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Sequência didática fábulas

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Sequência didática fábulas

  1. 1. SEQUÊNCIA DIDÁTICA: FÁBULA Elaborada por Vitor Lucas Maciel Oliveira CBC MATRIZ DE REFERÊNCIA I – PROCEDIMENTOS DE LEITURA D1 Identificar um tema ou o sentido global de um texto D5 Inferir o sentido de uma palavra ou expressão II – IMPLICAÇÕES NO SUPORTE, DO GÊNERO E/OU DO ENUNCIADOR NA COMPREENSÃO DO TEXTO D6 Identificar o gênero de um texto III – RELAÇÃO ENTRE TEXTOS D20 Reconhecer diferentes formas de abordar uma informação ao comparar textos que tratam do mesmo tema IV – COERÊNCIA E COESÃO NO PROCESSAMENTO DO TEXTO D11 Reconhecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc D12 Estabelecer a relação causa/conseqüência entre partes e elementos do texto D15 Estabelecer as relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para sua continuidade D19 Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que compõem a narrativa V – RELAÇÃO ENTRE RECURSOS EXPRESSIVOS E EFEITOS DE SENTIDO D21 Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso de pontuação e de outras notações Tópicos e Subtópicos de Conteúdo Habilidades e detalhamento das habilidades 1. Contexto de produção, circulação e recepção de textos 1.0. Considerar os contextos de produção, circulação e recepção de textos, na compreensão e na produção textual, produtiva e autonomamente. 3. Organização temática 3.0. Construir coerência temática na compreensão e na produção de textos, produtiva e autonomamente. 4. Seleção lexical e efeitos de sentido 4.0. Usar, produtiva e autonomamente, a seleção lexical como estratégia de produção de sentido e focalização temática, na compreensão e na produção de textos. 7. Intertextualidade e metalinguagem 7.0. Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, estratégias de intertextualidade e metalinguagem na compreensão e na produção de textos. 8. Textualização do discurso narrativo (ficcional) 8.0. Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, estratégias de textualização do discurso narrativo, na compreensão e na produção de textos. 11. Textualização do discurso expositivo 11.0. Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, estratégias de textualização do discurso expositivo, na compreensão e na produção de textos. 12. Textualização do discurso argumentativo 12.0. Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, estratégias de textualização do discurso argumentativo, na compreensão e na produção de textos. 24. A frase na norma padrão 24.0. Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, a frase padrão em contextos que a exijam.
  2. 2. OUTRAS HABILIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS 1 Reconhecer o gênero Fábula e a situação de comunicação social em que é praticado; 2 Identificar a estrutura da sequência narrativa (situação inicial, conflito, resolução) e a relacione com a moral da fábula; 3 Desenvolver habilidades de produção criando personagens típicos de fábulas, utilizando o recurso de personificação TEMPO ESTIMADO 12 aulas ANO 6° ano MATERIAL NECESSÁRIO 1 Cópias de fábulas em anexo; ou os livros originais; 2 Filme ―O cão e a raposa‖ – Walt Disney (sala de vídeo) 3 Laboratório de informática e/ou Biblioteca 4 Kraft e pinceis Conhecimentos prévios 1ª aula 1 – Comece o trabalho, perguntando aos alunos de quais fábulas se lembram. Faça um levantamento daquelas que foram citadas pelos alunos. 2 – Peça que os alunos recontem algumas das fábulas conhecidas por eles. 3 – Faça uma reflexão com os alunos sobre as características do gênero, a partir dos conhecimentos deles. É provável que muitos digam que é uma história de animais que falam e que tem uma moral. VOCÊ SABE DE ONDE VÊM AS FÁBULAS?  As fábulas não são textos que nasceram por acaso, sem nenhuma intenção, são criações muito antigas, contadas às pessoas para transmitir-lhes ensinamentos, orientando-as a como melhor pensarem e se comportarem na época e na sociedade em que viviam.  Há referências a elas em textos sumérios de 2000 a. c. e consta que eram conhecidas pelos hindus e muito apreciadas pelos gregos. É grego o primeiro fabulista de renome: Esopo, escravo que teria vivido em meados do século VI a. c.  Quem conta ou escreve uma fábula tem alguma intenção, seja de ensinar, aconselhar, convencer, divertir, seja de criticar e, às vezes, até fazer alguém desistir de um propósito ruim ou que não lhe era favorável.  As fábulas são narrativas curtas, se utilizam de animais como personagens, os quais assumem características humanas representando certas atitudes e comportamentos próprios dos homens, com o objetivo de passar uma de lição de vida.  O prestígio das fábulas nunca decaiu. No passado constituíam a literatura oral de muitos povos (eram transmitidas, a princípio, de boca a boca, de geração em geração; em locais públicos, como praças, festas populares ou salões de baile da época; só bem depois foram registradas por escrito).  No século XVII, escritores como La Fontaine, criaram novas fábulas ou recontaram antigas, em versos ou em pequenos contos em prosa.  Monteiro Lobato, nos anos trinta, reescreveu muitas fábulas por meio da turma do Sítio do pica- pau-amarelo. E, mais recentemente, inúmeros escritores se ocuparam da arte de atualizar essas histórias para deleite de todos. (In: Sete faces da fábula. Org. Márcia Kupstas,1. ed. São Paulo, Moderna, 1992).
