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Preparação Para o Yoga - I. K. Taimni

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Preparação Para o Yoga - I. K. Taimni

  1. 1. PREPARAÇÃO PARA O YOGA I. K. TAIMNI“Ninguém que tenha se conscientizado das ilusões da vida pode ficar contente permanecendo nelas”
  2. 2. IntroduçãoO edifício da autocultura que conduz finalmente à iluminação,sustenta-se sobre três pilares:-Formação do caráter;-Upasana (devoção, adoração, literalmente sentar-se perto;- YogaOs dois primeiros pilares tratam da preparação que devepreceder a entrada na senda do Yoga.Somente quando o aspirante tiver desenvolvido os necessários traços de caráter eum ímpeto dinâmico para encontrar a verdade é que ele poderá percorrerfirmemente o caminho do Yoga.
  3. 3. IntroduçãoNão é desejável que uma pessoa comum, absorvida pela vidamundana, mergulhe subitamente na prática regular do Yogasuperior. A diferença tão drástica entre os dois modos de vidaprovocaria uma reação violenta na mente do aspirante.Período preparatório  necessidade imperiosaOs benefícios do período preparatório, que já constituem o Yoga preliminar,ou Kriya-Yoga, são muitíssimo importantes e trazem grande felicidade, pazinterna e alegria independentes de estímulos internos, força espiritual,conhecimento intuitivo, libertação das preocupações e dos apegos etc.
  4. 4. 1 - O Yoga e o Homem ComumA contribuição da Índia para a humanidade sempre foi na esferada vida espiritual.Sua maior contribuição para a filosofia e religião é a idéiacentral de que somos essencialmente divinos em nossanatureza íntima e que podemos superar nossas ilusões elimitações por meio da realização dessa essência divina.São parte integrante da filosofia e religião hindu: - A sobrevivência da personalidade após a morte física; - A existência de mundos suprafísicos; - A divindade do homem; - A possibilidade de atingir a perfeição
  5. 5. E a filosofia hindu nos diz mais. Diz que é possível conhecer averdade das verdades (a divindade do homem e sua identidadecom a Divindade maior) pela experiência direta, aqui e agora, deum modo tão real quanto o que associamos ao mundo exterior.A técnica da auto-realização não foi desenvolvida tãosistematicamente e praticada tão intensamente quanto naÍndia.Os métodos adotados foram experimentados por milhares deanos por grande número de santos, sábios e ocultistas queexploraram os domínios mais profundos da mente e daconsciência.O conjunto maravilhoso de conhecimentos, teóricos e práticos,uma tradição de múltiplas técnicas daqueles grandes seres setornou o chamado YOGA.
  6. 6. YogaCiência Sagrada que revela todos os profundos segredos danatureza e do universo, as verdades da vida interior, a realidadedo Divino dentro do homem.Esse conhecimento e essa técnica é a mais valiosa contribuiçãoda Índia ao pensamento mundial e ao progresso dahumanidade.Yoga implica a exploração de vários reinos internos da mente eda consciência pelo indivíduo por meio de seus própriosesforços.Assim, algumas das verdades descobertas pela experiênciadireta possuem natureza tão transcendente que é impossívelserem transmitidas por meio de palavras.Portanto, a maior parte da técnica não pode ser apresentadaclaramente na forma de um sistema rígido.
  7. 7. YogaEm seu aspecto mais profundo sempre permanecerá nas mãosde pequeno número de Adeptos já realizados nessa arte.Ainda que em número pequeno tais Adeptos garantem acontinuidade da transmissão do Yoga.Mas tal conhecimento jamais pode ser comprado, por preçoalgum. Só os realmente preparados recebem as instruções.Tais Adeptos anseiam transmitir seus conhecimentos ao maiornúmero de pessoas em condições.
  8. 8. YogaQuanto maior o número de pessoas que trilham o Yogaverdadeiro, mais poderosas se tornam as forças que trabalhampara a evolução e maior o número de capacitados a ajudarefetivamente o progresso da humanidade.
  9. 9. A libertação de um ajuda a facilitar a libertação posterior detodo o conjunto da humanidade.Busca-se o Yoga por um simples motivo:“ninguém que tenha se conscientizado das ilusões da vida podeficar contente permanecendo nelas”Só um indivíduo livre das limitações do mundo podeefetivamente ajudar os outros.O Conhecimento direto das realidades da vida interna só vempor meio do cultivo do caráter e dos estados mentais quepossibilitem a transmissão desse conhecimento transcendente.
  10. 10. SOMENTE OS PREPARADOS OBTÉM OCONHECIMENTO DIRETO
  11. 11. As enfáticas afirmações dos místicos e sábios sobre naturezaefêmera e ilusória do mundo estão baseadas na experiência eem fatos concretos.E esses fatos estão bem na nossa frente. E se revelam à menteque se abre para vê-los.Só nossa profunda absorção mental nas atrações e conquistasmundanas nos impede de vê-los.Assim como os Adeptos, cada indivíduo pode descobrir por simesmo a verdade que liberta das limitações, pois tal verdadeestá oculta no coração de cada um, aguardando ser descoberta.Assim, todos que desejarem, podem se libertar dasilusões,contanto que dêem os passos necessários e estejampreparado para seguir de modo diligente e perseverante.
  12. 12. Então cada um pode começar desde já o caminho único que éseu destino inexorável ou adiar a caminhada para mais tarde.Depende de nossa própria deliberação começar agora a eliminaros véus de ilusão e miséria que nos envolvem ou deixar paradepois. Tomamos o remédio agora e iniciamos a cura ouprolongamos o sofrimento, deixando para tomar o remédiodepois.Todo aquele que não se decide resolver o problema agora só ofaz por falta de percepção de sua verdadeira situação.“A causa real de nossos problemas é a falta de discernimento(viveka) que nos incapacita a abrir caminho através das ilusões e aperceber a vida em sua simplicidade, despida de todas asfascinantes atrações e tentações mundanas”
  13. 13. Falta de discernimento = busca das mesmas experiências repetição dos mesmos sofrimentos pela busca de alegrias econfortos efêmeros.Carência de viveka = falta de amadurecimento da alma = faltado sentimento de urgência de empreender a aventura divina.A maior parte das pessoas com anseios e aspirações espirituaisestá envolvida em um círculo vicioso e não sabe como sair dele. Falta de Buscas de discernimento de experiências nossa real situação frustrantes e vazias Dúvida, desalento e Decepção, acomodação com a dor e situação sofrimento
