Constipação inetstinal em idosos

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Constipação inetstinal em idosos

  1. 1. FACULDADE ASSIS GURGACZ IVANIR TEREZINHA DAL CORTIVO BARRETO CONSTIPAÇÃO INTESTINAL EM IDOSOS: UMA REVISÃO CASCAVEL 2008
  2. 2. IVANIR TEREZINHA DAL CORTIVO BARRETO CONSTIPAÇÃO INTESTINAL EM IDOSOS: UMA REVISÃO Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito para obtenção do título de Bacharel em Nutrição, pela Faculdade Assis Gurgacz. Orientador(a): Prof. Me. Doralice P. Diniz CASCAVEL 2008
  3. 3. IVANIR TEREZINHA DAL CORTIVO BARRETO CONSTIPAÇÃO INTESTINAL EM IDOSOS Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade Assis Gurgacz, apresentado como requisito para obtenção do título de Bacharel em Nutrição sob a orientação da Professora Me. Doralice P. Diniz. BANCA AVALIADORA ______________________________ Professora Orientadora Me. Doralice P. Diniz Mestre em Educação Faculdade Assis Gurgacz - FAG ______________________________ Professora Avaliadora Nanci Rouse Teruel Berto Especialista em Gestão da Qualidade e Segurança dos Alimentos Faculdade Assis Gurgacz - FAG ______________________________ Professora Avaliadora Rozane Aparecida Toso Bleil Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos Faculdade Assis Gurgacz - FAG Cascavel, PR, 20 de Novembro de 2008.
  4. 4. 4 TÍTULO: CONSTIPAÇÃO INTESTINAL: UMA REVISÃO RESUMO O trabalho ora apresentado, relata os dados levantados pela pesquisa bibliográfica sobre o tema “Constipação intestinal em idosos”, apontando seus principais fatores desencadeadores, as conseqüências e comprometimento gerados para a saúde do idoso, como também, descreve os aspectos das alterações físico-estruturais que ocorrem com o processo de envelhecimento, a influência do uso constante de medicamentos, e o papel da atividade física e da alimentação no combate ou prevenção da constipação intestinal. A análise dos dados apontam que a atividade física regular e uma alimentação rica em fibras, frutas, folhosos e com ingestão de água em maior quantidade, podem apresentar efeitos preventivos e combativos da constipação, propiciando melhor qualidade de vida ao idoso, além da proteção de várias doenças. Palavras chaves: Constipação Intestinal; Idosos; Combate e Prevenção; INTRODUÇÃO De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE (2008), em 2008, o índice de envelhecimento mostra que para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos existem 24,7 idosos, com ou mais de 65 anos. As estimativas apontam que em 2050 existirão para cada 100 crianças, 172 idosos. Diante deste fato, estudos que abordem os aspectos da vida do idoso tornam-se de grande importância, tendo em vista que poderão contribuir para a ampliação e melhoria da qualidade de vida e saúde desta população. Assim sendo, este artigo de revisão teve por objetivo levantar junto à bibliografia especializada os principais aspectos da constipação intestinal em idosos, abordando na conceituação, as principais causas e conseqüências, bem como, as medidas de prevenção, os diferentes tipos e sua classificação. Para sua melhor compreensão, buscou-se abordar, também os aspectos relacionados ao metabolismo do organismo do idoso, suas alterações físico- estruturais próprias da idade e as conseqüências decorrentes do uso de laxantes e medicamentos, muito comuns no cotidiano dos idosos, assim como a importância da atividade física e da alimentação rica em fibras e água.
