Contab custos 5o_per_1b_2010
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  • 1. CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS FACULDADE DO NORTE PIONEIRO 5° Período de Ciências Contábeis APOSTILA CONTABILIDADE E ANÁLISE DE CUSTOS 1 PROF. JOSÉ ANTÔNIO REZENDE josearezende@ibest.com.br José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559-phpapp02.doc
  • 2. Contabilidade e Análise de Custos 1 SUMÁRIO INTRODUÇÃO...............................................................................................................................1 1.1 A CONTABILIDADE FINANCEIRA E A CONTABILIDADE DE CUSTOS......................2 1.2 PRINCIPIOS BÁSICOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS.............................................3 1.3 DA CONTABILIDADE DE CUSTOS A CONTABILIDADE GERENCIAL........................4 1.4 A CONTABILIDADE DE CUSTOS EM EMPRESAS NÃO-INDUSTRIAIS.......................5 1.5 TERMINOLOGIA UTILIZADA NA CONTABILIDADE DE CUSTOS...............................5 1.6 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS APLICADOS A CONTABILIDADE DE CUSTOS..................7 1.7 OBJETIVOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS...............................................................8 1.8 SEPARAÇÃO ENTRE CUSTOS E DESPESAS...................................................................10 1.9 O PROBLEMA DOS ENCARGOS FINANCEIROS.............................................................11 1.10 GASTOS DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS NOVOS..............11 1.11 GASTOS DENTRO DA PRODUÇÃO QUE NÃO SÃO CUSTOS.....................................12 2 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS............................................................................................13 2.1 CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS.......................................................................................13 2.2 CUSTOS FIXOS E CUSTOS VARIÁVEIS...........................................................................14 2.3 OUTRAS NOMENCLATURAS DE CUSTOS......................................................................15 3 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - DRE...........................................18 3.1 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO NA INDÚSTRIA....................................................22 4 SISTEMAS DE CUSTEIO.........................................................................................................30 4.1 CUSTEIO TRADICIONAL - ABSORÇÃO...........................................................................30 4.2 CUSTEIO DIRETO OU VARIÁVEL.....................................................................................33 FONTES BIBLIOGRÁFICAS:.....................................................................................................35 José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 3. Contabilidade e Análise de Custos 1 INTRODUÇÃO A concorrência entre as empresas tem aumentado nos últimos anos, e com isso algumas medidas são tomadas para que as empresas possam manter-se competitivas nesta nova realidade. As empresas industriais, por exemplo, enfrentam concorrência cada vez maior na compra de matérias-primas, outros materiais e na fabricação e venda de seus produtos. Dessa forma, cria-se um conflito: a concorrência no mercado vendedor tende a manter os preços de bens e serviços tão baixo quanto possíveis, enquanto a concorrência do mercado na hora da compra (pela indústria) tende a manter os preços em elevação (devido aos poucos fornecedores de matéria-prima), podendo resultar este relacionamento, inclusive em eliminação do lucro. Esta situação é inconcebível, pois o alvo principal de uma empresa é conseguir lucro razoável, com previsão de aumento, e para tanto, tem-se três alternativas: a) aumentar os preços de venda de bens e serviços; b) reduzir os custos; c) ou uma combinação dos dois itens anteriores. Uma situação competitiva no mercado vendedor muitas vezes impede o aumento de preços e, assim, a empresa só tem uma escolha: reduzir custos. Diante disso, a Contabilidade de Custos vem demostrar seu valor, uma vez que produz os dados necessários de que a administração necessita para encontrar o método mais eficiente de operação, controlar e reduzir os custos, assim como as despesas. Neste momento da economia, com impostos e custos crescentes, e com o poder aquisitivo da moeda em declínio, o contador de custos tornou-se um membro de grande importância à equipe da administração, sendo elemento gerador de informações necessárias ao planejamento, controle e apoio às tomadas de decisões. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 4. Contabilidade e Análise de Custos 2 1 GENERALIDADES 1.1 A CONTABILIDADE FINANCEIRA E A CONTABILIDADE DE CUSTOS A Contabilidade de Custos desenvolveu-se a partir da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, devido à necessidade de um maior controle das atividades industriais para a apuração dos resultados operacionais das empresas que estavam desenvolvendo-se nesta época. Até o início da Revolução Industrial, a contabilidade que era praticada ou utilizada, consistia apenas em uma Contabilidade Financeira, ou geral, que tinha como foco a apuração dos resultados ao final de determinados períodos, para tanto, utilizavam uma equação simples para esta apuração, ou seja, os custos eram apurados por diferença física dos estoques, levantados através de inventários de estoque final ao término do período, calculado pela equação a seguir: CMV = ESTOQUE INICIAL + COMPRAS − ESTOQUE FINAL Considerando que até então as atividades empresariais consistiam em sua maioria em comerciais, esta equação supria perfeitamente a apuração dos custos, mas com o desenvolvimento das atividades industriais, esta equação tornou-se obsoleta, pois a dificuldade em apurar-se fisicamente os estoques tornou-se cada vez mais elevada, devido ao grande volume de itens e variedades em estoque, pela incapacidade de se inventariar unidades diferentes para a entrada das matérias-primas no estoque (compras) e a saída (venda) dos produtos fabricados com estas matérias- primas, e pela dificuldade em mensurar-se o custo dos produtos fabricados, pois além dos custos da matéria-prima, também deveriam-se considerar uma série de valores pagos pelos fatores de produção utilizados. Na atividade industrial, além dos custos de aquisição, que são utilizados na atividade comercial, também incorporam ao custo dos produtos, os valores dos fatores de produção utilizados para a fabricação, mas para a apropriação destes valores relativos aos fatores de produção, necessita-se do uso de técnicas de custeio, a fim de poder-se mensurar a participação por unidade produzida, assim José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 5. Contabilidade e Análise de Custos 3 atendendo o principio da oportunidade, que prevê o registro de todas as mutações que alteram a estrutura qualitativa do patrimônio. 