  14. 14. Para a grande maioria o caminho do Yoga começa na dúvida, naincerteza e na falta de urgência interior, simbolizadas porvishada, ou o desalento de Arjuna, no Bhagavad-Gita. Mas o caminho do Yoga pode resolver de uma vez por todas o grande problema da vida humana. E essa técnica está à disposição de todos,seja um praticante de outras vidas, seja um que inicia a jornada na presente vida.
  15. 15. A enfermidade da qual todos sofremos é universal. Mas o Yoganão considera os sintomas superficiais das aflições humanas. Elavai às raízes da perturbação e procura remover a causa últimadas aflições, para sempre.Yoga não trata de um problema específico do homem. A técnicado Yoga está fundamentada na filosofia de que todas as afliçõeshumanas têm raízes em avidya (ignorância) ou falta depercepção de nossa natureza real.Pela remoção de avidya, ou seja, tomando consciência de nossaverdadeira natureza, é possível remover todas as aflições pelaraiz e para sempre.O Yoga pode conduzir qualquer homem, em qualquer estágio, aqualquer momento, ao caminho que conduz à meta última.
  16. 16. O Yoga conduz ao Caminho de maneira progressiva esistemática, utilizando diferentes técnicas conforme anecessidade do aspirante, capacitando-o a romper suaslimitações, uma após outra, até atingir a meta de libertação eiluminação.O caráter universal e abarcante do Yoga deve sercompreendido, pois os que desenvolveram tal caminho ofizeram para se adaptar a qualquer tipo de pessoa,temperamento e estágio evolutivo.Tudo foi pensado: exercícios preliminares, desenvolvimentoprogressivo e autodisciplina. Assim, todos, de onde estão,podem iniciar a jornada.Mas devemos ter em mente que a solução do maior problemada vida humana não pode ser obtido de forma fácil e rápida.
  17. 17. Mas todo aspirante sincero e dedicado poderá começar doponto onde estiver. Com um processo progressivo deautodisciplina e purificação da mente, ele começará a semovimentar firme e confiante em direção à sua meta.Mesmo na dúvida e sem o sentimento de urgência, a prática epurificação constantes farão as condições indesejáveis iremdesaparecendo aos poucos, já que são frutos de uma mentesobrecarregada de desejos, conflitos e impurezas de todaespécie.Os fatores que quebram o circulo vicioso mental são justamente apurificação gradual e a harmonização da mente.As técnicas avançadas do Yoga só podem ser praticadas pelosque estão preparados.
  18. 18. Purificação Mental Alterações necessárias dos estados mentaisCirculo Vicioso do Mente Mente Concentrada Aqui se inicia o Harmonização da mente Yoga Avançado
  19. 19. O trabalho preparatório deve absorver todo o tempo e energiade que dispomos.Mas quando o aspirante atingirá a meta?De fato, o significativo é o processo de desenvolvimento e nãoqualquer estágio temporário a que se é levado.Portanto, o aspirante deve lembrar que os benefícios obtidosmesmo com esse Yoga preliminar são tão impressionantes esubstanciais que compensam em muito a autodisciplina:- A paz e alegria que independem de estímulos externos;- O conhecimento intuitivo que se adquire gradualmente a partirdo interior;- A certeza que nasce do contato com as realidades internas;- A libertação das preocupações pela redução do apego.
  20. 20. Para comparar basta olhar aoredor para constatar quemesmo a completa fruiçãodos desejos materiais nãotraz felicidade.Cedo ou tarde todos estãodestinado as reconhecer queapenas o conhecimento denossa real natureza divina – aauto-realização – pode nossatisfazer completa epermanentemente.
  21. 21. 2 – Samadhi – a Técnica Essencialdo YogaSamadhi é a técnica essencial do Yoga, que por ser de difícilcompreensão, foi apresentada na primeira seção dos Yoga-Sutras de Patanjali.A segunda seção dos Yoga-Sutras trata:- Das limitações, ilusões e misérias humanas;- Da filosofia dos Klesas;- Preparação preliminar para uma vida ióguica;- Cinco primeiras das oito partes do Astanga-YogaNessa seção trata-se então da filosofia básica e das práticaspreliminares para que o sadhaka esteja em condições de lidarcom a própria mente com seriedade e eficiência.
  22. 22. A terceira seção dos Yoga-Sutras aborda as práticas puramentementais que culminam em samadhi e outras realizaçõespossíveis (siddhis e a libertação final da mente de suaslimitações que culmina em kaivalya).A quarta e última seção trata da filosofia e da psicologia do Yogade maneira geral e dos estágios finais que levam à auto-realização.Como a técnica apresentada é a do Raja-Yoga, que trata dosúltimos estágios da evolução humana, não se pode esperar queo estudo teórico e a prática sejam fáceis.Mesmo não podendo colocar de imediato toda técnica emprática, o aspirante deve dominar a técnica completamente, aomenos teoricamente, para aos poucos poder ampliar suaaplicação prática.
  23. 23. O primeiro sutra importante é o I-2: Yogas citta-vrtti-nirodah “Yoga é a inibição das modificações da mente”O significado total desse sutra só pode ser apreendido após seavançar e entender a técnica do Yoga como um todo.De fato, o sutra nos diz que a Realidade está obscurecida pelasagitações e distorções produzidas na mente (citta-vrttis).No Yoga, as agitações e modificações que existem emdiferentes graus vão progressivamente cessando até a mente setornar transparente e límpida como a água. Ela vai continuarpresente, mas imperceptível. Esse é o estado de auto-realização.
  24. 24. Mas o processo de remoção das agitações e obscurecimento damente é lento, devido às tendências mentais, aos impulsos dopassado, às impressões sob a forma de carma e à lentidão dastransformações que devem ocorrer.Por isso é necessário um LONGO PERÍODO DE DISCIPLINA EDE PRÁTICA DAS TÉCNICAS DO YOGA.Importante destacar que a mente não tem luz própria, É aabsorção da luz da realidade oculta em nosso interior quefornece o sentimento de realidade que temos, em nosso mundoindividua de imagens mentais.A técnica que o Yoga empregada para levantar o véu queencobre a realidade chama-se samadhi, que é a própria essênciado Yoga.
  25. 25. Samadhi designa o mais elevado estado de meditação, quandohá consciência apenas do objeto de meditação, e não da própriamente. O samadhi é o ponto culminante da meditação sobreum objeto cuja realidade deve ser compreendida diretamente.Samadhi é precedido por dharana, ou concentração, e dhyana,ou contemplação. Quando dharana se torna perfeita,transforma-se em dhyana e quando dhyana se torna perfeita,transforma-se em samadhi, ou êxtase.Os três estágios constituem um processo crescente deaprofundamento da concentração, como descrevem os sutrasIII-1 a III-3.
