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AS ORIGENS DO ESPIRITO CAPITALISTAMAX WEBERPara     Weber,   o    desenvolvimento   do   capitalismo   no    Ocidente   de...
Pese embora a importância que Weber atribui na ligação entre o racionalismo jurídico eo aparecimento do capitalismo racion...
Entramos assim na outra instituição que mais mudanças sofreu com a emergência docapitalismo, a empresa capitalista, embora...
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No prefácio à Contribuição para a Crítica da Economia Política Marx diz que “asrelações legais, tal como as formas de Esta...
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BIBLIOGRAFIA :Giddens, Anthony. “CAPITALISMO E MODERNA TEORIA SOCIAL”, EditorialPresença, 1999, LisboaAron, Raymond,      ...
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Emergência do capitalismo

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Emergência do capitalismo

  1. 1. AS ORIGENS DO ESPIRITO CAPITALISTAMAX WEBERPara Weber, o desenvolvimento do capitalismo no Ocidente dever-se-áfundamentalmente a dois factores:Ao contraste entre as condições de vida e perspectivas dos trabalhadores ligados porcontrato e dos jornaleiros, correspondentes à aceitação de padrões tradicionais derespeito e o patronato, por um lado, e uma atitude de individualismo económico, poroutro.E é esta atitude, de individualismo, que, segundo Weber, terá tido uma enormeinfluência no desenvolvimento do capitalismo. Uma atitude assente em princípios dareligião protestante que, genericamente assentariam, eventualmente, no sucessoeconómico, como prova da escolha de Deus, sendo assim o indivíduo impelido aotrabalho para conseguir a salvação.Esta hipótese de Weber é também sustentada em estudos estatísticos, em que constataque na Europa moderna os principais homens de negócios, proprietários de capital,pessoal de elevadas qualificações técnicas e comerciais os operários qualificados, denível mais elevado serem, na grande maioria de religião protestante.As mudanças institucionais e normativas introduzidas pela emergência docapitalismo, segundo Weber.A emergência do capitalismo vem desenvolver as instituições Estado e empresa,cabendo-nos, de imediato, fazer uma ligação histórica ao desenvolvimento do estado emperíodos anteriores ao capitalismo.Weber considerou que o direito romano teve grande influência no desenvolvimentoeconómico e social da Europa, em especial na constituição do Estado moderno. ParaWeber sem aquele racionalismo jurídico, não teria sido possível a criação do estadoabsoluto. 1
  2. 2. Pese embora a importância que Weber atribui na ligação entre o racionalismo jurídico eo aparecimento do capitalismo racional, constata que o capitalismo moderno surgiu emInglaterra, embora aquele país tenha sofrido menos as influências do direito romano queos outros países continentais e conclui que a existência prévia de um sistema de direitoracional não passou de uma das muitas influências numa complexa interacção defactores que contribuíram para a formação do Estado moderno.Considera então Weber que a tendência para a constituição do estado moderno,caracterizado por uma forte burocracia - uma administração profissional exercida porfuncionários assalariados - e baseado no conceito de cidadania, não pode serconsiderada totalmente como um resultado da racionalização económica, tendo-aprecedido em parte.Não tem no entanto dúvidas em afirmar que o progresso da ordem económica capitalistae o fortalecimento do Estado estão estreitamente ligados.A constituição e desenvolvimento de mercados nacionais e internacionais e adestruição da influência dos grupos locais, tais como as unidades de parentesco, que atéaí tinham desempenhado papel predominante na regulamentação dos contratos, levarama que todos os poderes coercivos - monopolistas e regulamentares -se concentrassemnuma única instituição coerciva universal.Contribuiu também muito para o desenvolvimento do capitalismo moderno oincremento da contabilidade, que, segundo Weber, sem ele o capitalismo moderno nãoseria possível.A possibilidade do cálculo racional dos lucros e das perdas em termos de dinheiro é,segundo Weber, essencial na moderna empresa capitalista.Na opinião de Weber, é a contabilidade racional que constitui a expressão maiscompleta daquilo que faz com que o tipo moderno de produção capitalista se diferenciede todos os tipos anteriores de actividade capitalista, tal como a usura ou o capitalismodos aventureiros. 2
