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HISTÓRIA                                                    ROMA1. MONARQUIA                                              ...
aumentou, quando foi aprovada a Lei Hor-            merciantes. As técnicas rudimentares de produção          tência (286 ...
5.2. Conseqüências                                           que, embasada numa falsa acusação, irá executar       O expan...
causa de suas ligações com o partido democrático.               cidam-se e o Egito é anexado a Roma como uma deNeste momen...
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Constantino também será responsável pelo re-                    A escultura e a pintura romana estiveram mui-conhecimento ...
2   Dentre as várias guerras enfrentadas pelos ro-            Estudo Dirigido    manos, destacam-se as efetuadas contra os...
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Roma Antiga

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Na antiguidade, a Itália era dividida em várias regiões, habitadas por diferentes povos. em uma dessas regiões da Itália Central fundou-se Roma...

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Roma Antiga

  1. 1. HISTÓRIA ROMA1. MONARQUIA representantes do Estado. Os cônsules eram os principais magistrados. Na monarquia romana, o rei exercia funções Pretor: administrava a justiça.executiva, judicial e religiosa. O Senado, composto Censor: fazia a contagem da populaçãopelos patrícios, tinha o poder de vetar as leis apresen- (censo), e controlava a moral através datadas pelo rei. A assembléia dos cidadãos votava as censura. Elaborava o "Álbum Senatorial",leis. isto é, a lista dos senadores. A estrutura social em Roma, neste período, Edil: era encarregado da administração daestava dividida nas seguintes classes sociais. cidade, da sua conservação e policiamento. Sociedade romana Questor: cuidava da arrecadação dos impostos. Patrícios Ditador: em épocas de crises e guerras era escolhido um ditador, que governava pelo Clientes prazo de seis meses, prorrogável, no Plebeus máximo, por mais seis meses com plenos poderes. Esta estrutura política acabou por marginalizar A crise da monarquia em Roma esteve associ- a maior parte da população, constituída pelosada ao domínio etrusco sobre a cidade. O rei etrusco plebeus. Afastados da propriedade e, além disso,Tarquínio, o Soberbo, ao se aproximar da plebe para sujeitos à escravidão por dívidas, osexercer seu poder em detrimento da nobreza patrícia, descontentamentos levaram ao aprofundamento dafoi derrubado, em 509 a.C., instalando-se em Roma, luta de classes.uma República. 3. AS REVOLTAS DA PLEBE2. A REPÚBLICA (509 A 27 A.C.) O início da República foi marcado por intensas A implantação do regime republicano em lutas de classes. Os plebeus, eram manipulados pelosRoma significou a afirmação do poder do Senado, patrícios para iniciar o processo de expansão, neces-representante exclusivo dos interesses dos patrícios. sitavam dos plebeus como soldados romanos.O Senado controlava a administração e as finanças, Enquanto Roma aumentava o seu território, àsalém de decidir pela guerra e pela paz. custas dos povos vizinhos, os patrícios se apropria- O Senado passou a ser o órgão político mais vam da maior parte das terras, aumentando assim aimportante. Seus membros eram vitalícios e além de quantidade de camponeses sem terra e de escravoslegislar, decidiam todas as questões importantes da por dívidas (a contradição entre o desenvolvimento epolítica interna e externa. A Assembléia Centuriata a distribuição de renda). Este fato fez aumentar asera outro órgão de suma importância, elegendo os pressões sociais pela reforma agrária, pelo fim da es-Cônsules e votando as leis, sempre resguardando o cravidão e contra o desemprego que atingia a plebe,direito dos proprietários. As atribuições religiosas problemas estes, que chegaram a promover conflitoscabiam ao colégio dos Pontífices, que interpretava os como, por exemplo, a Revolta do Monte Sagrado -costumes e a tradição e aplicava a lei costumeira (não primeira greve: ameaça de uma mudança em massaexistiam leis escritas). dos plebeus para outra área. Diante destas necessida- Os cidadãos faziam-se representar na des, os patrícios iniciaram um processo de concessãoAssembléia Centurial, isto é, em grupos de centúrias, aos plebeus que culminou na aprovação das seguintescuja função era propor leis e escolher os magistrados. leis:O predomínio, também aqui, era dos patrícios, que O Tribunato da Plebe (493 a.C.): eraconstituíam 98 centúrias contra 95 dos plebeus. Uma composto por dois tribunos que, eleitos pelavez que o voto era por centúria, a aristocracia patrícia plebe em Assembléia, tinham como funçãocontrolava as decisões. defender o interesse da Plebe. A questão é Por sua vez, o poder executivo em Roma ficou que neste momento já estava ocorrendo uma cargo das chamadas magistraturas, ocupadas por crescimento das atividades comerciais, pro-patrícios e eleitas pela Assembléia Centuriata: duzindo uma classe de plebeus ricos, que Cônsules: em número de dois, propunham venciam as eleições nas Assembléias, às leis e presidiam o Senado, a Assembléia e custas do abuso do poder econômico nas comandavam o exército. Eram os campanhas. Mais tarde, o poder dos plebeusEditora Exato 7
  2. 2. aumentou, quando foi aprovada a Lei Hor- merciantes. As técnicas rudimentares de produção tência (286 a.C.) que dava força de Lei às agrícola não permitiam o aumento e a única maneira decisões da Assembléia popular (Comitia de se aumentar esta produção era com a conquista de Tributa). mais terras e mão-de-obra (escravos). Lei das XII Tábuas (450 a.C): o outro a- A terra conquistada era convertida em ager vanço parcial conquistado pelos plebeus foi publicus, que eram divididos em pastos comuns (uso a publicação das leis escritas, em que a ple- de todos os cidadãos romanos), arrendada em peque- be pretendia obter igualdade jurídica. Esta nos lotes a camponeses e, a maior parte, era entregue concessão deve ser entendida como uma em latifúndios à exploração da aristocracia escravis- manobra do patriciado que, sabendo das li- ta. mitações do movimento popular, concede- Após a unificação da Itália, os romanos se de- ram alguns direitos a uma massa de pararam com duas grandes potências: Cartago, que iletrados que não saberiam, em sua grande dominava o Mediterrâneo, e a Macedônia, que domi- maioria, interpretar estas leis. nava o Oriente. A rivalidade entre Roma e Cartago Lei Canuléia (445 a.C.): instituiu a igual- pelas regiões comerciais e agrícolas em torno do Me- dade civil, o que permitia o casamento entre diterrâneo, culminaram nas Guerras Púnicas. A guer- patrícios e plebeus. Observa-se, neste mo- ra começou por causa do interesse da aristocracia mento histórico o crescimento das ativida- romana na Sicília e na Espanha, que eram colônias des comerciais, o que enriquecia uma cartaginesas. A aristocracia romana era apoiada pelos grande quantidade de plebeus, ao passo que grandes comerciantes, que estavam interessados nas a desvalorização da Terra como única fonte rotas marítimas e nos entrepostos comerciais. de riqueza arruinava muitas famílias patrí- 5.1. A escravidão como modo de pro- cias. A solução para a crise do patriciado dução nas posses romanas era o casamento com plebeus ricos comer- Eles podiam ser escravos públicos e particula- ciantes, fazendo surgir assim uma aristocra- res. Os escravos do Estado eram utilizados nas gran- cia do dinheiro em Roma - classe eqüestre des construções, em obras urbanas, nos serviços ou cavaleiros. domésticos dos templos, nas minas e pedreiras. Lei Licínia (367 a.C.): dividia o Consulado Os escravos particulares dividiam-se em urba- com a nomeação de um Cônsul patrício e nos e rurais. Os urbanos desempenhavam funções outro plebeu, regulamentava o uso das ter- domésticas, inclusive de professor, e nas oficinas ar- ras públicas (ager públicos) e, o mais im- tesanais (a mão-de-obra escrava serviu também para portante, estabelecia o