Panorama Do Teatro Ocidental Stan

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História do Teatro - teatro burguês ao teatro do diretor, espaço físico, teatro comercial e teatro de arte, interpretação, Teatro de Arte de Moscou, vanguarda teatral, europa e Estados Unidos, dramaturgia pós-guerra, pesquisa sobre o corpo.
Nomes com grafias diferenciadas devido a diversidade de formas como as mesmas podem ser publicadas.

Panorama Do Teatro Ocidental Stan

  1. 1. Panorama do Teatro Ocidental <ul><li>Teatro Burguês </li></ul><ul><li>Ópera Lírica </li></ul><ul><li>Teatro Comercial </li></ul><ul><li>Teatro de Arte – Direção </li></ul><ul><li>Naturalismo </li></ul><ul><li>Simbolismo </li></ul><ul><li>Direção </li></ul><ul><li>Stanislavsky </li></ul><ul><li>Vanguarda Tetral </li></ul><ul><li>Brecht </li></ul><ul><li>Teatro americano </li></ul><ul><li>Outros movimentos </li></ul>By Claudia Venturi
  2. 2. Teatro alla Scala - Milão
  3. 3. Ópera Lírica <ul><li>Falência das ilusões românticas </li></ul><ul><li>Advento do naturalismo – tramas reais, montagens atentas e rigorosas </li></ul><ul><li>Em 1800 não existia um teatro de prosa na Itália, o panorama era dominado pela Ópera. </li></ul><ul><li>Edifício – Teatro Italiano – realçava as diferenças sociais – camarotes para nobres, platéia para militares, burgueses e estudantes </li></ul>
  4. 5. <ul><li>Giocchino Rossini (1792 – 1868) </li></ul><ul><li>Giuseppe Verdi (1813 – 1901) – Distanciou-se do melodrama amoroso e individualista do romantismo e colocou o povo como protagonista. Haviam poucas estruturas para colocar em cena obras tão grandiosas – Nabuco, Rigoletto, Traviata, Aida </li></ul><ul><li>Richard Wagner (1813 – 1883) – Nova concepção do canto, livre do texto; possibilidade de mudança na tonalidade dos temas; a orquestra assume o papel do coro (tragédia grega), e se torna co-protagonista. Modifica o espaço teatral (aproximando ao modelo grego) – apresentação democrática, fim das subdivisões da platéia, esconde a orquestra no fosso em frente ao palco. – Tristão e Isolda </li></ul>
  5. 6. Teatro - Wagner
  6. 7. Espetáculo Comercial após 1850 <ul><li>Teatro assimilado pela burguesia mais como lugar de entretenimento do que de reflexão – divertimento puro </li></ul><ul><li>Imperador Napoleão II – França – decreto (1853) de censura proibindo temas políticos </li></ul><ul><li>Lógica visual – cenários ricos e elaborados, efeitos especiais, figurinos luxuosos, gestos marcadíssimos </li></ul>
  7. 8. Moulin Rouge por Toulouse-Lautrec
  8. 9. <ul><li>Opereta – gênero mais popular – interpretação, balé e cantos, ambientações geralmente míticas ou esóticas, jogando com o imaginário – Jacques Offenbach </li></ul><ul><li>Café-concerto (café-chantant) – local onde se bebe e come escutando música e assistindo a apresentações de variedades, suntuosas e sofisticadas – Moulin Rouge (Paris) </li></ul><ul><li>Vaudeville americano (diferente do Francês anterior) – divertimento fácil – pobres imigrantes com dificuldade no idioma – espetáculos interculturais - mais corpo, gags do que voz. Tony Pastor limpa o vaudeville de toda a vulgaridade e o torna acessível a todas as classes sociais. Declínio com o advento do cinema. </li></ul><ul><li>Cabaret – mais popular e intelectual do que o café-chantant, sem programa preciso nem finalidade econômica. Se apresentavam a amigos e companheiros – quadros, músicas, poesias, improvisações etc. </li></ul>
  9. 10. Café Chantant in Paris – Richard Bloos
