A globalização e capitalismo

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A globalização e capitalismo

  1. 1. A Globalização e capitalismo<br />A reformas iniciadas por Gorbatchev,, na ex-União Soviética, em 1985, através da perestroika e da glasnost, foram pouco a pouco minando o socialismo real e, consequentemente, essa ordem mundial bipolar. A queda do Muro de Berlim, com a reunificação da Alemanha, a eleição de Lech Walesa (líder do partido Solidariedade) para a presidência da Polônia, em 1990, que representou o término do domínio a absoluto do Partido Operário Unificado Polonês sobre a sociedade polonesa, e muitos outros acontecimentos do Leste Europeu alteraram profundamente o sistema de forças até então existente no mundo. De um sistema de polaridades definidas passou-se, então, para um sistema de polaridades indefinidas ou para a multipolarização econômica do mundo. O confronto ideológico (capitalismo versus socialismo real) passou-se para a disputa econômica entre países e blocos de países. O beneficiário dessa mudança, historicamente rápida, que deixou muitas pessoas perplexas por imprevisibilidade a curto prazo, foi o sistema capitalista, que pôde expandir-se praticamente hegemônico na organização da vida social em todas as suas esferas (política, econômica e cultural). Assis, o capitalismo mundializou-se, globalizou-se e universalizou-se, invadiu os espaços geográficos que até então se encontravam sob o regime de economia centralmente planificada ou nos quais ainda se pensava poder viver a experiência socialista. Nas palavras de Otávio Ianni, sociólogo brasileiro que já há algum tempo vem estudando a questão da globalização: " O capitalismo tinge uma escala propriamente global. Além das suas expressões nacionais, bem como dos sistemas e blocos articulando regiões e nações países dominantes e dependentes, começa a ganhar perfil mais nítido o caráter global do capitalismo. Declinam os estados-nações, tanto os dependentes como os dominantes. As próprias metrópoles declinam, em benefício de centros decisórios dispersos em empresas e conglomerados {..{." (Otávio Ianni, A sociedade global, p. 39.) A globalização não é um acontecimento recente. Ela se iniciou já nos séculos XV e XVI, com a expansão marítimo-comercial européia, consequentemente a do próprio capitalismo e continuou nos séculos seguintes. O que diferencia aquela globalização ou mundialização da atual é a velocidade e abrangência de seu processo, muito maior hoje. Mas o que chama a atenção na atual é sobretudo o fato de generalizar-se em vista da falência do socialismo real. De repente, o mundo tornou-se O capitalismo tem seu início na Europa. Suas características aparecem desde a baixa idade média (do século XI ao XV) com a transferência do centro da vida Econômica social e política dos feudos para a cidade. Depois duma profunda estagnação o comércio saiu da inanição com o aparecimento de excedentes oriundos das descobertas de novas terras que passaram a ser comercializados. As Cruzadas (do século XI ao XII) também contribuíram muito para o reativamento comercial. Ainda no século XIV o feudalismo passava por uma grave crise decorrente da catástrofe demográfica causada pela Peste Negra que dizimou 40% da população européia e pela fome que assolava o povo. Com a união de todos esses fatores a Europa passou por um intenso desenvolvimento urbano e comercial e, conseqüentemente, as relações de produção capitalistas se multiplicaram, minando, aos poucos, as bases do feudalismo. Os lucros dos senhores feudais reduziram-se e eles " tiveram" de aumentar os impostos sobre os servos. Estes começaram a rebelar-se e enfraqueceram o poder dos nobres. Os reis, para manterem-se no poder, apegaram-se ainda mais à idéia de que eram designados por Deus. O absolutismo teve defensores ideológicos como os filósofos Jean Bodin (" os reis tinham o direito de impor leis aos súditos sem o consentimento deles" ), Jacques Bossuet (" o rei está no trono por vontade de Deus" ) e Niccòlo Machiavelli (" a unidade política é fundamental para a grandeza de uma nação" ). Com o absolutismo e com o mercantilismo o Estado passava a controlar a economia e a buscar colônias para adquirir metais através da exploração (metalismo). Isso para garantir o enriquecimento da metrópole. Esse enriquecimento favorece a burguesia - classe que detém os meios de produção - que passa a contestar o poder do rei, resultando na crise do sistema absolutista. E com as revoluções burguesas, como a Revolução Francesa e a Revolução Inglesa, estava garantido o triunfo do capitalismo. A partir da segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, inicia-se um processo ininterrupto de produção coletiva em massa, geração de lucro e acúmulo de capital. Na Europa Ocidental, a burguesia assume o controle econômico e político. As sociedades vão superando os tradicionais critérios da aristocracia (principalmente a do privilégio de nascimento) e a força do capital se impõe. Surgem as primeiras teorias econômicas: a fisiocracia e o liberalismo. Na Inglaterra, o escocês Adam Smith (1723-1790), percursor do liberalismo econômico, publica Uma Investigação sobre Naturezas e Causas da Riqueza das Nações, em que defende a livre-iniciativa e a não-interferência do Estado na economia. O capitalismo é traduzido num sistema de mercado baseado na iniciativa privada, monopolização dos meios de produção e exploração de oportunidades de mercado para efeito de lucro. Exatamente no lucro concentra-se toda a crueldade e irracionalidade do capitalismo que destina o sacrifício do trabalho de todos para o enriquecimento de uma minoria. A burguesia provoca guerras e destrói éticas para seu enriquecimento material. É inadmissível que o controle da produção econômica e do mercado centralize-se nas mãos de uns poucos magnatas, que provocam recessões e crises surpreendentes de acordo com seus interesses. O quadro no qual o capitalismo se apresenta é a de crescente deterioração social, com desemprego, fome e profunda miséria. Gera subdesenvolvimento, promove guerras por interesses financeiros e por elas investe gigantesca quantidade de dinheiro na indústria bélica. Essa corrida armamentista financia forças terroristas que lutam contra regimes democráticos (como os CONTRA na Nicarágua e inúmeros outros golpes de Estado financiados pelos maiores capitalistas, os EUA). <br />

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