critério econômico a diminuição da oferta de empregos para os homens para a participação política. livres e a conseqüente redução dos salários). Esses Lei Poetelia (326 a.C.): foi o maior avanço escravos urbanos tinham também a possibilidade de social para a plebe pobre com a concessão ganhar sua liberdade (manumissão), enquanto os es- da libertação dos escravos por dívidas e o cravos rurais nunca atingiriam este privilégio. fim deste tipo de escravidão para os cida- A preocupação com o escravo por parte do se- dãos romanos. nhor era facilmente explicável, pois o proprietário Lei Ogúlnia (300 a.C.): já a igualdade reli- não destruiria seu bem e se o escravo fosse extrema- giosa foi concedida através da lei que per- mente maltratado, ele traria o perigo da revolta. Po- mitiu o acesso dos plebeus aos colégios rém, essas revoltas não tardaram a acontecer. Por sacerdotais e ao cargo de Pontífice Máxi- volta do século I a.C., estouraram revoltas na Sicília mo. (Espartacus) e na Ásia Menor. Estas regiões domina-4. A EXPANSÃO ROMANA E SUAS CONSE- das sempre ofereceram resistência à dominação ro- QÜÊNCIAS mana que lhes privou do maior bem que um ser humano pode possuir: a liberdade. Essas revoltas não O início da expansão romana se dá no século V exigiam o fim do sistema escravista e sim a liberdadea.C., quando Roma consegue repelir o ataque de vá- dos escravos revoltosos e isso acontecia porque elesrios povos vizinhos e conquista o Lácio e a Etrúria. A não possuíam uma maior compreensão da realidadepartir daí, o exército romano avança e começam as em que viviam sem possuírem uma consciência deconquistas que foram auxiliadas pelo enfraquecimen- classe.to econômico dos povos que habitam a Península itá-lica e pelo bem organizado e melhor armado exército.No final do século III a.C., toda a península está sobo domínio romano. Este tipo de política expansionista obedeciaaos interesses da aristocracia rural e dos grandes co-Editora Exato 8
  3. 3. 5.2. Conseqüências que, embasada numa falsa acusação, irá executar O expansionismo romano trouxe grandes mu- Tibério como um traidor.danças para a economia agrícola da Itália. A terra foi Em 123 a.C., Caio Graco, irmão de Tibério,apropriada pela aristocracia, que passou a utilizar a sendo eleito Tribuno da Plebe, retoma as propostasabundante mão-de-obra escrava, oriunda das conquis- de seu irmão. Para conseguir apoio dos cavaleiros,tas em seus latifúndios. O baixo preço dos cereais faz aprovar uma lei judiciária, aumentando o poderimportados levou à desvalorização das atividades dos destes na administração do Estado. Conseguiu aindapequenos proprietários. Estes, não podendo concorrer a aprovação da Lei Frumentária, que obrigava ocom a economia escravista, contraíam dívidas, sem Estado a vender trigo mais barato para os maiscondições de pagá-las e sob grande pressão da aristo- pobres. Suas propostas, principalmente com relação àcracia acabavam por perderem suas terras. Os arren- reforma agrária, batem de frente com os interessesdatários perdiam espaço para os escravos. Estas da classe aristocrática e esta o força a cometercamadas camponesas acabavam migrando para as ci- suicídio em 121 a.C.dades para viverem, na grande maioria das vezes, do 5.2. Ditaduras de Mário e Sila (107-79ócio, Nas cidades, estes desocupados só tinham um a. C)bem para venderem, o voto, que era avidamente dis- Mário, ligado à classe dos cavaleiros, é eleitoputado pelos políticos oportunistas. Cônsul em 107 a.C; dentre suas realizações, temos: A influência cultural helenística foi marcante, profissionalização do exército, que criouprincipalmente após a anexação da Grécia e Macedô- uma maior devoção do soldado aonia, no século II a.C. O conhecimento do idioma gre- comandante do que à República;go tornou-se imprescindível para o comércio e implantação uma ditadura, com o apoio dosímbolo de prestígio social. Escravos gregos eram u- exército;tilizados na educação da elite romana. A cultura ro- redução o poder do Senado e dosmana, como parte de um