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Habitação Sustentável

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A construção civil brasileira consome atualmente algo em torno de 40%
dos recursos naturais extraídos e é responsável pela geração de, aproximadamente,
60% de todo o resíduo sólido urbano, além de utilizar madeira
em larga escala, sendo esta, muitas vezes, extraída de mata nativa, sem a
observância de critérios técnicos e legais.
Apesar do surgimento de diversas iniciativas voltadas à inclusão de critérios
sociais e ambientais no setor da construção civil, dentre os quais a certificação de
origem dos recursos, verifica-se que os mecanismos propostos para a adequação
dos processos ainda vêm sendo utilizados de forma incipiente.

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Habitação Sustentável

  1. 1. Cadernos de Educação Ambiental 9 H A B I T A Ç ã o SUSTENTÁVEL Autores Christiane Aparecida HatsumiTajiri Denize Coelho Cavalcanti João Luiz Potenza GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE COORDENADORIADEPLANEJAMENTOAMBIENTAL SÃO PAULO – 2012
  2. 2. S24h SãoPaulo(Estado)SecretariadoMeioAmbiente/CoordenadoriadePlanejamento Ambiental.HabitaçãoSustentável.Tajiri,Christiane,AparecidaHatsumi;Cavalcanti, Denize Coelho; Potenza, João Luiz. – São Paulo : SMA/CPLA, 2011. 120 p. : 15,5 x 22,3 cm (Cadernos de Educação Ambiental, 9) Bibliografia ISBN – 978-85-86624-87-2 1.HabitaçãoSustentável2.EficiênciaEnergética3.Água-SeleçãodeMateriais I.Tajiri,Christiane,AparecidaHatsumi,II.Cavalcanti,DenizeCoelho,III.Potenza, JoãoLuizIV.SãoPaulo(Est.)SecretariadoMeioAmbienteV.Título.VI.Série. CDU 349.6 Biblioteca – Centro de Referências de Educação Ambiental 1a reimpressão 2012
  3. 3. Governo do Estado de São Paulo Governador Secretaria do Meio Ambiente Secretário Coordenadoria de Planejamento Ambiental Coordenadora Geraldo Alckmin Bruno Covas Nerea Massini
  4. 4. SobreaSérieCadernosdeEducaçãoAmbiental Asociedadebrasileira,crescentementepreocupadacomasquestõesecoló- gicas,merecesermaisbeminformadasobreaagendaambiental.Afinal,o direitoàinformaçãopertenceaonúcleodademocracia.Conhecimentoépoder. Cresce,assim,aimportânciadaeducaçãoambiental.Aconstruçãodoama- nhãexigenovasatitudesdacidadania,embasadasnosensinamentosdaecologia edodesenvolvimentosustentável.Comcerteza,amelhorpedagogiaseaplicaàs crianças,construtorasdofuturo. ASecretariadoMeioAmbientedoEstadodeSãoPaulo,preocupadaem transmitir,deformaadequada,osconhecimentosadquiridosnalabutasobrea agendaambiental,criaessainovadorasériedepublicaçõesintituladaCadernos deEducaçãoAmbiental.Alinguagemescolhida,bemcomooformatoapresen- tado,visaatingirumpúblicoformadoprincipalmenteporprofessoresdeensino fundamentalemédio,ouseja,educadoresdecriançasejovens. OsCadernosdeEducaçãoAmbiental,emfacedasuapropostapedagógica, certamentevãointeressaraopúblicomaisamplo,formadoportécnicos,militan- tesambientalistas,comunicadoresedivulgadores,interessadosnatemáticado meioambiente.Seustítulospretendemserreferênciasdeinformação,sempre precisasedidáticas. Osprodutoresdeconteúdosãotécnicos,especialistas,pesquisadorese gerentesdosórgãosvinculadosàSecretariaEstadualdoMeioAmbiente.Os CadernosdeEducaçãoAmbientalrepresentamumapropostaeducadora,uma ferramentafacilitadora,nessadifícilcaminhadarumoàsociedadesustentável.
  5. 5. Títulos Publicados • AságuassubterrâneasdoEstadodeSãoPaulo • Ecocidadão • UnidadesdeConservaçãodaNatureza • Biodiversidade • Ecoturismo • ResíduosSólidos • MatasCiliares • DesastresNaturais
  6. 6. Apresentação do Secretário Osetordeconstruçãociviléresponsávelpeloconsumodeaproxima- damente40%dosrecursosnaturaisecontribuicomumterçodas emissõesdegasesdoefeitoestufa.Portanto,aadoçãodenovastecno- logiasnaconstruçãooureformasdehabitaçõesminimizameevitamos grandes impactos ambientais. Aadoçãodeumahabitaçãomaissustentáveltrazumasériedebenefí- cios,comoaminimizaçãodousoderecursosnaturaisedageraçãodepolui- ção,odesenvolvimentodaeconomialocaleaformalidadenasrelaçõesde trabalho,alémdoaumentodaeficiêncianousoderecursosfinanceirosna construçãoevalorizaçãodoimóvelpelomercado. Outropontorelevanteabordadonapublicaçãoéaquestãodaescolha doterreno.Émuitoimportantequeomoradorantesdaaquisiçãodoterreno oudacasa,verifiqueseamesmanãoestálocalizadaemáreasdepreserva- çãopermanente,áreascontaminadaseemáreascompotencialaenchentes, risco,hoje,tãocomumnasgrandescidades. Iniciativassocioambientaisadotadasnaconstruçãoereformadeuma habitaçãosãofundamentaisparagarantiroavançoeconômicocomahar- moniadanatureza. Bruno Covas Secretário de Estado do Meio Ambiente
  7. 7. SUMÁRIO 01. Introdução • 11 02. Estado atual da Construção Civil • 15 03. O que é Sustentabilidade? • 19 04. Cuidados Necessários ao Adquirir um Imóvel • 23 05. O Que é uma Habitação Sustentável? • 29 06. Eficiência Energética • 33 07. Conservação da Água • 47 08. Seleção de Materiais • 59 09. Conforto Térmico • 75 10. Acessibilidade – Desenho Universal • 83 11. Estudos de Casos • 87 12. Avaliação de Sustentabilidade (Certificação) • 97 13. Políticas Públicas – Construções Sustentáveis • 101 Glossário • 105 Referências Bibliográficas • 109
  8. 8. Introdução 1
  9. 9. caderno de educação ambiental habitação sustentável12 1. Introdução Asalteraçõesclimáticasobservadasnosúltimostemposrepresentam umdivisordeáguasnosetordaconstruçãocivil.Estudosdemonstram, deformainquestionável,adimensãodosimpactosambientaisdecorrentes dessaatividade;favorecendo,assim,abuscaporformasalternativasdecons- trução. Grandepartedamudançapodeserverificadanouniversodasconstruções voltadasparaahabitação,setorquevemdespontandocomoumdosmaisaptos apromoveraeconomiadebaixocarbono,tãoemvoganodiscursodegovernos eempresasecujoobjetivoconsisteemfornecer,aoconsumidor,alternativas compotencialcadavezmenordeemissõesdegasesdeefeitoestufaegeração depoluentes,iniciandoumprocessodemudançacultural,noquedizrespeitoàs formasdesehabitarumimóvel. Aconjugaçãodemelhordesempenhocommaiorcompetitividadesóépos- sívelapartirdemudançasdenaturezatecnológicaegerencial.Énecessáriolem- brarque,enquantoopilareconômicoécondiçãoessencialparaosurgimentode umaempresa,ospilaressocialeambientalsãoresponsáveisporseucrescimento eperenidade.Asociedadevemcadavezmaisexigindoumagestãoresponsável ecompetitivaporpartedasempresas,deformaqueresponsabilidadeecom- petitividadedevemcorresponderaaçõescomplementaresenãoexcludentes. Asrespostasparaasdemandasrelacionadasàlegislação,àopiniãopública eaosproblemasglobais–dentreosquaisadegradaçãodosrecursosnaturais, asmudançasclimáticas,apobrezaeacorrupção–podemserconcebidasde diferentesformasporpartedosgestores,tantodeempresasquantodosgover- nos,sendoapioropçãonãofazernada,poisissoresultaemperdadetempo,de mercadoe,consequentemente,dedinheiro. Assim,diantedasnovasdemandasporpartedoconsumidor,cadavezmais interessadoempropostasquecontemplemcritériosdesustentabilidade,ose- tordaconstruçãosevêforçadoainvestirempesquisaedesenvolvimentode
  10. 10. 131. Introdução tecnologiasverdes,criandoumasaudávelcompetiçãoentreasempresas,que impactamdiretamenteomeioambiente. Nessesentido,oescopodopresentetrabalhoconsisteemdemonstraraos consumidoresqueexistemdiversasformasdesehabitar,semqueissocontribua deformasignificativaparaoesgotamentodosrecursosnaturais,semosquaisa vidanoplanetasetornaráimpossível.
  11. 11. Estado Atual da Construção Civil 2
  12. 12. caderno de educação ambiental habitação sustentável16 2. Estado Atual da Construção Civil Aconstruçãocivilbrasileiraconsomeatualmentealgoemtornode40% dosrecursosnaturaisextraídoseéresponsávelpelageraçãode,apro- ximadamente,60%detodooresíduosólidourbano,alémdeutilizarmadeira emlargaescala,sendoesta,muitasvezes,extraídadematanativa,sema observância de critérios técnicos e legais. Apesardosurgimentodediversasiniciativasvoltadasàinclusãodecritérios sociaiseambientaisnosetordaconstruçãocivil,dentreosquaisacertificaçãode origemdosrecursos,verifica-sequeosmecanismospropostosparaaadequação dosprocessosaindavêmsendoutilizadosdeformaincipiente. Aefetivaçãodossistemasdecertificaçãoé,namaioriadasvezes,prejudi- cadaporfatorescomofaltadeincentivoporpartedosgovernos,resistênciasa mudançasdeatitudeefaltadeinteressedoconsumidoremadquirir,naprática, produtoseserviçoscomcertificação,que,nosdiasdehoje,apresentamvalor superioràsalternativascomunsdisponíveisnomercado. Épossívelconstatar,ainda,queadificuldadedeimplementaraculturada certificaçãoedaconsideraçãodecritériossocioambientaisemempreendimen- tosdecorre,muitasvezes,daabordageminadequadadotemaaplicadaemre- laçãoaosconsumidores.Issoseexplicanamedidaemque,aocompraruma casa,oconsumidorestámuitomaispreocupadoemmostrarqueelatemum diferencialemrelaçãoàsdemais,comoumamadeiramaisbonitaedurável,um sistemainovadordecaptaçãodeáguaetc.,doquecomoimpactoqueacasa podeprovocarsobreasmudançasclimáticas. Emsuma,oconsumidorescolheoimóvelconsiderandofatorescomotama- nhoadequadoparaacomodarsuafamília,conforto,localização,dentreoutros, semsepreocupar,porexemplo,comoaquecimentoglobal. Assim,paraquehajaumamudançaefetivanessequadro,éprecisoque aquestãodasustentabilidadenaconstruçãocivilsejaassimiladapelaspró- priasconstrutoraseincorporadoras,naformadeumaverdadeirapolítica
  13. 13. 172.ESTADOATUALDACONSTRUÇÃOCIVIL institucionalderesponsabilidadesocioambientalenãoapenaspelosconsu- midores finais. Outrodilemaresidenaresistênciadoconsumidorempagarumpreço superiorpelasustentabilidadedoimóvel,quepodechegara30%.Umaso- luçãopossívelparaaquestãoconsistenanegociação,entreconstrutorase fornecedoresdosinsumos,naformadeeconomiadeescala,porexemplo,a fimdequeocustodeumaedificaçãocertificadasejaequiparadoaodeuma construção comum. Épreciso,também,queasempresasquecomercializaminsumosde origemcomprovadamentelegaladotemumaposturaproativaemrelação aospreços,poissealgumasempresaspassaremacomercializartaisitens compreçoscompetitivos,asdemaisterãoquefazeromesmoparaatender à demanda. Osprocessosdecertificação,tantodemateriaisquantodasprópriasedifica- ções,vêmadquirindoimportâncianosetordaconstruçãocivilbrasileira.Apesar desetratardeumprocessogradual,podem-sevislumbraralgumasiniciativas decertificaçãoemedifíciosdoPaís,utilizando-se,porexemplo,modelosde certificaçãoamericanoseeuropeus,queabrangemnãoapenasautilizaçãode insumosdeorigemcomprovada,mastambémcritérioscomousoracionalde água,eficiênciaenergéticaerecomendaçõesparaambienteinterno,deformaa reduzirdeformacontundenteosimpactosdecorrentesdaexecuçãodaobrae, principalmente,daoperaçãodoedifício. Entretanto,háoutroproblemarelativoàscertificações:normalmentesó épossívelobtê-lasapósprocessoslongos,quepodemduraratéseismeses apósaconclusãodaobra.Issodesestimula,emparte,aprocuraporclientes comuns,resultandoemumíndicedecertificaçãodasedificaçõesinferiora 1% do total da construção civil brasileira. Épossívelconcluir,portanto,queaconsideraçãodecritériossocioam- bientaisemedificaçõesaindaéincipientenoBrasil.Asuaefetivaçãoécondi- cionadaàadoçãodeumanovaposturaporpartedosatoresintegrantesdo
  14. 14. caderno de educação ambiental habitação sustentável18 setordaconstruçãocivil,dosconsumidoreseprincipalmentedosgovernos, umavezqueestessãoresponsáveisporditarnovospadrõesdeconsumoe produçãopormeiodautilizaçãodeseuelevadopoderdecompra,que,no Estado de São Paulo, corresponde a cerca de 15% do PIB nacional.
