Preparando-se Para O Casamento - John Piper

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E-book concedido pela Editora Fiel gratuitamente. Estamos repassando para multiplicação do conhecimento.

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Preparando-se Para O Casamento - John Piper

  1. 1. CCCCCCCCCCCCasamentoCasamentoCpreparando-se para oauxílio para casaisCauxílio para casaisCcristãos
  2. 2. CCCCCCCCCCCCasamentoCasamentoCpreparando-se para oauxílio para casaisCauxílio para casaisCcristãosJ o h n P i p e r
  3. 3. Preparando-se para o CasamentoAuxílio para casais cristãosTraduzido do original em inglês“Preparing for Marriage”, por John Piper© 2012 Desiring God Foundation•Publicado em inglês por: Desiring GodPost Office Box 2901Minneapolis, MN 55402Copyright © 2013 Editora Fiel1ª Edição em Português: 2013•Todos os direitos em língua portuguesa reservados porEditora Fiel da Missão Evangélica LiteráriaProibida a reprodução deste livro por quaisquermeios, sem a permissão escrita dos editores,salvo em breves citações, com indicação da fonte.•Diretor: James Richard Denham IIIPresidente Emérito: James Richard Denham Jr.Editor Chefe: Tiago J. Santos FilhoEditor: Vinícius Musselman PimentelTradução: Alan CritieRevisão: Vinícius Musselman PimentelCaixa Postal 1601CEP 12230-971São José dos Campos-SPPABX.: (12) 3936-2529www.editorafiel.com.br
  4. 4. Prefácio do Editor ..............................................71 - Perguntas para Fazer ao se Prepararpara o Casamento ............................................132 - O Objetivo Inigualável: O CasamentoVivido para a Glória de Deus ............................213 – Relações Sexuais no Casamento...................394 – Casamento, Celibato, e a VirtudeCristã da Hospitalidade....................................61Sumário
  5. 5. Preparar-se bem para o casamento significa fa-zer um ao outro todas as perguntas difíceis.Conhecer aquela pessoa especial inclui apren-der sobre família, amigos, educação, esportes,passatempos favoritos, livros, filmes, melhores epiores momentos de vida, os cenários mais clarosde nossas origens e também os mais escuros.Mas e quanto à teologia? Já pensou em pergun-tar sobre isso?No Desiring God, uma de nossas páginas maisacessadas na internet é um conjunto de perguntasque John Piper reúne para casais que estão se prepa-Prefácio
  6. 6. 8Preparando-separaoCasamentorando para o casamento (capítulo 1 neste e-book).Há algumas das coisas típicas — como amigos, en-tretenimento, estilo de vida, e filhos — mas muitosdescobriram que a maneira com que John coloca asperguntas ajuda a alcançar exatamente algumas coi-sas bem profundas.E então, há as perguntas sobre teologia, adoraçãoe devoção, e os papeis de marido e mulher — pergun-tas que muitos casais (até demais) não pensam emfazer. Quando se está preparando para o casamento,ou mesmo apenas começando a considerá-lo, é deimensa ajuda ter uma perspectiva não apenas de ummarido experimentado por anos de 40 anos de casado,mas também de um pastor e teólogo experiente.Este é um e-book curto. Nossa visão para ele éhumilde. Nossa esperança é que alguns casais, querestejam namorando e considerando o casamento,ou noivos e se preparando para o casamento, encon-trem algum benefício aqui, passem a conhecer umao outro melhor em algumas das questões da vidaque são mais significativas e sejam mais capazes dediscernir a direção de Deus para suas vidas.Nós adicionamos três recursos adicionais comas perguntas para o casamento na esperança de
  7. 7. 9PrefáciodoEditorenriquecer sua preparação. O capítulo 2 é talvez amais importante mensagem de John Piper sobre ca-samento. Lá, ele abrange mais do que muitos de nóssequer ousamos abranger ao pensarmos sobre o queo casamento é e o que Deus o projetou para ser. Esteé um capítulo extremamente importante.Relações sexuais no casamento é o tópico docapítulo 3. (Nós sabemos que alguns de vocês voa-rão direto para este, agora que sabem onde ele está.Tudo bem. Apenas voltem para os capítulos 1 e 2,quando puderem.) Aqui há muito potencial para oprazer, e muito potencial para a dor. Não tenha re-ceio de considerar atentamente o tópico do sexo edialogar honestamente sobre ele durante o noivado.Finalmente, o capítulo 4 é sobre missão con-junta. O casamento é para missão também. Emparticular, o foco aqui é sobre hospitalidade. É umsermão da série que se tornou o livro CasamentoTemporário: Uma Parábola de Permanência1, que é paraonde nós o enviaríamos para aprender mais sobreo casamento depois deste e-book. Para os cris-tãos, conversar a respeito de ministério conjunto,1 PIPER, John. Casamento Temporário: Uma Parábola de Permanência. 1ª Edição.São Paulo: Cultura Cristã, 2011. [N. do T.]
  8. 8. 10Preparando-separaoCasamentoincluindo hospitalidade (literalmente, no NovoTestamento, “amor por estrangeiros”) é uma prepa-ração essencial.O casamento é algo grande. O que você estáconsiderando ou se preparando para não é brinca-deira. Não pense que você pode apenas adicionaro casamento como outra camada a uma vida já ata-refada. O casamento exige um recomeço completo.Reavalie seus compromissos, verifique suas priori-dades, repense o seu habitual. Esperamos que estee-book e outros recursos com este o ajudem. É demuito valor o investimento de perguntas sérias epensamento diligente. Para sua alegria, para o bemde outros, e para a glória do Noivo da igreja. — David Mathis Editor Executivo desiringGod.org
  9. 9. Perguntas paraFazer ao se Prepararpara o Casamento1Em cada uma destas seções, um item que eunão listei poderia ser adicionado, a saber: “Comovocê lida e vive com as diferenças? Como você decideo que pode continuar como diferença sem compro-meter o relacionamento?” Então, conforme vocêlida com cada subtítulo, inclua isso na discussão.teologiaEm que você crê a respeito de... tudo?Talvez seja bom ler a Confissão de Fé Batista deLondres de 1689 ou a Confissão de Fé de Westmins-
  10. 10. 14Preparando-separaoCasamentoter1para ver a posição de cada um sobre as diversasdoutrinas bíblicas.Descubra como você estabelece seus pontos de vis-ta. Qual é o processo de raciocínio e crença? Comovocê lida com a Bíblia?Adoração e DevoçãoQuão importante é o culto congregacional? E quan-to a outros tipos de participação na vida da igreja?Quão importante é fazer parte de um pequeno gru-po de suporte e prestação de contas?Qual é a importância da música na vida e no culto?Quais são as suas práticas devocionais diárias? (ora-ção, leitura, meditação, memorização)Como seriam nossas devocionais em família? Quemliderará?1 No original, cita-se a Confissão de Fé do Desiring God, que pode ser lida em http://www.desiringgod.org/about/our-distinctives/affirmation-of-faith. Acessoem 6 nov. 2012. (N. do E.)
  11. 11. 15PerguntasparaFazeraosePrepararparaoCasamentoEstamos fazendo isso agora de uma maneira apro-priada (orando juntos sobre nossas vidas e nossofuturo, lendo a Bíblia juntos)?Marido e MulherQual é o significado de liderança e submissão na Bí-blia e em nosso casamento?Quais as expectativas sobre situações onde um de vo-cês pode estar sozinho com alguém do sexo oposto?Como as tarefas são compartilhadas no lar (finan-ças, limpeza, cozinha, lavar as louças, jardinagem,manutenção do carro, reparos, compras de mercadoe coisas da casa)?Quais são as expectativas sobre convivência?O que seria uma noite comum ideal?Como você entende quem toma a iniciativa no sexoe com que frequência?Quem cuida das finanças? Ou a vida financeira seráseparada?
  12. 12. 16Preparando-separaoCasamentoFilhosSeequandodeveríamosterfilhos?Porquê?Quantos?Com qual intervalo entre um e outro?Consideraríamos a adoção?Quais são os padrões de comportamento?Quais são as maneiras apropriadas para discipli-ná-los? Quantos avisos antes que eles sejam... oque for?Quais são as expectativas de tempo gasto com eles equando eles vão para a cama?Como lhes demonstrar afeto?E quanto à escola? Estudarão em casa? Em uma es-cola cristã? Em uma escola pública?Estilo de vidaTer casa própria ou não? Por quê?Qual o tipo de vizinhança? Por quê?
  13. 13. 17PerguntasparaFazeraosePrepararparaoCasamentoQuantos carros? Novos? Usados?Como lidar com dinheiro em geral? Quanto vai paraa igreja?Como você toma decisões financeiras?Onde vocês comprarão roupas? Lojas de departa-mento? Liquidação? Meio termo? Por quê?EntretenimentoQuanto dinheiro deveríamos gastar em entreteni-mento?Com que frequência deveríamos comer fora? Onde?Que tipo de férias são apropriadas e úteis para nós?Quantos brinquedos? moto, barco, casa de praia?Devemos ter uma televisão? Onde? O que é adequa-do assistir? Por quanto tempo?Quais são os critérios para filmes e cinema? Quaisserão nossas regras para as crianças?
