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Apostila custos

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  • 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA Centro de Ciências Exatas Departamento de Estatística Curso de Especialização em Engenharia da Produção Disciplina: Gestão de Custos Industriais Profa. Dra. Marcia Gonçalves Pizaia 2008
  • 2. CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS (CCE) DEPARTAMENTO DE ESTATÍSTICA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DA PRODUÇÃO Programa de Disciplina de Pós Graduação Lato Sensu Disciplina/Módulo: Gestão de Custos Industriais Professor(a): Marcia Gonçalves Pizaia Ementa Abordagem geral dos custos e sua importância nas organizações. Classificação e técnicas de levantamento dos custos. Métodos de custeamento e as principais vantagens e problemas. A utilização da análise econômica de custos para tomada de decisão; A otimização dos resultados com base nos custos; O uso das informações de custos para formação de preços e para análise de investimentos. Objetivos: Oferecer aos alunos um instrumental de análise econômica, tendo por base os custos, as distintas margens de contribuição, quantidades produzidas e respectivo lucro, assim como, o emprego dos custos na formação de preços, possibilitando a tomada de decisões com maior segurança e viabilidade econômica. Programa da Disciplina 1. Introdução • Definições e conceitos • Contabilidade versus gestão de custos • A contabilidade de custos e suas funções • Diferença contábil entre custos e despesas • Custos, despesas, preços e lucros • Classificações de custos • Classificações de sistemas de custeio • Elementos de custos 2. Material Direto e Mão-de-Obra Direta • Avaliação de materiais diretos • Critérios para a avaliação de estoques • Classificação ABC de estoques • Programação de compras e estoques • Política do Lote Econômico de Compra • Custos da mão-de-obra direta no Brasil • Mão-de-obra indireta e ociosidade 3. Custeio-Padrão • Padrões versus realizados • Análises de variações 4. Custos para Decisão • Custos não afetados pela decisão • Análise de custos, volumes e lucros • Alavancagem e ponto de equilíbrio • Margem de segurança • Ponto de equilíbrio e a lei dos rendimentos decrescentes • Decisões sobre custos e a Teoria das Restrições • Propostas de Goldratt • Críticas da Teoria das Restrições à Contabilidade de Custos 5. Formação de Preços • Métodos genéricos de formação de preços • Emprego dos custos na formação de preços • Preços com base no custo pleno 1
  • 3. • Preços com base no custo de transformação • Preços com base no custo marginal • Preços com base na taxa de retorno exigida sobre o capital investido • Preços com base no custo-padrão 6. Efeito dos Tributos sobre Custos e Preços • Tributos, custos e preços • Imposto sobre Produtos industrializados (IPI) • Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS) • Substituição tributária • Impostos sobre Serviços (ISS) • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) • Programa de Integração Social (PIS) • Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) • Contribuição Social sobre o Lucro (CSSL) e Imposto Simples Metodologia de Ensino Os procedimentos didáticos consistem em aulas expositivas com questionamento e diálogo; debates; trabalhos em grupo e individual (em sala e extra-sala) e resoluções de exercícios em planilhas eletrônicas. Utilizar-se-á, a medida do possível, ilustrações, transparências e demonstrações durante o desenvolvimento da disciplina. Critérios de Avaliação O aluno será avaliado em cada encontro semanal, sendo: • 60% da nota atribuídos à resolução de listas de exercícios • 30% da nota atribuídos à trabalhos em grupo e individual • 10% da nota atribuídos à participação efetiva em aula Bibliografia Básica BRUNI, Adriano Leal; FAMÁ, Rubens. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na. calculadora HP12C e Excel. São Paulo: Atlas, 2004. WERNKE, Rodney. Análise de custos e preços de venda: ênfase em aplicações e casos nacionais. São Paulo: Saraiva, 2006. Bibliografia Complementar ALLORA, Valério. Revolução nos Custos. Salvador, BA: Casa da Qualidade, 1996. ASSEF, R. Guia Prático de formação de preços. 7. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. BODIE, Zvi. & MERTON, Robert C. Finanças. Porto Alegre. Bookman, 1999. BEULKE, Rolando; BERTÓ, Dalvio José. Gestão de Custos. São Paulo: Saraiva, 2005. BRUNSTEIN, Israel. Economia de empresas: gestão econômicas de negócios. São Paulo: Atlas, 2005. FERREIRA, José A. & SOUZA, William J. Custos na Prática. São Paulo. STS, 2000. FLORENTINO, Américo Matheus. Custos: Princípios, cálculo e contabilização. 2 ª ed. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1988. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Análise de Custos. São Paulo: Atlas, 1988. KAPLAN, Robert S. & COOPER, Robin Custo e desempenho. São Paulo: Futura, 1999. LEONE, George Guerra. Custos: Um enfoque administrativo Vol I. e Vol II. Rio de Janeiro: FGV/Vitrine, 2000. SILVA, José Pereira da. Análise financeira das empresas. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1995. SANTOS, Joel José dos. Formação do Preço e do Lucro. 4 ª ed. São Paulo: Atlas, 1995. SANTOS, Joel José dos. Análise de Custos. São Paulo: Atlas, 2000. SOUZA, Alceu. Decisões Financeiras e Análise de Investimentos. São Paulo: Atlas, 1995 VARIAM, Hal R. Microeconomia: Princípios Básicos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 1994. VICECONTI, Paulo E. V. & NEVES, Silvério das. Introdução à Economia. 3ª ed. São Paulo: Frase Editora, 1999. ___________________________________ Marcia Gonçalves Pizaia 2
  • 4. SUMÁRIO CAPÍTULO 1.........................................................................................................................................................................................................1 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE CUSTOS INDUSTRIAIS................................................................................................................................1 1.1 Objetivos do Capítulo........................................................................................................................................................................................................... 1 1.2 Contabilidade Versus Gestão de Custos............................................................................................................................................................................... 1 1.3 A Contabilidade de Custos e Suas Funções.......................................................................................................................................................................... 2 1.4 Definiçoes e Conceitos......................................................................................................................................................................................................... 3 1.5 Diferença Contábil Entre Custos e Despesas........................................................................................................................................................................ 4 1.6 Custos, Despesas, Preços e Lucros....................................................................................................................................................................................... 5 1.7 Classificações de Custos....................................................................................................................................................................................................... 6 1.8 Classificações de Sistemas de Custeio.................................................................................................................................................................................. 9 1.9 Elementos de Custos............................................................................................................................................................................................................ 9 Exercícios Propostos................................................................................................................................................................................................................ 11 CAPÍTULO 2.......................................................................................................................................................................................................16 MATERIAL DIRETO (MD)................................................................................................................................................................................16 2.1 Objetivos do Capítulo......................................................................................................................................................................................................... 16 2.2 Avaliação de Materiais Diretos: Principais Critérios.......................................................................................................................................................... 16 2.3 Critérios Para a Avaliação de Estoques.............................................................................................................................................................................. 18 2.4 Classificação ABC de Estoques de Materiais Diretos......................................................................................................................................................... 21 2.5 Programação de Compras e Estoques de Materiais Diretos................................................................................................................................................ 22 2.6 Política do Lote Econômico de Compra............................................................................................................................................................................. 22 Exercícios Propostos: .............................................................................................................................................................................................................. 28 CAPÍTULO 3.......................................................................................................................................................................................................39 MÃO-DE-OBRA DIRETA (MOD).....................................................................................................................................................................39 3.1 Objetivos do Capítulo......................................................................................................................................................................................................... 39 3.2 Custos Da Mão-De-Obra Direta No Brasil......................................................................................................................................................................... 39 3.3 Mão-De-Obra Indireta e Ociosidade................................................................................................................................................................................... 41 Exercícios Propostos................................................................................................................................................................................................................ 41 CAPÍTULO 4.......................................................................................................................................................................................................47 CUSTEIO-PADRÃO............................................................................................................................................................................................47 4.1 Objetivos do Capítulo......................................................................................................................................................................................................... 47 4.1 Padrões Versus Realizados................................................................................................................................................................................................. 47 4.3 Análises de Variações......................................................................................................................................................................................................... 49 Exercícios Propostos................................................................................................................................................................................................................ 51 CAPÍTULO 5.......................................................................................................................................................................................................53 CUSTOS PARA DECISÃO.................................................................................................................................................................................53 5.1 Objetivos do Capítulo......................................................................................................................................................................................................... 53 5.2 Custos Não Afetados Pela Decisão..................................................................................................................................................................................... 53 5.3 Análise de Custos, Volumes e Lucros................................................................................................................................................................................. 55 5.4 Alavancagem e Ponto de Equilíbrio.................................................................................................................................................................................... 59 5.4.1 Alavancagem Empresarial........................................................................................................................................................................................ 59 5.4.2 Ponto de Equilíbrio Contábil .................................................................................................................................................................................... 62 5.4.3 Ponto de Equilíbrio Econômico................................................................................................................................................................................ 64 5.4.4 Ponto de Equilíbrio Financeiro................................................................................................................................................................................. 65 5.4.5 Ponto de Equilíbrio com Múltiplos Produtos............................................................................................................................................................ 66 5.5 Margem de Segurança........................................................................................................................................................................................................ 67 5.6 Ponto de Equilíbrio e a Lei dos Rendimentos Decrescentes................................................................................................................................................ 69 5.7 Decisões Sobre Custos e a Teoria das Restrições................................................................................................................................................................ 70 5.7.1 Propostas de Goldratt................................................................................................................................................................................................ 72 5.7.2 Críticas da Teoria das Restrições à Contabilidade de Custos..................................................................................................................................... 74 5.7.3 Contribuições da Teoria das Restrições à gestão empresarial.................................................................................................................................... 75 Exercícios Propostos................................................................................................................................................................................................................ 76 CAPÍTULO 6.......................................................................................................................................................................................................84 FORMAÇÃO DE PREÇOS.................................................................................................................................................................................84 6.1 Objetivos do Capítulo......................................................................................................................................................................................................... 84 6.2 Métodos Genéricos de Formação de Preços........................................................................................................................................................................ 84 6.3 Emprego dos Custos na Formação de Preços...................................................................................................................................................................... 85 6.4 Preços com Base no Custo Pleno........................................................................................................................................................................................ 86 6.5 Preços com Base no Custo de Transformação ................................................................................................................................................................... 89 6.6 Preços com Base no Custo Marginal.................................................................................................................................................................................. 91 6.7 Preços com Base na Taxa de Retorno Exigida Sobre o Capital Investido........................................................................................................................... 92 6.8 Preços com Base no Custo-Padrão..................................................................................................................................................................................... 96 6.9 Aplicação de Mark-Ups...................................................................................................................................................................................................... 96 Exercícios Propostos.............................................................................................................................................................................................................. 100 CAPÍTULO 7.....................................................................................................................................................................................................103 EFEITO DOS TRIBUTOS SOBRE CUSTOS E PREÇOS...............................................................................................................................103 7.1 Objetivos do Capítulo....................................................................................................................................................................................................... 103 7.2 Tributos, Custos e Preços................................................................................................................................................................................................. 103 7.3 Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI)................................................................................................................................................................. 104 7.4 Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS)..............105 7.5 Substituição Tributaria..................................................................................................................................................................................................... 107 7.6 Impostos Sobre Serviços (ISS)......................................................................................................................................................................................... 108 7.7 Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS)............................................................................................................................... 108 7.8 Programa de Integraçao Social (PIS)................................................................................................................................................................................ 108 7.9 Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ)......................................................................................................................................................................... 109 7.10 Contribuição Social Sobre o Lucro (CSSL).................................................................................................................................................................... 110 7.11 Simples........................................................................................................................................................................................................................... 111 Exercícios Propostos.............................................................................................................................................................................................................. 112 Bibliografia............................................................................................................................................................................................................................ 112
  • 5. CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE CUSTOS INDUSTRIAIS 1 "Pois, quem de vós, querendo construir uma torre, não começa por sentar-se para calcular a despesa e ver se possui com que acabar?" Lucas, 14,28 1.1 Objetivos do Capítulo A expressão custos pode assumir diferentes conotações a depender do contexto em que é empregada. Se, por exemplo, um consumidor afirmar que a compra de uma nova camisa lhe custou $ 20,00, poucas dúvidas surgirão. A compreensão de sua afirmação é imediata. No caso, porém, de a pergunta ser sobre quais foram os custos da camisa para a empresa fabricante, diferentes interpretações e diferentes respostas poderiam ser obtidas. O fabricante da camisa poderia pensar em diferentes conceitos acerca dos custos da roupa comercializada, como os custos contábeis, os custos de oportunidade, os custos financeiros, os custos plenos ou integrais, e muitos outros. Diversos podem ser os conceitos associados ao processo de formação e análise dos custos. De modo geral, custos podem ser definidos como medidas monetárias dos sacrifícios com os quais uma organização tem que arcar a fim de atingir seus objetivos. Contabilmente ou sob a óptica da gestão, essa afirmação pode ser interpretada de diferentes modos. Preços, por sua vez, correspondem à importância recebida pelas entidades em decorrência da oferta de seus produtos ou serviços. Devem ser suficientes o bastante para cobrir todos os custos incorridos e ainda fornecer um lucro para a entidade. Sob a óptica da entidade, quanto maior o preço, maiores os lucros e melhores os resultados. Os limites superiores dos preços, porém, são definidos pelo mercado consumidor e pelo valor percebido e atribuído ao produto ou serviço comercializado. A compreensão do valor e de como trabalhar as ferramentas do marketing e da estratégia a seu favor correspondem a outro ponto de vital importância para as empresas. Se estas somente permanecem no mercado e sobrevivem se seus preços forem superiores a seus custos, o mercado somente adquire seus produtos ou serviços quando percebe que estes oferecem um valor percebido superior a seu preço. A análise de custos, preços e valores consiste em algumas das mais nobres e importantes tarefas da administração financeira. Esta disciplina preocupa-se em ilustrar os três aspectos: inicia discutindo as questões relativas aos custos, depois explica o processo de formação de preços e, por último, preocupa-se em discutir a questão da atribuição de valores. O Capítulo 1 tem o objetivo de apresentar uma introdução aos principais aspectos relacionados aos processos de gestão de custos e de formação e análise de preços. São apresentadas as principais classificações e as terminologias mais usuais. Para facilitar a absorção e a fixação dos conteúdos expostos, estão apresentados e solucionados diversos exercícios e alguns pequenos estudos de casos. 1.2 Contabilidade Versus Gestão de Custos O foco desta disciplina consiste na análise do processo de gestão de custos e preços. Ou seja, como as informações contábeis, financeiras e de vendas podem ser empregadas como ferramentas ou subsídios de apoio ao processo de tomada de decisões. A contabilidade consiste no processo sistemático e ordenado de registrar as alterações ocorridas no patrimônio de uma entidade. Todavia, a depender do usuário e do tipo de informação requerida, a contabilidade pode assumir diferentes formas, apresentadas como: • contabilidade financeira: condicionada às imposições legais e requisitos fiscais; 1 Esta seção está baseada em Bruni e Famá (2004). 1
  • 6. • contabilidade gerencial: voltada à administração de empresas, não se condiciona às imposições legais, tem o objetivo de gerar informações úteis para a tomada de decisões; • contabilidade de custos: voltada à análise dos gastos realizados pela entidade no decorrer de suas operações. A contabilidade financeira preocupa-se com as leis e normas e é obrigatória para as entidades legalmente estabelecidas. Seu objetivo maior está associado ao passado, e seus atos e práticas são estabelecidos por meio de regras normativas que, muitas vezes, comprometem a tomada de decisões. Algumas dessas "regras" recebem a denominação de princípios fundamentais da contabilidade. Entre os princípios fundamentais da contabilidade aplicados em custos, podem ser mencionados: • competência (da realização): a receita é reconhecida apenas quando realizada - momento em que há a troca de mercadorias, bens ou serviços, por elementos do ativo. Logo, o lucro ou prejuízo somente se realiza no ato da venda; • uniformidade (consistência): o processo para registro contábil não deve ser mudado com freqüência, para que os resultados contábeis não fiquem prejudicados. Caso exista a necessidade de mudança dos critérios, deve ser feita a divulgação de seu efeito nas demonstrações contábeis; • prudência (conservadorismo): entre duas alternativas para o registro de um ativo, deve-se escolher entre o custo e o valor de mercado, dos dois, o menor. O mesmo raciocínio deve nortear o contador no registro dos gastos que provocam dúvida de classificação entre custo de produção ou despesa do período, devendo prevalecer a escolha que representa redução imediata do resultado, portanto, despesa do período. Note que o uso do princípio da prudência não deve ser indiscriminado e sim obedecer ao bom-senso, já que pode ocasionar a perda do controle dos impactos no resultado do exercício. Se, por um lado, os princípios facilitam e padronizam a prática contábil, por outro dificultam a gestão com base nos números extraídos da contabilidade. As atividades relacionadas ao processo de gestão empresarial dizem respeito à tomada de decisões com impactos futuros, enquanto a contabilidade financeira preocupa-se com o registro relativo ao patrimônio do que já passou. Assim, em muitas situações, torna-se necessário adaptar as informações da contabilidade financeira para possibilitar um processo mais coerente de tomada de decisões - originando a contabilidade gerencial. Esta disciplina preocupa-se com a gestão de custos e o processo de formação de preços, sob uma óptica relacionada aos processos de tomada decisão. Dessa forma, são explorados os dois aspectos das duas contabilidades: a questão do registro e os mecanismos principais da contabilidade financeira e a óptica da tomada de decisões da contabilidade gerencial. A contabilidade gerencial pode ser caracterizada como um enfoque especial conferido a várias técnicas e procedimentos contábeis empregados na contabilidade financeira e de custos, com objetivos diferentes, maior detalhamento, ou com forma de apresentação e classificação diferenciada a fim de auxiliar os gestores da entidade em seu processo decisório. Genericamente, enquanto a contabilidade financeira preocupa-se com os registros do patrimônio, segundo as normas, convenções e princípios contábeis, a contabilidade gerencial preocupa-se com o processo decisorial e de tomada de decisões. 1.3 A Contabilidade de Custos e Suas Funções A contabilidade de custos pode ser definida como o processo ordenado de usar os princípios da contabilidade geral para registrar os custos de operação de um negócio. Dessa forma, com informações coletadas das operações e das vendas, a administração pode empregar os dados contábeis e financeiros para estabelecer os custos de produção e distribuição, unitários ou totais, para um ou para todos os produtos fabricados ou serviços prestados, além dos custos das outras diversas funções do negócio, objetivando alcançar uma operação racional, eficiente e lucrativa. O nascimento da contabilidade de custos decorreu da necessidade de maiores e mais precisas informações, que permitissem uma tomada de decisão correta após o advento da Revolução Industrial. 2
  • 7. Anteriormente à Revolução Industrial, a contabilidade de custos praticamente não existia, já que as operações resumiam-se basicamente em comercialização de mercadorias. Nessa época, os estoques eram registrados e avaliados por seu custo real de aquisição. Com a Revolução Industrial, as empresas passaram a adquirir matéria-prima para transformar em novos produtos. O novo bem criado era resultante da agregação de diferentes materiais e esforços de produção, constituindo o que se convencionou chamar de custo de produção ou fabricação. As funções básicas da contabilidade de custos devem buscar atender a três razões primárias: a) determinação do lucro: empregando dados originários dos registros convencionais contábeis, ou processando-os de maneira diferente, tornando-os mais úteis à administração; b) controle das operações: e demais recursos produtivos, como os estoques, com a manutenção de padrões e orçamentos, comparações entre previsto e realizado; c) tomada de decisões: o que envolve produção (o que, quanto, como e quando fabricar), formações de preços, escolha entre fabricação própria ou terceirizada. 1.4 Definiçoes e Conceitos Para poder discutir o processo de formação dos custos e preços, alguns termos técnicos são empregados. Muitos desses termos mais comuns são empregados na contabilidade geral e desta última são trazidos para a contabilidade de custos. Alguns dos principais termos são: • gastos ou dispêndios: consistem no sacrifício financeiro que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer. Segundo a contabilidade, serão em última instância classificados como custos ou despesas, a depender de sua importância na elaboração do produto ou serviço. Alguns gastos podem ser temporariamente classificados como investimentos e, à medida que forem consumidos, receberão a classificação de custos ou despesas; • investimentos: representam gastos ativados em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuros períodos. Ficam temporariamente "congelados" no ativo da entidade e, posteriormente e de forma gradual, são "descongelados" e incorporados aos custos e despesas; • custos: representam os gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços. Portanto, estão associados aos produtos ou serviços produzidos pela entidade. Como exemplos de custos podem ser citados os gastos com matérias- primas, embalagens, mão-de-obra fabril, aluguéis e seguros de instalações fabris, etc.; • despesas: correspondem a bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas. Não estão associadas à produção de um produto ou serviço. Como exemplos de despesas podem ser citados gastos com salários de vendedores, gastos com funcionários administrativos, etc.; • desembolsos: consistem no pagamento do bem ou serviço, independentemente de quando o produto ou serviço foi ou será consumido. É importante ressaltar que a contabilidade registra os fatos de acordo com o princípio da competência. Por competência entende-se que o registro de receitas e despesas deve ser feito de acordo com a real ocorrência, independentemente de sua quitação. Por exemplo, se foram empregadas 40 horas de mão-de-obra no mês de março que somente foram quitadas em abril, o lançamento contábil do gasto deve ser feito em março. Já o registro financeiro do desembolso será registrado no mês de abril. Logo, não se deve confundir despesa com desembolso; • perdas: representam bens ou serviços consumidos de forma anormal. Consiste em: (i) um gasto não intencional decorrente de fatores externos extraordinários ou (ii) atividade produtiva normal da empresa. Na primeira situação, devem ser considerados como despesas e lançados diretamente contra o resultado do período. Na segunda situação, devem ser classificados como custo de produção do período. 3