sistema escravista, também privilégios da aristocracia;se encontrava corrompida pelos costumes gregos (he- concessões aos cavaleiros.lênicos). O crescimento da personalização do poder, Mário morre em 86 a.C. e é sucedido por Sila.que tem o seu ápice durante o período imperial, tam- Este, apoiado pelo Senado, liderará a reação dabém pode ser usado como exemplo de influência da aristocracia, reimplantando seus direitos e caçandocultura helênica na política. os direitos dos cavaleiros. Morre em 79 a.C., Deve-se, contudo, ressaltar que as conquistas deixando Roma mergulhada em uma profunda crisesignificaram o fortalecimento político daqueles que social e política, que se reflete nas diversas rebeliõeseram os reais responsáveis pela riqueza e glória de que se instaurarão neste período, das quais destacam-Roma, os Generais. As contradições existentes entre se:o desenvolvimento e a miséria do povo, aliadas ao Rebelião do Sertório - ocorrida em 78prestígio político do exército e o desenvolvimento da a.C., na Espanha, e vencida pelo Gen.classe de comerciantes (antigos plebeus ricos) conse- Pompeu.qüentemente reduzem a capacidade do Senado e das Rebelião de Espártaco - ocorrida em 73instituições republicanas de continuarem controlando a.C. no sul da Itália, foi uma rebelião dea vida política romana. escravos, tendo à frente um gladiador de grande prestígio (Espártaco), reuniu5. A CRISE DA REPÚBLICA cinqüenta mil escravos e foi vencida por Crasso em 71 a.C;5.1. A crise social e as tentativas de Conspiração de Catilina - O líder doreforma agrária dos irmãos graco: partido popular arquitetava um golpe. Foi Os irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos descoberto, denunciado e morto, junto comsucessivamente tribunos da plebe, procuraram três mil seguidores na região de Pistóia.solucionar a crise da República, através da realização 5.3. Os Triunviratos e a Ditadura dede reformas que atendessem às reivindicações dosdesempregados e dos cavaleiros. A violenta reação da Césararistocracia impediu, entretanto, a concretização A administração do vasto império romano foidessas reformas populares. dividida da seguinte forma: Roma e regiões vizinhas, Em 133 a.C., Tibério Graco foi eleito tribuno para Pompeu, o Oriente, para Crasso e a Gália, parada plebe e conseguiu a aprovação de uma lei agrária, César. Após a morte de Crasso, a elite dominanteque limitava a extensão dos latifúndios e autorizava a romana, temendo o poder e o prestígio adquiridos pordistribuição de terras para os desempregados. Tais César (mais ainda após as conquistas na Gália) assu-tentativas encontraram forte oposição da aristocracia me declaradamente a defesa da concentração do po- der nas mãos de Pompeu e afasta-se de César, porEditora Exato 9
  4. 4. causa de suas ligações com o partido democrático. cidam-se e o Egito é anexado a Roma como uma deNeste momento, Roma vivencia mais uma guerra ci- suas províncias.vil pelo poder. César, comandando um forte exército, O fim do Estado descentralizado, da pólis in-marcha sobre a cidade e assume o poder. Após sua dependente, da politicagem corrupta e nepótica dosvitória, o Senado, sem poder reagir, lhe confere o tí- senadores, serão substituídos pela Autocracia, basea-tulo de Ditador vitalício. da na força com amplo apoio popular. Isto nos de- O Estado romano dirigido por César suprimiu mosntra a espectativa de mudança que o povoo poder do Senado e não concedeu às camadas popu- romano, povo mesmo, estava vivendo.lares nenhuma mudança estrutural, porém, contava 6. ALTO IMPÉRIOcom amplo apoio popular, dos exércitos e dos cava-leiros. Em seu curto governo, a cidadania romana foi O retorno de Otávio a Roma foi marcado porestendida a muitos habitantes das províncias, claro, uma recepção gloriosa e pela expectativa de que eleem troca de apoio e estabilidade. Fundaram-se mais se tornaria o salvador da República. Otávio recebeucolônias fora da Itália e suas terras foram distribuídas do Senado o título de Princeps (primeiro cidadão),aos veteranos de guerra. Reformou-se o calendário primeira etapa para tentar obter o título de Imperador(calendário Juliano), modernizou-se as administra- (o supremo).