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O avanço da internet permitiu o surgimento de tecnologias que desafiam o modelo convencial de telecomunicações. A
tecnologia VoIP, isto é, a comunicação utilizando o acesso banda larga à internet permitiu a redução de custos e a realização
de chamadas sem fronteiras geográficas, com grandes impactos para as tradicionais empresas do setor, que já sentem os
efeitos sobre seu modelo de negócio. As previsões de diversas consultorias apontam o crescimento exponencial, tanto do
acesso à internet quanto à utilização da tecnologia VoIP. O artigo visa mapear a trajetória desta tecnologia, bem como as
perspectivas futuras deste mercado.

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Vo ip (voz sobre ip) trajetória tecnológica e perspectivas para o brasil no cenário de convergência tecnológica - Michele Cristina Silva Melo (2010)

  1. 1. Melo VoIP: trajetória tecnológica e perspectivas para o Brasil no cenário de convergência tecnológica VoIP (Voz sobre IP): Trajetória Tecnológica e Perspectivas para o Brasil no cenário de Convergência Tecnológica Michele Cristina Silva Melo Universidade Federal Fluminense michelemelo@vm.uff.brBIOGRAFIAGraduada em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Uberlândia. Mestre em Economia (Industrial) pelaUniversidade Federal de Santa Catarina, com a dissertação sob o título: “Trajetória Tecnológica do Setor deTelecomunicações no Brasil – a tecnologia VoIP. Doutoranda em Economia pela Universidade Federal Fluminense.Professora Assistente da Universidade Federal Fluminense.RESUMOO avanço da internet permitiu o surgimento de tecnologias que desafiam o modelo convencial de telecomunicações. Atecnologia VoIP, isto é, a comunicação utilizando o acesso banda larga à internet permitiu a redução de custos e a realizaçãode chamadas sem fronteiras geográficas, com grandes impactos para as tradicionais empresas do setor, que já sentem osefeitos sobre seu modelo de negócio. As previsões de diversas consultorias apontam o crescimento exponencial, tanto doacesso à internet quanto à utilização da tecnologia VoIP. O artigo visa mapear a trajetória desta tecnologia, bem como asperspectivas futuras deste mercado.Palavras-chavesTelecomunicações; Informática; Convergência Tecnológica;INTRODUÇÃOO conceito de VoIP nasceu em meados da década de 1990, com o lançamento do primeiro software comercial, o InternetPhone da VocalTec Communications, que permitia a troca de pacotes IP transportando amostra de voz entre computadorespessoais (COLCHER, 2005). A partir de 1998, ocorrem os primeiros testes-piloto, sendo a tecnologia ajustada propiciando osurgimento de novas aplicações. Após dez anos de testes, a utilização de tal tecnologia passa por um processo de difusãoexponencial. De acordo com Oliveira e Loural (2005, p.2), embora ainda existam problemas com a utilização da tecnologia(localização de chamadas, confiabilidade, segurança, interoperabilidade, entre outros), sua taxa de adesão e seu potencial deexpansão fizeram da VoIP a grande vedete tecnológica atual.VoIP é a comunicação de Voz sobre redes IP e consiste no uso das redes de dados que utilizam o conjunto de protocolos dasredes IP (TCP, UDP, IP) para a transmissão de sinais de voz em tempo real na forma de pacote de dados (TELECO, 2010).Existem diversos tipos de VoIP, a saber: computador a computador, computador a telefone comum, telefone IP a telefonecomum, adaptador ATA a telefone comum e telefone IP a telefone IP.O mais comum é a comunicação computador a computador usando a internet e alguns softwares específicos, SoftPhones,como MSN Messenger, Yahoo! Messenger e Skype. O Skype, com 500 milhões de usuários cadastrados desde sua criaçãoem 2002 e cerca de 15 milhões de pessoas conectadas a cada dia (INFO, 2009), é o programa mais utilizado. As vantagensatribuídas a este modelo se referem ao custo zero para realizar as chamadas entre computadores.A realização de chamadas do computador para telefones convencionais depende de softwares fornecidos por um provedor deserviço VoIP, que permitirá a interligação com a rede de telefonia convencional. A principal vantagem associada a este tipode VoIP é a redução de tarifas que se encontram bem abaixo daquelas cobradas pelas