  5. 5. 5 1 CONSTIPAÇÃO INTESTINAL PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES Segundo Dani (2001), a constipação em si não é doença nem sinal de doença, mas um sintoma, que pode indicar várias doenças como, doenças do cólon, neurológicas, endócrinas e metabólicas. Já de acordo com Andrade e colaboradores (2003), a constipação, é também conhecida por obstipação instestinal, e decorre de fatores fisiológicos diferenciados do processo de defecação, sendo que sua caracterização depende do número de evacuações, do peso total das fezes, do tempo de passagem do bolo fecal pelo trato intestinal, como também, da quantidade de água nas fezes que, estando abaixo de 75% a tornará de consistência endurecida, dificultando sua eliminação. Smeltzer (2005), define que constipação é um termo usado na descrição de uma infreqüência anormal ou irregularidade da defecação, endurecimento mais do que normal das fezes, com diminuição no volume fecal ou retenção das fezes no reto durante longo período, dificultando sua saída, que por vezes se torna dolorosa. Em relação à freqüência de evacuações, Dani (2001, p.336), descreve em suas pesquisas que “pessoas sadias apresentam entre 3 evacuações por dia e 1 três vezes por semana. Esses achados permitiram definir constipação, de uma maneira simplista, como a evacuação intestinal abaixo de 3 vezes por semana”. Abaixo destes números, o referido autor considera como casos de constipação. Já, segundo Mahan e Scott-Stump (1998, p.632), as definições de constipação, a partir de afirmações como “a passagem infreqüente e difícil das fezes”, são altamente subjetivas, uma vez que as variações evacuatórias são muitas. Para as referidas autoras, há três condições objetivas que podem orientar a definição de constipação, são elas: quando uma pessoa, ingerindo dieta rica em fibras, evacua, menos de três vezes por semana; quando não ocorre evacuação, por mais de três dias e, quando a evacuação, mesmo que diária, totalizam menos que trinta e cinco gramas de fezes. O fator idade exerce papel relevante no que concerne a constipação, que passa a ser mais freqüente, como revelam as pesquisas estatísticas, de Dani (2001), ao apontarem que após os 60 anos sua incidência aumenta muito, chegando após os 65 anos a atingir de 21 a 34% das mulheres e de 9 a 26% dos homens.
  6. 6. 6 Além disso, para Moriguti, Iucif Jr. e Feriolli (1998), por ser mais susceptível às doenças, o idoso acaba também por tornar-se vítima de outro tipo de intercorrência, qual seja, o uso demasiado de medicamentos, que pode provocar distúrbios digestivos que intensificam a constipação intestinal. Além dos aspectos já citados, segundo Mahan e Scott-Stump (1998), outras causas freqüentes de constipação decorrem de hábitos alimentares inadequados, tais como, a pouca ingestão de fibras, a não existência de um horário regular para defecar, a ingestão de líquidos em quantidade insuficiente, como também, a perda do tônus da musculatura intestinal como causa natural do processo de envelhecimento, o uso intensivo de laxantes por longos períodos da vida ou por doenças como úlcera, câncer, doença celíaca, entre outras. De acordo com Ramos e Oliveira (2002), a constipação intestinal no idoso origina-se de vários fatores que podem ser: dietéticos, emocionais, patológicos, físicos ou medicamentosos. Também afirmam que a constipação intestinal é condição prevalente e importante na população geriátrica, e que pode acarretar várias complicações como impactação fecal, ou fecaloma1 , incontinência, complicações hemorroidárias, risco de fístula anal, câncer de cólon, a distensão abdominal, obstrução intestinal e até perfuração do cólon, situações estas que interferem na qualidade de vida do idoso. Cita Andrade e colaboradores (2003 p.66), que “o fecaloma pode ameaçar a vida do paciente, pois pode causar outros problemas, como mal-estar, fadiga, retenção urinária, incontinência urinária e fecal, fissura anal, hemorróida, úlcera estercoral e obstrução intestinal”. Ainda, Costa (2005), entende a constipação como um problema digestivo que pode ser de causa fisiológica ou patológica, podendo ainda, ser decorrente de dieta inadequada, ou estar indiretamente associada ao ferro pois, a vesícula biliar não liberando a bile em quantidade suficiente para emulsificar as gorduras não digeridas, estas combinam-se com o ferro ou com cálcio, formando uma espécie de sabões insolúveis que se agregam nas fezes, causando constipação. Em relação ao câncer de cólon Mahan e Scott-Stump (1998), apontam ser o quarto câncer mais comum, sendo a segunda causa de morte mais comum depois 1 O fecaloma ocorre quando há retenção das fezes que somada à absorção dos fluídos no intestino grosso, ocasiona endurecimento das mesmas, que acabam sendo agrupadas pelas ondas do movimento peristáltico. (ANDRADE, 2003).
