFERÊNCIA 1Dicionário socioambiental: idéias, definições e conceitos. Organização EdaTassara; texto Helena Tassara; fotos Ricaros Burg. -- São Paulo, FAARTE Editora,2008. Pág. 23. É um conjunto de estratégias projetadas para possibilitar o envolvimento ea participação da totalidade da população de um determinado território (bairro,comunidade rural, quarteirão, sindicato, escola etc) em um Coletivo Educador. Ouseja, a arquitetura da capilaridade visa à articulação da planificação técnica doColetivo com a participação popular, considerando-se as condições ambientais e adinâmica da estrutura social. Essa capilarização/ramificação implica a constituiçãode três grupos que trabalham de forma integrada e articulada: 1) o próprioColetivo Educador, composto por pessoas que dele passam a participar em virtudeda adesão de suas instituições; em geral, são pessoas que já têm algumaexperiência em formação, educação e capacitação; 2) pessoas atuantes/militantesem seus segmentos sociais naquele território que assumirão funções deformadores em seus grupos de convívio/trabalho; 3) os grupos deconvívio/trabalho dos educadores ambientais populares. Ver articulação e ColetivoEducador • REFERÊNCIA 2BRASIL (2007). Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de ArticulaçãoInstitucional e Cidadania Ambiental. Departamento de Educação Ambiental.Coletivos Educadores para Territórios Sustentáveis. Brasília: MMA, 2007. 26p.;21 cm. É a proposta de estruturação da capilarização ou ramificação da formaçãodos (as) educadores (as) ambientais com o intuito de garantir que a EducaçãoAmbiental envolva toda a população do território. Essa capilarização/ramificaçãoda formação dar-se-á pela constituição de 3 grupos que trabalham de forma 5
  6. 6. integrada e articulada. O primeiro grupo é o próprio Coletivo Educador, compostopor pessoas que participam a partir da adesão de suas instituições que são aquelascom experiência em formação, educação e capacitação; o segundo é composto porpessoas/atuantes/militantes junto aos seus segmentos sociais no território e queassumirão a função de formar, junto a esses, seus grupos de convívio/trabalho,educadores ambientais populares, que constituirão o terceiro grupo. O desenho daarquitetura de capilaridade deve fundamentar-se em um número de educadoresambientais populares que permita que cada bairro, comunidade rural, quarteirão,sindicato, escola, possa vir a ser animado, instigado e envolvido pela atuação de umeducador ambiental popular.CARDÁPIO DE APRENDIZAGEM_______________________________________________________________________ • REFERÊNCIA 1TONSO, Sandro. Cardápio de Aprendizagem. In: BRASIL. Órgão Gestor da PolíticaNacional de Educação Ambiental. Encontros e Caminhos: Formação deEducadoras (es) Ambientais e Coletivos Educadores. Ministério do Meio Ambiente.Secretaria Executiva. Diretoria de Educação Ambiental. Brasília, 2005. Pag. 47.Volume 1. Disponível em:http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/og/pog/arqs/encontros.pdf. Acesso em:15 de agosto de 2011.Palavras-chave: autonomia, emancipação, identidade, participação, diversidade,complexidade. A palavra “cardápio”, no contexto da Educação, não chegou agora. Além, éclaro, dos cardápios das cantinas, do cardápio semanal preparado pelascozinheiras e por todos os outros usos que envolvem o cotidiano da alimentaçãonas escolas, pode-se encontrar expressão como “Cardápio de Projetos”, “Cardápiode Saber”, “Cardápio de Idéias”, sempre com o sentido explícito de listas de“projetos”, “saberes” ou “idéias” colocadas à disposição de alguém supostamenteinteressado nelas. 6
  7. 7. Neste sentido, “Cardápio de Aprendizagem” não se constitui num mistério esua idéia básica pode ser apreendida facilmente por qualquer pessoa que já tenhaido ou observado um restaurante alguma vez na vida. É um elenco de atividades(“Itens de Cardápio”) que têm por objetivo proporcionar a formação, no caso, deEducadores Ambientais na sua região. Da mesma forma, a aproximação entre “alimentação” e “educação” não é detodo estranha. Curiosamente, em Portugal, berço da nossa língua pátria, a palavra“CARDÁPIO” não existe e tem como sinônimo a palavra “EMENTA” que, por suavez, no Brasil, tem o sentido emprestado à Educação como um resumo de umadisciplina. Também vem de Portugal uma aproximação que diversos autores fazem,inclusive de modo poético, entre SABER e SABOR. Lá, o verbo “saber” tem ainda nouso corrente o sentido de “ter conhecimento” e “ter sabor”. Uma determinadacomida sabe bem! Na Itália, quando uma comida está sem gosto, diz-se que ela“non sa di niente” (“não sabe de nada”). Em latim, a raiz comum às duas palavras,“sapere” tinha o significado de “ter gosto”. Aqui no Brasil, é muito comum aspessoas usarem a palavra “gosto” para expressões do tipo: “ter gosto pelosestudos”. Assim como na literatura, muitos filmes têm nos mostrado esta relaçãoentre alimentação e conhecimento, desde “Festa de Babete”, “Vatel”, “TomatesVerdes Fritos”, “Simplesmente Marta” até o recente, “O Tempero de Vida”;finalmente, nos jornais e na televisão, encontramos esta ligação em artigos eprogramas como o “Saber-Sabor” idealizado por Rubem Alves. As ligações sãomuitas e você também deve ter a sua forma de ligar: saber, cardápio e sabor. Comoseria? Não é difícil aceitarmos que nós nos alimentamos tanto de coisas paracomer, quanto de outras “coisas”, materiais e imateriais, que nos fazem crescer,que nos restauram (daí a palavra “restaurante”). Coisas que alimentam o corpo;coisas que alimentam a alma: “Você tem fome de quê? A gente não quer só comida A gente quer comida diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída para qualquer parte”. 7
  8. 8. (Arnaldo Antunes, em “Comida”) Com tudo isso, podemos começar a discorrer sobre a idéia de “Cardápio deAprendizagem” especificamente na Formação de Educadores Ambientais propostapela Diretoria de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Perdoe-me,você Leitor, mas como educador e amante da cozinha, da arte de alimentar ealimentar-se (aliás vários educadores e educadoras gostam da culinária!), vouradicalizar nas metáforas gastronômicas da palavra “cardápio”. Ela é tãoapropriada ao sentido educacional no qual está inserida neste texto que falando daCulinária se fala da Educação e vice-versa. Conceituação: FAST FOOD “versus” SLOW FOOD Apesar do uso destas expressões em inglês, já é de uso corrente em diversaspartes do mundo, a idéia de “fast food” como algo feito rápido, padronizado,produzido em grandes quantidades. Por trás da idéia de produção em massa, paramaior eficiência de produção e barateamento de custos, há outros “custos” nãointernalizados (ou seja, não considerados) pela economia capitalista neoclássica.São custos que são “pagos” pelos indivíduos-consumidores na forma dehomogeneização dos gostos, das necessidades e dos desejos de cada um,transformados em desejos da “maioria”. Se para o processo industrial em larga escala (ao qual a Educação tambémse adaptou), a fabricação de milhares de objetos idênticos gera a chamada“economia de escala”, num processo de formação de pessoas, a tentativa deforma(ta)ção das massas, de uniformização, de “pasteurização” da educação,produz “custos” humanos e sociais ainda não mensurados. Os riscos da perda deIDENTIDADE, de PARTICIPAÇÃO no próprio destino, o bloqueio à EMANCIPAÇÃO,a destruição da AUTONOMIA, da POTÊNCIA DE AÇÃO, são conseqüência diretas damassificação da Educação que se quer questionar ao propor um “Cardápio deAprendizagem” definido por vocês próprios, nos seus “Coletivos Educadores”, comsuas definições do que seja prioritário para sua realidade socioambiental. É o oposto do “fast food” educacional; é o movimento “SLOW FOOD”,nascido na Europa, em oposição à leviandade do ato de se alimentar, preocupando-se com o quê comemos, como comemos e com quem comemos. É uma oposição à 8
  9. 9. opressão cultural que a comida “fast food” impõe ao se instalar (façam asperguntas abaixo, também, trocando o contexto “gastronômico” pelo“educacional”): a) Pode um cardápio único, padronizado, atender à fome de diferentespessoas nos 5 continentes? b) Pode-se uniformizar o modo de preparo e a forma de servir os alimentosno mundo todo? c) É possível que todos os itens de cardápio estejam presentes durante oano todo, não importando a época do ano e/ou o país? Os princípios do movimento “SLOW FOOD” apresentam muita sintonia comaqueles da Educação Ambiental crítica, emancipatória: a) utilizar somente alimentos cultivados/criados sem auxílio deagrotóxicos/hormônios; b) valorizar os agricultores/criadores da própria região; c) servir somente produtos da estação, evitando aprodução/amadurecimento artificial dos alimentos. Estes princípios lhe dizem algo? Soam familiares quando oscontextualizamos na Educação Ambiental. Como seriam os “Itens de Cardápio” dasua região, neste período do ano, se você tivesse um restaurante/escola “slowfood”? A alimentação/educação “fast food” é um afastamento da nossa realidadesocioambiental regional, é uma artificialização da formação humana, umdescolamento do território, da cultura. Um processo educativo não pode serimportado sem adaptações e apropriações específicas. E com relação às idéias, princípios de formação e conteúdos presentes noscurrículos de sua região: são adequados? De onde vieram? Foram discutidoscoletivamente? Atendem a quais necessidades e/ou interesses? Representam umabusca de re-ligação entre pessoas da comunidade e entre estas e seu contextosocioambiental? São perguntas importantes que podem ajudar neste processo defazer uma Educação Ambiental com a “sua”, a “nossa” cara! A cara de todos e decada um de nós! Metodologia: cardápio não é um “PF” (prato feito) 9
