Informe conjuntural - Janeiro a março 2011

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Publicação trimestral da Confederação Nacional da Indústria - CNI | Unidade de Política Econômica - PEC | Gerente-executivo: Flávio Castelo Branco | Equipe técnica: Danilo César Cascaldi Garcia, Isabel Mendes de Faria Marques, Marcelo de Ávila, Marcelo Souza Azevedo e Mário Sérgio Carraro Telles

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Informe conjuntural - Janeiro a março 2011

  1. 1. INFORME CONJUNTURALInformativo da Confederação Nacional da Indústria Ano 27 Número 01 janeiro/março de 2011 www.cni.org.br A economiaInflação e câmbio exigem nova postura brasileira no primeiroda política fiscal trimestre de 2011 Crescimento do PIB em 2011A inflação em alta, a moderação no crescimento A circunstância atual de crescente pressão cai à metade de 2010e a continuidade da forte entrada de recursos de custos exige uma postura fiscal Pág. 2externos dão novo tom à conjuntura no primeiro rigorosa. Na sua ausência, esse papeltrimestre de 2011. Esse cenário altera o foco da caberá integralmente à política monetária, Ritmo de contrataçãopolítica econômica, que necessariamente deverá exacerbando a valorização da moeda brasileira perde forçadar maior atenção à trajetória da inflação. e penalizando ainda mais o setor produtivo. As Pág. 4 medidas de restrição à entrada de recursosFormalizada nos instrumentos legais de indexação externos têm sido insuficientes para conter oainda vigentes e na prática de renegociação de Coordenação de políticas processo de valorização.preços contratados, a memória inflacionária exis- definirá inflação do anotente na economia brasileira aponta para riscos. Portanto, o eixo principal do esforço de Pág. 6Aceitar um período longo de inflação próxima convergência da inflação para sua metaao topo da meta reaviva essa memória, o que deverá ser a política fiscal. Os compromissos Governo Federal reverte oimplicará em um maior custo futuro em termos com a meta fiscal precisam ser mais explícitos caráter expansionista dade redução do crescimento. e compatíveis com esse esforço. Do contrário, política fiscal o ônus recairá sobre o setor produtivo. A Pág. 8A indústria se encontra sob pressão de custos redução do ritmo de crescimento do PIBrelevantes que não derivam apenas dos choques em 2011, que será menos que a metade do Valorização inevitávelexternos, como a alta das commodities. Nos registrado em 2010, é um alerta que não pode em um cenário de altaúltimos quatro anos, o salário médio industrial ser desconsiderado. liquidez e juros elevadosem dólares – custo relevante para comparações Pág. 10de competitividade – aumentou 46%. Variaçãosemelhante ocorreu com o salário mínimo. Evolução da taxa e do movimento de câmbioO forte crescimento econômico brasileiro se Taxa de câmbio nominal em R$/US$ e saldo do movimento de câmbio em US$ bilhõestraduziu em uma economia de pleno emprego, Entrada de moeda no 1º trimestre de 2011 é recordecom a crescente percepção de escassez de mãode obra, em especial nas categorias mais qua- 14,0 3,50lificadas. Essa situação provoca alta dos custos 12,0salariais sem aumento da produtividade, com for- 3,00te reflexo na inflação (em especial, nos serviços e 10,0produtos non-tradables). A pressão inflacionária é 8,0 2,50menor na manufatura, por força da forte competi- 6,0ção com importados, mas é também crescente. 2,00 4,0É sobre as pressões de origem interna que a 2,0política econômica pode e deve atuar. A alta 1,50de custos acima do aumento da produtividade - mar/10 mar/11 mar/04 mar/05 mar/06 mar/07 mar/08causa inflação ou reduz a rentabilidade de 1,00 mar/09 (2,0)projetos de investimento. A consequência é aperda de competitividade – já ameaçada pela (4,0) 0,50valorização do câmbio – e a redução no ritmo de (6,0)crescimento. A experiência mostra que o ciclo (8,0) -virtuoso de crescimento deve ser ancorado naelevação da produtividade, que reflete o uso mais Movimento de câmbio contratado (esquerda) Taxa de câmbio R$/US$ (direita)eficiente dos recursos. Fonte: Banco Central
  2. 2. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011 atividade econômicaCrescimento do PIB em 2011 cai à metade de 2010O PIB deverá crescer 3,5% em 2011, Em janeiro de 2011, a produção cresceu 6,9% frente ao mês anterior.o que representa uma taxa muito industrial dessazonalizada (PIM-PF/ O resultado desse indicador foi, comoinferior à registrada em 2010, de IBGE) aumentou 0,2% na comparação na produção industrial, influenciado7,6%. A economia brasileira mostra com o mês anterior, mesmo após pela ausência do carnaval no mês.sinais diferenciados na evolução dos dois meses seguidos de queda.setores produtivos nesse início de Em fevereiro houve forte alta (de Se, por um lado, o efeito carnavalano. Enquanto o setor de serviços 1,9%) do indicador, na mesma impulsionou o crescimento das(que engloba o comércio varejista) base de comparação, destoando vendas e da produção industrial emcontinua com maior dinamismo, a