  7. 7. 7 do câncer de pulmão. Tem ligações com a história familiar, decorrentes da gordura dietética e colite ulcerativa. Finalizando, segundo Souto (1999), uma evacuação é considerada normal se não houver aumento da consistência das fezes e do intervalo entre as evacuações e se o intestino liberar as fezes sem dificuldade, sem que haja necessidade do esforço para evacuar, além do indivíduo ter a sensação de uma evacuação incompleta. 1.1 PRINCIPAIS TIPOS DE CONSTIPAÇÃO E SUA CLASSIFICAÇÃO Ainda de acordo com Souto (1999), a constipação pode ser classificada em dois tipos: a fisiológica, quando é decorrente de alteração orgânica e a circunstancial ou causal quando decorre de trocas de ambientes, viagens, sedentarismo, medicamentos etc. Já Smeltzer (2005), atribui a fisiopatologia da constipação à alterações com uma das três funções principais do cólon, ou seja, transporte mucoso, onde as secreções mucosas propiciam a movimentação do conteúdo colônico, a atividade mioelétrica, que é a mistura da massa fecal e ações de movimento, e os processos próprios da defecação. Para o autor, qualquer um dos fatores acima mencionados e identificados pode interferir no processo de defecação, ocasionando a constipação. Souto (1999), classifica genericamente em constipação retal, constipação hipotônica, constipação hipertônica e a constipação mecânica, como veremos adiante. A constipação retal, segundo aponta o referido autor é a mais comum e caracteriza-se pela perda do reflexo de evacuação, ocasionada pela não contração voluntária do esfíncter externo do ânus que deve ocorrer após a primeira refeição matinal, através do reflexo gastro-ileo-cólico, a cada 24 horas. Se não acontecer, será necessária maior quantidade de matéria fecal para desencadear o estímulo evacuatório. Este fato decorre por vezes, pelo mundo agitado em que o indivíduo vive deixando para evacuar depois. O elemento tempo favorece a constipação retal, pois as fezes, habitualmente, ficam calibrosas, ressequidas, endurecidas, sendo
  8. 8. 8 necessário por vezes a extração digital pelo paciente. O esforço evacuatório acaba provocando hemorróidas, sangramentos, fissura anal e outras lesões (SOUTO, 1999). Já a constipação hipotônica, decorre de causa específica, é provocada pela Doença de Chagas que, segundo aponta Gouveia e colaboradores (2008), o indivíduo que contrai a doença é contaminado pelas fezes do "barbeiro", portador do Trypanosoma Cruzi, que circulando pelo sangue, produzirá lesões em órgãos como o coração, esôfago e os intestinos. Segundo Souto (1999), o parasita provoca a desnervação, o fecaloma ou impactação retal de fezes na região do cólon, caracterizando uma das complicações mais comuns, ocasionando também neste caso o chamado megacólon chagásico, que segundo estudos de Reis (2003), causa ausência de movimentos peristálticos no nível do segmento comprometido, com dilatação e alongamento do cólon sigmóide, podendo dilatar também o reto, às vezes estendendo-se ao cólon descendente e ou atingindo todo o cólon, inclusive o ceco. Esta dilatação faz com que se acumule grande quantidade de fezes que ressecam ao ponto de formarem massas petrificadas. Ainda para Souto (1999), na constipação hipertônica o cólon é irritável ou espástico, onde há um distúrbio motor que se caracteriza pela hipercontratilidade não propulsiva que leva a hipersegmentação do cólon, ou seja, a matéria fecal eliminada é cibalosa isto é, em forma de caprinas, achatada ou afilada, parecendo fezes de gato, entrecortadas por minúsculos fragmentos, havendo eliminação de muco junto com as fezes, e até mesmo, somente eliminação de muco, por isso denominada síndrome do cólon irritável. Por fim descreve Souto (1999), que a constipação mecânica, por sua vez, decorre de algum tipo de obstrução, interna ou externa, que dificulte ou impeça a progressão livre do bolo fecal. 2 O ORGANISMO DO IDOSO E OS FATORES LIGADOS À CONSTIPAÇÃO De acordo com dados do IBGE (2008), a população idosa do Brasil vem crescendo nos últimos anos e com perspectiva de vida maior. Em 2008, as crianças de 0 a 14 anos correspondem a 26,47% da população total e o contingente com 65 anos ou mais representa 6,53%. Em 2050, a perspectiva com primeiro grupo representando 13,15%, e a população idosa podendo ultrapassar os 22,71% da
