Revista Boa Vontade, edição 204

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A Revista Boa Vontade tem por objetivo levar informações por meio de matérias que abordam temas voltados à cultura, educação, política, saúde, meio ambiente, tecnologia, sempre aliados à Espiritualidade como ferramenta de esclarecimento, auxílio, entendimento e compreensão.

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Revista Boa Vontade, edição 204

  1. 1. Editorial Um Cidadão chamado Solidariedade * José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor, é Presidente das Instituições da Boa Vontade. — A crise econômica que afeta o mundo é uma verdadeira praga e, nesse sentido, a brecha entre os países ricos e os pobres aumentará até o ano 2000, vitimando mais de 600 milhões de pessoas, que viverão abaixo do nível da pobreza. Essa tétrica advertência é do Fundo das Nações Unidas para Atividades Populacionais, que acaba de analisar as atuais tendências de crescimento econômico Comenda do ParlaMundi da LBV Em 1996, no Plenário do ParlaMundi da Legião da Boa Vontade, em Brasília/DF, Be- Betinho tinho foi condecorado com a medalha da Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica, da LBV, na categoria Solidariedade. no mundo. Na realidade, a indigência nos países em via de desenvolvimento é e será fruto das disparidades internacionais, em cujo leque se encaixam o alto custo dos empréstimos e a crise do pagamento das dívidas. Em outras palavras, os países ricos Manuel Bandeira continuarão a ter uma receita per capita no mí- _________________________________ * Um Cidadão chamado Solidariedade — Publicado no livro Crônicas e Entrevistas, de Paiva Netto (Editora Elevação – ano 2000). Revista Boa Vontade Arquivo rBV João Preda E m 9 de agosto de 1997, Betinho, mineiro de Bocaiúva, voltou à Pátria Espiritual. Creio que uma das principais contribuições do saudoso sociólogo tenha sido mobilizar Solidariedade Brasil afora, por isso em 1981 criou o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas). Bem merecido e exato foi o prêmio que recebeu no fim de 1996, no Plenário do ParlaMundi da Legião da Boa Vontade, em Brasília/DF: a Ordem do Mérito da Fraternidade Ecumênica, na categoria Solidariedade. Sem ela, a sociedade sucumbe ao egoísmo. O mais trágico erro é o milenar desrespeito à sagrada pessoa humana, o Capital de Deus. Já em março de 1985, no Diário Popular, de São Paulo/SP, comentava o jornalista Anderson França: Celio Jr/AE A luta contra a fome, da qual Betinho se tornou um poderoso aríete, naturalmente reclama constantes investidas.
  2. 2. nimo 200 vezes maior do que a dos países pobres. Para exemplificar bem o grau dessa barbaridade, é bom dizer que a quantidade de trigo destinada pelos EUA ao fabrico de ração animal daria, tranqüilamente, para, de uma só tacada, estancar a fome no continente africano... Fotos históricas da LBV Fotos: Arquivo rBV. “O Bicho” Cabe aqui, por oportuno, um veemente protesto do grande poeta Manuel Bandeira (1886-1968) contra a falta de humanidade da Humanidade que permanece ameaçando povos incontáveis: Arquivo rBV Vi ontem um bicho na imundície do pátio catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, não era um gato, não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. Por isso, a luta contra a fome, da qual o ilustre professor Herbert de Souza (1935-1997) se tornou um poderoso aríete, naturalmente reclama constantes investidas. Benjamin Franklin Sem o sentido da Fraternidade que se projeta na ação solidária, da qual Jesus é um luminoso exemplo, que problemas serão efetivamente aplacados, mesmo por força do progresso tecnológico em vigor? Conforme escrevi no meu artigo “Independência”, publicado pela Folha de S.Paulo, em 7 de setembro de 1986, numa época em que, pelo avanço da tecnologia, as expectativas de produção ficam ultrapassadas, a fome é realmente um escândalo! Por quê?! Falta de Amor nas Almas, que resulta na exaltação do nefando ismo do ego. O irmão do Henfil (guardo comigo bem-humorada e ilustrada dedicatória A Ronda da Caridade da LBV é uma atividade originária da Campanha Permanente da Instituição contra a fome e pela cidadania, lançada no fim da década de 1940, com a popular “Sopa dos Pobres”, também conhecida como “Sopa do Zarur”. No destaque, na primeira imagem, o jovem Paiva Netto, que participou da Ronda inaugural, em 1º de setembro de 1962, no Rio de Janeiro/RJ. Revista Boa Vontade
  3. 3. Editorial Arquivo rBV Fotos: Arquivo rBV. que o sempre lembrado cartunista — por sinal, também mineiro, de Ribeirão das Neves — me enviou no seu O Diário de um Cucaracha) soube ver, através das lentes da verdade Henfil social, o que Benjamin Franklin (1706-1790) registrou nas suas meditações: — Onde há fome, não há respeito à lei (...). Isto é, um dia, tudo pode acontecer. O Povo é uma permanente surpresa. Fala Betinho — A fome é exclusão. Da terra, da renda, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida e da cidadania. Quando uma pessoa chega a não ter o que comer, é porque tudo o mais já lhe foi negado. É uma espécie de cerceamento moderno ou de exílio. A morte em vida. E exílio da Terra. (...) fizemos verdadeiros milagres de desenvolvimento. Um dos maiores PIBs do mundo abraçado com a pobreza é a miséria mais espantosa. (...) dois mundos no mesmo país, na mesma cidade, muito próximos pela geografia e infinitamente distantes como experiência de humanidade. Ninguém diria melhor. Parabéns, Betinho, onde quer que esteja! E sabemos que é em um bom lugar. E continua vivo, porque os mortos não morrem. Revista Boa Vontade Nas fotos, o apoio oferecido pela LBV, em parceria com voluntários, às pessoas que vivem em situação de risco social. Nascida no Rio de Janeiro, há 43 anos, a iniciativa espalhou-se por diversas seções de atendimento da Instituição no Brasil e no mundo. Homenagem aos Pais No segundo domingo do mês de agosto comemoramos o Dia dos Pais no Brasil. Por isso, registro, emocionado, os sinceros agradecimentos ao meu saudoso pai, Bruno Simões de Paiva, um dos principais responsáveis pela minha formação. Sempre me presenteava com os melhores livros, preocupado que foi com a minha educação, assim, como a da minha querida irmã Lícia Margarida. Receba, Seu Bruno, onde estiver, ao lado de Dona Idalina, um beijo no coração. PhotoDisc A Providência Divina suscita homens de estirpe no seio de todas as nações e em todos os tempos, para que as consciências não adormeçam e que do hábito de refletir surjam ações humanitárias de extensos resultados. Eis por que encerro esta singela homenagem, recordando expressiva advertência do imortal Cidadão Solidariedade:
  4. 4. Reprodução rBV Literatura Simone Barreto Uma mesa, cadeiras e microfone foram suficientes para os jornalistas Carlos Heitor Cony e Artur Xexéo reproduzirem o que fazem nas manhãs na Rádio CBN. O evento Sempre um Papo, realizado em 16 de agosto, no Conjunto Cultural da Caixa, Rio de Janeiro/RJ, serviu para explicar à platéia o que os leitores vão encontrar no livro Liberdade de Expressão 2, lançado naquela data por Heródoto Barbeiro, em parceria com os dois comentaristas. Como o próprio jornalista, escritor e acadêmico Cony explanou, a obra é uma reprodução do programa matutino da rádio, que leva o mesmo nome, em que o diretor regional de jornalismo Heródoto Barbeiro lança temas atuais, para os dois jornalistas debaterem com ele, emitindo opiniões diferentes, o que, segundo o acadêmico, torna o programa muito dinâmico, pois o rádio atinge uma gama heterogênea de ouvintes. Após o debate, os jornalistas autografaram o livro na recepção do teatro, e, na ocasião, os representantes da Legião da Boa Vontade participaram do evento, levando o abraço fraterno do DiretorPresidente da LBV, José de Paiva Netto. Cony e Artur Xexéo agradeceram e retribuíram o abraço, enviando o exemplar da obra com as seguintes dedicatórias: “Para o Paiva Netto com um abraço de Artur Xexéo — agosto/05” e “A José de Paiva Netto com a admiração e o abraço de Cony — Rio 2005”. e, na oportunidade, os representantes da Legião da Boa Vontade o cumprimentaram em nome do jornalista José de Paiva Netto, Zuenir Ventura ao que ele manifestou muita simpatia dizendo: “Ah, o Paiva Netto, que prazer! Muito obrigado pela presença. Dê um abraço a ele”. Também fez questão de encaminhar um exemplar da obra com a seguinte dedicatória: “Para José de Paiva Netto, com o abraço e o respeito do autor, Zuenir”. [S.B.] Semente da vitória Divulgação Liberdade de Imprensa _______________ O jornalista e escritor Zuenir Ventura realizou, no dia 23 de agosto, na capital fluminense, um bate-papo literário sobre seu mais recente livro Minhas Histórias dos Outros. A obra traz o testemunho de vida do autor, num período que vai do fim dos anos 1950 — quando iniciou sua carreira — até os dias atuais, numa coletânea de lembranças pessoais e coletivas e episódios políticos e sociais que presenciou. Atualmente, é colunista do jornal O Globo e do site NoMínimo. Ganhou os Prêmios Esso e Vladimir Herzog de Jornalismo, em 1989, entre outros. Zuenir aproveitou o evento para autografar exemplares de seu livro Divulgação Minhas Histórias dos Outros Com mais de 40 anos de atividade, o preparador físico Nuno Cobra é um profissional Nuno Cobra respeitado no País e no mundo. Ele autografou _____________ Viviane Lago um exemplar de sua obra A semente da vitória para o Líder da Legião da Boa Vontade, ocasião em que disse que admira e tem muito afeto para com o dirigente da LBV. Na dedicatória, consta: “Ao querido amigo Paiva Netto. Com muito amor. Nuno Cobra”. Coleção Memória do Servidor _____________ Enaildo Viana Fotos: Agência Câmara O Congresso em Meio Século é o novo título do jornalista Tarcísio Holanda, lançado na Câmara dos Deputados, em 24 de agosto, data que marca a morte de Getúlio Vargas. A obra literária inaugura a Coleção Memória do Servidor. O livro retrata o papel Ministro Paulo Affonso Tarcísio Holanda na noite de autógrafos do Ministro Paulo Affonso Martins de exemplar para o dirigente da LBV, que Oliveira nos 23 anos em que foi o braço destaca ser uma grande figura deste País: direito de treze presidentes da Câmara “Para Paiva Netto, Presidente da LBV, dos Deputados. com apreço e admiração do Tarcísio Na ocasião, o autor autografou um Holanda. Brasília, 24/8/2005”. Revista Boa Vontade