operadoras de longa distância nomodelo tradicional. A desvantagem se encontra no fato de que nem todos os provedores possibilitam que o usuário receba viacomputador chamadas realizadas da rede de telefonia convencional. A evolução natural do VoIP levou a sua aplicação paraestabelecer chamadas telefônicas com a rede de telefonia pública (fixa e celular), que é chamada de telefonia IP.Os serviços VoIP, da mesma forma que a internet, são nômades, ou seja, não importa qual a localização física do prestador deserviço VoIP ou do usuário para que o serviço seja utilizado. O número telefônico, contudo, está associado à área local donúmero contratado. As diferenças em relação à telefonia convencional podem ser analisadas pelo Quadro 1.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 265
  2. 2. Melo VoIP: trajetória tecnológica e perspectivas para o Brasil no cenário de convergência tecnológica Características Telefonia Convencional Telefonia VoIP Conexão na casa do cliente Cabo de cobre Banda larga de internet Falta de Energia Elétrica Continua funcional Para de funcionar Acesso em qualquer lugar do mundo, desde Mobilidade Limitada a casa do cliente que conectado a internet Número telefônico Associado ao domicílio do cliente Associado a área local do número contratado Chamadas locais Área local do domicílio do cliente Área local do número contratado Quadro 1. Características Telefonia Convencional x Telefonia VoIP no BrasilNo Brasil, o serviço telefônico convencional é explorado por empresas ditas concessionárias que possuem obrigações emetas. Neste modelo, baseado no degrau tarifário, as principais fontes de receita são as ligações a distância internacional, alonga distância nacional, habilitação do serviço, assinatura do serviço e comunicação de dados. O sistema é hierarquico, poisa infra-estrutura necessária para prover serviço de longa distância nacional e internacional são diferentes.Na telefonia IP, contudo, a rede não é hierárquica e os terminais são inteligentes, de forma que o endereçamento não dependede localização geográfica, e o processamento e a realização das chamadas ocorrem em vários equipamentos que podem estarlocalizados em qualquer parte da rede.LIMITES DA REDE DE TELEFONIA CONVENCIONAL E O DESENVOLVIMENTO DO TCP/IPOs sistemas tradicionais de transporte de tráfego telefônico possuem uma limitação importante, sua inadequação para atransmissão de dados. A comunicação de dados cresceu acompanhando o ritmo de desenvolvimento da internet. A rede detelefonia comutada pública apresenta pontos fortes, como padronização estabelecida, transparência na interoperabilidadeentre grande parte de hardware e software, capilaridade, estabilidade e tecnologia distintiva, a comutação de circuitos, nãooriginalmente desenvolvidos para o transporte de dados. O tráfego de voz pode ser considerado mais previsível e estável,com duração média de 3 a 4 minutos (PROMON, 2006), enquanto o tráfego de dados é mais imprevisível, não constante ecom duração média superior.Na comutação por circuitos, existe uma reserva de largura de banda pela duração de uma chamada telefônica. Tal fatopermite um bom grau de qualidade para as ligações telefônicas, mas implica também desperdício de recursos de rede. Autilização de uma rede de transmissão de dados em pacotes otimiza a utilização da largura de banda disponível, semcomprometer o transporte de voz, através de pacotes de dados.Outra limitação da rede de voz convencional é quanto a sua arquitetura fechada, isto é, suas funcionalidades estão reunidasnas centrais telefônicas e a realização de upgrades de funcionalidades e novos serviços se tornam um processo caro,demorado e complicado, em função inclusive da natureza proprietária das centrais de comutação (Idem, 2006).Com a evolução dos processadores digitais de sinal, de chips especializados e algoritmos para priorização seletiva de tráfego,uma nova arquitetura de rede se formou baseada em infra-estrutura voltada para a comutação de dados, com base em TCP/IP.Neste modelo, as grandes funcionalidades estão bem delimitadas e interagem entre si de forma otimizada, tornando talarquitetura mais flexível e menos hierarquizada do que o modelo tradicional, favorecendo também o desenvolvimento denovas funcionalidades.Nesta