do comportamento da indústria fevereiro, por outro, os indicadoresindústria de transformação enfrenta nos últimos meses. O resultado de de março deverá mostrar queda pelodificuldade para crescer. fevereiro deve ser analisado com mesmo motivo, devolvendo parte da cautela, pois mesmo considerando o alta registrada em fevereiro. DessaEssa perda de ritmo ocorre desde maior número de dias úteis no mês, forma, a atividade industrial voltaria ao segundo semestre de 2010. O os modelos de dessazonalização mostrar um comportamento moderadocrescimento de 0,7% do PIB (Contas (quaisquer que sejam) têm dificuldade nos próximos meses.Nacionais/IBGE) referente ao quarto de computar a ausência do carnavaltrimestre de 2010 só não foi menor Câmbio valorizado leva com precisão.porque o PIB de serviços cresceu a descompasso entre1,0% frente ao trimestre anterior. O faturamento real da indústria vendas e produção naEsse foi o único setor que se expandiu de transformação (Indicadores indústrianaquele período, enquanto que a Industriais CNI) recuou 1,2% (dadoindústria e a agropecuária recuaram dessazonalizado) em janeiro de 2011, O maior avanço das vendas frente0,3% e 0,8%, respectivamente, na comparativamente a dezembro de à expansão da produção industrialmesma base de comparação. 2010. Em fevereiro, o faturamento se dá pelo vazamento de parte da demanda interna para o mercadoEvolução da produção industrial, vendas da indústria, vendas do comércio e índice de externo. O forte crescimento dasatividade econômica (IBC-BR) importações e a continuidadeBase jan/10 = 100 da pressão competitiva sobre os produtos brasileiros nos mercadosProdução industrial não acompanha crescimento das vendas do setor externos, e no próprio mercado114 doméstico, seguem intensas com a continuidade da valorização da moeda112 brasileira.110 Uma vez que os estoques de produtos industriais se encontram108 relativamente ajustados (Sondagem106 Industrial CNI), a diferença no ritmo de expansão dos indicadores104 de vendas e produção pode estar ocorrendo pela maior composição102 de importados (insumos) na cadeia produtiva da própria indústria100 doméstica. 98 jan/10 fev/10 mar/10 abr/10 mai/10 jun/10 jul/10 ago/10 set/10 out/10 nov/10dez/10 jan/11 fev/11 Após crescer 11,6% em 2010, a indústria da construção civil também IBC-BR Vendas da indústria Vendas do comércio Produção industrial mostra menor dinamismo. SegundoFonte: CNI, Banco Central e IBGE 2
  3. 3. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011dados da Sondagem Industrial da famílias está baseada nas medidas Contribuição negativa doConstrução Civil (CNI), a atividade macroprudenciais implantadas pelo setor externo no PIB serádo setor em fevereiro passou a ficar Banco Central, pelo aumento da taxa menor em 2011de acordo com o usual para o mês de juros e pela elevação do IOF de(indicador em 50,1 pontos) pela 1,5% para 3,0% ao ano para operações O PIB deverá crescer entre 1,0% eprimeira vez desde dezembro de de crédito para pessoa física. 1,2% no primeiro trimestre de 20112009, início da série histórica. Esse frente ao trimestre anterior. Apesarcomportamento destoa do registrado Somado a isso, apesar de o mercado de a economia crescer mais nono passado, quando o indicador de de trabalho continuar mostrando bom primeiro trimestre de 2011 do queatividade em relação à usual para o desempenho, o ritmo de contratação já mostra perda de ritmo, uma vez no quarto trimestre de 2010, essemês ficou sistematicamente acima ritmo não se manterá nos próximosde 50 pontos – o que representa que os investimentos crescem em menor intensidade. Nesse sentido, a trimestres, de maneira a acumularatividade acima do usual para o uma expansão de 3,5% do PIB frenteperíodo. estimativa da CNI é que o consumo das famílias avance a uma taxa de ao ano passado.PIB da indústria deverá 4,5% em 2011. Com uma demanda internacrescer apenas 2,8% A formação bruta de capital fixo crescendo menos, a contribuiçãoem 2011 (FBKF – Contas Nacionais/IBGE) negativa do setor externo no PIB cresceu 0,6% no quarto trimestre (-1,3 pontos percentuais) deverá serAgregando os quatro setores da de 2010, o que representa a quinta a metade em 2011 do que foi emindústria, a expectativa da CNI é de desaceleração seguida do indicador. 