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Novos desafios dos jovens na atualidade trabalho, educação e família

  1. 1. Raitz, T. R. e Petters, L. C. F. “Novos desafios dos jovens na atualidade: trabalho, educação e família” NOVOS DESAFIOS DOS JOVENS NA ATUALIDADE: TRABALHO, EDUCAÇÃO E FAMÍLIA Tânia Regina Raitz Luciane Carmem Figueredo Petters Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, BrasilRESUMO: Os dilemas da juventude na atualidade se apresentam não somente de forma inédita e desafiante, mas seconstituem como um complexo e grave problema de crise do trabalho juvenil no Brasil. Este estudo foi realizado comjovens do Ensino Médio em um município litorâneo do interior de Santa Catarina. As estratégias utilizadas pelosjovens na relação “trabalho, educação e família”, numa nova ética do trabalho na sociedade contemporânea, seconstituiu na problemática central. A pesquisa realizada foi de natureza quantitativa e qualitativa, através da aplicaçãode questionários e entrevistas (grupo focal) com o objetivo de identificar a situação de educação e de trabalho dessesjovens. Os resultados indicam a necessidade de políticas públicas para a juventude que sinalizem a emergência de serepensar propostas de educação e trabalho que atendam as condições juvenis, em conseqüência da incerteza que hojerodeia o mercado de trabalho.PALAVRAS-CHAVE: jovens; trabalho; educação; família NEW CHALLENGES OF THE YOUNG IN THE CONTEMPORANEITY: WORK, EDUCATION AND FAMILYABSTRACT: The dilemmas of youth nowadays are presented not only in a new and challenging way, but theyconstitute a complex and serious problem of crisis of youth work in Brazil. This study was conducted with younghigh school students in a coastal city in the interior of Santa Catarina. The strategies that young people use in therelation “work, education and family”, in a new ethic of work in contemporary society, was the central issue. Aquantitative and qualitative survey was conducted through the use of questionnaires and interviews (focus group) inorder to identify the situation of education and work of these young people. The results indicate the need for publicpolicies for youth showing the emergency to rethink proposals for education and working conditions that meet theyouth as a result of the uncertainty that now surrounds the labour market.KEY WORDS: youth, work, education, family Introdução industrialismo e a terceira revolução industrial” são ter- mos que deixam de estar restritos ao meio acadêmico e São visíveis as transformações pelas quais o mun- entram no dia a dia das pessoas. Neste cenário de novasdo passa no século XXI, trazendo fortes impactos e afe- concepções, os jovens se sentem inseguros etando a vida de muitas pessoas, especialmente dos jo- despreparados para atuarem como atores protagonistasvens, sendo cada vez mais atingidos na sua forma de na sociedade em que vivem.socialização, na relação que estabelecem com a educação A juventude e as relações que estabelece com oe o trabalho, nos seus modos de vida, nos seus pensa- trabalho, a educação e a família têm se tornado, nos últi-mentos. Perdem, assim, muitas vezes, a idéia de que são mos anos, tema de atenção dos pesquisadores que visamresponsáveis pela sua própria história, faltam-lhes pers- não apenas compreender as relações do jovem com opectivas para o futuro. mundo do trabalho e com a educação, mas também pro- Nesse contexto, há uma explosão de novos con- por alternativas que possam vir a oferecer possibilidadesceitos, e os jovens se deparam com grandes impasses ao para a minimização dos graves problemas que os jovensbuscarem seu direito de trabalhar, de estudar, de realizar enfrentam para inserção, permanência e valorização noseus sonhos e projetos de vida. Como acrescenta Von trabalho.Döllinger (1997, p. 2), “Cunham-se expressões novas e Assim, esta pesquisa desenvolvida com os jovensao mesmo tempo resgatam-se idéias antigas: o fim da homens e jovens mulheres, do Ensino Médio Noturno dehistória, o desencantamento, a pós-modernidade, o pós-408
  2. 2. Psicologia & Sociedade; 20 (3): 408-416, 2008uma escola pública de Ensino Básico Estadual em Santa vos conceitos e significados juvenis.Catarina, teve como objetivo investigar as estratégias que Desde então, muitos questionamentos sobre a con-os jovens utilizam na relação “trabalho, educação e famí- dição juvenil têm colocado pesquisadores e teóricos emlia”, numa nova ética do trabalho na sociedade contem- busca de explicações que sustentem as mudanças perce-porânea. A intenção foi de trazer um diagnóstico sobre os bidas nessa fase da vida. Abramo, localizando no tempoproblemas vivenciados por esse segmento juvenil, de apoio o conceito juventude, alude às características que mar-às políticas públicas para a juventude em Santa Catarina. caram os conflitos geracionais,Nesse sentido, a questão de pesquisa girou em torno das permeada por novos valores, hábitos e gostos, eraestratégias utilizadas pelos jovens na relação que estabe- entendida como um problema, sendo identificadalecem entre educação, trabalho e família. como geradora de uma crise de valores e de um con- Sposito (2005, p. 125) mostra a importância de se flito de gerações, tudo isso tornou inevitável o con-estudar esta relação na atualidade: “ao tentar analisar a fronto com os setores da sociedade, incapazes deemergente condição juvenil contemporânea no Brasil, entender e muito menos ainda aceitarem mudançasseremos também obrigados a tratar da diversidade, da- em curso (Abramo, 1997, p. 40).quilo que aparentemente é o mais tradicional da Esta autora considera a juventude como um pro-modernidade-trabalho, família e escola”. blema social, uma fase difícil, perturbadora e turbulenta Muitos autores que se dedicam a pesquisar a respei- da vida, em função dos sentimentos que desencadeia nosto da juventude preocupam-se em primeira instância com jovens, como transgressão e rebeldia, e, portanto, neces-o conceito dessa categoria social. Entretanto, muitos deles sita do amparo dos adultos. Na década de 50 e início dase deparam com esse dilema complexo. Frigotto (2004), de 60 do século XX, se caracteriza, nos países mais avan-ao tratar do assunto “juventude, trabalho e educação”, çados economicamente, a separação entre jovens e famí-pondera que, tomada por vários ângulos, a temática apre- lia, enfatizando a busca daqueles por autonomia e maissenta muitas controvérsias, pois há uma dificuldade em liberdade.obter um conceito unívoco de juventude, seja tanto por Dessa forma, as décadas de 60 e 70 foram assina-razões históricas quanto sociais e culturais. ladas pelos movimentos estudantis juvenis, pelo consu- mo intenso da música, ocasionando um rompimento com as regras estabelecidas, com as formas de dominação. Já Juventude numa perspectiva as décadas de 80 e 90 marcam o resgate de valores à histórica-social-cultural sombra da homogeneidade da cultura adulta. Por conse- guinte, a juventude presente nessa fase histórica se con- Considera-se no presente estudo a perspectiva his- figura como uma categoria social, formada por símbolostórica, social e cultural para definir e explicitar o jovem contemporâneos e marcada pelo resgate de valores à som-como sujeito pertencente à categoria juventude. Até o bra dos valores adultos. Segundo Abramo (1997), nesseséculo XVIII, mais especificamente na sociedade medie- período, a juventude aparece como retrato projetivo daval, havia uma separação entre o mundo infantil e o mun- sociedade.do adulto, porém essa separação social ocorria sem mai- Percebe-se, nessa breve trajetória histórica, que oores divisões de fases, sem a preocupação do indivíduo conceito de juventude não possui uma definição única,como adolescente. É somente a partir do século XVIII, nem estática, pois em cada período, em cada momentoem meio à expansão da economia mercantil e a mudan- histórico, cada geração traz marcas próprias dentro doças importantes ocorridas na sociedade, como a afirma- contexto social, portanto os sujeitos são influenciadosção da classe burguesa (comércio, mão-de-obra), e o pela sociedade em que vivem e, por isso, comportam-se,surgimento da área educacional, no início do século XIX, pensam e agem de maneira diferenciada. É dessa formaque caracterizam o dualismo e a seletividade (Varela & que se pode observar como os conceitos de “adolescên-Uria, 1992). cia e juventude” vêm se transformando ao longo do pro- É no referido contexto que a juventude e a adoles- cesso de constituição de nossa civilização.cência passam a ser vistas como fases distintas das ou- Nesse aspecto, conforme Pais (1993), existem di-tras fases de desenvolvimento da vida do sujeito. Toda- ferentes juventudes e diferentes olhares, diferentes teori-via, é somente no século XX, segundo Áries (1981), que as que explicam a juventude, de acordo com suas abor-a escola, a organização militar (Estado) e as instituições dagens. Se for considerar a corrente geracional, traba-confessionais preocupam-se com a identificação social e lhada por teóricos pertencentes à chamada Sociologiapolítica da juventude, inserindo esses sujeitos em espa- das Gerações, concebe-se o termo juventude através daços organizados, proporcionando a expansão dos jovens demarcação social, isto é, compreende-se a juventudeem setores sociais diversificados e o surgimento de no- como uma fase na vida do sujeito que se inicia com o 409
  3. 3. Raitz, T. R. e Petters, L. C. F. “Novos desafios dos jovens na atualidade: trabalho, educação e família”término da infância e se encerra com o início da idade cado de obrigação, de esforço e até de sofrimento, oadulta. Essa se caracteriza como uma fase que vislumbra certo é que alguns diagnósticos recentes mostram umaelementos homogêneos, aspectos etários e comportamen- outra realidade, a atitude dos jovens em relação ao em-tos generalizantes. É a compreensão da juventude como prego e trabalho aparece de forma ambivalente, reve-um período apenas de transição. lando diversos sentidos sobre o trabalho. Assim, neste É mergulhando nessa perspectiva de incompletude estudo, que tem como objetivo investigar as estratégiasque a corrente geracional concebe a fase da juventude, o utilizadas pelos jovens na relação educação, trabalho ejovem, um sujeito incompleto, que depende do