Livro nutrientes e-terapeutica

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Livro nutrientes e-terapeutica

  1. 1. Nutrientes eTerapêutica como usá-los quando usá-los como avaliar suas carências radicais livres na saúde 2ª Edição REVISADA E AMPLIADAJosé Gilberto Perez de Moura
  2. 2. Direitos desta edição reservados ao autor. casamoura@terra.com.br Revisão Científica Dra. Margot Fetter Costa Capa: Fernando Giusti Impressão e acabamento Visão Artes GráficasAbril, 2009.VISÃO ARTES GRÁFICASAv. Pres. Juscelino Kubitschek de Oliveira, 2440CEP:96080-000 - Pelotas – RS - Brasil
  3. 3. Para Cláudia,Fonte constante de equilíbrio, discernimento e amor.Sua sabedoria e apoio são uma inspiração e uma dádiva paramim.Para meus filhos Gabriel e Nathália.Pelo tempo que deixamos de estar juntos.Para meus pais e irmãos.Pelo carinho e apoio em todas as horas. A todos aqueles que, através da busca da saúde, descobriram o significado maior de suas vidas. Aos que, através de seu sofrimento, foram o motivo de nossa busca de uma forma mais branda e eficaz na arte de curar.
  4. 4. “A história da medicina vem sendo escrita sobre erros eacertos, com a superação de conceitos antigos e o surgimentode novos conhecimentos. Algo que hoje consideramos muitopromissor corre o risco de ser completamente esquecidoamanhã. Da mesma forma, o que foi subestimado na época deseu descobrimento, pode se tornar, no futuro, a peça que faltavapara uma nova tese revolucionária.” Dr. Helion Póvoa Fº Rio de Janeiro
  5. 5. PREFÁCIO O livro “Nutrientes e Terapêutica”, decididamente,preencheu a finalidade a que se propôs o autor, qual seja a dedespertar nos colegas o interesse pelos nutrientes, os quaisdesempenham papel de relevância no corpo humano, comodestacamos recentemente em nosso livro “ Nutrição Cerebral”. O uso em quantidade correta dos nutrientes leva a um maisperfeito funcionamento do corpo humano, como se podeverificar através de exames laboratoriais específicos. A descoberta dos radicais livres por Harman, em 1956,comprovou a relevância destas substâncias nos processosbiológicos; pode ainda haver entre alguns uma certa descrençacom relação a esses conceitos, mas o fato é que, após a criaçãode um Departamento de Radicais Livres no NIH (NationalInstitute of Health – Instituto de Saúde Publica), não pode havermais dúvidas sobre a grande importância do estudo dos RL, queatuam na gênese da quase totalidade dos processos patológicos;nesse mesmo Departamento, estudam-se, acuradamente, osantioxidantes, que impedem a formação dos radicais livres elhes aceleram a destruição . No livro, após o 1º capítulo, sobre generalidades dosnutrientes, faz o autor uma excelente revisão sobre os mineraisessenciais (capítulo 2), destacando o papel fisiológico do cálcio,magnésio, estrôncio, boro, potássio, zinco, ferro, manganês,molibdênio, cobalto, cobre, cromo, vanádio, lítio e silício. O capítulo 3 versa sobre a importância das vitaminas e, emespecial, sobre sua potente ação antioxidante, assim comoinibidora da glicação oxidativa, de fato o mais poderoso agentelesivo sobre os processos fisiológicos. Outros suplementosnutricionais são os Omega-3 (ácido Eicosapentaenoico – EPA eDocosahexaenoico - DHA), que transportam em suas moléculas
  6. 6. de gorduras enormes quantidades de plasmalógenos, poderososantioxidantes cerebrais. O EPA e o DHA têm, ainda, açãobenéfica sobre o intestino, bem como sobre o organismohumano. Isto explica porque os países com ingestão alimentar altade Omega-3 têm maior expectativa de vida média (Japão,Noruega, Suécia e Islândia); o mesmo ocorre com os alimentosvegetais que formam Omega-3. Igualmente, são bem abordados no livro o ácido lipoico, acoenzima Q10, o ginkgo biloba, o inositol e os hormônios comoo DHEA e a melatonina; esta última se acha bem estudada nolivro, dada a sua enorme relevância; ela não é apenas um agentesedativo, como se relata habitualmente, mas é o mais poderosoantioxidante endógeno, anticancerígeno, além de desempenharvárias outras funções, nem todas ainda conhecidas. No capítulo 4 deparamo-nos com um magnífico textosobre os aminoácidos. A taurina, o GABA e a glicina têm umpapel preponderante no metabolismo cerebral; a arginina e osaminoácidos de cadeia ramificada têm papel relevante nometabolismo muscular. O glutation é um poderoso antioxidante intracelular, queinibe a glicação oxidativa, sem dúvida alguma, responsável porarteriosclerose, nefropatias, catarata, artrite e lesõesneurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson, retinopatias). Outros nutrientes são precursores de neurotransmissores ea glutamina é um potente imunoestimulante. A melatonina, associada às vitaminas, B6, B12 e ao ácidofólico, bloqueia a produção de homocisteína, que aumenta aformação de trombos vasculares. Através do mineralograma, pode-se diagnosticar acarência ou o excesso desses minerais, o que constitui um
  7. 7. excelente método diagnóstico para problemas ósseos, cerebrais,etc. Também enfoca o livro a dosagem de metais tóxicos(capítulo 7) como chumbo, mercúrio, níquel, cádmio, alumínio,antimônio, paládio, arsênico, bário, berílio, platina, paládio,estanho, tálio, tungstênio, tório e urânio. Recentemente, o Mineralograma se tem demonstrado umexcelente método diagnóstico para a detecção de níveis tóxicosde bismuto; o bismuto é usado em cosméticos e no tratamentode gastrites e nas diarréias, e na terapia do Helicobacter pylori.O bismuto pode provocar problemas cerebrais (insônia) everificou-se, recentemente, que 18% das amostras de cabeloapresentam níveis elevados de bismuto. Em vista das considerações acima, podemos, comsegurança, afirmar que este livro de José Gilberto Perez deMoura se constitui em uma obra respeitável e que deve ser lidacuidadosamente por todos aqueles que se interessam porNutrologia. Ao final do livro, há um maravilhoso capítulo (6) sobre osRadicais Livres. Só nos resta, então, terminando este prefácio, dar parabénsao amigo Gilberto: seu livro é excelente! Dr. Helion Póvoa Filho
  8. 8. Helion Póvoa Fº é um dos mais renomados especialistas na áreamédica de nutrição e bioquímica. Membro titular da Academia Nacional deMedicina, professor titular de Patologia Clínica da Uni-Rio; professortitular de Bioquímica da Escola Médica da Universidade Gama Filho,professor titular de pós-graduação da PUC-Rio e professor visitante daUniversidade de Harvard. Póvoa é autor de sete livros e possui mais deduzentos trabalhos publicados no exterior.
  9. 9. APRESENTAÇÃO O tema de “Nutrientes e Terapêutica” merece umadivulgação mais ampla, tendo em vista a sua relevância, suaatualidade e contribuição para a melhoria da saúde. No Brasil, onúmero de universidades e centros de difusão destes temas, nãoé expressivo, a bibliografia não é numerosa e os textos, porvezes, escritos somente em linguagem técnica. Este livro foi escrito sem a intenção de ser definitivo, nãotendo a pretensão de esgotar o assunto, mas sim despertar ointeresse do leitor em idéias e conhecimentos adquiridos aolongo da história. Está destinado a enriquecer-se permanentemente pelacontribuição de todos aqueles que queiram acrescentar, criticarou sugerir. Este livro não foi concebido como um manualtécnico para médicos; ainda assim sua leitura pode conterinformações preciosas, atualizadas e apresentadas, na medida dopossível, em uma linguagem acessível que dará a todos uma boanoção da importância dos nutrientes, dos radicais livres e dosmetais tóxicos em nosso organismo. Quinze anos de estudos, estão condensados nesta obra. Ostemas abordados estão se tornando tópicos de grande interesse,mesmo fora das esferas científicas. Atualmente, é difícil folhearum jornal ou revista e periódicos médicos, ou assistir a televisãosem encontrar referências a nutrientes, radicais livres ouantioxidantes. Conhecimentos essenciais estão se difundindo eformando um quadro que está realmente transformando aMedicina. A Bioquímica, a Genética e a Biologia têmexperimentado um fabuloso avanço nos últimos 50 anos. Maisdo que nunca, milhões de pessoas estão ingerindo suplementosnutricionais. Surpreendentes descobertas sobre a inter-relação
  10. 10. entre nutrição e saúde acontecem a cada dia. Em sua elaboração, contei com a colaboração inestimávelde numerosos amigos que, de forma notável, influenciaram ostemas desenvolvidos. Como Galileu, em minha vida científicaestive apoiado sobre ombros de gigantes, para longe poderobservar. Entre os gigantes destaco o Prof. Dr. Helion PóvoaFilho (RJ), cientista e pesquisador que me iniciou nos segredosdos radicais livres; e o Prof. Dr. Juarez Callegaro (RS), médicopsiquiatra, sem dúvida o amigo a quem mais ouvi, com quemmais aprendi e quem mais influenciou esta obra. Agradeço, em especial, a Dra. Margot Fetter Costa e aoDr. Darci Gustavo Post, pela minuciosa e excelente revisão; aDarryl Hickock do Laboratório Doctors Data (EUA), pelaconsultoria no capítulo 8 (Mineralograma). Espero que esta obra seja uma agradável leitura e sirva demotivação e iniciação àqueles com interesse no tema. José Gilberto Perez de Moura
  11. 11. NOTA À 2ª EDIÇÃO As razões que levaram o autor a escrever a segundaedição de “Nutrientes e Terapêutica” continuam as mesmas.Desde sua publicação persistem o interesse dos médicos pela“arte de formular”, a importância dos nutrientes na saúdehumana e a ação dos radicais livres como agentesdesencadeadores de patologias. A importância da correta nutrição ultrapassa, hoje, omeio científico e toma as páginas dos jornais e revistas, ondeencontra grande interesse popular. O reconhecimento dosnutrientes como agentes promotores de saúde bem como asbases científicas de sua utilização já estão bem estabelecidas porcientistas e instituições de pesquisa. No entanto, continuamescassos os cursos para prescritores, e raros os livros dedivulgação em língua portuguesa. Novas substâncias terapêuticas são continuamentelançadas no mercado, outras tantas são retiradas, o que tornamos poucos livros sobre o assunto rapidamente obsoletos. Poressa razão são necessárias novas edições editadas com maiorfrequência. A segunda edição de Nutrientes e Terapêutica épublicada três anos após seu lançamento, revisada e ampliada. A ciência e a experiência clinica demonstram que osnutrientes terão um importante papel na medicina do futuro eque este futuro está chegando. As antigas resistências ao uso dosnutrientes estão chegando ao fim, graças a uma nova geração deprofissionais, mais abertos às novas idéias e às novas formas deterapêutica. José Gilberto Perez de Moura Pelotas, RS, abril de 2009