  5. 5. Cartas Arquivo BV No dia 27 de agosto, o Senador da República Pedro Simon dedicou ao dirigente da LBV um exemplar de duas interessantes obras de sua autoria. Pedro Simon No livro Discursos do Senador Pinheiro Machado, Simon registrou: “Ao grande líder e amigo Paiva Netto, um abraço do Irmão Pedro Simon, 27/8/2005”. O Senador escreveu na dedicatória da publicação Alberto Pasqualini — Textos Escolhidos a seguinte mensagem: “Ao homem de idéias sociais, Paiva Netto, ofereço o pensamento de um grande mestre de idéias, Alberto Pasqualini. Abraço, Pedro Simon, 27/8/2005”. LBV e ABI O Portal da Associação Brasileira de Imprensa (www.abi.org.br) destacou, em nota publicada no dia 1° de agosto, o registro histórico que a BOA VONTADE faz dos pioneiros da imprensa brasileira, aproveitando o ensejo da comemoração do aniversário de 90 anos do jornalista Fernando Segismundo, em 5 de julho último. Eis a nota: “Memória da Imprensa A edição nº 203, de julho, da revista BOA VONTADE, editada pela Elevação, traz como reportagem de capa a sessão histórica em homenagem aos quatro pilares da ABI: Herbert Moses, Prudente de Moraes, neto, Barbosa Lima Sobrinho e Fernando Segismundo. Em quatro páginas, o leitor pode conhecer um pouco sobre a trajetória dos ex-Presidentes da ABI e suas atividades à frente da Instituição”. Por sinal, o eminente jornalista Fernando Segismundo destacou a pu10 Revista Boa Vontade ABL em foco Parabenizo a publicação da LBV, em especial, pelo destaque que sempre concede à nossa ABL. Um abraço! (Antonio Carlos Secchin, Acadêmico, professor universitário, crítico literário e ensaísta — Rio de Janeiro/RJ) Canal de comunicação Venho por meio desta agradecer a edição de junho de 2005 da revista BOA VONTADE. Gostaria também de cumprimentá-los pelo material. Certo de poder manter aberto este canal de comunicação entre nós, aproveito a oportunidade para lhes enviar um forte abraço. (Márcio Bins Ely, Vereador — Porto Alegre/RS) obra. Agradeço de coração tudo o que ele faz por nós e pela Humanidade. (Graci Gomes da Silva — Florianópolis/SC) Sabedoria de Vida O livro Sabedoria de Vida, de Paiva Netto, é maravilhoso, nos ensina muito. Eu gostei bastante, pois, nesta vida, temos muito que aprender. Com essa obra, da Editora Elevação, de tanta responsabilidade e credibilidade, conseguirei seguir em frente. (Ivanilde Aparecida Fernandes de Oliveira — Embu-Guaçu/SP) Programação que eleva Profecias Parabéns pela programação e pela iniciativa de radiofonização do livro Nosso Lar, uma das obras mais lindas do Espírito André Luiz, psicografada blicação, via e-mail: “Caro Presidente Paiva Netto, venho agradecer-lhes a distinção com a qual a revista BOA VONTADE n° 203, de julho, me atribui: o de ser um dos pilares da Associação Brasileira de Imprensa, ABI. Tenho prestado, de fato, uns poucos serviços à instituição, mas assim têm procedido muitos de nossos confrades. Honra-nos estar sempre ao lado e a favor de nossa categoria profissional. Com a generosidade de vocês sinto-me, ainda mais, incentivado a prosseguir em nossa luta comum, tenho como alvo absoluto o bem da Pátria e de seu povo. Um cordial abraço!”. A jornalista e escritora Maria Lúcia Amaral fez questão de ressaltar a homenagem da revista ao seu tio Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000): “Muito grata pela remessa da revista BOA VONTADE em que estão o meu tio Barbosa Lima Sobrinho e sua esposa Maria José. Lembro sempre de ambos com muita saudade e, principalmente, pela falta que o meu tio estaria fazendo, agora, em que o país anda tão difícil. Bonita a capa da revista na qual estão os presidentes tão importantes da querida ABI onde trabalhei tantos anos. Obrigada, mais uma vez. Quero agradecer ao escritor Paiva Netto pelo livro As Profecias sem Mistério. Estou muito contente com essa Parceria Social A LBV e a ABI têm realizado, ao longo de mais de cinco décadas, inúmeras parcerias, a exemplo da que foi assinada no fim de 2004, quando um convênio entre as duas instituições Maurício Azêdo passou a oferecer atendimento odontológico a jornalistas aposentados de renda modesta. Também são entregues, mensalmente, a estes profissionais cestas básicas de alimentos. Em carta, o Presidente da Casa do Jornalista, Maurício Azêdo, manifesta-se a respeito do assunto: “Nossa admiração pelo desempenho da LBV no campo social, no qual essa benemérita instituição presta notável contribuição à melhoria das condições de vida e à elevação da auto-estima das pessoas alcançadas por seu trabalho de assistência ao próximo, como demonstrado no caso do numeroso segmento de concidadãos indicados pela ABI. Com as expressões do nosso elevado apreço, firmo-me cordialmente”. Simone Barreto Senador Pedro Simon autografa livros a Paiva Netto
  6. 6. Visita portuguesa — Há pouco tempo foi-me possível concretizar um sonho antigo: conhecer a Legião da Boa Vontade do Brasil e representar Portugal no 30º Congresso Jovem LBV. Agradeço o carinho com que fui recebida pelo Irmão Paiva e a fraternidade dos Legionários, sem exceção. Destaco a envergadura desta obra grandiosa de Jesus. Nunca duvidei que assim fosse, mas, pessoalmente, é muito mais gratificante! (Orlanda Perestrelo — (Porto/Portugal) Pontual e humanitário no Paraguai — Em nome do Instituto de Bem-Estar Social, sentimo-nos honrados de dirigirmo-nos a Vocês a fim de expressar reconhecimento e gratidão pelo pontual e humanitário atendimento da solidária Legião da Boa Vontade (LBV) do Paraguai, especificamente com a provisão de alimentos para adultos maiores do Centro Comunitário “Amanecer” (Amanhecer), na cidade de Fernando de la Mora. Na soma dos serviços, significaram um ano de consignação à vida saudável e protegida em forma alimentícia dos usuários do referido Centro, que oferece assistência integral aos que vivem em situação de risco social. Ao reiterar-lhes nossos agradecimentos, desejamos sucesso à missão da LBV, com a elevada apreciação institucional. (Dr. Jorge Paredes Ocampo, Diretor-Geral do Instituto de Bem-Estar Social de Assunção/ Paraguai, e sra. Palmira Soto, Chefe do Departamento de adultos maiores e incapacitados do mesmo Instituto) Samba e História Eu gostaria de parabenizar toda equipe desta revista pela seção “Samba e História”, que foi muito bemfeita, mostrando a trajetória deste grande músico e sambista Neguinho da Beija-Flor, com fatos marcantes que nos fizeram recordar um pouco de sua história. Que esta publicação continue sempre trazendo a cultura com Espiritualidade a todos nós! (Lícia Curvello — Nova Iguaçu/RJ) O caminho das estrelas Excelente matéria sobre Santos Dumont, publicada na BOA VONTADE de julho, intitulada: “O caminho das estrelas”. Dumont demonstrou com sua persistência que quem tem um objetivo definido, por mais que pareça impossível aos outros, com determinação pode alcançá-lo. A reportagem apresenta ainda informações de como ele conquistou sua meta de maneira gradual, sempre inovando em suas descobertas. (Ana Paula de Oliveira, via e-mail). Faustão indica Reflexões da Alma, de Paiva Netto. E m rede nacional, no dia 21 de agosto, o apresentador Fausto Silva recomendou aos telespectadores do Domingão do Faustão, da TV Globo, dirigido pela competente Lucimara Fausto Silva Parisi, o best seller de Paiva Netto, Reflexões da Alma, da Editora Elevação. O livro já ultrapassou a marca dos 180 mil exemplares vendidos. Faustão tem grande afeto para com a Legião da Boa Vontade e seu Diretor-Presidente. Certa vez, ao ser entrevistado pela equipe de reportagem da Rede Boa Vontade de Comunicação, ele ressaltou a seriedade do trabalho realizado pelo Diretor-Presidente da Instituição. “Eu vejo muito bem e há muito tempo (a ação da LBV), porque conheço Paiva Netto, de vez em quando cruzo com ele nos aeroportos da vida. Sei que é um homem sério, dedicado, e a verdade é que quanto mais ele trabalha e mostra o trabalho dele, com mais tradição, mais seriedade, responsabilidade e, principalmente, com maior interesse, respeito e admiração o público vê esse tipo de serviço. A verdade é que o trabalho é a maior propaganda do Paiva Netto e da LBV”. Revista Boa Vontade 11 Leila Marco LBV no mundo O coração azul pulsa na Argentina — Desejamos agradecer a inestimável ajuda que nos têm dado. Não temos palavras para dizer-lhes o quanto nos aliviaram; não diretamente, mas às crianças, porque devemos lembrar que são elas as mais beneficiadas. Nós não somos nada mais que intermediários para atender às necessidades delas, que atualmente são muitas. Mas vocês, com sua ajuda solidária, nos fazem continuar com esta obra benemérita. Ainda bem que neste mundo existem pessoas como vocês, que lutam diariamente e nos consideram e atendem. Nossos corações têm o mesmo objetivo, impulsionados por um sentimento de amor em relação aos pequeninos de nossa sociedade. Obrigado por existirem! E que o logotipo que escolheram para serem reconhecidos mundialmente se torne cada vez maior. Muitíssimo obrigado! (Sayas Raúl e Maria José Carballo, respectivamente Presidente e Secretária da instituição Merendero Infantíl Comunitario Don Niño, Buenos Aires/Argentina) Reprodução pelo saudoso Chico Xavier. Sempre que posso, ouço a Super Rede Boa Vontade de Rádio (SRBV) e peço iluminação espiritual para que tudo corra bem em minha vida; peço também pela saúde de minha mãe, Maria Aparecida Del Grande; por todos aqueles que ouvem a SRBV e pelos Irmãos que se encontram em aflição. Que Deus nos ilumine. Obrigada, um abraço a todos da LBV. (Kátia Filomena Del Grande — via e-mail)
  7. 7. Índice Ao Leitor Ao educar e espiritualizar crianças e adolescentes é possível ter certeza de que estamos construindo bases para um amanhã melhor e, por conseqüência, promissor. Tendo em vista essa idéia e a necessidade de que ela seja uma realidade nas salas de aula pelo Brasil afora, a revista BOA VONTADE apresenta o método utilizado pelos educadores da rede de ensino da LBV, inspirado na Pedagogia do Cidadão Ecumênico, preconizada por Paiva Netto. Na reportagem especial, você poderá ler relatos de quem acompanha de perto o resultado positivo obtido graças à prática da proposta educacional que alia o intelecto à Espiritualidade Ecumênica. Esse modelo faz parte do cotidiano de milhares de bebês, crianças e adolescentes que freqüentam unidades educacionais da Legião da Boa Vontade. Nas páginas do Editorial, o escritor Paiva Netto lembra o saudoso Betinho, sociólogo e um dos maiores colaboradores na mobilização da Solidariedade em nosso País. BOA VONTADE Enquanto não prevalecer o ensino eficaz por todos os de bom senso almejado, qualquer nação padecerá cativa das limitações que a si mesma se impõe*. Paiva Netto No artigo “Um Cidadão chamado Solidariedade”, o dirigente da LBV ainda destaca o Dia dos Pais, comemorado em agosto, saudando seu genitor, Bruno Simões de Paiva, na Pátria Espiritual. Confira a seção História, que vislumbra a importância do Movimento Modernista, iniciado em 1922, no Brasil, e que ficou marcado por ser uma revolução que mudou não somente a cultura, mas, sim, o comportamento humano. Vale a pena ler também a matéria em lembrança às vítimas da bomba atômica, que, neste mês, completou 60 anos do triste episódio. A homenagem se estende ao Presidente Getúlio Vargas, num texto que mostra as mudanças e melhorias que ele trouxe ao Brasil. Os editores Leia também “Sociedade Solidária: o exercício da Democracia Ecumênica”, análise da Socióloga, dos EUA, Sandra Fernandez, na página 40. * Edição nº 204 ANO XXIII • Nº 204 • AGOSTO de 2005 BOA VONTADE é uma publicação mensal das IBVs, editada pela Editora Elevação. Diretor e Editor responsável Francisco de Assis Periotto MTE/DRTE/RJ 19.916 JP Redação Editor Executivo: Gerdeilson Botelho Subeditora: Débora Verdan Revisão Adriane Schirmer Neuza Alves Walter Periotto Wanderly Albieri Baptista Colaboradores Alvino Barros, Antonio Paulo Espeleta, Cida Linares, Daniel Trevisan, Elias Paulo, Leonardo Mattiuzzo, Maria Aparecida da Silva, Paulo Azor, Pedro de Paiva, Profa Nádia Lauriti, Rita Silvestre, Silvia Bovino e William Luz Arte Projeto Gráfico: João Periotto Capa: João Periotto e Alziro Braga Foto de capa: Daniel Trevisan Maquiador: Silas Moraes Produção 4 Editorial 9 Literatura 10 Cartas 15 Coluna do Garotinho 16 Cultura 18 Biosfera 20 Educação 26 Atualidades 28 História 34 Notícias de Brasília 38 Samba e História 12 Revista Boa Vontade 40 Opinião 44 Viver é Melhor — Saúde 46 Melhor Idade 48 Ação Jovem LBV 50 Bolo com Pudim 52 Acontece 58 Acontece no Mundo 60 Especial sobre Paiva Netto 62 Pedagogia do Cidadão Ecumênico Endereço para correspondência: Av. Rudge, 938 — Bom Retiro CEP 01134-000 — São Paulo/SP Tel.: (11) 3358-6868 — Caixa Postal 13.833-9 — CEP 01216-970 Internet: www.boavontade.com E-mail: info@boavontade.com Impressão: PROL Editora Gráfica A revista BOA VONTADE não se responsabiliza por conceitos emitidos em seus artigos assinados.
