Economia brasileira 2011

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Veja a íntegra do Informe Conjuntural "a economia brasileira em 2011", divulgado pela CNI em 14.12.2011. Para representação da indústria, o modelo precisa mudar para o Brasil sustentar o crescimento.

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Economia brasileira 2011

  1. 1. ECONOMIA BRASILEIRAEdição Especial do Informe Conjuntural ISSN 1676-5486 Ano 27 Número 04 dezembro de 2011 www.cni.org.brModelo precisa mudar para TEMA ESPECIAL 4Brasil sustentar crescimento Novos desdobramentos da crise: Impactos da desaceleração daO último ciclo de forte expansão da carar dois desafios. De um lado, aumentar economia global no Brasileconomia brasileira – o período 2004- a competitividade brasileira de modo a2008, quando o Brasil cresceu mais permitir aos produtos industriais enfrentarque a economia mundial – foi lideradopela indústria. No período pós-crise a concorrência com os asiáticos. De outro, mudar o padrão de expansão doméstico e balanço 2011 2 Menor atividade da indústriaeconômica mundial esse quadro se eleger o investimento – e não o consumo limita expansão do PIB em 2011modificou. Em 2011, o Brasil voltou a – como a alavanca do crescimento. Emcrescer menos que o mundo e a indús- um modelo de crescimento sustentável, otria menos que o Brasil: o PIB aumen-tou 2,8% e a indústria apenas 1,8%. consumo não pode crescer mais que o PIB. perspectivas 2012 7 Cenário de baixo crescimento Do ponto de vista macroeconômico, o segue em 2012A perda de dinamismo das economias aumento da taxa de investimento precisaavançadas e a mudança do eixo dinâmico ser financiado pela maior disponibili-da economia mundial para a Ásia se refle- dade de poupança. Na insuficiência da atividade econômica 9tem negativamente na indústria brasileira. poupança doméstica, esse esforço de PIB volta a crescer abaixo daA mudança significa menor demanda investimento se traduz em aumento do média mundiallíquida por produtos manufaturados déficit em conta corrente.brasileiros, pois a Ásia é nossa concor-rente direta nesses produtos. Não apenas Como cerca de 60% do PIB são formados por “nontradables” (aqueles bens que não emprego e salário 14encolheu o mercado externo para nossas Mercado de trabalho ofertaexportações industriais como aumentou fazem parte do comércio internacional, menos vagasa penetração de produtos estrangeiros no como os serviços) e o setor intensivo ematendimento do mercado brasileiro. recursos naturais é muito competitivo, o dé- ficit de poupança se traduz em um crescen- inflação, juros e crédito 16Nesse cenário, a prevalência de uma te déficit nos produtos manufaturados. O Inflação volta a ser problemaequação macroeconômica de juros câmbio valorizado viabiliza essa estratégia. em 2011altos e câmbio valorizado e os poucosavanços na eliminação dos entraves àmelhoria da competitividade mostram- A indústria precisa crescer mais que o PIB e o PIB mais que o consumo. Sem mudan- política fiscal 20se fatais: a indústria de transformação ça no modelo, a indústria de transformação Crescimento menor dos gastoscresceu apenas 1,1% em 2011. brasileira irá crescer pouco – menos que públicos contribui para o o PIB – e o processo de perda de partici- controle da inflaçãoPara a indústria voltar a ser o centro pação relativa do setor na economia irádinâmico da economia brasileira, e o paíssustentar um ciclo de expansão maior prosseguir. Sem ter completado seu ciclo de desenvolvimento, o Brasil não pode setor externo 24que a média mundial, é essencial mudar correr o risco de se tornar precocemente Preços de produtos básicosnossa estratégia de crescimento e en- uma economia pós-industrial. determinam evolução das exportações
  2. 2. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011balanço 2011Menor atividade da indústria limita expansãodo PIB em 2011A economia brasileira apresentou exportado de manufaturados ao longo de agosto. O câmbio segue registrandoforte desaceleração em 2011, do ano. grande volatilidade, refletindo os efeitosdevendo fechar o ano com da incerteza no cenário mundial. A taxacrescimento de apenas 2,8%, o que A indústria foi, sem dúvida, o setor mais de câmbio real-dólar deve fechar 2011representa uma expansão muito impactado pelo cenário doméstico e em torno de R$ 1,79/US$, segundoinferior aos 7,5% de 2010. externo adverso. As demandas externa estimativa da CNI. e interna enfraquecidas e a maiorEsse fraco desempenho do PIB é penetração dos importados em função A vigência do real mais valorizadoresultado de diferentes dinâmicas da da valorização cambial resultaram em 2011 frente a 2010 estimulou umeconomia no primeiro e no segundo em forte desaceleração da atividade acréscimo substancial de produtossemestre do ano. Para os primeiros seis industrial, que deve crescer apenas industriais importados no país,meses pesaram as medidas de política 1,8% em 2011. impactando fortemente o resultadomonetária baseadas na elevação dos das compras externas: estima-se quejuros e nas restrições ao crédito. Tais É importante destacar o descolamento as importações totalizarão US$ 225,1medidas promoveram um moderado nas trajetórias da produção e do bilhões em 2011.desaquecimento no consumo das faturamento na indústria. Por contafamílias, que impulsionou menos o da redução de estoques indesejados Do lado das exportações, o paíscrescimento do PIB quando comparado e elevação de insumos importados manteve a trajetória de crescimento dosao ano anterior: 3,8% em 2011 contra no processo produtivo, reflexo da produtos básicos, que mais uma vez9,0% em 2010. apreciação cambial, o faturamento do superou a de manufaturados, reduzindo setor cresce mais que a produção. ainda mais a participação desses naNo segundo semestre, a pauta de exportação.desaceleração no consumo das O acúmulo de estoques indesejadosfamílias e o agravamento da crise também se refletiu na maior ociosidade O preço foi o fator determinante paraexterna reduziram ainda mais o do parque industrial. O índice de UCI a expansão das exportações em 2011,ritmo de crescimento da atividade efetiva em relação ao usual mostra que deve fechar o ano com uma taxaeconômica. A deterioração das que a indústria operou com ociosidade de crescimento de 25% – percentualexpectativas dos empresários afetou desde dezembro de 2010. inferior ao registrado em 2010. Emo investimento, que deve crescer função disso, o saldo comercial emapenas 4,8% em 2011 contra 21,3% A tendência de valorização do câmbio 2011 – de US$ 28,8 bilhões – foiem 2010. marcou a primeira metade do ano. Esse superior ao do ano anterior. movimento foi revertido com medidas deA queda na atividade também se deu controle do ingresso de recursos e pelo Apesar do bom resultado no saldoem função da retração do volume novo ciclo de redução dos juros a partir comercial, aumentos do déficit em 2