1.2 PRINCIPIOS BÁSICOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS Para cumprir seus objetivos a contabilidade de custos atua nos mais diversos setores das organizações e nos mais variados tipos de empresas. Os custos devem ser direcionados para atender um uso final específico. O contador deve desenvolver um tipo de custos adequado ao objetivo que deseja atingir. Se quiser atingir, por exemplo, a determinação de lucro, deve selecionar os tipos específicos de custos para essa finalidade e montar relatórios que possam direcionar no auxílio de tal decisão. Se por outro lado, precisar fornecer a administração as informações necessárias para a escolha de um rumo de ação, deve trabalhar com custos que mostrem as alternativas dessa direção, para que melhor possa ser escolhida. A contabilidade de custos diz respeito principalmente a informações para uso interno da administração. Esta informação é de grande auxílio para a formação de objetivos e programas de operação (planejamento), na comparação do desempenho atual com o esperado (controle) e nos relatórios financeiros (mensuração do resultado). Os conceitos e técnicas de contabilidade de custos podem ser usados praticamente em todos os tipos de empresa. A contabilidade de custos esta principalmente interessada nas funções de planejamento e controle e é essencial para o processo de tomada de decisões. Os relatórios são preparados quando há necessidade de sua utilização por parte da administração, e esta pode utilizar qualquer tipo de mensuração que julgar apropriada. Os relatórios podem conter cifras reais, estimativas, ou ambas, e são preparados para as várias unidades que compõe a empresa. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 6. Contabilidade e Análise de Custos 4 1.3 DA CONTABILIDADE DE CUSTOS A CONTABILIDADE GERENCIAL A primeira preocupação dos contadores foi a de fazer da Contabilidade de Custos um forma de resolver os problemas de mensuração monetária dos estoques e do resultado, não a de fazer dela um instrumento de administração. Por esta razão a Contabilidade de Custos não teve uma evolução acentuada por um longo tempo. Com o passar dos anos, com o crescimento das empresas, necessariamente há algumas décadas, e com o conseqüente aumento da distância entre administrador e pessoas administrados, a Contabilidade de Custos passou a ser encarada com uma poderosa ferramenta de auxílio à Administração Empresarial, facilitando o controle e a tomada de decisão, surgindo assim a Contabilidade Gerencial. É importante lembrar que essa nova visão por parte dos usuários de Custos não data de mais que algumas décadas, e por essa razão, ainda há muito a ser desenvolvido. Ressalta-se que os princípios e regras geralmente aceitos na Contabilidade de Custos foram criados e mantidos com a finalidade de avaliação de estoques e não para fornecimento de dados à administração. Nesse seu novo campo, o gerencial, a Contabilidade de Custos tem duas funções relevantes: o auxílio ao controle e a ajuda às tomadas de decisões. No que diz respeito ao Controle, sua mais importante missão é fornecer dados para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de previsão e, num estágio imediatamente seguinte, acompanhar o efetivamente acontecido para comparação com os valores anteriormente definidos. (...) à Decisão, seu papel reveste-se de suma importância, pois consiste na alimentação de informações sobre valores relevantes que dizem respeito às conseqüências de curto e longo prazo sobre medidas de corte de produtos, fixação de preços de venda, opção de compra ou fabricação, etc. (MARTINS, 1998, p.22) José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 7. Contabilidade e Análise de Custos 5 1.4 A CONTABILIDADE DE CUSTOS EM EMPRESAS NÃO-INDUSTRIAIS Martins em sua abordagem sobre o assunto diz: Com o advento da nova forma de se usar Contabilidade de Custos, ocorreu seu maior aproveitamento em outros campos que não o industrial. No caso de instituições não tipicamente daquela natureza, tais como instituições financeiras, empresas comerciais, empresas de prestação de serviços, dentre outras, onde seu uso para efeito de Balanço era quase irrelevante (pela ausência de estoques), passou-se a explorar seu potencial para o controle e principalmente para as tomadas de decisões. Mesmo nas empresas prestadoras de serviços, que eventualmente faziam uso de Custos para avaliação dos “estoques de serviços em andamento”, ou seja, para avaliação dos custos incorridos em projetos não acabados, seu campo alargou-se de maneira formidável. É hoje relativamente comum encontrarmos Bancos, Financeiras, Lojas Comerciais, Escritórios de Planejamento, de Auditoria, de Consultorias, dentre outros, utilizando-se da Contabilidade de Custos. (Martins, 1998, p.22-23). 1.5 TERMINOLOGIA UTILIZADA NA CONTABILIDADE DE CUSTOS Dentro da Contabilidade de Custos existem algumas terminologias que devem ser conceituadas, pois embora pareçam semelhantes, detém cada uma, um significado distinto, os quais serão vistos a seguir: • Gastos – são todos os pagamentos realizados para a obtenção de qualquer produto ou serviço destinados a viabilizar a operacionalização da empresa, ou qualquer pagamento referente à compra de um ativo, inclusive aqueles pagamentos realizados com outro bem ativo. Gasto consiste em um termo bem genérico dentro de uma empresa, sendo caracterizado como todas as reduções de ativos, tanto circulantes como permanentes; • Investimentos – são os gastos referentes a aquisição de ativos ou despesas que serão ativadas no futuro José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 8. Contabilidade e Análise de Custos 6 em função de sua vida útil ou benefícios a empresa, incluindo-se aí os gastos com a aquisição de matérias-primas ou mercadorias que serão ativadas e integraram o estoque (investimento circulante); • Custo – consiste nos gastos na aquisição de bens ou serviços necessários à produção de outros bens ou serviços, que não sejam investimentos. Os bens ou serviços produzidos, embora tenham se utilizado de alguns custos, serão ativados ao final do processo produtivo, formando assim um investimento circulante em estoques; • Despesas – são os gastos necessários para vender e entregar os produtos aos clientes, obtendo assim receitas, como exemplo cita-se as despesas das áreas comerciais e administrativas. Em um aspecto geral despesas são os gastos que reduzem o Patrimônio Líquido, pois representam as saídas de recursos financeiros necessárias a obtenção das receitas; • Desembolso – é o pagamento proveniente da aquisição de um bem ou serviço, ou seja, a execução financeira dos gastos e investimentos da empresa; • Perda – são ocorrências anormais e involuntárias a atividade operacional da empresa que interferem no resultado positivo da empresa, mas não podem ser considerados como custos dos produtos, pois não considerados como despesas não operacionais. Questão: Por essa metodologia somente existem custos na empresa industrial? E na empresa comercial, existem custos? José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 9. Contabilidade e Análise de Custos 7 1.6 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS APLICADOS A CONTABILIDADE DE CUSTOS Para que a Contabilidade de Custos possa estar vinculada a Contabilidade Financeira, faz-se necessário que ela tenha como base alguns princípios fundamentais da Contabilidade, como: • Realização da Receita - permite o reconhecimento contábil do resultado (lucro ou prejuízo) apenas quando da realização da receita (transferência do bem ou serviço); • Competência ou Confrontação – permite o reconhecimento das despesas logo após o reconhecimento da receita, a fim de possibilitar a dedução de todas as despesas realizadas das receitas em um mesmo período, a fim de possibilitar a mensuração do resultado; • Custo Histórico como Base de valor – este princípio dispõe que todos os ativos são registrados por seu valor original de entrada, ou histórico; • Consistência ou Uniformidade – os critérios utilizados no registro das movimentações contábeis não devem ser mudados dentro do próprio exercício, a fim de não distorcer os reais resultados; • Conservadorismo ou Prudência – quando existir dúvida sobre o valor de um registro deve-se optar pela forma de registro de maior precaução, ou seja, o que for prover um menor resultado; José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 10. Contabilidade e Análise de Custos 8 • Materialidade ou Relevância - este princípio desobriga de um tratamento mais rigoroso aqueles itens cujo valor monetário é pequeno dentro dos gastos totais. 