  15. 15. O que é Sustentabilidade 3
  16. 16. caderno de educação ambiental habitação sustentável20 3. O que é Sustentabilidade? Hoje,muitoseouvefalaremsustentabilidade,seusbenefíciosesua importânciaparaapreservaçãodoplanetaparaasfuturasgerações. Entretanto,apopularizaçãodotermoacabouporreduzirseusignificadoaum aspectorelacionadoàpreservaçãoambiental,quandonaverdaderepresenta muitomaisqueisso,atingindodiferentesaspectosdavidadaspessoas,sendo necessário, portanto, entender as origens desse conceito. Historicamente,pode-seafirmarqueoconceitodesustentabilidadeco- meçouaserconstruídoapartirde1972,anodaConferênciadaOrganização dasNaçõesUnidassobreAmbienteHumano,realizadaemEstocolmo.Apartir dessemomentoseiniciouumprocessodetomadadeconsciênciamundial, nosentidodequevivemosemumúnicoplaneta,cujosrecursosnaturaissão finitosenoqualacapacidadedeabsorçãodapoluiçãogeradapelosseres humanosélimitada.Naquelaépoca,aposiçãodoBrasilbaseava-senaideia deque“apiorpoluiçãoéamiséria”,demonstrando,assim,afaltadepreo- cupação ambiental dos governantes. QuinzeanosapósaConferência,em1987,foipublicadooRelatório “NossoFuturoComum”,elaboradopelaComissãoBrundtlandefrutoda avaliaçãodoresultadodequinzeanosdeEstocolmo.ReferidoRelatório apresentouoconceitodeDesenvolvimentoSustentável,qualseja,o“de- senvolvimentoquepermiteoatendimentodasnecessidadesdaspresentes geraçõessemcomprometeroatendimentodasnecessidadesdasfuturas gerações”. Nomesmoano,foipublicadaaprimeiraimagemdesatélitedoburacona camadadeozônio,naAntártica,fatohistóricoquesensibilizouomundopara aurgênciadaquestãoambiental.Emseguida,em1988,écriadooPainel IntergovernamentalsobreMudançasClimáticas(IPCC),comoobjetivode avaliarasinformaçõescientíficas,técnicasesocioeconômicasmaisrecentes sobre o tema.
  17. 17. 213. O QUE É SUSTENTABILIDADE Em1992,aConferênciadasNaçõesUnidassobreMeioAmbienteeDe- senvolvimento,realizadanoRiodeJaneiro–emaisconhecidacomoRIO-92ou ECO-92–,marcouaadoçãodoconceitodedesenvolvimentosustentável,oque gerouprodutoscomoaAgenda21eaConvençãosobreaMudançadoClima. AAgenda21correspondeaumplanodeaçãoconstituídoporprincí- piosparaaimplementaçãodeumnovopadrãodedesenvolvimentoparao séculoXXI,baseadonasustentabilidadeambiental,socialeeconômica.A ConvençãosobreaMudançadoClima,porsuavez,consistiuemumtrata- donoqualospaísessignatáriossecomprometeramaestabilizar,pormeio deaçõesconjuntas,aconcentraçãodegasesdeefeitoestufanaatmosfera, garantindo,dessaforma,aproteçãodosistemaclimáticoparaaspresentes e futuras gerações. ApartirdaConvençãosobreaMudançadoClima,foiestabelecido, em1997,oProtocolodeQuioto,querepresentouoprimeiropassopara odesenvolvimentodeaçõesvoltadasàreduçãodasemissõesdegasesde efeitoestufa,especialmenteporpartedospaísesindustrializados,estabe- lecendooMecanismodeDesenvolvimentoLimpo(MDL)paraospaísesem desenvolvimento. Foipublicadaem2005,apósosurgimentodessasConvençõesedarea- lizaçãodosencontrosperiódicosentrelíderesdegovernos,aAvaliaçãoEcos- sistêmicadoMilênio.Essedocumentoproporcionouasseguintesconclusões: ahumanidadeestáfazendoumverdadeirosaquenobancodosecossistemas globais,oquepodeacarretarumcolapsonacapacidadedoplanetadefor- necerbenseserviçosambientaisaossereshumanos.Alémdisso,asalte- raçõesfeitasnosecossistemas,especialmentenosúltimoscinquentaanos, aumentaramoriscodemudançasabruptas,como,porexemplo,explosãode epidemias,eutrofizaçãodeáguascosteirasemudançasclimáticasregionais, induzidas pelo desmatamento. Em2007,oIPCCdivulgouseumaisbombásticorelatório,apontandoas conseqüênciasdoaquecimentoglobalaté2100,casonãosejafeitonada
  18. 18. caderno de educação ambiental habitação sustentável22 paraimpedi-lo.Apartirdaocorrênciadesseseventos,ahumanidadefoicolo- cadaperanteumasériededesafios,dentreosquaisanecessidadederedução dasemissõesdegasesdeefeitoestufaematé60%,combasenosdadosdo RelatóriodoIPCC.Essametapodeserconseguidapormeiodareformulação damatrizenergéticamundial,substituindo-seoscombustíveisfósseiseau- mentando a participação de fontes renováveis. Diantedetaisdesafios,cabeaoPoderPúblico,nacondiçãodegrande consumidordeobraseserviçosdeengenharia,fomentaraindústriadacons- truçãocivilsustentávelpormeiodaregulaçãodosetor,sejaagindodeforma pioneiraeinovadoraoumedianteacelebraçãodecontratosemqueoscrité- riossocioambientaissãoaplicáveisàsobraspúblicas,dentreasquaisestão incluídasasedificaçõeseashabitaçõescomfinalidadesocial.Issogarante, ainda,ocumprimentodalegislaçãoambientalporpartedoscontratadose dos fornecedores atuantes ao longo da cadeia produtiva.
  19. 19. 4 Cuidados Necessários ao Adquirir um Imóvel
  20. 20. caderno de educação ambiental habitação sustentável24 4.CuidadosNecessáriosaoAdquirirum Imóvel Aoadquirirumapropriedade,sejaumterrenoouumaedificação,alguns cuidadosdevemsertomadosparaqueimprevistosnãoocorramdurante eapósacompradoimóvel.Aausênciadeinformaçõessobreohistóricode ocupaçãoeolevantamentoatualizadodaáreajuntoaosórgãoscompetentes podeapresentarproblemasaofuturoproprietárioetambémparavizinhan- ça.OcupaçãoemáreascontaminadaseemÁreasdePreservaçãoPermanente (APP),porexemplo,écomumepodeacarretarriscosàsaúdedapopulação,ao meio ambiente e prováveis transtornos legais ao proprietário. Portanto,identificarseapropriedadeestáouseráalocadaemumaárea contaminada,emumaAPPouemumaáreademanancialéfundamental.A seguir,sãodescritososlevantamentosaseremfeitosparagarantiraadequada aquisiçãodeumimóvel. Levantamento de informações Ohistóricodoimóvelpodeserrealizadomedianteolevantamentodeinfor- maçõescontidasemdocumentospreexistentesnosarquivosdeórgãospúblicos edeoutrasentidades.Paracadatipodeinformação,recomenda-seapesquisa emprefeituras,órgãosambientais,departamentosdeáguaeenergia,organiza- çõesnãogovernamentaisetc. Preliminarmente,recomenda-seaexigênciadacertidãodepropriedade doterrenoatualizada,afimdeverificarseasituaçãoencontra-seregular. Nessedocumento,requeridonoCartóriodeRegistrodeImóveis,épossível obterohistóricodoterrenoaolongodosanos(sefoivendido,arrendadoou hipotecado, por exemplo).
  21. 21. 254. Cuidados necessários ao adquirir um imóvel DeacordocomaResoluçãoSMAnº66/1996,osórgãosvinculadosàSecretaria doMeioAmbientedoEstadodeSãoPauloficamobrigadosapermitiroacessopúblico atodasasinformaçõesquetratemdematériaambiental,queestejamsobsuaguarda. Aseguir,sãolistadas,paracadatipodetema,asinformaçõesnecessárias para que o futuro proprietário possa avaliar o imóvel: •Usoeocupaçãodosolo:verificaraexistênciadePlanoDiretorMu- nicipaloulegislaçãodeusoeocupaçãodosolo,nalocalidadeemquestão. Essasinformaçõesestabelecemdiretrizesdeocupação(tiposdeconstrução, adensamento, expansão territorial etc.). Pesquisasemdepartamentosdemeioambiente,deplanejamento urbanooudeobrasdaPrefeituradorespectivomunicípiotambémsão necessárias. •Áreascontaminadas:verificarseaáreaaserocupadaapresentacon- taminaçãocausadapelaintroduçãodesubstânciasouresíduosquecolo- quememriscoasaúdehumanaeomeioambiente.Oórgãoresponsávelpelo controledasáreascontaminadasnoEstadodeSãoPauloéaCompanhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB. ACETESBmantématualizado,desde1989,ocadastrodetodasasáre- ascontaminadasdoEstado.Informaçõessobreumlocalespecíficopodem serobtidaspormeiodesuapáginanainternet(www.cetesb.sp.gov.br)ou pessoalmente,naprópriaagência,sendonecessárioparaissoonomedo logradouro, o número e o CEP. •ÁreadeProteçãoeRecuperaçãodeMananciais(APRM):asAPRMs GuarapirangaeBillingspossuemlegislaçãoespecífica(asLeisEstaduaisnú- meros12.233/06e13.579/09)quantoasuaocupação,naqualseencontram definidas as áreas de intervenção de cada bacia hidrográfica.
  22. 22. caderno de educação ambiental habitação sustentável26 Postosdeatendimentoparamaioresinformaçõesestãolocalizadosna cidadedeSãoBernardodoCampo(Poupatempo)enaEstaçãoGrajaúde trem da CPTM. •Áreascomocorrênciadedeslizamentos,erosõesdosoloeenchentes:o InstitutoGeológico(IG),oInstitutodePesquisasTecnológicas(IPT)eaDefesa CivildoMunicípiopossuemimagens,fotografias,mapaseinformações,que permitemaidentificaçãoealocalizaçãodeáreassujeitasàocorrênciade deslizamentos, erosões e enchentes. Figura 1 – Ocupação em Área de Proteção de Manancial (APM). Fonte: Acervo SMA.
  23. 23. 274. Cuidados necessários ao adquirir um imóvel Figura 2 – Ocupação em área de risco. Fonte: Acervo SMA. Figura 3 – Áreas suscetíveis a enchentes. Fonte: Acervo SMA.
  24. 24. 5 O que é uma Habitação Sustentável?
  25. 25. 5. O que é uma Habitação Sustentável? Umahabitaçãopodeserconsideradasustentávelquandoaadequação ambiental,aviabilidadeeconômicaeajustiçasocialsãoincorpora- dasemtodasasetapasdoseuciclodevida,ouseja,desdeafasedecon- cepção,construção,usoemanutenção;até,possivelmente,emumprocesso de demolição. Umahabitaçãosustentáveltrazumasériedebenefícios,comoamini- mizaçãodousoderecursosnaturaisedageraçãodepoluição,odesenvol- vimentodaeconomialocaleaformalidadenasrelaçõesdetrabalho,além doaumentodaeficiêncianousoderecursosfinanceirosnaconstruçãoe valorização do imóvel pelo mercado. Oprojetodehabitaçãosustentáveldeveiniciar-sejánafasedeconcep- ção,naqualhámaioreschancesdeintervençãocomfoconasustentabilida- de. A escolha do terreno é a primeira ação a ser realizada. Construí-loemáreasinapropriadaspoderesultaremgrandesimpactos ambientais.Portanto,avaliaranteriormenteondeoterrenoestáinseridoéde extremaimportância.Duranteoprocessodeseleção,éimportantepriorizar locaisquenãoincluamáreasrestritivasàocupaçãoequepossuaminfraes- truturaadequada(saneamentoeacessoaotransportepúblico)eserviços básicos(bancos,supermercados,escolas,restaurantes,postosdesaúdeetc.). Apósaescolhadoterreno,passa-seàavaliaçãodasdiretrizesparaopro- jeto,buscando-seotimizaroseudesempenhoemtodoociclodevida.Devem serestudadaseespecificadasnestafasedesdeaseleçãodosmateriaisatéa opçãodomaisadequadocoletordeenergiasolarparafinsdeminimização doscustos,evitando-seaolongodaconstruçãoodesperdíciodematerial,a produçãodesobraseexcessodeesforçosparaamanutenção,porexemplo. HánoBrasilconsiderávelrestriçãoporpartedapopulaçãoemadotar práticasdeconstruçãosustentável,normalmentedevidoaoscustosiniciais
  26. 26. 315. O que é uma habitação sustentável? superiores,secomparadoaumahabitaçãotradicional.Noentanto,aoanali- sarmoscommaisatenção,veremosqueessecustoinicialmaiorserárevertido emganhoambientaleeconômicoposterior.Assim,ainstalaçãodeplacas solaresparaaquecimentodaáguaemumaresidência,porexemplo,possui umcustoinicialrelativamenteelevado;porém,oseuretornofinanceiroérápi- do,variandoemtornode6a18meses.Duranteesseperíodo,oconsumode energiaelétricaéextremamentereduzido,assimcomoovolumedeemissões de CO2 para o meio. Oaumentodademandarelativaàaquisiçãodemateriaiseequipamen- tossustentáveiscontribuiparaadiminuiçãodospreços.Boaspráticas,re- presentadaspormudançasdehábitosedevalores,podemimpulsionara transformação do mercado no ramo da construção civil. Umahabitaçãosustentávelcontemplaosaspectosaseguir,sendoque cada um deles será explicado ao longo do presente trabalho: •Eficiênciaenergética–reduçãodoconsumodeenergiaemtodoociclo de vida de uma habitação; utilização de fontes alternativas; • Uso racional da água – redução do consumo e da geração de efluentes; •Materiaisdeconstruçãosustentáveis–reduçãodousoderecursos naturais,usodemateriaiseequipamentosquecausemmenorimpacto ambiental, reuso e reciclagem de materiais; •Confortotérmico–reduçãodautilizaçãodeprodutostóxicosegaran- tia de conforto térmico aos ocupantes da habitação; • Acessibilidade – utilização do conceito de desenho universal.
