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Noticias Magazine 20-09-2015

Jornalista Alexandra Tavares-Teles

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Noticias Magazine 20-09-2015

  1. 1. «mouîitaaramnxmvu m6 h I u. ..“ 15:63,. ‘ . h! JKÒJJQDH! H Hlt - z ‘uri-nonni g: Iîgfigggvj» m‘
  2. 2. ENTREV| STA O filme Evereste, baseado na tragédia de 1996 em que morreram oito alpinistas, chega nesta semana aos cinemas. Trés anos depois, ao descer dos 8848 metros do pico mais alto do mundo, Joào Garcia foi apanhado pela noite. Perdeu as pontas dos dedos e do nariz — e um amigo, que morreu. Mas continuou a escalar. Hoje é uma das dez pessoas no mundo que jà subiram às 14 montanhas com mais de oito mil metros. ‘ filme que se estreia na quinta-felra é a i‘ ì ìhistòria, real. de duas expedlcòes que l i i em maìo de 1996 foram surpreendi- das por uma tempestade. oito dos doze alpi- nlstas morreram. Erri 1999. o Joao esteve no Evereste. subiu a0 cume. por pouco nào con- seguiria sobrevlver àdescidaoque sentiu ao ver o fllmede uma tragédia que conhece beni? -Orgulho nn minha profissào. do que fiz. nùo so no Fîvc-reste mxis em todas as monta- nhas que jà cscalci. Saudadcs do Nepal. das chcgzidxis a Kntmnndu e no vale de Khum- hu, onde fica 0 aicampamento-base do Evc- rcstc. Estive 34 vczcs no Nepal, 18 naquclc vnlc. .-I-. is senti mmbcm nfliqàtz. A tragédia rcaviwnu-me màs memòrias. Conhcguo fim dofilmemasdou pormimacsperarumare- viramlia. hiias houve demasiados erros. Quals? _ A escnlha do dia dc tcnmtiva de cume. l) chele de ex pedigîii) cscolheu o dia 10 por ser o scu din LlL‘ sorte. Nîm se pode forqar uma data. Depois, n50 seguir as informa- qòcs meteorològicas. preferì ndo ac rcditar na acalmia que se cstava a sentir. Por ùlti- i m0. ter aceitado rcgressar no cumc. a pc- dido dcsesperado de um dos clientcs que queria cumprirn objetivo que 0 lcvou ali. O lider do grupo é dlretor de uma empre- sa de expedlqbes que ajudou a popularizar a escalada do monte Evereste no lnicio de 1990. Os cliente: chegam a pagar 50 mil eu- ros. Nessa cena ambos sabem que é a ùltima oportunldade para aquele homem. . . Eu tibrigava-o adar mcia volta. Ncm quc estivcssc a trinm metros do cume. Jzi pas- sava das duas da tarde. a hora dc scguran- qa-limite para n dcscida. É uma rcgra de ouro: uma. duas da tarde. com cumc ou scm cume. ha que dar mcia volta. Jàteve de dar mela volta petto do cume? . . Em quatro montanhas nào conseguì utingiràprimeira. N0 Evcresrc. no anoan— terior, dei meia volta aos 8500 metros por- quc estava dcmasiado vento. Fez sempre assim? _ Van. Jàcomeri o erro. Vàrias vezcs. No filme. umjomalista que acompanha a ex- pedigào pergunta aos panicipantes: «Porque fazem isto? » Nlnguém da uma resposta clara. No seu caso. porquè? _ Pelo dcsafiti. para mc supcrar. E porquc na ndolescència cngracci com 0 alpinismo. Numa das primciras expcriéncias nos Al» pcs, a0 rcgrcssa r do cu mc do monte Bra n- co senti que tìnhn deixado de scr um miù- do. O alpinismo è um dcsporto justo so chcga a0 topo qucm se csforgn. nàoo mais vel ho ou 0 maisbonitti. Nodiaem que son» iirqucjà nzîofaz scntidmicdico-mc a0 gol- fe ou à pesca. sui‘ agora rcm fcito sentido. E para a sua fami’ Ila. faz sentido? _Gosto de citar uma frase: «Se prccisas dc pcrguntai‘ porque se escalam monta- n has nào vais comprccndcr a rcsposta. » A minlizi mulhcr jr’: me cnnhcceu assim. Comoalpinista patrocinadoxomoguiudc imkkizig. Sabc quc cu sou fcliz assim. No Evereste, sete por cento dos alpinistas que ohegam ao cume morrem na descida. No K2. osegundo mais alto. a percentagem sobe para 25 percento. A energia que se Imagina. o èx- tase de se estar no topo do mundo. mais perte de Deus para alguns, nada dissose sente. até porque nào oonseguem respirar. É verdade? _No cumc das mais altas montanhas do mundo è ti m r a foto c sui r dali depressa. O resto è romantismti. Subir é opcionzil. dos ccréobrigatiìriix. Amaioriadas morte-s n c fa- lode cerca de 90por cento v dir-se mi dcscidai. A muiher de um dos alpinistas, depois de fa- Iar com o marìdo pelo telefono ainda antes do infclo da expedicào, diz ter-lhe sentido medo na voz. Que significa para si modo? _() modo é uma ferramenta muito impor- tante. obriga-nos a culibrar u bom senso c aroma r dccisircs scnsntas. 13 NOTÉCMS lil. »(. ‘sll. ‘l .