  • 8. Outro conjunto de definições que, a princípio, podem confundir o estudante de finanças refere-se à definição de desembolsos e recebimentos. Segundo o princípio contábil da competência, receitas, despesas e custos são registrados no momento em que são realizados ou incorridos. Por exemplo, se uma fábrica contrata um novo funcionário, os gastos relativos a sua remuneração são provisionados e apropriados aos custos industriais a partir do momento de sua contratação, independentemente da quitação desses gastos. Da mesma forma, se uma empresa comercial efetua uma venda com prazo longo, o registro e a contabilização da receita ocorrem no momento da venda - independentemente de quando ocorrerá o efetivo recebimento. Todavia, recebimentos e desembolsos devem ser contabilizados segundo o regime de caixa - ou seja, quando, de fato, ingressarem ou saírem da conta Caixa do Balanço Patrimonial: • recebimentos: correspondem aos ingressos de recursos no Caixa da empresa; • desembolsos: representam a saída de recursos financeiros do Caixa da entidade. 1.5 Diferença Contábil Entre Custos e Despesas Possivelmente, a primeira polêmica na terminologia da contabilidade de custos refere-se à distinção entre custos e despesas. De modo geral, os custos "vão para as prateleiras", sendo armazenados nos estoques - são consumidos pelos produtos ou serviços durante seu processo de elaboração. Já as despesas estão associadas ao período - não repercutem, diretamente, na elaboração dos produtos ou serviços prestados. Custos podem ser diferenciados de despesas conforme a Figura 1.1. Os Gastos incorridos para a elaboração do produto são contabilmente classificados como custos. Gastos incorridos após a disponibilização do produto devem ser classificados como despesa. Custos estão diretamente relacionados ao processo de produção de bens ou serviços. Diz-se que os custos vão para as prateleiras: enquanto os produtos ficam estocados, os custos são ativados, destacados na conta Estoques do Balanço Patrimonial, e não na Demonstração de Resultado. Somente farão parte do cálculo do lucro ou prejuízo quando de sua venda, sendo incorporados, então, à Demonstração do Resultado e confrontados com as receitas de vendas. Balanço Patrimonial Demonstrativo de Resultado do Exercício Produtos ou Custos Serviços Despesas Elaborados Consumo associado à elaboração do Consumo produto ou serviço associado ao período Investimentos Gastos Figura 1.1 Diferenciação entre custo e despesa Despesas estão associadas a gastos administrativos e/ou com vendas e incidência de juros (despesas financeiras). Possuem natureza não fabril, integrando a Demonstração do Resultado do período em que incorrem. Diz-se que as despesas estão associadas ao momento de seu consumo ou ocorrência. São, portanto, temporais. Conforme mostrou a Figura 1.1, gastos incorridos até o momento em que o produto esteja pronto para a venda são custos; a partir daí, devem ser considerados como despesas. Em situações específicas, pode ocorrer alguma pequena confusão ou dúvida na separação clara entre custos e despesas. Nessas ocasiões, algumas regras podem ser seguidas: a) valores irrelevantes devem ser considerados como despesas (princípios do conservadorismo e materialidade); 4
  • 9. b) valores relevantes que têm sua maior parte considerada como despesa, com a característica de se repetirem a cada período, devem ser considerados em sua íntegra (princípio do conservadorismo); c) valores com rateio extremamente arbitrário também devem ser considerados como despesa do período; d) gastos com pesquisa e desenvolvimento de novos produtos podem ter dois tratamentos: como despesas do período em que incorrem ou como investimento para amortização na forma de custo dos produtos a serem elaborados futuramente. 1.6 Custos, Despesas, Preços e Lucros Genericamente a influência dos custos nos resultados de uma empresa pode ser vista na Figura 1.2. Custos, classificados como diretos ou indiretos a depender de sua relação com a unidade de produto ou serviço elaborado, são incorporados aos estoques até o momento da venda, quando passam a ser representados na Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) com a denominação de: 1. Custo dos Produtos Vendidos (CPV) geralmente em operações fabris ou industriais; 2. Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) geralmente em operações mercantis; 3. Custo dos Serviços Prestados ou Vendidos (CSP) ou (CSV) em operações de serviços. Já as despesas são confrontadas, segundo a contabilidade, diretamente com o resultado do período. Não devem ser ativadas nos estoques. Gerencialmente, porém, podem ser atribuídas aos produtos como forma de analisar o gasto e a lucratividade individual de um portfólio de produtos ou serviços. Nessas situações, quando custos e despesas são alocados aos produtos ou serviços, diz-se tratar de um sistema de custos plenos ou integrais. Fluxo dos Custos Balanço Patrimonial Custos Demonstrativo de Diretos Resultado do Exercício Indiretos (+) Receitas Estoques (-) Custos do DRE Materiais Diretos CMV Produtos em Elaboração CPV Produtos Acabados CSP (-) Despesas (=) Resultado Figura 1.2 Efeitos de custos e despesas no resultado Da Figura 1.2 pode ser destacado que a equação do resultado (ou lucro) pode ser apresentada como o resultado das receitas, subtraídas de custos e despesas, ou: Onde: L=R–C–D L = lucro; R = receita; C = custo; e D = despesa O lucro é genericamente expresso por meio das margens de lucro - que podem ser apresentadas em unidades monetárias, conforme estabelecido na equação anterior para valores unitários, ou em percentual sobre o preço de venda. Lun = Run – Cun – Dun Onde: 5
  • 10. L un = lucro unitário ou margem de lucro em unidades monetárias; R un = receita unitária ou preço de venda unitário; C un = custo unitário; e D un = despesa unitária. A margem percentual, muitas vezes calculada com base no mark-down, corresponde à margem de lucro em unidades monetárias dividida pelo preço de venda. Mark-down e mark-up são conceitos distintos empregados na análise conjunta de custos e preços. Mark-down, do inglês marca abaixo, corresponde à participação percentual dos custos e despesas em relação ao preço de venda. O mark-up, do inglês marca acima, corresponde ao multiplicador aplicado sobre custos e preços para obter o preço. A equação seguinte ilustra a obtenção da margem de lucro percentual: L un L un% = R un L um% = lucro unitário percentual ou margem de lucro percentual L um = lucro unitário ou margem de lucro em unidades monetárias R um = receita unitária ou preço de venda unitário Veja o exercício apresentado a seguir. Exercício: 1.6.1) A Fábrica de Detergentes Brilha Bem vende seus produtos por um preço unitário igual a $ 3,00. Os custos unitários da empresa são iguais a $ 1,80, as despesas unitárias são iguais a $ 0,60. Pede-se para calcular a margem de lucro da empresa em unidades monetárias e em percentual. A obtenção de preços e cálculos com margens de lucro serão abordados com maior profundidade no decorrer deste curso, especialmente ao ser discutida a formação dos preços. 1.7 Classificações de Custos A depender do interesse e da metodologia empregada, diferentes classificações são empregadas na contabilidade de custos. Os sistemas, formas e metodologias aplicados no controle e gestão de custos podem ser classificados em função da forma de associação dos custos aos produtos elaborados (unidade do produto), de acordo com a variação dos custos em relação ao volume de produtos fabricados (comportamento em relação ao volume), em relação aos controles exercidos sobre os custos (controlabilidade), em relação a alguma situação específica (decisões especiais) e em função da análise do comportamento passado (base monetária). Em relação à forma de associação dos custos com os produtos fabricados, os primeiros podem ser classificados de diferentes formas quanto à aplicabilidade em: • diretos ou primários: são aqueles diretamente incluídos no cálculo dos produtos. Consistem nos materiais diretos usados na fabricação do produto e mão-de-obra direta. Apresentam a propriedade de serem perfeitamente mensuráveis de maneira objetiva. Exemplos: aço para fabricar chapas, salários dos operários, etc.; • indiretos: necessitam de aproximações, isto é, algum critério de rateio, para serem atribuídos aos produtos. Exemplos: seguros e aluguéis da fábrica, supervisão de diversas linhas de produção; 6
  • 11. • de transformação: igualmente denominados custos de conversão ou custos de agregação. Consistem no esforço agregado pela empresa na obtenção do produto. Exemplos: mão-de-obra direta e custos indiretos de fabricação. É importante destacar que algumas classificações de custos podem variar de empresa para empresa. Por exemplo, gastos com energia são quase sempre classificados como variáveis - aumentos dos volumes de produção estão associados a aumentos nos níveis consumidos de energia elétrica. Os custos com energia, porém, podem ser classificados como custos diretos de produção de produtos intensivos em energia, como lâminas de alumínio, produtos metálicos em geral e vidros, como custos indiretos nos demais produtos - que geralmente consideram como custos diretos apenas os gastos com matérias-primas, embalagens e materiais diretos. O comportamento dos custos em relação ao volume permite analisar as variações nos custos totais e unitários em relação a diferentes volumes de produção. Os custos podem ser genericamente classificados quanto à variabilidade em: • fixos: são custos que, em determinado período de tempo e em certa capacidade instalada, não variam, qualquer que seja o volume de atividade da empresa. Existem mesmo que não haja produção. São agrupados em: custo fixo de capacidade - custo relativo às instalações da empresa, refletindo a capacidade instalada da empresa, como depreciação, amortização, etc.; custo fixo operacional - relativo à operação das instalações da empresa, como seguro, imposto predial, etc. Exemplos clássicos de custos fixos podem ser apresentados por meio dos gastos com aluguéis e depreciação - independentemente dos volumes produzidos, os valores registrados com ambos os gastos serão os mesmos. É importante destacar que a natureza de custos fixos ou variáveis está associada aos volumes produzidos e não ao tempo. Assim, se uma conta de telefone apresenta valores diferentes todos os meses, porém não correlacionados com a produção, esses gastos devem ser classificados como fixos - independentemente de suas variações mensais. Os custos fixos possuem uma característica interessante: são variáveis quando calculados unitariamente em função das economias de escala; • variáveis: seu valor total altera-se diretamente em função das atividades da empresa. Quanto maior a produção, maiores serão os custos variáveis. Exemplos óbvios de custos variáveis podem ser expressos por meio dos gastos com matérias-primas e embalagens. Quanto maior a produção, maior o consumo de ambos. Assim como os custos fixos, os custos variáveis possuem uma interessante característica: são genericamente tratados como fixos em sua forma unitária; • semifixos: correspondem a custos que são fixos em determinado patamar, passando a ser variáveis quando esse patamar for excedido. O gráfico seguinte ilustra um custo fixo, representado pela conta mensal do abastecimento de água. Quando o consumo é inferior a um patamar definido pela empresa fornecedora do serviço, a conta é faturada de acordo com o patamar (por exemplo, 10 m3.). Quando o consumo excede o valor do patamar, o valor cobrado torna-se variável de acordo com o consumo; • semivariáveis: correspondem a custos variáveis que não acompanham linearmente a variação da produção, mas aos saltos, mantendo-se fixos dentro de certos limites. Exemplo de custos semivariáveis podem ser apresentados por meio dos gastos com contratação e pagamento de supervisores ou referentes ao aluguel de máquinas copiadoras. Dentro de certos limites, como o número de funcionários sob supervisão ou quantidade de cópias realizadas, os gastos são fixos. Quando o patamar é excedido, porém, os gastos variam, assumindo um novo patamar. A evolução dos custos fixos, variáveis, semifixos e semivariáveis pode ser vista na Figura 1.3. 7
  • 12. 2 Valor Valor $ $ Quantidade Quantidade Produzida Produzida Custos Fixos Custos Variáveis Exemplo : Aluguel Exemplo : Mat Diretos Valor Valor $ $ Quantidade Quantidade Produzida Produzida Custos Semivariáveis Custos Semifixos Exemplo : Copiadora Exemplo : Conta de Água Figura 1.3 Evoluções dos diferentes custos De forma similar aos custos, as despesas também podem receber esta classificação: • despesas fixas: não variam em função do volume de vendas. Exemplo: aluguel e seguro das lojas; • despesas variáveis: variam de acordo com as vendas. Exemplo: comissões de vendedores, gastos com fretes. De acordo com sua controlabilidade, ou seja, quanto ao fato de a decisão poder ou não afetar os custos, as despesas podem ser: • controláveis: quando podem ser controlados por uma pessoa, dentro de uma escala hierárquica predefinida. A pessoa responsável poderá ser cobrada de eventuais desvios não previstos; • não controláveis: quando fogem ao controle do responsável pelo departamento. Por exemplo, rateio do aluguel. Em uma escala hierárquica superior, todos os custos são controláveis. A depender da situação analisada, os custos podem ser agrupados em diferentes categorias, em função da necessidade de tomada de decisões especiais: • incrementais: também denominados diferenciais ou marginais. Custos incorridos adicionalmente em função de uma decisão tomada; • de oportunidade: benefício relegado em decorrência da escolha de outra alternativa; • evitáveis: custos que serão eliminados se a empresa deixar de executar alguma atividade; • inevitáveis: independentemente da decisão a ser tomada, os custos continuarão existindo; • empatados: também denominados sunk costs ou custos afundados ou enterrados. Por já terem sido incorridos e sacramentados no passado, não devem influir em decisões para o futuro, por serem irrelevantes. São custos irrecuperáveis. Em relação à base monetária empregada na análise ou estimativa de custos, estes podem ser classificados da seguinte forma: • históricos: custos em valores originais da época em que ocorreu a compra, de acordo com a Nota Fiscal; 8
  • 13. • históricos corrigidos: custos históricos acrescidos de correção monetária, trazidos para o valor monetário atual; • correntes: também denominados custos de reposição. Representam o custo necessário para repor um item no total; • estimados: custos previstos para o futuro; • padrão: custo estimado presumindo-se maior eficiência técnica e financeira. Corresponde a um valor ideal a ser alcançado pela empresa; • objetivo ou meta: também denominado target cost. Representam metas de valores a serem obtidos em negociações ou no futuro. Os custos podem também ser classificados quanto à responsabilidade. Nesse caso, os custos são alocados em componentes organizacionais com decisões hierárquicas diferenciadas. 1.8 Classificações de Sistemas de Custeio Os sistemas de custeio referem-se às formas como às custos são registrados e transferidos internamente dentro da entidade. Identificam os custos dos estoques de produção em andamento e de produtos acabados. De forma similar aos custos, os sistemas de custeio também podem receber diferentes classificações. Veja o Quadro 1.1. Quadro 1.1 Classificações dos sistemas de custeio. Característica Classificação Mecânica de Ordem específica: quando são transferidos para determinadas solicitações de fabricação. Adequado para acumulação empresas que produzem bens ou serviços sob encomenda, apresentam demanda intermitente ou fabricação de lotes com características próprias. Processo: quando a empresa é caracterizada por apresentar produção contínua, com produtos apresentados em unidades idênticas, produção em massa e demanda constante. Grau de Por absorção: quando os custos indiretos são transferidos aos produtos ou serviços. absorção Direto: quando, no cálculo do custo dos produtos ou serviços produzidos, apenas os custos diretos - isto é, os que estão associados de forma clara aos produtos são incorporados. Custos indiretos são considerados periódicos e lançados diretamente no Demonstrativo de Resultado do Exercício, não sendo incorporados ao cálculo do custo dos produtos. Momento de Pós-calculados: equivalem aos custos reais apurados no final do período. apuração Pré-calculados: representam o custo alocado ao produto mediante taxas predeterminadas de Custos Indiretos de Fabricação (CIF), elaboradas com base na média dos CIFs passados, em possíveis mudanças futuras e no volume de produção. Padrão: custo cientificamente predeterminado, constituindo base para avaliação do desempenho efetivo. Representa o quanto o produto deveria custar. 1.9 Elementos de Custos Os principais elementos que influenciam no resultado de qualquer entidade são representados por meio das receitas auferidas, dos custos - diretos ou indiretos, e despesas incorridas. Alguns desses elementos podem ser visualizados na Figura 1.4. Elementos de custos Componentes principais: Custos Material Direto (MD) Mão-de-Obra Direta (MOD) Custos Indiretos de Fabricação (CIF) Diretos Estoque Indiretos Prod A (+) Receitas Rateio Prod B (-) CPV (-) Despesas Prod C (=) Resultado 9
  • 14. Figura 1.4 Fluxograma de alocação de custos Segundo a Figura 1.4, enquanto os custos diretos podem ser facilmente associados aos produtos fabricados, os custos indiretos precisam passar por etapa intermediária, denominada rateio, para, a partir daí, serem incorporados aos produtos. Na óptica contábil, receitas e despesas são confrontadas diretamente no momento de apuração do resultado. Em relação ao custo da produção, sob a óptica contábil este poderia ser expresso por meio de uma composição formada por três elementos básicos, descritos como: • material direto (MD): todo material que pode ser identificado como uma unidade do produto: (i) que está sendo fabricado; e (ii) que sai da fábrica incorporado ao produto ou utilizado como embalagem; • mão-de-obra direta (MOD): todo salário devido ao operário que trabalha diretamente no produto, cujo tempo pode ser identificado com a unidade que está sendo produzida; • custos indiretos de fabricação (CIF): todos os custos relacionados com a fabricação que não podem ser economicamente identificados com as unidades que estão sendo produzidas. Exemplos: aluguel da fábrica, materiais indiretos, mão-de-obra indireta, seguro, impostos, depreciação, etc. Outros gastos significativos, porém não classificados como custos, são agrupados como: • despesas diversas: não podem ser alocadas ao produto final. Exemplos: despesas com vendas, salário do pessoal administrativo, água e luz do escritório. A Figura 1.5 ilustra classificações comumente empregadas na contabilidade de custos. Classificação dos Gastos MD MOD CIF Despesas Materiais Diretos Mão-de-Obra Direta Custos Indiretos Gastos não Matéria-Prima Mensurada e identifi- Custos que não são associados Embalagem cada de forma direta MD nem MOD à produção Custo de transformação Custo primário ou direto Custo total, contábil ou fabril Gastos totais ou custo integral Figura 1.5 Diferença contábil entre custos e despesas Em relação a sua associação ao produto ou serviço elaborado, os custos podem ser representados segundo a Figura 1.5. Algumas das principais classificações consistem em: • custos primários ou diretos (CD): estão associados diretamente à produção, equivalendo à soma do material direto com a mão-de-obra direta; • custos de transformação ou de conversão (CT): representam o esforço da empresa para transformar o material adquirido do fornecedor em produto acabado. Equivalem à soma da mão-de-obra direta mais os custos indiretos de fabricação; • custo fabril (CF): representa a soma dos três elementos do custo: material direto, mão- de-obra direta e custos indiretos de fabricação. São incorridos durante o processo de fabricação e incorporados aos estoques de produtos em processo. Quando os itens são finalizados, são transferidos para o estoque de produtos acabados; • custos das mercadorias vendidas (CMV): representam a saída dos estoques da entidade para o comprador. Podem ser denominados CMV quando a operação é mercantil, CPV (custo dos produtos vendidos), quando a operação é industrial, ou CSP 10
  • 15. ou CSV (custos dos serviços prestados ou vendidos), quando estiverem associados a operações de serviços. Consistem na última etapa do processo de formação de custos. São os valores retirados dos estoques e entregues aos clientes. Como estão associados ao período, devem ser vistos, na verdade, como despesas – já que saem dos estoques e estão associados a um consumo temporal - e não como custos - que estão associados ao processo de formação de estoques; • custos integrais ou plenos ou gastos totais: correspondem à soma de todos os valores consumidos pela empresa para a elaboração do produto ou prestação do serviço, incluindo custos e despesas. Diversas outras denominações podem ser encontradas na literatura de finanças associada a custos, como os conceitos de custos irrecuperáveis ou afundados, do inglês sunk costs, ou custos de oportunidade. Veja as definições apresentadas a seguir: • custos irrecuperáveis ou afundados: correspondem a custos sem recuperação possível. Por exemplo, quando uma empresa opta por realizar uma pesquisa de mercado para estimar a viabilidade do lançamento futuro de um novo produto, os gastos associados com a pesquisa são custos irrecuperáveis. Independentemente do resultado da pesquisa - favorável ou desfavorável - a empresa nada poderá fazer para recuperar os gastos com a obtenção da informação. A identificação dos custos irrecuperáveis ou afundados possui extrema relevância no processo de tomada de decisões associadas a custos - já que são irrecuperáveis, seus valores devem ser excluídos dos processos de tomada de decisão; • custos de oportunidade: representam os custos associados a uma alternativa abandonada ou preterida. Por exemplo, se uma empresa pensa em aproveitar um resíduo industrial de seu processo produtivo na elaboração de um novo produto, mesmo nada desembolsando pelo resíduo, caso este possua um valor de mercado, essa importância deveria ser incluída no cálculo dos custos. Consiste em um custo de oportunidade - a alternativa de venda do resíduo foi preterida para uso na elaboração do novo produto. Os valores de mercado deveriam ser computados nos custos. Exercícios Propostos Exercício 1 Durante o primeiro semestre de 2006, a fábrica de pipocas Milho que Pula Ltda. registrou as transações relatadas a seguir. Com base nas datas, históricos e valores, determine, segundo o princípio da competência: a) o mês em que foram computados, no custo de produção, os 2.200 kg de milho utilizados como matéria-prima; b) o mês em que o desembolso foi registrado? Data Valor Histórico 07/05/2006 $ 800,00 Compra para pagamento em 90 dias de 2.200,00 Kg de milho para pipoca. 11/06/2006 $ 800,00 Setor de produção solicita ao setor de estocagem os 2.200 Kg de milho para pipoca. 07/08/2006 $ 800,00 O setor financeiro quita o boleto bancário referente aos 2.200 Kg de milho. Exercício 2 Alguns dados contábeis e financeiros das Fábricas de Sandálias Aladas Ltda. estão exibidos a seguir. Com base nos números apresentados estime para o volume total produzido no período: (a) o custo primário; (b) o custo de transformação; (c) o custo fabril; (d) o gasto total ou custo integral. Conta $ Materiais requisitados: diretos 8.200,00 Depreciação do parque industrial 1.700,00 Aluguel da fábrica 5.200,00 Aluguel de escritórios administrativos 7.400,00 11
  • 16. Materiais requisitados: indiretos 950,00 Depreciação de computadores da diretoria 720,00 Mão de obra direta 9.400,00 Seguro da área industrial 2.600,00 Descrição do subgrupo e conta Valor ($) Subtotal ($) MD Materiais requisitados: diretos MOD Mão-de-obra direta CIF Depreciação do parque industrial Aluguel da fábrica Materiais requisitados: indiretos Seguro da área industrial Despesas Aluguel de escritórios administrativos Depreciação de computadores da diretoria Exercício 3 Em relação à questão anterior, sabe-se que no período analisado a empresa produziu 2.000 unidades de um mesmo produto. Calcule: a) qual o custo integral unitário de cada produto e b) qual a margem de lucro líquida da empresa, em $ e em %, se o preço de venda da empresa for igual a $ 20,00. Exercício 4 Como os elementos seguintes podem ser classificados em despesas fixas (DF), custos fixos (CF), despesas variáveis (DV), custos variáveis (CV), investimento (I) ou perda (P)? Elemento CV CF DV DF I P a) Comissões sobre vendas b) Consumo de açúcar em fábrica de doces c) Energia elétrica-consumo da área administrativa d) Energia elétrica-consumo da área industrial e) Fretes de entregas f) Aquisição de veículo para entregas g) Fretes de insumos produtivos h) Gastos com depreciação da fábrica i) Gastos com depreciação de micros das lojas j) Gastos com manutenção fabril k) Compra de máquina industrial I) Gastos com seguros das fábricas m) Gastos com seguros das lojas n) Gastos com supervisão da linha de produção o) Leasing (aluguel) de veículos administrativos p) Limpeza e conservação das lojas q) Consumo de matéria-prima no processo fabril r) Consumo de material secundário na fábrica s) Sobras de matéria-prima consumida t) Consumo de material de escritório 12
  • 17. u) Embalagem consumida na indústria v) Ociosidade da mão-de-obra w) Salários e encargos administrativos x) Combustível gasto por vendedores Exercício 5 A Fábrica de Sorvetes Sabor Gelado Ltda. apresenta custos e despesas fixos anuais iguais a $ 40.000,00. Seus custos variáveis são iguais a $ 13,50 por caixa. Comumente, o preço de venda médio é igual a $ 22,00. Supondo produções de 10.000 e 20.000 caixas, calcule: (a) as receitas totais; (b) o custo total e unitário; (c) o custo fixo total e unitário; (d) o custo variável total e unitário.  Quantidade = 10.000 unidades Quantidade = 20.000 unidades DRE Total ($) Unitário ($) Total ($) Unitário ($) simplificado Receita (-) Custos fixos (-) Custos variáveis (-) Custos totais (=) Lucro bruto Exercício 6 Estudo de Caso: Hospital Público Bom Samaritano Inaugurado no início de janeiro de 1999, o Hospital Público Bom Samaritano tornou-se um marco na realização de cirurgias toráxicas. Estima-se que, após construído, o hospital permanecerá em operação por 20 anos. Os móveis, equipamentos e utensílios adquiridos têm uma vida útil média estimada em 10 anos. No primeiro ano, 120 cirurgias foram realizadas, com elevado percentual de sucesso. Esse sucesso, aliado à boa qualidade do atendimento e ao alto nível de satisfação de pacientes e familiares, motivou a Secretaria de Saúde a estudar os dados financeiros da instituição. Os gastos incorridos no ano de 1999 estão apresentados a seguir: Item Valor ($) Salários e encargos de médicos 80.000.00 Gastos com a construção do hospital 800.000.00 Salários e encargos de enfermeiros 40.000,00 Aquisição de materiais cirúrgicos (apenas 40% foram consumidos) 120.000,00 Compra de equipamentos hospitalares 300.000.00 Salários e encargos do pessoal administrativo 20.000.00 Gastos com a aquisição de móveis e computadores para o Setor Administrativo 10.000,00 Pergunta-se: (a) Qual o custo contábil médio por cirurgia realizada? (b) Qual o custo integral (gasto) por cirurgia realizada? (c) Outro hospital público estima que seu custo integral para realizar cirurgias similares é igual a $ 2.300,00. O que pode ser dito em relação ao Bom Samaritano? (d) Uma empresa particular propôs realizar para o Estado as mesmas cirurgias, cobrando a importância de $ 2.000,00 por cirurgia. Sob a óptica da gestão de custos e considerando que, com a terceirização do serviço, o hospital poderia ser fechado, não sendo empregado em outras atividades, quais deveriam ser os aspectos analisados pelo Estado? Memorial de cálculo 13
  • 18. • Consumo de material cirúrgico = • Depreciação do hospital = • Depreciação de equipamentos = • Depreciação de móveis e equipamento administrativo = Item Valor Subtotal Unitário MD Consumo de material cirúrgico MOD Salários e encargos de médicos Salários e encargos de enfermeiros CIF Depreciação do hospital Depreciação de equipamentos Soma dos custos contábeis Despesas Salários e encargos do pessoal administrativo Depreciação de móveis e equipamentos administrativos Soma dos gastos (custo integral) Exercício 7 Estudo de Caso: Fábrica de Pãozinho Delícia Após receber, durante anos, elogios sobre seus pãezinhos de festa, Dona Clara resolveu ampliar sua produção. Em 1º de janeiro de 1998, criou a Pãozinho Delícia Ltda., empresa voltada ao fornecimento de pães para festas e bufês. Sua capacidade produtiva permitia a fabricação e entrega de até 900 bandejas com 40 unidades por mês, sem a necessidade de novos equipamentos ou funcionários. Cada bandeja era comercializada, em média, por $ 38,00. Os principais valores desembolsados inicialmente para a criação da empresa consistiram em: Item Valor ($) Aquisição de forno elétrico industrial (1) 10.000,00 Aquisição de masseira (1) 4.000,00 Aquisição de liquidificador industrial (1) 1.800.00 Aquisição de bandejas, assadeiras e utensílios diversos (2) 2.000,00 Observações: (1) vida útil igual a 10 anos; (2) vida útil igual a 5 anos. No ano de 1998, foram comercializadas em média 400 bandejas por mês (4800 bandejas ao ano). Para atender a esses pedidos, a empresa teve outros gastos, apresentados na tabela seguinte. Estima-se que o veículo adquirido no início do ano será usado para entregas por 5 anos. Item Valor no ano ($) Salários e encargos dos funcionários da produção (1) 80.000,00 Veículo para entregas 16.000,00 Matéria-prima (apenas 70% foram consumidos) 80.000,00 Conta de telefone 1.200, 00 Embalagem (90% foram consumidos) 9.000,00 Energia elétrica (2) 3.600,00 Observações: (1) permite a produção e entrega de até 300 bandejas por mês; (2) variável em função da produção. Pede-se: (a) Construa o DRE da empresa, destacando os custos fixos e variáveis. (b) Qual o custo unitário da empresa no ano de 1998? Obtenha o custo contábil e o custo integral. 14
  • 19. (c) Em março de 1999, o potencial cliente Bufê Festa Mágica propôs-lhe um contrato, no qual por 18 meses compraria 300 bandejas adicionais por mês, a um preço de $ 21,00 por bandeja. Deveria Dona Clara firmar o contrato? Discuta todos os aspectos pertinentes. Antes de responder às questões formuladas, é interessante observar que a empresa possui uma folga de capacidade igual a 500 bandejas por mês ou 6.000 bandejas por ano. Gabarito para resposta: Item Mês Ano Capacidade Produção atual Folga de capacidade produtiva Depreciações Cálculo das depreciações Aquisição ($) Depreciação (anual) Classificação Forno Masseira Liquidificador Bandejas, assadeiras, etc. Subtotal Veículo Memorial de cálculo • Consumo de matéria-prima = • Consumo de embalagem = O Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) da empresa pode ser visto a seguir: Item Total ($) Unitário ($/4.800 bandejas) Receitas Custos Matéria-prima Embalagem Energia elétrica Subtotal dos custos variáveis Salários e encargos dos funcionários Depreciações Subtotal dos custos fixos Soma dos custos Despesas (fixas) Depreciação do veículo Conta de telefone Soma das despesas (fixas) Soma dos gastos Resultado (lucro) 15
  • 20. CAPÍTULO 2 MATERIAL DIRETO (MD) "O progresso não está nas coisas, mas nos homens. A felicidade não está nos bens materiais, mas em nós." Anônimo 2.1 Objetivos do Capítulo O material direto, ou, simplesmente, MD, é formado pelas matérias-primas, embalagens, componentes adquiridos prontos e outros materiais utilizados no processo de fabricação, que podem ser associados diretamente aos produtos. De modo geral, a gestão de materiais diretos por determinada empresa costuma envolver problemas relacionados a três campos: • avaliação: qual o montante a atribuir quando várias unidades são compradas por preços diferentes, como contabilizar sucatas, etc.; • controle: como distribuir as funções de compra, pedido, recepção e uso, como organizar o kardex de controle, como inspecionar para verificar o efetivo consumo; • programação: quanto comprar, como comprar, fixação de lotes econômicos de aquisição, definição de estoques mínimos de segurança, etc. O objetivo deste capítulo consiste em apresentar os principais aspectos relacionados à gestão de custos associados a materiais diretos. São discutidas as principais razões da gestão de materiais diretos e os critérios empregados na avaliação de estoques e custos. Para facilitar a assimilação do conteúdo apresentado, estão propostos e resolvidos inúmeros exemplos e exercícios. 2.2 Avaliação de Materiais Diretos: Principais Critérios Existem, basicamente, dois sistemas para controle de estoques: • sistema de inventário periódico: quando a empresa não mantém um controle contínuo dos estoques. O consumo só pode ser verificado após os inventários (contagem física dos estoques), em geral quando do fechamento do Balanço Patrimonial, e posterior avaliação de acordo com critérios legais. O consumo pode ser calculado em uma empresa industrial mediante o emprego da seguinte equação: Consumo de material direto = Estoque inicial + Compras - Estoque final • sistema de inventário permanente: existe o controle contínuo da movimentação do estoque. Solicitações de produção e vendas são controladas individualmente. Estoque e CPV podem ser calculados em qualquer momento pela contabilidade. Periodicamente, a contagem física pode ser feita para fins de auditoria e controle interno. Encontrando eventuais sobras ou faltas, novos ajustes devem ser feitos nos registros contábeis. Para uma empresa que aplica um sistema de inventário permanente, a apuração dos custos pode ser feita pela tabulação das requisições ao estoque ou almoxarifado. No entanto, uma empresa que controla seus estoques por meio de inventários periódicos precisará aplicar a equação anterior. Exemplo 2.1: Se a fábrica de fogões Aquece Bem Ltda., que aplica um sistema de controle periódico de estoques, desejasse estudar o custo dos materiais diretos empregados nos fogões fabricados, precisaria fazê-lo empregando a equação acima descrita. Sabe-se que suas compras de materiais diretos no período foram iguais a $ 50.000,00, seu estoque final era igual a $ 20.000,00 e o estoque inicial foi igual a $ 30.000,00. Nesse caso, o custo com materiais diretos seria igual ao consumo de materiais diretos pelo processo produtivo, ou: Consumo de Material Direto = Estoque inicial + Compras - Estoque final 16
  • 21. CMD = O consumo de materiais, parcela agregada ao custo dos produtos em elaboração (ou produtos em processo), foi igual a $ ________________. Analisando as transferências de custos da empresa, verifica-se que os gastos com materiais diretos são incorporados à conta de produtos em processo, em que são agregados gastos com mão-de- obra direta e demais custos indiretos de fabricação. Os gastos agregados aos produtos em processo são genericamente denominados de custo fabril. Na Figura 2.1, que ilustra a contabilização por meio de razonetes, o custo fabril é representado pelas transações d, e e f. Fornecedores Salários e encargos a pagar Contas a pagar a b c MD MOD CIF a d b e c f Produtos em processo Produtos acabados CPV d g g h h e f Figura 2.1 Contabilização de materiais diretos em razonetes Quando os produtos em processo são finalizados, são, assim como seus custos, transferidos para a conta de produtos elaborados. Quando os produtos elaborados são vendidos, deixam o Balanço Patrimonial, onde figuravam como Estoques de Produtos Acabados, e passam a fazer parte da conta Custo dos Produtos Vendidos (CPV), presente no Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE). Outra forma didática2 de representar a movimentação dos custos da empresa pode ser vista na Figura 2.2. Por meio das três caixas apresentadas como Materiais Diretos, Produtos em Processo e Produtos Acabados, pode-se perceber o processo de migração dos custos mediante diferentes grupos de contas contábeis. Material Direto Produtos em processo Produtos Acabados Compras Custos incorridos (fabril) (+) Custos com materiais diretos Custos de Produtos em processo (+) Estoque inicial (+) Estoque inicial = (+) Estoque inicial (-) Estoque final (-) Estoque final = (-) Estoque final Custos com materiais diretos (=) Custos Produtos em processo Custos dos Produtos vendidos (CPV) Figura 2.2 Interpretação das transferências de custos. Exemplo 2.2: Para controlar seus custos incorridos, uma empresa apurou que suas compras de materiais diretos haviam sido iguais a $ 800,00, para um estoque inicial igual a $ 200,00 e um estoque final igual a $ 150,00. O custo com materiais diretos encontra- se representado no primeiro quadro da Figura 2.2. Aos custos com materiais diretos transferidos para a conta de produtos em processo foram agregados mais alguns gastos, presentes no custo fabril e no valor de $ 1.150,00. A conta de produtos em processo apresentava um saldo inicial no valor de $ 300,00 e um saldo final no valor de $ 350,00. O valor dos custos com produtos em processo, finalizados são transferidos para a conta de produtos acabados. A conta de estoques de produtos acabados possuía um saldo inicial no valor de $ 600,00 e um saldo final igual a $ 300,00. Após serem computados os valores recebidos da conta Produtos em Processo. Qual é o Custo dos Produtos Vendidos da empresa (CPV)? Material Direto Produtos em processo Produtos Acabados Compras Custos incorridos (fabril) Custos de Produtos em (+) Custos com materiais diretos processo (+) Estoque inicial (+) Estoque inicial = (+) Estoque inicial (-) Estoque final (-) Estoque final = (-) Estoque final Custos com materiais diretos (=) Custos de Produtos em processo Custos dos Produtos 2 Embora estudiosos com formação contábil prefiram usar os razonetes na escrituração e acumulação dos custos, pessoas com formação mais genérica podem ter certa dificuldade no uso dos razonetes. Como o objetivo deste seção consiste em ilustrar o processo da gestão de custos e formação de preços, os autores optaram por evitar a escrituração em razonetes. 17