  12. 12. ÍNDICE1. GENERALIDADES .............................................................172. MINERAIS ............................................................................273. VITAMINAS .......................................................................1034. AMINOÁCIDOS .............................................................1635. OUTROS SUPLEMENTOS................................................2016. RADICAIS LIVRES (RLs) .................................................2477. METAIS TÓXICOS ...........................................................2718. DOSAGENS DE NUTRIENTES ........................................305 8.1 Mineralograma ..............................................................305 8.2 Vitaminograma..............................................................316 8.3 Aminoacidograma.........................................................318 8.4 Dosagens de nutrientes no sangue, hemácias e urina ...321BIBLIOGRAFIA .....................................................................325ANEXOS .................................................................................335
  13. 13. Capítulo 1 - GENERALIDADES “Uma nova realidade científica não triunfa convencendo seus oponentes e fazendo-os ver a luz, mas sim porque seus oponentes, finalmente, vão desaparecendo e os segue uma nova geração que está familiarizada com a ideia!” Max Planck Há pouco menos de um século, o papel dos nutrientes nasaúde era quase desconhecido. Coube a Gabriel Bertranddemonstrar que esses elementos, embora presentes em pequenasquantidades, eram indispensáveis à vida. Ainda hoje, porém, aMedicina pouco tem valorizado os nutrientes, julgando que ofundamental já é conhecido de todos. Ignorando que houveprofunda modificação dos hábitos alimentares e que o refino, opreparo dos alimentos e as novas técnicas de cultivo alteraramradicalmente a biodisponibilidade dos nutrientes;principalmente, ignorando sua participação vital nos processosbiológicos. Hipócrates, médico grego, escreveu no ano 400 a.C. queos alimentos e os hábitos de vida deveriam ser a base de nossamedicina. Hoje, decorridos mais de 2.000 anos, a Medicinapassa a reconhecer a importância dos nutrientes na manutençãoda saúde. Um indivíduo de 70 anos vive 25.550 dias, ingerindode três a quatro refeições diárias; isso equivale a ingerir 76.650a 102.200 refeições durante sua existência. É através dasrefeições que obtemos os 45 aminoácidos, vitaminas e mineraisnecessários à vida. Os primeiros experimentos sobre nutriçãoforam realizados por Antoine Lavoisier, químico francês. Doenças resultantes de carências nutricionais são tãoantigas quanto à espécie humana, uma vez que esqueletos pré-históricos apresentam sinais evidentes de raquitismo e escorbuto(entre outros achados). Carências como o béri-béri (falta de
  14. 14. 18 GENERALIDADESvitamina B1) e a cegueira noturna (falta de vitamina A), eramdo conhecimento dos médicos antigos e relatadas em livros daépoca. Póvoa, Callegaro e Ayer no excelente “Nutrição Cerebral”(vide bibliografia) relacionam as mudanças nos padrõesalimentares do homem paleolítico com a própria evolução daespécie. A introdução de peixes, moluscos e ovos ocorrida 2milhões de anos atrás, possibilitaram, segundo os autores, aevolução da massa encefálica e das funções cerebrais. Aalimentação básica do homem paleolítico, até então consistia defrutas, legumes e carnes de caça. Enquanto caçador e coletor, ohomem teve acesso à quantidades adequadas de vitaminas,minerais e aminoácidos. Com sua a fixação à terra e osurgimento da agricultura (10 mil anos atrás) a nutrição humanasofreu nova e radical alteração com a introdução dos grãos,pães, leite e derivados. As doenças continuam a desafiar os progressos damedicina e continuam sendo responsáveis pela morte prematurade milhões de pessoas. Algumas doenças são tratadas comabsoluto sucesso, outras são extremamente difíceis de combatere constituem causa de mortalidade ou diminuição da qualidadede vida da população. A descoberta de novos meios paraaumentar a eficiência das terapêuticas atuais e odesenvolvimento de um novo estilo de vida devem continuar.Várias doenças podem ser prevenidas modificando hábitos devida e hábitos alimentares, incluindo neles alimentos que tem opoder de combater as doenças em sua origem e impedir seudesenvolvimento. Os alimentos possuem compostosfitoquímicos ricos em moléculas com ação muito potente,podendo lutar contra doenças sem efeitos colaterais. Presentemente estamos começando a viver uma novarevolução alimentar com a introdução dos alimentosindustrializados, ricos em gorduras, açúcares, sal e aditivos,
  15. 15. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 19além de importante redução no consumo de frutas legumes everduras. As consequências desta nova alimentação são umaincógnita. Pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de CirurgiaBariátrica e Metabólica em 5 regiões do país mostraram que osbrasileiros não se alimentam de forma saudável. Foramentrevistadas, em suas casas, 2179 pessoas de todas as classessociais nas 5 regiões do país. A pesquisa apontou que 63,1% dosbrasileiros estão acima do peso. As consequências dos errosalimentares são as chamadas doenças crônicas, como ahipertensão, o diabetes e os males do coração. A pesquisarevelou, ainda, que 43% dos brasileiros fazem suas refeiçõesdiante da televisão, por isso, habitualmente, consomem maisalimentos do que o necessário, por simplesmente não terem sedado conta de que ingeriram mais do que a quantidade ideal etampouco mastigaram a comida de maneira adequada (21% dosentrevistados tomam o café em 12 minutos, almoçam em 22minutos e jantam em 23 minutos). Em todas as classes sociais,14% das pessoas têm o hábito de fazer refeições rápidas, tipofast-food. A pesquisa mostrou, ainda, que 36% dos brasileiros‘beliscam’ fora das refeições e dos lanches recomendados,comendo principalmente chocolate, biscoito recheado, coxinha,pastel, bolo, pipoca e balas. A fritura está presente em mais de50% dos pratos brasileiros. Os grelhados, frequentam a mesa deapenas 18% dos brasileiros. Os alimentos crus são consumidos,no dia-a-dia, por pouco menos de metade da população. A necessidade de suplementos dietéticos é um temadebatido no mundo todo. A maioria dos médicos opina que osnutrientes devem proceder dos alimentos, negando, portanto,valor aos suplementos dietéticos. Em sua prática diária, porém,ao tratarem anemia, osteoporose, bócio carencial, por exemplo,não o fazem através da dieta somente, valendo-se de
  16. 16. 20 GENERALIDADESsuplementos com vitaminas, ferro, cálcio, iodo, entre outros. Aadministração de minerais e vitaminas, além de mais simples ecômoda, é mais eficaz do que a correção pela dieta, embora oideal seja a combinação de ambos. Muitos anos foram necessários para tornar evidente arelação entre nutrição, saúde e doença. As pesquisas sobre ometabolismo humano identificaram cerca de 5 mil reaçõesbioquímicas necessárias à manutenção da vida; tambémcomprovaram a necessidade de 45 “nutrientes essenciais”provenientes dos alimentos (essenciais porque o organismo nãoos sintetiza). A moderna Bioquímica demonstrou que ahomeostase do organismo está assegurada por nutrientesperfeitamente identificáveis, com funções definidas, atuandocomo cofatores essenciais ao metabolismo bioquímico. O papeldos nutrientes é fundamental ao metabolismo celular, para aativação das enzimas e à proteção das membranas, frente aosprocessos oxidativos. O progresso da Bioquímica fez surgirnovas perspectivas de interesse clínico, cujos princípios seassentam em bases inatacáveis. A nutrição e a terapêutica através de nutrientes têm afinalidade de manter ótima no organismo a relação molecularentre os elementos internos (hormônios, enzimas, funçõesmetabólicas e fisiologia das membranas) e o balanço nutricional(proteínas, lipídios, glicídios, vitaminas, minerais, ácidos graxose aminoácidos). Esta é uma relação essencialmente bioquímica. É pensamento geral que a dieta variada é suficiente paraprover o organismo de todas as vitaminas, aminoácidos eminerais, essenciais ao seu bom funcionamento. Trabalhosamericanos relatam que são poucos os adultos (9%) queingerem 3 porções diárias de legumes e hortaliças. A ingesta defrutas, diariamente, também é muito baixa. Embora sejam asfrutas uma importante estratégia nutricional, graças à intensapresença de vitaminas, fibras, carotenóides, bioflavonóides,
  17. 17. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 21polifenóis e outros tantos fitoquímicos. A carência de nutrientesparece ser mais intensa em determinados grupos, comogestantes, idosos, pessoas enfermas e naquelas submetidas adietas hipocalóricas. Os médicos brasileiros, em sua grande maioria,desconhecem o importante papel que os alimentos podem tersobre a saúde ou a sua recuperação em caso de doença. Osconselhos médicos sobre alimentação restringem-se, quasesempre, a proibições de alguns ítens alimentares como, porexemplo, restrição ao sal, diminuição da ingesta de gorduras, deaçúcar, álcool e café, desconhecendo ou não enfatizando aspropriedades terapêuticas dos compostos fitoquímicos presentesnos alimentos, sua capacidade de prevenir e combater osmecanismos que favorecem o desenvolvimento das doenças. Todos os animais, inclusive os homens, regulam aingestão de alimentos por meio das cinco sensações gustativas:doce, amargo, azedo, salgado e gosto da carne. O doce indicaprincipalmente a presença de alimentos altamente energéticos;o salgado garante o reconhecimento e o equilíbrio de eletrólitosno corpo; o amargo e o azedo alertam para a presença desubstâncias potencialmente tóxicas ou venenosas e o sabor dacarne reconhece os aminoácidos das proteínas. O conteúdo de minerais e vitaminas presentes noslegumes e cereais sofre profunda influência dos micronutrientese do pH do solo, uma vez que existem tipos diferentes de solo(argilosos, arenosos, terra preta, terra roxa, entre outros), comdistintos conteúdos minerais, com variações de pH e com aconsequente diferença na biodisponibilidade dos nutrientes. Alguns médicos consideram que uma alimentaçãoequilibrada e variada é suficiente para evitar a carêncianutricional; outros consideram difícil a obtenção dasquantidades adequadas, exclusivamente através da alimentação.