  3. 3. Módulo I 2ª aula Situação inicial Organização: coletiva Recursos utilizados: cópias das fábulas (2 versões) e quadro ou Kraft Escolha uma das fábulas mais conhecidas da turma e selecione outra versão mais simples para comparação. Faça o cotejamento entre as duas versões, analisando as implicações que as diferentes escolhas do plano da expressão provocam no plano de conteúdo: dizer de outro jeito, às vezes é dizer outra coisa. Vamos exemplificar, comparando a fábula ―O rato do campo e o rato da cidade‖ de Esopo com a versão de Lobato ―O rato da cidade e o rato do campo‖. (texto integral no anexo). Atenção para as comparações que estão em destaque no quadro a seguir. O Rato do campo e o Rato da cidade Um dia um rato do campo convidou o rato que morava na cidade para ir visitá-lo. O rato da cidade foi, mas não gostou da comida simples que lhe foi oferecida. Chamou então o rato do campo para acompanhá-lo na volta à cidade, prometendo mostrar-lhe o que era uma "boa vida". E lá se foi o rato do campo para a cidade, onde ele lhe foi apresentada uma despensa repleta de iguarias como queijo, mel, cereais, figos e tâmaras. Resolveram começar a comer, mas, mal haviam iniciado, a porta da despensa se abriu e alguém entrou. Os dois ratinhos fugiram apavorados, e se esconderam no primeiro buraco apertado que encontraram. Quando acharam que o perigo tinha passado, e iam saindo do esconderijo, mais alguém entrou na despensa, e foi preciso fugir de novo. A essas alturas, o ratinho do campo já estava muito assustado e decidiu voltar para casa, onde podia comer em paz. Moral Mais vale uma vida modesta com paz e sossego que todo o luxo do mundo com perigos e preocupações. http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Rato_do_Campo_e_o_Rato_da_Cidade
  4. 4. http://books.google.com.br/books?id=tfhDjiHJ0mIC&pg=PP6&lpg=PP6&dq=%22O+rato+da+cidade+e+o+rato+do+campo%22+m onteiro+lobato&source=bl&ots=vd_ucUCFXz&sig=BcNhgoBw7hiXshYTS5-cX2vIL68&hl=pt-BR&sa=X&ei=- HMLT6vbOcetgwemtv38Cw#v=onepage&q&f=true Versão de Esopo Versão de Lobato 1 - ―O rato do campo e o rato da cidade‖ 1 - ―O rato da cidade e o rato do campo‖ A 1ª diferença está no título que sinaliza quem convida o outro para comer. 2 - A narrativa se inicia com o ratinho do campo convidando o da cidade para comer em sua casa. 2 - A narrativa começa com o ratinho da cidade convidando o da roça para o banquete. Esta escolha assemelha-se à própria história da humanidade: a vida no campo precedeu a vida na cidade. O narrador defende a vida no campo e critica a vida na cidade. 3 - No campo, os dois ratos comem cevada e trigo apenas. O rato da cidade considera que isso é comida de formiga. 3 - O rato do campo come grão de milho. A escolha alimentar é coerente com o contexto cultural. Cevada e trigo para um fabulista grego (Esopo). Milho para um brasileiro (Lobato).