  3. 3. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011serviços e rendas impactaram Saldo comercial por classe de produto (janeiro - novembro)negativamente as transações Em US$ bilhõescorrentes, que fecharam com um Déficit comercial de manufaturados segue crescendodéficit equivalente a 2,1% do PIB, noacumulado em 12 meses até outubro. 82,3 58,5Queda nos juros 26,0acompanha 24,6 14,9 19,1desaceleração dainflaçãoAo contrário da postura adotada -66,4na crise de 2008, o Banco -85,5Central decidiu se antecipar aos Total Básicos Semimanufaturados Manufaturadospossíveis efeitos de seus novos 2010 2011desdobramentos e conduzir uma Fonte: Secexpolítica monetária expansionista nosegundo semestre do ano. Os cortespromovidos a partir de agosto fizeramcom que a taxa Selic fechasse o ano Política fiscal Com isso, a meta de superávit primário deve ser superada. Oem 11,00%. Ainda assim, essa taxa é contribuiu para o resultado primário do Governomaior que a registrada em dezembrode 2010 (10,75%). controle da demanda Federal e suas estatais deve mais que compensar o não cumprimento A política fiscal foi importante fator para o da meta pelos estados e municípios.A inflação manteve-se acima do controle inflacionário e o alcance da metacentro da meta (4,5% a.a.) ao em 2011. Diferentemente do ano ante- Esse cenário se distingue bastantelongo de todo 2011, mas mostra rior, nesse ano os governos reduziram o do verificado no ano anterior,sinais de desaceleração nos últimos ritmo de crescimento dos seus gastos quando a meta somente pôde sermeses do ano. Mais uma vez, os (principalmente o Governo Federal). cumprida em função do ingressopreços dos alimentos sustentaram de recursos do processo dea inflação em alto patamar, fazendo Por outro lado, observou-se forte capitalização da Petrobras.com que o IPCA feche 2011 em aumento das receitas em função6,5%, no teto da meta. Dessa vez, dos efeitos defasados sobre a Mesmo com maior superávitporém, a alta dos preços ocorreu arrecadação do desempenho da primário, a elevação das despesasde forma mais disseminada e não economia em 2010 e ainda pela com juros fará com que o déficitapenas pelos alimentos. Também elevação do consumo e pelas receitas nominal aumente. Por outro lado,contribuíram para o aumento da extraordinárias. O crescimento real de a inflação mais alta de 2011inflação os preços dos serviços, dos 12,4% foi superior ao registrado no proporcionará um crescimento do PIBadministrados e, em menor escala, ano anterior e amplamente maior ao nominal, reduzindo a relação dívida/dos produtos industriais. registrado para o PIB. PIB para 39,1%. 3
  4. 4. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011Tema especial: novos desdobramentos da criseImpactos da desaceleração da economiaglobal no BrasilO temor de novos efeitos da crise finan-ceira internacional voltou em 2011. No Dívida bruta sobre o PIBinício da crise, em 2008, três possíveis Em (%)cenários foram considerados. O primeiro Dívida dos países desenvolvidos cresceu substancialmenteseria aquele em que os efeitos dos pro- com a criseblemas observados no sistema financei- 100,0 88,6ro trariam impacto na economia real por 79,6um longo período de tempo, provocando 66,4 65,2 65,0uma depressão econômica semelhante 62,3 62,1ao observado nos anos 30.O segundo seria aquele em que os 26,9efeitos seriam rapidamente superados 19,6por conta da reação da política econô-mica agressiva dos países avançados,com um período de rápida recuperação Estados Zona do Euro Mundo China Brasil Unidosque recolocaria a economia no caminho 2007 2011de crescimento anterior à crise (recupe- Fonte: World Economic Outlook – FMI (Set/2011) Elaboração: CNIração em “V”). O terceiro seria aqueleem que haveria uma recuperação, masoutros efeitos poderiam recolocar omundo em nova desaceleração econô- de 0,3% em 2009, cresceu 7,5% no recuperação observada pelos paísesmica (recuperação em “W”). ano seguinte. A Zona do Euro passou em 2010, o risco de novos efeitos de retração de 4,3% em 2009 para sobre a atividade deixou de ser umaApós três anos da eclosão da crise de crescimento de 1,8% em 2010. Os EUA possibilidade para uma constatação.2008 (a quebra do banco Lehmann Bro- também mostraram boa recuperação, As previsões do FMI em 2011 para others em setembro de 2008), o primeiro passando de queda de 3,5% do PIB Brasil e para os EUA são de metadecenário, de uma depressão prolongada, para crescimento de 3%. As economias do crescimento de 2010. A Zona dofoi descartado. O ano de 2009 refletiu o da Índia e da China desaceleraram em Euro e a China também irão crescerponto crítico da crise, com queda no PIB 2009, mas não chegaram a entrar em menos, principalmente em 2012. O PIBdas economias desenvolvidas e redução recessão, retomando crescimento mais mundial se expandiu 5,1% em 2010 edo crescimento dos países emergentes. intenso em 2010. desacelerará para 4% em 2011.A recuperação veio a reboque em 2010. O segundo cenário também pode Assim, a retomada do crescimentoO Brasil, que havia apresentado retração ser descartado. Apesar da forte não parece se sustentar, fazendo com 4
  5. 5. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011que o terceiro cenário torne-se o mais dívida pública. Assim, a crise passou de. A situação de possível default inibeplausível. A discussão agora está em a ser predominantemente de natureza investimentos externos no país devedor,torno da extensão dessa nova etapa da fiscal e de risco soberano. A dívida bruta restringe a concessão de crédito, diminuicrise (tanto em termos de retração da dos EUA era de 62,3% do PIB em 2007. os prazos de financiamentos, reduz oatividade como no período da desace- Quatro anos depois, as previsões são consumo privado e leva à revisão da pro-leração), e nas medidas passíveis de de que esse percentual ultrapasse os dução. A desaceleração do PIB é meroserem implementadas para diminuir 100% em 2011. Para os próximos anos, reflexo desse cenário.seus efeitos. as previsões do FMI são de aumento contínuo desse percentual, alcançando O segundo se dá em função das exigên-Crescimento da 115,4% em 2016. cias para acesso aos recursos do FMI. O Fundo determina uma série de prerroga-dívida limita política Na Zona do Euro, que apresentava dívida tivas e condições em termos de restriçãofiscal dos países de 66,4% do PIB em 2007, passou para nos gastos públicos, de forma a garantir 88,6% em 2011. As previsões do FMI são o recebimento de seus recursos. Sãodesenvolvidos de crescimento da relação dívida/PIB até estabelecidas metas específicas para 2013 (superando 90% do PIB), voltando a cada país e que, em geral, exigem grandeOs impactos sobre o mercado financeiro cair em seguida. esforço de contenção fiscal e restringeme sobre a economia mundial observados ainda mais o poder de estabelecimentoem 2011 não podem ser considerados As suspeitas quanto à capacidade de de políticas fiscais e monetárias dosum fato novo e dissociado da crise de honrar uma dívida dessa expressão são governos. Essa mudança traz impactos2008. Na verdade, grande parte desses evidentes, principalmente na Europa. diretos sobre o consumo público e priva-efeitos são desdobramentos das políticas O alto endividamento e a inviabilidade do, contribuindo também para a desace-adotadas em todo o mundo para mitigar de novas reduções nas taxas de juros leração da economia.os efeitos da crise e dos impactos da impossibilitam o uso das políticas fiscaisdesaceleração econômica sobre as As ações recentes na Zona do Euro e monetárias do bloco do Euro. Assim,receitas públicas. alguns desses países acabaram por ter visando recuperar a estabilidade sãoUma vez que a crise de 2008 iniciou-se que acessar recursos do FMI de forma a positivas. Seguem na linha da consolida-em função de uma crise de liquidez, as manter a solvência de suas dívidas. ção fiscal e redefinem parâmetros paramedidas adotadas foram, essencial- o endividamento