ções provinciais, iniciou-se um processo de romani- O governo monárquico e autoritário de Otáviozação das regiões conquistadas (invasão cultural) e Augusto (autocracia), manteve as aparências republi-realizou-se grandes obras públicas contratando traba- canas através do funcionamento de suas instituiçõeslhadores livres desempregados. (Senado e Magistraturas), iniciando o período do A centralização do poder e sua administração – Principado, que foi a primeira fase do Império Ro-preocupada com concessões às camadas populares, mano. Como prova disso, podemos destacar a manu-não por consciência e sim por pura necessidade de tenção dos privilégios sociais dos Senadores e umauma ampla base de apoio político e contra os levantes certa influência política, conforme o apoio prestadosociais que poderiam desestabilizar seu governo – ao governo de Otávio. O auge da crise republicana,soariam como uma ameaça aos interesses das cama- com o esmagamento do movimento popular, as crisesdas proprietárias dirigentes. entre as classes dominantes e o seu respectivo des- Esta ameaça ao poder político da elite patrícia gaste político, abrem o caminho para o poder pessoal.– vai ter uma única solução, o assassinato de César, O governo de Caio Otávio Augusto represen-numa conspiração, dentro do Senado Romano. A tava os interesses da classe dos cavaleiros (comerci-conspiração e morte do Ditador Vitalício não conta- antes) que lhe deram total apoio. O império foiram com o apoio da população da Itália, de Roma e caracterizado pelo poder político entregue nas mãosda maioria do exército, intensificando-se assim, no- dos generais do exército que administravam, visandovamente, as lutas pelo poder em Roma. ao desenvolvimento das atividades comerciais sem se Com o aumento das possessões romanas (bus- descuidar também dos benefícios para a classe patrí-ca de terras, escravos, riquezas), dificultava a admi- cia.nistração, aumentava o perigo das revoltas nas As questões sociais no governo do Principadoregiões conquistadas e acabava por valorizar uma de foram resolvidas através da distribuição de terras emsuas classes sociais, os militares, cujo apoio era dis- novas colônias para veteranos do exército. Já, o pro-putado por todas as correntes políticas de Roma. Po- blema da grande quantidade de plebeus que viviamrém, os chefes militares de maior evidência, Marco no ócio na cidade de Roma era muito grande. EstaAntônio, Lépido e Otávio (filho adotivo de César) fi- massa de desocupados e miseráveis representava umzeram um acordo e receberam poderes limitados da grande perigo para os proprietários. Pensando nisso,Assembléia Popular. As províncias foram divididas Otávio iniciou a chamada política do pão e do circoda seguinte forma: Marco Antônio governaria o Ori- (Panem et Circensis). Esta política consistia no for-ente, Otávio o Ocidente e Lépido a África. A Itália necimento de trigo e diversão a estes desempregados.seria governada pelos três. Como exemplo desta prática, podemos citar os jogos Os problemas entre os Triunviros logo apare- de gladiadores, os cristãos jogados para os leões, oceram, pois todos queriam a centralização do poder Teatro etc.). O objetivo não era resolver o problemapolítico. Otávio destitui Lépido e tem sua aliança das classes populares e sim mantê-las em níveis acei-com Marco Antônio rompida por este, publicamente. táveis, sem que esta população se revoltasse contra oMarco Antônio, apaixonado, e para assegurar base império e os proprietários. Com esta política, desvia-econômica e militar, faz sua aliança com Cleópatra, va-se a atenção da plebe de seus verdadeiros proble-governante do Egito. A guerra direta (32 a.C.) e irre- mas, que eram a falta de terras e de trabalho.mediável entre eles só vai terminar na batalha naval A economia romana passou a receber o empe-do Ácio. Derrotados, Marco Antônio e Cleópatra sui- nho pessoal do imperador, principalmente as ativida- des comerciais. Criou-se uma moeda romanaEditora Exato 10