  26. 26. III-1 – “Concentração é o confinamento da mente dentro de umaárea mental limitada (definida pelo objeto da concentração)”III-2 – “ Fluxo ininterrupto (da mente) para o objeto (escolhido paraa meditação) é contemplação.”III-3 – “O mesmo (estado de contemplação), quando háconsciência somente do objeto da meditação e a consciência daprópria mente desapareceu, é samadhi.”Como estamos interessados na natureza essencial de samadhi,vejamos o sutra I-41“No caso de alguém cujas citta-vrttis ou modificações mentais,tenham sido quase completamente anuladas, a fusão doconhecedor, do conhecimento e do conhecido tem lugar, comouma jóia transparente colocada sobre um,a superfície colorida”
  27. 27. Samadhi é uma técnica de para compreender a realidade dequalquer objeto (qualquer coisa que possa ser percebida pelamente). É o conhecer por tornar-se, ou seja, a mente setransforma na própria natureza do objeto cuja realidadepretende compreender. Conhecedor Conhecimento Conhecido Técnica tradicional Técnica de aquisição de aquisição de de conhecimento conhecimento pelo Yoga
  28. 28. Em sabija-samadhi (samadhi com semente), o objetivo não écompreender a própria realidade, mas sim uma realidade ocultaem qualquer objeto que seja, o que se dá por meio de samyama.Todas as coisas da manifestação possuem um aspecto darealidade, aspecto esse contido na mente universal. Conhecer arealidade de um objeto é fundir nossa mente com a menteuniversal, na qual a realidade daquele objeto está contida. Esteé o segredo de “conhecer por tornar-se” de sabija-samadhi.Para conhecer a própria realidade, e não a expressão darealidade em um certo objeto, temos que mergulhar mais fundona mente para transcendê-la e atingir o reino da própriarealidade.
  29. 29. Em sabija-samadhi nossa mente torna-se una com a menteuniversal e conhceçemos o que está ali presente. Mas a menteuniversal não é a realidade, mas um produto da ideação divina.Ela surge da realidade por diferenciação entre o ser e o não-ser.Para conhecermos a realidade temos que conhecer oIdealizador da ideação divina e a ele nos unirmos. Essa é atécnica do nirbija-samadhi.No sutra IV-22, encontramos:“O conhecimento da sua própria natureza através da auto-cognição (é obtido) quando a consciência assume aquela forma naqual não passa de lugar para lugar”
  30. 30. Como a realidade éencoberta pelos diversosvéus mentais, a Luz daconsciência, cada vez queilumina um dos véus, chega“atenuada” no véu seguinte.Quando todos os níveis damente forem transcendidos,nos diferentes estágios desamadhi, a consciência nãoterá mais o que iluminar esua iluminação própriabrilhará em todo o seuesplendor. Esse é o processode nirbija-samadhi que leva àauto-realização.
  31. 31. Quando a consciência atinge o plano átmico, resta apenas umdelgado véu que separa o reino da mente do reino da realidade.Chegamos agora a outro aspecto de samadhi: a diferença entresamprajnata e asamprajnata samadhi.Sutra I-17:“Samprajnata samadhi é aquele que é acompanhado porraciocínio, reflexão, bem-aventurança e sentimento de puro ser”Sutra I-18:“A impressão remanescente deixada na mente com a supressãodo pratyaya, após a prática de samprajnata samadhi éasamprajnata-samadhi”
  32. 32. No samadhi a mente está absolutamente fechada a qualquerdistração interna ou externa e a intensidade da concentraçãoaumenta com o aumento da profundidade do mergulho no objeto daconcentração.A mente contém apenas o objeto no qual está concentrada e cujarealidade procura conhecer. Ela alcança um limite máximo e percebeque não pode ir além, já que foram esgotados todos os aspectos doobjeto de meditação. A mente permanece, então, imóvel, emcondição de extrema concentração. Não pode recuar nem avançar.Nesse estado o objeto de concentração (pratyaya) é abandonado; amente é levada a permanecer concentrada, estabilizada num vácuo,por assim dizer. Todas as fontes externas foram cortadas pela intensaconcentração de samprajnata samadhi. Assim, a única maneira deescapar é em direção ao plano superior seguinte. Mais cedo ou maistarde ela passa, através do centro comum a todas as dimensões deconsciência, para a dimensão imediatamente superior. Um novomundo surge no horizonte da consciência. Neste novo mundo revela-se um aspecto mais profundo do objeto de concentração numadimensão mais elevada.
  33. 33. Samprajnata samadhi: samadhi comobjeto (pratyaya) no campo deconsciência.Asamprajnata samadhi: samadhi noqual não há mais objeto no campode consciência
  34. 34. 3 – Preparação para o YogaAinda que a técnica de Samadhi pareça sobre-humana, aquelesque formularam a filosofia do Yoga e suas técnicas nãoignoraram as fraquezas e limitações humanas.Eles sabiam que as dificuldades podem ser vencidas pelaadoção de um treinamento progressivo, científico e coerentecom as leis da evolução.O sucesso é garantid, desde que se sigam rigorosa eininterruptamente os passos prescritos.A grande maioria que começa na senda do Yoga desiste porfalta de disciplina ou pela expectativa do progresso rápido
  35. 35. Então muito protelam o esforço vida após vida e não evoluem muitocom isso.A ciência do Yoga pode ser dominada, como todas as outras, pormeio de um treinamento gradual.Devido às diferentes potencialidades ocultas nos diferentesindivíduos, o progresso não é medido por anos de trabalho mas peloaumento de capacidade e pelas mudanças na mente e atitudes.O sutra II-1 oferece um esboço do treinamento preliminar no Yoga:“Austeridade, auto-estudo e entrega a Ishvara constituem o Yogapreliminar”Essa preparação envolve três cruciais aspectos da natureza humana:Vontade, Intelecto e Amor (emoção).
  36. 36. Kriya-Yoga VontadeNaturezaSuperior Amor Intelecto Auto-entrega Auto-estudo à Deus (Preparação teórica) (Purificação da Vida)Natureza Inferior Austeridade (Controle e Inibição dos citta-vrttis)
  37. 37. Todas essas atividades constituem um começo real da vidaióguica. A rápida transição de um estágio preparatório para umestágio avançado de progresso depende da autodisciplina doaspirante.O aspirante deve adquiriro seguinte antes de poder passar paraas práticas avançadas do Yoga:  Controle de sua natureza inferior;  Concentração da mente;  Firmeza de propósito