  3. 3. Entramos assim na outra instituição que mais mudanças sofreu com a emergência docapitalismo, a empresa capitalista, embora a sua importância e desenvolvimento nossurjam associados ao desenvolvimento do Estado.Como nota prévia, parece-nos ser de referir o conceito que Weber tinha da empresacapitalista, tanto quanto aos seus fins, como quanto aos meios para os atingir. Quantoaos fins Weber considerava que as empresas visavam conseguir o máximo de lucrossempre renovados – a rentabilidade, recorrendo para o efeito à organização racional dotrabalho e da produção, à satisfação dos empresários pela disciplina e pela ciência emque a contabilidade assume uma importância fundamental.As circunstâncias que Weber considerava necessárias para que possa havercontabilidade nas empresas produtivas estáveis, coincidem com as que considera comoos pré requisitos essenciais do capitalismo moderno:1. A existência de uma grande massa de trabalhadores assalariados, não apenas legalmente «livres» de venderem no mercado a sua força de trabalho mas que se vêem forçados a fazê-lo para conseguirem subsistir e garantir a subsistência das suas famílias das famílias;2. A ausência de restrições à troca económica no mercado: de modo particular, a abolição dos monopólios de Estado no que se refere à produção e ao consumo.3. A utilização de uma tecnologia elaborada e organizada em função de princípios racionais: a mecanização é a expressão mais clara desta condição;4. A separação entre a empresa produtiva e a unidade familiar.No entanto, estes atributos económicos só poderiam existir, com a administraçãoracional e legal do Estado moderno.Para Weber, de uma maneira geral, as organizações políticas podiam ser classificadas,tal como as empresas económicas, de acordo com o facto de os «meios deadministração» serem ou não propriedade do corpo administrativo. 3
  4. 4. Nas organizações políticas dos Estados tradicionais, os meios de administração eramcontrolados pelo corpo de funcionários. Esses sistemas de poder políticodescentralizado coexistiam em equilíbrio instável com a administração centralizada deum senhor ou monarca. O monarca esforçava-se geralmente por consolidar a suaposição, criando um corpo de funcionários, que dele dependiam materialmente, e umexército próprio.Quanto maior fosse o êxito que o governante alcançasse naquela sua tentativa de serodear de um corpo de funcionários de propriedade e responsáveis exclusivamenteperante o próprio monarca, tanto menos ameaçado seria por outros poderes que lhesestivessem nominalmente subordinados. Este processo atinge o seu ponto máximo noestado burocrático moderno.Considerava Weber que o desenvolvimento do Estado moderno começava em todo olado pela acção do príncipe, que preparava as coisas para expropriar os detentoresautónomos e “particulares” do poder administrativo, que lhe faziam sombra; aquelesque possuíam, de direito, meios de administração, de guerra e uma organizaçãofinanceira própria, assim como bens políticos de toda a espécie, de que podiam disporlivremente.O processo descrito pode ser comparado ao do desenvolvimento da empresa capitalistaatravés da expropriação gradual dos produtores independentes.O Estado moderno conseguia assim ficar na posse e com o controlo de todos os meiosde organização política, que passam a ser centralizados e ficar sob o comando de umaúnica instituição.O crescimento da burocracia no capitalismo moderno é ao mesmo tempo, uma causae uma consequência da racionalização do direito, da política e da indústria.A burocratização é uma manifestação administrativa concreta da racionalização daacção que penetrou todas as esferas da cultura europeia, incluindo a arte, a música e aarquitectura. 4