  10. 11. Naturalismo <ul><li>Surge uma nova disciplina – sociologia </li></ul><ul><li>Nasce do pressuposto de representar a realidade como era, sem o filtro de uma sensibilidade artística, que em busca do belo, eliminava aspectos fundamentais da vida. </li></ul><ul><li>Parada ideal da burguesia - Importância da família (verdadeira unidade da sociedade burguesa) e da casa (sala), onde se desenvolvem as histórias familiares. </li></ul><ul><li>Base para o cinema e a televisão </li></ul><ul><li>Introdução do diretor – garantia do realismo e do respeito ao texto </li></ul><ul><li>Inglaterra – Oscar Wilde (1854 – 1900) – considerava a forte personalidade dos atores danosa para a interpretação (Diderot) – Salomé, A importância de se chamar Ernesto </li></ul>
  11. 12. Oscar Wilde
  12. 13. Simbolismo <ul><li>Elementos dramáticos fundamentais frequentemente possuem função metafórica, dimensões alcançáveis somente pela arte. </li></ul><ul><li>Teatro de arte procurou inclusive suprimir a função do ator. </li></ul><ul><li>Maurice Maeterlinck (1862 – 1949) – Fatalismo e sentimento de morte. – Os Cegos . </li></ul>
  13. 14. Fim do século e do drama burguês <ul><li>Crise no teatro burguês assinala o início do Contemporâneo </li></ul><ul><li>Busca do mundo interior dos personagens </li></ul><ul><li>Henrik Ibsen (1828 – 1906) – Norueguês – os laços entre a economia e os desejos individuais são indissolúveis. Precisão psicológica e histórica. A sala, em Ibsem, é descrita com longas didascalie – penumbra, nada permanece secreto, mas pouco é dito abertamente. Espelho crítico da sociedade, local de debate sobre questões de família, trabalho, psicológicas e ao inevitável embate entre os elementos masculino e feminino - A Casa de Bonecas </li></ul>
  14. 15. Ibsen A Casa de Bonecas
  15. 16. <ul><li>August Strindberg (1849 – 1912) – sueco de origem humilde. Geralmente caracterizado por foscas esferas familiares, disputa entre o casal que acaba com o anulamento de um deles. A sensibilidade do indivíduo é a lente deformante através da qual o mundo é visto. – O Pelicano </li></ul><ul><li>George Bernard Shaw (1856 - 1950) – Irlandês. A 1ª grande guerra trouxe novidades para a dramaturgia britânica. Socialismo moderado. O Pigmaleão . </li></ul>
  16. 17. George Bernard Shaw August Strindberg
  17. 18. <ul><li>Frank Wedekind (1864 – 1918) – Alemão. Crueza nas representações das relações. O Despertar da Primavera . </li></ul><ul><li>Anton Cechov (Tchecov) (1860 – 1904) – um dos principais escritores russos. Coloca em cena a vida cotidiana de pessoas normais, situações familiares nas quais as pessoas não se comunicam. Natureza profunda dos personagens, perene suspensão entre o passado (felicidade perdida) e o futuro (esperança de retomar o que se foi). Auto-exílio. Podem ser misturados dimensões líricas, psicológicas e sociais. Pouca aceitação até ser descoberto por Dancenko e Stanislavsky, que estudou a obra e descobriu que os personagens de Cechov não devem ser ‘representados”, mas sim “vividos”. – A Gaivota, As três Irmãs, O Jardim das Cerejeiras. </li></ul>
  18. 19. O Despertar da Primavera Frank Wedekind Anton Cechov As Três Irmãs
  19. 20. Teatro do Diretor <ul><li>Afirmação definitiva da figura do diretor – nova concepção de espetáculo. Antes – dramaturgia e composição do texto / Agora – objetivos, funções e características da montagem teatral. </li></ul><ul><li>Sempre maior liberdade de ação em relação ao texto – releituras e modificações – Embora mantendo uma estreita ligação com esse. </li></ul><ul><li>Maior controle da representação – o trabalho do ator, em busca de popularidade e fácil aplaudo normalmente atentava contra a coerência do espetáculo – deveria ser disciplinado, criar limites para a sua ação. </li></ul>