  10. 10. O “prato feito”, ou seja, os programas de formação estruturados em “grades”e “disciplinas”, têm a característica de engessar o processo de formação,considerando os educandos como uma mesma massa uniforme, com mesmosdesejos e mesmas lacunas. O “prato feito” é também o prato único, sempossibilidades de escolha. A oportunidade, oferecida por um “cardápio”, é a de proporcionar um amploleque de escolhas, de atividades de variados tipos em qualidade e quantidade,suficientes para atender à “fome de saberes” dos diversos educandos. Nãoengessar a formação é uma atitude política, na medida em que, desta forma,afirma-se a IDENTIDADE e DIVERSIDADE, acentua-se a posição de que somostodos diferentes e que a diferença não é um problema, muito pelo contrário, é umacaracterística que deve ser valorizada, incentivando que cada educando busque ositens que lhe sejam mais apropriados, incentivando-o na construção de suaAUTONOMIA. Na medida em que os educadores que estamos envolvendo têm as maisvariadas histórias de vida e de construção pessoal, a maior variedade de itens decardápio, proporciona um processo mais adaptável a cada um: integrando saberesacadêmicos e populares; atividades prioritariamente de raciocínio, com atividadesde sensibilização; debates de valores e atitudes com oferecimento de informaçõesbásicas, e assim por diante. Quanto mais variado o “Cardápio”, maior a possibilidade dedesenvolvimento sem necessidade de crescimento inútil, maior a possibilidade decrescimento sem descaracterização e finalmente, maior a possibilidade decaracterização que leve a um sentimento de PERTENCIMENTO a umaCOMUNIDADE DE APRENDIZAGEM, diversa e específica. Itens de cardápio: variedade e qualidade Os Cardápios, seja no sentido material do objeto que nos entrega o garçomou no sentido do seu conteúdo, não devem alimentar somente o corpo. Lembrem-se da beleza de como podem ser confeccionados, lembrem-se dos nomes dospratos que nos trazem sensações pela sonoridade ou pelas pessoas e lugares que 10
  11. 11. invocam: “molho roquefort”, “filé à provençal”, ou nos nossos cardápios caseiros:“o pudim da vovó”, “uma receita que veio do Japão”, “uma moqueca baiana”, etc. Da mesma forma, nossos “Cardápios de Aprendizagem” não podem selimitar à questão técnica e objetiva de oferecerem somente informações, masdevem propor atividades que brinquem conosco, que nos tragam à memória anossa história, que nos alimentem com poesia, que desenvolvam o sentido lúdico,afetivo e estético, enfim, o cardápio deve conter todas as formas que afetem oeducando. Lembre-se que afetividade e afeto vem da palavra afetar; se queremostransformar nossos educandos, devemos tocá-los e, para isso, a afetividade éfundamental. Nós obtemos o afeto de outro quando possibilitamos que o outro sedesenvolva em toda sua potencialidade: intelectual, artística, afetiva, etc. Neste sentido, os itens de cardápio podem e devem ser o mais variadopossível. Como num restaurante ou numa família, o cardápio é também uma formade comunicação entre o(s) cozinheiro(s) e os que querem se alimentar.Normalmente, o cardápio apresenta o que de melhor a cozinha sabe fazer (àsvezes, aparece sob a forma de “sugestões do chef”). O cardápio deve tambémrepresentar a cultura da própria região na qual está inserido. Quando se vai a umrestaurante japonês ou a uma jantar de uma família italiana, tem-se naturalmenteuma expectativa dos itens que “não devem faltar”, sob pena de descaracterizar olocal. O Cardápio de Aprendizagem para Formação dos Educadores Ambientais dasua região deve, portanto, apresentar itens de diferentes naturezas: informativos(que tragam informações, conteúdos e diferentes tipos de conhecimentosnecessários para fazer com que o Educador Ambiental construa um repertóriomínimo que permita participar de modo ativo nas questões socioambientais da suaregião) e formativos (que proporcionem a construção de metodologias, valores,percepções e atitudes do próprio educador em formação). Da mesma forma, devemser oferecidas atividades que permitam o desenvolvimento do senso estético eético sobre a atuação da Educação Ambiental e que ajudem o Educador a atuar demodo cooperativo, crítico e produtor de autonomia entre seus educandos. O cardápio de sua região 11
  12. 12. Um “Cardápio de Aprendizagem” também deve ser regional, ou seja, deveoferecer as melhores atividades que o Coletivo Formador tenha desenvolvido e, aomesmo tempo, deve ser representativo da região na qual está inserido.Obviamente, numa região de cultura extensiva de cana de açúcar, de latifúndios,deve-se oferecer, por exemplo, uma atividade de apresentação/discussão destatemática no seu Cardápio, tanto porque deve existir um significativo conhecimentopopular e acadêmico acumulado (pela experiência de vida cotidiana) quantoporque os Educadores Ambientais devem esperar que esta temática esta incluídana sua formação, por considerá-la importante para a discussão da qualidade devida da população local. Em regiões com outras características, de mar, de montanhas, de migraçãoestrangeira, de atividades econômicas específicas, estas deverão aparecer das maisvariadas formas como itens do seu “Cardápio de Aprendizagem”: “curso de históriaregional”, “visitas a campo”, “estágios em prefeituras e órgãos regionais”, “debatestemáticos com pessoas de diferentes setores”, “criação de jornais/boletins daregião/bairro”, “criação de um cineclube com temáticas locais”, “valorização deESTRUTURAS E ESPAÇOS EDUCADORES locais” e dezenas de itens que somentevocês, Leitor e colegas, com o conhecimento que têm, podem enumerar e criar. UmCardápio, assim concebido, coletivo e diverso, garante a COMPLEXIDADE numprocesso amplo e rico de formação de Educadores Ambientais.Por outro lado, nas nossas compras em feiras/mercados ou nos restaurantesaparece, com freqüência, a expressão: “frutas da estação”. Os cardápios, portantonão podem ser sempre os mesmos num mesmo restaurante (ou ColetivoEducador). As modificações sazonais do ambiente também podem influenciar nariqueza e diversidade do Cardápio. Com as modificações do ritmo de vida no ano,as atividades no Cardápio podem e devem variar para se adaptar a elas. Porexemplo, nos períodos de chuvas há atividades específicas de observação eaprendizagem que não podem ser feitas em outras épocas do ano. Nos períodos decolheitas, em certas regiões, há uma migração sazonal de trabalhadores que nospermite conhecê-los e saber que, em outros meses, esta população está em outrasregiões.·. Um certo caminho proposto 12
  13. 13. Ainda, sobre os “Itens de Cardápio”: algumas culinárias regionais, emespecial a italiana, a francesa, e também a de nossa casa, têm uma certa ordem deoferecimento das iguarias. Todos nós ouvimos, ao menos “um milhão de vezes”,nossos pais nos impedindo de comer (e nem experimentar!) o doce antes dosalgado! Nas famílias e restaurantes italianos, temos o “antepasto” (entrada, queprepara o paladar, que deve ser apenas um convite e não saciar a fome), “Il primopiatto” (o primeiro prato, ou seja, uma massa ou risoto, que acalma a fome inicial eprepara para o prato principal), “il secondo” (o segundo prato, ou seja, uma carneacompanhada de legumes, que deve ser saboreada com prazer e não com fome), “lainsalata” (as saladas que são de mais difícil digestão e devem chegar ao estômagoquando este estiver em plena atividade para facilitar o aproveitamento das fibras),“i dolci o frutta” (a sobremesa dedoces ou frutas, que fornecem energia rápida –açúcares – para a conclusão da digestão) e “il digestivo” (uma bebida alcoólica,também para facilitar a digestão). Este ritual, bem conhecido por alguns de nós queainda o mantém, tem uma razão de ser. Segundo algumas culturas e pessoas, háuma certa ordem para se alimentar, há alguns itens que não podem faltar: “se nãotiver arroz, não parece que eu comi!”. Reparem que cada item de cardápio está numa ordem e contribui para oprocesso todo da digestão. Será que na definição do “Cardápio de Aprendizagem”da sua região há alguns itens que vocês consideram fundamentais para a Formaçãodos Educadores Ambientais? Há alguns itens que vocês vão considerarimprescindível que todos façam? Alguma experiência pela qual todos devampassar? Algum curso que todos devam fazer? Da mesma forma, há atividades do seu Cardápio que vocês desejam oferecerantes que outras? Atividades preparatórias a outras; atividades de estímulo aoutras; atividades que facilitem o aproveitamento de posteriores... É claro que nãose está propondo um engessamento (refutado linhas acima!), mas há uma opçãopolítico-pedagógica que deve transparecer no cardápio, há uma opção política deformação de Educadores Ambientais da sua região que não deveria ser qualqueruma, mas uma própria ao seu contexto socioambiental.··. O “Cardápio de Aprendizagem” e você 13
  14. 14. Você pertence a uma Instituição educacional ou uma instituição educadorade alguma maneira? O que você acha que os futuros Educadores Ambientaisesperam que a sua Instituição ofereça para a formação deles? Você acha que vocêe/ou a sua Instituição podem contribuir para a formação deles? Se sim, como? Qualo “Item de Cardápio” você tem a oferecer? Porque você considera que seriaimportante que eles “experimentassem” o seu item? Qual a relação do seu “Item deCardápio” com os demais “Itens” oferecidos pelas outras instituições parceiras noColetivo Educador de sua região? Estas são questões importantes para a confecção e discussão “Cardápio deAprendizagem” do seu Coletivo Educador, após a definição do Projeto PolíticoPedagógico. É no “Cardápio” e nas sugestões de prioridades de itens que aconcepção de formação que vocês definiram vai se materializar. E mais! Estas questões também são importantes para que o educando possaescolher melhor os itens que mais atendam às suas necessidades: seus desejos(prazer) e lacunas (fome), construindo um caminho único para cada EducadorAmbiental da sua região e, mesmo assim, formando uma COMUNIDADE DEAPRENDIZAGEM que se reconhece pois foi construído um sentimento dePERTENCIMENTO mesmo na DIVERSIDADE, próprio às famílias nos almoços deDomingo! • REFERÊNCIA 2Dicionário socioambiental: idéias, definições e conceitos. Organização EdaTassara; texto Helena Tassara; fotos Ricaros Burg. -- São Paulo, FAARTE Editora,2008. Pág. 36 Expressão que tem sido utilizada por setores de educadores popularescomprometidos com o ideário do socioambientalismo e pelas instituições eorganizações componentes de Coletivos Educadores para designar o acervodisponível de iniciativas e/ou atividades por eles desenvolvidas em suas práticasde intervenção pedagógica/educativa. Muito além de compor uma lista de “idéias”,“procedimentos”, “processos” pré-definidos, um cardápio de aprendizagem, nesse 14
