Análise de Obras.

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Aula inaugural.

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Análise de Obras.

  1. 1. ANÁLISE DE OBRAS <ul><li>Eugênio Proença Sigaud </li></ul><ul><li>Chico Buarque de Holanda </li></ul><ul><li>Carlos Drummond de Andrade </li></ul>
  2. 3. CONSTRUÇÃO <ul><li>Chico Buarque de Holanda </li></ul>
  3. 5. <ul><li>Construção (Chico Buarque) </li></ul><ul><li>Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego </li></ul>
  4. 6. <ul><li>Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público </li></ul>
  5. 7. <ul><li>Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado </li></ul>
  6. 8. <ul><li>DESCUIDO NA SEGURANÇA MATA OPERÁRIO </li></ul><ul><li>Firmino da Silva, pedreiro, 22 anos, casado, residente na Rua Valparaíso, casa 2, em Caxias, faleceu ontem, às 12 horas, ao cair de um andaime do prédio em construção na Rua Cupertino Durão, 238, Leblon. Técnicos do Serviço de Prevenção de Acidentes, do Ministério do Trabalho, estiveram no local e constataram a falta de material apropriado de segurança e prevenção de acidentes, o que determinou o embargo da obra. </li></ul><ul><li>A firma construtora nega-se a fornecer detalhes, mas sabe-se que o material já foi requisitado e a obra reiniciada hoje. Firmino Silva deixa esposa e dois filhos. A 15ª Delegacia registrou a ocorrência. </li></ul>
  7. 9. CONSTRUÇÃO <ul><li>Um grito pula no ar como foguete. </li></ul><ul><li>Vem da paisagem de barro úmido, caliça e andaime hirtos. </li></ul><ul><li>O sol cai sobre as coisas em placa fervendo. </li></ul><ul><li>O sorveteiro corta a rua. </li></ul><ul><li>E o vento brinca nos bigodes do construtor . </li></ul><ul><li>Carlos Drummond de Andrade </li></ul>

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