2010. A menor contribuição seráum lento crescimento no decorrer de Mesmo que os investimentos resultado da maior desaceleração2011, a ponto de o indicador de PIB voltem a aumentar de forma mais das importações (estimativa deindustrial superar o patamar pré-crise intensa nos próximos trimestres, crescimento de 19,0%) do quesomente entre o segundo e o terceiro a expectativa da CNI é de uma das exportações (estimativa detrimestre do ano. Ou seja, a indústria expansão de 9,0% da FBKF em 2011 expansão de 9,2%).perdeu mais de dois anos com a frente ao ano anterior.crise internacional. Nesse cenário,o PIB industrial crescerá 2,8% frentea 2010, o que representa uma taxa Estimativa para PIB - Variação percentual e contribuição dos componentes no PIBde expansão muito próxima à médiaanual registrada nos últimos 10 anos 2011(de 2,9%). Componentes do PIB Taxa de Contribuição crescimento (%) (p,p,)Mesmo com a moderação da Ótica da Consumo das famílias 4,5 2,7atividade industrial, o índice de demanda Consumo do governo 2,8 0,6atividade econômica do Banco Central FBKF 9,0 1,7(IBC-BR) registrou crescimento de Exportações 9,2 1,0 (-) importações 19,0 -2,30,7% em janeiro frente a dezembrode 2010. Em fevereiro, a expansão Ótica da Agropecuária 3,8 0,2foi de 0,3%, menor que no mês oferta Indústria 2,8 0,7anterior. O cenário traçado pela CNI Indústria extrativa 4,5 0,1contempla um ritmo de expansão da Indústria de transformação 2,0 0,3atividade econômica mais moderado Construção civil 3,5 0,2nos próximos meses, à medida SIUP 4,0 0,1que o consumo das famílias não Serviços 3,8 2,6deverá manter o comportamento de PIB pm 3,5aceleração da expansão.A desaceleração da taxa decrescimento do consumo das 3
  4. 4. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011 emprego e rendaRitmo de contratação perde forçaTaxa de desemprego média anual continua em quedaApós o intenso ritmo de contratação serviços a empresas (5,5% frente Grau de formalidadeem 2010, o mercado de trabalho segue ao mesmo mês do ano anterior), atinge 60% da ocupaçãoa menor atividade econômica e gera sendo seguido pela indústria demenos vagas. O fato positivo nesse transformação (3,2%) e administração A ocupação formal metropolitanacenário é que a formalização da mão pública (2,8%). O comércio registrou aumentou a proporção no total ade obra continua ocorrendo, o que, expansão de 0,5% do número de despeito do menor crescimento dosomada às negociações salariais acima vagas no mesmo período. emprego. O grau de formalidadeda inflação, gera ganhos na massa segue em trajetória de alta desdesalarial real do trabalhador. Embora a atividade industrial mostre janeiro de 2010. Esse indicador dificuldade para crescer, o setor con- – que é calculado pela soma dosO emprego metropolitano (PME/IBGE) tinua empregando. De acordo com os trabalhadores com carteira, militaresatingiu o maior ritmo de crescimento Indicadores Industriais CNI, nos últimos e estatutários sob o total da ocupaçãodos últimos seis anos em abril de 19 meses, o emprego na indústria de – ultrapassou o patamar de 60%2010 (4,3%), na comparação com o transformação só recuou uma vez, na em fevereiro de 2011 pela primeiramesmo mês do ano anterior. Após esse vez na série histórica do IBGE. A comparação com o mês anterior. Emperíodo, o indicador iniciou a trajetória proporção de empregos formais no fevereiro o ritmo de crescimento foide desaceleração. Em fevereiro de total da ocupação cresceu 10 pontos moderado (0,4%) na comparação com2011, o emprego expandiu-se 2,4% percentuais nos últimos 6 anos. dezembro de 2010 (dado dessazonaliza-frente ao mesmo mês do ano anterior. do). Entretanto, na comparação com o O emprego formal no acumulado emO setor que mais aumentou o mesmo mês do ano anterior, a variação 12 meses aumentou em 2 milhões ememprego em fevereiro foi o de do emprego foi de 4,1%. fevereiro (CAGED/MTE). A indústria – considerando as indústrias extrativa, de transformação, construção civilGrau de formalidade e serviços de utilidade pública –Percentual sobre o total da ocupação representou 36% de toda a criaçãoFormalização da mão de obra continua aumentando ao de empregos formais no Brasil nesseritmo de 2010 período. Ressalte-se que assim como o emprego total metropolitano medido60,5 pela PME/IBGE, o emprego formal60,0 medido pelo CAGED também mostra59,5 2011 perda de ritmo de crescimento.59,0 Taxa de desemprego58,5 média anual de 6,0% 201058,0 em 201157,5 Embora o emprego cresça em57,0 menor intensidade, a população 200956,5 economicamente ativa (PEA) – ou força de trabalho – também cresce56,0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez menos. Em fevereiro, a PEA avançou 1,3% frente ao mesmo mês do anoFonte: IBGE. Cálculo: CNI 4
  5. 5. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011anterior, quase a metade da velocidade do comércio e de serviços ficou As negociações salariais deverãode crescimento do emprego. Esse acima da inflação em 2010, medida se manter positivas em 2011, quedescompasso garante a queda da taxa pelo INPC/IBGE. Essa foi a maior aliadas a um cenário de aumentode desemprego média anual. proporção de toda a série histórica do emprego, garantem desempenho da pesquisa, iniciada há 15 anos. positivo do consumo das famílias.O aumento da taxa de desempregode dezembro de 2010 (5,3%) parafevereiro de 2011 (6,4%) é sazonal. Taxa de desempregoEsse indicador deverá ficar oscilando Em % da PEAainda acima de 6,0% até o segundo Menor procura por emprego manterá queda da taxa de desempregotrimestre do ano para então voltar a média anualrecuar, de forma a atingir taxa inferiora 5,0% em dezembro de 2011. Se 10essas estimativas forem confirmadas,a taxa de desemprego média de 2011 9 2009será de 6,0%. 