  8. 8. 4 18 Biosfera A sede atinge o Planeta 20 Editorial Um Cidadão chamado Solidariedade Educação Cidadania Ecumênica na sala de aula Direitos da criança e do adolescente 26 Atualidades Notícias de Brasília 34 Arte contemporânea da Índia no Templo da Boa Vontade (TBV) Revista Boa Vontade 13
  9. 9. Felipe Freitas Coluna do Garotinho Quem são os favoritos? José Carlos Araújo é locutor esportivo da Rádio Globo do Rio de Janeiro/RJ Tradição ajuda. Camisa também pesa. Mas o sucesso requer mais. Exige qualidade, seriedade e competência. ganham certo destaque aos olhos da crítica. Em valores individuais, o destaque é o Corinthians, que — com a parceria que lhe garante suporte financeiro — buscou reforços do nível de Tevez, Mascherano, Roger e Carlos Alberto. Mas ainda não é aquele time apontado por todos como provável campeão. Falta alguma coisa ao Timão, embora lhe sobrem jogadores de qualidade. Este Campeonato Brasileiro continua imprevisível, tanto na parte superior da tabela, na qual se concentram os que aspiram ao título de campeão e à possibilidade de disputar torneios internacionais, quanto na parte de baixo, em que a briga é pela permanência no grupo de elite do futebol nacional. À medida que a disputa avança, mais se torna evidente o nivelamento geral. Basta observar a diferença, em pontos ganhos, que separa os primeiros dez classificados. Fica tão spfc.com.br com fotomontagem rBV O Campeonato Brasileiro, como tem ocorrido nos últimos anos, vem reservando surpresas para torcedores e analistas. Times sempre considerados favoritos ao título aparecem como candidatos ao rebaixamento, enquanto equipes tidas como inexpressivas se agigantam e assumem as primeiras colocações na tabela de classificação. Em sã consciência, no início do campeonato, alguém apostaria que a Ponte Preta pudesse liderar a competição? E de que forma explicar clubes como o Atlético Mineiro, Vasco da Gama e Flamengo, freqüentando a zona de rebaixamento? A verdade é que o êxodo de jogadores acabou nivelando as equipes. Não há nenhum time muito superior aos outros. Claro que o São Paulo, pela conquista da Taça Libertadores da América, o Cruzeiro e o Internacional, pela força do conjunto, embolado esse pelotão que, a cada rodada, tudo pode se inverter. Não há, por enquanto, nenhum time disparado que possa ser descrito como principal candidato ao título. Já entre os ameaçados pelo rebaixamento, a situação é mais séria. Apesar de ainda ter muitos jogos pela frente, o risco é enorme e se torna mais real a cada jogo perdido. Tudo porque não basta que o ameaçado vença; é preciso que seus concorrentes diretos caminhem em sentido inverso e percam seus jogos. Por isso mesmo, os grandes clubes ameaçados que se cuidem. Essa história de que há tempo de sobra para uma recuperação não passa de uma grande armadilha. Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Grêmio, Bahia e outros que o digam. Todos eles viveram esse drama e, quando acordaram para a realidade, já estavam na segunda divisão. O Campeonato Brasileiro vai ficando cada vez mais difícil. Só aqueles que formaram suas equipes com antecedência, que se planejaram para a competição, conseguem superar as dificuldades. Hoje, ninguém mais é campeão ou se mantém na primeira divisão apenas com a força de seu nome. Tradição ajuda. Camisa também pesa. Mas o sucesso requer mais. Exige qualidade, seriedade e competência. E é bom que todos saibam que ninguém mais erra impunemente. Todos são cobrados e o preço é sempre muito alto. Revista Boa Vontade 15
  10. 10. Cultura Sonho de pai, realização dos filhos. ____________ Leila Marco Fotos: Vantoem Pereira Jr. com o sucesso na, orgulhosos co e dona Hele Francis Na foto, os pais argo e Luciano. hos Zezé Di Cam dos fil “Dois filhos de Francisco” traz a trajetória de sucesso da dupla Zezé Di Camargo Luciano. 16 Revista Boa Vontade O iança. argo quando cr ta Zezé Di Cam ra que interpre io Morei sítio, o ator Dabl Na paisagem do s irmãos Zezé Di Camargo e Luciano, que sempre foram bem-sucedidos na música sertaneja — são quase 14 anos de carreira e mais de 21 milhões de discos vendidos —, resolveram arriscar-se por um outro e fascinante meandro artístico: o cinema. A estréia do longa-metragem “Dois Filhos de Francisco — A história de Zezé Di Camargo Luciano” ocorreu em 19 de agosto, dando vida a um sonho acalentado pela dupla há muito tempo. O filme, uma autobiografia dos cantores, é também um tributo ao pai, Francisco Camargo, homem simples do campo e amante da música, que ao escutar, nas horas livres, o velho radinho de pilha, vislumbrava que seus filhos pudessem trilhar o mesmo caminho de sucesso dos artistas de que era fã. E é a partir deste peculiar e tocante momento que a trama da obra cinematográfica se desenvolve, com cenas gravadas em Pirenópolis, interior do Estado de Goiás, onde nasceram; passa pelo Rio de Janeiro e São Paulo, quando os primeiros sucessos acontecem, até os palcos dos grandes shows da dupla hoje. O trabalho retrata a garra, a persistência e a tenacidade de jovens que não vergaram ante as dificuldades; ao contrário, souberam, com galhardia, superar os desafios do cotidiano. Outro importante contexto explorado é o lado familiar, o apoio que sempre encontraram na mãe e no pai. “Digamos que é um exemplo de vida para o público. Mostramos como a vida simples e direita pode levar o Ser Humano a conquistar os próprios sonhos. Lembrando que o passo inicial é acreditar num só objetivo”, destacam Zezé e Luciano.
  11. 11. Cenas do set de gravação do filme “Dois Filhos de Francisco” Ação Solidária Zezé Di Camargo “Dois Filhos de Francisco” contou com um orçamento de R$ 5,9 milhões e teve a produção da Columbia TriStar do Brasil, Conspiração Filmes e ZCL Produções. Sob a direção de Breno Silveira, os irmãos foram interpretados por atores com incrível semelhança a eles: Dablio Moreira (Zezé na infância); Márcio Kieling, no papel de Zezé (adulto); o estreante Thiago Mendonça, como Luciano; os consagrados Ângelo Antônio e Dira Paes, interpretando os pais dos cantores, seu Francisco e dona Helena; e Paloma Duarte, representando Zilú, esposa de Zezé Di Camargo. No elenco, ainda, grandes nomes como Lima Duarte (no papel de avô materno da dupla). Além da boa história, o trato das quase 40 canções usadas no longa também merece realce, tendo os compositores e cantores Caetano Veloso e José Augusto na escolha da trilha sonora, que traz músicas sertanejas e da MPB. Marina Figueiredo “Se existe um pedacinho do céu no Brasil, esse pedacinho é a LBV.” Marina Figueiredo D essa jornada de êxitos, na luta para vencer na música, há também uma força maior que os acompanhou durante todo esse tempo. Como afirma a dupla: “A Espiritualidade está presente em tudo. Ele (Deus) nos ilumina sempre”. Talvez por isso e/ou pelas dificuldades que passaram, os irmãos Zezé Di Camargo e Luciano têm se dedicado ao longo da carreira a colaborar com o próximo, a estender a mão. “Ajudar é uma missão que cobramos de nós mesmos”, dizem eles, quando questionados do porquê dessa dedicação. Na própria Legião da Boa Vontade, existe um exemplo vivo dessa atenção aos que mais precisam. Em julho de 2000, os dois inauguraram a unidade móvel do programa Odontoteca LBV (ônibus com gabinete dentário e brinquedoteca), em bela cerimônia realizada no Instituto de Educação José de Paiva Netto, em São Paulo/SP. O programa recebeu o apoio dos cantores, que doaram a bilheteria de seu show Deus, Salve a América, na casa de espetáculos Olympia, na capital paulista, que resultou em parte da montagem, adaptação e compra do ônibus. Na oportunidade, em entrevista concedida à Super Rede Boa Vontade Ônibus com gabinete dentário e brinquedoteca, do programa Odontoteca da LBV, montado com o apoio da dupla. de Rádio e à Rede Mundial de Televisão, Zezé enfatiza o trabalho da Instituição como modelo a ser seguido: “Quero dar os parabéns mais uma vez à LBV. Eu sempre a cito como exemplo, não só por esta atitude que teve com a gente, mas também pelo que vem realizando ao longo de mais de 50 anos. Quando venho aqui, sempre digo: se existe um pedacinho do céu no Brasil, esse pedacinho é a LBV”. A iniciativa já atendeu, nesses cinco anos, a milhares de crianças e adolescentes de comunidades menos favorecidas da capital bandeirante e região, prestando serviços de prevenção e ação odontológica, envolvendo-as em atividades voltadas à Educação, saúde e recreação, estimulando-as para o desenvolvimento de hábitos saudáveis de higiene bucal, corporal e alimentar. Além disso, as famílias dos assistidos também recebem orientações e palestras educativas e preventivas. Revista Boa Vontade 17
  12. 12. Fotomontagem rBV Biosfera Cerca de um bilhão de pessoas já sofrem com a escassez de água O Reprodução RMTV mesmo líquido que nossos ancestrais bebiam há milhões de anos serve hoje para matar a nossa sede. Em seu ciclo natural de evaporação — chuva, infiltração no solo e formação de fontes, rios, lagos e lençóis subterrâneos — a sabedoria da Mãe Natureza renova a água que alimenta a energia vital do Planeta. Mas esse mesmo manancial teve de continuar, ao longo de todo este período, abastecendo uma população que se multiplicou, elevando-se à cifra mundial de seis bilhões de habitantes. Além disso, ela é cada vez menos utilizável, em decorrência da ação do Ser Humano, que faz modificações drásticas e polui os reservatórios da Terra. Dois anos após ter sido declarado o “Ano Francisco Buonafina Internacional da Água” pela Organização das Nações Unidas (ONU), pouco se fez para melhorar este quadro e, passada a repercussão momentânea das comemorações de 2003, o assunto caiu em importância dos noticiários da mídia. O Diretor da Universidade da Água, Francisco Buonafina, entrevistado pelo progra- 18 Revista Boa Vontade ma Ecumenismo, da Rede Mundial de Televisão, alerta para o fato de que a conscientização quanto ao uso desse bem precioso teria, ao contrário do que acontece, de ser intensificada, a exemplo de outras iniciativas em que são feitas campanhas diárias. Para ele, é essencial que o assunto esteja em voga “O problema da água precisa ser debatido nas escolas, faculdades, empresas e no dia-a-dia dos lares.” nas escolas, faculdades, empresas e no dia-a-dia dos lares. Naquela ocasião, a ONU divulgou estudo em que declara que aproximadamente um bilhão de pessoas sofrem com a escassez da água, tendo dificuldades em atender às necessidades básicas de agricultura, indústria e hábitos domésticos da população, e caso não sejam adotadas medidas sérias de controle, em 25 anos, o número deve mais que dobrar. Segundo este trabalho, ainda em 2050 poderemos ter uma “crise sem precedentes”, na qual sete bilhões de indivíduos serão afetados. Apesar de a Terra ter 70% de sua superfície coberta de água, 97,6% dela é salgada e apenas 2,4% é doce, ou seja, potável. O gerenciamento dessa riqueza é fundamental para o progresso e sobrevivência dos povos. A situação do Brasil Mesmo o Brasil, que é considerado o país com maior poder hidrográfico (tem 12% da água doce do mundo), terá de cuidar para que o problema não afete os seus compatriotas. Como explica Francisco Buonafina, apesar de ser um número expressivo, há de se considerar que “70% desse total estão localizados na Bacia Amazônica e no Pantanal. E o restante, 30%, está distribuído nas demais regiões para abastecer 93% da população. É uma quantidade preocupante”. Ele acredita que a informação é a grande arma para vencer esse desafio. “Não há outro caminho, aliás, a médio e longo prazo nós devemos trabalhar com as escolas e com os jovens a educação ambiental. Não existe governo ruim se a sociedade civil for organizada. Temos de cuidar dos mananciais