  20. 21. <ul><li>Adolphe Appia (1862 – 1928) - Suíço. Drama Wagner. Revolucionária concepção de espaço, cenografia tridimensional superando os painéis pintados. Inventor da cenografia moderna. Espaços vazios para permitir aos atores de se moverem. </li></ul><ul><li>Émile Jaques-Dalcroze (1865 – 1950) – euritmia (novo sistema de movimento rítmico), modelo para a interpretação do futuro. Interpretação se fundamenta em três elementos essenciais: o corpo em movimento, o espaço tridimensional que o determina e a iluminação que valoriza a expressão e os demais componentes. </li></ul><ul><li>Edward Gordon Craig (1872 – 1966) – ator – elemento mais difícil de controlar. Ator super-marionete – O teatro deve ser uma arte universal, o corpo é único, uma limitação. A marionete não tem individualidade, atuação mecânica, impessoal. A ausência da figura humana favorece o estranhamento. </li></ul>
  21. 22. Adolphe Appia Émile Jaques-Dalcroze Cenário de Appia para coreografia de Dalcroze Edward Gordon Craig
  22. 23. Konstantin Stanislavskij (1863- 1938) <ul><li>Filho de rico industrial, começa a interpretar cedo, junto aos irmãos e amigos </li></ul><ul><li>Em 1897 se une a Vladimir Ivanovic Nemirovic-Dancenko e decidem de fundar um teatro com base nas novas práticas. Dancenko se responsabiliza pela administração e cuidados com o texto e Stanislavsky da montagem dos espetáculos. </li></ul><ul><li>No Teatro de Arte de Moscou , o ambiente deveria ser acolhedor e com aquecimento até para os atores. Cada um deles deveria ter o próprio camarim já que os ensaios seriam mais longos do que era feito até então. </li></ul>
  23. 24. Stanislavsky e Danchenko Teatro de Arte de Moscou
  24. 25. <ul><li>Espetáculos deveriam ser estudados nos mínimos detalhes e fruto de um trabalho de equipe (técnicos, atores, diretor) </li></ul><ul><li>Interpretação, figurino e cenário inspirados no naturalismo </li></ul><ul><li>Obras de todos os tempos </li></ul><ul><li>Declínio após a revolução de Outubro (1917) na qual ele é considerado comprometido com valores burgueses. Supera com turnês internacionais </li></ul><ul><li>Estados Unidos – Actors Studio </li></ul>
  25. 26. Hamlet – Stanislavsky e Gordon Craig
  26. 27. <ul><li>A interpretação envolve processos físico e psicológicos. Ator deve ter um domínio completo do corpo e uma capacidade extraordinária de concentração – exercícios </li></ul><ul><li>Circunstâncias dadas – indicações que emergem do texto, contexto histórico, direção, tipo de montagem etc. – Compreensão total do personagem que deve existir além do texto. </li></ul><ul><li>O ator deve dar vida ao personagem para resolver o problema da verdade cênica. Coloca em jogo a própria interioridade - Memória Emotiva. Ações originadas de um processo interior. </li></ul><ul><li>Sua perspectiva de trabalho sofre alterações em seus últimos anos. Incentiva os atores a entrar no personagem a partir das ações físicas que os caracterizam – 1º - processo do interno para o externo / 2º - processo do externo para o interno – a memória do corpo a inflamar a alma. </li></ul>
  27. 29. <ul><li>Jacques Copeau (1879 – 1949) – Teatro a serviço da comunidade. Aquele que se dedica ao teatro deve estar consciente de realizar uma missão a serviço da sociedade. A formação do ator deve ser fruto de um processo de desenvolvimento do homem e do grupo. </li></ul>