8O cenário da CNI para a queda da 2010taxa de desemprego média anual está 7baseado na continuação da expansão 2011do emprego em ritmo acima da entrada 6de novas pessoas no mercado de 5trabalho à procura de emprego. A PEAcresce em taxa inferior ao emprego há 4mais de três anos. jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Fonte: IBGE. Estimativas CNIReajuste salarial acimada inflação e aumento doemprego impulsionammassa salarial real Massa salarial real habitualmente recebida pelo trabalho principalEmbora o ritmo de expansão da massa Variação frente ao mesmo mês do ano anteriorsalarial real perca força em 2011,o crescimento dessa variável ainda Mesmo com perda de dinamismo, massa salarial ainda cresce acimase mostra intenso. A massa salarial da expansão do PIBhabitualmente recebida do trabalho 12principal cresceu 6,1% em fevereirofrente ao mesmo mês do ano anterior. 10A variação desse indicador perdeintensidade desde outubro de 2010, 8quando o crescimento foi de 10,1% na 6mesma base de comparação.Mesmo com a desaceleração da taxa 4de crescimento, a variação da massasalarial deverá manter-se positiva. 2Segundo dados do Dieese, 89% dos 0reajustes salariais de 700 unidades de jan/09 mai/09 set/09 jan/10 mai/10 set/10 jan/11 fev/11negociação dos setores da indústria, Fonte: IBGE, cálculo: CNI 5
  6. 6. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011 inflação, juros e créditoCoordenação de políticas definirá inflação do anoElevação dos preços dos serviços deteriora cenário inflacionárioO cenário para a inflação em 2011 mu- de alimentos. Os preços dos serviços principalmente em função de condiçõesdou sensivelmente nos últimos meses. apresentam média do acumulado em de demanda externa, e por caracterís-A alta nos preços não se mostrou como 12 meses de 6,3% a.a. (desde junho de ticas sazonais que afetaram o preçoum problema até meados de 2010. 2007). Esse acumulado pouco variou no internacional das commodities. Já deContudo, o movimento do início de 2011 período recente e sustenta o IPCA em janeiro a março de 2011, os preços doscomprometeu o cumprimento da meta um patamar elevado, uma vez que seu alimentos começaram a desacelerar.de inflação de 4,5% ao ano (a.a.). peso no IPCA é de 25%. O IPCA, tanto em janeiro como emOs preços administrados e dos produtos Os preços dos alimentos apresentaram fevereiro, ficou em torno dos 6% a.a.,industriais pouco contribuem para a alta volatilidade no período. Apesar de elevando-se a 6,3% a.a. em março. Con-manutenção do IPCA (índice que baseia a média do acumulado em 12 meses tudo, um ponto deve ser destacado noa meta de inflação) em patamares ser de 8,5% a.a. (desde junho de 2007), movimento desses meses: a influênciaelevados. De junho de 2007 a março de esse indicador chegou a alcançar o má- no índice por conta dos alimentos, mais2011, a média do acumulado em 12 me- ximo de 15,8% a.a. em junho de 2008, voláteis, foi substituída pela elevação noses dos administrados (3,3% a.a.) e dos e a cair ao mínimo de 3,2% a.a. em índice dos serviços. Em março, a inflaçãoindustriais (3,1% a.a.) situam-se abaixo dezembro de 2009. Seu peso no IPCA dos serviços acumula 8,5% a.a., superiordo centro da meta de 4,5% a.a.. é de 23,4%, carregando a volatilidade ao seu nível médio, e alcançando o acu- para o índice total. mulado dos alimentos (8,7% a.a.).Nos últimos anos, o nível do IPCA foidefinido pela evolução dos preços de Os preços dos alimentos vinham A alta nos preços de serviços se deu emserviços, com a volatilidade do índice apresentando tendência de alta desde função de três pontos: (i) o bom desem-determinada pela variação dos preços o fim de 2010. Esse movimento se deu penho da demanda interna; (ii) a falta de trabalhador qualificado no mercado, que eleva os preços dos serviços prestadosIPCA por grupos por esses profissionais; e (iii) a altaPercentual acumulado em 12 meses quantidade de preços atrelados a índicesPreços dos serviços em elevação no início do ano de inflação, como aluguel (o IGP-M, que é utilizado para reajustes dos aluguéis,16 acumulou 11,3% de alta em 2010) e14 educação. Esse tipo de alta leva tempo a arrefecer, o que deverá manter o IPCA em12 um nível elevado por um longo período.10 De uma forma geral, a expectativa é de 8 que os preços dos produtos industriais continuem abaixo da meta, principal- 6 mente em função da âncora cambial 4 (câmbio valorizado torna os importados mais baratos, ampliando a concorrência 2 por preços com os nacionais) e pela 0 capacidade de ampliação da oferta mar/08 jul/08 nov/08 mar/09 jul/09 nov/09 mar/10 jul/10 nov/10 mar/11 desses produtos (via investimentos). Os preços ao produtor (IPA-OG-M/FGV) Administrados Industriais Alimentação Serviços IPCA se aceleraram desde o meio de 2010,Fonte: IBGE Elaboração: CNI mas praticamente não houve repasse ao 6