  18. 18. 22 GENERALIDADESA carência moderada de vitaminas, aminoácidos e mineraisexplicaria um grande número sinais e sintomas (astenia,ansiedade, insônia, alergias, pseudo-depressões), que nãoprecisariam ser tratados por terapêuticas mais agressivas alémdos suplementos nutricionais. Em 1968, o Departamento deAgricultura dos EUA publicou extenso trabalho demonstrandoque 20% da população americana estava ingerindo dietasnutricionalmente pobres. O brasileiro alimenta-se mal, concluiu a Universidade deSão Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Paulo(UNIFESP), após pesquisa com 2.420 pessoas, em todas asregiões do país. Entre os importantes déficits nutricionaisobservados, destacaram-se o baixo consumo de cálcio (400mgao invés dos recomendáveis 1.200mg/dia), as baixas taxas devitamina D constatadas (ingesta de 1,4mg/dia ao invés das10mg recomedáveis), e da vitamina E (média de 2,4mg/dia aoinvés de 10mg/dia). A superalimentação habitual de antigamente, mantinha osindivíduos longe do risco carencial ou subcarencial. Todos osregimes hipocalóricos, hipolipídicos ou hipoglicídicosaumentam o risco de carência das vitaminas A, C, E e dosminerais magnésio, cálcio, potássio, zinco e ferro; dos ácidosgraxos essenciais e de centena de outros compostosfitoquimicos importantes. Os vegetarianos apresentam,frequentemente, carência de ferro, de alguns aminoácidos(lisina, cisteína, triptofano), de vitamina B12 e de folatos; oconsumo excessivo de fitatos (cereais não refinados) induz àcarência de minerais. Os macronutrientes, presentes em maior quantidade nosalimentos e em nosso corpo, foram mais e melhor estudadosquanto a sua química e as suas funções. O estudo das ações dosmicronutrientes é bem mais recente. Sua presença e suas açõessó foram evidenciadas após os notáveis avanços dos métodos de
  19. 19. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 23análises bioquímicas. Embora presentes em micro quantidades,nem por isso apresentam menor importância. A década de 50 possibilitou extraordinários avanços àMedicina com o surgimento de novas e revolucionárias teorias.Em 1956, Denham Harman formulou a teoria dos RadicaisLivres (RLs), explicando o envelhecimento humano e osurgimento e agravação de algumas doenças em consequênciada ação destes. RLs são elementos que surgem no organismocomo um subproduto da respiração celular, quando o oxigênio étransformado em energia no interior da mitocôndria (5% dooxigênio origina espécies reativas, os temidos RLs). Assimcomo ocorreu com outros pioneiros, suas ideias foram recebidascom ceticismo e levou tempo para que obtivessem oreconhecimento, que veio a ocorrer na década de 70, quando suateoria foi novamente divulgada pela American Academy ofMedical Preventics. Graças a seus trabalhos (6 livros e mais de150 artigos) foi indicado duas vezes para o prêmio Nobel deMedicina. Harman é professor de Medicina e Bioquímica naUniversidade de Nebraska (USA). A terapêutica através dos nutrientes teve como pioneiros:os canadenses Hoffer e Osmond, com artigo publicado em 1962,na prestigiada revista inglesa Lancet; Linus Pauling, duas vezesprêmio Nobel, além de 50 títulos de Dr. “Honoris Causa”, eautor de 600 artigos científicos, vários livros e pesquisas nasáreas de Química, Medicina, Bioquímica e Biologia Molecular;Carl Pfeiffer (Brain Bio Center, Princeton) com suas obras naárea da psiquiatria; Michael Lesser, fundador da Sociedade deMedicina Ortomolecular da Califórnia (1975); Roy Walford,autor das obras “A vida mais longa” e “Um regime de vidalonga”; Patrick Quillin, fundador da revista Nutrition Times(EUA) e autor do livro “Healing Nutrients”; Denham Harman(Universidade de Nebraska ), criador da teoria dos RLs; obioquímico Richard Passwater, autor do conceito de super-
  20. 20. 24 GENERALIDADESnutrição e de vários livros; Roger J. Williams, professor daUniversidade do Texas, criador do conceito de individualidadebioquímica e pai da moderna vitaminoterapia; EmanuelCheraskin, médico e dentista, idealizador do conceito deingestão diária ótima; Elmer Cranton, autor do livro “TraceElements, Hair Analysis and Nutrition”; e o médico enutricionista Jeffrey Bland, professor da Universidade deTacoma (USA) e autor de vários livros. Por iniciativa do Food and Nutrition Board, no ano de1941 , foram criadas as RDAs ( Recomended DietaryAllowances) , doses diárias recomendadas, tabelas para orientara ingestão e suplementação de nutrientes nos EUA. A Academia Nacional de Ciências (EUA), reconhecendoque a carência de nutrientes estava associada a doenças empopulações mal nutridas, editou as primeiras RDA´s, que são,portanto, recomendações de ingestão de nutrientes e tem porfinalidade evitar a desnutrição e doenças a ela relacionadas. Apartir dos anos 80, muitos médicos têm aumentado as doses denutrientes buscando explorar as propriedades terapêuticasdestes nas doenças crônicas, doenças cardiovasculares,osteoporose, alguns tipos de câncer e numerosas outraspatologias. Hoje a utilização de suplementos (aminoácidos ,vitaminas e minerais) a nível mundial é uma realidade ,chegando, em alguns países, a serem consumidos por cerca de40% da população. Foi Pauling quem popularizou o termo ortomolecular, noartigo - “Ortomolecular Psychiatry” – (revista Science 1968).Nele referia-se aos trabalhos de Hoffer - com pacientespsiquiátricos graves, afetados por delírios e alucinações - queutilizavam suplementação proteica e altas doses de vitamina C ede vitamina B3 (niacina). Fundou o Linus Pauling Institute ofScience of Medicine, em Palo Alto (Califórnia), onde trabalhouaté o final dos seus dias, em 1994. Publicou seu último livro em
  21. 21. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 251986, sob o título de “Como Viver Mais e Melhor”. Foi ele,também, quem elaborou o conceito de doença da molécula, que,no organismo, pode ser controlada através da modificação naconcentração dos nutrientes essenciais (vitaminas, minerais eaminoácidos). A introdução da terapêutica através dos nutrientes(ortomolecular) no Brasil deve-se, entre outros, ao professor Dr.Helion Póvoa Filho, famoso médico e pesquisador carioca e aoDr. Etelvino Bechara, bioquímico de renome internacional eprofessor da USP. Em 1976, Póvoa tomou conhecimento dateoria e da terapêutica ortomolecular. Passou a dedicar-se aotema, proferir palestras e, posteriormente, publicar trabalhos(mais de 400 no Brasil e no exterior). Desenvolveu váriastécnicas laboratoriais para a determinação de RLs. Póvoa, é professor convidado de diversas universidades epresidente de honra de várias sociedades científicas. Outrosnomes, como os doutores Toufik Mattar, José de Felippe Jr.,Efrain Olszewer, Guilherme Deucher, Virgínia Junqueira eJuarez Callegaro foram importantes para a divulgação e aaceitação das novas ideias sobre nutrição e RLs. O desenvolvimento da nutrigenética e da nutrigenômica,ocorreu rapidamente a partir de 2001, logo após a finalização doprojeto Genoma, que mapeou o DNA humano. Ambas têmcomo objetivo estudar a interação entre os alimentos e os geneshumanos. A nutrigenética estuda como os genes podem afetar aforma pela qual o corpo aproveita o alimento. Por sua vez, anutrigenômica, investiga como os nutrientes influenciam ocomportamento dos genes. Acredita-se que dentro de poucosanos, cinco anos talvez, estejam à disposição, regimes dealimentação elaborados para cada pessoa, escolhidos a partir doperfil genético. Pesquisadores da Universidade de Ohio (EUA), estudam a
  22. 22. 26 GENERALIDADESrelação entre os alimentos e o câncer. Realizaram experimentoscom extratos secos de frutas vermelhas e verificaram suaeficácia no tratamento de alguns tipos de câncer, pela ação dosprincípios ativos fitoquímicos agindo sobre uma centena degenes envolvidos no desenvolvimento do tumor (Garry Stone inCancer Research). Crianças brasileiras entre 2 e 6 anos comem mais do quedeveriam, mas, mesmo assim, carecem de nutrientes essenciaiscomo, vitaminas, minerais e fibras, segundo trabalho da Nutri-Brasil Infância (2007), realizado com três mil cento e onzecrianças matriculadas em creches e pré-escolas da rede pública eparticular de 9 estados brasileiros. O estudo mostrou umarealidade inquietante pois as crianças brasileiras costumamdeixar no prato parte das frutas, legumes e verduras oferecidas,dando preferência a alimentos como arroz, feijão, macarrão ebiscoitos, que não oferecem a totalidade dos nutrientesnecessários. A principal carência observada foi a de cálcio,encontrado em quantidades reduzidas em 57% das crianças.Outro problema alimentar detectado foi a baixa ingesta de fibrasalimentares, que afeta 95% das crianças. Trabalhos realizados na USP (SP), sob a coordenação doprofessor Dr. Fernando Moreno, mostraram que o princípioativo do espinafre, o geranilgeraniol, é capaz de impedir a açãode genes importantes para a proliferação de células tumorais.Também é estudada a ação dos princípios ativos do chá verdecontra os tumores de mama e, dos princípios ativos da soja,capazes de interferir no funcionamento de cento e vinte e trêsgenes envolvidos no tumor de próstata.
  23. 23. Capítulo 2 - MINERAIS “Se um cientista diz que algo é possível é provável que esteja correto; mas se ele diz que algo é impossível, muito provavelmente ele estará errado.” Arthur Clark O corpo humano necessita de, pelo menos, dezesseteminerais para suas funções, como o cálcio - o mais abundante -(1000-1500g), o enxofre (175g), o magnésio (350g), o fósforo(800g) e elementos-traço (necessários em micro quantidades),como o molibdênio, o vanádio e outros. Os minerais presentesem grande quantidade são conhecidos como macroelementos eos presentes em pequena quantidade, como microelementos. Proteínas, gorduras e carboidratos não serãotransformados em energia, se os minerais não estiverempresentes como catalisadores. Sem vitaminas e mineraisespecíficos, a energia não pode ser extraída dos alimentos. As reações bioquímicas no organismo são catalisadas porum ou dois minerais, que se ligam ao centro ativo das enzimas.Os minerais bioativadores de enzimas são: ferro, magnésio,manganês, cálcio, zinco, cobre, cobalto, molibdênio, vanádio eselênio. Mesmo num país relativamente bem alimentado, como osEUA, observam-se carências minerais importantes, quandoconsiderada a nutrição a nível intracelular: carência demagnésio em 75% da população; de ferro, em 60%; de zinco,em 40% e de cálcio, em 68%. Mineralogramas analisados em Pelotas (RS), no ano de1998, mostraram resultados semelhantes: carência de magnésioem 78%; de ferro, em 40%; de cálcio, em 70%; de selênio, em90% e de cromo em 92%.
  24. 24. 28 MINERAIS A deficiência mineral afeta os sistemas biológicos: osistema imune depende de cobre, zinco, manganês, ferro eselênio; a produção de energia, de magnésio, fósforo emanganês; a produção de hormônios, de ferro, manganês,zinco, cobre, magnésio e potássio; a produção dos elementosfigurados do sangue, de cobre, zinco e ferro; os sistemasenzimáticos, de cobre, zinco, manganês, magnésio e ferro; porfim, a reprodução humana depende de fósforo, cobre, potássio,manganês, zinco e magnésio. Liebig (1920) foi o autor da Lei do Mínimo - o conceitonúmero um da nutrição mineral. Diz a Lei que, numdeterminado sistema biológico, a velocidade de um sistemaenzimático que dependa de dois ou mais minerais serádeterminada pela concentração do mineral presente em menorquantidade. Quando se dosam níveis minerais no exame de sangue, oque se está avaliando é o mineral que está sendo transportadode um lugar para outro no organismo. Quando o exame é feitona urina, o que está sendo dosado é aquilo que foi transportado(não aproveitado e excretado). Já no exame do cabelo, o que édosado é o estoque desse mineral, ou seja, a parte que estáarmazenada e que deverá ser usada em condições denecessidade. Os minerais disponíveis para suplementação podem serencontrados na forma inorgânica (carbonatos, sulfatos), naforma orgânica (citratos, aspartatos, gluconatos) ou quelados. Os inorgânicos são menos absorvidos, devendo seringeridos em maior quantidade. Os minerais aminoácidos quelados tiveram sua estruturaquímica definida em 1894, pelo alemão Warner. O termo quelado provém do grego “chel” (garra), ligadoao metal. O laboratório Albion (Utah, EUA) foi o pioneiro na
  25. 25. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 29pesquisa e produção de minerais quelados para uso humano. Um mineral aminoácido quelado é definido como oproduto resultante da reação de um íon metálico polivalentecom aminoácidos, tendo uma razão molar de 1:1, 1:2 ou 1:3,formando ligações covalentes e iônicas entre eles. Paraabsorção efetiva do quelado intacto pelas células da mucosaintestinal, este deve ter um peso molecular menor do que 800daltons. São vantagens dos minerais aminoácidos quelados emrelação aos minerais inorgânicos: apresentarem altas taxas deabsorção; serem praticamente isentos de efeitos colaterais;independerem da quantidade de ácido clorídrico para suaabsorção; serem resistentes à ação de substânciassequestradoras da dieta; não competirem entre si ou comalimentos pelos sítios de absorção no intestino e também nãointeragirem com nenhum medicamento. Os minerais quelados com aminoácidos são ideais parafins nutricionais por não serem liberados no estômago, nãoserem ionizáveis e por serem rapidamente absorvidos nointestino delgado. Já os sais inorgânicos não são absorvidos emtaxas maiores do que 5 a 30%. Sua absorção também decai napresença de alimentos. O Dr. Hans Nieper (Hannover) preconiza o usopreferencial de minerais ligados a orotatos, pois acredita queesta forma de quelado é mais eficaz, devido a sua grandeafinidade pela mitocôndria. Os minerais quelados “taste-free” (sem sabor) permitemque sejam feitas preparações farmacêuticas na forma desuspensões e xaropes. Estão indicados nos casos em que aapresentação em cápsula não é a mais adequada (pediatria,geriatria, intolerância às cápsulas, estreitamento esofágico ealterações neurológicas da deglutição). Podem ser associados a
  26. 26. 30 MINERAISvitaminas e a outros produtos farmacêuticos, ou simplesmenteser ingeridos sob forma de pó (diretamente).Boro Foi identificado como novo elemento quimico em 1824pelo sueco Jöns Berzelius. Graças ao trabalho dos Drs. CurtisHunt e Forrest Nielsen, do USDA Human Nutrition ResearchCenter (Dakota do Norte-EUA), o boro foi reconhecido comomineral importante em nutrição humana (1981). Nielsen demonstrou que mulheres menopauseadastiveram uma considerável redução na excreção de cálcio,magnésio e fósforo pela urina depois da administração de3mg/dia de boro. Pensavam que este poderia elevar o nível deestrógeno no sangue das mulheres na menopausa. A carência de boro aumenta a excreção urinária de cálcioe magnésio (em até 44%), reduzindo as concentrações séricasde 17-beta-estradiol e testosterona. O boro é necessário ao metabolismo dos hormôniostireoidianos e, em quantidades mínimas, à absorção eassimilação do cálcio. Exerce, ainda, ação sobre apermeabilidade das membranas celulares. Sob ação dos raios UV o 7-dehidrocolesterol (pró-vitamina D) presente na pele é transformado em colecalciferol(vitamina D3). No fígado, é convertido enzimaticamente em25-OH-colecalciferol, 5 vezes mais potente que a vitaminaD3, e no rim, sob a ação de outra enzima, em 1-25-OH-colecalciferol (ou calcitriol), 10 vezes mais ativo que avitamina D3. O boro é fundamental para esta conversão, e a doestrogênio (muitas mulheres em menopausa apresentam altosníveis de 25-OH-vitamina D3 e baixos níveis de 1-25-OH-vitamina D3).