  5. 5. A tendência geral para a racionalização que se fez sentir no Ocidente constituiu oresultado da interacção de numerosos factores, dos quais o principal foi talvez aexpansão do mercado capitalista.Quanto ao relacionamento do Estado com a Democracia, Weber entende que ocrescimento do Estado burocrático se relaciona com o progresso da democratizaçãopolítica, na medida em que as exigências formuladas pelos democratas, que clamampela representação política e pela igualdade perante a lei, só podem ser satisfeitasmediante provisões jurídicas e administrativas complexas, que impeçam o exercício doprivilégio.Assim, este estreito relacionamento entre a democracia e a burocratização constitui umadas principais fontes de tensão na ordem capitalista moderna, já que, se a ampliação dosdireitos democráticos no Estado contemporâneo não possa ser concretizada sem aformulação de novos regulamentos burocráticos, verifica-se no entanto a existência deuma oposição básica entre democracia e burocracia.Não poderíamos concluir esta abordagem do trabalho sem nos referirmos a doisconceitos referidos por Weber, que considera que na análise do significado do progressoda racionalização secular no Ocidente, deve ser tida em conta a distinção entreracionalidade formal e racionalidade real.Para Weber, esta distinção é essencial na análise sociológica, e a sua aplicação na críticado desenvolvimento do capitalismo moderno, assume grande importância nainterpretação dos problemas que se colocam ao homem contemporâneo.A racionalidade formal da acção consiste no grau de organização da conduta emfunção de princípios racionalmente calculáveis.O tipo ideal da burocracia é assim, em termos de racionalidade formal, o tipo deorganização racional por excelência.A relação entre a divulgação da racionalidade formal e a realização da racionalidadereal – ou seja, a aplicação do cálculo racional na prossecução de objectivos ou valoresprecisos – é problemática. 5
  6. 6. O capitalismo racional moderno, medido em termos de valores de eficiência ou deprodutividade reais, é considerado, por Weber, o sistema económico mais avançado queo homem criou até ao momento em que ele o considera.No entanto, refere também, que, a racionalização da vida social que o tornou possíveltem consequências que contrariam alguns dos valores mais característicos da civilizaçãoocidental, tais como os que sublinham o valor da criatividade individual e daautonomia de acção.Considera Weber que a racionalização da vida moderna, que se manifesta de modomuito particular na organização da burocracia, cria uma espécie de «gaiola» que limitacada vez mais a liberdade de acção dos indivíduos, sendo condição necessária de todo otrabalho válido do mundo moderno a limitação do homem a um trabalho especializado,implicando a sua renúncia à universalidade, sendo as acções e a renúncia mutua einevitavelmente condicionadas nos tempos modernos, de acordo com Weber nasobservações finais que faz em A Ética Protestante.Neste sentido, podemos dizer, que, a sociedade ocidental se baseia na oposiçãorecíproca e intrínseca entre a racionalidade formal e a racionalidade real, a qual,segundo a análise que Weber faz do capitalismo moderno, nunca poderá ser resolvida. A EMERGÊNCIA DO CAPITALISMOKARL MARXSegundo Marx, o progresso da sociedade é a resultante da interacção produtiva contínuaque se estabelece entre os homens e a natureza. Cada indivíduo, no seu dia-a-dia, recriae reproduz a sociedade, estando esse fenómeno na origem, tanto da estabilidade daorganização social, como das infinitas modificações dessa mesma organização. Assim,todos os sistemas de produção se caracterizam por um determinado conjunto de relaçõessociais que se estabelecem entre os indivíduos implicados no processo produtivo. Nãohá nenhum tipo de sociedade que não se baseie num determinado conjunto de relaçõesde produção. 6
  7. 7. No prefácio à Contribuição para a Crítica da Economia Política Marx diz que “asrelações legais, tal como as formas de Estado, têm de ser estudadas não por si própriasou em função de uma suposta evolução geral do espírito humano, mas antes comoradicando em determinadas condições materiais da vida”.Para Marx a história é um processo de criação, satisfação e recriação contínuas dasnecessidades humanas, sendo isso o que distingue os homens dos animais, cujasnecessidades são fixas e imutáveis. Dá-nos assim uma concepção materialista dahistória e define um esquema de “estádios” de desenvolvimento dos sistemasprodutivos.Nessa sua definição dos estádios da evolução histórica, Marx descreve o processo dadivisão progressiva do trabalho e da emergência da propriedade privada, que culmina naalienação do campesinato do controlo dos meios de produção no período em que se deua desintegração do feudalismo europeu. Em O Capital Marx define o processo seguinte,que tem por resultado a criação de uma massa de trabalhadores assalariados desprovidosde propriedade, como