futuro, família, os sentidos do trabalho aparecem e são consi-ou melhor, de seu ingresso na vida adulta para ser reco- derados em sua diversidade.nhecido socialmente. Já a corrente classista compreendea juventude como um grupo social heterogêneo, cada Métodoqual com diferentes culturas, classe social, econômica epolítica. Pode-se dizer que considera a juventude como O presente estudo, de natureza quantitativa e qua-uma fase de transição, reprodução de papéis sociais. Se- litativa, utilizou, no tratamento dos dados, análise esta-gundo Pais (1993), essa maneira de conceber a juventu- tística e análise de conteúdo entendida como “um pro-de coloca sempre a transição dos jovens pelas desigual- cedimento de pesquisa que se situa em um delineamen-dades sociais. Assim, o sistema educativo e a condição to mais amplo da teoria da comunicação e tem comosocial dos jovens acabariam por determinar que os filhos ponto de partida a mensagem” (Franco, 2005, p. 20). Éde operários se tornassem operários. por intermédio da mensagem que se dá a significação Em face da existência real desse pensamento clás- do conteúdo do texto estudado.sico sobre a juventude ainda nos dias atuais, compreen- Na primeira etapa da pesquisa, os dados foramdemos, como concebe Pais (1993), “uma cultura juve- coletados através de um questionário semi-estruturadonil”, com traços comuns e diferenciados ao mesmo tem- com questões fechadas e abertas, sistematizados porpo. Para Carrano (2000), a juventude deve ser compre- meio do programa Excel, contribuindo para mapear oendida como uma complexidade variável: os jovens são perfil dos jovens e para identificar aspectos relativos àsdiferentes porque diferentes são seus modos de viver, experiências que eles estabelecem com a educação, odiferentes são seus espaços e tempos sociais, diferen- trabalho e a família. Essa primeira parte da pesquisates são suas identidades. suscitou a necessidade de aprofundamento de alguns dados obtidos no questionário sobre as relações educa- ção, trabalho e família. Para tanto, a técnica da entre- Transformações no mundo do trabalho vista focal foi escolhida a fim de contribuir nesse senti- do e também para responder ao objetivo proposto no Na relação que se estabelece entre jovens e traba- estudo. Valeu-se de um gravador e um roteiro de ques-lho, muitos estudiosos, ao estudarem a realidade mun- tões previamente elaboradas para orientação na condu-dial nas últimas décadas, são unânimes em constatar as ção da entrevista. O grupo focal se tornou interessanteprofundas transformações que assolam o mundo do tra- num segundo momento, no qual se priorizaram algunsbalho, culminando no fenômeno do desemprego que eixos de análise, como a experiência sobre o desempre-atinge milhões de pessoas com índices alarmantes ja- go, emprego informal, sentidos do trabalho e escola,mais presenciados, especialmente aqueles demonstra- identificando as estratégias utilizadas pelos jovens, aodos pelo desemprego juvenil. mesmo tempo em que a intenção foi dar voz a eles (as). Pais (2001) argumenta que as próprias represen- Segundo Rauen (2006), o questionário ou entre-tações sobre o trabalho estão atualmente marcadas por vistas escritas definem-se como uma listagem de inda-instabilidades naquilo que se apresenta como turbulên- gações escritas que se caracteriza pela sistematizaçãocia, flexibilidade e impermanência nas trajetórias juve- das questões ordenadas conforme critérios estabeleci-nis. Isso não significa que o trabalho não seja uma esfe- dos. Já Flick (2004) argumenta que a entrevista focalra importante na vida dos indivíduos, mas ganha novas se caracteriza por dar profundidade e revelar o contex-dimensões. Desse modo, é visível a própria diversidade to pessoal através da fala do entrevistado. Portanto, noe a heterogeneidade que caracterizam o mercado de tra- questionário e na entrevista semi-estruturada do pre-balho atualmente no Brasil, conseqüentemente, levando sente estudo, os seguintes aspectos foram levados ema diferentes situações vividas por jovens trabalhadores consideração: idade, sexo, estado civil, moradia, aspec-e jovens trabalhadoras. O estudo desse autor com jo- tos mais importantes da vida, relação familiar, atuaçãovens portugueses, intitulado Ganchos, Tachos e Bisca- no mercado de trabalho atual, situação atual de traba-tes: Jovens, Trabalho e Futuro, vem reafirmar sua tese lho, renda pessoal, preocupações e angústias sentidas,de que, embora o trabalho continue mantendo o signifi- experiência com desemprego, satisfação e percepção410