  15. 15. caso, pode ser definido como um conjunto de opções de processos formativos,muitíssimo flexível, dos quais os educadores podem lançar mão para compor umdeterminado currículo em processos de intervenção. O importante é que elessejam escolhidos de acordo com as necessidades reais de enfrentamento dasquestões socioambientais presentes em cada grupo especifico de educandos. Oobjetivo é a afirmação da identidade e da diversidade dos componentes daquelegrupo, incentivando-os na construção de sua própria autonomia. Os itens quepodem compor um cardápio de aprendizagem devem ser de diferentes naturezas:informativos (que auxiliem na construção de um repertório mínimo para umaparticipação ativa nos processos decisórios que envolvam questõessocioambientais em seu território) e formativos (que proporcionem a construçãode metodologias, valores, percepções e atitudes). Alguns exemplos de elementosdesse cardápio podem ser: oficinas, cursos, minicursos, vivências, elaboração demapas e maquetes do território, visitas técnicas, a respeito dos mais variadostemas e assuntos com relevância para o território, incorporando os diferentessaberes, desde o acadêmico até o popular. Com o tempo, o cardápio deaprendizagem vai incorporando competências e saberes populares no própriogrupo. • REFERÊNCIA 3BRASIL (2007). Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de ArticulaçãoInstitucional e Cidadania Ambiental. Departamento de Educação Ambiental.Coletivos Educadores para Territórios Sustentáveis. Brasília: MMA, 2007. 26p.;21 cm. É um conjunto de conteúdos e processos formativo na área da EducaçãoAmbiental promovidos, num primeiro momento, pelas instituições componentesdo Coletivo Educador (ou mesmo por instituições parceiras e por especialistas dedeterminado saber popular, técnico ou científico) que podem ser escolhidos paracompor o currículo de grupos de educandos, de acordo com as suas necessidadesreais de enfrentamento das questões socioambientais. Exemplos de itens quepodem compor o Cardápio: oficinas, cursos, mini-cursos, vivências, visitas técnicas, 15
  16. 16. etc, a respeito dos mais variados temas e assuntos com relevância para o território,incorporando os diferentes saberes, desde o acadêmico até o popular. Com otempo o cardápio de aprendizagem vai sendo incorporado.COLETIVOS EDUCADORES • REFERÊNCIA 1BRASIL. Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental. ProgramaNacional de Formação de Educadoras(es) Ambientais: por um Brasil educado eeducando ambientalmente para a sustentabilidade. Brasília: MMA/MEC. 2006.Série Documentos Técnicos - 8. 52p. Disponível em:http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=20&idMenu=4137. Acesso em: 15 de agosto de 2011. O que são Coletivos Educadores? Coletivos Educadores são conjuntos de instituições que atuam em processosformativos permanentes, participativos, continuados e voltados à totalidade ediversidade de habitantes de um determinado território. O Coletivo Educador é, aomesmo tempo, resultado e realizador do Programa Nacional de EducaçãoAmbiental (ProNEA) e do Programa Nacional de Formação de Educadoras eEducadores Ambientais (ProFEA). O papel de um Coletivo Educador é promover aarticulação institucional e de políticas públicas, a reflexão crítica acerca daproblemática socioambiental, o aprofundamento conceitual e criar condições parao desenvolvimento continuado de ações e processos de formação em EducaçãoAmbiental com a população do contexto, visando a sinergia dos processos deaprendizagem que contribuem para a construção de territórios sustentáveis. Os Coletivos Educadores favorecem a continuidade das propostas deformação, a otimização de recursos locais, regionais e federais, a articulação deprogramas e projetos de desenvolvimento territorial sustentável. Para que odesenvolvimento de processos educacionais amplos, continuados, sincrônicos epermanente que perpassem todo o tecido social há a necessidade da conjunção derecursos e competências que dificilmente se encontram numa única instituição. 16
  17. 17. Qual o objetivo do Programa de Coletivos Educadores? Esperamos que, com a articulação e fortalecimento desses ColetivosEducadores em todo o país, possamos ver a formação de atores sociais/educadoresambientais populares críticos e atuantes. Ou seja, esperamos que com um processoqualificado e fortalecido de formação e diálogo nos territórios, as pessoas sesintam parte de um mundo onde podem interferir nas decisões e caminhosescolhidos para seu país, seu estado, sua cidade, seu bairro, sua vida! Acreditamos que para termos uma participação social que leve emconsideração a necessidade de um mundo mais justo, mais preservado e maisharmonioso é necessário investirmos no potencial transformador das pessoas e,para tanto, achamos que a melhor forma seja através da educação, da formaçãoresponsável de cada brasileiro e brasileira. Assim, o objetivo do Programa de Coletivos Educadores é que cada pessoadeste país tenha acesso a um processo de formação que permita sua transformaçãocrítica, sua atuação e sua participação nas definições dos rumos para este país eeste mundo! Quem compõe o Coletivo Educador? O Coletivo pode ser constituído por educadores/as e agentessociais/ambientais de diferentes instituições que desenvolvam ações formativasno campo da educação ambiental, da educação popular, da formação deprofessores/as, da extensão rural, da formação técnica socioambientalista, dentreos mais diferentes setores, nas Universidades, nas Secretarias de Educação, nasSecretarias de Meio Ambiente, no IBAMA, no Instituto Chico Mendes, nas ONGs, nasPastorais, nas Federações Sindicais, nas CIEAs, nas Redes de Educação Ambiental,nos Movimentos Sociais. Estes grupos, articulados com os Poderes Públicos Municipais e Estaduais eoutras instituições (empresas, organizações não governamentais, movimentossociais, movimentos sindicais, pastorais, etc) avaliarão, planejarão e desenvolverãoprojetos e práticas voltadas à constituição de cada município do território como 17
  18. 18. um Município Educador Sustentável - MES e o território, como um todo, como umTerritório Educador Sustentável. Quem pode ser envolvido no processo educativo? O público diretamente envolvido no processo educativo, a serimplementado pelo Coletivo Educador, deve ser composto por todos os segmentossociais daquele território, especialmente aqueles indivíduos que têm atuado emprocessos de enfrentamento da problemática socioambiental. Deve envolver, porexemplo, lideranças comunitárias, professoras/es, agentes de saúde, agentespastorais, extensionistas, técnicas/os municipais, participantes de sindicatos efederações de trabalhadoras/es, movimentos sociais, ONGs, etc. Como atuam os Coletivos Educadores? Os Coletivos Educadores devem promover processos sincrônicos deformação de educadoras/es, educomunicação, educação por meio de fóruns ecolegiados e educação por meio de estruturas educadoras. Esses processos de formação podem envolver diferentes modalidades eestratégias de ensino-aprendizagem visando a participação de todos os setoressociais daquele território. Assim, uma articulação de diversos grupos deeducadoras/es ambientais (acadêmicos e populares) é fundamental para que oColetivo Educador possa atuar nos mais diferentes contextos. A constituição do Coletivo Educador surge como uma estratégia para aimplementação de políticas públicas federais, estaduais e municipais de educaçãoambiental, uma vez que é uma instância institucional de interlocução e dereferência para as ações educadoras locais. Por meio dos Coletivos Educadores, osdiversos Ministérios e instituições com atuação junto a temas como educaçãoambiental, extensão rural, saneamento ambiental, sustentabilidade, diversidade,qualidade de vida, autonomia, educação e participação social poderão articularsuas políticas de formação de gestoras/es públicos, conselheiras/os, técnicas/os,educadoras/es, professoras/es e lideranças em geral, assim como qualificar seusfóruns de participação social e suas intervenções educacionais voltadas à criaçãoe/ou aprimoramento de estruturas e espaços que sejam potencialmente 18
  19. 19. educadoras na direção da sustentabilidade. Os Coletivos Educadores podemconstituir-se em parcerias estratégicas na elaboração, na implementação e nocontrole social de Políticas Públicas no âmbito dos territórios onde atuam. Áreas geográficas contínuas, definidas enquanto Territórios, Bacias, Pólos,Áreas de Proteção Ambiental, têm sido objeto de políticas e programas que visamum planejamento e gestão participativa regional com vistas à qualidade ambientale sustentabilidade. A maior parte destas propostas inclui, invariavelmente,componentes de educação ou capacitação de lideranças, agentes dedesenvolvimento, conselheiras/os ou educadoras/es que dêem consistência ecapilaridade aos processos implicados na busca pela sustentabilidade. Estasiniciativas, quando não articuladas, podem padecer de sombreamentos ecompetições no que se refere a recursos regionais, instituições parceiras, recursoslogísticos e financeiros uma vez que pela convergência política das propostas elastendem a encontrar os mesmo sujeitos. O Coletivo Educador e as COM-VIDAs As COM-VIDAs são grupos que pensam seu espaço no tempo, tanto naEscola (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola) quanto foradela, que são as Comunidades de Aprendizagem para Qualidade Ambiental e deVida na comunidade, no bairro, na quadra, na Associação de Bairro, etc. Ambasdialogam e se fortalecem na medida em que a ação de uma reforça a atuação enecessidade da outra. Assim, não são propostas separadas por utilizaremmetodologias diferentes, são complementares. A proliferação de Comunidades de Aprendizagem pela Qualidade Ambientale de Vida é um dos mais importantes resultados esperados do ProFEA e da açãodos Coletivos Educadores. As COM-VIDAS são espaços situados no tempo que participam de umconjunto presente de relações sociais, humanas, econômicas, ambientais que foiconstruído, mais ou menos democraticamente, ao longo da história passada, e quepode ser reconstruído para um futuro desejado por todos que dele participam. Nas comunidades dão-se encontros presenciais de sujeitos de saberes comsuas histórias de vida e de seu lugar e que neste encontro fazem das Comunidades 19
  20. 20. espaços privilegiados, plenos de potencial para a realização de diagnósticos,planejamentos dialógicos e intervenção para construção de projetos de futuro.Lugar de pesquisa, avaliação, reflexão, decisões, práticas, ações, afetividade,cultivos, cultura. Assim, o diálogo nas Comunidades de Aprendizagem pelaQualidade Ambiental e de Vida cria espaços emancipatórios dos sujeitos e doslugares. • REFERÊNCIA 2FERRARO JÚNIOR, Luiz Antonio; SORRENTINO, Marcos. Coletivos Educadores.In: BRASIL. Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental. Encontros eCaminhos: Formação de Educadoras (es) Ambientais e Coletivos Educadores.Ministério do Meio Ambiente. Secretaria Executiva. Diretoria de EducaçãoAmbiental. Brasília, 2005. Pag. 57. Volume 1. Disponível em:http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/og/pog/arqs/encontros.pdf. Acesso em: 15de agosto de 2011.Palavras-chave: comunidade; políticas públicas; ação-reflexão; pesquisa ação-participante; território; alteridade; democracia; educomunicação; pertencimento;pesquisa-ação-participante. O coletivo educador é a união de pessoas que trazem o apoio de suasinstituições para um processo de atuação educacional em um território. Deve seconstituir como uma Comunidade Aprendente (Brandão, 2005), uma ComunidadeInterpretativa (Avanzi e Malagodi, 2005), um grupo de Pesquisa-Ação-Participante-PAP (Viezzer, 2005), um grupo de Pessoas que AprendemParticipando-PAP (Sorrentino, 2005), forjando-se como uma Comunidade deDestino (Bosi, 1995) de Vida e de Sentido (Morais, 2005 e outros), umaComunidade Afetiva (Halbwachs, 1990), um lugar/momento para os “bonsencontros” (no sentido Espinosano6 dos encontros que ampliam nossa potência deação), enfim um grupo no qual educadores se articulam, pessoal eprofissionalmente, para o Encontro (no sentido Buberiano7 do encontrohumanizador) e para a Práxis (no sentido Gramsciano8, da ação-reflexão dialéticana realidade histórica). 20