condição prévia indispensável para o desenvolvimento docapitalismo. Assim, para este autor, o capitalismo enraíza-se numa determinada formade sociedade, cuja principal característica estrutural consiste numa relação de classedicotómica entre o capital e o trabalho assalariado.Percebemos assim que, para Marx, a história dos estádios iniciais do capitalismo é ahistória da alienação progressiva do pequeno produtor, que perde o controlo dos meiosde produção, o que o torna dependente da venda do seu trabalho no mercado.Mas a desintegração do feudalismo e o desenvolvimento do capitalismo relacionam-setambém com o crescimento das cidades. O crescimento dos centros urbanos foiacompanhado da constituição de capital mercantil e usurário, assim como de um sistemamonetário que permitiu o exercício dessas actividades, que actuaram como uma força dedestruição de um sistema baseado na produção agrícola.Por outro lado, um dos factores que mais contribuiu para o desenvolvimento docapitalismo foi a rápida e vasta expansão do comércio ultramarino. A descoberta daAmérica e do caminho marítimo para a Índia deram um grande impulso ao comércio, ànavegação e à indústria, contribuindo para um rápido desenvolvimento de um elementorevolucionário no interior da sociedade feudal decadente. O grande fluxo de capitais que 7
  8. 8. esse comércio provocou e a grande quantidade de metais preciosos que entraram naEuropa, após a descoberta do ouro e da prata da América, modificaram radicalmente ascondições sociais e económicas então vigentes.Assim, a ascensão da classe que detinha o controlo do capital, a burguesia, processou-seprogressivamente, dos princípios do século XVI em diante. Os mecanismos daadministração centralizada e do poder estatal foram também utilizados para acelerarartificialmente o processo de transformação do modo de produção feudal no modo deprodução capitalista, encurtando o período de transição.Marx distingue no período capitalista dois estádios latos de organização produtiva. Noprimeiro predomina a manufactura. Esta forma caracteriza-se pela divisão dos ofíciosem tarefas especializadas executadas por vários trabalhadores. Isto possibilita aprodução de um maior número de unidades por horas/homem. Mas a pressão da procuratornou necessário criar meios de produção tecnicamente mais eficientes. O progresso damecanização foi uma consequência das necessidades do mercado. O seu resultado foi a“revolução industrial”. A mecanização tornou-se então no factor dominante do modo deprodução capitalista. Começou assim o movimento de aperfeiçoamento tecnológicoconstante que se veio a transformar num dos factores primários da centralização daeconomia capitalista.Ainda segundo Marx, só com o advento do capitalismo, que assenta na expropriação deuma massa de trabalhadores que vendem a sua força de trabalho a troco dosindispensáveis meios de subsistência, é que as relações de mercado se tornamdeterminantes da actividade produtiva humana. Assim, na sociedade burguesa asrelações de classes simplificaram-se e universalizaram-se. Com o capitalismo, e àmedida que ele vai progredindo, verifica-se uma crescente tendência para a criação deduas grandes classes que se encontram em oposição directa no mercado: a burguesia e oproletariado.Por outro lado, na concepção de Marx, as classes constituem o principal elo entre asrelações de produção e o resto da sociedade, ou “superestrutura” social. As relações declasse são o eixo principal da distribuição do poder político, sendo que o podereconómico e o poder político se relacionam intimamente, embora não de uma forma 8
  9. 9. inseparável. Assim, o Estado moderno surge com a luta da burguesia contra os restos defeudalismo, sendo também estimulado pelas exigências da economia capitalista.