  28. 30. Vanguarda Teatral <ul><li>No início do século, a crise no teatro de prosa desenvolveu formas cômicas populares que resultaram no surgimento de novas modalidades de expressão. </li></ul><ul><li>Mesmo escrevendo um teatro comercial, tentaram renová-lo, repensando a representação e, as vezes, desenvolvendo soluções elaboradas por grandes autores do século </li></ul><ul><li>Teatro de participação </li></ul><ul><li>Karl Valentin (1882 – 1948) – alemão. Cabaré – estilo escandaloso e anti-conformista, vital na Europa até os anos 30, quando inicia a sua decadência. </li></ul><ul><li>Alfred Jarry (1873 – 1907) – movimento simbolista, revolucionário. – Ubu Rei –tom distante do “espiritualismo” simbolista, crítica ao mundo burguês e ao senso comum. </li></ul>
  29. 31. Karl Valentin Alfred Jarry
  30. 32. <ul><li>A utopia revolucionária fez nascer uma geração de artistas sem precedentes </li></ul><ul><li>Vsevolod Emil’evic Meyerchol’d (1874 – 1940) – a pedido de Stanislavsky começa a trabalhar uma forma de interpretação alternativa, formalizado e físico, aprofundando a improvisação e a linguagem gestual. No direção do Teatro de Petesburgo, continua as experimentações. Biomecânica (funcionamento do corpo enquanto máquina) – graças a uma preparação muito dura, como a de um atleta, o ator deve ser capaz de reduzir ao mínimo o papel da palavra, expressando emoções e desejos através dos gestos e ações físicas – um pouco como os Cômicos Del’arte. Funda um teatro em Moscou (1921) para se opor ao Teatro de Arte, considerado por ele “decrépito”. </li></ul>
  31. 33. Meyerhold
  32. 34. <ul><li>Luigi Pirandello (1867 – 1936) – Maior autor teatral italiano do século. Não pode ser associado a vanguarda, embora também tivesse uma posição de forte crítica sobre as modalidades de representação tradicionais e aos valores da sociedade burguesa transmitidos por elas. Teatro grotesco. – Seis Personagens a Procura de um Autor, Assim é (se lhe parece) </li></ul><ul><li>Eugene O’Neill (1888 – 1953) – Primeiro grande autor dramático dos EUA. Experimentações contínuas na tentativa de adaptar as formas características clássicas do teatro europeu a realidade americana do seu tempo. Naturalismo com tendência ao simbolismo. </li></ul><ul><li>Federico García Lorca (1898 – 1936) – Espanhol. Um dos maiores poetas do século. Começou a escrever baseado em um tradicional teatro de bonecos espanhol. Mulheres condenadas a infelicidade. Bodas de Sangue, A Casa de Bernarda Alba . </li></ul>
  33. 35. Luigi Pirandello Seis Personagens a procura de um autor Eugene O’Neill Federico García Lorca As Bodas de Sangue
  34. 36. <ul><li>Erwin Piscator (1893 – 1966) – Situação social e política da Alemanha colocava em discussão também o debate intelectual. Manifestações artísticas fortemente politizadas. Agit-prop – atores representavam nas praças e ruas, sem se apresentar como tais, estimulando a discussão política e misturando ficção com realidade. Nova forma de teatro com fins didáticos que se propõem a explicar para o público as motivações sociais e políticas que levaram a Alemanha a tal situação. O uso propagandístico do teatro deixou descontente os socialistas moderados. </li></ul>
  35. 37. Bertolt Brecht (1898 – 1956) <ul><li>Desenvolve um sistema teórico e coerente que em pouco tempo se tornou o ponto central dos debates sobre a relação teatro/ideologia. </li></ul><ul><li>Adere ao marxismo desenvolvendo uma idéia de teatro didático em oposição ao psicologismo </li></ul><ul><li>Injustiças sociais e conflitos de classe </li></ul><ul><li>Teatro épico em oposição ao dramático (baseado na poética de Aristóteles) </li></ul>
  36. 38. Bertolt Brecht
