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o desenvolvimento

  1. 1. 1. OS CONTRASTES NO DESENVOLVIMENTO DO MUNDOO crescimento económico é algo que deve ser entendido como um processo mundial, em que as relações de interdependência entreos países são cada vez maiores, pelo que as economias dos Estados estão cada vez mais dependentes umas das outras.Este processo está, no entanto, condicionado por vários factores como o crescimento demográfico, o dinamismo das relações comerciais e os avanços científicos etecnológicos. No entanto, o facto de estes factores variarem muito, pode dar origem a fortes assimetrias (desigualdades) no crescimento económico dos vários países.É possível estabelecer dois grandes grupos de países separados pelo grau de crescimento económico:• Por um lado, os países desenvolvidos, que registam elevadoscrescimentos económicos.• Por outro, os subdesenvolvidos, que continuam a revelar fracos ou nulos índices de crescimento económico.1.1 Crescimento e desenvolvimentoO crescimento económico é muito importante para os países, pois a ele está geralmente associado um aumento da riqueza eco-nómica do país e, por isso, a uma melhoria generalizada do nível de vida da população.Este processo pode, no entanto, não ser assim tão simples, pois em alguns casos o crescimento económico não conduz a um melhornível de vida dos cidadãos, uma vez que a riqueza não é utilizada em proveito da população, mas apenas em benefício de alguns. Porexemplo, os países árabes produtores de petróleo incluem-se, neste grupo de países, que conhecendo algum crescimento não o utilizam na melhoria das condições devida da população, mas antes no enriquecimento das classes dirigentes.Quando o crescimento económico sereflecte no nível de vida das populações,ultrapassando a sua vertente meramenteeconómica, que se traduz exclusivamenteem melhores salários, e se alarga à esferasocial e cultural, melhorando os níveis deeducação e formação profissional,garantindo cuidados de saúde essenciais eelevando os padrões de habitação, então pode considerar-se que o crescimento é pleno,podendo ser entendido como um processo de desenvolvimento.Os países mais industrializados, após apresentarem crescimentos económicos francamente positivos, mercê das elevadas produti-vidades registadas ao nível dos seus sectores produtivos, do avanço científico e tecnológico, das exportações, entre outros factores,iniciaram processos de desenvolvimento que se reflectiram numa melhoria das condições de vida das suas populações. Estascondições de vida traduziram-se em elevados padrões de educação, habitação, saúde, segurança social e outras vertentes sociais, taiscomo o lazer e a cultura, que assumem, nestas sociedades, uma grande importância.No entanto, este processo apresenta ainda alguns problemas, como a crise de emprego, a insegurança e os problemas ambientais.Para aferir o nível de desenvolvimento dos países foi criado um indicador - o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) -,que resulta da combinação de três outros, a esperança média de vida, o produto interno bruto e a taxa de alfabetização, eque de uma forma integrada permite caracterizar o nível de desenvolvimento dos países.Este índice varia entre 0 e 1, considerando-se elevado quando é maior ou igual a 0,8, médio quando varia entre 0,79 e 0,5 ereduzido quando é inferior a 0,5.Desenvolvimento - Estado evoluído de uma determinada sociedade e economia que temvárias vertentes: crescimento económico, bem-estar, alterações socioculturais e modernizaçãotecnológica.Crescimento económico -É o aumento dos níveis de produção eacumulação de riqueza por um país,avaliados através do rendimento percapitae outros indicadores exclusivamenteeconómicos; nada tem a ver com avertente social.É um factor imprescindível para quehaja desenvolvimento.A riqueza das nações segundo o Banco MundialO povo luxemburguês era o mais rico do mundono fim de 1994, enquanto os Moçambicanoseram os mais pobres, de acordo com umapublicação do Banco Mundial. No Luxemburgo,o PNB (Produto Nacional Bruto) per capitaascendia a 39 850 dólares, ao passo que emMoçambique era apenas de 80 dólares. AEtiópia, com um PNB de 130 dólares, e oMalawi, com 140 dólares, eram os países maispobres depois de Moçambique.Entre os mais ricos encontram-se onze paíseseuropeus, três asiáticos e dois da América doNorte.in "Público" (Adaptado)Produto Interno Bruto (PIB) -É o valor total de bens produzidos pelaeconomia de um país, num determinadoperíodo.Produto Nacional Bruto (PNB) - É oPIB acrescido dos rendimentos,recebidos por residentes feitos fora dopaís, ao que se subtraiem osrendimentos de estrangeiros.