  13. 13. Imagens: Google Earth. É notório o potencial hídrico brasileiro, conforme pode ser observado nessas imagens de satélite. À esquerda, a barragem de Itaipu, no Estado do Paraná; à direita, a represa Guarapiranga, responsável por parte do abastecimento de água da cidade de São Paulo. ou, pelo menos, chamar a atenção mais nada em São Paulo. Esses espigões dos órgãos não-governamentais para que surgem em locais onde existiam algumas questões”, comenta. algumas casas são um bom exemplo; O pesquisador afirma que a situa- são desapropriadas quatro casas, que ção se agrava em cidades como a ca- em média abrigam quatro pessoas, pital paulista. “A região metropolitana uma família, ou seja, são 16 pessoas de São Paulo é realmente crítica, ela (no total), para nascer um prédio de 20 é árida. Existe um dado da ONU que, andares com 40 famílias morando ali: para cada cidadão ter uma vida social olha o impacto ambiental que se segue. normal, ativa, precisa de 2.500 m³ Essa cidade precisa ser repensada, não por ano. Para ele trabalhar e viver no pode ser loteada mais.” limite das necessidades, a quantidade recomendada passa a ser de 1.500 Aqüífero Guarani: uma reserva m³. São Paulo tem apenas 200 m³ por para o futuro. pessoa, os níveis da cidade são como Descoberto na década de 1950, apede regiões do Nordeste. Portanto, nas 20 anos depois teve sua extensão para atender o povo trazemos água definida com o trabalho de empresas de outros Estados, de outras bacias de petróleo que ali abriram poços. Em hidrográficas”. 1996, essa gigantesca massa d’água Francisco lembra que a “Terra da subterrânea foi, então, rebatizada com Garoa” teve seus habitantes triplicados o nome de Aqüífero Guarani, época nos últimos 50 anos e que, para abrigar toda essa gente, muitas áreas verdes Evite o desperdício foram destruídas e em seu lugar surgiCuidar deste e de outros reservaram construções, “deixando a cidade tórios nacionais é o grande desafio totalmente impermeabilizada, desarbodos brasileiros para que possamos ter rizada. (...) Se você percorre a Marginal realmente um progresso sustentável. Pinheiros, nas margens do Rio Tietê, não Para isso, é necessário criar uma nova existe mais a mata ciliar, que protege o mentalidade, adotando ações simples rio”. E é exatamente esse crescimento mas eficazes, como: desordenado o responsável pela freqü— Fechar a torneira ao escovar os ência das enchentes. “Eu sou drástico dentes ou fazer a barba; 10281-22X7.75-RODAPÉ RICO-POBREpode construir Page 1 nessa questão; não se 8/16/05 12:25 PM — Evitar descargas prolongadas; em que os países nos quais se encontra esta reserva (Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai) reuniram-se pela primeira vez para decidir projetos de utilização do aqüífero. É o maior reservatório de água doce em subterrâneos no Planeta, ocupando uma área de 1,2 milhão de km², tendo 2/3 de sua extensão em nossas fronteiras (beneficiando os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul). Tendo em vista o que representa em termos de estratégia para o abastecimento dessas regiões, muitos já se preocupam  com a sua contaminação, por estar ele próximo de grandes áreas agrícolas, onde, ao longo dos anos, tem se utilizado agrotóxicos e, em função disso, muitos dos herbicidas acabam no lençol freático. [L.S.M.] — Não “varrer” ruas, calçadas e quintais com mangueiras; — Lavar o carro usando balde e não mangueiras; — Desligar a torneira enquanto ensaboa a louça; — Não demorar nos banhos; — Verificar, com freqüência, o estado das instalações hidráulicas de sua residência. Sabesp. Levando uma das melhores águas do mundo pra todo mundo.
  14. 14. Educação Daniel Trevisan Parte da equipe que integra o corpo docente da rede de ensino da LBV. Cidadania Ecumênica na sala de aula Inovadora, a Pedagogia do Cidadão Ecumênico — Pedagogia do Afeto —, preconizada pelo educador Paiva Netto, dispõe de um método educacional que desenvolve cérebro e coração. ____________________ Rodrigo Oliveira, 18 anos U nir Matemática e Solidariedade; História e Respeito; Educação Física e Cidadania... eis algumas das equações que têm gerado excelentes frutos nas unidades educacionais da Legião da Boa Vontade (LBV). Os educadores desenvolvem um trabalho diferenciado com bebês, crianças e adolescentes, inspirados na Pedagogia do Cidadão Ecumênico (PCE), estabelecida por Paiva Netto. Com isso, os professores possibilitam aos alunos, além do desenvolvimento intelectual, maior vivência dos valores éticos e da Espiritualidade Ecumênica, em suas comunidades. 20 Revista Boa Vontade Ex-aluno do Instituto de Educação da LBV, formado em 2004. Aliás, o dirigente da LBV vem, há décadas, preconizando aos profissionais da educação a urgente necessidade de transmitir ao educando as orientações que se tornam indispensáveis para que a sociedade vença seus constantes desafios. O Método da Aprendizagem por Pesquisa Racional-Emocional-Intuitiva (Maprei), da rede de ensino da LBV — metodologia que aplica a PCE —, surge como alternativa ao imenso desafio de formar cidadãos mais fraternos, o que não significa dizer: despreparados para enfrentar um mundo repleto de violência. “É uma proposta diferenciada que se baseia na pesquisa e que usa a intuição como um dos instrumentos para que o aluno entenda os temas propostos em sala de aula”, explica Luciana Cintra Teixeira, diretora do Instituto de Educação José de Paiva Netto (IEJPN), localizado na região central de São Paulo/SP, Brasil. Para adequar essa linguagem às aulas dos professores, em cada unidade educacional são realizadas capacitações coordenadas pela equipe de educadores da LBV. O Maprei, da Legião da Boa Vontade, pode ser aplicado em todas as faixas etárias e não vê o aluno somente como um receptor de informações. Assim, o
  15. 15. Diferencial da Educação Ao contrário dos casos que, infelizmente, se verificam em certas escolas brasileiras, o problema da violência passa longe das unidades educacionais da LBV. A Coordenadora da 5ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, Iramara Fluminhan, atribui esse saldo positivo à prática do Maprei. “Nós não temos problemas de droga, de violência, de destruição de patrimônio. Aqui não existe essa maldade porque trabalhamos o Novo Mandamento de Jesus: Amaivos uns aos outros como Eu vos amei, apresentado por Paiva Netto como uma das Leis de Solidariedade Social mais perfeitas”, destaca. Pelo lado intelectual, os resultados também são positivos. “Vemos uma melhora no desempenho de nossos alunos desde que a metodologia vem sendo aplicada. Eles se sentem felizes ao retornar à escola, motivados a continuar aprendendo”, explica Luciana Teixeira. “Nossos estudantes se dão muito bem em redação, em expor a opinião. Os alunos do 3º ano do ensino médio, no ano passado, estiveram acima da média nacional do Enem”, diz Iramara, referindo-se ao êxito que o Conjunto Educacional da LBV obtém no que diz respeito ao ensino proposto nos parâmetros curriculares nacionais. O Método da Aprendizagem por Pesquisa Racional-Emocional-Intuitiva chama a atenção dos professores. Luiz Colombo, que leciona Biologia, encon- Daniel Trevisan educando passa a ser, realmente, parte integrante do processo de aprendizagem. Também é comum nesse método a integração da família à vida escolar do menor. Para o assistente de direção pedagógica da escola, Marcelo Rafael, a razão de embasar o ensino em valores éticos e espirituais se dá “porque é um método que tem como princípio a formação do Ser Humano e sua Alma Eterna”. Ele afirma que nas unidades educacionais da LBV o aluno é considerado “um espírito biopsicossocial, assim sendo ele traz consigo experiências anteriores que podem, muitas vezes, contribuir nesse processo”. trou na escola da LBV uma esse suporte estrutural, a diferença muito grande em oportunidade de trabalhar relação a tudo que viu durante com a PCE que desenvolve os 15 anos de profissão. Para o indivíduo para o futuro. ele, “dar aula no Instituto de Quando encontro ex-alunos Educação José de Paiva Netto daqui, que já estão nas Unié diferente”. O educador veriversidades, e alguém perficou isso desde o ano passado, gunta a eles: ‘De onde vocês quando passou a fazer parte da vêm?’, eles respondem: ‘da Nádia Lauriti especializada equipe docente do LBV!’. E as pessoas dizem: Conjunto Educacional. “Eu dava aula no ‘só podia ser mesmo aluno da LBV’, Instituto e em outra escola, foi quando porque os alunos da Legião da Boa percebi o diferencial. Aqui se tem uma Vontade se destacam na educação”. humanização maior. Quando se olha, sabe-se reconhecer o aluno que estuda na escola da LBV”, assegurou. Capacitação contínua dos educadores Um modelo a ser seguido Profissionais da área da educação reconhecem os efetivos resultados gerados em conseqüência da prática da Pedagogia do Cidadão Ecumênico. A Professora Nádia Lauriti, Educadora do Ensino Superior e Coordenadora de cursos de pós-graduação, sendo um deles de formação de educadores para a inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais, considera que a PCE, da LBV, é uma proposta educacional que merece ser seguida. Para ela, os modelos que têm “a preocupação de formar um jovem em relação aos seus aspectos cognitivos, culturais e, sobretudo, espirituais, são dignos de ser imitados”. No bate-papo, ocorrido em um dos ambientes do Conjunto Educacional, em São Paulo, a Educadora ressaltou que as mudanças advindas do Maprei são visivelmente observadas. “Quando se visita a LBV, torna-se exatamente observável, a olho nu, o comportamento diferente dessas crianças em conjunto, brincando ou em atividades que não sejam as de sala de aula, sob a supervisão de um professor”, observa Nádia, que vê a Pedagogia do Cidadão Ecumênico como “uma postura diante da vida e da educação”. Iramara, Coordenadora do Instituto de Educação da LBV, afirma, feliz, os resultados obtidos pelos alunos. “Agradeço ao Irmão Paiva, que nos dá todo Mais de 170 profissionais de ensino da Legião da Boa Vontade reuniram-se no Conjunto Educacional da Instituição, em São Paulo/SP, entre os dias 1º e 3 de agosto, para participar da Jornada Pedagógica, o pontapé inicial para o sucesso nas atividades escolares do segundo semestre deste ano. O objetivo do encontro foi o de continuar a capacitação do professor para atividades dos próximos seis meses, para o desenvolvimento do Método da Aprendizagem por Pesquisa Racional-Emocional-Intuitiva, da LBV. Palestras e workshops proporcionaram aos educadores somar experiências, aprimorar o aprendizado e debater novas tendências na área educacional. “A primeira capacitação que o professor recebe no encontro é a reenergização da Espiritualidade. Depois, tratamos dos aspectos teóricos da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, que vão fazer com que ele tenha um embasamento legal para desenvolver as atividades em sala de aula”, esclarece a Diretora do Instituto de Educação José de Paiva Netto, Luciana Cintra Teixeira. Os educadores participaram da palestra “Inclusão: mais que um desafio escolar, um desafio social”, com o escritor e mestre em Educação Jairo de Paula, que retratou situações vivenciadas por portadores de necessidades especiais, além de abordar o papel da escola e da família. Revista Boa Vontade 21
  16. 16. Educação Compreendendo um pouco mais a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, João Preda n Trevisa Daniel eiredo rlos Figu José Ca Daniel Trevisan Arquivo rBV Diego Basso conceitua: “A Educação, quando acertada, liberta. E, com a Espiritualidade, sublima”. Sobre um dos agentes nesse processo ensino-aprendizagem, o Diretor-Presidente da Instituição afirma que São Francisco de Assis, “o jovem é o futuro no Patrono da LBV. presente. Confiemos nele, tal como fez São Francisco de Assis, que é Patrono da LBV, fundada pelo saudoso Alziro Zarur!”. Tal assertiva expressa a cultura do respeito e do cuidado para com as novas gerações, fomentada pela Alziro Zarur LBV desde sua fundação, há 55 anos. O autor da Pedagogia do Afeto assegura ainda: “(...) pugnamos por Educação e Cultura aliadas à ação iluminante da Espiritualidade Ecumênica. Por sinal, para que se faça — como diria o filósofo italiano Pietro Ubaldi (1886-1972), que declarou, mutatis mutandis, que “a LBV colocará o Brasil na vanguarda do mundo” — a Grande Síntese entre as luzes do intelecto e o Sol do conhecimento espiritual, a Legião da Boa Vontade avança pioneiramente para trazer às salas de aula — ao consolidar a Pedagogia do Cidadão Ecumênico, ou do Cidadão Solidário, nas suas escolas de educação infantil, ensino fundamental e médio — a capacitação para o discernimento ético, vi- 22 Revista Boa Vontade Arquivo rBV T rata-se, resumidamente, de uma vanguardeira metodologia de ensino, preconizada por Paiva Netto e aplicada com sucesso nos programas e projetos socioeducativos desenvolvidos pela Legião da Boa Vontade em todo o País, por meio de Lares para crianças, jovens e Terceira Idade; Centros Comunitários; Educacionais; Esportivos e Pólos Culturais. É fundamentada nos valores nascidos do Amor Universal, dispondo o indivíduo para viver a Cidadania Ecumênica, firmada no exercício pleno da Solidariedade Planetária, acima de crenças, descrenças, tradições, etnias e seja lá mais o que for. Como define Paiva Netto, na revista Sociedade Solidária (7a Edição), editada em diversos idiomas e encaminhada à Organização das Nações Unidas (ONU): “(...) O Cidadão Ecumênico é o cidadão solidário, portanto não-egoísta. É aquele que não se deixa seduzir pelo fanatismo, porque entende que não faz sentido odiar em nome de Deus, que é Amor. Enfim, é o que sabe respeitar a sagrada criatura humana sem preconceitos e sectarismos. O que é ético não pode acovardar-se. Quando o território não é defendido pelos bons, os maus fazem ‘justa’ a vitória da injustiça. (...)” Na proposição desta revolucionária forma de ensino também Arquivo rBV a Pedagogia do Afeto.