  • 22. vendidos 2.3 Critérios Para a Avaliação de Estoques Os principais critérios de avaliação de materiais diretos adquiridos com custos diferentes envolvem, basicamente, o emprego de três critérios distintos: • Ueps: último a entrar, primeiro a sair, ou, em inglês, Lifo, last in, first out. O custo a ser contabilizado em decorrência de consumo no processo produtivo é feito "da frente para trás". São baixados, em primeiro lugar, os materiais diretos adquiridos mais recentemente e, depois, os mais antigos, nesta ordem. A legislação fiscal brasileira não permite o emprego desse critério em decorrência da "antecipação" dos benefícios fiscais, decorrentes do cálculo de custos maiores, especialmente em épocas de altas taxas de inflação; • Peps: primeiro a entrar, primeiro a sair, ou, em inglês, Fifo, first in, first out. O custo a ser contabilizado em decorrência de consumo no processo produtivo é feito "de trás para a frente". São baixados, em primeiro lugar, os materiais diretos adquiridos há mais tempo e, depois, os mais novos, nesta ordem; • Custo Médio Ponderado: pode ser móvel ou fixo. O custo a ser contabilizado representa uma média dos custos de aquisição. Exemplo 2.3: Um exemplo do emprego dos diferentes métodos pode ser visto por meio das operações mercantis da Comercial Eletrônicos da Hora Ltda. • No dia 3-9, ao verificar que seu estoque de impressoras era nulo, a empresa resolveu comprar quatro unidades, a um custo unitário igual a $ 400,00. • Posteriormente, no dia 12-9, prevendo uma grande demanda para o produto, efetuou uma compra adicional de três unidades no valor de $ 500,00. • Em 19-9, um grande cliente efetuou a compra de seis impressoras, pagando $ 700,00 por cada uma. Se o critério empregado pela empresa fosse o Peps, a movimentação de estoques poderia ser feita de acordo com a Ficha de Controle de Estoques apresentada a seguir. Critério Peps Peps Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal 2/set 0,00 3/set 4 400,00 1.600,00 4 400,00 1.600,00 12/set 3 500,00 1.500,00 4 400,00 1.600,00 3 500,00 1.500,00 7 3.100,00 19/set 4 400,00 1.600,00 1 500,00 500,00 2 500,00 1.000,00 6 ? 2.600,00 Segundo os critérios Peps ou Ueps, os estoques precisam ser controlados financeiramente de forma independente, agrupados de acordo com o custo de aquisição de cada lote. No dia 2-9, os estoques da empresa eram nulos. Em 3-9, a empresa comprou quatro unidades, com custo unitário igual a $ 400,00 e custo total igual a $ 1.600,00, valores igualmente registrados em seus estoques. Em 12-9, uma nova aquisição foi feita, com três unidades, com custo unitário de $ 500,00 e custo total de $ 1.500,00. Como os dois lotes adquiridos apresentaram custos diferentes, os controles de ambos devem ser diferenciados. Logo, no final do dia 12-9, a empresa possuía sete unidades em estoque, quatro mais antigas adquiridas unitariamente por $ 400,00 e três mais novas compradas por $ 500,00. Em valores monetários, o estoque total da empresa era igual a $ 3.100,00 (4 x 400,00 + 3 x 500,00). No dia 19-9, efetuou uma venda de seis unidades. Aplicando o critério Peps, deverá "baixar" (subtrair) os itens por ordem cronológica: os mais antigos saem primeiro; os mais novos, depois. 18
  • 23. Assim, para poder subtrair seis itens de seus registros financeiros, devem-se subtrair primeiro os quatro mais antigos, comprados por $ 400,00 cada ou $ 1.600,00 no total e, depois, dois dos mais novos, comprados por $ 500,00 cada, ou $ 1.000,00 no total. Deve retirar, portanto, $ 2.600,00 de seus estoques, que passam a ser iguais a $ 500,00, equivalente a uma unidade com igual custo de aquisição. Assim, o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) da empresa torna-se igual ao valor dos itens retirados do estoque, ou $ 2.600,00. O DRE da empresa pode ser apresentado como: Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) Receitas 4.200,00 (-) CMV -2.600,00 Lucro bruto 1.600,00 (-) IR 25% -400,00 Lucro operacional 1.200,00 Critério Ueps Se o critério empregado fosse o Ueps (último a entrar, primeiro a sair), o controle financeiro deveria ser feito, baixando-se primeiro os itens mais recentes do estoque. A Ficha de Controle de Estoques poderia ser apresentada da seguinte forma: Ueps Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal 2/set 0 0,00 3/set 4 400,00 1.600,00 4 400,00 1.600,00 12/set 3 500,00 1.500,00 4 400,00 1.600,00 3 500,00 1.500,00 11 ? 3.100,00 19/set 3 500,00 1.500,00 3 400,00 1.200,00 6 ? 2 .700,00 Nota-se que com o uso do critério Ueps o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) foi aumentado. Embora, em um primeiro momento, tal fato pareça negativo, já que os custos aumentaram, convém destacar que apenas o controle financeiro dos custos apresentou um valor mais elevado. O aumento dos custos foi compensado pela diminuição do valor dos estoques. Sob a óptica financeira, o efeito do maior CMV é positivo, já que com maior custo das mercadorias vendidas o lucro é menor e, conseqüentemente, também é menor o pagamento de Imposto de Renda. O menor recolhimento de imposto de Renda pode ser visto no novo DRE, visto abaixo. Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) Receitas 4.200,00 (-) CMV -2.700,00 Lucro bruto 1.500,00 (-) IR 25% -375,00 Lucro operacional 1.125,00 Como o "Leão" (Receita Federal) não gostaria de ver sua mordida reduzida, o uso contábil do critério Ueps é proibido no Brasil para efeito fiscal. No entanto, é recomendável do ponto de vista gerencial, também. Em períodos de inflação moderada, o critério de custeio de estoques Ueps apresenta valores mais próximos dos de mercado e o custo será apurado com melhor proximidade. Quando as taxas de inflação são muito elevadas, para fins gerenciais de análise de custos e formação de preços torna-se conveniente o uso do critério de custeio em que o próximo que entra é o primeiro que sai, ou Nifo, do inglês next in, first out. 19
  • 24. Critério Custo Médio Outra alternativa para registro e controle de estoques da Comercial Eletrônicos da Hora Ltda. envolve o emprego do custo médio. Para isso, ao registrar e dar baixa dos itens do estoque, deve-se fazê-lo, empregando um custo médio ponderado. A Ficha de Controle de Estoques é apresentada: Custo médio Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal 2/set 0 0,00 3/set 4 400,00 1.600,00 4 400,00 1.600,00 12/set 3 500,00 1.500,00 7 442,86 3.100,00 19/set 6 442,86 2.657,16 1 442,86 442,86 Com o emprego do método do Custo Médio, o registro é feito de forma consolidada, em que o custo unitário dos itens em estoque é igual à média ponderada dos produtos comprados. Assim, no dia 12-9, ao comprar mais três unidades, o estoque da empresa passou a ser formado por sete unidades com um valor total igual a $ 3.100,00. Ou seja, o valor médio de cada item do estoque foi igual a $ 3.100,00 dividido por 7, que é igual a $ 442,86, aproximadamente. Para dar baixa em 19-9 dos seis itens vendidos, basta fazê-lo pelo custo médio, conforme apresentado na Ficha anterior. O estoque resultante foi igual a uma unidade, no valor de $ 442,86. Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) Receitas 4.200,00 (-) CMV -2.657,16 Lucro bruto 1.542,84 (-) IR 25% -385,71 Lucro operacional 1.157,13 O CMV foi de $ 2.657,16 e o lucro foi igual a $ 1,157,13, valores intermediários aos obtidos no Peps e no Ueps. Uma síntese dos valores obtidos para os três métodos é vista na tabela seguinte: Método Estoque ($) Lucro ($) Imposto de Renda ($) Ueps 400,00 1.125,00 (375,00) Custo Médio 442,86 1.157,13 (385,71) Peps 500,00 1.200,00 (400,00) Algumas das vantagens e desvantagens de cada um dos métodos podem ser descritas no quadro seguinte, especialmente em períodos de alta volatilidade de preços. Método Estoque Lucro Imposto de Renda Ueps Menos estoque Menos lucro Menos Imposto de Renda Meio termo entre Meio termo entre Meio termo entre Custo Médio Ueps e Peps Ueps e Peps Ueps e Peps Peps Mais estoque Mais lucro Mais Imposto de Renda É importante destacar que o controle financeiro de movimentação de estoques com base nos critérios Peps ou Ueps não implica o mesmo controle, ou sistemática do controle físico, dos itens controlados. Itens de grande relevância, como eletroeletrônicos ou automóveis, podem ter controles físicos similares aos financeiros - como o primeiro que entra é o primeiro que sai. Todavia, produtos comprados ou armazenados a granel, como combustíveis ou substâncias químicas, terão um controle individualizado impossível. 20
  • 25. 2.4 Classificação ABC de Estoques de Materiais Diretos Em relação às atividades relacionadas ao controle dos estoques, pode ser feita classificação dos itens armazenados, destacando os de elevado valor em relação aos demais. Pode-se aplicar a classificação ABC, na qual os itens são agrupados da seguinte forma: • itens A: são aqueles cujos estoques apresentam elevado valor relativo e, portanto, merecem um controle mais rigoroso que os demais. Os inventários podem ser mais freqüentes, mensais, semanais ou diários; • itens B: em valores, não são tão representativos como os estoques dos itens A, mas representam, também, elevada aplicação de recursos. Podem ser inventariados em uma freqüência menor: mensalmente, trimestralmente ou semestralmente; • itens C: representam estoques que são bastante numerosos em termos de itens, porém pouco representativos em termos de valor. Costumam somente ser inventariados no momento do balanço. De modo geral, não existe rigor matemático na definição das classes A, B e C. Uma sugestão para classificação pode ser vista na Tabela 2.1. Tabela 2.1 - Sugestão para a classificação ABC. Eixo / Classe A B C Valor do conjunto 67-75% 15-30% 5-10% Número de itens 10-20% 20-25% 50-70% Convém ressaltar que as empresas podem adotar outras formas de classificação, mais adequadas a suas necessidades. Exemplo 2.4: Critério ABC A indústria Sabiá planejava classificar os itens administrados em seu estoque segundo o critério ABC. Gostaria de classificar como A os itens que representassem cerca de 80% do valor dos estoques, como B os itens que representassem os próximos 10% e como C os demais itens. Em dezembro de 20X1, os itens componentes do estoque da empresa poderiam ser apresentados conforme a tabela seguinte: Itens Valor Arruelas 350,00 Componentes mecânicos 1.800,00 Componentes químicos 106.420,00 Correias 13.360,00 Embalagens 34.600, 00 Equipamentos de proteção 1.560,00 Graxas industriais 890,00 Óleo combustível 14.990,00 Parafusos 420,00 Porcas 220,00 Soma 174.610,00 Para classificar os itens de acordo com a metodologia ABC, basta calcular a participação percentual de cada um em relação ao valor total dos estoques e ordená-los de acordo com a participação percentual decrescente. 21
  • 26. Itens Valor ($) % % acumulado Classificação Componentes químicos 106.420,00 60,95 60,95 A Embalagens 34.600,00 19,82 80,76 A Óleo combustível 14.990,00 8,58 89,35 B Correias 13.360,00 7,65 97,00 B Componentes mecânicos 1.800,00 1,03 98,03 C Equipamentos de proteção 1.560,00 0,89 98,92 C Graxas industriais 890,00 0,51 99,43 C Parafusos 420,00 0,24 99,67 C Arruelas 350,00 0,20 99,87 C Porcas 220,00 0,13 100,00 Itens do tipo A são os que representam poucos componentes em variedade, mas que possuem alta participação percentual no valor dos estoques. No caso, seriam os componentes químicos e as embalagens. Itens B poderiam ser representados pelo óleo combustível e pelas correias. Os demais itens seriam classificados como C. 2.5 Programação de Compras e Estoques de Materiais Diretos A aplicação de técnicas e métodos à programação de materiais diretos envolve outras técnicas oriundas de áreas diversas da Contabilidade ou da Contabilidade de Custos, como a Administração da Produção, de Materiais e da Pesquisa Operacional. Os dois principais custos decorrentes da gestão de materiais diretos podem ser apresentados como: custo de estocagem: decorre em função de gastos com armazenagem, seguros, refrigeração, etc. Aumenta em função do custo unitário de estocagem e do volume armazenado; e custo do pedido: surge em função de gastos com trabalhos de elaboração do pedido, cotação em fornecedores, transporte, conferência e posterior pagamento. Aumenta em função do número de pedidos efetuados no período analisado. 2.6 Política do Lote Econômico de Compra Assumindo algumas prerrogativas como demanda, custo de estocagem e custo de pedidos constantes, é possível estabelecer uma política ideal de gestão de materiais diretos. A variável a ser otimizada pode ser apresentada como Q, quantidade ideal solicitada em cada pedido que minimiza os custos totais de estocagem. A tabela seguinte mostra o comportamento dos estoques de um material direto com demanda constante igual a 240 unidades/mês e um estoque inicial igual a 800 unidades. Entre o terceiro e o quarto mês, o estoque se anularia. Demanda Estoque inicial Ressuprimento 120 120 120 Período Ressuprimento Estoque 0 120 1 0 2 -120 3 -240 4 -360 5 -480 6 -600 7 -720 8 -840 22
  • 27. Os dados expostos nessa tabela podem ser representados no gráfico da Figura 2.3. 200 100 0 Unidades 1 2 3 4 5 -100 -200 -300 -400 Período Figura 2.3 Perfil de estoque sem ressuprimentos. Se a demanda é constante, o estoque decai linearmente com o tempo. Para que não existam estoques negativos ou ausência de produtos, a empresa necessitará de ressuprimentos periódicos. O gráfico resultante é conhecido como perfil de estoque e é definido em função da quantidade Q solicitada em cada ressuprimento. 140 120 100 Unidades 80 60 40 20 0 0 1 2 3 4 5 Período Figura 2.4 - Perfil de estoque com ressuprimento periódico: o gráfico dente de serra. Do gráfico de perfil de estoques pode ser extraída uma série de informações importantes. Por exemplo, dado que o estoque inicial é considerado igual a Q e o estoque final é nulo, com queda linear, pode-se apresentar o estoque médio como a média entre Q e 0. Por exemplo, se são sempre comprados lotes de 500 unidades, o estoque médio (EMe) será  500 − 0  igual a   250 unidades. A formula do estoque médio (EMe) é apresentada como:  2  Q  EMe=   2  Onde: EMe = estoque médio Q = quantidade constante solicitada em cada pedido O intervalo entre ressuprimentos (IP) é dado como a relação entre a quantidade adquirida e a demanda do período. Por exemplo, se 100 unidades de determinado produto são compradas e a demanda for de 10 unidades por mês, o intervalo entre ressuprimentos será igual a 100/10= 10 meses. Algebricamente, o intervalo entre ressuprimentos ou pedidos (IP) pode ser apresentado como: Q  IP=  D    Onde: IP = intervalo entre pedidos (expresso na unidade do período analisado) Q = quantidade constante solicitada em cada pedido D = demanda no período analisado 23
  • 28. O número de ressuprimentos (NP) a serem solicitados no período analisado é igual ao inverso do intervalo entre ressuprimentos. Por exemplo, se são feitos ressuprimentos a cada 15 dias ou 0,5 mês, o número de ressuprimentos a serem feitos em um mês será igual a 1/0,5=2 ressuprimentos. O número de ressuprimentos ou pedidos necessários no período (NP) pode ser apresentado como: D  NP=   Q  Onde: NP = número de pedidos no período analisado D = demanda no período analisado Q = quantidade constante solicitada em cada pedido O período corresponde ao intervalo de tempo estudado, expresso em ano, mês, semana, etc. Sabe-se que os custos totais de pedidos aumentam em decorrência do número de solicitações feitas. Quanto maior a quantidade solicitada por pedido, menor o número de pedidos necessários para atender à demanda. Algebricamente, o custo total dos pedidos (Ctp) pode ser apresentado como: D  CTp = Cp × NP = Cp ×  Q    Onde: Ctp = custo total de pedidos no período analisado Cp = custo unitário de pedidos NP = número de pedidos realizados O gráfico do custo total de pedido revela que este diminui à medida que Q aumenta. Veja a Figura 2.5. Imagine a seguinte situação: o gerente de suprimentos da filial da Indústria de Calçados Passo Macio Ltda. enfrenta um importante problema: minimizar seus custos de estocagem anuais. Estudos preliminares indicam que o custo de cada pedido colocado ao fornecedor da empresa custa $ 68,00 (incluindo gastos com transporte, conferências, etc.). Cada par de sapato mantido em estoque custa $ 0,22 por mês. A demanda da empresa é constante e uniforme, igual a 36 unidades por dia. O custo anual total de pedidos da Indústria de Calçados Passo Macio Ltda. encontra-se apresentado na tabela seguinte. Q Ctp 150 5.875,20 300 2.937,60 450 1.958,40 600 1.468,80 750 1.175,04 900 979,20 1.050 839,31 1.200 734,40 1.350 652,80 1.500 587,52 1.650 534,11 1.800 489,60 1.950 451,94 2.100 419,66 Exercício a) Cálculo do Custo anual total de pedidos (CTp): Dados: D CTp = Cp x NP = Cp x Cp = Q D = Q = 24
  • 29. Os dados dessa tabela podem ser melhor analisados com o auxílio da Figura 2.5. Percebe-se que quanto mais unidades forem solicitadas em cada pedido, menor o custo total dos pedidos (Ctp) no período analisado. 7.000,00 Custos Anuais .. 6.000,00 5.000,00 4.000,00 3.000,00 2.000,00 1.000,00 0,00 0 500 1000 1500 2000 2500 Unidades Figura 2.5 Custo total do pedido. Por outro lado, o custo total de estocagem aumenta em função de Q. Quanto maior Q, maior será o estoque médio e, portanto, maior o custo de estocagem. Algebricamente, o custo total de manutenção de estoques (Cte) pode ser expresso como função do custo unitário de estocagem e do volume do estoque médio. Algebricamente: Q  C t e =C e × EMe =Ce ×  2  Onde: Cte = custo total de estocagem Ce = custo unitário de estocagem EMe = estoque médio Q = quantidade constante solicitada Para a Indústria de Calçados Passo Macio Ltda., o custo anual total de estoques que pode ser visto na tabela seguinte e na Figura 2.6. Q Cte 150 198 300 396 450 594 600 792 750 990 900 1.188,00 1.050 1.386,00 1.200 1.584,00 1.350 1.782,00 1.500 1.980,00 1.650 2.178,00 1.800 2.376,00 1.950 2.574,00 2.100 2.772,00 Exercício b) Cálculo do Custo anual total de estoques (Cte): Dados: Q Cte = Ce x EMe = Ce x Ce = 2 Q = EMe = 25
  • 30. 0 gráfico da Figura 2.6 representa os números da tabela anterior: quanto maior o volume adquirido em cada pedido, maior o custo total de estocagem no período. 3000,00 Custos Anuais $ 2500,00 2000,00 1500,00 1000,00 500,00 0,00 0 500 1000 1500 2000 2500 Unidades Figura 2.6 Custo total de estocagem. Os custos gerais totais decorrentes da gestão de materiais diretos (CT) resultam da soma dos custos totais de pedidos e estocagem. Algebricamente, são iguais à soma dos custos totais dos pedidos e os custos totais de estocagem, ou: CT = Cte +Ctp Onde: CT = custo total da gestão de materiais diretos Cte = custo total de estocagem Ctp = custo total dos pedidos Para a Indústria de Calçados Passo Macio Ltda., os custos anuais gerais e totais da gestão de materiais diretos podem ser vistos na tabela seguinte. Q Cte Ctp CT 150 198,00 5.875,20 6.073,20 300 396,00 2.937,60 3.333,60 450 594,00 1.958,40 2.552,40 600 792,00 1.468,80 2.260,80 750 990,00 1.175,04 2.165,04 900 1.188,00 979,20 2.167,20 1.050 1.386,00 839,31 2.225,31 1.200 1.584,00 734,4 2.318,40 1.350 1.782,00 652,8 2.434,80 1.500 1.980,00 587,52 2.567,52 1.650 2.178,00 534,11 2.712,11 1.800 2.376,00 489,6 2.865,60 1.950 2.574,00 451,94 3.025,94 2.100 2.772,00 419,66 3.191,66 Os dados da tabela anterior podem ser representados na Figura 2.7. Nota-se a existência de um ponto de custo total mínimo. Nota-se na Figura 2.7 que, para valores de Q situados entre 600 e 1.050 unidades, o custo total é mínimo. Genericamente, para determinar o ponto que minimiza o Custo Total, pode-se aplicar um procedimento simples de cálculo: encontrar a derivada do custo total em função de Q e igualá-la a zero. Dessa forma, obtém-se a quantidade que minimiza os custos totais de armazenagem de materiais diretos, denominado de Lote Econômico de Compra, ou, simplesmente, LEC. 26
  • 31. Cte Ctp CT 7.000,00 . 6.000,00 CT Custos Anuais $ 5.000,00 4.000,00 3.000,00 Ctp 2.000,00 1.000,00 - - 500 1.000 1.500 2.000 2.500 Cte Unidades Figura 2.7 - Custos do pedido, de estocagem e totais. O custo total de gestão de materiais diretos (CT) pode ser apresentado como: Q D C T =Ct e + t p =C e × C +Cp × 2 Q Derivando essa equação em função de Q e igualando-a zero, obtém-se: Ce D −Cp × =0 2 Q2 Isolando o valor de Q na equação anterior, é possível obter o Lote Econômico de Compra, (LEC): 2CpD LEC = CE Exrcício c) Para o exemplo da Indústria de Calçados Passo Macio Ltda., o LEC será igual a: Dados: Cp = D = Ce = Se a empresa desejar minimizar seu custo total anual com materiais diretos, deve solicitar em cada pedido a quantidade de .......................... unidades. Note que, para poder usar a fórmula, todos os valores devem ser expressos na mesma base anual. 27
  • 32. Exercícios Propostos: Exercício 8: Os gastos e estoques das Indústrias AbraCaDabra estão apresentados a seguir. Todos os números referem-se ao mês de setembro de 2001. Pede-se determinar: (a) O Custo com Materiais Diretos; (b) O Custo Fabril; (c) O Custo das Mercadorias Vendidas (CMV); (d) O DRE e o lucro auferido pela empresa. Descrição $ Materiais indiretos consumidos na fábrica 540.000,00 Depreciação de móveis do escritório 15.000,00 Receita de vendas 1.111.000,00 Depreciação de máquinas industriais 18.000,00 Salário dos vendedores 12.000,00 Aquisição de novo equipamento industrial 65.400,00 Seguros da fábrica 1.200,00 Salários administrativos 600 Compras de matéria-prima 2.400,00 Mão-de-obra indireta 120.000,00 Mão-de-obra direta 6.000,00 Energia da fábrica 75.000,00 Os estoques em fins de agosto e setembro de 2001 podem ser vistos na tabela seguinte: Estoques Finais Agosto Setembro Matéria-prima 60.000,00 48.000,00 Produtos em processo 36.000,00 48.000,00 Produtos acabados 36.000,00 48.000,00 Material Direto (matéria-prima) (+) Estoque inicial = (+) Compras = (-) Estoque final = Custos transferidos = Produtos em processo (+) Estoque inicial = (+)Custos recebidos de MD = (+) Custos incorridos = Mão-de-obra direta Materiais indiretos consumidos na fábrica Depreciação de máquinas industriais Seguros da fábrica Mão-de-obra indireta Energia da fábrica (-) Estoque final = Custos transferidos para Produtos Acabados = Produtos Acabados (+) Estoque inicial (+)Custos recebidos de Produtos em processo (-) Estoque final CMV= Com base no relatório anterior, é possível extrair as respostas solicitadas: DRE Receita de vendas (-) CMV (=) Lucro bruto (-) Despesas Depreciação de móveis do escritório Salário dos vendedores Salários administrativos Lucro líquido antes do IR Exercício 9 28
  • 33. As indústrias Tibiriçá Ltda. venderam no mês de agosto o montante de $ 180.000,00 (receitas de vendas), já abatidas as eventuais deduções. Os estoques da empresa podem ser vistos na tabela seguinte. Estoques Finais 14/ago 30/ago Matéria-prima 20.000,00 16.000,00 Produtos em processo 12.000,00 16.000,00 Produtos acabados 12.000,00 10.000,00 0 resultado bruto sobre as vendas realizadas no mês de agosto foi de $ 38.600,00 (Lucro bruto). Outros dados financeiros podem ser vistos a seguir. Descrição Valor MOD 50.000, 00 Mão-de-obra indireta 37.000,00 Salário de vendedores 6.000,00 Salários administrativos 4.000,00 Imposto de Renda 10.000,00 Depreciação da maquinaria 400,00 Depreciação dos móveis e utensílios da administração 200,00 CIF diversos 2.000,00 Pede-se: calcular o valor das compras de materiais do período. Posteriormente, obtenha a Demonstração do Resultado para o mês de agosto, detalhando: (a) As compras e o custo com materiais diretos; (b) O custo fabril; (c) O custo das mercadorias vendidas. Do DRE da empresa, é possível encontrar o CMV: Receita de vendas (-) Lucro bruto (=) CMV Com base no CMV encontrado, é possível "voltar" no mapa de apuração de custos: Produtos acabados Produtos Acabados (-) Estoque inicial (+) CMV= (+) Estoque final (=)Custos recebidos de Produtos em processo Produtos em processo (-) Estoque inicial = (+) Custos transferidos para Produtos Acabados (-) Custos incorridos = MOD Direta Mão-de-obra indireta Depreciação de máquinas industriais CIF diversos (+) Estoque final = (=)Custos recebidos de MD = Material Direto (matéria-prima) (-) Estoque inicial (+)Custos transferidos para estoques em processo (+) Estoque final Compras Exercício 10 29
  • 34. Durante o início de suas atividades, a Fábrica de Bugigangas Ltda. adquiriu 3 toneladas do produto químico Beta Seis por $ 40 mil cada uma. Uma semana depois, comprou mais 2 toneladas por $ 88 mil no total. Na terceira semana, comprou mais 1 tonelada por $ 54 mil. No mês seguinte, efetuou uma única retirada de 4 toneladas do estoque, empregando-as no processo produtivo. Qual o custo incorrido com materiais diretos, considerando os três diferentes critérios de contabilização de custos? Peps Peps Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Soma Ueps Ueps Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Soma Custo Médio Custo Médio Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Soma Exercício 11 30
  • 35. Durante a produção de chumbadas para redes de pesca, a Fábrica de Chumbadas Pesadinhas Ltda. utiliza diferentes quantidades de chumbo. No mês de janeiro, com estoque inicial nulo, suas atividades ocasionaram as transações relacionadas a seguir. Calcule o custo do mês, com base nos critérios: (a) Peps (Fifo); (b) Ueps (Lifo); (c) Custo médio ponderado móvel. Data Descrição 3 Compra de 300 kg pelo total de $ 3.300,00 6 Consumo de 170 kg 9 Aquisição de mais 500 kg ao custo de $15,00 o quilo 15 Consumo de 260 kg 18 Compra de 250 kg ao custo de $18,00,o quilo 21 Consumo de 400 kg Peps Entradas Saídas Saldo Data Quantidade Valor/ud Subtotal Quantidade Valor/ud Subtotal Quantidade Valor/ud Subtotal Soma Ueps Entradas Saídas Saldo Data Quantidade Valor/ud Subtotal Quantidade Valor/ud Subtotal Quantidade Valor/ud Subtotal Soma Custo Médio Entradas Saídas Saldo Data Quantidade Valor/ud Subtotal Quantidade Valor/ud Subtotal Quantidade Valor/ud Subtotal 31
  • 36. Soma Exercício 12 A fábrica de embalagens plásticas Tudo Embala S.A. apresentou a movimentação de estoques no ano de 1995 conforme tabela a seguir. Apure o custo anual com base nos critérios: Mês Descrição Janeiro Estoque inicial igual a 600 kg, avaliado em $ 3.000,00 Fevereiro Consumo de 160 kg Março Compra de 200 kg por $ 1.200,00 Abril Consumo de 220 kg Junho Consumo de 80 kg Agosto Compra de 400 kg por $ 3.200,00 Setembro Consumo de 450 kg Novembro Compra de 300 kg por $ 3.000,00 Dezembro Consumo de 200 kg Encontre: (a) Peps; (b) Ueps; (c) custo médio ponderado móvel; (d) sabendo que o custo de oportunidade do dinheiro da empresa é igual a 4% a.m., discuta e explique qual seria o melhor critério; (e) por que a legislação brasileira não permite o emprego do critério Ueps; (f) por que a maior parte das empresas brasileiras adota o critério do custo médio ponderado? Peps Entradas Saídas Saldo Data Quantidade Valor/ud Subtotal Quantidade Valor/ud Subtotal Quantidade Valor/ud Subtotal Soma Ueps Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal 32
  • 37. Soma Custo Médio Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Soma Exercício 13 As indústrias de Artefatos de Cimento Caiadas Ltda. adquiriram por $ 800.000,00 determinada área de onde pretendem extrair 1.000 toneladas de areia para usar em seu processo de produção. Após a extração da areia, estima-se que a área poderá ser vendida para incorporação imobiliária por $ 140.000,00. No mês de março de 1987, a empresa extraiu 81 toneladas de areia integralmente utilizadas no processo produtivo. Além disso, foram adquiridos 1.500 sacos de cimento, a $ 5,00/unidade, e 80 toneladas de arenoso, por $ 39,60 a tonelada. Durante esse mês, foram produzidos 180 postes de cimento, com 4,80 m, e 3.000 unidades de meio-fio, com 0,80 m de comprimento. Sabe-se que para fabricar ambos os produtos são necessários os componentes seguintes. Pede-se: a) qual o custo dos materiais diretos empregados pela empresa? Composição dos produtos Cimento (sacos) Arenoso (kg) Areia (kg) Poste 5 80 200 Meio-fio 0,2 7 15 Produto Cimento Arenoso Areia Soma Poste Quantidade Custo unitário Subtotal Meio-fio Quantidade Custo unitário Subtotal Exercício 14 33
  • 38. A movelaria Móveis Rústicos Ltda. apresentou a seguinte movimentação de estoques do produto mesa campestre no mês de abril de 19X0. Além dessa movimentação, a empresa adquiriu de um distribuidor, no início do mês de abril, que resolveu mudar de atividade, 7 unidades, no valor total de $ 1.260,00. Após efetuar esse ajuste no controle de estoques, estime o custo das mesas vendidas pelo critério Peps. Data Custo unitário ($) Recebimentos Saídas Saldo Quantidade Quantidade Quantidade 31/mar 200 20 2/abr 10 10 3/abr 240 30 40 8/abr 20 20 9/abr 260 40 60 15/abr 15 45 17/abr 35 10 21/abr 280 10 20 26/abr 5 15 30/abr 290 20 35 Peps Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal 34
  • 39. Soma Exercício 15 Alguns dados financeiros da Tico-Tico no Fubá Ltda. podem ser vistos a seguir. Com base nestes dados, estime o Resultado do Exercício para os anos de 1998 e 1999, considerando o emprego do critério custo médio ponderado móvel. As vendas são sempre efetuadas no último dia do ano. Balanço Patrimonial em 31-12-1997. Ativo Passivo Bancos 1.280,00 Capital 880 Estoques 2.720,00 Lucros acumulados 3.120,00 em unidades 800 Custo unitário 3,4 Total Ativo 4.000,00 Total Passivo 4.000,00 Dados de 1998 e 1999 1998 1999 Vendas em unidades 1.000 1.200 Vendas em $ por unidade 16 17 Compras em unidades (1° quadrimestre) 400 450 Compras em $ por unidade (1° quadrimestre) 3,5 4,1 Compras em unidades (2° quadrimestre) 300 250 Compras em $ por unidade (2° quadrimestre) 3,6 4,3 Compras em unidades (3° quadrimestre) 400 500 Compras em $ por unidade (3° quadrimestre) 3,8 5 Despesas operacionais 8.000,00 9.500,00 Respostas Para o ano de 1998: Peps Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Respostas Para o ano de 1999: Peps Entradas Saídas Saldo Valor Valor Valor Data Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Quantidade unitário Subtotal Os DRE – Demonstrativo de Resultado do Exercício para os anos de 1998 e 1999 seriam: DRE 1998 1999 Receitas (-) CMV Lucro bruto (-) Despesas Lucro operacional 35
  • 40. Exercício 16 A Cutelaria Cortante S.A. apurou que seus estoques em 31-12-98 estariam avaliados de acordo com a tabela seguinte. Assim, qual seria a classificação ABC dos itens relacionados? Item Valor ($) % Linhas de costura 80,00 0 Cera polidora 600,00 0 Óleo lubrificante 450,00 0 Cabos 80.000,00 30 Plástico de embalagem 3.500,00 1 Filmes de polietileno 360,00 0 Filtros 560,00 0 Peças de reposição 8.200,00 3 Fitas adesivas para embalagem 800,00 0 Couro 16.000,00 6 Rolamentos industriais 1.400,00 1 Parafusos 1.300,00 0 Caixas de papelão 2.600,00 1 Chapas 150.000,00 56 Total 265.850,00 100 Item Valor ($) % Classificação Chapas 150.000,00 Cabos 80.000,00 Couro 16.000,00 Peças de reposição 8.200,00 Rolamentos industriais 1.400,00 Plástico de embalagem 3.500,00 Caixas de papelão 2.600,00 Parafusos 1.300,00 Óleo lubrificante 450,00 Linhas de costura 80,00 Fitas adesivas para embalagem 800,00 Filtros 560,00 Filmes de políetíleno 360,00 Cera polidora 600,00 Total 265.850,00 Exercício 17 Uma empresa de armazenamento frigorífico possui galpão no valor de $ 1.200.000,00, depreciável em 20 anos e com capacidade para armazenar 1.000 toneladas. A empresa trabalha com capacidade plena e a controladoria estima que, mensalmente, são incorridos os seguintes gastos: • energia elétrica: $ 2.700,00 • segurança: $ 1.200,00 • serviços operacionais diversos: $ 2.600,00 Qual o custo unitário mensal de estocagem por tonelada? Exercício 18 As Farmácias Boa Saúde Ltda. efetuaram 15 pedidos de medicamentos junto a seu distribuidor durante os seis primeiros meses deste ano. Os gastos totais com os pedidos foram estimados como: gastos com elaboração das solicitações = $ 60,00; gastos com transportes das mercadorias = $ 400,00; gastos com conferências dos produtos recebidos = $ 80,00; gastos com a quitação das faturas = $ 190,00. Qual o custo do pedido da empresa? Exercício 19 As vendas mensais da Distribuidora de Livros Guri Ltda. são estimadas em 1.500 unidades. A empresa pensa em estabelecer políticas de compra sempre solicitando a mesma quantidade nos pedidos. Desenhe o perfil do estoque anual da empresa, calculando o estoque médio, o intervalo entre ressuprimentos e o número de ressuprimentos necessários, supondo que os pedidos da empresa sejam formados por: (a) 750 unidades; (b) 1.500 unidades; (c) 375 unidades. Exercício 20 36
  • 41. A Distribuidora de Tubaínas Lambada Ltda. apresenta uma demanda homogênea anual igual a 240.000 litros. Sabendo que a empresa sempre faz pedidos no volume de 2.000 litros e que o custo de cada pedido da empresa é igual a $ 134,00, calcule o custo total de pedidos da empresa: (a) por ano; (b) por mês; (c) por semestre. Exercício 21 Em relação ao Exercício 19, calcule o custo total anual de pedido para as três situações. Estima-se que o custo unitário do pedido seja igual a $ 34,80. Exercício 22 Em relação ao Exercício 19, calcule o custo total anual de estocagem para todas as situações. Estima-se que o custo unitário mensal de estocagem seja igual a $ 0,80. Exercício 23 Para a empresa do Exercício 19, sabendo que o custo unitário de pedido da empresa é igual a $ 34,80 e o custo unitário mensal de estocagem é igual a $ 0,80, calcule a soma dos custos gerais totais mensais de estocagem (estocagem mais pedidos) para diferentes quantidades de pedidos e desenhe os gráficos correspondentes. Qual será o custo mínimo? Analisando-se o comportamento dos custos de estocagem, pedidos e total para quantidades de compras diferentes, é possível compor a tabela seguinte. Q Cte Ctp CT 150 60,00 348,00 300 120,00 174,00 450 180,00 116,00 600 240,00 87,00 750 300,00 69,60 900 360,00 58,00 1.050 420,00 49,71 1.200 480,00 43,50 1.350 540,00 38,67 1.500 600,00 34,80 1.650 660,00 31,64 1.800 720,00 29,00 1.950 780,00 26,77 2.100 840,00 24,86 Exercício 24 Em relação ao caso da Distribuidora de Tubaínas Lambada Ltda. (Exercício 20), qual o Lote Econômico de Compra para a empresa? O custo de estocagem mensal é igual a $ 0,04 por litro. Exercício 25 A Comercial de Cosméticos Bella & Charmosa Ltda. possui uma demanda mensal de aproximadamente 800 unidades do creme Macio e Sedoso. Sabe-se que o custo de estocagem para cada unidade é igual a $ 4,20/mês e o custo de pedido é igual a $ 38,00. Qual o LEC da empresa? Exercício 26 A Chocolates Quidelícia Ltda., durante estudo sobre a gestão de materiais diretos, encontrou que o custo de cada pedido feito em seu principal fornecedor é de aproximadamente $ 126,00, incluindo gastos com fretes, pagamento, conferências, etc. Cada quilo de chocolate mantido em estoque custa $ 25,76 por ano. A demanda da empresa é supostamente constante e uniforme, igual a 16.000 kg anuais. Determine: 37