  5. 5. 4 - Não há referência ao ambiente da casa, na versão de Esopo. 4 - Na cidade, o rato da roça admirou o luxo do amigo: mesa feita de tapete oriental, salão com quadros, estatuetas e grandes espelhos de moldura dourada. A descrição da casa do rato da cidade potencializa as diferenças entre as vidas dos dois compadres, como que espelhando as desigualdades sociais no país. 5 - Na cidade, o rato de casa mostrou as coisas boas que comia: legumes, trigo, figos, queijo, mel e frutas. 5 - A comida era: queijo do reino, presunto, pão- de-ló, mãe-benta. Novamente as diferenças alimentares estão afinadas com o contexto cultural. Legumes, trigo, figos, queijo, mel e frutas na Grécia. Queijo do reino, presunto, pão-de-ló e mãe-benta no Brasil. 6 - O rato do campo ficou admirado com a fartura de alimentos, elogiou bastante o outro e foi se maldizendo por não ter sorte igual. 6 - Não há esta referência na versão de Lobato. O foco da versão de Esopo é a admiração do rato do campo pela diferença de alimentação. Na versão brasileira, a admiração refere-se ao ambiente da casa do rato da cidade. 7 - Apesar da fartura, os dois ratos foram interrompidos, por duas vezes e não puderam comer muito menos saborear a comida. 7 - Começaram a comer, mas foram interrompidos por duas vezes. O rato da cidade, quando ouvia barulho, fugia e deixava o outro sozinho. Não chegaram nem a comer e foram interrompidos duas vezes. Começaram a comer, mas o ratinho da cidade mostrou-se um medroso e péssimo anfitrião, pois fugia a cada interrupção. 8 - O rato do campo despediu-se do outro, afirmando que ele come demais, mas com perigo e muito medo. O rato do campo admite ser pobre, mas vive sem medo e sem desconfiar de ninguém. 8 - O rato do campo acha que tudo é muito bom e bonito, mas não lhe serve. Diz ser melhor o sossego da sua toca, roendo grão de milho. As duas versões têm o mesmo desfecho: o rato do campo vai embora afirmando que sua vida é melhor, por ser mais sossegada. A diferença está na forma de apresentação do discurso direto: na versão de Esopo, ele vem com um verbo do dizer (―disse‖) e aspas; na de Lobato, há o uso do travessão. 9 - Há uma moral explícita e comentada, após a narrativa. 9 - Não há moral explícita. O ensinamento da moral diz respeito à vida simples e pacífica, em contraposição à vida rica, mas com medo. Tia Nastácia viveu uma situação semelhante à do rato do campo, quando em ―Viagem ao Céu‖, ficou na lua cozinhando para São Jorge. Os rugidos do dragão do santo assustavam-na, por isto não via a hora de voltar para seu sossego, no sítio. Seu comentário após a fábula faz às vezes da moral. 1 – Proponha à turma que escolha uma fábula e desenvolva mais uma comparação à maneira realizada com ―O rato do campo e o rato da cidade‖. O objetivo desta atividade é oferecer ferramentas para que os alunos possam apreciar textos bem escritos e, aos poucos, irem se apropriando das características da linguagem que se usa para escrever. 2 – Organize a turma em grupos e peça para cada um escolher uma fábula que está em anexo e pesquisar na internet ou na biblioteca, outra versão da fábula escolhida. Em caso de mais de um grupo escolher a mesma fábula, promova um sorteio. É importante que as fábulas sejam diferentes para permitir maior riqueza do trabalho. 3 – Agende uma data para a apresentação das comparações.
  6. 6. 4 – Finalizadas as apresentações, retome as características do gênero fábula. Certamente os alunos terão muito mais a dizer sobre ele. Módulo II 4ª e 5ª aulas Filme o Cão e a Raposa – Walt Disney Os alunos deverão assistir ao filme da Walt Disney e depois comentar a estrutura da sequência narrativa, situação inicial, conflito, resolução. Módulo III 6ª aula Vamos criar? Após a exibição do filme e os comentários realizados sobre sua estrutura, crie uma moral para história. Módulo IV 7ª aula Primeira produção VOCÊ SABIA? Na época de Esopo (séc. VI a.C) as fábulas eram transmitidas oralmente. Somente com La Fontaine é que foram escritas e perpetuadas. Todas as fábulas foram (e ainda são) usadas para transmitir ensinamentos e valores morais, criticando com sutileza e perspicácia, comportamentos humanos inaceitáveis. As histórias vêm circulando por muitos lugares em diferentes partes do mundo e conquistando leitores de todas as idades. Propor aos alunos que escrevam uma fábula baseada em todos os conhecimentos adquiridos sobre este gênero textual e depois formar um livro com as fábulas criadas por toda a turma? Assim, outras pessoas poderão conhecer as suas histórias. Após a produção, os alunos devolverão os textos ao professor para que este faça as observações necessárias quanto à estrutura e a regra da escrita. Módulo V 8ª aula Correção O processo de correção do texto poderá ser feito em dupla. Eles deverão trocar o texto e cada um corrigir o do colega. Poderá ser utilizada uma ficha de avaliação para que o aluno possa perceber seus erros antes de entregar a produção ao professor (segue abaixo sugestão da ficha) e passar seu texto a limpo, prática que deverá ser habitual. Sugestão da ficha de avaliação:  O meu colega escreveu uma fábula com suas características?  A história contém título, situação inicial, complicação e situação final?  As idéias estão bem organizadas nos parágrafos?  O meu colega usou adequadamente o discurso direto e indireto?  A moral está adequada à história?  As palavras foram escritas de maneira correta?  E o sentido das palavras usadas? Está adequado com o objetivo da história?