  7. 7. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011produto final. Nos últimos meses esse Taxas de juros às pessoas físicas e jurídicasíndice parou de acelerar, comportamen- Percentual ao anoto que deverá ser seguindo pela parcela Taxas se elevam em 2011 com medidas de desaceleração do créditode produtos industriais do IPCA. 59 39Os preços administrados devem apre-sentar elevação maior que em 2010, emfunção de um alto grau de indexação. 54 34Os alimentos devem continuar em altadurante o ano, mas de forma menosintensa que em 2010. Os serviços apre- 49 29sentarão aumento nos preços de formamais forte, persistente até o fim do ano.Assim, a estimativa da CNI é de que o 44 24IPCA termine 2011 em 6% a.a..Coordenação de políticas 39 19deve ser prioridade fev/08 jun/08 out/08 fev/09 jun/09 out/09 fev/10 jun/10 out/10 fev/11A inflação projetada para os meses que Pessoa física (esquerda) Pessoa jurídica (direita)seguem até o fim do ano não reflete um Fonte: Banco Centralcenário benigno. Medidas de ajuste sãoessenciais, mas devem fugir do controle menos expansionista, insuficiente para passando de 25,5% a.a. no fim de 2009unicamente via elevação dos juros. adequar a inflação dentro da meta sem para 27,9 % a.a. em dezembro de 2010.O novo Governo sinaliza para a neces- elevação da Selic. Sob esse cenário, a Contudo, só nos dois primeiros mesessidade e intenção de adotar medidas CNI estima que a Selic termine o ano de 2011 o salto foi maior do que todomacroprudenciais alternativas. Algumas em 12,50% a.a., com taxa real de juros o ano de 2010: em fevereiro, a taxajá foram colocadas em prática, como de 5,4% a.a.. alcançou 30,6 % a.a., um aumento dea imposição de restrições ao crédito 2,7 pontos percentuais (p.p.).via depósitos compulsórios e impostos Medidas de contenção do Nos empréstimos à pessoa física, asregulatórios (IOF). Seus efeitos são de- crédito elevam taxas de altas de 2011 reverteram tendência defasados e ainda pouco observados em juros queda observada durante todo o anotermos da trajetória de inflação. A maior As medidas macroprudenciais de passado (a taxa de juros caiu 2,1 p.p.contribuição da política fiscal é essen- elevação do requerimento de capital para entre dezembro de 2009 e de 2010). Acial para uma política macroeconômica operações de crédito às pessoas físicas alta nos juros em 2011, até fevereiro, émenos danosa ao crescimento. e dos compulsórios começaram a surtir de 3,2 p.p..Nesse sentido, a medida mais impor- efeito sobre o mercado de crédito. Se por Para os próximos meses, essa elevaçãotante é a redução dos gastos correntes um lado as concessões de empréstimos nas taxas praticadas deverá resultar emgovernamentais. A prática de medi- ainda mantêm-se altas – novas conces- uma taxa de expansão da concessãodas pontuais e a efetividade do corte sões às pessoas físicas em fevereiro de de crédito menos intensa do que aorçamentário anunciado (R$ 50 bilhões) 2011 foram 22% superiores ao mesmo observada atualmente. Essas medidaspodem proporcionar um cenário mais mês do ano passado, e às pessoas têm efeito defasado, e ainda não obser-favorável para a inflação. É necessário, jurídicas quase 10% maiores –, as taxas vado diretamente sobre o nível geral deentão, garantir que essa readequação de juros praticadas já se elevaram. preços. Contudo, tendem a contribuirorçamentária seja posta em prática. As taxas dos empréstimos às pessoas para um cenário de combate à inflaçãoContudo, o que se deve observar na prá- jurídicas já vinham em processo de com menor necessidade de elevaçãotica é a execução de uma política fiscal elevação durante todo o ano de 2010, dos juros básicos. 7
  8. 8. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011 política fiscalGoverno Federal reverte o caráter expansionista dapolítica fiscalPorém, estados e municípios vão na direção contrária e aceleram o ritmo de aumento das despesasA política fiscal do Governo Federal em to elevado. Em janeiro e fevereiro de 2011 período do ano anterior. Já as despesas com2011 deve contribuir para o controle do houve crescimento de 9,2% das despesas pessoal tiveram aumento real de 4,6%, naritmo de crescimento da atividade econômi- do Governo Federal, em termos reais, com mesma base de comparação.ca, dado que a elevação das despesas deve relação ao mesmo período do ano anterior.ficar abaixo do esperado para a economia. Os governos regionais, que vêm mantendo O aumento das despesas não deteriorouA CNI espera um aumento real de 2,6% nas uma política fiscal expansionista, aumenta- os resultados primários, embora continuedespesas federais, contra um crescimento ram os gastos em 10,8%, na mesma base impulsionando a atividade econômica ereal do PIB de 3,5% em 2011. de comparação. dificultando o controle da inflação. A melhora dos resultados primários ocorreu em funçãoPor outro lado, os governos regionais As despesas de custeio e capital foram do crescimento das receitas, que mais dodevem ir na direção contrária e manter um as que mais contribuíram para o aumento que compensou a expansão das despesas.ritmo de expansão das despesas muito dos gastos federais e alcançaram taxa deacima do crescimento do PIB. Assim, crescimento de 16,6% no primeiro bimestre No Governo Federal, a receita líquida apre-torna-se