  37. 39. <ul><li>Catarse e identificação impedem o espectador de raciocinar e tomar consciência dos mecanismos econômicos que governam os acontecimentos sociais </li></ul><ul><li>Transformar o espectador em sujeito crítico e político </li></ul><ul><li>Estranhamento / distanciamento emotivo </li></ul><ul><li>Filmes, cartazes, slides – didascálico e elemento “anti-realista”, além de canções que interrompem o fluxo dramático. </li></ul><ul><li>Interpretação destacada e irônica. Ruptura com a ilusão de realidade, separação entre ator e personagem. </li></ul><ul><li>Narração de eventos e terceira pessoa </li></ul><ul><li>A Ópera dos Três Vinténs, A Exceção e a Regra, O Círculo de Giz Caucasiano </li></ul>
  38. 40. Aquele que diz sim, aquele que diz não
  39. 41. Diferenças entre dramático e épico <ul><li>Palco personifica evento </li></ul><ul><li>Envolve o espectador </li></ul><ul><li>Possibilita sentimentos </li></ul><ul><li>Transmite vivências </li></ul><ul><li>Espectador imerso na ação </li></ul><ul><li>Tensão voltada para o desfecho </li></ul><ul><li>Cenas interligadas </li></ul><ul><li>Pensamento determina a existência </li></ul><ul><li>Ação em primeira pessoa </li></ul><ul><li>Ele o narra </li></ul><ul><li>Torna-o observador </li></ul><ul><li>Exige decisões </li></ul><ul><li>Transmite conhecimento </li></ul><ul><li>É confrontado com ela </li></ul><ul><li>Tensão voltada para o processo </li></ul><ul><li>Cenas independentes </li></ul><ul><li>Existência social determina o pensamento </li></ul><ul><li>Terceira pessoa </li></ul>
  40. 42. O Círculo de Giz Caucasiano Berliner Esemble
  41. 43. Antonin Artaud (1896 – 1948) <ul><li>Toda a vanguarda teatral se baseia no </li></ul><ul><li>seu trabalho. Sua importância foi revelada apenas após a sua morte. </li></ul><ul><li>Desde a infância sofre de problemas nervosos que o fazem viver sempre no limite da loucura </li></ul><ul><li>Surrealismo </li></ul><ul><li>Ataque a mentalidade e convenções do teatro e da vida burguesa – provocação </li></ul><ul><li>Teatro pensado mais como uma experiência de vida do que como uma ficção </li></ul><ul><li>Palavra subordinada a corporeidade – o nível de comunicação ator/espectador vem mais da empatia do que da palavra </li></ul><ul><li>Espectador não é mais subalterno, no espaço teatral </li></ul><ul><li>O Teatro e o seu Duplo (1938) </li></ul>
  42. 44. Antonin Artaud
  43. 45. <ul><li>O teatro é comparado à peste – o efeito revolucionário que deve produzir seria aquele das celebres epidemias da história – dissolvem as convenções sociais e constringem os homens a se confrontar com o mistério da vida e da morte, induzindo-os a tomar decisões fatais e comportamentos contrários a sua existência. </li></ul><ul><li>Descoberta do componente corpóreo e ritual da performance teatral que não deve ser o espelho de uma existência vazia, mas encarar as temáticas ligadas aos grandes mistérios da vida (o duplo) </li></ul><ul><li>Crueldade – na história do teatro (piedade e terror – catarse) – O espectador deve ser chocado, o teatro deve ser uma experiência vital, só assim pode iniciar o processo de transformação. O espectador deve viver o rito. O teatro deve transformar o espectador. </li></ul><ul><li>Ataque a ditadura do texto </li></ul>
  44. 47. Dramaturgia do Pós-guerra <ul><li>São consolidados, em grande parte dos países ocidentais, circuitos comerciais e teatros subvencionados por entes públicos. Ajuda a criar uma estrutura e público, agora mais crítico devido a afirmação da TV. </li></ul><ul><li>Neste período a vanguarda vem definida como Teatro do Absurdo – restituir o absurdo da vida contemporânea através de uma linguagem tanto mais expressiva e dramática quanto inadequada. </li></ul><ul><li>Estreita ligação com o teatro existencialista Francês – Jean Paul Sartre (1905 – 1985), Albert Camus (1913 – 1960) </li></ul>
  45. 48. Jean Genet As Criadas