  38. 38. AUTO-ESTUDO (Svadyaya)Estudo intensivo e reflexivo das questões mais profundas davida de modo a se adquirir uma idéia correta e global de todosos problemas envolvidos na prática do Yoga e métodos d esolução adotados.O estudo parte do exterior mas deve “migrar” para o interior atéque extraiamos de nosso interior todo conhecimento necessárioàs práticas e problemas encontrados.Svadyaya visa abrir as portas para o conhecimento que resideem nosso interior (proveniente da na Mente Universal) abrindoa porta entre a mente inferior e a superior.Todos os meios que abrem a comunicação entre a mentesuperior e a inferior são chamados de svadyaya.
  39. 39. Os “Graus” de Conhecimento UnidadeMultiplicidade
  40. 40. AUTO-ENTREGA (Ishvara-pranidhana)A devoção não surge com facilidade. Somos testados eexperimentados até o limite máximo. Mas quando a devoçãosurge, transforma a nossa vida e nos enche de alegria eexaltação a ponto de sentirmos que os sacrifícios e sofrimentospor que passamos nada são, comparados à bem-aventurança eà graça de deus que desce sobre nós.O trabalho criativo de qualquer tipo dáalegria à vida, e a transformação danossa natureza pelos métodos do Yogapreparatório é um trabalho criativo damais alta ordem e o mais real que sepossa empreender.
  41. 41. O Yoga Preparatório é o Início de Nossa Construção IndividualEm kriya-Yoga estamos esculpindo a imagemde nosso verdadeiro Eu. Uma imagem darealidade que vai representar nossa futuraperfeição está sendo esculpida a partir do blocode pedra bruta de nossa natureza inferior.Estamos fazendo “aparecer” de nossa apagadapersonalidade um ser divino com infinitaspotencialidades, que se torna cada vez mais umveículo do amor, da sabedoria e do poderdivino.A imagem completa pode estar no futuro,invisível e desconhecida, mas o Yogapreparatório traz a alegria de trazer estemilagre à existência.
  42. 42. Idéia Geral sobre a Filosofia na qual se baseia a Técnica do YogaNo sutra II-15, Patanjali afirma que para aqueles quedesenvolveram o discernimento, tudo na vida humana émiséria e sofrimento devido às dores resultantes de mudançase ansiedades e devido aos conflitos entre as tendências inatasda natureza do homem e os pensamentos e desejospredominantes num determinado período.Mas é possível evitar essa miséria ou nos livrarmos dela?No sutra II-16, Patanjali diz claramenter que:“A miséria que ainda não chegou pode e deve ser evitada”
  43. 43. O Yoga mostra as limitações da vida e oferece a solução real, uma esperança de libertação. Uma solução que busca eliminar a causa dos problemas humanos e que, na filosofia do Yoga, são chamados de klesas, uma cadeia de causas e efeito com cinco elos: Ignorância primordial. Causa instrumental Falta de percepção de nossa da involução da verdadeira natureza divina Mônada na manifestação Avidya Apego instintivo àvida mundana e aos Identificação da Puragozos corpóreos e o Abhinivesha Asmita Consciência com seus medo de ser veículos separado deles Raga-Dvesa Atração e repulsão de diversos tipos devido à asmita
  44. 44. Se a causa de nosso sofrimento é a falta de percepção de nossareal natureza o único remédio permanente é a recuperação dapercepção da realidade ou o conhecimento de nossaverdadeira natureza.Sutra II-26:“A ininterrupta prática da percepção do real é o meio dedispersão de avidya”Como praticar a percepção da realidade está no sutra II-28:“da prática dos exercícios que compõem o Yoga e da destruiçãoda impureza nasce a iluminação espiritual, que se desenvolve empercepção da realidade”
  45. 45. Em seguida vem o sutra II-29 que expõe as oito partes oupráticas da técnica do Yoga de Patanjali:“Auro-restrições, observâncias, postura, controle da respiração,abstração, concentração, contemplação e êxtase são as oitopartes”Eis, em síntese, a filosofia do Yoga!O esquema a seguir ilustra tal filosofia.
  46. 46. Realidade Síntese da Filosofia do Yoga RealidadeAvidya Nirbija- Samadhi Quebra de Avidya Avidya Sabija-Samadhi Avidya/Asmita Antaranga-Yoga Quebra de Asmita Avidya/Asmita/Raga-Dvesa Bahiranga-Yoga Quebra de Raga-Dvesa Avidya/Asmita/Raga-Dvesa/Abhinivesha Kriya-Yoga Quebra de Abhinivesha
  47. 47. Vimos os princípios da filosofia.O método efetivo de libertação e as diferentes técnicas aserem adotadas pelo aspirante devem ser aprendidos a partirde um minucioso estudo do Yoga.O estudante deve aprender como aplicar da melhor forma esseconhecimento ao seu caso individual.Importante: começar de maneira decidida e com intençãopura!
  48. 48. Sobre quando e onde começar a resposta é:Comece em qualquer parte, mas COMECE IMEDIATAMENTE!O caminho do Yoga não precisa ser encontrado, ele se abrediante de nós desde que damos o primeiro passo.Utilize as escolas de Yoga (Jnana, Bhakti, karma) conforme suanecessidade e o seu momento do caminho. Todas possuemdiferentes técnicas que, diferentemente combinadas,permitem despertar a natureza divina de todos os seres.Cada uma desenvolve um aspecto de nossa natureza divina.
  49. 49. Mas ainda que a perfeição final precise de todos os aspectos denossa natureza em uma forma desenvolvida, eles amadurecemmelhor com a concentração em um determinado aspectosdurante um certo tempo.Assim, adéqüe os métodos e técnicas às circunstâncias e nãohesite em tomar um rumo diferente se sentir uma fortetendência para fazê-lo.
  50. 50. PERF EIÇÃO Jnana Bhakti karma ou ou ouConhecimento Amor Ação
  51. 51. 4 – O Sistema de Yoga de PatanjaliExistem diferentes sistemas de Yoga no Oriente, uns maissuperficiais e outros de natureza mais fundamental.Para que o estudante não perca tempo com sistemas maissuperficias, é necessário um profundo e cuidadoso estudo dafilosofia e da técnica do Yoga, em seus mais amplo sentido,antes de praticá-la com seriedade e empenho.O sistema de Yoga de Patanjali é um sistema sintético quecombina técnicas maiores e menores em um conjunto integral,tão efetivo, auto-suficiente e útil quanto possível.
  52. 52. Patanjali abordou algumas técnicas em um simples sutra ededicou quase um terço do livro á técnica do samadhi, a maisfundamentalmente essencial e elevada prática do verdadeiroYoga.De um modo geral pode-se dizer que o sistema de Yogaapresentado nos Yoga-Sutras consiste de uma integraçãoharmoniosa dos cinco principais sistemas que prevalecem noOriente – raja yoga, jnana-yoga, karma-yoga, bhakti-yoga ehatha-yoga. Foram escolhidas as técnicas essenciais dessesdiferentes sistemas, combinando-as num todo efetivo,progressivo e sistemático.Seu valor baseia-se na abrangência e na ênfase aos elementosessenciais, excluindo todas as práticas não-essenciais.