difícil mensurar a contribuição de 2011, quando comparada ao mesmo sentou aumento real de 11,1% nos primeirosda política fiscal para o controle do ritmo período do ano anterior. dois meses de 2011, com relação ao mesmode expansão da atividade econômica e, período de 2010. Esse resultado indica ace-consequentemente, da inflação. Entre os demais itens que compõem as leração em relação a 2010, quando a receita despesas primárias federais, os gastos líquida cresceu 10,1% – excluído o efeito daApesar das expectativas de redução das com previdência apresentaram cresci- capitalização da Petrobras.despesas primárias federais, o primeiro mento real de 5,8% no primeiro bimestrebimestre apresentou um nível de gasto mui- de 2011, na comparação com o mesmo Para estados e municípios, estima-se um crescimento real das receitas de 13,7% até fevereiro, na comparação com o mesmoCrescimento real das despesas do Governo Federal e do PIB período de 2010. O grande responsável porPercentual do PIB esse resultado foi a elevação nas transfe-Despesas primárias do Governo Federal terão crescimento real menor rências da União (25,6%). Esse aumentodo que o do PIB após dois anos de forte expansionismo fiscal expressivo ocorreu principalmente em função da arrecadação do IPI de automó-12,0 veis (término da redução temporária das alíquotas, a partir do fim de março de 2010),10,0 bem como pelo aumento da arrecadação do 8,0 IRPJ. Além disso, a expansão de 7,9% do recolhimento de ICMS também contribuiu 6,0 para esse aumento das receitas. 4,0 Resultados fiscais melhoram 2,0 no primeiro bimestre de 2011 A evolução das receitas e despesas no 0,0 primeiro bimestre de 2011 elevou o superávit 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011* -2,0 primário de 2,14%, até dezembro de 2010, PIB Despesas para 2,20% do PIB (R$ 81,7 bilhões), no acu- -4,0 mulado pelo Governo Federal e suas estataisFonte: Tesouro Nacional e IBGE - Elaboração e projeção para 2011: CNI nos últimos 12 meses (até fevereiro).Deflator: IPCA 8
  9. 9. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011No caso dos governos regionais e suas Evolução da Dívida Líquida do Setor Público (DLSP)estatais, o crescimento da receita também Percentual do PIBgarantiu uma melhora no resultado primá- Elevação de 0,5 ponto percentual do PIB no déficit nominal nãorio, que passou de 0,64%, em dezembrode 2010, para 0,71% do PIB nos últimos 12 impede pequena queda do endividamento públicomeses encerrados em fevereiro deste ano. 65Ritmo de alta das despesasdo Governo Federal deve 55cair até o fim do anoO ritmo de crescimento das despesasdo Governo Federal deve cair significati-vamente durante o ano, se comparado 45àquele observado no primeiro bimestrede 2011 e também ao registrado em2010. O contingenciamento de R$ 36bilhões em despesas discricionárias e os 35R$ 14 bilhões em despesas obrigatórias 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011*que não serão efetivadas – como, por Fonte: Banco Central do Brasil *Elaboração e Projeção para 2011: CNIexemplo, a não contratação de novosservidores públicos – apontam para um promover novo contingenciamento de bilhões depende da redução do ritmo decrescimento real de 2,6% nas despesas despesas em torno de R$ 11,0 bilhões. crescimento dos gastos. Enquanto não ficafederais em 2011. mais claro o comportamento de estados Entretanto, mantemos a previsão de e municípios com relação às despesas,Por outro lado, também é esperada uma superávit de R$ 70,5 bilhões, dada a mantemos a previsão de cumprimentoredução no ritmo de expansão da receita grande dificuldade de contingenciar R$ da meta. Assim, o superávit primáriolíquida. O forte crescimento real obtido no 11,0 bilhões, uma vez que o montante de projetado para o setor público consolidadoprimeiro bimestre deve perder força ao despesas orçamentárias ainda passíveis em 2011 é de R$ 106,6 bilhões (2,7% dolongo do ano. Isso deve ocorrer à medida de contingenciamento é de apenas R$ PIB projetado pela CNI), abaixo da meta deque o fim das desonerações tributárias 52,0 bilhões. Isto porque a base contin- R$ 117,9 bilhões (2,95% do PIB).que vigoravam em 2010 e o aumento da genciável original da Lei Orçamentárialucratividade das empresas deixem de Anual de R$ 88,0 bilhões já foi reduzida Esse resultado esperado para o superávitprovocar aumentos significativos em rela- em R$ 36,0 bilhões. primário significa uma queda em relaçãoção à arrecadação do mesmo período do ao resultado de 2010 (2,8% do PIB). Essaano anterior. Assim, projetamos aumento Embora de difícil execução, a realização queda, aliada à expectativa de maioresreal de 5,2% para a receita líquida do desse novo contingenciamento por parte do despesas com juros – que passariam deGoverno Federal. Governo Federal seria um passo importante 5,3% para 5,7% do PIB –, leva a um au- no sentido de tornar mais contracionista a mento significativo do déficit nominal, queCabe ressaltar que nas projeções de sua política fiscal, pois reduziria a 0,9% o passa de 2,55%, em 