  27. 27. 32 caderno de educação ambiental habitação sustentável Figura4–Exemplodecasasustentável.(Ilustração:DiegoVernilledaSilva)
  28. 28. Eficiência Energética 6
  29. 29. caderno de educação ambiental habitação sustentável34 6. Eficiência Energética SegundoLamberts,DutraeFerreira(1997),aeficiênciaenergéticapodeserentendida como:“aobtençãodeumserviçocombaixodispêndiodeenergia.Portanto,umedifício émaiseficienteenergeticamentequeoutroquandoproporcionaasmesmascondições ambientais com menor consumo de energia.” Asedificaçõesconsomemmaisenergiadoquequalqueroutrosetor.Deacor- docomosdadosdoProgramaNacionaldeConservaçãodeEnergiaElétrica –PROCELedaEmpresadePesquisaEnergética(EPE),ousodechuveiroelétrico numacasacomquatropessoas,porexemplo,éresponsávelpor22%dototal dacontadeluz.Osetorresidencialrespondeporquase23%doconsumototal deenergiaelétricanoPaís.Alémdisso,oaquecimentodeáguaparachuveiroé responsávelpor,aproximadamente,6%doconsumonacionaldeenergiaelétrica e,noperíododepico(entre18e21horas),por20%dademandadosistema. Atabelaabaixoapontaosaparelhosdomésticosquemaisconsomem energia em uma residência. Tabela 1 – Consumo de energia de aparelhos domésticos. APARELHOS ELÉTRICOS POTÊNCIA MÉDIA (watts) MÉDIA UTILIZAÇÃO/ DIA CONSUMO MÉDIO MENSAL (KWh) Chuveiro elétrico 3.500 40 min 70 Geladeira (uma porta) 90 24 horas 30 Lâmpada incandes- cente – 100 W 100 5 horas 15 Micro-ondas 1.200 20 min 12 Microcomputador 120 3 horas 10,8 Ar-condicionado 12.000 BTU 1.450 8 horas 174 (Fonte: Eletrobrás, 2010)
  30. 30. 356. Eficiência energética Aeletricidadeéresponsávelporgrandesemissõesdegasesdeefeito estufadevidoaofatodepartedesuageraçãoseraindabaseadaemcom- bustíveis fósseis. Existemtrêsformasprincipaisparadiminuirosefeitosdaemissãodesses gasesnageraçãodeenergia:reduçãodoseuconsumo,substituiçãodecom- bustíveisfósseisporenergiasrenováveiseaumentodaeficiênciaenergética. AçõescomooPROCELeoProgramaBrasileirodeEtiquetagem–PBEvêm sendoimplantadasnoBrasil.Aprojeçãoéquecercade10%dademandade eletricidade,em2030,seráatendidaporaçõesnaáreadeeficiênciaenergé- tica (EPE, 2007). Porém,umadasbarreirasparaamelhoriadaeficiênciaenergéticaéa econômico-financeira.Comprarequipamentosmaiseficientesenvolve,em geral,custosiniciaismaisaltos.Issofazcomquemuitosconsumidoresnão queiramseresponsabilizareosdebaixarendanãotêmcondiçõesdearcar porcontadeseucapitallimitado.Masmuitosnãosabemqueoretornoinves- tidopodeserrecuperadoempoucosanosouatémesmoemmeses,devidoà reduçãonacontadeluz.Oquenãosepodedeixardefazer,portanto,éum cálculo do custo-benefício do que será investido. Nocenáriobrasileiro,torna-secadavezmaisevidenteanecessidadede incentivoaousodetecnologiascomplementaresàatualgeraçãohidrelétrica. Ousodeenergiasolaredeconceitosdearquiteturabioclimática(ventilação eiluminaçãonatural)têmsemostradotécnicaseeconomicamenteviáveis paraosproblemasdereduçãodoconsumodeenergiaelétricanosetorresi- dencial brasileiro.
  31. 31. caderno de educação ambiental habitação sustentável36 Afimdepromoveraracionalizaçãodaproduçãoedoconsumodeenergiaelétrica, foicriado,peloGovernoFederal,oProgramaNacionaldeConservaçãodeEnergiaElétrica, oProcel,coordenadopeloMinistériodeMinaseEnergia–MME,pormeiodaEletrobrás. UmdosprodutosdesenvolvidospeloProgramaéoSeloProcel.Oselotemporobjeti- voindicarosprodutosqueapresentamosmelhoresíndicesdeeficiênciaenergéticadentro de cada categoria e, assim, orientar o consumidor no ato da compra. NositedaEletrobrás(www.eletrobras.com/procel)háumcatálogocomtodosospro- dutos que receberam o Selo Procel no último ano. OsprodutoscomSeloProcelsãocaracterizadoscomonível“A”daEtiquetaNacional de Conservação de Energia (ENCE) do Inmetro. AEtiquetaNacionaldeConservaçãodeEnergiainformaoconsumodeenergiae/ou aeficiênciaenergética,classificando-senonível“A”osequipamentosdemenorconsumo deenergia/maiseficientesenonível“E”osdemaiorconsumo/menoseficientes,dentro de sua categoria. FigURA5–Produtosqueconsomemmenosenergiasãoidentificadoscomo selo Procel. Benefícios • Reduçãodoconsumodeenergiaelétricae,consequentemente,adimi- nuição da conta de luz; • Redução do risco de racionamento de energia; • Redução da emissão de gases de efeito estufa; • Redução dos impactos ambientais; • Geração de emprego e renda.
  32. 32. 376. Eficiência energética Ações Sistema de aquecimento solar Osaquecedoressolarespromovemeconomiadeaté35%nacontadeluz mensaldasfamílias.Somentenoanode2007,forameconomizados,noBrasil, cercade620GWh,energiasuficienteparaabastecer350milresidências. ComaampliaçãodaáreainstaladadeaquecedoressolaresnoBrasil para300milm2 ecomaeconomianademandadeenergiaelétricade122 MW,osetor,então,geraria11,2milpostosdetrabalho,eareduçãodaemis- sãoanualdeCO2 alcançaria12,5miltoneladas–amesmacapacidadede absorção de uma área verde de 16,8 km2 (Cunha, 2009). Osaquecedoressolaressãocompostos,portanto,porcoletor(ouplaca) solar, reservatório térmico e um componente auxiliar. (Fig.) Figura6–Sistemadeaquecimentodeáguapormeiodecoletoressolares.Umbomapa- relhodevetervidaútilde,nomínimo,20a30anos.(Ilustração:NatáliaMayumiUozumi) Aeficiênciaenergéticatemefeitospositivosnoemprego,criandonovasoportunidades denegóciosenatransformaçãodemercado.UmestudorealizadopelaBritishAssociation (UNE;ILO;IOEeITUC,2008)determinou,especificamenteparaosetorresidencial,quepara cada€1milhãogastosemprogramasdeeficiênciaenergética,11,3a13,5empregosforam criados.
  33. 33. caderno de educação ambiental habitação sustentável38 Figura7–Residênciacomcoletoressolaresparaaquecimentodaágua.(Fonte:Heliotek,2010) Oaquecimentodaáguaéobtidopormeiodaabsorçãodaluzsolarpor coletores.Estes,geralmentefeitoscomchapasmetálicas,aquecemetransfe- rem o calor para a água que circula em suas tubulações. Aáguaficaarmazenadaemumreservatóriotérmico–ouoschamados boilers–,queamantémaquecidamesmoduranteosperíodosnubladose chuvosos. Paragarantirquenuncahaveráfaltadeáguaquenteemumaresidência, todoaquecedorsolartrazumcomponenteauxiliardeaquecimento,queuti- lizaoutrafontedeenergia(elétricaouagás),parasuprireventuaisnecessi- dades.Essecomponenteéautomaticamenteacionadoquandoatemperatura da água no reservatório esfria.
  34. 34. 396. Eficiência energética Ossistemasdeaquecimentosolardevemsercompatíveiscomainfraes- truturadaedificaçãoecomasdemandasdousuário.Osdiferentesníveisde consumodeáguaquenteestãorelacionadoscomonúmerodepessoasede pontosdeuso,parâmetrosquepodemserestimados,medianteonúmerode dormitórios e de banheiros. Odimensionamentodoscoletoresasereminstaladosdependedealguns critérios: •Hábitodeconsumodosusuários:deacordocomaNBR7.198/NB128, oconsumomédiomensaldeáguaquentepararesidênciaséde45 litros por pessoa (Tabela); Tabela 2 – Consumo médio de água quente para diversos projetos PROJETO CONSUMO MÉDIO DE ÁGUA QUENTE Alojamento provisório de obra 24 litros por pessoa Residência 45 litros por pessoa Escola 45 litros por pessoa Hotel (excluindo cozinha e lavanderia) 36 litros por pessoa Restaurante 12 litros por refeição Lavanderia 15 litros por kg de roupa seca Hospital 125 litros por leito Fonte: Barroso-Krause, 2007. •Característicadocoletorescolhido:cadacoletorapresentarendimentos de eficiência diferenciados; •Condiçõesclimáticaslocais:omapeamentodadistribuiçãodorecurso solarpermitereconheceráreasemqueoaproveitamentodessaenergia é potencialmente significativo.
  35. 35. caderno de educação ambiental habitação sustentável40 OEstadodeSãoPaulotempotencialdegeraçãodeenergiasolarde, aproximadamente,512TWh(Tabela).Asmaioresconcentraçõesderadiação solarseencontramnointerior,conformeapresentadonomapaaseguir. Tabela 3 – Potenciais solares por faixa de radiação solar anual no Estado de São Paulo. POTENCIAIS SOLARES (TWh/ano) % RADIAÇÃO SOLAR ANUAL 512.047,55 100 4.5 – 5.0 (kWh/m2 /ano) 23.717,7 5 5.0 – 5.5 (kWh/m2 /ano) 66.816,9 13 5.5 – 6.0 (kWh/m2 /ano) 399.076,4 78 6.0 – 6.5 (kWh/m2 /ano) 22.436,55 4 Fonte: INPE/Labsolar, 2005. FigURA8–Distribuiçãodaradiaçãosolaranual(kWh/m2 /ano)noEstadodeSãoPaulo.Fonte:INPE/ Labsolar, 2005.
  36. 36. 416. Eficiência energética •Orientaçãosolar:emlatitudesmaisaltas,éimportantedirecionaros coletores,sejaparaonorte(HemisférioSul,comooBrasil)ouparaosul (HemisférioNorte),diretamenteparaosol.Quantomaispróximodos trópicos, maior é a disponibilidade dos raios do sol. Entretanto,amaiordificuldadeparaadifusãodoaproveitamentoda energiasolarconsistenoinvestimentoinicialrelativamentealtoemequipa- mentoseinstalações,quandocomparadocomossistemasconvencionais. Emcompensação,ocustodeoperaçãoemanutençãoémínimo,contando-se apenascomogastodaenergiaelétricautilizadanaresidência,noaqueci- mento de água nos dias de pouca insolação. (Prado et al, 2007) Placas fotovoltaicas Assimcomoossistemasdeaquecimentodeágua,ossistemasfotovoltai- cos possuem como base para o seu funcionamento a energia solar. Célulasfotovoltaicasconvertemaluzdosolemenergiaelétrica.Oele- mentobásicodeumsistemasolarfotovoltaicoéomaterialcondutor,que geralmente é o silício. Ossemicondutoresfeitosdesilíciosãoosmaisusadosnaconstruçãode célulasfotovoltaicaseasuaeficiênciaemconverterluzsolaremeletricidade pode variar entre 10 e 15%, dependendo da tecnologia adotada. Ossistemasfotovoltaicospodemserinstaladosemlocaisdistantesdas áreasurbanas,atuandocomocentraisgeradorasdeenergiaelétrica(Fig.A); instaladosemedificações(Fig.B);e,também,podemserinterligadosàrede dedistribuição.Esteúltimotipoconstituiumaformadegeraçãodescentrali- zadadeenergiaepodetrazerinúmerosbenefíciosàconcessionáriadeener- giaelétrica.Alémdereduzirosimpactosambientaisdasinstalaçõesdegera- çãoedetransmissão,aenergiaexcedenteéenviadaàredepública,aumen- tandoaeficiênciaenergéticadaconcessionária.Porém,noBrasilaindanão épermitidoqueaenergiageradaporconsumidoressejadisponibilizadana redeelétricadasconcessionárias,porcontadaausênciaderegulamentação.
  37. 37. caderno de educação ambiental habitação sustentável42 FigURA9–(A)Placasfotovoltaicas.(B)Placasfotovoltaicasinstaladasna“casaeficiente”,projetoem parceria com a UFSC/LABEEE e a Eletrobrás (Autoria:Anísio Elias Borges).