  7. 7. Módulo VI 9ª aula Reescrita Depois de fazer a avaliação da produção textual, o texto deverá ser devolvido ao autor para passar o texto a limpo, fazer uma ilustração da fábula. Módulo VII 10ª aula LENDO E COMPARANDO Como vimos nos módulos anteriores, as fábulas são textos muito antigos que foram sendo contados de boca a boca, reescritas e lidas por muita gente. Seus temas também sobrevivem ao tempo, porque tratam indiretamente de problemas humanos da vida comum, que se repetem de geração em geração. Veremos, agora, que uma mesma fábula pode apresentar diferentes versões, adaptadas de acordo com os ouvintes/leitores, a época em que são escritas e a intenção que se quer com ela. Textos 1, 2 e 3 (em anexo) 1 – Comparando os três textos lidos, marque X na(s) alternativa(s) abaixo que melhor os definam. ( ) Tratam do mesmo conteúdo, ou seja, a história narrada é a mesma; ( ) Há mudanças com relação à atitude das personagens; ( ) A forma de organização de cada texto é diferente, embora tenham o mesmo tema. 2 – Com qual intenção os autores narraram as três versões lidas? Assinale: ( ) Fazer com que as pessoas achassem um desperdício cantar e dançar; ( ) Levar as pessoas a se preocuparem com o trabalho, o sustento próprio, para não se verem em apuros mais tarde; ( ) Promover a solidariedade entre os animais. 3 – As principais modificações observadas nos três textos se devem: ( ) À necessidade de adequar-se a linguagem ao público para o qual era e ainda é narrada a fábula; ( ) Ao fato de um autor achar mal escrito o texto do outro; ( ) Às diferentes épocas em que foram escritos, representando a maneira de falar própria de um momento da História. 4 – Observamos que as diferenças apontadas nas três versões se referem basicamente quanto à extensão do texto e quanto à escolha das palavras empregadas. Portanto, responda: A – Em qual dos textos o fabulista optou por uma forma mais simples e resumida de escrever, mantendo o sentido original da fábula? Com que propósito? ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ B – Em qual versão a linguagem empregada se distancia mais do jeito de falar atual? Dê exemplos de palavras e descubra um sinônimo para elas. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________
  8. 8. Módulo VIII 11ª aula TRABALHANDO A CONSTRUÇÃO LINGUÍSTICA DA FÁBULA LEITURA DO TEXTO 4 1 – A raposa, não conseguindo pegar os cachos de uva suspensos em uma parreira, afastou-se dizendo que estavam verdes. Estariam mesmo verdes as uvas? Explique a fala da raposa. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ 2 – Você diria que a raposa foi persistente nesse texto? Justifique. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ 3 – Qual seria sua atitude se quisesse muito algo e não conseguisse obtê-lo? ( ) simplesmente desistiria; ( ) acharia um culpado para se ver livre da responsabilidade do fracasso; ( ) tentaria de outras formas conseguir o desejado. 4 – Como toda fábula, esta apresenta também uma lição de moral, uma reflexão sobre o comportamento humano. Qual é? Copie-a. Você acha que algumas pessoas realmente agem assim? Qual sua opinião sobre esse tipo de reação? ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ Uma das características fundamentais encontradas nas fábulas de Esopo é a BREVIDADE, ou seja, são textos curtos, que narram com precisão as ações ocorridas com as personagens, sem que isso, é claro, prejudique a história contada. O jeito de construir a textualidade própria da fábula contribui para torná-la concisa. Esse recurso é valioso na produção de nossos próprios textos, pois permite aos leitores entendê-los com mais clareza. _ Evitam-se frases separadas por ponto, procura-se reuni-las em um único período; _ Evita-se a repetição de palavras iguais, usando pronomes, sinônimos, recursos de pontuação e omissão de palavras. 5 – Leia os textos, observando como os fatos da fábula foram narrados: TEXTO A TEXTO B Um homem montou uma armadilha. O homem desejava caçar um animal bem grande. Foi quando apareceu um pequenino pato. O pato, vendo o que o homem fazia, pensou: ―Vou pregar uma peça nesse caçador!‖. Disfarçadamente, o pato acionou a armadilha, deixando preso na armadilha o pé do atrapalhado caçador. Moral da história: Um dia é da caça, o outro do caçador. Um homem montou uma armadilha, desejando caçar um animal bem grande. Foi quando apareceu um pequenino pato que, vendo o que ocorria, pensou: ―Vou pregar uma peça nesse caçador!‖. Disfarçadamente, a ave acionou a armadilha, deixando preso o pé do atrapalhado caçador. Moral da história: Um dia é da caça, o outro é do caçador.