É de realçar ainda que, segundo Marx, o capitalismo possuía, em si mesmo, ascontradições que levariam à sua destruição. As crises periódicas que ocorremregularmente no capitalismo são a manifestação mais evidente das contradições internasdo sistema capitalista.Assim, em O Capital, Marx define o capitalismo como um sistema inerentementeinstável, construído sobre antagonismos que só podem ser resolvidos através demudanças que acabam por minar o sistema. Essas contradições derivam antes de maisnada do carácter de classe do sistema capitalista, ou seja, da relação assimétrica entre otrabalho assalariado e o capital. A operação do modo de produção capitalista conduzinevitavelmente à dissolução do sistema. É a própria evolução do sistema capitalista quegera as condições que levam à sua transcendência dialéctica.O modo de produção capitalista constituiria, segundo Marx, a última forma socialantagónica, pois o socialismo não comportaria a exploração do homem pelo homemnem a subordinação a uma classe que detêm a propriedade dos meios de produção e opoder político.A sociedade pós-capitalista passaria por uma fase de transição, a ditadura doproletariado e, em seguida, evoluiria para uma fase mais elevada, ou seja, o verdadeirocomunismo, caracterizado pela propriedade colectiva dos meios de produção e por umasociedade sem classes, isto é, sem Estado. CONFRONTO TEÓRICO DE ALGUNS CONCEITOS DE MARX E WEBERMarx e Weber aproximam-se em termos genéricos quanto à definição que ambos fazemdo capitalismo, no entanto apresentam algumas diferenças.Weber tal como Marx pensa que a essência do regime capitalista é a procura do lucroatravés do mercado.Considera também a existência de trabalhadores jurídicos/livres que alugam a sua forçade trabalho ao proprietário dos meios de produção, considerando que a empresa 9
  10. 10. capitalista moderna utiliza meios cada vez mais poderosos, a fim de poder acumularcada vez mais lucros. À medida que vai tendo mais lucros, vai simultaneamente tendocapacidade para acumular maior progresso técnico, que por sua vez vai fazer com queela progrida e tenha cada vez mais lucros.Segundo Weber, a forma moderna do capitalismo ocidental foi determinada pelodesenvolvimento das possibilidades técnicas.A diferença entre Marx e Weber é que a característica maior da sociedade moderna e docapitalismo, é segundo Weber a racionalização burocrática que não continua a progredirseja qual for o estatuto de propriedade dos meios de produção. Weber gosta de evocaruma socialização da economia mas sem ver nela uma transformação fundamental. Anecessidade de organização racional da sociedade para obter a produção pelo melhorcusto, substituiria para além da revolução que desse ao Estado a propriedade dos meiosde produção. A EMERGÊNCIA DO CAPITALISMOPara se falar sobre a emergência do capitalismo para Marx e Weber convém determo-nos no conceito de sociedade para ambos, uma vez que o capitalismo tem origem nasrelações sociais desenvolvidas pelo homem na própria sociedade.Para Marx, todo o tipo de sociedade se baseia num determinado conjunto de relações deprodução. A concepção materialista da história não é mais do que um processo decriação e recriação continuas das necessidades humanas.O desenvolvimento dos sistemas produtivos que não são mais do que um conjunto derelações sociais entre os indivíduos, podendo aquele classificar-se em dois tiposestádios. Um está relacionado com o processo da divisão progressiva do trabalho e ooutro com a emergência da propriedade privada. Esta situação que só se verifica devidoà alienação do campesinato. O campesinato sem propriedade torna-se assalariado, sendoesta a condição indispensável para o desenvolvimento do capitalismo. 10
  11. 11. Ainda segundo Marx, o progresso da sociedade resulta de uma interacção produtivacontínua entre os homens e a natureza. O indivíduo recria e reproduz a sociedade, influina estabilidade de organização social, modificando-a.Já para Weber, a sociedade ocidental baseia-se na antinomia entre racionalidade formale racionalidade real, que segundo ele nunca poderá ser resolvida.A relação de classes que Marx considera como lixo do capitalismo não passaria dumelemento de “expropriação do trabalhador, dos seus meios de produção” e se estende àmaioria dos indivíduos da sociedade contemporânea. Assim, para o desenvolvimento docapitalismo contribuíram segundo Marx, o crescimento das cidades, a rápida e vastaexpansão do comércio ultramarino (descoberta da América e da India) e ainda osmecanismos da administração centralizada e do poder estatal que aceleraram o processode transformação do modo de produção feudal no modo de produção capitalista.Para Marx o período capitalista divide-se em dois estádios de organização produtiva: amanufactura e a mecanização. O seu desenvolvimento levou ao aparecimento de duasclasses: a burguesia e o proletariado que são o principal elo entre as relações deprodução e o resto da sociedade ou “super-estrutura” social.Para Weber o capitalismo