  38. 38. 436. Eficiência energética Aeletricidadeproduzidapormetroquadradodeplacasfotovoltaicas podeefetivamenteevitaraemissãodemaisde2toneladasdeCO2 .Ossis- temasfotovoltaicosintegradosàsedificaçõesgeramenergiadeformasilen- ciosa,sememissãodegasespoluentes,nãonecessitamdeáreaextra,uma vezqueospainéisfotovoltaicospodemserutilizadoscomotelhadosouser inseridos em fachadas. Ainstalaçãode48módulosfotovoltaicosemumaáreade6,8mx5 m,notelhadodeumacasanoReinoUnido,deixoudeemitirmaisde6 toneladasdeCO2 porano;echegouapouparUS$2milemgastoscom energia (Tabela). Porcausadograudepurezadessescomponentes,quesãocristais,esta alternativadeenergiaaindaapresentacustoelevadonainstalaçãodosis- tema,variando,emmédia,entreR$2mileR$3mil.Porém,oretornodo investimento pode se verificar em até quatro anos. Tabela 4 – Comparação entre uma casa comum e outra sustentável no Reino Unido TIPO DE CASA kWh/m2 COMPRADOS DA REDE POR ANO CUSTO DA ELETRICIDADE POR ANO (US$) CUSTO DO GÁS POR ANO (US$) CUSTO TOTAL POR ANO (US$) EMISSÕES DE CO2 (g/ ano) CUSTO DE CONSTRUÇÃO (US$/m2 ) Casa sus- tentável 27 320 470 780 721 1.440 Casa comum 90 800 1.688 2.488 6.776 1.440 Econo- mias 63 480 1.218 1.698 6.055 0 extra *Ocustodeconstruçãofoicomparadocomaqueledeumacasadetamanhosimilarprojetadaporumarquiteto. Fonte: Roaf, Fuentes e Thomas, 2009.
  39. 39. caderno de educação ambiental habitação sustentável44 •Vantagensdautilizaçãodeplacasfotovoltaicascomofontedeenergiaalternativa: • Fonte de energia limpa e renovável; • O silício não é tóxico; • Aenergiaégeradapeloconsumidorfinal,ouseja,nãoháperdascomtransmissão e distribuição; •Requerpoucaáreaparaainstalaçãodasplacas(telhados,fachadas,jardins); • Requerpoucamanutenção:umavezinstalados,precisamsomentequeassuperfí- cies sejam limpas; • As placas são silenciosas; • Economia de energia; • Não emissão de gases de efeito estufa; • Podem fornecer energia durante blecautes; • Retorno financeiro é de 2 a 5 anos; • A vida útil das placas fotovoltaicas pode ser superior a 20 anos. Iluminação natural e artificial Tendoemvistaofatodesetratardecritérioquerequermenoresin- vestimentos,ousodailuminaçãonaturaldevesersemprepriorizado,pois contribuiparaareduçãodoconsumodeenergiaelétricaeparaamelhoriado conforto visual dos ocupantes. Aadequaçãoarquitetônicaquepermiteailuminaçãonaturalprevêa adoçãodesistemasdeaberturasverticaiseiluminaçãozenital.Ailuminação zenitalécaracterizadapelaentradadeluznaturalatravésdeaberturassu- perioresdosespaçosinternosetemcomoobjetivootimizaraquantidadeea distribuição de luz natural em um espaço. (Fig.)
  40. 40. 456. Eficiência energética FigURA10–Exemplodeaberturaslateraiseiluminaçãozenitalparaaentradadeluz solar. (Ilustração: Natália Mayumi Uozumi) Paracomplementaraeficiênciadoprojetodeumacasa,sistemasde iluminaçãoartificialdevemserinstaladosquandoháanecessidadedeutili- zaçãoparaperíodosmaiores,comoousodelâmpadasfluorescentesemcor- redores,escadasegaragenscomsensoresdepresença.Atrocadelâmpadas incandescentesporfluorescentesreduzoconsumodeenergiaematé80%e tem durabilidade 10 vezes superior.
  41. 41. caderno de educação ambiental habitação sustentável46 FigURA11–Lâmpadasfluorescentesreduzemoconsumodeenergiaelétrica.Fonte: Siemens/Press Picture.
  42. 42. 7 Conservação da Água
  43. 43. caderno de educação ambiental habitação sustentável48 7. Conservação da Água Aescassezdeáguaéatualmenteumdosgrandesproblemassocioam- bientaiseoseudesperdícioagravaessasituação.Dos3,4bilhõesde litrosdeágua/diaproduzidos,porexemplo,paraacidadedeSãoPaulo,30% sãoperdidosemvazamentosnastubulaçõeseporproblemasrelacionadosa medições e fraudes. ARegiãoMetropolitanadeSãoPaulotambémpossuialtosíndicesde consumodaágua.SegundoPorto(2003),ovalordoconsumomédioper capitadiáriodaBaciadoAltoTietêéde235litros/hab.dia,odobrodoreco- mendávelpelaOrganizaçãodasNaçõesUnidas(ONU),queéde110litros/ hab.dia. EstudosmostramqueumapessoanoBrasilgastade50a200litrosde águadiariamenteemsuaresidência,dependendodaregião.Amaiorparte decorredousodochuveiro,responsávelpor55%doconsumo,contabilizan- do gastos de água em torno de 45 a 144 litros. FigURA 12 – Distribuição do consumo de água residencial. Fonte: Gonçalves, 2009.
  44. 44. 497. Conservação da água Usoracionaleprogramasdeconservaçãodaáguaconstituemmedi- daseficazesparareduziroconsumo,contribuindoparaasuapreservação. Estratégias–quevariamdesdemudançasdehábitodoconsumidoratéa implantaçãodenovastecnologias–garantemaqualidadenecessáriaparaa realizaçãodasatividadesconsumidoras,comomínimodedesperdício. Torneiras (25%) – Uma torneira meio aberta, por cincominutos,gastade12litros(banheiro)a39li- tros(cozinha)emcasasepodechegara80litrosem apartamentos. Baciasanitária(5%a14%)–Asfabricadasapartirde2003gastam 6litrosporacionamento,masasantigasgas- tam a partir de 9 litros. Chuveiro(50%a55%)–Umaduchade15minutoscon- some135litrosdeáguaemcasase243litrosemaparta- mentos; o chuveiro elétrico gasta, respectivamente, 45 e 144 litros. Máquinadelavar-roupas–Comcapacidadepara5kgderoupas, consome 135 litros de água. Tanque–Atorneiraabertapor15minutoschegaagastar279litros. Mangueira–Regarasplantaspor10minutospodegastaraté 186 litros. Piscina–Umtanquemédionãocobertoperde,aproximada- mente, 3.700 litros por mês com evaporação. Vazamentos–Umburacode2mmemumcanodesperdiça até3.200litrosdeáguaemumdia,eumatorneiragotejando, até 46 litros. Fonte: Didone e Iwakura, 2005. (Ilustração: Diego Vernille da Silva) Campeões do desperdício de água residencial
  45. 45. caderno de educação ambiental habitação sustentável50 Benefícios • Reduz a quantidade de água extraída das fontes; • Reduz o consumo; • Reduz o desperdício; • Evita a poluição; • Aumenta a eficiência do uso da água; • Aumenta a reutilização da água. Ações Economizadores de água Autilizaçãodeequipamentoseconomizadoresdeáguaconstituimedida simplesepodeimpactarsignificativamentenareduçãodoconsumo.Atroca debaciassanitáriascomdescargasconvencionaisporoutrascomválvulasdo tipodualflush(escolhadedoisvolumesdedescarga,geralmentede6ou3 litros)ouciclofixo(volumedaordemde6litros)podereduzirematé50%o consumo de água. (Fig.) As bacias sanitárias convencionais consomem até 12 litros de água por ciclo de descarga. Torneirasdelavatórioscomoaquelasencontradasembanheirosecozi- nhasdevempossuirarejadores,quereduzemaseçãodepassagemdaáguae direcionamofluxodojato.Oarejadoréumapeçacircular,perfurada,encai- xadanasaídadeáguadatorneira.Oseuusotrazreduçãodecercade50% da vazão nas mesmas condições de uso.
  46. 46. 517. Conservação da água Muitoutilizadosemedificaçõespúblicascomoshoppings,cinemaseres- taurantes,astorneirascomacionamentohidromecânico,ouseja,aquelasem queousuárioacionamanualmentealiberaçãodaáguaeasuainterrupção sedáapósdeterminadotempodefuncionamento,eliminamodesperdício deáguaocorridopelademoraoupelonãofechamentodoaparelho.Outro tipodetorneiratambémmuitoutilizadoéodeacionamentoporsensoresde presença. (Fig.) FigURA13–Torneiracomacionamentohidromecânico,porsensordepresençaeare- jadorparatorneiras,respectivamente.(Ilustração:DiegoVernilledaSilva) Sistema de captação e aproveitamento da água da chuva Oaproveitamentodaáguadachuvacorrespondeaumaformaalterna- tivaparaminimizarosproblemasdeabastecimentoregulardeágua,para reduziroseuconsumoresidencialetambémajudarnocontroledecheiase inundações que ocorrem em grandes cidades. Ossistemasdeaproveitamentodeáguadachuvaproporcionamuma economianoconsumoresidencialdeaté45%.Aáguadachuvadeve serutilizadaparafinsnãopotáveis,comoirrigação,limpezadegaragens ecalçadaseemdescargassanitárias,desdequehajacontroledesua qualidadeeapósaverificaçãodanecessidadedetratamentoespecífico, deformaquenãocomprometaasaúdedosusuários,nemavidaútildos sistemas envolvidos.
  47. 47. caderno de educação ambiental habitação sustentável52 NoBrasil,oaproveitamentodaáguadachuvainiciou-se,principalmente, naregiãodosemi-áridonordestino,devidoaotempoprolongadodeescassez deáguaquearegiãosofre.Essesistemaésimpleseconsisteemutilizar telhadosoucalhasdascasascomoáreadecaptaçãoparaarmazenaressa água em cisternas. (Fig.) FigURA14–Cisternaparaarmazenamentodeáguadechuva.(Ilustrações:DiegoVernilledaSilva)
  48. 48. 537. Conservação da água NoEstadodeSãoPaulo,háumaleipromulgadaem2007(Leinº12.526), queobrigaaimplantaçãodesistemasdecaptaçãoeretençãodeáguada chuvaemlotes,edificadosounão,quetenhamáreaimpermeabilizadasupe- rior a 500 m2 . Paraaimplantaçãodosistema,énecessárioumestudodeviabilidade queavalieaquantidadedeáguadachuvaaserarmazenada,ovolumeaser utilizado e a área do telhado disponível. Um sistema de captação de água da chuva consiste em: •Sistemadecoleta–sãoasáreasimpermeáveisconstituídas,geralmen- te,pelostelhadoselajesdecoberturas.Otransportedaáguadachuva érealizadoporcalhasecondutoresverticaisehorizontaisatéossiste- mas de armazenamento, tratamento e distribuição; •Gradeesistemadedescarte(oureservatóriodelimpeza)–paraare- tençãodemateriaiscomofolhas,gravetos,papéisetc.,utiliza-seuma gradeanteriormenteaosistemadedescarte.Essesistemacorresponde aumdispositivoquedescartaaáguadachuvadosprimeirosminu- tosqueforamcoletados,poisgeralmenteestevolumecarregagrande quantidade de carga poluidora; •Sistemadetratamento–atuanaremoçãodacargapoluidoraeade- sinfecção.Podem-seutilizarfiltrosdemúltiplascamadasoufiltrosde areia e a desinfecção pode ser feita por meio da cloração; •Sistemadearmazenamento–armazenaraáguaqueseráutilizada parafinsnãopotáveis.Quandooreservatórioestivercomoseuvolume máximo,umextravasorpossibilitaráaconduçãodoexcessodeáguada chuva para o sistema de drenagem pluvial; •Sistemadedistribuição–consisteemramaisquedistribuemaáguada chuva para os pontos de utilização.
  49. 49. caderno de educação ambiental habitação sustentável54 FigURA15–Esquemadeaproveitamentodeáguadachuva.(Ilustração:NatáliaMayumiUozumi)
  50. 50. 557. Conservação da água Sistema de reuso de água cinza Aságuascinzassãoasprovenientesdousodelavatórios,chuveiros, banheirasemáquinasdelavarroupas.Sãoosefluentesquenãopossuem contribuição das bacias sanitárias e pias de cozinha. Aságuascinzaspodemserreutilizadasparaatividadescomoirrigação, limpezaedescargadesanitários.Estaságuasapresentamteoresdematé- riaorgânicaeturbidez;portanto,seureusodireto(emestadobruto)nãoé recomendável,sendonecessárioumpréviotratamentodoefluenteemnível secundário, com posterior desinfecção. Um sistema de reuso de água cinza compreende: •Sistemadecoletadeesgotosanitário–consisteemdoistiposdecon- dutoresvisandoàseparaçãodaságuascinzaseáguasnegras(efluen- tes das bacias sanitárias); •Sistemadetratamento–aságuascinzassofremtratamentoparaa remoção da carga poluidora e a desinfecção; •Reservatóriodearmazenamento–apósoprocessodetratamento,a águadereusoéencaminhadaparaumreservatóriodearmazenamento exclusivo; •Sistemadedistribuiçãopredial–consisteemramaisesub-ramaisque levam a água de reuso até o destino de utilização. Atualmente,existemnomercadoinúmerossistemasindustrializadosde tratamentodeesgotodomésticoquefacilitammuitoaimplantaçãodesis- temasdereusodeáguaemedificaçõesresidenciaisepequenosconjuntos habitacionais.Aescolhadoequipamentodevesebasearnotipodeefluente a ser tratado e na sua vazão diária de contribuição.