  9. 9. 9 população total. Diante desta constatação, é vital a compreensão de como ocorre o processo de envelhecimento, bem como as novas necessidades surgidas com o avanço da idade. Segundo Moriguti, Iucif Jr. e Ferrioli (1998), para se entender o que ocorre com o idoso é preciso saber que, com o passar do tempo, o organismo apresenta muitas modificações anatômicas e funcionais, importantes aos aspectos nutricionais, sendo que uma das maiores alterações é a mudança na composição corporal. O tecido adiposo aumenta e deposita-se mais especificamente no tronco, pois após os 60 anos, ocorre uma diminuição da massa magra e aumento da massa adiposa, que se acumula ao redor de todos os órgãos, mas, de modo mais acentuado nos rins e fígado, refletindo na taxa de metabolismo basal. Ainda, segundo os referidos autores (1998), as funções orgânicas do idoso decaem num todo e variam de intensidade segundo o órgão ou sistema em questão: ficam reduzidas as habilidades para responder aos hormônios, para sintetizar ou degradar proteínas, sendo que o colágeno fica menos elástico e mais fibroso; o coração se mostra com queda do débito cardíaco e capacidade aeróbica, comprometendo a reserva funcional e podendo ocasionar uma insuficiência cardíaca, o que pode ser ainda mais grave, se o estado nutricional do indivíduo estiver comprometido. Vale ressaltar, que o avanço da idade provoca também, de acordo com Moriguti, Iucif Jr. e Ferrioli (1998), uma diminuição da sede fazendo com que a ingestão de água seja naturalmente reduzida, pelo idoso. Disso decorre, como afirma Salgado (2001), que o sistema renal fica reduzido em seu fluxo plasmático, prejudicando a capacidade para concentrar e diluir a urina, diminuindo a habilidade para lidar com os produtos de excreção: água, uréia e sódio. Com a diminuição do olfato paladar e visão tem-se uma influência negativa na ingestão de alimentos, provocando diminuição da sensibilidade no gosto do doce e do salgado, e também pelo fato de não sentir o cheiro nem o sabor dos mesmos. E se a coordenação motora também estiver comprometida, pode levar o idoso a evitar alimentos que possam causar dificuldades de manipulação, contribuindo assim ainda mais para a inadequação alimentar. Ainda, tem-se como conseqüências do processo de envelhecimento, segundo Salgado (2001), a falta de dentes e menor secreção salivar, que dificulta a mastigação e a deglutição, a diminuição da densidade óssea podendo levar à
  10. 10. 10 osteoporose, o encurtamento da coluna espinhal, ocasionando a diminuição da estatura, a função renal pode diminuir em 50% provocando mau funcionamento dos rins, os vasos sanguíneos tornam-se menos elásticos e a resistência periférica aumenta levando a hipertensão, além do declínio da função imunológica, o que aumenta a predisposição dos idosos em contrair agentes infecciosos. 2.1 O PAPEL DA ALIMENTAÇÃO Segundo Andrade e colaboradores (2003), são vários os fatores que originam a constipação intestinal no idoso, tais como questões sociais, psicológicas, físicas, orgânicas e nutricionais. Porém a causa mais comum é de ordem dietética, onde há falta de estímulo para o bom funcionamento do intestino devido a ingestão inadequada de calorias, líquidos, fibras, dieta rica em gorduras, alimentos refinados, devido o fator dentição e alimentação por sonda. Já nos casos em que o idoso vive sozinho, segundo Salgado (2001), normalmente a falta de vontade de preparar o próprio alimento, gera um elevado consumo de produtos industrializados como doces e massas de fácil preparo, afetando a adequação dos nutrientes ao organismo. A autora descreve, ainda, que o uso de fibras na dieta como as encontradas na aveia, no farelo de trigo, no arroz integral, nas hortaliças e frutas, é importantíssimo na prevenção e controle de várias doenças especialmente da constipação. Salienta que o açúcar refinado deve ser evitado para que a sensibilidade à insulina seja aumentada. Outro elemento muito importante para os idosos e que na falta provoca constipação diminuindo, também, a excreção da urina, é a água. Ainda, segundo Salgado (2001), uma dieta alimentar desequilibrada, com menor fornecimento da vitamina B12 leva ao aparecimento da anemia, os níveis de colesterol LDL aumentam, levando a doenças cardiovasculares. Ressalta, que em função do avanço da idade, a tolerância do organismo em relação à glicose diminui, podendo provocar hiperglicemia e possível diabetes, bem como a motilidade diminuída no intestino grosso do idoso pode levar à constipação. A autora refere-se que a alimentação não sendo saudável, aumenta-se a produção de radicais livres e o não consumo, ou consumo insuficiente de fontes ricas em vitaminas do complexo B, e dos antioxidantes como as vitaminas C e E, o betacaroteno, e os minerais como magnésio, zinco, selênio, manganês e cromo têm efeito bloqueador dos radicais livres, faz com que se aumente os riscos de doenças