dos diferentes países.mente, políticas fiscais e monetárias O mercado financeiro refletiu rapidamen- Possivelmente também terminarão porexpansionistas. Os EUA e a Zona do te a perda de confiança na sustentação conferir maior poder ao Banco CentralEuro emitiram moeda de forma a dar do crescimento. A volatilidade das bolsas Europeu para assegurar recursos aosliquidez ao mercado e sustentar o poder de valores mundiais aumentou considera- países com maior dificuldade de rolagemde compra da população. Aliado a isso, velmente desde setembro, principalmen- de sua dívida.reduziram ainda mais suas taxas de juros, te impactada pelas ações das instituições financeiras europeias que detêm títulos Ainda assim, as perspectivas para oschegando a ficar próximas a zero. próximos anos são pouco animadoras, públicos dos países com mais dificulda-Essas medidas reativaram a concessão pois a recuperação da atividade de- des (como a Grécia).de crédito nesses países, mas geraram penderá da capacidade de ajuste fiscalum novo problema, que começa a se Essa situação traz dois aspectos nega- desses países. Dificilmente esse será ummaterializar em 2011: a capacidade de tivos sobre a atividade econômica. O processo rápido. As medidas em geralhonrar os custos do novo patamar de primeiro se dá em função da credibilida- traçam planos de austeridade de longo 5
  6. 6. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011Tema especial: novos desdobramentos da criseprazo, com metas restritivas anuais, o até o fim de 2012. Além disso, quase década. De 2004 a 2008, o país cresceuque dilui o efeito negativo sobre o PIB um terço dos empresários acredita em em média 4,8% ao ano (a.a.), acima dano curto prazo, mas prolonga o quadro piora do cenário nos próximos meses. média mundial de 4,6%. Como compa-de estagnação. O exemplo da economia ração, os países avançados cresceramjaponesa dos anos 90 pode se repetir na Claramente, o Brasil não passará ileso apenas 2,3% a.a. no mesmo período.Zona do Euro, com a ocorrência de uma à deterioração observada na Europa. Adécada de crescimento próximo de zero. própria percepção dos empresários de A retração de 0,3% em 2009 fez com que o cenário econômico passa por uma que o PIB brasileiro se distanciasse deEmpresários veem turbulência afeta as expectativas, que podem se traduzir em revisão no consu- sua tendência, ou seja, do PIB que seria observado se o país continuasse cres-cenário econômico mo e nas intenções de investimento. cendo à taxa pré-2008. Em 2010, com oincerto em 2012 De fato, evidências da transmissão crescimento de 7,5%, o PIB praticamen- te voltou ao patamar de sua tendência.No Brasil, o sentimento dos empresários desses novos desdobramentos da crise Contudo, com os novos desdobramen-industriais é de que os novos desdo- sobre o Brasil já podem ser observadas. tos da crise e, considerando a revisãobramentos devem impactar também a As exportações brasileiras desacelera- da CNI sobre o crescimento para 2011economia brasileira. Segundo a Sonda- ram, em razão de uma menor demanda e 2012, novamente o PIB se distanciarágem Especial CNI – Cenário Econômico internacional. O resultado principal recai de sua trajetória anterior. Em 2012, aMundial, realizada em outubro de 2011, sobre a indústria de transformação, economia brasileira irá crescer menosa maioria dos empresários acredita que que apresenta queda na produção nos que a média mundial.o cenário mundial atual é incerto e com últimos três meses.riscos para sua empresa. O aspecto positivo é que, de uma Essa situação prejudica a retomada do forma geral, o Brasil parece estarDos empresários consultados que crescimento no país. O impacto dos mais bem preparado para mitigarconsideram o cenário econômico atual primeiros efeitos da crise de 2008 sobre efeitos agora do que em 2008. Háincerto, 45% acreditam que esse cená- o PIB fez com que o Brasil perdesse claro espaço para a ação da políticario negativo irá se estender, no mínimo, a dinâmica apresentada no início da econômica, como a redução adicional da taxa básica de juros (Selic). Além disso, o país vem reduzindo sua dívida Crescimento do PIB pública (em proporção do PIB). Percentual ao ano Menor ritmo de crescimento do Brasil no pós-crise Contudo, há de se levar em conside- 2004/2008 2009/2011* 2012* ração a questão da inflação em alto China 11,6% 9,7% 9,0% patamar. A situação exige uma combi- Países emergentes 7,6% 5,5% 6,1% nação contracíclica das políticas fiscal e Mundo 4,6% 2,8% 4,0% monetária, mas que traga austeridade e Brasil 4,8% 3,2% 3,0% em consonância com o regime de metas Estados Unidos 2,1% 0,3% 1,8% de inflação. Os exemplos de crise fiscal Zona do Euro 2,1% -0,3% 1,1% prolongada da Europa mostram um risco Fonte: World Economic Outlook – FMI (Set/2011) *Previsões 2011 e 2012: CNI (Brasil) e FMI (outros) Elaboração: CNI que não podemos correr. 6
  7. 7. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011P E R S P E C T I V A S 2012Cenário de baixo crescimento segue em 2012A mudança de orientação na políti- efeito, mas serão insuficientes para Esperamos dois cortes adicionais naca monetária em conjunto com uma alavancar maior ritmo de expansão. taxa básica de juros no início do ano.política fiscal mais expansionista para o Continuaremos com o câmbio valorizado Com isso, a previsão da CNI é que apróximo ano deverá sustentar o cresci- e os problemas de competitividade, que Selic encerre 2012 em 10,00% a.a.,mento da economia brasileira em 2012, induzem a vazamentos da demanda com taxa de juros real média de 4,4%.em um cenário de crise internacional doméstica para as importações. A queda diminuirá o diferencial entre ossem maior agravamento. Como o cenário externo continuará juros domésticos e externos, criandoO PIB deverá crescer apenas 3,0% em desfavorável às exportações brasileiras desincentivo à entrada de capitais2012. Novamente a indústria irá crescer de manufaturados, a contribuição da externos. Assim, estimamos que a taxamenos: a projeção da CNI para a ex- demanda externa será negativa em 0,6 de câmbio deva fechar 2012 com médiapansão do PIB industrial deve passar de ponto percentual, valor semelhante ao anual de R$ 1,80/US$, porém com1,8% em 2011 para 2,3% em 2012. observado em 2011. oscilações ao longo do ano.A maior contribuição ao crescimentoainda virá do consumo doméstico, que PIB e PIB mundialdeverá expandir 4% e contribuir com Variação frente ao ano anterior (%)2,6 pontos percentuais para a elevação PIB brasileiro crescerá menos que o mundial por dois anosdo PIB. Esse é o resultado da combina- consecutivosção do aumento do salário mínimo, do 8relaxamento dos controles monetários e 7da expansão nos gastos públicos. 6Em sentido oposto, no entanto, espera- 5se retração do mercado de crédito 4internacional e perda de dinamismo no 3mercado de trabalho. O investimento 2também se manterá contido, com 1aumento de apenas 5% no ano e pouco 0contribuindo à expansão do PIB. -1 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011* 2012*A recuperação da indústria será tímidaem 2012. As medidas de estímulo PIB PIB mundial Fonte: IBGE e FMIimplantadas no fim de 2011 terão algum * Estimativas CNI (Brasil) e FMI (Mundo) 7