  21. 21. Ao definir a idéia de Coletivo Educador que nos anima é importante reforçaras duas dimensões, subjetiva e objetiva, que fazem do Coletivo Educador umespaço tão útil quanto belo. A dimensão do belo é a do Coletivo Educador como um pouco da Utopiaagora e aqui! Os que sonhamos um mundo em que as relações humanas e sociaisnão se resumam ao funcionalismo, ao utilitarismo, ao monetário, não resistiríamosse não pudéssemos viver isso já, no encontro com aqueles companheiros ecompanheiras que fazem sentir que partilhamos buscas que transcendem a nósmesmos, nosso tempo biológico, aqueles que ao final de uma conversa nos fazemficar pensando, encontrando o “Outro” (vivendo a Alteridade enquanto umencontro humanizador) e pensando “que bom”, é o próprio destino buscadoacontecendo aqui e agora. Esta é uma dimensão de transcendência que remete àreflexão sobre o Coletivo Educador e aos conceitos de Comunidade de Destino,Comunidade Afetiva, Comunidade de Vida, ao espaço do Encontro, da Alteridade,da Potência de Ação. São espaços da “tecedura do coletivo nômade” e “daengenharia do laço social”, nos quais predominam a “hospitalidade”, a “capacidadede ser” e o “aumento da potência” (Levy, 1998). A dimensão do útil refere-se ao Coletivo Educador como grupo deprofissionais que se aproximam para superar lacunas e dificuldades e potencializaras qualidades e capacidades de cada instituição, de cada pessoa, para possibilitarprocessos de educação ambiental permanentes, articulados, continuados evoltados a totalidade de habitantes de um determinado território. Constitui onúcleo de planejamento pedagógico de um amplo programa educacional e dedesenvolvimento de processos formativos de formadores de educadoras(es)ambientais e seus grupos de Pesquisa-Ação- Participante. Grupo que compartilhaobservações, visões e interpretações da mesma forma que planeja, implementa eavalia processos de formação de educadores ambientais. Justificativa O papel de um Coletivo Educador é promover a articulação de políticaspúblicas, reflexões críticas, aprofundamento conceitual, instrumentalização para aação, pró-atividade dos seus participantes e articulação institucional, visando a 21
  22. 22. continuidade e sinergia de processos de aprendizagem de modo a percolar, deforma permanente todo o tecido social do território estipulado. Os Coletivos Educadores favorecem a continuidade e permanência dosprocessos educacionais, a consistência e adequação das propostas de formação, aotimização de recursos locais, regionais e federais, a ampliação das cargas horáriasde formação, a articulação de programas e projetos de desenvolvimento territorialsustentável, pois processos amplos, continuados e que perpassem todo o tecidosocial dependem de uma conjunção de recursos e competências que não seencontram numa única instituição. Por meio de Coletivos Educadores as instituições e movimentosrelacionados ao campo da educação ambiental poderão articular suas políticas deformação de gestores públicos, conselheiros, técnicos, agentes de desenvolvimentolocal, educadores, professores e lideranças em geral, assim como qualificar seusforos de participação social e suas intervenções educacionais voltadas à criação eou aprimoramento de estruturas e espaços que tenham potencialidade de atuaçãocomo educadoras na direção da sustentabilidade. Quem compõeO Coletivo pode ser constituído por educadores de diferentes instituições quedesenvolvam ações formativas no campo da educação ambiental, da educaçãopopular, da formação de professores, da extensão rural, da formação técnicasocioambientalista, dentre os mais diferentes setores, nas Universidades, nasSecretarias de Educação, nas Secretarias de Meio Ambiente, nos NEAs do IBAMA,nas ONGs, nas Pastorais, nas Federações Sindicais, nas CIEAs, nas Redes deEducação Ambiental, nos Movimentos Sociais. Objetivo O objetivo de um Coletivo Educador é promover reflexão crítica,aprofundamento conceitual, instrumentalização para a ação, proatividade dos seusparticipantes e articulação institucional visando a continuidade e sinergia de 22
  23. 23. processos de aprendizagem de modo a percolar, de forma permanente todo otecido social da região foco. O Coletivo Educador deve ser demarcado por umterritório de pertencimento, que pode ser geográfico, setorial ou simbólico (Zaoual,2003, fala dos Sítios Simbólicos de Pertencimento). Só um Coletivo contextualizado é efetivamente capaz de responder aosdesafios peculiares a cada território. A articulação dos esforços e a valorização dascompetências regionais permitem a consecução do objetivo de democratizar umapolítica pública e não limitar sua execução a poucos projetos piloto. A constituiçãodo coletivo educador é estratégia essencial para a implementação de políticaspúblicas federais, estaduais e municipais de gestão e educação ambiental, além daelaboração de políticas públicas no âmbito dos contextos onde atuam. Por meiodos Coletivos Educadores os diversos Ministérios com atuação junto aos temas daeducação ambiental, diversidade, qualidade de vida, autonomia, emancipação eparticipação social poderão articular suas políticas de formação de gestorespúblicos, conselheiros, técnicos, educadores, professores e lideranças em geral. Como atuam Coletivos Educadores devem assumir-se enquanto grupo de Pesquisa-Ação-Participante, isto implica em um processo permanente de ação-reflexão, depesquisa e intervenção, de análise, de delineamento participativo de estratégias,implica também em procedimentos democráticos, não hierarquizados etransparentes. Os Coletivos Educadores devem promover processos sincrônicos deformação de educadores, educomunicação, educação por meio de foros e coletivose educação por meio de estruturas educadoras, além dos cursos e processoscontinuados de formação de educadores e educadoras ambientais, numaperspectiva de capilarização para toda a base territorial ao qual se destina,utilizando distintas modalidades e estratégias de ensino/aprendizagem, através daconstituição e articulação de diversos grupos de educadores ambientais (deacadêmicos a populares) que atuem nos mais diferentes contextos desse território.Estes grupos, articulados com os Poderes Públicos Municipais e outras diferentesinstituições (empresas, organizações não governamentais, movimentos sociais, 23
  24. 24. movimentos sindicais, pastorais, etc...) avaliarão, planejarão e desenvolverãoprojetos e práticas voltadas à constituição de cada município do território comoum Município Educador Sustentável – MES9 e o território, como um todo, como umTerritório Educador Sustentável. Um Coletivo de Educadores Ambientais pesquisa seu contexto no sentido devalorizar as diferentes práticas sociais existentes, para desenvolver umacapacidade de efetivo diálogo de saberes, pesquisa para conhecer as redes sociais,os fluxos de comunicação e, principalmente, pesquisa “com” e não apenas “sobre”ou “para” seus públicos. Frente a esta diversidade o Coletivo Educador deverá desenvolver múltiplasestratégias, linguagens, espaços, meios e modalidades de formação. Um aspectochave a ser desenvolvido é o Cardápio Regional de Ações Formativas que reúne asdiferentes competências regionais nos formatos mais diversos, tais como oficinas,cursos, vídeos, palestras, disciplinas, espaços educadores, textos, vivências paraserem acessadas autonomamente pelos coletivos de educandos. A idéia docardápio dialoga com o conceito da Sociologia das Emergências de Boaventura deSousa Santos, os conhecimentos, técnicas, formas de produção, de consumo, delazer, de expressão cultural, de arte, devem vir à tona através de uma sociologiadas emergências que (re)coloque toda a riqueza de um dado contexto como opçõespara o caminho; a pertinência de cada item deve ser julgada ética, política, técnicae esteticamente pelo grupo social, segundo múltiplos parâmetros, isto ajuda aenfrentar a “sociologia das ausências” que a racionalidade econômica opbr/educambiental era ao transformar em inútil, arcaico, anacrônico, dispensável,esquecível, abandonável tudo o que não se inscreve na sociedade com valor detroca viável. Assim, o cardápio é progressivo; conhecimento acadêmico e técnicocientífico estão mais presentes nas instituições como academias e ONGs,entretanto conforme o Coletivo Educador vai encontrando a sociodiversidade docontexto vão surgindo outros saberes: saberes barco, peixe, árvore, cesta, comida,jogos, festa. E como diz O’Connor (2003, p.49) “Qualquer que seja o caso, o quemenos necessitamos é de fracionalistas, sectarismo, linhas corretas – ao contrário,precisamos examinar criticamente todas as fórmulas políticas desgastadas pelotempo e desenvolver um espírito ecumênico para celebrar nossos bens comunais,velhos e novos, tanto como nossas diferenças”. 24
  25. 25. Com quem atua O público diretamente envolvido no processo educativo, a serimplementado pelo Coletivo Educador, deve ser composto, por exemplo, porlideranças comunitárias, professores, agentes de saúde, técnicos municipais,participantes de sindicatos e federações de trabalhadores, movimentos sociais,Ongs, etc. São grupos dialógicos empenhados em interpretar o contexto e enfrentaras assimetrias de poder e linguagem dentro do grupo na definição e busca dofuturo desejado. As intervenções educacionais desenvolvidas por estes Coletivos Educadoresvisam a formação de educadores e de outros coletivos de Pesquisa- Ação-Participante constituídos da máxima diversidade e representatividade social,cultural e política possível no contexto. Desta forma seus públicos envolverãolideranças de movimentos, sindicatos, associações, técnicos de ONGs, pastorais,prefeituras, órgãos públicos, empresas, professores, jovens, ambientalistas,animadores culturais. A forma de constituir os grupos de educandos devevislumbrar o envolvimento de 100% dos setores e territórios da região, podendoser formados diferentes grupos homogêneos ou heterogêneos. É objetivo que estesgrupos de educandos vão se articulando como Comunidade Interpretativa e deAprendizagem e que atuem juntos como grupo de Pesquisa-Ação-Participante. ExemplosRUPEA: a Rede Universitária de Programas de Educação Ambiental é um exemplode um Coletivo Educador setorial, ou seja, voltado ao setor acadêmico. Há nasuniversidades brasileiras um grande número de iniciativas no campo da formaçãode educadores ambientais, entretanto, cada universidade isoladamente carece derecursos, de espaços institucionais, de quantidade de profissionais engajados naárea. Três Universidades (UESB-Universidade Estadual do Sudoeste Baiano, UEFS –Universidade Estadual de Feira de Santana e USP- Universidade de São Paulo), em1999, começaram a se articular para que cada uma delas pudesse, partilhando 25