  11. 11. 11 como o câncer. Além disso, dietas ricas em alimentos refinados, gordurosos e o excesso de álcool precisam ser evitados por serem produtores intensos de radicais livres. 2.2 AS MUDANÇAS FISIOLÓGICAS Segundo Peckenpaugh e Polemann (1997), no processo de envelhecimento a taxa metabólica basal2 diminui e a quantidade de tecido muscular é reduzida. Estas mudanças e a falta ou pouca prática da atividade física, resultam em diminuição das necessidades energéticas. As percepções mudam, afetando o comportamento alimentar. Pesquisas, como as desenvolvidas por Andrade e colaboradores (2003), apontam que o consumo de alimentos pobres em fibras, como os alimentos industrializados, ao serem gradualmente incorporados na rotina alimentar da população idosa, interferiu na mudança dos hábitos evacuatórios que, agravados pelo sedentarismo crescente e pela falta de exercícios físicos por parte dos indivíduos idosos, impedem o peristaltismo, e o fortalecimento da musculatura abdominal, que atuam no hábito da defecação. Esses fatores por sua vez, acabam colaborando para o aparecimento de alguns distúrbios entre eles, os distúrbios colônicos/anorretais como a isquemia, retocele ou prolapso retal, os tumores, as fissuras ou hemorróidas, as fístulas ou abscessos, a fibrose por radiação, a constrição, o aumento prostático e a diverticulose. Há também os distúrbios neurogênicos constituídos, segundo Andrade e colaboradores (2003), pelas lesões medulares, doença de Parkinson, acidentes cérebro vasculares, conhecidos como AVC, demência, tumores cerebrais, traumas cranianos e medulares e, ainda de acordo com os autores, há os distúrbios Endócrinos/Metabólicos como o diabetes, hipotiroidismo, hiperparatiroidismo, hipocalemia, hipercalcemia, uremia. 2 Taxa metabólica basal ou TMB se refere à quantidade mínima de energia que o organismo gasta para manter os órgãos vitais como pulmão, coração, glândulas, bem como metabolismo celular e a conservação da temperatura corporal (CUPPARI, 2005).
  12. 12. 12 2.3 A RELAÇÃO COM A ATIVIDADE FÍSICA O sedentarismo e a falta de exercícios físicos contribuem para os sintomas de constipação pois a atividade física induz movimentos peristálticos e desenvolve a musculatura abdominal que irá atuar no hábito da defecação, como apontam Figueroa e Frank (2002, p.2) ao afirmarem que “a atividade física contribui através de exercícios específicos, para uma melhor funcionalidade dos órgãos abdominais, como força e aumento na circulação sangüínea sistêmica, proporcionando melhor absorção dos nutrientes e excreção do bolo fecal”. A atividade física é importante, ressaltam Andrade e colaboradores (2003), desde que o idoso tenha condições de praticá-la. Os que andam, devem ser orientados à praticar caminhadas diárias de 20 minutos. Os que estão impossibilitados ou acamados, podem utilizar-se de programas de exercícios que envolva virar-se de um lado para o outro, girando tronco, ou exercitando os braços. A prática de exercícios físicos com regularidade, principalmente os abdominais, reforça o diafragma e a musculatura abdominal, auxiliando no processo de evacuação (DANI, 2001). Castilho (2001), escreve que o exercício físico aumenta a qualidade e a duração de uma vida ativa, proporciona melhora na coordenação motora e neuromuscular, estabilidade, força e tônus muscular. Retarda a desmineralização óssea, prevenindo, ainda, a insuficiência coronariana. Permite melhor controle de peso, bem estar, relaxamento mental. Aumentando ainda a absorção de nutrientes e corrigindo a constipação, pois aumenta a motilidade intestinal. O treinamento moderado ativa a função imunológica o que melhora a atividade dos linfócitos T, contribuindo para uma menor incidência de câncer de cólon e mama. Ainda, a referida autora (2001), afirma que, atletas idosos, quando são comparados com jovens sedentários de 30 anos, tem capacidade física igual ou melhor, mostrando que qualquer limitação cardiovascular, devido ao processo de envelhecimento tem pouca importância, em indivíduos que envelhecem de forma ativa.