  14. 14. 18Preparando-separaoCasamentoConflitoO que lhe deixa irritado?Como você lida com sua frustração ou raiva?Quem deve levantar uma questão que sejadesagradável?E se ambos discordarmos sobre o que deve ser feitoe sobre a seriedade da questão?Nós vamos dormir brigados um com o outro?Qual a nossa visão sobre obter ajuda de amigos ouconselheiros?TrabalhoQuem é o principal mantenedor da família?A esposa deve trabalhar fora? Antes dos filhos?Com os filhos em casa? Após os filhos?Quais as suas opiniões sobre creche para osfilhos?
  15. 15. 19PerguntasparaFazeraosePrepararparaoCasamentoO que determina onde vocês se estabelecerão? Otrabalho? O trabalho de quem? Igreja? Família?AmigosÉ bom fazer coisas com os amigos, mas sem ocônjuge?O que vocês farão se um de vocês realmente gostade sair com alguém que o outro não gosta?Saúde e DoençaVocê tem, ou já teve, doenças ou problemas físi-cos que poderiam afetar nosso relacionamento?(alergias, câncer, distúrbios alimentícios, doençavenérea, etc.)Você crê em cura divina, e como a oração se relacio-naria com a atenção médica?O que você pensa sobre exercícios e alimentaçãosaudável?Você tem quaisquer hábitos que afetem prejudicial-mente a saúde?
  16. 16. Meu tópico para este capítulo é “O casamen-to vivido para a glória de Deus”. A palavra decisivaneste tópico é a palavra “para”. “O casamento vivi-do para a glória de Deus”. O tópico não é: “A glóriade Deus para a vivência do casamento”. E não: “Ocasamento vivido pela glória de Deus”. Mas: “O ca-samento vivido para a glória de Deus”.Esta palavrinha “para” significa que existeuma ordem de prioridade. E existe uma ordem decentralidade. E a ordem é clara: Deus é central, nãoo casamento. Deus é a Realidade mais importante;o casamento é menos importante — muito menosimportante, infinitamente menos importante.O ObjetivoInigualável:O Casamento Vividopara a Glória de Deus2
  17. 17. 22Preparando-separaoCasamentoO casamento existe para magnificar a verdade,o valor, a beleza e a grandeza de Deus; Deus nãoexiste para magnificar o casamento. Até que essa or-dem seja vívida e valorizada — até que ela seja vistae saboreada — o casamento não será experimentadocomo uma revelação da glória de Deus, mas comoum rival da glória de Deus.Eu considero meu título, “O casamento vividopara a glória de Deus,” como uma resposta para apergunta: Por que o casamento? Por que e existe o ca-samento? Por que vivemos em casamentos?Isso significa que meu tópico é parte de umapergunta maior: Por que todas as coisas existem?Por que você existe? Por que o sexo existe? Por quea terra, o sol, a lua e as estrelas existem? Por que osanimais, as plantas, os oceanos, as montanhas, osátomos e as galáxias existem?A resposta para todas essas perguntas, in-cluindo aquela sobre o casamento é: Todas essascoisas existem para e pela glória de Deus. Ouseja, elas existem para magnificar a verdade, ovalor, a beleza e a grandeza de Deus. Não comoum microscópio magnifica, mas como um telescópiomagnifica.
  18. 18. 23OObjetivoInigualável:OCasamentoVividoparaaGlóriadeDeusMicroscópios magnificam fazendo coisas pe-quenas parecerem maiores do que são. Telescópiosmagnificam fazendo coisas inimaginavelmentegrandes parecerem como elas de fato são. Microscó-pios movem a aparência do tamanho para longe darealidade. Telescópios movem a aparência do tama-nho em direção à realidade.Quando digo que todas as coisas existem paramagnificar a verdade, o valor, a beleza e a grande-za de Deus, quero dizer que todas as coisas — e ocasamento em especial — existem para mover a apa-rência de Deus nas mentes das pessoas em direçãoà Realidade.Deus é inimaginavelmente grande, infinitamen-te valioso e incomparavelmente belo. “Grande é oSENHOR e mui digno de ser louvado; a sua grandezaé insondável” (Sl. 145:3). Tudo o que existe tem porobjetivo magnificar esta Realidade. Deus clama atra-vés do profeta Isaías (43:6-7): “Trazei meus filhos delonge e minhas filhas, das extremidades da terra, atodos os que são chamados pelo meu nome, e os quecriei para minha glória” (ênfase adicionada). Fomoscriados para demonstrar a glória de Deus. Paulo con-clui os primeiros onze capítulos de sua grande carta
  19. 19. 24Preparando-separaoCasamentoaos Romanos com a exaltação a Deus como a fontee o fim de todas as coisas: “Porque dele, e por meiodele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a gló-ria eternamente. Amém!” (11:36, ênfase adicionada).Ele torna isso ainda mais claro em Colossenses 1:16,onde ele diz: “[Em Cristo], foram criadas todas ascoisas, nos céus e sobre a terra ... tudo foi criado pormeio dele e para ele” (ênfase adicionada).E ai de nós se pensamos que “para Ele” signifi-ca “para Sua necessidade”, ou “para Seu benefício”,ou “para Seu desenvolvimento”. Paulo deixou clarocomo água em Atos 17:25 que Deus não é “servidopor mãos humanas, como se de alguma coisa pre-cisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida,respiração e tudo mais”. Não, o termo “para Suaglória” e “para Ele” significa “para a demonstraçãode Sua glória”, ou “para o testemunho de Sua gló-ria”, ou “para a magnificação de Sua glória”.Precisamos deixar isso entrar em nossas men-tes. Houve um tempo em que havia Deus, e apenasDeus. O universo é Sua criação. Ele não é coeternocom Deus. Ele não é Deus. “No princípio era o Ver-bo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus...Todas as coisas foram feitas por intermédio dele”
  20. 20. 25OObjetivoInigualável:OCasamentoVividoparaaGlóriadeDeus(João 1:1 e 3). Todas as coisas. Tudo o que não éDeus foi feito por Deus. Então houve um tempo emque havia apenas Deus.Portanto, Deus é a Realidade absoluta. Nós nãosomos. O universo não é. O casamento não é. Nóssomos derivados. O universo é de importância secun-dária, não primária. A raça humana não é a realidadeúltima, nem o valor último, nem o último medidordo que é bom ou o que é real ou o que é belo. Deus oé. Deus é o único totalmente absoluto em existência.Todo o resto vem dele, através dele, e para Ele.Esse é o ponto inicial para entender o casa-mento. Se entendermos isso errado, tudo segueerrado. E se entendemos isso certo — realmentecerto, em nossas mentes e em nossos corações —,então o casamento será transformado por isso. Ocasamento se tornará o que ele foi criado para ser —uma demonstração da verdade, do valor, da beleza eda grandeza de Deus.Isso leva a uma conclusão muito simples — tãosimples e ainda assim tão extensa. Se queremos vero casamento assumir o lugar que ele dever ter nomundo e na igreja, ou seja, se queremos que o ca-samento glorifique a verdade, o valor, a beleza e a
  21. 21. 26Preparando-separaoCasamentograndeza de Deus, devemos ensinar e pregar menossobre casamento e mais sobre Deus.A maioria dos jovens hoje não traz ao seunamoro e casamento uma grande visão de Deus —quem Ele é, como Ele se parece, como Ele age. Nomundo quase não há visão de Deus. Ele sequer estána lista de convidados. Ele é simples e impressio-nantemente omitido. E na igreja a visão de Deusque os jovens casais trazem para seus relaciona-mentos é tão pequena, ao invés de grandiosa, tãomarginal, ao invés de central, tão vaga ao invés declara, tão impotente, ao invés de determinante etão desinteressante, ao invés de encantadora, quequando eles se casam, o pensamento de viver o ca-samento para a glória de Deus é sem significado esem conteúdo.O que a “glória de Deus” significa para umajovem esposa ou um jovem marido que não dedi-ca quase nenhum tempo para conhecer a glória deDeus, ou a glória de Jesus Cristo, Seu Filho divino...• a glória de Sua eternidade que faz a mentequerer explodir com o infinito pensamento deque Deus nunca teve um começo, mas sim-plesmente sempre existiu;
  22. 22. 27OObjetivoInigualável:OCasamentoVividoparaaGlóriadeDeus• a glória de Seu conhecimento que faz a Biblio-teca Nacional parecer uma caixa de fósforos efísica quântica parecer um leitor de primeirasérie;• a glória de Sua sabedoria que nunca foi e nun-ca poderá ser aconselhada por homens;• a glória de Sua autoridade sobre os céus e aterra e o inferno, sem cuja permissão nenhumhomem ou demônio poderia se mover sequerum centímetro;• a glória de Sua providência sem a qual nemum pássaro cai no chão ou um único fio decabelo se torna branco;• a glória de Sua palavra que sustenta o univer-so e mantém todos os átomos e as moléculasjuntos;• a glória de Seu poder para andar sobre aságuas, purificar leprosos, curar enfermos,abrir os olhos dos cegos, fazer com que o sur-do ouça, parar tempestades com uma palavrae ressuscitar os mortos;• a glória de Sua pureza sem pecado, ou semqualquer atitude má momentânea ou qual-quer pensamento mau;
  23. 23. 28Preparando-separaoCasamento• a glória de Sua confiabilidade que nunca que-bra Sua palavra ou deixa qualquer promessacair no chão;• a glória de Sua justiça que faz com que todaresponsabilidade moral no universo seja puni-da na cruz ou no inferno;• a glória de Sua paciência que suporta nossa es-tupidez década após década;• a glória de Sua soberana e escrava obediên-cia ao abraçar a dor excruciante da cruzvoluntariamente;• a glória de Sua ira que um dia fará com que aspessoas clamem às rochas das montanhas quecaiam sobre elas;• a glória de Sua graça que justifica o ímpio; e• a glória de Seu amor que morre por nós mes-mo enquanto éramos pecadores.Como as pessoas viverão suas vidas de manei-ra que seus casamentos demonstrem a verdade, ovalor, a beleza e a grandeza desta glória, quando elasnão devotam quase nenhuma energia ou tempo emconhecer e apreciar esta glória?