  26. 26. recursos, profissionais e materiais, realizar um programa de formação deeducadores ambientais. Esta iniciativa, que se provou extremamente frutífera paratodas as envolvidas deu origem à RUPEA que hoje articula mais de 12universidades que têm partilhado e desenvolvido projetos em comum, refletido esugerido políticas públicas em diálogo com o Órgão Gestor da PNEA.Organizações e Movimentos de Monte Santo (BA): criada em 1997, a partir deuma articulação das comunidades da região de Monte Santo, a EFASE (EscolaFamília Agrícola do Sertão) foi criada em virtude da necessidade sentida peloscamponeses de oferecer a seus filhos e filhas uma educação formal que não osdesvalorizasse, não os estimulasse ao afastamento das comunidades e que aocontrário fortalecesse os vínculos com o campo, com suas comunidades e com umaação voltada ao desenvolvimento local.O sucesso desta escola foi fruto não somente da mobilização comunitária, mastambém de um conjunto de instituições da região que foram respaldando suaconstrução. Hoje a EFASE desempenha um papel articulador interinstitucional,agregando instituições como PROCUC (Programa Curaçá-Uauá- Canudos), IRPAA(Instituto Regional da Pequena Agricultura Apropriada), MPA (Movimento dosPequenos Agricultores), CPT (Comissão Pastoral da Terra), Sindicato dosTrabalhadores Rurais (STR) de Monte Santo, STR de Itiúba, Prefeitura Municipal deItiúba (através de sua secretaria de educação), Central das Associações de Fundode Pasto de Senhor do Bonfim, CETA (Movimento Estadual de Trabalhadores(as)Acampados(as) e Assentados(as) da Bahia e UEFS (Universidade Estadual de Feirade Santana) em diversos projetos de formação de educadores e agentes dedesenvolvimento comunitário. Hoje, esta articulação envolve (e é envolvida por)aproximadamente 12 municípios e 150 comunidades rurais. Há partilha deresponsabilidades, construção democrática dos projetos, articulação decompetências (cardápios de aprendizagem) e um grande avanço no sentido desuperar sombreamentos e concorrências entre ações das instituições dando lugar auma sinergia das ações no âmbito regional.Coletivo de Cuiabá e região: já tomando por base a teoria sobre ColetivosEducadores que temos sistematizado a partir de inúmeros referenciais teóricos e 26
  27. 27. práticos (como os exemplos acima), a DEA/MMA desde 2004 começou, emparceria com o Programa Pantanal, a estimular a criação de 8 ColetivosEducadores no âmbito da Bacia do Alto Paraguai (estados de MT e MS). Foramrealizadas reuniões para discutir a proposta com as instituições da região e hoje, oColetivo Educador de Cuiabá reúne diversas instituições de diferentes setorescomo UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso),ECOPANTANAL - Instituto de Ecologia e Populações Tradicionais do Pantanal,Federação dos Pescadores do Estado de Mato Grosso, REMTEA (RedeMatogrossense de Educação Ambiental), UNEMAT (Universidade Estadual do MatoGrosso), IBAMA-NEA, SEMA (Secretaria Estadual de Meio Ambiente), SEDUC(Secretaria Estadual de Educação e Cultura), INCRA, SENAR (Serviço Nacional deAprendizagem Rural), UNIRONDON (Faculdades Integradas Cândido Rondon),CEFET-MT, ADERCO (Associação de Defesa do Rio Coxipó), AMEMATOGROSSO(Associação Matogrossense de Ecologia), UNIVAG-Centro Universitário, FORMAD(Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento). Atualmente, estecoletivo já possui um amplo cardápio de aprendizagem regional, um corpo deprofissionais para orientação de educandos, seu projeto político pedagógicoelaborado, já vem desenvolvendo projetos de formação interna e neste momento(set/2005) está em processo de formatação de vários convênios que garantam asustentabilidade do processo independente do estímulo federal.Coletivo Educador da Bacia do Paraná III e Entorno do Parque Nacional doIguaçu: A proposta surgiu da articulação entre a equipe da Itaipu Binacional e daDEA com o intuito de desenvolver um Programa de Educação Ambiental com basena proposta (ProFEA) da DEA/MMA na região da Bacia do Rio Paraná III, queenvolve 34 municípios. Após esses diálogos e discussões sobre o programaelaborado pela DEA, o passo seguinte foi a assinatura de um convênio entre aItaipu Binacional e o MMA, além da consolidação de parceria com o IBAMA atravésdo Parque Nacional do Iguaçu. Hoje o Coletivo Educador envolve além da Itaipu-Binacional e do Ibama-Parque Nacional do Iguaçu instituições de diversos setorescomo a UNIOESTE, Secretaria de Educação do Estado do Paraná, SecretariaMunicipal de Meio Ambiente de Foz do Iguaçu, as Prefeituras dos 34 municípios, aSANEPAR, o MST, a ONG Maytenos, UNIGUAÇU, EMATER-PR, AMOPE (Associação 27
  28. 28. dos Municípios do Oeste do Paraná), Conselho dos Municípios Lindeiros do Lago. Apartir do estabelecimento de parcerias foi definida a constituição de um Coletivocomposto por três núcleos articulados: Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo. Foielaborado, através de reuniões de trabalho nos núcleos, um Projeto PolíticoPedagógico para o coletivo como um todo, contendo itens de cardápioscompartilhados entre os três núcleos. Já se desenvolveram discussões sobrecritérios de seleção dos Formadores de Educadores Ambientais Populares nosnúcleos e seminários de formação e apropriação crítica da proposta pelo grupo dasinstituições. Atualmente está em andamento o processo seletivo dos educandos(PAP3 – formadores de educadores ambientais populares) e está previsto oprimeiro módulo de formação para novembro de 2005. Alguns passos para organizar os Coletivos Educadores• Reunião de Articulação: uma instituição articuladora, setorial ou territorial,reúne um pequeno conjunto de instituições que também desempenham atividadesformativas no campo da educação ambiental, educação popular, educomunicaçãoambiental, formação de educadores, formação de professores... Nesta reunião, éapresentada e debatida a proposta de um Programa de Formação de EducadoresAmbientais (podendo-se tomar por base o programa elaborado e disponibilizadopela DEA/MMA), inicia-se um primeiro levantamento das ações realizadas ouplanejadas e das outras instituições que possam contribuir com o ColetivoEducador. Uma agenda de trabalho pode ser organizada para socialização internaàs instituições, para mapeamento e articulação de outras instituições correlatas. Éimportante que se defina um recorte territorial prévio a ser envolvido peloColetivo Educador.• Oficina de trabalho para Constituição do Coletivo Educador: com o objetivode constituir e planejar o trabalho do Coletivo Educador debate-se e aprofunda-seo entendimento e comprometimento com uma perspectiva crítica, emancipatória epopular de educação ambiental, sistematizam-se as experiências acumuladas pelasinstituições presentes para formação do primeiro Cardápio Regional de AçõesFormativas, avaliam-se as estratégias mais interessantes para envolvimento da 28
  29. 29. região, seus poderes públicos e sociedade civil. Para a operacionalização das açõespode-se dividir o Coletivo Educador em subgrupos ou núcleos que possam ter umaagenda mais sistemática de encontros. Quando necessário, pode-se definir umGrupo Articulador operacional, representativo do Coletivo Educador.• Articulação Político-Institucional: o grupo articulador do Coletivo Educadorbuscará envolver instituições que possam dar tanto um suporte logístico-financeiro quanto político-pedagógico à proposta. O mapeamento dos recursosfinanceiros, materiais e humanos disponíveis é chave para a exeqüibilidade daproposta. Outro papel desta etapa de articulação político-institucional é criar asbases jurídicas necessárias para o envolvimento dos profissionais e suasinstituições no Coletivo Educador.• Aprofundamento e debate sub-regional: em cada sub-região os membros doColetivo Educador sistematizam seu cardápio, definem competências para tutoriade educandos e planeja os demais papéis. É de fundamental importância que estegrupo sub-regional inicie um mapeamento das experiências sociais dos locais, asredes sociais, as estruturas educadoras, os grupos, a segmentação social e outrosaspectos fundamentais para a seleção de educandos, para a valorização dasexperiências populares, para o diálogo de saberes e para a ampliação do cardápio.A formação dos grupos de Pesquisa-Ação-Participante de educandos pode estarsob a responsabilidade de uma instituição ou de frações do Coletivo Educador que,neste caso, reportam-se a ele como referência para coordenação das ações naregião (como no exemplo do coletivo do Paraná-III).• Elaboração da proposta de formação: numa oficina, em um outro momento oua partir de um grupo menor do Coletivo Educador elabora-se uma proposta deFormação Continuada de Pessoas que Aprendem Participando, construindo a suasincronicidade com os demais processos formativos desenvolvidos ou planejadospeloColetivo. 29
  30. 30. • Seleção de educandos e desenvolvimento das propostas de formação: oColetivo Educador deverá articular todo o processo seletivo dos formadores deeducadores ambientais de modo a envolver a diversidade social e territorial docontexto em questão. As propostas de formação desenvolvidas pelos núcleosdeverão atingir um profundo diálogo e interdependência, inclusive permitindo queos educandos percebam-se como parte de um processo regional-nacional,servindo-se do amplo conjunto de opções -cardápio- resultante do mesmo.• Avaliação/replanejamento e articulação permanentes: o Coletivo Educadordeverá se reunir para avaliar o andamento das propostas, desenvolver estratégiasde avaliação dos projetos de intervenção dos educandos, reorientar as propostasde formação, elaborar materiais de apoio pedagógico e sempre que necessárioconstituir grupos temáticos transversais às sub-regiões atendendo às necessidadesde conteúdos e instrumentos dos educandos. Algumas perguntas orientadoras 1) Quem são as instituições de nosso território que, de alguma forma,promovem processos de formação ou intervenções educacionais? 2) Quais os desafios da educação ambiental crítica no nosso contexto? 3) Que formação devemos ter e oferecer enquanto educadores e educadorasambientais? 4) Como um programa de educação ambiental poderia envolver TODO onosso contexto? 5) Como nossas instituições devem se articular para realizar um programacontinuado de Formação de Educadores Ambientais? 6) Quem são, no nosso contexto, as pessoas que poderiam desempenhar opapel de formadores de educadores ambientais populares de modo a envolverTODAS as pessoas? Aprofundamento 30