2010, para 3,05% doaumento de despesas e receitas foram crescimento real das despesas em 2011, PIB, em 2011.retirados os efeitos que o processo de capi- com relação a 2010.talização da Petrobras provocou em 2010. Essa elevação do déficit nominal, no entanto, Com relação aos demais componentes não se converterá em aumento da relaçãoNesse cenário, o superávit primário estima- do resultado primário do setor público Dívida Líquida/PIB em função do crescimentodo para o Governo Federal deve ser de R$ consolidado, acreditamos que as estatais do PIB nominal, impulsionado pelo aumento70,5 bilhões, contra uma meta de R$ 81,8 federais devem registrar equilíbrio entre da inflação. Dessa forma, projetamos umabilhões – sem o desconto de despesas despesas e receitas primárias. Já para ligeira queda da relação Dívida Líquida/PIB dedo PAC. Portanto, para cumprir a meta os governos regionais, o cumprimento da 40,2%, em dezembro de 2010, para 39,9%,sem descontos, o Governo Federal deveria meta de superávit primário de R$ 36,1 em dezembro de 2011. 9
  10. 10. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011 setor externo e câmbioValorização inevitável em um cenário de altaliquidez e juros elevadosSaldo comercial é sustentado por ganhos de preços de produtos básicosSeja em relação ao dólar, seja em relação elevado – e deve aumentar com novas poderá encerrar o ano em patamar próximoà cesta de moedas, o câmbio real no Brasil altas dos juros no Brasil. Enquanto o País ao atual, em torno de R$ 1,60/US$.está hoje em seu nível mais valorizado des- mantiver a taxa de juros entre as maio-de a criação do real. Desde 1994, a moeda res do mundo em um momento de alta Perda de dinamismobrasileira valorizou-se 39% em relação ao liquidez, a atração de moeda estrangeira das exportações dedólar e 41% frente à cesta de 13 moedas. é inevitável. Como resultado, o enorme manufaturadosNo mesmo período, o índice de rentabilida- influxo de moeda estrangeira pressiona a As exportações no primeiro trimestrede das exportações da Funcex recuou 20%. valorização cambial. No primeiro trimestre cresceram 28,5% na comparação comUm conjunto de medidas foi implementado do ano, entraram US$ 35,2 bilhões em igual período de 2010. Após longo períodopara conter a valorização, mas se mostra divisas, 45% superior ao valor de todo o no qual as exportações expandiram emineficaz, já que a taxa de câmbio permane- ano de 2010. ritmo inferior ao registrado pelas importa-ce em trajetória de queda. ções na comparação anual (praticamente No decorrer do ano, à medida que as polí-O País segue atraindo montante elevado de todo o ano de 2010, com a exceção de ticas monetárias dos países desenvolvidosinvestimento direto. No primeiro bimestre outubro e dezembro), a situação inverteu- se tornam mais restritivas e novas açõesdo ano, o investimento estrangeiro direto -se durante o primeiro trimestre de 2011. do governo brasileiro para a contenção da(IED) totalizou US$ 10,7 bilhões, três vezes valorização cambial sejam tomadas (sejam A alta observada no período é explicadao acumulado em igual período de 2010. elas medidas macroprudenciais ou não), pelas exportações de produtos básicos,O diferencial de taxas de juros domésticas a pressão pela valorização deve diminuir. que responderam por 61% do aumentoe praticadas internacionalmente continua Com isso, a taxa de câmbio real/dólar registrado entre os primeiros trimestres de 2011 e de 2010.Índice de taxa de câmbio real Esse crescimento se dá por conta do aumento dos embarques, mas principal-Deflator: IPA Base: dez/2003 = 100 mente, devido aos ganhos de preço. NaTaxa de câmbio real é a mais valorizada desde a criação do Real comparação com o primeiro bimestre de190 2010, o volume exportado de produtos básicos aumentou 12% enquanto os170 preços subiram 42% no mesmo período. Em fevereiro, os preços de exportação de150 produtos básicos atingiram o maior valor da série histórica da Funcex, iniciada em 1977.130 Por outro lado, na comparação com o110 primeiro bimestre de 2010, os preços de exportação de manufaturados cresceram 90 12%, enquanto o volume exportado au- 70 mentou apenas 7%. O volume exportado total de manufaturados expandiu com o 50 fim da crise econômica de 2008/2009, jan/87 jan/91 jan/95 jan/99 jan/03 jan/07 jan/11 mas está atualmente apenas em nível R$/Cesta de 13 moedas R$/US$ próximo ao observado em 2004.Fonte: Banco Central 10