  9. 9. 6 – Após a observação bem atenta dos textos A e B, responda: 6.1. Os dois textos contam o mesmo fato ou não? Qual ou quais diferenças podem ser observadas? ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ 6.2. Qual dos dois textos está mais claro, mais conciso, melhor elaborado? Justifique. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ 6.3. O texto a seguir possui problemas semelhantes ao texto A analisado. Há palavras repetidas desnecessariamente e frases separadas por ponto sem junção de informações afins. Leia-o com calma, observe os termos sublinhados, reescrevendo-o de acordo com as características de um texto claro e conciso estudadas: Numa floresta moravam dois leões. Os dois leões disputavam o trono. Um leão era forte, o outro leão era fraco. O leão forte queria mandar mais, o leão forte se achava o melhor, o mais bonito, o mais assustador. Foi quando, num belo dia, domadores invadiram a floresta e os domadores capturaram, justamente, o leão que mais belo e forte se achava. Moral da história: Quem tudo quer tudo perde. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ 7 – Uma das qualidades que fazem de um texto um BOM TEXTO, como vimos, é a não repetição de palavras. Para tanto, uma das formas de se conseguir isso é substituir os nomes que se repetem por PRONOMES. Confira: a) A raposa viu as uvas, a raposa se pôs a dar pulos para alcançar as uvas. b) A raposa viu as uvas, ela se pôs a dar pulos para alcançá-las. Reescreva as frases abaixo evitando a repetição de nomes, empregando pronomes:  As uvas estão verdes, prefiro não comer uvas verdes. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________  Esopo escreveu muitas fábulas, as fábulas deixaram Esopo famoso. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________  A formiga estocava grãos para seu sustento, os grãos matariam a fome da formiga no inverno. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________
  10. 10. 8 – Releia o trecho seguinte: Uma raposa faminta, ao ver cachos de uva suspensos em uma parreira, quis pegá-los, mas não conseguiu. 8.1 – A palavra sublinhada foi empregada no texto para evitar a repetição de um nome. Qual?_______________________________________________________ 9 – Além de evitarmos as repetições de palavras, um texto também requer cuidados com relação à CONCORDÂNCIA. As palavras nas frases devem estar combinadas harmoniosamente. Observe:  Viu uma parreira carregada com uvas maduras, deliciosas.  Viu um pessegueiro carregado com pêssegos maduros, deliciosos. Como você pode ver, o adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. 9.1 – Reescreva a fábula A raposa e o cacho de uvas de Esopo, substituindo as palavras indicadas e fazendo as alterações necessárias. a) substitua raposa por animal; b) substitua cachos de uva por um cacho de uva. Um ____________, ao ver _______________em uma parreira, quis pegá-___, mas não conseguiu. Então afastou-se dela, dizendo: “________ __________!” O escritor Monteiro Lobato também redigiu versões para fábulas. Vamos conhecer sua versão para o texto A raposa e o cacho de uvas de Esopo. Texto 5 (em anexo) 10 – Não conseguindo apanhar as uvas que tanto queria, a raposa diz estarem verdes e que só serviriam para cachorros. Por que ela cita cães e não qualquer outro animal? ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ 11 – Se a raposa desdenhou das uvas dizendo não querê-las mais, por que se volta rapidamente ao ouvir um barulho de algo caindo com o vento? ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ 12 – Releia as duas versões da fábula (a de Esopo e a de Monteiro Lobato), procurando observar que, embora ambas apresentem as mesmas idéias, a segunda é mais detalhada. Compare, nas duas versões, como são apresentados: a) A personagem;__________________________________________________________________ b) O local;________________________________________________________________________ c) As ações da personagem;_________________________________________________________ d) A reação da raposa, quando percebe que as uvas estão altas;_____________________________ e) A reação da raposa, quando cai algo da árvore;________________________________________ f) A moral;_______________________________________________________________________ g) A fala da raposa.________________________________________________________________