  13. 13. 13 2.4 A INTERFERÊNCIA DOS MEDICAMENTOS De um modo geral, autores como Moriguti Iucif Jr. e Ferrioli (1998), apontam que além de uma maior suscetibilidade às doenças, o idoso tende a ser vítima de uma intercorrência grave, qual seja, o uso demasiado de medicamentos, que geram diversos efeitos colaterais, dentre eles os problemas digestivos. O idoso é acometido muitas vezes de doenças que comprometem seu estado geral, tais como: hipertensão arterial sistêmica, doença pulmonar obstrutiva crônica, artrite. O Controle ou tratamento destas enfermidades exigem a prescrição de medicamentos que desencadeiam efeitos secundários no trato digestivo, dentre eles a constipação intestinal, isquemia intestinal, doenças metabólicas, síndrome de má-absorção, dentre outras. Também fatores como a depressão, a ansiedade, e os hábitos alimentares afetam as necessidades nutricionais dos idosos, como descrevem Moriguti lucif Jr. E Ferrioli (1998). Para Andrade e colaboradores (2003), outro produto farmacológico usado com freqüência são os laxantes, que, devido ao uso exagerado geram ciclo vicioso que prejudicam o peristaltismo e o tônus intestinal pois o cólon fica completamente esvaziado o que impedirá evacuações espontâneas satisfatórias, piorando a constipação. Conforme os referidos autores (2003), há várias classes de fármacos capazes de produzir constipação intestinal, tais como analgésicos, como ácido acetilsalicílico, naproxeno, ibuprofeno; os antitussígenos, como codeína, dextrometorfano; os antiácidos como carbonato de cálcio, hidróxido de alumínio, fosfato de alumínio; os cardiovasculares bloqueadores de cálcio, como verapamila, nifedipina, diltiazina; os antihipertensivos, como diuréticos, simpaticolíticos, bloqueadores ganglionares e, ainda, os do grupo opiáceos, como morfina, codeína, meperidina, metadona, entre outros. Medicamentos que atuam no sistema nervoso, também provocam constipação. 2.5 A CONSTIPAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM AS ENFERMIDADES Segundo Smeltzer (2005), a constipação intestinal tem relação com o aumento da pressão arterial no idoso pois na hora da defecação exige muito esforço para evacuar e o sangue no tórax fica prejudicado pela pressão intratorácica que
  14. 14. 14 aumenta, a constipação provoca, também, a impactação fecal onde uma massa acumulada de fezes secas que não pode ser expelida, resulta em formação de úlcera. Outra conseqüência da constipação são as hemorróidas e fissuras, pois o esforço provocado para evacuar provoca congestão vascular perianal, as fissuras acontecem pela passagem das fezes endurecidas através do ânus, o que acaba dilacerando o revestimento deste canal. Outra complicação é o megacólon, ou seja, um cólon que dilata-se devido à massa fecal que impede a passagem do conteúdo do cólon. O megacólon pode levar à perfuração do intestino. A constipação intestinal pode causar, sangramento retal, inquietação, distensão abdominal e devido ao aumento de gases, pode provocar alterações de eletrocardiograma, a autora Carvalho (2008), aponta ainda que podem acontecer ataques isquêmicos transitórios e perda súbita e transitória da consciência no indivíduo idoso com acidente vascular cerebral. Além das diferentes patologias acima descritas, outra importante conseqüência da constipação intestinal é o câncer de cólon que, de acordo com Mahan e Scott-Stump (1998), tem ligação acentuada com a história familiar, principalmente da colite ulcerativa, onde a gordura da dieta também está associada. 3 PRINCIPAIS FORMAS DE PREVENÇÃO E TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICOS DA CONSTIPAÇÃO INTESTINAL. Dani (2001), defende que um tratamento para a constipação intestinal deve ser baseado em amenizar os sintomas dos mecanismos fisiológicos que regulam as funções do trato gastrointestinal, procurando criar um reflexo condicionado pela manutenção de horários para evacuar, mesmo sem sentir necessidade. Segundo seus expostos, é necessário beber, pelo menos, um litro de água por dia, praticar atividade física regularmente, principalmente abdominais, para reforçar o diafragma e a musculatura do abdômen. Manter uma dieta rica em fibras tais como as encontradas nos cereais, frutas, verduras e leguminosas, para prevenir e tratar a constipação. Também são descritos na literatura, como em Reis (2003), que uma alimentação composta por elementos da pré e probiótica, onde os prebiotipos são os ingredientes não digeríveis pelas enzimas digestivas, chegando ao intestino grosso