  8. 8. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011perspectivas 2012As exportações devem continuar se sus- gerem uma menor pressão sobre o Implicações de umatentando nos produtos básicos, fechan- IPCA do que a observada em 2011,do 2012 em menor ritmo de crescimen- em função da desaceleração dos IGPs piora na crise europeiato, alcançando US$ 275,4 bilhões. observada nesse ano. O governo tentou se antecipar aosAs importações também devem Os preços dos produtos industriais, efeitos da crise na Zona do Euro. Há umdesacelerar em 2012, em função da como em 2011, seguirão contribuindo claro esforço no combate à desacele-fraca atividade econômica. Mas as para uma menor inflação que em 2012. ração econômica por meio de medidascompras externas devem crescer Parte desse resultado é também em pontuais de estímulo à atividade.em um ritmo mais forte do que as função da nova ponderação do IPCA, Contudo, as medidas adotadas até oexportações, fechando o ano em US$ que dá mais peso para esses produtos momento não consideram um cenário254,6 bilhões. A CNI estima que o saldo do que para os outros grupos. de ruptura na União Europeia, com umcomercial deva encerrar o ano em US$ agravamento mais contundente da crise20,8 bilhões. Política fiscal será fiscal dos países do bloco. Ao contrário, espera-se consolidação fiscal e açõesPor fim, o déficit em conta corrente deve expansionista pontuais por parte do BCE a fim de seficar próximo do observado em 2011, evitar esse agravamento. A política fiscal deverá ter caráterapesar da expectativa de redução dos fortemente expansionista em 2012.investimentos estrangeiros diretos no Entretanto, um cenário de ruptura não Além do Projeto de Lei Orçamentáriapaís para o próximo ano em função do pode ser totalmente descartado, em Anual (PLOA) prever crescimentocenário externo conturbado. Esperamos que a possibilidade de default de algum expressivo de despesas obrigatórias,um déficit de US$ 56 bilhões para 2012, país provoque nova crise bancária sis- o Governo Federal deverá ser menoso que corresponde a 2,1% do PIB. têmica. Nesse ambiente, o Brasil seria rigoroso na execução das despesas profundamente afetado. Os reflexos, discricionárias como forma de estimularInflação mais próxima a atividade econômica. particularmente sobre a liquidez interna- cional e os fluxos de crédito, provoca-do centro da meta Caso opte pelo cumprimento da meta riam acentuada desvalorização cambialA inflação mostrará desaceleração em de superávit primário sem desconto e instabilidade econômica. Como2012. Em função do desaquecimento de investimentos inseridos no PAC, o consequência, teríamos um quadro maisda economia – e de mudanças na Governo Federal deverá promover um próximo ao observado em 2008, componderação do IPCA – esperamos contingenciamento de R$ 40,0 bilhões queda das exportações, do consumo, dainflação de 5,2% em 2012. no PLOA. produção e do emprego.Os preços dos alimentos e dos A redução das despesas com juros fará O crescimento do PIB, nesse cenário,serviços continuarão acima da banda com que o déficit nominal recue para tenderia a ser bastante reduzido. Essesuperior da meta, pressionando mais 2,6% do PIB. O déficit nominal menor e quadro exigiria respostas mais agres-uma vez o índice. Apesar do caráter o crescimento do PIB em 2012 devem sivas da política econômica, visandoinercial existente sobre os preços garantir uma queda na relação dívida/PIB, preservar a demanda, preferencialmenteadministrados, espera-se que esses para 38,6% do PIB, ante 39,1% em 2011. com maior ação da política monetária. 8
  9. 9. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011atividade econômicaPIB volta a crescer abaixo da média mundialApós a expansão de 7,5% em 2010, Estimativa de crescimento do PIB para 2011a economia brasileira deverá crescer Variação percentual frente ao ano anteriorapenas 2,8% em 2011. Esse desempe- Crescimento do PIB brasileiro perde para as economias emergentesnho está aquém da média da economia 6,4mundial, que deverá crescer 4,0%conforme estimativas do FMI. Com essedesempenho, o Brasil está distante damédia de expansão do PIB das econo- 4,0mias emergentes em 2011 (de 6,4%). 2,8O ritmo de expansão do PIB perdeu 1,6intensidade ao longo do ano e atingiuo pior momento no terceiro trimestre,com crescimento nulo na comparaçãocom o trimestre anterior. Na média Economias Mundo Brasil Economias emergentes avançadasdos três primeiros trimestres de 2011, Fonte: FMI e CNIo PIB avançou à taxa de 3,2%, quandocomparado com o mesmo período doano anterior. As medidas restritivas de política que expandiam por nove trimestresDois fatores levaram a esse resultado: monetária implementadas no primeiro seguidos, caíram 0,2%; o consumoas dificuldades da economia mundial semestre do ano – como elevação dos do governo também diminuiu 0,7% noe o desaquecimento da demanda juros e restrições ao crédito – resulta- mesmo período. A redução da influênciadoméstica. ram no desaquecimento da demanda da demanda interna como pilar do doméstica (tanto pelo consumo quanto crescimento fez com que a contribuiçãoA deterioração do cenário externo, pelo investimento) ao ponto de inter- do setor externo para a expansão do PIBprincipalmente no segundo semestre romper seu processo de crescimento no fosse positiva entre julho e setembrodo ano, trouxe impactos negativos terceiro trimestre do ano. de 2011. Esse resultado destoou doà economia brasileira, piorando as que vinha ocorrendo nos trimestresexpectativas dos empresários. A O consumo das famílias, que crescia anteriores.recessão de algumas economias da frente ao trimestre anterior por 10Europa e a dificuldade de recuperação trimestres consecutivos, recuou 0,1% no Considerando o acumulado de quatroda economia americana reduziram o terceiro de 2011, na comparação com trimestres frente aos quatro trimestrescrescimento das exportações brasileiras o anterior; os investimentos, medidos anteriores, todos os componentes depara esses mercados. pela formação bruta de capital fixo, demanda registraram desaceleração ao 9
  10. 10. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011atividade econômicalongo de 2011, consolidando o quadro Produção setorial da indústriade baixo crescimento. Variação na média do acumulado de janeiro a outubro de 2011, frente ao mesmo período do ano anteriorPela ótica da oferta, a queda da 16 setores cresceram em ritmo abaixo do PIB industrialatividade atingiu com mais intensidadea indústria de transformação – que Fumo 14,5no terceiro trimestre recuou 1,4% Equipamentos hospitalaresfrente ao trimestre anterior. As demais e de precisão 11,0categorias da indústria registraram Outros equipamentos de transporte 9,5crescimento na mesma base de Material eletrônico e de comunic. 4,6comparação, mas o PIB de serviços Minerais não metálicos 4,0também diminuiu, dando o tom da 3,2 Veículos automotoresestagnação da economia. Edição e impressão 3,1A taxa de expansão no acumulado de Produtos de metal 2,8quatro trimestres do setor serviços, Móveis 2,2frente aos quatro trimestres anteriores, Indústrias diversas 2,0passou de 5,7% no terceiro trimestre Indústria extrativa 2,0de 2010 para 3,6% no terceiro Farmacêutica 1,8trimestre de 2011. A agropecuária Refino e álcool 1,5passou de 6,3% para 2,7%, enquanto Papel e celulose 1,3a indústria passou de uma taxa de Máquinas e equipamentos 1,0expansão de 10,5% para 2,9%. Industria geral 0,7A desaceleração da atividade Indústria de tranformação 0,7econômica levou à mudança na -0,1 Metalurgia básicacondução da política monetária no -0,3 Borracha e plásticoBrasil. O Banco Central inverteu a -0,4 Madeiratrajetória dos juros (de alta até então)em agosto deste ano e promoveu três -0,6 Alimentoscortes de 0,5 ponto percentual na -1,0 BebidasSelic. As restrições ao crédito foram -1,9 Máquinas, aparelhos e materiais elétricosrelaxadas e medidas de estímulos ao -2,1 Limpeza e perfumariaconsumo e de desoneração tributária -2,5 Máquinas para escritório e equip. de informáticatambém foram implementadas pelo -2,7 Outros produtos químicosgoverno. No entanto, essas medidas -3,3 Vestuárioainda não fizeram o devido efeito -9,3 Calçados e courosna economia real, de modo que osimpactos positivos só serão sentidos -14,9 Têxtilcom mais intensidade em 2012. Fonte: IBGE 10