  24. 24. 29OObjetivoInigualável:OCasamentoVividoparaaGlóriadeDeusTalvez você consiga ver porque, ao longo dos úl-timos trinta anos de ministério pastoral, passei a vera missão de minha vida e a missão de nossa igreja emalguns termos muito básicos, a saber: Eu existo — nósexistimos — para disseminar uma paixão pela supre-macia de Deus em todas as coisas para a alegria detodos os povos. Esta é a nossa avaliação da necessi-dade. Até que haja uma paixão pela supremacia e pelaglória de Deus nos corações dos que são casados, ocasamento não será vivido para a glória de Deus.E não haverá uma paixão pela supremacia epela glória de Deus nos corações dos que são casa-dos até que o próprio Deus, em Suas multiformesglórias, seja conhecido. E Ele não será conhecido emSuas multiformes glórias até que pastores e mestresfalem a respeito dele incansável, profunda, bíblica,fiel, distintiva, perfeita e apaixonadamente. O casa-mento vivido para a glória de Deus será o fruto deigrejas permeadas pela glória de Deus.Então, digo novamente: se queremos que ocasamento glorifique a verdade, o valor, a belezae a grandeza de Deus, devemos ensinar e pregarmenos sobre casamento e mais sobre Deus. Nãoque preguemos demais sobre casamento, mas que
  25. 25. 30Preparando-separaoCasamentopregamos muito pouco sobre Deus. Deus simples-mente não é magnificamente central nas vidas damaior parte de nosso povo. Ele não é o sol ao redordo qual todos os planetas de nossas vidas diárias sãomantidos em órbita e encontram seus lugares apro-priados determinados por Deus. Ele é mais comoa lua, que aumenta e diminui, e você pode passarnoites sem sequer pensar sobre Ele.Para a maior parte de nosso povo, Deus émarginal e centenas de boas coisas usurpam Seulugar. Pensar que seus casamentos poderiam servividos para Sua glória ensinando-os as dinâmicasdos relacionamentos, quando a glória de Deus étão periférica, é como esperar que o olho humanoglorifique as estrelas quando não observamos o céunoturno e nunca compramos um telescópio.Então, conhecer a Deus, apreciar a Deus e valo-rizar a glória de Deus sobre todas as coisas, incluindoseu cônjuge, é a chave para viver o casamento para aglória de Deus. É verdade, no casamento, como emqualquer outro relacionamento: Deus é mais glorifica-do em nós quando estamos mais satisfeitos nele.Eis aqui a chave que destranca mil portas.Satisfação superior em Deus sobre todas as coisas
  26. 26. 31OObjetivoInigualável:OCasamentoVividoparaaGlóriadeDeusterrenas, incluindo seu cônjuge, sua saúde e suaprópria vida (Salmo 63:3: “tua graça é melhor quea vida”), é a fonte da grande longanimidade, sema qual maridos não podem amar como Cristo, eesposas não podem submeter-se como a noiva deCristo, a igreja. Efésios 5:22-25 deixa claro que osmaridos devem inspirar seus papeis de liderança eamor em Cristo, e as esposas, inspirar seus papeisde submissão e amor na devoção da igreja por quemEle morreu. E ambos esses atos complementares deamor — liderar e submeter-se — não continuarãoglorificando a Deus sem uma superior satisfação emtudo o que Deus é para nós em Cristo.Deixe-me dizer de outra maneira. Há dois ní-veis nos quais a glória de Deus pode brilhar a partirde um casamento cristão: Um é o nível estruturalquando ambos os cônjuges cumprem os papeis queDeus projetou para eles — o homem como um lídercomo Cristo, a esposa como defensora e seguidoradesta liderança. Quando estes papeis são vividos, aglória do amor e da sabedoria de Deus em Cristo édemonstrada para o mundo.Mas há outro nível mais profundo e fundamen-tal em que a glória de Deus deve brilhar se esses
  27. 27. 32Preparando-separaoCasamentopapéis devem ser mantidos como Deus os projetou.O poder e o impulso para persistir na tarefa da re-núncia pessoal e da morte diária, mensal e anualque será necessária para amar uma esposa imper-feita e respeitar um marido imperfeito virão de umasatisfação em Deus que dá esperança e sustenta aalma. Eu não acho que o amor por nossas esposasou o amor delas por nós irá glorificar a Deus até queele flua de um coração que se deleita em Deus maisdo que no casamento.O casamento será preservado para a glória deDeus e moldado para a glória de Deus quando aglória de Deus for mais preciosa para nós do que ocasamento. Quando pudermos dizer com o apósto-lo Paulo (em Filipenses 3:8), “considero tudo comoperda, por causa da sublimidade do conhecimentode Cristo Jesus, meu Senhor”, quando pudermos di-zer isso sobre o casamento, sobre nosso marido ounossa esposa, então esse casamento será vivido paraa glória de Deus.Encerro, tentando dizer isso de mais uma ma-neira, a saber, com um poema que escrevi para meufilho no dia de seu casamento.
  28. 28. 33OObjetivoInigualável:OCasamentoVividoparaaGlóriadeDeusAme-a Mais e Ame-a MenosPara Karsten Luke PiperPor Ocasião de Seu Casamento comRochelle Ann Orvis29 de Maio de 1995O Deus que amamos, e emQuem temos vivido, e quem tem sidoNossa Rocha nestes vinte-e-dois bons anosCom você, agora nos propõe, com doces lágrimas,Deixá-lo ir: “Deixará o homemSeu pai e sua mãe, apegar-se-áEntão à sua mulher, e seráUma livre e desembaraçada carne.”Esta é a palavra de Deus hoje,E estamos contentes em obedecer.Pois Deus lhe deu uma noivaQue responde a cada oração que clamamosPor mais de vinte anos, nosso clamorPor você, antes que soubéssemos o nome dela.Agora, você pede que eu escrevaUm poema — algo arriscado, à luzDo que você sabe: que estou mais paraO pregador do que para o poeta ouO artista. Estou honrado porSua bravura, portanto obedeço.Não reclamo dessas doces limitaçõesDe pares de rima e linhas metradas.
  29. 29. 34Preparando-separaoCasamentoSão velhos amigos. Eles gostam quandoLhes peço que me ajudem mais uma vezA dar forma aos sentimentosE mantê-los duráveis e calorosos.Então nos encontramos recentemente,E fizemos um dilúvio de amor e louvorE conselho do coração de um paiFluir das orlas da arte.Eis aqui uma porção da corrente,Filho meu: um sermão poema. Seu tema:Uma dupla regra do amor que choca;Uma doutrina em um paradoxo:Se, agora, quer abençoar sua esposa,Então a ame mais e ame-a menos.Se nos anos porvir, por algumaEstranha providência de Deus, você venhaA ter as riquezas deste século,E, sem dor, caminhar a passos largosAo lado de sua esposa, certifique-se com sua vidaDe amá-la, ame-a mais do que a riqueza.E se sua vida está entrelaçada emUma centena de amizades, e teceresUm tecido de festa a partir de todosOs doces afetos, grandes e pequenos,Certifique-se, não importando o quanto rasgue,De amá-la, ame-a mais do que os amigos.