  46. 49. <ul><li>Jean Genet (1910 – 1986) – Escândalos pela ambigüidade moral de seus textos e evidentes referências a sua vida privada. Sartre – mantenedor. Um dos melhores exemplos da crueldade artaudiana. As Criadas . </li></ul><ul><li>Eugène Ionesco (1912 – 1994) – desconstrução da linguagem. Desolação caracteriza a existência dos personagens. Obviedade, frases feitas dignas de manual de língua estrangeira, banalidade situação priva de nexo lógico – constrói um monumento a vacuidade da vida burguesa. A Cantora Careca . </li></ul><ul><li>Samuel Beckett (1906 – 1989) – o mais célebre. Irlandês. Escrita em uma língua que não a sua – preferência por soluções básicas e essenciais, fugindo da tentação do “estilo belo”. Elementos cômicos – figurino, situações grotescas, gags – sublinham a desolação dos personagens e potencializam os aspectos simbólicos do texto. Esperando Godot . </li></ul>
  47. 50. A Cantora Careca Eugène Ionesco Samuel Beckett Esperando Godot
  48. 51. Nova dramaturgia americana <ul><li>Após a segunda guerra a dramaturgia assume um caráter pessimista e crítico em relação a sociedade. </li></ul><ul><li>Tennessee Williams (1911 – 1983) – releitura americana do simbolismo realista. Restos de uma sociedade aparentemente moderna, mas em crise de identidade entre um passado glorioso e um futuro fosco. Um bonde chamado desejo, o zoológico de vidro . </li></ul><ul><li>Arthur Miller (1915 – 2005) – segue o modelo de Ibsen. Crítica política e social integrados com um preciso estudo psicológico dos personagens. Morte de um Caixeiro Viajante. </li></ul>
  49. 52. Arthur Miller Tennessee Williams O Zoologico de Vidro
  50. 53. Corpo como pesquisa <ul><li>A segunda metade do século vê uma releitura de temáticas características da vanguarda. </li></ul><ul><li>Trabalhos interessantes nascem da negação de um texto anterior a montagem – deve nascer de um trabalho no qual a dimensão humana e corpórea esteja no centro. </li></ul><ul><li>Supera a barreira que divide o público, colocando-o ao interno – performativo – tocar o estômago e o coração do público, não só o intelecto. </li></ul><ul><li>Allan Kaprow (1927 - 2006) – happening – forma expressiva eficaz, capaz de conjugar aspectos lúdicos, conceituais e de crítica política e social. Performers iniciam uma ação coletiva, o público não sabe do que se trata, ao menos no início. Não necessita ter objetivo político, pode simplesmente estimular o espectador a reencontrar o gosto por determinada ação ou gesto. </li></ul>
  51. 54. “ What is a Happening? A game, an adventure, a number of activities engaged in by participants for the sake of playing.” –Allan Kaprow
  52. 55. Living Theatre <ul><li>OFF-Broadway - New York – movimento que compreende todos os dramaturgos, companhias e teatros que se propunham a produzir alternativas aos espetáculos com única finalidade a econômica . </li></ul><ul><li>Living – fundado por Julian Beck (1925 – 1985) e Judith Malina (1926) – teatro político e crítico a sociedade americana.Texto como ponto de partida para o trabalho de improvisação dos atores. Performance baseada essencialmente sobre uma série de ações físicas obsessivas, as vezes no limite da violência. Com o exílio iniciaram um vida itinerante. Ainda ativo, principalmente em Nova York. The Brig, Paradise Now. </li></ul>