  11. 11. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011Indústria com A indústria brasileira cresceu menos aumentou para 53,4 pontos (índices neste ano do que a dos Estados Unidos acima de 50 pontos indicam nível dedificuldade de reação (2,3% na mesma base de comparação), estoques acima do desejado). país que mostra maiores dificuldades deA indústria é o setor mais prejudicado O acúmulo de estoques indesejados superar os impactos negativos da crise.pelos desdobramentos da crise. A aumenta a ociosidade do parquemanutenção de uma moeda doméstica A produção industrial brasileira de outu- industrial. A utilização da capacidadevalorizada faz o setor enfrentar um bro de 2011 ainda ficou 3,5% inferior ao instalada apontou clara tendência deduplo desafio. No mercado externo – nível pré-crise (setembro de 2008). Ou redução ao longo do ano, principalmentecom demanda mundial enfraquecida – o seja, mesmo após 37 meses, a indús- no segundo semestre. Em outubro, osetor industrial enfrenta forte competi- tria ainda não conseguiu se sustentar indicador livre de influências sazonaisção devido ao preço relativamente mais acima do pico de produção anterior. Nos atingiu 81,4% (Indicadores Industriaiscaro de seus produtos. No mercado Estados Unidos, a produção industrial CNI), resultado da quinta queda conse-interno, a indústria compete com a inva- já superou o patamar de setembro de cutiva do indicador. De fato, o índice desão de produtos importados, de forma 2008 em 2,9%. UCI efetiva em relação ao usual para oque a demanda doméstica direciona mês (Sondagem industrial CNI) mostraparte crescente de suas compras para Outros indicadores de atividade indus- que a indústria operou com UCI abaixoas importações. trial confirmam o quadro de estagna- do usual desde dezembro de 2010. ção. O nível de estoques ficou acimaA perda de competitividade do setor do planejado em quase todos os meses Se na média a indústria mostra umindustrial é resultado de um país com deste ano (Sondagem Industrial CNI). quadro de estagnação, a produçãoalto custo para produção, aspecto Em outubro, o indicador de estoques industrial desagregada setorialmentepresente há anos na economia brasilei- efetivo em relação ao planejado aponta desempenhos heterogêneos.ra. A indústria utiliza mão de obra muitomais cara quando comparada com a deoutros países. O salário do trabalhador Faturamento real e produção da indústria de transformaçãoindustrial brasileiro em dólares cresceu Número índice janeiro de 2010 = 100 – dessazonalizado16,2% no acumulado de janeiro a outu- Distanciamento das curvas se dá pela redução de estoques indesejadosbro de 2011, frente ao mesmo período e pelo maior conteúdo de importados por unidade de produçãodo ano anterior, enquanto nos EUA 113os salários da indústria aumentaramapenas 1,9% no mesmo período. A alta 111carga tributária retira o fôlego financeiro 109das empresas, o alto custo de energia 107encarece a produção, a alta taxa de 105juros desincentiva os investimentos 103e a burocracia demasiada dificulta o 101ambiente para os negócios. 99Nos 10 primeiros meses de 2011, a 97produção industrial cresceu apenas jan/10 abr/10 jul/10 out/10 jan/11 abr/11 jul/11 out/11 Faturamento real Produção0,7% (PIM-PF/IBGE) quando comparada Fonte: CNI e IBGEcom o mesmo período do ano anterior. 11
  12. 12. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011atividade econômica Com estoques elevados, a indústria Estimativa de PIB de 2011 precisa vender parte excedente Variação percentual e contribuição dos componentes do PIB dos estoques para depois voltar 2011 a incrementar sua produção. A Componentes do PIB Taxa de Contribuição valorização do real incentiva a compra crescimento (%) (p.p.) Consumo das famílias 4,2 2,5 de matérias-primas importadas no Consumo do governo 2,0 0,4 processo de produção industrial. Dessa Ótica da FBKF 4,8 0,9 forma, setores que produzem bens demanda Exportações 4,5 0,5 intermediários perdem mercado para os (-) importações 8,5 -1,0 competidores internacionais, o que traz a produção industrial para baixo. Agropecuária 3,5 0,2 Indústria 1,8 0,5 Indústria extrativa 2,2 0,1 PIB deverá crescer Ótica da oferta Indústria de transformação Construção civil 1,1 3,0 0,2 0,2 pouco no último SIUP 2,9 0,1 trimestre de 2011 Serviços 3,0 2,0 Passada a estagnação do terceiro tri- PIB pm 2,8 mestre, o PIB deverá reiniciar o proces- so de crescimento no último trimestre Elaboração: CNI de 2011. O ritmo de expansão será baixo, por volta de 0,4% na compa- ração com o trimestre anterior, o que resultará em uma taxa de crescimentoNo acumulado do ano até outubro, Faturamento real de 2,8% no ano. Esse desempenho será16 dos 26 setores consultadospelo IBGE (PIM-PF) registraram descola da atividade muito inferior ao esperado no iníciovariação abaixo do desempenho do industrial desse ano (4,5%).PIB industrial no mesmo período. Apesar do cenário de moderação da O setor serviços, que recuou noAlguns setores registram queda da atividade industrial, o faturamento terceiro trimestre, deverá voltar a seprodução. Dos 12 setores com recuo real da indústria de transformação expandir, dando contribuição positivada produção, dois se destacaram mostra trajetória diferenciada. A no crescimento do PIB. À medida que apelos piores desempenhos: Têxtil expansão do faturamento fez com desoneração tributária de produtos da(queda de 14,9%) e Calçados e que esse indicador se descolasse da linha branca já possibilita reduções noscouros (-9,3%). Na ponta oposta, produção industrial. A redução de preços desses produtos, haverá impul-três setores mostraram notável estoques indesejados e o aumento so nas vendas do comércio varejista.desempenho: Fumo (crescimento de14,5%), Equipamentos hospitalares do componente de importados por As dificuldades de crescimento dae de precisão (11,0%) e Outros unidade de produção explicam tal indústria ainda estarão presentes noequipamentos de transporte (9,5%). descolamento. quarto trimestre do ano. Em outubro, 12