  30. 30. 35OObjetivoInigualável:OCasamentoVividoparaaGlóriadeDeusE se chegar um ponto quando vocêEstiver cansado, e a misericórdia sussurrar: “FaçaUm favor a si mesmo. Venha, seja livre;Abrace os confortos aqui comigo.”Saiba disto! Sua esposa vale mais do que essas coisas.Então ame-a, ame-a mais do que a tranquilidade.E quando seu leito nupcial é puro,E não há o mais leve encantoDe luxúria por ninguém que não seja sua esposa,E tudo é êxtase na vida,Um segredo tudo isso protege:Vá amá-la, ame-a mais que o sexo.E se seu gosto se tornar refinado,E for movido pelo que a menteDo homem pode criar, e fascinado porSua destreza, lembre-se que o porquêDe toda essa obra está no coração;Então ame-a, ame-a mais do que a arte.E se sua for algum diaA destreza que todos os críticos concordamSer digna de grande estima,E as vendas excedam seus sonhos mais loucos,Cuidado com os perigos de um nome.E ame-a, ame-a mais do que a fama.E se, para sua surpresa, não minha,Deus lhe chamar por algum estranho desígnio
  31. 31. 36Preparando-separaoCasamentoPara arriscar sua vida por alguma grande causa,Não deixe que o medo nem o amor lhe parem,E quando enfrentar o portão da morte,Então ame-a, ame-a mais que o fôlego.Sim, ame-a, ame-a, mais que a vida;Ah, ame a mulher chamada de sua esposa.Vá amá-la com o melhor que você tem na terra.Mas, além disso, não se aventure. Mas, para queSeu amor não se torne a ilusão de um tolo,Certifique-se de amá-la menos do que a Deus.Não é sábio ou gentil chamarUm ídolo por doces nomes, e cair,Como em humildade, dianteDe uma imagem do seu Deus. AdoreAcima de sua mais amada na terraO único Deus que concede a ela valor.E ela saberá em segundo lugarQue seu grande amor também é graçaE que seus grandes afetos agoraEstão fluindo livremente de um votoDebaixo dessas promessas, feito primeiroPor Deus a você. Nem desaparecerãoPor serem enraizadas junto às correntesDa Alegria Celestial, que você estimaE ama mais do que o fôlego e a vida,Que você possa dar isto à sua esposa.
  32. 32. 37OObjetivoInigualável:OCasamentoVividoparaaGlóriadeDeusO maior presente que você dá a sua esposaÉ amar a Deus acima da vida dela.E então, o convido a santificar:Ame-a mais amando-a menos.
  33. 33. “Digno de honra entre todos seja o matrimônio,bem como o leito sem mácula; porque Deus jul-gará os impuros e adúlteros. Seja a vossa vidasem avareza. Contentai-vos com as coisas quetendes; porque ele tem dito: De maneira algu-ma te deixarei, nunca jamais te abandonarei!”– Hebreus 13:4-5É interessante que Hebreus coloque o dinhei-ro e o leito conjugal lado a lado. Eu duvido queisso seja uma coincidência, uma vez que a maioriados conselheiros hoje colocariam o dinheiro e asrelações sexuais perto do topo de suas listas de pos-síveis problemas no casamento. Concordância comRelações Sexuaisno Casamento3
  34. 34. 40Preparando-separaoCasamentorelação ao dinheiro é importante e a harmonia noleito conjugal não parece ser algo que se constróicom facilidade. Nosso foco neste capítulo será as re-lações sexuais no casamento, não o dinheiro.“Digno de honra entre todos seja o matrimô-nio, bem como o leito sem mácula”. Ou seja, que asrelações sexuais no casamento sejam mantidas pu-ras, limpas, imaculadas. Todos esses termos como“sem mácula”, “puro”, “limpo”, “imaculado” sãosimplesmente visuais ou metáforas tangíveis deuma exigência moral, a saber, não pecar em suas re-lações sexuais no casamento. Mas o que é pecado?Pecado é qualquer ato ou atitude que desagrade aDeus. Mas penso ser muito útil nos concentrarmosna natureza essencial do pecado em sua relação coma grande força favorável na vida cristã, a saber, a fé.Hebreus 11:6 diz: “Sem fé é impossível agradar aDeus.” Isso implica duas coisas:1. Uma vez que pecado é tudo o que desagrada aDeus e uma vez que sem fé é impossível agradara Deus, então, se você não tem fé, tudo o quevocê faz é pecado, porque tudo o que você fazdesagrada a Deus.
  35. 35. 41RelaçõesSexuaisnoCasamento2. Isto sugere muito fortemente que deve haver umaconexão muito próxima, talvez causal, entre a faltade fé e o pecado. E Romanos 14:23 confirma talconexão. A passagem diz: “Tudo o que não provémde fé é pecado.” Em outras palavras, a naturezaessencial das ações e atitudes que chamamos depecado é que elas não são estimuladas ou motiva-das por um coração de fé. O que torna uma atitudeou ato desagradável a Deus é que ela não nasce dafé em Deus. O pecado é mau precisamente em suafalha de não ser um produto da fé.Fé, Pecado, e Relações Sexuais no CasamentoPrecisamos esclarecer como é que nossas açõesvêm “de fé” ou não. Em primeiro lugar, o que é estafé que produz atitudes e ações que não são pecado?Hebreus 11:1 diz: “A fé é a certeza de coisas quese esperam, a convicção de fatos que se não veem.”Em outras palavras, fé é a confiança que sentimosnas boas coisas que Deus prometeu fazer por nósamanhã e na eternidade. Não podemos vê-las, mas afé é a certeza de que as promessas nas quais espera-mos se realizarão. Hebreus 11:6, mencionado antes,
  36. 36. 42Preparando-separaoCasamentodiz: “Sem fé é impossível agradar a Deus, porquantoé necessário que aquele que se aproxima de Deuscreia que ele existe e que se torna galardoador dosque o buscam.”Em outras palavras, a fé que agrada a Deusé nossa vinda a ele com a confiança de que, talvezcontrário a todas as aparências, Ele nos recompen-sará com as boas coisas que Ele prometeu.Agora, como tal fé produz atitudes e atos quenão são pecado? Volte comigo a Hebreus 13:5. “Sejaa vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coi-sas que tendes”. A avareza, ou o amor ao dinheiro, éum desejo que desagrada a Deus; é pecado. 1 Timó-teo 6:10 diz: “O amor ao dinheiro é a raiz de todos osmales”. Ora, o antídoto para esse amor pecaminosoe todos os males que nascem dele é o contentamen-to: “Contentai-vos com as coisas que tendes”. Maso escritor não nos deixa aqui sozinhos para de al-guma maneira suscitarmos o contentamento. Masele continua para dar uma base ao contentamento:“Porque [Deus] tem dito: De maneira alguma tedeixarei, nunca jamais te abandonarei.” A base parao contentamento é a promessa do auxílio infalívele da comunhão de Deus. A promessa é tirada de
  37. 37. 43RelaçõesSexuaisnoCasamentoDeuteronômio 31:6: “Sede fortes e corajosos, nãotemais, nem vos atemorizeis diante deles, porqueo SENHOR, vosso Deus, é quem vai convosco; nãovos deixará, nem vos desamparará.”Então o escritor de Hebreus está dizendo isto:Deus fez promessas tão reconfortantes, tranqui-lizantes, e que inspiram esperança em sua Palavraque, se tivermos fé nessas promessas, teremos con-tentamento. E o contentamento é o antídoto parao amor ao dinheiro que é a raiz de todos os males.Agora podemos ver mais claramente comouma ação ou atitude vem “de fé” ou não. Se não te-mos fé, se não confiamos na promessa de que Deus“não nos deixará, nem nos desamparará”, então nossentiremos ansiosos e inseguros, e o poder engano-so do dinheiro de comprar segurança e paz será tãoatraente que começará a produzir outros males emnós. Estaremos inclinados a roubar, ou mentir emnossas declarações de imposto de renda, ou racio-nalizar por que não deveríamos estar contribuindogenerosamente com a igreja, ou convenientementenos esquecer de um débito que temos com um ami-go, ou recusar gastar qualquer dinheiro para tornarnosso imóvel alugado mais habitável, etc., etc. Os
  38. 38. 44Preparando-separaoCasamentomales que vêm do amor ao dinheiro são interminá-veis. E a razão pela qual esses males são pecado éque eles não vêm de fé.Se tivermos fé na promessa de que Deus “nãonos deixará, nem nos abandonará”, então seremoslivres da ansiedade e insegurança que implora pormais dinheiro, e teremos vitória sobre os pecadosque são resultados do amor ao dinheiro. Se vocêestá contente em Cristo, descansando na promes-sa de que Deus sempre lhe ajudará e estará ao seulado, então a compulsão a roubar e mentir em suadeclaração de imposto de renda, a avareza nas suasofertas, a negligência com suas dívidas e a opres-são contra inquilinos pobres irão embora. No lugar,estarão um dia de trabalho honesto, total precisãona declaração de imposto de renda, generosidade àigreja, fidelidade ao pagar dívidas e o agir com seuslocatários como você gostaria que eles fizessem comvocê. E todo esse novo comportamento não será pe-cado, mas justo, porque vem da fé na promessa deDeus, a qual cria esperança.Agora, só para o caso de você ter perdido aconexão entre tudo isso e as relações sexuais nocasamento, vamos voltar e pegar o fio da meada.