  31. 31. Filme: “Quase dois irmãos”Direção: Lúcia Murat; Duração: 102 minutosConta à história de dois personagens de origens distintas, um preso comum e umpreso político que, tornando-se amigos dentro da prisão, são articuladores demovimentos coletivos de naturezas distintas.Curtas: Brasil AlternativoDireção: Renato Levi; Produção: TV Cultura e Instituto Ecoar para a CidadaniaSão 6 curtas relatando experiências de articulação entre pessoas e gruposbuscando melhor qualidade de vida.Referências BibliográficasBOSI, E. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia dasLetras, 1995.BARBIER, R. Pesquisa-ação na instituição educativa. Rio de Janeiro: Zahar, 1985._____. A pesquisa-ação. Brasília: Ed. Plano, 2002.BRANDÃO, C.R. (Org.). Pesquisa participante. 3 ed. São Paulo: Brasiliense, 1981._____. O ardil da ordem, caminhos e armadilhas da Educação Popular. 2. ed.Campinas: Papirus, 1984._____. (Org.). Repensando a pesquisa participante. São Paulo: Brasiliense, 1999._____. A pergunta a várias mãos: a experiência da pesquisa no trabalho do educador.São Paulo: Cortez, 2003.CARVALHO, I.C.M. A invenção do sujeito ecológico: sentidos e trajetórias daeducação ambiental no Brasil. Porto Alegre: Ed. Universidade do Rio Grande do Sul.GUIMARÃES, M. A formação de educadores ambientais. Campinas: Papirus, 2004.HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.LÉVY, P. A inteligência coletiva - por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo:Loyola, 1998. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Diretoria de Educação Ambiental.Textos diversos. Disponível em: http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/fea/index.htm. 31
  32. 32. O’CONNOR, J. Es posible el capitalismo sostenible? In: ALIMONDA, H. (Comp.).Ecología política: naturaleza, sociedad y utopia. 1. ed. 1. reimp. Buenos Aires:CLACSO, p. 27-52, 2003.ZAOUAL, H. Globalização e diversidade cultural. São Paulo: Cortez, 2003.SOUSA SANTOS, B. A crítica da razão indolente: contra o desperdício daexperiência. São Paulo: Cortez, 2000._____. Por uma sociologia das ausências e das emergências. Disponível em:http://www.ces.fe.uc.pt/bss/documentos/sociologia_ das_ausencias.pdf.6 Baruch de Espinosa, filósofo judeu-holandês do século XVII, sua principal obra é a “Éticademonstrada à maneira dos geômetras” publicado em português pela Abril Cultural.7 Martin Buber, filósofo judeu-polonês, suas obras mais conhecidas são “Eu e tu”, “SocialismoUtópico” e “Sobre comunidade” trabalhou a questão o da alteridade e da ética nas relaçõesinterpessoais.8 Antonio Gramsci, pensador político italiano, sua principal obra são os “Dos Cadernos do Cárcere”,trabalhou temas como Estado e sociedade civil, nesta citação destacamos sua concepção sobre aação política, para a qual podemos sugerir a obra de SEMERARO, G. Gramsci e a sociedade civil:cultura e educação para a democracia. Petrópolis: Vozes, 1999. 279p. .9Este programa está sendo desenvolvido pela DEA/MMA e está disponível no site: www.mma.gov. • REFERÊNCIA 3Dicionário socioambiental: idéias, definições e conceitos. Organização EdaTassara; texto Helena Tassara; fotos Ricaros Burg. -- São Paulo, FAARTE Editora,2008. Pág. 43 Coletivo Educador é uma união de instituições e/ou pessoas que trazem oapoio de suas instituições para um processo de atuação educacional em umdeterminado território. Potencializando capacidades de pessoas e instituições(universidades, secretarias de educação e meio ambiente, organizações populares,movimentos sociais, prefeituras, redes de educação ambiental, órgãos deassistência técnica e extensão rural, empresa, federações, sindicatos, entre outros),um Coletivo Educador se forma com o objetivo de atuar em processos de educação 32
  33. 33. ambiental, permanentes e articulados, voltados para atender à totalidade doshabitantes do território que se inscreve. Ele pode ser constituído por educadoresque, por exemplo, já desenvolveram ações nos campos da educação ambiental, daeducação popular, da formação de professores, da extensão rural, da formaçãotécnica socioambientalista. A principal função de um Coletivo Educador é atuar noplanejamento pedagógico de programas educacionais para a formação deeducadores ambientais e de seus multiplicadores, promovendo a articulação dasinstituições e das políticas públicas, além das: instrumentalização para a ação, areflexão crítica e o aprofundamento de seus participantes. Ou seja, os CEs sãogrupos que trabalham em processos de mobilização social e de formação deeducadores ambientais populares, atuando também na criação e no fortalecimentode Comunidades de Aprendizagem e Qualidade de Vida (Com-vidas). ColetivoEducador é também um programa de Diretoria de Educação Ambiental doMinistério do Meio Ambiente (MMA), iniciado em 2003.COMUNIDADES DE APRENDIZAGEM ou APRENDENTES • REFERÊNCIA 1Dicionário socioambiental: idéias, definições e conceitos. Organização EdaTassara; texto Helena Tassara; fotos Ricaros Burg. -- São Paulo, FAARTE Editora,2008. Pág.48. De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental, comunidades deaprendizagem são grupos de pessoas que se identificam e se apóiam em processosde formação individua e coletiva voltados para propósitos comuns e/ouconvergentes. Cada pessoa contribui com o grupo vivenciando conjuntamenteprocessos formativos, de modo participativo. Os Coletivos Educadores (CEs), assimcomo os demais grupos participantes, da formação de educadores ambientais,constituem-se como comunidades de aprendizagem. • REFERÊNCIA 2 33
  34. 34. BRASIL (2007). Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de ArticulaçãoInstitucional e Cidadania Ambiental. Departamento de Educação Ambiental.Coletivos Educadores para Territórios Sustentáveis. Brasília: MMA, 2007. 26p.;21 cm. É um conjunto de conteúdos e processos formativo na área da EducaçãoAmbiental promovidos, num primeiro momento, pelas instituições componentesdo Coletivo Educador (ou mesmo por instituições parceiras e por especialistas dedeterminado saber popular, técnico ou científico) que podem ser escolhidos paracompor o currículo de grupos de educandos, de acordo com as suas necessidadesreais de enfrentamento das questões socioambientais. Exemplos de itens quepodem compor o Cardápio são: oficinas, cursos, mini-cursos, vivências, visitastécnicas, etc, a respeito dos mais variados temas e assuntos com relevância para oterritório, incorporando os diferentes saberes, desde o acadêmico até o popular.Com o tempo o cardápio de aprendizagem vai sendo incrementado. • REFERÊNCIA 3BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Comunidades Aprendentes. In: BRASIL. Órgão Gestorda Política Nacional de Educação Ambiental. Encontros e Caminhos: Formação deEducadoras (es) Ambientais e Coletivos Educadores. Ministério do Meio Ambiente.Secretaria Executiva. Diretoria de Educação Ambiental. Brasília, 2005. Pag. 83Volume 1. Disponível em:http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/og/pog/arqs/encontros.pdf. Acesso em:15 de agosto de 2011.Palavras-chave: aprender; ensinar; ensinar-aprender; solidário; conhecimento;partilha; docência; conhecer; conhecimento partilhado; pesquisa participante;aprender-com-o-outro; solidariedade; co-responsabilidade. Da turma de alunos à comunidade aprendente 34
  35. 35. Muitas vezes somos levados a pensar que ensinar e aprender é uma viagemde ida e volta que se passa em salas de aula, na escola. A escola é o lugar social daeducação. Esta é uma idéia correta, mas não inteiramente. A educação que vivemosna escola, como estudantes, como professores, como as duas “coisas” ao mesmotempo, é uma fração importante de nosso aprendizado, mas não única. A educaçãoescolar é um momento de um processo múltiplo, de vários rostos e vivido entrediferentes momentos, a que costumamos dar o nome de socialização. Alguns estudiosos do assunto sugerem mesmo que ao longo de nossas vidasvivemos pelo menos duas dimensões do acontecimento da socialização. Vivemosdesde o momento de nosso nascimento (alguns dizem que desde a nossaconcepção) uma longa, fecunda e complexa socialização primária. É quando aprendemos conosco mesmos, com o lidar com o nosso corpo,atividade a que crianças pequeninas dedicam boa parte de seus dias. Aprendemoscom o conviver com os mundos de nosso mundo. Aprendemos através de inúmerase diferentes interações com nossa mãe, com nosso pai, com cada um e com os doisao mesmo tempo. E com as outras pessoas de nossos círculos de vida: os outrosintegrantes da família nuclear, nossos parentes, vizinhos, amigos e tantos outros. Ao longo de nossa vida – e não apenas durante a infância e a adolescência –convivemos em e entre diferentes grupos sociais. E dentro deles aprendemos:nossos grupos de idade (como uma “turma de amigos”), nossos grupos de interesse(como um time de futebol), nossas equipes de vida e de trabalho. Cada um delesaporta uma fração daquilo através do que, aos poucos e ao longo de toda a vida,nós nos socializamos. Nós aprendemos, em diferentes e integradas dimensões denós mesmos, os diversos saberes, as sensações, as sensibilidades, os sentidos, ossignificados e as socialibidades que, juntas e em interação em nós e entre nós, nostornam seres capazes de interagir com uma cultura e em uma sociedade. Quase todas as sociedades – a menos que uma delas seja uma pequena emuito simples tribo indígena - criam, transformam e preservam unidades sociais,ou instituições dedicadas especialmente a experiências mais motivadas e maissistemáticas do ensinar-e-aprender. Elas respondem por nossa socializaçãosecundária. Assim, aprendemos a lidar com uma dimensão da gramática da línguaem casa, junto a nossos pais e outros, quando um dia começamos a falar. Mas quasesempre é na escola e sob os cuidados de uma profissional do ramo que 35