1.7 OBJETIVOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS Os custos são determinados a fim de atingir os seguintes objetivos: determinação de estoques e do lucro, controle das operações e tomada de decisões. 1.7.1 Custos para determinação de estoques e lucros Para as finalidades de determinação do lucro calcula-se os custos dos diversos inventários. Entre eles, podemos destacar aqueles que se referem as grandes áreas da fábrica: a) Almoxarifado de matérias-primas; b) A linha de produção; e c) O armazém de produtos acabados. Os inventários são compostos de: a) Materiais b) Produtos em Processo, e c) Produtos Acabados 1.7.2 Custos para controle José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 11. Contabilidade e Análise de Custos 9 A definição que se ofereceu de Contabilidade de Custos evidenciou o fato de que os custos são estabelecidos principalmente para atender as necessidades de controle e coordenação. Muitos dos instrumentos de controle que o administrador tem a sua disposição são baseados em dados de custos. Entre eles, destacam-se os custeios por Absorção, Direto, Padrão, ABC, RKW (serão estudados futuramente), custos por responsabilidade e por orçamentos. É fácil observar que não se pode haver controle sem o estabelecimento de objetivos bem definidos e de metas a serem cumpridas para a consecução desses objetivos. Uma contabilidade de custos bem organizada é condição necessária para dar ao administrador os meios de exercer comparação entre o que está sendo realizado e os padrões predeterminados. Controlar significa verificar a conformidade entre o real e o planejado. Planejar e Controlar são, por isso, atividades tão interligadas que, muitas vezes, parece difícil tentar traçar linhas rígidas de separação entre elas. É necessário que haja uma boa organização para que as fases de planejamento e de controle possam ser bem sucedidas. Os gerentes, chefes ou supervisores, devem saber exatamente os limites e as exigências de sua responsabilidade e autoridade. Os planos e as fases de controle devem estar bem definidos para que todos, dentro da organização, que tenham uma certa parcela de responsabilidade pelo cumprimento dos objetivos, conheçam suas obrigações e, sobretudo, o modo pelo qual seus desempenhos serão avaliados. 1.7.3 Custos para tomada de decisão e para planejamento A alocação de custos fixos é uma prática contábil que pode, para efeito de decisão, ser prejudicial; pela sua própria natureza, o valor a ser atribuído a cada José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 12. Contabilidade e Análise de Custos 10 unidade depende do volume de produção e, o que é muito pior, do critério de rateio utilizado. Por isso, decisões com base no LUCRO podem não ser as mais corretas. A margem de contribuição, conceituada como diferença entre Receita e soma de custos e despesas variáveis, tem a faculdade de tornar bem mais facilmente visível à potencialidade de cada produto, mostrando como cada um contribui para, primeiramente amortizar os gastos fixos, e depois, formar o lucro, propriamente dito. 1.8 SEPARAÇÃO ENTRE CUSTOS E DESPESAS Os Custos correspondem aos gastos relativos a obtenção dos produtos, e as Despesas, correspondem aos gastos relacionados com a administração e com a geração das receitas, ou seja, todos os gastos após a efetiva produção do bem. Na Demonstração de Resultado, as despesas correspondem àquelas incorridas nos departamentos de Administração e de Vendas, durante o período. Já o Custo dos Produtos Vendidos, são aqueles incorridos na divisão fabril, correspondente à quantidade que foi vendida, isto porque nem toda a produção de um período é vendida, ficando assim, estocada para venda em um período futuro. CUSTOS DESPESAS Início da Término da Venda produção produção É comum surgirem problemas para a separação entre custos e despesas. Uma regra simples é definir o momento em que o produto está pronto para a venda. Até este ponto, todos os gastos são custos, a partir desse momento são despesas. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 13. Contabilidade e Análise de Custos 11 1.9 O PROBLEMA DOS ENCARGOS FINANCEIROS O registro dos encargos financeiros é tratado na contabilidade como despesa e não como custo. Os encargos financeiros não são itens operacionais, já que não derivam da atividade da empresa e não provêm dos ativos trabalhados e utilizados nas operações. Os encargos financeiros representam a remuneração de capital de terceiros (o lucro representa a remuneração do capital próprio). Os encargos financeiros não são, portanto, custos de produção, mesmo que facilmente identificados com financiamentos de matérias-primas ou outros fatores de produção (compras a prazo). 1.10 GASTOS DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS NOVOS Dois tratamentos tem sido utilizados aos gastos com pesquisas de produtos novos: despesas do período e investimentos para amortização na forma de custo dos produtos elaborados futuramente. No caso de despesas do período, não há ativação, sendo todos os gastos descarregados na conta de resultado no período em que incorreram. No caso de investimentos, estes gastos são colocados na forma de ativos diferidos para serem distribuídos aos bens e serviços quando de sua real produção. Para isto, necessário uma previsão das quantidades a serem vendidas. O problema neste caso são o grau de certeza do real aproveitamento e do sucesso do trabalho, até a definição do valor a ser apropriado por unidade. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 14. Contabilidade e Análise de Custos 12 1.11 GASTOS DENTRO DA PRODUÇÃO QUE NÃO SÃO CUSTOS O uso de instalações, equipamentos e mão-de-obra da produção para elaboração de bens ou execução de serviços não destinados á venda, não são tratados como custo da produção do período. Se a empresa faz uso de seu Departamento de Manutenção para reparos à outro departamento, que não seja o de produção, ou se uso o pessoal ocioso da produção para ampliar as instalações da empresa, não pode incluir esses gastos nos custos dos produtos fabricados. Deve ser feito um apontamento dos gastos para ser tratado como despesa ou imobilização, dependendo do que tiver sido realizado. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 15. Contabilidade e Análise de Custos 13 2 CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS As duas classificações básicas compreendem aquelas que permitem determinar o custo de cada produto fabricado e o seu comportamento em diferentes níveis de produção em que uma empresa possa operar. • Quanto aos produtos fabricados: para alocar os custos aos produtos, eles são classificados em Custos Diretos e Indiretos; • Quanto ao comportamento em diferentes níveis de produção: para determinar os custos de vários níveis de produção, eles se classificam em Custos Fixos e Custos Variáveis. 