  13. 13. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011a produção industrial recuou 0,5% limitações para o maior dinamismo do Do lado da oferta, a indústria continuaráfrente ao mês anterior e indicadores consumo interno: a contribuição positiva enfrentando os mesmos desafios desetoriais apontam fraco desempenho do mercado de trabalho já não é a 2011. É esperada alguma desvalorizaçãoem novembro. mesma. O emprego crescerá em menor do real frente ao dólar, mas pouco rele- velocidade, assim como o crédito, de vante. A taxa de câmbio ainda continuaráPersPectivas forma a gerar um crescimento de 4,0% valorizada, o que irá manter o coeficiente no consumo das famílias. de penetração das importações emPIB deverá crescer Os investimentos também mostrarão crescimento. O nível de estoques deverá ser ajustado ao longo do ano, aindaem 2012 em ritmo reação. A expectativa de crescimento no primeiro semestre, de modo que asemelhante ao de 2011 de 5,0% foi pautada em um cenário produção industrial deverá registrar maior de queda da taxa de juros e inflação dinamismo na segunda metade do ano eEm continuidade ao processo de lenta ainda alta, que resultará em uma expandir 2,3% em 2012.aceleração do crescimento econômico, taxa de juros real em níveis muitoo PIB iniciará o ano em expansão. O baixos para o padrão brasileiro. O O cenário externo continuaráaumento do salário mínimo aliado às governo promoverá uma política fiscal desfavorável no ano que vem. Asmedidas de estímulos ao consumo irão expansionista, em linha com a política chances de piora são maiores do quegarantir a expansão do consumo das monetária, aumentando seus gastos de melhora. A Zona do Euro, na melhorfamílias – tendência que ganhará força em 2,2%, o que também trará algum das hipóteses, ficará estagnada, masno decorrer do ano. No entanto, há impulso à economia. as chances de recessão na região continuam prevalecendo. O desenrolar da crise fiscal nesses países perdurará Estimativa de PIB de 2012 por algum tempo, dificultando uma Variação percentual e contribuição dos componentes do PIB retomada do crescimento. 2012 Os Estados Unidos continuarão Componentes do PIB Taxa de Contribuição crescimento (%) (p.p.) com baixo crescimento, de forma Consumo das famílias 4,0 2,4 que o avanço da economia mundial Consumo do governo 2,2 0,5 Ótica da dependerá, preponderantemente, das FBKF 5,0 0,9 demanda economias emergentes. Exportações 2,5 0,3 (-) importações 6,9 -0,9 Nesse cenário, a CNI espera um crescimento baixo das exportações Agropecuária 3,0 0,2 (2,5%), enquanto as importações Indústria 2,3 0,6 seguirão em ritmo mais intenso de Indústria extrativa 2,5 0,1 Indústria de transformação 1,8 0,3 expansão (6,9%), de forma que o setor Ótica da oferta Construção civil 3,0 0,2 externo promova uma contribuição SIUP 3,0 0,1 de -0,6 ponto percentual no PIB. Os Serviços 3,3 2,2 serviços, como em 2011, será o motor do crescimento econômico em 2012, PIB pm 3,0 sendo responsável por quase 75% da Elaboração: CNI expansão de 3,0% do PIB no ano. 13
  14. 14. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011emprego e salárioMercado de trabalho ofertamenos vagasO ano de 2011 foi marcado por um Emprego metropolitanoprocesso de perda de dinamismo do Variação frente ao mesmo mês do ano anteriormercado de trabalho. A renda real do Ocupação perde ritmo de crescimento desde o segundotrabalhador metropolitano, no entanto, trimestre de 2010manteve uma trajetória importante de 5,0crescimento, que aliada à expansão do 4,5emprego formal, garantiu o avanço doconsumo das famílias. 4,0 3,5A desaceleração da atividade 3,0econômica já mostra reflexos no 2,5mercado de trabalho. O empregometropolitano (PME/IBGE) cresceu 2,02,2% na média de janeiro a outubro 1,5de 2011 frente ao mesmo período do 1,0ano anterior. Uma taxa bem inferior à jan/10 abr/10 jul/10 out/10 jan/11 abr/11 jul/11 out/11registrada em 2010 (3,5%). A criação Fonte: IBGEde empregos nas seis maiores regiõesmetropolitanas do país foi perdendovelocidade ao longo do ano. Em da média dos 10 primeiros meses de O emprego formal metropolitanooutubro, o emprego cresceu apenas 2011 frente ao mesmo período do ano continua expandindo em ritmo acima1,5% quando comparado com o anterior, a maioria dos setores registra da ocupação total, uma vez que omesmo mês do ano anterior. expansão. emprego sem carteira assinada mostra sucessivas quedas, na comparação Se por um lado setores como Veícu-Emprego na indústria los automotores (7,3%), Máquinas, anual, desde setembro de 2010. O graudesacelera de forma aparelhos e materiais elétricos (5,6%) de formalidade do mercado de trabalho metropolitano – medido pela soma dosheterogênea e Outros equipamentos de transpor- te (5,3%) se destacaram pelo forte trabalhadores com carteira, militares eO emprego na indústria (Indicadores aumento do emprego, por outro, alguns estatutários dividido pelo total da ocupa-Industriais CNI) também segue esse setores mostram pouco dinamismo no ção – seguiu a trajetória de crescimen-padrão e mostra uma dinâmica ritmo de contratação. O setor Madeira, to. Em outubro, esse indicador atingiu obastante heterogênea entre os como exceção, reduziu o emprego em maior patamar (61,2%) da série da PME/setores de atividade. Na comparação 5,3% no mesmo período. IBGE iniciada em março de 2002. 14
  15. 15. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011emprego e salárioDados do CAGED/MTE apontam o Expansão dos PersPectivasmesmo cenário de perda de dinamis-mo: crescimento menos acelerado do rendimentos mantém Menor taxa deemprego formal. Em outubro o emprego consumo desemprego, masformal aumentou em 1,5 milhão no acu-mulado em 12 meses. Cifra bem inferior O rendimento médio real medido nas seis maiores regiões metropolitanas do país menor criação de vagasao patamar acima de 2 milhões registra-dos em quase todo ano de 2010. manteve-se em expansão em todos os Para 2012, a CNI acredita na redução da dez primeiros meses de 2011. Na média taxa média de desemprego para 5,8% eAlguns fenômenos no mercado de de janeiro a outubro de 2011, o rendi- continuidade da expansão dos rendi-trabalho, no entanto, se mantêm mento médio real cresceu 2,9% frente ao mentos reais, o que manterá o consumopresentes. Mesmo com menor avanço, mesmo período do ano anterior. doméstico como principal motor doo emprego ainda aumenta em veloci- crescimento da economia. O empregodade mais intensa do que a expansão As negociações salariais do primeiro continuará avançando, mas em menorda população economicamente ativa semestre de 2011 (Dieese) continuaram intensidade, seguindo a fraca atividade(PEA). A PEA cresceu 1,2% em outubro bastante positivas. Das 353 negocia- econômica. O setor que mais contribuiráfrente ao mesmo mês do ano anterior, ções salariais feitas nos seis primeiros com a alta da ocupação será o de ser-enquanto a ocupação avançou 1,5%. meses de 2011, 84% ofereceram ga- viços, uma vez que esse setor cresceráCabe ressaltar que o diferencial entre nhos salariais acima da inflação medida mais do que os demais da economia.as taxas de expansão do emprego e da pelo INPC/IBGE.PEA vem caindo.Menor espaço para Diferencial da taxa anual de crescimento entre ocupação e PEA Em (%)queda da taxa de Queda da taxa de desemprego é resultado do menordesemprego crescimento da PEAA taxa de desemprego recua não 3só pelo aumento do emprego, mas 2também pelo menor crescimento daprocura por vagas. Esse movimento, 1que ocorre desde agosto de 2007, está 0perdendo intensidade. À medida queo diferencial entre expansão da PEA e -1da ocupação se reduz, menor será aredução da taxa de desemprego. Esse -2movimento é natural, uma vez que a -3taxa de desemprego alcançou níveis mar/03 mar/04 mar/05 mar/06 mar/07 mar/08 mar/09 mar/10 mar/11 sethistoricamente baixos. Fonte: IBGE - Elaboração: CNI 15
