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  1. 1. A CONSTRUÇÃO DA REVOLTA A MAIOR RESISTÊNCIA À NOVA LEI vinha do Apostolado Positivista, que desde o final do Império lutava contra a obrigatoriedade da vacinação. Em uma série de folhetos contra o “despotismo sanitário” do governo, Teixeira Mendes e o médico Bagueira Leal atribuíam à vacina inúmeros perigos para a saúde, como sífilis, tuberculose, erisipela, gangrena, convulsões, entre outras doenças. No Congresso, os debates foram Templo da Igreja Positivista do Rio de Janeiro, década acirrados, principalmente devido à recente de 1900. Acervo Igreja Positivista do Rio de Janeiro. aprovação de projeto do deputado Melo Mattos, que concedia às autoridades sanitárias o poder de derrubar prédios e designava um juiz especial para resolver casos pendentes da Saúde Pública. Aproveitando-se de sua ampla maioria, o governo agilizou a tramitação da nova lei. A oposição tentou obstruir a discussão, chegando a apresentar mais de cem emendas, sem resultado. Apesar da feroz oposição dos senadores Lauro Sodré e Barata Ribeiro, o Senado aprovou o projeto em 20 de julho, com 11 votos contrários. Em agosto, iniciou-se a discussão na Câmara. A resistência era liderada pelo deputado Barbosa Lima. “A Varíola”. O deputado Barbosa Lima discursa na tribuna da Câmara. Jornal do Brasil, julho de 1904. Autor: Bambino. Acervo Casa de Oswaldo Cruz. “Vacina Obrigatória”. Revista da Semana, setembro de 1904. Autor: Bambino. Acervo Casa de Oswaldo Cruz.
  2. 2. A BATALHA DE PAPEL “Assim como o direito veda ao poder humano invadir-nos a consciência, assim lhe veda transpor-nos a epiderme.” Rui Barbosa OS JORNAIS DIVULGAVAM DIARIAMENTE denúncias de arbitrariedades cometidas pelos inspetores “Ao herói dos mosquitos.” sanitários e de mortes atribuídas à vacina. Revista da Semana, junho/julho de 1904. A idéia de os médicos da Saúde Pública Acervo Casa de Oswaldo Cruz. penetrarem, à força, nas residências para vacinar seus habitantes – amplamente explorada pela imprensa – inflamou a população. As associações dos trabalhadores mobilizaram-se contra a proposta do governo. O Centro das Classes Operárias, liderado “Para 1905 – A Lavagem Obrigatória.” Correio do Brasil, por Vicente de Souza, assumiu a dianteira do movimento, setembro de 1904. Autor: Leônidas. sendo um dos primeiros a organizar listas de assinaturas contraAcervo Casa de Oswaldo Cruz. a obrigatoriedade, enviadas ao Congresso. Das cerca de 15 mil pessoas que figuravam nestas listas, mais de 10 mil eram operárias. A campanha contra a vacina obrigatória começava a provocar resultados alarmantes. Em julho, 23.021 pessoas haviam sido imunizadas nos postos da Saúde Pública; em agosto, esse número baixou para 6.036. A classe médica estava dividida. Enquanto profissionais de renome posicionavam-se contra a imposição da vacinação – alguns inclusive defendendo a eficácia do imunizante –, a Academia Nacional de Medicina enviou mensagem a Rodrigues Alves apoiando a proposta. Charge sobre a resistência à vacina entre famílias da classe média. O Tagarela, agosto de 1904. Autor: Raul Pederneiras. Acervo da Casa de Oswaldo Cruz.
  3. 3. TEMPO DE CONSPIRAÇÃO “Quando a um povo se trancam os tribunais, se recusam juízes que lhe reconheçam e assegurem os direitos, o sentimento de independência e a consciência do próprio direito, impelem-no aos extremos da revolução, com aplausos da posteridade.” Correio da Manhã EM 31 DE AGOSTO, A CÂMARA APROVOU A VACINAÇÃO OBRIGATÓRIA. Restava agora sua regulamentação. Esta se daria por decreto governamental. Conspirava-se nos quartéis. Em janeiro, no aniversário da morte de Benjamin Constant, oficiais e alunos da Escola Militar já tinham saído em procissão positivista pela Avenida em construção, afrontando o governo, a reforma urbana e a vacinação obrigatória. Os militares prepararam um golpe de Estado para 17 de outubro, data do aniversário de Lauro Sodré. Informado da conspiração, o governo denunciou-a nos jornais, causando o adiamento dos planos. A 5 de novembro, foi fundada a Liga contra a Vacinação Obrigatória, no Centro das Classes Operárias. Seus dirigentes, Lauro Sodré, Barbosa Lima e Vicente de Souza, pronunciaram discursos inflamados para mais de 2 mil pessoas, conclamando-as a resistirem à vacinação obrigatória. O clima de tensão chegara ao auge. A revolta estava pronta para sair à rua. A 9 de novembro, o jornal A Notícia publicou um esboço do decreto de regulamentação. Suas medidas draconianas estarreceram a população. Acima e ao fundo, “A vacinação”. Correio do Brasil, outubro de 1904. Autor: Raul Pederneiras. Acervo Casa de Oswaldo Cruz. “Os Célebres Cérebros.” “Vacina de nova espécie.” A Avenida, setembro de 1904. O Malho, agosto de 1904. Autor: Vasco. Acervo Casa de Oswaldo Cruz. Acervo Casa de Oswaldo Cruz.

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