  11. 11. 13 – Assinale X nas principais mudanças encontradas nas fábulas de Esopo e de Monteiro Lobato: ( ) Esopo escreve de forma mais resumida, já Lobato procura ampliar um pouco mais as ideias da fábula; ( ) O jeito de escrever de Lobato facilita compreender melhor a fábula, pois seu texto dá mais detalhes sobre a história contada; ( ) Houve uma mudança de texto narrativo para texto poético; ( ) Aparecem mais adjetivos na versão de Lobato que descrevem a personagem e enriquecem o enredo; ( ) Embora haja mudanças no jeito de contar de cada autor, os fatos narrados continuam os mesmos. 14 – Quando Dona Benta, personagem de Monteiro Lobato, contou essa fábula a seus netos, Emília comentou: ―Que coisa certa, vovó! Outro dia vi essa fábula em carne e osso. A filha do Elias Turco estava sentada à porta da venda. Eu passei com meu vestidinho novo de pintas cor-de-rosa e ela fez um muxoxo: ‗Não gosto de chita cor-de-rosa.‘ Uma semana depois, eu a encontrei toda importante num vestido cor-de-rosa, igualzinho ao meu, namorando o filho do Quindó...‖. (Monteiro Lobato. Fábulas. São Paulo, Brasiliense, v.3. p. 452.) E você, já presenciou ou saberia dar outro exemplo de alguma situação semelhante à analisada na fábula? Conte-a para seus colegas, dando seu ponto de vista. Módulo IX 12ª aula AVALIAÇÃO FINAL O professor deverá recolher as produções textuais quando os alunos finalizarem o Módulo VI para que seja feita a correção final para a montagem do livro de Fábulas. Segue a sugestão de ficha de avaliação quanto à estrutura textual. Vale lembrar também que os aspectos ortográficos e semânticos deverão ser levados em conta. Sugestão da ficha de avaliação:  Escreveu uma fábula com suas características?  A história contém título, situação inicial, complicação e situação final?  As idéias estão bem organizadas nos parágrafos?  Usou adequadamente o discurso direto e indireto?  A moral está adequada à história?  As palavras foram escritas de maneira correta?  E o sentido das palavras usadas? Está adequado com o objetivo da história? Depois de fazer a avaliação o professor deverá entregar a redação ao aluno passar o texto a limpo. ATENÇÃO PROFESSOR! Sistematização do ensino de Pronomes
  12. 12. ANEXO 1 FÁBULAS QUE PERTENCEM À SEQUÊNCIA TEXTO 1 A cigarra e a formiga (ESOPO) No inverno, as formigas estavam fazendo secar o grão molhado, quando uma cigarra, faminta, lhes pediu algo para comer. As formigas lhe disseram: ―Por que, no verão, não reservaste também o teu alimento?‖. A cigarra respondeu: ―Não tinha tempo, pois cantava melodiosamente‖. E as formigas, rindo, disseram: ―Pois bem, se cantavas no verão, dança agora no inverno‖. Moral A fábula mostra que não se deve negligenciar em nenhum trabalho, para evitar tristezas e perigos. Esopo: fábulas completas. Tradução de Neide Smolka. São Paulo, Moderna, 1994. TEXTO 2 A cigarra e a formiga (versão de LA FONTAINE) Depois de haver cantado durante todo o verão, quando se aproximava o inverno a cigarra se encontrou em extrema penúria, por falta de provisões. Como nada lhe restasse, nem um pequeno verme ou algum resto de mosca, e estando faminta, foi à procura da amiga, sua vizinha. Pediu-lhe que lhe emprestasse alguns grãos, a fim de manter-se até que voltasse o estio. __Eu lhe prometo, minha amiga __ disse a cigarra__ sob palavra, a pagar-lhe tudo, com juros, antes do mês de agosto. A formiga, que nunca empresta nada a ninguém e, por isso, consegue amealhar, perguntou à suplicante: __Que fazias durante o verão? __Passava cantando os dias e as noites __ respondeu a cigarra. __Pois muito bem __ concluiu a formiga. Cantava? Pois dance agora! LA FONTAINE, Jean de. Fábulas de La Fontaine. Rio de Janeiro: Matos Peixoto, 1965. TEXTO 3 A cigarra e a formiga (versão adaptada por Ruth Rocha) A cigarra passou todo o verão cantando, enquanto a formiga juntava grãos. Quando chegou o inverno, a cigarra veio à casa da formiga para pedir que lhe desse o que comer. A formiga então perguntou a ela: __E o que é que você fez durante todo o verão? __Durante o verão eu cantei __ disse a cigarra. E a formiga respondeu: __Muito bem, pois agora dance! ROCHA, Ruth (Adap.). Fábulas de Esopo. São Paulo: Melhoramentos, 1986.