  27. 27. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 31 O boro fornece grupos hidroxilas, essenciais para asíntese das formas ativas de alguns hormônios esteroides,especialmente os hormônios relacionados ao metabolismoósseo e ao crescimento muscular. Um nível adequado de boro é necessário para a produçãode testosterona e 17-beta-estradiol (forma mais ativa deestrogênio). Níveis baixos de boro podem ocorrer devido à baixaingesta ou à má-absorção, e resultam em baixa deposição decálcio nos ossos e perda da elasticidade da pele. O boropresente no cabelo apresenta estreita correlação com os níveissistêmicos. O boro antagoniza a vitamina B2; por isso, quando osníveis de boro estiverem elevados, uma suplementação devitamina B2 deve ser providenciada. O metabolismo do boro está relacionado de forma indiretaao metabolismo do cálcio, magnésio e fósforo. Em doses altasparece exercer ação supressora sobre a atividade da paratireoide.É necessário à fisiologia da membrana celular. O boro desempenha importante papel na deposição decálcio na matriz óssea, especialmente na coluna vertebral (adeposição de cálcio nesta região é bastante efetiva sob a açãohormonal e o boro parece possuir uma ação “estrogênio like”). A deposição de cálcio no fêmur não está ligada à açãohormonal, mas sim à ação da vitamina D. Nesta região a ação doboro é menos efetiva do que na coluna cervical. Em mulheres, acarência de boro está correlacionada com um aumento da perdade cálcio pela urina e também com uma diminuição do nível doestrogênio. O cabelo é ligeiramente sensível à contaminaçãoexterna por boro.
  28. 28. 32 MINERAIS Após constatar que pessoas com artrite reumatoidepossuíam baixas concentrações de boro nos ossos e no líquidosinovial, o Dr. R. E. Newnham (Nova Zelândia) administrou aseus pacientes suplementos de boro (6mg/24 hs), revertendo ossintomas em 80% deles. O Hospital Real de Melbourne (Austrália), em trabalhorecente, confirmou os achados do Dr. Newnham. Outrostrabalhos mostram que a incidência da doença atinge 20 a 70%da população, nas regiões onde a taxa de ingestão de boro estáabaixo de 1mg/dia; naquelas onde a ingesta está entre 3-5mg/dia, a incidência oscila ao redor de 10%. O excesso de boro costuma desencadear náuseas, vômitos,diarreia e letargia. As intoxicações pelo boro não costumamestar relacionadas aos suplementos minerais, mas sim a ingestado boro a partir do ácido bórico, usado como integrante deformulações de pastas baraticidas, para o extermínio das baratasdomésticas. São fontes de boro: o feijão, os legumes de folhas verdes,as frutas, as amêndoas, o suco de uva e o vinho. Uma garrafa devinho tem tanto boro quanto as reservas do corpo humano.Outras fontes de boro são os antiácidos, os descongestionantes,alguns produtos de higiene dental e alguns laxativos.Os níveisde boro contidos nos alimentos dependem, fundamentalmente,da quantidade de boro assimilável presente no solo. A dosediária ótima é de 0,04mg/kg de peso corporal.Cálcio O cálcio foi descoberto em 1808 pelo químico inglêsHumphry Davy. É o mineral mais abundante no corpo humano- cerca de 1,6% do seu peso - (1000-1500g de cálcio). A formade cálcio encontrada no leite é o lactato; o cálcio dos alimentos
  29. 29. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 33é o carbonato; o dos ossos e dos dentes, é o fosfato de cálcio;nos legumes, encontra-se o gluconato de cálcio. O citrato de cálcio possui 24% de cálcio e 76% de citrato;o lactato de cálcio, 13% de cálcio; o gluconato, 9% de cálcio; ofosfato de cálcio, 29%; o carbonato de cálcio 40%; o ascorbatode cálcio, 10%; o aspartato, 20%; o orotato, 20%; opantotenato, 45%; o trifosfato, 39%, e o cálcio glicina, 20%. A presença de sais biliares, gorduras e substâncias ácidas(vitamina C, por exemplo) ajudam na absorção do cálcio. Poroutro lado, stress físico ou emocional, o sedentarismo, a altaingestão de fósforo e as dietas hiperproteicas prejudicam suaabsorção. Pelos padrões tradicionais de avaliação do cálcio sérico,as deficiências encontradas estão na ordem de 30%; a nívelintracelular, é significativamente maior (68%). Pelo menos 30% das mulheres acima de cinquenta e cincoanos e dos homens acima de sessenta anos têm deficiência decálcio suficiente para justificar fraturas patológicas. Nos EUA 1,3 milhões de fraturas/ano são atribuídas àdeficiência de cálcio, a um custo de US$3,8 bilhões. Umadeficiência média de cálcio não é bem diagnosticada pelaavaliação no sangue, uma vez que o organismo tende a manteros níveis sanguíneos de cálcio, mesmo tendo que retirá-lo damatriz óssea. A dieta americana média contém 700mg de cálcio; noBrasil, os níveis médios são ainda menores. As mulheres deveriam fazer suplementação de cálcio emagnésio após os 30 anos, para atingir o pico máximo de massaóssea evitando, assim, a osteoporose, que costuma ter inícioentre os 45/55 anos. Graças à magnitude da falta de cálcio entre
  30. 30. 34 MINERAISas mulheres a osteoporose tem sido comparada a uma“epidemia silenciosa”. Outros elementos essenciais à formação do osso sãozinco, manganês, cobre, ferro, boro, vitamina D e vitamina K.O cálcio é mais eficaz quando ingerido em doses fracionadas,durante o dia e antes de dormir. Quando administrado à noite,ajuda a atingir o sono profundo. A perda de cálcio aumenta na menopausa; os estrógenos,embora não produzam ossos novos, impedem umadescalcificação acelerada. O boro e a vitamina D também contribuem para deter adesmineralização óssea. O cálcio depositado nos ossos, 1% no extracelular e 0,1%no citosol, sob a forma de sais de cálcio, é fundamental para amanutenção da integridade do esqueleto; no extracelular e nocitosol desempenha papel essencial em uma variedade deprocessos bioquímicos celulares. O cálcio extracelular circula no plasma sob 3 formas, asaber: 50% sob a forma ionizada, fisiologicamente a maisimportante; 40% ligado às proteínas e 10% sob a forma de“complexos” (principalmente em bicarbonato, citrato e fosfato). Segundo Jefrey Bland, baixos níveis de cálcio no cabeloindicam reservas corporais diminuídas, habitualmente nãoevidenciáveis através das dosagens plasmáticas, devido aosmecanismos reguladores mediados pelo PTH, calcitriol e cálcioiônico (dentre outros fatores), que concorrem para a manutençãodos níveis fisiológicos circulantes. Cabelos grisalhosapresentam baixos níveis de cálcio em relação aos cabelos nãogrisalhos. A necessidade diária de cálcio está em torno de 1000mg(obs: 1ml de leite fornece cerca de 1mg de cálcio). Sua absorção
  31. 31. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 35é melhor em pH ácido e pode ser melhorada em presença dealimentos ricos nos aminoácidos lisina, arginina e histidina. Aelevação do pH decorrente da produção diminuída de HCl noidoso é um dos fatores que concorrem para o balanço negativodo cálcio na terceira idade. Este fenômeno tem início quando aingesta é inferior a 380mg/dia, estimulando os mecanismosresponsáveis pela remoção do cálcio ósseo, para a manutençãodos níveis fisiológicos circulantes deste mineral. Osteoporose éo resultado final deste processo. O cálcio removido dos ossostende a depositar-se nos tecidos (má distribuição), podendoocorrer a formação de cálculos renais. A Inglaterra fortifica sua farinha de trigo com a adição decarbonato de cálcio (235 a 390mg/100g) para garantir adequadaformação de massa óssea a sua população. São sintomas da carência de cálcio: câimbra, insônia,ansiedade, irritabilidade, unhas quebradiças, excitabilidadeneuromuscular exacerbada, eczema, retração da linha gengival edoença periodontal (secundária à osteoporose maxilar). A mádistribuição do mineral resulta na deposição em partes moles(principalmente tecido conjuntivo). A hipocalcemia grave(cálcio sérico inferior a 7mg/100ml) pode causar laringo-espasmo e convulsões generalizadas. A história clínica do paciente poderá mostrar hábitos devida e sintomas que revelam a carência de cálcio. Odesequilíbrio entre a ingesta de cálcio e magnésio (adequada naproporção de 2:1), a ingesta excessiva de cafeína (café, chápreto e chimarrão), álcool, fosfatos, bebidas tipo “cola”, ahipocloridria (uso continuado de inibidores da bomba deprótons e antagonistas H2), o sedentarismo, a falta de exposiçãoà luz solar (deficiência de vitamina D), concorrem para umadeficiência nas reservas corporais totais de cálcio. As carnesvermelhas contêm cálcio e magnésio na proporção de 20:1 (oideal é 2:1). Esta desproporção favorece o deslocamento do
  32. 32. 36 MINERAIScálcio e a consequente deposição em partes mole (e/ou excreçãorenal). A reposição do cálcio deve se fazer acompanhar deproporções adequadas de magnésio e zinco. O cálcio alto no mineralograma (falsamente elevado)também pode ser devido à contaminação externa, especialmenteatravés de “permanente” ou tratamentos capilares. Está indicadodosar o nível de cálcio excretado na urina de 24 horas. Níveis baixos de cálcio e magnésio podem estarrelacionados ao desenvolvimento da hipertensão na gravidez ena pré-eclâmpsia. Estudos observaram uma correlação inversaentre ingesta de cálcio e incidência de hipertensão. O cálcio baixo no sangue ou no mineralograma sugereingesta insuficiente (necessidade diária igual a 1g), má-absorçãodo mineral (requer pH ácido) ou deslocamento por altaconcentração de fósforo; osteopenia, osteoporose, hipocloridria(por stress, com deficiência de zinco e/ou vitamina B6), emborasubclínicos, podem estar associados. A absorção do cálcio inorgânico (o mais utilizado é ocarbonato de cálcio) depende do pH do estômago e de suaionização no intestino. Estudos feitos em mulheres pós-menopausa mostraramque 40% delas apresentavam severa deficiência na secreção deHCl. Pessoas com hipocloridria conseguem absorver somente 4a 7% do carbonato de cálcio ingerido, enquanto que, emcondições normais, a absorção varia de 11 a 22%. Os astronautas, no espaço, perdem muito cálciodiariamente, pela falta de atividade física e de gravidade.Doentes acamados por longos períodos perdem massa ósseapela inatividade. A fixação do cálcio no osso depende (além de nutrientes)de exercício, para que o efeito piezo-elétrico ocorra.