  4. 4. Psicologia & Sociedade; 20 (3): 408-416, 2008 Gráfico 1 Jovens e idade por sexo Idade Vs. Sexo 10 0% 9 0% 8 0% 2 5 11 7 0% 6 0% 5 0% 3 1 1 Femi nin o 4 0% 3 Ma sculi no 3 0% 5 10 2 0% 1 0% 0% 0 0 0 15 16 17 18 19 21 anos a nos an os ano s a nos an os Fonte: Gráfico elaborado pelas pesquisadorassobre a importância dos ensinamentos escolares para o a defasagem idade/série, bem como a evasão de alunostrabalho e para a vida, aplicação dos ensinamentos es- jovens das escolas, não são provocadas pelo ingressocolares no trabalho, projetos e sonhos em relação à vida desses no mercado de trabalho, mas se originam noeducacional e profissional. interior do sistema educativo. Madeira ressalta “Os es- Participaram da primeira etapa desta investigação tudos mostram que os níveis de inadequação série/ida-41 (79%) alunos do Ensino Médio, representando qua- de são sempre altos, independente dos jovens estaremse a totalidade dos inscritos neste nível escolar noturno, ou não trabalhando” (Madeira, 1993, 1998, conformena escola pesquisada, somando o total de 52 (100%) citado por Cacciamali & Braga, 2002, p. 15).jovens estudantes que a freqüentam. Dessa maneira, Ao constatar a identidade sexual dos sujeitos queforam assim decompostos: 23 (45%) jovens mulheres estudam nessa escola noturna, verifica-se que um totaldo Ensino Médio que participaram da pesquisa, salvo de (56%) dos jovens é do sexo feminino. Percebe-se,duas (2) destas jovens que não compareceram à escola através dos dados da pesquisa (Gráfico1), a crescenteno dia em que foi aplicado o questionário, e 18 (35%) presença feminina no âmbito educacional, marcando ajovens homens participaram deste estudo. centralidade da imagem da jovem mulher na atual soci- Posteriormente, participaram dez (10) jovens que edade, em busca de melhores condições existenciais ese mostraram disponíveis para contribuir na segunda autonomia, simbolizando maior participação na educação.etapa (grupo focal) a fim de esclarecer e aprofundar Em contrapartida, não se pode ignorar a existênciaalgumas questões apontadas no questionário, contem- marcante de mecanismos de exclusão e de inclusão. Taisplando as estratégias que adotam no mundo do trabalho mecanismos são explicados por Weller (2005, p. 108)e na educação na sociedade atual. Por conseguinte, al- quando menciona que “é comum encontrarmos publica-guns dados da pesquisa estatística são apresentados a ções sobre juventude e culturas juvenis que compreen-seguir e posteriormente os resultados da pesquisa qua- dem a categoria juventude como um todo, ou seja, quelitativa (grupo focal). não fazem uma distinção entre jovens do sexo feminino e do masculino”. No entanto, mais recentemente, os pou- Resultados cos estudos desenvolvidos que abordam as relações de gênero, principalmente relacionados à família, educação A respeito da importância dada à idade nesse perí- e trabalho, demonstram uma preocupação em distinguirodo da vida, a maioria dos jovens (52%) tem 17 anos, os sentidos que homens e mulheres atribuem a estas re-25% têm 16 anos, 12% têm 18 anos, 7% têm 15 anos e lações como meios para a conquista de maior autonomia.2% têm 19 e 21 anos. Apesar de grande parte dos jo- Nos estudos de Araújo e Scalon (2005, p. 20) acerca dosvens se encontrarem dentro dos patamares esperados sentidos de autonomia para mulheres, o significado podeidade/série, alguns ultrapassam a faixa etária quanto à adquirir um duplo sentido, deconsideração de que a ideal seria de 15 a 17 anos para o maior independência em relação ao parceiro ou ao pai ouEnsino Médio. alguma figura que exerça essa autoridade em relações Este fato se justifica a partir dos dados publica- ainda marcadas por assimetria de poder e prevalênciados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas masculina; e também pode se sentir incluída, como con-(FIPE), em que Cacciamali e Braga (2002) alegam que sumidora, para si e para outros membros da família. 411
  5. 5. Raitz, T. R. e Petters, L. C. F. “Novos desafios dos jovens na atualidade: trabalho, educação e família” Os dados referentes ao estado civil desses jovens Porém, o percentual de jovens inseridos no merca-entrevistados apontam que 98% são solteiros e 2% não do de trabalho formal é de 22%, e a soma do percentualresponderam. Apesar de serem solteiros, há três jovens que atinge os jovens que exercem trabalho no mercadodividindo o espaço em que vivem, ou seja, vivem juntos informal resulta em 39%. Considera-se neste estudo acom o/a namorado/a. A situação atual de moradia dos situação vivenciada de informalidade no trabalho, os jo-mencionados traz como ponto importante a ser destaca- vens que responderam exercer um trabalho sem carteirado, o percentual de 90% de jovens que moram com a assinada perfazem 10%, os que exercem trabalho even-família, apenas 5% que moram com o cônjuge e outros tual ou fazem “bicos” 5%, os que são membros de asso-5% com o cônjuge e os pais ou sogros. Nota-se, a partir ciação 2%, os que participam dos negócios familiaresdos dados, que quase todos os jovens pesquisados resi- 5%, os que trabalham temporariamente por conta pró-dem com seus familiares. Nesse sentido, sugere-se pen- pria 10% e os que exercem trabalho remunerado de for-sar que a família ainda se constitui como o lugar do jo- ma irregular, não procurando trabalho diferente do atualvem, que “introduz o outro” neste espaço familiar (Sarti, 7%. Isso denota que, mesmo considerando o expressivo2005, p. 123). Conforme a autora, o outro é indispensá- percentual apontado na tabela acima de jovens trabalhan-vel à família porque se configura nos discursos até então do, eles ocupam posições de subempregos, segundonão conhecidos, abalando o discurso convencional na Gráfico 2. Oliveira (2004) diz que é muito