  • 42. (a) qual deve ser a quantidade solicitada por pedido de forma a minimizar o custo. Explique, com suas palavras, o que representa essa quantidade e como sua fórmula foi obtida; (b) para a quantidade calculada, determine o custo total de manutenção de estoques e o custo total do pedido; (c) quantos pedidos deverão ser feitos em um ano; e d) qual o intervalo de tempo entre os pedidos. 38
  • 43. CAPÍTULO 3 MÃO-DE-OBRA DIRETA (MOD) 3 "Hoje o mercado mundial é feito com um nível maior de tecnologia, e isso é bom na medida em que tira o funcionário dos trabalhos braçais e substitui por máquinas. Assim, o ser humano tem maior tempo para refletir sobre o trabalho, criar soluções eficientes e aumentar a produtividade. " Domenico De Mais 3.1 Objetivos do Capítulo A mão-de-obra direta ou, simplesmente, MOD corresponde aos esforços produtivos das equipes relacionadas à produção dos bens comercializados ou dos serviços prestados. Refere-se apenas ao pessoal que trabalha diretamente sobre o produto em elaboração, desde que seja possível a mensuração do tempo despendido e a identificação de quem executou o trabalho, sem necessidade de qualquer apropriação indireta ou rateio. As análises de custos de mão-de-obra direta no Brasil devem considerar fundamentalmente os gastos associados aos encargos trabalhistas sociais, que incidem sobre as folhas de pagamento. É comum dizer que no Brasil o trabalhador ganha muito pouco, porém custa muito caro. Este capítulo possui o objetivo de apresentar os principais tópicos relacionados aos custos com mão-de-obra direta. São abordadas as formas de transferência dos custos com mão-de-obra e os principais encargos existentes sobre os salários. Para permitir a assimilação do conteúdo, além de exemplos, são propostos e resolvidos vários exercícios. 3.2 Custos Da Mão-De-Obra Direta No Brasil No Brasil, em decorrência dos altos níveis de encargos sociais, estes devem ser incorporados no custo horário da mão-de-obra direta (MOD) de forma variável: quanto maior a MOD, maiores são alguns encargos. Da mesma forma, embora, no Brasil, seja possível contratar funcionários remunerados com base no número de horas trabalhadas, a legislação assegura um mínimo de 220 horas, o que torna a mão-de-obra direta um custo fixo na maior parte dos casos. Um exemplo da magnitude dos encargos sociais no Brasil será apresentado a seguir: Supondo a semana não inglesa, com trabalho de seis dias, portanto, sem a compensação dos sábados, e considerando o regime constitucional de 44 horas semanais, chega-se à conclusão de que o 44 dia comum trabalhado possui = 7,3333 horas ou 7 h e 20 min. 6 Número de dias por ano 365 (-) Repousos semanais remunerados -48 (-) Férias -30 (-) Feriados -12 (=) Número máximo de dias à disposição 275 (x) Jornada diária 7,3333 (=) Número máximo de horas à disposição 2.016,67 Supondo um salário por hora igual a $ 100,00, o cálculo do total do salário mais benefícios e encargos pode ser determinado na tabela a seguir. a) salários Número máximo de horas à disposição 2.016,67 Valor da hora trabalhada 100.00 Total de salários 201.666,67 b) Repousos semanais remunerados 3 Esta seção está baseada em Bruni; Famá (2004). 39
  • 44. Número de repousos em dias 48 Jornada diária 7,3333 Número de repousos em horas 352 Valor da hora trabalhada 100,00 Total de repousos semanais remunerados 35.200,00 c) Férias Férias em dias 30 Jornada diária 7,3333 Férias em horas 220 Valor da hora trabalhada 100,00 Total de férias 22.000,00 d) Adicional constitucional de férias Percentual constitucional 33,33% Total de férias 22.000,00 Total de adicional de férias 7.333,33 e) 13° Salário 13° em dias 30 Jornada diária 7,3333 13° em horas 220 Valor da hora trabalhada 100,00 Total de13° 22.000,00 f) Feriados Feriados em dias 12 Jornada diária 7,3333 Feriados em horas 88 Valor da hora trabalhada 100,00 Total de feriados 8.800,00 Além das parcelas anteriores, é necessário acrescentar uma série de contribuições obrigatórias, apresentadas a seguir. Contribuições percentuais Previdência Social 20,0% Fundo de Garantia 8,5% Seguro (acidentes de trabalho) 3,0% Salário (educação) 2,5% Sesi ou Sesc 1,5% A soma de cada uma das Senai ou Senac 1,2% parcelas Incra 0,2% anteriores, Sebrae 0,6% acrescida das Total 37,50% contribuições obrigatórias, fornece o custo total de salários por ano. Veja o resumo na tabela a seguir. Subtotal $ a) Salários 201.666,67 40
  • 45. b) Repousos semanais remunerados 35.200,00 c) Férias 22.000,00 d) Adicional constitucional de férias 7.333,33 e) 13° Salário 22.000,00 f) Feriados 8.800,00 Subtotal 297.000,00 Acréscimo legal de outras contribuições (37,50%) 111.375,00 Total com contribuições 408.375,00 Número de horas trabalhadas por ano 2.016,67 Total geral por hora 202,50 Assim, um salário básico de $ 100,00 por hora revela que, após serem acrescidas todas as contribuições e encargos, resultará um total igual a $ 202,50. Portanto, um acréscimo de 102,50% ao valor original. Destaca-se que, no exemplo anterior, não se considerou multa de 50% sobre o saldo do FGTS. Com a inclusão da mesma, o percentual de contribuições aumentaria para 41,75%, o que resultaria em um total geral por hora igual a $ 208,76 ou um acréscimo de 108,76%. 3.3 Mão-De-Obra Indireta e Ociosidade É importante observar que, embora a mão-de-obra direta seja tratada como variável já que está associada aos volumes produzidos, no Brasil, em função das restrições legais, os salários e encargos devem ser considerados como fixos. A eventual diferença entre o gasto total com mão-de- obra e mão-de-obra direta, alocada ao produto, representa a ociosidade ou a perda do trabalho pago, porém não utilizado, podendo ser agrupado genericamente na categoria de mão-de-obra indireta. Por exemplo, imagine que a Fábrica de Velas Luminosas Ltda. tenha contratado um operário para sua linha de produção, com um salário mensal igual a $ 352,00 (já incluindo encargos e benefícios) e um regime de trabalho igual a 176 horas mensais (8 horas por dia, 22 dias trabalhados por mês). Logo, o valor a ser computado como custo da hora de mão-de-obra direta será igual a $ 2,00 ($ 352,00 dividido pelas 176 horas). No mês de maio, a empresa apontou que o funcionário trabalhou 60 horas na fabricação de Velas Perfumadas e 100 horas na fabricação de Velas Coloridas. 0 custo a ser associado aos produtos em função do uso da mão-de-obra pode ser visto na tabela a seguir. Descrição Horas Valor ($) MOD -Velas Perfumadas 60 120,00 MOD - Velas Coloridas 100 200,00 Soma MOD 160 320,00 MOI 16 32,00 Soma mão-de-obra 176 352,00 Dos $ 352,00 referentes ao gasto total mensal com mão-de-obra, $ 120,00 (60 horas) foram apropriados ao produto Velas Perfumadas, $ 200,00 (100 horas) foram apropriados ao produto Velas Coloridas e $ 32,00 (16 horas) foram considerados como perdas no emprego de mão-de-obra do período e farão parte dos Custos Indiretos de Fabricação. Exercícios Propostos Exercício 27 41
  • 46. O setor de embalagens dos Moinhos Soteropolitanos Ltda. apresenta os dados seguintes, referentes a custos com mão-de-obra. A empresa opera de segunda até sexta, com a compensação dos sábados. Com base nesses números, identifique o total de custos por homem-hora. Supondo que a empresa opera de segunda até sexta, com a compensação dos sábados, e considerando 44 horas/semana, chega-se à conclusão de que o dia trabalhado 44 possui = 8,8 horas ou 8 h e 48 m. 5 Item Descrição Salário pago para um dos 12 operários $ 5,00/hora Regime de trabalho 44 horas/semana Folgas, feriados e faltas abonadas Em média, 12 dias por ano ou 1 dia por mês INSS 22% sobre o salário FGTS 8% sobre o salário 13° salário Normal, sem premiações adicionais Férias 30 dias corridos, com acréscimo de 1/3 Contribuições percentuais INSS 22% FGTS 8% Total Número de dias por ano (-) Repousos semanais remunerados (-) Férias (-) Feriados (=) Número máximo de dias à disposição (x) Jornada diária (=) Número máximo de horas à disposição a) salários Número máximo de horas à disposição Valor da hora trabalhada Total de salários b) Repousos semanais remunerados Número de repousos em dias Jornada diária Número de repousos em horas Valor da hora trabalhada Total de repousos semanais remunerados c) Férias Férias em dias Jornada diária Férias em horas Valor da hora trabalhada Total de férias d) Adicional constitucional de férias Percentual constitucional Total de férias Total de adicional de férias e) 13° Salário 13° em dias Jornada diária 42
  • 47. 13° em horas Valor da hora trabalhada Total de13° f) Feriados Feriados em dias Jornada diária Feriados em horas Valor da hora trabalhada Total de feriados Subtotal $ a) Salários b) Repousos semanais remunerados c) Férias d) Adicional constitucional de férias e) 13° Salário f) Feriados Subtotal Acréscimo legal de outras contribuições Total com contribuições (30%) Número de horas trabalhadas por ano Total geral por hora Exercício 28 Na área industrial da fábrica de Jujubas Peper Mint Ltda., os custos com mão-de-obra alcançam $ 6,20 por hora, mais encargos sociais e obrigações legais. Considerando 40 horas/semana, INSS igual a 22% sobre o salário, FGTS igual a 8%, e 14 dias não trabalhados por ano em decorrência de feriados e folgas abonadas, estime o custo total por hora. Considere a semana não inglesa, com trabalhos aos sábados, e a empresa isenta dos demais impostos e encargos. Supondo a semana não inglesa, com trabalho de seis dias, portanto sem a compensação dos sábados, e considerando 40 horas/semana, chega-se à conclusão de que o dia trabalhado possui _________________ horas. Contribuições percentuais INSS FGTS Total Número de dias por ano (-) Repousos semanais remunerados (-) Férias (-) Feriados (=) Número máximo de dias à disposição (x) Jornada diária (=) Número máximo de horas à disposição a) salários Número máximo de horas à disposição Valor da hora trabalhada 43
  • 48. Total de salários b) Repousos semanais remunerados Número de repousos em dias Jornada diária Número de repousos em horas Valor da hora trabalhada Total de repousos semanais remunerados c) Férias Férias em dias Jornada diária Férias em horas Valor da hora trabalhada Total de férias d) Adicional constitucional de férias Percentual constitucional Total de férias Total de adicional de férias e) 13° Salário 13° em dias Jornada diária 13° em horas Valor da hora trabalhada Total de 13° f) Feriados Feriados em dias Jornada diária Feriados em horas Valor da hora trabalhada Total de feriados Subtotal a) Salários b) Repousos semanais remunerados c) Férias d) Adicional constitucional de férias e) 13° Salário f) Feriados Subtotal Acréscimo legal de outras contribuições Total com contribuições Número de horas trabalhadas por ano Total geral por hora (Custo MOD (h) Exercício 29 Em relação à questão anterior, sabe-se que a empresa fabrica dois produtos: Jujubas Tuti-Frutí e Gomas Sabor Laranja. Em determinado mês, a mão-de-obra direta empregada na fabricação dos dois produtos foi igual a 120 horas e 180 horas, respectivamente. Sabe-se que os materiais diretos, necessários para a fabricação e consumidos no mês, foram iguais a 4 toneladas de açúcar e 10 toneladas de amido de milho. No mês analisado, foram fabricados 6.000 quilos de Jujubas Tuti- 44
  • 49. Fruti e 8.000 quilos de Gomas Sabor Laranja. Os consumos por tonelada de produto fabricado estão apresentados na tabela a seguir. Descrição Jujubas Tuti-Fruti (em kg) Gomas Sabor Laranja (em kg) Açúcar 500 125 Amido de Milho 500 875 O custo do açúcar é estimado em $ 800,00 por tonelada e o amido em $ 1.200,00 por tonelada. Para fabricar uma tonelada de cada produto, a empresa consome o equivalente a $ 84,00 em essência de laranja e $ 68,00 em essência Tuti-Fruti. Empregando os dados fornecidos, estime o custo direto de cada tonelada de produto fabricado no mês em questão. Se os totais de horas de MOD gastos na elaboração dos produtos Jujubas e Gomas foram iguais a 120 e 180 horas, respectivamente; o valor por tonelada foi igual a 20 e 22,5 horas (Quantidade MOD). Calculando os custos diretos, os valores obtidos podem ser vistos na tabela a seguir. Descrição Jujubas Tuti-Frutí (em kg) Gomas Sabor Laranja (em kg) Gastos com MD Quantidade açúcar Preço açúcar Subtotal açúcar Quantidade amido Preço amido Subtotal amido Subtotal essência Subtotal MD Gastos com MOD Quantidade MOD Custo MOD (h) Subtotal MOD Custo direto total Exercício 30 A Fábrica de Pizzas Sapore D'Itália produz e comercializa cerca de 12.000 pizzas por mês, que representam a capacidade produtiva máxima da empresa. No mês de abril de 2000, o setor financeiro da empresa estimou os gastos apresentados a seguir. Com base nos números fornecidos, estime: (a) o custo contábil total da empresa; (b) o custo contábil unitário; (c) o custo total (para o conjunto de funcionários) por hora de mão-de-obra direta; (d) o preço de venda, sabendo-se que a empresa recolhe ICMS no valor de $ 0,50 por pizza (já embutidos os eventuais créditos fiscais), paga comissões sobre vendas no valor de $ 0,42 por pizza e deseja obter uma margem de lucro também iguala $ 0,42; (e) a demonstração do resultado da empresa (DRE). Despreze a incidência de encargos, taxas ou deduções sobre as comissões e sobre o fornecimento de almoços e vales-transportes. Considere nula a alíquota de imposto de renda da empresa. 1 - Gastos relacionados a materiais diretos Para fabricar uma pizza (massa e recheio), a empresa estima que sejam gastos os ingredientes a seguir. Componente Quantidade Unidade Preço unidade Subtotal Massa Farinha de trigo 0,300 kg 1,8 0,54 Fermento 0,005 kg 18,0 0,09 Leite 0,100 l 1,40 0,14 Soma do custo da massa 0,77 Recheio Queijo 0,100 kg 5,80 0,58 Presunto 0,050 kg 6,20 0,31 Molho de tomate 0,050 kg 4,60 0,23 Soma do custo do recheio 1,12 Custo total unitário da pizza 1,89 45
  • 50. II-Gastos relacionados à mão-de-obra Trabalham na empresa seis pessoas, das quais cinco são operadores de produção e um é supervisor. Os salários dos operadores são iguais a $ 200,00 por mês. O supervisor recebe $350,00 por mês. Os funcionários trabalham de segunda até sexta, com regime de 44 horas semanais. Além dos salários, devem ser computadas as seguintes provisões mensais: Provisão Percentual Descrição e metodologia de cálculo 13° 1/12 Sobre o salário-base Férias 1/12 Sobre o salário-base 1/3 Férias 1/3 x 1/12 Sobre o salário-base INSS e outros 28,80% Sobre o salário-base, acrescido das provisões de férias e 13° FGTS 8% Sobre o salário-base, acrescido das provisões de férias e 13° Como parte de sua política de benefícios, a empresa fornece gratuitamente vales-transportes aos funcionários (dois vales de $ 0,80 cada um por dia trabalhado) e almoço com custo estimado em $ 2,60 por dia trabalhado. Despreze encargos ou benefícios extras decorrentes dos vales-transportes e dos almoços. A empresa considera oito dias relativos aos finais de semana do mês e um dia em função de feriado ou falta abonada, não trabalhados. III - Custos indiretos de fabricação Estão relacionados na tabela a seguir: Descrição Valor Aluguel $2.500,00 Energia $1.800,00 Telefone $ 300,00 Depreciação $3.200,00 Seguros $ 380,00 Outros $ 500,00 Respostas: Descrição Valor Salários operadores Salário supervisor Subtotal (salários-base) Provisão 13º Provisão férias Provisão adicional de férias Subtotal (salários + provisões) INSS FGTS Subtotal Almoço Vale-transporte Total dos gastos com mão-de-obra Com base nos dados fornecidos, o DRE pode ser elaborado da seguinte forma: DRE Total Unitário Receitas brutas (-) Deduções: ICMS Receita líquida (-) Custos Materiais diretos Mão-de-obra direta CIF Lucro bruto (-) Despesas: comissões Lucro operacional (-) Imposto de Renda Lucro líquido 46
  • 51. CAPÍTULO 4 CUSTEIO-PADRÃO "Tantas vezes pensamos ter chefiado; tantas vezes é preciso ir além”. Fernando Pessoa 4.1 Objetivos do Capítulo Uma forma alternativa de controle de custos envolve o emprego de custos-padrões, que podem ser definidos como os que são cuidadosamente predeterminados e que deveriam ser atingidos em operações eficientes. Custos-padrões podem ser usados na aferição de desempenho, na elaboração de orçamentos, na orientação de preços e na obtenção de custos significativos do produto, com razoável economia e simplicidade da escrituração. As origens das técnicas de elaboração do custo-padrão devem-se à intenção de excluir custos extraordinários que ocasionem variações de eficiência, possibilitando a consideração de tratamento contábil e financeiro adequado da eficiência média dos processos já bem estabelecidos. Além da simplicidade da escrituração contábil, os custos-padrões possibilitam a análise da eficiência produtiva dos processos empresariais. Os objetivos deste capítulo consistem em apresentar os principais aspectos relacionados à aplicação do custo-padrão no processo de formação de custos e gestão de preços. 4.1 Padrões Versus Realizados O custo-padrão consiste em técnica de fixar previamente preços para cada produto que a empresa fabrica. Duas das principais razões de se utilizar o custo-padrão consiste no uso gerencial das informações, ou como forma de agilizar os processos de encerramentos mensais. Ressalta-se que essa forma de custeio não é aceita para avaliação de estoques na data de balanço, exceto quando a diferença for irrelevante. Para manter-se de acordo com a legislação fiscal, nos casos em que a empresa empregue o custo-padrão como instrumento de gestão, dever-se-á ter o cuidado de mantê-lo atualizado, incorporando variações para o custo real, de forma que o resultado apurado em função do custo-padrão não se diferencie do apurado em função do custo real. Os ajustes das variações devem ser efetuados em prazo máximo igual a três meses, distribuindo-as entre estoques e custos, de forma proporcional às quantidades vendidas e estocadas. O Parecer Normativo CST n° 6/79 destaca que: "No caso em que a empresa apure custos com base em padrões preestabelecidos (custo-padrão), como instrumento de controle de gestão, deverá cuidar para que o padrão incorpore todos os elementos constitutivos referidos, e que a avaliação final dos estoques (imputação dos padrões mais ou menos às variações de custos) não discrepe da que seria obtida com o emprego do custo real. Particularmente, a distribuição das variações entre os produtos (em processo e acabados) em estoque e o custo dos produtos vendidos deve ser feita a intervalos não superiores a três meses, ou em intervalo de maior duração, desde que não excedido qualquer dos prazos seguintes: (1) o exercício social; (2) o ciclo usual de produção, entendido como tal o tempo normalmente despendido no processo industrial do produto avaliado. Essas variações, aliás, terão de ser identificadas em termos de um item final de estoque, para permitir verificação de crédito de neutralidade do sistema adotado de custos sobre a valoração dos inventários." O custo-padrão diferencia-se do estimado em razão de apresentar maior rigor técnico e busca de eficiência em sua estimativa. Ambos poderiam ser conceituados da seguinte forma: • custo estimado: estabelecido com base em custos de períodos anteriores, ajustados em função de expectativas de ocorrências futuras, porém sem muito questionamento sobre as quantidades (materiais/mão-de-obra) aplicadas nos períodos anteriores e respectivos custos. Em geral, é empregado para cálculo de taxas de aplicação dos custos indiretos de fabricação, podendo ser estendido aos custos diretos; • custo-padrão: estabelecido com mais critério, representa o que determinado produto deveria custar, em condições normais de eficiência do uso do material direto, da mão- de-obra, dos equipamentos, de abastecimento do mercado fornecedor e da demanda 47
  • 52. do mercado consumidor. Pode ser ideal - quando obtido com base em estudos científicos, desprezando ineficiências e apresentando, portanto, poucas chances de ser alcançado - ou corrente - quando considera as características normais do processo e do produto (incluindo qualidade de materiais, ineficiências, paradas, etc.), que representam a meta a ser alcançada em determinado período. O principal objetivo da utilização do sistema de custeio-padrão consiste no controle dos custos, realizado com base em metas prefixadas para condições normais de trabalho. Empregando custos-padrão, é possível apurar os desvios do realizado em relação ao previsto, identificar as causas dos desvios, adotar providências corretivas e preventivas de erros, que permitem a melhoria do desempenho. Conforme mencionado, sua aplicação não dispensa o cálculo dos custos reais. Sua aplicação deve ser feita para permitir comparações entre previsto e realizado, e análise das variações. A fixação de custos-padrão envolve dois tipos de padrões relativos aos consumos físicos de recursos e aos gastos financeiros unitários de cada recurso consumido: • padrões físicos: como materiais diretos, mão-de-obra direta, consumo de energia, etc., são de responsabilidade de áreas operacionais, como produção, PCP, desenvolvimento de produto, etc.; • padrões monetários: custos em unidades monetárias dos recursos necessários; são de responsabilidade de áreas administrativas, como controladoria, compras, departamento de pessoal. O sistema de custeio-padrão analisa as variações ocorridas entre o custo real e o padrão. A variação será favorável quando o real for menor que o padrão e desfavorável quando o real for superior ao padrão. Um cuidado adicional deve ser tomado na análise rigorosa de variações favoráveis, já que estas podem ter sido decorrentes da redução da qualidade dos materiais diretos (o que compromete a qualidade do produto final ou pode aumentar o consumo) ou aplicação de menor tempo de mão-de-obra, o que pode significar subestimação do custo-padrão. As responsabilidades funcionais para o cálculo do custo-padrão dos componentes de custos são apresentadas na Figura 4.1: Áreas Quantidades técnicas Materiais Diretos Compras e Materiais Controladoria Diretos Controladoria Áreas Horas técnicas Mão-De-Obra Direta Departamento Materiais Taxas de Pessoal Horárias Diretos Ficha de Volumes de Custo Planejamento Custos Produção Padrão Indiretos de Fabricação Taxas de Materiais Controladoria Diretos CIF Figura 4.1 Distribuição de responsabilidade do cálculo do custo-padrão. Devem ser consideradas, também, as variações segregadas, pois algumas podem ser favoráveis e outras desfavoráveis na mesma magnitude, resultando em variação global nula. Algumas das principais vantagens decorrentes da aplicação de um sistema de custeio padrão poderiam ser apresentadas como: 48
  • 53. • eliminação de falhas nos processos produtivos: já que os padrões são determinados com base no estudo e análise das condições normais de produção, dentro de parâmetros associados ao uso eficiente das matérias-primas, utilização adequada de máquinas e equipamentos, emprego correto de mão-de-obra. Na implantação das medidas-padrões, os fatores devem ser criteriosamente ponderados. Assim, a comparação entre o padrão e o realizado permite a constatação e a apuração de eventuais falhas; • aprimoramento dos controles: os padrões podem funcionar como bom instrumento de controle interno, quando bem empregados. Os desvios verificados entre custos reais e padrões permitem identificar o ponto exato do desvio; • instrumento de avaliação do desempenho: os funcionários, a partir da adoção dos padrões, sabem que existem medidas de fácil aplicação e utilização periódica do desempenho profissional nas diversas atividades. Assim, o efeito psicológico da existência dos padrões contribui para a maximização no desempenho de diversos executivos e departamentos; • contribuição para o aprimoramento dos procedimentos de apuração do custo real: algumas análises entre o padrão e o real podem indicar a necessidade da revisão de algumas das etapas de apuração dos custos reais. Por exemplo, em decorrência de falha de registro e controle, o consumo de matéria-prima de determinado mês pode ter sido contabilizado, erroneamente, no mês posterior. Esse fato reforça a necessidade da existência de ambos os sistemas - um complementando as informações fornecidas pelo outro; • rapidez na obtenção das informações: os padrões permitem a obtenção mais ágil de algumas informações, como, por exemplo, as necessárias para a realização de pequenos orçamentos e cotações de vendas - quando não existe tempo disponível para a apuração do custo real. 4.3 Análises de Variações As análises de variações costumam ser decompostas em variação de preço ou taxa e variação de quantidade ou eficiência. As análises de variações podem ser exemplificadas pela Figura 4.2. Variação de Preço Preço Pr Variação Conjunta Pp Variação de Quantidade 0 Qp Qr Quantidade Figura 4.2 Variações em preço e quantidade. Conforme apresentado na Figura 4.2, as variações podem ser de preço, quantidade ou conjunta. As variações de preço analisam exclusivamente o efeito da diferença ocorrida entre o preço- padrão e o preço real. Supondo que a quantidade-padrão fosse realmente consumida, a variação de preço poderia ser apresentada como: Variação de Preço = (Preço Real - Preço-padrão) x Quantidade-padrão A variação de quantidade analisa apenas as diferenças encontradas entre o consumo-padrão previsto e o consumo real verificado. Supõe a manutenção do preço estimado no custo-padrão. Algebricamente, a variação de quantidade pode ser apresentada como: Variação de Quantidade = (Quantidade Real - Quantidade-padrão) x Preço-padrão 49
  • 54. A variação conjunta analisa os efeitos mistos das variações de preços e quantidades. Equivale ao produto das diferenças e pode ser apresentada como: Variação Conjunta = (Preço Real - Preço-padrão) x (Quantidade Real - Quantidade-padrão) Por exemplo, a Diretoria Industrial da Fábrica de Sapatos Ande Bem Ltda. estimou que, para fabricar um par de sapatos do novo modelo Florença, seriam necessários 0,60 m2 de couro e o emprego de 3,20 horas de mão-de-obra direta. Dados da controladoria da empresa indicaram que o custo estimado para o couro seria igual a $ 80,00 por m2 e de $ 15,00 por hora de mão-de-obra direta. Após fabricar 300 pares do novo modelo, a empresa verificou que haviam sido consumidos 210 m2 de couro, com um custo total igual a $ 17.850,00. A mão-de-obra direta empregada na produção dos 300 pares alcançou 990 horas, com um custo total igual a $ 15.840,00. A comparação entre os valores do custo-padrão e do custo real pode ser verificada na tabela seguinte. Couro Mão-de-obra Descrição Unitário Total Unitário Total Preço 80 80 15 15 Padrão Quantidade 0,6 180 3,2 960 Valor 48 14.400,00 48 14.400,00 Preço 85 85 16 16 Real Quantidade 0,7 210 3,3 990 Valor 59,5 17.850,00 52,8 15.840,00 Variações Preço 5 5 1 1 Quantidade 0,1 30 0,1 30 Valor 11,5 3.450,00 4,8 1.440,00 Nota-se que, de modo geral, todas as variações foram desfavoráveis: para produzir os 300 pares, foram consumidos mais recursos produtivos (couro e mão-de-obra) a um custo maior do que estimado no sistema de custo-padrão. Analisando as variações de preço, quantidade e variação conjunta, a empresa encontraria os valores apresentados na tabela a seguir. Componente Couro Mão-de-obra Variação no preço 5 1 Preço Quantidade-padrão 0,6 3,2 Valor da variação de preço 3 3,2 Preço-padrão 80 15 Quantidade Variação na quantidade 0,1 0,1 Valor da variação na quantidade 8 1,5 Variação no preço 5 1 Conjunta Variação na quantidade 0,1 0,1 Valor da variação conjunta 0,5 0,1 Variação total (no valor dos insumos) 11,5 4,8 É importante destacar que a expressão favorável (quando existe redução do custo) ou desfavorável (quando indica elevação do custo) devem ser empregadas com cuidado, já que nem todo aumento de custo é, de fato, desfavorável. Da mesma forma, nem toda redução de custo é favorável para a empresa. Existem e devem ser analisados todos os aspectos qualitativos associados. Por exemplo, a redução do custo de um componente de matéria-prima pode ter ocorrido em função da compra de um produto de qualidade inferior. Se essa qualidade mais baixa interferir na atribuição de valor por parte do cliente, a redução do custo terá sido, na verdade, uma variação desfavorável. 50
  • 55. A recíproca é verdadeira: se um aumento no custo de determinado componente ocasionar aumento mais que proporcional no valor percebido pelo cliente, a variação poderá ser vista como favorável. Exercícios Propostos Exercício 47 A Doceria BomBocado estimou que o custo-padrão de uma torta seria igual a $ 21,24. O custo seria formado por 1,8 kg de farinha de trigo a $ 0,90 por quilo = $ 1,62; 400 g de açúcar a $ 1,45 por kg = $ 0,58 e 2,8 horas de MOD a $ 6,80 a hora = $ 19,04. Em agosto de 19X7, para produzir uma unidade de torta foram necessários 2 kg de farinha, 300 g de açúcar e 3 horas de mão-de-obra direta. Pede-se: (a) Sabendo que os preços dos insumos foram respectivamente iguais a $ 0,88/kg, $ 1,52/kg e $ 7,20/h, analise as variações, determinando quais delas foram favoráveis e quais foram desfavoráveis. (b) Calcule as variações de preço, quantidade e variação conjunta da mão-de-obra direta. Ingrediente Padrão Real Diferença Quantidade Preço($) Custo ($) Quantidade Preço($) Custo($) Quantidade Preço($) Custo($) Farinha Açúcar MOD Soma Exercício 48 O custo-padrão do caderno Especial Durável indica que para cada unidade produzida deveriam ser necessários 200 g de papel sulfite para o miolo, 40 g de papel de alta gramatura para as capas, 60 g de espiral plástica, 0,30 hora de mão-de-obra direta e $ 0,82 de CIFs apropriados. Os preços unitários dos materiais diretos são iguais a: papel de alta gramatura: $ 18,30/kg; papel sulfite: $ 8,60/kg; espiral: $ 14,00/kg; MOD: $ 5,50 por hora. No mês de maio de 19X1, foram produzidas 500 unidades e consumidos 22 kg de papel de alta gramatura, com valor total igual a $ 424,60; 108 kg de papel sulfite, com valor total igual a $ 831,60, 140 horas de MOD, que apresentaram um valor total igual a $ 798,00, e 32 kg de espirais a um valor total igual a $ 467,20. Foram incorridos CIFs no valor de $ 450,00. Pede-se: (a) determine e analise as variações favoráveis e desfavoráveis dos insumos utilizados; (b) para o papel de alta gramatura, determine e analise especificamente as variações de preços, de quantidades e variação conjunta. Ingrediente Padrão Real Diferença Quantidade Preço($) Custo ($) Quantidade Preço($) Custo($) Quantidade Preço($) Custo($) Sulfite Alta Gramatura Espiral MOD CIF Soma 51
  • 56. Exercício 49 A Fábrica de Biscoitos HumHum Ltda. gostaria de analisar as variações ocorridas em seu processo produtivo. Observou-se que a conta Produtos em Elaboração não mostrava estoque inicial nem final. Segundo a controladoria, o custo-padrão poderia ser apresentado como: Descrição $ Materiais (0,80 kg de farinha a $ 0,72/kg) 0,5760 MOD (0,07 hora a $ 6,00/hora) 0,4200 CIF 0,84 Custo-padrão total unitário ? Alguns dados financeiros estão apresentados a seguir. a) foram produzidas 1.600 caixas de biscoito, das quais 1.536 foram vendidas; b) foram comprados 1.500 kg de farinha de trigo a $ 1.150,00; do estoque de materiais foram requisitados 1.400 kg para a produção; c) o departamento de pessoal informou que as despesas com MOD foram iguais a $ 710,00; 107 horas reais foram consumidas; d) os custos indiretos de fabricação foram aproximadamente iguais a $ 1.430,00. Pede-se que sejam determinados em quais componentes existiram variações favoráveis na análise comparativa entre o custo-padrão e o custo real. Resposta: Compo- Padrão Real Diferença nentes Quantidade Preço($) Custo ($) Quantidade Preço($) Custo($) Quantidade Preço($) Custo($) Materiais MOD CIF Soma 52
  • 57. CAPÍTULO 5 CUSTOS PARA DECISÃO "É nos momentos de decisão que o seu destino é traçado." Anthony Robbins. 5.1 Objetivos do Capítulo Os procedimentos empregados, de modo geral, na análise de custos nascem da aplicação direta das normas e princípios da Contabilidade, que possuem o propósito maior do registro do patrimônio. Na gestão empresarial, porém, a ênfase deve estar baseada nas decisões tomadas e seus efeitos subseqüentes. Nem sempre rotinas e procedimentos contábeis mostram-se adequados ao auxílio dos processos de tomada de decisões. Das diferentes formas empregáveis na classificação de custos, uma coloca a possibilidade de classificá-los como custos evitáveis e inevitáveis em relação à decisão analisada. Custos inevitáveis, também denominados de custos irrecuperáveis ou custos afundados, são os de recuperação impossível, como o próprio nome já revela. Geralmente, devem ser isolados das análises, já que não são afetados pelas decisões empresariais. Outro ponto importante na análise do processo de formação dos custos, em função das diferentes composições dos gastos com os volumes processados, diz respeito ao estudo da associação que existe entre custos, volumes e lucros. Em relação à divisão dos gastos entre fixos e variáveis, informações relevantes ao processo de tomada de decisões e análise dos riscos corporativos podem ser calculadas por meio dos pontos de equilíbrio contábil, financeiro e econômico, além das margens de segurança. O objetivo deste capítulo consiste em apresentar os custos, sob a óptica da tomada de decisão. São apresentados e ilustrados com diversos exercícios e pequenos estudos de casos a problemática da análise dos custos irrecuperáveis e do estudo conjunto entre custos, volumes e lucros. 5.2 Custos Não Afetados Pela Decisão Conforme apresentado no Capítulo 1, muitas são as formas de classificar os custos. Uma das formas empregáveis diz respeito ao efeito da decisão sobre os custos. Custos e despesas podem ser classificados em relevantes ou não, relevantes em decorrência de sofrerem ou não os desdobramentos do processo de tomada de decisão. Custos relevantes ou evitáveis, denominados diferenciais ou incrementais, correspondem a gastos que podem ser eliminados de forma total ou parcial em decorrência da escolha de uma alternativa em detrimento de outra. Por exemplo, quando uma fábrica opta por encerrar a produção de determinado produto, todos os custos variáveis diretos desses produtos deixarão de ser incorridos - são custos evitáveis no processo de decisão. Custos não relevantes são os não afetados pela decisão. Por exemplo, quando uma empresa opta por investir em um sistema específico que atenda exclusivamente a suas necessidades, as amortizações dos gastos relativos ao desenvolvimento do sistema são custos não relevantes - existirão independentemente da decisão tomada. Os custos irrelevantes no processo de tomada de decisões podem ser apresentados em duas categorias genéricas: • custos afundados, do inglês sunk costs, ou custos irrecuperáveis: correspondem aos gastos já incorridos e que não podem ser evitados, independentemente da decisão incorrida. Serão sempre os mesmos, não importando as alternativas disponíveis. São irrelevantes e devem ser ignorados no processo de decisão; 53