  33. 33. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 37 Situações especiais como carência de cálcio e gravidez,por exemplo, podem aumentar em muito a taxa de absorçãointestinal do cálcio (a gravidez, em até 50%). A sudorese profusa pode gerar perdas de cálcio de até1000mg/dia (exercícios extenuantes exigem suplementação decálcio). A suplementação diária de 1000mg de cálcio reduz aincidência de fraturas vertebrais em até 50% e diminui o riscode osteoporose na menopausa. Ingesta de cálcio superior a2g/dia, na ausência de magnésio e vitamina B6, pode causarhipercalcemia e a formação de cálculos renais. A ingestão diária de leite (média brasileira de 300ml)fornece cerca de 30% das necessidades diárias de cálcio parauma pessoa normal (1ml de leite contém aproximadamente 1mgde cálcio). O cálcio é melhor absorvido quando ingerido à noite. Ohábito de tomar leite à noite, antes de dormir, garante excelenteabsorção e uma boa indução ao sono fisiológico. A casca de ovo tem a biodisponibilidade de cálciomelhorada se for preparada com vinagre ou suco de limão (opH ácido favorece a absorção do cálcio), no entanto, devido àcontaminação por coliformes fecais, não está indicada para usohumano. A simples lavagem com água não remove as bactérias,fazendo-se necessária sua esterilização para poder serconsumida. São elementos que concorrem para a osteoporose: déficitnutricional (especialmente de cálcio), excesso de bebidasgaseificadas (por seu alto teor de fósforo), sedentarismo,excesso de vitamina D, pouca exposição ao sol, deficiência deestrogênio, excesso de álcool e/ou cafeína e intoxicação pormetais pesados. Um dos primeiros ossos a sofrerdescalcificação é o osso alveolar (arcada dentária), o que
  34. 34. 38 MINERAIScontribui para a instalação da doença periodontal observada ematé 8% da população. A dose diária ótima de cálcio é de12mg/kg de peso corporal. São fontes de cálcio: leites e derivados (400mg a800mg/100g), salmão, sardinha, amendoim, feijão, sementes degirassol e vegetais verdes folhosos (brócolis, couve, repolho).Uma das tomadas diárias de cálcio deve ser feita antes dedormir, para contrabalançar a grande perda que ocorre duranteo sono devido a menor atividade do corpo.Cobalto O cobalto foi descoberto em 1737 pelo químico GeorgeBrandt, quando analisava um mineral que denominou “kobold”,que significa espírito. Em 1948, foi reconhecido como essencialà nutrição humana. Já no antigo Egito (2600 a.C.), empregavam-se os sais decobalto no preparo de cerâmicas, como pigmentos de cor azul.Atualmente, ainda é utilizado em pigmentos cerâmicos e comopigmento azul para tintas. Sua concentração no organismo é extremamente baixa, elocalizado fundamentalmente no fígado. Sua principal funçãono organismo é fazer parte do centro ativo da vitamina B12 (ocobalto corresponde a 4% da composição desta vitamina) e dacoenzima B12, importantes na função e na vitalidade dosglóbulos vermelhos (estimula a eritropoiese e favorece aincorporação de ferro e protoporfirina). Também e consideradoum dos minerais que ativam as funções do sistema imunológico(os demais são cobre, ferro, manganês, selênio e zinco). Em 1966, Quebec observou uma estranha doençaacometer seus “pesados” tomadores de cerveja: amiocardiopatia do bebedor de cerveja, decorrente da interação
  35. 35. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 39entre o cobalto orgânico e o etanol. Todos eles tomavam entre 6e 30 cervejas por dia. A análise da cerveja canadense mostrou1,2 ppm de cobalto, o qual era empregado como estabilizadorde espuma, uma vez que os detergentes estavam diminuindoseu “colarinho”. O cobalto é ingerido sob forma orgânica (vitamina B12),forma quelada (cobalto quelado) ou forma inorgânica (cloretode cobalto), sendo todas pouco absorvidas por via oral. A formamelhor absorvida é a quelada, contendo 0,2% de cobalto. Os seres humanos são incapazes de converter o cobaltoinorgânico em vitamina B12. A taxa de cobalto contida na dietavaria muito, dependendo do tipo de alimento, área geográfica etipo de solo. Vegetarianos têm níveis de cobalto baixos. Sinais da intoxicação aguda por cobalto incluemdistúrbios gastrointestinais, dor abdominal e vômitos. Tambémsão observadas dermatites, alterações renais, de tireoide,respiratórias e insuficiência cardíaca congestiva. As principais fontes de intoxicação por cobalto são: solose águas ricas em cobalto, mineração, operações e lixamento depedras e metais, manuseio de tintas, agentes para lavagem aseco, esmaltes e eletrogalvanoplastias. Baixos níveis de cobalto no sangue ou no mineralogramasugerem deficiências na ingesta ou má absorção; pode haverdiminuição da função imune e tendência à depressão. Níveiselevados são raros. O nível de cobalto no cabelo é fidedignopara monitorar os estoques do corpo, não estando sujeito àcontaminação externa. São sintomas da deficiência de cobalto:fadiga crônica, falta de resistência física, anemia megaloblásticae parestesias. O cobalto é pobremente absorvido no intestino, o quetorna interessante a suplementação via sublingual.
  36. 36. 40 MINERAIS As principais fontes de cobalto são as proteínas de origemanimal (carne, rins, fígado, ostras, mexilhões e leite). Osvegetarianos têm maior probabilidade de desenvolver quadroscarenciais de cobalto. O cobalto é parte integrante da moléculada vitamina B12 (cianoCOBALamina). Podem ser utilizadossais inorgânicos (como o cloreto de cobalto), porém suaabsorção é baixíssima (1%). A dose diária ótima de cobalto é1mcg/kg de peso corporal.Cobre Foi um dos primeiros metais que o homem conheceu(5000 a.C.). A associação do cobre ao estanho marcou onascimento da idade do bronze. É um componente essencial emdezenas de sistemas enzimáticos responsáveis pela produção deenergia, ação anti-RLs, integridade do colágeno e formação damelanina e elastina. Desde a década de 20, é conhecido o papel do cobre naresposta às anemias ferroprivas (80% dessas apresentam,concomitantemente, deficiência de cobre e zinco). O cobreparticipa do metabolismo do ferro e da síntese da hemoglobina,sendo necessário à incorporação do ferro ao grupamento heme. Encanamentos de cobre para água quente podem intoxicarseus moradores, por liberarem continuamente pequenasquantidades do metal, especialmente em cidades ou zonas cujaágua tiver pH ácido. Os quadros de pré- intoxicação cursamcom periódicas indisposições gastrointestinais. A primeira águada manhã, por permanecer mais tempo em contato com oscanos, apresenta os maiores teores. Baixos níveis de cobre no sangue ou no mineralogramasugerem deficiência na ingesta, má absorção ou deslocamentopelo zinco, molibdênio ou enxofre. Dietas exclusivamentelácteas e/ou diarreias frequentes são causas possíveis de
  37. 37. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 41carência de cobre. Clinicamente, os baixos níveis de cobre estão associadosaos distúrbios do metabolismo do ferro, anemia, retardo nocrescimento, carência proteica, lesões cardiovasculares,aterosclerose, síntese fosfolipídica imperfeita, dermatoses,diminuição da produção de melanina (levando à pigmentaçãoanormal da pele ou à perda da cor do cabelo), desmineralização,fraturas e deformações nos ossos, hipercolesterolemia,alterações no metabolismo da tireoide, dores articulares e baixaimunidade. Este mineral costuma encontrar-se diminuído nascolagenoses e esta diminuição pode também favorecer à rupturada túnica elástica dos vasos sanguíneos. O excesso demolibdênio torna o cobre indisponível, ao formar complexosCu/Mo. O cobre é um cofator essencial à atividade de uma série deenzimas, incluindo citocromo C oxidase, lisil oxidase,ferroxidase, SOD, catalase, tirosinase, MAO, ácido ascórbicooxidase, uricase, dopamina hidroxilase, ureidosuccinase edescarboxilase oxaloacética. Também está envolvido naformação das catecolaminas e na conversão do triptofano emserotonina. Parece estar envolvido na absorção e transporte deferro e na síntese da hemoglobina; sua interação com o ferro éessencial para a eritropoese. Ainda, concorre para a manutençãoda mielina, do colágeno e da elastina, assim como para aformação dos ossos. Os níveis de cobre e, particularmente, da proteína que ocarrega - a ceruplasmina - são elevados pelos estrógenos. Seusníveis aumentam durante a gravidez. Os níveis altos de cobre podem ser fator de depressão pós-parto ou de psicose pós-parto.