  16. 16. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011inflação, juros e créditoInflação volta a ser problemaem 2011 IPCA por gruposO ano de 2011 mostrou deterioração Acumulado em 12 meses (%)no quadro inflacionário do país com ataxa de inflação no limite superior da Desaceleração nos alimentos se intensifica no fim do ano 12meta (6,5%). O índice oficial de inflação(IPCA) iniciou o ano em aceleração e 10manteve-se acima do centro da meta 8(4,5%) durante todo o ano, e desde abrilacima também do teto da meta (6,5%). 6O IPCA no acumulado em 12 mesesatingiu o ápice em setembro, quando 4alcançou 7,31%. Desde então, o índice 2está em queda, alcançando 6,64% emnovembro. 0 nov/09 fev/10 mai/10 ago/10 nov/10 fev/11 mai/11 ago/11 nov/11A aceleração da inflação foi observada Administrados Industriais Alimentos Serviços IPCAem todos os quatro grupos do IPCA. Fonte: IBGE - Elaboração: CNIEssa situação difere de outros períodosde maior pressão sobre os preços,como em 2008, em que a alta se deu Nos últimos meses do ano, em do IPCA. Esse grupo também mostrouunicamente em função dos preços dos especial a partir de outubro, os aceleração em 2011, passando de umalimentos. preços dos alimentos desaceleraram acumulado em 12 meses de 3,5% em principalmente em função da piora no janeiro para 4,5% em setembro. ApesarEsses preços, como observado nos cenário internacional, que moderou os disso, a piora no cenário internacionalúltimos anos, apresentaram alta volati- preços das commodities. Assim, com afetou a demanda por esse tipo de bemlidade em 2011. No acumulado em 12 a substituição das altas taxas mensais e seus preços vão fechar o ano emmeses, a taxa desse grupo iniciou o ano registradas pelo grupo (superiores a 2%) desaceleração, com um acumulado emem 10,4% (janeiro), sendo a principal no fim do ano de 2010 por elevações 12 meses abaixo dos 4%.fonte de pressão sobre o IPCA. Como mais amenas em 2011, a tendência écomparação, em janeiro de 2010 essa Os preços administrados, que apresen- que em dezembro esse grupo apresentetaxa era de apenas 3,6%. A aceleração tam elevada indexação, mostraram um a taxa mais baixa do ano, entre 6% edesse grupo não se sustentou, embora salto acima da média durante o ano. Os 7%, no acumulado em 12 meses.esses preços tenham mantido taxas índices de preços de 2010 chegaramelevadas durante o ano (acumulado em Os preços dos produtos industriais são a registrar alta em 12 meses superior12 meses entre 8% e 10%). os que menos contribuem para a alta a 10% (como o IGP-M), e foram funda- 16
  17. 17. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011mentais para a alta dos preços admi- perdurou até julho, passando de 10,75% Assim, a taxa Selic terminará o ano denistrados. O acumulado em 12 meses a.a. em janeiro, para 12,50% a.a.. O 2011 em 11,00% a.a., ainda acima dodesse grupo, que era de apenas 3,3% segundo, de agosto em diante, retomou patamar do fim de 2010. Com a inflaçãoem janeiro, alcançou níveis acima de 6% o ciclo de queda e reduziu a taxa para em 6,5%, a CNI estima que a taxa deem outubro. 11,00% a.a.. juros real média de 2011 será de 4,8%.A inflação dos serviços mostrou tendênciade alta e reflete a forte demanda interna A alta da inflação no início do ano trouxe preocupação com o não cumprimento Crédito à pessoaque se sustentou durante 2011. O índice da meta. Com a deterioração do cenário física desaceleraacumulado em 12 meses dos preços inflacionário doméstico, o Copom durante o anodesse grupo iniciou 2011 acima de 7%, e entendeu ser necessária a elevação daacelerou a taxa de crescimento durante taxa básica de juros, de forma a conter A concessão de crédito iniciou o anotodo o ano (alcançou 9% em novembro, a demanda e diminuir a oferta de moeda em aceleração, fruto de uma série desendo a principal sustentação do IPCA na economia. Essa decisão norteou as medidas de incentivo às concessõesacima do centro da meta). cinco primeiras reuniões do ano. adotadas durante a crise de 2008/2009 que ainda estavam em vigor. Posterior-A despeito do elevado patamar em que Contudo, a rápida piora do cenário mente, o crédito passou por um períodose encontram os preços monitorados internacional trouxe novos rumos para de desaceleração, em razão da retiradae dos serviços, o IPCA de 2011 deve a política monetária. Diferentemente dessas medidas.situar-se no limite superior da meta. A da crise de 2008, quando a política mo-alta desses dois grupos será compen- netária reagiu tardiamente aos efeitos No início do ano, o crédito à pessoa jurí-sada com a reversão do processo de negativos já em curso no país, em 2011 dica, que havia sido mais afetado pelasaceleração dos preços dos alimentos e o Banco Central optou pela antecipa- restrições de liquidez impostas pela crisea manutenção de um baixo patamar dos ção a esses efeitos. Assim, em agosto de 2008, já apresentava recuperação.preços dos produtos industriais. (reunião seguinte à última decisão de O crédito à pessoa física mostrava elevação), iniciou-se um processo de mais vigor, chegando a alcançar umO cenário para o fim do ano, então, dife- redução na taxa Selic, que a levou para crescimento de 22% na concessão emre do de 2010. A substituição das taxas o atual patamar de 11,00% a.a.. fevereiro (média dos últimos 12 mesesde inflação mensais em aceleração do contra os 12 meses anteriores). Nafim do ano passado por taxas mais ame- Do ponto de vista inflacionário, as mesma base de comparação, o crédito ànas no fim de 2011 fará com que o IPCA reduções da Selic não comprometeram pessoa jurídica apresentava alta de 9,6%termine o ano sobre a banda superior o alcance da meta de 2011. Assim no mesmo mês.da meta (6,5%), situação contrária à como em 2008, a crise atual tem efeitosexpectativa dominante no início do ano, deflacionários. O principal canal dessa A piora no cenário inflacionário apresen-quando a projeção era de 5,0%. redução da inflação são os preços dos tada nos primeiros meses do ano levou alimentos, que crescem a taxas subs- o Governo a adotar medidas macropru-Copom se antecipa tancialmente menores. Além disso, a denciais de forma a evitar a concessãoaos efeitos da crise adoção de medidas macroprudenciais descontrolada. A principal medida se até o primeiro semestre do ano também deu pela elevação do IOF para o créditoA atuação do Copom em 2011 mostrou contribuiu para retirar o peso excessivo à pessoa física, que havia sido reduzidodois movimentos bem distintos. O primeiro da política monetária, abrindo espaço a 1,5% a.a. durante a crise, e recompos-movimento foi um ciclo de alta que para a redução na taxa de juros. to a 3% a.a. em abril. 17