  • 58. • custos futuros iguais para as alternativas possíveis: correspondem a gastos que serão incorridos de qualquer forma, independentemente das alternativas possíveis. Por exemplo, quando uma empresa analisa o investimento em caminhões similares de duas marcas diferentes, os gastos relativos à mão-de-obra que operará o veículo são os mesmos. Independentemente da alternativa escolhida, os valores serão iguais e irrelevantes na decisão. Para ilustrar o efeito dos custos relevantes e irrelevantes sobre os processos de decisão empresarial, veja o exemplo das Indústrias Guarabira Ltda. Recentemente, a empresa Guarabira Ltda. investiu uma grande soma de recursos na engenharia de produtos e processos com o objetivo de desenvolver uma válvula especial. Os investimentos alcançaram cerca de $ 2.000.000,00, amortizáveis ao longo de cinco anos, conforme premissa assumida pelas áreas técnica e financeira da empresa. Embora tivessem sido grandes os esforços colocados pela empresa no novo produto, o mercado parecia não lhe atribuir o valor apropriado: a empresa estava apresentando prejuízos de forma contínua. O preço praticado, $ 100,00 por unidade, estava bem aquém do desejado. Como solução, a área comercial da Guarabira iniciou estudos para descontinuar a produção e a comercialização das válvulas, já que a obtenção de margens de lucro líquidas positivas parecia ser um sonho impossível. Alguns dos dados contábeis da empresa estão apresentados na tabela a seguir. Anualmente, estavam sendo produzidas e comercializadas cerca de 8.000 válvulas. O prejuízo anual totalizava $ 140.000,00. Descrição - análise contábil Total Unitário Receitas de vendas 800.000,00 100,00 Gastos fixos (500.000,00) (62,50) Custos com pessoal administrativo (40.000,00) (5,00) Aluguel (60.000,00) (7,50) Amortização dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (400.000,00) (50,00) Gastos variáveis (440.000,00) (55,00) Materiais diretos (320.000,00) (40,00) Mão-de-obra direta (120.000,00) (15,00) Soma dos gastos (940.000,00) (117,50) Resultado líquido (140.000,00) (17,50) Uma análise mais cuidadosa dos gastos da empresa indica que os gastos com amortizações são custos irrecuperáveis - uma vez incorridos, não existe nenhuma decisão capaz de revertê-los. Logo, tais custos afundados deveriam ser excluídos do processo de decisão. Um novo demonstrativo deve ser empregado e utilizado no processo de decisão: Descrição - análise da decisão Total Unitário Receitas de vendas 800.000,00 100,00 Gastos fixos (100.000,00) (12,50) Custos com pessoal administrativo (40.000,00) (5,00) Aluguel (60.000,00) (7,50) Gastos variáveis (440.000,00) (55,00) Materiais diretos (320.000,00) (40,00) Mão-de-obra direta (120.000,00) (15,00) Soma dos gastos (540.000,00) (67,50) Resultado líquido da decisão de manter a produção 260.000,00 32,50 Dessa forma, com a exclusão dos gastos com a amortização dos investimentos, nota-se claramente que a empresa deve continuar produzindo e comercializando o produto. A decisão de manter a produção gera um resultado positivo igual a $ 260.000,00 por ano. Outra forma de analisar os custos irrecuperáveis envolve a análise dos resultados das alternativas de decisão disponíveis. Caso mantenha a produção, a empresa incorrerá em um prejuízo anual igual a $ 140.000,00. Caso opte pelo encerramento das atividades, o prejuízo será igual a $ 400.000,00 - que corresponde às amortizações dos investimentos já executados em pesquisa e 54
  • 59. desenvolvimento. Logo, a melhor decisão é a que gera o menor prejuízo: deve-se continuar com a produção das válvulas. A diferença entre as decisões corresponde ao valor encontrado na tabela anterior: positivo e igual a $ 260.000,00. 5.3 Análise de Custos, Volumes e Lucros Uma das principais funções da contabilidade de custos consiste em fornecer subsídios para a tomada de decisões. Nesse sentido, a identificação e distinção de gastos conforme sua variabilidade em variáveis e fixos torna-se muito mais importante do que a mera separação entre custos e despesas, por exemplo. A relação entre custos fixos e variáveis consiste em importante etapa na análise de formação de preços e projeção de lucros obtidos a diversos níveis possíveis de produção e vendas. Para ilustrar o efeito da relação conjunta entre custos, volumes e lucros, veja o exemplo da Sorveteria Lambe Lambe Ltda., empresa que comercializa sorvetes a quilo em um grande shopping da cidade. Alguns dados mensais da empresa estão apresentados na tabela a seguir. O sorvete costuma ser comercializado a $ 16,00 por kg. A empresa gostaria de analisar o comportamento de seus custos e lucros para diferentes volumes mensais de vendas, predeterminados em 1.000 e 2.000 kg. Descrição Valor ($) Energia elétrica 200,00 Aluguel 2.400,00 Sorvete (por kg) 8,00 Salários e encargos 1.600,00 Condomínio 700,00 Telefone 100,00 Embalagens para sorvete (por kg de sorvete) 2,00 Para poder analisar o comportamento dos custos, seria necessário, em um primeiro momento, separar os gastos fixos e variáveis. Veja as tabelas a seguir. Gastos Fixos Valor ($) Gastos Variáveis Valor ($) Energia elétrica 200,00 Sorvete (por kg) 8,00 Aluguel 2.400,00 Embalagens para sorvete Salários e encargos 1.600,00 2,00 (por kg de sorvete) Condomínio 700,00 Telefone 100,00 Soma 5.000,00 Soma 10,00 Da análise de gastos fixos e variáveis, pode ser feita a seguinte análise entre custos, volumes e lucros: Vendas = 1.000 unidades Vendas = 2.000 unidades Situação Total Unitário Total Unitário Receita 16.000,00 16,00 32.000,00 16,00 Gastos variáveis 10.000,00 10,00 20.000,00 10,00 Gastos fixos 5.000,00 5,00 5.000,00 2,50 Gastos totais 15.000,00 15,00 25.000,00 12,50 Lucro 1.000,00 1,00 7.000,00 3,50 55
  • 60. Em relação à tabela anterior, algumas conclusões podem ser extraídas: a) os gastos variáveis unitários não se alteram; b) os gastos fixos totais não se alteram; c) os gastos fixos unitários são reduzidos; como conseqüência, o gasto unitário total é reduzido e o lucro unitário aumenta de $ 1,00 para $ 3,50, um aumento de 250%. É interessante notar que, por sua própria natureza, os gastos fixos totais são variáveis unitariamente e os gastos variáveis totais são fixos unitariamente. Assim, em função da existência de gastos fixos, a empresa apresentaria significativa elevação de seus lucros. Análise mais cuidadosa dos custos em função de diversos volumes de vendas pode ser vista na tabela a seguir. Volume Gasto Fixo Gasto Variável Total Unitário Total Unitário 1 5.000,0 5.000,0 10,0 10,00 10 5.000,0 500,00 100,00 10,00 100 5.000,00 50,00 1.000,00 10,00 1.000 5.000,00 5,00 10.000,00 10,00 2.000 5.000,00 2,50 20.000,00 10,00 A representação da tabela pode ser verificada na Figura 5.1. Enquanto os gastos fixos totais (5.000,00) e gastos variáveis unitários mantêm-se inalterados (10,00), os gastos variáveis totais aumentam proporcionalmente ao aumento do volume de vendas. O gasto fixo unitário cai exponencialmente, em função da economia de escala. G a s t o F ixo T o ta l Gasto Variável Total 6.000,00 25.000 5.000,00 20.000 4.000,00 15.000 3.000,00 10.000 2.000,00 5.000 1.000,00 - 0,00 1 10 100 1.000 2.000 3000 1 10 100 1.000 2.000 Volum e Vo lu m e G a s t o F ixo Un it á rio G a s t o Va riá v e l Un it á rio 6.000,00 12,00 5.000,00 10,00 4.000,00 8,00 3.000,00 6,00 2.000,00 4,00 1.000,00 2,00 0,00 0,00 1 10 100 1.000 2.000 3000 1 10 100 1.000 2.000 Vo l u m e Vo lu m e Figura 5.1. Gastos fixos e variáveis, totais e unitários, da Sorveteria Lambe Lambe Ltda. Exercício 63 A agrícola Arco-íris projeta vendas futuras iguais a $ 600.000,00. Quais os custos totais da empresa previstos para esse volume de vendas, sabendo que para um total de vendas líquidas de $ 400.000,00, os custos totais foram iguais a $ 280.000,00, incluindo $ 30.000,00 de custos fixos? Gasto Fixo Gasto Variável Volume Total Unitário Total Unitário Custos Totais 56
  • 61. Exercício 64 Os produtos da Alfabeto Ltda. costumam ser comercializados por $ 20,00 a unidade. O volume mensal de produção e vendas da empresa é de aproximadamente 80.000 unidades, o que representa 65% de sua capacidade instalada. Sabe-se que seus custos fixos mensais são iguais a $ 300.000,00 e o custo variável unitário é igual a $ 8,00. Supondo que a empresa eleve sua produção e vendas para 100.000, calcule: (a) qual será o impacto nos custos totais unitários em decorrência do aumento de produção? (b) qual será o reflexo no lucro total e unitário? (c) qual o comportamento dos custos variáveis e custos fixos, em função do aumento de vendas mencionado? Análise da relação custo, volume e lucro. Quantidade 80.000 Quantidade 100.000 DRE Simplificado Total Unitário Total Unitário Receita (-) Custos totais (-) Custos fixos (-) Custos variáveis (=) Lucro bruto Análise das variações em unidades monetárias e percentuais (de 80.000 para 100.000). Variação em $ Variação em % DRE Simplificado Total Unitário Total Unitário Receita (-) Custos totais (-) Custos fixos (-) Custos variáveis (=) Lucro bruto Exercício 65 A Fábrica de guarda-chuva Chuvisco Ltda. está trabalhando com capacidade ociosa de 40%. Portanto, o volume mensal de produção e vendas da empresa atualmente é de 16.900 unidades. Seus produtos têm custo variável igual a $ 3,00 por unidade, preço de venda igual a $ 6,50 cada, o que gera um custo variável total igual a $ 50.700,00. Os custos fixos da empresa são estimados em $ 19.000,00. Após contratar uma empresa de pesquisa mercadológica, a empresa verificou que, caso reduzisse seus preços em apenas 15%, aumentaria suas vendas em 35%. Valeria a pena reduzir o preço? DRE Simplificado Quantidade Quantidade Total Unitário Total Unitário Receita (-) Custos totais (-) Custos fixos (-) Custos variáveis (=) Lucro bruto Análise das variações em unidades monetárias e percentuais. Variação em $ Variação em % DRE Simplificado Total Unitário Total Unitário Receita (-) Custos totais (-) Custos fixos (-) Custos variáveis (=) Lucro bruto 57
  • 62. Exercício 66 Um importante grupo empresarial estuda soluções viáveis que resultem no aumento de lucratividade de duas empresas: • indústria de sabonetes Cheiro Bom Ltda.: apresenta lucratividade nula - fabrica e vende 15.000 unidades por mês, a $ 0,32 a unidade. O custo variável unitário é igual a $ 0,13 e o custo fixo mensal é de aproximadamente $ 2.850,00. • indústria de xampus Espuma Cremosa Ltda.: também apresenta lucratividade nula - fabrica e vende 23.200 unidades por mês, a $ 3,68 a unidade. O custo variável unitário é igual a $ 3,02 e o custo fixo mensal é de aproximadamente $ 15.312,00. Pesquisa mercadológica conduzida recentemente revelou que com um desconto de 10% no preço de venda, as vendas se elevariam em 22%. Por outro lado, uma elevação de 8% nos preços resultaria em redução de vendas de 13%. Que sugestões você daria para ambas as empresas? Indústria de Sabonetes Cheiro Bom Cheiro Bom Quantidade = Quantidade = DRE Simplificado Total Unitário Total Unitário Receita (-) Custos totais (-) Custos fixos (-) Custos variáveis (=) Lucro bruto Indústria de Xampus Espuma Cremosa Ltda. Espuma Cremosa Quantidade = Quantidade = DRE Simplificado Total Unitário Total Unitário Receita (-) Custos totais (-) Custos fixos (-) Custos variáveis (=) Lucro bruto Exercício 67 A Companhia Indústrias do Sol Poente produz um artigo que vende por $ 18,00 a unidade. Os custos fixos de produção são iguais a $ 100.000,00 por mês, e o custo variável, $ 8,00 por unidade. O volume mensal de produção e vendas é de 20.000 unidades. Com o aumento da demanda por seus produtos, a empresa espera aumentar sua produção e vendas para 30.000 unidades/mês. Pede-se: (a) Qual será o impacto nos custos totais unitários em decorrência do aumento de produção e vendas de 20.000 para 30.000 unidades? (b) Qual será o reflexo no lucro? (c) Comente também o comportamento dos custos variáveis e dos custos fixos x unitários, em função do aumento de vendas mencionado. Original 20.000 unidades Nova 30.000 unidades DRE Simplificado Total Unitário Total Unitário Receita (-) Custos variáveis (-) Custos fixos (-) Custos totais (=) Lucro bruto 58
  • 63. 5.4 Alavancagem e Ponto de Equilíbrio Conforme apresentado, a previsão de lucros necessita de compreensão das características dos gastos de suas variações em diferentes níveis de operação. Basicamente, muitas dessas características estão presentes nos conceitos de alavancagem e ponto de equilíbrio. 5.4.1 Alavancagem Empresarial O conceito de alavancagem empresarial é similar ao conceito de alavancagem comumente empregado em física. Por meio da aplicação de uma força pequena no braço maior da alavanca, é possível mover um peso muito maior no braço menor da alavanca. Como disse Arquimedes, com uma alavanca e um ponto de apoio seria possível mover o mundo. Figura 5.2 O conceito físico de alavancagem. A alavancagem empresarial permite que uma variação percentual pequena nas vendas de, por exemplo, 2%, resulte em uma variação percentual muito maior no resultado (por exemplo, 20%). Figura 5.3 Alavancagem empresarial: efeito da variação percentual das vendas no resultado. De forma análoga à razão existente entre os braços da alavanca, a razão para esse efeito esta nos gastos fixos da empresa. Como os gastos fixos podem situar-se nos dois lados do balanço patrimonial, a alavancagem empresarial pode ser classificada em: • alavancagem operacional: decorre da existência de gastos fixos relacinados a ativos (investimen- tos) e atividades operacionais da empresa, como depreciação, folha de pessoal, alugueis, etc. • alavancagem financeira: decorre da existência de gastos fixos relacionados ao passivo (financiamentos) da empresa, como os juros pagos e dividendos preferenciais, quando pagos como percentual sobre o capital composto por ações preferenciais. Figura 5.4 Estrutura de gastos fixos. 59
  • 64. Conforme a Figura 5.4, os gastos fixos do ativo propiciam a alavancagem operacional. Os gastos fixos do passivo ocasionam a alavancagem financeira. Veja a comparação de números entre as empresas Conservadora e Agressiva apresentada nas Tabelas 5.1 e 5.2. As empresas situam em mercados distintos, porém apresentam mesmo faturamento na situação base: $ 100.000,00 por mês. Tabela 5.1 Empresa Conservadora S.A.: alavancagem. DRE Situação Empresa Conservadora -20% Base 20% Receitas 80 100 120 (-) Custos fixos -20 -20 -20 (-) Custos variáveis (40%) -32 -40 -48 Lucro operacional (Lajir) 28 40 52 (-) Juros 0 0 0 Lucro antes do IR 28 40 52 Variação -30,00% 30,00% O que as diferencia é a estrutura de custos fixos e variáveis. Enquanto a Conservadora apresenta lucro mensal antes do imposto de renda na situação base igual a $ 40,00, a Agressiva apresenta lucro de $ 20,00. Para analisar o efeito dos custos fixos, são supostas duas variações das receitas: positiva e negativa igual a 20%. A variação no lucro antes do imposto de renda na empresa Conservadora foi de 30%, e a variação na empresa Agressiva chegou a 60%, muito superior. Tabela 5.2 Empresa Agressiva S.A.: alavancagem. DRE Situação Empresa Agressiva -20% Base 20% Receitas 80 100 120 (-) Custos fixos -40 -40 -40 (-) Custos variáveis (40%) -32 -40 -48 Lucro operacional 8 20 32 (-) Juros 0 0 0 Lucro antes do IR 8 20 32 Variação -60,00% 60,00% Complementando a análise, são apresentados dados financeiros da empresa Muito Agressiva que, além de possuir estrutura de custos similar à da Agressiva, possui endividamento que resulta no pagamento de juros fixos decorrentes do uso de capital de terceiros em sua estrutura de passivos igual a $ 5,00 por mês. Para essa empresa, uma variação de 20% (positiva ou negativa) nas vendas ocasiona variação de 80% no lucro antes do imposto de renda. Tabela 5.3 Empresa Muito Agressiva S.A.: alavancagem. DRE Situação Empresa Muito Agressiva -20% Base 20% Receitas 80 100 120 (-) Custos fixos -40 -40 -40 (-) Custos variáveis (40%) -32 -40 -48 Lucro operacional 8 20 32 (-) Juros -5 -5 -5 Lucro antes do IR 3 15 27 Variação -80,00% 80,00% A alavancagem pode ser expressa por meio dos graus de alavancagem: 60
  • 65. Grau de alavancagem Fórmula 0 que expressa Relação entre variações no lucro operacional em %Lucro operacional Operacional (GAO) decorrência de variações nas vendas. Decorre da existência %Vendas de custos fixos operacionais. Relação entre variações no lucro líquido em decorrência de %Lucro Líquido Financeira (GAF) variações no lucro operacional. Decorre da existência de %Lucro Operacional custos fixos financeiros. %Lucro Líquido Relação entre variações no lucro líquido em decorrência de Combinada (GAC) %Vendas variações nas vendas. Decorre da existência de custos fixos GAO x GAF operacionais e financeiros. Algebricamente, pode-se extrair da Demonstração de Resultado a expressão genérica do grau de alavancagem combinada: % Lucro Operacional   % Lucro Líquido  GAC =GAO × GAF = ×     % Vendas  % Lucro Operacional  Eliminando a variação percentual do lucro operacional (%Lucro Operacional) do numerador e do denominador, a expressão anterior pode ser simplificada para: % Lucro Líquido GAC = % Vendas Exercício Calcule os Graus de alavancagem Operacional (GAO); Financeira (GAF) e Combinada (GAC) para as empresas Conservadora, Agressiva e Muito Agressiva apresentadas anteriormente. Empresa Empresa Empresa Muito Grau de Alavancagem Conservadora Agressiva Agressiva  %Lucro operacional  Operacional (GAO)  %Vendas     %Lucro líquido  Financeira (GAF)    %Lucro operacional   %Lucro líquido  Combinada (GAC)  % Vendas    Para as empresas Conservadora, Agressiva e Muito Agressiva apresentadas anteriormente, os graus de alavancagem poderiam ser calculados e expressos na tabela abaixo. A empresa Conservadora possui grau de alavancagem operacional (GAO) igual a 1,50, enquanto a Agressiva e a Muito Agressiva possuem graus de alavancagem operacional (GAO) iguais a 3,000. Ou seja, para cada variação percentual nas receitas, o lucro operacional das empresas Agressiva e Muito Agressiva cresce três vezes mais. Ou seja, para cada 1% de crescimento ou queda, os lucros operacionais crescerão ou cairão 3%. Os graus de alavancagem financeira, fruto do pagamento de juros e da estrutura de financiamento adotada pela entidade, possuem efeito multiplicador sobre a alavancagem operacional. As empresas Conservadora e Agressiva, como não possuem dívidas e não pagam juros, não apresentam os efeitos da alavancagem financeira. Para cada 1% de crescimento no lucro operacional, o crescimento do lucro líquido será igual a 1%, também. Já a empresa Muito Agressiva possui dívidas e paga juros, que são despesas fixas. Assim, possui alavancagem financeira, que, expressa pelo grau de alavancagem financeira, é igual a 1,3. Ou seja, para cada 1% de variação no lucro operacional, o lucro líquido teria variação de 1,3%. A combinação dos efeitos dos graus de alavancagem operacional e financeira pode ser vista no grau de alavancagem combinada, que pode ser obtido diretamente da multiplicação dos graus de 61
  • 66. alavancagem operacional e financeira - conforme apresentado anteriormente na dedução de fórmulas. Em relação às três empresas analisadas, a Conservadora possui grau de alavancagem combinada igual a 1,5000 (que é igual ao grau de alavancagem operacional, já que a empresa não possui dívidas). Ou seja, para cada 1% de variação nas receitas, o resultado líquido da empresa variará em 1,5%. A empresa Agressiva possui grau de alavancagem combinada igual a 3,000 que é, da mesma forma, igual ao grau de alavancagem operacional, já que a empresa também não possui dívidas. Ou seja, para cada 10% de variação nas receitas, o resultado líquido variará 30%. Já a empresa Muito Agressiva, em função do pagamento de despesas financeiras fixas, possui a alavancagem financeira que multiplica em 1,3333 vezes o efeito da alavancagem operacional. Seu grau de alavancagem combinada foi igual a 4,000. Ou seja, para cada 10% de variação nas receitas, o resultado líquido da empresa variará 4 vezes mais, ou 40%. 5.4.2 Ponto de Equilíbrio Contábil 4 A análise dos gastos variáveis e fixos torna possível obter o ponto de equilíbrio contábil da empresa: representação do volume (em unidades ou $) de vendas necessário para cobrir todos os custos e no qual o lucro é nulo. De modo geral tem-se que: Lucro =Receitas Totais - Gastos Totais Substituindo receitas e gastos totais pelos valores unitários multiplicados pelas quantidades vendidas e considerando os gastos fixos, a equação anterior torna-se igual: Lucro =Preço Unitário ×Quantidade ) - (Gastos Fixos + ( Gastos Variáveis Unitários ×Quantidade ) No ponto de equilíbrio contábil, tem-se que lucro é igual a zero, ou que as receitas totais são iguais aos gastos totais. Transformando a equação anterior, tem-se que: Preço ×Quantidade =Gastos Fixos +Gastos Variáveis Unitários ×Quantidade Isolando os gastos fixos na equação, é possível obter: Preço ×Quantidade - (Gastos Variáveis Unitários ×Quantidade )=Gastos Fixos Colocando a quantidade em evidência: ( Quantidade × Preço −Gastos Variáveis Unitários ) =Gastos Fixos Dessa forma, a quantidade de vendas no ponto de equilíbrio contábil (PECQ) de ser expressa como: Gastos Fixos PEC Q = Preços - Gastos Variáveis Unitários As vendas em unidades monetárias no ponto de equilíbrio contábil (PEC$) podem ser expressas como o resultado da multiplicação do preço de venda pela quantidade no ponto de equilíbrio (PECQ). Algebricamente, tem-se que: PEC $ =Preço ×PEC Q 4 Observa-se que foi mantida a denominação ponto de equilíbrio, por já ser consagrada na literatura brasileira. Entretanto, deve-se ressaltar que o conceito de equilíbrio em Economia é similar ao conceito da Física, em que a situação de equilíbrio só se altera se outro fator ocorrer, tirando o corpo da inércia inicial. Em vista disso, há quem aconselhe o uso da denominação ponto de ruptura - do inglês break-even point. 62
  • 67. Substituindo o valor do ponto de equilíbrio contábil em quantidade (PECQ) na equação anterior, tem-se que:  Gastos Fixos  PEC $ = Preço ×   ( Preço - Gastos Variáveis Unitários )   Um exemplo de obtenção do ponto de equilíbrio contábil pode ser visto pelos dados da indústria Bem na Mosca Ltda. A empresa possui gastos fixos da ordem de $ 50.000,00 por mês. Sabe- se que o gasto variável unitário de seus produtos vendidos é aproximadamente igual a $ 56,00 por unidade, e o preço de venda unitário dos produtos da empresa é igual a $ 76,00. Para saber qual o volume de vendas (quantidade) do ponto de equilíbrio contábil, basta aplicar a fórmula anterior. Em outras palavras: Gastos Fixos PECQ = Quantidade = Preço - Gastos Variáveis Unitários 50.000 = = 2.500 unidades 76 - 56 Ou seja, a empresa deveria vender 2.500 unidades para permanecer no ponto de equilíbrio, sem lucros ou prejuízos, mantendo, portanto, a receita total igual aos custos totais. Para saber qual o volume em unidades monetárias das vendas no ponto de equilíbrio contábil, bastaria multiplicar as vendas em unidades pelo preço de cada unidade comercializada. Algebricamente:  Gastos Fixos  PEC $ = Vendas = Preço ×   ( Preço - Gastos Variáveis Unitários )   Vendas = 76,00 × 2.500,00 = $190.000,00 Em outras palavras, a empresa precisaria faturar $ 190.000,00 para cobrir todos os seus gastos e não apresentar nem lucros nem prejuízos. De modo geral, a relação entre receitas e custos pode ser vista na Figura 5.5. Figura 5.5 Análise da alavancagem: gastos fixos, variáveis e ponto de equilíbrio. Quanto mais próximo uma empresa estiver operando de seu ponto de equilíbrio, mais arriscada é sua situação. Em outras palavras, maior é a chance de deixar de ter lucros e passar a ter prejuízos. Para ilustrar, se os gastos variáveis unitários da Indústria Bem na Mosca aumentassem para $ 62,00, o novo ponto de equilíbrio contábil da empresa precisaria ser recalculado. Com base nas informações anteriores, seu novo valor seria: 63
  • 68. Gastos Fixos PEC Q = Quantidade = Preços - Gastos Variáveis Unitários 50.000 Quantidade = = 3.571 unidades 76 - 62 Logo, maiores deveriam ser as vendas. Portanto, um aumento de cerca de 10% nos custos aumentaria o risco das vendas ficarem aquém do ponto de equilíbrio. 5.4.3 Ponto de Equilíbrio Econômico O conceito de ponto de equilíbrio econômico apresenta a quantidade de vendas (ou do faturamento) que a empresa deveria obter para poder cobrir a remuneração mínima do capital próprio nela investido - considerando valores de mercado. Nesse caso, o lucro obtido deveria ser igual à remuneração do capital próprio (RCP), também denominada custo de oportunidade do capital próprio. No ponto de equilíbrio econômico: Lucro =Remuneração do Capital Próprio (RCP) Como o lucro resulta da subtração dos gastos totais das receitas totais, tem-se que: Lucro =Receitas Totais - Gastos Totais Como o lucro tem que ser igual à remuneração do capital próprio, tem-se que: RCP =(Preço ×Quantidade )- (Gastos Fixos +Gastos Variáveis Unitários x Quantidade ) Efetuando algumas alterações na fórmula anterior: Preço ×Quantidade =RCP +Gastos Fixos +Gastos Variáveis Unitários ×Quantidade Preço ×Quantidade - (Gastos Variáveis Unitários ×Quantidade )=RCP +Gastos Fixos Quantidade ×Preço - Gastos Variáveis Unitários ) = ( RCP +Gastos Fixos A quantidade de vendas no ponto de equilíbrio econômico (PEEQ) pode ser expressa como: PEE Q = Quantidade = ( RCP + Gastos Fixos) ( Preço - Gastos Variáveis Unitários ) Dessa forma, as vendas em unidades monetárias no ponto de equilíbrio econômico (PEE$) podem ser expressas como: PEE $ =Preço ×PEE Q Substituindo o valor do ponto de equilíbrio econômico (PEEQ), tem-se que o ponto de equilíbrio em unidades monetárias (PEE$) é igual a:  PEE $ = Preço ×  ( RCP + Gastos Fixos )   ( Preço - Gastos Variáveis Unitários )  É importante destacar que o eventual pagamento de juros deve ser incluído na parcela dos gastos fixos analisados na obtenção do ponto de equilíbrio financeiro.Por exemplo, o balanço patrimonial da Fábrica de Cosméticos ChuChu Beleza Ltda. está apresentado a seguir. Sabe-se que a empresa paga 20% ao ano sobre os empréstimos contraídos. A empresa produz o cosmético facial 64
  • 69. Belezura, que comercializa a $ 3,70 a unidade. Os custos fixos totais da empresa são iguais a $ 18.000,00 e os custos variáveis por caixa com 50 unidades são iguais a $ 110,00. Sabendo-se que a taxa justa de mercado para remunerar o capital próprio investido na ChuChu Beleza é igual a 25% ao ano, qual seria a estimativa do ponto de equilíbrio contábil e econômico da empresa? Ativo Passivo e Patrimônio Líquido Estoques $ 50.000,00 Dívidas $ 80.000,00 Imobilizado $ 150.000,00 Patrimônio Líquido $ 120.000,00 Total $200.000,00 Total $ 200.000,00 Para estimar o ponto de equilíbrio econômico, seria preciso estimar o retorno desejado sobre os capitais empregados nas entidades, sejam eles capitais de terceiros - que implicam o pagamento de juros fixos - ou capital próprio. Geralmente, o pagamento de juros é incorporado diretamente na parcela de gastos fixos da empresa. No caso, para dívidas iguais a $ 80.000,00, o pagamento de juros deverá ser igual a $ 80.000,00 x 20% = $ 16.000,00. Se o patrimônio líquido da empresa for igual a $ 120.000,00, o retorno desejado sobre o capital próprio (RCP) deverá ser igual a $ 120.000,00 x 25% = $ 30.000,00. Como a caixa com 50 unidades apresenta custo variável igual a $ 110,00, o custo variável unitário de cada produto é igual a $ 2,20. Aplicando a fórmula para o ponto de equilíbrio econômico em quantidades (PEEQ): Vendas = ( RCP +Gastos Fixos ) ( Preço - Gastos Variáveis Unitários ) [30.000 + (18.000 +16.000)] Vendas = = 42.667 unidades, aproximadamente. [3,70 - 2,20] O ponto de equilíbrio econômico expresso em unidades monetárias seria igual ao ponto de equilíbrio em unidades (PEEQ), multiplicado pelo preço, ou 42.667 x $ 3,70 = $ 157.867,90. Empregando os mesmos dados, para encontrar o ponto de equilíbrio contábil bastaria ignorar o retorno exigido sobre o capital próprio. Refazendo os cálculos, pode-se dizer que: (18.000 +16.000 ) =22.667 PEC Q = (3,70 - 2,20) unidades, aproximadamente. 5.4.4 Ponto de Equilíbrio Financeiro O ponto de equilíbrio financeiro corresponde à quantidade que iguala a receita total com a soma dos gastos que representam desembolso financeiro para a empresa. Assim, no cálculo do ponto de equilíbrio financeiro não devem ser considerados gastos relativos a depreciações, amortizações ou exaustões, pois estas não representam desembolsos para a empresa. A quantidade das vendas no ponto de equilíbrio financeiro (PEFQ) poderia ser apresentada como: PEFQ =Quantidade = (Gastos Fixos - Gastos Fixos não Desembolsáveis ) ( Preço - Gastos Variáveis Unitários ) 65
  • 70. Para obter o volume financeiro das vendas no ponto de equilíbrio, bastaria multiplicar a quantidade pelo preço de venda. Por exemplo, no ano passado a Fábrica Azul do Céu produziu 30.000 unidades de um único produto, a tinta para paredes Colomar, comercializada a um preço unitário igual a $ 25,00. Sabe-se que os gastos incorridos pela empresa no ano analisado poderiam ser descritos de acordo com a tabela a seguir. Com base nesses números, qual seria o ponto de equilíbrio financeiro da empresa? Gasto Valor Embalagens 150.000,00 Matérias-primas 250.000,00 Depreciação fabril 200.000,00 Mão-de-obra direta 50.000,00 Salários administrativos (fixos) 120.000,00 Outros gastos fixos 80.000,00 Identificando os gastos fixos e variáveis da tabela anterior, é possível obter que o gasto variável unitário seria igual à soma dos gastos variáveis com embalagens, matérias-primas e mão-de- obra fabril, dividido pela quantidade produzida. Expressando algebricamente: GVU = (150.000 + 250.000 +50.000 ) =$ 15,00 30.000 Para estimar o ponto de equilíbrio financeiro (PEFQ) na soma dos gastos fixos, não se devem incluir os não desembolsáveis. A soma dos gastos fixos desembolsáveis seria igual à soma dos salários administrativos e dos outros gastos fixos, ou 120.000,00 + 80.000,00 = $ 200.000,00. Aplicando a fórmula: Gastos Fixos PEFQ =Quantidade vendas = (Preço - Gastos Variáveis Unitários ) 200.000 Quantidade vendas = ( 25,00 - 15,00 ) =20.000 unidades. O volume financeiro das vendas no ponto de equilíbrio financeiro seria igual às quantidades vendidas multiplicadas pelo preço, ou 20.000 x $ 25,00 = $ 500.000,00. 5.4.5 Ponto de Equilíbrio com Múltiplos Produtos Quando uma empresa produz um único produto, a obtenção do ponto de equilíbrio contábil, econômico ou financeiro é bastante simples, conforme demonstrado pelos exemplos anteriores. Quando são muitas as variedades e os tipos de produtos elaborados, porém, a obtenção do ponto de equilíbrio torna-se um pouco mais complexa. Nas situações em que se elabora mais de um produto ou serviço, a expressão do ponto de equilíbrio em quantidades diferentes de produtos diferentes perde, em boa parte, seu sentido. A melhor forma de expressá-lo seria pela receita total de vendas. Imaginando o exemplo fictício de uma empresa que fabrica dois produtos, A e B, o lucro seria função das margens de contribuição percentuais individuais multiplicadas pelas quantidades estimadas de vendas em unidades monetárias somadas e, posteriormente, subtraídas dos gastos fixos. Algebricamente: Lucro =MargemContr% A ×Vendas$ A +MargemContr% B x Vendas$ B - Gastos Fixos Como no ponto de equilíbrio contábil o lucro seria nulo, tem-se que: 66
  • 71. MargemContr% A x Vendas$ A +MargemContr% B x Vendas$ B =Gastos Fixos Substituindo as margens e vendas individuais dos diferentes produtos por valores médios, a expressão (MargemContr%A x Vendas$A + MargemContrB %, x Vendas$B) pode ser substituída por: MargernContr% média ×Vendas$ Totais =Gastos Fixos Ou, o ponto de equilíbrio em unidades monetárias de vendas (Vendas$Totais)seria igual a: Gastos Fixos Vendas$ Totais = Margem Contr% Média Em outras palavras, se uma empresa opera com diferentes produtos, a melhor forma de expressar o ponto de equilíbrio seria pela divisão dos gastos fixos por uma margem de contribuição média. Para obter a margem de contribuição média, basta multiplicar as margens individuais pela participação percentual nas vendas e depois somar o resultado. Veja o exemplo seguinte. A Calango Verde fabrica vende fardamentos escolares e corporativos. Cada unidade de fardamento escolar é vendida por $ 38,00, em média, enquanto os fardamentos corporativos são vendidos por $ 45,00. Os gastos variáveis são estimados em $ 16,00 e $ 20,00, para ambos os produtos, respectivamente. Os gastos fixos anuais da empresa são estimados em $ 40.000,00 e as participações de vendas dos dois produtos são estimadas em 30% e 70%, respectivamente. Para encontrar o ponto de equilíbrio contábil, a empresa precisa encontrar uma margem de contribuição média. As margens de contribuição percentuais para cada um dos dois produtos podem ser apresentadas como: Fardamento escolar: 38,00 - 16,00 margem de contribuição = = 57,89%; 38,00 Fardamento corporativo: 45,00 - 20,00 margem de contribuição = = 55,56%. 45,00 A margem média resulta da ponderação das margens individuais pela participação de cada produto nas vendas, ou: Margem média = 57,89% x 0,30 + 55,56% x 0,70 = 56,26% Como a margem de contribuição média encontrada foi 56,26% e os gastos fixos são iguais a $ 40.000,00, o faturamento da empresa no ponto de equilíbrio contábil seria igual a: Gastos Fixos Vendas$ Totais = Margem Contr% Média 40.000,00 Vendas$ Totais = = $ 71.098,47 0,5626 Assim, o ponto de equilíbrio poderia ser expresso no volume de vendas em unidades monetárias, ou $ 71.098,47. O mesmo critério pode ser aplicado para o cálculo do ponto de equilíbrio econômico e do ponto de equilíbrio financeiro. 5.5 Margem de Segurança A margem de segurança consiste na quantia ou índice das vendas que excedem o ponto de equilíbrio da empresa. Representa o quanto as vendas podem cair sem que a empresa incorra em prejuízo, podendo ser expressa em quantidade, valor ou percentual. Pode ser calculada em quantidade (MSQ), em unidades monetárias (MS$) ou em percentual (MS%). Margem de Segurança em Quantidade (MS Q ) =Vendas Atuais - Ponto de Equilíbrio em Quantidade 67
  • 72. A margem de segurança em unidades monetárias (MS$) é igual à margem de segurança em quantidades (MSQ), multiplicada pelo preço de vendas. Expressando algebricamente: Margem de Segurança em $ (MS $ ) = MSQ × Preço de Venda A margem de segurança percentual (MS%) é igual à margem de segurança em quantidade (MSQ), dividida pela quantidade de vendas: MS Q Margem de Segurança Percentual (MS% ) = Vendas Atuais Um exemplo de uso das margens de segurança pode ser visto no exemplo das indústrias Confiança Ltda. Segundo os dados da contabilidade da empresa, seus principais gastos fixos somados alcançavam $ 54.000,00. Seu custo variável unitário era estimado em $ 4,50, seu preço de venda era estimado em $ 7,50 e seu volume de vendas era igual a 25.000 unidades. Com base nos dados fornecidos, para achar a margem de segurança seria preciso, inicialmente, calcular o ponto de equilíbrio em quantidade. Aplicando a fórmula, é possível determinar que o ponto de equilíbrio em quantidade seria igual a 18.000 unidades. Gastos Fixos PEC Q = Preços - Gastos Variáveis Unitários 54.000 PEC Q = =18.000 unidades 7,50 - 4,50 Como a empresa possui vendas iguais a 25.000 unidades, as margens de segurança em quantidade, unidades monetárias e percentual seriam respectivamente iguais a: Margem de Segurança (MS Q ) =Vendas Atuais - Ponto de Equilíbrio em Quantidade MSQ = 25.000 - 18.000 = 7.000 unidades Margem de Segurança em $ (MS $ ) =MS Q ×Preço de Venda MS$ = 7.000 x $ 7,50 = $ 52.500,00 MS Q Margem de Segurança Percentual (MS% ) = Vendas Atuais MS% = 7.000/25.000 = 28% As margens obtidas indicam que para a empresa entrar na região de prejuízo, exibida no gráfico de ponto de equilíbrio, precisaria perder vendas no valor de 7.000 unidades, que representam $ 52.500,00 ou aproximadamente 28% das vendas atuais. Veja a Figura 5.6. 68