  15. 15. 15 intactos sendo digeridos por bactérias da microflora residente, que são fermentados por bactérias não patogênicas como os Lactobacillus Bifidobacterium, Enterococcus e Streptococcus, que geralmente compõem os probióticos e que são encontrados nos leites fermentados, como iogurtes e coalhadas. Estes exercem importante função no trato intestinal contribuindo para a prevenção ou tratando da constipação. Salienta, também, Dani (2001), que o ideal é recomendar uma dieta com diferentes tipos e teores de fibras, estimulando sempre o uso do farelo de trigo integral por ser o que tem maior poder de aumentar o volume das fezes. Frutas e verduras preferencialmente cruas e com casca, devendo chegar a um total de 30 gramas de fibras por dia, o que segundo Peckenpaugh e Poleman (1998), corresponde ao um número mínimo de porções de frutas, vegetais e grãos integrais da Pirâmide Alimentar onde, segundo Pessa (1997), para o grupo pães e grãos integrais da pirâmide alimentar, devem ser consumidas de 6 a 11 porções diárias onde uma porção equivale a 25 gramas de pão, ou 3 colheres de arroz. Dos vegetais o recomendado é 3 a 5 porções onde uma porção equivale a ½ xícara de vegetais cozidos ou picados e 2 a 4 porções do grupo de frutas equivalendo uma porção a 1 fruta média ou ½ xícara de fruta picada, ou a uma fatia das demais como melão, abacaxi, mamão entre outras. Costa (2005), enfatiza a necessidade de se incorporar hábitos alimentares, que levem ao consumo de produtos integrais ricos em fibras, como arroz integral, pão integral, trigo, cevadinha, milho verde, feijões, ervilha, aveia, nozes, vagem, frutas frescas, mamão, raízes, como batata, cenoura, beterraba e aipim, berinjela, verduras folhosas, utilizando-se as partes mais próximas da raiz. Em relação a fibras é importante salientar, segundo Willians (1997), que as fibras solúveis são as encontradas no farelo de aveia, e sementes secas, e as fibras insolúveis são encontradas nas verduras, trigo e em outros grãos. As fibras solúveis segundo o autor (1997), são importantes para a produção de um gel que solúvel em água, ajuda na redução dos lipídios, retarda o esvaziamento gástrico e aumenta o tempo do trânsito intestinal, retardando também a absorção da glicose. Já as fibras insolúveis, contribuem para dar volume ao bolo fecal, maciez e aumentar a freqüência dos movimentos intestinais (PIMENTEL, 2005). Andrade e colaboradores (2003), salientam a importância da água na formação do bolo fecal e trânsito de fezes. Porém, escrevem que a água pode ser
  16. 16. 16 substituída por outros fluidos, como sucos naturais e chás, tendo o cuidado, no entanto para que estes não provoquem flatulência, devido ao excesso de açúcar. Segundo Moriguti (1998), os diuréticos promovem perda de água e o consumo deles por parte da população idosa, diminui ainda mais a água que já é reduzida, pois o idoso além de ingerir menos água, perde soluções isotônicas para o exterior, exigindo do organismo maior esforço para preservar a concentração iônica normal, pelo fato de que a capacidade renal e endócrina, serem naturalmente prejudicadas com o envelhecimento. Segundo estudos do autor (1998), é mais intenso o efeito da ausência de água sobre a capacidade do organismo, ao exercer suas tarefas, do que a falta de alimento sólido, escreve ainda que a ausência de água corpórea entre 4 a 5%, reduz a capacidade de trabalho dos órgãos e sistemas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, OMS (2007), a constipação intestinal, ou simplesmente a prisão de ventre, atinge cerca de 20% da população mundial e entre eles os idosos que são os que mais se destacam. Os principais fatores que favorecem seu aparecimento são alimentos que provocam ressecamento, a falta de fibra na alimentação, consumo insuficiente de água, sedentarismo e as limitações da idade. Há outros fatores que também contribuem para a causa da constipação, como excesso de medicamentos, algumas patologias associadas à idade, bem como o uso crônico e abusivo de laxante, muito freqüente na população de idosos, resultando danos ao organismo humano, prejudicando o tônus e o peristaltismo intestinal (CARVALHO, 2008). A elaboração desta pesquisa, permitiu concluir-se que a reeducação alimentar, acompanhada de mudanças de hábito de vida, se faz necessária para toda a população e de modo geral para os idosos, que pela condição inerente do envelhecimento, estão mais susceptíveis a desenvolver a constipação. Acompanhada pela prática de exercícios físicos, uma reeducação alimentar, baseada em dieta balanceada, a base de fibras, frutas, folhosos e cereais, e maior consumo de líquidos, principalmente, a água, auxiliam de maneira eficaz na vida do paciente idoso, promovendo bem-estar, qualidade de vida e longevidade.