elevado o índi-tentativa da reafirmação desse novo discurso. ce de desemprego juvenil no Brasil, mas na mesma pro- Já quando se verifica se os jovens estão exercendo porção se encontra o subemprego causado por diversosum trabalho, 57% deles responderam que estão exercen- aspectos: salários, demanda total, regulamentação do tra-do uma atividade laboral e 29% já exerceram, mas no balho, legislação e o volume da força de trabalho, entremomento estão desempregados. O percentual de jovens outros.que não estão trabalhando soma 10%, e os que nunca A renda pessoal foi também questionada: 15% res-trabalharam, bem como os que nunca procuraram traba- ponderam que ganham menos de um salário mínimo men-lho, resultam em 1% cada um. Isso quer dizer que ape- sal, 41% recebem de um a dois salários e 7% possuemnas um jovem nunca trabalhou e um jovem nunca pro- renda de dois a três salários mínimos por mês. Outro dadocurou trabalho. Assim, salienta-se a importância que o importante foi constatar que 37% dos jovens não respon-trabalho ocupa na condição juvenil. É relevante observar deram, coincidindo com o mesmo percentual que não res-que, quando perguntados sobre a situação de trabalho, pondeu sobre a situação de trabalho. Verifica-se, através37% dos jovens optaram em não responder, de acordo do aprofundamento dessa questão na entrevista (grupocom a tabela 1. focal), as reais condições sociais, políticas e econômicas Nota-se a condição e o grave problema que enfrentadas pelos jovens desta pesquisa, não deixando depermeiam a vida desses jovens: o trabalho informal, o ser diferente de muitos outros jovens brasileiros. Comosubemprego de baixa remuneração, a desvalorização, a afirma Sposito (2005, p. 103): “Não é possível desconhe-falta de qualificação profissional, a falta de orientação cer que as desigualdades econômicas continuam a delimi-vocacional e, sobretudo, a falta de oportunidade de in- tar os horizontes possíveis de ação dos jovens nas suasgresso no mercado de trabalho, demonstrando com isso relações com a escola e o mundo do trabalho”. Singera “fragilidade juvenil” que se manifesta no silêncio da- (2005, p. 29) complementa: “A juventude parece, pois,queles jovens olhares e rostos definidos. condenada à submissão ou ao desespero”. Tabela 1 Situação de trabalho dos jovens Se está trabalhando, qual sua situação de trabalho? Sujeitos Porcentagem Assalariado c/ carteira assinada 9 22% Assalariado s/ carteira assinada 4 10% Faz bicos, trabalhador eventual 2 5% Membro de associação 1 2% Negócio familiar 2 5% Por conta própria regular 1 2% Por conta própria temporário 4 10% Trabalho remunerado exercido de forma irregular, não procurando trabalho diferente do atual 3 7% Não respondeu 15 37% TOTAL 41 100%412
  6. 6. Psicologia & Sociedade; 20 (3): 408-416, 2008 Gráfico 2 Jovens e a situação do trabalho S it u a ç ã o d o t r a b a lh o A s s a l a ria d o c / c a r t e ir a a s s in a A s s a l a ria d o s / c a r t e ir a a s s in a 22 % F a z b ic o s , t r a b a lh a d o r e ve n t u 3 7% 10 % M e m b r o d e a s s o c ia ç ã o N e g ó c i o fa m i li a r 5% 2% 5 % 7% 10% 2% P o r c o n t a p r ó p r ia r e g u la r P o r c o n t a p r ó p r ia t e m p o r á r io Fonte: Gráfico elaborado pelas pesquisadoras Nas entrevistas com os jovens (grupo focal), quan- formam em “problema do jovem”, próprio de uma su-do questionados sobre o que consideram mais importan- posta etapa da vida, tratado isoladamente. ... A negaçãote na vida, a família aparece como prioridade, não sem os do diferente, a base etnocêntrica de todo o preconceito,conflitos gerados entre pais e filhos, como também re- funda-se precisamente na dificuldade de aceitar que opresenta o eixo de referência. Mesmo assim, nesta in- suposto diferente se parece muito conosco e pode no-vestigação observa-se que a família é fundamental na vida mear o que para nós é inominável (Sarti, 2005, p. 125).dos jovens desta comunidade escolar, segundo os depo- No entanto, o trabalho também aparece em posi-imentos a seguir: ção de destaque logo após a família e assume caráter de A família é o incentivo. Se não tiver a mãe para prioridade, de extrema relevância para esses jovens estu- incentivar, não tô nem aí! Tem que ter alguém para dantes e trabalhadores que freqüentam o Ensino Médio te mandar estudar, trabalhar (Grupo focal com jo- noturno. Seguindo a ordem de importância, aparecem vens). também destacados os estudos, o companheiro conjugal e a religião. Seguem alguns depoimentos dos jovens. Família não é só para dar ordem, acho que a gente nasce sem saber nada, e quem ajuda montar a sua É, eu acho que, para o jovem, a maior intenção é personalidade é a família! A base da família é tua estar trabalhando, é essa de ter o seu próprio di- mãe e teu pai! (Grupo focal com jovens). nheiro. Trabalhar para si. Eu trabalho desde os 11 anos de idade porque eu não gosto de pegar di- Se não tem uma base familiar... Então, família é a nheiro com a mãe! (Grupo focal com jovens). base de seu caráter! (Grupo focal com jovens). Eu preciso dele (trabalho) para poder crescer na Conforme Sarti (2005), esses conflitos dependem vida, com o trabalho