  17. 17. “ ‘Crianças “‘Quando Jesus nos recomendou não desprezar os pequeninos, esperava de nós não somente medidas providenciais alusivas ao pão e à vestimenta. “‘Não basta alimentar minúsculas bocas famintas ou agasalhar corpinhos enregelados. É imprescindível o abrigo moral que assegure ao espírito renascente o clima de trabalho necessário à sua sublimação. “‘Muitos pais garantem o conforto material dos filhinhos, mas lhes relegam a alma a lamentável abandono. “‘ (...) “‘Não desprezes, pois, a criança, entregando-a aos impulsos da natureza animalizada. “‘ (...) “‘O prato de refeição é importante no desenvolvimento da criatura, todavia, não podemos esquecer ‘que nem só de pão vive o homem’. “‘Lembremo-nos da nutrição dos meninos, através de nossas atitudes e exemplos, avisos e correções, em tempo oportuno, de vez que desamparar moralmente a criança, nas tarefas de hoje, será condená-la ao menosprezo de si própria, nos serviços de que se responsabilizará amanhã’”. Num de seus outros improvisos, aos microfones da Super Rede Boa Vontade de Rádio, em 17 de junho de 1999, Paiva Netto advertiu: “(...) Fazemos todo o esforço para socorrer as crianças, instruílas, conseqüentemente livrá-las do perigo da ignorância, de maneira que possam tornar-se adultas equilibradas, e o mesmo fazemos com as moças e com os rapazes. Por isso, esses que são responsáveis por eles têm de estar sob acompanhamento e em capacitação continuada, mas sem esquecer o grande diferencial dos nossos empreendimentos de Boa Vontade, que é o Cristo de Deus, visto de maneira assectária, libertária, acima de grilhões, de patrulhamentos humanos de qualquer natureza. A Boa Nova Dele — entendida em Espírito e Verdade, à Luz do Seu Mandamento Novo*2— não alimenta intolerâncias. Suas lições são tão elevadas e a erudição, que elas promovem, tão extensa, que costumo afirmar que Jesus é uma conquista diária para os que têm sede de Saber, de Justiça, de Liberdade, Igualdade e Fraternidade*3.” O próprio tribuno e escritor Paiva Netto explica, em 1989, numa entrevista que concedeu ao jornalista e homem de TV polonês Roman Dobrzyński. Perguntou-lhe o comunicólogo: “Como pode o senhor pregar o Ecumenismo Irrestrito, Mário Bosso sando não apenas à existência material, mas igualmente à Vida Eterna, porquanto aplicada, como relevante lição, aos desafios terrenos, com uma atitude portentosa na certeza por um futuro melhor. (...) Assim como na geometria cartesiana, é preciso fazer com que a Educação material (eixo dos ‘xis’) encontre o saber proveniente das mais elevadas esferas da Sabedoria Divina, que é o Amor (eixo dos ‘ípsilons’). O pensador entende e utiliza a inteligência, o conhecimento técnico ou específico em prol dos Seres Humanos. Não obstante, há tanta gente diplomada construindo o mal neste Planeta! Por acaso é sábia a pessoa que prejudica o semelhante, que rouba a pátria? Não é! (...) É necessário, portanto, que alcancemos Sabedoria, por exemplo, com Jesus, que, sendo Mestre em Israel e, séculos depois, um dos mais respeitados profetas do Islã, lavou os pés de Seus Apóstolos, consoante a narrativa de João, no capítulo 13 do quarto Evangelho canônico. E aí estaremos no caminho adequado para conduzir o Espírito sob a claridade que não produz sombras: a de Deus, entendido como Amor, jamais aquele antropomorfizado, que tinha o solene repúdio de Albert Einstein (1879-1955). Ou, para os que não crêem Nele, a dos mais sublimes sentimentos que justificam a sobrevivência da raça humana, apesar de séculos e séculos de sandices de tantos que, latu sensu, a governaram, pois não são somente os que habitam os palácios que o fazem. (...) Na entrada do Instituto de Educação da LBV, fiz colocar esta afirmativa: ‘Aqui se estuda. Formam-se cérebro e coração’. Um carece do outro. “Emmanuel, no subtítulo ‘Crianças’, no seu livro Fonte Viva*1, psicografia de Francisco Cândido Xavier, inspirado no versículo 10 do Evangelho de Jesus, segundo Mateus, capítulo 18: Vede, não desprezeis os pequeninos..., escreveu: Jovens norte-americanos numa descontraída conversa com Paiva Netto no Lar e Parque da LBV em Glorinha/RS. Esses alunos de colégios dos EUA vieram ao Brasil especialmente para conhecer a Pedagogia revolucionária da Legião da Boa Vontade. falando em Jesus?”. Respondeu-lhe Paiva Netto que uma das missões da LBV é exatamente dessectarizar essa grande Figura Altruística da Humanidade. Voltando à revista Sociedade Solidária, o Líder da LBV igualmente afiança: “(...) O Espírito tem lugar preponderante no nosso labor. Entretanto, na preparação dos jovens para a subsistência neste mundo material de tecnologia jamais vista e, paradoxalmente, na atualidade, tão instável para os que labutam pelo futuro próprio, devemos levar na mais alta consideração que os moços têm de ser com eficiência qualificados para o mercado atual de trabalho. “E, mais: de tal maneira que não persigam um caminho, ao término de que, a profissão para a qual se prepararam não mais exista ao fim do curso. É essencial, pois, que recebam formação para serem empreendedores, de modo que possam suplantar os fatos supervenientes que a qualquer instante desafiam a sociedade, assustando multidões. Não é sem motivo que um de nossos dísticos seja: Educação e Cultura, Alimentação, Saúde e Trabalho com Espiritualidade Ecumênica.(...)” _______________ *1 Fonte Viva — Ditado pelo Espírito Emmanuel; psicografado por Francisco Cândido Xavier: Federação Espírita Brasileira, 2003. *2 Mandamento Novo — Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (...) Não há maior Amor do que este: dar a sua própria Vida pelos seus amigos. (...) Porquanto, da mesma forma como o Pai me amou, Eu também vos tenho amado. Permanecei no meu Amor (Evangelho do Cristo, segundo João, 13:34 e 35; 15:12, 13 e 9). *3 Liberdade, Igualdade e Fraternidade — Dístico da Revolução Francesa. Revista Boa Vontade 23
  18. 18. Educação Balanço social Projeção 4.448.578 3.503.908 24 Revista Boa Vontade 2002 2003 2004 2005 A LBV foi a primeira Instituição filantrópica no País a ter seu balanço geral auditado por Auditores Externos Independentes (Walter Heuer), por iniciativa de Paiva Netto, muito antes de a legislação, que exige essa medida, entrar em vigor. Pedagogia do Cidadão Ecumênico na análise de Educadores e Personalidades “É muito importante a visão que trabalha com a família. Porque não adianta trabalhar só com um segmento, no caso a criança. Eu tenho de atender todo mundo, porque a criança está numa família. São iniciativas como essa da LBV que a gente necessita. Que cada vez mais instituições sigam o exemplo da Legião da Boa Vontade e consigam realizar um bom trabalho, atendendo não só as crianças, mas os seus familiares, pais e mães (...). A LBV está de parabéns. Que o trabalho continue cada vez melhor. A capacitação de vocês com os educadores e assistentes sociais é de fundamental importância para que consigamos atingir os nossos objetivos.” Maria Augusta de Queiroz (Presidente do Conselho Estadual de Assistência Social de São Paulo) “Essa alternativa da LBV é importante com toda a sua proposta de ensino voltada para os carentes, em especial, para a educação infantil comunitária. (...) A preocupação da LBV é de qualidade, uma coisa extraordinariamente bem bolada. (...) Até porque toda a didática da educação infantil só pode ser criativa se passar pelo lúdico. A criança na Legião da Boa Vontade se expressa, fala, pensa e se realiza também brincando. A LBV faz uma oferta de qualidade para o pobre. Ela não faz para o pobre uma oferta pobre (grifo nosso). A Legião da Boa Vontade hoje é um patrimônio nacional, tem uma longa história.” Pedro Demo (Sociólogo e ex-Presidente da OMEP no Brasil — Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar). “Apesar de esses menores serem muito carentes, recebem da LBV um tratamento escolar admirável.” Linda Caldwell Epps (Vice-Presidente da Bloomfield College). Arquivo rBV “A Legião da Boa Vontade sempre trabalhou buscando a educação do povo e aqui temos um exemplo notável de que a LBV sempre se preocupou com a educação, pois sempre ofereceu seus espaços para educar. Hoje em dia, fala-se muito em Solidariedade e em responsabilidade social, mas nós estamos numa Casa que sempre se preocupou com isso e sempre foi muito ativa. A LBV é uma obra extremamente meritória.” Cláudio Lembo (Vice-Governador do Estado de São Paulo). Bloomfield College ______________________ *A Deputada Federal e Juíza Denise Frossard faz, aqui, uma alusão ao pensamento do escritor Paiva Netto: “A riqueza de um país está no coração do seu Povo”. 2.609.145 Eliana R. — Imprensa oficial do E. de SP Reprodução RMTV Ao caminhar pelas dependências do Centro Educacional, Cultural e Comunitário da LBV, na capital fluminense, a Deputada Federal e Juíza Denise Frossard comprovou quanto a prática da Pedagogia do Cidadão Ecumênico Denise Frossard traz saldos positivos para a sociedade. Durante a visita, Frossard afirmou que a proposta criada por Paiva Netto é um modelo que merece ser copiado. “Vejo este trabalho como uma saída. Aqui se gosta do Ser Humano, porque se sabe que a grande riqueza de um país é o seu nacional, ou seja, o seu Povo*. (...) Este é o exemplo de Solidariedade a ser seguido.” A Juíza ainda falou da ação de base promovida pela Obra: “Quando me convidam para fazer palestras sobre ética, eu pergunto: em qual berçário? A ética e a moral nós aprendemos no berço. Isso é o mais importante, o mundo está carente desses valores. Essa raiz dada na LBV é muito importante, é inestimável por este aspecto, pela formação ética e pela Espiritualidade. Paulo Apóstolo, na carta aos Coríntios (6:12), afirma: Apesar de todas as coisas me serem lícitas, nem todas me convêm; isso é ética. Outra lição vem do próprio Jesus (Evangelho do Cristo, segundo Mateus, 7:12), quando diz: Fazei aos outros o que gostaria que vos fizessem. Quem não tem esses princípios, essa Espiritualidade, que é Ecumênica, talvez enlouqueça, perca o sentido da vida ou nunca saiba o seu sentido. Isso é fundamental, mais do que isso, vital. (...) Educação sem ética é até perigosa. Um ser educado sem esses princípios é complicado, pode até enveredar para o mal. Se não falarmos em ética, não falaremos em educação. (...) Parabéns à Legião da Boa Vontade por esse serviço, gostaria de voltar aqui mais vezes. Contem comigo!”, finalizou. O gráfico ao lado mostra o expressivo número de atendimentos socioeducacionais realizados pela Legião da Boa Vontade nos últimos anos e a desafiante meta projetada para 2005. Reprodução RMTV “A ética e a moral nós aprendemos no berço.” 2.855.614
  19. 19. “É bonito ver a filosofia da Legião da Boa Vontade, que trabalha a Cultura de Paz desde cedo com as crianças. Uma Educação como esta criará um futuro muito melhor para a Humanidade.” Leslie Wright (Representante do Conselho da Conferência das ONGs com Relações Consultivas para a ONU). Arquivo rBV “Eu comecei a entender o que vocês utilizam e toda parte prática da LBV com a Pedagogia Ecumênica. Está bem evidente que isso é a visão do futuro, este é o paradigma realmente de integrar, de respeitar e de poder conviver com as diferenças, com as possibilidades de enriquecimento mútuo, a partir dessas próprias diferenças.” Sérgio Benken (Professor e Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro — PUC/Rio). Cida Linares Felizes, os alunos realizam atividade recreativa na praça ampla do Instituto de Educação da LBV, na capital paulista. Na fachada do local, Paiva Netto fez colocar esta máxima de Aristóteles: “Todos quantos têm meditado na arte de governar o gênero humano acabam por se convencer de que a sorte dos impérios depende da educação da mocidade”. Daniel Trevisan “Estou impressionada. Não tinha idéia da abrangência do trabalho da Legião da Boa Vontade, desde bebezinhos até a escola das crianças mais velhas. Já há aqui tremenda organização que foi colocada a serviço do Amor Fraterno, que é oferecido na Legião da Boa Vontade.” Laurie Lippen (Professora da Universidade da Califórnia, campus da cidade de Berkeley, especialista em Administração de Qualidade Total). Arquivo rBV “Em Educação, o esforço da LBV é notável. (...) Paiva Netto está trazendo uma metodologia inédita que precisa de professores especializados que não estão disponíveis na praça e, portanto, terão de ser preparados dentro de uma sistemática original e revolucionária do ponto de vista pedagógico.” Arnaldo Niskier (Imortal da Academia Brasileira de Letras e Secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro). Walter Periotto “O que encontrei na LBV foram crianças satisfeitas e tranqüilas. Nas escolas americanas trabalhamos com informações racionais, fatos e detalhes. Lá, os professores voltam sua atenção apenas para as provas, a carreira profissional, e não para os sentimentos do coração. Eis a grande diferença da LBV.” Joan Beisel (Representante da Secretaria de Educação de Nova York, responsável por programas voltados para as escolas públicas dos Estados Unidos). Cida Linares Cida Linares “O professor se sente muito sozinho quando seu desempenho está puramente nas suas funções. Ele precisa trocar experiências com outras pessoas e, daí, poder reciclar algumas coisas. E a LBV tem um grande valor nesse trabalho, porque facilita com que o professor não se sinta tão solitário. Além disto, dá um instrumento: ela dá a capacitação para o professor poder lidar com situações do cotidiano de um jeito muito melhor. A LBV é um gesto de amor; ensinar também é. O ensinar tem tudo a ver com a LBV.” Içami Tiba (Psiquiatra, escritor e psicoterapeuta). Revista Boa Vontade 25