  5. 5. universal, construíram e aperfeiçoaram os portos e as esquecer a necessidade de uma nova base ideológicaestradas desenvolvendo-se assim a vida urbana, ge- para o sustentáculo deste mesmo Estado. O Impera-rando conseqüentemente uma maior infra-estrutura dor centralizava o poder religioso, mostrando-se co-para o comércio. mo escolhido por deus para zelar de seu povo. O governo de Augusto vai promover, além do Opondo-se à estrutura escravocrata, odesenvolvimento urbano, um grande desenvolvimen- Cristianismo contribuía para o desenvolver destato cultural. Mantendo a idéia de Alexandre, o Gran- crise, visto que, com o seu constante crescimento emde, inicia-se a chamada romanização das áreas número de adeptos, desestruturava ideologicamente aconquistadas. Este processo de dominação cultural é base de sustentação econômica de Roma. Some-se aextremamente eficiente para a dominação de outros isso o fato de, ao tornar-se religião oficial e unir-sepovos que, ao se converterem aos hábitos culturais ao Estado, a Igreja consumia pesadas somas emromanos, estariam dominados ideologicamente. O la- dinheiro e recebia generosas doações de terras, o quetim passou a ser a língua oficial do império, que re- contribuiu para o esvaziamento dos cofres públicos.cebia uma forte influência da cultura helenística O Cristianismo progressivamente foi sendo(helênica + oriental). Os artistas romanos tiveram estruturado dentro de uma hierarquia rígida e ligada àgrande importância neste momento devido à existên- estrutura estatal romana. Assumiu até as mesmascia do mecenato, porém suas obras retrataram a vida práticas da antiga religião romana, como o culto e ada elite dominante que lhes financiava o trabalho. conservação de imagens de seus mais representativosNão podemos deixar de destacar que o mecenato era seguidores. A estruturação do cristianismo em umamotivo de prestígio social (status). Igreja foi de tal modo eficaz que, ao final do Império O brilhante império de Otávio Augusto só pos- Romano, ela o substituiu como instituição central,suiu uma grande falha, a falta de uma política de su- sendo fundamental para a formação da mentalidadecessão ao trono. Sem se preocupar com este assunto, medieval.Augusto, quando de sua morte, deixa uma linhagem 8. O BAIXO IMPÉRIOde familiares como herdeiros do trono e estes se reve-lam verdadeiros indolentes. No século I, os romanos conquistaram boa parte do mundo conhecido por eles e trouxeram uma7. O CRISTIANISMO E A CONTRA- quantidade impressionante de riquezas. Estas PROPAGANDA IDEOLÓGICA riquezas garantiram a estabilidade e a tranqüilidade A expansão do cristianismo em Roma merece romana no século II. Porém, a opulência, o luxo e adestaque especial. Tendo sua origem na Judéia arrogância foram condutores para a indolência e a(Oriente), na época uma das províncias de Roma, a corrupção, que marcaram a crise de Roma e seuampla difusão que ele conheceu em vastas regiões do sistema de dominação.império deveu-se a alguns fatores muito importantes, 9.1. A Dinastia dos Severos e a divisãodentre eles, a unidade das fronteiras do Império, o do poder e do estadoque não impedia a circulação de pessoas. Merece Durante a dinastia dos Severos, ainda no sécu-especial destaque a pregação dos apóstolos Pedro e lo III, a indolência de seus imperadores vai propiciarPaulo, que percorreram o império em direção à Itália. uma nova onda de lutas pelo poder entre as Legiões,Por outro lado, a unidade lingüística na península a Guarda Pretoriana e o Senado, aumentando o dese-balcânica, na Trácia e na Ásia Menor, conseguida quilíbrio administrativo do Estado. A importância daspela difusão do "grego koiné", facilitou a aceitação províncias foi oficializada a partir do Édito de Cara-dos preceitos cristãos nestas regiões. cala (Imperador Caracala) que concedia a cidadania As amplas perseguições aos cristãos foram re- romana aos habitantes livres