  17. 17. 17 REFERÊNCIAS ANDRADE, Marcieni Ataíde de. et al. Assistência farmacêutica frente à obstipação intestinal no idoso. Revista Infarma. V.15, n. 9-10.Set/out/ 2003. CARVALHO, Tatiana Olivato. Quais as conseqüências da constipação intestinal em idosos? NUTRITOTAL. Publicado em outubro de 2008. Disponível em: <http://www.nutritotal.com.br/perguntas/?acao=bu&categoria=27&id=469> Acesso em: 05/10/08. CASTILHO, Rogéria Cristina. Exercícios Fisioterápicos Prevenção e Reabilitação. Publicado em agosto de 2001. Disponível em: <http://www.psiquiatriageral.com.br/fisioterapia/exercicios.htm> Acesso em: 04/10/08> COSTA, Eronita Aquino de. Manual de Fisiopatologia e Nutrição. Petrópolis, RJ: VOZES LTDA. 2005. CUPPARI, Lilian. Guia de Nutrição: Nutrição Clinica do adulto. 2 ed. Ver. E ampl. Barueri, SP: Manole, 2005. DANI, Renato. Gastroenterologia Essencial. 2. ed. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: GUANABARA KOOGAN S.A. 2001 FIGUEROA, José Carlos Gil; FRANK, Andréa Abdala. Nutrição e atividade física para a promoção de saúde no envelhecimento. Revista Digital - Buenos Aires - Año 8 - N°48 - Mayo de 2002. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd48/nutri1.htm> Acesso em: 04/10/08. GOUVEIA, Silvia C., BRONJEN, Elizabeth., DIAS, João Carlos P. A doença de Chagas. Publicado em setembro de 2008. Disponível em: <http://www4.prossiga.br/Chagas/doenca/sec/dc-cd-> 571/dc-cd-571-10.html Acesso em:25/10/08 IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Projeção da População do Brasil - população brasileira envelhece em ritmo acelerado. Comunicação Social publicado em 27 de novembro de 2008. disponível em dhttp://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_impressao.php?id_noticia =1272 acessado dia 29/11/08 MAHAN, L. Khatleen; STUMP, Sylvia Escott. Alimentos nutrição e dietoterapia. 9.ed., São Paulo: ROCA. 1998. MORIGUTI, Julio Cesar; IUCIF, Nelson Jr.; FERRIOLI Eduardo. Nutrição no Idoso. In DUTRA-DE-OLIVEIRA, J.E; MARCHINI, J. Ciências Nutricionais. São Paulo: Sarvier 1998. PECKENPAUGH, Nancy J. POLEMAN, Charlote M. Nutrição:essência e dietoterapia. Trad. Maria Cleusa M. Goes, Andréa Favano e Alessandro Favano. 7.ed., São Paulo: ROCA. 1997
  18. 18. 18 PESSA, Rose Pilot JR. Seleção de uma alimentação adequada In DUTRA-DE- OLIVEIRA, J.E; MARCHINI, J. Ciências Nutricionais. São Paulo: Sarvier 1998. PIMENTEL, Carolina Vieira de Mello Barros. Alimentos Funcionais. Introdução às primeiras substâncias bioativas em alimentos. São Paulo: Varela 2005 RAMOS, Simone Cordeiro; OLIVEIRA, Maria Núbia Gama. Constipação Intestinal No Idoso: A Fibra Como Tratamento e Prevenção - Revista Nutrição em Pauta, edição Maio/Junho 2002. Disponível em: <http://www.nutricaoempauta.com.br/lista_artigo.php?cod=219> Acesso em:07/07/08 REIS, Nelzir Trindade. Nutrição Clinica – Sistema Digestório - Rio de Janeiro: Copyrght. 2003 SALGADO, Jocelem Mastrodi. Pharmacia de Alimentos – Recomendações para prevenir e controlar doenças. São Paulo: Madras Editora Ltda, 2001. SMELTZER, Suzanne; BARE, Brenda G.. Tratado de Enfermagem médico- cirúrgica. 10.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. 2005. SOUTO, Sérgio Pacheco. Temas de Semiologia e Clínica Gastrenterológica. 2.ed. São Paulo: Fundo Editorial Byk. 1999.

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