  20. 20. Atualidades Direitos da criança e do adolescente LBV na Bahia participa de Conferência para ampliar ação da sociedade civil nas políticas públicas _______________ Cristiani Ranolfi Fotos: Nizete Souza N unca, como hoje, o engaja- especializadas, autoridades, gestores mento popular no sistema or- municipais, conselhos municipais e ganizacional do Estado se faz grupos de adolescentes representantes tão necessário. Para incentivar de instituições não-governamentais, essa participação é que registradas no Conselho se realizou, nos dias 28 Municipal da Criança e “O trabalho da LBV é do Adolescente. e 29 de julho, a V Conferência Municipal dos uma luta incondicional A Legião da Boa Direitos da Criança Vontade foi uma das pela efetivação dos e do Adolescente, no convidadas para o enCentro Comunitário direitos da criança e do contro, exatamente pela Batista Clériston Anação que desenvolve adolescente.” drade (Cecom), em com este público. MuiSalvador/BA. Fátima Lepikson tos dos congressistas e O evento teve Presidente do Conselho Municipal dos organizadores do aconcomo proposta dar Direitos da Criança e do Adolescente tecimento enfatizaram a instrumentos e am(Cmdca), de Salvador/BA. importância do serviço pliar a integração da da Instituição ao educar sociedade civil na execrianças, jovens e adulcução e monitoramento de políticas e do tos com a Espiritualidade Ecumênica, orçamento público voltados para essas a exemplo da Presidente do Conselho faixas etárias. A pauta foi discutida por Municipal dos Direitos da Criança e do meio de palestras e oficinas, contando Adolescente (Cmdca) e Coordenadora com a presença dos Juizados da Infância da Conferência, Fátima Lepikson, que e da Juventude, Ministério Público Es- ressaltou: “O trabalho da LBV é uma tadual, Defensoria Pública das referidas luta incondicional pela efetivação dos áreas em questão, titulares de delegacias direitos da criança e do adolescente”. Da mesma forma, enfatizou o Secretário Municipal de Desenvolvimento Social, Carlos Ribeiro Soares: “A LBV é brilhante e merece aplausos. Espero que continue e que Deus ilumine vocês para que, cada dia mais, possam fortalecer esse serviço e oferecer ao nosso povo o carinho que ele precisa”. (grifo nosso) Falando da parte prática, do dia-a-dia de tornar a legislação em realidade, o Professor e Conselheiro Municipal da Criança e do Adolescente na Secretaria Municipal de Educação, Normando Batista Santos, diz que “a LBV tem um papel relevante, pois divulga o estatuto e as ações em defesa da Criança e do Adolescente”, e completa: “as parcerias entre as instituições são fundamentais para que as leis não fiquem somente no papel, mas se concretizem”. Alimento da Alma Para o Coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nos Estados da Bahia, Sergipe e Espírito Santo, Rui Pavan, o Brasil, em relação a outros países, tem um potencial in“Legião da Boa Vontade, o nome já diz tudo: Boa Vontade! Bem-vindos aqueles de Boa Vontade! A LBV realmente busca a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Eu acredito fielmente que a Instituição tem esse propósito. (...) Trabalha a Espiritualidade, que está acima das religiões. E nas ações desenvolvidas com as crianças e os adolescentes é fundamental que a Espiritualidade esteja presente.” Fátima Lepikson 26 Revista Boa Vontade Normando Batista Santos Rui Pavan Djalma Torres Rui Pavan, Coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nos Estados da Bahia, Sergipe e Espírito Santo.
  21. 21. Jovens conquistam medalha de ouro em torneio de caratê “A LBV me dá oportunidades maravilhosas.” Daiane dos Santos Silva Fotos: Cristiani Ranolfi crível de melhoria e não pode deixar desaparecer essa chama de esperança no coração dos jovens. Nesse contexto, avaliou positivamente o embasamento diferenciado da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, criada por Paiva Netto, que educa formando cérebro e coração, mente e Espírito. “Legião da Boa Vontade, o nome já diz tudo: Boa Vontade! Bem-vindos aqueles de Boa Vontade! A LBV realmente busca a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Eu acredito fielmente que a Instituição tem esse propósito. (...) Trabalha a Espiritualidade, que está acima das religiões. E nas ações desenvolvidas com as crianças e os adolescentes é fundamental que a Espiritualidade esteja presente. (...) ‘A gente não quer só comida’, como diz a música Comida, dos célebres Marcelo Fromer, Arnaldo Antunes e Sérgio Brito; a gente quer também as questões que alimentem de esperança as pessoas, e a Espiritualidade é fundamental para isso”, concluiu. Esse Ecumenismo Irrestrito pregado e vivido pela Obra encantou também o Pastor Djalma Torres, da Igreja Batista, que visitou recentemente o Templo da Boa Vontade (TBV), em Brasília/DF (SGAS 915 Sul). “Eu tinha curiosidade de conhecer o TBV e quando fui a Brasília passei uma manhã inteira lá. Não imaginava que houvesse algo tão grandioso e com uma presença de místicos e religiosos das mais diversas expressões de Fé, visitando e participando de toda a mística do Templo da Boa Vontade. Fiquei realmente entusiasmado e quero dar os parabéns à LBV por colocar no coração do Brasil algo de tanta expressão religiosa e mística”, afirmou. A inda da capital baiana, esta notícia: duas jovens que participam do curso de caratê, no programa LBV: Criança — Futuro no Presente!, festejaram resultados excelentes durante o torneio preparatório para o Campeonato Brasileiro de Caratê Interestilos, que ocorreu no último 24 de julho, na cidade de Itaji, interior da Bahia. Daiane dos Santos Silva, 16 anos, conquistou três medalhas de ouro (nas modalidades katá, comissão e revezamento) e Emily Nascimento Laranjeira, 9, trouxe também duas condecorações douradas (nas modalidades katá e comissão). As duas praticam o Esporte, há dois anos, no Centro Comunitário e Educacional da Legião da Boa Vontade, sob a orientação do professor voluntário Lindolfo Barbosa, DiretorPresidente da Oriental Caratê Clube, e já tomaram parte de outros campeonatos nacionais, com sucesso. Daiane é a atual vice-campeã do Norte-Nordeste e tem se destacado com suas participações, trazendo prêmios para a Bahia. A atleta agradece em seu nome e de seus pais o que recebe da Obra: “Quero continuar a minha carreira e treinar bastante, gosto do caratê. Se não fosse a LBV, seria difícil chegar onde estou e, até mesmo, integrar campeonatos. A LBV me dá oportunidades maravilhosas”. O programa LBV: Criança — Futuro no Presente! beneficia pequeninos e jovens menos favorecidos que estão cursando o ensino fundamental na rede pública. Com este serviço, a garotada é atendida por diversas ações que visam desenvolvê-las em sua totalidade, de forma que as relações humanas possam ser aprimoradas com base nos valores éticos, sociais e espirituais, por meio de atividades lúdicas, artísticas, esportivas e de lazer. Jéssica apresenta suas medalhas junto às crianças atendidas pela LBV Revista Boa Vontade 27
  22. 22. Reprodução rBV História Saudação a Getúlio Vargas U m dos mais importantes líderes políticos da História do Brasil nasceu em São Borja/RS, em 19 de abril de 1882. Formado em Direito, Getúlio Vargas (1883-1954) exerceu o cargo de promotor público em Porto Alegre, capital gaúcha, e advogou, posteriormente, em sua terra natal. Tendo sofrido forte influência do Positivismo, de Augusto Comte (17981857), iniciou a carreira política ligado a Borges de Medeiros (1863-1961). Foi eleito Deputado Estadual quatro vezes e líder da bancada federal de seu partido. Vargas, no governo Washington Luís, foi nomeado Ministro da Fazenda, mas renunciou para governar o seu Estado em 1928. Liderou a Revolução de 1930, que se opunha à política do “café-com-leite”, e procurou um novo caminho para tirar o Brasil da crise econômica mundial que o atingiu em 1929. Tendo assumido como chefe provisório do governo, postergou o retorno do país à normalidade democrática, fato que suscitou a Revolução Constitucionalista (1932). Ainda no mesmo ano, aprovou um novo código eleitoral, que dava às mulheres o direito ao voto. A primeira participação delas nas eleições ocorreu em 1934. Neste ano, já com uma nova Carta Magna, Getúlio foi eleito Presidente Constitucional pelo Congresso Nacional Brasileiro. Mas num cenário de instabilidade nacional e internacional, por meio de um golpe, tornou-se ditador de 1937 a 1945, quando foi obrigado a renunciar. Neste período, realizou importantes inovações, beneficiando os trabalhadores, e iniciou o desenvolvimento da indústria de base brasileira. 28 Revista Boa Vontade Reprodução rBV _______________ Equipe de Estudos Ecumênicos GetúlioVargas foi um político de extraordinário carisma popular. Por essa razão, tendo deixado o poder de forma conturbada, foi eleito Senador pelo Rio Grande do Sul e São Paulo, e Deputado Federal por seis Estados, como permitia a legislação da época. Em 1950, com o entusiasmo do movimento queremista, volta ao poder consagrado pelas urnas. Em sua atuação como Presidente da República, adotou uma posição nacionalista, o que provocou forte oposição ao seu governo. Quase quatro anos depois, no auge de uma crise política, tiraria a sua própria vida. Para se ter uma idéia do que significou para a população a perda do estadista, vale lembrar trechos do artigo “A elite do Brasil é o seu Povo”, do escritor Paiva Netto, publicado em seu livro Crônicas e Entrevistas (Editora Elevação). Entre suas realizações, coloca-se em relevância o fortalecimento do Exército, da Marinha e o surgimento da Aeronáutica. Com essa ação, O saudoso Presidente Vargas, tendo ao lado a filha Alzira Vargas do Amaral Peixoto, que, certa vez, enaltecendo o trabalho da LBV, afirmou: “Paiva Netto está fazendo o que Getúlio Vargas também desejou: que cada brasileiro se emancipasse”. integrou o território nacional em um patamar mais sólido. Vargas instituiu, em âmbito público, concursos (capacitando servidores para melhor atender à população), os sistemas de saúde e escolar (gratuito, universal), sendo obrigatório o ensino fundamental, e estabeleceu as universidades federais. Em seu currículo contabilizam-se também a consagração dos direitos dos trabalhadores, com o surgimento da Justiça do Trabalho, a consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e o Ministério do Trabalho. Criou, ainda, a Força Expedicionária Brasileira; o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, a que mais tarde foi acrescida a palavra Social, tornando-se o BNDES; a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN); a Indústria Petrolífera — Petrobrás; a Companhia Nacional de Álcalis; e, projetou as Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás), além de fundar a Companhia Vale do Rio Doce.