  51. 51. caderno de educação ambiental habitação sustentável56 Figura16–Sistemadereusodeáguascinzasemumaresidênciamultifamiliar.(Ilustração:NatáliaMayumiUozumi)
  52. 52. 577. Conservação da água Paraapráticadoreusodeáguascinzasdevemserconsideradasasse- guintes recomendações: • Identificar as redes de água potável e as de reuso; •Osistemadereusonãopodetercontatocomosistemadeabasteci- mento de água potável, pois pode contaminá-lo; •Quandohouverusosmúltiplosdereusocomqualidadesdistintasde água,deve-seoptarporreservatóriosindependenteseidentificadosde acordo com a qualidade da água armazenada; • O contato direto com a água cinza deve ser evitado; •Emcasodereusodeáguacinzanadescargasanitária,umtratamento prévioincluindoumaetapadedesinfecçãodeveserprovidenciado; •Evitaraestocagemdeáguacinzabruta(semtratamentopréviocom desinfecção).
  53. 53. Seleção de Materiais 8
  54. 54. caderno de educação ambiental habitação sustentável60 8. Seleção de materiais Aconstruçãociviléresponsávelpeloconsumode40%detodososrecur- sosextraídosdanatureza.Amadeira,porexemplo,dos64%produzi- dosnaAmazônia,15%sãoconsumidospelosetornoEstadodeSãoPaulo, comaprobabilidadedeagrandemaioriadamadeirautilizadaserdeorigem ilegaloupredatória(IPT,2009),contribuindoparaaemissãode10toneladas de CO2 na atmosfera. Outromaterialmuitoutilizadonaconstruçãocivilegrandecontribuidor paraoefeitoestufaéocimentoPortland.Paraaproduçãodocimento,há oprocessodedescarbonataçãodocalcário,querespondepelaemissãode 6%deCO2 ,nomundotodo.SomentenoBrasil,comproduçãoanualde38 milhõesdetoneladasdecimentoPortland(comum),liberam-senaatmosfera, aproximadamente,22,8milhõesdetoneladas/anodegáscarbônico. Portanto,paraarealizaçãodeumaconstruçãomaissustentável,exige-se aseleçãocorretademateriais,poisissoresultaránareduçãodosimpactos ambientaiscausadospelaextraçãoemanufaturadosrecursosnaturaiseem maiorbenefíciosocial,dentrodoslimitesdaviabilidadeeconômica,parauma dada situação. Énafasedeconcepçãodoprojetoquedeveserrealizadaaavaliação deformaintegradadosaspectosambientais,econômicosesociaisdosma- teriais,queserãoutilizados.Poisacorretaseleçãoeutilizaçãodosmesmos implicamnamenorgeraçãoderesíduosenadiminuiçãodosimpactospor eles ocasionados. Aprodução,otransporteeousodemateriaiscontribuemparaaocorrênciadediver- sosimpactossocioambientais.Ousosustentáveldestesrecursosdependedahabilidade dosprofissionaisemselecionaremosprodutosmaisadequadoseosfornecedorescom maior responsabilidade ambiental e social.
  55. 55. 618. seleção de materiais Aavaliaçãodosmateriaisdeveconsiderarosseguintesaspectos: •Custos:Avaliaraquelesmateriaisquepossuammelhorcusto-benefí- cio.Sugere-sequesejamobservadososcustosnãoapenasdurantea construção, mas também na fase de uso e operação. •Qualidadeedurabilidade:Quantomaiorasuavidaútil,menoré anecessidadedemateriaisdereposiçãooudemanutenção,paraque nãoocorraageraçãoderesíduos.Devem-sebuscarmateriaisemcon- formidadecomasnormastécnicasouprogramasdequalidade,como oProgramaBrasileirodaQualidadeeProdutividadedoHabitat(PBQP- H), vinculado ao Ministério das Cidades. •Materiallocal:Materiaiscujaextraçãoeproduçãotenhamsidore- alizadaslocalmente.Issoestimulaaeconomialocal(geraçãodeem- pregoerendaparamãodeobralocal)eminimizaaemissãodeCO2 provenientedotransportedosmateriais,daextraçãoatéolocalda construção. •Resíduosgerados:Baixageraçãoderesíduosimplicareduçãode custosedeimpactosambientais.Deve-seavaliaraquantidadedos resíduossólidosgeradosduranteeapósafasedeconstruçãoeverifi- caropotencialdereutilizaçãocasoaedificaçãofordemolida,alémda toxicidadedomaterial,bemcomosehátecnologiaoudestinaçãofinal adequada para os resíduos. •Energiaincorporada:Descreveaquantidadedeenergiausadapara produzirumobjeto.Aenergiaincorporadaéumamedidaimportante, porqueousodefontesdeenergianãorenováveléumadasprincipais razões para a emissão de gases de efeito estufa. •Formalidade:Verificarseosfabricantesefornecedoresdosmate- riaisestãoemconformidadecomaslegislaçõestrabalhistas,fiscais e ambientais.
  56. 56. caderno de educação ambiental habitação sustentável62 •Relatóriosdesustentabilidade:Buscarrelatóriosdesustentabili- dadesocioambientaldasempresaseverificaroalcancedocompromis- sodelascomodesenvolvimentosustentável.Aexistênciadecertifica- çõesrelacionadasàgestãoambiental,saúdeesegurançaocupacional deve ser valorizada (ex: série ISO 14000). Aseleçãodeprodutosecoeficientesdeveconsiderartodooseuciclo devida,desdeaseleçãodasmatérias-primas,passandopelosprocessosde fabricação,transporteedistribuição,uso,manutençãoereutilização,atéo destino do produto ao fim de sua vida útil. AAnálisedoCiclodeVida(ACV)temsidoreconhecidacomoaforma maisabrangenteemaiseficienteparaaavaliaçãoambientaldeprodutos (John,2007)econsistenacompilaçãoeavaliaçãodasentradasesaídasde energiaemateriaisedosimpactosambientaispotenciaisdeumsistemaao longo de seu ciclo de vida (Fig.). Figura17–EsquemasimplificadoparaaAnálisedoCiclodeVida(ACV)deumproduto.Fonte:Ferreira, 2004 – adaptado.
  57. 57. 638. seleção de materiais Benefícios •Reduçãodosimpactosambientaisnaextração,produçãoetransporte dos materiais; •Diminuiçãodoscustoscomagestãodosresíduos,poisháaredução dos desperdícios; • Redução da emissão de gases de efeito estufa; •Aumentodadurabilidadedoempreendimentoemanutençãodeseu desempenho; • Estímulo à economia local; • Estímulo à formalidade da cadeia produtiva do setor; •Estímuloàadequaçãodosmateriaisàsnormastécnicasdequalidade. “GreenWashing”(“vernizverde”)=atodeinduzirosconsumidoresaoerroquanto àspráticassocioambientaisdeumaempresaouosbenefíciossocioambientaisdeumpro- dutoouserviço.AagênciademarketingTerraChoiceEnvironmentaldefiniualgunssinais para reconhecer o“verniz verde”dos materiais e serviços: •Sugerirqueummaterialéverdebaseadosomenteemumatributo(ex.conteúdo reciclado)semadevidaatençãoparaoutrosatributostãomaisimportantesdoseuciclo de vida, como consumo de energia, água etc. •Faltadeprovas:ofornecedornãoapresentaquaisquerdocumentosdeterceira parte que sustentem suas afirmações e que possam ser verificados. •Imprecisão:informaçõesgenéricaseimprecisas,quegeramdúvidaquantoaoreal benefício ambiental do produto durante todo o seu ciclo de vida. •Ofornecedorapresentadeclaraçõesexageradasoutotalmentefalsase/ouapre- sentaapenasosresultadosfavoráveis.Exemplos:“Fabricadocom90%dematéria-prima reciclada”,seminformarsobreabaixadurabilidade;“Produtonatural”,semmencionara presença de estabilizantes, corantes.
  58. 58. caderno de educação ambiental habitação sustentável64 Ações Madeira legal ou certificada Amadeiraéumdosmateriaismaisutilizadosnaconstruçãocivil;porém, estimativasindicamqueentre43e80%daproduçãoprovenientedaregião amazônicasejailegal(IPT,2009).Portanto,algunscuidadosdevemsertoma- dos para que a madeira a ser utilizada seja de origem legal. Oprincipalcuidadonahoradacompradamadeiraconsistenaexigênciado DocumentodeOrigemFlorestal(DOF).ODOF,emitidopeloIBAMA,corresponde aumalicençaobrigatóriaparaocontroledotransporteearmazenamentodepro- dutosesubprodutosflorestaisdeorigemnativa.Comestedocumentoépossível rastrearamadeiradesdesuaorigem,passandoportodososenvolvidos,desdeo transporteebeneficiamento,atéadestinaçãofinal,sejapormeiorodoviário,aé- reo,ferroviário,fluvialoumarítimo.Assim,aspessoasfísicasejurídicasenvolvidas na cadeia de custódia da madeira ficam registradas no sistema DOF. FigURA18–Torasdemadeirasprovenientesdeexploraçãoautorizadaeexemplode pátio de madeira organizada. Fonte: SMA, 2009.
  59. 59. 658. seleção de materiais AlémdoDOF,aexigênciadenotaoucupomfiscalédeextremaimpor- tância,poisseocomercianteemitiuessedocumentosignificaquetambém comprouamercadoriacomnotafiscal,sendomaioresaschancesdeama- deira ser legalizada. OIBAMAtambémrecomendaqueocompradordemadeiraverifiquea inscriçãodocomerciantenoCadastroTécnicoFederal(CTF),procedimento quecomprovaoseuregistrojuntoaoórgãoambiental.Paraverificarains- crição,énecessárioconsultaroCNPJdaempresanositedoIBAMA(http:// www.ibama.gov.br/). Atuandotambémcomomecanismofomentadordeaçõesemfavordo comércioresponsável,oGovernodoEstadodeSãoPaulo,pormeioda SecretariadoMeioAmbiente,identificaasempresasquecomercializam produtosesubprodutosflorestaisdeformaresponsávelpormeiodoSelo “Madeira Legal”(Fig.). Cuidados ao adquirir madeira legal • Exigir a nota fiscal; •ExigiroDocumentodeOrigemFlorestal(DOF)ououtrodocumentocorrelato,emi- tidopeloÓrgãoEstadualdeMeioAmbiente(OEMA)dasespéciesnativas.Ma- deirasdeespéciesexóticascomorigemlegalnãonecessitamdoDOF.Entretanto, devem ser acompanhadas da nota fiscal da carga; •VerificarseocomerciantedemadeiraestáregistradonoCadastroTécnicoFlorestal (CTF) do IBAMA; •Verificaralistaoficialdaflorabrasileiraameaçadadeextinção(http://www.ibama. gov.br/flora/extincao.htm).Atente-separaespéciescomomogno,castanha-do- -pará e pau-brasil, ameaçadas de extinção e cujo corte é proibido por lei.
  60. 60. caderno de educação ambiental habitação sustentável66 FigURA19–FiscalizaçãodetécnicosdaSecretariadoMeioAmbienteeoSelo“Madeira Legal”concedidoparaempresasquecomercializamprodutosesubprodutosdema- deira de forma correta. Fonte: Arquivo SMA
  61. 61. 678. seleção de materiais Outrapossibilidadedeadquirirmadeiralegalépormeiodacomprade madeirascertificadas.NoBrasil,existemdoissistemasdecertificação:oFSC– ForestStewardshipCouncil,representadopeloConselhoBrasileirodeManejo Florestal,eoSistemadeCertificaçãoFlorestalBrasileiro(CERFLOR),doInmetro. ParaoFSCexistemdoistiposdecertificação:manejoflorestaleca- deiadecustódia.Acertificaçãodomanejoflorestalgarantequeaquela madeirafoimanejadadeacordocomcritériosambientais,sociaiseeco- nômicosadequados.Jáosegundotipogaranteaorigemdamadeira,ou seja,asuarastreabilidade(acompanhandoamatéria-primadafloresta até o consumidor final). OCERFLORéumprogramanacionaldecertificaçãoflorestal,desenvolvi- dopeloSistemaBrasileirodeAvaliaçãodeConformidade(SBAC)implantado, gerenciado e acreditado pelo Inmetro. Asmadeirascertificadaspodemterorigemtantodeflorestasnativas quantodereflorestamentoscomespéciesexóticasepossuemumvalorde mercadomaisaltodoqueasdemais,sendoamadeiracertificada,emmédia, 20% mais cara do que a não certificada. Materiais reciclados Areciclagemassumesignificativaimportânciaparaaminimizaçãodos problemasambientaiscausadospelageraçãoderesíduossólidos.Deacor- docomoIPCC(2007),osresíduossólidoselíquidossãoresponsáveispor 2,8%daemissãodeCO2 edeoutrosgasesquecolaboramparaoaqueci- mento global. AreciclageméumadasáreasmaispromissorasnoBrasilcomrelaçãoa novasoportunidadesdegeraçãodeempregoerenda.Cercade500miltra- balhadoresjáestãoempregadosnoPaísreciclandooureaproveitandovários tipos de materiais, como aço, papel, plástico e vidro. Muitosmateriaispodemserrecicladoseaincorporaçãoderesíduosna produçãodenovosmateriaisdeconstruçãopermiteareduçãodoconsumo
  62. 62. caderno de educação ambiental habitação sustentável68 deenergiaedematérias-primas(Tab.)e,muitasvezes,possibilitaaprodução demateriaiscommelhorescaracterísticastécnicas,comoéocasodautiliza- çãodaescóriadealto-forno(resíduoprovenientedaproduçãodoaço),que melhora o desempenho do concreto. (John, 2001) Nocasodoaço,autilizaçãodesucataépartedoprocessoprodutivo,che- gando,emalgunscasos,arepresentar80%damatéria-primabásicaparaapro- duçãodenovaschapasdeaço.DevidoaosganhoseconômicosesociaisnoBrasil, assucatasdemetalsãoasmaisvalorizadasnomercadomundial,poisexiste grandemercadodestematerialnoBrasil,representadoporinúmerossucateiros depequeno,médioegrandeportes,quecompõemumarededescentralizadae abrangentedepontosderecepçãoeencaminhamentodasucatadeaço. TaBELA5–Porcentagemdereduçãodoimpactoambientalpormeiodaincorporaçãoderesíduosna fabricação do aço,vidro e cimento. IMPACTO AMBIENTAL AÇO VIDRO CIMENTO (50% de escória) Consumo de energia 74% 6% 40% Consumo de matéria-prima 90% 54% 50% Consumo de água 40% 50% - Poluentes atmosféricos 86% 22% 50% Poluição aquática 76% - - Resíduos minerais 97% 79% - Fonte:Udaeta e Kanayama, 1997. AreciclagemdosResíduosdaConstruçãoCivil(RCC)tambémseca- racterizacomoalternativaparaminimizarosgrandesimpactosambientais ocorridosnoscentrosurbanos.OBrasilgeraemtornode85milhõesdetone- ladasderesíduosdaconstruçãocivil,osquais,sedispostosdeformairregular, acarretam, entre outras consequências: • Assoreamento de córregos e rios; • Entupimento de galerias e bueiros;
  63. 63. 698. seleção de materiais • Degradação de áreas urbanas; •Proliferaçãodeescorpiões,aranhaseroedoresqueafetamasaúde pública. Amaiorpartedoresíduoégeradapelosetorinformaldaconstrução (pequenasreformas,autoconstrução,ampliações)esuadestinaçãofinalé, geralmente,aolongodecursosd’água,deruaserodovias,agravandoapro- blemáticadeenchentesnosmunicípios(Fig.).Estima-sequeapenas1/3do entulhosejageradopelosetorformaldaindústriadaconstruçãocivil(cons- trutoras, por exemplo). FiguRA20–Entulhodepositadoemáreasdepreservação.Fonte:AcervoSMA. ParaosgrandesvolumesdeRCCgeradospelosetorformal,aproblemática refere-seàadequadadisposiçãoematerrosdeinertes,poisodistanciamento eoesgotamentodeáreasparaadestinaçãodetaisresíduossãocrescentes. Aproximadamente80%detodooresíduodeconstruçãogeradoépassí- veldereciclagem.Devidamentereciclados,osRCCapresentampropriedades físico-químicasapropriadasparaoseuempregocomomaterialdeconstrução e em processos de pavimentação.