do império. Esse fato, seflexo destas desconfianças. O imperador Nero deu i- por um lado favorecia o império com o aumento danício às perseguições no ano de 65. A última grande tributação, por outro prejudicava, pois admitia a in-perseguição ocorreu entre 303 e 304, determinada por dependência das regiões provinciais.Diocleciano. Diocleciano vai instituir o imposto “in natura” A importância crescente do número de cristãos devido ao estrangulamento do comércio dificultadolevou a que o imperador Constantino, por meio do pelas guerras e pela tendência de auto-suficiência re-Édito de Milão, em 313, concedesse liberdade de cul- gional e o Édito do Máximo, que tabelava preços eto aos cristãos e finalmente, em 395, o imperador Te- salários.odósio oficializou o cristianismo em Roma por Já o seu sucessor, Constantino, decretou a fi-intermédio do Édito de Tessalônica. xação do homem à terra em que trabalhava, e nas ati- O cristianismo, que no início foi um movimen- vidades comerciais e artesanais foi decretada ato de grande base popular e de oposição à ordem es- hereditariedade. Tudo isso para facilitar a tributação ecravista, após a conversão da elite, passa a fazer não aumentar a falta de mão-de-obra nestes setoresvistas grossas à questão do escravismo. Não devemos econômicos.Editora Exato 11
  6. 6. Constantino também será responsável pelo re- A escultura e a pintura romana estiveram mui-conhecimento do cristianismo enquanto religião per- to ligadas à arte decorativa, principalmente na produ-mitida pelo império (Édito de Milão). Esta postura do ção de bustos, estátuas, quadros e pinturas de seusgoverno visava à tentativa de aumento do apoio po- heróis.pular a seu governo. Outro fato imensamente relevan- A colaboração romana para a ciência orientalte do governo de Constantino foi a reconstrução da foi pequena, restringindo-se apenas à utilização doantiga colônia grega de Bizâncio, que agora passa a conhecimento grego e dos povos orientais. Por outroreceber o nome de Constantinopla, uma cidade nova, lado, as instituições republicanas romanas, suas leis,bem estruturada, colocada em uma região estratégica, o exercício da cidadania e a estrutura administrativatanto em nível político como militar e comercial. influenciaram profundamente todo o mundo ociden-9.2. A crise final do Império Romano tal. A crise mais geral do escravismo e o colapso O direito é uma das grandes contribuições le-da Antigüidade Clássica aceleram-se progressiva- gadas pelos romanos à civilização ocidental. Desen-mente nos séculos IV e V. A crise econômica do O- volveu-se, em Roma, na medida em que uma dascidente levou a soluções como a produção de preocupações básicas do Estado era regular, por meiosubsistência, a técnica agrícola decaiu, as áreas de de normas jurídicas, o comportamento social da nu-cultivo reduziram, a produtividade do solo diminuiu. merosa população do vasto império.Os pequenos proprietários arruinados buscavam pro- ESTUDO DIRIGIDOteção nos grandes latifundiários. Assim, surge o Pa-trocínio – o homem livre obrigava-se a cultivar um 1 Cite as conseqüências das revoltas plebéias.lote de terra para um grande proprietário em trocadesta proteção. O Colonato – trabalho na terra emtroca de uma porcentagem –, foi um outro tipo deinstituição assimilada dos germânicos. Essa institui-ção passou a fazer parte da nova forma de produção eganhou espaço durante a crise. A crise do estado escravista romano caracteri- 2 Cite as transformações econômicas, políticas ezou-se pela descentralização político-adminstrativa sociais ocorridas em Roma, após a conquista dodo império (ao fim do império de Constantino), pelo Mediterrâneo.avanço dos bárbaros, pela disputa permanente pelopoder entre os vários chefes militares romanos, pelacontra-propaganda ideológica do cristianismo, pelainfluência crescente do Oriente, as rebeliões de es-cravos e camponeses e, acelerando o colapso da or-dem imperial do Ocidente, pelas migrações bárbaras. 