  23. 23. Fotomontagem rBV “Agora eu me tornei a morte, a destruidora de mundos.” C om esta citação do livro religioso hindu Bhagavad-Gita, Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) exprimiu seu sentimento quanto ao que presenciou durante a primeira explosão atômica da História, no teste realizado perto de Alamogordo, Novo México, em 16 de julho de 1945. Oppenheimer era diretor do projeto Manhattan, que tinha o objetivo de desenvolver as ogivas nucleares dos Estados Unidos com o apoio do Reino Unido e do Canadá. A América temia que Hitler pudesse construir uma arma similar. Mesmo com a derrota da Alemanha e o fim do nazismo, a guerra prosseguia no Pacífico e as baixas no exército americano só aumentavam. Militares e estrategistas, então, propuseram ao Presidente americano Harry S. Truman (1884-1972) a utilização do armamento nuclear para subjugar o Japão. O argumento de preservação de vidas americanas foi suficiente para que a decisão do ataque fosse tomada. Oppenheimer recebeu do General Leslie Groves (1896-1970), diretor Militar do projeto, a ordem de preparar o teste definitivo do armamento e, a contragosto seu e de sua equipe, prosseguiu nos trabalhos que culminaram com a explosão de Alamogordo. Terror nuclear tem início Na manhã do dia 6 de agosto de 1945, o bombardeiro americano B-29 Enola Gay sobrevoou a cidade japonesa de Hiroshima e lançou a “Little Boy”. A bomba atômica de urânio, de 3,2m de comprimento e 4,3 toneladas explode 576 metros acima do Hospital Cirúrgico de Shima. A detonação equivaleu a 12,5 mil toneladas de TNT. No raio de um quilômetro, qualquer ser vivo que se encontrava em local aberto morreu instantaneamente ou logo em seguida. Somente nos 20 primeiros segundos, 70 mil pessoas perderam a vida. O calor chegou a tal intensidade que a quinhentos metros do centro da explosão os rostos foram atingidos a ponto de ficarem irreconhecíveis. Os sobreviventes do primeiro momento, “Se queres a Paz, prepara-te para a Paz.” (Paiva Netto) extremamente queimados, atiravam-se ao rio Ota e contorciam-se na correnteza em busca de alívio para a dor. As partículas radioativas liberadas pela explosão atingiram o solo e a água. Uma chuva preta, oleosa e pesada caiu ao longo do dia , contendo grande quantidade de poeira radioativa, contaminando áreas mais distantes do centro da explosão. Nas semanas que se seguiram, o número de mortos chegou a 210 mil. Apesar da monstruosa tragédia, o Japão resistiu e não se rendeu. Os Esta- _______________ Daniel Rocha dos Unidos decidiram, por fim, utilizar o segundo artefato de que dispunham, imediatamente, para dar a impressão de que o país dispunha de grande suplemento desse tipo de armamento. Em seguida, uma tragédia semelhante a Hiroshima voltou a ocorrer na cidade japonesa de Nagasaki, quando o bombardeiro americano B-29 Bock’s Car lançou a bomba atômica denominada “Fat Man”, reduzindo a cinzas o local, forçando o Japão a se render em 14 de agosto. O número final de vítimas em decorrência dos dois bombardeios passou de 370 mil. As conseqüências da contaminação radioativa em Hiroshima e Nagasaki ainda existem, com seqüelas terríveis para a saúde de descendentes dos habitantes daqueles locais. Em sua “Declaração de Paz” feita em uma cerimônia que reuniu milhares de pessoas no último dia 6 de agosto, pela lembrança dos 60 anos do ocorrido, o prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, afirmou: “Queremos confortar as Almas ao declarar que reafirmamos, com humildade, nossa responsabilidade para que nunca mais esta maldade se repita. Descansem em Paz, porque não repetiremos esse ato vil”. A manutenção dessa nobre promessa aos mortos dependerá da capacidade humana de compadecer-se pelo próximo. Uma lição de Amor a ser aprendida com transformação íntima dos corações humanos, nunca antes tão necessária, em honra das vítimas da era atômica. Revista Boa Vontade 29
  24. 24. História Novos _______________ Josué Ben-Nun D Ilustrações e fotos: livro Artes Plásticas na Semana de 22, de Aracy Amaral. esde o início dos tempos, a arte está presente na vida do Ser Humano, assim como a vida deste está presente na arte. Ora expressando dor, ora registrando fatos, ora ainda transmitindo felicidade, ela (a arte) é o meio pelo qual se torna visível o interior invisível de quem maneja um pincel, de quem corta o ar com uma batuta ou de quem faz valer a pena num pedaço de papel, jogando com as palavras. Os seres pensantes necessitam comunicar, exteriorizando sua individualidade diante dos códigos coletivos. O termo “arte” vem do latim ars, que significa habilidade. Assim, o artista seria aquele que exerce habilmente determinada função. Talvez possamos mesmo dizer que é quem tem a capacidade de dar sentido ao que ainda não foi sentido, ou de propor uma reflexão até então não pensada, ou de unir sentimento e razão, criando um só espetáculo. Um talento a captar a profundidade dos elementos socioculturais e expressá-la das mais variadas formas. Tendo em vista o Dia Nacional das Artes, que se comemora em 12 de agosto, apresentaremos um pouco do desenvolver do movimento modernista no Brasil, marcado pela Semana de Arte Moderna de 1922. Essa é uma maneira de homenagear todas as figuras ilustres que têm surgido ao longo da história humana, impregnando-a com seus vestígios eternos. O século nervoso Detalhe do quadro Abaporu, pintado por Tarsila do Amaral. 30 Revista Boa Vontade No início do século XX, o tempo acelera-se e o mundo gira mais depressa. O que antes era realizado em uma hora passou a ser feito em um minuto. A velocidade das máquinas, que proporciona a produção em larga escala, mistura-se à dos acontecimentos. A era técnico-industrial vislumbra seu
  25. 25. tempos, nova Arte. Mudanças na arte No campo artístico, as antigas formas não traduzem os anseios dos novos tempos. É preciso empregar essa energia nervosa dos fatos mundiais nas criações. Tem de se estabelecer uma ruptura com as escolas do passado, objetivando refletir a nova subjetividade, marcada pelas transformações ocorridas no mundo. A sociedade não é a mesma, o Ser Humano não é o mesmo; logo, a arte não pode ser a mesma. É necessário vasculhar o mundo interior e torná-lo a nova linguagem que expresse a realidade exterior. A nova arte reverencia o moderno para, mais à frente, manifestar seu descontentamento. A Europa, já referência na área industrial, transforma-se igualmente no campo artístico. Muitos artistas brasileiros entram em contato com as vanguardas européias e aprimoram suas técnicas para aplicá-las no País, sem perder as raízes nacionais. Bandeirante feminina O ano de 1917 é decisivo para o movimento modernista. Ainda que o pintor russo Lasar Segall já tivesse Ora expressando dor, ora registrando fatos, ora ainda transmitindo felicidade, ela (a arte) é o meio pelo qual se torna visível o interior invisível de quem maneja um pincel, de quem corta o ar com uma batuta ou de quem faz valer a pena num pedaço de papel, jogando com as palavras. Almoço comemorativo da Semana de Arte Moderna, que contou com ilustres ícones do Modernismo brasileiro, no Hotel Terminus, em São Paulo/SP. Sua corajosa exposição é tida como uma arrancada inovadora para um grupo de modernistas, que, depois do episódio, se junta em torno da pintora. Mais tarde, eles organizam e participam da Semana de Arte Moderna. Entre eles estão Oswald e Mário de Andrade. Anita relata seu curioso encontro com Mário: “Num sábado chegaram dois rapazes numa chuvarada. Começaram a rir a toda e um deles não parava. Eu fiquei furiosa e pedi satisfação. realizado uma mostra de arte Quanto mais eu zangava, mais moderna no Brasil, a segunda o tal não se continha”. Por fim, exposição de Anita Malfatti ela descobre que esse sujeito era converte-se em um símbolo. Mário Sobral, ou Mário de MoDiferentemente de sua primeira rais Andrade, ou, ainda, Raul exposição, ocorrida três anos de Andrade, uma única pessoa Anita Malfatti que assina com vários nomes o antes e bem aceita pela opinião pública — é considerada uma promessa livro de presença da exposição. Mário de da arte nacional —, Anita sofre uma Andrade achara graça de ver um homem crítica arrebatadora em 1917, sobretudo pintado de amarelo, sem entender plenade Monteiro Lobato, o que afeta profun- mente as obras de Anita. Para ela, tudo damente sua carreira. é resultado da luz que acusa os objetos; Fotomontagem rBV apogeu, a vida torna-se essencialmente urbana e as cidades são modernizadas. O Brasil procura inserir-se na corrente mundial. Não é mais possível sustentar um país rural, arcaico e préburguês. Há, então, a restauração das finanças, uma incipiente industrialização e prosperidade das empresas agroexportadoras. A busca do bem-estar para a crescente população urbana reflete-se no combate às doenças e na urbanização das metrópoles — principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo —, que ganham ruas mais largas, prédios mais modernos, iluminação, circulação de carros e radiotelegrafia. Enfim, o Brasil esforça-se para entrar na modernidade, na época sinônimo de civilização. Revista Boa Vontade 31
  26. 26. História À esquerda, O Homem amarelo, pintado em 1917; à direita, O Japonês, de 1915-16, óleos sobre tela de Anita Malfatti. A separação dos Andrades ocorre em 1929, e eles não voltam a se falar. O motivo nunca foi revelado. Se alguém soube, tratou de guardá-lo. Apesar da distância, há um respeito imenso e uma troca de elogios entre ambos. Proclamação da Independência Cultural por isso, vê tudo descoberto por todas as cores. Dias depois do incidente das gargalhadas, ele retorna e entrega-lhe um poema sobre o homem amarelo. Amigos na arte A exposição de Malfatti desperta a possibilidade do novo; entretanto, não traz uma dimensão intelectual para o Modernismo. Imbuídos dessa missão estão os Andrades, que se tornam amigos em 21 de novembro de 1917. Nessa data, Oswald ouve um discurso de Mário exaltando a Pátria. Ao reconhecer um talento literário, briga a tapas com um colega de outro jornal para publicar na íntegra aquelas palavras. Segundo Paulo Mendes de Almeida, crítico de arte e amigo dos Andrades, “esses dois tipos tão diversificados de intelectual completavam-se admiravelmente. (...) E foram eles o elemento de coesão de todo o grupo, ao qual transfundiam audácia, segurança e entusiasmo”. A amizade é repleta de polêmicas, sendo uma delas a publicação, em maio de 1921, do artigo de Oswald intitulado “O meu poeta futurista”, contendo o poema “Tu”, do livro Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade. Mesmo tecendo elogios ao autor, causa fúria nele, que, ao ser chamado de “futurista”, ganha popularidade negativa, perdendo alunos e respeito. Ainda que o futurismo pregue o verso livre, a destruição da sintaxe, as palavras em liberdade, entre outras coisas, cai no descrédito e é visto com maus olhos ao passo que seu criador, o poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti, se aproxima do fascismo. Assim, Mário responde com o artigo “Futurista?!”, negando sê-lo. Com isso, tenta desvincular o movimento dessa vanguarda européia. 