2.1 CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS Como viu-se anteriormente, todos os gastos ocorridos na divisão fabril são classificados como custos. Assim, matéria-prima, mão-de-obra, energia elétrica, depreciação, etc., e até mesmo o cafezinho e o material de higiene e limpeza consumido pela divisão fabril constituem custos. E, como os custos são apropriados aos produtos, é necessário estabelecer critérios para isto. A separação destes custos em diretos e indiretos vem ao encontro dessa necessidade. A regra básica para a classificação é a seguinte: se for possível identificar (medir) a quantidade do elemento de custo aplicada no produto, o custo será direto. Se não for possível identificar a quantidade aplicada no produto, o custo será indireto. Os termos Direto e Indireto são empregados com os seguintes sentidos: • Direto: a apropriação do custo ao produto se dá pelo que efetivamente ele consumiu. No caso da matéria- prima, pela quantidade que foi efetivamente consumida e, no caso da mão-de-obra direta, pela José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 16. Contabilidade e Análise de Custos 14 quantidade de horas que foi efetivamente utilizada. (Ex.: matéria-prima e mão-de-obra direta) • Indiretos: que a apropriação de um custo ao produto ocorre por intermédio de rateio. Neste caso, o rateio descaracteriza a apropriação como direta. (Ex.: materiais de consumo, salários da supervisão e chefia, energia elétrica, aluguel do prédio da fábrica). 2.2 CUSTOS FIXOS E CUSTOS VARIÁVEIS Os custos fixos são aqueles que dentro de determinada faixa (nível de atividade) não variam com o volume de produção. Alguns exemplos de custos fixos: salários da administração, salários dos supervisores, seguros, depreciações, alguns impostos, juros de empréstimos, entre outros. Outra distinção aos custos fixos é que estes são variáveis por unidade, pois quanto maior a produção, menores serão os custos fixos por unidade e quanto menor a produção, maiores serão os custos fixos por unidade. Os custos variáveis são aqueles que variam proporcionalmente com o volume de atividade (produção) desenvolvida pela empresa. Em geral todos os custos diretos são variáveis. Alguns exemplos de custos variáveis: material direto, mão-de- obra direta. Outra distinção importante aos custos variáveis é que eles são fixos por unidade de produção, portanto, quando a produção aumenta, produz um aumento proporcional nos custos variáveis, quando a produção diminui, produz a diminuição proporcional destes custos. Ainda, com relação a esta classificação, podemos ainda classificar as Despesas, assim podemos ter despesas fixas (propaganda, salários da administração e das vendas, seguros, etc) e despesas variáveis (comissões de vendedores, despesas de entregas, impostos sobre vendas, etc). A classificação dos Custos em FIXOS e VARIÁVEIS, entre outras finalidades, permite determinar o PONTO DE EQUILÍBRIO, ou seja, o ponto em que a RECEITA total é igual aos CUSTOS totais. A partir desse ponto, pelo aumento de José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 17. Contabilidade e Análise de Custos 15 atividade aparece o LUCRO, abaixo desse ponto, pela diminuição da atividade, obtêm- se PREJUÍZO. A utilização do cálculo do ponto de equilíbrio e da margem de contribuição é uma importante ferramenta de análise e controle gerencial quanto à tomada de decisões em relação a vendas e resultados da empresa. (Esse assunto será tratado em temas futuros). 2.3 OUTRAS NOMENCLATURAS DE CUSTOS Outras expressões e terminologias são costumeiramente utilizadas em Custos, dentre elas temos a classificação dos custos em primários e de transformação. Os custos primários são nada mais do que a soma da matéria-prima com a mão-de-obra direta. Importante ressaltar que não são a mesma coisa que custos diretos, pois nos primários somente estão incluídos estes dois itens. Os custos de transformação são todos os demais custos de produção, ou seja, todos exceto a matéria-prima e a mão-de-obra direta. Os custos de transformação “representam o valor do esforço da própria empresa no processo de elaboração de um determinado item”. (Martins, 1998, p.56) EXERCICIO: 2.1. (Exerc. 4.2, Martins 1990) Classifique os itens adiante em Custo (C), Despesa (D), Perda (P) ou Ativo (A) e classifique ainda em Direto (D) ou Indireto (I) e em Fixo (F) ou Variável (V), quando cabível. Se mais de uma alternativa for válida, assinale todas ou a (s) que considerar mais predominante (s). ___ ___ ___ Compra de matéria-prima ___ ___ ___ Consumo de energia elétrica ___ ___ ___ Mão-de-obra direta ___ ___ ___ Consumo de combustível dos veículos de entrega ___ ___ ___ Telefone – conta mensal ___ ___ ___ Consumo de água industrial ___ ___ ___ Pessoal do faturamento ___ ___ ___ Aquisição de máquinas industriais ___ ___ ___ Depreciação das máquinas de produção José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 18. Contabilidade e Análise de Custos 16 ___ ___ ___ Pintura do prédio da fábrica ___ ___ ___ Instalação de computador ___ ___ ___ Retirada de materiais do almoxarifado ___ ___ ___ Consumo de materiais diversos na administração ___ ___ ___ Pessoal da contabilidade geral ___ ___ ___ Pessoal da contabilidade de custos ___ ___ ___ Honorários da administração ___ ___ ___ Honorários do diretor industrial ___ ___ ___ Depreciação do prédio da empresa ___ ___ ___ Consumo de matéria-prima ___ ___ ___ Aquisição de embalagens ___ ___ ___ Deterioração do estoque de matéria-prima por enchente ___ ___ ___ Tempo do pessoal em greve (remunerado) ___ ___ ___ Aplicação de material isolante no prédio da fábrica 2.2. (Exerc. 2) Alguns dados contábeis e financeiros das Fábricas de Sandálias Aladas Ltda, estão exibidos a seguir. Com base nos números apresentados estime para o volume total produzido no período: a) o custo primário; b) o custo de transformação; c) o custo fabril (produção); d) o gasto total (custo integral) da empresa. Conta $ Materiais requisitados: diretos 8.200,00 Depreciação do parque industrial 1.700,00 Aluguel da fábrica 5.200,00 Aluguel de escritórios administrativos 7.400,00 Materiais requisitados: indiretos 950,00 Depreciação de computadores da diretoria 720,00 Mão-de-obra direta 9.400,00 Seguro da área industrial 2.600,00 EXERCICIO 2 Descrição do subgrupo e conta Valor ($) Subtotal ($) MD MOD CIF DESPESAS José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 19. Contabilidade e Análise de Custos 17 a) Custo primário = b) Custo de transformação = c) Custo total = d) Gasto total = José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 20. Contabilidade e Análise de Custos 18 3 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - DRE A finalidade da DRE é mostrar, em detalhes, o Resultado (lucro ou prejuízo) obtido por determinada empresa em determinado período. A DRE pode ser elaborada para períodos menores que um ano, dependendo das necessidades de informações da diretoria e dos demais usuários, podendo ser mensal ou trimestral. Desta forma, a DRE é a demonstração, em forma ordenada, das Receitas e Despesas da empresa em um determinado período. Apresenta-se a seguir um