você aprende a ter muita res-muito das relações entre jovem e família, pois na medida ponsabilidade (Grupo focal com jovens).como os “outros” discursos do jovem são reconhecidos,aceitos, acaba por determinar estas relações. Nesta pas- Na minha vida o emprego é mais importante. O tra-sagem da autora, é possível perceber como isso ocorre. balho para mim gera crescimento (Grupo focal com jovens). Em primeiro lugar, como objeto das expectativasfamiliares, os jovens têm os rumos de suas vidas traça- Na fala dos jovens, observa-se que o trabalho sedos por seus pais de forma a cumprir o que a família configura como uma vantagem na vida deles, a falta re-espera para si. São conhecidos os conflitos deflagrados presenta uma angústia, uma frustração, consiste em umpela resistência dos jovens a concretizar essa forma de dos maiores problemas da vida juvenil. Como argumentaherança e de perpetuação de sua “família”. Grande parte Branco: “Isto permite concluir que o trabalho ocupa po-da dificuldade de lidar com as questões juvenis, sobretu- sição central na agenda juvenil, ainda que não autorize odo aquelas ligadas à sexualidade, as escolhas ou indaga- entendimento que se deva promovê-lo tal e qual se passações existenciais, tem a ver com o fato de que tocam em para a população adulta” (Branco, 2005, p. 135).pontos difíceis para os pais, em suas próprias vidas. Conforme depoimento de mais alguns quando seTransferem-se para o jovem essas questões que se trans- referem como se sentem diante da situação de trabalho 413
  7. 7. Raitz, T. R. e Petters, L. C. F. “Novos desafios dos jovens na atualidade: trabalho, educação e família”mal remunerado, desvalorizado e com a experiência do questão a importância dada ao diploma de Ensino Básicodesemprego. para a conquista do exercício de atividade profissional Sinto-me de cabeça quente, porque para arrumar reconhecida. emprego não tem onde, ganha pouco, que adianta Dessa forma, a educação assume papel extrema- se matar em trabalhar durante o dia e estudar a mente significativo na vida desses jovens, pois acreditam noite, não adianta! Quando eu trabalhava de que é por meio dela que terão um futuro profissional monitora de brinquedos no parque, eu sabia que digno e satisfatório. Essa ideologia permeia o imaginário era forçada, desvalorizada, eu sempre estava com juvenil. Como alerta Branco (2005, p. 137), é provável isso na minha cabeça, mas eu gostava, não sei ex- somar a relevância dada à educação com aquela referida plicar, mas gostava! E quando eu trabalhava na ao emprego/atividades profissionais, “uma vez que uma frente do castelo, vendendo fotos, eu ganhava bem, das motivações ou razões mais importantes para se estu- trabalhava no sol, mas ganhava R$ 20,00 por dia, só que eu não gostava do trabalho, mas o que moti- dar está relacionada à obtenção futura de uma boa inser- vava era o quanto eu ganhava!Porque o dinheiro ção ocupacional no sistema econômico”. Mas, sabe-se ia todo para mim. Isso me motivava bastante!Então que a realidade não é bem essa. Muitos jovens terminam era uma necessidade! (Grupo focal com jovens). o Ensino Básico sem a qualificação que a demanda do mercado de trabalho exige em virtude da má qualidade Eu ficava trabalhando com celular o dia todo para educacional que receberam, além de não terem condi- ganhar R$ 200,00, então dava preguiça e era mui- ções financeiras de custear um curso no Ensino Superi- to pouco, não dava nem pro guarda-chuva que eu or, raros são os que conseguem uma vaga nas universi- usava quando chovia! R$ 200,00 é muito pouco! dades públicas. Porque R$ 200,00 para trabalhar o dia inteiro é muito pouco, se fosse meio período, ainda sim, mas A escola é o lugar onde os sujeitos passam grande como era o dia todo, resolvi parar! (Grupo focal parte de suas vidas e, no entanto, se apresenta, como com jovens). destaca a maioria dos jovens pesquisados, como um lu- gar que não se interessa pelos problemas dos jovens es- Eu moro com minha mãe e meu irmão. Meu irmão tudantes que a freqüentam e têm suas razões de aspira- teve que parar de trabalhar porque se machucou ções futuras: conquistas e desenvolvimento no campo no barco e minha mãe foi operada. Aí os dois estão pessoal e profissional. Isso se pauta muito mais por uma desempregados e eu já há quatro meses procuran- questão de obrigatoriedade e exigência da atual socieda- do, já deixei currículo em todo lugar. Eu me sinto de, também denominada sociedade do conhecimento. As mal, queria ajudar minha mãe e não consigo. Eu representações dos jovens sobre a escola indicam que se moro lá perto do Provesi. Ela quer me dar dinheiro para eu vir de ônibus, mas eu prefiro vir a pé por- vêem impossibilitados de falar sobre seus problemas e que eu é que deveria ajudar ela, porque eu não angústias porque a escola não se interessa por eles. Mui- queria que ela voltasse a trabalhar no peixe depois tas vezes, também, o silêncio provém do medo de fazer de ter sido operada, pois ela já tem certa idade! suas críticas com receio da avaliação, meio pelo qual ain- Sinto angústia, quero ajudar minha mãe e não pos- da algumas escolas castigam e excluem. so! Eu