  53. 53. Dos seguintes sistemas foram utilizadas as técnicas descritas: Bhakti-Yoga Karma-Yoga Jnana-Yoga Hatha-YogaTécnica da auto- Princípio de Práticas de viveka Técnicas deentrega que nishkama karma (discernimento) e asanas, pranayamapromove a fusão que capacita o vairagya e pratiaharadas consciências aspirante a (desapego) sobre adaptadas para osdo amante e do ultrapassar o plano as quais se própósitos do YogaAmado. dos desejos baseiam, superior. inferiores e essencialmente, quebrar os liames toda essa linha de que o prendem aos Yoga. planos inferiores
  54. 54. Mas o sistema de Patanjali está essencialmente baseado noraja-yoga, sendo samadhi a sua técnica mais importante e amais amplamente abordada.Mesmo sendo o samadhi uma técnica de naturezatranscendental, Patanjali tratou teoricamente de seusestágios para dar ao futuro iogue uma boa perspectiva do queo espera
  55. 55. Vamos agora considerar cada umadas oito partes do Yoga de Patanjali.Nas oito partes há uma relaçãoseqüencial, já que as técnicasposteriores exigem um certo domíniodas anteriores.Mas é possível que alguém pratiquequalquer uma das técnicasindependentemente, ainda que issoseja mais ou menos difícil,dependendo da técnica escolhida.
  56. 56. YAMA E NIYAMAEstabelecem as fundações para a vida ióguica.Funções: edificar o tipo correto de caráter Yama, o deus da morte produzir o estado correto da menteEntre yama e Nnyama não há uma linha divisória definidaporque ambos visam transmutar a natureza inferior numinstrumento puro, harmonizado, calmo e completamentecontrolado do Eu Superior.
  57. 57. YAMASutra II-30:“os votos de autodomínio, chamados yama, compreendemabstenção de violência, falsidade, roubo, incontinência e avidez” NIYAMASutra II-32:“Pureza, contentamento, austeridade, auto-estudo e entrega aDeus constituem niyama ou observâncias à autodisciplina”
  58. 58. Yama e nyama não significam que devemos limitar o trabalhode nossa natureza inferior às fraquezas mencionadas nossutras. Temos que tratar todas as tendências inferiores. E asqualidades mentais chamadas pureza e contentamento emniyama abrangem a maior partes das tendências indesejáveisrestantes que não são mencionadas especificadas em yama.Adquirir pureza e contentamento em grau adequado assegurao desenvolvimento equilibrado de nossa mente e de nossocaráter em todos os seus aspectos.Um segundo ponto importante é o de que as tendênciasindesejáveis devem ser erradicadas sem hesitação e muitomenos com ponderação sobre uma provável atenuação devidoàs circunstâncias.
  59. 59. E Patanjali deixou isso claro no sutra I-31 não deixandonenhuma brecha para escaparmos e esclarecendo que os votosde yama são, todos juntos, chamados de O Grande Voto.Temos que lembrar que nossa natureza inferior é muitoardilosa. Ela apresenta à mente toda espécie de justificativapara o erro, usará o manto da virtude para ocultar motivos eações essencialmente iníquos, disfarçará ódio com amor.Buscará sempre alguma concessão, sempre nos tentando enos fazendo pecar. Natureza humana Inferior
  60. 60. Nesse caso o remédio é claro: decida de uma vez por todaspraticar sempre o que é correto, em todas as circunstâncias eindependente das conseqüências resultantes.Assim, rapidamente as tentações se enfraquecerão edesaparecerão tornando a prática do que é correto fácil enatural.
  61. 61. Há uma lei moral fundamentalque trata de apresentar aoindivíduo, situações externas quesão um exato reflexo do estadointerno de suas mentes e de suasatitudes.Assim, o Grande Voto e umadefinitiva resoluçãoinvariavelmente levarão osadhaka ao sucesso. Uma grande vantagem de praticar automaticamente e sem hesitação o que é correto é que começamos a perceber cada vez mais os aspectos sutis de nossas tendências más.
  62. 62. Todas as qualidades envolvidas em yama-niyama devem serdesenvolvidas até o mais alto grau e os sutras II-35 a II45deixam claro os resultados do desenvolvimento das dezvirtudes no seu mais alto estado de perfeição e as admiráveispotencialidades ocultas nessas coisas comuns.Quando a mente estiver livre de impurezas, como resultado daprática de yama-niyama em seu mais alto grau, surgirá para osadhaka a luz interior da sabedoria, a Vóz do Silêncio, a Luz noCaminho ou Jnana-dipti que torna o sadhaka, em grande parte,independente de orientação externa.De certo modo o sadhaka torna-se realmente qualificado paratrilhar a senda do Yoga somente após esta luz interior teraparecido em sua mente, o que decorre do treinamentopreliminar (Kriya-Yoga)
  63. 63. A medida que a luz espiritual, jnana-dipti, torna-se cada vezmais forte, há um momento do progresso em que o sadhakaobtém sua primeira experiência da Realidade. Nesse estágio osadhaka atinge viveka-khyati, a luz espiritual decorrente daprópria experiência da Realidade, ainda que não definitiva, oque só ocorre em Kaivalya.O sutra II-33 é de grande importância prática:“Quando a mente está perturbada por pensamentos impróprios,a ponderação constante sobre os opostos 9é o remédio)”O melhor remédio para lidar com as tendências indesejáveis éneutralizá-las pela raiz, ou seja, na mente, em vez de lutarcontra sua manifestação externa, o que só reforçaria atendência indesejável.
  64. 64. A neutralização ocorre com a elaboração do pensamento denatureza oposta à tendência indesejável e uma cuidadosaconsideração mental do ponto de vista oposto, uma análiseverdadeiramente sincera e inteligente de nossos hábitos eatitudes.Essa análise deve ser feita quando a tendência não estámanifesta. Quando ela se apresenta, o melhor a fazer é pará-lasem pensar, já que decidimos fazer o que é certo. A luta contra nossa natureza inferior só a reforça. Devemos extirpar o mal sem jamais resistir a ele, mas substituindo o mal pelo bem, de modo sistemático e ininterrupto.
  65. 65. ASANAO papel das posturas é eliminar as perturbações que o corpofísico causa à mente.O corpo deve ser capaz de ser mantido imóvel por longosperíodos e tornar-se insensível às variações do ambiente,chamadas dvandas (pares de opostos: calor e frio, seco eúmido, silêncio e barulho, luz e escuridão etc.).Isso prepara a mente para as duas práticas seguintes:pranayama e pratyahara.