  39. 39. 45RelaçõesSexuaisnoCasamentoHebreus 13:4 diz: “Digno de honra entre todos sejao matrimônio, bem como o leito sem mácula”. Issosignifica: “Que o leito conjugal seja sem pecado; nãopeque em suas relações sexuais”. Agora vimos queo pecado é tudo o que não provém de fé. Pecado éo que você sente, pensa e faz quando não confia noque Deus disse e não descansa em suas promessas.Então a ordenança de Hebreus 13:4 pode ser decla-rada da seguinte maneira: Que suas relações sexuaissejam livres de qualquer ato ou atitude que não vemda fé na Palavra de Deus. Ou para colocar de umamaneira positiva: Tenha aquelas atitudes e pratiqueaqueles atos em suas relações sexuais conjugais quenasçam do contentamento que vem da confiançanas promessas de Deus.Por Que Buscar SatisfaçãoSexual no Casamento?Mas agora um problema emerge imediata-mente. Alguém pode perguntar: “Se estou contenteatravés da fé nas promessas de Deus, por que eu se-quer deveria buscar a satisfação sexual?” Essa é umaboa pergunta. E a primeira resposta a isso é: “Talvez
  40. 40. 46Preparando-separaoCasamentovocê não devesse buscar nenhuma satisfação sexual;talvez você devesse permanecer solteiro.” Isso é oque Paulo encoraja em 1 Coríntios 7:6-7. Ele diz:“De maneira nenhuma estou ordenando que todosse casem e satisfaçam desejos sexuais. O que querodizer é que não tem nada de errado com o desejosexual, e se uma pessoa tem um desejo irresistível,o casamento é o lugar para satisfazê-lo”. Mas (ver-sículo 7): “Quero que todos sejam [solteiros] comotambém eu sou; no entanto, cada um tem de Deuso seu próprio dom; um, na verdade, de um modo;outro, de outro”. Este é um versículo realmente no-tável. Paulo poderia querer que todos fossem comoele: livres das complicações da vida em família edo forte desejo de se casar. Mas ele sabe que essanão é a vontade de Deus: “Cada um tem de Deuso seu próprio dom”. Deus determina que algumaspessoas sejam casadas e algumas sejam solteiras.Ele não mantém a todos como Paulo; alguns elemantém como Pedro, que levava sua esposa comele em suas viagens missionárias (1 Coríntios 9:5).Então, a primeira resposta para a pergunta “Se pos-suo contentamento através da fé nas promessas deDeus, por que eu deveria buscar satisfação sexual?”
  41. 41. 47RelaçõesSexuaisnoCasamentoé: “Talvez você não devesse. Deus pode querer quevocê seja solteiro”.Mas há uma segunda resposta para essa per-gunta, a saber, o contentamento que as promessasde Deus dão não significa o fim de todos os dese-jos, especialmente desejos corporais. Mesmo Jesus,cuja fé foi perfeita, teve fome e desejou comer, e secansou e desejou descansar. O apetite sexual estána mesma categoria. O contentamento da fé não oremove da mesma maneira que não remove a fome eo cansaço. O que, então, significa o contentamentoem relação ao desejo sexual permanente? Penso quesignifica duas coisas.1. Se a satisfação de tal desejo é negada através docelibato, então tal negação será compensada poruma abundante porção do auxílio e da comunhãode Deus através da fé. Em Filipenses 4:11-13 Paulodisse: “Digo isto, não por causa da pobreza, por-que aprendi a viver contente em toda e qualquersituação... já tenho experiência, tanto de fartu-ra como de fome; assim de abundância como deescassez; tudo posso naquele que me fortalece.”Se Paulo pôde aprender a viver contente na fome,
  42. 42. 48Preparando-separaoCasamentoentão podemos aprender a vivermos contentes seDeus escolher não nos dar satisfação sexual.2. A outra coisa que o contentamento significa emrelação ao desejo sexual permanente é esta: se asatisfação não é negada a nós, mas nos é oferecidano casamento, nós a buscaremos e a desfrutare-mos apenas de maneiras que reflitam a nossa fé.Colocando de outra maneira, enquanto o conten-tamento da fé não coloca um fim em nossa fome,nosso cansaço ou no nosso apetite sexual, ele defato transforma a maneira que cuidamos de satisfa-zer tais desejos. A fé não impede que nós comamos,mas impede a glutonaria; ela não impede que dur-mamos, mas impede que sejamos preguiçosos. Elanão impede o nosso apetite sexual, mas... Mas oque? É com isso que desejamos gastar o resto destecapítulo tentando responder, embora o espaço aquipermita apenas uma resposta parcial.A Fé Crê que o Sexo é um Presente de DeusEm primeiro lugar, quando o ouvido da fé ouvea palavra de 1 Timóteo 4:4 que “tudo que Deus criou
  43. 43. 49RelaçõesSexuaisnoCasamentoé bom, e, recebido com ações de graças, nada é recu-sável” — quando o ouvido da fé ouve isso, ele crê. E,então, a fé honra o corpo e seus apetites como bonspresentes de Deus. A fé não permitirá que um casalcasado deite em seu leito e diga um para o outro: “Oque estamos fazendo é sujo; é o que se faz em filmespornográficos.” Ao invés disso, a fé diz: “Deus crioueste ato, e ele é bom, e ele foi criado para ‘os fiéis epara aqueles que conhecem plenamente a verdade’(1 Timóteo 4:3)”. O mundo foi quem saqueou ospresentes de Deus e os corrompeu através do mauuso. Mas eles pertencem por direito aos filhos deDeus, e então a fé não nos deixa vê-los como mun-danos ou poluídos. “Digno de honra entre todos sejao matrimônio, bem como o leito sem mácula”.A Fé Liberta da Culpa do PassadoEm segundo lugar, a fé aumenta a alegria dasrelações sexuais no casamento porque ela liberta daculpa do passado. Tenho em vista, principalmente,aqueles de nós que somos casados mas temos deolhar para trás e ver um ato de fornicação, ou adul-tério, ou incesto, ou uma aventura homossexual, ou
  44. 44. 50Preparando-separaoCasamentoanos de masturbação habitual, ou preocupação compornografia, ou carícias promíscuas, ou divórcio. Eo que eu tenho a dizer a nós é isto: Se, pela graçade Deus, você sente em seu íntimo a vontade de seatirar na misericórdia de Deus para o perdão, entãoele lhe livrará da culpa do passado.“Agora, pois, já nenhuma condenação há para osque estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).“Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele quejustifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como jus-tiça” (Romanos 4:5).“Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é per-doada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado ohomem a quem o SENHOR não atribui iniquida-de” (Salmo 32:1-2).“[Deus] não nos trata segundo os nossos pecados,nem nos retribui consoante as nossas iniquidades.Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assimé grande a sua misericórdia para com os que o te-mem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assimafasta de nós as nossas transgressões” (Salmo103:10-12).“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e jus-to para nos perdoar os pecados e nos purificar detoda injustiça” (1 João 1:9).