  11. 11. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011Os preços, sobretudo de commodities, Índice de quantum de exportações de manufaturadosdarão algum impulso às vendas externas, Média em 12 meses (Base: Média de 2006=100)enquanto o volume de manufaturadosdeverá reduzir ainda mais seu cresci- Volume exportado total de manufaturados em nívelmento. Por conta disso, as exportações próximo a 2004deverão continuar subindo, mas a um 110ritmo menor que em 2010 e cada vezmais dependente das vendas de produ- 100tos básicos e de ganhos de preço. Ao fimdo ano, as exportações devem totalizar 90US$ 250 bilhões, um aumento de 24%na comparação com 2010. 80Aumento dos preços de 70importação pressiona custosindustriais 60As importações totalizaram US$ 48 50bilhões no primeiro trimestre de 2011,valor 23,3% superior ao registrado em 402010. Diferentemente do ano passado, as jan/00 jan/02 jan/04 jan/06 jan/08 jan/10 fev/11importações crescem a um ritmo inferior Fonte: Secexao registrado pelas exportações.O aumento do valor das comprasexternas se deve, em grande parte, à Os preços deverão continuar em uma mesma forma, o crescimento doexpansão do volume importado, que re- elevação mais forte que em 2010. A saldo negativo em serviços e rendas.gistrou crescimento de 19% no bimestre atividade industrial e o consumo das Com isso, o déficit em conta correnteem relação ao mesmo período de 2010 famílias menos intensos irão conter o alcançou US$ 49,2 bilhões em 12(35% no acumulado em 12 meses). As volume importado em 2011. Embora mais meses em fevereiro de 2011, ouimportações de bens de capital e inter- moderado, o volume importado continuará 2,31% do PIB.mediários perdem força, acompanhando a crescer muito acima do ritmo registrado pelas exportações: o câmbio continuará A elevação do saldo comercial nesseo resfriamento da atividade industrial, en- início de 2011, aliado a uma fortequanto as compras de bens de consumo estimulando tanto as compras no exterior como a substituição de insumos nacionais entrada de investimentos estrangeirosseguem crescendo forte. diretos, estão permitindo uma por importados. Com isso, esperamosChama a atenção o aumento nos preços um crescimento de 27% das importações estabilidade do déficit em contade importação. Na comparação entre os em 2011, que deverão totalizar US$ 230 corrente, após a rápida aceleraçãoprimeiros trimestres de 2010 e 2011, o bilhões em 2011. Assim, o superávit verificada ao longo de 2010.crescimento é de 10%. Em 2010, na com- comercial deverá ser de US$ 20 bilhões O déficit em serviços deverá diminuirparação com 2009, a alta foi de apenas em 2011. seu ritmo de expansão e, ao mesmo3%. Os aumentos são mais expressivos tempo, o investimento estrangeironos combustíveis (27%), mas também Aumento no déficit de direto deverá manter-se intenso.em bens de consumo duráveis e interme- serviços deve ser financiadodiários, que registram alta de 3% em 12 Com isso, o déficit em conta corrente por maior entrada de capitalmeses em fevereiro, mas já acumulam deverá elevar-se a um ritmo maisvariação de 9% no último bimestre. Essa externo moderado, mantendo-se praticamentealta representa elevação nos custos de A demanda interna elevada e a constante em relação ao PIB. A CNIprodução da indústria, principalmente por valorização do real impulsionam estima esse déficit em US$ 57 bilhõesse dar em insumos utilizados pelo setor. o aumento das importações e, da em 2011, cerca de 2,35% do PIB. 11
  12. 12. Ano 27, n. 01, janeiro/março de 2011 perspectivas da economia brasileira 2011 2011 2009 2010 projeção anterior projeção dezembro/10 Atividade econômica PIB -0,6% 7,5% 4,5% 3,5% (variação anual) PIB industrial -6,4% 10,1% 4,5% 2,8% (variação anual) Consumo das famílias 4,2% 7,0% 5,1% 4,5% (variação anual) Formação bruta de capital fixo -10,3% 21,9% 13,5% 9,0% (variação anual) Taxa de Desemprego 7,9% 6,7% 6,0% 6,0% (média anual - % da PEA) Inflação Inflação 4,3% 5,9% 5,0% 6,0% (IPCA - variação anual) Taxa de juros Taxa nominal de juros (taxa média do ano) 10,13% 9,90% 11,84% 12,13% (fim do ano) 8,75% 10,75% 12,00% 12,50% Taxa real de juros 5,0% 4,6% 6,3% 5,4% (taxa média anual e defl: IPCA) Contas públicas* Déficit público nominal 3,34% 2,55% 3,20% 3,05% (% do PIB) Superávit público primário 2,03% 2,80% 2,20% 2,70% (% do PIB) Dívida pública líquida 42,8% 40,2% 40,4% 39,9% (% do PIB) Taxa de câmbio Taxa nominal de câmbio - R$/US$ (média de dezembro) 1,75 1,69 1,70 1,63 (média do ano) 1,99 1,76 1,70 1,63 Setor externo Exportações 153,0 201,9 228,0 250,0 (US$ bilhões) Importações 127,6 181,6 224,0 230,0 (US$ bilhões) Saldo comercial 25,4 20,3 4,0 20,0 (US$ bilhões) Saldo em conta corrente -24,3 -47,5 -70,0 -57,0 (US$ bilhões) * Não inclui as empresas do Grupo PetrobrasINFORME CONJUNTURAL | Publicação trimestral da Confederação Nacional da Indústria - CNI | Unidade de Política Econômica - PEC | Gerente-executivo:Flávio Castelo Branco | Equipe técnica: Danilo César Cascaldi Garcia, Isabel Mendes de Faria Marques, Marcelo de Ávila, Marcelo Souza Azevedo eMário Sérgio Carraro Telles | Informações técnicas: (61) 3317-9468 | Supervisão gráfica: Núcleo de Editoração| Impressão e acabamento: ReprografiaSistema Indústria | Normalização bibliográfica: Área Compartilhada de Informação e Documentação - ACIND | Assinaturas: Serviço de Atentimento ao ClienteSAC: (61) 3317-9989 - sac@cni.org.br | SBN Quadra 01 Bloco C Ed. Roberto Simonsen Brasília, DF - CEP: 70040-903 www.cni.org.br.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte. Documento elaborado em 13 de abril de 2011.

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