  18. 18. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011inflação, juros e créditoMedidas dessa natureza visam elevar Concessão de crédito com recursos livres às pessoas físicas e jurídicaso custo do empréstimo ao tomador (e Média nos últimos 12 meses contra os 12 meses anteriores (%)reduzir o ganho do aplicador) sem elevara Selic. Essa medida foi eficaz em res- Crédito à pessoa física mostra clara desaceleraçãotringir a concessão de crédito à pessoa 25física, desacelerando para 13,9% em 20outubro (média dos últimos 12 mesescontra os 12 meses anteriores). O crédi- 15to à pessoa jurídica, que não foi afetado 10pela alta do IOF, manteve-se expandindo 5a taxas entre 8% e 9%. 0As taxas de juros de empréstimos -5praticadas pelas instituições financeirasacompanharam as medidas macropru- -10 out/07 abr/08 out/08 abr/09 out/09 abr/10 out/10 abr/11 out/11denciais. As taxa de juros médias dos Pessoa física Pessoa jurídicacontratos às pessoas físicas chegaram a Fonte: Banco Central do Brasil Elaboração: CNI47% em outubro (contra 43,8% a.a. emjaneiro), carregadas pela elevação do IOF.Já as taxas às pessoas jurídicas pouco observar em 2012 uma reaceleração mundial, (ii) a capacidade de repasse devariaram no ano, passando de 29,3% a.a. na concessão à pessoa física, sendo o reajustes já contratados, e (iii) a novaem janeiro para 29,8% a.a. em outubro. crédito à pessoa jurídica pouco afetado. ponderação do IPCA, baseada na Pes- O impacto sobre as taxas de juros é quisa de Orçamentos Familiares (POF)Contudo, a antecipação do Governo aos incerto, pois dependerá das condições 2008/2009.efeitos negativos dos novos desdobra-mentos da crise, aliada à desaceleração de liquidez bancária tanto do mercado Os novos desdobramentos da crisedas pressões inflacionárias do fim do financeiro interno como externo. de 2008/2009 tendem a diminuir asano, abriu espaço para que um novo pressões inflacionárias no país. Aconjunto de medidas fosse anunciado PersPectivas queda na demanda internacional deveem novembro e dezembro. A principal gerar menor pressão sobre os preçosmedida foi a redução da alíquota do IOF Novos ponderadores internacionais de commodities, alémincidente sobre o crédito à pessoa física, do IPCA devem de proporcionar um direcionamento dedos 3% a.a. para 2,5% a.a. (porém, ainda parte do que seria exportado pelo paísacima do patamar do período agudo da contribuir para redução para o mercado interno.crise de 2008/2009). da inflação em 2012 Por outro lado, os reajustes de preços eO intuito das medidas é estimular a con- Para 2012, espera-se um novo cenário salários programados para 2012 devemcessão via redução no custo do toma- para o IPCA. A inflação do ano terá três pressionar a inflação, principalmentedor, de forma a manter a demanda inter- aspectos determinantes: (i) os impactos os relacionados ao salário mínimo. Ona por bens. Sob esse cenário, deve-se dos novos desdobramentos da crise aumento previsto (em torno de 14%) 18
  19. 19. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011dará maior capacidade de consumo à IPCA. O item que mais contribuiu para lado em 12 meses desses produtos (depopulação, o que deve contrabalançar esse crescimento foi o de veículos au- junho de 2007 a novembro de 2011) éos efeitos de desaceleração da crise, tomotores (novos e usados), que mais de 3,3%, contra 3,7% dos preços admi-mas também gerará pressão de custos, que dobraram sua participação no IPCA nistrados, 6,7% dos serviços e 8,6% dosem especial nos serviços. (somados, representam agora 6,7% do alimentos. Assim, o aumento no peso total). dos industriais tende a reduzir o IPCAA nova ponderação do IPCA, divulgada como um todo.em novembro de 2011, passará a ser Todos os outros grupos perderamválida a partir de janeiro de 2012. Até participação. Os preços administrados A inflação em 2012 deverá ser bementão, o IPCA era baseado na POF passaram para 27%, alimentos para menor que no ano anterior. Os preços2002/2003, e trazia uma estrutura 22% e serviços para pouco mais de administrados devem gerar menoresde pesos com cerca de 29% para 21%. O grande destaque foi a redução pressões sobre o IPCA, principalmenteos preços administrados, 25% para do peso dos serviços, principalmente em função da desaceleração dos IGPsserviços, 23% para alimentos e 23% em função do item educação (caiu de durante o ano de 2011. Os preços dospara produtos industriais. 7,3% para 4,2%). produtos industriais continuarão abaixo do centro da meta, sendo o principalCom a nova edição da POF, a estrutura Essa mudança deverá impactar o IPCAde pesos foi sensivelmente alterada. grupo a contribuir por um menor IPCA. para baixo. Desde a adoção da POFO grupo que mais ganhou participação Os preços dos serviços e alimentos 2002/2003 como base, os produtosfoi o de produtos industriais, passando continuarão acima da banda superior industriais apresentaram as menoresa representar pouco mais de 29% do da meta, mas não serão suficientes taxas de variação. A média do acumu- para prejudicar seu cumprimento no fim do ano. Peso dos grupos do IPCA Nesse cenário, a CNI estima que o IPCA Participação na composição (%) termine o ano de 2012 em 5,2%, uma Produtos industriais crescem em participação no IPCA expressiva desaceleração em compara- a partir de 2012 ção a 2011, mas ainda acima do centro 29,4 da meta de 4,5% a.a.. 29,0 27,1 25,0 Essa situação de inflação mais 23,3 22,6 22,1 21,4 reduzida está em consonância com o baixo ritmo de crescimento esperado. Leva também em consideração as reduções na taxa Selic praticadas no fim de 2011 e as medidas de estímulo ao crédito. O movimento de redução da Selic deve continuar, fazendo com que essa alcance 10,00% a.a. em Alimentos Serviços Administrados Industriais 2012. A taxa de juros real passará, Peso antigo (POF 2002/2003)* Peso novo (POF 2008/2009) * Referência: novembro de 2011 - Fonte: IBGE então, a 4,4% a.a., menor que a Elaboração: CNI observada em 2011. 19
  20. 20. Economia BrasilEira Ano 27, n. 04, dezembro de 2011política fiscalCrescimento menor dos gastos públicoscontribui para o controle da inflaçãoA política fiscal apresentou expressivareversão em 2011. O Governo Federal Crescimento da despesa primária do Governo Federal e do PIBreduziu significativamente o ritmo de Em (%)crescimento das despesas como forma Despesas primárias cresceram menos que o PIB até o terceirode conter a expansão da demanda e trimestre de 2011auxiliar a política monetária no controle 12da inflação. Os gastos de estados 10e municípios também aumentaram 8em ritmo menos acelerado que em2010 e, embora tenham superado 6amplamente a expansão da economia, 4contribuíram para um incremento mais 2moderado na demanda. 0Além do menor aumento das despesas, -2o cumprimento da meta de superávit 2006 2007 2008 2009 2010 2011*primário do setor público foi facilitado Despesas Primárias PIBpelo forte ritmo de aumento das Fonte: STN/MF - Elaboração: CNI * Despesas: acumulado de janeiro a outubro, contra o mesmo período de 2010.receitas. Essa elevação foi mais * PIB: acumulado de janeiro a setembro, contra o mesmo período de 2010.acentuada no Governo Federal, quecontou com um grande volume dereceitas extraordinárias para superar a as razões devem ser as eleições munici- de 2011, com relação ao mesmo perí-sua meta de superávit primário e mais pais e o fim do primeiro ano de mandato odo do ano anterior. Cabe ressaltar quedo que compensar o resultado abaixo da dos governadores, quando normalmente essa variação exclui a despesa extraor-meta nos governos regionais. as despesas crescem menos. dinária de R$ 42,9 bilhões referente ao aporte do Tesouro Nacional no processoPara 2012, o cenário da política fiscal écompletamente diferente, pois o Gover- Investimentos do de capitalização da Petrobras, ocorrida em setembro de 2010.no Federal tende a voltar a praticar uma Governo Federal têmpolítica fiscal fortemente expansionistacomo forma de reduzir a desaceleração queda real em 2011 A elevada rigidez dos gastos públicos faz com que a contenção de despesasdo ritmo da atividade econômica. Essa As despesas primárias do Governo necessária para ajudar no controle dotendência também deverá ser seguida Federal tiveram aumento real (deflator crescimento da demanda seja feita compor estados e municípios. Nesse caso, IPCA) de 3,0% entre janeiro e outubro grande ênfase sobre os investimentos. 20

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