  38. 38. 42 MINERAIS As mulheres que utilizam D.I.U. de cobre absorvem 30-50mcg/dia, quase 1% da quantidade absorvida através da dieta.Pessoas que aderiram à moda dos braceletes de cobre referirammelhora dos sintomas de artrite: o bracelete, sob a ação do suor,libera traços de cobre continuamente, que é absorvido pela pele. Os gluconatos e os aspartatos são melhor absorvidos doque os sais inorgânicos, porém a melhor absorção é a dosquelados. O cobre quelado com glicina é de 3 a 6 vezes melhorassimilado do que os sais inorgânicos de cobre; o magnésioquelado, cerca de 3 vezes melhor; o ferro quelado, 5 vezes; ozinco, cerca de 3 vezes. O colesterol é transformado em ácidos biliares pelametaloenzima hepática colesterol-7-alfa-hidroxilase, cobredependente; a carência deste mineral concorre para ahipercolesterolemia. O cobre e o zinco são necessários para a produção deTSH. O cobre (assim como o zinco) é necessário para ometabolismo periférico da tiroxina (T4) em triiodotironina (T3);logo, desequilíbrios na relação cobre/zinco poderão ser um fatorcausal de anormalidades na produção e utilização do hormônioda glândula tireoide. A deficiência de cobre pode favorecer o desenvolvimentode aneurismas, uma vez que diminui a atividade da enzimalisiloxidase, responsável pelo “cross-linking” das fibras decolágeno e elastina das paredes dos vasos. A ingesta de doses elevadas de cobre (acima de 5mg/dia),sem a devida reposição de zinco (na proporção de 1:5 a 1:15),diminui a ação da SOD citoplasmática, cobre e zincodependente, pois o excesso daquele reduz a absorção deste (evice-versa). O gosto de metal na boca pode ser indicador de excesso decobre, embora muitos outros metais produzam o mesmo
  39. 39. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 43sintoma. O excesso de cobre pode ser causa de hiperatividadeinfantil (outras causas são: déficit de vitamina B3, vitamina B6,taurina e magnésio, ou, ainda, excesso de fósforo). A forma em que um mineral se apresenta pode determinarsua utilização médica ou sua toxidez. O arsenito de cobre étóxico e o sulfato de cobre não é apropriado para uso humano. Ocobre glicina é muito bem tolerado. A associação do mineral a um aminoácido visa a aumentaro tropismo do mineral por um determinado órgão: o aspartatotem tropismo pelo coração; a arginina, pelos orgãosreprodutores; a histidina, pelo tecido nervoso; a lisina, pelasarticulações e o orotato, pelas mitocôndrias. A cardiopatia isquêmica é mais comum em pacientes comcarência de cobre. O miocárdio sofre intensa peroxidação,quando há insuficiente atividade da SOD (cobre/zincodependente). Pode-se usar o cobre como indicador da atividadeda cobre/zinco SOD, a qual contém 60% do cobre eritrocitário. A deficiência de cobre pode precipitar quadros deenfisema pulmonar, devido à diminuição da atividade da SOD, epor deficiência de alfa-1-antitripsina (cobre dependente) com aconsequente diminuição da elasticidade dos alvéolos. A administração de cobre, zinco, manganês e coenzima Q-10 parece atuar positivamente nos quadros iniciais dessapatologia. Embora as amostras de cabelos enviadas para análise(mineralograma) sofram lavagens nos laboratóriosespecializados, a remoção do cobre exógeno a ele aderido não éefetiva, interferindo, assim, com os resultados. O zinco aderidoao cabelo é um pouco melhor removido, embora ainda persistamníveis suficientes para evidenciar a contaminação externa. Umafonte importante de contaminação são os encanamentos decobre; ainda, “permanentes”, tinturas para o cabelo e algicidas
  40. 40. 44 MINERAIS(água de piscina). É trinta vezes mais fácil ocorrercontaminação externa pelo cobre do que pelo zinco. A dose diária ideal é de 0,014mg/kg de peso corporal. São fontes de cobre: fígado (8mg/100g), rins, coração,carnes vermelhas, frutos do mar (ostras possuem altasconcentrações), frutas, trigo, soja, levedo de cerveja, cacau,feijão e ervilha. O leite é pobre em cobre (0,2mg/100ml).Cromo Esse mineral foi isolado pelo químico francês Louis-Nicolas Vauquelin, em 1797, que o denominou cromo, queprovém da palavra grega ¨chroma¨, que significa cor, devido àscores variadas de seus sais. Em 1957, Kenneth Schwarz eWalter Mertz - nutricionistas do U. S. Agricultural ResearchService - foram os primeiros a relacionar a açãohipoglicemiante da levedura de cerveja (100mcg decromo/10g de levedura) à presença do cromo GTF (fator quese liga à insulina, favorecendo sua atividade). Em 1989,graças ao trabalho do Dr. Mertz, o cromo foi reconhecido comoelemento essencial ao metabolismo da glicose e dos ácidosgraxos, à ação da insulina e ao crescimento da massa muscular,já que facilita a liberação deste hormônio e sua ligação aostecidos. O cromo é um componente do “Fator de Tolerância aGlicose” (GTF), substância que trabalha com a insulina parafacilitar a entrada da glicose nas células, regulando os níveisglicêmicos. A molécula de GTF contém vitamina B3 (niacina),cromo e os aminoácidos glicina, ácido glutâmico e cisteína. A presença da vitamina B3 é importante para a respostaaos suplementos de cromo. A deficiência de cromo é comumnos diabéticos não insulino dependentes (DMNID) e pode
  41. 41. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 45contribuir para a resistência insulínica e para a elevação dosníveis de triglicerídeos e colesterol sérico. A administração decromo em portadores de diabetes mellitus 2 (DMNID) regula osníveis de glicose, diminui os níveis séricos de insulina,colesterol total e triglicerídeos e aumenta os níveis do HDL. Baixos níveis de cromo no sangue ou no mineralogramasugerem deficiência na ingesta e/ou má absorção; podem estarrelacionados à idade avançada, gravidez, alta ingesta decarboidratos refinados, diabete juvenil, alteração nometabolismo de proteínas e/ou depleção de reservas porconsumo metabólico excessivo. A carência de cromo induz à redução na atividade dainsulina, deficiência no metabolismo de açúcares (tolerância àglicose diminuída), deficiência no metabolismo de gorduras(especialmente colesterol), podendo também ser indicador dedepressão. A deficiência de cromo pode causar aumento da placa deateroma, elevação do colesterol LDL, aumento da dependência àinsulina (em diabéticos), alteração da resposta ao estresse eopacidade da córnea. O metabolismo da glicose pode ser avaliado no sangue outambém através do mineralograma, pelos níveis de cromo(juntamente com zinco, vanádio e manganês); baixos níveissugerem alteração no metabolismo da glicose. O cromo é o primeiro dos minerais a ter sua absorçãodiminuída, à medida que a idade avança; o lítio é o segundo,pois sua absorção é facilitada pelo cromo. A intolerância ao álcool pode ser um sinal de deficiênciade cromo. A excreção urinária de cromo aumenta sob a ação dostress de qualquer natureza, regime hipoproteicos, exercíciosfatigantes, hemorragia aguda, e infecções.
  42. 42. 46 MINERAIS O uso do cromo picolinato em alguns casos de obesidadetem demonstrado resultados encorajadores. A perda de peso ocorre pelo aumento da sensibilidadedas células à insulina, o que, além de regular níveis glicêmicos,também estimula a termogênese e aumento da massa muscular. A suplementação de cromo picolinato em atletasmostrou ser capaz de acelerar a redução da gordura corporalem 12,2% após 30 dias de suplementação (200mcg, 2 vezesao dia). A deficiência de cromo é muito comum nos EUA e noBrasil. O exame de confirmação pode ser feito no sangue.Atualmente, 90% dos americanos com mais de 50 anos têmdeficiência de cromo, devido à ingesta diária de apenas 50mcg(Richard Anderson e Adrianne Kozlovsky - Academia Nacionalde Ciências – EUA). Nos brasileiros, a deficiência é semelhante. No diabetesmellitus, a associação de cromo, manganês e zinco ajuda nocontrole dos níveis glicêmicos. Diabéticos que requerem de 60-80U/dia de insulina,podem reduzir para 30-40U/dia com o auxílio de cromo GTF. O aporte diário de cromo nos países nórdicos tambémestá abaixo das necessidades mínimas diárias. O cromo apresenta-se em dois estados de valência: ocromo III (biológico), e o cromo VI (industrial), que épotencialmente tóxico. Os sais de cromo VI podem causar lesões renais,hepáticas e neoplasias; à exposição da epiderme (trabalhadoresda indústria de cimento, cromagens, metalúrgicas) ocorredermatite química irritativa, que aparece nas zonas expostas. A inalação do pó de cromo VI ocasiona lesões nas viasaéreas superiores. O cromo III (existente no organismo), que
  43. 43. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 47faz parte da molécula de GTF, é apresentado comercialmentecomo cromo DNG (dinicotinato de glicina) ou cromo GTF(fator de tolerância à glicose). O cromo atua em sinergismo com a insulina, glicose,magnésio, vitamina B6, zinco, vitamina B3, glicina, cisteína eácido glutâmico. Suplementos de cromo devem ser tomados por quempratica exercícios físicos, por pessoas que se alimentam deprodutos refinados (cujo processo industrial expolia o cromo)e por indivíduos idosos (o processo de envelhecimento costumacursar com carência de cromo). Todos os diabéticos e pré-diabéticos têm deficiência decromo. O cromo, necessariamente, precisa ser administrado sobforma de quelado. Os sais de cromo inorgânico (como o cloreto) têm baixaabsorção (1%) e são tóxicos. O diabetes mellitus é a terceiracausa mortis nos EUA. A dieta americana, atualmente, é tremendamentedeficiente em cromo. O diabetes mellitus atinge 7,6% dosbrasileiros com mais de 30 anos; dentre outros fatores, a históriafamiliar, o excesso de peso e o sedentarismo colaboram para oseu desenvolvimento. Várias plantas medicinais são utilizadas no controle dastaxas glicêmicas (pata de vaca, pau ferro, carqueja, jambolão),sendo o alto teor de cromo e manganês o traço comum entreelas. O nível de cromo no cabelo é um bom indicador dosníveis teciduais e é mais confiável do que a dosagem na urina ouno sangue. Em geral, não é afetado por contaminação externa. O colesterol não é uma gordura, como muitos pensam,mas sim um álcool, que se combina com ácidos graxos. Cerca
  44. 44. 48 MINERAISde 70% do colesterol é produzido pelo próprio organismo, nofígado; o restante provém dos produtos de origem animal.Níveis elevados de colesterol estão associados à aterosclerose. Há diferentes tipos de colesterol. Na realidade são amesma substância, só que ligada a diferentes lipoproteínas. O colesterol ligado à apo-lipoproteína-A forma o HDL,que é o colesterol “bom”; quando ligado à apo-liproteína-B,origina o LDL, que é o colesterol “ruim”. O HDL impede a oxidação do LDL em condiçõesnormais. Sob situações de grande stress (como grandescirurgias ou grandes infecções) o HDL pára de ativar a enzimaparaoxinase, perdendo, então, suas propriedades antioxidantes. A administração de 100mcg de cromo (2 vezes ao dia),durante 6 semanas, induz a uma elevação do HDL (da ordem de17,8%), com decréscimo igual do indesejável LDL. Osresultados são melhores em períodos mais prolongados, comdoses um pouco mais elevadas (400mcg/dia). Doses de até 600mcg/dia de cromo são consideradasseguras. São fontes de cromo: levedo de cerveja (a melhor fonte),cereais integrais, condimentos (pimenta preta, tomilho), carnes,fígado, ostras, mexilhões, ovos, queijos, cogumelos. Osalimentos refinados apresentam teores mais baixos. No melaçopuro encontramos 0,26mcg/g de melaço, 0,16mcg/g no açúcarnão refinado e somente 0,02mcg/g no açúcar refinado. Afarinha integral contem 1,75mcg/g , a farinha branca 0,60mcg/ge o pão branco 0,14mcg/g. ( Wolff, 1974).