nova arquitetura, surge o ATM (Asynchronous Tranfer Mode), isto é, uma plataforma de comutação de dados em altavelocidade orientado para conexão e que suporta diferentes tipos de tráfegos e efetua as tarefas de transporte com eficácia econfiabilidade. Porém, a difusão do ATM esbarrava no elevado custo de operação, manutenção e upgrades destas redes.Para contornar a situação, foi criado o MPLS (Multi Protocol Label Switching), que consiste em um conjunto de protocoloscom o objetivo de garantir ao TCP/IP funcionalidades eficientes de engenharia de tráfego, necessários, já que o TCP/IP éoriginalmente inábil em priorizar tipos diferentes de tráfego. Apesar desta limitação primária, o TCP/IP se tornou padrão naindústria por oferecer comunicação em ambientes heterogêneos, como, por exemplo, em máquinas UNIX, máquinasWindows, máquinas MAC, minicomputadores e mainframes. Atualmente, o TCP/IP faz referência a um grupo de protocolosutilizados na internet e especifica como computadores se comunicam ao mesmo tempo em que fornece as convenções para aconexão e rota no tráfego da internet por meio de conexões estabelecidas por roteadores.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 266
  3. 3. Melo VoIP: trajetória tecnológica e perspectivas para o Brasil no cenário de convergência tecnológicaEmbora sempre considerado um protocolo “pesado”, o desenvolvimento de interfaces gráficas, a evolução dos processadorese o melhoramento do desempenho tornaram o TCP/IP indispensável. Entre os benefícios oferecidos por este protocolo,destaca-se os seguintes: (a) Padrão: é um protocolo roteável que é o mais completo e aceito disponível no momento; (b)Tecnologia para conectar sistemas não similares; (c) Permite e habilita as tecnologias mais antigas e as novas se conectarem àinternet; (d) Protocolo robusto, multiplataforma, com estrutura para ser utilizada em sistemas operacionais cliente/servidor,possibilitando a utilização de aplicações desse porte entre dois pontos distantes.Resumindo, as características, vistas no Quadro 2, associadas ao padrão TCP/IP no desenvolvimento da internet permitirão aconfiguração de uma rede de telecomunicações capaz de fornecer melhores serviços aos consumidores. O TCP/IP, aooferecer uma arquitetura mais flexível, atende às necessidades atuais, de um sistema capaz de integrar diversos serviços. Características Rede Telecomunicações Tradicional Rede Telecomunicações VoIP (Banda Larga) Transporte Transporte de Voz Transporte de Voz e Dados Comutação Comutação de circuitos Comutação de pacotes Prioridade Reserva de largura de banda Não há reserva de largura de banda Arquitetura Arquitetura fechada Arquitetura mais flexível Condições de Tráfego Tráfego de voz: previsível e estável Tráfego de dados: imprevisível e não constante Padrão TCP/IP é elaborado por um corpo técnico – Padrões Elaborados por Órgãos Internacionais IABQuadro 2. Principais Características da Rede de Telecomunicações Tradicional e da Rede de Telecomunicações VoIP Sobre Banda LargaLIMITES DA TECNOLOGIA VOIPEmbora a crescente utilização da tecnologia VoIP, seja no mercado corporativo ou residencial, os limites impostos àtecnologia passam por dois pontos distintos e importantes: a questão do acesso banda larga e a questão da qualidade doserviço.A conexão banda larga é um pré-requisito para a utilização desta tecnologia, visto que tanto voz e dados utilizarão o mesmoespaço para caminhar pela rede. Entretanto, a disseminação da banda larga no país, embora crescente, ainda é restrita, comodemonstra a Tabela 1. Todos os tipos de conexão banda larga apresentaram crescimento desde 2002, apesar de no total o anode 2006 tenha apresentado uma queda nas taxas de crescimento. Entre os motivos que explicam as elevadas taxas decrescimento se encontram a disseminação dos serviços VoIP (Skype, MSN Messenger e outros) no Brasil; a queda no custodos computadores; o maior acesso e uso da internet; e a oferta de produtos combinados, como telefone, internet e TV porassinatura. Os dados para o quarto trimestre de 2009 são estimados. 