  13. 13. TEXTO 4 A raposa e o cacho de uvas Uma raposa faminta, ao ver cachos de uva suspensos em uma parreira, quis pegá-los, mas não conseguiu. Então, afastou-se dela, dizendo: ―Estão verdes‖. Moral Assim também, alguns homens, não conseguindo realizar seus negócios por incapacidade, acusam as circunstâncias. Esopo: fábulas completas. Tradução de Neide smolka. São Paulo, Moderna, 1994. TEXTO 5 A raposa e as uvas Certa raposa esfaimada encontrou uma parreira carregadinha de lindos cachos maduros, coisas de fazer vir água na boca. Mas tão altos, que nem pulando. O matreiro bicho torceu o focinho: — Estão verdes - murmurou. — Uvas verdes, só para cachorros. E foi-se. Nisto, deu um vento e uma folha caiu. A raposa, ouvindo o barulhinho, voltou depressa, e pôs-se a farejar. Moral Quem desdenha quer comprar. Monteiro Lobato. Fábulas. São Paulo, Brasiliense, 1991.
  14. 14. ANEXO 2 FÁBULAS DE APOIO O lobo e a cabra Um lobo viu uma cabra pastando em cima de um rochedo escarpado e, como não tinha condições de subir até lá, resolveu convencer a cabra a vir mais para baixo. – Minha senhora, que perigo! – disse ele numa voz amistosa. – Não seja imprudente, desça daí! Aqui embaixo está cheio de comida, uma comida muito mais gostosa. Mas a cabra conhecia os truques do esperto lobo. – Para o senhor, tanto faz se a relva que eu como é boa ou ruim! O que o senhor quer é me comer! Moral: Cuidado quando um inimigo dá um conselho amigo. A Tartaruga e a Águia A tartaruga passava o tempo a lamentar-se por ser lenta e desajeitada. Como gostava de fazer comparações, adorava a beleza e a ligeireza com que se moviam as aves. Não se conformava com a sua sorte e chegava a ficar muito triste. - Que chatice ter que me arrastar pelo solo, passo a passo e com esforço! Ah! Se eu pudesse voar, nem que fosse apenas uma vez! dizia ele repetidamente, dia após dia. Finalmente, num dia de outono, conseguiu convencer a águia a levá-la para um passeio pelas alturas. Suavemente e com grande majestade, a águia e a tartaruga elevaram-se no céu, naquela tarde. O animalzinho transbordava de felicidade, ao ver lá embaixo, tão longe, a terra e seus habitantes. - Ah, que maravilha! Como estou feliz! Que inveja não devem sentir as outras tartarugas vendo-me voar tão alto! Realmente, sou uma tartaruga única! exclamava ela, com a voz tremida pela emoção. Mas tanto se cansou a águia de ouvir seus vaidosos argumentos, que decidiu soltá-la. A orgulhosa tartaruga caiu como uma pedra, desde milhares de metros de altura, desfazendo-se em cacos ao chegar no chão. Algumas tartarugas que viram que viram sua vizinha cair, exclamaram cheias de pena:
  15. 15. - Pobrezinha! Estava tão segura aqui em baixo, na terra, e teve que procurar as alturas para perder-se. Moral: Dura lição para quem se empenha em ir contra sua própria natureza. Não é melhor cada um conformar-se com aquilo que é? O galo e a raposa O galo cacarejava em cima de uma árvore. Vendo-o ali, a raposa tratou de bolar uma estratégia para que ele descesse e fosse o prato principal de seu almoço. -Você já ficou sabendo da grande novidade, galo? – perguntou a raposa. -Não. Que novidade é essa? -Acaba de ser assinada uma proclamação de paz entre todos os bichos da terra, da água e do ar. De hoje em diante, ninguém persegue mais ninguém. No reino animal haverá apenas paz, harmonia e amor. -Isso parece inacreditável! – comentou o galo. -Vamos, desça da árvore que eu lhe darei mais detalhes sobre o assunto – disse a raposa. O galo, que de bobo não tinha nada, desconfiou que tudo não passava de um estratagema da raposa. Então, fingiu estar vendo alguém se aproximando. -Quem vem lá? Quem vem lá? – perguntou a raposa curiosa. -Uma matilha de cães de caça – respondeu o galo. -Bem...nesse caso é melhor eu me apressar – desculpou-se a raposa. -O que é isso, raposa? Você está com medo? Se a tal proclamação está mesmo em vigor, não há nada a temer. Os cães de caça não vão atacá-la como costumava fazer. -Talvez eles ainda não saibam da proclamação. Adeusinho! E lá se foi a raposa, com toda a pressa, em busca de uma outra presa para o seu almoço. Moral: é preciso ter cuidado com amizades repentinas.