tenho ido muito atrás, mas está difícil. Eu já Acreditamos ser inconcebível que a escola, no sé- fui atrás até de faxina, mas nem isso eu consegui! culo XXI, ainda ignore os problemas vivenciados pelos (Grupo focal com jovens). seus jovens estudantes. É preciso que esse cenário edu- Nesse sentido, entende-se que o trabalho para es- cacional se transforme através da reformulação de suasses jovens pesquisados significa um meio para a obten- metas, funções, responsabilidade de todos os que pro-ção da cidadania, para a conquista de direitos, de autono- movem oportunidades para a aprendizagem. É por meiomia. Nas famílias nas quais as situações adversas como da reformulação curricular que a mudança pode se inici-o desemprego, o modo de trabalho não qualificado, tra- ar. Uma reforma com a participação de toda a comunida-balho informal e mal remunerado contribuem para mate- de escolar. É tempo de dar oportunidades de fala a todos,rializar e transformar o cotidiano do sujeito, o espaço especialmente aos jovens, para promover a verdadeirafamiliar torna-se o lugar em que o jovem encontra apoio, interação jovem-educação-trabalho-família. Como suge-subsídios para lidar com as adversidades, para prover re Von Döllinger, se referindo às recomendações feitassuas carências e necessidades básicas (Alencar, 2006). pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento É relevante também mencionar que mais da meta- Econômico (OCDE), deve-se “promover enlaces entre ade dos jovens consideram que os ensinamentos da esco- aprendizagem e o trabalho, estabelecendo as rotas e pon-la são importantes para a vida em relação à conquista de tes que facilitam um movimento mais flexível entre aum melhor futuro profissional, apesar de reconhecerem educação e a capacitação para o trabalho” (Von Döllinger,(através de entrevista) que a escola não os qualifica para 1997, p. 14). Isso consiste em melhorar os meios para aexercerem uma atividade profissional. Observa-se nessa avaliação e reconhecimento das habilidades e competên-414
  8. 8. Psicologia & Sociedade; 20 (3): 408-416, 2008cias dos indivíduos, possibilidades adquiridas mediante a deados pela experiência com o trabalho formal e infor-aprendizagem formal e informal. mal desses jovens demonstram a heterogeneidade exis- Nesse sentido, promover enlaces significa que tente no mercado de trabalho, se sentem fragilizados nasensinar também exige cativar o jovem através da dispo- tentativas de inserção. Suas experiências demonstram ati-nibilidade para o diálogo, para a escuta, o querer bem, a tudes e estados de impotência frente à conquista e per-responsabilidade diante do outro. Portanto, como diz Freire manência no trabalho formal. As experiências com o de-(1996, p. 113): “Se na verdade, o sonho que nos anima é semprego, para esses jovens estudantes-trabalhadores,democrático e solidário, não é falando aos outros, de cima são uma grande preocupação, mostrando-se insatisfeitospara baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores com a perspectiva de não conseguirem uma ocupaçãoda verdade a ser transmitida aos demais, que aprende- no mercado de trabalho formal ou informal.mos a escutar”, ao contrário, a escuta é aprendizado. Essa experiência é vivenciada de forma frustrante, com sentimentos de impotência, vergonha, Considerações finais desassocialização e exclusão social, visíveis nesse pro- cesso. Em tal aspecto, a família se torna importante como Considera-se, acerca dos resultados apresentados, âncora e suporte psicológico no enfrentamento de desa-que o ideal seria se os jovens pudessem desfrutar de uma fios que se apresentam cotidianamente num movimentoformação educacional sólida para, posteriormente, na idade rotativo e circulante, assim os impulsiona a continuar lu-adulta, ingressar no mercado de trabalho. Entretanto, os tando em busca de melhores condições de vida. Portan-jovens das camadas populares necessitam trabalhar, con- to, nesta pesquisa, a família também aparece como ali-seqüência de uma política sócio-econômica neoliberal, cerce para a maioria desses jovens, pois se caracterizanão permitindo que a maioria desses jovens tenha o privi- como núcleo de apoio para seguirem em busca de seuslégio de concluir pelo menos o Ensino Médio sem a ne- projetos e sonhos.cessidade de trabalho. Em virtude da situação atual dajuventude, é necessário que as Políticas Públicas aten- Referências Bibliográficasdam urgentemente as demandas desses e demais jovensbrasileiros, pois anseiam por condições dignas de vida na Abramo, H. W. (1997). Considerações sobre a tematização socialesfera do trabalho e da educação. da juventude no Brasil. Revista Brasileira de Educação, 5-6, Os jovens que fizeram parte desta investigação fre- 25-36.qüentam a escola pública estadual no período noturno e, Alencar, M. M. T. (2006). Transformações econômicas e sociaisportanto, a maioria é trabalhador (a) diurno e depende do no Brasil dos anos 1990 e seu impacto no âmbito da família. Intrabalho para suprir suas necessidades básicas. Aqueles M. A. Sales, M. C. Matos, & M. C. Leal (Orgs.), Política social, família e juventude: uma questão de direitos (2ª