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 4T09* Quantidade 526 993 1907 3152 4341 5590 7007 7705ADSL Cres. (%) 88,78% 92,04% 65,29% 37,72% 28,77% 25,35% 9,96% Quantidade 135 203 342 629 1200 1753 2589 3132TV Assinatura (Cabo) Cres. (%) 50,37% 68,47% 83,92% 90,78% 46,08% 47,69% 20,97% Quantidade 31 40 50 75 115 375 420 550Via Rádio Cres. (%) 29,03% 25,00% 50,00% 53,33% 226,09% 12,00% 30,95% Quantidade 692 1236 2299 3856 5656 7718 10016 11387Total Cres. (%) 78,61% 86,00% 67,73% 46,68% 36,46% 29,77% 13,69% Tabela 1. Total de Conexões Banda Larga no Brasil entre 2002 e 2009 – em milharesA queda no preço dos computadores teve grande impacto no setor com elevação da venda, tando de desktops quanto denotebooks. Em 2004, a venda total de micros atingia apenas 4,1 milhões de doláres. Em 2008, as vendas de desktopssomaram 7,7 milhões e a notebooks, 4,3 milhões, totalizando 12 milhões de dolares (TELEBRASIL, 2009) isto é, umcrescimento de 192%.Em um país de aproximadamente 200 milhões de pessoas, cerca de 10 milhões possuem algum acesso banda larga(Telebrasil, 2009), o que aponta o ainda enorme potencial de crescimento deste mercado. Entre os motivos para a restriçãoAnais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 267
  4. 4. Melo VoIP: trajetória tecnológica e perspectivas para o Brasil no cenário de convergência tecnológicadeste serviço, tem-se a concentração de renda no Brasil. Conforme dados da Telebrasil (2009), a concentração de renda nopaís aumentou entre 2001 e 2008, onde a classe definida como E passou de 74.9% em 2001 para 78.5% em 2008. No mesmoperíodo, a classe A, de 1.1% no ano de 2001, reduziu para 0.6% em 2008. Também é possível perceber um achatamento daclasse média (B e C). Como a classe que já possui o serviço é a com rendimentos mais elevados, as operadoras são obrigadasa procurar novos clientes entre aqueles com renda mais baixa.O marco regulatório também é um aspecto importante a ser considerado. A discussão em torno do marco regulatório consiste,principalmente, sobre a impossibilidade de fusão entre duas concessionárias do serviço de telefonia comutado tradicional queoperem em áreas diferentes do PGO (Plano Geral de Outorgas) e as imposições colocadas pela Lei do Cabo, que não permiteparticipação superior a 30% de capital estrangeiro em empresas de radiodifusão. Este cenário dificulta às empresas aformação de grandes grupos atuando em diversos segmentos e oferecendo produtos convergentes.As questões relacionadas com a qualidade do serviço se referem aos problemas que possam existir de latência (diferença detempo entre o início de um evento e o momento em que seus efeitos tornam-se perceptíveis), perda de pacotes, eco, jitter(variações de atraso) e segurança. Tais problemas podem ser superados com o dimensionamento correto da rede. Outro fatorque tem graves implicações para a manutenção da qualidade é a dependência, em alguns casos, da energia elétrica para se teracesso aos serviços e VoIP.Entre as principais vantagens relacionadas, portanto, a esta tecnologia, tem-se a redução no custo da chamada, pois a voz étransformada em pacotes e transmitida como pacote de dados; a unificação das redes de telefonia, internet e TV porassinatura, o que contribui para a redução de custos e otimização de utilização.Com relação às desvantagens, listam-se a dependência do provedor de internet para a continuidade do serviço; a questão desegurança, já que a tecnologia ainda não aceita criptografia para garantir a segurança na transmissão de dados; a qualidadedas ligações tem relação com a configuração da rede, que, se mal dimensionada, pode ocasionar problemas de eco, atraso eperda de pacotes; a regulamentação praticamente inexistente, visto que, na análise do órgão regulador do setor, a Anatel, atecnologia ainda não atingiu participação de mercado suficiente para exigir regulação; e, por fim, a falta de integração dosequipamentos, pois os protocolos utilizados pela tecnologia não são atestados por órgãos internacionais conhecidos comoUIT, de modo que cada fornecedor desenvolva equipamentos com protocolos distintos.O MERCADO DE VOIPÉ importante destacar a inexistência de uma fonte de dados oficial sobre os números da tecnologia VoIP. Por ser umatecnologia em fase inicial de implantação e disseminação, os dados disponíveis são aqueles divulgados por operadoras quedisponibilizam o serviço; revistas e jornais, como Exame, IDG NOW, Computer World, Estado de São Paulo, GazetaMercantil, Valor Econômico; e sites especializados, como Teleco, Abrafix, ITWEB.A disseminação da internet e o avanço do acesso via banda larga nos últimos anos favoreceram o alcance da telefonia IP.Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Soluções de Telecomunicações e Informática (Abreprest)indica que os investimentos no setor de telecomunicações em 2008 por parte das operadoras fixas devem se elevar em 3%,atingindo o valor de R$ 2.66 bilhões de reais. Os principais focos dos investimentos serão a banda larga e novos serviços,como IPTV (IDG NOW, 2008).A utilização do VoIP no Brasil, segundo a Exame (2005), apresentava perspectiva de 25% de utilização para 2006. Mesmocom o baixo número de assinantes banda larga no Brasil, alguns números já surpreendiam: ainda em 2005, uma em cada trêsligações do Brasil para o exterior já era feita pela internet; os internautas brasileiros estão em terceiro lugar no ranking deusuários do Skype (Idem, 2005).Conforme dados da Teleco (2010), as maiores prestadoras de serviço de telefonia fixa VoIP no Brasil são a Embratel/Net e aGVT. Pela Tabela 2 se percebe que a Net Fone e a GVT apresentaram crescimento no número de assinantes, embora ocrescimento da Net tenha sido excepcional. 2005 2006 2007 2008 1T09 2T09 3T09 4T09Net Fone Via Embratel -- 182,0 567,0 1.802,0 2.058,0 2.286,0 2.489,0 2.557,0GVT 5,6 35,4 74,0 100,0 123,0 135,0 147,0 147,0 Tabela 2. Número de Assinantes de Telefonia Fixa VoIP no Brasil entre 2005 e 2009 – em milharesEstudo realizado pelo Idate (TeleTime, 2004), apontava que em 2009 a expectativa era que o uso corporativo detelecomunicações sobre IP respondesse por 40% dos negócios por linhas telefônicas, levando ao desaparecimento de cerca deAnais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 268
  5. 5. Melo VoIP: trajetória tecnológica e perspectivas para o Brasil no cenário de convergência tecnológicaum terço das linhas convencionais fixas. A previsão para 2010 é de 50%. Segundo a Consultoria Infonetics Research (2010),o mercado mundial de VoIP cresceu 14% em 2009, mesmo em um cenário de crise financeira, o que confirma a utilização doVoIP como tendência mundial. A popularização de aplicativos do tipo Skype para diversas plataformas de smartphonesacompanha a tendência divulgada pela Consultoria Gartner (ITWEB, 2009), de que em dez anos (2019), mais de 50% dotráfego de voz móvel no mundo será feito por meio da tecnologia VoIP, e destes, 30% serão baseados em serviços de VoIPwireless administrados por portais como Google, Facebook, MySpace e Yahoo!. Conforme pesquisa realizada porWainhouse Research (ITWEB, 2008), o mercado mundial de serviços de comunicação integrada saltará dos atuais US$ 8.8bilhões para US$ 24.2 bilhões em 2012.Um estudo da Consultoria Accenture e Guerreiro (apud ESTADO DE SÃO PAULO, 2005b) mostrou que em seis mercadosmais maduros, Austrália, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Itália e Reino Unido, entre os anos de 2001 e 2004, a basede assinantes de telefonia fixa caiu em média 1.7% ao ano, enquanto a telefonia móvel cresceu 10% e a banda larga, 39%. Atelefonia IP cresceu 37% entre os anos de 2003 e 2004, atingindo o número de vinte e nove milhões de usuários. Todas asgrandes empresas de telefonia mundiais, como Verizon, AT&T, Deustche Telecom e NTT, estão atualizando suas redes paradisponibilizar ligações via web.Na América do Norte a expectativa era de um crescimento de cerca de 18 vezes entre 2004 e 2009, passando de 1,24 para23,4 bilhões de dólares (IBM, 2010). Na Europa, o número de linhas fixas de VoIP saltou de 20 milhões para 30 milhõesentre meados de 2007 e meados de 2008 e, para o final de 2009 tal número seria próximo de 45 milhões de linhas, de acordocom a Consultoria TeleGeography (ITWEB, 2009). Para os EUA, de acordo com artigo da revista TeleTime (2004), eraesperado para 2009 aproximadamente doze milhões de residências ou, ainda, que 17% das residências com acesso broadbandutilizassem telefonia VoIP em 2009. As mudanças provocadas no setor pela tecnologia VoIP são tão grandes que até mesmoempresas de outros segmentos estão entrando no setor de telefonia, como é o caso da Time Warner, do Yahoo! e da ComCastnos EUA. Para a América Latina, a perspectiva é que o setor movimentará