  66. 66. PRANAYAMAA função básica de pranayama é permitir a aquisição docontrole completo e consciente sobre as correntes prânicas noduplo-etérico, e, assim dirigi-la para onde for necessária.Isso só pode ser feito através de kumbhaka, ou interrupçãocompleta, em gradação lenta, da respiração.Quando dominadas, as correntes prânicas podem ser usadaspara despertar kundalini e estabelecer a conexão daconsciência no plano físico com as dos corpos astral e mental.Aqui reside o perigo de pranayama; essa prática não deve serrealizada sem um instrutor competente e uma preparaçãoprévia e apropriada.
  67. 67. Outra utilidade de pranayama é o preparo da mente para aconcentração, já que prana é o elo entre um veículo e a mentefuncionando através desse veículo.Se pudermos controlar prana, poderemos eliminar todaespécie de distúrbio que o veículo produz na mente.As irregularidades no movimento de prana no duplo etéricotambém causam distúrbios na mente, os quais devem sereliminados por pranayama, antes de se chegar a dharana.O grau de concentração exigido pelo trabalho do Yoga é muitoelevado. A intensidade da concentração tem que aumentarprogressivamente. Para isso todas as fontes de perturbação (asexternas e as decorrentes dos movimentos irregulares deprana no duplo etérico) devem ser eliminadas, exceto as quetêm sua origem na própria mente.
  68. 68. PRATYAHARAO sutra II-54 expõe essa técnica:“Pratyahara, ou abstração, é, por assim dizer, como se ossentidos imitassem a mente, retirando-se de seus objetos”Pratyahara é a prática para cortar por completo as conexões damente com o mundo externo, através dos cinco sentidos oujnanendriyas.Em estado de vigília, uma corrente contínua de imagenssensoriais se derrama na mente. O iogue deve ser capaz de,sempre que quiser, penetrar no interior de sua mente e seconcentrar em um objeto ou problema, se isolandovoluntariamente do mundo externo.
  69. 69. Essa concentração deve se dar sem qualquer tipo deperturbação ou distração trazida pelos órgãos dos sentidos.Em pratyahara a mente recolhe os sentidos, seus “tentáculos”,para o interior, quando deseja se empenhar em dharana,dhyana e samadhi.Em pratyahara, se a mente estiver suficientementeconcentrada, pode se isolar do mundo externoautomaticamente. Mas isso depende do grau de concentraçãoda mente.Em estágios avançados do Yoga, onde se necessita dealtíssimo grau de concentração por períodos prolongados, tira-se vantagem do fato de que os órgãos sensoriais funcionamcom a intermediação de prana.
  70. 70. Com a manipulação das correntes prânicas é possívelinterromper o funcionamento dos órgãos dos sentidos demodo que as diversas sensações não mais atingem asrespectivas regiões no cérebro. Ocorre, com isso, a interrupçãoda atuação dos pañca- indriyas nos órgãos físicos dos sentidos.
  71. 71. DHARANA, DHYANA E SAMADHIEssas três membros constituem a antaranga ou parte internada técnica do Yoga.São processos puramente mentais e as técnicas verdadeiras eessenciais do Yoga.Yama, nyama, asana, pranayama e pratiahara constituem oYoga externo (bahiranga) e apenas asseguram que ascondições necessárias estão presentes antes de se iniciar oYoga interno.Samadhi amiúde se configura uma tarefa quase impossívelporque, via de regra, os praticantes tentam se utilizar dessatécnica sem a obtenção de um grau razoável de concentraçãona meditação.
  72. 72. Mas a mente é essencialmente fácil de controlar quando está livredos bloqueios e pressões que impedem seus movimentos naturais.E bahiranga objetiva eliminar :-Com yama-nyama: as perturbações provenientes das emoções edesejos;- Com asana: as perturbações causadas pelo físico denso;- Com pranayama as perturbações que tem origem em pranayama-kosha ou duplo-etérico;- Com pratyahara: desligar as atividades dos órgãos dos sentidos.Depois disso só resta a mente a ser disciplinada e o yogue pode,portanto, praticar dharana, dhyana e samadhi sem dificuldadesextraordinárias e atingir, por meio da inibição das modificações damente, as realizações mencionadas anteriormente.
  73. 73. Na ciência do Yoga, como em qualquer outra ciência, os resultadosmais difíceis ficam fáceis de serem atingidos quando aplicamos astécnicas apropriadas.
  74. 74. Dharana, dhyana e samadhi são três passos progressivos do mesmo processo contínuo e diferem entre si somente no grau de concentração e na presença de certas condições que distinguem um estágio de concentração do outro. Grau deconcentração tempo
  75. 75. Na concentração da mente no tríplice processo dharana-dhyana-samadhi, o objeto (vishaya) não precisa ser tangível. Pode ser umalei, princípio, fenômeno ou fato da existência cuja realidade deve serconhecida pelo processo descrito como: “CONHECER POR TORNAR-SE”Esse tríplice processo que culmina em samadhi é chamado desamyama.O resultado de aplicação de samyama é o conhecimento darealidade.Como cada fração do verdadeiro conhecimento é associada aopoder correspondente, samyama aplicado a um objeto leva aodesenvolvimento de um poder específico associado a esseconhecimento.
  76. 76. Esses poderes são chamados siddhis ( realizações, na terminologiado Yoga e algumas vezes chamados de poderes psíquicos).Somente os poderes inferiores desenvolvidos por samadhi (clarividência, p. ex.) podem ser chamados de poderes psíquicos. Asfaculdades mais elevadas são realmente espirituais e são mesmorealizações do yogue muito além de meros poderes psíquicos.Muitos poderes psíquicos podem ser desenvolvidos por outrosmétodos, como o uso de ervas, mantras etc.
  77. 77. 5 – Alguns Aspectos Interessantesda MeditaçãoA palavra “meditação” compreende uma grande variedade deexercícios mentais praticados com algum ideal espiritual.Há alguns aspectos interessantes dessa prática, normalmentemal compreendidos, mas que são de vital importância para opraticante sincero, que não faz de tal prática mera rotina.Em termos bastante gerais, o propósito da meditação é:“efetuar o contato consciente da personalidade com o Eu Superior,tornando a personalidade cada vez mais consciente de sua origeme destino divinos”