  45. 45. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 49Enxofre As propriedades terapêuticas do enxofre são conhecidasdesde a Antiguidade. Afrescos descobertos em Pompeia jámostravam seu uso naquela época. O grego Homero, ainda naAntiguidade, termina seu magistral clássico “A Odisseia” coma purificação (com enxofre) da casa de Ulisses, após o massacredos pretendentes de sua esposa e de seus servos infiéis(Odisseia XXII, 605-621). Foi Lavoisier quem demonstrou queo enxofre era um elemento químico e não um composto, comoaté então se pensava. O enxofre é componente de todos os tecidos do corpo,especialmente do cabelo, músculos e pele. A maior parte do enxofre corporal está ligada aaminoácidos (metionina, taurina, cistina e cisteína); também éum componente da vitamina B1, da biotina, da insulina, daglutationa, da queratina, do ácido hialurônico, da coenzima A,do SAME, da condroitina sulfato e da glucosamina sulfato. Está envolvido na formação dos ossos, dos dentes e dosácidos biliares (a cisteína origina taurina, que, por sua vez,forma o ácido taurocólico). Ativa inúmeros sistemasenzimáticos; favorece a conversão de proteínas, carboidratos egorduras em energia, e é importante varredor de metais tóxicosdo organismo, ao formar com eles complexos inertes ou commenor toxidade. Sua ação é aumentada na presença da vitaminaB1, vitamina B5, biotina e ácido lipoico. Por sua ação sobre apele, cabelo e unhas, é conhecido como mineral da beleza. O enxofre é um elemento essencial para o organismo. Osníveis de enxofre no sangue ou no cabelo estão correlacionadoscom a ingesta e com o seu nível nos tecidos. O cabelo é sensível à contaminação externa por algunscondicionadores. O enxofre elevado no cabelo, na ausência decontaminação externa, está relacionado com um aumento deste
  46. 46. 50 MINERAISelemento no corpo ou com um desequilíbrio no metabolismo.Uma dieta muito rica em proteínas e/ou uma suplementaçãoexcessiva de aminoácidos enxofrados poderia elevar seus níveis. A possibilidade de problemas com sulfatos e sulfetos, ascistinoses, a disfunção biliar e a doença renal são riscos a seremconsiderados se o nível de enxofre no cabelo estiverconsistentemente alto. Uma dieta que careça radicalmente de proteínas redundaráem níveis baixos de enxofre no organismo e no cabelo, ou seja,em baixos níveis de tiamina, biotina e de aminoácidosenxofrados. Depressão, queda de cabelo e unhas quebradiças podemacompanhar os baixos níveis de enxofre, assim como o aumentodo risco cardíaco. Níveis baixos de enxofre também podemsugerir má-absorção, alterações no metabolismo dosaminoácidos e deficiência de vitamina B6. As sulfatases, enzimas catalisadoras do enxofre,promovem a remoção do excesso de radicais SO4, formadosdurante o metabolismo dos mucopolissacarídeos. O excessodesses radicais altera a forma e o metabolismo do colágeno. São fontes de enxofre: carnes vermelhas, peixes, leite,feijão, cebola, alho, couve de Bruxelas e repolho. As gemas deovos são excelente fonte. Pacientes que não ingerem ovospodem apresentar deficiência de enxofre. Os aminoácidosenxofrados (cistina, cisteina, metionina e taurina) também sãofontes de enxofre.Ferro Foi um dos primeiros minerais a serem suplementados nahistória da Medicina (a suplementação de ferro está presenteem quase todas as culturas). Um dos primeiros povos a utilizá-
  47. 47. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 51lo foram os hititas, em 1200 a.C.. Em 1713, a presença do ferrono sangue foi evidenciada por Menghini, ao submeter amostrasde sangue seco ao campo magnético de um imã. Logo após suadescoberta, passou a vender comprimidos de sangue em pó,com grande sucesso,especialmente para jovens senhoras. Suaessencialidade foi provada pelo químico francês Jean BaptisteBoussingault. Atribui-se a Sydenham a primeira descrição daanemia ferropriva, em 1681. O corpo humano possui cerca de 5g de ferro, estando70% dele ligado a hemoglobina e a mioglobina. Os restantes30% estão distribuídos pelo fígado, baço e medula óssea. A anemia ferropriva é hoje a principal doença nutricionaldo mundo, acometendo cerca de um bilhão de pessoas. NoBrasil, a incidência é bastante elevada (em determinadasregiões atinge mais de 60% da população), ocorrendo maisfrequentemente em pré-escolares e gestantes, embora aconteçaem todas as classes sociais e faixas etárias. A deficiência de ferro acarreta diminuição da imunidade,por reduzir a proliferação dos linfócitos e a sua imuno-competência; diminuição da capacidade de trabalho e daresistência ao esforço, devido ao papel do ferro no transporte deoxigênio; interfere na aprendizagem e também nodesenvolvimento mental e motor. A criança deficiente em ferro apresenta diminuição daatenção, da memória, da capacidade de verbalização e menorrendimento escolar. Pode apresentar, por fim, alterações deconduta: a pagofagia (hábito de comer gelo), a geofagia (hábitode comer terra) e a pica (mastigação de pedras ou fibras) estãorelacionadas com a anemia ferropriva. Nas anemias ferroprivas, recomenda-se a suplementaçãocom ferro glicina (ferro quelado), cuja absorção é muitosuperior à das formas inorgânicas (sulfato ferroso, p.e.). Doses
  48. 48. 52 MINERAISem torno de 20-40mg/dia são adequadas para reverter a anemiaem prazos bem menores, se comparados ao sulfato ferroso. Emalguns casos, a recuperação do hematócrito mostra resultadossurpreendentes em apenas 20-30 dias, ao passo que, utilizandoo tradicional sulfato ferroso, esse prazo sobe para 50-60 dias. Na carência real de ferro, os baixos níveis encontrados nomineralograma parecem anteceder aos baixos níveis séricos. Omineralograma isoladamente não é um bom parâmetro para quese faça reposição do mineral, devendo ser dosados o ferro séricoe a ferritina. A reposição em anêmicos ferroprivos melhora acapacidade de trabalho em cerca de 12%. O ferro no cabelopode estar elevado devido à lavagem em água artesianacontendo o metal. A carência de ferro pode manifestar-se clinicamente poranemia (hipocrômica e microcítica) e sintomas relativos,irritabilidade, diminuição da síntese proteica e desenvolvimentoponderal retardado em crianças. A deficiência de ferro tambémdiminui a eficácia do sistema imune, além de favorecer umaumento na absorção e fixação do chumbo (maiorsuscetibilidade à intoxicação). Nos EUA, cerca de 20% da população apresenta baixasreservas de ferro. O uso continuado de estrogênio diminui osníveis de ferro; a hipocloridria também o faz, visto que aabsorção deste metal se dá em pH ácido. Ácido ascórbico, ácidoclorídrico, metionina, cisteína e baixos níveis circulantes deferro aumentam a absorção. O ácido ascórbico é o mais potenteacelerador da absorção de ferro (até 5 vezes), formando umquelado solúvel no intestino delgado. Os fitatos (presentes nos cereais), oxalatos (contidos nasverduras de folhas escuras), fosfatos (presentes nos antiácidos),taninos (presentes no café e no chá), fibras e celulose são
  49. 49. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 53queladores de metais, formando sais insolúveis que serãoeliminados pelas fezes; logo, o ferro contido nos vegetais (ferronão-heme), é menos absorvido do que o ferro das fontesanimais (ferro heme). Somente 35% do ferro presente no feijãoé absorvido. O excesso de fósforo ou zinco também diminui abiodisponibilidade do ferro. O sulfato ferroso (ferro inorgânico) é o suplemento deferro mais barato e o mais utilizado em formulações; por serutilizado em altas doses pode ocasionar náuseas e epigastralgia.As formas orgânicas de ferro (gluconato, citrato e fumaratoferroso) também são utilizados em suplementos. A forma idealde se administrar ferro, porém, é a forma quelada com oaminoácido glicina (ferro glicina), mais bem tolerada e maisativa. O ferro é melhor absorvido quando tomado pela manhã ena presença de sucos ácidos ou vitamina C. A anemia ferropriva sugere carências importantes deoutros nutrientes, além do ferro. Cerca de 80% desses pacientesapresentam, concomitantemente, deficiências de cobre, zinco,ácido fólico e vitamina B12. A associação destes minerais àvitamina B12 e ao ácido fólico proporciona resultadosespetaculares, abreviando o tempo para a normalização doeritrograma. A vitamina C garante a presença do ferro na forma ferrosa(Fe+2), de absorção mais fácil e eficiente. O ferro na formaférrica (Fe+3) precisa passar a forma ferrosa para ser absorvido. Diversos estudos mostram que a deficiência de ferroocasiona um aumento na absorção de chumbo, especialmenteem crianças. Tal fato pode acarretar sérios problemas emregiões onde a deficiência de ferro ocorre concomitante comuma alta e constante exposição ao chumbo. Entre as inúmeras funções importantes do ferro estão: otransporte de oxigênio e gás carbônico pela hemoglobina e
  50. 50. 54 MINERAISmioglobina; a fosforilação oxidativa nos citocromos; a ativaçãocatalítica de enzimas; a fagocitose; a estimulação da imunidadegeral e dos linfócitos T e, ainda, a melhora do desempenhofísico. O excesso de ferro (hemossiderose ou hemacromatose)favorece a peroxidação lipídica e depleta as reservas devitamina C. Na hemocromatose ocorre a deposição patológicade ferro em determinados orgãos, sendo o fígado o primeiro aser comprometido e o diagnóstico definitivo de hemocromatoseé a biópsia hepática. podendo evoluir para cirrose (destes, 30%desenvolverão carcinoma hepatocelular). Também ocorredeposição de melanina e hemossiderina na camada basal dapele; o ferro plasmático e a ferritina sérica encontram-seelevados. Cardiomiopatia severa pode fazer parte do quadro. As mulheres em idade reprodutiva perdem quantidadesapreciáveis de ferro durante o período menstrual (15 a 20mg deferro). Quantidades menores, em torno de 1mg/dia, podem serperdidos através da urina e das fezes. Cervejas caseiras, fermentadas em vasilhames de ferrolevam à ingestão excessiva do mineral, sendo causa de cirrosehepática em populações negras na África do Sul. A utilizaçãode recipientes de ferro também leva ao excesso deste emtecidos corporais. Frutas, legumes e sucos enlatados tambémpodem apresentar altos níveis de ferro dissolvidos, quandoembalados em latas de baixa qualidade. O ferro, quando na forma livre (não ligado a proteínas), éum potente gerador de RLs, estando seus altos níveisassociados a inúmeras patologias degenerativas. Homens com níveis de ferritina acima de 200mcg/litro desangue têm probabilidade duas vezes maior de sofrer infartoagudo do miocárdio, se comparados com os demais; ferritina ecolesterol elevados aumentam em 4 vezes o risco. A perda
  51. 51. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 55mensal de ferro devida à menstruação protege a mulher contradoenças cardíacas e degenerativas. Após a menopausa, asmulheres passam a apresentar maior risco para estas doenças,provavelmente pelo aumento das reservas de ferro (teoriaproposta pelo médico patologista americano Gerome Sullivan),além de outros fatores. A reserva excessiva de ferro (potencialgerador de RLs), pode ser tratada adequada e eficazmente pelomedicamento homeopático Ferro metálico CH7, CH12 ouCH30 (10 gotas vo 2 vezes ao dia). A deficiência de ferro é um fator para o surgimento decâimbras noturnas nos membros inferiores de gestantes e deidosos (a suplementação de 20mg/dia reduz ou elimina ascâimbras). Atualmente, no Brasil, começa a haver o enriquecimentode alimentos com ferro e vitaminas. A adição de ferro aqualquer alimento pode expor a graves riscos a população quejá apresenta reserva elevada (comum na faixa etária dos 40 aos60 anos). São fontes de ferro: carnes (2 a 4mg/100g), fígado(9mg/100g), aves, peixes, aspargo, aveia, feijão, melado, ovos(2mg/100g) e soja. A absorção do ferro depende da sua formano alimento. O ferro das fontes animais (ferro heme) é melhorabsorvido que o ferro das fontes vegetais (não-heme) Umalimento é considerado uma boa fonte quando, pelo menos,10% de seu conteúdo é absorvido.O pH ácido eleva em até 3vezes a absorção do ferro.Fósforo Em 1669, o químico alemão Henning Brand, procurandoalguma coisa que lhe permitisse criar o ouro, acabou por obteruma substância branca que brilhava no ar e inflamava-se
  52. 52. 56 MINERAISespontaneamente, a chamou de fósforo, que deriva da palavragrega “phosphorus” (portador da luz). É o segundo mineral em abundância no corpo humano, naforma de fosfato de cálcio (85%). Um homem de 70kg possuicerca de 500g de fósforo (P). Um dos elementos maisimportantes, dentre os que contêm fósforo em sua estrutura, é oATP. Combina-se com gorduras a fim de formar fosfolipídios,que são necessários à estrutura da membrana celular e dosistema nervoso. A relação Ca/P é fundamental para a absorçãoe excreção de cálcio e fósforo: quando um está em excesso,obrigatoriamente a excreção do outro está aumentada. Asparatireoides regulam os níveis sanguíneos de ambos. É fundamental ao metabolismo dos ossos e dentes, àformação da membrana celular e sistema nervoso e à ação devárias enzimas. Antiácidos, ferro e magnésio costumam reduzira absorção do fósforo. O neurologista alemão HenrichHoffmann acredita que o excesso de fósforo na alimentação decrianças seja capaz de desencadear quadros de hiperatividadeinfantil. O fósforo é um dos principais componentes dos ossos edos dentes. A assimilação do fósforo, assim como a do cálcio, éregulada pela vitamina D e pelo paratormônio. Os fosfatos estãopresentes em todas as células do corpo, estando envolvidos nosprocessos associados à produção de energia. O íon fosfatodificulta a absorção de cálcio e, quando em excesso, induz à suadeposição em locais atípicos (ex: bico de papagaio). O nível defósforo no cabelo não está correlacionado com o fósforoingerido na dieta; entretanto, pode estar correlacionado comníveis anormais de cálcio, metabolismo anormal da vitamina D,hipo e hiperparatireoidismo e, possivelmente, por níveisanormais de magnésio. Os níveis de fósforo podem serconfirmados no sangue ou na urina de 24 horas.