quantia superior a US$ 10,2 bilhões até 2014,segundo a Consultoria Signals Telecom (ITWEB, 2009b), enquanto que, em três anos, as receitas do mercado brasileiro deserviços de VoIP devem ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão.A POSIÇÃO DAS OPERADORAS DE TELECOMUNICAÇÕESOutro grande desafio enfrentado pelo setor diz respeito ao impacto nas operadoras de telecomunicações, pois além da perdade receita com a entrada de novas soluções no mercado, também devem tomar decisões com relação à implementação doprocesso de otimização de sua infra-estrutura, de modo a se adaptar para o momento da convergência. Embora diversasempresas apresentem desde o momento pacotes de serviços, isto não significa que exista também a integração tecnológicapara a prestação deste pacote. Segundo Marcelo Nobre Frasson (IDG NOW, 2008), a realidade ainda é que cada serviçoofertado ao cliente possui uma tecnologia específica.As operadoras de telefonia fixa já sentem a queda em suas receitas, sobretudo de longa distância e internacional, e passaram alançar pacotes de ligações com descontos nos minutos e produtos convergentes (TELETIME, 2007). Na Europa, em 2006 aqueda das receitas com longa distância das operadoras tradicionais atingiu 30% e o cenário para o Brasil não era diferente. Oimpacto nas ligações de longa distância nacional devem ser menores, pois as operadoras realizaram grandes campanhas demarketing para divulgar seus códigos de prestadora. O relatório da Consultoria Frost & Sulivan (ITWEB, 2008) indica quedeve haver queda de 2,8% ao ano no faturamento com ligaçoes locais e de 7,9% no de ligações de longa distância no Brasilnos próximos seis anos, a partir de 2009, sendo importante ressaltar que, o mercado de VoIP no Brasil representa apenas0,5% de todo o mercado de telefonia. Pela Tabela 3 nota-se a queda na receita das chamadas interurbanas nacionais einternacionais no Brasil, com destaque para a queda em 2005 das chamadas internancionais, que atingiu o valor de cerca de45%. Percebe-se, também, o crescimetno de 122% dos provedores de serviços VoIP entre 2006 e 2007. 2003 2004 2005 2006 2007Chamadas Interurbanas 6860 7188 7100 5924 5548 Crescimento Anual (%) - 4,8 -1,2 -16,6 -6,3Chamadas Internacionais 1336 1394 768 698 747 Crescimetno Anual (%) - 4,3 -44,9 -9,1 7,0Provedor de VoIP - - - 44 98 Crescimento Anual (%) - - - - 122,7Tabela 3. Receita operacional líquida das empresas de telecomunicações com 20 ou mais pessoas ocupadas - serviços selecionados – em R$ MilhõesO baixo nível de ligações via web, porém, juntamente com o avanço de número de linhas de aparelhos móveis, foi capaz dereduzir a receita das operadoras com serviços de voz. A perspectiva, segundo a Consultoria Accenture e Guerreiro (apudAnais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 269
  6. 6. Melo VoIP: trajetória tecnológica e perspectivas para o Brasil no cenário de convergência tecnológicaESTADO DE SÃO PAULO, 2005), é de que esta receita passasse de US$ 784 bilhões em 2004 para US$ 665 bilhões em2008.A solução encontrada para reverter a queda da receita com voz, inclusive em outros países, foi a oferta de pacotes, chamadode Triple Play, com serviços de telefonia, acesso à internet banda larga e televisão por assinatura. No Brasil, a TVA jáoferecia telefonia em seus pacotes e a Net estuda novos pacotes contendo telefonia.Depois de se disseminar pelo mercado corporativo, o VoIP passa a avançar para o mercado residencial, quando grandesvarejistas começaram a vender adaptadores e aparelhos de telefonia IP para uso residencial. Por sua vez, a questão daabrangência diz respeito ao número limitado de público-alvo existente no Brasil, que em 2009 estava limitado a quase dezmilhões de usuário de banda larga, um número pequeno perto dos sessenta milhões de acessos fixos instalados. Outro fatorrelevante também são os preços dos aparelhos de telefonia IP, ainda elevados em razão da baixa escala de produção.O setor de telecomunicações, após o processo de privatização e até julho de 2003, passou por um período em que não seriapermitido às concessionárias efetuarem vendas e/ou adquirirem outras empresas na mesma área de atuação. A primeiragrande discussão sobre o tema aconteceu devido à concordata do grupo WorldCom, controladores