  2. 2. 1.2 As causas do subdesenvolvimento0 subdesenvolvimento constitui um grave problema para muitos países do mundo. De um modo geral estes países localizam-se nohemisfério sul e eram antigas colónias dos países industrializados.O subdesenvolvimento é um tema complexo, sendo várias as suas causas, das quais se destacam:• A explosão demográfica• A instabilidade social característica destas sociedades e golpes de Estado ou conflitos internos.Esta situação implica um grande investimento em armamento e material de guerra, bem como a existência de grandes exércitos,desviando assim verbas e recursos humanos que poderiam ser gastos em infra-estruturas e na melhoria das condições de vida dapopulação.• A agricultura tradicional, cujas produções se mostram insuficientes face à população crescente.• O baixo nível de escolaridade e, por consequência, a fraca formação profissional, inviabilizam totalmente o investimentoestrangeiro em sectores mais dinâmicos para a economia, como, por exemplo, a indústria e os serviços.• A debilidade das infra-estruturas económicas (rede viária, aeroportos, rede ferroviária, etc.) condiciona igualmente oinvestimento por parte dos empresários estrangeiros.• A crescente dívida externa, resultante de sucessivos empréstimos, impossibilita, pelo pagamento dos juros muito altos, qualquertentativa de investimento por parte dos governos, e asfixia totalmente as economias destes países.• As sucessivas catástrofes naturais.2. A RELAÇÃO POPULAÇÃO-RECURSOSA relação entre os recursos de um país e o crescimento demográfico determina o seu processo de desenvolvimento. Este processorevela-se, no entanto, diferente entre os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos.• Os países subdesenvolvidos confrontam-se com o sucessivo aumento da sua população, o que condiciona o seu desen-volvimento.Esta tendência demográfica, que se traduz num elevado crescimento natural, não é acompanhada pelo aumento dos recursosalimentares originando fome e subnutrição.• Pelo contrário, nos países desenvolvidos, a quebra registada no crescimento populacional, resultante de uma diminuição dataxa de natalidade, contrasta com o aumento dos recursos disponíveis.Estes crescimentos, bem distintos, agravam as desigualdades entre os países, opondo situações de fome e carência alimentar, nospaíses subdesenvolvidos, a excessos alimentares (sobrenutrição) e consumismo exagerado, nos países desenvolvidos.3. 0 BEM-ESTAR E A QUALIDADE DE VIDAAs expectativas de qualidade de vida e o desenvolvimento dos paísesA qualidade de vida constitui um conceito complexo e de variável definição. Uma das razões para este facto, decorre dasexpectativas serem diferentes consoante o grau de desenvolvimento e o nível social das populações.É assim admissível que, se questionarmos alguém de um país subdesenvolvido sobre o que representa este conceito, se obtenha porresposta a alimentação suficiente ou a água canalizada.Não encontraríamos este tipo de preocupações numa sociedade em desenvolvimento, onde estes problemas se encontram resolvidos,pelo que os anseios se colocariam ao nível da educação, da saúde e assistência social ou, no emprego, não esquecendo a vertente dolazer que se assume como uma aspiração por parte das populações.Com o pleno desenvolvimento e a satisfação das necessidades básicas o conceito passa a incluir preocupações que serelacionam mais com a qualidade ambiental, as condições de segurança e o acesso à cultura.O nível de vida, o bem-estar e a qualidade de vida são conceitos que variam consoante as características culturais dasociedade e a região onde a mesma se encontra.• O nível de vida é um conceito que relaciona os rendimentos com o poder de compra das pessoas.• O bem-estar prende-se essencialmente com o nível da realização pessoal e passa pela segurança, auto-realização,integração social e reconhecimento social.4. AS DIMENSÕES DA QUALIDADE DE VIDAExiste uma estreita relação entre o desenvolvimento de um país e a qualidade de vida da sua população. É a análise dos diferentesindicadores, chamados indicadores de qualidade de vida, que nos permite qualificar e quantificar os diferentes níveis de desen-volvimento de uma região ou país, nas suas diferentes dimensões.