  45. 45. 51RelaçõesSexuaisnoCasamentoNão há nenhuma necessidade de um filho deDeus carregar qualquer culpa para o leito conjugal.Mas isso requer uma fé sólida, pois Satanás adorafazer com que não nos sintamos perdoados pela po-dridão de nossa vida anterior. “Resisti-lhe firmesna fé” (1 Pedro 5:9). “Embraçando sempre o escudoda fé, com o qual podereis apagar todos os dardosinflamados do Maligno” (Efésios 6:16) — fé no Fi-lho de Deus que amou você e deu a si mesmo porvocê (Gálatas 2:20), que por amor de você foi feitopecado para que você se tornasse justiça de Deus(2 Coríntios 5:21), que carregou seus pecados emseu corpo na cruz (1 Pedro 2:24). Lance mão de seuperdão, e leve-o com você para seu leito conjugal.Cristo morreu pelo seu pecado para que nelevocê tenha relações sexuais livres de culpa nocasamento.Agora deixe-me esclarecer algo que eu disseantes, a saber, que ainda que a culpa de nosso peca-do possa ser lavada, algumas cicatrizes permanecem.Posso imaginar um casal logo antes de seu noivadosentados em um parque. Ele vira para ela e diz: “Eutenho algo a dizer. Há dois anos atrás eu tive rela-ções sexuais com outra garota. Mas eu estava longe
  46. 46. 52Preparando-separaoCasamentodo Senhor, e foi só uma noite. Eu chorei por causadaquela noite muitas vezes. Deus me perdoou, e euespero que você possa me perdoar.” Nas semanasque seguem, não sem lágrimas, ela o perdoa, e elesse casam. E em sua primeira noite de lua de meleles se deitam juntos, e enquanto ele olha para ela,as lágrimas se acumulam em seus olhos e ele diz:“Qual o problema?” E ela diz: “Eu só não consigoevitar pensar naquela outra garota, que ela deitoubem onde estou agora”. E anos depois, quando anovidade do corpo de sua esposa já se desgastou,ele se pega desviando sua imaginação não intencio-nalmente para a sensação daquela aventura de umanoite. Todos nós cometemos pecados cujos, apesarde perdoados, tornam nossa vida presente mais pro-blemática do que se não os tivéssemos cometido.Mas não quer dar a impressão de que Cristoé impotente contra tais cicatrizes. Ele pode não re-mover todos os problemas que essas cicatrizes noscausam, mas ele prometeu trabalhar até mesmoatravés destes problemas pelo nosso bem se o ama-mos e somos chamados segundo seu propósito.Tome por exemplo nosso casal imaginário queacabei de descrever. Eu prefiro pensar que houve
  47. 47. 53RelaçõesSexuaisnoCasamentoum final feliz. Eles chegaram eventualmente a umrelacionamento sexual satisfatório porque eles otrabalharam abertamente em constante oração econfiança na graça de Deus. Eles falaram a respeitode seus sentimentos. Não mantiveram nada repri-mido. Confiaram um no outro e ajudaram um aooutro, e conseguiram paz e harmonia sexual e, aci-ma de tudo, novas dimensões da graça de Deus.Cristo morreu não apenas para que nele pu-déssemos ter relações sexuais livres de culpa nocasamento, mas também para que Ele pudesseentão, mesmo através de nossas cicatrizes, nos con-duzir a algum bem espiritual.A Fé Usa o Sexo Comouma Arma Contra SatanásA terceira coisa que podemos dizer agora arespeito da fé e das relações sexuais no casamentoé que a fé usa o sexo contra Satanás. Olhe para 1Coríntios 7:3-5.O marido conceda à esposa o que lhe é devido, etambém, semelhantemente, a esposa, ao seu ma-
  48. 48. 54Preparando-separaoCasamentorido. A mulher não tem poder sobre o seu própriocorpo, e sim o marido; e também, semelhantemen-te, o marido não tem poder sobre o seu própriocorpo, e sim a mulher. Não vos priveis um ao outro,salvo talvez por mútuo consentimento, por algumtempo, para vos dedicardes à oração e, novamente,vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente porcausa da incontinência.Em Efésios 6:16, Paulo diz que devemos resis-tir a Satanás com o escudo da fé. Eis aqui o que elediz para os que são casados: “Resistam a Satanáscom suficientes relações sexuais. Não se abstenhampor muito tempo, mas se ajuntem logo, para queSatanás não ganhe nenhuma posição”. Bem, comoassim? Nós nos protegemos de Satanás com o escu-do da fé ou o escudo do sexo?A resposta para pessoas casadas é que a fé faz usoda relação sexual como um meio de graça. Para as pes-soas que Deus leva ao casamento, as relações sexuaissão um meio ordenado por Deus de vencer a tentaçãodo pecado (o pecado do adultério, o pecado da fantasiasexual, o pecado da leitura pornográfica, etc.). A fé hu-mildemente aceita tais presentes e oferece graças.
  49. 49. 55RelaçõesSexuaisnoCasamentoAgora note algo mais em 1 Coríntios 7:3-5. Istoé muito importante. No versículo 4, Paulo diz que ohomem e a mulher têm direitos sobre o corpo um dooutro. Quando os dois se tornam uma carne, seus cor-pos estão à disposição um do outro. Cada um tem odireito de exigir direitos sobre o corpo do outro parasatisfação sexual. Mas o que precisamos de fato ver éo que Paulo ordena nos versos 3 e 5 em vista destesdireitos mútuos. Ele não diz: “Então reivindique seusinteresses! Receba seus direitos!” Ele diz: “Marido, dêa ela o que lhe é devido! Esposa, dê a ele o que lhe édevido!” (v. 3). E no versículo 4: “Não recusem um aooutro”. Em outras palavras, ele não encoraja o maridoou a esposa que deseje satisfação sexual a se apropriarde tal sem se preocupar com as necessidades do outro.Ao invés disso, ele encoraja tanto o marido quanto amulher a sempre estarem prontos para darem seuscorpos quando o outro o quiser.Faço uma inferência a partir disso e a partirdo ensinamento de Jesus em geral que relações se-xuais felizes e satisfatórias no casamento dependemde cada parceiro ter o objetivo de dar satisfação aooutro. Se a alegria de cada um é fazer o outro feliz,uma centena de problemas serão resolvidos.
  50. 50. 56Preparando-separaoCasamentoMaridos, se a sua alegria é trazer satisfação aela, você será sensível ao que ela precisa e deseja.Você aprenderá que a preparação para uma relaçãosexual satisfatória às dez da noite começa com pala-vras doces às sete da manhã e continua ao longo dodia com carinho e respeito. E quando chega a hora,você não virá como um tanque de guerra, mas co-nhecerá o ritmo dela e com destreza a acompanharáneste ritmo. A menos que ela lhe dê o sinal, vocêdirá: “O objetivo é o clímax dela, não o meu”. E vocêdescobrirá no longo prazo que mais bem aventuradoé dar do que receber.Esposas, não é sempre o caso em que seus ma-ridos desejam relações sexuais mais frequentementedo que vocês, mas acontece com frequência. Marti-nho Lutero disse que ele achava que duas vezes porsemana dava uma ampla proteção contra o tentador.Eu não sei se Katie estava disposta para toda vez ounão. Mas se você não estiver, entregue-lhe assimmesmo. Eu não digo aos maridos: “Tomem assimmesmo”. De fato, por amor a ela, pode ser que vocêfique sem. O objetivo é ultrapassar um ao outro emdar o que o outro deseja. Ambos, tornem seu objetivosatisfazer um ao outro o mais plenamente possível.
  51. 51. 57RelaçõesSexuaisnoCasamento“Digno de honra entre todos seja o matri-mônio, bem como o leito sem mácula”. Ou seja,não peque em suas relações sexuais. E isso sig-nifica, tenha apenas aquelas atitudes e pratiqueapenas aqueles atos que vêm da fé nas promessasde Deus, que são criadoras de esperança. Nós to-dos deveríamos regularmente nos perguntar: “Oque estou sentindo ou fazendo tem suas raízes nocontentamento da fé ou na ansiosa insegurança dadescrença?” Isso lhe ajudará em centenas de pe-quenas e grandes decisões éticas.Eu simplesmente tentei demonstrar o impac-to da fé em três aspectos das relações sexuais nocasamento. Primeiro, a fé crê em Deus quando elediz que as relações sexuais no casamento são boase limpas e devem ser recebidas com ações de graçaspor aqueles que creem e conhecem a verdade. Se-gundo, a fé aumenta a alegria das relações sexuaisno casamento porque ela liberta da culpa do pas-sado. A fé crê na promessa de que Cristo morreupor todos os nossos pecados, que nele podemoster relações sexuais livres de culpa no casamento.E finalmente, a fé empunha a arma da relação se-xual contra Satanás. Um casal casado dá uma severa
  52. 52. 58Preparando-separaoCasamentopancada na cabeça daquela antiga serpente quandoambos têm o objetivo de dar tanta satisfação sexualao outro quanto possível. Isso me faz apenas quererlouvar ao Senhor quando penso que no topo de todaa alegria que o lado sexual do casamento traz, eletambém prova ser uma temível arma contra nossoantigo adversário.