  16. 16. Os viajantes e o urso Um dia dois viajantes deram de cara com um urso. O primeiro se salvou escalando uma árvore, mas o outro, sabendo que não ia conseguir vencer sozinho o urso, se jogou no chão e fingiu-se de morto. O urso se aproximou dele e começou a cheirar as orelhas do homem, mas, convencido de que estava morto, foi embora. O amigo começou a descer da árvore e perguntou: -O que o urso estava cochichando em seu ouvido? -Ora, ele só me disse para pensar duas vezes antes de sair por aí viajando com gente que abandona os amigos na hora do perigo. Moral: a desgraça põe à prova a sinceridade da amizade. A reunião geral dos ratos Uma vez os ratos, que viviam com medo de um gato, resolveram fazer uma reunião para encontrar um jeito de acabar com aquele eterno transtorno. Muitos planos foram discutidos e abandonados. No fim um rato jovem levantou-se e deu a idéia de pendurar uma sineta no pescoço do gato; assim, sempre que o gato chegasse perto eles ouviriam a sineta e poderiam fugir correndo. Todo mundo bateu palmas: o problema estava resolvido. Vendo aquilo, um rato velho que tinha ficado o tempo todo calado levantou-se de seu canto. O rato falou que o plano era muito inteligente, que com toda certeza as preocupações deles tinham chegado ao fim. Só faltava uma coisa: quem ia pendurar a sineta no pescoço do gato? Moral: Inventar é uma coisa, fazer é outra.
  17. 17. A lebre e a tartaruga A lebre vivia a se gabar de que era o mais veloz de todos os animais. Até o dia em que encontrou a tartaruga. – Eu tenho certeza de que, se apostarmos uma corrida, serei a vencedora – desafiou a tartaruga. A lebre caiu na gargalhada. – Uma corrida? Eu e você? Essa é boa! – Por acaso você está com medo de perder? – perguntou a tartaruga. – É mais fácil um leão cacarejar do que eu perder uma corrida para você – respondeu a lebre. No dia seguinte a raposa foi escolhida para ser a juíza da prova. Bastou dar o sinal da largada para a lebre disparar na frente a toda velocidade. A tartaruga não se abalou e continuou na disputa. A lebre estava tão certa da vitória que resolveu tirar uma soneca. "Se aquela molenga passar na minha frente, é só correr um pouco que eu a ultrapasso" – pensou. A lebre dormiu tanto que não percebeu quando a tartaruga, em sua marcha vagarosa e constante, passou. Quando acordou, continuou a correr com ares de vencedora. Mas, para sua surpresa, a tartaruga, que não descansara um só minuto, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. Desse dia em diante, a lebre tornou-se o alvo das chacotas da floresta. Quando dizia que era o animal mais veloz, todos lembravam-na de uma certa tartaruga... Moral: Quem segue devagar e com constância sempre chega na frente. Bom trabalho! Referência Bibliográfica BISOGNIN, T. R. Descoberta & construção: português. São Paulo: FTD, 1991. CASTRO, M. C. Português: idéias & linguagens. São Paulo: Saraiva,1997. LA FONTAINE. Fábulas de La Fontaine. Tradução Bocage. Rio de Janeiro: Brasil- América, 1985. MONTEIRO, Lobato. Fábulas. São Paulo, Brasiliense, 1991.

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