  53. 53. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 57 A deficiência de fósforo é rara devido à sua abundâncianos alimentos; já, quantidades excessivas são frequentes devidoaos adubos fosforados, refrigerantes tipo cola e alimentosindustrializados. Refrigerantes são ricos em fósforo devido aotamponamento com fosfatos. Nos EUA, em 1981, o consumoper capita de refrigerantes tipo cola foi de 100 litros. Osrefrigerantes contêm 500mg de fósforo por garrafa de 300 ml,geralmente sob a forma de ácido fosfórico. O homem moderno ingere, pelo menos, três vezes maisfósforo do que o desejável. Nos últimos 30 anos, a ingestão defósforo passou de 1,5 para 4 g/dia. As fontes deste excesso são:alimentos produzidos em solos adubados com fósforo;alimentos industrializados; refrigerantes do tipo cola; pães;farinhas; margarina; pescados (para reter a água quando houvercongelamento); carnes e, em especial, queijos, presunto eembutidos (derivados fosfóricos são usados para emulsionar asgorduras e reter a água). A toxicidade do fósforo é baixíssima, não sendoconhecidos casos de intoxicação através de suplementos, quesão facilmente eliminados pela urina. São fontes de fósforo: leite (1ml=1mg de fósforo) ederivados, ovos (220mg/100g), peixes, frangos, carnesvermelhas, alimentos industrializados (como conservante) erefrigerantes tipo cola. Na alimentação, deve haver umaproporção na relação Ca/P de 1 para 1 ou 1,5 para 1. A dietaamericana é muito rica em fósforo (relação Ca/P até 1:4), o quefavorece a desmineralização óssea.Germânio No verão de 1885, um mineral foi encontrado na minaalemã de Himmelsfurst (Freiberg) a que foi dado, inicialmente,o nome de argirodite. Como não era conhecida a composição
  54. 54. 58 MINERAISquímica exata do novo mineral amostras foram encaminhadas aFreiberg para a análise química. O reconhecimento edivulgação do novo elemento foi feita pelo químico alemãoClements Alexander Winkler, em 1886 e seu nome dado emhomenagem à Alemanha, antigamente denominada Germânia. Kuzihiko Asai, pesquisador japonês, observou grandesconcentrações de germânio em plantas medicinais e imaginouque o germânio, isolado, poderia ser útil à manutenção dasaúde. Via oral, a absorção do sesquióxido de germânio chega àtaxa de 30%. Estudos em animais imunodeprimidos e empacientes com doenças malignas sugerem que o germânio ajudaa normalizar a função das células T e linfócitos B, exercendoprofunda influência no sistema imune. O tamanho do sesquióxido de germânio permite suarápida absorção e transporte através das membranas. Seu sítioativo parece ser a cadeia respiratória (nas mitocôndrias),incrementando a eficácia do elétron transportador de oxigênio.Ele facilita a difusão do oxigênio pelas células e tecidos,catalisando e otimizando sua utilização; é preconizado nadesaceleração do envelhecimento, por sua capacidade dediminuir a amiloidose (uma das alterações envolvidas nesteprocesso) e é útil nos casos de contaminação por metaispesados, asma, artrite reumatoide, diabete e hipertensão. Umdos riscos do emprego do germânio é o de causar alergias e, emaltas doses, lesão renal. O germânio é um elemento não essencial compropriedades semelhantes ao silício. Pequenas concentrações degermânio (ppm) estão presentes em alimentos de origem animale vegetal. O germânio possui atividade antioxidante, diminui ooxigênio por partes dos tecidos o que o faz importante em váriasdoenças de fundo arterioesclerótico (hipertensão e isquemiamiocárdica) e vasculopáticas (doença de Renaud, vasculopatiadiabética, entre outras). Na França, em razão de sua ação sobre
  55. 55. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 59o sistema imunitário, tem sido usado para melhora do estado depessoas cancerosa. Também tem sido indicado no tratamento dealgumas patologias mentais com a psicose crônica, a depressãoe os dirtubios de humor. Tem ação bactericida e tem sidoutilizado em quimioterapia. As formas orgânicas do germânio (sesquióxido degermânio e germânio quelado) são usadas como agente antivirale imunoestimulante (5 a 30mg/dia). Os compostos orgânicos sãode baixa toxicidade.As formas inorgânicas de germânio sãoconsideradas menos seguras, podendo lesar os rins em altasdoses (acima de 50mg/dia). O germânio é quimicamentesemelhante ao estanho e ao chumbo. Alguns produtos macrobióticos, como as ervas Kashi,Sankuzan e Hishi, têm excelentes taxas de germânio. NaCoreia, descobriu-se que, nos terrenos onde crescem osmelhores ginsengs, o solo é riquíssimo em germânio. Na formasesquióxido é bastante caro, pois a quantidade encontrada emvegetais é ínfima. Até o momento, existe apenas uma indústriaque produz o sesquióxido de germânio, localizada no Japão. São fontes de germânio: aveia, alho, ginseng, clorela(alga), chá verde, aloe, confrei e cogumelos. Outras formasdevem ser evitadas devido ao seu efeito cumulativo, que podecausar falência renal, miopatias e “rush” cutâneo (dióxido degermânio, por exemplo).Iodo O iodo foi descoberto em 1811, no laboratório dofarmacêutico francês Bernard Courtois, quando tentava obtersalitre de algas marinhas para o exército de Napoleão. Seunome deve-se à palavra grega “iodes”, cujo significado é corvioleta. Em 1816, Coindet, médico de Genebra, descobriu aimportância do iodo para a glândula tireoide. Em 1831, o
  56. 56. 60 MINERAISquímico francês Boussingault recomendou ao governo daColômbia a adição de iodo ao sal de cozinha para o tratamentodo bócio. Em 1850, Chatton demonstrou que o bócio endêmicoprovinha da carência de iodo. Em 1895, Bammann descobriuque a tireoide continha iodo e que esta glândula era seu grandedepósito. Napoleão foi o primeiro a mandar fazer uma pesquisaepidemiológica sobre o bócio, pois os jovens com bócio eramconsiderados incapazes para o serviço militar. A partir de 1924, a adição de iodo ao sal de cozinha(30mg de iodeto/1kg de sal) tornou-se obrigatória no estado deMichigan (USA), após a constatação de bócio em 47% de suapopulação. Logo após, a prática disseminou-se, o quepraticamente erradicou o bócio endêmico nos EUA. A O.M.S.estima que existam no mundo mais de 200 milhões de pessoascom bócio carencial. Doses de iodo maiores do que 25 vezes aRDA podem ocasionar problemas, como hiperatividade,hipertireoidismo, etc. O uso da alga marinha data do ano 600 dC (na China);ainda hoje é utilizada na prevenção e no tratamento do bócio,graças ao seu elevado teor de iodo. A alga mais utilizada emterapêutica é o Kelp, uma alga marrom encontrada nas águasfrias do Mar do Norte (100mg de Kelp standartizado contém100mcg de iodo orgânico). Outra alga utilizada é o Fucus(Fucus vesiculosus). Doses excessivas de iodo (acima de600mcg/dia) ou de iodeto de potássio presente nas formulaçõesexpectorantes podem bloquear a função da glândula tireoide,desenvolvendo quadro de hipotireoidismo. É um elemento essencial para a formação dos hormôniosda tireoide. O nível de iodo no cabelo varia de acordo com aquantidade ingerida e a condição clínica do indivíduo, podendohaver contaminação externa. Está presente em quantidades mui-to pequenas no solo e nos alimentos. O organismo desenvolveuum mecanismo complexo para garantir sua absorção, retenção e
  57. 57. NUTRIENTES E TERAPÊUTICA 61concentração (é facilmente absorvido, tanto na forma orgânicacomo na forma inorgânica). O iodo se liga ao resíduo detirosina, na tireoglobulina, para formar T-3 e T-4. Nomineralograma o principal indicador de hipotireoidismo é obaixo teor de iodo, que pode estar acompanhado por zinco emanganês baixos. Baixos níveis de tirosina no plasma tambémtêm sido associados ao hipotireoidismo. São fontes de iodo: algas marinhas (especialmente oKelp), frutos do mar (moluscos, lagostas, sardinhas, bacalhau,haddock e outros peixes), vegetais marinhos, cebola, vagem,agrião, nabo, rabanete, alho porró e sal iodado. Também eencontrado em algumas frutas, como o ananás, groselhas eameixas. O teor de iodo nos vegetais depende diretamente dosníveis de iodo presentes no solo.Lítio O nome lítio origina-se da palavra grega “lithos”, quesignifica pedra, pois os cristais de lítio formam rochasverdadeiramente duras. As maiores reservas mundiais domineral (a metade) estão localizadas na Bolívia, nas salinas deUyuni. O lítio foi descoberto pelo químico sueco Johan AugustArfwedson, em 1817. Em 1877 S.W. Mitchell, neurologista daFiladélfia utilizou sais de lítio e de bromo em sua clínica comresultados favoráveis. Foi definitivamente introduzido napsiquiatria por John Cade, em 1949 (Austrália). A divulgaçãode seu trabalho teve escassa repercussão. O lítio foi a primeira droga de sucesso usada na mania,antes da carbamazepina (1952), considerada um marco naterapêutica psiquiátrica. Em 1953, surgiram os trabalhos dodinamarquês Mogen Schou e de Aarus e, em 1954, retomaram-se os trabalhos com lítio, especialmente no tratamento daspsicoses maníaco-depressivas.
  58. 58. 62 MINERAIS Pesquisas sobre o papel do lítio no comportamento têmsido prejudicadas porque seus efeitos variam muito conforme avia de administração, dose, forma química e outros fatores. Éindicado nos estados maníacos e depressivos, embora algunspacientes deprimidos apresentem distúrbios bioquímicos quedificultam a penetração do lítio através da membrana celular. O lítio parece ser um elemento-traço essencial, do qual oorganismo necessita 2-3mg diários. Parece ser um moduladorna conversão de ácidos graxos essenciais em prostaglandinas,regulando sua produção; é também um estabilizador doneurotransmissor serotonina. O uso do lítio na gravidez e na lactação deve ser evitado,pois ele é excretado no leite materno e existem trabalhosrelatando casos de hipotonia, hipotermia, cianose e alteraçõeseletrocardiográficas no lactente. O lítio, ao contrário da maior parte dos princípios ativos,não se liga a proteínas plasmáticas e se distribui de forma nãouniforme pelos líquidos corporais. O lítio não deve ser usado durante os primeiros três mesesde gestação devido ao risco de teratogênese, que ocorre em 3%dos fetos. O lítio pode prevenir a recorrência dos surtos maníacosou depressivos, pela regulação de receptores presentes nasuperfície da membrana celular. O lítio inibe o aumento donúmero de receptores de acetilcolina no cérebro, o que ajuda naprevenção da mania. Tem sido usado no tratamento dealcoolistas, por ser capaz de desenvolver aversão ao álcool emalgumas pessoas. Também pode beneficiar pacientes com asíndrome de Menière. O sinergismo entre lítio-serotonina-noradrenalina éimportante para produzir melatonina, e para facilitar a síntesede serotonina, formando o círculo virtuoso serotonina-

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