  53. 53. Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede,portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossasorações. Acima de tudo, porém, tende amor intensouns para com os outros, porque o amor cobre mul-tidão de pecados. Sede, mutuamente, hospitaleiros,sem murmuração. Servi uns aos outros, cada umconforme o dom que recebeu, como bons despensei-ros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala,fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguémserve, faça-o na força que Deus supre, para que, emtodas as coisas, seja Deus glorificado, por meio deJesus Cristo, a quem pertence a glória e o domíniopelos séculos dos séculos. Amém! —1 Pedro 4:7-11Casamento,Celibato, e aVirtude Cristãda Hospitalidade4
  54. 54. 62Preparando-separaoCasamentoO que motiva este capítulo é um desejo de queCristo seja magnificado na maneira pela qual osque são casados e os que são solteiros demonstramhospitalidade uns aos outros. Ou, para colocar deoutra maneira, se é verdade — e acredito que seja— que a família de Deus, que é gerada pelo novonascimento e pela fé em Cristo, é mais central emais duradoura que as famílias que são geradas apartir do casamento e da procriação e adoção, en-tão a forma como essa família espiritual e eterna (aigreja) se relaciona cada um com o outro (casados esolteiros) é uma testemunha crucial para o mundode que nossas vidas são orientadas pela supremaciade Cristo e que nossos relacionamento são defini-dos não apenas pela natureza, mas por Cristo. Euanseio por ver Cristo magnificado através daquelesque são casados envolvendo solteiros em suas vidase daqueles que são solteiros envolvendo casados emsuas vidas por amor de Cristo e do evangelho.“Por Ser Este Meu Discípulo”Jesus disse: “E quem der a beber, ainda queseja um copo de água fria, a um destes pequeninos,
  55. 55. 63Casamento,Celibato,eaVirtudeCristãdaHospitalidadepor ser este meu discípulo, em verdade vos digo quede modo algum perderá o seu galardão” (Mateus10:42). É claro, Jesus também disse que devemosamar nosso inimigo (Mateus 5:44), e Paulo disse paradar um copo de água ao nosso inimigo (Romanos12:20). Este tipo de amor receberá sua recompensa.Mas aqui Jesus diz: Demonstre singela bondade paracom as pessoas precisamente por elas serem seguidorasde Jesus. E isso também receberá sua recompensa.Em outras palavras, quando você olha nos olhosde uma pessoa solteira ou de uma pessoa casada evocê vê o rosto de um seguidor de Jesus — um irmãoou irmã de sua própria família eterna — aquele rela-cionamento com Jesus que você vê deveria extrair deseu coração uma bondade prática — como hospitali-dade — por amor a Jesus. Jesus é o foco aqui. Ele diz:“Faça isso ‘por ser este meu discípulo’. Eu serei honradode uma maneira especial se você der de beber a umdiscípulo meu por esta razão. Se você recebê-lo emsua casa, faça isso por amor a mim”. É isso que querodizer quando falo que anseio por ver Cristo magni-ficado através daqueles que são casados envolvendosolteiros em suas vidas e daqueles que são solteirosenvolvendo casados em suas vidas.
  56. 56. 64Preparando-separaoCasamentoO Mundo Material — para a Glória de DeusApenas mais algumas palavras de introduçãoantes de olharmos para o texto de 1 Pedro. Você jáse perguntou por que Deus nos deu corpos e criouum universo material? E por que Ele ressuscita nos-sos corpos e os torna novos e então liberta esta terrapara que ela seja uma nova terra na qual possamosviver para sempre em nossos novos corpos? Se Deusqueria ter grande louvor (“Porque grande é o SE-NHOR e mui digno de ser louvado”, Salmo 96:4),por que não apenas criar anjos sem corpos mas comgrandes corações que pudessem apenas falar comDeus e não um com o outro? Por que todos estescorpos e por que as pessoas deveriam ser capazes dese comunicar umas com as outras? E por que árvo-res, terra, água, fogo, vento, leões, cordeiros, lírios,pássaros, pão e vinho?Há diversas respostas profundas e maravi-lhosas para essas perguntas. Mas a que eu desejomencionar é esta: Deus criou corpos e coisas mate-riais porque quando eles são corretamente vistos ecorretamente usados, a glória de Deus é mais ple-namente conhecida e demonstrada. Os céus estão
  57. 57. 65Casamento,Celibato,eaVirtudeCristãdaHospitalidadeanunciando a glória de Deus (Salmo 19:1). Consi-dere os pássaros no ar e os lírios do campo e vocêconhecerá mais da bondade e do cuidado de Deus(Mateus 6:26-28). Veja nas coisas que Ele criou seusatributos invisíveis — seu eterno poder e sua natu-reza divina (Romanos 1:20). Olhe para o casamentoe veja Cristo e a Igreja (Efésios 5:23-25). Sempreque você comer este pão e beber deste cálice, vocêdeclara a morte do Senhor até que ele venha (1 Co-ríntios 11:26). Quer você coma ou beba ou qualquercoisa que você faça, faça tudo para a glória de Deus(1 Coríntios 10:31). O mundo material não é umfim em si mesmo; ele é projetado para demonstrara glória de Deus e despertar nossos corações paraconhece a Deus e valorizá-lo mais.Tornando Santos a Comida e o SexoA realidade física é boa. Deus a criou comouma revelação de sua glória. E ele tem em menteque a santifiquemos e o adoremos com ela — ouseja, vê-la em relação a Ele e usá-la de uma maneiraque lhe exalte e que ao fazer isso tenhamos alegria.Tudo isso tem influência direta no casamento e no
  58. 58. 66Preparando-separaoCasamentocelibato. Isso nos protege de idolatrar o sexo e a co-mida como deuses. Eles não são deuses; são feitospara Deus para honrar a Deus. E isso nos protege detemer o sexo e a comida como se fossem malignos.Eles não são malignos; são instrumentos de adora-ção — são maneiras de dar muito valor a Cristo. Eisaqui o texto chave: 1 Timóteo 4:1-5. Esse é um dosmais importantes textos na Bíblia quando se tratade apetites físicos ou sexo.Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últi-mostempos,algunsapostatarãodafé,porobedecerema espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pelahipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauteri-zada a própria consciência, que proíbem o casamentoe exigem abstinência de alimentos que Deus crioupara serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéise por quantos conhecem plenamente a verdade; poistudo que Deus criou é bom, e, recebido com açõesde graças, nada é recusável, porque, pela palavra deDeus e pela oração, é santificado.Sexo e comida — dois grandes ídolos na ÁsiaMenor do primeiro século e dos Estados Unidos
  59. 59. 67Casamento,Celibato,eaVirtudeCristãdaHospitalidadedo século XXI. E a resposta de Deus àqueles queresolvem o problema da idolatria do sexo e da comi-da meramente os renunciando ou evitando é dizerque esses mestres são demoníacos — “ensinos dedemônios” (v. 1). Qual é a solução de Deus? Tudocriado por Deus é bom; nada deve ser rejeitado sefor recebido com ação de graças e santificado pelapalavra de Deus e pela oração. Você santifica a co-mida usando-a de acordo com a palavra de Deus emoração dependente de Cristo. Você santifica o sexousando-o de acordo com a palavra de Deus em ora-ção dependente de Cristo.Dando Muito Valor a Cristo— Solteiro ou CasadoTudo isso é uma simples introdução para dei-xar claro que na beleza do casamento como umaparábola física do amor pactual entre Cristo e aIgreja, e a beleza do celibato como uma parábolafísica da natureza espiritual da família de Deusque cresce por regeneração e fé, não procriaçãoe sexo — para deixar claro em todas essas coisasque nem o casamento nem o celibato são idola-
  60. 60. 68Preparando-separaoCasamentotrados ou temidos. Casamento e celibato podemser idólatras. Cônjuges podem idolatrar um aooutro, ou idolatrar o sexo, ou idolatrar seus fi-lhos, ou idolatrar o poder de compra que se temao possuir duas rendas e nenhum filho. Solteirospodem idolatrar a autonomia e a independência.Solteiros podem olhar para o casamento comoum compromisso cristão de segunda classe comluxúria. Aqueles que são casados podem olharpara o celibato como uma marca de imaturidadeou irresponsabilidade, ou incompetência, ou atémesmo homossexualidade.Mas o que estou tentando esclarecer é que hámaneiras que exaltam a Cristo de ser casado e hámaneiras que exaltam a Cristo de ser solteiro. Hámaneiras de usar nossos corpos, nossos apetites nocasamento e no celibato que demonstram o grandevalor a Cristo.Aquela Infame Frase em 1 Coríntios 7:9E penso que eu deveria apenas fazer umbreve comentário sobre aquela infame frase em1 Coríntios 7:9: “Caso, porém, não se dominem,
  61. 61. 69Casamento,Celibato,eaVirtudeCristãdaHospitalidadeque se casem; porque é melhor casar do que viverabrasado.” Lembre-se, isso é dirigido explicita-mente a homens e mulheres (v. 8). E aqui está aúnica coisa que eu quero dizer a respeito disso:Quando uma pessoa busca se casar, sabendo quecomo solteira viveria “abrasada”, isso não preci-sa significar que o casamento se torna um merocanal para a luxúria. Paulo nunca quereria dizerisso em vista de Efésios 5.Ao invés disso, quando uma pessoa se casa— deixe-me simplesmente usar o homem comoum exemplo — ele toma seu desejo sexual e ele faza mesma coisa com ele que todos nós devemos fa-zer com todos nossos desejos físicos se queremostorná-los meios de adoração — 1) ele o traz à con-formidade da palavra de Deus; 2) ele o subordinaa um padrão mais alto de amor e cuidado; 3) eletranspõe a música do prazer sexual pela música daadoração espiritual; 4) ele ouve os ecos da bondadede Deus em cada nervo; 5) ele busca dobrar seu pra-zer tornando a alegria dela sua própria alegria; e 6)ele dá graças a Deus do fundo de seu coração porqueele sabe e sente que nunca mereceu um minuto se-quer desse prazer.