  36. 36. aprendemos a lidar com outras dimensões de nossa língua: o ler e escrever. Não somos quem somos, como seres humanos, porque somos racionais.Somos humanos e somos racionais porque somos aprendentes. Somos seresdependentes por completo do que aprendemos. Aprendemos bem mais do que ossimples adestramentos dos animais com quem compartimos o planeta Terra.Aprendemos não apenas os saberes do mundo natural, mas a complexa teia desímbolos, de sentidos e de significados que constituem o mundo da cultura. Quase tudo o que nós vivemos em nossas relações com outras pessoas oumesmo com o nosso mundo, como no próprio contato direto com a natureza, podeser, também, um momento de aprendizado. Podemos estar ou não conscientesdisto, mas cada troca de palavras, cada troca de gestos, cada reciprocidade desaberes e de serviços com uma outra pessoa, costuma ser também um momento deaprendizagem. De uma para a outra, as pessoas que se encontram, conversam, dialogam,deixam passar de si mesmos à outra algo de suas palavras, de suas idéias, de seussaberes, de suas sensibilidades. Querendo ou não (mas é melhor estar querendo)estamos, no conviver com outros e com o mundo, nos ensinando e aprendendo. Acostumados ao mundo da escola, acabamos por imaginar que o processoformal da educação ao mesmo tempo aproxima e opõe uma pessoa- que-sabe-e-ensina e pessoas-que-não-sabem-e-aprendem. De algum modo é assim mesmo quese dá o ensinar-e-aprender. E o respeito que praticamente todas as culturas têmpela pessoa e pela figura do “mestre”, é bem uma imagem deste fato universal. Mas, olhado de perto e de dentro, podemos pensar que ninguém ensinaninguém, porque o aprender é sempre um processo e é uma aventura interior epessoal. Mas é verdade também que ninguém se educa sozinho, pois o que euaprendo ao ler ou ao ouvir, provém de saberes e sentidos de outras pessoas. Chegaa mim através de trocas, de reciprocidades, de interações com outras pessoas. Conhecimentos, valores, teorias e receituários do “como fazer na prática”,estão permanentemente em fluxo, sendo passados, transmitidos de uma pessoa aoutra. E a própria idéia de pessoa já é a de um organismo original e único,transformado pela socialização através de múltiplos momentos de aprendizagem.Pessoa: o ser humano capaz de conviver socialmente em um mundo interativo decultura. 36
  37. 37. Temos o costume de imaginar que apenas pessoas treinadas para tanto sãocapazes de ensinar, de educar. Assim é de fato, em várias situações. Mas aorevermos a nossa própria vida passada e presente, nós nos damos conta de quenão é sempre assim e nem bem assim. A começar por nossos pais e outras pessoas“mais velhas” da família, boa parte do que aprendemos nos começos de nossasvidas provém de pessoas que não fizeram cursos especiais para serem os nossosprimeiros educadores. E quando chegamos à escola e convivemos com pessoasespecializadas em ensinar, já aprendemos uma imensa parte do que nosacompanhará ao longo de toda a vida. Do lar ao círculo mais amplo de parentes e de vizinhos, deles aos pequenosgrupos sociais em que vivemos a nossa vida de todos os dias, de um time de futebola uma igreja, a uma equipe de trabalho, a uma outra, da associação de moradoresdo bairro, estamos sempre envolvidos em e participando de pequenas e médiascomunidades de vida e de destino. De lazer, de vocação, de trabalho, departicipação social. De conviver entre gestos que dão sentido à família, ao grupo, àequipe, mas que, cada um a seu modo, são também protagonistas de cenas ecenários do ensinar-e-aprender. Ao lado da sala de aulas e da turma de alunos, vivemos situaçõespedagógicas em diferentes unidades de partilha da vida. Em cada uma delas e dainteração entre todas elas é que ao longo de nossas vidas nós nos vemos às voltascom trocas de significados, de saberes, de valores, de idéias e de técnicas disto edaquilo. Assim é que podemos chamar cada uma destas unidades de vida e dedestino de comunidades aprendentes. Pares, grupos, equipes, instituições sociais deassociação e partilha da vida. Lugares onde ao lado do que se faz como o motivoprincipal do grupo (jogar futebol, reunir-se para viver uma experiência religiosa,trabalhar em prol da melhoria da qualidade de vida no bairro, e assim por diante)as pessoas estão também inter-trocando saberes entre elas. Estão se ensinando eaprendendo. Com o crescimento e a diversificação das unidades de ação social, como asorganizações não-governamentais, essa dimensão educativa presente em qualqueruma delas, tornou-se cada vez mais clara e mais motivada. Algumas destas“agências de fazer e aprender” atuam no campo da própria educação, como os 37
  38. 38. grupos e os movimentos de educação ambiental, ou as diferentes associações depais e mestres. Outras atuam na área da saúde, dos direitos humanos, da promoção evalorização do trabalho da mulher. Atuam no campo do cooperativismo, como umacooperativa de produção de agricultura orgânica; atuam como um sindicato declasse, uma associação de moradores, uma comunidade eclesial de base a serviçode igreja, um movimento em favor da preservação do meioambiente ou, demaneira mais direta, de proteção do “mico leão-dourado”. Ao lado daquilo a que elas se destinam por vocação direta, em todas elasexiste também uma dimensão educativa. Tanto é assim que todas as pessoas queparticipam de uma ou algumas dessas unidades sociais de vida, de trabalho ou deação social reconhecem sempre “o tanto que eu aprendi ali”. Muito bem. Assim, ao lado das instituições sociais de educação formal, comouma escola municipal, um colégio estadual ou uma universidade federal;convivemos todos os dias e ao longo de toda a vida com várias comunidades detrabalho, de serviço de participação e de mútuo ensino aprendizagem. Dentro efora da escola estamos sempre envolvidos com diferentes tipos de comunidadesaprendentes. Estamos sempre, de um modo ou de outro, trabalhando em, convivendocom ou participando de unidades sociais de vida cotidiana onde pessoas aprendemensinando e ensinam aprendendo. Pode bem ser que em algumas delas hajaespecialistas em ensinar - os diferentes tipos de educadoras e educadores - e não-especialistas que aprendem. Mesmo um time de futebol de bairro tem o seutécnico, e é de se esperar que ele saiba ensinar ao “time” os segredos do ofício. No entanto, no interior de qualquer grupo humano que seja criado paraviver ou fazer qualquer coisa, todas as pessoas que estão ali, são fontes originais desaber. Cada um dos integrantes de um grupo humano trabalha, convive e/ouparticipa, a partir e através daquilo que trás como os conhecimento, assensibilidades e os sentidos de vida originados de suas experiências pessoais einterativas. E em cada uma ou um de nós elas são únicas e originais. Conhecimentos, práticas e habilidades são diferentes uns dos outros, umasdas outras, como os/as do servente de pedreiro, do pedreiro, do mestre de obras edo engenheiro. São diferentes, mas não são desiguais. 38
  39. 39. Nós nos acostumamos em ordenar e classificar conhecimentos e culturasmais ou menos assim: “selvagens” e “civilizados”; “populares” e “eruditas”, “cultos”e “incultos”. No entanto, na realidade, cada “tipo cultural de saber” (como a denossa religião, de nossa família, de nossa comunidade) e cada “unidade pessoal desaber” (como cada um de nós) cria, renova, guarda e comparte com os outros apartir de eixos e feixes de conhecimentos próprios. Saberes de pensamento e ação,significados do mundo e sentidos de vida vividos e pensados de uma forma única ecriativa. Algo que, por isso mesmo, possui em si um valor não comparável comoutros. Como o foco de nossa conversa neste livro é a sustentabilidade e a co-responsabilidade social no que toca a questão ambiental, a partir dos cuidados do“lugar onde eu moro” e do “lugar onde nós vivemos”, podemos tomar este própriocampo de saberes e de ações sociais como um bom exemplo. Tudo o que tem a ver com a natureza dos sistemas vivos e as suasinterações entre eles e com o que existe em nosso planeta, tem sido estudadocientificamente pela ecologia. Esta ciência praticada em universidades e em outroscentros de saber, de educação e de ação ambiental em todo o mundo, deriva de umnome muito bonito: eco = oikos, uma palavra grega que significa: casa. Logia é umaoutra palavra de origem grega, que significa “conhecimento”, “saber”. Assim como biologia significa: o estudo da vida. Ecologia quer dizer,portanto: “o estudo da casa”. Qual casa? A nossa: o planeta Terra, sua natureza e acomplexa interação entre os seres vivos, entre eles e com o todo do ambiente ondevivem e se reproduzem. Ora, algumas pessoas pensam que todo o conhecimento válido e útil sobreos sistemas vivos e sobre as interações entre eles e o ambiente, provém da ecologiae de outras ciências afins. No entanto, anos, séculos, milênios antes do surgimentoda “ecologia científica”, muitos outros povos, criadores de outras diferentesculturas, já geraram e aperfeiçoaram outras formas de pesquisa e de compreensãoda vida, dos sistemas vivos (inclusive nós, seres humanos) e de suas relações com oambiente, com a natureza. Da mesma maneira e em uma escala mais próxima, sabemos hoje quequando temos pela frente o desafio de nos unirmos para pensar e praticar algumaação social em favor dos direitos humanos, da qualidade de vida e da integridade 39
  40. 40. do meio ambiente, o que cada pessoa e cada grupo de pessoas aporta tem o seuvalor. Há um conhecimento que é propriamente científico e provém de unidadessociais e de pessoas que estudaram para tornar confiável e proveitoso esteconhecimento. Mas tão válido quanto este é o conhecimento e o modo de ver e agirde outras pessoas e de outras unidades sociais: as tradições populares dosagricultores e outras mulheres e homens ligados a diferentes tipos de trabalhoscom a terra; o saber dos artistas, dos artesãos, o saber dos nossos povos indígenas.E como nos temos voltado a eles em busca de respostas a perguntas que fazemos eque não conseguimos responder sozinhos! Assim, ao lado de uma ecologia científica, podemos estender o nosso olhar eperceber por toda a parte uma variedade de outras ecologias. De outros sistemasculturais de saberes, valores e sensibilidades a respeito da natureza e dasmúltiplas maneiras como os seus elementos e seres vivos interagem e serelacionam. Quando pensamos criar uma agenda de princípios e de preceitos parao cuidado do meio ambiente, podemos partir também da idéia de que entrediferentes pessoas e grupos humanos existem e co-existem diversos sistemas deuma lógica da natureza e de uma ética do ambiente. Tanto no momento de um trabalho participativo de produção deconhecimentos a respeito do meio ambiente em que vivemos a vida de todos osdias, quanto nos momentos de planejar ações e estabelecer procedimentos, nadaenriquece mais o que se investiga, o que se sabe e compreende e o que se faz, doque a soma de diferentes contribuições. A integração entre diferentes experiênciasde vida, entre diversos modos de sentir e pensar. Na gestão solidária e co-responsável de nossa casa comum de nossa oikos,que se estende do quintal de minha casa ao todo da Casa Terra onde vivemos,todos os conhecimentos que formam a sua logia – o seu saber sobre como cuidarda casa – são igualmente válidos e são proveitosos. É por isto que sobretudo em trabalhos de educação ambiental, a dimensãoda comunidade aprendente é tão essencial. Qualquer que seja o contexto em que seesteja vivendo uma experiência de educação ambiental, as pessoas que se reúnemem “círculos de experiências e de saberes”, possuem de qualquer maneira algo deseu, de próprio e de originalmente importante. E o trabalho é mais fecundo quando 40