moderno não seria possível sem o desenvolvimento dacontabilidade (racional). Esta, diferencia-se da actividade capitalista anterior, como porexemplo a usura.Segundo Weber as organizações políticas podem ser classificadas tal como as empresaseconómicas – serem ou não propriedade do corpo administrativo. Weber aplica aqui emsentido lato uma ideia de Marx; - a expropriação seguida pelo trabalhador quanto aosmeios de produção. “O Estado moderno acaba assim por se apoderar do controlo detodos os meios de organização política, que são agrupados sob a chefia de uma únicacabeça”. (1) Há uma oposição básica entre democracia e burocracia. Esta oposição é aprincipal fonte de tensão na ordem capitalista moderna.(2) “A expansão do capitalismoacompanhou o crescimento da burocratização.” (3)(1) – Giddens, Anthony, CAPITALISMO E MODERNA TEORIA SOCIAL – pp. 245-246(2) – Giddens, Anthony, CAPITALISMO E MODERNA TEORIA SOCIAL – pp. 246(3) – Giddens, Anthony, CAPITALISMO E MODERNA TEORIA SOCIAL – pp. 248 11
  12. 12. Weber considera como pré-requisitos do capitalismo moderno: a existência de umaclasse de trabalhadores assalariados, a ausência de restrições à troca económica, aabolição dos monopólios de estado, a mecanização e a separação entre a empresaprodutiva e a unidade familiar,Relativamente ao Estado moderno, Marx considera que as relações de classe são o eixoprincipal de distribuição do poder político. O Estado moderno surge com a luta daburguesia contra os restos do feudalismo.O capitalismo contem contradições que levam à sua destruição. È um sistema inerenteinstável, as suas contradições resultam da relação assimétrica entre o trabalhoassalariado e o capital. Estas contradições conduzirão à emergência duma sociedadepós-capitalista ou seja a uma fase de transição onde a luta do proletariado levaráposteriormente ao comunismo, a uma sociedade sem classes e sem Estado.No entanto, Weber considera que para o surgimento do Estado moderno teveimportância a influência do Direito romano. ( o racionalismo jurídico comando o Estadomoderno). O Estado moderno começa pela acção da administração profissional, comfuncionários assalariados onde existe o conceito de cidadania.O Estado socialista implica um grau de burocratização maior. O crescimento dessaburocracia é uma causa e uma consequência da racionalização do direito, da política eda indústria – surgidas pela expansão do mercado capitalista. Esta racionalização Weberdistingue-a de duas formas: a racionalidade formal e a racionalidade real.Para Weber o “desencantamento” do mundo também é simultaneamente condiçãoprévia do advento do capitalismo racional e completado por ele, transforma aquilo queaté aí fora um “meio” no “fim” da actividade humana.Finalizando esta comparação iremos tentar fazer uma definição do capitalismo, querpara Marx, quer para Weber.Segundo Marx, o capitalismo enraíza-se numa determinada forma de sociedade, cujacaracterística estrutural consiste numa relação de classe entre o capital e o trabalhadorassalariado. A história dos estádios iniciais do capitalismo é a história da alienaçãoprogressiva do pequeno produtor que perde o controlo dos meios de produção,tornando-se dependente da venda do seu trabalho no mercado. 12
  13. 13. O crescimento das cidades teve como consequência o capital mercantil e usurário, oaparecimento de um sistema monetário para o exercício dessas actividades queacentuaram a destruição do sistema baseado na produção agrícola.A sociedade capitalista emerge assim segundo Marx da desintegração do feudalismo edo desenvolvimento do próprio capitalismo.Para Weber o capitalismo racional moderno em termos de valores de eficiência ou deprodutividade reais, é o sistema económico mais avançado que o homem criou, emboraWeber contrarie alguns valores mais característicos da civilização ocidental, tais comoos que sublinham o valor de criatividade individual e de autonomia de acção.A racionalidade da vida moderna, que se manifesta na organização da burocracia,restringe a liberdade de acção dos homens. O cálculo racional é portanto segundoWeber o elemento primordial da moderna empresa capitalista.. 13
  14. 14. BIBLIOGRAFIA :Giddens, Anthony. “CAPITALISMO E MODERNA TEORIA SOCIAL”, EditorialPresença, 1999, LisboaAron, Raymond, “AS ETAPAS DO PENSAMENTO SOCIOLÓGICO”, D,Quixote, 1991, Lisboa 14

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