  • 73. Figura 5.6 Margens de segurança e pontos de equilíbrio. Conforme apresentado na Figura 5.6, a margem de segurança ( MSQ, MS$), indica a distância física em que a empresa está trabalhando em relação a seu ponto de equilíbrio contábil (PECQ, PEC$). 5.6 Ponto de Equilíbrio e a Lei dos Rendimentos Decrescentes A lei dos rendimentos decrescentes ou lei das proporções variáveis ou lei da produtividade marginal decrescente é representada pelo seguinte exemplo: aumentando-se a quantidade de um fator variável, permanecendo-se fixa a quantidade dos demais fatores, a produção de início crescerá a taxas crescentes; a seguir, após certa quantidade utilizada do fator variável, passará a crescer a taxas decrescentes; continuando o aumento da utilização do fator variável, a produção decrescerá. A Figura 5.7 ilustra a lei dos rendimentos decrescentes. Os custos totais aumentam juntamente com a elevação das quantidades produzidas e vendidas. Os custos crescem mais depressa quando a quantidade é pequena, em função dos altos custos iniciais e do treinamento, ou a quantidade é muito grande, em função do uso pela organização de recursos mais caros, como horas extras dos funcionários. Na mesma figura, nota-se que a receita total aumenta até um valor limite, passando a crescer a taxas decrescentes, e depois cai. A queda da receita total dá-se em razão do fato de que, para vender maiores quantidades, a organização teria que cobrar preços proporcionalmente mais baixos do que os aumentos percentuais de vendas registrados. Figura 5.7 Ponto de equilíbrio e lei dos rendimentos decrescentes. A Figura 5.7 também permite verificar o ponto de lucro máximo: onde existe maior distância entre a curva da receita total e dos custos totais. Economicamente, expressa a quantidade produzida e comercializada, que iguala custos e receitas marginais. Algebricamente, custos e receitas marginais podem ser definidos pelas funções derivadas dos custos e das receitas totais em relação às quantidades produzidas e comercializadas. Nota-se, na Figura 5.7, a existência de dois pontos de equilíbrio contábeis, denominados de PEC1 e PEC2. O segundo ponto - PEC2- representa a produção na capacidade máxima da empresa, que é desejável sob o ponto de vista mercadológico, porém inconveniente sob o ponto de vista meramente financeiro, já que não atende aos objetivos de maximização dos lucros. Na figura, as quantidades do PEC2 são superiores às do ponto de lucro máximo. Nessas situações, persistindo a 69
  • 74. existência de mercados não atendidos em relação ao ponto de lucro máximo, desejado pela área financeira, deve-se optar pela realização de novos investimentos, alterando a estrutura de custos, exibida na Figura 5.8, e possibilitando o deslocamento de PEC2 para PEC2’. Figura 5.8 Alterações desejáveis nas curvas de custos. Em decorrência dos novos investimentos e da alteração na curva de custos totais, vendas maiores - desejadas pelos departamentos de marketing - podem ser obtidas e o lucro máximo, agora representado por Q e desejado pela área financeira, pode ser alcançado. Os objetivos, a princípio conflitantes, das duas diferentes áreas são alcançados. 5.7 Decisões Sobre Custos e a Teoria das Restrições A Teoria das Restrições (do inglês Theory of Constraints) consiste em uma metodologia de análise desenvolvida pelo físico israelense Eliyahu Goldratt. Envolvido com problemas de logística de produção, Goldratt elaborou um método de administração da produção totalmente novo, e ficou intrigado com o fato de alguns métodos da administração da produção tradicionais e da contabilidade de custos não fazerem muito sentido lógico. Para ilustrar as ineficiências desses métodos, veja o exemplo da fábrica de instrumentos musicais Tindô Lelê Ltda. A empresa produz e comercializa dois produtos: os trompetes Tindô e os trombones Lelê. A área industrial da empresa possui dois departamentos distintos: a metalurgia e o acabamento. As características principais dos produtos Tindô e Lelê podem ser vistas a seguir: Característica Tindô Lelê Demanda mensal 200 200 Preço de venda $610,00 $600,00 Custos com materiais diretos $480,00 $500,00 Margem de contribuição $130,00 $100,00 Tempo de metalurgia (em min.) 10 30 Tempo de acabamento (em min.) 45 30 Tempo total de fabricação (em min.) 55 60 Em relação aos dados apresentados na tabela anterior, nota-se, aparentemente, relativa vantagem do produto Tindô: apresenta margem de contribuição maior - $ 130,00 contra $ 100,00 do produto Lelê, e possui um tempo menor de fabricação, 55 minutos contra os 60 minutos do outro produto. Essa corresponde à visão tradicional e agregada da contabilidade de custos e da administração da produção. Cada centro produtivo trabalha, em média, 22 dias por mês, 8 horas por dia, o que resulta em um tempo disponível total igual a 10.560 minutos por mês. Assim, nota-se a impossibilidade de atender a toda demanda dos dois produtos. Conforme ilustrado na tabela a seguir, para produzir 200 unidades do produto Tindô e 200 unidades do produto Lelê seriam necessários 15.000 minutos de utilização do setor de acabamento, o que corresponde a cerca de 142% de sua capacidade produtiva igual a 10.560 minutos. 70
  • 75. Descrição Tindô Lelê Soma Demanda 200 200 Tempo de metalurgia unitário 10 30 Tempo de metalurgia total 2.000 6.000 8.000 Tempo de metalurgia disponível 10.560 10.560 10.560 Tempo metalurgia (totalldisp.) 19% 57% 76% Tempo de acabamento unitário 45 30 Tempo de acabamento total 9.000 6.000 15.000 Tempo de acabamento disponível 10.560 10.560 10.560 Tempo acabamento (totalldisp.) 85% 57% 142% Logo, é preciso encontrar um ponto de otimização da produção. Baseando-se na suposição de que o produto Tindô apresenta melhor rentabilidade sob o ponto de vista financeiro - da contabilidade de custos tradicional - e um processo produtivo mais ágil, sua produção seria priorizada. Como existem 10.560 minutos produtivos em cada setor industrial e os produtos Tindô e Lelê consomem, respectivamente, 45 e 30 minutos do setor de acabamento, a empresa teria condições de elaborar 200 unidades do produto Tindô e, com a folga produtiva remanescente, mais 52 unidades do produto Lelê. A DRE dessa programação de produção está apresentada a seguir. Tindô 200 unidades Lelê 52 unidades Unitária Subtotal Unitária Subtotal Soma Receitas 610,00 122.000,00 600,00 31.200,00 153.200,00 (-) Custos com materiais diretos (480,00) (96.000,00) (500,00) (26.000,00) (122.000,00) Margem de contribuição 130,00 26.000,00 100,00 5.200,00 31.200,00 (-) Custos indiretos (32.000,00) Lucro (800,00) Com base nos números anteriores, é possível observar que, otimizando a produção e vendas do produto Tindô que, aparentemente, sob o ponto de vista financeiro e da gestão da produção seria o melhor, a empresa incorreria em um prejuízo mensal na ordem de $ 800,00. Caso a gerência de marketing, de posse desses dados e em tentativa de melhorar os resultados, optasse por incentivar as vendas do produto Tindô, elevando, de forma extraordinária, sua demanda para a capacidade máxima produtiva da empresa igual a 235 unidades, os resultados agravariam-se. Tindô 235 unidades Lelê 0 unidade Soma Unitária Subtotal Unitária Subtotal Receitas 610,00 143.350,00 600,00 - 143.350,00 (-) Custos com materiais diretos (480,00) (112.800,00) (500,00) - (112.800,00) Margem de contribuição 130,00 30.550,00 100,00 - 30.550,00 (-) Custos indiretos (32.000,00) Lucro (1.450,00) Conforme exibido na tabela anterior, o prejuízo aumentaria de $ 800,00 por mês para cerca de $ 1.450,00 por mês. Ou seja, informações falhas extraídas dos relatórios contábeis tradicionais conduziriam a um processo de tomada de decisões equivocado. A razão consiste na existência de um desequilíbrio no uso dos setores fabris da empresa. O produto Tindô consome os recursos relativos aos tempos de processo dos diferentes setores de forma desequilibrada - 45 minutos de acabamento contra apenas 10 de metalurgia. Dessa forma, o setor de acabamento - que recebe maior demanda produtiva - acaba funcionando como um gargalo produtivo e financeiro. É restrição que precisa ser analisada com bastante cuidado: a teoria das restrições de Goldratt preocupa-se com essa análise. 71
  • 76. Continuando com o exemplo, imagina-se que a direção da empresa, sabendo da existência do gargalo e na busca de uma otimização de seu uso, priorizasse o produto Lelê. Com base na capacidade produtiva máxima de 10.560 minutos dos setores industriais, é possível fabricar 200 unidades do produto Lelê e 101 unidades do produto Tindô, aproximadamente. A demonstração do resultado está apresentada a seguir. Tindô 101 unidades Lelê 200 unidades Unitária Subtotal Unitária Subtotal Soma Receitas 610,00 61.610,00 600,00 120.000,00 181.610,00 (-) Custos com materiais diretos (480,00) (48.480,00) (500,00) (100.000,00) (148.480,00) Margem de contribuição 130,00 13.130,00 100,00 20.000,00 33.130,00 (-) Custos indiretos (32.000,00) Lucro 1.130,00 Nessa situação, a empresa consegue reverter o prejuízo. Com a produção de 200 unidades de Lelê e 101 unidades de Tindô, a empresa consegue obter uro lucro igual a $ 1.130,00. Continuando com a análise, caso a gerência de marketing opte por concentrar esforços no produto Lelê, elevando sua demanda para 352 unidades - capacidade produtiva máxima - o lucro eleva-se para $ 3.200,00. Tindô 0 unidade Lelê 352 unidades Unitária Subtotal Unitária Subtotal Soma Receitas 610,00 - 600,00 211.200,00 211.200,00 (-) Custos com materiais diretos (480,00) - (500,00) (176.000,00) (176.000,00) Margem de contribuição 130,00 - 100,00 35.200,00 35.200,00 (-) Custos indiretos (32.000,00) Lucro 3.200,00 Ou seja, conforme o exemplo fictício da indústria de instrumentos musicais, alguns procedimentos da contabilidade de custos podem conduzir a algumas conclusões equivocadas. Nem sempre os relatórios permitem identificar corretamente o produto que melhor contribui para a situação financeira da empresa. 5.7.1 Propostas de Goldratt A teoria das restrições, elaborada com base nas idéias de Goldratt, propõe na gestão de operações produtivas a substituição das medidas físicas por uma avaliação de desempenho, caracterizada pelo uso de medidas financeiras. O objetivo principal, ou meta, das empresas, segundo a teoria das restrições, seria ganhar dinheiro. Para ganhar dinheiro, a teoria estabelece dois medidores propriamente ditos e uma situação necessária: • lucro líquido: consiste em um medidor absoluto, que mede a quantidade de recursos monetários que a empresa está gerando. Resulta da diferença entre Ganho e Despesa Operacional - nomenclaturas empregadas na teoria das restrições que divergem, em parte, dos termos empregados na contabilidade tradicional; • retorno sobre o investimento: consiste em um medidor relativo, que dimensiona o esforço necessário para o alcance de determinado nível de lucro. Corresponde ao lucro líquido dividido pelo Inventário; • fluxo de caixa: corresponde à movimentação de recursos financeiros. É considerado muito mais uma situação necessária para a sobrevivência da empresa do que medidor propriamente dito. Os medidores e a situação necessária preocupam-se com a medição do desempenho global da empresa. Para orientar as decisões tomadas e guiar o cumprimento da meta, torna-se necessário preocupar-se com os seguintes parâmetros operacionais: 72
  • 77. • ganho ou throughput: corresponde à geração de recursos monetários por meio das vendas. É igual ao preço de venda menos o montante de valores pagos a fornecedores pelos itens relacionados com os produtos vendidos, e não importa quando foram comprados; • inventário: corresponde aos recursos investidos pelo sistema na aquisição de coisas que intenciona vender - definição que abrange o conceito clássico de inventário (estoque de matérias-primas, produtos em processo, produtos elaborados) e demais ativos permanentes, como máquinas, equipamentos e construções. É importante destacar que nenhum valor agregado é atribuído ao inventário. Todos os gastos existentes no processo de transformação, como mão-de-obra, energia elétrica e outros recursos não são incorporados aos valores dos inventários, e são lançados como despesas operacionais. No modelo proposto pela teoria das restrições, o inventário de produtos acabados é valorado pelo custo dos materiais diretos nele contidos e pagos aos fornecedores; • despesa operacional: corresponde ao dinheiro que o sistema gasta para transformar o inventário em ganho. Segundo a teoria das restrições, de forma prática, todos os recursos gastos que não possam ser guardados para uso futuro devem ser registrados como despesa operacional. Depreciação de máquinas, equipamentos e construções são classificados como despesas operacionais. O processo decisório, segundo a teoria das restrições, pode ser apresentado em cinco etapas: a) identificar as restrições do sistema: todo sistema sempre tem pelo menos uma restrição. Em um primeiro momento, todas as restrições do sistema - que, geralmente, não são muito numerosas - devem ser identificadas. Por exemplo, em relação ao caso da Tindô Lelê, a restrição é representada pela capacidade produtiva do setor de acabamento; b) decidir como explorar as restrições do sistema: o que implica aproveitar ao máximo as restrições encontradas. Em relação ao exemplo, a melhor solução para a empresa seria otimizar o uso do produto Lelê, em função de utilizar menos o setor de acabamento do que o produto Tindô; c) subordinar qualquer outra coisa à decisão anterior: significa que todos os demais recursos não restritivos devem ser utilizados na medida exata demandada pela forma empregada de exploração das restrições; d) elevar as restrições do sistema: deve-se procurar acrescentar maior quantidade do recurso no sistema, quebrando as restrições anteriores e elevando o desempenho da empresa até determinado limite. Nesse caso, novas restrições podem aparecer; e) se, nas etapas anteriores, uma restrição for quebrada, devese voltar ao primeiro passo, sem deixar que a inércia torne-se restrição do sistema: supondo que sempre surgirá uma nova restrição após o quarto passo, o ciclo deverá ser reiniciado a partir da primeira etapa. Deve-se tomar cuidado para evitar que a inércia torne-se restrição do sistema. De acordo com a teoria das restrições, a soma dos ótimos locais não corresponde ao ótimo total. Na busca pela otimização do sistema, nove princípios básicos devem ser seguidos: 1. deve-se balancear o fluxo e não a capacidade: a teoria das restrições enfatiza o balanceamento do fluxo de produção na fábrica, em vez do balanceamento da capacidade. O fluxo dos materiais é o que interessa, e não a capacidade instalada dos recursos. Para isso, é necessário identificar no sistema seus gargalos: os recursos que limitam todo o fluxo; 2. o nível de utilização de um recurso não gargalo não é determinado por seu próprio potencial e sim por outra restrição do sistema: os recursos com capacidade limitada ou a demanda do mercado são os responsáveis pela utilização dos recursos não gargalos; 3. a utilização e a ativação de um recurso não são sinônimos: utilização corresponde ao uso de um recurso não gargalo, de acordo com a capacidade do recurso gargalo. Por sua vez, ativação corresponde ao uso de um recurso não 73
  • 78. gargalo em volume superior ao requerido pelo recurso gargalo. A ativação de um recurso em volume superior à capacidade de processamento do recurso gargalo não contribui com os objetivos de otimização da produção. Pelo contrário, o fluxo mantém-se constante, em função do gargalo, porém as despesas operacionais e os estoques elevam-se; 4. uma hora perdida no gargalo é uma hora perdida no sistema inteiro: horas de produção desperdiçadas no gargalo, seja em decorrência da preparação e ajustes de equipamentos, seja em função da fabricação de produtos não demandados pelo mercado, diminui o tempo total disponível para o ganho. A administração da produção tradicional estabelece a existência de benefícios decorrentes da redução dos tempos de set-up. A teoria das restrições enfatiza que os benefícios decorrentes da redução de tempos de set-up somente existem no caso de recursos gargalos. Redução de tempos de set-up de recursos não gargalos ocasionam poucos ou nenhum benefício. Logo, a teoria das restrições estabelece a manutenção dos maiores lotes possíveis nos recursos gargalos, minimizando o tempo gasto com a preparação desses recursos e aumentando a capacidade do fluxo; 5. uma hora economizada onde não é gargalo é apenas uma ilusão: recursos não gargalo deverão trabalhar de acordo com as restrições do gargalo. Conforme já estabelecido anteriormente, não existem benefícios de economia de tempo de preparação de recursos não gargalos. A economia de tempo nos recursos não gargalos apenas elevaria o montante de tempo ocioso já existente. Por outro lado, o raciocínio inverso é válido. Já que não existem benefícios das reduções de tempo de preparação, lotes menores poderiam ser preparados - diminuindo estoques e despesas operacionais, aumentando a fluidez da produção e o fluxo; 6. os gargalos governam o ganho e o inventário: os gargalos determinam o fluxo e os ganhos do sistema, além dos níveis dos estoques - já que estes são dimensionados e localizados em pontos específicos, de forma que seja possível isolar os gargalos de flutuações estatísticas provocadas pelos recursos não gargalos que os abastecem. Para evitar paradas do gargalo, costuma-se estabelecer um estoque pulmão ou de segurança (time buffer) antes do recurso gargalo; 7. o lote de transferência não pode e, muitas vezes, não deve ser igual ao lote de processamento: por lote de processamento entende-se a quantidade de produtos processados completamente em determinado recurso antes de sua repreparação para o processamento de outro item. Por lote de transferência entende-se a quantidade de produtos transferidos para uma próxima operação. Segundo a teoria das restrições, lotes de transferência e processamento não precisam ser iguais, o que possibilita a divisão dos lotes e a redução do tempo de passagem dos produtos pela fábrica; 8. o lote de processo deve ser variável e não fixo: segundo a teoria das restrições, os lotes de processamento podem variar a cada utilização de recurso produtivo - o que contraria a maioria dos sistemas tradicionais, que costumam estabelecer um mesmo tamanho de lote para todas as operações de fabricação do produto; 9. os programas devem ser estabelecidos considerando todas as restrições simultaneamente: a programação da produção - do que, quanto e quando produzir - deve ser feita considerando todas as restrições existentes. Os tempos de ressuprimento (lead times) somente devem ser estabelecidos em função da programação da produção. 5.7.2 Críticas da Teoria das Restrições à Contabilidade de Custos Alguns dos argumentos básicos da Teoria das Restrições apresentam críticas severas à Contabilidade de Custos. Algumas das principais críticas podem ser apresentadas, como: 74
  • 79. • a contabilidade de custos está obsoleta: segundo a Teoria das Restrições, medidas operacionais globais fundamentam o processo decisório. Assim, o conceito de custo do produto e a própria Contabilidade de Custos perdem o sentido; • existe um novo ambiente de produção: os autores da Teoria das Restrições apresentam que, quando a Contabilidade de Custos foi desenvolvida, as informações geradas por esta poderiam ser consideradas corretas e eficazes, já que o custo de mão-de-obra podia ser identificado com o produto (no começo do século, a remuneração da mão-de-obra baseava-se no número de peças produzidas), e todos os demais gastos indiretos podiam ser rateados aos produtos, sem provocar grandes restrições - dada sua baixa magnitude, quando comparada com os gastos com materiais diretos e mão-de-obra direta. O avanço tecnológico, porém, mudou as indústrias, comprometendo ambas as premissas. Nesse novo ambiente de produção, os conceitos básicos da Contabilidade e da Contabilidade de Custos precisam ser revistos; • a despesa operacional não pode ser rateada ao produto: segundo a Teoria das Restrições, o ganho é efetivamente do produto, não da despesa operacional. Os processos de identificação da despesa operacional com as unidades individuais de produtos não fariam sentido. Seriam ilógicos e subjetivos, podendo até conduzir a um processo de tomada de decisão totalmente inadequado. Para Goldratt a despesa operacional e o lucro líquido de um produto - decorrentes do processo de rateio dos gastos fixos às unidades individuais - correspondem a um fantasma matemático. O lucro líquido existe apenas para a empresa e não para o produto; • existe uma crítica ao conceito de orçamento: já que, geralmente, o orçamento decorre da aplicação da fórmula original de lucros e perdas por meio dos produtos individuais, este poderia ser igualmente criticado; • o conceito de custo do produto deve ser abandonado: a Teoria das Restrições estabelece o conceito de ganho como o resultado do valor de venda subtraído do valor da matéria-prima. A despesa operacional não é identificada ao produto - desaparecendo o conceito de custo do produto e as razões de existência da própria contabilidade de custos tradicional; • o custeio do estoque não tem sentido lógico: já que a despesa operacional não pode ser alocada ao produto, o custeio dos estoques perde o sentido. O processo de valoração dos estoques por meio da alocação de despesas aos inventários consistiria, segundo a Teoria das Restrições, em um jogo artificial e sem sentido de números - que conduz a noções erradas de lucros e perdas fictícios de inventários e pode forçar decisões equivocadas, como as que diminuem os esforços para a redução dos inventários; • o custeio baseado em atividades é um esforço inútil: os modernos sistemas de custeio pleno ou integral (full cost ou plain cost), como o custeio baseado em atividades, correspondem a esforços inúteis - já que alocam de forma completa todos os gastos e despesas operacionais aos produtos - procedimento condenado pela Teoria das Restrições; • alguns aspectos financeiros estão no caminho errado: a busca de soluções para problemas financeiros mediante o emprego de informações originadas da contabilidade de custos tradicional é condenável. Novas soluções, como o custeio ABC, apenas contribuem para o agravamento dos problemas; • apesar de tudo, a Contabilidade continua sendo necessária: embora diversas críticas possam ser feitas à Contabilidade de Custos, Goldratt ressaltou que as medidas financeiras são essenciais. Empresas devem sempre empregá-las, enquanto os objetivos consistirem em ganhar mais dinheiro agora e no futuro. A solução ideal seria a adequação do uso de procedimentos da Contabilidade - apenas os considerados coerentes pela Teoria das Restrições deveriam ser empregados. 5.7.3 Contribuições da Teoria das Restrições à gestão empresarial No âmbito da Teoria das Restrições, algumas sugestões podem ser mencionadas em relação aos processos de gestão empresarial: 75
  • 80. • as restrições forçam a empresa a operar de forma limitada: o funcionamento de uma entidade sempre estará limitado em decorrência de restrições internas ou externas. À medida que uma restrição é superada, nova restrição automaticamente passa a limitar o desempenho da entidade; • o desempenho máximo das partes não conduz necessariamente ao resultado máximo do todo: já que as restrições limitam o desempenho da empresa, não se deve buscar uma otimização isolada das partes. Deve-se trabalhar de forma balanceada, com as restrições existentes, para que o sistema seja otimizado em sua totalidade; • o planejamento operacional deve existir sempre: um processo global de planejamento operacional deve estar sempre presente, com o objetivo de atenuar os efeitos das restrições. A produção não pode ser planejada de forma isolada; • os planos devem ser estabelecidos de acordo com uma seleção de alternativas operacionais: a identificação e a escolha das melhores alternativas operacionais disponíveis conduzem ao estabelecimento dos planos. A construção do melhor roteiro envolve a determinação do mix ótimo de produção e venda, a estimativa dos volumes de atividades de setores não gargalos até a definição de alternativas de tamanhos de lotes de processamento e transferência; • as atividades deverão ser controladas: o "não fazer o que é necessário" causa perda de fluxo de processo e consiste em uma grande preocupação enfatizada pela Teoria das Restrições. A visão tradicional do fazer o que não é necessário" como forma de reduzir pseudo-ociosidades gera apenas a ativação do recurso e não sua utilização - contribuindo para a elevação dos níveis dos inventários. As atividades devem ser controladas com base nas premissas assumidas pela Teoria das Restrições; • o controle deve existir em todas as áreas organizacionais e da empresa: os setores devem desempenhar suas atividades de forma ajustada com os objetivos globais da empresa; • os desempenhos devem objetivar a eficácia e a eficiência: o conceito clássico de eficiência, apresentado pela Contabilidade de Custos, revela a utilização de forma adequada das quantidades de recursos necessárias à geração de determinado volume de produção. Na Teoria das Restrições, a preocupação com recursos não gargalos não é relevante. A preocupação com o uso eficiente dos recursos materiais existe e deve ser administrada via modelos e princípios de just in time e gestão total da qualidade. A maior ênfase consiste no uso eficiente do recurso tempo nos gargalos - sua utilização deve ser rigorosamente controlada. O objetivo maior é a busca da eficácia - seja no questionamento do que está sendo feito com o uso do recurso tempo de um gargalo, seja na preocupação com o atendimento dos volumes de fluxos de produção nos prazos definidos; • o objetivo da gestão deve ser a rentabilidade: para a Teoria das Restrições, a meta fundamental da empresa é ganhar dinheiro, o que para a Contabilidade representa obter resultado econômico positivo, ou seja, lucro; • as contribuições dos produtos devem ser enfatizadas: para a Teoria das Restrições, o "mundo dos ganhos" deve substituir o "mundo dos custos". Os produtos devem ser vistos como contribuidores de resultados econômicos para o alcance da meta da empresa; • os parâmetros econômicos deverão ser prioritariamente empregados na avaliação das áreas organizacionais: já que a meta da empresa é ganhar dinheiro, as unidades da organização devem ser avaliadas por conceitos análogos, mediante medidas financeiras e não por meio de medidas físicas. Exercícios Propostos Exercício 68 76
  • 81. A empresa Shazam Ltda. fabrica e vende mensalmente 300 unidades de um único produto. O preço unitário de venda é igual a $ 40,00. Sabe-se que os custos fixos mensais da empresa são iguais a $ 2.300,00 e os custos variáveis unitários, iguais a $ 19,00. A empresa possui dívidas no montante de $ 10.000,00, sobre as quais incide uma taxa de juros mensal igual a 6%. Calcule os graus de alavancagem da empresa, supondo variações positivas e negativas das vendas iguais a 20%. DRE SHAZAN -20% Situação Base 20% Receitas (-) Custos Fixos (-) Custos Variáveis Lucro Operacional (-) Juros Lucro Variação Grau de Alavancagem Empresa Shazam Ltda. Operacional (GAO) Financeira (GAF) Combinada (GAC) Exercício 69 Dos demonstrativos contábeis e financeiros da Bom de Breque foram extraídas as seguintes informações: custos fixos anuais iguais a $ 25.000,00 e custo variável unitário igual a $ 32,00. Se o preço de venda da empresa é igual a $ 57,00, qual a quantidade do ponto de equilíbrio contábil da empresa? Exercício 70 Os custos fixos mensais da Good Quality são estimados em $ 600,00 por mês. Sabe-se que a margem de contribuição da empresa é aproximadamente igual a 48% do preço de venda. Qual o valor das vendas no ponto de equilíbrio contábil? Exercício 71 Alguns gastos anuais da Fábrica de Relógios Cuco estão apresentados na tabela seguinte. Sabe-se que no ano analisado as vendas da empresa foram iguais a 40.000 unidades, comercializadas unitariamente por $ 220,00. Para poder criar e manter a empresa, os sócios investiram cerca de $ 4.000.000,00, pois desejam remuneração anual próxima a 28%. Com base nos números fornecidos, pede-se para estimar, em quantidades, o ponto de equilíbrio: (a) contábil; (b) financeiro; (c) econômico. Gastos Valor $ Aluguel industrial 480.000,00 Depreciação fabril 560.000,00 Materiais diretos 1.520.000,00 Salário de supervisores (fixos) 120.000,00 Mão-de-obra direta 1.640.000,00 77
  • 82. Outros custos indiretos fixos 480.000,00 Exercício 72 Uma indústria de alimentos fabrica os produtos Biscoitos Recheados Legal e as Bolachas Crocantes. Sabe-se que a empresa tem o ponto de equilíbrio contábil em 1.800 caixas dos biscoitos e 1.400 das bolachas. Sabendo-se que o preço de venda da caixa de biscoito é de 80,00 (custo variável igual a $ 50,00) e o da caixa de bolachas é $ 88,00, o custo fixo é igual a $ 98.800,00, estime o custo variável unitário das caixas de bolachas. Exercício 73 Uma empresa provedora de acesso à Internet apresenta custo variável unitário mensal associado a cada cliente igual a $ 25,00. Promocionalmente, a empresa resolveu vender assinaturas anuais com preço fixado em $ 19,00 por mês. Os gastos fixos da empresa são iguais a $ 180.000,00 e as receitas fixas - decorrentes da venda de espaços publicitários - são iguais a $ 420.000,00. Pede-se: (a) estime o ponto de equilíbrio contábil da empresa; (b) nesse caso, para ter lucro, as vendas da empresa devem ser superiores ou inferiores ao ponto de equilíbrio contábil? Exercício 74 Os custos fixos totais da Fábrica de Embalagens Sacolândia S.A. são estimados em $ 40.000,00, e os variáveis, em $ 6,00. Seus produtos são comercializados a $ 16,00 por unidade e existe previsão para vendas entre 8.000 e 12.000 unidades. Com base nos dados fornecidos, pede-se para: (a) calcular o ponto de equilíbrio contábil; (b) calcular o lucro a 8.000 unidades de vendas; (c) calcular o lucro a 12.000 unidades de vendas; (d) o que acontece com o PEC contábil, se o custo fixo aumentar em 15%; (e) se o custo unitário aumentar em 15%; (f) se o preço de venda unitário aumentar em 15%; (g) e se as unidades vendidas de 8.000 aumentarem em 10%. Exercício 75 A seguir, estão apresentados alguns dados da empresa Maravilha Ltda., que no período analisado vendeu 1.000 unidades. Pede-se: (a) calcular o ponto de equilíbrio contábil; (b) calcular o PE contábil, supondo que os custos fixos elevem-se em 20%; (c) calcular o PE contábil, supondo que somente os custos variáveis sejam aumentados em 20%; (d) calcular o PE contábil, supondo que os preços de vendas sejam elevados em 20%; (e) calcular o PE contábil supondo que o volume de vendas aumente em 20%. Vendas 30.000,00 Custos: Fixos 8.300,00 Variáveis 18.900,00 Lucro Líquido 2.800,00 Exercício 76 As empresas Confiança Ltda. e Atiçada S.A. são concorrentes no mercado, e o preço de seus produtos é igual a $ 20,00 por unidade. A Confiança Ltda. tem custos fixos anuais de $ 294.000,00, contra $ 520.000,00 da Atiçada 78
  • 83. S.A. Esta última, em compensação, tem custos e despesas operacionais variáveis de $ 10,00 por unidade, contra $ 13,00 da concorrente. As vendas da Confiança são iguais a 50.000 unidades por ano, enquanto as vendas da concorrente alcançam 57.600 unidades anuais. Existe perspectiva de aumento ou redução das vendas de ambas as empresas em 10%. Analise comparativamente as duas empresas em termos de ponto de equilíbrio contábil, grau de alavancagem e potencial de risco e retorno. Analisando a situação individual da Confiança Ltda. para as três situações propostas (base, aumento de 10% nas quantidades vendidas e redução de 10% das quantidades vendidas), os DREs da empresa poderiam ser vistos nas tabelas a seguir: DRE Simplificado Total Unitário Total Unitário Total Unitário Empresa: Confiança Quantidade 50.000 Quantidade 55.000 Quantidade 45.000 Receita (-) Gastos totais (-) Gastos fixos (-) Gastos variáveis (-) Lucro operacional (s/ Desp. Fin.) (-) Despesas financeiras (=) Lucro líquido DRE Simplificado Total Unitário Total Unitário Total Unitário Empresa: Atiçada Quantidade 57.600 Quantidade 63.360 Quantidade 51.840 Receita (-) Gastos totais (-) Gastos fixos (-) Gastos variáveis (=) Lucro operacional (s/ Desp. fin.) ( -) Despesas financeiras (=) Lucro líquido Grau de alavancagem Confiança Atiçada Grau de alavancagem operacional (GAO) Grau de alavancagem financeira (GAF) Grau de alavancagem combinada (GAC) Os efeitos dos riscos das empresas podem ser vistos pelos graus de alavancagem calculados na tabela anterior ou nos pontos de equilíbrio e margens de segurança apresentados na tabela a seguir: Na situação original Confiança Atiçada Ponto de equilíbrio contábil (q) Ponto de equilíbrio contábil ($) Margem segurança (q) Margem segurança ($) Margem segurança (%) 79
  • 84. Exercício 77 A empresa Mil e Um Ltda., tradicional fabricante de autopeças, com o objetivo de viabilizar suas vendas futuras, estuda a possibilidade de captar recursos por meio da substituição de metade do valor das ações por dívidas, o que elevaria seu nível de endividamento total, atualmente nulo. As contas patrimoniais da empresa no mês dez./Xl são apresentadas como: Ativo circulante: 150 Realizável a longo prazo: 50 Ativo imobilizado: 200 Passivo circulante não oneroso: 140 As receitas líquidas da empresa em 19X1 foram iguais a $ 200 e existem 100 ações da empresa em poder dos acionistas. A empresa possui custos fixos iguais a $ 30, custos variáveis iguais a 40% da Receita Líquida e alíquota de IR igual a 25%. O custo financeiro estimado das novas dívidas é igual a 20%. 0 comportamento previsto para as vendas futuras é apresentado na tabela a seguir: Crescimento das vendas Probabilidade -20% 30% 0% 20% 30% 50% Analise: Quais os efeitos do crescimento das vendas para a empresa, mantido o atual nível de endividamento? Podem-se perceber os resultados da alavancagem financeira? Quais os efeitos do crescimento das vendas para a empresa, elevando-se o atual nível de endividamento? Respostas: Na situação original, supondo nulo o endividamento da empresa, os Demonstrativos de Resultado de Exercício poderiam ser construídos de acordo com os dados seguintes: DRE Base 30% -20% Receitas Soma dos custos (-) CF (-) CV Lucro operacional antes da Despesa financeira (-) Desp. financeira Lucro líquido antes do IR (-) IR Lucro líquido após IR As variações e os graus de alavancagem da empresa podem ser vistos a seguir. Como inexiste o pagamento de juros, não é possível perceber o efeito da alavancagem financeira. A variação do lucro operacional (antes do pagamento dos juros) é igual à variação do lucro líquido. O grau de alavancagem financeira é igual a um. Variações e alavancagem 30% -20% Variação % das Receitas Variação % do Lucro operacional (LOP) Variação % do Lucro líquido (LL) GAO 80