  41. 41. em uma comunidade aprendente, todos têm algo a ouvir e algo a dizer. Algo aaprender e algo a ensinar. Lugares de trocas e de reciprocidades de saberes, mastambém de vidas e de afetos, onde a aula expositiva pode ser cada vez maisconvertida no círculo de diálogos. Alguns pesquisadores de pedagogia têm procurado mesmo compreender deuma outra maneira o próprio processo do ensinar-e-aprender. Podemos com elespartir da idéia de que a menor unidade do aprender não é cada pessoa, cada aluno,cada estudante tomado em sua individualidade. Ela é o grupo que se reúne frente àtarefa partilhada de criar solidariamente seus saberes. É a pequena comunidadeaprendente, através da qual cada participante ativo vive o seu aprendizadopessoal. Há uma idéia que poderia nos ajudar a encerrar estas reflexões provisórias.Em geral pensamos que compreendemos algo quando incorporamos o que não eraconhecido, compreendido e agora é. Esta é uma visão correta, mais limitada arespeito do ensinar-e-aprender. Na verdade, se tudo na vida são trocas einterações, conosco mesmos, com nossos outros, com a vida e com o mundo, setudo são diálogos contínuos, múltiplos e crescentes, então na verdade conhecemose compreendemos algo quando fazemos parte dos círculos de vida e de saber emque “aquilo” é compreendido. Eis o que poderia ser uma nova concepção do viver como partilharexperiências, saberes e sensibilidades em situações e contexto regidos cada vezmais pela partilha, pela cooperação, ela solidariedade, pela gratuidade. Por tudoaquilo que sonha construir os caminhos em direção ao “mundo da vida”. O justooposto de uma educação regida pelo individualismo, pela competição, peloexercício do poder e pelo interesse utilitário que transforma pessoa emmercadoria e a própria vida em mercado. Alguns conceitos para reflexão:Sustentabilidade - o modo solidário de relações entre o homem, a vida e o mundo.Solidariedade - o modo sustentável, generoso e co-responsável de as pessoas e osgrupos humanos interagirem entre eles. Complexidade - um modo novo criativo,solidário e sustentável de as pessoas se relacionarem com o conhecimento, com apesquisa, com a educação (no sentido Edgar Morin do termo) Criatividade - o 41
  42. 42. modo inovador e integrativo dos três outros eixos de as pessoas se sentiremsolidariamente co-reponsáveis pela criação contínua, cotidiana e históricas de suasvidas, de seus mundos sociais e de seus cenários naturais de vida e de trabalho.Referências BibliográficasASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis, RJ:Vozes, 1998.BRANDÃO, C.R. A canção das sete cores – educando para a paz. São Paulo: Ed.Contexto, 2005._____. Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos – escritos para conhecer, pensar epraticar o município educador sustentável. Brasília: Ministério do Meio Ambiente,2005.FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996COMUNIDADES INTERPRETATIVAS • REFERÊNCIA 1Dicionário socioambiental: idéias, definições e conceitos. Organização EdaTassara; texto Helena Tassara; fotos Ricaros Burg. -- São Paulo, FAARTE Editora,2008. Pág.48. São grupos de pessoas que, ao se reunir, são capazes de partilhar suasvisões de mundo, idéias e ideais, buscando construir a compreensão da realidadevivenciada no território ou microterritório por meio da construção coletiva eparticipativa, superando a dificuldade imposta pelas diferentes percepções. Empoucas palavras, é o encontro de diferentes interpretações da realidade – todasconsideradas com o mesmo peso e a mesma medida – para construir umacompreensão amplificada, impossível de ser alcançada por um único pensamento,proveniente de um único ator social. Nas comunidades interpretativas, osparticipantes apóiam-se na “interpretação das interpretações”, buscandodesmontar as formas hegemônicas de entender e desejar o mundo em que vivem. 42
  43. 43. Nessa perspectiva, trabalhar com a idéia de comunidades interpretativas exige odesenvolvimento do potencial de comunicação e de entendimento do outro, assimcomo a habilidade para o uso da linguagem (de forma interativa e dialógica), emum processo de constante autocrítica. A Política Nacional de Educação Ambiental(PNEA) propões que tantos os Coletivos Educadores como os demais gruposparticipantes da formação de educadores ambientais constituam-se comocomunidades interpretativas. • REFERÊNCIA 2BRASIL (2007). Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de ArticulaçãoInstitucional e Cidadania Ambiental. Departamento de Educação Ambiental.Coletivos Educadores para Territórios Sustentáveis. Brasília: MMA, 2007. 26p.;21 cm. São grupos de pessoas que se reúnem para partilhar suas visões e idéias,buscando construir a compreensão da realidade vivenciada no território ou micro-território, por meio da construção coletiva e participativa, superando a dificuldadedas diferentes percepções. Nas comunidades interpretativas as pessoas apóiam-sena interpretação das interpretações, buscando desmontar as formas hegemônicasde entender e desejar o mundo em que vivemos. Propomos que tanto o ColetivoEducador como os demais grupos participantes da formação de educadores (as)ambientais constituíam-se como comunidades interpretativas e de aprendizagem. • REFERÊNCIA 3AVANZI, Maria Rita & MALAGODI, Marco A. S. Comunidades Interpretativas.In: BRASIL. Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental. Encontros eCaminhos: Formação de Educadoras (es) Ambientais e Coletivos Educadores.Ministério do Meio Ambiente. Secretaria Executiva. Diretoria de EducaçãoAmbiental. Brasília, 2005. Pag. 93 Volume 1. Disponível em: 43
  44. 44. http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/og/pog/arqs/encontros.pdf. Acesso em:15 de agosto de 2011.Palavras-chave: interpretação; comunicação; argumentação; encontro; conflitos;diferenças; tradução; hermenêutica; horizontalidade; diálogo; grupos. O que significa a expressão comunidades interpretativas14? É algummétodo que podemos aplicar em nossa atuação como educadores ambientais? Éparte de uma teoria que nos ajuda a (re)pensar nossa prática social? É um sonhoque queremos ver se realizar, assim como as sociedades sustentáveis? Poderíamos apresentá-las, em poucas palavras, como encontro entrediferentes interpretações da realidade, construindo uma compreensão mais amplaque não seria alcançada por um intérprete individualmente. Para melhor esclarecermos a frase acima, podemos destacar o pressupostode que os conhecimentos sobre nós próprios, sobre o outro, sobre o mundo,produzidos a partir de cada horizonte histórico-cultural, são incompletos por si.Sejam eles científicos, populares, do senso comum, são todos interpretações emconstante processo de busca sem possibilidade de uma síntese final. Nareciprocidade, no encontro entre diferentes formas de conhecer, seriamconstruídas novas possibilidades de compreender o mundo, às quais não teríamosacesso individualmente, em nosso horizonte histórico cultural específico. Daí vemo substantivo comunidade, pois estamos falando da importância do outro emnosso movimento de produzir sentidos e significados ao procurarmos construircompreensão acerca do mundo. Em outras palavras, a comunidade refere-se àreciprocidade que se estabelece entre indivíduos que partilham territórios físicosou simbólicos. Portanto, a qualidade diferencial dessa comunidade, foco deste texto, é ofato dela ser considerada interpretativa. O ato de interpretar é próprio de umaorientação filosófica chamada hermenêutica15 que o traz, em sua origemetimológica, relacionado tanto com o expressar (dizer/falar), como com aquilo quefica oculto no que foi falado. Portanto, interpretar seria procurar o sentido interno 44
  45. 45. por detrás do que foi expresso e, assim, projetar possíveis sentidos visando àcompreensão. No processo de interpretação está implicado também o traduzir emalgo compreensível um sentido estranho. Trazendo as proposições da abordagem interpretativa para o exercício deelaboração deste verbete, podemos dizer que nós, autor e autora do mesmo,também assumimos a incompletude de nossa contribuição para esta discussão cujopropósito é relacionar a noção de comunidades interpretativas a práticas deeducação ambiental. Somos intérpretes que buscamos desenvolver um trabalho detradução da noção proposta por Boaventura de Sousa Santos, revisitando-a em seucontexto próprio e buscando relações com reflexões teórico-metodológicas sobreeducação ambiental que construímos a partir de nossa inserção histórica comopesquisadores e educadores. O leitor e leitora deste texto também são intérpretesdo que aqui apresentamos e projetarão, a partir de seu horizonte, outros sentidospara a relação. Assim como, anteriormente à elaboração do presente texto, osorganizadores desta publicação identificaram a pertinência dos verbetes aquiapresentados para fundamentar práticas de educação ambiental crítica. Está sendorealizado, portanto, no plano da produção e compreensão de um texto escrito, umexercício de fusão de horizontes dos muitos atores envolvidos, portanto umexercício interpretativo. Vamos pensar agora que parte de nossa vida social cotidiana se faz depermanentes tentativas de comunicar ao(s) outro(s) as interpretações e sentidosque construímos, para buscar um maior entendimento coletivo, para explicitarnossos desentendimentos, para pedir ajuda, para melhor transformarmos umasituação, para acordar as regras da nossa convivência, e por aí vamos. Não é difícilpensarmos que esses encontros comunicativos com outras pessoas exigem de nósum grande esforço de tradução. O trabalho de tradução é um procedimento inerente às comunidadesinterpretativas, uma vez que estas pressupõem um encontro/confronto entrediferentes formas de interpretar. Através da tradução o que se busca é acomunicação entre saberes e práticas que ali se encontram/confrontam, visandoidentificar preocupações comuns entre os grupos culturais que participam doencontro e respostas que cada cultura oferece a estas preocupações. O objetivomaior deste trabalho de tradução é ampliar a capacidade de articulação entre 45

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