  53. 57. Jerzy Grotowski (1933 – 1999) <ul><li>Polonês – estudou na Cracóvia, Moscou (interpretação = ciência do homem) e China (disciplina do corpo). </li></ul><ul><li>Companhia com base comunitária, ritmo de trabalho intenso. Teatr laboratorium. Pesquisava soluções para o impasse pela concorrência com outros meios de comunicação. Busca pela força original do teatro, perdida no período burguês. Esta força pode ser atingida só se o teatro se livrar dos elementos não essenciais (truques), supérfluos, que são a força do cinema. Por um teatro pobre . </li></ul><ul><li>Fundamental uma comunhão de vida entre ator e espectador. Graças a sua arte (duríssimo trabalho) os atores podem criar o rito, essa comunhão e o público viver experiências ignoradas ou esquecidas. </li></ul><ul><li>Público obstáculo para atingir a verdade absoluta – fundou Workcenter – atores performances baseadas exclusivamente nas ações físicas, só podem assistir poucos selecionados – “testemunhas”. </li></ul>
  54. 58. Príncipe Constante Jerzy Grotowski
  55. 59. Eugênio Barba (1936) <ul><li>Italiano residente na Noruega, aluno de Grotowsky. Odin Teatret, na Dinamarca – grupo multinacional. </li></ul><ul><li>Ensaios aparentemente sem objetivo preciso. A atividade do ator requer um exercício cotidiano, independente de estar preparando um espetáculo, semelhante ao trabalho do dançarino ou do atleta. </li></ul><ul><li>Sem turnês comerciais, leva seus espetáculos a um mundo “privo” de teatro. </li></ul><ul><li>Temas relacionados as relações entre diversas culturas. Teatro como objeto de troca. Culturas primitivas, danças, cantos e linguagem gestual – teatro antropológico. </li></ul><ul><li>Teatro é um instrumento de transformação de si e do outro. Exigência de contagiar a realidade que o circunda. </li></ul>
  56. 60. Eugenio Barba Performer – Augusto Omolú
  57. 61. Outros nomes <ul><li>Peter Brook (1925) – Londrino. Corpo assume importância preponderante. Para fazer teatro basta um ator, um espectador e um espaço vazio. Engajamento político. Diferente de Grotowski e Barba, permanece um diretor que prepara para um espetáculo, os atores se exibem na frente de um público. Marat/Sade, Mahabharata </li></ul><ul><li>Tadeusz Kantor – Cracovia - abandono da lógica ligada ao acaso e a improvisação. “Teatro da Morte” – restituir, através da memória, a dimensão de um passado que se revela um não-lugar, onde a identidade é colocada em crise até a sua dissolução. A Classe Morta . </li></ul>
  58. 62. Tadeusz Kantor Mahabharata Peter Brook A Classe Morta Kantor – happening
  59. 63. <ul><li>Robert “Bob” Wilson (1941) – Americano. Reflexão na vanguarda, elementos autobiográficos. Criança se curou de um problema nervoso e gagueira através de técnicas de dança com a Prof. Byrd Hoffman, que fazia movimentos muito lentos e harmoniosos, dissolvendo a tensão de seu corpo. Seu grupo, com o nome da professora, dá vida a performances realizadas na sede ou nas ruas. Teatro imagem – controle da componente visual, personagens ligados a gestos e componentes coreográficos. O Olhar do Surdo – silêncio e lenteza. </li></ul><ul><li>Philippine “Pina” Bausch (1940 – 2009) – Alemã. Teatro-dança (iniciado com Laban) – elementos de descontinuidade com a dança propriamente dita. Emancipação do corpo feminino, da dupla prisão – “angélico”, sem sensualidade, do balé classico / “prostituto” danças que reduzem a mulher a objeto sexual. Dança possa expressar a identidade do indivíduo resgatando-o da opressão, preconceito e constrições da vida moderna. Até o gesto mais banal pode ser significativo, seja como unidade, seja como conjunto de elementos </li></ul>
  60. 64. Pina Baush Bob Wilson
  61. 65. <ul><li>Composição e Tradução: </li></ul><ul><li>Claudia Venturi </li></ul><ul><li>Atriz, Diretora e Professora de Teatro </li></ul><ul><li>www.agape.art.br </li></ul><ul><li>[email_address] </li></ul><ul><li>Bibliografia: Bernardi, C. e Susa, C. Storia Essenziale del Teatro. Vita e Pensiero. Milano. </li></ul>

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