  • 85. GAF GAC O novo DRE e os cálculos dos graus de alavancagem da empresa poderiam ser vistos a seguir. DRE Base 30% -20% Receitas Soma dos custos (-) CF (-) CV Lucro operacional antes da Despesa financeira (-) Desp. financeira Lucro líquido antes do IR (-) I R Lucro liquido após IR Variações e alavancagem 30% -20% Variação % das Receitas Variação % do LOP Variação % do LL GAO GAF GAC Exercício 78 Alguns dados financeiros do mês de novembro de 2000 da Tindolelê Indústria e Comércio Ltda. estão apresentados a seguir. Com base nesses números e sabendo que no mês em questão a empresa produziu e vendeu 500 unidades por $ 6,00 cada, estime o ponto de equilíbrio contábil em quantidades e em unidades monetárias. Mão-de-obra direta 250,00 Aluguel industrial 5.000,00 Matéria-prima 350,00 Depreciação da fábrica 8.000,00 Embalagem 550,00 Seguro das máquinas 1.000,00 Energia elétrica - industrial I 850,00 Respostas: Custos variáveis $ Custos fixos $ Embalagem Depreciação da fábrica Energia elétrica - industrial Aluguel industrial Matéria-prima Seguro das máquinas 81
  • 86. Mão-de-obra direta Soma dos custos fixos Somados custos variáveis Unidades produzidas Custo variável unitário Receita unitária (preço) Exercício 79 Calcule a margem de segurança em termos percentuais, quantidade e valor da Fábrica de Brinquedos Algazarra Ltda. Sabe-se que seus custos fixos são iguais a $ 1.800,00; seus custos variáveis são iguais a $ 0,60 e o preço de venda praticado é igual a $ 1,20. Suponha vendas iguais a 4.000 unidades. Exercício 80 A Granja Santa Luz apresenta custos fixos mensais iguais a $ 14.000,00 por mês. Sabe-se que a empresa costuma comercializar 120.000 kg de frangos por mês, a um preço de venda igual a $ 1,50 por kg. Os custos variáveis da empresa equivalem a $ 0,80 por kg. Pede-se: (a) Qual o ponto de equilíbrio contábil da empresa (em quantidade e em unidades monetárias)? (b) Quais as margens de segurança da empresa? (c) Se há dois meses o preço de venda do frango era igual a $ 0,94, qual o ponto de equilíbrio e as margens de segurança da empresa? Exercício 81 Calcule o GAO, GAF e GAC da empresa Tripulias Ltda. com base nos dados fornecidos a seguir. Sabe-se que a empresa possui endividamento de $ 1.800,00, sobre o qual incide uma taxa de juros de 10% a.m. Suponha variações positivas e negativas de 10% nas vendas e alíquota nula de Imposto de Renda. As vendas mensais da empresa são iguais a 120 unidades a $ 28,00. Os custos fixos mensais são estimados em $ 560,00 e os custos variáveis alcançam $ 13,00 por unidade. Resposta: DRE Base 10% -10% Receitas Soma dos custos (-) CF (-) CV Lucro operac. antes da despesa financeira (-) Desp. financeira Lucro líquido antes do IR (-) IR Lucro líquido após IR Variações e alavancagem 10% -10% Variação % das Receitas Variação % do LOP Variação % do LL GAO GAF GAC 82
  • 87. Exercício 82 Em relação ao exercício anterior, calcule o ponto de equilíbrio contábil e as margens de segurança em quantidade, em unidades monetárias e em percentual. Analise a situação financeira geral da empresa. Ponto de equilíbrio (q) Ponto de equilíbrio ($) Margem de Segurança (q) Margem de Segurança ($) Margem de Segurança (%) Exercício 83 Em relação ao Exercício 7 (A Fábrica de Pãozinho Delícia), de acordo com a situação original, antes da análise do contrato com o bufê, responda: (a) Qual a margem de contribuição da empresa? (b) Qual o ponto de equilíbrio contábil da empresa em unidades e em reais? (c) Qual a margem de segurança (em percentual sobre as vendas) da empresa no ano analisado? 83
  • 88. CAPÍTULO 6 FORMAÇÃO DE PREÇOS "A centelha inspiradora é essencial. Sem ela as estratégias desintegram-se e viram estereótipos. Mas a transformação da centelha em estratégia bem-sucedida requer método, disciplina mental e trabalho duro." Kenichi Ohmae 6.1 Objetivos do Capítulo Um dos mais importantes aspectos financeiros de qualquer entidade consiste na fixação dos preços dos produtos e serviços comercializados. Para alguns autores, essa atividade consistiria na verdadeira arte do negócio. O sucesso empresarial poderia até não ser conseqüência direta da decisão acerca dos preços. Todavia, um preço equivocado de um produto ou serviço certamente causará sua ruína. Em relação ao processo de formação de preços, alguns dos principais objetivos podem ser apresentados, como: • proporcionar, a longo prazo, o maior lucro possível: a empresa consistiria em uma entidade que deveria buscar sua perpetuidade. Políticas de preços de curto prazo, voltadas para a maximização dos lucros, devem ser utilizadas somente em condições especiais; • permitir a maximização lucrativa da participação de mercado: não apenas o faturamento deveria ser aumentado, mas também os lucros das vendas. Algumas razões contribuem com efeitos negativos sobre os lucros: excesso de estoques, fluxo de caixa negativo, concorrência agressiva, sazonalidade, etc.; • maximizar a capacidade produtiva, evitando ociosidade e desperdícios operacionais: os preços devem considerar a capacidade de atendimento aos clientes - preços baixos podem ocasionar elevação de vendas e a não-capacidade da manutenção de qualidade do atendimento ou dos prazos de entrega. Por outro lado, preços elevados reduzem vendas, podendo ocasionar ociosidade da estrutura de produção e de pessoal; • maximizar o capital empregado para perpetuar os negócios de modo auto- sustentado: o retorno do capital dá-se por meio de lucros auferidos ao longo do tempo. Assim, somente por meio da correta fixação e mensuração dos preços de venda é possível assegurar o correto retorno do investimento efetuado. Os principais objetivos deste capítulo são apresentar o processo de formação preços, sob a óptica baseada nos custos incorridos. Diferentes metodologias são apresentadas, como o método de formação de preços com base nos custos plenos, nos custos de transformação e no custo variável. São abordados, também, tópicos relacionados à construção e aplicação de mark-ups na formação dos preços. 6.2 Métodos Genéricos de Formação de Preços Três processos distintos podem ser empregados na definição de preços e costumam basear-se nos custos, no consumidor ou na concorrência. Os processos de definição de preços baseados nos custos buscam, de alguma forma, adicionar algum valor aos custos. Por exemplo, empresas construtoras apresentam propostas de serviços, estimando o custo total do projeto e adicionando uma margem padrão de lucro. Diversas razões poderiam ser apresentadas como justificativas ao emprego do método de definição de preços com base nos custos: simplicidade - ajustando preços a custos, não é necessário preocupar-se com ajustes em função da demanda, segurança - vendedores são mais seguros quanto a custos incorridos do que a aspectos relativos à demanda e a mercado consumidor; justiça - muitos acreditam que o preço acima dos custos é mais justo tanto para consumidores, quanto para vendedores, 84
  • 89. que obtêm um retorno justo por seus investimentos, sem tirar vantagens do mercado quando ocorrem elevações da demanda. Os maiores conflitos decorrentes da aplicação de preços baseados exclusivamente nos preços residem na não-consideração da demanda e dos níveis de concorrência. Se, por exemplo, um fabricante de eletrodomésticos planejar produzir 20.000 liquidificadores por mês com custos fixos mensais iguais a $ 100.000,00 e variáveis iguais a $ 15,00, seria possível obter um preço de venda igual a $ 30,00 mediante a aplicação de um multiplicador igual a 1,50 sobre os custos totais. Supondo preços de mercado para eletrodomésticos similares entre $ 28,00 e $ 35,00, a empresa conseguiria manter-se competitiva. Por outro lado, caso apenas 5.000 liquidificadores fossem produzidos, o custo médio unitário subiria para $ 35,00. Após aplicar o mesmo multiplicador, o preço deveria igualar-se a $ 52,50. Nessa situação, a empresa perderia competitividade por praticar um preço muito superior ao do mercado. Outra forma de estabelecer preços baseia-se no valor percebido do produto pelo mercado consumidor. Nessa metodologia, as empresas empregam a percepção que os consumidores têm do valor do produto, e não os custos do vendedor. Preços são definidos para se ajustar aos valores percebidos. Por exemplo, um consumidor pode aceitar pagar R$ 1,00 por uma cerveja em lata em um bar e R$ 2,50 pelo mesmo produto em um restaurante de luxo. A terceira metodologia de formação de preços emprega a análise da concorrência. As empresas prestam pouca atenção a seus custos ou a sua demanda - a concorrência é que determina os preços a praticar. Os preços podem ser de oferta - quando a empresa cobra mais ou menos que seus concorrentes, ou de proposta - quando a empresa determina seu preço segundo seu julgamento sobre como os concorrentes irão fixar seus preços. 6.3 Emprego dos Custos na Formação de Preços Um processo de tomada de decisão em que os custos exercem papel fundamental é representado pela formação dos preços dos produtos que serão vendidos ou comercializados. Além dos custos, o processo de formação de preços está ligado às condições do mercado, ao nível de atividade e à remuneração do capital investido. Dessa forma, o cálculo do preço de venda deve chegar a um valor que permita trazer à empresa a maximização dos lucros, ser possível manter a qualidade, atender aos anseios do mercado àquele preço determinado e melhor aproveitar os níveis de produção. As condições que conduzem à formação dos preços podem ser mencionadas por meio das seguintes características: a) forma-se um preço-base; b) critica-se o preço-base à luz das características existentes do mercado, como preço dos concorrentes, volume de vendas, prazo, condições de entrega, qualidade, aspectos promocionais, etc.; c) testa-se o preço às condições do mercado, considerando-se as relações custo-volume- lucro, além de aspectos econômicos e financeiros; d) fixa-se o preço mais apropriado com condições diferenciadas para atender a volumes diferentes, prazos não uniformes de financiamento de vendas, descontos para financiamentos (prazos concedidos) mais curtos, comissões sobre vendas para cada condição. A formação de preços deve ser capaz de considerar a qualidade do produto em relação às necessidades do consumidor, a existência de produtos substitutos a preços mais competitivos, a demanda esperada do produto, o mercado de atuação do produto, o controle de preços imposto pelo governo, os níveis de produção e vendas que se pretende ou podem ser operados e os custos e despesas de fabricar, administrar e comercializar o produto. 85
  • 90. Os principais métodos aplicáveis no processo de formação de preços com base nos custos costumam empregar os seguintes fatores: custo pleno, custo de transformação, custo marginal, taxa de retorno exigida sobre o capital investido, custo-padrão? 6.4 Preços com Base no Custo Pleno Nesse método, os preços são estabelecidos com base nos custos plenos ou integrais - custos totais de produção, acrescidos das despesas de vendas, de administração e da margem de lucro desejada. Por exemplo, a Verde Vale Ltda. produz e comercializa arranjos com flores ornamentais. Sabe-se que os custos com materiais diretos para cada arranjo comercializado são iguais a $ 3,40. Os custos com MOD direta são aproximadamente iguais a $ 2,20. Custos indiretos de fabricação são apropriados com base em 300% da MOD. Despesas administrativas, com vendas e fretes de entregas alcançam $ 1,80. Se a empresa desejasse obter um lucro de $ 1,20 por arranjo, qual deveria ser o preço praticado? Nesse caso, bastaria compor o preço com base na tabela seguinte: Componente Valor Observação MD 3,40 MOD 2,20 CIF 6,60 Calculado com base em 300% da MOD (300% x 2,20 = 6,60) Custo Total 12,20 Soma das parcelas anteriores Despesas 1,80 Gasto Total 14,00 Soma dos custos e despesas Lucro Desejado 1,20 Preço a Praticar 15,20 Soma dos custos, despesas e lucro desejado Exercício 99 Alguns dados financeiros da Pula-Pula S.A. estão apresentados na tabela seguinte. Sabendo-se que a empresa sempre fabrica e vende 15.000 unidades por ano e deseja obter anualmente um lucro de $ 3.600,00, qual deveria ser o preço praticado pela empresa? Considere-a isenta de impostos. Item Valor ($) Mão-de-obra direta 15.000,00 Despesas administrativas 6.800,00 Seguros das lojas 3.600,00 Salários e encargos de vendedores 5.800,00 Aquisição de nova loja no fim do ano 35.000,00 Depreciação de imóveis fabris 2.800,00 Matéria-prima 19.800,00 Seguro da fábrica 1.500,00 Salários e encargos de supervisão fabril 1.100,00 Embalagem 2.400,00 Energia elétrica da fábrica 3.300,00 86
  • 91. Resposta: Item Valor ($) Mão-de-obra direta 15.000,00 Despesas administrativas 6.800,00 Seguros das lojas 3.600,00 Salários e encargos de vendedores 5.800,00 Depreciação de imóveis fabris 2.800,00 Matéria-prima 19.800,00 Seguro da fábrica 1.500,00 Salários e encargos de supervisão fabril 1.100,00 Embalagem 2.400,00 Energia elétrica da fábrica 3.300,00 Lucro desejável 3.600,00 Soma 65.700,00 Quantidades vendidas 15.000 ∑ Valor Unitário (65.700/15.000) 4,38 ∑ Valor Unitário = 65.700/15.000 = $ 4,38. Observação: A aquisição de nova loja é investimento, portanto não pode ser incorporada no custo. Qualquer análise de custos e preços que envolva comparações entre desembolsos e recebimentos em datas diferentes sempre deve ser efetuada considerando o custo de oportunidade dos recursos no tempo. As comparações e cálculos devem ser feitos a valores presentes. Comumente, cálculos que envolvem o custo de oportunidade do dinheiro no tempo empregam a fórmula de capitalização composta e suas derivações. Veja a Figura 6.1. Legenda: VF = Valor Futuro, VP = Valor Presente, i = Taxa de Juros (Custo de Oportunidade dos Recursos), n = Número de Períodos da Capitalização Figura 6.1 Fórmulas de capitalização composta. Por exemplo, a Comercial de Eletrodomésticos Linha Branca Ltda. compra ventiladores por R$ 48,00 com prazo de 30 dias para pagamento. Os aparelhos costumam ficar, em média, 40 dias na empresa até serem vendidos. A empresa sempre concede um prazo de 60 dias aos clientes. Para facilitar, despreze outros gastos relacionados às operações de vendas dos ventiladores. Sabendo que o mark-up desejado pela empresa é igual a 1,80, qual deveria ser o preço cobrado? O custo de oportunidade dos recursos da empresa é estimado em 2% a.m. A solução envolve a análise dos prazos obtidos e concedidos pela empresa. Veja a Figura 6.2. 87
  • 92. Legenda: PMPF = Prazo Médio de Pagamento de Fornecedores; PME = Prazo Médio de Estocagem; PMRV = Prazo Médio de Recebimento de Vendas Figura 6.2 Prazos médios de pagamento e recebimento. De acordo com a figura anterior, nota-se que existe uma diferença de 70 dias [(PME-PMPF) + PMRV = (40 - 30) + 60 = 70] entre o desembolso e o recebimento. Assim, uma análise financeira correta deveria ser feita numa mesma data-base. Na data do pagamento, o preço sugerido de acordo com o mark-up proposto pela empresa seria igual a $ 48,00 x 1,80 = $ 86,40. Já que a empresa financia a operação por 70 dias, o preço cobrado deveria ser o valor futuro do preço desejado na data atual. Aplicando a fórmula de capitalização composta, seria possível obter: Dados: VF = VP × (1 + i ) n VF = ? VF = 86,40 × (1 + 0,02) 2 , 33333 = 90,491 VP = 86,40 i = 0,02 a.m n = 70/30=2,333333 Exercício 100 Uma empresa possui um preço de venda a vista igual a $ 430,00 para determinado produto. O custo de oportunidade dos recursos da empresa é igual a 3% a.m. Calcule qual deveria ser o preço cobrado pela empresa, caso o prazo concedido para pagamento fosse igual a: (a) 30 dias; (b) 60 dias; (c) 90 dias; (d) Exercício 101 A Fábrica de Sapatos Passo Macio possui os dados financeiros apresentados na tabela seguinte. Sabendo-se que o fornecedor concede um prazo de 30 dias para o pagamento das compras, o prazo médio de estocagem da empresa é de 60 dias e o prazo concedido, em média, aos clientes para o pagamento das vendas é de 45 dias, estime qual deveria ser o preço praticado pela empresa. Todos os gastos com MOD e CIFs são considerados como pagos, também, com prazo de 30 dias. O mark-up multiplicador desejado é igual a 3,50 e o custo do dinheiro no tempo para a empresa é estimado em 2% a.m. Componentes unitários Valor ($) Matéria-prima 18,00 Mão-de-obra direta 2,40 CIFs diversos 3,10 Exercício 102 O setor comercial da marcenaria Arte no Traço Ltda. solicitou proposta para elaboração de um conjunto de móveis escolares. Com base em valores históricos, o setor de produção apresentou os seguintes dados estimados: 88
  • 93. Item Valor estimado Custo da madeira, parafusos, tintas, colas, vernizes e laminados $ 36.000,00 Mão-de-obra e encargos sociais $ 12.000,00 Impostos e taxas sobre vendas 9% Margem de contribuição desejada em função do tempo de utilização do setor produtivo 36% Prazo médio entre a data de formação do preço e o recebimento do pedido do cliente 15 dias Prazo médio para produção e entrega da encomenda 30 dias Custo de oportunidade dos recursos da empresa 4% a.m. Com base nos dados anteriores, estime o valor a ser cobrado por esse pedido. Principais limitações do método de custos plenos Entre as principais limitações do método de fixação de preços com base nos custos plenos, podem ser mencionados os seguintes fatos: a) não considerar a elasticidade da procura; b) não ajustar-se às condições imediatas do mercado (pelo fato de olhar apenas para os custos); c) não considerar preços de concorrentes (ao olhar para seu próprio custo, nada é dito sobre a eficiência ou ineficiência da empresa em relação ao mercado); d) não fazer distinções entre custos fixos e variáveis (e não possibilitar análise custo-volume-lucro); e) eventuais distorções causadas pela aplicação de percentual uniforme para os produtos comercializados (na prática, agindo dessa forma, muitos produtos podem estar precificados erroneamente). 0 modelo RKW Uma variante do método de formação de preços com base nos custos plenos é o método de origem alemã RKW - Reichskuratorium für wirtschaftlichkeit (em português, Conselho Administrativo do Império para a Eficiência Econômica) - que alocava custos e despesas aos produtos fabricados. Os preços seriam obtidos mediante o acréscimo do lucro desejado. No Brasil, o método RKW foi empregado na época do Conselho Interministerial de Preços (CIP), órgão que controlou os preços de diversas empresas nas décadas de 60 e 70. A vantagem do método consistiria no fato de que qualquer alteração no custo ou despesa dos produtos poderia ter o efeito mensurado no preço. 6.5 Preços com Base no Custo de Transformação Como os esforços da empresa estão concentrados, basicamente, nos custos de transformação, esse método propõe-se a formar preços com base, apenas, nos custos de transformação, não considerando nos cálculos os custos com materiais diretos. Veja o exemplo da Fábrica de Roupas Elegâncias. Sabendo que a margem de lucro desejada pela empresa sobre o custo integral ou pleno é igual a 20% (mark-up igual a 1,20) e empregando o método do custo pleno, seriam obtidos os preços sugeridos de $ 48,00 para o produto Blusa e $ 49,20 para o produto Saia. Todavia, o esforço da empresa sobre o produto Saia é expressivamente maior - custo de transformação de $ 30,00, contra $ 20,00 do produto Blusa. 89
  • 94. Blusa Saia Componente Pleno Transformação Pleno Transformação Matérias-primas 15,00 15,00 5,00 5,00 Custos de transformação 20,00 20,00 30,00 30,00 Despesas de vendas e administração 5,00 5,00 6,00 6,00 Custo total de produção e venda 40,00 40,00 41,00 41,00 Lucro sobre o custo integral (20%) 8,00 8,20 Lucro sobre o custo de transf. (40%) 8,00 12,00 Preço de venda sugerido 48,00 48,00 49,20 53,00 Assim, seria mais interessante para a empresa concentrar esforços de produção e vendas no produto Blusa, que requer esforços expressivamente menores de transformação - gerando, no entanto, mesma margem de lucro. Para evitar esse confronto, uma alternativa seria a de fixar preços tomando os custos de transformação como base. Empregando o produto Blusa, obtém-se uma margem de 40% sobre o custo de transformação. Se a mesma margem fosse aplicada para o produto Saía, seria obtido um preço sugerido para venda igual a $ 53,00 - uma variação positiva de $ 3,80. Exercício 103 Alguns gastos das Empresas Gato Angorá Ltda. estão apresentados na tabela seguinte. Sabendo-se que a empresa fabrica um único produto, quais deveriam ser os preços de venda cobrados se: (a) a empresa empregasse o método de fixação de preços com base no custo pleno, aplicando um mark-up igual a 1,60 sobre o custo integral; (b) a empresa aplicasse o método de fixação de preços com base no custo de transformação, acrescentando um percentual igual a 210%. Qual seria o percentual aplicado sobre os custos de transformação que tornaria equivalentes os preços obtidos pelos diferentes métodos. A empresa sempre fabrica e vende 200 unidades por mês. Gasto anual Valor ($) Mão-de-obra direta 28.000,00 Seguros da fábrica 3.600,00 Materiais diretos 48.500,00 Mão-de-obra indireta 9.400,00 Depreciação fabril 6.100,00 Resposta: Gasto anual Total Unitário Materiais diretos Mão-de-obra direta Seguros da fábrica Mão-de-obra indireta Depreciação fabril Custo total a) 1,60 sobre custo integral 90
  • 95. Custo de transformação b) 3,1 sobre custo de transformação Preço com mark-up 1,60 (a) Custo de transformação (b) c) Multiplicador (a/b) 6.6 Preços com Base no Custo Marginal O custo marginal poderia ser conceituado como o incremento de custo correspondente à produção de uma unidade adicional de produto. Assim, corresponde aos custos que não seriam incorridos se um produto fosse eliminado ou não produzido5. Por exemplo, a Fábrica de Artefatos de Madeira Jacarandá produz adornos, comercializando- os em todo o país. A empresa apresenta custos fixos anuais iguais a $ 50.000,00 e custos variáveis unitários iguais a $ 20,00. A diretoria da empresa estimou um lucro requerido igual a $ 20,00 por unidade comercializada, Sabe-se que a empresa possui uma capacidade instalada que permite produzir e vender 1.800 unidades por ano. Atualmente, são produzidas e comercializadas 1.000 unidades por ano, a um preço de $ 90,00 - obtido após considerar o custo integral e o lucro requerido. A estrutura de preços, custos e lucro da empresa pode ser vista na tabela seguinte. Total Unitário % Receitas 90.000,00 90,00 100% Custos fixos (50.000,00) (50,00) -56% Custos variáveis (20.000,00) (20,00) -22% Custos totais (70.000,00) (70,00) -78% Lucros 20.000,00 20,00 22% Recentemente, a empresa recebeu de um grande importador de adornos localizado nos EUA um pedido de 300 peças, para serem entregues no decorrer do ano seguinte. O importador propôs-se a pagar $ 42,00 por unidade. Deveria a empresa aceitar a oferta? Se a empresa optasse por formar seu preço com base no custo total, a proposta tenderia a ser recusada, já que o preço formado pela empresa é igual a $ 90,00. Logo, a proposta ofertada pelo importador seria considerada insatisfatória - apenas 46,67%. do preço de venda praticado pela empresa, revelando um desconto implícito no preço de 53,33%. Verificando os custos unitários por produto, de acordo com o volume atual de 1.800 unidades por ano, a empresa contabiliza $ 70,00 por unidade, o que reforçaria a idéia da recusa do pedido. Ao aceitar, porém, o novo pedido, apenas os custos variáveis seriam alterados. Assim, a análise deveria envolver apenas os custos incrementais ou marginais - já que apenas estes seriam aumentados. Dessa forma, o pedido deveria ser aceito e a venda efetuada - o preço de venda proposto ($ 42,00) é bastante superior aos custos marginais da empresa ($ 20,00). Para alguns contadores, as informações oriundas da abordagem por contribuição são superiores e deveriam ser empregadas nos relatórios contábeis em vez da abordagem por absorção. Alguns dos argumentos favoráveis poderiam ser apresentados, como: a) a capacidade de produção instalada e projetada influencia os custos indiretos fixos, e não o número de unidades efetivamente fabricadas no período. Assim, os custos indiretos representam custos para criar a disponibilidade - custos relacionados a estar 5 Uma discussão das vantagens e problemas decorrentes do uso do método de formação de preços com base no custo marginal pode ser vista no capítulo que trata do método do custeio direto. 91
  • 96. pronto para produzir. Seriam incorridos independentemente do volume de produção no período; b) os ativos fixos geram custos à medida que se depreciam - fato normalmente associado ao tempo e não ao volume produzido; c) a abordagem por contribuição está relacionada diretamente à variação dos lucros em decorrência das vendas, facilitando as análises. Problemas no emprego do método com base no custo marginal Embora vantagens possam ser apresentadas, alguns problemas decorrentes do emprego do método de formação de preços com base no custo marginal podem ser mencionados. Entre eles, podem ser destacados: a) a longo prazo, as receitas obtidas pela empresa devem ser capazes de cobrir os custos integrais da empresa - custos e despesas, variáveis e fixos. Assim, a formação de preços com base em custos marginais pode quebrar a empresa a longo prazo; b) a aceitação de novos pedidos com preços estipulados com base nos custos marginais pode criar conflitos com consumidores tradicionais e/ou com o novo cliente no futuro. Consumidores tradicionais podem sentir-se enganados por estarem pagando mais pelo mesmo produto. Novos clientes que compraram o produto por um preço menor podem querer o mesmo tratamento no futuro. No decorrer do tempo, a empresa poderá não ser capaz de cobrir seus custos e auferir os lucros desejados pelos investidores; c) corre-se o risco de, ao praticar preços menores para pedidos incrementais, provocar atos de retaliação de competidores, resultando na fixação de baixas margens para o produto. Para agravar a situação, os consumidores poderiam acostumar-se com o preço baixo do produto e não comprá-lo no futuro a um preço superior - comprometendo lucros e rentabilidade futura da empresa; d) nem sempre é simples associar os custos incrementais aos novos pedidos. Os custos variáveis nem sempre são iguais aos custos marginais ou incrementais - alguns custos fixos poderiam tornar-se variáveis. 6.7 Preços com Base na Taxa de Retorno Exigida Sobre o Capital Investido O emprego desse método permite estimar o preço, com base em taxa pré-determinada de lucro sobre o capital investido. Diferentes poderiam ser as fórmulas empregadas para a obtenção do preço de venda. Uma das mais simples está apresentada a seguir. (CT + R% × CI) P= V Onde: CI = capital investido CT = custos totais R%= lucro percentual desejado sobre o capital investido P = preço sugerido de vendas V = volume de vendas Por exemplo, imagine que, para abrir uma pequena padaria, o Sr. Manoel necessite investir $ 50.000,00 em máquinas, equipamentos, aquisição e reforma do imóvel e capital de giro. Estimativas indicam que o capital investido no negócio deveria apresentar uma taxa de retorno anual igual a, no mínimo, 20%. Os custos anuais da empresa estão apresentados na tabela seguinte. Com base nesses números e sabendo que a empresa deverá fabricar e vender cerca de 800 mil pãezinhos de 50 g por ano, estime qual o preço mínimo a ser cobrado por pãozinho, de forma que o negócio seja lucrativo. 92
  • 97. Descrição Valor ($) Salários e encargos 24.000,00 Materiais diretos 18.000,00 Depreciação 8.000,00 Outros gastos 20.000,00 Soma 70.000,00 De acordo com as informações fornecidas, o lucro anual a ser auferido pela empresa deveria ser igual a, no mínimo, $ 10.000,00 (= $ 50.000,00 x 20%). Acrescido aos custos totais da empresa, resulta em um valor total igual a $ 80.000,00. Para saber o preço a ser praticado, bastaria aplicar a fórmula anterior: (CT + R% × CI) P= V (70.000 + 20% × 50.000) P= = 0,10 800.000 Em outras palavras, a empresa deverá cobrar um preço, no mínimo, igual a $ 0,10 para o negócio ser válido do ponto de vista econômico. Exercício 104 Para montar a fábrica de Tramboleques, foram investidos $ 5.000.000,00 pelos sócios. Os acionistas da empresa estimam que o retorno anual do investimento deveria ser de, no mínimo, 14% a.a. (em regime de perpetuidade). Pede-se: a) Sabendo que a empresa possui custos da ordem de $ 600.000,00 e pretende fabricar 2.000 unidades por ano, qual deveria ser o preço praticado para cada unidade vendida? b) Se as características do mercado permitem que seja cobrado um valor unitário máximo igual a $ 620,00, qual deveria ser o custo máximo da empresa? Exercício 105 Estudo de Caso: Restaurante Aquilo Delícias Após a expansão da cidade em direção ao litoral norte, criou-se considerável demanda por restaurantes na região. Visando atender a essa potencial clientela, Petros Andrade, ex-executivo de um importante grupo europeu, resolveu aplicar suas economias na construção de um moderno e eficiente restaurante de comida por quilo: o Aquilo Delícias. Os investimentos orçados para o restaurante podem ser vistos na tabela seguinte. Item Valor ($) Compra do imóvel 100.000,00 Reforma e adequação do imóvel 40.000,00 Compra de máquinas 28.000,00 Compra de móveis e utensílios 22.000,00 Investimento em capital de giro 10.000,00 Os recursos necessários para o restaurante no montante de $ 200.000,00 serão obtidos das aplicações financeiras de Andrade, que costumam render cerca de 18% a.a. Em relação a suas aplicações financeiras, o risco oferecido pelo novo negócio merece um prêmio de 9% a.a. 93
  • 98. Estima-se que a depreciação do prédio ocorrerá em 20 anos e a dos móveis, máquinas e utensílios, em 10 anos. A empresa é isenta de imposto de Renda. O restaurante deverá ser operado com nove funcionários, de acordo com a relação apresentada a seguir. Os encargos e provisões sobre o salário-base alcançam 126%. Relação de funcionários: Funcionário Quantidade Salário-base mês Cozinheiro 02 $ 400,00 Copeiro 01 $ 300,00 Garçons 04 $ 280,00 Ajudantes Gerais 02 $ 250,00 O consumo de materiais diretos previstos pela empresa está apresentado a seguir. Despreze os eventuais créditos fiscais. Materiais consumidos mensalmente: Item Consumo (kg) Preço médio (kg) Carnes 1.800 8,00 Cereais 2.100 6,00 Verduras 1.300 5,00 Frutas 800 4,50 Temperos 90 3,00 Diversos 20 18,00 Além dos gastos já mencionados, a empresa estima outros, descritos como: Descrição Valor mensal Serviços externos de segurança 800,00 Energia elétrica 260,00 IPTU 180,00 Contador 300,00 A empresa recolhe ICMS com alíquota igual a 12% sobre o preço de venda, já considerados os eventuais créditos fiscais. Despreze o imposto de renda nos cálculos. Sabendo que deverão ser comercializados 6.000 kg por mês, estime qual deve ser o preço mínimo cobrado pelo kg da refeição, de forma a remunerar competitivamente os recursos colocados na empresa. Resposta: Materiais diretos - consumo mensal: Item Consumo (kg) Preço médio (kg) Subtotal Carnes Cereais Verduras Frutas Temperos Diversos Soma Custo unitário de MD 94
  • 99. Mão-de-obra direta - gasto mensal: Funcionário Quantidade Salário-base Subtotal Cozinheiro Copeiro Garçons Ajudantes gerais Subtotal Encargos (126%) Soma Custos indiretos - depreciações mensais: Item Valor ($) Deprec. anos Deprec. anual ($) Deprec. mensal ($) Compra do imóvel Reforma e adequação do imóvel Compra de máquinas Compra de móveis e utensílios Soma Despesas indiretas - mensais: Descrição Valor mensal Serviços externos de segurança Energia elétrica IPTU Contador Soma das despesas indiretas Com base nos dados anteriores, seria possível estimar o custo integral por kg vendido, ignorando impostos. Total mensal Unitário Materiais diretos Mão-de-obra direta Custos indiretos Despesas indiretas Custo integral (custos e despesas) Além dos custos integrais, o preço praticado pela empresa deve ser capaz de remunerar os recursos colocados pelos sócios, conforme o custo de oportunidade. Para estimar o custo de capital ponderado dos recursos da empresa, bastaria analisar a estrutura de investimentos e financiamentos da entidade. Investimentos Valor ($) Financiamentos Valor ($) Compra do imóvel Empréstimos zero Reforma e adequação do imóvel Sócios Compra de máquinas Compra de móveis e utensílios Capital de giro Total dos investimentos Total dos financiamentos 95
  • 100. Descrição Total mensal Unitário Custo integral (custos e despesas) Lucro desejado antes do pagamento de juros Valor dos produtos Exercício 106 Em relação ao exercício anterior, estime qual seria o preço praticado, caso a empresa aplicasse: (a) mark-up sobre o custo integral igual a 1,30; (b) mark-up igual a 3,6 aplicado sobre o custo de transformação. 6.8 Preços com Base no Custo-Padrão Nesse modelo, a empresa estima seu custo-padrão, com o cuidado de corretamente separar os custos pertencentes aos produtos (variáveis) e os custos pertencentes à estrutura operacional da empresa (fixos). Eventuais distorções entre os custos reais e o custo-padrão devem ser prontamente corrigidas. 6.9 Aplicação de Mark-Ups Para se chegar ao preço a ser praticado, muitas vezes pode-se empregar o mark-up, do inglês marca acima, índice que, aplicado sobre os gastos de determinado bem ou serviço, permite a obtenção do preço de venda. Genericamente, o mark-up pode ser empregado de diferentes formas: sobre o custo variável; sobre os gastos variáveis e sobre os gastos integrais. De modo geral, a obtenção do mark-up pode ser vista no Quadro 6.1. Quadro 6.1 Obtenção do Mark-up. Gastos (custos e despesas) G Impostos em percentuais sobre o preço de venda IxP Lucro em percentual do preço de venda LxP Preço de venda P Supondo gastos iguais a G, preço de venda igual a P, lucro percentual sobre o preço de venda igual a L x P e impostos percentuais sobre o preço de venda iguais a I x P, o valor algébrico do mark- up pode ser deduzido da seguinte equação: G +I xP + L xP =P Colocando o preço em evidência, a equação anterior transforma-se em: P x [ 1 -( I + L )] = G Ou, encontrando-se o valor do preço (P), é possível estabelecer o mark-up: índice que multiplica os gastos para se obter o preço de venda. Veja a Figura 6.3. 96
  • 101. Figura 14.3 – Fórmula do mark-up Nesse caso, o mark-up tem a finalidade de cobrir contas não consideradas no custo, como os impostos sobre vendas, as taxas variáveis sobre vendas, as despesas administrativas fixas, as despesas de vendas fixas, os custos indiretos de produção fixos (a depender da situação de custeio) e, obviamente, o lucro desejado pela empresa. O mark-up pode ser calculado de duas formas: multiplicador - mais usual, representa por quanto devem ser multiplicados os custos variáveis para se obter o preço de venda a praticar; e divisor - menos usual, representa percentualmente o custo variável em relação ao preço de venda. Fórmulas do mark-up: Multiplicador: Mark-up = Preço de Venda ou 1 Mark - up = Custo Variável 1 - Soma Taxas Percentuais Divisor: Mark-up_= Custo Variável ou Mark-up = 1 - Soma Taxas Percentuais Preço de Venda Onde: Soma Taxas Percentuais = soma de valores expressos em percentuais que influenciam no processo de formação de preços, como percentual de lucro desejado, taxa percentual de despesas diversas, etc. Veja o exemplo apresentado no quadro seguinte. Supondo que o preço praticado pela empresa fosse igual a 100%, após a subtração de todos os percentuais que participam da formação do preço (PIS/Cofins, ICMS, Comissões, Despesas Administrativas e Financeiras, Despesas Fixas de Vendas, Custos Indiretos de Fabricação - considerando-os como fixos, e o Lucro desejado), a empresa encontraria que o custo variável representaria 40%; assim, o mark-up divisor seria igual a 60% e o mark-up multiplicador seria igual a 100%/40% = 2,5. Descrição (+) Preço de Venda 100,00% (-) PIS/Cofins -3,65% (-) ICMS -12,00% (-) Comissões -5,35% (-) Despesas administrativas/financeiras -5,00% (-) Despesas fixas de vendas -10,00% (-) Custos indiretos (fixos) de fabricação -19,00% (-) Lucro -5,00% (=) Custo variável 40,00% Mark-up divisor 60,00% Mark-up multiplicador 2,50 Em relação ao exemplo anterior, para um produto que apresentasse custo variável igual a $ 78,00, o preço de venda a ser praticado deveria ser igual a $ 78,00 x 2,5 = $ 195,00. 97