da Embratel no Brasil.Após o processo de falência a empresa concretizou a venda da Embratel. O grupo responsável pela compra foi a Telmex,responsável também pela Vésper e Claro no país. A compra transformou o Grupo no terceiro maior operador detelecomunicações do país, atrás apenas de Telefônica-Vivo e Telemar-Oi.Para se consolidar na América Latina, o Grupo Telmex continua adquirindo empresas no Brasil. Em meados de 2004, aempresa adquiriu participação na Net (TV por assinatura), que possuía, na época, 1.3 milhões de clientes ou 36% do mercado(VALOR ECONÔMICO, 2006). Tal compra é estratégica para a Telmex, como uma forma de acessar o cliente residencial, achamada última milha, visto que a Embratel não possui cabos para acesso aos clientes. A Net, sob o controle da Embratel,adquiriu a Vivax, segunda maior empresa do setor, respondendo por 75% do mercado. A compra passa pela nova estratégiada empresa de oferecer não somente novos canais, mas também o produto conhecido como Net Phone, como parte dos novospacotes oferecidos em virtude da convergência de dados, voz e imagem (ESTADO DE SÃO PAULO, 2006).A Telefônica, em um movimento para garantir a convergência dos serviços, em outubro de 2006 fechou um acordo com oGrupo Abril, nos termos permitidos pela LGT1, para a compra da TVA (TV por assinatura) e que possuía, na época, 7% domercado. Entretanto, a compra teria que passar pelo crivo da Anatel. A autorização para a compra foi concedida pela Anatelem julho de 2007, com algumas restrições no modelo de negócio em São Paulo, onde a Telefônica é concessionária e jádetém grande infra-estrutura.A Telmex, em contra-ataque ao investimento da Telefônica (compra da TIM) aumentou os investimentos para obter aliderança no mercado da tecnologia Triple Play (GAZETA MERCANTIL, 2007), isto é, a oferta combinada de serviços devoz, dados e imagens, oferecendo conexões de alta velocidade a valores menores dos que os praticados no mercado. Talestratégia somente é possível em virtude da aquisição da Net e Vivax.No início de 2005, começou a ganhar contorno a idéia de união entre Brasil Telecom e Telemar. Entretanto, existiam doisobstáculos para tal união. O primeiro correspondia aos valores requeridos pelos sócios da Brasil Telecom, entre eles TelecomItália, CitiGroup e outros Fundos de Investimentos, para a venda de sua participação. O segundo, à impossibilidade previstana legislação, que não permitia que duas operadoras fixas fossem controladas pelo mesmo grupo.A Telemar, com o objetivo de se fortalecer para enfrentar grandes grupos internacionais, decidiu, no final de 2006, reduzir osdividendos pagos para diminuir as dívidas da empresa e partir para aquisições, principalmente de empresas de telefoniamóvel. O alvo seria a TIM, contudo, com a venda da empresa para a Telefônica, o que ganhou mais força ainda foi a junçãoentre Telemar/Oi e Brasil Telecom GSM, empresa que iniciaria operações com mais de 15 milhões de clientes. A compra foiaprovada pela Anatel em dezembro de 2008.A formação de grandes grupos mediante a fusão entre empresas de segmentos distintos permite a redução de custos para ofornecimento dos serviços, devido ao aumento da escala. As grandes operadoras, ao adentrarem no mercado de banda larga,podem ampliar os volumes dos investimentos e contribuir para a disseminação do serviço entre todas as classes de renda,inclusive com a oferta de combos de produtos.CONCLUSÃO1 Segundo a LGT, uma empresa estrangeira somente poderia controlar até 49% de uma empresa do segmento de cabo.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 270
  7. 7. Melo VoIP: trajetória tecnológica e perspectivas para o Brasil no cenário de convergência tecnológicaO desenvolvimento da comutação por pacotes trouxe um importante impacto para o setor de telefonia. A comutação depacotes, ao não exigir um processo dedicado, como a comutação por circuitos, permite uma melhor exploração da rede. Aadoção do protocolo TCP/IP garante ainda a flexibilidade necessária para a interface entre diversas redes distintas e afacilidade para incorporar novos serviços.A infra-estrutura de banda larga e os equipamentos desenvolvidos possibilitam formar uma rede com capacidade paratransportar não somente dados, mas também voz com padrão