  64. 64. caderno de educação ambiental habitação sustentável70 OsRCCsãomajoritariamentedeorigemmineral,ouseja,apartirda misturadeconcretos,argamassas,cerâmicas,entreoutrosmateriais.Asusi- nasdereciclageminstaladasnoBrasilseparameclassificamosresíduos emdoistipos:vermelho(predominânciademateriaisdenaturezacerâmica) ecinza(predominânciademateriaisdenaturezacimentícia).Oagregado recicladoprovenientedoRCCmineralvermelhoéempregadoematividades deasfaltamento,principalmentebasesdepavimentos.Jáoagregadopro- venientedoRCCmineralcinzaéutilizado,preferencialmente,emcalçadas, emblocosdeconcretoeemmobiliáriosurbanosàbasedecimento,como bancos e outros. APrefeituraMunicipaldeSãoPaulopossuiáreasparaadeposiçãoregulardosresí- duosdaconstruçãocivilprovenientesdepequenosgeradores,oschamadosECOPONTOS – Estações de Entrega Voluntária de Inservíveis. São37Ecopontosdestinadosarecebervoluntariamentepequenosvolumesdeentu- lho(até1m3 ),grandesobjetos(móveis,podadeárvores,etc.)eresíduosrecicláveis.Nosite daPrefeituradeSãoPaulo(www.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/servicoseobras/limpurb) há uma lista com os endereços de todos os Ecopontos da Cidade de São Paulo. A
  65. 65. 718. seleção de materiais B FigURA21–(A)Ospisosintertravadosevitamaimpermeabilizaçãodosolo,poisper- mitemoescoamentodaságuas.(B)e(C)Tijolodesolo-cimentofabricadocom95%de terrae5%decimentoquerequerpoucaargamassa(sistemadeencaixe)egeramenos resíduos na obra. Fonte: Acervo SMA. C
  66. 66. caderno de educação ambiental habitação sustentável72 Não utilização de materiais com substâncias perigosas Osmateriaisdeconstruçãoemumambienteinternopodemcausarpro- blemasàsaúdedoocupanteedotrabalhadornafasedeconstrução. Presentesemtintaserevestimentos,adesivoseselantes,osCompostos OrgânicosVoláteis(COV)sãosubstânciasquímicasquepodemseremitidas emconcentraçõesmaiselevadasdentrodecasa(atédezvezesmaior)doque noambienteexterior.Àmedidaqueoclimaficamaisquente,astaxasde emissãodeCOVaumentam,causamdesconfortopeloseucheiroepodem iniciar os sintomas da síndrome do“edifício doente”. ASíndromedoEdifícioDoenteadvémdabaixaqualidadeinternadosempreendi- mentos,comoamáventilação,limpezainternainadequadaefaltademanutençãodos equipamentos.Sãofalhasquefavorecemaproliferaçãodepoluentesdeorigemfísica, químicaoumicrobiológica.Asíndromepodeafetaraté60%daspessoasquevivemou trabalham nestas edificações. OsprincipaisCOVsãobenzeno,tolueno,etilbenzenoexilenos,conheci- doscomoBTEX,osquaissãoaltamentetóxicos.OsCOVcausamirritações nosolhos,nasviasrespiratóriasenapelee,também,podemlevaraode- senvolvimentodecâncer.Atabelaaseguirmostraosprincipaisefeitosda exposição aos COV. AlgumasdicasparaminimizaraexposiçãoaosCOVemresidênciasou em outras edificações consistem em: • Não utilizar materiais que contenham COV; •Aumentaraventilaçãodacasaaoutilizarprodutosqueemitemcom- postos orgânicos voláteis;
  67. 67. 738. seleção de materiais •Nãoarmazenarosrecipientesabertosemateriaissimilaresemcasa; • Identificar os COV e, se possível, eliminar a fonte. TabELA 6 – Efeitos nocivos à saúde humana pela exposição ao COV. SUBSTÂNCIA EFEITO POTENCIAL COV em geral Narcóticospotentesecapazesdedeprimirosistemanervosocentral. Exposiçõespodemcausarirritaçõesnosolhos,nasviasrespiratóriase na pele. Síndrome do edifício doente. COV (formaldeído) Muitosprodutosemchapasàbasedemadeira(compensados)são feitoscomcolasqueliberamformaldeído.Baixasconcentraçõesdogás podemirritarosolhos,onarizeagarganta,possivelmentecausando lágrimas,espirrosetosse.Essesprodutossãoamplamenteusadosem pisos, prateleiras e armários. COV (tolueno) Pode causar letargia, tontura e confusão, podendo evoluir para convulsões e até a morte. Fibras de amianto Entreasdoençasrelacionadasaoamianto,estãoaasbestose(doença crônicapulmonardeorigemocupacional)ecânceresdepulmãoedo trato gastrintestinal. Fonte: John; Oliveira e Lima, 2007.
  68. 68. Conforto Térmico 9
  69. 69. caderno de educação ambiental habitação sustentável76 9. ConfortoTérmico Oprazertérmicoeoconfortopercebidopelousuárioconstituemitens definidoresdequãoótimaéumacasa,namedidaemqueoconfortotérmico éconsideradoumconceitosubjetivo,associadoàsensaçãotérmicaagradável ao homem (INMET, 2009), que varia de pessoa para pessoa. Oconfortotérmicodependerádevariáveisdoambiente,comotempe- ratura,umidaderelativaevelocidadededeslocamentodoar,alémdevariá- veishumanas,taiscomovestimentaseatividadesfísicas.AINMETcriouum diagramacaracterizandoumazonadeconfortotérmicoemfunçãoapenas datemperaturaambienteedaumidaderelativadoar,comomostradona figura a seguir. FigURA22–Diagramadeconfortotérmicodohomememrelaçãoàtemperaturaeà umidade relativa do ar. Fonte: INMET, 2009.
  70. 70. 779. Conforto térmico Nota-sequeoserhumanopodeestaremconfortoemumatemperatura quevariaentre18e30ºC.Abaixodos18ºCdeve-seevitaraentradadeven- tos,jáqueháanecessidadedecalorparaconforto,enquantoqueacimados 30ºC é necessário controlar a incidência de radiação solar. Existemdiversasestratégiasparaobterníveissatisfatóriosdeconforto térmico.Obomaproveitamentodaluznatural,ousodebrisesqueprotegem contraoexcessodeinsolação,garantindoaventilaçãodosambientes,ea implantação de telhados verdes são algumas delas. Benefícios • Conforto térmico aos usuários; • Redução do consumo de energia. Ações Ventilação natural Aventilaçãoconsistebasicamentenomovimentodoardentrodeum prédioeentreumaedificaçãoeoexterior,sendoqueumdosproblemasque maisafetamasensaçãodebem-estaréjustamenteoarejamentointerno dashabitações.Projetarumacasaemquesepriorizaaventilaçãonatural minimizaanecessidadedeutilizaçãodeaparelhosderefrigeração,comoar- condicionadoseventiladores,proporcionandootimizaçãodaeficiênciaener- gética e do conforto térmico aos usuários. Antesdeprojetaranovaresidência,asparticularidadesdoclimaeda regiãodevemserverificadas,afimdeidentificaraspossíveisestratégias paramaximizaraventilaçãonaturaldacasa.Emclimasquenteseúmidos, aventilaçãocruzadaéaestratégiamaissimplesaseradotada.Muitas janelaspermitemexcelenteventilaçãocruzada,comopodeserverificado no projeto abaixo (Fig.).
  71. 71. caderno de educação ambiental habitação sustentável78 FigURA23–Cortedeventilaçãocruzadaeefeitochaminé,exemplosdeventilação natural. (Ilustração: Natália Mayumi Uozumi) Projetosemáreaspróximasàvegetaçãoouareservatóriosdeáguasão medidasquetambémajudamamodificaroambientedentroeforadacasa. Oprocessodeevapotranspiraçãodassuperfíciesdasfolhasresultaemres- friamentodoar(Fig.).Jáaáguainterferenobalançodeenergiadevidoasua altacapacidadetérmicaepeloconsumodecalorlatentepelaevaporação (Paula, 2004).
  72. 72. 799. Conforto térmico FigURA24–Usodevegetaçãocomosombreamentoparaconfortotérmicodeuma casa. (Ilustração: Natália Mayumi Uozumi) FigURA25–CasadoartesãoemPiracaia.Telhadoverdequefuncionacomoumfiltrocontraapolui- ção e na manutenção da umidade relativa do ar.Fonte:Acervo SMA. Telhado verde
  73. 73. caderno de educação ambiental habitação sustentável80 Otelhadoverde(ouecotelhado)consistenousodecoberturasvegetais (grama,flores,árvoresearbustos),aoinvésdecerâmicaoucimentopara revestir as lajes de casas e prédios. Aadoçãodetelhadosverdescorrespondeaumatecnologiaqueauxilia nareduçãodealgunsproblemasambientaisdecorrentesdaurbanização dasgrandescidades.Auxilianalimpezadoar,diminuiovolumedeágua quecorreparaosesgotos,combateosfenômenosdeaquecimentoglobal eilhasdecaloreaindapermiteosisolamentostérmicoseacústicosdos projetos (Tab.). Ilhadecaloréumfenômenoqueocorrequandoatemperaturaemdeterminadas regiõesdoscentrosurbanosficamuitomaiordoqueatemperaturanasregiõesperiféricas, devido à alta concentração de fontes de calor, tais como: • Edifícios, vias pavimentadas e outras superfícies; • Poluição atmosférica; • Veículos que, consumindo combustíveis, liberam energia; • Falta de vegetação, o que resulta em baixa taxa de evaporação. EmSãoPaulo,porexemplo,jáchegouaserregistradaumadiferençade10ºCentre umatemperaturamedidanocentroenaperiferiadacidade,enquantoqueamédiamun- dial é de 9ºC. UmestudorealizadoemNovaIorqueindicouqueaimplantaçãode 50%detelhadosverdesnacidadereduziuatemperaturadasuperfície entre0,1e0,8ºC.Tambémfoicomprovadoqueostelhadosverdescap- turaram80%daságuaspluviaiscomparadoscomos24%dostelhados convencionais (Tab.).
  74. 74. 819. Conforto térmico TabELA 7 – Benefícios da implantação dotelhadoverde BENEFÍCIOS PRIVADOS BENEFÍCIOS PÚBLICOS Aumento da vida útil para a membrana do telhado Redução do escoamento de águas pluviais Redução do uso de energia para refrigeração Redução da ilha de calor Isolamento acústico Melhoria da qualidade do ar Produção de alimentos Redução da emissão dos GEEs Melhoria da saúde pública Valor estético Custos Custos Custo líquido do telhado verde Administração do programa* Custos de manutenção *Umprogramadeinfraestruturarequersuporteadministrativoemnívelmunicipal.Fonte:Rosenzweig, Gaffin e Parshall, 2006. TabELA8–Diferençasderetençãodeáguaspluviaisentreostelhadosconvencionais e osverdes. Precipitação de chuva retida (%) Telhado convencional Telhado verde Retenção média 24% 80% Retenção no pico do escoamento 26% 74% Fonte: Rosenzweig, Gaffin e Parshall, 2006. Otelhadoverdeconsistebasicamenteemumamembranaimpermeabili- zante,camadadrenante,isolamentotérmicoecoberturavegetal(Fig.).