  3. 3. 4.1 A dimensão socioeconómicaNas sociedades desenvolvidas, os habitantes gozam de boa qualidade de vida e as necessidades e aspirações de carácter socio-económico estão totalmente asseguradas.Países desenvolvidosOs países desenvolvidos da Europa Ocidental, os Estados Unidos, o Canadá, o Japão, a Austrália e a Nova Zelândia encon-tram-se entre os Estados que têm, em geral, as suas aspirações de cariz socioeconómico alcançadas. Nestes países:• As pessoas usufruem de rendimentos per capita elevados, facto que lhes possibilita um elevado nível de vida e ainda acriação de poupanças, alicerçados em padrões de consumo bastante altos, pelo que o automóvel particular, o telefone e o uso dediversos electrodomésticos são bens comuns.• As populações têm os seus problemas de alfabetização e habitação resolvidos. Têm de um modo geral, uma casa condigna,servida por rede de abastecimento de água, esgotos e electricidade.*Verificam-se ainda alguns casos de bairros degradados na periferia de algumas cidades, habitados geralmente por imigrantes,com dificuldades de integração, o que leva a situações de racismo e por vezes a alguma violência.*As populações têm ainda os problemas relacionados com o sector da saúde, educação e segurança social quase resolvidos, umavez que através do chamado "Estado-providência" lhes é assegurado esse direito. 0 processo de envelhecimento da populaçãodestes países, tem no entanto provocado uma redução nos benefícios sociais.«Países subdesenvolvidosOs países subdesenvolvidos de África, Ásia e América Latina apresentam grandes contrastes com os países desenvolvidos, noque se refere a esta dimensão socioeconómica, uma vez que a maioria das suas populações vive em condições de misériageneralizada, com rendimentos muito baixos, transformando os bens de consumo em artigos de luxo acessíveis apenas àselites locais.Ao nível da habitação estas são precárias (nomeadamente, sem água canalizada, esgotos e electricidade).Os serviços de saúde e assistência social às crianças e idosos são quase inexistentes.Ao nível da educação e formação profissional, as estruturas são deficientes.Actualmente, assiste-se à criação de um terceiro grupo de países que, mercê de um crescimento económico, têm vindo a aproximar-se dos mais desenvolvidos. São exemplos os países do Sudeste Asiático, o Brasil, a Argentina e o Chile, em todos os aspectossocioeconómicos, e ainda os países produtores de petróleo, no que se refere às condições de saúde e educação.4.2 A dimensão da cultura e do lazerNas sociedades modernas, as questões de carácter cultural assumem cada vez mais importância para as populações.A preservação do património arquitectónico, a criação de museus e bibliotecas, a promoção da leitura ou implementação e apoio àsactividades artísticas são hoje um imperativo sem o qual a sociedade não se pode considerar plenamente desenvolvida.Os países subdesenvolvidos têm, no entanto, dificuldade em colocar esta dimensão como sua prioridade, uma vez que outrosproblemas mais urgentes se lhes colocam, como é o caso das carências alimentares, de habitação e a falta de infra-estruturas deeducação e saúde.O direito ao lazer e ao ócio constitui igualmente uma aspiração cada vez mais generalizada nos países desenvolvidos. Assim, é cadavez mais frequente o usufruto de férias e a opção pelo turismo no decurso das mesmas.4.3 A dimensão ambientalAs questões do ambiente são hoje, nas sociedades mais avançadas, uma vertente imprescindível na qualidade de vida dos cidadãos.Deste modo, assistimos à tomada de medidas visando a preservação e conservação da Natureza, bem como a penalização daquelesque não respeitam tais decisões.A implementação de políticas ambientais e o desenvolvimento de acções de educação ambiental junto da comunidade são umarealidade a que nenhum Estado dito desenvolvido escapa, quer por opção dos governantes, quer pela força que estas questõesganharam junto da opinião pública.Em contraste, assiste-se a um certo distanciamento destas questões por parte dos povos e governantes dos países não-industrializados, facto a que não são alheias a falta de formação nestas áreas e ainda a opção, muitas vezes forçada, na promoção docrescimento económico à custa das condições ambientais (caso da destruição de florestas, das explorações mineiras oumonoculturas intensivas de produtos agrícolas). Estas razões, associadas à falta de estruturas de controlo e a algum desleixo dos
  4. 4. países industrializados que ali usam de procedimentos inversos aos utilizados nos seus países, estão na base das grandes agressõesao ambiente que se registam nestas regiões da Terra.

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