exemplo para a DRE: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE DESCRIÇÃO R$ RECEITAS BRUTAS 30.000,00 (-) Deduções - impostos s/ vendas 18,0% (5.400,00) (=) RECEITA LÍQUIDA 24.600,00 (-) Custos das Mercadorias Vendidas - CMV (10.000,00) (=) LUCRO BRUTO 14.600,00 (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas com Vendas 5,0% (1.500,00) Despesas administrativas (8.000,00) Despesas financeiras (1.000,00) (=) RESULTADO OPERACIONAL 4.100,00 (+/-) Resultado não operacional (500,00) (=) LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA - LAIR 3.600,00 (-) Imposto de Renda e Contribuição Social 24,0% (864,00) (=) LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 2.736,00 Receita Bruta – principal fonte de recursos de uma empresa, as receitas decorrentes das vendas de bens, devem ser apresentadas na DRE pelo valor total das notas fiscais de vendas. Devem ser consideradas todas as receitas realizadas no período, independentemente de serem recebidas a vista ou a prazo. A realização da receita ocorre quando os bens são entregues ao comprador. Quando a empresa comercializa um único produto, pode-se apurar a receita líquida pela fórmula: REC.BRUTA = VENDAS UNIDADES × PREÇOUNITÁRIO Deduções – são compostas pelas vendas canceladas, pelos descontos concedidos, e pelos impostos incidentes sobre vendas (ICMS). Os impostos sobre vendas são apurados pela multiplicação de um percentual sobre a receita bruta, como na fórmula a seguir: José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 21. Contabilidade e Análise de Custos 19 DEDUÇÕES = REC.BRUTA × ALIQUOTA % IMPOSTO Receita Líquida – correspondem às receitas brutas diminuídas as deduções (vendas canceladas, descontos concedidos e impostos sobre vendas). REC.LÍQUIDA = REC.BRUTA − DEDUÇÕES Custos das Mercadorias Vendidas – representa o quanto custou, para a empresa, as mercadorias ou os produtos que foram vendidos em determinado período. Nas empresas comerciais, o custo das mercadorias vendidas – CMV, é representado pelo valor pago aos fornecedores das mercadorias que foram revendidas no período. Nas empresas industriais, o custo dos produtos vendidos – CPV, é representado pelo custo de produzir os produtos que foram vendidos no período. Para apuração dos custos das mercadorias ou produtos vendidos é necessário um acompanhamentos dos estoques, no caso de apuração por inventário físico, ou acompanhamento dos itens vendidos, para somatório dos custos destes itens. No comércio, quando se opta pela apuração por inventário físico, pode- se apurar o CMV através da seguinte fórmula: CMV = ESTOQUEINICIAL + COMPRAS PERÍODO − ESTOQUEFINAL Onde: - o estoque inicial representa o valor de mercadorias em estoque no início do período; - as compras representam todas as aquisições de mercadorias destinadas a venda; - e o estoque final, o valor das mercadorias que não foram vendidas, permanecendo disponíveis a venda no próximo período. Na indústria, pela existência de outros tipos de estoque (matéria-prima, produtos em elaboração e produtos acabados) e diversos custos de produção, existe a necessidade de apuração do custo de produção, que será visto mais a frente. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 22. Contabilidade e Análise de Custos 20 Lucro Bruto – é o resultado da atividade da venda de bens ou serviços que constitua objeto ou atividade da empresa. Desta forma, lucro bruto é o resultado entre a diferença da receita líquida e o custo das mercadorias vendidas ou produtos vendidos. LUCRO.BRUTO = REC.LÍQUIDA − CMV Despesas operacionais – são os gastos efetuados pela empresa para efetivação das vendas, que não compõem o custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços prestados. As despesas operacionais são gastos necessários para a exploração das atividades de uma empresa. São reunidas em três grupos: - Despesas de vendas: comissões, fretes, seguro de transporte, propaganda, etc; - Despesas administrativas: salários e encargos do pessoal da administração, alugueis, água, energia elétrica, telefone, correio, etc; - Despesas financeiras: juros de empréstimos e financiamentos. Resultado operacional – representa o ganho ou perda resultante das operações efetuados em determinado período. É apurado pela diferença entre o lucro bruto e as despesas operacionais, como na formula a seguir: RES .OPERAC. = LUCRO BRUTO − DESPESAOPERACIONAL Se o valor das receitas superar o montante dos custos e das despesas, dir-se-á que houve lucro. Caso contrário, quando o resultado é negativo, prejuízo. Resultado não-operacional – é o resultado de operações não relacionadas à atividade operacional da empresa, tais como: - lucro ou prejuízo na venda de bens do ativo imobilizado; - baixa de bens inservíveis (sem condições de uso); - baixa de bens sinistrados; - indenizações de seguros. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 23. Contabilidade e Análise de Custos 21 Lucro antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social – LAIR – é a diferença entre o resultado operacional, proveniente das atividades da empresa, e o resultado não-operacional, não resultante das atividades da empresa. LAIR = RESULTADOOPERACIONAL − RESULTADONÃO −OPERACIONAL Despesas de imposto de renda e contribuição social – é o valor dos impostos incidentes sobre o lucro contábil. É apurado pela multiplicação da alíquota dos impostos sobre o lucro apurado no LAIR, como na fórmula a seguir: IMPOSTO RENDA = LAIR × ALIQUOTA% Lucro líquido do exercício – é o lucro final que estará a disposição da empresa, para investimentos, ou dos sócios, para distribuição dos dividendos. EXERCÍCIOS: 3.1. A empresa Mood’s Hair produz um único produto (xampu de camomila) que é vendido, em média, por R$ 9,50 cada unidade (preço líquido de tributos) e a empresa está enquadrada no ICMS a uma alíquota de 18%. Em determinado período, ela vendeu 13.000 unidades. Cada unidade do xampu tem um custo de R$ 6,00. A empresa incorreu neste mês em despesas administrativas de R$ 8.000,00 e despesas de vendas de R$ 11.700,00. Também pagou juros de R$ 1.000,00. A empresa paga imposto de renda a uma alíquota de 35% sobre o LAIR. Pede-se para apurar o lucro desta empresa neste mês: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE DESCRIÇÃO % R$ RECEITAS BRUTAS (-) Deduções - impostos s/ vendas (=) RECEITA LÍQUIDA (-) Custos das Mercadorias Vendidas - CMV (=) LUCRO BRUTO (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas com Vendas Despesas administrativas Despesas financeiras (=) LUCRO OPERACIONAL (+/-) Resultado não operacional (=) LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA - LAIR (-) Imposto de Renda e Contribuição Social (=) LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 24. Contabilidade e Análise de Custos 22 3.2. A empresa Camanducaia foi constituída em 2-1-x8 com objetivo de produzir artigos para festas em geral. O preço médio de venda do produto acabado é estimado pelo pessoal da área de marketing em R$ 10,50 por unidade. Impostos sobre receita bruta totalizam 18% sobre o preço. Durante o mês de janeiro ocorreram os seguintes custos e despesas (em $): Aluguel da empresa 3.000,00 No final do mês, 12.000 pacotes de confete Energia Elétrica 2.000,00 haviam sido vendidos. Juros sobre empréstimo 2.500,00 A empresa recolhe conjuntamente imposto Salários 10.000,00 de renda e contribuição social a uma alíquota Comissões s/ vendas 5,0% de 35% . Pede-se elaborar a Demonstração de Resultados relativa ao mês de janeiro. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - DRE DESCRIÇÃO % R$ RECEITAS BRUTAS (-) Deduções - impostos s/ vendas (=) RECEITA LÍQUIDA (-) Custos das Mercadorias Vendidas - CMV (=) LUCRO BRUTO (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas com Vendas Despesas administrativas Despesas financeiras (=) LUCRO OPERACIONAL (+/-) Resultado não operacional (=) LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA – LAIR (-) Imposto de Renda e Contribuição Social (=) LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 3.1 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO NA INDÚSTRIA Em uma empresa industrial, que transforma a matéria-prima em produtos acabados e vende esse produto, é necessário a apuração do custo de produção para posteriormente se calcular o lucro na DRE. A apuração do custo de produção envolve a apuração de alguns custos como: Custo de Produção do Período – é a soma dos custos incorridos no período dentro da fábrica. CPP = MP + MOD + CIF José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 25. Contabilidade e Análise de Custos 23 Na indústria os custos dos produtos vendidos podem ser apurados pela seguinte estrutura: Demonstração da apuração dos custos dos produtos vendidos DESCRIÇÃO R$ Estoque Inicial Matéria-prima 1.000,00 (+) Compra Matéria-prima 3.000,00 (-) Devolução Compras 0% - (=) Custo Matéria-prima Disponível 4.000,00 (-) Estoque Final Matéria-prima (1.500,00) (=) Custo Matéria-prima Consumida 2.500,00 (+) Mão-de-obra Direta 3.000,00 (+) Custos Indiretos Fabricação (CIF) 1.500,00 (=) Custo Produção Mês (Período) - CPP 7.000,00 (+) Estoque Inicial Produtos Elaboração 3.000,00 (=) Custo Total de Produção 10.000,00 (-) Estoque Final Produtos Elaboração (2.000,00) (=) Custo Produção Acabada – CPA 8.000,00 (+) Estoque Inicial Produtos Acabados 5.000,00 (=) Custo Produtos Acabados Disponíveis 13.000,00 (-) Estoque Final Produtos Acabados (3.000,00) (=) Custo Produção Vendida – CPV 10.000,00 Custo da Produção Acabada – é a soma dos custos contidos na produção acabada no período. Pode conter Custos de Produção também de períodos anteriores existentes em unidades que só foram completadas no período presente. CPA = CPP + E.I .P.E − E.F .P.E. Custo dos Produtos Vendidos – é a soma dos custos incorridos na produção dos bens e serviços que só agora estão sendo vendidos. Pode conter custos de produção de diversos períodos, caso os itens vendidos tenham sido produzidos em diversas épocas diferentes. CPV = CPA + E.I .P. A − E.F .P. A. EXERCÍCIOS: José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 26. Contabilidade e Análise de Custos 24 3.3. A empresa Máxima atua no mercado de produção de móveis na região de Itatiba. Em determinado mês, incorreu nos seguintes gastos: • Compra de Matéria-prima R$ 500.000,00 • Devolução de 20% (vinte por cento) das compras acima • Mão-de-obra Direta R$ 600.000,00 • Custos Indiretos de Produção R$ 400.000,00 Pede-se para calcular: a) o Custo de Produção do mês; b) o Custo da Produção Acabada no Mês e c) o Custo da Produção Vendida no mês, para cada uma das seguintes hipóteses: I) Não há saldo de estoques iniciais e finais; II) O estoque inicial de matéria-prima era de $120.000,00 no mês, não havendo outros estoques iniciais ou finais; III) O estoque inicial de matéria-prima era de $120.000,00 e o final, de $150.000,00, não havendo outros estoques iniciais ou finais; IV) O estoque inicial de matéria-prima era de $120.000,00, o estoque inicial de produtos em elaboração era de $180.000,00, o estoque final de produtos acabados era de $200.000,00 e não havia outros estoques iniciais ou finais; V) O estoque inicial de produtos acabados era de $300.000,00, o estoque inicial de produtos em elaboração era de $160.000,00, o final de produtos em andamento de $ 200.000,00 e não havia outros estoques iniciais ou finais; VI) O estoque inicial de produtos em elaboraçaõ era de $ 200.000,00, o estoque inicial de produtos acabados, de $ 80.000,00, o final de produtos em andamento, de $ 220.000,00, o final de matéria-prima, de $ 70.000,00 e não havia outros estoques iniciais ou finais; VII) O estoque inicial de matéria-prima era de $ 150.000,00, o final, de $ 220.000,00; o inicial de produtos em elaboração era de $ 170.000,00 e o final, de $ 230.000,00; o inicial de produtos acabados era de $ 130.000,00 e o final, de $ 190.000,00. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 27. Contabilidade e Análise de Custos 25 DEMONSTRAÇÃO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO * DESCRIÇÃO Altern. 1 Altern. 2 Altern. 3 Altern. 4 Altern. 5 Altern. 6 Altern. 7 Estoque Inicial Matéria-prima (+) Compra Matéria-prima (-) Devolução Compras 20% (=) Custo Matéria-prima Disponível (-) Estoque Final Matéria-prima (=) Custo Matéria-prima Consumida (+) Mão-de-obra Direta (+) Custos Indiretos Produção (=) Custo Produção Mês (Período) - CPP (+) Estoque Inicial Produtos Elaboração (=) Custo Total de Produção (-) Estoque Final Produtos Elaboração (=) Custo Produção Acabada – CPA (+) Estoque Inicial Produtos Acabados (=) Custo Produtos Acabados Disponíveis (-) Estoque Final Produtos Acabados (=) Custo Produção Vendida – CPV * Apurado através da contagem física dos estoques José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559-phpapp02.doc
  • 28. Contabilidade e Análise de Custos 26 3.4. A empresa Brilhante foi constituída em 2-1-x8 para produzir artigos plásticos em geral. O preço médio de venda do produto acabado é estimado pelo pessoal da área de marketing em $9,50 por unidade. Comissões sobre receita bruta totalizam 20% do preço. Durante o mês de janeiro ocorreram os seguintes custos e despesas, todos pagos dentro do próprio mês (em $): Aluguel da fábrica 3.000,00 No final do mês, 12.000 pacotes de confete Supervisão da fábrica 9.000,00 haviam sido integralmente produzidos e Matéria-prima 36.000,00 vendidos mês. ($ 3,00/unid) Pede-se elaborar a Demonstração de Mão-de-obra direta 24.000,00 Resultados relativa ao mês de janeiro. Despesas administrativas 8.000,00 TOTAL DESCRIÇÃO R$ Custo do Material Direto Consumido CUSTO DA PRODUÇÃO DO PERÍODO (CPP) CUSTO DA PRODUÇÃO ACABADA (CPA) DESCRIÇÃO R$ (=) RECEITA LÍQUIDA (-) Custos dos Produtos Vendidos (=) LUCRO BRUTO (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas com Vendas Despesas administrativas Outras despesas Operacionais (=) LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA - LAIR 3.5. Dos livros da empresa Cosmopolitec foram extraídos os seguintes dados, relativos ao período findo 31 de dezembro de 2XX1 (em $): DESCRIÇÃO 1°/jan/X1 31/dez/X1 Inventários R$ R$ Matérias-primas 340 710 Produtos em processo 8.200 400 Produtos acabados 4.560 4.180 José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 29. Contabilidade e Análise de Custos 27 DESCRIÇÃO 1°/jan/X1 31/dez/X1 Inventários R$ R$ Eventos Receita Líquida de Vendas 32.000 Compra de matérias-primas 9.000 Frete sobre compras de MP 45 Mão-de-obra Direta 6.200 Mão-de-obra Indireta 5.000 Depreciação Equipamentos de Produção 2.925 Diversos custos de Produção 2.004 Salários do Pessoal de Vendas e Marketing 2.800 Fretes sobre Vendas de produtos acabados 190 Diversas Despesas de Vendas e Marketing 1.150 Diversas Despesas de Administração Geral 870 Salários do Pessoal da Administração Geral 2.500 Havia 600 unidades no