  78. 78. O mundo da realidade está escondido na mente de cada ser humanoe pode ser conhecido cada vez mais por meio da penetraçãoprogressiva nos níveis mais profundos da mente.Por isso é necessário, em toda verdadeira disciplina espiritual, nãoapenas lidar com a mente, mas também ir aos seus mais profundosníveis, através da meditação.O conhecimento relativo aos mundos invisíveis e sutis de naturezamental só podem ser adquiridos mergulhando-se nos níveis maisprofundos da mente. De nada adianta nesses casos, a observaçãosensorial, a coleta de dados, a comparação e o raciocínio.Todas as atividades superficiais da mente, mesmo que comraciocínio rigoroso, tratam apenas com o mundo exterior.Na meditação a mente apresenta um movimento em profundidade.
  79. 79. O movimento da mente em profundidade requer, além de um tipodiferente de movimento, também um esforço bem maior.Qualquer exercício mental, em um tipo particular de atividade, tornao esforço praticamente dispensável após algum tempo de prática.Só nos tornamos eficiente quando isso acontece.E isso é o que é necessário para uma meditação bem-sucedida.Sentar-se numa certa postura e fazer a mente criar uma série deidéias conectadas sobre um assunto escolhido não é meditação real,embora seja tudo o que a maioria das pessoas faz.Nós tendemos a moldar todo tipo de atividade em uma rotina, deforma que a mente não tenha que fazer muito esforço nem escolhercursos ou caminhos alternativos. Isso explica a popularidade derituais na religião.
  80. 80. O maior obstáculo no caminho do desenvolvimento espiritual talvezseja o falso senso de realização e segurança engendrado pela rotina.Por que não é possível produzir o estado mental adequado quandonos sentamos para meditar?De fato porque nosso interesse nas coisas sobre as quais queremosmeditar não é adequadamente intenso e profundo.Não temos o desejo intenso e profundo de resolver os problemas davida interior e desvendar os mistérios da existência. Temos sobreisso pensamentos vagos motivados por desejos igualmente vagos.O estado mental necessário para a meditação real é similar àqueledo cientista Thomas Edison, que quando estava trabalhandoesquecia até de comer e de dormir;
  81. 81. Nó não estamos realmente conscientes das enormes ilusões elimitações sob as quais estamos vivendo nossa vida e, assim , não háo anseio real de superar essa condição.A atração das coisas que formam o viver comum é muito poderosa, ecria uma constante e irresistível força que distrai a mente.Nossa mente não foi treinada suficientemente.Em suma, não possuímos as qualificações necessárias.A prática bem-sucedida da meditação exige treinamentospreliminares da mente e do caráter.
  82. 82. No famoso Sadhana-Chatushthaya, o sistema quádruplo deautocultura, é necessário primeiro adquirir as quatro qualificaçõesbásicas para trilhar o caminho:1 – Viveka ou discernimento2 – Vairagya ou desapego3 –Shattsampatti ou as seis virtudes :- Shama ou tranquilidade- Dama ou treinamento dos sentidos de um modo positivo afim com a caminho,- Uparati ou afastamento natural dos deleites dos sentidos pelo sentimento deplenitude do caminho- Titiksha ou paciência e tolerância com as situações externas que permitem estarlivre do ataque dos estímulos sensoriais e das pressões de outras pessoas paraparticipar em ações, palavras, ou pensamentos que se sabe estar em uma direçãonão-útil- shraddha ou fé absoluta no caminho que se segue- samadhana ou foco resoluto na harmonização da mente e emoções4 – Mumukshutva ou desejo intenso de iluminação.
  83. 83. É somente em um estágio avançado que a prática da meditaçãointensiva é utilizada para abrir os canais entre o inferior e o superiore estabelecer o centro da consciência nos planos espirituais damanifestação.Ao trilhar o caminho do Raja Yoga delineado nos Yoga-Sutras, oaspirante tem primeiro que praticar bahiranga, ou Yoga externa, parase preparar para a prática da meditação com seus três estágios:dharana, dhyana e samadhi. Não se espera que ele inicie sequer aprática de dharana até que tenha dominado a quarta técnica dopranayama, como deixado claro no sutra II-53.A causa fundamental do fracasso na meditação é a ausência de umpropósito sério e uma busca genuína. A meditação não é um fim emsi, é apenas um meio para um fim, fim esse que é resolução dosproblemas da vida interior.
  84. 84. Quando os problemas da vida interior se tornam reais para nós, elespermeiam toda a nossa vida e sua solução torna-se uma questãourgente. Mesmo com a mente inferior engajada em atividadesexternas, a mente superior está por trás, constantemente refletindosobre esses problemas e procurando solução para eles.Essa constante reflexão sobre um problema é chamada bhavana e éparte integrante da verdadeira meditação, que põe a faculdade daintuição em ação.O efeito dessa constante reflexão é ampliado por japa, na qual apotência do “som” é utilizada para reforçar o efeito do pensamento.SutraI-28:“Por meio da constante repetição (do OM) e meditação sobre o seusignificado (resultam o desaparecimento dos obstáculos e ainteriorização da consciência)”
  85. 85. A intuição é parte importante da meditação, pois permite acessar asverdades diretamente, a partir da Mente Divina. Quanto maispenetrante é sua percepção, mais profundas as realidades que elapode perceber.A intuição permite abrir caminho através da selva de ilusões eobstruções que obscurecem nossa vida espiritual. Essa é a razão porque a purificação, a renúncia e a harmonização desempenham umpapel mais importante no caminho da santidade do que a aquisiçãode conhecimento.A percepção direta das realidades da vida espiritual, no sentido maisamplo, acontece somente em samadhi, mas é possível terexperiências qualitativas do conhecimento intuitivo mesmo antesdesse avançado estágio, desde que as condições para ofuncionamento da faculdade estejam presentes em algum grau.
  86. 86. Experiências intuitivas são vantajosas para o sadhaka, pois revelamo tremendo poder em seu interior e mostram que ele está nocaminho certo, fazendo-o voltar-se cada vez mais e com maiscerteza para seu interior.
  87. 87. 6 – Alguns Equívocos Sobre YogaQuando não há suficiente conhecimento e quando a faculdadedo discernimento não está suficientemente desenvolvida,muitos problemas referente ao Yoga podem serdemasiadamente simplificados.Por isso é necessária uma boa base teórica do assunto antes deentrar no campo prático. Sem isso, corre-se o risco de se tomaratalhos sem saída, adotar métodos errados, exercer atividadesnão-essenciais etc.Vamos ver agora algumas simplificações no campo do Yoga