3 Relacione a crise do escravismo com o estabele- Em 476, os hérulos, sob o comando de Odroa- cimento do sistema de arrendamento e do colona-co, destronaram o último Imperador romano do Oci- to.dente, Rômulo Augusto. Após lenta evolução dasruínas da sociedade escravista, nasceria a sociedadefeudal.9. RELIGIÃO E CULTURA Os romanos eram politeístas e a religião erautilizada como um dos fundamentos da autoridade doEstado. Interpretando a vontade dos deuses, os sacer- EXERCÍCIOSdotes apontavam o que era lícito e ilícito em termosde comportamento público. E é claro que essa “von- 1 A sociedade romana, a República, caracterizou-tade dos deuses” era largamente manipulada ao sabor se:dos interesses das classes mais poderosas. a) pela conquista de direitos políticos, jurídicos e Os romanos assimilaram dos gregos uma série religiosos por parte dos plebeus.de divindades, que foram rebatizadas com nomes la- b) como uma sociedade de castas, com ausênciatinos. Refletindo o caráter prático e utilitário da cul- de mobilidade social.tura romana, além da influência grega, a religião c) pelo domínio político-social dos sacerdotes ebaseava-se num princípio utilitarista: eu dou algo aos pelo desaparecimento da escravidão.deuses (cerimônias e ritos) para receber alguma re- d) pela permanente marginalização dos plebeuscompensa (saúde, boa sorte, sucesso etc.). da vida política e religiosa.Editora Exato 12
  7. 7. 2 Dentre as várias guerras enfrentadas pelos ro- Estudo Dirigido manos, destacam-se as efetuadas contra os carta- gineses, cujo principal fator causador foi: 1 Concessão de alguns direitos como: a) a disputa pelo controle comercial do Mar Me- - Tribunal da Plebe: podiam vetar leis contrárias à diterrâneo. plebe. b) a defesa de fronteiras romanas, já que Cartago, - Assembléia da Plebe: encarregada de eleger os situada ao norte da península Itálica, ameaçava Tribunos da Plebe. se expandir. - Lei das Doze Tábuas: leis escritas que garanti- c) o choque de imperialismo na luta pela domina- am os direitos dos plebeus. ção da Península Balcânica. - Lei Canuléia: permitiu o casamento entre ple- d) a necessidade de escravos para abastecer o se- beus ricos e patrícios. tor manufatureiro. 2 Domínio sobre mais territórios e aumento de ri- quezas; aumento do número de escravos, natu-3 Uma das maiores contribuições do Império Ro- ralmente aumentou-se a produção. mano para a história do mundo ocidental foi o 3 A crise do escravismo foi promovida pela limita- Cristianismo. A respeito da religião na socieda- ção da conquista de territórios, que forçou a di- de romana, é CORRETO afirmar que: minuição das guerras. Assim, os latifundiários a) o monoteísmo foi a principal característica da passaram a fazer uso de mão-de-obra semi-livre, religiosidade entre os romanos. Presente em seriam colonos em crise que arrendavam suas ter- todas as fases da história de Roma na Antigüi- ras aos grandes proprietários, surgindo uma nova dade, foi o fator que favoreceu ao crescimento forma de produção, o trabalho servil. do cristianismo. Exercícios b) os primeiro cristãos vinham predominante- mente das camadas pobres, escravos e plebeus. 1 D No século IV, porém, já haviam se expandido 2 A para as camadas dominantes. c) no início da pregação cristã, os apóstolos as- 3 B sumiram uma postura semelhante a uma casta, 4 D impedindo a difusão das idéias de Cristo por medo de perseguições. d) o culto aos imperadores foi um dos elementos imediatamente integrados à doutrina cristã para facilitar sua liberdade de manifestação.4 Roma, de simples Cidade-Estado, transformou- se na capital do maior e mais duradouro dos im- périos conhecidos. Assinale a alternativa direta- mente relacionada com o declínio e a queda do Império Romano: a) Triunfo do Cristianismo e urbanização do campo. b) Estabilização das fronteiras e crescente oferta de mão-de-obra. c) Ensino democrático e aumento dos privilégios das classes superiores. d) Barbarização do exército e crise do modo de produção escravista. EXERCÍCIOSEditora Exato 13

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