idêntico ao oferecido pelo sistema tradicional de telefonia e aoportunidade de oferecer novos produtos. A tecnologia VoIP, em suas diversas modalidades de uso, permite a redução decustos, uma vez que as tarifas cobradas pelo serviço são inferiores às cobradas pelas operadoras de telefonia convencional. Emais, ao incentivar a utilização da banda larga, necessária para o funcionamento do serviço, também possibilita a abertura denovos mercados para as operadoras, capazes de levar pela mesma infra-estrutura serviços de voz, internet e TV porassinatura.Já é possível observar a queda da receita de voz das operadoras e o aumento do número de assinantes de acesso banda larga ede telefonia VoIP, o que fez com que as operadoras iniciassem os investimentos para a oferta deste serviço, primeiramentepara o mercado corporativo e depois para o varejo. O desenvolvimento da rede de acesso à internet e a expansão dascapacidades de transmissão, complementada com a mudança nos padrões de regulamentação, permitem a exploração daoferta de serviços convergentes por parte das operadoras como forma de superar a queda com os serviços de voz verificadasdepois da introdução dos serviços de VoIP.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS1. Colcher, S. (2005). VoIP: Voz sobre IP. Rio de Janeiro, Elsevier.2. Estado de São Paulo (2005). Teles oferecem entretenimento para compensar perdas com voz. Edição de 26/06/2005.3. Estado de São Paulo (2005b). À espera da morte do telefone fixo. Edição de 30/10/2005.4. Estado de São Paulo (2006). Com Telmex, Net acelera expansão. Edição de 02/11/2006.5. Exame (2005). A promessa que virou realidade. Disponível em: www.portalexame.com.br. Edição de 21/09/2005.6. Gazeta Mercantil (2007). Telmex reforça estratégia do triple play. Caderno TI & TELECOM. Edição de 02/05/2007.7. IBM (2010). VoIP: o proximo capitulo da telefonia. Disponível em: http://www.ibm.com/expressadvantage/br/articles_etips/new_technologies/business_mgm/voip.phtml. Acesso em: março de 2010.8. Idg Now (2008). Investimentos em Telecom vão ultrapassar R$ 13.5 bilhões em 2008. Disponível em: http://idgnow.uol.com.br/telecom/2008/01/08/idgnoticia.2008-01-08.1184949999. Acesso em: dezembro de 2008.9. Info (2009). Celular é nossa prioridade, diz Skype. In: http://info.abril.com.br/noticias/mercado/celular-e-nossa- prioridade-diz-skype-13102009-35.shl. Acesso em: outubro de 2009.10. Infonetics Research (2010). Pesquisas de mercado. Disponível em: www.infonetics.com. Acesso em: janeiro de 2010.11. Itweb (2008). Mercado de VoIP deve crescer mais de oito vezes, até 2012. Disponível em: http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=49962. Acesso em: julho de 2008.12. Itweb (2009). Projeção:VoIP móvel desafia operadoras. Disponivel em: http://www.itweb.com.br/noticias/noticias_imprimir.asp?cod=57309. Acesso em: dezembro de 2009.13. Itweb (2009b). VoIP movimentará US$ 1 bi, no Brasil, em tres anos. Disponivel em: http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=57365. Acesso em: maio de 2009.14. Oliveira, R.C.; Loural, C.A (2005). Impacto da introdução da tecnologia de voz sobre IP no desempenho de operadoras tradicionais: uma simulação de cenários. In: Cadernos de Tecnologia, Vol.1, n.1, jan-dez, 2005.15. Promon (2006). Voz sobre IP: A revolução na Telefonia. Promon Bussiness & Technology Review. In: www.promon.com.br. Acesso em: dezembro de 2006.16. Telebrasil (2009). O desempenho do Setor de Telecomunicações no Brasil: Séries Temporais – 4T09. Disponível em: www.telebrasil.org.br. Acesso em: janeiro de 2010.17. Teleco (2010). Site – Informação em Telecomunicações. In: http://www.teleco.com.br. Acessado em: abril de 2010.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 271
  8. 8. Melo VoIP: trajetória tecnológica e perspectivas para o Brasil no cenário de convergência tecnológica18. Teletime (2004). Edição Especial TECNOLOGIA. Desponivel em: www.teletime.com.br. Acesso em: dezembro de 2004.19. Teletime (2007). Tática de Sobrevivência. Ano 10, Nº103, Setembro, 2007.20. Valor Econômico (2006). Anatel aprova operação entre Globopar e Telmex. Edição de 16/03/2006.Anais da IV Conferência ACORN-REDECOM, Brasília, DF, 14-15 de maio de 2010 272

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