  3. 3. ENTREVISTA h; IECÎìC-îrîjufìgîi enrre r; Nepal e a Ihdna‘ que subru em 200€» [rmagenw grande)‘ 5.50 312.1111515 clac cmîras i"«3n'îaI1r'55-;1urL—13 ' . -- è 0x. ‘ ‘A; Ofllme retata os primòrdiosda oomerclallza- cào do Everesîacomoéahnalmente? -Hà cada vez mais negòcio e eu nào pos- so ser hipòcrita porque também vivo da montanhrncomercialiu) mkkingum pou- co por lodo o mundoîambém levo pesso- aspara aquelc valccissojàé muita respon- sabilidade. N0 entanto. vcjo no Eva-reste. com tristezmque se utilizza cada vcz mais o uxigénio artificial. Em 1999. quando subì. as ascensòes com éx ito sem 0x igénit) eram sete por cento do total. Agora somos dois por ccnto. E umaaldrabice. ÈOÌHÉSIÌIO que a Rosa Muta Correr a segunda mctade di: uma maratonnde lambrcta. Jà aflngìu os 1A pico: acima dos olio rnll me- tros. sem oxlgènlo-sédez pessoasnomundo ofizeram. Qual é oslmmcado de limite? _É uma Iinha mriàvcl quc convém defi- nir para a n50 ultrapassarmxis. No EVCITÌS- te rmmctì vàrios crros. por isso foi npiur ex- pcdiqào da minha vida. Fiquei com lesires 24 NOTI Cl AS huuuz N: gravcs. 0 meu cnmpanhciro lo belga Pas» cal Debrouw ‘r1 morreu. Mas nunca mais cometi os mcsmos erros. Nunca mais mesmo? _Bem. uma vez mais. Fni no Lhotsc. uma monta nha que até a0 campa 3 parrilha com u Evcrcstc a mesmn via. Psicologi- camente. estava ainda marcado pelo que me acontccera no Evcrcstc. Jurara que nunca mais paria ali os pés. Mas fiz 15,320 hnras de usforqo ininterrupto, 0 equiva- lente a seis marnmnas scguidas. Escalci sozinhojfl na zona da murtc. a trés res» piraqòcs por passada. Depois dcrrapci. Cnnsegui Fazcr autodctenqào por mila- gre. Na descìda. comegaram as alucina- ‘ qòes. Por duasvezes vi o Pascal VÌVO. Ade- sidralagzîo era cxtrcma. Fazer mcio litro de àgua dcmom muito tempo. Por uma vez csqueci n quc mc ensinou u Everes- te: nmrgens de scgurunqa c um horàrio dc scgu mnga. Poucos alpìnìstas reslstlram a uma none no Everest: a 8600 metros nas condlcoes em que a vlveu. O que correu mal? _. Um poucn mais c tcria morridoîerestado duas horas no cu me à espera do Pascal. que ficara pani tràs. foi um erro coloxsal. Estava cm hipoxia, pcrcebi c tcntei descer. mas elc chcgou c lcvou-me de novo para cima. 0 ba- timento cardiaco dìminui ‘a medida quc su- bì mus. A parte toràcica vai sempre a0 limite. Quando somos obrigzidosa um L-sfcirqnextru os PTÙXÌmOS scgundos sào de asfixia. Che- gàmos a0 topo por volta das quatro da ta r- de. comecàmos a dcscida uma hora dcpois. Fomos apanhados pela noite. nàx) conseguì- moschcg-arà mochilaondc tinhamus dcixa- xhaslantemasdecnbega. Ali andai-se erncà- mara lenta. Transfcriru peso de um pé pa- moutmimplica muÎt()eSfiJl'(;0.Tl’ÉSîlqufiKl‘() respiraqòw por passo. Quanto pesa cada boia? _ Cerca de dois quilos.