inventário de produtos acabados em 1º/jan e 500 em 31/dez. Considerando-se o preço unitário de venda de R$ 8,00 , PEDE-SE PARA CALCULAR: a) o Custo dos Produtos Vendidos (CPV) ; b) o custo unitário dos produtos acabados no período; e c) o Lucro (ou prejuízo) Antes do Imposto de Renda (LAIR). a) CUSTO DA PRODUÇÃO VENDIDA NO MÊS (em $): DEMONSTRAÇÃO DO CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS TOTAL DESCRIÇÃO R$ Estoque Inicial de matéria-prima (+) Compras de matéria-prima (+) Frete sobre a compra de matéria-prima (=) Custo do Material Direto Disponível (-) Estoque Final de matéria-prima Custo do Material Direto Consumido (+) Mão-de-Obra Direta (+) Custos Indiretos de Produção - Mão-de-obra indireta - Depreciação Equip. de Produção - Diversos custos de produção CUSTO DA PRODUÇÃO DO PERÍODO (CPP) (+) Estoque Inicial de Produtos em Elaboração (=) Custo Total de Produção (-) Estoque Final de Produtos em Elaboração CUSTO DA PRODUÇÃO ACABADA (CPA) (+) Estoque Inicial de Produtos Acabados (=) Custo dos Produtos Disponíveis José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 30. Contabilidade e Análise de Custos 28 (-) Estoque Final de Produtos Acabados CUSTOS DOS PRODUTOS VENDIDOS (CPV) b) CUSTO UNITÁRIO DOS PRODUTOS ACABADOS: c) LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA (em $): DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DESCRIÇÃO R$ RECEITA BRUTA = RECEITA LÍQUIDA (-) Custo dos Produtos Vendidos LUCRO BRUTO (-) Despesas Administrativas: Salários do Pessoal Diversas Despesas (-) Despesas de Vendas: Salários do Pessoal Diversas Despesas Frete para entrega dos produtos LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA (L.A.I.R.) 3.6. (EXERC 4.3) A empresa Modelo foi constituída em 2-1-x1 com capital inicial de $ 100.000,00 totalmente subscrito e integralizado em moeda corrente nacional. O objetivo da empresa é produzir artigos para festas em geral. O preço médio de venda do produto acabado é estimado pelo pessoal da área de marketing em $ 9,50 por unidade. Impostos e comissões sobre receita bruta totalizam 20% do preço. Durante o mês de janeiro ocorreram os seguintes custos e despesas, todos pagos dentro do próprio mês (em $): Aluguel da fábrica 3.000,00 Supervisão da fábrica 9.000,00 No final do mês, 12.000 pacotes de confete Matéria-prima ($ 3,00/unid) 36.000,00 haviam sido integralmente produzidos e estavam Mão-de-obra direta 24.000,00 armazenados para serem vendidos no mês Despesas administrativas 8.000,00 seguinte (não houve vendas em janeiro). Pede-se elaborar: a) a Demonstração de Resultados relativa ao mês de janeiro. b) O Balanço Patrimonial do dia 31 de janeiro. DEMONSTRAÇÃO DO CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS SUBTOTAL TOTAL DESCRIÇÃO R$ R$ Custo do Material Direto Consumido José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 31. Contabilidade e Análise de Custos 29 CUSTO DA PRODUÇÃO DO PERÍODO (CPP) CUSTO DA PRODUÇÃO ACABADA (CPA) DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE DESCRIÇÃO R$ (=) RECEITA LÍQUIDA (-) Custos dos Produtos Vendidos (=) LUCRO BRUTO (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas com Vendas Despesas administrativas Outras despesas Operacionais (=) LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA - LAIR BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Circulante Circulante Patrimônio Líquido TOTAL (Ativo) TOTAL (Passivo) José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 32. Contabilidade e Análise de Custos 30 4 SISTEMAS DE CUSTEIO Para apropriar os custos de produção aos produtos, se faz necessária a utilização de técnicas especificas de alocação desses custos. Existem várias técnicas de apropriação dos custos, que são chamadas de Sistemas de Custeio, e segundo Padoveze (1996, p.228), este “[...] é o processo de identificar o custo unitário de um produto, partindo dos custos diretos e indiretos.” As técnicas de custeio consideradas mais clássicas na teoria da contabilidade de custos são o custeio por absorção e o custeio direto/variável, cada qual com um comportamento diferente em relação à quantidade produzida, ou seja, nos custos fixos e variáveis. Ainda considerando um conceito mais clássico da contabilidade de custos, existe o Custeio padrão, e atualmente, novas necessidades dentro da contabilidade de custos ensejaram o surgimento do custeio ABC (Activity Based Costing), que segundo Padoveze (1996, p.227), “[...] vem tentando minimizar os impactos de alocações inadequadas, através do custeamento das atividades exigidas pelos produtos ou demais atividades operacionais.” Segundo Bernardi (2004, p.37) “a adoção de um deles está relacionada aos objetivos da empresa, ao que se pretende do sistema de custeio e aos propósitos das análises dos resultados.” A seguir veremos alguns dos métodos de custeio. 4.1 CUSTEIO TRADICIONAL - ABSORÇÃO A principal função do custeio por absorção é a avaliação de estoques, podendo ser utilizado como parâmetro para a formação de preços. Esse sistema direciona todos os custos de uma fábrica, diretos e indiretos, fixos e variáveis para uma produção dada, e finalmente aos produtos, e as despesas são direcionadas para o resultado do exercício. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 33. Contabilidade e Análise de Custos 31 Devido este princípio, o custeio por absorção é o aceito pela Contabilidade Financeira, para elaboração do Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado e o exigido obrigatoriamente pelo Fisco para avaliação dos estoques e elaboração das demonstrações contábeis. Martins (2003, p.37) define custeio por absorção como [...] o método derivado da aplicação dos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos, [...]. Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção; todos os gastos relativos ao esforço de produção são distribuídos para todos os produtos ou serviços feitos. Para a adoção deste tipo de custeio, segundo Bernardi (2004, p.38), devem ser considerados quatro aspectos para avaliar o custo de um produto: • relacionamento a determinado volume de produção; • métodos de rateio dos custos indiretos e fixos que podem gerar distorções nos custos unitários; • capacidade utilizada da fábrica; • níveis de eficiência e produtividade. CUSTEIO POR ABSORÇÃO Empresas de Manufatura Despesas Custos Estoque de produtos Demonstração de Resultados Receita Venda CPV Lucro Bruto Despesas Lucro Operacional Fonte: Martins, 2003, p.37 Figura 1: Esquema do custeio por absorção O custeio por absorção é uma técnica para apuração dos custos envolvidos com a produção de algum item. Assim, baseado nos conceitos adotados por ele, pode-se elaborar a Demonstração do Resultado do Exercício, com as classificações e separações dos custos adotados por este método, como demonstrado a seguir: José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 34. Contabilidade e Análise de Custos 32 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - DRE DESCRIÇÃO R$ RECEITAS BRUTAS 30.000,00 (-) Deduções - impostos s/ vendas 18,0% (5.400,00) (=) RECEITA LÍQUIDA 24.600,00 (-) Custos das Mercadorias Vendidas - CMV (10.000,00) (=) LUCRO BRUTO 14.600,00 (-) DESPESAS OPERACIONAIS Despesas com Vendas 5,0% (1.500,00) Despesas administrativas (8.000,00) Despesas financeiras (1.000,00) (=) RESULTADO OPERACIONAL 4.100,00 (+/-) Resultado não operacional (500,00) (=) LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA - LAIR 3.600,00 (-) Imposto de Renda e Contribuição Social 24,0% (864,00) (=) LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 2.736,00 Desta forma, os custos das mercadorias vendidas ou dos produtos vendidos, serão apurados utilizando-se o custeio por absorção. Ainda, com relação ao custeio por absorção, tem-se a adoção de outra técnica dentro da metodologia proposta, que é a departamentalização dos custos aos diversos departamentos ligados ao setor produtivo da empresa, para posteriormente serem rateados aos produtos elaborados. Segundo Martins (2003, p.65) departamento “[...] é a unidade mínima administrativa para a Contabilidade de Custos, representada por pessoas e máquinas (na maioria dos casos), em que se desenvolvem atividades homogêneas.” Os departamentos de custos são divididos em Departamentos de Produção, que são aqueles que promovem qualquer tipo de modificação sobre o produto, e Departamentos de Serviços, que são aqueles que não recebem o produto, mas são responsáveis pela prestação de serviços a outros departamentos, tanto de produção, quanto de serviços. Como exemplo, temos a Manutenção de máquinas, administração geral da produção, almoxarifado, etc. Portanto, os custos indiretos de produção são rateados aos departamentos através de estabelecimentos de critérios específicos a cada um, em seguida são distribuídos os custos dos departamentos de serviços aos departamentos de produção, para posteriormente serem rateados aos produtos fabricados. Importante ressaltar, que o custeio por absorção, embora obrigatório pela legislação vigente, é José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 35. Contabilidade e Análise de Custos 33 falho quando tenta fornecer informações com fins gerenciais para a tomada de decisões. 4.2 CUSTEIO DIRETO OU VARIÁVEL Nesse sistema, o custo de um produto é composto somente pelos custos de fabricação que são identificáveis, diretamente aplicados e variáveis com os volumes de produção. Todos os custos fixos e indiretos de fabricação e as despesas são direcionados para a demonstração de resultado da empresa. Martins (2003, p.198) explica que no custeio variável, “só são alocados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo diretamente para o Resultado; para os estoques só vão, como conseqüência, custos variáveis.” A finalidade básica deste sistema de custeio é, segundo Bernardi (2004, p.38) “[...] a tomada de decisões, pela análise das relações custo/volume/lucro, podendo ser, eventualmente, utilizado como parâmetro para a formação de preços. Para a tomada de decisões, quando agregadas as despesas variáveis inerentes às vendas, propicia uma visibilidade de assuntos vitais na gestão [...].” Da mesma forma que o Custeio por Absorção, pode ser elaborado uma Demonstração do Resultado do Exercício, com base na estrutura de custos proposto pelo Custeio Direto/Absorção, demonstrada a seguir: DRE - CUSTEIO VARIÁVEL DESCRIÇÃO R$ Receitas de Vendas 30.000,00 (-) Custos Variáveis (16.900,00) Custos mercadorias (10.000,00) Impostos s/ vendas (5.400,00) Comissões s/ vendas 5,0% (1.500,00) (=) Margem Contribuição 13.100,00 (-) Custos e Despesas Fixas (10.364,00) Desp. Administrativas - agua, fone, etc (8.000,00) Desp. Financeiras - juros (1.000,00) Desp. Não-operacioanal (500,00) Imposto de Renda e Contr. Social (864,00) (=) Lucro bruto 2.736,00 José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 36. Contabilidade e Análise de Custos 34 Como já foi descrito, no sistema de custeio variável, apenas os custos variáveis são atribuídos aos produtos elaborados, e segundo Bruni (2004, p.216), “[...] juntamente com as despesas variáveis, serão subtraídos da receita, gerando um valor que é denominado margem de contribuição. Os custos e despesas fixas serão abatidos da margem de contribuição do período.” Com a margem de contribuição mensurada é possível calcular o ponto de equilíbrio da empresa, tanto em quantidade, como em valores. A partir do ponto de equilíbrio, pelo aumento de atividade aparece o lucro, abaixo desse ponto, pela diminuição da atividade, obtêm-se prejuízo. A utilização do cálculo do ponto de equilíbrio e da margem de contribuição é uma importante ferramenta de análise e controle gerencial quanto à tomada de decisões em relação às vendas e resultados da empresa. Se for realizado a comparação entre o Custeio por Absorção e o Direto/ Variável, ver-se-á que existe grandes diferenças no resultado em cada um dos dois. No custeamento por absorção o lucro líquido é afetado pelas mudanças na produção. A diferença de valores de resultado entre um custeio e outro está sempre localizado no custo fixo incorporado aos estoques. Segundo Padoveze (1996, p.233), a razão para esta distorção entre os dois custeios, [...] é que os custos fixos indiretos do período são carrregados (sic) para as unidades não vendidas inventariadas, aumentando o lucro no ano que as vendas são maiores que a produção e diminuindo o lucro quando a produção é maior do que o volume vendido. No custeio variável, do ponto de vista decisorial, verifica-se, segundo Martins (2003, p.202), que este: [...] tem condições de propiciar muito mais rapidamente informações vitais à empresa; também o resultado medido dentro do seu critério parece ser mais informativo à administração, por abandonar os custos fixos e trata-los contabilmente como se fossem despesas, já que são quase sempre repetitivos e independentes dos diversos produtos e unidades. Mas, se o custeio variável fornece informações com mais confiabilidade do que o custeio por absorção, por que este não é utilizado em larga escala? Ele não é utilizado, pois os Princípios Contábeis aceitos atualmente ainda não reconhecem a sua metodologia como correta, para avaliar estoques e o resultado das empresas, tampouco os contadores, auditores independentes e o fisco. A sua metodologia José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc
  • 37. Contabilidade e Análise de Custos 35 utilizada está restrita ao aspecto gerencial da informação, e para tanto tem seu valor assegurado para as análises gerenciais. EXERCÍCIOS: 4.1. A Fábrica de Sorvetes Sabor Gelado Ltda, apresenta custos e despesas fixas anuais iguais a $ 40.000,00. Seus custos variáveis são iguais a $ 13,50 por caixa. Comumente, o preço de venda médio é igual a $ 22,00. Supondo produções de 10.000 e 20.000 caixas, calcule: e) as receitas totais; f) o custo variável total e unitário; g) a margem de contribuição em valor e percentual; h) o custo fixo total e unitário; i) o custo total e unitário; j) o lucro bruto total e unitário; k) indique se há alguma diferença no lucro bruto unitário das duas quantidades e explique o porquê desta diferença. RESOLUÇÃO - DRE CUSTEIO VARIÁVEL – GERENCIAL QTDE: 10.000 unid. QTDE: 20.000 unid. DESCRIÇÃO Total Unitário Total Unitário Receita (-) Custos Variáveis (=) Margem Contribuição (-) Custos e Despesas Fixas (=) Lucro bruto FONTES BIBLIOGRÁFICAS: IUDICIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial. 6.ed. São Paulo: Atlas, 1998. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 6.ed. São Paulo: Atlas, 1998. OLIVEIRA, Luís Martins de. Contabilidade de custos para não contadores. São Paulo: Atlas, 2000. PADOVEZE, Clóvis Luis. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2004. José Antônio Rezende. Direitos Reservados. 2009. contabcustos5oper1b2010-100801184559- phpapp02.doc