ed.). Sãoque não trabalham vivem na expectativa de encontrarem Paulo: Cortez.uma ocupação, depositando na educação suas esperan- Araújo, C., & Scalon, C. (2005). Percepções e atitudes de mulheresças de inserção no mercado de trabalho e realização de e homens sobre a conciliação entre família e trabalho pago noseus projetos de vida. Ao mesmo tempo, esses jovens Brasil. In C. Araújo & C. Scalon (Orgs.), Gênero, família eanseiam por reconhecimento como sujeitos de direitos, trabalho no Brasil (pp. 15-78). Rio de Janeiro: Editora FGV.bem como por oportunidades de emancipação e autono- Ariès, P. (1981). História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Zahar.mia, através do trabalho e do desenvolvimento profissio- Branco, M. (2005). Juventude e trabalho: desafios e perspectivasnal, isto é, solicitam oportunidades iguais como as dadas para as políticas públicas. In H. Abramo & P. P. M. Brancoaos jovens das classes média e alta. Dessa maneira é que (Orgs.), Retratos da juventude brasileira: análises de uma pes-o trabalho adquire sentido prioritário na vida desses jo- quisa nacional (pp. 129-148). São Paulo: Fundação Perseuvens pesquisados. Abramo. Os ensinamentos escolares aparecem como aspecto Cacciamali, M. C. & Braga, T. (2002, junho). Educação e trabalho da população jovem - diagnóstico e políticas. In Fundação Ins-de grande importância na vida dos jovens, pois acredi- tituto de Pesquisas Econômicas, Estudos e análise com vistas àtam que é por meio deles que conquistarão seu futuro definição de políticas, programas e projetos relativos ao mer-profissional e terão melhor compreensão da realidade. cado de trabalho brasileiro (pp. 11-15). São Paulo: MinistérioContudo, tais ensinamentos se revelam como não aplicá- do Trabalho e Emprego.veis ao trabalho. São movimentos contraditórios existen- Carrano, P. C. R. (2000, maio). Juventude: as identidades são múl-tes na relação entre educação e trabalho. Por um lado, a tiplas. Juventude, Educação e Sociedade, 1, 52-72. Flick, U. (2004). 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  9. 9. Raitz, T. R. e Petters, L. C. F. “Novos desafios dos jovens na atualidade: trabalho, educação e família”Frigotto, G. (2004). Juventude, trabalho e educação no Brasil: per- Novos desafios dos jovens na atualidade: trabalho, plexidades, desafios e perspectivas. In R. Novaes & P. Vannuchi educação e família (Orgs.), Juventude e sociedade: trabalho, educação, cultura e Tânia Regina Raitz e Luciane Carmem Figueredo Petters participação (pp. 180-216). São Paulo: Fundação Perseu Recebido: 22/10/2007 Abramo. Revisão: 27/08/2008Mehedff, N. G. (1999). A avaliação da educação e a inserção dos Aceite final: 27/08/2008 egressos do ensino médio no mercado de trabalho. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Aces- so em 25 de outubro, 2006, em http:// www.dominiopublico.gov.br/ download/ texto/ me000091.pdfOliveira, O. (2004). Trabalho e profissionalização do jovem. São Paulo: LTR.Pais, J. M. (1993). Culturas juvenis. Porto: Imprensa Nacional Casa da Moeda.Pais, J. M. (2001). Ganchos, tachos e biscates: jovens, trabalho e futuro. Porto: Âmbar.Rauen, F. J. (2006). Roteiros de pesquisa. Rio do Sul, SC: Nova Era.Sarti, C. A. (2005). O jovem na família: o outro necessário. In R. Novaes & P. Vannuchi (Orgs.), Juventude e sociedade: traba- lho, educação, cultura e participação (pp. 115-129). São Paulo: Fundação Perseu Abramo.Singer, P. (2005). A juventude como coorte: uma geração em tem- pos de crise social. In H. Abramo & P. P. M. Branco (Orgs.), Retratos da juventude brasileira: análises de uma pesquisa nacional (pp. 27-36). São Paulo: Fundação Perseu Abramo.Sposito, M. P. (2005). Algumas reflexões e muitas indagações so- bre as relações entre juventude e escola no Brasil. In H. Abramo & P. P. M. Branco (Orgs.), Retratos da juventude brasileira: análises de uma pesquisa nacional (pp. 87-128). São Paulo: Fundação Perseu Abramo.Varela, J. & Uria-Alvarez, F. (1992). A maquinaria escolar. Revista Teoria e Educação, 6, 68-96.Von Döllinger, K. R. (1997, janeiro/abril). Educação, trabalho e emprego numa perspectiva global. Boletim Técnico do Senac, 23(1), 2-11.Weller, W. (2005, janeiro/abril). A presença feminina nas (sub) cul- turas juvenis: a arte de se tornar visível. Estudos Feministas, 13(1), 216. Tânia Regina Raitz é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Sociologia Política pela UFSC, doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É professora do Mestrado em Educaçãona Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) e coordena o grupo de Pesquisa Educação e Trabalho. Endereço para correspondência: Rua: Acelon Pacheco da Costa, 231, Bloco B, apto 407 – Bairro Itacorubi – Florianópolis/SC, 88034-040. Telefone 9480 3334-7576 E-mail: floraitz@uol.com.br Luciane Carmem Figueredo Petters é mestre em Educação pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Endereço para correspondência: Travessa Lauro Pinto Ferreira, 12 - Apto 11 - Centro - Balneário Piçarras – SC. Cep: 88380-000. Fone: (47) 33450436 E-mail: lucarmem@matrix.com.br416

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