  • 102. Note que, para poder aplicar o conceito simplificador do mark-up, os gastos fixos e todas as despesas precisam ser estimados como um percentual sobre as vendas. Por exemplo, se uma loja costuma apresentar um faturamento igual a $ 12.000,00 por mês e gastos fixos da ordem de $ 3.000,00 mensais, o percentual referente aos gastos fixos que deverá ser calculado na obtenção do mark-up será 25% (3.000,00/12.000,00 = 0,25 = 25%). Da mesma forma, a alíquota percentual dos impostos (ICMS ou IPI) a ser considerada no cálculo do mark-up já deve estar deduzida dos eventuais créditos fiscais. Por exemplo, se uma empresa costuma comprar peças mecânicas por $ 400,00 e revendê-las por $ 800,00 - ambas as operações tributadas com alíquota de ICMS igual a 18% - a alíquota considerada no cálculo do mark- up deve ser igual a 9%, em função dos créditos fiscais recebidos (veja tabela de cálculos apresentada a seguir). Outra alternativa envolveria a consideração do crédito em forma absoluta (por exemplo, $ 72,00) e obter algebricamente o preço. Operação Valor ($) Compra da peça $ 400,00 Crédito de ICMS recebido 18% x 400,00 = $ 72,00 Venda da peça $ 800,00 Débito de ICMS 18% x 800,00 = $144,00 ICMS a pagar na operação (débito - crédito) 144,00 - 72,00 = 72,00 Alíquota efetivamente desembolsada ICMS a pagar / preço = 72,00 / 800,00 = 9% A principal razão da aplicação do mark-up decorre do fato de possibilitar uma grande simplificação do processo de formação dos preços - já que custos fixos e demais gastos são incorporados diretamente no percentual do mark-up, não precisando ser apurados individualmente por produto ou serviço comercializado. O conceito de mark-up é bastante empregado em empresas comerciais. Veja o exemplo da Loja de Móveis Forte Como Aço Ltda. A empresa costuma comprar e revender conjuntos de móveis para escritórios formados por mesa e cadeira giratória. Alguns dados financeiros da empresa estão apresentados na tabela seguinte. Descrição Valor Custo de aquisição do conjunto $ 340,00 Frete do fornecedor para a loja 12% Alíquota de ICMS (já considerando créditos fiscais) 9% Comissão de vendas 7% Despesas fixas estimadas em função do volume de vendas 22% Sabendo-se que a empresa desejaria obter um lucro igual a 20% do preço de venda, o preço a ser praticado poderia ser obtido mediante a aplicação da seguinte fórmula: Lucro = Receitas - Gastos Considerando valores unitários: Receitas = Preço Gastos = Custos Unitários + Despesas Unitárias 20% x Preço = Preço - 340,00 - 12% x Preço - 9% x Preço - 7% x Preço - 22% x Preço Dessa forma, o preço encontrado seria igual a $ 1.133,33. Outra forma, mais fácil, para obter o preço envolveria o cálculo do mark-up da empresa e sua posterior aplicação sobre o custo variável. 98
  • 103. 1 Mark - up = 1 - Soma Taxas Percentuais 1 Mark - up = = 3,3333 1 - (0,20 + 0,12 + 0,09 + 0,07 + 0,22 Aplicando o mark-up sobre o custo variável, seria possível o seguinte preço: Preço = Mark-up x Custo Variável = 3,3333 x $ 340,00 = $ 1.133,33. Exercício 107 Determinada empresa gostaria de vender seus produtos com uma margem igual a 10%. Sabe-se que o custo variável da empresa é igual a $ 540,00 por unidade. As demais taxas associadas ao preço são iguais a 40%, incluindo cus tos fixos, demais despesas e impostos. Pede-se: (a) Qual deveria ser o mark-up multiplicador correspondente? (b) Qual deveria ser o preço praticado? Exercício 108 A Comercial Bike Mania monta bicicletas e comercializa diferentes produtos relacionados ao ciclismo. Para produtos nacionais, a margem de lucro líquida é igual a 25%. Para produtos importados, esse percentual aumenta para 40%. A seguir, estão relacionados alguns gastos com quadros para bicicletas nacionais e importados. Além dos gastos mencionados, a empresa possui ou- tros gastos indiretos que equivalem a 30% da receita de vendas. Pergunta-se: (a) Quais os mark-ups multiplicadores da empresa? (b) Quais deveriam ser os preços praticados? Item Quadros nacionais Quadros importados Valor unitário de compra 180,00 230,00 Custo unitário do frete para a loja 30% do valor de compra 60% do valor de compra Vendas anuais em unidades 600 400 Mark-Up Sobre o Gasto Variável Nesse caso, o mark-up multiplicador é aplicado sobre os gastos variáveis da empresa, que incluem custos e despesas variáveis. As fórmulas do mark-up aplicado sobre os gastos variáveis podem ser apresentadas como: Preço de Venda Multiplicador: Mark - up = Gasto Variável Gasto Variável Divisor: Mark - up = Preço de Venda Mark-Up Sobre o Gasto Integral Outra forma de emprego do mark-up consiste em sua utilização como multiplicador sobre os gastos totais da empresa. Em função da complexidade de alocação de custos e despesas indiretos, não é usual. As fórmulas do mark-up aplicado sobre os gastos totais podem ser apresentadas como: 99
  • 104. Preço de Venda Multiplicador: Mark - up = Gasto Total Gasto Total Divisor: Mark - up = Preço de Venda Exercícios Propostos Exercício 109 A Quero Mais Indústria Ltda. apresentou os dados financeiros relatados a seguir. Sabendo que a empresa deseja um lucro igual a 18% do preço de venda, estime: (a) o mark-up multiplicador da empresa, considerando que ele é aplicado sobre os custos variáveis; (b) o preço de venda a ser praticado pela empresa. Mão-de-obra direta 100,00 Comissões 3% do preço Matéria-prima 300,00 Embalagem 550,00 Materiais secundários 200,00 Despesas administrativas 15% do preço Exercício 110 Alguns dos gastos mensais das Indústrias Timbira estão apresentados na tabela seguinte. Sabendo que a empresa produz e comercializa um único produto na razão de 180 unidades por mês, estime qual deveria ser o preço praticado pela empresa, caso a mesma aplicasse um multiplicador igual a: (a) 1,70 sobre os custos plenos (integrais); (b) 2,80 sobre os custos de transformação (Custo de transformação = MOD + CIF). Item Valor Seguro da fábrica 80.000,00 Embalagem 52.000,00 Mão-de-obra direta 148.000,00 Depreciação industrial 26.000,00 Mão-de-obra indireta 19.000,00 Matéria-prima-- 360.000,00 100
  • 105. Respostas: Item Total Unitário (180 ud) Materiais diretos Embalagem Matéria-prima Subtotal materiais diretos Mão-de-obra direta Subtotal mão-de-obra direta CIF Seguro da fábrica Depreciação industriais Mão-de-obra indireta Subtotal CIF Soma dos Custos Exercício 111 Em relação à questão anterior, sabe-se que a empresa recolhe ICMS com alíquota igual a 12% (ignorando créditos oriundos da aquisição de matéria-prima) e paga comissões no valor de 5% sobre as vendas. Pergunta-se qual deveria ser o preço praticado pela empresa se a mesma desejasse: (a) um lucro líquido sobre as vendas igual a 16%; (b) um lucro total igual a $ 80.000,00. Exercício 112 As Cerâmicas Barro Bom Ltda. produzem telhas e tijolos. Os principais gastos mensais da empresa estão apresentados na tabela seguinte. Além desses gastos, a empresa recolhe 11% do preço de venda a título de ICMS (ignorando créditos) e paga 2% de comissão a seus vendedores. A MOD consiste no critério para alocação de custos e despesas na metodologia de custeio integral da empresa. A empresa trabalha a capacidade plena, produzindo 120 milheiros de tijolos e 80 milheiros de telhas por mês. Calcule qual deveria ser o preço praticado por cada produto (por milheiro), sabendo que a empresa gostaria de obter um lucro líquido de 30% sobre o preço de venda. Gastos diretos Gastos Subtotal Tijolos Telhas indiretos Mão-de-obra e encargos 8.000,00 12.000,00 3.000,00 23.000,00 Barro 1.200,00 2.300,00 3.500,00 Areia 560,00 420,00 980,00 Salários e encargos administrativos 2.600,00 2.600,00 Energia elétrica 800,00 1.100,00 4.000,00 5.900,00 Depreciação fabril 1.500,00 1.500,00 Aluguel escritório 1.200,00 1.200,00 Depreciação escritório 400,00 400,00 Salários e encargos comerciais 3.000,00 3.000,00 101
  • 106. Respostas: Gastos diretos Gastos Subtotal Componente Tijolos Telhas indiretos Barro Areia Energia elétrica Mão-de-obra e encargos Depreciação fabril Salários e encargos administrativos Aluguel escritório Depreciação escritório Salários e encargos comerciais Subtotal % MOD para rateio dos custos indiretos Indiretos rateados Custo total Unidades Custo unitário Mark-up multiplicador Preço unitário 102
  • 107. CAPÍTULO 7 EFEITO DOS TRIBUTOS SOBRE CUSTOS E PREÇOS “A coisa mais dura de entender no mundo é o Imposto de Renda”. Albert Einstein 7.1 Objetivos do Capítulo A compreensão dos custos e, sobretudo, dos preços e das margens de lucro requer análise cuidadosa dos tributos incidentes sobre a operação. Embora muitos impostos não sejam registrados contabilmente nos custos dos produtos, já que possuem mecânica própria de registro e compensação, são muito importantes no processo de formação de preços. Preços praticados nos mercados devem ser suficientemente capazes de remunerar os custos plenos, gerar margem razoável de lucro e cobrir todos os impostos incidentes, que podem ser de três diferentes esferas - federal, estadual e municipal - e de dois tipos básicos - cumulativos e não cumulativos. O objetivo deste capítulo consiste em descrever de forma introdutória os principais tributos existentes no Brasil e seu efeito sobre a formação de custos e preços. São abordados os efeitos nos preços do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), do Imposto Sobre Serviços (ISS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), do Programa de Integração Social (PIS), do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social Sobre o Lucro (CSSL) e do Simples. 7.2 Tributos, Custos e Preços No Brasil, um dos principais aspectos a serem analisados na formação de custos e no processo de fixação de preços consiste na análise dos impostos incidentes nas operações de elaboração e venda. Os tributos não são incorporados nos custos contábeis dos produtos - apresentam mecânica de registro e compensação diferenciada. Entretanto, devem ser analisados e contemplados com cuidado na formação dos preços. No estudo dos custos e preços, a análise de tributos deve-se iniciar com a distinção entre tributos cumulativos (que não crédito fiscal - isto é, não permitem a dedução posterior do desembolso com o tributo) e não cumulativos (que permitem o aproveitamento posterior do imposto pago, não devendo ser incorporado ao custo dos produtos). Para ilustrar o efeito da cumulatividade ou não-cumulatividade fiscal, veja o exemplo ilustrado a seguir. Uma fábrica produz aparelhos de som, que costuma vender a um distribuidor nacional por $ 100,00 a unidade. Para simplificar, supõe-se que a indústria não recebe nenhum crédito fiscal decorrente da aquisição de materiais diretos. Por sua vez, o distribuidor revende os aparelhos comprados a um varejista, aplicando preço igual a $ 200,00. O varejista vende-os aos consumidores finais, mediante preço igual a $ 400,00. Supondo uma mesma alíquota de imposto de vendas (IV), vigente durante todas as operações, igual a 18%, os impostos arrecadados poderiam ser expressos mediante duas considerações básicas: Supondo a cumulatividade do imposto sobre vendas (IV) e Supondo a não-cumulatividade do imposto sobre vendas (IV). Supondo a cumulatividade do imposto sobre vendas (IV): Industria Distribuidor Varejista Consumidor Preço 100,00 200,00 400,00 IV pago (18%) 18,00 36,00 72,00 IV total pago nas operações ....................................................................................................... 126,00 IV total % pago nas operações .................................................................................126/400= 31,50% Figura 7.1 Impostos cumulativos sobre vendas. 103
  • 108. Se o imposto fosse cumulativo, sem direito ao crédito ou aproveitamento dos impostos pagos em etapas anteriores, o total recolhido seria igual a $ 126,00, o que corresponderia a 31,50% do preço de venda final da operação ($ 400,00). Supondo a não-cumulatividade do imposto sobre vendas (IV): Industria Distribuidor Varejista Consumidor Preço 100,00 200,00 400,00 Débito de IV pago (18%) 18,00 36,00 72,00 (-) Crédito de IV - (18,00) (36,00) IV a pagar 18,00 18,00 36,00 IV total pago nas operações ....................................................................................................... 72,00 IV total % pago nas operações ...................................................................................72/400= 18,00% Figura 7.2 Impostos não cumulativos sobre vendas. Se o imposto for não cumulativo, nas operações anteriores à venda final para o consumidor, cada débito do imposto permitirá um crédito posterior. Por exemplo, se a operação de venda do distribuidor para o varejista gera débito igual a $ 36,00, o valor a pagar a título de imposto sobre vendas deverá ser deduzido do crédito fiscal originado na operação da aquisição do produto junto à indústria ($ 18,00). Assim, o valor a ser pago pelo distribuidor a título de imposto sobre vendas será igual a $ 18,00, sendo: ($ 36,00 - $ 18,00). O total de impostos pagos será igual a $ 72,00, que corresponde exatamente a 18% (alíquota do IV) do preço de venda. Se o imposto fosse não cumulativo, o distribuidor e o varejista deveriam registrar o custo dos produtos adquiridos, livres do crédito fiscal que será posteriormente aproveitado. No Brasil, os dois principais impostos não cumulativos correspondem ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Entre os principais tipos de impostos cumulativos, podem ser citados o Imposto sobre Serviços (ISS) e o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). O Programa de Integração Social (PIS), e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), a partir de fevereiro de 2004, passaram a apresentar a possibilidade de classificação mista, sendo considerados não cumulativos para empresas tributadas pelo imposto de renda pelo lucro real, trimestral ou anual. São cumulativos para pessoas jurídicas com imposto de renda trimestral apurado com base no lucro presumido ou atribuído, para as microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo Simples. A seguir, estão apresentados alguns dos principais tributos existentes no Brasil. 7.3 Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) De esfera federal, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) possui como fatos geradores o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira e a saída de produto de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. Considera-se industrialização a operação que modifica a natureza, o funcionamento, a apresentação ou a finalidade do produto, além de aperfeiçoá- lo para consumo. Segundo a legislação, o IPI é devido independentemente da finalidade do produto e do título jurídico da operação de que decorra o fato gerador, como, por exemplo, venda, consignação, transferência, etc. Sua incidência ocorre sobre o preço de venda total (imposto externo) e as alíquotas são variáveis por produto. Por exemplo, um produto apresenta um valor sem ICMS igual a $ 200,00 e ICMS destacado igual a $ 40,96. De acordo com a legislação do IPI, sua alíquota é igual a 10%. O valor do IPI devido será igual a sua alíquota multiplicada pelo valor com o ICMS. Assim, o valor do IPI devido será igual a 10% x (200,00 + 40,96) = $ 24,10, aproximadamente. O valor a ser pago pelo produto será igual a soma do preço sem ICMS, do ICMS e do IPI devidos, ou $ 200,00 + $ 40,96 + $ 24,10 = $ 265,06. A depender do uso do produto adquirido, o IPI gera crédito fiscal ou não. Se o produto adquirido for utilizado, posteriormente, como insumo na fabricação de novo bem ou para revenda, 104
  • 109. gerará direito a crédito por ocasião de sua compra. Não gerará crédito caso o produto destine-se a imobilizado ou consumo final - nessas situações, constitui-se custo. 7.4 Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) De esfera estadual, possui como fatos geradores: • a venda de mercadorias de estabelecimento comercial, industrial ou produtor; • a entrada em estabelecimento comercial, industrial ou produtor de mercadoria importada do exterior; • o fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias em restaurantes, bares e outros estabelecimentos similares; • a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicações; • a entrada de bens do ativo imobilizado, oriundos de outros Estados ou Distrito Federal e que sejam utilizados na atividade produtiva; • a entrada de bens de consumo, a partir de janeiro de 2000 (para alguns Estados, a partir de 1999). Sua incidência ocorre sobre o preço de venda, cobrado "por dentro". Ou seja, no preço de venda do produto (base de cálculo), já se encontra embutido o valor do ICMS incidente. Se o gasto com os produtos (ou o preço de venda sem o ICMS) for igual a $ 100,00, para achar o preço de venda com o ICMS incluso, supondo uma alíquota igual a 18%, seria preciso fazer uma "regra de três": "Preço de venda sem ICMS" está para "(1 - 18%)" "Preço de venda com ICMS" está para "100%" 100,00 Algebricamente, o valor do preço de venda com ICMS seria igual a = $ 121,95 . (1 - 0,18) Assim, o valor do ICMS calculado sobre o preço seria igual a 18% x 121,95 = $ 21,95. Logo, o preço de venda sem ICMS seria igual ao valor original, $ 121,95 - $ 21,95 = $ 100,00. O ICMS é um imposto proporcional, com alíquotas diferenciadas de acordo com o tipo de mercadoria ou serviço e com os destinos das operações, conforme destacado no Quadro 7.1. O ICMS é um imposto do tipo não cumulativo, em que existe a possibilidade de aproveitamento dos créditos gerados em cada etapa da comercialização. O cálculo do débito baseia-se no valor agregado ao produto, permitindo o aproveitamento do crédito originado na entrada da mercadoria ou serviço. Quadro 7.1. Alíquotas de ICMS. Origem Destino Alíquota 18% (São Paulo, Minas Gerais ou Rio de Estado A Estado A Janeiro) ou 17% (demais estados) Sul, Sudeste Sul, Sudeste 12% Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, Sudeste 7% Espírito Santo Norte, Nordeste, Centro- Sul, Sudeste 12% Oeste e Espírito Santo Norte, Nordeste, Centro- Norte, Nordeste, Centro- 7% Oeste e Espírito Santo Oeste e Espírito Santo Exportação 0% Fonte: Extraído de Assef (1999, p. 17). 105
  • 110. Exercício 87 A Comercial de Confecções Charmosa Ltda., localizada em um Estado do Nordeste, no mês de maio de 2006, comprou e vendeu as seguintes mercadorias. Com base nos preços de vendas fornecidos e sabendo que a alíquota de ICMS do Estado em que a empresa está situada é de 17%, calcule o valor dos créditos fiscais supostamente recebidos para cada mercadoria (use o Quadro 7.1) e o valor devido de ICMS. As vendas foram efetuadas para clientes residentes no mesmo Estado da empresa. Ignore o IPI nos cálculos. Mercadoria Origem do fornecedor Valor de aquisição Valor de venda Calças Mesmo estado 1.400,00 2.200,00 Camisas SP 3.600,00 8.300,00 Cintos GO 6.300,0 9.500,00 Saias PA 7.700,00 12.800,00 Resposta: Mercadoria Crédito Débito Valor devido (Dif) % $ % $ $ Calças Camisas Cintos Saias Soma O Imposto sobre Produtos industrializados pode ou não entrar na base de cálculo do ICMS. Veja o quadro seguinte: Quadro 13.2 Incidência do IPI na base de cálculo do ICMS. Destino e destinatário Remetente IPI na base de cálculo do ICMS do Produto Para industrialização ou Contribuinte de IPI e/ou ICMS Não integra a base de cálculo comercialização por do ICMS contribuinte de IPI e/ou ICMS Para uso ou consumo por Contribuinte ou não de IPI Integra a base de cálculo do contribuinte de I PI e/ou ICMS ou ICMS I ICMS Os cálculos que envolvem preços de vendas, IPI e ICMS podem ser feitos mediante as fórmulas apresentadas a seguir: Quando o IPI não integra a base de cálculo: PV com ICMS = PV sem ICMS 1 - % ICMS Quando o IPI integra a base de cálculo: PV com ICMS = PV sem ICMS / 1 - [% ICMS x (1 + % IPI)] 106
  • 111. Exercício 88 Calcule o valor do ICMS e o preço de venda total cobrado pelas Indústrias de Tecidos Mirhan Ltda. (localizada na cidade de Guarulhos, Estado de São Paulo) nas situações descritas a seguir. Considere que a alíquota de IPI é igual a 5% e de ICMS igual a 18%. a) venda para indústria de tecidos localizada em São Paulo de mercadorias no valor (sem ICMS e sem IPI) de $ 4.200,00; b) venda para consumidor do município de São Paulo de mercadorias no valor (sem ICMS e sem IPI) de $ 3.750,00; c) venda de mercadorias no valor (sem ICMS e sem IPI) de $ 560,00 para revendedor localizado em Feira de Santana - Bahia; d) venda para fábrica de roupas localizada em Manaus (AM) de mercadorias no valor (sem ICMS e sem IPI) de $ 800,00; Exercício 89 A Indústria paulista Química Ltda., efetuou uma venda para outra indústria também localizada em São Paulo no valor total de $ 13.560,00. Sabendo que a alíquota de IPI é igual a 7% e que a de ICMS é igual a 18%, determine o valor das mercadorias sem impostos, o valor do ICMS e do IPI recolhidos. Exercício 90 A Fábrica de Componentes Mecânicos Duráveis Ltda., localizada no Espírito Santo, vendeu para um revendedor 1.500 virabrequins por $ 400,00 cada, incluindo IPI (com alíquota de 12%) e ICMS (com alíquota de 17%). Sabendo que o lucro de cada produto vendido foi igual a $ 75,00, calcule o custo integral unitário da empresa. Para simplificar os cálculos, despreze eventuais créditos fiscais. Exercício 91 A fábrica cearense de redes Boa Soneca Ltda. vendeu 5 unidades para um consumidor a um preço unitário igual a $ 72,00, com impostos inclusos. Sabendo que o IPI é cobrado com alíquota igual a 6% e o ICMS com alíquota igual a 17%, estime o valor dos produtos vendidos sem impostos, e o valor dos impostos destacados na Nota Fiscal. 7.5 Substituição Tributaria Em algumas situações, os governos estaduais, como forma de simplificar a cobrança e a fiscalização e não prejudicar a arrecadação, podem adotar o regime da substituição tributária. Nesse regime, o governo determina que algumas atividades terão o ICMS recolhido por um agente específico da cadeia produtiva - comumente, o fabricante. Assim, graças à enorme facilidade de apuração dos impostos devidos e à grande redução dos níveis de sonegação, existe tendência forte à criação de substituições tributárias nos mais diversos ramos de negócios. Para a determinação da substituição tributária, o governo estima o preço a ser pago pelo consumidor final do produto e, com base na diferença praticada no momento da venda, é cobrada a substituição tributária. Exercício 92 O preço tabelado para o consumidor final do medicamento Ansiolexil é igual a $ 14,00. Sabe-se que a alíquota de IPI é igual a 10% e a alíquota de ICMS vigente nessa operação é igual a 18% - todos os 107
  • 112. compradores estão situados no mesmo Estado da empresa. Se o Estado cobrasse substituição tributária desse produto, calcule os valores cobrados de ICMS normal e substituído nas operações: (a) venda do medicamento por $ 8,00 para revendedor; (b) venda do medicamento por $ 12,00 para farmácia; (c) venda do medicamento (com desconto) por $ 12,50 para consumidor final, que comprou diretamente do fabricante. 7.6 Impostos Sobre Serviços (ISS) De esfera municipal, possui a prestação de serviços de qualquer natureza como fato gerador. Sua incidência ocorre sobre o preço de venda total do serviço prestado. Suas alíquotas são geralmente iguais a 5%, podendo variar de município para município, de acordo com seus interesses no desenvolvimento de certas atividades. Para evitar problemas decorrentes de guerra fiscal entre os municípios, cresce a defesa da tese de que o ISS deve ser pago no local onde o serviço foi prestado, independentemente da origem da empresa. O ISS não gera direito à crédito fiscal e é calculado por dentro. Exercício 93 A Oportunidade Soluções Empresariais presta serviços de consultoria em um município do Sul do país que possui alíquota de ISS igual a 5%. Se o valor de determinada Nota Fiscal de prestação de serviços foi igual a $ 4.200,00, calcule o valor do ISS recolhido da operação. 7.7 Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) De esfera federal, incide sobre o preço de venda total, tendo por base a receita bruta, excluída do IPI. Até fevereiro de 2004 consistia em tributo cumulativo. Sua alíquota era de 2%, tendo sido alterada para 3% a partir de fevereiro de 1999. O aumento de 1% refletiu uma antecipação da Contribuição Social Sobre o Lucro (CSSL), que incide sobre o Lucro Operacional. Portanto, o aumento de 1% poderia ser compensado no pagamento da CSSL. A partir de fevereiro de 2004, a legislação passou a permitir duas sistemáticas para a Cofins: a) cumulativa: aplicável às pessoas jurídicas que apuram o imposto de renda trimestral com base no lucro presumido ou arbitrado e às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo Simples / Federal, permanecendo válidas as normas anteriores; b) não cumulativa: aplicável às demais entidades (de modo geral, empresas tributadas pelo imposto de renda pelo lucro real, trimestral ou anual). Para estes casos, a alíquota foi elevada para 7,6% (permitindo, porém, o aproveitamento dos créditos anteriores). 7.8 Programa de Integraçao Social (PIS) De esfera federal, foi instituído a partir da Medida Provisória nº 1.249, de 14/12/1995. As empresas que comercializam mercadorias e prestam serviços de qualquer natureza estão sujeitas à contribuição para o PIS na modalidade "faturamento". De forma similar à Cofins, o tributo era exclusivamente cumulativo até fevereiro de 2004, sendo o valor do tributo obtido mediante a aplicação de alíquota de 0,65% sobre a receita bruta mensal, excluída do IPI. Entidades sem fins lucrativos, definidas como empregadoras pela legislação trabalhista, deveriam recolher PIS com base na folha de salários mensal, empregando alíquota igual a 1%. 108
  • 113. A partir de fevereiro de 2004, de forma similar à Cofins, a legislação passou a permitir duas sistemáticas para o PIS: cumulativa e não cumulativa, com regras idênticas às apresentadas anteriormente. Empresas sujeitas à tributação não cumulativa tiveram a alíquota do PIS sobre o faturamento aumentada de 0,65% para 1,65%. Exercício 94 As Indústrias de Solventes Ltda., optantes pela apuração do IR trimestral com base no lucro presumido, venderam no mês passado produtos cujo valor sem impostos era igual a $ 68.000,00. Se a empresa recolhe IPI com alíquota igual a 5%, ICMS com alíquota igual a 18%, PIS com alíquota igual a 0,65% e Cofins com alíquota igual a 3%, estime o valor cobrado na operação, destacando o recolhimento dos impostos. Suponha que a operação de venda tenha sido executada para outra indústria. Resposta: Valor dos produtos Valor dos produtos com ICMS [68.000 / (1 - 0,18)] Valor do IPI (5% x 82.926,83) Valor do PIS (0,65% x 82.926,83) Valor do Cofins (3% x 82.926,83) Valor total da operação (68.000 + impostos) Valor do ICMS (82.926,83 - 68.000,00) 7.9 Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) De esfera federal, incide sobre o lucro das empresas, considerando três diferentes possibilidades para a apuração dos lucros: real, presumido ou arbitrado, tributando-os de maneira diferenciada. Sua alíquota básica é igual a 15%. Todavia, a parcela do lucro trimestral (real, presumido ou arbitrado) que exceder a $ 60.000,00 está sujeita à incidência de adicional de imposto de renda com alíquota igual a 10%. As diferentes possibilidades de obtenção do lucro podem ser representadas por: Lucro presumido: neste caso, podem ser enquadradas empresas que possuam receita bruta anual igual a R$ 24 milhões e que não desenvolvam natureza essencialmente financeira, de seguros, factoring, entre outras. No regime do lucro presumido, o fisco presume margem de lucro, tributando-a. Para as empresas, além de possíveis vantagens financeiras decorrentes da redução de carga fiscal, o regime do lucro presumido reduz substancialmente a carga burocrática da contabilidade, isentando-a da manutenção e do preenchimento de determinados livros fiscais, obrigatórios no regime do lucro real. A margem presumida, para a maioria das atividades, costuma ser igual a 8% da receita bruta, e a alíquota aplicada, igual a 15%, o que se iguala a 1,20% do preço de venda. Para alguns serviços, as margens presumidas são iguais a 16% ou 32%, o que, mediante a aplicação de alíquota de 15%, resulta em imposto igual a 2,4% ou 4,8% da receita bruta. Veja bases e incidência percentual de impostos no Quadro 7.3. 109
  • 114. Quadro 7.3 Imposto de renda mensal. Atividade Base (%) IRPJ (%) Venda de mercadorias 8 1,2 Revenda de combustíveis 1,6 0,24 Serviços hospitalares 8 1,2 Transporte de carga 8 1,2 Serviços de transporte 16 2,4 Prestação de serviços 32 4,8 Prestação de serviços até $120.000,00 de receita bruta anual 16 2,4 Fonte: Extraído de Assef (1999, p. 27). Lucro arbitrado: O fisco pode enquadrar determinadas empresas nesse regime de apuração em função do não- preenchimento de alguns pré-requisitos contábeis, como, por exemplo, a não-manutenção de escrituração nos termos da legislação comercial e fiscal. Conhecida a receita bruta, o imposto de renda mensal pode ser obtido com base no lucro arbitrado. As bases de cálculo são as mesmas do lucro presumido, acrescidas de percentual de 20%. As alíquotas são idênticas a 15%. Lucro real: São obrigatoriamente enquadradas no regime de apuração do lucro real as empresas que faturam pelo menos R$ 24 milhões. Sua apuração ocorre após o fechamento periódico do balanço, recolhendo-se imposto de renda de acordo com a alíquota vigente. Como o lucro real é função dos resultados auferidos no total das operações da empresa, independentemente de cada produto vendido ou preço de venda praticado, o imposto de renda não deveria ser tratado como gasto variável, não sendo componente do preço de venda. 7.10 Contribuição Social Sobre o Lucro (CSSL) De esfera federal, tem como fato gerador a receita bruta ou lucro líquido auferido pela empresa. Sua alíquota, a partir de janeiro de 2000, é de 8%. Desde fevereiro de 1999, a alíquota da Cofins aumentou de 2% para 3%, refletindo a antecipação de 1% da CSSL devida. Assim, essa antecipação não deveria ser computada em duplicidade. Quadro 7.4 Percentuais da CSSL. Data COFINS CSSL Total Até Fevereiro / de 1999 2% 8% x 12% = 0,96% 2,96% Fev./Abril / de 1999 3% 8% x 12% = 0,96% 2,96% Fevereiro / de 1999 em diante 3% 12% x 12% = 1,44% 3,44% Fonte: Extraído de Assef (1999, p. 29). 110
  • 115. 7.11 Simples De esfera Federal, tem seu fato gerador mediante Lei n° 9.317/96, que criou o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), unificando a cobrança de tributos [como o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL), contribuições previdenciárias (INSS do empregador e IPI)], em uma única alíquota e documento. Quadro 7.5 Tributação do Simples. Faturamento Classificação Alíquota (%) Até 60.000 Microempresa 3 De 60.001 a 90.000 Microempresa 4 De 90.001 a 120.000 Microempresa 5 De 120.001 a 240.000 Pequeno porte 5,4 De 240.001 a 360.000 Pequeno porte 5,8 De 360.001 a 480.000 Pequeno porte 6,2 De 480.001 a 600.000 Pequeno porte 6,6 De 600.001 a 720.000 Pequeno porte 7 De 720.001 a 840.000 Pequeno porte 7,4 De 840.001 a 960.000 Pequeno porte 7,8 De 960.001 a 1.080.000 Pequeno porte 8,2 De 1.080.001 a 1.200.000 Pequeno porte 8,6 Fonte: Extraído de Assef (1999, p. 14). Estando de acordo com as prerrogativas de enquadramento, para aderir ao sistema, a empresa deve efetuar algumas alterações cadastrais bastante simples. Existem, porém, algumas restrições para o enquadramento, que vedam empresas: a) constituídas sob a forma de sociedade por ações; b) que tenham sócios estrangeiros, residentes no exterior; c) cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, a qual a receita global ultrapasse $ 1.200.000,00 por ano; d) cuja receita decorrente da venda de bens importados (ainda que comprados no mercado interno) seja superior a 50% de sua receita total; e) que realizem operações relativas à: importação de mercadorias destinadas à comercialização, locação ou administração de imóveis, armazenamento e depósito de produtos de terceiros, propaganda e publicidade, exceto os veículos de comunicação, prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra e que prestem serviços profissionais de profissão regulamentada. O tributo incide sobre a receita bruta mensal das empresas (resultado da venda de bens ou serviços) descontada das vendas canceladas e descontos incondicionais concedidos. As faixas de tributação estão apresentadas no Quadro 7.5. Para empresas industriais, sujeitas ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), deve ser acrescentado para todas as faixas o percentual de 0,5%, para cobertura desse imposto. Além dos tributos federais, o Simples também previu a cobertura de ICMS (esfera Estadual) e ISS (esfera Municipal). Nesses casos, existe a dependência da concordância de Estados e municípios, com a necessidade da assinatura dos respectivos convênios para redução das alíquotas de impostos. Com a concordância, as alíquotas variam entre 0 e 2,5% para a cobertura de ambos os tributos. 111
  • 116. Exercícios Propostos Exercício 95 Sabendo que o valor das mercadorias vendidas pela Uh Tererê Comércio e Indústria S.A. foi igual a $ 480,00, sem considerar os impostos, e que a empresa recolhe ICMS com alíquota igual a 18% e IPI com alíquota de 15%, estime o valor dos impostos, o valor da nota fiscal e o valor total a pagar. A operação de vendas foi realizada com cliente que é contribuinte do IPI. Despreze os outros impostos. Valor dos produtos (dado no enunciado) Valor dos produtos com ICMS (aplicação da fórmula) Valor do IPI Valor total da operação Valor do ICMS Exercício 96 Os custos da empresa industrial Quero Quero Ltda. para o pedido número 0058 são iguais a $ 5.600,00, além de créditos fiscais iguais a $ 200,00 para o IPI e $ 850,00 para o ICMS. Sabendo que a empresa recolherá ICMS com alíquota igual a 18% e IPI com alíquota de 8%, pede-se: (a) a composição da nota fiscal a ser emitida pela empresa; (b) os valores a serem recolhidos a título de ICMS e IPI. Considere operação de venda para consumidor, não contribuinte do IPI. Exercício 97 O valor sem impostos dos conjuntos estofados da Samba Lelê Ltda. é igual a $ 370,00. Sabendo que a empresa é tributada com alíquota de ICMS igual a 18% e IPI igual a 12%, pede-se para calcular os valores que comporão a Nota Fiscal de venda para um consumidor final e os valores a serem pagos de IPI e ICMS, nas seguintes situações: (a) desprezando créditos de impostos; (b) considerando que foram recebidos créditos de IPI no valor de $ 20,00 e de ICMS no valor de $ 48,00. Exercício 98 O valor total de uma operação de venda de seis toneladas do componente químico Alfa Três foi igual a $ 320.000,00, incluindo impostos. Sabendo que a empresa recolhe IPI com alíquota igual a 10% e ICMS com alíquota igual a 18%, calcule os valores dos impostos recolhidos supondo que o comprador: (a) seja contribuinte de IPI; (b) não seja contribuinte de IPI. Bibliografia BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP12C e Excel. São Paulo: Atlas, 2004. ASSEF, R. Guia Prático de formação de preços. 7. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. 112

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