  62. 62. 70Preparando-separaoCasamentoMagnificando a Cristoao Demonstrar HospitalidadeAgora ao texto, 1 Pedro 4:7-11, e o que está mo-tivando este capítulo, a saber, o desejo de que Cristoseja magnificado na maneira pela qual aqueles quesão casados e aqueles que são solteiros demonstramhospitalidade uns aos outros. Vamos passar pelotexto rapidamente com breves comentários e, então,extrairemos simples e óbvias implicações — e orare-mos para que Deus use essa palavra poderosamentepara nos mudar para sua glória e nossa alegria.O Fim Está PróximoVersículo 7: “O fim de todas as coisas está pró-ximo”. Pedro sabe que com a vinda do Messias, ofim dos séculos chegou (1 Coríntios 10:12; Hebreus12:2). O reino de Deus chegou (Lucas 17:21). Eportanto, a consumação de todas as coisas poderiavarrer o mundo em muito pouco tempo.Portanto, assim como Jesus nos ensinou a ser-mos vigilantes quanto às nossas vidas e a estarmosatentos, Pedro diz (v. 7): “Sede, portanto, criteriosos
  63. 63. 71Casamento,Celibato,eaVirtudeCristãdaHospitalidadee sóbrios a bem das vossas orações”. Ou seja, cultiveum relacionamento muito pessoal com aquele quevocê espera ver face a face em sua vinda. Não sejaum estranho a Cristo. Você não irá querer encon-trá-lo como um estranho. E busque em oração todaa ajuda que você irá precisar nestes últimos diaspara que você permaneça de pé nos dias de gran-de tribulação (Lucas 21:36). E não dependa de suaespontaneidade para trazê-lo à oração. “Sede crite-riosos e sóbrios a bem das vossas orações”.O Amor é Acima de TudoEntão, versículo 8: “Acima de tudo, porém,tende amor intenso uns para com os outros, porqueo amor cobre multidão de pecados”. O amor é acimade tudo, e ele será ainda mais necessário conformeo fim se aproxima. Por quê? Porque as pressões,tensões e tribulações destes últimos dias colocarãoos relacionamentos sob tremendo estresse. Masnestes dias nós precisaremos uns dos outros, e omundo estará observando para ver se somos reais:“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos:se tiverdes amor uns aos outros” (João 13:35). Nós
  64. 64. 72Preparando-separaoCasamentocobriremos, carregaremos e suportaremos as faltase fraquezas uns dos outros ou deixaremos nossoscorações serem dominados pera raiva?Hospitalidade sem MurmuraçãoO versículo 9 dá uma forma desse amor, e es-taria ele dizendo que tal amor deve ser feito semmurmuração? “Sede, mutuamente, hospitaleiros,sem murmuração”. Se amarmos ardentemente, eo amor cobre multidão de pecados, então não res-mungaremos tão facilmente, não é mesmo? O amorcobre muito do que nos faz murmurar. Então, ahospitalidade sem murmuração é o chamado doscristãos nos últimos dias. Justamente nos dias emque seu estresse está alto e há pecados que precisamser cobertos e razões para murmurar são abundan-tes — justamente em tais dias, Pedro diz, o queprecisamos é praticar hospitalidade.Nossos lares precisam estar abertos. Porquenossos corações estão abertos. E nossos coraçõesestão abertos porque o coração de Deus está abertoa nós. Lembre-se de como o apóstolo João conectouo amor de Deus com o nosso amor uns pelos outros
  65. 65. 73Casamento,Celibato,eaVirtudeCristãdaHospitalidadeem relação à hospitalidade? Ele escreveu em 1 João3:16-17: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deua sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pe-los irmãos. Ora, aquele que possuir recursos destemundo, e vir a seu irmão [solteiro ou casado!] pade-cer necessidade, e fechar-lhe o coração, como podepermanecer nele o amor de Deus?”Despenseiros da Multiforme Graça de DeusTemos espaço para ir apenas até aqui nestetexto. Exceto para simplesmente apontar o queacontece quando nos reunimos em nossos lares.Versículo 10: “Servi uns aos outros, cada um con-forme o dom que recebeu, como bons despenseirosda multiforme graça de Deus”. “Despenseiros damultiforme graça de Deus!” Eu amo essa frase.Todo cristão é um despenseiro — um zelador, umgerente, um tutor, um distribuidor, um servo —da multiforme graça de Deus. Que grande razãopara estar vivo! Todo cristão vive em graça. “Deuspode fazer-vos abundar em toda graça, a fim deque, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência,superabundeis em toda boa obra” (2 Coríntios
  66. 66. 74Preparando-separaoCasamento9:8). Se você tem medo da hospitalidade — quevocê não tem muita força pessoal ou muitos benspessoais —, isso é bom. Então você não intimidaráninguém. Você dependerá ainda mais da graça deDeus. Você olhará ainda mais para a obra de Cristoe não para a sua própria obra. E, ah, que bênçãoas pessoas terão em seu simples lar. Seu pequenoapartamento.Acolhei Uns aos OutrosComo Também Cristo vos AcolheuEntão aqui está: a virtude cristã da hospitalida-de — uma estratégia de amor nos últimos dias queexalta a Cristo.Agora algumas aplicações para fechar: Primei-ro, para todos. Se você pertence a Cristo, se vocêtem, pela fé, recebido sua hospitalidade salvífica,que ele comprou com seu próprio sangue, então es-tenda essa hospitalidade a outros. Romanos 15:7:“Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristonos acolheu para a glória de Deus”. Você vive emlivre graça todos os dias. Seja um bom despenseirodela na hospitalidade.
  67. 67. 75Casamento,Celibato,eaVirtudeCristãdaHospitalidadeSegundo, para os casados. Planejem que suahospitalidade inclua solteiros — pequenos grupos,jantares de domingo, piqueniques, festividades. Enão faça uma exibição disso. Apenas aja natural-mente. E não se esqueça de que há solteiros de oitoanos de idade e solteiros de sessenta anos de ida-de e solteiros de cinquenta, quarenta, trinta e vinteanos de idade, há homens e mulheres que já foramcasados e que nunca se casaram, há divorciados eviúvos. Pense como um cristão. Essa é sua família,mais profunda e mais eterna que seus parentes.Terceiro, para os solteiros. Demonstrem hospi-talidade para outros solteiros e para casais casados.Talvez isso pareça estranho. Mas deveria parecer es-tranho? Não seria uma marca da graça de Deus emsua vida?Eu oro para que o Senhor faça essa linda obraem nosso meio — em todos nós. O fim de todas ascoisas está próximo. Sejamos sóbrios pelo bem denossas orações. Amemos uns aos outros. Sejamosbons despenseiros da multiforme graça de Deus emostremos hospitalidade sem murmuração. “Aco-lhei-vos uns aos outros, como também Cristo vosacolheu”.
  68. 68. A Editora Fiel tem como propósito servir a Deusatravés do serviço ao povo de Deus, a Igreja.Em nosso site, na internet, disponibilizamos cen-tenas de recursos gratuitos, como vídeos de pregaçõese conferências, artigos, e-books, livros em áudio, blog emuito mais.Oferecemos ao nosso leitor materiais que, cremos,serão de grande proveito para sua edificação, instruçãoe crescimento espiritual.Assine também nosso informativo e faça parte da co-munidade Fiel. Através do informativo, você terá acesso avários materiais gratuitos e promoções especiais exclusi-vos para quem faz parte de nossa comunidade.Visite nosso websitewww.editorafiel.com.bre faça parte da comunidade Fiel
  69. 69. O ministério Voltemos ao Evangelho nasceu com o gran-dioso intuito de proclamar o único e verdadeiro Evangelho,chamando a nação brasileira a voltar à centralidade da glóriade Deus na face de Cristo e ao fundamento das Escrituras.Disponibilizamos material multimídia, textos e vídeosgratuitos, sem restrição quanto ao uso pessoal ou ministerial, afim de que Deus seja glorificado e a Igreja de Cristo, edificada.Para mais informações, acessewww.voltemosaoevangelho.comConfira outros conteúdos gratuitosde John Piper em nosso blog:e-Book: Aos Pregadores da ProsperidadeVídeo: Sacrifício Cristão RadicalPregação: Abraçando o SofrimentoDevocionais: Devocionais sobre a Glória de DeusTexto: Quatro Razões para Buscar a Deus Apaixonadamentevoltemos ao.comEvangelho
  70. 70. A missão do Desiring God é que pessoas de todosos lugares entendam e abracem a verdade de que Deus émais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitosnele. Nossa estratégia principal para cumprir essa missão éatravés de um site maximamente útil que abrigue mais detrinta anos de pregações e ensinos de John Piper, incluindotraduções para mais de 40 idiomas. Tudo isto está dispo-nível gratuitamente, graças aos nossos generosos parcei-ros ministeriais. John Piper não recebe nenhum royaltydos livros que escreve e nenhum salário do Desiring God.Os fundos são todos reinvestidos em nossos esforços pelapropagação do evangelho. Se você gostaria de explorarmais a visão do Desiring God, nós o encorajamos a visitarwww.satisfacaoemdeus.org.2601 E. Franklin Ave., Minneapolis, Minnesota 55406888.346.4700 mail@desiringGod.org

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