  75. 75. caderno de educação ambiental habitação sustentável82 FigURA26–Exemplodeumaestruturadetelhadoverde.(Ilustração:NatáliaMayumi Uozumi) Avegetaçãocontribuideformasignificativaparaoestabelecimentode microclimaseajudanaformaçãodepequenosecossistemas,tornando-se pontodeatraçãodepássaros,insetosetambémcriandoespaçosdebem- estarelazer.Oprocessodefotossínteseprovocaoresfriamentoevaporativo quediminuiatemperaturaeaumentaaumidadedoaremdiasquentesde verão, favorecendo o conforto térmico da região. Paraaescolhadasespéciesvegetaisénecessáriooconhecimentodoclima local,tipodesubstratoaserutilizadoeotipodemanutençãoqueseráadotada. Paraaimplantaçãodostelhadosverdesgasta-seemtornode1/3a½do custodaestruturasemvegetaçãoepodevariardeR$150,00aR$230,00/m2 . Alémdotelhadoverde,ostelhadosbrancostambémajudamnareduçãodoefeitode ilhadecaloreaumentodaumidadedaregião.Otelhadobrancoconsistenapinturacom tintabrancadostelhadoselajesdasresidências.Otelhadobrancoabsorvemenoscalore estima-sequeparacada100m2 detelhadobrancosãocompensadas10tCO2 porano,ou seja, 100 kg CO2 por m2 pintado.
  76. 76. Acessibilidade – Desenho Universal 10
  77. 77. caderno de educação ambiental habitação sustentável84 10. Acessibilidade – Desenho Universal Rampasdeacessoepisosantiderrapantes,espaçoadequadoparaapas- sagemdecadeirasderodasebarrasdeapoiosãoalgumastécnicasarquite- tônicasnormalmenteutilizadasparagarantiraacessibilidadedosocupantes queemalgummomentodavidapodemapresentardificuldadesdelocomo- ção e na execução de atividades dentro de sua casa (Fig.). Figura27–Situações(carrinhodebebê,idoso,cadeirante,grávidas,mobilidadereduzidaedeficiên- ciavisual) que demandam projetos de acessibilidade. Odesenhouniversalcriasoluçõessimplesqueasseguramatodasaspes- soas,independentementedesuascaracterísticasfísicas,idadeouhabilidades, apossibilidadedeutilizarcomsegurançaeautonomiaosdiversosespaços construídoseosseusobjetos.Umaconstruçãoadaptáveltemcustosuperior de, no máximo, 1% em relação às construções convencionais. ALeiFederalnº10.098/2000estabelececritériosparaapromoçãodaacessibilidade daspessoasportadorasdedeficiênciaoucommobilidadereduzidanomobiliáriourbano, naconstruçãoereformadeedifíciosenosmeiosdetransporteedecomunicação.
  78. 78. 8510. Acessibilidade – desenho universal Benefícios • Promove a inclusão social; • Torna os ambientes iguais para todos; •Minimizaosriscosepossíveisconsequênciasdeaçõesacidentaisou não intencionais. Ações Algumasmedidasparaaplicaroconceitodedesenhouniversalemuma residênciacomeçamcomadisposiçãoadequadadoseumobiliário.Quinas, excessodemóveiscongestionandooambiente,assimcomoousodetapetes eprateleirasatrapalhameoferecemriscosàmobilidadedaspessoas.Portan- to,redistribuirosmóveiseadequá-loscorrespondeaumamaneirasimplese sem custos para a melhoria da acessibilidade de uma residência. Paraaconcepçãodenovosprojetose/oureformas,anormatécnicada ABNTNBR9050/2004dádiretrizesparaaáreadecirculação,referenciais paraalcancemanual,dimensionamentodedegrauserampasdeacessoetc. A seguir, alguns parâmetros estabelecidos pela referida NBR: •Espaçoscomoportasecorredorescom0,8mdelarguraparaapassa- gem de cadeira de rodas; •Espaçosdecirculaçãoadequadoseexistênciadeáreasderotaçãocom espaçoslivresde1,50x1,50mparaalocomoçãoseguradocadeirante; •Asbarrasdeapoiojuntoàbaciasanitária,nalateralenofundo, devemtercomprimentomínimode0,80ma0,75mdealturaem relação ao piso; •Aspiasdecozinhadevempossuiralturade,nomáximo,0,85m,com altura livre inferior de, no mínimo, 0,73 m.
  79. 79. 11 Estudos de Casos
  80. 80. caderno de educação ambiental habitação sustentável88 11. Estudos de Casos Aseguir,serãodescritosquatroestudosdeambientesplanejadosecons- truídosseguindocritériosdesustentabilidade.Trêsdelescorrespondemare- sidências,sendooquartoprojetoumescritório,afimdeexemplificarquea sustentabilidadepodeserempregadaemqualquertipodeconstrução. Casa com acessibilidade ProjetadaporMarcondesPerito–EngenhariaeArquitetura,acasacons- truídanacidadedeSãoPaulosegueosconceitosdodesenhouniversaletem ambientesquepodemseradequadosconformeasnecessidadesdousuário. FigURA28–Escadascomcorrimãoesensoresdepresençaparailuminação.Fonte: Marcondes Perito Engenharia e Arquitetura
  81. 81. 8911. EstudoS de casos FigURA29–Espaçoparaainstalaçãodeelevador.Fonte:MarcondesPeritoEngenha- ria e Arquitetura FigURA30–Banheirocombarrasecadeiradeapoio.Fonte:MarcondesPeritoEnge- nharia e Arquitetura
  82. 82. caderno de educação ambiental habitação sustentável90 Características do projeto: •Oacessoàcasaéfeitoporumarampasuave(6%deinclinação),com guia rebaixada para pedestres; •Osambientespossuemespaçosuficienteparamanobradecadeirade rodas; •Casonecessitedobenefícionofuturo,háinfraestruturaparaainstala- ção de um elevador; •Nopisotérreo,umcômodoanexoaumbanheiroacessívelpermite usodiversificado,comoumasuíte,nocasodelimitaçãotemporáriaou permanente de algum morador; • Os banheiros possuem barras de apoio; • Sensor de presença na escada e corredor iluminado; •Piacomgabinetesremovíveisetamposcomvariaçõesreguláveispara adaptação à altura do morador.
  83. 83. 9111. EstudoS de casos Casa Eucaliptos LocalizadaemumaáreadereservaflorestalemCamposdoJordão-SP,a casade50m2 ,projetadaporAndréEisenlohr,foiconstruídacommadeirade reflorestamentoepreservandoatopografiadoterreno,semanecessidadede movimentação do solo. FigURA31–Fachadacomvidrosamplos,idealparailuminaçãonatural.Fonte:André Eisenlohr FigURA32–Utilizaçãodecoletoressolaresparaaquecimentodaágua.Fonte:André Eisenlohr
  84. 84. caderno de educação ambiental habitação sustentável92 FigURA33–Pilaresdesustentaçãocommadeirasdereflorestamento.Fonte:André Eisenlohr Características do projeto: • Iluminação natural por meio de grandes painéis de vidro; • Sistema de aquecimento da água utilizando placas solares; •Pilaresdeeucalipto,vigasdejatobá,alémdeassoalhoedeckdemui- racatiara provenientes de áreas de manejo sustentável; •95%dosresíduosdemadeiraforamaproveitadosparaacomposição das paredes, armários e bancadas; •Utilizaçãodelãderocharecicladaparaisolamentotérmicoentreas paredes.
  85. 85. 9311. EstudoS de casos Casa – lareira e ar-condicionado ecológicos ResidênciaconstruídanacidadedeSãoPaulo,oprojetocontemplaino- vações tecnológicas para garantir conforto térmico ao morador. Diminuindoatemperaturainternadaresidênciaematé5ºC,oarcon- dicionadoecológicofoiprojetadocombasenoconceitoderesfriamentoda evaporaçãodaágua.Aopassaratravésdacascata,oartorna-semaisfresco eúmidoeélevado,então,paraointeriordacasa(Fig.).Outratecnologia adotadaconsistenalareira,querecuperaocalorproduzidoeliberaarquente para o ambiente (Fig.). FigURA34–Sistemadearcondicionadoecológicopormeioderesfriamentodaeva- poração da água. Fonte: Consuelo-Jorge Arquitetura.
  86. 86. caderno de educação ambiental habitação sustentável94 FigURA35–Oisolamentotérmicoquecircundaalareirarecuperaeliberaoca- lorparaomeioexterno,promovendoumambientemaisquentenoinverno.Fonte: Consuelo-Jorge Arquitetura.
  87. 87. 9511. EstudoS de casos Projeto Harmonia 57 OEdifícioHarmonia57éumedifíciocomercial,localizadonobairroda VilaMadalena,emSãoPaulo.Definidocomouma“novavisãosobreaarqui- teturaverde”,aáguaéograndemotedaconstruçãoeosistemadetrata- mento e reuso da água de chuva é um dos protagonistas do projeto. FigURA36–Sistemadereutilizaçãodeáguadachuva.Fonte:TriptyqueArquitetura. (Ilustração: Diego Vernille da Silva)
  88. 88. caderno de educação ambiental habitação sustentável96 Comooutroscritériosdesustentabilidadeadotadosnoprojeto,apreferênciapor iluminaçãoeventilaçãonatural,pormeiodesalascomgrandesjanelaseterraços,foi adotada.Oresultadoobtidoéumambientedetrabalhodiferenciadodaquelesdos grandesedifíciosdeescritório,queconsomemenergiapormeiodesistemasdeilumi- nação e ar-condicionado. FigURA37–Fachadascomvegetaçãolocaleirrigaçãoportubulaçõesquerodeiamaedificação garantem o confortotérmico dos seus ocupantes. (Fonte:Triptyque Arquitetura)
  89. 89. 12 Avaliação de Sustentabilidade (Certificações)
  90. 90. caderno de educação ambiental habitação sustentável98 12. Avaliação de Sustentabilidade (Certificações) Afimdeassegurarodesempenhoambientaldasedificaçõesnovase existentes,foramcriadosselosecertificaçõescomoferramentasdeavaliação daeficiênciaenergética,dousoracionaldaáguaedeoutroscritériosde sustentabilidade. Essasmetodologiasdeavaliaçãoimpulsionamomovimentodasusten- tabilidadenaconstruçãocivil,poisinfluenciamarquitetoseengenheirosa adotarasmelhorespráticasnosprojetosenaexecuçãodeedificações,além denortearummovimentodemudançanoposicionamentodasociedadecivil em relação ao assunto, gerando uma transformação de mercado. Ascertificaçõesmencionadasacimasãodecarátervoluntário;haven- do,atualmente,inúmerascertificaçõesqueavaliamedifícioscomerciais,re- sidências,escolaseatébairros.AscertificaçõesLEED(LeadershipinEnergy andEnvironmentalDesign),criadapelaONGamericanaUSGBC(U.S.Green BuildingCouncil),eAQUA(adaptaçãodofrancêsHQE–HauteQualiteEnvi- ronnementale),aplicadapelaFundaçãoVanzolini,sãoasmaisconhecidasno Brasil.Entretanto,elassóforamaplicadasaquiparaedifícioscomerciais,não para residências. Diantedaevoluçãodocrescimentodaconstruçãociviledofocodasus- tentabilidadenosetor,aCaixaEconômicaFederallançouoselo“CasaAzul”, quequalificaráprojetosdeempreendimentosdentrodecritériossocioam- bientais,agrupadosemseiscategorias:inserçãourbana,projetoeconforto, eficiênciaenergética,conservaçãoderecursosmateriais,usoracionaldaágua e práticas sociais. Emrelaçãoàenergia,aEletrobráscriouoseloProcel–Edifica,emque avaliaaeficiênciaenergéticadosedifícios(comerciais,deserviçosepúblicos) comáreasuperiora500m2 ouatendidosporaltatensão(grupotarifárioA). OsedifíciossãoclassificadosemníveisA,B,C,DeE,deacordocomaeficiên-
  91. 91. 99 ciaenergética:nívelA–altaeficiência(baixoconsumodeenergia)eonível E – baixa eficiência (alto consumo de energia). Ocustoparaqueumaedificaçãosejareconhecidamentesustentável,por meiodeumprocessodecertificação,correspondeaalgoemtornode5a 10%docustodaconstrução.Ocorrequeaobtençãodacertificaçãoporparte dosinvestidoresgeraretornosnalocaçãoevendadeedificaçõescomerciais eresidenciais,ouseja,ovaloragregadoàedificação–usodemateriaissus- tentáveis,reduçãodosimpactosambientais,doconsumodeáguaeenergia etc – é superior aos investimentos. 12. Avaliação de Sustentabilidade (certificações)
  92. 92. 13 Políticas Públicas – Construções Sustentáveis
  93. 93. caderno de educação ambiental habitação sustentável102 13. Políticas Públicas – Construções Sustentáveis Considerandoosproblemasocasionadospelacriseeconômica,queaco- meteuospaísesrecentemente,dentreosquaisodesemprego,muitasnações têmadotadomedidasdeestímuloeconômicoeinvestimentos,sendoqueal- gunsdessespaísesoptaramporaçõesrelacionadasàrecuperaçãoambiental, como é o caso dos da União Europeia. Assim,investimentosemeficiênciaenergéticaemedifícios,nostranspor- tes,nosaparelhoselétricos,bemcomonadiversificaçãodaofertadeener- gia–priorizando-seasenergiasdefontesrenováveis,comoeólica,solare biomassa,especialmentenocasodepaísesemdesenvolvimento–,têmsido fundamentaisparaarestauraçãodeecossistemas,alémdegerarinúmeros empregos“verdes”,permitindoaretomadadocrescimentoeconômicode forma sustentável. Ressalte-sequeopotencialparamitigarasmudançasclimáticas,re- duzindo-seasemissõesdegasesdeefeitoestufa,concentra-seemalguns setoreseconômicos,dentreosquaisodaconstrução.Entretanto,oapro- veitamentodessepotencialdependedoenvolvimentodeoutrossetores, especialmenteosrelacionadosarecursoseconsumointensivodeenergia, comoéocasodamineração,doferro,doaço,daindústriaquímicaedos transportes. Tendoemvistaograueovolumedeimpactosambientaisocasionados pelaindústriadaconstruçãocivil,édeextremaimportânciaquesejamado- tadaspolíticasporpartedopoderpúblico,nosentidodeminimizaresses impactos, tanto nas obras públicas quanto nas da iniciativa privada. NotocanteàprópriaAdministração,devemserestabelecidasregrasno âmbitodascomprasecontratações,deformaagarantiraescolhadasme- lhoresalternativasdisponíveisnomercado,porpartedopoderpúblico.Éo casodositenseconomizadoresdeáguaeenergia,dosmateriaisfabricados