32 Revista Boa Vontade Redator de uma coluna no Correio Paulistano, Menotti del Picchia logo se junta ao grupo. Indubitavelmente, ele é um peso importante para o Modernismo, em conseqüência de sua destacada posição de jornalista e escritor. Sendo porta-voz do Partido da Representação Popular (PRP), partido do governo, suas crônicas não se enquadram bem nos propósitos modernistas, obrigando Mário a ensiná-lo. Ainda assim, ele expõe as propostas do movimento no Segundo Paulo Mendes de Almeida, crítico de arte e amigo dos Andrades, “esses dois tipos tão diversificados de intelectual completavamse admiravelmente. (...) E foram eles o elemento de coesão de todo o grupo, ao qual transfundiam audácia, segurança e entusiasmo”. artigo “Maré das reformas”. A “Revolução sem sangue” — na expressão de Menotti — que se vem estruturando encontra em 1922 o ano ideal para uma batalha decisiva. As comemorações dos cem anos da independência política do Brasil são perfeitas para proclamar a cultural. Com o entusiasmo da modernização de São Paulo, a burguesia paulistana também deseja uma renovação da cultura. O movimento encontra, então, apoio no riquíssimo deputado e empresário José Freitas; no “Presidente do Estado”, Washington Luís; e no latifundiário e comerciante de café Paulo Prado, entre outros. Este último, aliás, se sente incomodado com o “caipirismo” que o cerca. Graça Aranha, autor de Canaã e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), alista-se na marcha, conferindo credibilidade ao grupo. Oswald confessa: “Com o seu endosso seríamos tomados a sério”. O Rio de Janeiro fortalece o batalhão, com, por exemplo, Manuel Bandeira, Villa-Lobos, Ronald de Carvalho e Sérgio Buarque de Holanda. René Thiollier, diretor do Jornal do Comércio em São Paulo, veste a camisa de empresário e, com vários amigos de destaque político-social, consegue, entre muitas coisas, ajuda financeira e o Municipal — o mais importante teatro da cidade —, que se transforma no palco do levante. “Saem da penumbra, aos pulos, os sapos.” Esse trecho do poema Os Sapos, de Manuel Bandeira, anuncia a grande aparição do movimento modernista. Muitos autores não creditam tanto valor à Semana de Arte Moderna para a cultura brasileira; porém, vale ressaltar a importância dos símbolos numa revolução, conforme destaca o historiador Eric Hobsbawm. Esse acontecimento se torna um emblema para o Modernismo no Brasil. Quem vai ao Theatro Municipal nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 encontra expostas as obras de Zina Aita, Vicente do Rego Monteiro, Di Cavalcanti — criador da capa do catálogo —, Yan de Almeida Prado e Ferrignac; aprecia os trabalhos de Anita Malfatti, John e Regina Graz; contempla os projetos do arquiteto Georg Przyrembel e os baixos relevos de Victor Brecheret — escultor achado nos porões de um prédio em construção, considerado um gênio do movimento e que brinda São Paulo com o Monumento às Bandeiras, localizado no Parque do Ibirapuera. Tarsila do Amaral não expõe em 1922, pois nessa época mora em Paris, mas passa a ser grande ativista do Modernismo. A partir do segundo dia de exposição, quando os novos escritores são apresentados ao público, há uma reação
  27. 27. Capa do livro Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade, 1922. violenta. As vaias ensurdecedoras chegam a titubear Mário de Andrade na leitura de trechos de Paulicéia Desvairada e marcam a Semana. Fato curioso dá-se quando Villa-Lobos aparece ao público com a tradicional casaca, mas calçando chinelos, pois se encontra atacado de ácido úrico nos pés. A platéia, julgando isso um gesto futurista, tenta bagunçar o concerto. Entretanto, a música de Villa-Lobos impõe-se, domando as “feras selvagens”. O ataque maior é dirigido aos poetas, escritores e artistas plásticos. Sinal do dever cumprido Os modernistas não foram vítimas das vaias. Elas eram esperadas e faziam parte da estratégia da Semana de 1922, que provocou na cidade de São Paulo o interesse pela arte, ainda que por meio do escândalo. Na época, por exemplo, não era permitido falar desse episódio na frente das crianças e moças. Depois da exposição, numa “carta muito particular”, Mário de Andrade escreve a Menotti del Picchia, comemorando: “(...) Estamos célebres! Enfim! Nossos livros serão comprados! Ganharemos dinheiro! Seremos lidíssimos! Insultadíssimos. Celebérrimos. Teremos os nossos nomes eternizados nos jornais e na História da Arte Brasileira. (...) E tudo isso por quê? Porque as araras caíram na armadilha”. Uma das muitas conseqüências da Semana de Arte Moderna foi no campo político. Ao denunciar um Brasil de contrastes, de paulicéias desvairadas, e anunciar uma nova consciência social, a mudança política tornou-se inevitável, culminando com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder. O caudilho gaúcho declarou que “as forças coletivas que provocaram o movimento revolucionário do Modernismo na literatura brasileira (...) foram as mesmas que precipitaram, no Theatro Municipal de São Paulo, foto de 1913. “Pelos caminhos sublimes da arte, nos elevamos à face de Deus, que é Amor.” Paiva Netto campo social e político, a Revolução de 1930”. Os participantes da Semana de 1922 fizeram, posteriormente, parte dos quadros políticos do País. Responsabilidade da arte Neste curto relato da história do Modernismo no Brasil, podemos perceber a importância da arte na vida das pessoas e no seio de uma nação. Todos devem ter consciência do poder que ela exerce. Poder este que, necessariamente, vem acompanhado de responsabilidade. O escritor russo Leon Tolstói outorga à arte o dever de comunicar às pessoas sentimentos bons e não só o de mostrar o belo, pois o Bem é eterno, e a beleza, temporária. A esse propósito, o escritor e compositor Paiva Netto registrou em uma das paredes da Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade (TBV) o seguinte pensamento: “Pelos caminhos sublimes da arte, nos elevamos à face de Deus, que é Amor”. Não um deus antropomórfico, mas um Deus Divino, que os olhos podem não perceber, mas que o coração sente em todas as partes do Universo. Esperamos que, por meio das mais diversas formas, os artistas possam expressar, com a maior habilidade, esse profundo sentimento de Amor. Para saber mais: - REZENDE, Neide. A Semana de Arte Moderna. São Paulo, Editora Ática, 1993. - BRITO, Mário da Silva. História do Modernismo brasileiro: antecedentes da Semana de Arte Moderna. 5a ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978. Ilustrações: - AMARAL, Aracy. Artes Plásticas na Semana de 22. São Paulo, Editora Perspectiva, 1979. Visite: - Instituto de Estudos Brasileiros da USP www.ieb.usp.br / (11) 3091-3199 Revista Boa Vontade 33
  28. 28. Notícias de Brasília Arte Contemporânea da Índia no Templo da LBV _____________ Débora Verdan M Taj Mahal, um dos mais conhecidos pontos turísticos da Índia. ais de quatro mil anos de história, uma das civilizações mais antigas do nosso Planeta, um país de contrastes. Assim é a Índia, com diversidade de línguas, hábitos e modo de vida, mas, ao mesmo tempo, com uma grande unidade cultural. O indiano é profundamente arraigado ao sentimento de amor à nação e tem orgulho de seus ancestrais, o que mantém vivas até hoje dezenas de tradições. Muitos desses costumes puderam ser conferidos na Exposição “Arte Contemporânea da Índia”, realizada na Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade (TBV) (SGAS 915, Lotes 75 e 76, tel. (61) 3245-1070). Como esclarece o Embaixador da Índia no Brasil, sr. Amitava Tripathi: “Essa é uma mostra muito interessante. Os melhores artistas indianos, desde a independência da Índia, em 1947, até os recentes anos, estão nela. Temos 33 destacados artistas mostrando sua arte”. O Embaixador explicou também por que escolheu o local: “Primeiramente, porque eu tenho um grande respeito pelo Deus que o TBV proclama. A mensagem ecumênica que une as pessoas é algo em que acredito. E tudo isso em conformidade com a Jyothi 34 Revista Boa Vontade Fotos: Reprodução RMTV. Ilustrações: Arquivo da Embaixada da Índia no Brasil. própria civilização indiana. É um prazer estar aqui”, concluiu. Quem compareceu ao evento apreciou ainda músicas e instrumentos típicos do país, Embaixador Amitava Tripathi a exemplo do Sitar, tocado pelo músico André Luiz Oliveira, e o tabla, pelo indiano Jyothi. Na ocasião, a escritora Carina Palackapilly Bini fez a noite de autógrafos da obra literária As Filhas do Rei. “É um presente muito grande a gente poder lançar um livro nesse evento, no Templo da Boa Vontade, que tem um ciclo de pessoas que gostam de arte, apreciam uma boa leitura. É uma coisa maravilhosa!”, disse. O ilustrador da obra, Rubens Paiva, que também desenha para o jornal Correio Braziliense, falou da abrangência do Templo da Boa Vontade: “Melhor lugar não há para esse lançamento, porque a gente está fazendo um livro que é para os pequenos brasileiros, mas trata de uma cultura, de um folclore de outro Carina Palackapilly Rubens Paiva
  29. 29. Ahimsa Soekartono Lorenza Carrion país. Essa aproximação entre os povos é fantástica, perfeitamente inserida no TBV”. Um exemplar de As Filhas do Rei foi especialmente autografado pelos dois autores para o Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade e para seu filho: “Ao querido Paiva Netto e ao pequeno Emmanuel Adolfo, com grande satisfação e carinho, Carina. Namastê”. “Um grande abraço para o Paiva Netto e para o pequeno Emmanuel Adolfo. Rubens Paiva”. Várias nacionalidades se fizeram presentes ao acontecimento por meio de seus enviados e se manifestaram sobre a exposição e as qualidades da Galeria de Arte do TBV, como o representante do Embaixador da República da Indonésia em Brasília, sr. Ahimsa Soekartono: “Isto mostra a arte e a cultura da Índia. O espaço da Galeria de Arte do TBV é muito bom”. A senhora Lorenza Carrion, do Departamento Cultural da Embaixada da África do Sul, falou sobre a influência que a Índia deixou em sua pátria. “A exposição é maravilhosa. Como a África do Sul era o ponto mais comum de ida e volta entre a Europa e a Índia, os indianos chegaram no continente africano e se estabeleceram na cidade de Dedurban, diante do Oceano Índico. A influência da culinária, das vestimentas é muito forte na cultura sul-africana”, conta. Ela também ressaltou o universalismo do Templo da LBV: “O TBV é um espaço ecumênico, é um lugar marcante. Todas as Embaixadas (e são mais de 80 representações) devem ter aspectos de sua cultura aqui”. Revista Boa Vontade 35

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