  4. 4. Esuvam na escurldlo. _Nà0 fomos suficientemente ràpidos, es- tàvamos muito desidratados e n50 respei- tàmosos horàriosdescguranqa. No acam- pamento-base havia alguma histeria. Pelo ràdin, mandavam-nos regressar. Mas csrévamm ainda a 8600 metros. Sobrevi- vera 8600 metros uma noitee‘ um milagre. Nào hé muitas pessoas que tenham passa- do por isso e sohrevivido para cantar. Perdeuasfdargesdasdnasnfinseadodedo grande do pédlrerh. A panta do nariz conge- Iou. Recorda oque il senthdo fisicamente? -Curiosamente as màos aguentaram-se bem. Foram horas de frio e cnnsaqo. E de cansaqo c frìo. Tive meda de me perder e por Isso pareLAvanqava uns merrossenta- va-me, esperava pelo Pascal. J à n50 conse- guiamos falar. Elc chegnva. tocava-me no umbro e eu tentava fazer mais uns metros. E432 novo. esperava por elcaAté quecle nào Veio. Nào rive energia para procurò-lo. Pensou na morto? . .Estàvamos para là dissu. S6 tinha uma ideia: sobrcviver à noite e. com o sol. ten- tardcsccr. Ninguém podia ajudar-nos em tempo ùti l. Estàvamos amaisde vinte ho- ras de distància do acampa mentmbase e na China (a subida foi feita pelo lado chI- nés) nào hà helicòpteros de resgate. Alnda medita-a que Pascal estlvesse vivo? _Sim. Quanto tempo demorou até chegar ao acampamento-base? . .Mais de 48 horas. N0 dia scguinte, desci a0 acampamento 4. a 8200 metros. onde conseguì recuperar a circulaqào de san- gue nas màos e preparci mais uns liqui- dos. Nesso: dia, desci sozinho a0 acampa- mento 1. a 7l00mctros. passai mais uma noite e foi ncsse trajeto que devo ter vol- tado a congela! ‘ as màos. por ter desel- do em boa parte do caminho agarrnda a uma corda fria. Teve noqào daxravldadedas Iesòes? . .S6 nohospitaLem Katmandmumasemana depois Pemebi que teria de amputar as pon- tas dos dedos. Em Saragoqa determinou-sc osnivcis definitivnsdcamputaqào. Pensou un nunca mais voltar àsmuntanhas? _. Dep0is de 92 dias hospìtalizado em Sara- goga numn unìdade de congelados. passan- me muitacoisapelacabcga. Nomcadamcntc desisti riachoquctivcobom sensode com- partimentamsazzsunnm. PenseimOK. fiz ay neira, hà que nào voltar a repetir estes er- rosJTenho sortedecstarvivoedecontinuar a gostardz montanha. » Depois de seis me- ses de reabilitaqàmvoltei outra vezàserrada Estrela, onde comecei. Voltei a América do SuL a0 Nepal edois anos depois rinha conse- guido subir outra montanhn de mais de oi- to mil metros Queria pmvara mim proprio que podia conti nuaraserfcliz m: montanha. Afalladefalangesanmentaorhco. -Sim. mio tenho a mio tào ùtil Como an- tes e corro mais risco de voltar acongelar. ‘l'sm culdados especiais? _ Protejo-as mais. Uso 05 aquecedorcs nas luvas de cume e n30 deixo que fiquem dor- mentes. Hoje ouve msnos hlarem sl. _Escalei os 14 picos mais altos do mundo, seis dcles por minha conta. os ùltimos oito com patrocinio. de forma profisslonal. 0 contralto Ierminou cm 2010 mas continuo a escalar e com grandes projetos. Sò que agora. sem patrocinios que envolvam di- nheiro, mio passo nas televìsòes. Os patrocinados sentem pressao ncroscida queospodenn Ievaraarriscarde mais? _Um pouco. Scja o profissional de patro- cinio ou 0 guia com clientes, come se nota no filme. Para aquela agència era impor- tante lcvar cl ientes a0 cume nessc ano pa» ra manter uma boa reputaqào. Mnndnsuusprimlruslvrmhhemdomcm- posssmvldaoomosqualsseuuzommakum fltualquamosepassapormndessescorpos? -Sentamo-n0s um pouco e colocamos maisuma pedra. lnfclizmente hàcada vez menos respclro por quem ali morreu e so- bretudo pclas familîas. Vejomuitaspesso- as afotografnre a publicar îmagens de cor- pos. 0 que nàoé bonito. Com mais ou monos erros e precaucòes. a montanha tam semprea intima palavra? _ Escalnr estas montan has com mais de oito m il metros pressupòe sempre risco de vida pois nào controlamos todos os fatores etodas as variàvcls. O ‘Lì NOTlCIAS NIAGAZINE

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