  88. 88. Desde meados do século XX no ocidente tem sido publicados muitoslivros sobre Yoga, especialmente sobre asana e pranayama.Mas asana e pranayama, como são usualmente apresentadas, nãosão Yoga, mas sim técnicas que visam abrir o caminho para o Yoga.Outro erro comum é comparar o Yoga com a técnica da psianálise. Atécnica psicanalítica objetiva remover as distorções e anormalidadesque dizem respeito ao nosso estágio humano por meio do “estudo”da mente subconsciente. Mas as tendências e impressões dosubconsciente só podem ser trazidas quando se tranquiliza e esvaziaa mente consciente. Com o vazio da mente consciente, afloram asimpressões (samskaras) de todos os nossos estágios evolutivosanteriores, trazendo à tona tendências atávicas e instintivas denossos estágios como selvagens e animais, processo quesupostamente não teria fim.Percebe-se facilmente que esse não é o objetivo do Yoga e daí oequívoco da comparação da técnica do Yoga com a psicanálise.
  89. 89. 7 – A Questão do GuiaVimos que o propósito da evolução humana é desenvolver umindivíduo auto-iluminado, auto-determinado e auto-suficiente.Nos estágios finais, o indivíduo só pode evoluir por meio doauto-direcionamento.A orientação externa é necessária e é oferecida nos estágiosprimários; porém, à medida que o indivíduo avança no caminhodo desenvolvimento interior, a orientação externa é retirada.Ele é forçado a acender sua própria luz.Na natureza humana essa orientação está disponível no interiorde cada homem já que o âmago de cada ser é a prórpiaConsciência Divina.
  90. 90. O homem é um microcosmo que contémem si todos os poderes e faculdades quevemos de forma ativa no macrocosmo.A Luz que guia o buscador em sua procurada verdade só pode vir de seu interior.Essa é a única luz que pode ser projetadano caminho. Quem não puder percebê-laem seu interior, perderá tempo emprocurá-la em qualquer outro lugar.
  91. 91. Sutra II-28:“Da prática dos exercícios componentes do Yoga, com a destruição daimpureza, nasce a iluminação espiritual que se desenvolve em percepçãoda realidade”A direção no caminho só pode vir de nosso interior. Mas nos estágiosiniciais da evolução, o homem é incapaz de aproveitar a vantagemdesse guia interior.Assim, por muito tempo, agentes externos de educaçãodesenvolverão sua mente, moldarão seu caráter e estimularão suasfaculdades espirituais.Mas chega um tempo que tal orientação passa a se mostrarinadequada.
  92. 92. Então, o aspirante passa a buscar um objetivo espiritual mais dinâmicoe definido e também meios mais eficientes para atingir esse objetivo.O aspirante volta-se então para seu interior a fim de descobrir arealidade oculta em seu coração. E assim começa a realizar em suamente e em seu coração as mudanças necessárias para cumprir suatarefa. Ele entra seriamente no campo da auto-cultura.O aspirante deve manter em mente que o objetivo de seu esforçoespiritual, Ishvara, é e sempre será o guia de sua busca, aquele quefalará sempre ao seu coração, primeiro como voz da consciência edepois como a voz do silêncio como função da Consciência Divina quenos capacita a compreender e a receber as verdades espirituaisdiretamente das profundezas de nosso ser.
  93. 93. A idéia da Deidade em Suafunção como instrutor ésimbolizada nas escrituras hinduscomo Dakshinamurti, o Jagat-Guru ou instrutor mundial.Sua forma é a mesma de Shiva,com mínimas diferenças. Suafunção como Jagat-Guru éenfatizada. Ele aparece sentadoembaixo de uma figueira, árvoresímbolo do conhecimentohumano.O instrutor é jovem e osdiscípulos velhos. Senhor Dakshinamurti
  94. 94. Isso dá a idéia de que a fonte dasabedoria é eterna, não sujeita àsleis do nascimento, crescimentoe deterioração das coisasexistentes no tempo e no espaço.Os instrutores do reino do tempoe do espaço, ainda queavançados no tempo têm quetrabalhar a sabedoria por meiodo imperfeito intelecto.Jagat-Guru, mesmopermanecendo silencioso, dissipatodas as dúvidas dos discípulos Senhor Dakshinamurti
  95. 95. O conhecimento que pode ser transmitido por meio da linguagem éapara-vidya, pertinente ao intelecto.Os profundos conhecimentos da vida não podem ser transmitidos pormeio da linguagem mas somente por experiência direta. Assim, aconsciência daquele que recebe é levada a um nível mais alto, ondepode experimentar diretamente a verdade e conhecer a realidade,tornando-se realmente consciente dela.Um dos maiores problemas da vida espiritual é encontrar um guia quepossa nos ajudar a vencer as dificuldades e provações, dando-nos forçae iluminação nos momentos necessários.Muitos procuram por anos, e inutilmente, um guru externo, ignorandoo Supremo Guru que está sempre ali, cheio de sabedoria, força ecompaixão e sempre à disposição e ciente das aspirações maisinsignificantes do aspirante.
  96. 96. Em todo caso o que falta é confiança em nossa aptidão paraestabelecer contato com Ele e fé para reconhecer que ele é real e estáem nós.Mas onde estão os verdadeiros instrutores dos homens que guiam osaspirantes no caminho da libertação.Esses instrutores e mestres de sabedoria indubitavelmente existem e,de diferentes maneiras, ajudam as pessoas em seu desenvolvimentoespiritual.Como “postos avançados” da consciência de Dakshinamurti, tais serestêm sua consciência una com a Dele.Quando um aspirante necessita e merece, o auxílio lhe é oferecidoatravés Dele, da melhor maneira e conforme as circunstâncias.Assim, o aspirante deve aceitar e receber toda a ajuda e orientação, dequalquer maneira que apareça.
  97. 97. Pode ser que o aspirante fique emcontato físico com um instrutor, ouque seja guiado do interior, ou aindaque seja deixado inteiramente comseus próprios recursos para capacitá-lo a desenvolver sua força interior eautoconfiança.
  98. 98. FIM

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  • aramisalexandre

    Feb. 3, 2013
  • MerciaAP

    Jul. 9, 2014
  • miltonmoreira31

    Apr. 18, 2015
  • AnaCludiaSilvestrePereira

    Jul. 13, 2015
  • aryanevm

    Aug. 21, 2015
  • igorsaraiva

    Dec. 13, 2016
  • JeanPierreDepraz

    Oct. 2, 2017
  • telmaaraujo52

    Oct. 26, 2017
  • AntonioPiresFerreira1

    Nov. 19, 2017
  • RonaldFedalto

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  • souto43

    Apr. 28, 2019
  • TacianyFeitosa

    May. 18, 2019
  • Flavias20

    Oct. 20, 2019
  • ayawellness

    Oct. 31, 2019
  • anabarbarulo

    Jan. 28, 2020
  • GustavoOteroPrado

    May. 5, 2020
  • raquelbianchi35

    Aug. 9, 2020

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