  94. 94. 103 apartirdautilizaçãoracionaldematérias-primasequegerembaixovolume de resíduos. EmSãoPaulo,existemalgumasaçõesnessesentido.Pode-secitar,por exemplo,oProtocolodaConstruçãoCivilSustentável,celebradoem2008, entreoGovernodoEstado,representadopelasSecretariasdoMeioAmbiente edaHabitação,eosetorprodutivo,estepormeiodediversasentidadespa- tronais atuantes no mercado da construção civil. ReferidoProtocolofoicelebradocomoobjetivodepromoveracoopera- çãotécnicaeinstitucionalentreseussignatários,visandocriarcondiçõesque viabilizem,deformaobjetivaetransparente,aadoçãodeumconjuntode açõesparaconsolidaroprocessodedesenvolvimentosustentáveldosetorda construção civil e desenvolvimento urbano do Estado de São Paulo. Assim,aoaderiraoProtocolo,osrepresentantesdosetorprodutivose comprometem,dentrodesuaspossibilidades,aorientarosempreendedores acumpriralegislaçãoambientalvigentenoEstado.Alémdisso,deverãoin- troduzir,semprequeviáveltécnicaeeconomicamente,critériossocioambien- taisemseusempreendimentos,deformaaminimizarosimpactosaomeio ambiente. Aopoderpúblicocouberamaregulamentaçãodoprocessodelicencia- mentoambiental,integralmentetransferidoàCompanhiaAmbientaldoEsta- dodeSãoPaulo–CETESB,aelaboraçãoeaprovaçãodenormaselegislações ambientaisrelacionadascomosetordaconstruçãociviledesenvolvimento urbanoeoapoioàcapacitaçãodosetorprodutivoquantoàaplicaçãoda legislação pertinente e aos processos de licenciamento. Osórgãosdogovernodevempromoveracompatibilizaçãodasregrasdo CódigoSanitáriocomasnormastécnicas,aspráticasconstrutivaseaspre- missasdaconstruçãosustentável.Alémdisso,comprometem-seaimplantar essaspremissasnosprojetoselicitaçõesdeobraspúblicas,abrangendonovas construções e reformas de edificações e de obras de infraestrutura. 13. Políticas públicas – Construções sustentÁveis
  95. 95. Glossário
  96. 96. caderno de educação ambiental habitação sustentável106 Glossário Acessibilidade:deacordocomaNBR9050/04,possibilidadeecondiçãodealcance,per- cepçãoeentendimentoparaautilizaçãocomsegurançaeautonomiadeedificações,espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos. Agregadoreciclado:materialgranularprovenientedobeneficiamentoderesíduosde construçãoqueapresentemcaracterísticastécnicasparaaaplicaçãoemobrasdeedificação, de infraestrutura, em aterros sanitários ou outras obras de engenharia. Águacinza:efluentedomésticoquenãopossuicontribuiçãodasbaciassanitáriasepias de cozinha. Áreacontaminada:áreaondehácomprovadamentepoluiçãooucontaminaçãocausada pelaintroduçãodesubstânciasouresíduosquenelatenhamsidodepositados,acumula- dos,armazenados,enterradosouinfiltradosequedeterminaimpactosnegativossobreos bens a proteger. Área de Preservação Permanente (APP): de acordo com o Código Florestal (Lei nº 4.771,de15desetembrode1965),áreaprotegida,cobertaounãoporvegetaçãonati- va,comafunçãoambientaldepreservarosrecursoshídricos,apaisagem,aestabilidade geológica,abiodiversidade,ofluxogênicodefaunaeflora,protegerosoloeasseguraro bem-estar da população. Áreademanancial:áreadrenadaporcursosd’água,nascentes,rioserepresasutilizadas para o abastecimento humano e manutenção de atividades econômicas. Análise do Ciclo deVida (ACV): estudo que avalia as entradas e saídas de energia e materiaisedosimpactosambientaispotenciaisdeumprodutoaolongodeseuciclodevida. Arquiteturabioclimática:harmoniaeotimizaçãodoselementosarquitetônicoscomas características locais e o clima da região. Aquecimentosolardaágua:sistemaquecoletaenergiadaradiaçãosolareatransforma emcalor,queentãoédistribuídopormeiodeáguaquenteatéolocalondeseráutilizadoou armazenado para uso posterior.
  97. 97. 107 Glossário CompostosOrgânicosVoláteis(COV):compostosorgânicosqueevaporamatemperatu- raambienteeparticipamdereaçõesfotoquímicasatmosféricas(nãoincluemomonóxidoeo dióxido de carbono). Aldeídos, cetonas e hidrocarbonetos são exemplos de COVs. Conforto térmico: sensação térmica agradável ao homem. Certificaçãoambiental:reconhecimento,porpartedeumaentidadeindependenteeacre- ditadaparaoefeito,dequeumprocessoqualquerestáemconformidadecomosrequisitos da norma de referência. Desenhouniversal:aquelequevisaatenderàmaiorgamadevariaçõespossíveisdas característicasantropométricas(técnicasparamedirocorpohumanoousuaspartes)esen- soriais da população. DocumentodeOrigemFlorestal(DOF):licençaobrigatóriaparaotransporteearmaze- namento de produtos e subprodutos florestais de origem nativa. Eficiência energética: otimização no consumo de energia. Energiarenovável:energiaderivadadeprocessosnaturaisquesãorepostoscons- tantemente. Eutrofização:processopormeiodoqualumcorpod’águaadquireníveisaltosdenutrien- tes, provocando o acúmulo de matéria orgânica em decomposição. Filtrodemúltiplascamadas:consisteemváriascamadasdemeiosfiltrantesdedife- rentestiposdemateriais(areia,pedregulho,brita)porondepassaoefluenteasertratado. Iluminaçãozenital:luznaturalqueentraporaberturassituadasnascoberturasde edificações. Isolamentotérmico:utilizaçãodetécnicas(usodemateriaiseprocessos)quedificultama dissipação de calor de um ambiente. Glossário
  98. 98. caderno de educação ambiental habitação sustentável108 Glossário Madeiralegal:madeiradeprocedêncialegalcomprovadapelaapresentaçãodoDOF(Do- cumento de Origem Legal). Madeiracertificada:madeiraqueagrega,emseuprocessoprodutivo,exigênciasecarac- terísticas ambientais e sociais estipuladas por certificadoras credenciadas. Placasfotovoltaicas:coletoresdeenergiasolarqueaconvertememenergiaelétricapor meio de células fotovoltaicas, geralmente feitas de silício. PlanoDiretorMunicipal:instrumentobásicoparaadefiniçãodapolíticadedesenvolvi- mentoeexpansãourbana,devendoestabelecerummodelocompatívelcomaproteçãodos recursos naturais em defesa do bem-estar da população. Procel: Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica. Radiaçãosolar:energiaradiantesobaformaderadiaçãoeletromagnéticaemitida pelo Sol. Reciclagem:équalquertécnicaoutecnologiaquepermiteoreaproveitamentodeumre- síduo,apósomesmotersidosubmetidoaumtratamentoquealtereassuascaracterísticas físico-químicas. ResíduosdaConstruçãoCivil(RCC):resíduosprovenientesdeconstruções,reformas, reparos e demolições de obras de construção civil. Telhadobranco:telhados,coberturaselajespintadoscomtintabranca.Estatécnicacon- siste em diminuir a absorção do calor. Telhadoverde:consistenaaplicaçãodevegetaçãoemtelhadoselajesdeedificaçõescom a finalidade de prover conforto térmico e retenção de águas pluviais. Usinafotovoltaica:usinageradoradeenergiapormeiodeinúmerasplacasfotovoltaicas instaladas em uma mesma área para abastecimento público.
  99. 99. Referências Bibliográficas
  100. 100. caderno de educação ambiental habitação sustentável110 BARROSO-KRAUSE,C.Instalaçãodecoletorsolar–Dicasparaarquitetura.Disponívelem:http:// www.proarq.fau.ufrj. br//. Acesso em: 14 out. 2009. CARNEIRO,A.P.;BRUM,I.A.S.;CASSA,J.C.S.Reciclagemdeentulhoparaproduçãodemateriaisde construção.In:Aproveitamentoderesíduossólidoscomomateriaisdeconstrução.Salvador: EDUFBA; Caixa Econômica Federal, 2001. 312p. CUNHA, A. Sol para todos. Construção Negócios, ano 3, pp. 3-9, 2009. DIDONÊ,D.IWAKURA,M.Casasustentáveldevebeberpoucaágua.Disponívelem:http://www. folhasp.com.br. Acesso em: 21 out. 2009. ELETROBRÁS.Eletrodomésticos.Disponívelem:http://www.eletrobras.com/procel.Acessoem14 dez. 2010. EPE(EmpresadePesquisaEnergética).PlanoNacionaldeEnergia–PNE2030.RiodeJaneiro,2007. GONÇALVES.Manualdeconservaçãodeáguas.Disponívelem:http://www.www.cbcs.org.br/user- files/bancoDeConhecimento/ManualConservacaoDaAgua.pdf.Acessoem:22maio2010. INMET(InstitutoNacionaldeMeteorologia).Confortotérmicohumano.Disponívelem:http://www. inmet.gov.br. Acesso em: 11 dez. 2009. INPE(InstitutoNacionaldePesquisasEspaciais)/LABSOLAR.Brasil–SRSolarModelAnnualandSea- sonal Latitude Tild Radiation for Brazil. 2005. IPT(InstitutodePesquisasTecnológicas).Madeira:usosustentávelnaconstruçãocivil.2ªedição.São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas, 2009. JOHN,V.M.;OLIVEIRA,D.P.;LIMA,J.A.R.Levantamentodoestadodaarte:Seleçãodemateriais.Tec- nologiasparaconstruçãohabitacionalmaissustentável.SãoPaulo:ProjetoFINEP2386/04, 2007. LAMBERTS,R.;DUTRA,L.;PEREIRA,F.Eficiênciaenergéticanaarquitetura.SãoPaulo:PW, 1997. 192p. Referências Bibliográficas
  101. 101. 111 PAULA,R.Z.de.Ainfluênciadavegetaçãonoconfortotérmicodoambienteconstruído.Campinas, SP.UniversidadeEstadualdeCampinas.FaculdadedeEngenhariaCivil,ArquiteturaeUrba- nismo, 2004. Dissertação de Mestrado. PRADOetal.Levantamentodoestadodaarte:Energiasolar.SãoPaulo:ProjetoFINEP2386/04. ROAF,S.;FUENTES,M.THOMAS,S.Ecohouse–Acasaambientalmentesustentável.3ªedição.Porto Alegre: Bookman, 2009. ROSENZWEIG,C.;GAFFIN,S.;PARSHALL,L.GreenroofsintheNewYorkMetropolitanRegion.Co- lumbiaUniversityCenterforClimateSystemsResearch/NASAGoddardInstituteforSpace Studies. UDAETA,M.E.M.;KANAYAMA,P.H.Aconservaçãodaenergiaelétricaapartirdareciclagemde lixo.In:SemináriodeReciclagemderesíduos,1997,Vitória.Anais...Vitória:ABM,1997. p.215-232. UNEP/ILO/IOE/ITUC.Buildings.In:GreenJobs:TowardsDecentWorkinaSustainable,LowCarbon World.September2008.Disponívelem:http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/--- dgreports/---dcomm/documents/publication/wcms)_098503.pdf.Acessoem20set.2009. Referências Bibliográficas Referências Bibliográficas
  102. 102. Ficha técnica Cadernos de Educação Ambiental Coordenação Geral Silvana Augusto Caderno Habitação Sustentável Autoria Christiane Aparecida Hatsumi Tajiri Denize Coelho Cavalcanti João Luiz Potenza Comissão editorial José Ênio Casalecchi Roberta Buendia Sabbagh Execução das figuras Diego Vernille da Silva Natália Mayumi Uozumi Colaboração Florência Chapuis Letícia Morse Gosson Jorge Márcia Maria do Nascimento Produção editorial Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – IMESP Editoração eletrônica Teresa Lucinda Ferreira de Andrade
  103. 103. Revisão do texto Denise Scabin Pereira Wilson Ryoji Imoto CTP, Impressão e Acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – IMESP Fotoscedidas:AcervoSMA,AndréEinsenlohr,AnísioEliasBorges,Consue- lo-JorgeArquitetura,Heliotek,MarcondesPerito-EngenhariaeArquitetura, Triptyque Arquitetura.
  104. 104. Secretaria de Estado do Meio Ambiente Avenida Professor Frederico Hermann Jr., 345 São Paulo SP 05459-010 Tel: 11 3133-3000 www.ambiente.sp.gov.br Coordenadoria de Planejamento Ambiental Avenida Professor Frederico Hermann Jr., 345 São Paulo SP 05459-010 Tel: 11 3133-3636 www.ambiente.sp.gov.br/cpla Disque Ambiente: 0800 11 3560

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